Escrito por Kid on Aug 31, 2004
E já que o negócio é jabá, vou logo vender meu peixe também.
Corram que tem conselho fresquinho no Conselho de Amigo.
Escrito por Kid on Aug 31, 2004
Sabe aqueles blogs que você abre, vai com a cara do autor, lê a página inteira, os comentários (e comenta em posts antigos mesmo sabendo que o mané nem vai ler), os arquivos, manda pros amigos no MSN, põe nos favoritos e deposita cinquenta reais na conta bancária do dono?
Então. É o caso do Nuke the Whales. Eu já conhecia o blog há muito tempo, quando o real valia mais que o dólar, irlandeses não pulavam em brasileiros que estavam com medalhas de ouro e papo e eu não era ninguém na cena blogueira (o que implica em dizer que agora eu sou uma super celebridade, veja como eu sou arrogante).
Então. Eu conhecia o blog, mas não lia assiduamente. Ontem não tinha ninguém no MSN pra conversar comigo e, movido por tédio, comecei a entrar em blogs por aí.
Entrei no brógue dos caras (é um diarinho duplo, veja que coisa chique), li com mais atenção e me identifiquei com as paradas que eles escrevem lá. E linkei ali do lado pra vocês visitaram e dizerem “Porra, que blog foda, o Quide tem muito bom gosto mesmo, e tem um erro de digitação no segundo parágrafo desse post“.
Escrito por Kid on Aug 29, 2004
Existem os caras escrotos, os filhos da puta, os Hitlers e esse sujeito aí.

“Um filho da puta roubou a cena e fodeu a corrida de Vanderlei Cordeiro de Lima na maratona, a tradicional prova que encerrou a 28ª edição dos Jogos da Era Moderna, neste domingo. O brasileiro tomou no cu bonitamente e teve que se conformar - chorando - com a medalha de bronze.
Veterano de outras duas Olimpíadas, o fundista de 33 anos tinha vantagem de meio minuto sobre o segundo colocado por volta dos 36 km dos 42,195 km. Ou seja, não tinha pra mais ninguém, o ouro era dele. Então um desgraçado usando um traje típico irlandês - saia, boina e meias compridas verdes e laranjas, o que garante sua pederastia -, invadiu o trajeto, agarrou e tirou o maratonista da pista, surrurando juras de amor ao seu ouvido e tentando a todo custo beijar o atleta.
O infeliz foi rapidamente detido pelos policiais, que encheram-lhe de porradas. O pobre brasileiro paranaense demorou cerca de 20 segundos para se livrar do ataque do boiola e retornou abalado para a rua. O manifestante ainda conseguiu enfiar um papelzinho com seu número de telefone no bolso do maratonista.”
Fonte: Times New Roman
Eu imagino esse filho duma puta acordou de manhãzinha cedo e pensou “Porra, sou escocês e sou viado. Como posso tornar a vida miserável para alguém neste belo dia?”
Meu, brincadeira tem hora. O sonho de todo atleta é conquistar uma medalha de ouro olímpico. Como uma pessoa pode ter tanta falta de consideração a ponto de atrapalhar a carreira de outra pra fazer uma gracinha?
Esse viado infeliz é o tipo de pessoa que merecia ser enforcada após ter um baiacú inflado introduzido lentamente no ânus, antes de ter as unhas arrancadas com um alicate enferrujado e torto.
O que me revolta mais é que a porra desse Vandergay não sentou a mão na cara do baitola. Mermão, a maratona que se fodesse: quebrar a cara de um desgraçado desse em rede mundial seria quase tão bom quando ocupar o primeiro lugar no pódio. Mas não, o desgraçado continuou correndo.
Tudo culpa dessa propaganda aí, cujo slogan é “Porque eu sou brasileiro e não desisto nunca“. Se o publicitário que criou a campanha tivesse algum jogo de cintura e tivesse criado algo menos gay, como “Porque eu sou brasileiro e vou dar um tiro de 38 no viado que pular na minha frente durante a maratona, sacou?“, teríamos visto uma cena diferente nesse fechamento das Olimpíadas. Agora, só daqui a quatro anos.
Como sempre, o Brasil só aparece em destaque SE FODENDO. Puta que pariu.
Escrito por Kid on Aug 28, 2004
Gente burra é de lascar.
Sempre que eu saio e deixo status ausente no MSN, é certeza de encontrar 15 janelinhas de chat aberta. Sempre. O pessoal parece não saber que a opção de status “ausente” significa que você não está em casa. Criaram essa opcão justamente para que sua lista saiba que você está indisponível e que portanto tentativas de iniciar um diálogo serão um mero disperdício de digitação.
A despeito de toda a lógica, as pessoas continuam falando comigo enquanto eu não estou presente. E mesmo após esse post, vão continuar fazendo isso.
Não que eu achasse ruim. Geralmente a pessoa relaciona o fato do meu status estar em “ausente” com o meu silêncio; os mais inteligentes chegam a incrível conclusão de que, talvez, eu não esteja na frente do computador.
Os mais inteligentes, claro.
karolinaelias@hotmail.com foi adicionado à conversa. O suporte a manuscritos só é oferecido a usuários da sua lista de contatos.
karolinaelias@hotmail.com diz:
oie!
Fireproof_Kid auto-message: not home
karolinaelias@hotmail.com diz:
NAPQ VC NAUM KER FALAR COMIGO?
Fireproof_Kid auto-message: not home
karolinaelias@hotmail.com diz:
PQ VC NAUM KER FALAR COMIGO?
Reparem na auto-message: ela diz explica CLARAMENTE que eu não estou na frente do PC. No entanto, a menina saiu achando que eu não queria falar com ela.
Minha filha, pelo amor de Deus: da próxima vez que vier falar comigo, tente puxar conversa quando eu estiver na frente do PC. Não me entenda mal! Não é que eu não queria falar contigo; é que é meio difícil responder você quando eu estou no shopping jogando Magic.
Entendo que o status ausente e a auto-mensagem “not home” sejam conceitos muito complicados para você entender, códigos difíceis de decfirar. Uma mensagem oculta, subliminar, quase. Da próxima vez eu coloco algo mais claro. Talvez assim:

Ou talvez, algo assim:

Assim fica bem claro.
Escrito por Kid on Aug 27, 2004
Nunca fui de levar muitos foras. Não que isso signifique que eu sou um fenomenal comedor: é que simplesmente eu não tentava muito.
Não tem nada a ver com baixa auto-estima por questões estéticas. Já vi muita gente dizendo que não tenta se aproximar do sexo oposto porque “é feio“. Isso é burrice. Mulheres gostosas são predispostas a dar para caras feios e desdentados; isso é um fato comprovado cientificamente. Quantas vezes você já viu no shopping um casal formado por uma mulher fenomenal, de braço dado com um cara que parece um experimento científico que deu totalmente errado, um saco de bosta que pegou fogo e foi apagado com marteladas? Muitas vezes, eu aposto. Se eu ganhasse um centavo para cada vez que vi um cara horroroso pegando uma mulher capa-de-revista, poderia pagar uma cirurgia plástica para vários deles.
A questão é pura timidez. Apesar de gostar de me expressar, essa habilidade é completamente anulada quando estou na presença de um par de seios. É um assombro que eu tenha conseguido arrumar uma namorada, e ainda por cima não me comunicando na minha língua.
Mas então, sobre foras. Na minha vida inteira, só dei dois foras, simplesmente porque não consigo dizer “não“. Por mais impegável que fosse a garota, ela pode ter certeza que estaria se agarrando comigo no sofá mais próximo por causa da minha falta de capacidade de negar um beijo. Dizer um não era algo muito constrangedor.
Até o dia que fiquei - por pena - com uma garota tão terrível, que minha política sobre “nãos” mudou. Descobri que dar um fora não é tão constrangedor, e talvez seja mais aceitável, caso a garota tenha um bigode maior que o seu, ou que tenha mau hálito. Ou que tenha ambos, como a tal menina sebosa que eu peguei numa festa. Talvez o mais correto fosse dizer que ela me pegou.
Mas uma vez eu peguei um fora muito escroto. É irônico como essas piores coisas acontecem justamente com aqueles que evitam faze-las. Esse negócio de carma é uma furada.
Estava eu com uma patotinha num shopping lá em São Luís. Apareceu do nada uma garota; era bastante bonitinha. Não linda, é um exagero - digamos que ela marcava um 7 na minha escala, o que se traduz em “Essa aí eu até apresentava pra mamãe“. A bem da ocasião, eu tinha a tiracolo um cara que era primo do vizinho de um conhecido da tal menina. Acionei o colega para que este chamasse a tal garota para o meio da turma, o que facilitaria a entrada da minha língua em sua boca em algum ponto daquela noite. Talvez, com alguma sorte, afastaria suas pernas uma da outra. Sonhar não custa nada.
“Porra, Kid” falou o amigo “Você não quer conhecer essa menina, confie em mim. Ela é mó enjoadinha, uma patricinha do caralho”
“Amiguinho” respondi, com espiritualidade “Ela pode ser enjoada como suco de manga e uma patricinha do órgão genital que lhe aprouver, não me importo. Não quero me casar com ela, você sabe. Chame logo essa vadia pra cá”
O cara chamou. Apresentação, beijinho de um lado e do outro. Deu pra perceber NITIDAMENTE que o cara tava certo: a menina tinha uma cara de enjoada que os quilos de maquiagem não conseguiam disfarçar.
Não houve diálogo. A menina se virou para o amigo e, com uma sutileza que me impressionou, falou:
- Porra, Flávio. Olha pra quem você me apresenta. Me poupe.
Uma facada no olho teria sido menos chocante. Meu, o que custava a mulé deixar pra me avacalhar quando eu estivesse longe? Pisou no orgulho com força. Voltei pra casa literalmente cabisbaixo, chutando latinha na rua e relembrando a expressão no rosto da menina.
Moral da história: pena é o caralho. Da próxima vez que uma menina feia vier pedir pra ficar com você, meta uma faca no olho dela. Elas fazem isso com você.
Escrito por Kid on Aug 26, 2004
Porra!!!
Só hoje fui descobrir que metade da Ill Niño, uma das minhas bandas favoritas, é composta por brasileiros!
O telefone da gótica tá ocupado. Preciso me gabar pra algum dos canadenses da minha lista.
Escrito por Kid on Aug 25, 2004
Pronto, sou um gótico.
Não demorou muito e eu me acabei me rendendo à influência da minha patroa: hoje criei um perfil no Vampire Freaks, um site para crianças de 17 anos que gostam de tirar fotos em cemitérios e beber vinho fazendo de conta que tá tomando sangue de um cristão.
Caprichei no perfil: pus o significado do meu nome real (”Aquele que lutou com Deus e os homens, e venceu”. Me diz se isso não é coisa mais gótica que você já leu na vida), e coloquei minha foto mais gótica, aquela dark art que ensinei vocês a fazer (e que muita gente aí fez e postou em flogs sem citar os créditos. Bando de filhos da puta). As góticas gostaram da morbidez do negócio, e recebi altas notinhas. A gótica oficial tá se mordendo de ciúme, que formidável.
(Lembrem-me de não usar mais a palavra “gótica” daqui em diante.)
Mas logo à primeira vista, me decepcionei. Achei que iria encontrar pessoas undergrounds e doidonas, que cagam pra opinião alheia e fazem todas aquelas outras coisas que os góticos afirmam fazer. Descobri que o tal VampFreaks nada mais é que um Fotolog.net não dominado por brasileiros, pois eles têm tudo que temos: neguinho postando foto do cachorro da avó, babando ovo das meninas bonitinhas e implorando por comentários. Não fazia nem um minuto que eu tinha me cadastrado, e já tinha recebido cinco comentários mendigando atenção. Os cara ficam dando F5 na página de usuários mais recentes, para garimpar amiguinhos e receber alguns elogios forçados. Lamentável.
Vou te contar. Eu dou uma chance pra esses merdas, mas esses góticos só continuam me decepcionando.
Como aconteceu em todo lugar nessa internet em que já pus os pés, vou ter que aprontar uma confusão lá também. Ainda não me decidi sobre como vou encher o saco dos vampirinhos. Acho que vou escrever um Manual dos Góticos em inglês, sei lá.
Se não me engano, eles têm um fórum bastante movimentado. O Manual dos Góticos ganhará o mundo. Serei odiado fora do País da Putaria também.
E falando na putaria, não posso esquecer de pôr uma bandeira enorme do Brasil, também. Por que você sabe, brasileiro tem que SEMPRE que badernar a internet e queimar nosso filme.
É tradição.
Escrito por Kid on Aug 23, 2004
Meu pai me liga de Toronto. Feliz da vida, ele me informa que comprou duas latinhas de guaraná Antártica num mercado brasileiro.
Não pude deixar de exprimir um “CARALHO, QUE FODA!” Faz uns nove meses que não tomo guaraná. É complicado morar aqui, para mim, já que eu odeio Coca-Cola e detesto Pepsi com igual intensidade. Com exceção de Sprite (que não é lá essas coisas), os outros refrigerante gringos são INTRAGÁVEIS, e quem já esteve por estas bandas sabe que não minto. Em geral são todos uma merda, e o tal do Dr. Pepper em particular é uma piada de mal gosto da indústria americana de refrigerantes.
Costumamos comprar bastante refrigerante, por dois motivos distintos. O primeiro é que refrigerante aqui é muito barato: comprando a caixa, cada latinha sai por menos de trinta centavos. E algum animal vai dizer “Mas Kid, 30 centavos de dolar dá quase um real…“.
É, mas você se esquece que o salário mínimo aqui é 2000 dólares. Aqui se tira trinta centavos de dois mil dólares para comprar a mesma coisa que custa um real de trezentos. Deu pra perceber a diferença?
Explico isso porque me irrita muito quando alguns conhecidos - e onde há “conhecidos“, substitua por “imbecis” - ficam transformando dolar em real, para tentar comparar os preços.
Por exemplo:
“Comprei um mp3player por 100 dolares.”
“Porra, isso dá 300 reais, que CARO.”
Não se compara poder aquisito pela taxa de câmbio, e sim pela renda per capita. Caso contrário, o Japão seria um país muito fodido, pois o yene vale mixaria comparado ao dolar.
E a segunda é que moro sozinho com meu pai, e somos dois preguiçosos. Fazer suco dá muito trabalho e isso é contra a nossa religião, então é mais fácil comprar a caixa com 24 latinhas de Sprite.
A última vez que bebi um bom guaraná brazuca foi em novembro, num aeroporto de Sampa cujo nome esqueci. Reguei um hamburger goela abaixo com a saborosa bebida produzida com a fruta tropical que os canadenses não conhecem ou sequer conseguem pronunciar. A tentativa da minha namorada de falar “guaraná” causou em mim uma incontrolável explosão de risadas, que a deixou envergonhada e a fez prometer que nunca mais tenta falar português na minha frente.
Tomei um guaraná “alternativo” quando estive em Toronto no comecinho do ano. Embora o rótulo da garrafa dissesse “guaraná” e trouxesse uma bandeira brasileira na forma de um coração - muito gay, sim -, aquilo tinha gosto de qualquer coisa, menos guaraná. Tomei um refrigerante similar em New York no Natal, era igualmente intragável. Uma afronta ao meu paladar refrigerântico treinado em anos de festinhas de aniversário (para as quais eu nunca levava presente algum).
O problema é que essas latinhas serão tratadas como especiarias aqui em casa- são bastante apreciadas, porém caras e precisamos viajar para compra-las. Vou misturar com água e açucar pra ver se essas latinhas duram uns dois meses.
Coitada da gótica, não vou dividir meu refrigerante com ela. E eu já tinha feito a maior propaganda do guaraná que ela não consegue pronunciar…
Porra, tomara que ele chegue logo com essas latinhas.
Escrito por Kid on Aug 22, 2004
Só pra esclarecer melhor.
Há uns dias aí eu publiquei um post no HBD por engano. Era um texto em inglês, de autoria do Chris, meu ex-vizinho e guitarrista. Só fui perceber o erro um bom tempo mais tarde, quando abri o blog à noite para ler os comentários. Não senti vontade de apagar o post, apenas de postar um esclarecimento.
Mas vocês sabem que eu tenho fãs ardorosos (leia-se “com problemas psicológicos/sociais, que tomam sorvete pela testa e fazem xixi na cama“), que adoram pegar qualquer coisinha, por mais imbecil que seja, para jogar na minha cara. Começo a desconfiar que eles têm algum tipo de prazer sexual em postar comentários como “A-HA! O QUIDE FEZ ISSO OU AQUILO, LOGO ESTÁ ERRADO! MWAHAHHA!!“, ou que me criticar tem propriedades viciantes. Como não poderia ser diferente, um monte de gente achou - em suas infinitas sabedorias que muito invejo - que fiz isso “pra provar que sei falar inglês”.
E isso não foi apenas aqui nos comentários. Um retardado no Orkut disse que eu fiz isso “pra aparecer“.
Aparecer ONDE, eu não sei. Esqueci de perguntar. Uma coisa que eu não sabia até então é que postar textos em inglês triplica suas visitas. Sim, isso é um fenômeno comprovado. Escrever em outro idioma aumenta a visibilidade do seu blog, melhora o desempenho sexual e previne a queda de cabelo. Vou fazer isso com mais frequência, porque fui me pentear enquanto trepava noutro dia e uma mecha de cabelos se descolou da minha cabeça, me fazendo brochar imediatamente.
O imbecil em questão, acompanhado por outros imbecis, disse que eu fiz isso “por arrogância”. Para “provar que sei falar inglês”, veja só você. Ha, ha.

- Sim, você fez isso só pra provar que sabe falar inglês.
Aê garotão, vamos tomar alguns momentos para esclarecer algumas coisas.
Como metade de vocês sabem (e a outra metade deveria saber), eu moro no Canadá.

Qualquer pessoa que tenha tido uma aula de geografia na vida deve saber que no Canadá se fala, PASMEM, inglês. Sim, deve ser um grande choque para você, mas as pessoas realmente se comunicam na língua britânica neste país gelado onde moro. Portanto, o mínimo que alguém que more aqui pode fazer é aprender a se comunicar. Nada especial a respeito disso.
Falar inglês não é nenhum grande mérito. Sinceramente, quem hoje em dia não tem algum domínio do idioma? Se gabar por saber falar inglês é o mesmo que se vangloriar por conseguir andar de patins: todo mundo consegue fazer isso, e os que não conseguem, simplesmente não querem. Qualquer pessoa hoje em dia fala inglês, ainda que apenas um pouco. Isso é fato. Sei que estou generalizando, mas todo mundo aqui sabe que me refiro à maioria. Então, sejam um pouco mais criativos ao invés de apenas postar “Ei, o Quide errou de novo, eu conheço duas pessoas que não falam inglês…”
Se eu quisesse “me gabar” por saber falar inglês, teria divulgado meu outro blog, o Today is a Nice Day. Esse site foi uma pequena experiência que comecei há algum tempo, tentando escrever textos em inglês. Repare que o blog já tem mais de um mês. Quantas vezes citei-o aqui?
Nenhuma, seu imbecil caluniador de merda. Isso é porque não faço questão de provar que sei falar inglês. Eu não preciso de provas. Eu falo. Se eu quisesse provar que sei falar inglês, postava isso:

Quem entendeu, entendeu.
Portanto, antes de simplesmente acusar alguém, procure ter certeza de que você não falará uma merda absurda. Se gabar de falar inglês é o caralho.
Moral da história: Porque é tão difícil pra algumas pessoas acreditarem que eu simplesmente errei de blog quando fui publicar o texto? Será porque elas acreditam que sou um ser superior e perfeito, que não pode cometer nenhum erro (o que explicaria o recente fenômeno “professores pasquales” aqui no HBD)? Será simplesmente por uma terrível falta do que fazer? Ou talvez porque essas pessoas não estão tendo tanto sexo quanto gostariam, se tornando birrentas e implicantes, ao ponto de se darem atenção demasiada pra uma porra de blogueiro que elas nunca viram na vida?
Vamos elucidar esse mistério.
Escrito por Kid on Aug 22, 2004
Meu pai é um homem que lutou até o fim para manter sua família, e que está muitíssimo abalado com o fim do casamento de vinte anos.

Escrito por Kid on Aug 19, 2004
We see that you are visiting us from Brazil.
So far today, there have been 800 new free members from Brazil.
There are NO MORE free Fotolog memberships available today. (You’re welcome to come back after 12 midnight EST when the daily quota re-sets).
Brazil currently has 228,526 members. 2,441 are Gold Camera members, which means 1.06% of members from Brazil pay to support the Fotolog website.
É. Nossos compatriotas infestaram, sim, INFESTARAM o fotolog de tal forma que os caras um dia decidiram bater o pé e dizer “ok, acabou com essa putaria brasileira nos nossos servidores.” Eu nunca tinha ouvido falar de um país ser banido de um serviço por “excesso” de utilização - para não usar o termo “parasitagem. Isso é pra você ver como a gente é foda.
Certo, bateram a porta na cara de milhões de internautas vaidosos. Mas aí esses exibicionistas de merda, ao invés de pagarem pelo serviço ou aprenderem a fazer uma rôume pêdje para hospedar suas fotos que ninguém quer ver mesmo, resolvem encher o saco de seus amigos que moram fora do Brasil.
- Ô, faz um fotolog pra mim?
Porra, se eu ganhasse um centavo para cada vez que já me pediram isso, daria pra pagar fotolog Gold pra esses vagabundos todos. Me enchi.
Da primeira vez que me pediram, fiz o álbum virtual pro moleque na boa. Na segunda, também. Mas lá pela quinquagésima vez, você começa a se perguntar pra que diabo esse povo quer TANTO colocar foto na internet.
Por isso, inicio a campanha “Seja deletado do MSN do Quide, peça para ele criar um fotolog para você“. É sério. O engraçadinho que aparecer no meu MSN dizendo “ô Quide, faz um fotolog pra mim? Eheheehe, li seu post, tou te zoando…” não me verá mais online.
Porque agora é a minha vez de bater o pé.
Escrito por Kid on Aug 18, 2004
Ih, maluco.
O texto abaixo era pra ter sido postando em outro lugar. Isso que dá ter quinhentos blogs no dashboard do Blogger, a gente acaba se confundindo. Disfarça.
Foi mal aí, cambada.
Escrito por Kid on Aug 18, 2004
Ok, since I’m all out of ideas, here’s a little somthing my friend Chris wrote a while ago.
Austin Powers 3: Goldmember
Monty here, giving my review of the movie Austin Powers 3: Goldmember. WHAT WAS MIKE MYERS THINKING?!?!?! This is the worst of the three!! And I know that everyone with GOOD taste, and any sense in their heads will agree with me.
The opening scene with the utterly pointless cameos is obviously a pathetic attempt to catch the audience in the hype of the “big stars” that were sweeping the “scene” at that point. Mind you, the part when Brittany Spears’ head blows up was the best part in the movie. But even still, the entire opening scene was outrageously retarded.
Now, as it may have been a good idea to bring Austin’s father into it… they never should have sent him back in time, where Austin would come across yet another new villain played by, you guessed it, Mike Myers… Goldmember is by far the most fucked up of all the characters in the movie. It was a really far stretch to make a quick buck. This Dutch “playboy” from the seventies could be anything but funny. He annoys the hell out of me, and I wish herpes on Mike Myers for thinking of him. He eats his skin, has an irritating voice, and has a sick fascination with gold… fucking original!!!
Foxy Cleopatra… another bad cameo performed by the biggest pop star at the time… Byonce Knowles… good god… is it just me or does this entire movie scream “HELP! IM A DIEING CONCEPT TRYING TO MAKE A LAST STUGGLE FOR LIFE!!“. She portrays a stereotypical black woman from the seventies, which is, in my opinion, the worst stereotype of all. The loud mouth freak (thankfully she has a nice rack)
ruins what was already a train wreck headed for the shitter…
WHAT IS UP WITH THE CAMEO FROM THE OSBOURNES?! Its bad enough that the “ prince of darkness” has a reality show, they have to go make a stupid appearance on this stupid movie? For shame…
And finally the ending. The movie ends with them in the theatre watching, what was supposed to be a movie of Austin’s life. Doesn’t it take at least 6-12 months to fully complete a movie? And if I know Austin Powers, he should have been off “shagging” with some new bitch. Which doesn’t justify why that shit stain of a singer/”actress” is in the theatre with him. Not to mention the really bad cameo of one John Travolta. The forced laughs, the bad music, and Fat Bastard and his floppy skin. I wonder if you tie a rope to his limbs, and run really fast, will he fly up into the air? Going to have to try it. Well this movie was a real flop for the trilogy, along with T3, and all those other crappy “parts 3’s”. The cameos, the out done jokes, the fact that Mike Myers was trying to hog the spotlight with 4 characters, and the VERY bad acting delivered by Byonce, really set me off anything new by Mike Myers for a long time… unless Wayne’s World 3 comes out… ROCK ON!!!!
Escrito por Kid on Aug 18, 2004
Há certas coisas que só uma mudança fazem você perceber. Você não sabia que era tão forte até seu pai soltar um sofá de dois lugares em cima de você, na escada, por exemplo. Você não sabia que suportaria uma topada com a canela bem no cantinho do móvel que sustenta a TV sem amaldiçoar o Criador. Você não sabia que ainda tinha umas revistas de mulher pelada espalhadas aleatoriamente pela casa.
Até ontem, eu não sabia a diferença entre uma TV convencional e uma TV de plasma. O conhecimento da causa veio instantaneamente no momento em que eu tive que levantar a nossa TV, de 32 polegadas e uma cifra equivalente em toneladas, a quase meio metro do chão. Puta que pariu, troço pesado do caralho. Tive que levar camas, sofás, armários, mesas e tudo o mais, e a porra da TV era o que havia de mais pesado dentro da casa. A caixa dizia que ela pesava 180 libras (90 quilos), mas eu não ficaria surpreso se ela pesasse mais que isso. E eu nem assisto TV, mas que merda.
A nerdice me que aflinge é tão descomunal que fez com que o computador da sala fosse o último ítem a ser encaixotado. Até os últimos instantes, eu conversei com alguns amigos no MSN, enquanto meu pai me chamava carinhosamente para que eu o ajudasse. Lembro que ele berrou coisas como “Ô desgraçado, me ajuda aqui com esse sofá!” ou “Já empacotou aquelas porras que tavam na cozinha, seu vagabundo?“. Aproveitei pra ligar a webcam e alguns leitores tiveram a infelicidade de me ver carregando caixas de um lado pro outro. Tirei uns snapshots, mas eles estão no outro PC, e tou com muita preguiça de ir lá copiar os arquivos. Poupem-me do trabalho; basta imaginar uma sala vazia com umas caixas de papelão no chão.
O novo apartamento é fenomenal. Espaçoso, quinto andar, voltado para o lado leste. Ou seja, hoje de manhã eu acordei com o sol NA PORRA DA MINHA CARA, porque meu pai ainda não comprou cortinas. Pra vocês terem uma idéia da situação, o reflexo do sol no monitor do computador neste momento é tão intenso que eu estou digitando praticamente às cegas. Professores Pasquales de plantão, comecem a procurar erros de digitação, porque essa é a hora.
A apê tá uma bagunça do caralho, com exceção do meu quarto. Enquanto meu pai voltou durante à noite para poder usar o PC na casa (que ele só desmontará quando a internet chegar aqui, na quarta feira), arrumei a bagunça do meu cantinho. Ficou muito bacana; convenci meu pai a ceder a cama de casal que era da minha mãe, e a TV do quarto da minha irmã. Só falta dissuadi-lo de um dos seus três monitores de cristal líquido, e meu quarto ficará estiloso. Ele usa dois no PC dele e um ficará no computador da sala. Quero esse monitor pra mim.
Falando em computador da sala, isso é mais um item que atesta a nerdice dos Nobres: há três PCs para apenas duas pessoas.
Mal chegamos e o Bud já começou a aterrorizar a vizinhança de novo: Durante a mudança esse condenado do inferno latiu initerruptamente, chamando atenção de todos os vizinhos próximos. Ou seja, aguardem futuras brigas.
Tou coberto de machucados e hematomas. Apanhei pros móveis, eles não queriam entrar no elevador nem fodendo.
E puta que pariu, com esse sol na cara não dá pra digitar.
Escrito por Kid on Aug 13, 2004
E com vocês, meu antigo PC.

Era uma bagunça, mas eu sabia onde cada coisa ficava. Pra falar a verdade, eu só perdia meus objetos pessoais quando minha mãe se metia a organizar o ambiente e mudava tudo de lugar. Quando isso acontecia, era stress na certa.
O Controle

O controle remoto da TV a cabo. Era totalmente desnecessário, porque o quarto era pequeno e se eu estendesse o braço com o controle na mão, já estava praticamente tocando na tela da televisão. Bastava usar os dedos mesmo. Mas sabe como é, nós assinávamos aquele pacotes com três milhões de canais, era impraticável usar a setinha do aparelho para procurar o canal desejado.
O Pikachu

Foi um presente de natal dado por amigos brasileiros que moram em Nova York, em 1999. Além de ter o formato do famoso rato da bunda elétrica, ele também é um prático despertador. O alarme era fenomenal: Um rockzinho com a “voz” ao Pikachu no fundo. Tinha até solo de bateria, sensacional. Infelizmente o mecanismo do alarme acabou sendo danificado - inexplicavelmente - e a música não tocava mais.
O Grampeador

Esse grampeador está na família a mais de 10 anos - sem zoeira. Quando morávamos num apê em Londrina (é no Paraná, seu burro), em 1992, tudo de que me lembro era da cortina verde da sala - que eu sempre me perguntava se aguentaria meu peso, até que um dia descobri que não - e esse grampeador, que era originalmente azul. Eu cortava aquelas capinhas de revista que vinham em anúncios de assinatura das revistas da Editora Abril, depois pegava vários papeizinhos do mesmo tamanho e grampeava, fazendo livrinhos em miniatura. Aí eu fazia de conta que era os cadernos dos meus bonequinhos. Meu pai ficava puto porque eu manufaturava muitos caderninhos por dia, acabando com todos os grampos dele. Aí um dia a fábrica acabou, porque meu pai escondeu o grampeador. Ele reapareceu magicamente anos depois, quando eu já não tinha mais interesse nele.
Grande infância eu tive.
O Globo

Esse globo marcou minha estréia como diretor de cinema. Um dos meus vizinhos tinha uma filmadora, então não demorou muito para que tivéssemos a idéia de filmar nosso próprio curta-metragem. Infelizmente não lembro de nada que diga respeito ao roteiro do filme - se é que tinha algum - e, mesmo que lembrasse, não diria pra vocês; a não ser que eu registrasse o script num cartório antes. Este fantástico globo do nosso querido planeta era um dos objetos do cenário, que peguei emprestado de João Victor, um outro vizinho. Ele nunca mais pediu o globo de volta, e eu nunca devolvi.
Ou seja, nota-se que eu sou um brasileiro muito tradicional.
As Cartas de Magic

Ah, minhas cartas avulsas de Mégique… Faturei muitos trocados com essas cartas. Eu as levava ao shopping, onde todo sábado uma turma de mais ou menos cinquenta guris se reunia para perder dos jogadores mais experientes. Essas cartas eram as famosas “cartas de troca”, que não tinham valor nenhum e eram usadas para engabelar os pobres novatos. Eu uma vez vendi uma pilha de 30 cartas por 5 reais, sendo que o triplo delas não valia nem a metade disso.
O Porta-Canetas

Um porta-canetas artesanal que uma vadia uma ex-namorada comprou durante uma viagem que fizemos ao interior, no Carnaval do ano de 2002. Ah, o carnaval de 2002… Que grandíssima orgia rolou naqueles quatro dias. E ainda reclamam quando eu chamo o Brasil de País da Putaria…
O Sistema de Som do Período Paleozóico

Isso que vocês estão vendo é uma das caixas de um aparelho de som antiquíssimo que meu pai desenterrou de algum lugar. Através da arte da gambiarra, a boom box (como os gringos chamam esse tipo de aparelho) servia como caixa de som do meu PC. E fazia uma barulheira dos infernos. Quando o winamp tocava Slipknot, os vizinhos não dormiam.
O Telefone

Quando eu morava no Brasil e tinha uma vida social um pouco mais ativa, o Telefone era de grande serventia. Eu vivia usando-o, a bem da verdade. Seja pra combinar um cinema na tarde de domingo, ou pra discutir com a ex-namorada, ou pra falar bobagens com o Fivio…
O telefone que tenho atualmente, apesar de ser um modelo altamente tecnológico e cheio de modernices, não tem utilidade alguma. Exceto para ligar para a patroa, algo que agora será desnecessário já que estou me mudando para o prédio dela*. Se eu quiser falar com a gótica, vou até o andar dela.
O Gabinete

Althon XP 1,2 Ghz com 526 512 de RAM. Essa é a descrição do meu melhor amiguinho de todos os momentos, meu companheiro das madrugadas, meu fiel escudeiro. Com ele vivi muitas aventuras: promovi discórdia no IRC, provoquei discussões intermináveis em fóruns, mandei balas virtuais nos rabos virtuais de nerds por todo o mundo… O destino nos separou - o PC foi vendido ao irmão do Márcio dias antes da minha viagem ao Canadá. Mas as mémorias ficarão para sempre…
…
Quer dizer, eu vendi os pentes de memória também.
Mas o HD ficará para sempre, porque eu o trouxe. Aliás, era nele que estava essa foto do meu velho PC.
Ah, meu velho PC… Estamos unidos no pensamento para sempre, meu querido.
*Sobre a tal mudança: ela será efetuada neste próximo sábado. Ou no domingo, agora esqueci. Fui eu que resolvi tudo com a agente do aluguel, mas eu tava prestando mais atenção num trocinho que ela tinha em cima da mesa do que nas negociações. Sabe aqueles negocinhos de metal que você dá um peteleco e eles ficam se mexendo até o fim dos tempos, graças às inexoráveis leis da física? Poisé, ela tinha um. E essa porra provavelmente me fez tomar todas as decisões erradas quando eu tava falando com a mulher sobre o aluguel.
Maldita física.
Só de pensar nessa mudança, já me sinto cansado. Seremos apenas nós dois - meu pai e eu, o vagabundo-mor - para levar todas as tralhas do Sarasota Village, o condomínio onde moro, para o Summit Place, o prédio mais alto de Oshawa - veja aí como eu sou chique pra cacete. Felizmente os dois lugares são separados por menos de quinhentos metros.
Enfim, a internet só será instalada no apê na quarta feira. Portanto, não esperem atualizações do HBD até lá.
Não é minha culpa, ein.
E vou aproveitar a mudança pra me vingar das velhinhas. A propósito, já contei o final da história?
Escrito por Kid on Aug 12, 2004
Mais uma obra de arte de dupla Ju e Paulo. Valeu, seus vagabundos. Agora vão trabalhar.

AHHAHAHAHAHHHAHAHDSJDFHKLVBCMEYUIQBNAFGHATYQ
E tem continuação!
Se você também sabe desenhar alguma coisa, mandaí que eu tou publicando tudo até minha criatividade voltar.
[ Update ] Adivinhem qual site de conselhos virtuais foi atualizado!
Uma dica: não é a seção de dúvidas sexuais da Capricho.
Escrito por Kid on Aug 11, 2004
Sem mais delongas, o segundo capítulo da emocionante história das aventuras de Quide no Canadá, brigando com seus vizinhos. O próximo episódio sai depois das eleições.
Devo enfatizar neste ponto o bigode da primeira velha. Não era um bigode feminino como outro qualquer. Esses já são enojantes ao ponto de você enfiar um dedo na goela e pôr o café da manhã pra fora, só de ver. O bigode da velha canadenses era particularmente escroto, porque ele era meio torto, sei lá. Parecia que ela tinha perdido uma briga pro barbeador quando criança e desde então desistiu de remover os pelos. Era uma coisa intimidante e nojenta.
As velhas não deram trégua. A bigoduda perguntou quem tinha deixado o cachorro fora de casa. Ignorando o fato de que ele estava na corrente o tempo inteiro, a outra disse que ele estava “aterrorizando” a vizinhança. Respondi que não sabia, pois estava dormido. Ela, arrogantemente, disse que eu devia “prestar mais atenção no que ocorre na minha casa“.
E sim, meu cachorrinho de uns 4 meses que fica preso com corrente no quintal aterroriza o bairro.
Eu, diplomaticamente, apenas pedia desculpas - por nada - e tentava voltar pra dentro de casa. As velhas não queriam desistir de uma briga assim tão fácil.
- Olha lá, seu cachorro cavou um buraco ali na cerca…
Sim, era verdade. O Bud fez um rombo na grama do quintal, bem pertinho da cerca que separa minha casa da casa do vizinho. Não era culpa minha, obviamente. Cachorros são cachorros e eles cavam buracos, fazer o que? As velhas continuavam papagaiando, a dor de cabeça apertava, o cachorro latia e os mosquitos zumbiam na minha orelha, junto com as velhas.
Olhei pra ela, olhei pra cerca, olhei pra ela de novo, cocei o cotovelo, olhei pra cerca. Fiquei de saco cheio. Enquanto ela reclamava que o proprietário da casa vizinha ficaria muito puto por causa do buraco, perguntei:
- Ô minha senhora, você mora naquela casa?
A velha respirou tão profundamente quanto se alguém tivesse acabado de cair de paraquedas em cima de sua cabeça. A cara dela se desfez na hora. Ela estava tão entretida nas acusações que não se preocupou em arrumar bons argumentos para discutir. Antes que ela pudesse responder, apontei para a cara dela como se estivesse mostrando um imaginário pedaço de comida preso em seu não-imaginário bigode, e mandei o fatídico:
- Se você não é a dona daquela casa, por que se incomoda? Pra quê você vem até a minha casa reclamar de algo que não te diz respeito? Não tenho satisfações a dar a você por causa do buraco. Se o dono da casa vier reclamar, é um problema entre ele e eu, não você.
A vontade real era de mandar ela e o bigode se foderem com força, mas eu ainda tava com um tantinho de paciência e resolvi falar de forma até educada. De nada adiantou meus tratos de gentleman britânico: a mulher ficou PUTA. Começou a falar que eu era rude, que eu devia respeitar os mais velhos e um monte de coisas que velhas bigodudas falam quando seus vizinhos chutam suas bagaças.
Aí ela decidiu abandonar a noção de vez.
- Vou falar com seu pai quando ele chegar de viagem!
A risada que dei em seguida - natural, mas imensamente provocadora - deve tê-la feito entender que eu não me importava o mínimo com aquilo. É provável que meu pai risse da mesma forma, bem na cara dela, se ela fosse reclamar do que eu falei durante a discussão. Conheço o pai que tenho.
A mulher ficou ainda com mais raiva, se isso era possível. E aí a segunda idosa cometeu um deslize fatal.
- Jovenzinho, você está no Canadá agora. Aqui não é o Brasil…
Pisquei trinta vezes, digerindo a frase que ela tinha acabado de pronunciar. Eu não conseguia acreditar que a mulher tinha jogado minha nacionalidade no meio de uma discussão, daquela forma. Ela não foi diretamente ofensiva, mas o tom em que ela falou me pareceu ter uma pontinha de despeito, de desconsideração. Qualé, velhusca? Era hora de mostrar pra essas porras de canadenses de merda com quem eles estão lidando.
Escrito por Kid on Aug 9, 2004

Como fazia tempo, ein? Teve um maluquinho aí praticamente IMPLORANDO para ter um comentário comentado, mas acontece que tenho uma política acirrada contra mendigos e esmoléus. Ignorei o coitadinho que clamava por atenção - ele tentava até me provocar, me chamando de “previsível” - e decidi comentar um comentário mais digno de atenção, de alguém que não fosse metido a médium.
Fui ler os comentários do post sobre a viagem à Flórica e encontrei uma pérola. Contemplem:
CARDAÇO????
ACHEI UM ERRO DE PORTUGUES HHEHAHAHAEHHEHUEAHUEAUHEHUEA
O CERTO EH CADARÇO!
CADARRRÇO!!!!!!!
HAHAHAHAHAA
Losangelo | 08.07.04 - 6:03 pm
Pensei “porra, que erro de digitação escroto. Como eu vacilo com uma bobagem dessas?“. Fiquei deprimido, pensando em me jogar pela janela do quarto. Já estava até me cadastrando num curso online de digitação (mas só porque perdi meu Cd de Quake), quando então resolvi ler o post em questão.
“Em um momento, dei um passo para a frente para amarrar o cadarço. O policial que…”
Porra! Ô Losangelo, você tava fumando o que quando leu meu post? Onde você viu “cardaço“? Dislexia tem tratamento, você sabe.
Se você vai corrigir alguém, ao menos espere a pessoa cometer um erro.
Escrito por Kid on Aug 8, 2004
Momento Sintam inveja, seus merdas

Fui trabalhar com meu pai anteontem no hospital e ele me recompensou com esse mp3player.
Fazia tempo que eu queria um novo. O meu antigo era mp3player/discman, então eu sempre tinha que gravar o CD com as músicas. Cabia mp3 pra cacete (em torno de 200 músicas) mas, em compensação, se eu queimasse um CD e logo em seguida baixasse uma música bacana, era tarde demais. Tinha que gravar outro.
Ele também lia CD-RW, mas mesmo assim, gravar CD é chato demais. Esse aí funciona através da magia do cabinho USB, muito formidável.
Além disso, o antigo era muito grande - do tamanho de um discman comum. Esse aí é apenas um pouco maior que uma caixa de fósforos. Semana que vem meu pai vai comprar um cartãozinho de 512mb, pra ele não ficar devendo nada ao antigo no quesito armazenamento. E a memória dele guarda não apenas músicas mp3, mas WAV, WMA e qualquer outro tipo de arquivo (ou seja, serve como um HD móvel).
É, eu sou um consumista dos infernos.
…
E tive uma idéia: será que devia fazer uma boa ação e dar o mp3player velho pra algum leitor? Hmm…
Escrito por Kid on Aug 7, 2004
Interrompemos o post diarinho sobre as velhas canadenses para um outro post diarinho sobre outra coisa igualmente irrelevante. Porém, este post diarinho terá fotos alternando as colunas direita e esquerda, uma tendência altamente modernética.

Fui ontem pro Uprising Tour, um evento de skate patrocinado pela empresa do Tony Hawk. A compania do famoso skatista patrocina uma turma de moleques profissionais que ficam passeando pelos EUA e Canadá exibindo suas habilidades no tal evento. Vieram pra Oshawa e, como é de grátis, eu tinha que ir.
Tudo combinado. A gótica e umas amigas apareceram buzinando aqui em casa. Fomos pro tal do Donovan Skate Park, local onde o negócio aconteceria. Ele fica próximo ao colégio onde minha patroa estuda.
Tinha um palco pra bandas - algumas muito boas, outras nem tanto -, comida, distribuição de camisetas, CDs e outros badulaques. Guris gritando e correndo, gente tirando fotos e pedindo autógrafos pros skatistas, aquela festa.
Fui no banheiro por dois segundos. Quando voltei, as meninas estavam em polvorosa: segundo elas, um dos skatistas participantes do evento era brasileiro!
Tinha que confirmar isso. Sentei bem rente ao skatepark e fiquei aguardando o anúncio dos skatistas. Tinha um maluquinho da Finlândia, outro da Rússia, um do Paquistão… Eu nem sabia que a roda já tinha chegado no Paquistão, que dirá skates.
De repente o apresentador do evento se atrapalhou em anunciar a cidade natal de um dos competidores, e de pronto eu saquei que aquele era o meu compatriota. Segundo o cara, o skatista era oriundo da cidade de CâreeteeBAAH, com ênfase no BAAH.
“Câreeteebah é o meu ovo, filho da puta!” disse eu, para mim mesmo, embora tenha sido ouvido pelos que estavam mais próximos. A gótica perguntou se eu tinha falado alguma coisa, mas eu nem me dei ao trabalho de traduzir. Por falar nisso, há um tempo aí a coitada queria aprender português. Vou ver o que ensino pra ela.
Então, o tal menino de Câreeteebah desceu a rampa. Quando vi o cinto verde-e-amarelo que ele usava, não tive dúvidas. Era brasileiro mermo!
As meninas praticamente imploravam pra que eu gritasse alguma coisa em português pro moleque. Elas adoram me ver falando português, sei lá porque. Juntando uma coragem que não sei de onde surgiu - sempre fui MUITO, mas MUITO tímido, especialmente quando estou em lugares com muita gente -, me levantei, pus as mãos em forma de concha em redor da boca e berrei como um fã de Senhor dos Anéis quando percebeu que Glorfindel não estava nos filmes da série:
“DETONA ESSES MERDAS, MALUCO!”
Cinquenta cabeças canadenses se viraram em minha direção. O maluco fez uma manobra qualquer, parou o skate e deu uma olhada em volta. Não me viu na multidão e continuou fazendo as presepadas em cima do negócio. As meninas ficaram me perguntando o que eu tinha falado, mas eu nem respondi: puxando a gótica pelo braço, me dirigi aos fundos do skatepark. Os skatistas subiam para tomar água ou qualquer outra coisa, e davam um tempinho lá antes de retornar às manobras.
De longe dava pra ver que o moleque parecia meio nervoso, talvez por estar cercado de gente falando outra língua. Segundo o apresentador do evento, ele não falava inglês direito. Lembro que quando logo eu cheguei aqui, mesmo falando inglês fluente, me sentia extremamente desconfortável quando estava cercado por pessoas que não falavam português.
No caminho, aproveitei para enfatizar pra Becca algo que eu já tinha falado antes, quando fomos ao Wonderland: tem brasileiro EM TODO LUGAR DO MUNDO. É impossível não encontrar brasileiros onde você vá. Aposto que não tinha nenhum finlandês, russo ou paquistanês na platéia. Eu disse pra ela que, no dia que houver um atentado terrorista no Azerbaijão ou em qualquer outro país que a maioria das pessoas conhece a existência, morrerão brasileiros lá.
Cheguei no moleque.
Na cara de pau, fui logo falando: “Hey, are you brazilian?”
O moleque, meio sem graça: “Yeah, why?”
Sorri e estendi a mão: “Beleza, moleque?”
Ele abriu um sorrizão. Conversamos algumas bobagens por alguns intantes, apresentei a patroa e voltei ao meu lugar. No fim do evento, quando fomos pegar uns posters no stand de autógrafos, o moleque puxou conversa de novo. Ficamos tirando onda com a cara dos canadenses infelizes, que não faziam idéia de porque estávamos rindo.
“Olhaí cara”, disse o skatista, “tou ensinando esses viados a falarem português”
“Ih, é mesmo?”
“É sim, olha. Hey Brad, tell him that phrase I told you the other day”
E o outro skatista, sem saber o que estava falando:
“Chupa meu pinto, minha mãe é puta…?”
E eu rindo na cara do coitado.
O brasileiro autografou o meu poster com a dedicatória “Um abraço para …“. As meninas perguntaram o que ele tinha escrito.
O foda é que abraçar homens - especialmente se for alguém que você nem sequer conhece direito - é um costume tipicamente brasileiro. Abraço aqui é um gesto mais afetuoso, geralmente dedicado a parentes, amigos muito próximos (e ainda assim é estranho) ou namoradas. Se eu dissesse que o maluco me desejou um “hug”, elas iam pensar que nós brasileiros somos todos viadinhos alegres que saem por aí se abraçando em competições de skate, e isso eu não poderia permitir.
Então, disse que “Um abraço para …” significava “To my buddy …”
Porque a gente não pode deixar os brasileiros ficarem com fama de viado no exterior. Ah, não podemos mesmo. Falem o que quiser, menos isso.
[ Update ] Parem de choramingar, ô caralho. O Conselho de Amigo foi atualizado, pronto.
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As cinco maiores construções fictícias imaginárias da cultura popular. Com um bônus não-imaginário
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