Vocês devem saber que eu sou um usuário compulsivo de internet no celular.
Onde quer que eu esteja, se o iPhone estiver no meu bolso (e ele sempre está), tou constantemente checando notícias na CNN, wikipediando um assunto aleatório qualquer que passou rapidamente pela minha cabeça, respondendo emails, tirando fotos de alguma bobagem e jogando no tuíter, batendo papo com amigos no Facebook, etc. Eu uso tanto o celular que ele passou a ser uma extensão do meu corpo, praticamente.

Assistir desenhos animados clássicos no trem? FUCK YES
E mais importante que o celular per se, é a conexão 3G.
Não sei se já comentei aqui, mas no Canadá, até onde me consta, não existem muitas operadoras de celular que oferecem planos ilimitados pra clientes donos de smartphones. A Rogers, que é a minha operadora, definitivamente não oferece – pelo menos, não pro iPhone. É, uma merda, eu sei.
O plano mais robusto que eles oferecem é um de 6gb por mês – “virtualmente ilimitado”, como dizia o panfletinho. E pra maioria dos usuários, é de fato equivalente a um plano de dados sem limite de uso. Acontece que eu não sou o que pode se chamar de “usuário comum”.
Como eu já falei (e qualquer pessoa que me segue no tuíter sabe), eu dependo muito e faço muito uso da conexão 3G do celular. Não bastasse o uso quase compulsivo do iPhone, eu também uso o aparelho como modem pro meu netbook, no trabalho. E aí que a coisa começa a complicar.
Quase todo mês, sem falta, recebo uma SMS da Rogers dizendo que eu passei da marca de 80% do total de dados disponíveis. A mensagem essencialmente diz “dá uma maneirada aí porque senão a casa vai cair”. Quando chego neste ponto – geralmente poucos dias antes do mês acabar e a conta zerar -, costumo deixar o telefone no bolso mais frequentemente, ou me ater a usar as funções que não utilizem dados (o que é paia, porque o carro chefe do iPhone é justamente a conexão com a internet).
Assim, todo mês eu chego bem perto dos 6gb – nem lembro mais em quantos meses eu cheguei exatamente a 5.9gb -, mas nunca estourava o limite permitido.
Até hoje.
Estou eu tranquilamente no trabalho lendo o artigo da TVTropes sobre Futurama quando recebo uma mensagem da Rogers dizendo que eu havia utilizado mais de 100% da minha franquia de dados mensais. Li e reli a SMS quatro, cinco vezes, achando tratar-se de algum engano.
Corri ao app da Rogers, que mantém registro de tudo da tua conta – SMSs trocadas, minutos utilizados e, mais importante, o nível de uso do plano de dados. Horrorizado, vi isto:
Puta. Que. Pariu. 429 megabytes acima do permitido.
Se você é familiarizado com o sistema operacional do iPhone, você deve ter percebido que eu estava no meio de uma ligação quando tirei essa screenshot. Isto é porque eu já estava na linha com a Rogers, DESESPERADO, tentando descobrir quanto essa brincadeira me custaria.
Cansado de esperar (aqui, aguardar na linha por 3 minutos pra falar com atendimento ao consumidor parece uma eternidade, e eu desisti), desliguei o telefone e o retornei ao bolso. O jeito seria parar de utilizar a internet móvel imediatamente. E pior, ainda faltava uma semana pro fim do ciclo mensal. Uma semana sem internet 3G.
Logo de cara eu não consegui compreender como havia pela primeira vez estourado o limite de dados. Por ANOS meu perfil de uso se encaixava direitinho nos 6gb por mês, sem precisar me policiar pra isso nem nada. Só que aí eu me toquei que, por causa do novo iPhone 4, as fotos que eu posto no tuíter são agora bem maiores do que costumavam ser – algumas fotos chegam a ter o dobro do tamanho, por causa do sensor de 5 megapixels.
Não houve alternativa. O negócio seria enfiar o celular no bolso e só tirar de lá pra jogar alguma coisa ou escolher capítulos de podcasts.
Uma das primeiras coisas que eu percebi nesta semana sem internet móvel é que eu me tornei extremamente mal acostumado a ter informação instantaneamente, em qualquer lugar. Trazer o google e a wikipédia no bolso significa NUNCA ter uma dúvida sobre assunto nenhum. Enquanto o indivíduo tiver a disposição pra digitar palavras-chaves na busca do Safari, nenhum conhecimento está fora do seu alcance.
E ter acesso imediato a qualquer tipo de informação, desde as mais vitais (achar o telefone da sua agência do banco) até as mais fúteis (descobrir o nome daquele coadjuvante que tu reconheceu de algum outro filme), vira hábito. Não consigo nem descrever a minha insatisfação em ter uma dúvida aleatória qualquer naqueles dias, e ter que me conformar com a ignorância. Me senti na Idade Média.
A outra sensação era um misto de tédio com solidão, por causa do meu vício no twitter.

Vocês vão me achar imensamente mais nerd do que eu já sou, mas eu sou obrigado a admitir: o hábito de jogar conversa fora com as dezenas de milhares de pessoas que me seguem se torna rapidamente uma dependência. Pra quem tem um bom número de seguidores, o tuíter vira uma válvula de escape de pensamentos errantes, e obter feedback de qualquer um desses pensamentos aleatórios satisfaz aquele desejo humano inegável de atenção e auto-importância.
Literalmente QUALQUER bobagem que eu jogue lá recebe vinte ou trinta respostas. E nem todo mundo é estranho, há lá também muitos amigos com quem converso sobre os mais variados assuntos. É divertido interagir com tanta gente no formato dinâmico que o twitter permite, e uma vez que você se acostuma a levar milhares de amigos no bolso dessa forma, é difícil voltar à condição antiga de sentar em silêncio no ônibus, “sozinho”, sua cabeça populada de pensamentos e idéias e piadinhas que ninguém jamais ouvirá.
Outra coisa que eu notei é que smartphones dão uma autonomia que torna difícil voltar a viver sem. Funções como GPS, Google, acesso remoto aos meus PCs e etc me permitem sair de casa sem fazer muitas preparações ou planos específicos. Se eu não anotei o endereço do local onde estou indo, Google. Se não sei como chegar lá, Maps. Se esqueci um documento importante em casa, TeamViewer pra logar no PC e enviar pra mim mesmo por email.
O iPhone confere ao dono a capacidade de fazer e modificar planos complexos “on the go”; nesses dias sem internet eu precisava saber direitinho o que eu estaria fazendo ANTES de sair de casa, porque não teria como adaptar os planos fazendo uso da conexão com a internet.
Houve outras coisas que eu não tou lembrando no momento, também. Essa experiência me fez perceber que internet no celular não é o supérfluo que a maioria das pessaos deve imaginar que seja. Lembra de quando não existia celular e ao pôr o pé fora de casa, você tinha que ter feito todo um plano e combinado tudo em antemão com os amigos? E que se desse alguma merda, não haveria como entrar em contato com ninguém durante o caminho?
Ou antes do surgimento da indústria de home movies, quando não tinha nem Betamax nem VHS e filme era mesmo só no cinema?
Você consegue se imaginar vivendo naquele mundo novamente? Não dá, né?
Ao meu ver, o acesso móvel a informação mudou irreversivelmente a forma como vivemos, e se já não é uma necessidade básica, está bem perto disso.
Ah, esqueci de esclarecer: A minha conta veio quase 40 dólares mais cara por causa dessa brincadeira.






Ah vai toma no teu cu seu viadinho…
Fiquei rindo da tua miseria e me fudi tambem… Estourei o limite do meu 3g, mas aqui eles nao me cobram a mais, só limitam a velocidade o que é igualmente frustrante…
Assinale a alternativa correta:
Um motorista cujo carro possui o módulo v² igual à 40 km por hora deve:
a) Aproveitar a baixa velocidade do veículo para atirar 40 esfihas em travecos que estão fazendo ponto na esquina.
b) Aumentar o volume do aparelho de som e relembrar os melhores momentos da narração dos Penaltys da Copa de ’94.
c) Decodificar o genoma dos pêlos do saco.
d) Colocar a pica pra fora da janela e girar a giromba tão rápido quanto um pirocoptero.
e) “elicóptero”.
“sentar em silêncio no ônibus, “sozinho”, sua cabeça populada de pensamentos e idéias e piadinhas que ninguém jamais ouvirá.”
Essa é a pior sensação experimentada no ônibus. Sem poder expressar-se aleatoriamente.
Pô, quidê, toda essa informação disponível não tá overload na tua cabeça? Até meus áureos 15 anos, meu uso de internet se limitava a 15 minutos por dia (internet discada), quando minha família migrou para banda larga e eu passei de 15mins para o dia inteiro. Com o tempo comecei a sentir muita dificuldade em me concentrar quando não estava no computador, o dia passava muito mais rápido e à noite era mais difícil dormir, as coisas também perdiam o interesse rápido: eu baixava zilhões de livros e cds e ouvia 10%, perdia a paciência na hora de ler os livros da escola.
Sei lá, acho que por ter tão pouco contato com a internet antes, acabei tomando um choque quando comecei a usar de verdade. Hoje eu tento reduzir ao máximo o uso do computador em geral, ler as coisas que eu baixo antes de fazer outro download, “digerir” melhor as informações e com mais calma.
Não sei se você sentiu alguma diferença quando cortou a internet móvel nesse sentido, mas faça a experiência um dia, é no mínimo interessante.
Sou viciado no Twitter também. Não consigo passar nem um minuto sequer sem o smartphone na mão checando novos tweets, atualizando o facebook ou wikipediando algum assunto que surge.
Internet no smartphone hoje em dia é tão essencial quanto a água que necessitamos.
HAHA, deve ser foda mesmo.
Olhá só, tem brazileiro se acahando com a net de 0,50 centavos no brasil HAHAHA
Quero ver se a net 3G do brasil (que só tem em algumas cidades) pega net de 5 ou 10mb kkk
Porra Izzy, 6giga. é coisa pra caramba ein. Vai ter que fazer um plano só pro iPad