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Tirei minha carteira definitiva, finalmente!

Postado em 24 January 2012 Escrito por Izzy Nobre 2 Comentários

FINALMENTE, putaquepariu.

Xô explicar a parada do começo — no longínquo ano de 2007, quando ainda acreditávamos que seríamos hexacampeões na próxima Copa do Mundo, eu tirei o que se chama de “learners license”.

Pra começo de conversa eu já estava fazendo errado, pois essa learners license é o tipo de habilitação que a molecada aqui tira com 14 ou 15 anos (se você estranhou ver a criançada dirigindo em filmes, eis o motivo por qual isso acontece). Eu só fui tira-la com 23 anos nas costas.

O motivo disso é porque eu sou burro. Logo que cheguei no Canadá, eu poderia ter tirado essa carteira, mas pensei “já que não posso trabalhar ainda e tampouco comprar um carro, não vou gastar esses 100 dólares tirando a habilitação”.

Essa frase, além de provar que eu não sou um sujeito particularmente inteligente, acabou atrasando minha vida. Os anos passaram-se sem que eu pudesse dirigir.

A propósito, essa carteira learners funciona da seguinte maneira: você estuda um livrinho grátis que eles dão nos Detrans canadenses, vai lá e faz uma prova eletrônica molezíssima. Passou no tal teste = ganha a carteirinha. Cabou. Não é obrigatório fazer auto-escola nem nada.

O que isso significa é que teoricamente você pode ser o detentor de uma carteira de habilitação sem jamais ter entrado num carro na vida.

Esta carteira de habilitação tem várias limitações, no entanto: você só pode dirigir com alguém que tenha uma carteira “plena” do seu lado, e você só pode fazer o exame pra tirar a tal carteira plena um ano depois de tirar a learners. A idéia é dar essa carteira a adolescentes, que então dirigirão o carro dos pais por um ano pra aprender como é o negócio, e então poder tirar suas carteiras definitivas (com 15 anos, o que é meio assustador).

Por isso eu protelei tirar essa merda por anos.

Então, em 2007 eu finalmente criei vergonha na minha cara cearense, estudei o livrinho lá, e fiz a prova. Foi molezinha, como eu imaginava que seria.

O problema é que no mês seguinte, eu saí da casa do meu pai. E o propósito da learners (que é justamente dar ao moleque a oportunidade de aprender a dirigir usando o carro dos pais, encontrando-se os mesmos dentro dele, que é a limitação dessa carteira) foi pro espaço.

Pois bem, mais de quatro anos mais tarde, finalmente tirei essa porra de carteira definitiva.

Marquei o teste de direção pra ontem, segunda feira. Fui lá ao Registry (que é meio como se fosse o nosso Detran), fui apresentado à fiscal que conduziria o exame. Um pouco de nervosismo, mas vamos lá. Ela me manda ir ao carro pra me acostumar com o painel e os controles, e diz que já já me encontra lá. Ok.

Sento no carro, fuço um pouco nos controles (nada muito diferente do meu próprio carro), penso em pedir apoio moral via tuíter mas decido que não pegaria bem ser visto pela fiscal brincando com o celular dentro do carro. Vai que ela aparece justo agora que eu mando um RT falso que fará meus seguidores pensarem que o @gravz realmente sente saudade de um estivador que ele conheceu no Carnavel de 1993? “Os amigos de bolso terão que esperar”, pensei.

Em minha inspeção interna do veículo (era um Chevy Cavalier bem fodido) noto aquele pedal de freio do lado do passageiro, projetado pro fiscal enfiar o pé caso minha falta de habilidade com o volante me fizesse ir direto pra cima de uma parede ou um trem ou um alce selvagem. Respiro metade aliviado, metade apavorado — embora o freio do lado do passageiro dê ao carro uma espécie de rede de segurança, ele é uma admissão e uma confirmação do fato de que este automóvel está nas mãos de alguém que possivelmente dirigirá-lo até o fundo de um despenhadeiro.

Logo de cara, cometo uma cagada — ao sair do estacionamento, esqueço do detalhe de que aqui podemos virar à direita num sinal vermelho. Você cometer um erro no teste de motorista quando nem saiu do estacionamento ainda é tipo errar o próprio nome no vestibular, ou acertar o próprio pé jogando dardos.

E esse momento de hesitação no semáforo ou sinal ou seja lá como você chama aí no seu estado me rendeu o primeiro ponto negativo. Praguejo sileciosamente, mas prossigo adiante com uma auto-confiança que eu nunca tive.

E no fim das contas, passei no teste. Como no teste pra tirar a learners, não é necessário auto-escola pra ter a carteira plena. Além da atrapalhada no sinal vermelho, cometi poucos erros, o que surpreendeu-me profundamente — afinal de contas ao entrar no carro do exame, fiz o sinal da cruz e decidi que tive uma boa vida.

E começa o bolão “quanto tempo até o Kid bater o carro?”. Só pra vocês terem uma idéia, na primeira vez que dirigi com a learners eu entrei na contramão e quase me enfiei numa picape que vinha em sentido oposto. Berrei prontamente ME ACUDA, NOSSA SENHORA DOS PIRULITOS e, conforme a santa é conhecida por fazer, fui salvo imediatamente. Mas foi por pouco!

Melhor eu deixar um testamento logo escrito.

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Categorias: Vida maldita

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 30 anos, também sou conhecido como "Kid", moro no Canadá há 10 anos, e sou casado com uma gringa. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

2 Comentários \o/

  1. Gui says:

    Se aí você já entrou na contra mão, aqui na Inglaterra vc já estaria morto! 🙂

  2. maria lucia tabosa da silva says:

    boa tarde: quero saber por favor como fasso pra pega minha halbilitaçao definitiva a onde o lugar etc o no dentra obrigada…