Os eventos que narrarei em seguida aconteceram no último sábado, dia 12 de julho de 2008.
09:24
Estou no trabalho. É sábado de manhã, o tribunal está fechado. Meu parceiro está no banheiro, e pelos sons que ele emite lá de dentro, o canadense está pintando a porcelana com a janta de ontem. Se eu conheço o padrão das ressacais semanais dele, em alguns minutos ele emergirá do lavatório com uma expressão de confusão impressa no rosto. Em seguida ele despencará na cadeira, perguntará se eu vi o caderno de esportes, e anunciará redundantemente que o banheiro está interditado graças ao vômito explosivo dele.
Abro meu livro, ponho os pés na mesa e me preparo pra matar as próximas oito horas. Eu não sabia naquele momento que estava prestes a embarcar numa perigosa aventura; uma que quase me custou minha capacidade reprodutória.
09:25
Estou apreensivo. Ao erguer minhas pernas em direção à mesa, pude ouvir um perturbante ruído, não muito diferente do som produzido por tecido sendo rasgado. Temo pelo pior, especialmente porque meu parceiro também ouviu o barulho e parece ansioso em repassar a informação ao resto da equipe de trabalho pelo rádio.
Nota pra mim mesmo – na próxima vez que ele sair pra um cigarro, dê algumas corridas ao redor do escritório, depois abaixe as calças e peide no café dele.
09:29
Seria irresponsável continuar ignorando o problema. Larguei o livro e me dirijo ao banheiro, pra investigar a causa do ruído. Tomo o cuidado de andar a meio-passo, já que qualquer movimento brusco poderia piorar a situação. Na saída, vi Craig puxando o rádio-comunicador pra perto de si, tentando suprimir as risadas. Ele não perde por esperar. Preciso lembrar de não desperdiçar nenhum peido no banheiro.
09:30
Estou no banheiro, usando apenas minha camisa e meias, examinando cuidadosamente o interior das calças.
Meus piores medos foram confirmados. Há um rasgo de aproximadamente 2cm no tecido da calça, na área dos testículos. O buraco é no tecido, e não na costura, tornando um conserto por meios convencionais – agulha e linha – quase impossível. Ponho as calças novamente, com bastante cautela. Um movimento em falso e o buraco atingirá dimensões que permitirão minha bolsa escrotal a balançar livremente ao vento. O que fazer agora?
09:32
Voltei ao escritório. Minha mente trabalha redobrado, tentando descobrir uma forma de reverter o cenário. O que MacGyver faria nessa situação? Preciso encontrar os objetos necessários pra remediar o problema. Quão difícil poderia ser, afinal de contas? Há de existir uma maneira de consertar essa desgraça. E eu vou descobri-la.
09:36
Este meu real life point and click adventure game acabou sendo mais fácil do que eu pensava. Não tenho como suturar o roto, de fato, mas há uma alternativa. Decidi utilizar uma técnica conhecida nas publicações norte-americanas como “hobo science”, ou seja, a ciência do morador de rua. Encontrei um grampeador velho no cesto do lixo do balcão da Corte de Apelos. Há uns 20 grampos ainda no aparelho, esses canadenses desperdiçam demais. Isso deve ser mais que suficiente pra resolver esta crise.
09:39
De volta ao banheiro, pelado novamente (não costumo ficar pelado no trabalho, qur dirá então ficar pelado duas vezes no mesmo dia), examinando a melhor forma de abordar a situação. Será que basta unir as bordas e meter o grampo, ou precisarei de algum tipo um catalizador, algum material pra cobrir o buraco? Mas não tenho nenhum pedaço de pano pra usar como parte do remendo, então dobrarei um pedacinho da calça por cima do buraco.
09:41
O remendo está feito. O resultado não é nada que sugira que eu tenha um talento inato pra corte e costura, (talvez porque não envolveu nenhum corte, e menos costura ainda), mas isso deve segurar a situação até eu chegar em casa. A maneira que a calça dobra na área grampeada indica claramente a gambiarra, mas pra notar o defeito alguém teria que observar a minha virilha a menos de 10cm de distância. A única pessoa no planeta que de vez em quando se encontra naquela área é a namorada, então tá tudo de boa. Até porque geralmente não estou usando calças nessa situação.
Por enquanto o alerta foi reduzido.
09:45
Pelo jeito meus problemas estão longe de serem resolvidos. Ouvi um segundo ruído proveninente das calças, além da estranha sensação de uma picada na bunda. Sinta-se à vontade pra fazer seus comentários de teor homoerótico. Preciso retornar ao banheiro e analisar a nova situação.
09:46
Pelado de novo, examinando o fundo das calças. A essa altura já nem sinto aquele natural odor concentrado de bolas suadas que se embutiu no fundo das calças de qualquer homem.
Dois grampos estão dobrados em V, com as pontinhas afiadas apontando pra cima e completamente inúteis pra tarefa de manter minha calça inteira. A visão dos grampos retorcidos me deu um arrepio na espinha – se eu tivesse me movido da maneira errada, um daqueles grampos poderia estar agora habitando o inteiror dos meus testículos. Removi-os depressa.
Um último grampo se segura vigorosamente, mas ele não será suficiente pra resolver a situação. Até porque a nova análise provou que os grampos causaria mais problemas que eles resolveriam. Uma nova abordagem é necessária, e urgentemente.
09:48
Estou fazendo uma nova incursão pelo prédio procurando materiais pra me salvar desse apuro; cartão magnético que destrava portas numa mão, iPod touch registrando as lembranças do evento na outra. A lembrança dos grampos afiados me cutucando a bunda é de gelar o sangue; aquele plano poderia ter dado MUITO errado. Nessas horas ter um UMPC que eu pudesse trazer pro trabalho diariamente viria a calhar; rodando simulações computadorizadas dos possíveis resultados dos meus planos. Praqueles grampos, furar meu saco não teria sido desafio algum.
09:50
Aleluia! Dessa vez acredito que meus apuros estão terminados. Encontrei um rolo de duct tape dando sopa no armário de material de escritório no sétimo andar, onde ficam os escritórios da Family Court. Avaliei a quantia de duct tape ainda no rolo como mais que suficiente pra consertar mil calças. Respirei aliviado. Se há um problema que duct tape não pode resolver, eu desconheço.
09:54
Nu em pelo pela enésima vez no banheiro do escritório, estou ficando acostumado com a idéia de estar completamente pelado no meio do expediente. Arranco um pedaço de duct tape de 5 centímetros quadrados e aplico ao fundo da calça. Dessa vez, fui mais cuidadoso na avaliação dos resultados da manobra. Previ que as bordas da duct tape eventualmente se soltariam após a movimentação constante, e por isso reforcei o contato deles com a calça, pra ter certeza que a parte adesiva da fita se soltaria e talvez me roube de meus pelos pubianos da forma mais dolorosa possível.
09:56
SITUATION REPORT
A integridade física das calças está estável. O burato continua lá, sim, mas as bordas dele estão firmemente unidas graças à duct tape. O contato da duct tape com os bagos é mais gélido do que minhas simulações mentais previram à primeira instância, mas isso é um problema marginal. Hoje poderei voltar pra casa sem expor minhas partes ao mundo.
Sucesso.
Hoje, quatro dias depois, AINDA não comprei uma calça nova.





Tú anda com ‘sorte’ hein? Problema da calça no trabalho e caganeira no shopping.
wardrobe malfunction é uma desculpa do cartman em um random episódio de south park ou é um termo recorrente no inglês?
faz um post pra Dercy Gonçalves véi!!
xP
Poxa Kid, nao sabia que voce curtia exibicionismo desse tanto, blog, twitter tudo bem; mas nudez no escritorio?; além do que cuecas no canada nao devem ser tao caras assim né?
@Jonmiguels
Google “Janet Jackson” e “wardrobe malfunction” e você entenderá.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u424125.shtml
Primeiro a Tina, agora a Dercy…
Alguns post atrás o Kid já tinha falado que os gringos têm uma mania curiosa de querer ficar pelados a qualquer custo. Parece que ele já esta sofrendo por passar tanto tempo com eles xD
porra Kid,a Rebecca está sensacional
meus parabéns,seu sortudo do caralho.
história fake
mas eu dei risada
Duct tape salvou a Apollo XIII, não salvaria seu saco?
O melhor é que quando você falou mcGyver eu já matei como a história terminaria.
táá bom, Kid
todo mundo já leu que você ficou com os fundos à mostra no trabalho
pode postar outra coisa
Às vezes os comentários superam, causam o riso maior: Valmir e Tonywalker – isso foi engraçado…
postnovopostnovopostnovopostnovopostnovopostnovopostnovo
Afinal…. usam ou não usam cuecas?
eu só usei grampeador pra consertar bolso furado que deixava escapar chave e camiseta furada
agora da proxima vez, usa uma roupa de baixo! evita um problemao!
da ultima vez que rasgou minha calça nessa area, rasgou de fora a fora, tive que apelar para meu pai que pôde me levar uma calça inteira para mim!
@izzynobre http://bit.ly/ASpGF
Nuff Said.