Escrito por Kid on Jul 30, 2004

Pronto, finalmente arrumei uma desculpa boa pra não postar.

Tou indo amanhã cedinho pros Istaduzunídos. Vou visitar o Trunks, aquele vagabundo do caralho. Fui verificar meu guarda-roupas aqui outro dia e descobri que o miserável levou minha camisa do Marylin Manson e minha wristband com a bandeira do Brasil. Ladrão sem vergonha. Lá vou eu buscar meus troços em outro país.

Voltar? Sei lá quando é que eu volto.

E vou de carro, maluco. A gente somos pobre, não tem esses negócios de viajar de avião, não.

Qualquer leitor que esteja na terra do tio Sam na próxima semana está convidado para aparecer em Fort Lauderdale e tentar acertar uma pedra na minha cabeça.

E lembro-vos que a Flórida é o lugar com mais brasileiros - e crocodilos - no mundo, além do país natural dessa raça. Ou seja, estou na expectativa de presenciar algumas putarias terrivelmente erradas por aquelas bandas. Concentração de brasileiro só dá nisso. Veja só o Brasil.

Aguardem posts narrando a aventura. Ou não, sei lá. Mó preguiça de digitar. Se alguém quiser digitar pra mim, eu vou ditando por telefone. Deixe o número de contato nos comentários deste post. Pago bem.

Só o que sei é que vou morrer de saudade da Vanessa.


Escrito por Kid on Jul 29, 2004

Oh, os tempos de internet discada… Em que belo mundo vivíamos, não? A internet lenta nos educava de uma forma que nunca saberemos valorizar, ou que muitos sequer conhecerão. Agora que todo mundo tem ADSL, internet a cabo, a rádio, a microondas e fogão, já tá tudo fudido.

No meu tempo, não tinha esse negócio de passar o dia inteiro conectado. Internet era um luxo que nos dávamos apenas nos fins de semana, ou durante as madrugadas. Graças a essa prática, eu aprendi o significado do pulso único, decorei todos os feriados nacionais do nosso calendário e descobri técnicas formidáveis para se manter acordado até a meia noite, horário da internetagem liberada. Hoje em dia o moleque mal liga o PC e, antes de ouvir o barulhinho de boas vindas do Ruíndows, já tá conectado, checandos e-mails, lendo comentários do blog e arrumando confusão numa comunidade do Orkut.

Não existia Google. Nós tínhamos que usar o Cadê, ou no máximo, o Yahoo!, que se somados e elevados à decima terceira potência não chegariam nem aos pés do sensacional banco de dados do deus dos sistemas buscas da internet atual. Se eu quisesse saber qual a capital da Guatemala ou a população do Turcomenistão, tinha que ESTUDAR. Tinha que pegar um ônibus, ir à biblioteca e garimpar entre os quinhentos milhões de livros um que pudesse tirar minha dúvida inútil. Ainda que preferíssemos pesquisar na internet, as duas horas que os resultados da busca demoravam para aparecer já eram suficientes para que desistíssemos daquele negócio de procurar respostas na internet e fôssemos fazer algo de mais valia.


Bate papo sem frescuras


Programinhas de bate-papo com opções como webcam, conversa por áudio, conferência, joguinhos e outras farofagens? Porra nenhuma. Tínhamos IRC, que servia exclusivamente pra teclar (e trocar pornografia, mas isso não vem ao caso).

Naquele tempo se exercitava a escrita. Hoje em dia não se tecla, a comunicação é feita inteiramente por smiles do MSN. Veja como esses emoticons substituem com facilidade sentenças inteiras:

= “Oi, tudo bom? Vi uma foto sua em algum site por aí e te adicionei na esperança que um dia você libere pra mim

= “Caralho, você é bicha mesmo? Achei que era brincadeira do pessoal!”

= “Sabe como é, isso nunca tinha acontecido antes. Da próxima vez eu juro que me concentro mais…”

= “Sei não, ein. Da última vez você foi embora sem pagar e eu me fodi.”

= “Você é interessante pra caralho.”

Não, não. Nada de imagenzinhas. A gente usava dois pontos e um parêntese. Essa era a nossa cara de feliz.

Sites eram objetos de status internéticos. Dizer “eu tenho um sáite, sabe” era o equivalente atual de “tou com CounterStrike e um Cd key original, e não te dou“. Você era até mesmo invejado. Se você conseguisse colocar um contador de visitas ou um guestbook, então!


Um belo trabalho de webdesign primitivo


Quem tinha um website era considerado O HACKER DA TURMA, ainda que linguagem HTML pouco - ou nada - tivesse a ver com atividades haxors. Vale lembrar que, naquele tempo, hacker não era quem invadia seu computador. Era aquele cara que sabia o básico sobre um, como desmonta-lo e faze-lo funcionar de novo.

Era padrão: o cara pegava um CD com cliparts e gifs animados toscos, apanhava para um editor de html paleozóico, arrumava um espacinho de uns cinco megas no Xoom, GeoCities ou StarMedia e colocava no ar uma página sem conteúdo algum, milhares de bugs e o indefectível “e-mail para contato”. Sim, nossa inocência nos fazia acreditar que um desconhecido qualquer visitaria aquela porcaria e ainda sentiria vontade de mandar um e-mail pra gente.

Mas naquele tempo, nós SABÍAMOS fazer páginas. Não existiam template shops com códigos pra gente copiar e colar. Hoje em dia até cachorros têm blogs, idosas viram modelos e não mandamos e-mails nem pras nossas próprias mães em seus aniversários.

Baixar vídeo de mulher pelada?! Impraticável. Não existia Kazaa, Emule ou similares antros de p2p (punheteiro to punheteiro). No máximo, nos satisfazíamos com um arquivo zipado com 20 fotos de amadoras, enviado por um amigo no IRC, que supostamente seriam de alguma ^-^LaNiZiNhA^-^ e suas amigas - de nicks igualmente toscos - , todas frequentadoras do canal #rio_de_janeiro. Não havia diversidade: eram sempre as mesmas fotos de meninas barrigudas, feias e peladas no box de um banheiro de alguma casa de praia. E entre as “modelos”, sempre tinha aquela que, segundo seu amigo, já foi comida por ele. Ou talvez uma amiga dela, porque ele sempre se confundia e apontava outra dizendo que as duas “eram muito parecidas”.

Com o advento da internet rápida pra caralho, qualquer um consegue achar e baixar filmes que vão desde um inocente strip tease incompleto até um vídeo de cinquenta minutos estrelando uma mulher cagando na boca de um cara que está sendo ao mesmo tempo sodomizado por um cavalo. Ou seja, todos esses doentes sexuais aí afora encontram a realização de suas fantasias profanas na grande rede mundial.


O melhor programa de digitação do mundo


E o que dizer dos jogos online?! A internet lenta me fez aprender sobre hardware e software, me fazendo preferir apenas jogos fuleiros, de gráficos asquerosos e que ninguém queria jogar mesmo, mas que eram os únicos que rodavam numa internet de 36,600 kbps. A baixa taxa de transferência da conexão não permitia o uso de programas de comunicação por áudio, então tínhamos que digitar todas as mensagens. Você tem idéia de quanto é difícil mirar a arma laser, digitar “toma essa, seu n00b fela da puta!“, voltar as mãos ao mouse e mandar um tiro na cabeça do n00b fela da puta em questão? Isso exigia uma coordenação motora impressionante. Minha invejável abildade de dijitação - totallmeent perfeita e sem erros ortógráficos, perçeba - veio daquelas noites de partidas intermináveis de Quake num servidor vagabundo da Uol.

A jogatina online nos tempos de internet discada exercitava até mesmo nossos dons premonitórios: por causa do lag, tínhamos que adivinhar onde o inimigo estaria dali a cinco segundos. Então, atirávamos naquele ponto, esperando que nossa previsão fosse correta. Era quase como brincar de queimada com olhos vendados, com a única diferença que você empunhava uma bazuca e seu inimigo não era o vizinho menor, e sim algum miserável nerd americano.

Falando em miseráveis nerds americanos, quem não teve um desses como o primeiro contato no ICQ? Internet ainda não era uma coisa muito popular. Era raro conhecer algum amigo que também acessasse, então você tinha que se virar com seus parcos conhecimentos da língua inglesa pra arrumar amiguinhos virtuais de outros continentes. Isso, além de te dar prática na língua estrangeira, expandia seus horizontes sociais, o colocava em contato com a cultura mundial e um monte de outras coisas bacanas. Já hoje em dia, um chat no MSN contém exatamente as mesmas pessoas que você já vê todo dia na escola.

Esses guris de hoje em dia não sabem porra nenhuma, pois receberam tudo nas mãos. Eles nunca saberão a emoção de ouvir o barulhinho do modem após cinquenta e duas tentativas frustradas de conexão. O mundo gira rápido para eles, que estão montados em conexões Velox de duzencinquenteisseis cabáites. Morreu a internet arte.

Progresso é o caralho. Vou instalar um modem dial up aqui nessa porra. N00bs de Quake, eu voltei!


Escrito por Kid on Jul 28, 2004



De Juliana e Paulo, leitores fiéis do HBD. Esses dois ainda acabam perdendo o emprego por causa do meu diarinho. Imagina se o chefe deles os pega desenhando no Paint durante o expediente…

Pelo desenho e pelo risco que vocês correm perdendo tempo com o HBD, valeu!


Escrito por Kid on Jul 27, 2004



Sim, ando meio sem criatividade. Acho que já é algo notável por todos. As atualizações, antigamente diárias, começaram a rarear há algum tempo. Na falta de um assunto para escrever, recorri a “revisitar” alguns posts antigos, fazendo algumas modificações e publicando de novo.

O que me dá raiva é que vocês infelizes sempre percebem quando eu posto um texto antigo. Certa vez publiquei aqui um texto do antigo HBD, um que eu mesmo não lembrava ter escrito. Uns três de vocês acusaram a republicação prontamente. Não que eu esteja culpando vocês por isso. Mas PORRA, vai ter memória boa assim na casa do caralho. Nem EU lembrava.

Sabe, não é fácil escrever um texto novo todo dia - embora eu tenha tentado fazer isso por quase dois anos consecutivos. Não é fácil ser sempre bem humorado e engraçadinho, ainda por cima quando sua vida não é exatamente o que você queria que ela fosse. Apenas meus amigos mais próximos sabem dos meus problemas pessoais-familiares (e me apóiam), porque eu prefiro evitar expor certas coisas aqui. Não usarei meu blog pra ficar tentando obter compaixão de leitores, pessoas que nem me conhecem. Isso aqui é um espaço que uso com muito carinho para semear a discórdia e levar o ódio ao coração dos fiéis. Ficar reclamando de problemas em casa é coisa pra blog gótico.

Nem sempre a gente tem ânimo pra trabalhar em cima de uma idéia, ainda por cima quando a gente sabe que não tá ganhando nada com isso. Nem mesmo reconhecimento, na maioria das vezes. A única coisa que já ganhei escrevendo foram inimigos, muitos inimigos. A maioria dos meus bons amigos virtuais se aproximaram de mim antes de conhecer meu blog.

É foda, sabe. Antigamente, os textos é que vinham a mim; eu não precisava sentar na cadeira e pensar sobre o que escrever. Tava no banheiro, ou namorando, ou fazendo qualquer outra coisa e de repente, tinha um estalo: “porra, isso é uma idéia fenomenal!” Vinha pro teclado e cuspia todo o texto no notepad. Pronto, taí um post. Não raro tinha mais de uma idéia por dia, digitando tudo avidamente.

Um ritual que durou um bom tempo. Por motivos adversos, minha criatividade foi dar voltinhas - e não avisou quando retorna, essa puta.

Eu me sinto um tanto quanto incomodado por isso. Ser chato, aloprar os outros e escrever sempre foram minhas paixões. O blog foi o único meio que encontrei em toda minha vida para combinar todos esses passatempos e ainda receber elogios por isso. Agora que eu não sinto mais a mesma empolgação em escrever, é como se tivesse passado por uma fase da minha vida que eu não necessariamente queria passar.

Mas são fases, de qualquer forma. Lembro que no HBD antigo, eu postava três ou até quatro textos por dia, quase todo dia. Aos poucos os assuntos se tornaram escassos, e me limitei a uma publicação por dia. Finalmente, até mesmo o ritmo diário se tornou difícil de manter.

Eu faria uma imagem para ilustrar esse gráfico (de)cadente, mas tem uma muriçoca em cima do meu mouse.

Ah, odeio desabafos. Ainda mais quando saem totalmente desconexos e mal escritos como este.

Resumindo: Tô um pouco sem assunto nos últimos dias, o blog não acabou (ainda), continuarei tentando postar quando idéias surgirem, e vão tomar na bunda só pra não perder o hábito. Enquanto isso, vou ficar atualizando meu fotolog secreto (tão secreto que apenas uns três leitores conhecem), porque fazer upload de foto e inventar uma legendazinha espirituosa é mais fácil.

E pra quem perguntou, meu e-mail é esse. Quem quiser bater um papo, tamos aí

Mas por outro lado, não fique chateado se eu deletar você do meu MSN; não é nada pessoal. Minha lista vive lotada e, para adicionar mais pessoas, eu preciso deletar algumas com frequência. As vítimas são geralmente aquelas pessoas que adicionei, mas com quem não converso muito. Logo, se você não fala comigo por mais de uma semana, é capaz de que seu contato já tenha ido pro limbo.

Sim, minha lista do MSN é a prova cabal da teoria da seleção natural. Só os mais interessantes sobrevivem

E o engraçadinho que postar a URL do meu flog nos comentários será banido com requintes de crueldade.


Escrito por Kid on Jul 25, 2004


Porra de microafinação!


Meu ex-baixista aparece no MSN depois de anos sem conectar. Puxo um pvt com ele, e o cara logo de pronto já vai dizendo que “tá puto”. Eu, educadamente, pergunto o porquê de sua putice.

Ele está puto COMIGO, porque a guitarra que ele me emprestou há algum tempo teve sua ponte de microafinação fodida. Xeu explicar.

Num belo dia eu estava tocando, e duas tarraxas simplesmente CAÍRAM do instrumento. Eu sequer encostei nelas; estava fazendo uma animada interpretação de One, do Metallica (acabei de aprender os solos) e ouvi quando uma duas cordas (as duas mais finas) se afrouxaram subitamente. Percebi o que tinha acontecido: As tarraxas simplesmente soltaram-se. As ranhuras que as seguravam estavam gastas.

Só há duas formas para estuprar uma ranhura: ou você arranca a tarraxa com um alicate (a peça é praticamente um parafuso, aquilo não sai com facilidade), ou você aperta DEMAIS quando for afinar, fazendo com que as ranhuras se desgastarem. Só um imbecil sem o menor tino musical faria qualquer uma das duas coisas. Sabe como é, ainda não tenho fama o suficiente para sair estourando guitarras por aí.

Ele me perguntou sobre as tarraxas que faltavam no equipamento, então entendi que ele não saca muuuuito do equipamento. Expliquei para ele que as peças não ficam mais no lugar. Não adianta. As ranhuras já eram. Agora, só trocando a ponte inteira. Isso serviu para deixa-lo mais puto, porque ele pensava que as peças apenas tinham “caído” e que não haviam havia danos no instrumento.

E aí vem a parte legal: segundo ele, a guitarra não tinha defeito nenhum quando foi passada à minha pessoa. Estava perfeita. Era quase nova.

Porra, vamos lá, ein? Qual a diferença entre “quase nova” e “caindo aos pedaços“? “Quase nova” é apenas um eufemismo para “velha pra caralho, tava aí no canto da parede pegando poeira há quatro anos“. Você não chama uma guitarra NOVA de “quase nova“. Você não chama nada que esteja em boas condições de “quase novo“. O “quase” alopra toda a sentença, é o que divide de um equipamento que acabou de sair da loja de um que foi encontrado no meio da rua, coberto de cocô de cachorro e panfletos de vereadores.

Ao qualificar a guitarrola como “quase nova“, o cara entregou o ouro. O negócio devia ser velho como o tempo, e ele deu a sorte de ter outra pessoa quebrando-o. Assim, ele pode cobrar satisfações e ficar puto. É sempre legal ficar puto com alguém.

Ofereci-me para pagar o prejuízo prontamente, claro. Tudo bem que o negócio deveria estar nas últimas mas, de qualquer forma, foi danificado enquanto estava sob meus cuidados. Independente de que a guitarra estava quase se desintegrando, era minha responsabilidade. Falei para que ele procurasse o preço de uma ponte nova, e fica por minha conta (leia-se “do meu pai, outro que vai ficar puto com a história“)

Mas o cara continuava revoltado, vai entender. Ganhar uma microafinação nova não deixa mais as pessoas alegres.

E lá se vão minha economias para comprar uma Les Paul…


Escrito por Kid on Jul 24, 2004


Vida escolar


Não era apenas na faculdade que eu tinha minhas emocionantes aventuras. As presepadas em que eu me metia vêm de uma data mais longíqua: o ensino fundamental. Desde aquela época minha vida estudantil já era uma grande putaria que não prometia muito além de uma formatura arrastada por pena dos professores, e um emprego de meio expediente em algum escritório meia-boca (opa, eu já trabalhei em um).

Naquele tempo, a atividade criminal que eu desempenhava era o maligno roubo de merenda escolar. O pátio da escola era o cenário das ações mafiosas. O esquema era basicamente o seguinte: eu e alguns colegas de mau coração (assim como este que vos fala, que quando morrer vai diretinho pro inferno) interpelávamos as crianças que comiam avidamente seus pastéis de queijo com orégano - que eram uma delícia e custavam um real na cantina da escola -, com a intenção maliciosa de toma-los, usando força bruta e beliscão no peito se necessário. Ou seja, a turma enquadrava os pivetes e metia aquela pressão.

Essa era a nossa tática maestral: abordar o alvo em grupo. Dificilmente alguém se rebelava contra a exploração se atacassemos todos juntos. Claro que o pastel teria que ser dividido entre a quadrilha, mas os resultados de um ataque em massa eram sempre melhores.

Se o garoto fosse esperto, ele racharia o lanche com a turma e ninguém saía ferido ou chorando pra coordenação. Se não…

Bem, nos primeiros instantes não acontecia nada, e o malandro achava que ia sair impune. O pobre infeliz continuava a comer seu pastelzinho de queijo com guaraná quando de repente, não mais que de repente, alguém passava correndo e ACIDENTALMENTE mandava um tapão na mão do moleque, derrubando seu pastel. Antes que a criança ao menos pensasse em recolher o lanche do chão (alguns sopravam a areia do pastel e continuavam a comer sem a menor cerimônia, aqueles pivetes da quarta série eram uns nojentos mesmo), a turma ACIDENTALMENTE corria pra cima do quitute e ACIDENTALMENTE pisoteavam-no até que ficasse irreconhecível. Então ACIDENTALMENTE cantávamos um hino de escárnio, apontando para a cara do egoísta que não quis repartir a guloseima com os marginais que não tinham dinheiro para comprar uma.

(Tudo sem querer, porque somos todos inocentes.)

A vingança era maligna, mas essa era a lei. Divida o lanche e todos ficam felizes; tente escapar da extorsão e algum INFELIZ ACIDENTE poderia acontecer num futuro próximo.

Tática mafiosa mesmo. Eu era o comandante das nefastas operações de roubo de lanche, quase um Al Capone de 14 anos. A diferença é que eu era bem mais bonito.

E que ninguém ousasse cagüetar os criminosos!

Ocasionalmente uma vítima corajosa nos reportava às autoridades. Uma vez um certo guri, cujo pastel pisoteado trouxe lágrimas aos olhos, correu para a coordenação da escola pra dedurar todo mundo. “Ah, esses filhos da puta me pagam“, deve ter pensado o pobre menino lá com seus botões pré-escolares. O moleque inconsequente assinou a própria execução.

Por medo da nossa retaliação, o X-9 não apontava diretamente o autor do crime (aquele que maldosamente derrubou seu lanche). O máximo que ele fazia era “foi aquele ali, tia!” Nesse instante, “aqueles ali” já tinham se espalhado, se afastando da cena malandramente, como quem não quer nada.

Algumas vezes o coitado nem ao menos conhecia aquele que derrubou seu pastel, porque o colégio era grande. E além disso, todos sabiam que, uma vez fora dos portões da escola, o buraco era mais embaixo… Dessa forma, passei um ano inteiro lanchando de graça, impune.

Para evitar as delatações, inventei uma nova estratégia que foi posteriormente agregada oficialmente à prática tradicional (posso dizer sem modéstia que praticamente re-inventei o conceito milenar de roubar lanche, que vem desde os tempos bíblicos): o lance era dar à coisa um tom de brincadeira. Se chegássemos rindo, pulando, com gracinhas e firuleiras, podíamos alegar que estávamos apenas brincando e não realmente intencionados a roubar o lanche do guri. Essa idéia genial me livrou de várias suspensões, pois não havia como provar as intenções nefastas.

Notem que minha mente demoníaca voltada para o mal já me dava seus primeiros frutos. Caralho, acho que nunca na vida tive uma idéia que levasse alguém a pensar em coisas boas ou que servisse para o bem da humanidade. Todas resultam em confusão entre a galera, brigas insolúveis ou quedas de aviões.

Mas melhor que isso era roubar lanche diretamente da cantina do colégio. Em dias de rush, quando ninguém trazia lanche de casa, a cantina ficava absurdamente lotada. Os carinhas que trabalhavam na cantina ficavam sobrecarregados, e tudo que viam em cima do balcão eram as dezenas de guris com suas mãos estendidas, esperando receber seus lanches, enquanto gritavam “cadê meu lanche, me dá meu lanche, puta que pariu, quero meu lanche…“.

Eu e alguns amigos nos infiltrávamos na turba, estendíamos os braços e nos juntávamos ao coro do “cadê meu lanche, me dá meu lanche…“. Totalmente confusos pelo nosso barulho (que se juntava com o forró que a cozinheira ouvia em seu radinho de pilha enquanto fritava mais lanches), os balconistas da cantina saiam entregando - quase JOGANDO, pra falar a verdade - pasteis para todo mundo. Vez ou outra algum dos nossos conseguia filar um. Se ninguém mais conseguisse pegar um salgado, aquele que teve êxito tornava-se vítima da mesma extorsão que os guris menores sofriam.

Era um mundo cruel, mermão.


Escrito por Kid on Jul 23, 2004



Demolidor é provavelmente o PIOR longa metragem de super herói que alguém já teve a cara de pau (pra não mencionar “ganância”) de filmar.A onda de filmes baseados em quadrinhos provocou uma avalanche de títulos: SpiderMan, X-Men, Hulk, Justiceiro, HellBoy, Homem Pirulito… todos os bons super heróis já tiveram seus filmes produzidos. E agora, o que fazer?

Contratar atores meia-boca para fazer filmes de super heróis para os quais ninguém dá a mínima mas que, no entanto, serão assistidos por milhares de pessoas!

Essa solução simples de algum produtor executivo de um estúdio holywoodiano foi o estopim para a produção de um belo fiasco: o filme do Homem Sem Medo.

Tudo em DareDevil é uma bagaça que merece ser bonitamente chutada em algum post-sinopse melhorzinho que eu venha a digitar no futuro quando se a preguiça permitir. A história é ruim, os personagens são ruins, a ambientação é ruim, as atuações são ruin e os efeitos especiais, oh meu Deus do céu, são ruins mesmo. Sério, é ruim ao ponto de dar vergonha. É uma ofensa a pessoas sérias que trabalham no ramo da computação gráfica e àqueles que anseiam em aprender essa arte. Ver um filme como DareDevil desmotiva alguém que acha que efeitos gerados em computador são uma boa ferramenta para melhorar um longa-metragem. Eu consigo fazer GIFs animados que parecem mais realistas que aqueles efeitos toscos que usaram nessa lástima a que deram o nome de “filme”. Talvez eu devesse ter enviado meu currículo pros produtores de DareDevil.

DareDevil é um filme que prova que é importante conhecer a história de um personagem se você vai fazer um longa-metragem sobre ele. Se você apenas coloca um cara com o mesmo nome usando a mesma roupa, o resultado não sai muito legal. Que este erro seja aprendido, e que essa lição seja a única.

Por alguns instantes você até tem a leve impressão que alguém naquela produção é um ator profissional; pena que esses momentos são raros. Se a equipe de casting tivesse empregado caranguejos para produzir a película, provavelmente teriam conseguido atuações melhores que o Ben Affleck e aquela outra menina que faz uma super heroína que acaba morrendo. Sim, ela morre. Acabei de tornar o filme ainda mais inassistível. Nada justifica que você alugue essa porcaria a menos, é claro, que jogar dinheiro fora e assistir filmes ruins seja o seu hobby.

Sério mesmo, o filme é uma merda muito horrorosa, daquele tipo que você precisa dar 3 descargas para mandar pelo cano porque a namorada vem vindo aí. O filme gasta três minutos para contar a história do herói e uns quarenta e cinco numa chatíssima cena de luta com uma personagem que foi apresentada tão abruptamente, que foi quase como se ela tivesse chegado de paraquedas na cena gritando o próprio nome.

A única coisa boa em assistir esse filme é porque você pode brincar de “Qual é a cena mais ridícula?“. Há muitas concorrentes de peso em DareDevil. A minha preferida é quando um vilão (que é tão expressivo quanto uma fralda descartável) quebra um vitral de igreja, CATA OS CAQUINHOS DE VIDRO EM PLENA QUEDA e os joga contra o Demolidor. Nosso herói, ao invês de fazer o óbvio (dar um passinho para o lado), sai dando backflips, como se isso o protegesse de vários pedaços de vidro voando em sua direção. Nem lembro como termina essa cena, eu estava rindo demais e pensando em uma forma de transcreve-la num post. Algum dia pegarei esse filme na internet pra poder assistir novamente essa sequência. Vou me esforçar para pensar em coisas tristes como a morte do meu cachorro ou o fim do fotolog da Dona Arlinda. Isso talvez ajude a controlar os espamos epiléticos de riso que a atuação sofrível daquele elenco (combinada aos efeitos especiais que parecem ter saído de uma produção dos anos 80) provocam.

Destaque especialíssimo para o tal Bulzái, o inimigo palerma com um alvo na testa. Ele consegue ser, ao mesmo tempo, uma mancha no currículo do Collin Farrel e o vilão mais ridículo de toda a história da cinematografia. Notem que ele competiu com adversários de peso como o Bison de Street Fighter ou o cara vestido de Mariposa de espuma em Godzilla versus aquela Mariposa de espuma, com a diferença que a Mariposa atuava um pouco melhor.

Se eu soubesse o quão ruim Demolidor era, eu teria preferido fazer algo mais prazeroso que assisti-lo, como jogar ácido nos olhos ou prender meu nariz na porta do carro. A parte do ácido nos olhos eu provavelmente ainda vou fazer, para remover da minha retina a péssima atuação do Michael Clarke Duncan e me fazer acreditar que ele nunca participou desse filme.

Mas DareDevil é um excelente formador de opiniões: antes eu tinha muita vontade de assistir o filme - parecia ser legal e tal. Quando ele acabou, eu desejei ser capaz de criar uma máquina do tempo para voltar duas horas no passado e me alertar de não assisti-lo. Isso é pra você ter uma idéia de quão influente o filme é.

E alguém deveria ter dito pro diretor daquele lixo que Newton descobriu algo chamado gravidade e que, graças a ela, seres humanos não voam nem andam nas paredes. Exceto, é claro, se você descobriu a verdade sobre a Matrix.


Escrito por Kid on Jul 22, 2004

Finalmente criei coragem e adicionei os balões de fala. Ultimamente ando muito preguiçoso, sei lá. Tou com preguiça até mesmo de atualizar o blog. Posts já estão escritos mas, por algum motivo que ainda vou descobrir, tou com preguiça ou falta de vontade de publicar. Vai entender.


E agora, maluco?


A próxima só quando o novo Papa for eleito.


Escrito por Kid on Jul 19, 2004

Uma homenagem especial a todos aqueles que não conseguem entender o que a palavra PIADA significa. Uma situação fictícia que mostra exatamente como eu me sinto durante as discussões com alguns leitores.

- Saca só, essa é boa: Era uma vez um elefante e uma formiguinha. O elefante virou para a formiguinha e disse…



- Opa, opa, opa! Isso é impossível. Formigas não falam, tampouco elefantes. Você está errado.

- Eu sei, cara. É só uma piad…



- Cale-se, seu bosta! Você tentou me enganar, mas eu sou inteligente demais para isso. Segundo a revista National Geographic, formigas não vivem em áreas habitadas por elefantes, e vice-versa. Quem você pensa que vai enrolar aqui?

- Cara, não é pra levar a sério. É apenas uma anedota que eu ouvi ontem quando eu estava no…



- Seu MERDA! Você é burro mesmo. Inventa histórias cheias de inverdades e preconceitos, e depois vem com essa balela de que era “apenas uma piada“. Você achou que eu ia acreditar nessa história sem graça de formigas e elefantes e macacos?

- Pera, não tinha nenhum macaco na história…



- PRAPUTAQUIPARIU! Agora você apela? Quer dar uma de espertinho, ein? Jogando meus próprios erros de argumentação na minha cara? É sempre assim que você faz com a gente. Não sabe o que responder, e fica apontando meu vergonhoso vacilo de interpretação e argumentação. E agora vem dizer era apenas uma piada!

- Ah, deixa pra lá.


Escrito por Kid on Jul 16, 2004

[ Update ] Chegaram no HBD através desse link do Google:

www.google.com.br/search?q=%22foder muito com a empresa%22&ie=UTF-8&hl=pt-BR&btnG=Pesquisa Google&meta=cr%3DcountryBR

Como alguém procura “foder muito com a empresa”, achando que vai encontrar algo que será útil para seus propósitos? Por sorte (do cara) e azar (de seus patrões), ele acaba caindo justamente no HBD. Ironia pouca é bobagem.

Meu caro sabotador, tudo que você precisa saber para destruir a compania onde trabalha está neste post.

Divirta-se e prepare-se para se tornar mais um leitor de Classificados.

Largue esse controle remoto e pare de coçar a bunda: voltamos às Aventuras de Quide no Ensino Superior.

Como eu estava dizendo, entrei em contato com alguns cursos curiosos durante minha passagem pela faculdade. Cursos cujos nomes eu já tinha ouvido falar, mas na verdade não conhecia muita coisa sobre eles.

Filosofia

Sofismas, pragmatismos e outras coisas de nomes difíceis e para as quais ninguém no mundo real dá a mínima: isso é o objeto de estudo da Filosofia, curso que coloca nas ruas 9 de cada 10 desempregados no Brasil. Imagino que deve ser foda passar anos estudando algo que você sabe que ninguém no mundo - exceto quem escreveu os livros que você precisou ler no curso - se importa.

Sério, o que você pode fazer com conhecimentos adquiridos numa faculdade de filosofia (exceto, é claro, a prática de confeccionar baseados)? Vai ver é daí que vem esse interesse peculiar dos estudantes de filosofia pelos entorpecentes: eles servem para suportar os anos estudando Sartre e Kant.

A única hipotética razão (e a palavra “hipotética” indica que eu nem sei se realmente uma razão) de alguém cursar filosofia é a baixa competição. Filosofia é um dos poucos cursos universítários com concorrência NEGATIVA, algo como -3 candidatos por vaga. Prestar vestibular para Filosofia é como apostar corrida com anões mancos: até caindo você já chega mais longe que eles. Parece virtualmente impossível não passar num vestibular para uma faculdade de filosofia.

Biblioteconomia

Era impossível conhecer um estudante de biblioteconomia sem que todo o grupinho desse um olhar estranho ao coitado. Primeiro, pela sua duvidosa preferência sexual: Biblioteconomia, assim como Serviço Social, era um curso predominantemente feminino. Ao contrário do que possa parecer, estudar numa sala cheia de mulheres não facilita a pegação. Por serem maioria, elas é que acabam te influenciando: antes que você perceba, estará familiarizado com revistas femininas e dando conselhos sentimentais para as colegas de sala.

Em segundo lugar, porque a dúvida levantada pela escolha universitária do rapaz é unânime: “o que diabos esse pobre infeliz está fazendo nesse curso?

Vamos aos fatos: O que leva alguém a estudar uma “ciência” que se define como “arte de organizar bibliotecas“? Pelo amor de Deus, é realmente necessário um curso superior para isso? Dona Raimundinha (nossa empregada lá no Brasil) era capaz de arrumar a biblioteca do meu pai com maestria, e acredito que nem ela não tinha nem o primeiro grau completo. Porra, eu me surpreenderia muito se ela ao menos soubesse ler.

Já parou pra pensar como deve ser a monografia do curso de Biblioteconomia?

Entra o formando numa biblioteca gigante. A mesa examinadora, composta de vários professores do curso, examina o currículo escolar do rapaz. Um dos professores se levanta e vai até uma das estantes de livros. Dando uma voadora no móvel, ele desencadeia um efeito dominó: uma estante cai em cima da outra, até que todas as quatrocentas estejam no chão. Livros voaram para todos os lados. O professor empunha um cronômetro e grita “VAI, DIABO!”*, e o estudante começa a arrumar a biblioteca freneticamente.

Para poder falar mal do curso com mais desenvoltura, fiz uma pequena pesquisa sobre a arte de arrumar bibliotecas. Achei um site especializado em Biblioteconomia.

Sim, isso existe. Há pessoas com tão pouco para fazer na vida que chegam a se dedicar a fazer uma home page para hospedar informações sobre um curso que ninguém realmente precisa.

(Opa, não se deixem enganar nesse ponto. Um incauto poderia pensar “Porra, um site ESPECIALIZADO em Biblioteconomia! Esse negócio deve ter alguma importância!“, esquecendo-se que na internet existe site para praticamente qualquer coisa existente no sistema solar. Alguns dos assuntos dos sites MAIS inúteis que já vi na internet conseguem ser mais interessantes que o estudo da arrumação de livros.)

Então, achei isso:

Processo Técnico

O ensino de catalogação, classificação e indexação de documentos, para facilitar o seu armazenamento e localização, incluindo vocabulários controlados e guias descritivos de tesauros.

Eu substituiria esse parte do curso facilmente, usando as técnicas simples da dona Raimundinha: os livros grandes embaixo, os pequenos em cima. Pulando essa etapa, sobra mais tempo para ir puxar um fumo com a galera de Filosofia.

Administração

Abordagem de temas relacionados a organização e gerência de bibliotecas, como bibliometria, gestão, marketing e pessoal para bibliotecas.

“Marketing de bibliotecas”

Sério, eles pensam que vão enganar quem?

Eu estava pensando em uma frase engraçadinha para colocar aqui, mas a simples menção de “marketing de biblioteca” já é non-sense o bastante.

Aspectos Legais

Discussões sobre filtragem de informações na Internet e direitos autorais, juntamente com uma compilação das leis que tocam o exercício da profissão.

Leis de bibliotecas?!? Imagino quais seriam.

Lei 34, Artigo 3, parágrafro quinto: É terminantemente proibido fazer barulho nas premissas da biblioteca. O infrator está sujeito à punição de ter a bibliotecária pedindo que ele faça silêncio.

Busca da Informação

Aprenda técnicas para buscar e encontrar a informação que você precisa.



Equipamentos

Móveis, acessórios e equipamentos para bibliotecas.

Opa, por um momento achei que eles disseram EQUIPAMENTOS.

Ih, disseram mesmo.

Mas como assim, “equipamentos”? Inventaram dispositivos localizadores de livros ou coisa assim?

Perceba que o trecho sobre biblioteconomia saiu bem maior que o de filosofia. Essa porra de curso é tão inútil que não presta nem pra falar mal.

Em suma, não se dê ao trabalho de cursar filosofia ou biblioteconomia. A menos, é claro, que estudar algo desinteressante e inútil para se tornar mais um desempregado seja seu sonho de infância.

<panelinha>

*Pô, isso me lembrou de…

</panelinha>


Escrito por Kid on Jul 15, 2004

Nossa, dar conselhos é mais complicado que eu achava. Devia era vende-los, isso sim.

Enfim.

Hoje é um dia especial, macacada. Há 18 anos atrás nasceu um moleque que, em 2004, faria a internet inteira rir de uma foto com um bonezinho pro lado e mão em forma de joinha. Hoje é o aniversário do gótico mais conhecido da internet: meu irmãozim!


-Iurrú, né?


Trunks tá completando 18 anins hoje. Já pode dirigir até o cemitério e comprar bebidas para as oferendas aos deuses nórdicos. Góticos acreditam nesses negócios, né não?

Feliz aniversário, porra!

Dêem parabéns ao menino que ensinou a vocês o que é ser gótico de verdade.


Escrito por Kid on Jul 14, 2004

Olhaê!

A união das mentes mais brilhantes do mundo blogueiro e um vagabundo (eu) finalmente se apresenta ao mundo. Sem mais firulas ou baitolices, aí está nossa criação. Começa o informe publicitário:

Olá, amigo internauta desocupado que deveria estar trabalhando.

Alguma vez você já teve um problema terrível, algo tão complicado como tentar dar nó em peido, cuja resolução era uma incógnita que atormentou suas noites e você sabia que sequer podia perguntar aos seus pais pois o risco de deserdamento era grande (Caralho, frase enorme)?

Pergunta pra gente, maluco.

É isso mesmo. Como a gente não tem nada pra fazer e passa os dias na frente do computador, pensamos “porra, como já estamos aqui mesmo, que tal se a gente ajudasse esses malacabados que vivem choramingando internet afora, dizendo que a vida deles é uma merda? Vamos fazer boas ações e melhorar essa porra desse mundo nojento.“.

Interromperemos nossa agenda ocupadíssima (que envolve passar o dia inteiro em chats do MSN recomendando músicas uns aos outros até que alguém se canse e decida realmente fazer algo na vida, e que por algum motivo nunca sou eu) para distribuir conselhos pra rapaziada. Sempre se preocupando muito com nossos pacientes (e “muito” aqui significando “o mínimo que alguém poderia“), nossas recomendações serão doces como limão com sal e sutis como um golpe de violão na cabeça. Tamos aí pra solucionar os problemas que vocês mesmos resolveriam se não fossem tão bundas-moles a ponto de precisar enviar suas dúvidas existenciais para estranhos na internet. Pior ainda, pra MIM. Haha, tenho pena de quem precisa de um conselho meu.

Porra, tou avacalhando o negócio. Esqueçam o que eu falei.

Nossa equipe compõe-se de pessoas que não são nem de longe qualificadas para dar conselhos, embora façam um spaguetti muito bacana se alguém pedir com educação. Seguir as recomendações dadas no site poderia resultar em catástrofe na sua família, morte de animais de estimação, demissão ou até pior: banimento do Orkut. Entretanto, vocês nos darão atenção, afinal, na internet todo mundo recebe atenção. Até véia faz sucesso tirando foto, veja que loucura. Como se isso não fosse bastante, ainda tiveram que pegar a velha mais feia do mundo. Puta que pariu, quem foi o demente que teve a sensacional idéia de montar um fotolog para sua própria avó? Sério, quem se interessa em ver montagens com fotos de uma senhora de 200 anos caminhando na praia, entremeada de poesias chinfrim em inglês, com uma expressão no rosto que diz claramente “foda-se essa porra, quero ir jogar bingo“?

Avacalhei de novo, puta-que-pariu. Acho que só sei falar mal mesmo.

Mas tá aí. Damos a vocês Conselho de Amigo - Se conselho fosse bom, não seria dado por nós.

Vamos, espalhem o link pros seus amiguinhos góticos. Eles precisam.

Estamos contando com vocês, amigões.


Escrito por Kid on Jul 13, 2004

Rapidinhas, fotos da janela e uma crítica cinematográfica

Update de emergência:

O domínio hojeeumbomdia.com saiu do ar inexplicavelmente. Alías, inexplicavelmente é o caralho. Eu sei o que aconteceu.

O imbecil que fica lá no mainframe do E-dominios tava jogando CS na rede com os amiguinhos vagabundos e, levando um headshot, desferiu um chute-reflexo em algum estabilizador, o que acarretou na enviada do meu meu endereço para puta que pariu. Não sei quando essa porra volta ao ar, ou se volta, nem quem matou Lineu, muito menos a raiz quadrada de 13, e tampouco quando eu decidirei atualizar este negócio.

Por ora (minuto e segundo, porque tempo é dinheiro), entrem pelo www.yuriii.com/hbd, que é a portinha de emergência quando uma merda dessas acontece.

Porque SEMPRE tem que acontecer comigo, vou te contar.

Outro update de emergência, porém menos emergencial porque a parada já se resolveu:

Olhaí, foi só eu postar e o troço voltou a funcionar. Vai ver o maluco da E-domínios lê o HBD e viu a merda que fez.

Mudei uma configuração do domínio: agora, acessando pelo .com, você chega no yuri.com/hbd. Esse é o endereço que aparecerá lá em cima. Qual é a diferença que essa revolucionária modificação trará, você pergunta? Nenhuma.

Mas agora, se esses imbecis desligarem alguma coisa lá de novo, não precisarei atualizar o blog de madrugada porque vocês já estarão acostumados com a URL secundária. Decorem essa parada aí porque ficar avisando aqui às duas da madrugada é de lascar.

A internet está em polvorosa, à espera um mega projeto faraônico: uma parceria dos blogs Lixao + Behind The Screen + HBD, que trará uma grande novidade a vocês que passam o dia inteiro enrolando no escritório lendo nossos diarinhos ao invés de trabalharem. Agora é que vocês vão perder o emprego mesmo.

Falando nisso, neste fim de semana vocês finalmente vão trabalhar: vou acampar com a patroa durante três dias. Preparem-se para verificar aqueles relatórios, analisar aquelas contas e ler aqueles memorandos. Não cortem os pulsos: se o desespero bater, abram os históricos e façam de conta que acabei de postar aqueles textos.

Outro dia eu tava no chat de webcam do MSN e percebi, um tanto quanto curioso, que eu continuava mandando smileys nas mensagens. Por que mandar smileys quando você pode simplesmente SORRIR para a câmera? Esses hábitos idiotas que a gente pega…

O nascimento de um blog:





Opa! “Usar criação dos outros”, não. É feio falar isso. Desculpa.

É “caçar”.

Já perceberam que certos erros gramaticais/ortográficos são invisíveis até o momento quando você publica o texto? Por mais que revise o texto, aqueles erros de digitação escrotos só aparecem quando o post já tá no ar. Acho que o Blogger é o responsável por esse truquezinho, deve haver um script que troca as ordens das letras quando você clica no Publish. É uma conspiração, tô te dizendo.

Sobre o Caso João Paulo:

Ele me procurou no MSN alguns dias após aquela confusão. Ele jurou que não foi o responsável pelo comentário que eu avacalhei. Resolvi dar um crédito para o rapaz.


“Mas Quide, e todas as provas que acusavam o rapaz?”


Não sei. Ele tava muito comprometido com as evidências, mas não acho que ele teria a cara de pau de vir ao meu MSN pra negar tudo. Resolvi dar um voto de confiança.

Comprarei uma nova câmera digital ainda nessa semana. Em breve, o HBD se tornará um fotolog com fundo cor de rosa, letras de músicas e um link pro flog da Dona Arlinda, a anciã mais desejada da internet brasileira.

E é capaz até de rolar umas fotinhas do acampamento.

Sugestões para a mudança do banner do topo? O Yoshi samba que é uma beleza, mas já enjoei dessa cara de paspalho dele. Parece que alguém contou uma piada e ele não entendeu.

Já tomou sua dose de Fórum Hoje é um Bundinha?

Uma montagem que fiz com fotos tiradas da janela do meu quarto, usando uma webcam porcaria:



À esquerda, Fevereiro - fim de inverno. À direita, Março - começo da primavera.

Vou viajar neste fim de semana, então não poderei atualizar o blog - a menos que eu desenvolva uma forma de me comunicar telepaticamente com meu computador. Estive treinando esses dias e os resultados são promissores.

Opa, eu já tinha avisado.

Tinha uma análise do filme Demolidor aqui, mas ela ficou grande demais e será publicada em um post separado.

Aguardem a continuação do post sobre a faculdade, estará saido dentre os próximos dois meses, e vai irritar muita gente que faz certos cursos…


Em breve.


Aceito sugestões de filmes para assistir e posteriormente aloprar aqui.

Vejam o que encontrei nos comentários do último post: uma calúnia de um defensor dos copiões, que DEVE ser respondida.

HAHHhaha

paulo, esse blog aqui não é o SlashDot não :P

Eu não lembro de ter visto o dono do Loompas comentando aqui mais que 1 vez.

Já o Kid, comentava o dia todo no blog do Loompas, inclusive postava lá. Acho que é mais o Kid ter lucrado algo com isso do que o Loompas :P

Mezenga | Email | 07.13.04 - 2:38 pm | #

Eu lucrei com isso!? Vejamos.

Segundo o meu Nedstat, não tive UMA VISITA SEQUER vinda do Loompas. Nem UMA. Não ganhei nada com isso. Não é de meu feitio angariar visitas desse forma, isso é típico de exploradores. Essa confusão não me rendeu nada, além de novos inimigos.

Ok, agora, olha o Nedstat deles. Das últimas CEM visitas, quase um terço vieram do HBD. Estou até mesmo acima do Google, a principal fonte de visitas deles. No momento eu sou, sozinho, A MAIOR FONTE DE VISITAS PARA TUEGO E SUA MULA.

Quem depende de quem, Mezenga? No dia que eu precisar de visitas por causa de links, eu fecho o HBD. Eu ESCREVO. Qualquer citação do meu blog por aí será para publicar algo que eu criei.

Mais uma vez, está provado que plagiadores sem criatividade devem seu sucesso àqueles que escrevem os próprios textos.

Perseguição no MSN!

Astriberswaldo diz:

copiar seria fazer igual, e como não fazemos, não podemos copiar

Super_Kid (+) diz:

me responda uma coisa, ao dar ctrl c, vc nao esta copiando?

Nota: Perceba a tremenda ENROLADA que ele tenta enfiar, para esquivar-se da pergunta clara:

Astriberswaldo diz:

Eu admito que mantenho com coisa dos outros mas isso não é copiar… eu nao copio

Sinto muito, Astri.



Ctrl C é copiar, sim.


Escrito por Kid on Jul 13, 2004

Esse vai em homenagem à Tia Rita, onde quer que ela esteja.

Uma vez em cada geração, surge alguém que abaixa um pouco a média do nível intelectual mundial. Alguém tão imbecil, tão ridiculamente burro que nos faz sentir até mais sagazes. É aquela pessoa que só não fala mais merda por falta de tempo. Aquele indivíduo que não conhece o significado da palavra “argumento” e que, quando está discutindo, repete a mesma coisa incessantemente, crendo que eventualmente fará alguém acreditar em suas abobrinhas - por mais carentes de lógica e coerência que sejam.

Já tive gente burra lendo meu blog. Eu até achei que estava acostumado a lidar com gente que precisa que demos as conclusões na boquinha deles com uma colher. Por causa dessa convivência forçada com gente de baixo intelecto, eu achava que já tinha visto de tudo em matéria de jumentice. “Deve haver”, pensava eu, “um limite para estupidez”.

Quando eu pensava que era impossível ser mais burro, chega o Astri, destruindo minha teoria sobre limite de burrice com cada comentário.

Para quem não está por dentro da situação, explico: a Mula, como o apelidamos carinhosamente, é um dos “autores” - se posso usar o termo - do fenomenalmente interessante blog Loompas.

Se você é tem medo de se contaminar com o alto nível de imbecilidade deste link, não clique. Ao invés disso, vá até sua caixa de e-mails: sabe o link daquele flash engraçadinho que seu amigo do trabalho enviou? Sabe aquela imagem do KibeLoco que você já viu em quatro blogs diferentes só hoje? E aquela piadinha sem graça baseada em algum acontecimento recente, que é a bola da vez e que você já cansou de ouvir? Adicione alguns textos do tipo “Hoje é o dia da pizza!”, coloque tudo isso num arquivo HTML e aí está o Loompas, blog que se gaba de ser “um dos maiores do Brasil“.

Isso é o blog do rapaz: um apanhado de coisas que ele acha na internet e considera “legal”. Como nosso amigo não tem um senso crítico dos mais aguçados, tudo que ele acha “legal” - e consequentemente, tudo que ele posta lá - são piadinhas chinfrim e imagens engraçadas e notícias que todo mundo já sabe, geralmente seguidas de algum comentário babaca como “que merda isso, ein?” ou “nossa, que legal, ahsuahuasausuha“, dependendo do contexto da tal notícia.

Isso é tudo que ele tem para dar. Sem contar, é claro, posts entitulados “Eu sou viado“, em que ele conta que chorou assistindo uma novela.

E a situação é a seguinte: eu cometi o pecado GRAVÍSSIMO de dizer para os “autores” o que eu achava de seu formidável bloguinho de plágios. Sabe como é, você não pode dizer pras pessoas que elas copiam coisas dos outros. Você não pode dizer que não gostou dos posts onde elas contam que acordaram alguém dentro do ônibus. Você não pode dizer que o “sucesso” deles se deve ao trabalho de outrem. E nunca, de forma alguma, fale que o site delas depende da ajuda de ferramentas de linkagem, como Google ou Ueba. Elas ficam com raivinha, sabe.

O outro mantenedor do site, cansado de meus gracejos, me baniu de lá. Depois de chorar muito no cantinho da parede e de me auto-flagelar com chicotes, decidi vir ler os comentários do HBD. Qual não foi minha surpresa ao ver a Mula usando aqui OS MESMOS ARGUMENTOS QUE EU USAVA LÁ NO BLOG DELE.

Olha o que a prática do Ctrl C + Ctrl V fez com o pobre rapaz: ele simplesmente repete tudo que eu falava lá. Acostumado com a moleza do plágio, ele não se dá ao trabalho de criticar coerentemente. Astri vem comentando há uns cinco posts e eu ainda estou esperando um bom argumento, um que valha a pena ser realmente debatido. Enquanto esse dia não chega, vou ter que me virar com o que tenho: as falácias que o pobre quadrúpede desfere contra mim.

A principal questão que a Mula repente sem parar é a do “blog diarinho”. Ler não é o forte desse animal (a grafia dele torna isso bastante óbvio), então ele passa os olhos nos meus textos, procurando um ponto que ele possa usar para provar as imbecilidades que vomita na minha caixa de comentários. Por muita sorte ele acaba encontrando alguma coisa como “e uma vez isso aconteceu comigo”. Pronto, é o que basta para que ele chame meu blog de diarinho.

Deixa eu te explicar uma coisa, Mula: embora eu às vezes realmente escreva algo falando sobre meu dia, eu não faço da forma JUMENTA como você. Você simplesmente CONTA O SEU DIA, com detalhes imbecis que ninguém se importa. Eu uso algumas coisas que acontecem comigo para fazer humor. Talvez nem sempre fique engraçado, mas qualquer invertebrado consegue perceber essa claríssima diferença: existe o “contar o seu dia” e existe o “tentar fazer gracinha com algo que aconteceu com você“.

Até mesmo colunistas consagrados escrevem um ou outro texto baseado em experiências pessoais. Se você entendesse sobre criatividade e inspiração, saberia que algumas coisas que acontecem com a gente têm potencial para virar um bom texto. Mas é demais esperar que você, alguém que nunca escreveu duas linhas que prestassem, entendesse alguma coisa sobre criatividade.

Digo, e repito: seu blog depende INTEGRALMENTE do seu roubo do trabalho alheio (coisa que você chama de “caçar“, e com algum estranho orgulho ao que me parece). Você tem tentado provar (não sei pra quem) que meu blog é um diarinho medíocre e ladrão de trabalho alheio, como o seu.

Não é. Sabe qual a diferença entre o HBD e aquilo que seu amigo chama de, ABRE ASPAS, blog de sucesso, FECHA ASPAS?

Eu não vou deixar de atualizar o blog porque não tenho uma imagem ou piada engraçadinha pra postar. Não vou postar um texto de 5 linhas contando o que eu fiz na faculdade porque meu parceiro de blog não achou um flash novo pra copiar. Eu não preciso sair internet afora procurando “coisas legais” para mostrar pra quem visita meu blog. Eu dou para eles algo que ninguém mais no mundo poderia dar: minhas próprias criações.

Costuma-se dizer que “criar é algo divino“. Não sei se é digno de uma divindade, mas sem dúvida é algo que está além da sua capacidade.

Fazer sucesso usando o esforço dos outros é fácil demais; qualquer um chega onde quiser se estiver se valendo do trabalho de terceiros. Isso se chama “usurpar”.

Sendo APADRINHADO por um site de renome como o Ueba, fica mais fácil ainda. Ter um “amigo influente” foi a chave para o fácil sucesso.

Não vejo nenhuma honra em ser dono de um blog merda como o seu, tendo em vista que existem outro milhares que fazem exatamente a mesma coisa que você.

Isso mesmo. Milhões de blogs aí fora fazem exatamente o que você faz. Isso é medíocre. Seu blog segue a simples filosofia das pessoas medíocres: não se esforce e faça exatamente aquilo que qualquer um poderia fazer. Ctrl C, Ctrl V, Publish.

Enquanto você atrai VISITANTES por causa de sua capacidade de achar coisas legais na internet (nossa, que pena que ainda não inventaram o Google. Opa, peraí…), eu conquisto LEITORES com meus textos chatos sobre chuva no Canadá e dor de cabeça, como você os chama. Enquanto você se gaba de suas mil visitas alimentadas por mais de um ano de aparições sem-mérito no Ueba, eu tenho quase metade disso, que conquistei COM MEUS PRÓPRIOS ESFORÇOS, postando sozinho.

Sabe, eu podia ter apenas cem visitas por dia, mas ainda me sentiria mais digno que vocês. Ao menos eu SEI que as cem vêm aqui porque querem ler o que eu escrevo. Você sabe muito bem que suas visitas se devem exclusivamente ao que vocês copiam.

Uma vez ou outra eu posso ter postado alguma coisa meio sem graça sobre meu dia. Qualquer pessoa que tenta escrever DIARIAMENTE sabe que não dá pra ter inspiração todo dia. Quem sabe se a atualização do HBD fosse semanal, eu teria textos mais legais para mostrar pro pessoal. Mas isso não diminui meu mérito. Sabe porque? É bem simples:

Porque eu CRIEI certas coisas que até hoje são “caçadas” por gente como você, como o Manual dos Góticos. Eu faço parte dos que criam. É um grupo muito seleto; não é qualquer um que tem o cacife necessário para atrair atenção dos outros com os próprios textos.

Já você faz parte dos que se utilizam das criações do meu grupo. Eu fiz meu próprio nome na rede escrevendo textos como o Manual. Você continua sendo um ninguém, que faz algo que até um chimpanzé treinado poderia fazer: copiar e colar. É tudo que você consegue fazer. É tudo que se pode esperar de você. Eu posso até parar de escrever, mas as pessoas continuarão entrando diariamente aqui na esperança de ler um texto com o meu nome na assinatura. Ora, outro dia mesmo eu passei pouco mais de 24 horas sem postar, e alguns amigos já estavam cobrando um texto novo.

O que as pessoas diriam se você parasse de postar (além, é claro, de agradecer aos céus pelo desaparecimento de um plagiador)?

- Porra, ele não achou nada legal na internet hoje.

Posso não ter as mil visitas por dia que vocês têm, mas as quatrocentas e tantas que tenho vêm aqui EXCLUSIVAMENTE para ler o que eu tenho para falar. Talvez eu teria mais acessos se postasse senhas de sites pornôs, fotos de mulheres, joguinhos em flash, piadinhas de email e imagens roubadas do jeitinho que vocês adoram.

Mas eu prefiro fazer alguma diferença na internet e, ao invés de publicar as coisas dos outros, continuar produzindo meu próprio material. Nada pessoal, é que eu acho que ficar usando coisas dos outros pra contar vantagem é feio.

E olha aí, te linkei! Agradeça as cinco visitas que você vai ganhar por minha causa.


Escrito por Kid on Jul 12, 2004

Luto


Quem me conhece sabe muito bem que não costumo postar detalhes da minha vida pessoal “gratuitamente“; geralmente faço isso tentando pôr humor no texto, tentando provocar risadas. Mas algo aconteceu na minha família e eu sinto uma espécie de obrigação em usar meu espaço virtual para registrar. Não tenho muitos amigos próximos aqui com quem eu possa conversar sobre isso, esse é o único lugar onde posso me expressar.

Faleceu ontem a minha tia avó, a tia Rita. Uma mulher simples, muito pobre, nascida e criada no interior cearense. Assim como muitos outros em sua época, saiu do sertão para tentar a sorte com os irmãos na capital.

Minhas melhores lembranças de infância se passaram na casa da minha avó materna, onde a tia Rita morava. Fui praticamente criado por ela, porque meus pais trabalhavam muito quanto eu era pequeno e não tinham condições de pagar alguém para cuidar de mim.

Lembro-me que ela ainda trabalhava quando eu era muito pequeno. Era faxineira em algum prédio do governo do Estado; ganhava qualquer mixaria, mas estava sempre me dando presentes, doces, essas coisas. Ela me mimava muito. Eu sou o neto mais velho, então rolava uma certa “preferência não declarada” na família. Todo mundo sacava isso.

Sabe, esse tipo de coisa faz a gente pensar muito sobre a nossa própria vida. Faz a gente perceber que a existência em si não tem muito sentido. Nós é que passamos a vida inteira procurando um sentido pra ela. No fim, os outros é que julgaram o que conseguimos.

Sabe, ela não fez muitas coisas na vida. Foi uma mulher pobre, humilde, inculta. Foi a pessoa que me criou durante mais da metade da minha vida. Alguém muito importante para mim.

Eu gostaria de ao menos postar a data de nascimento dela, como se costuma fazer em lápides, mas eu não sei quando ela nasceu. É provável que nem ela mesma soubesse. Onde ela nasceu dificilmente se faziam registros de nascimento. Ela era analfabeta, nunca frequentou escola na vida.

Eu não vou poder comparecer ao funeral dela. Eu costumava achar isso uma bobagem: “pra quê fazer questão de ir ao enterro de alguém? Já tá morto, ué…

Mas nao é bem assim. A tal da “vontade de dar uma última despedida” da qual eu sempre ouvia falar é um sentimento real.

A última vez que a vi foi antes de embarcar para cá. Eu não sabia que seria a última vez que a veria. Talvez eu tivesse me despedido melhor.

Realmente não gosto de postar esse tipo de coisa. Não gosto de expor minha vida a não ser que seja com o propósito de fazer humor.

Mas essa citação honrosa é o mínimo que posso fazer por alguém que cuidou de mim como uma mãe, quando meus próprios pais não estavam por perto. Eu devo isso à memória dela.


Escrito por Kid on Jul 12, 2004

Ah, e tinha a vida universitária…

Lembro-me, com uma ponta de melancolia, do tempo quando eu fazia faculdade aí no País da Putaria. Eu gostava daquela rotina: sair cedo de casa, caminhar (derretendo ao sol maranhense) até a parada de ônibus (sempre lotado) e aguentar suvacos (fedorentos) até a chegada no campus (totalmente esculhambado, como manda o script de faculdade pública). Um período da minha vida quando eu me questionei sobre a importância de um curso superior, do uso de desodorantes e sobre quem eu deveria ter torturado numa existência passada para merecer esse suplício na atual.

Lembro do meu desespero quando terminei o segundo grau científico. Durante os três anos do ensino médio eu joguei bolas de papel molhado no teto do banheiro, briguei, fui suspenso, processado, escrevi um conto de ficção científica, viajei para os Estados Unidos e fui para uma boate pela primeira vez na vida, mas não estudei uma vez sequer. Eu, um vagabundo de marca maior, nunca esperava entrar em uma faculdade pública. Particular talvez, ao custo de muita reza e alguns litros de sangue de virgens. A palavra “vestibular” provocava calafrios na espinha e ataques de diarréia. A cobrança paterna era cruel. Na mesma época, Chaves foi cancelado da grade televisiva pela primeira vez. Foi um período horrível, meus amiguinhos.

Sabe-se lá como, eu passei na primeira tentativa. Oitavo colocado geral para Bacharelado em Física na Federal, o que me rendeu fama de nerd CDF entre a galera da rua. Obviamente a baixa concorrência do curso (que no ano era menor que 15 candidatos por vaga) me deu um empurrãozinho. Não lembro de ter estudado uma vez sequer durante todo meu segundo grau (e “meu segundo grau” neste contexto significando “minha vida inteira“) e, por isso, a forma como eu consegui resolver as provas objetivas de Matemática e Física é um segredo miraculoso que contarei apenas aos meus netinhos, no meu leito de morte.

Até minha entrada na faculdade, o mundo universitário era uma incógnita para mim. Eu não fazia a mínima idéia do que eu tinha que fazer lá dentro. Então, um amigo me explicou que eu deveria me matricular nas disciplinas que eu queria cursar. Achei genial. A possibilidade de optar por NÃO estudar uma determinda disciplina foi muito atraente - à primeira vista, ao menos. Lá pelo terceiro período percebi que algumas cadeiras, como “Introdução à Física” ou “Cálculo Diferencial”, tinham uma certa importância no meu currículo. Ou melhor, era IMPORTANTE que elas ESTIVESSEM no meu currículo. O que não aconteceu.

Sim, minha passagem pela instituição de ensino público foi uma lástima. Estudar sempre me interessou tanto quanto enfiar pregos tortos atrás dos meus joelhos; dessa forma, passei me arrastando nas poucas cadeiras que consegui terminar. Algumas vezes eu sequer assistia as aulas, preferindo ir para o laboratório de informática acessar internet. Aliás, dizer isso é como falar que o saldo de mortes nas Guerras Mundiais foram “algumas” pessoas.

A verdade é que eu eu praticamente MORAVA no laboratório de informática.

Em restrospecto, não consigo pensar em um motivo sequer pelo qual eu ia para a faculdade. Além de gastar dinheiro diariamente com passagem de ônibus e aprender a importância de higiene pessoal quando se usa transportes coletivos diariamente, as idas à universidade não me renderam muita experiência de vida. Deve haver uma forma menos traumatizante de aprender a contar troco e que o uso de sabonete embaixo dos braços durante os banhos é algo sagrado.

Mas o legal era o “intercâmbio cultural” entre os estudantes de diferentes cursos. Sabe como é, aquele amigo que faz Direito, que tem uma amiga que cursa Odonto, e tem um primo que acabou de passar pra Engenharia Elétrica cujo vizinho tenta Medicina há mais de dez anos, sem sucesso. A diversidade de interesses torna as conversas extremamente bizarras, acreditem em mim. Foi bastante legal porque, pela primeira vez na minha vida, me senti no meio de pessoas inteligentes - coisa que se tornou uma utopia após o advento da internet.

(A rede mundial espalhou os retardados por todos os cantos, o que acabou com a minha fé na humanidade e destruiu nossa chance de encontrar vida inteligente na Terra.)

E nisso, acabei entrando em contato com dois cursos bastante peculiares. Mas isso é assunto para outro post, porque esse aqui já tá grande demais.


Escrito por Kid on Jul 10, 2004

Estive sentindo uma dor de cabeça filha da puta ultimamente. Não era aquela dor tão forte que te faz ter vontade de dar um tiro no próprio pé (para fazer a cabeça “esquecer” o sofrimento), mas mesmo assim ela estava me deixando muito preocupado: hoje ela completa TRÊS DIAS. Nos últimos três dias eu acordei com essa dor de cabeça, e com ela fiquei até ir me deitar à noite.

Como bom hipocondríaco que sou, pensei logo no pior: UM TUMOR NO CÉREBRO. Há algum tempo vi um documentário que dizia que dores de cabeça prolongadas são um dos sintomas de quem tem um tumor na cachola. Ou seja, gente que tá fodida.

Comecei a pensar que alguém aí tinha lançado uma macumba contra a minha pessoa. Logo eu, Juracildo Otaviano, que não seria capaz de machucar nem um gótico. Povo ruim esse.

A dor não ia embora. Sem ter a quem recorrer - meus pais deram um pulinho no Brasil se divorciar, mas já voltam. Quer dizer, um deles volta -, apelei para meu melhor amigo, aquele que sempre me responde quando preciso de ajuda:



Cheguei a este site, que me tranquilizou:

A dor de cabeça do tipo tensional geralmente se caracteriza da seguinte forma:

-> Em peso ou pressão ou aperto, muitas vezes simulando uma faixa ou capacete apertado em volta da cabeça;

-> Habitualmente localizadas na fronte e/ou na nuca e topo da cabeça;

-> De intensidade leve a moderada ou moderada não impedindo as atividades rotineiras diárias;

-> Não raro essa dor melhora com atividade física ou relaxamento;

-> Normalmente não há sintomas associados e alguns pacientes podem se queixar de intolerância, durante a dor, a ruídos mais intensos (fonofobia);

-> A dor pode durar de horas a até 7 dias;

-> Freqüência pode variar muito com pacientes apresentando dor menos de uma vez por mês enquanto outros mais de 15 dias em cada 30 (forma crônica).

Ou seja, uma dor de cabeça normal. Me senti um babaca por suspeitar logo o pior. Mas aí vi isso:

“A maior preocupação de quem habitualmente procura um médico por causa da dor de cabeça é a possível existência de um tumor cerebral (…) que são relativamente raras, principalmente antes da terceira idade…”

Ou seja, neguim por aí também pensa logo no pior.

E enquanto eu tiver apenas 12 anos, não há com o que se preocupar. Tumores não costumam atacar à esta tenra idade.

Postei isso porque, sei lá, vai ver que algum de vocês tem um tumor no cérebro também. O texto pode ser tranquilizador, assim como foi para mim. Portanto, não se mate ainda: ainda há uma salvação para você.

Suponho que a culpa disso é o maldito computador. Devo passar umas 16 horas por dia na frente dessa porra, ouvindo músicas relaxantes de bandas como Slipknot e Machine Head. Acho que uma hora meu cérebro decidiu dar o basta.

Vou tentar desligar essa desgraça e ir fazer algo mais produtivo como colher morangos ou espancar um guri canadense.

E veja só a minha sorte: tenho uma festa para ir hoje (logo HOJE), numa boate em Toronto (logo em TORONTO). Ou seja, vou ter que deixar minha irmã menor sozinha na cidade. E terei que aguentar luzes estroboscópicas e música alta de bandas ao vivo durante umas três, quatro horas. A melhor coisa pra se fazer quando se está sofrendo de uma dor de cabeça que já dura dias.

E eu não sei nem dançar, mermão.

A carona já tá vindo. Bem, ao menos não vou estar na frente do PC.


Escrito por Kid on Jul 9, 2004

Eu nunca fui muito fã de televisão. Entretanto, sempre passava minha cota de umas seis horas diárias na frente do aparelho, sei lá por que. Acho eu fazia isso só pra me contrariar. Daí você vê como eu sou chato.

Aqui não há muitas coisas interessantes passando na TV. Claro, tem Simpsons e Family Guy que passam em uns 30 canais diferentes (e quase sempre no mesmo horário), mas tirando isso, a programação canadense fede. A estadunidense também. Não que a programação brasileira seja boa mas… não me atrapalhe senão eu acabo fugindo do tema do post.

Outro dia eu estava zapeando com o controle remoto e achei um programa interessante. Se chama Real TV, e é similar ao OS VÍDEOS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO, que passa aí no Brasil em algum canal underground que ninguém dá a mínima. Acho que é na Band. Ainda existe a Band?

Na chamadinha do programa, algo me chamou atenção: no próximo segmento, o programa exibiria um vídeo caseiro de uma prisão de traficantes. As cenas mostravam policiais empurrando dois neguinhos por vielas esburacadas, observados por uma turba de gente pobre e feia (perceba a redundância), cercadas por casinhas feias.

Meu amor à pátria despertou naquele momento. Aquele povo xexelento, as casas detonadas, as ruazinhas fodidas… Só podia ser uma favelinha no Brasil!!

O apresentador narrava a prévia do vídeo e, por trás de sua voz, eu consegui ouvir o som original da filmagem. Acho que ouvi alguém dizer “caralho!“.

Então, segundos antes da cena cortar e os comerciais entrarem, um dos polícias do vídeo se vira e deixa à mostra a manga do seu uniforme. Uma pequena bandeira do estado de São Paulo se fez visível.

Comerciais. Um remédio pra tosse, uma propaganda no McDonalds e algumas outras bobagens.

Volta o programa. Eu tinha razão, era um vídeo brasileiro! Que honra, meu Deus.

Ou não. Vou te contar, não é à toa que os americanos pensam que somos índios e ouvimos samba na floresta amazônica, quando não estamos jogando futebol, nos preparando para o carnaval ou invadindo o Orkut. As imagens da favela sugerem que fazemos de TUDO, menos algo que presta.

Os polícias pegaram dois “aviõezinhos“, o que na gíria malandra significa “aquele mané que faz o intermédio entre o traficamente fodão e aquele playboy que pensa que fai cheirar uma carreira da boa, mas na verdade tá inalando talco“. O narrador dublava os rapazes.

- Qualé chefia, num foi eu não, aí! Esse pó aí é pra mim mermo! Sou viciado, pô! Qualé?

- What´s the problem, mister oficer? I wasn´t the one carrying those drug! By the way, those are for my own personal use! I´m addicted!

Impagável. Meu irmão (que no momento se encontra na Flórida, que Deus o tenha) rolava de rir.

Aí os tiras levaram os dois rapazotes às “casas” de suas respetivas mães. Digo “casas” porque apenas uma morava em algo que se assemelha a uma residência convencional. A moradia da outra digna senhora muito se assemelhava com a caixa de papelão em que veio a TV em que eu assistia o programa. O narrador chamou as habitações populares de BARRACOS mesmo, em português, porém com aquele sotaque americano que todos conhecemos e amamos. Enrole a língua e tente pronunciar “barraco”. Foi isso aí. Hilário.

Em seguida, o apresentador discorreu brevemente sobre o método de construção e materiais utilizados pelos favelados para confeccionar os barracos: papelão, madeira podre, etc. E digo “confecção” porque, se duvidar, até costura eles usam para segurar as paredes dos moquifos.

Claro, quando falta cuspe.

Não é a toa a imagem que os gringos têm da gente. Além de índios dançarinos de samba, moramos em caixas de papelão e nossos filhos vendem drogas para sobreviver. Puta que pariu.

Onde eu estava mesmo? Ah, sim. Os gambés tavam recolhendo os marginais para suas respectivas casas (ou caixas de papelão, se preferir). Chegando lá, encontram as progenitoras de seus prisioneiros.

A reação das mães dos meliants meliantes, nos dois casos, foi violenta: elas explodiram em cima dos filhos, batendo e xingando. Mais traduções formidavelmente toscas!

- Seu filho duma puta! (tapa na cabeça) Vagabundo, marginal! Cachorro sem vergonha! (soco no ombro) Ainda bem que teu pai já morreu, pra ele não ter que ver uma putaria dessa! (voadora nas costas) Seu marginal sem vergonha, seu filha duma puta do caralho! (mais alguns golpes seguidos de um Fatality)

E o narrador, traduzindo:

- You are so inconsequent! You are just a lazy boy! God will punish you!!

O pau continuou comendo, porém sem tradução porque cacetada é uma linguagem universal, que nem a matemática. Teve até um belo gancho de direita, que significa a mesma coisa em qualquer país do mundo.

Infelizmente, em nenhum momento da pancadaria temos visão do rosto dos policiais. Mas aposto que estavam rindo pra caralho, porque não tentaram em nenhum momento impedir a mãe de espancar seu filho traficante e vagabundo.

O apresentador deu alguma lição de moral inútil no fim do quadro. Levantei-me do chão onde estive rolando de rir por uns dez minutos e recolhi-me ao meu computador, para escrever este texto.

E viva o Brasil, molecada. E se for traficar, não esqueça: use capacete.


Escrito por Kid on Jul 8, 2004

Isso mesmo, post com mais de uma semana de atraso. A preguiça estava me impedindo de digitar o texto sobre o 1o. de Julho, Dia da Nova Zelândia no Canadá. Finalmente criei coragem, após ver tanta gente pedindo pelo post. Eu sinceramente não queria escrever um post “querido-diário”, mas o que posso fazer se o povo pediu e tou sem criatividade pra escrever algo melhor? Vamos lá.

Acordei cedo de manhã preocupadíssimo com o horário. Geralmente horários me preocupam tanto quanto os rituais de acasalamento das minhocas nigerianas, mas na noite anterior eu inteligentemente fui dormir às 3 da manhã. Poisé, mesmo sabendo que teria que acordar às 8 na manha seguinte. Vício maldito, puta que pariu. Um dia ainda jogo essa porra de computador pela janela (mas volto pra pegar depois, porque ficar sem acessar é foda).

Acordei na hora certa, porém totalmente destruído. Sentia-me como se tivessem chutado minha bagaça com tacos de baseball durante a madrugada inteira. Arrastei-me até o banheiro e fiz minha higiene matutina (ou não, mas pelo menos tenho que fazer vocês pensarem que sou limpinho).

Alguns minutos depois, minha carona - a mãe da minha patroa - aparece aqui na porta. Ao adentrar o veículo, constato que a namorada não tinha vindo. Ainda estava em casa, se arrumando. Suspirei resignado. Mulher é tudo assim; as alemãs góticas não são diferentes.

Primeiro fomos à casa dos parentes da minha mulé, pois iríamos segui-los até o local do negócio lá. Fui apresentado a todo mundo, desde o primo menor com o pé quebrado até a avó maluca que me chamava de Iggy/Ziggy/Lizzy, menos de Izzy (que é meu apelido aqui). O maluquinho do pé quebrado vibrou ao saber que eu era brasileiro, dizendo que “eu era do mesmo país que o Bob Burnquist“.

Olha que formidável. Um típico vagabundo brasileiro (o maluco ganha dinheiro pra andar de skate) levando o nome do nosso país pro exterior!

Enfim, entramos nos carros e partimos. Após ropoiar alguns minutos pelo interior canadense, chegamos ao Cedar Park (o local onde aconteceria o churrasco/piquenique). O evento era promovido pela empresa onde minha “sogra” costumava trabalhar. Logo que chegamos, Becca, sua irmã e eu fomos ao quiosque que distribuia camisetas, pulseiras para a utilização das piscinas, frisbees, pacotes de salgadinhos, refrigerantes e sucos, TUDO DE GRAÇA. Você sequer precisava pedir: as caixas térmicas (contei umas quinze, com a capacidade de armazenar umas 40 latinhas de refrigerante cada) ficavam do lado de fora do quiosque. Qualquer um chegava e metia a mão.

Alguns momentos depois, fui para as piscinas. Piscinas são piscinas em qualquer lugar do globo, então comentários adicionais sobre essa parte do dia são desnecessários.

Depois, chegou o bufê (ou bbooouuffeett, para agradar os amantes da língua francesa) do churrasco. A churrasqueira era IMENSA, e vinha sendo rebocada por uma caminhonete. Os carinhas começaram a preparar os hamburgers e hotdogs. Tudo digrátis pra moçada.

Em seguida, começaram as brincadeiras infantis. Uma delas era, possivelmente, a competição mais sem sentido da história das brincadeiras de festa: os organizadores enfileiravam vários prêmios no chão, a uns cinquenta metros das crianças (cujas idades variavam entre 8 e 12 anos). Ao ser dada a largada, os demoniozinhos (digo, as crianças canadenses) saíam numa corrida desesperada até o lugar onde os prêmios estavam. Pegou, ficou, correu pra mostrar pra mãe, quebrou alguns minutos depois.

As premiações me deixaram estupefato: Discmans (melhores que o meu) e relógios (MUITO melhores que o meu).

Os organizadores colocavam mais prêmios na linha de chegada. Então, uma segunda leva de crias de Lúcifer (digo, crianças canadenses) se posicionava na marca de largada. E a corrida satânica de crianças barulhentas pra caralho recomeçava.

Claro, às vezes havia alguns troços mais interessantes que outros, e que inevitavelmente eram visados por mais de um moleque. Assim, a disputa pelo tal prêmio deixava de depender de quanto o garoto podia correr, e sim de quão forte ele podia puxa-lo da mão do outro, ou da sua habilidade em morder a mão do oponente e fugir antes que este pudesse chamar seus pais.

Triatlon é o caralho. A competição que presenciei era muito mais atlética: correr, tomar o prêmio de alguém, fugir do “dono”. Tudo com uma desenvoltura que apenas molequinhos canadenses podem esbanjar.

Assisti durante vários minutos, com um misto de curiosidade e inveja, crianças correrem desesperadamente para trocar tapas e defender prêmios que seus pais de bom grado teriam comprado usando nada mais do que o troco do pão.

Fodam-se os detalhes, ninguém quer saber dessa história mesmo. Vou resumir agora, porque tou com fome e dor de cabeça.

Voltei às piscinas, comi mais um pouco e, quanto estava indo embora, tive que aguentar uma breve chuva de granizo. Clima louco esse aqui. Em um minuto o sol brilhava forte. No outro, pedaços de gelo caíam nas nossas cabeças, molham nossos óculos e bagunçando os penteados das donzelas.

E, durante à noite, fui ao lago ver os foguinhos de artifício.

Pronto.

Foi isso.

Alguém conhece um bom remédio caseiro para dor de cabeça?


Escrito por Kid on Jul 7, 2004

Um dia, sem mais nem menos, ele apareceu. De início, ele chegou promovendo confusão, me acusando de um plágio que eu nunca cometi. Apesar de ter sido esculachado publicamente aqui no HBD, ele continuou retornando ao blog. Sempre dando seus comentários perspicazes e expondo o “outro lado” dos textos, ele mostra detalhes que nem mesmo eu tinha percebido e aponta significados transcendentais por trás dos posts. Amado por muitos e idolatrado por outros tantos, esse digno homem consolidou sua imagem neste diarinho virtual, se tornando um herói público. Sua grafia peculiar e sua visão analítica-simplista do mundo a sua volta nos mostra que grande homem esse rapaz é.

Todos sabem de quem eu estou falando.

“E AIMDA ISTO TUDO SEM MENCEONAR QUE OS HOMENS POSSUIM PENIS E A MULHERES POR SUAS VESES POSSUIM VAGINAS E A BIBLIA NAO PERMITE QUE SE FAÇA SECSO O QUE EH UM VERDADEIRO INSENTIVO AO ME PERDOEM O TERMO, MAS AO CHAMADO POPULAR MENTE DE BOUQUETE. SENDO QUE NEM UMA PARTE DOS MANDAMENTO DIS CERTINHO NEM SE QUER CLARA MENTE QUE OS PEÃO NÃO PODEM FASER TCHACA-TCHACA-NA-BUTCHACA. EH TUDO INTERPRETASSÃO DO TESTO BIBLICO POR ALGUM PASTOR DA IDADE MEDIAVAL QUE DEVERIA TER UMA FILHA MUITO PERVA E COCOTA QUE FORNECIA A SUA CONINHA PARA TODO O VILAREJO. NA MINHA OPINIÃO, ISSO TUDO EH CLARO. NINGUEM EH OBRIGADO A COM CORDAR!”

RaUL | Email | Homepage | 07.04.04 - 11:46 am | #

Poucas coisas já me fizeram rir na internet da forma como eu ri lendo esse comentário do RauL. Um post HBD não está completo sem a palavra final do RauL, sempre contundente, irrefutável e - porque não dizer - poético. Sim, poesia. O RauL tornou belo o que era feio - a falta de habilidade com o português. Normas cultas não são uma barreira para a criatividade deste gênio. Regras básicas de pontuação e separação silábica tampouco conseguem conter a habilidade deste jovem.

Peço encarecidamente que o RauL não abandone os comentários do Hoje é um Bom Dia. Sério. Eu comento com meus amigos mais próximos quando ele fica sumido. Há até quem reclame que o RauL não comenta no blog dele, veja só. De pária analfabeto a celebridade requisitada.

Tenho o IP do RauL, então alerto que engraçadinhos que tentarem se passar pelo mestre serão sumariamente banidos sem chance de perdão.