Escrito por Kid on Oct 31, 2004
Tem certas pessoas que só não são mais burras porque ainda estão vivas. Se fossem um pouquinho mais cretinas, teriam esquecido que não sabe respirar embaixo dágua, ou que não sabem voar.
Essa pérola veio diretamente do Orkut.
Ajuda 10/19/2004 6:18 PM
Não consigo colocar fotos no meu album, alguém pode me ajudar? Eu clico em “album” mas aparece a mensagem : “Photo album uploads are under maintenance. Please try again in a few days.” Ou seja, tentar outro dia. O que será que eu preciso fazer pra concertar isso?
Conforme até mesmo uma samambaia poderia entender – se ela tivesse uma conta no Orkut -, o servidor tá em manutenção e pede para você tentar o envio novamente, dentro de alguns dias.
Eu poderia dar o benefício da dúvida ao rapaz e supor que ele não sabe ler inglês, se ele não tivesse traduzido a mensagem do servidor. Eu poderia imaginar que ele não é um gênio de informática, se o compreendimento do simples “Não tá funcionando, porra! Tente depois!” requisitasse grande domínio de ciências computacionais.
Mas não é o caso. A mensagem é simples: O servidor tá em manutenção e ficará normal em alguns dias.
O QUE SERÁ, MEU DEUS, QUE ELE TERÁ QUE FAZER PRA CONCERTAR ISSO?
Mas temos que dar um crédito ao rapaz: a despeito da falta de cérebro, ele se propõe a consertar um defeito no servidor do Orkut. Um herói, esse menino.
[ Update ] É Halloween, maluco! Vou pegar uns docinhos de graça por aí e volto depois pra contar sobre meu último dia de trabalho (que foi ontem, mas a preguiça me impediu de escrever um postinho.)
(E possivelmente impedirá de novo.)
(Tchau.)
Escrito por Kid on Oct 28, 2004
Revirando meu HD, achei algo que trouxe lágrimas a estes olhos quase canadenses.
Noise – My Own SummerCover do Deftones, gravado com todo carinho e nenhuma habilidade musical que seja.
A gravação dessa música foi um marco da tecnologia barata dos sistemas de mensagens instantâneas e equipamentos baratos de informática. É uma prova de que você não precisa de dinheiro e estúdio pra fazer uma gravação da sua bandinha de garagem. Exceto, é claro que você queira qualidade técnica, musical, acabamento profissional, enfim, essas coisas que ninguém precisa.
A história dessa gravação foi curiosa. Eu estava indo ensaiar com o Bruno, meu baterista, em Toronto. trunks, o vocal da banda, estava gripado e rouco, então não poderia sair de casa, tampouco se esgoelar na frente de um microfone. Fui sozinho.
Cheguei no nosso estúdio improvisado (o apartamento do Bruno), e comecei a montar a parafernália. Nesse ínterim, Bruno brigava com meu irmão pelo áudio do MSN, por causa do seu não-comparecimento. Vi os dois discutindo pelo MSN e uma idéia genial veio num estalo. Pensei com meus zíperes:
“Porra, tou com fome pra caralho. Vamos pro McDonalds.”
Após o lanche reforçado, voltamos ao estúdio. O Bruno continuava puto pela falta do vocalista. Então me lembrei dos dois malucos brigando em tempo real pelo áudio do MSN. Aí tive a idéia.
Contatei meu irmão e mandei ele abrir o Sound Forge. Dei todas as instruções necessárias para a gravação. A idéia seria tocar na frente do microfone do PC do Bruno, enquanto meu irmão ficava na escuta do outro lado. Trunks então direcionaria o microfone do meu PC, em Oshawa, para as caixinhas de som. Tocaríamos no apartamento, o som seria levado através de sessenta quilômetros de cabos, saindo lá em casa. E aí, seria captado pelo microfone do meu computador, e imediatamente gravado pelo Sound Forge num arquivinho mp3 de baixa qualidade.
Ou seja, um plano infalível que tinha tudo pra dar errado.
Mas não nos preocupamos com coisas bobas como funcionalidade e mandamos ver. O resultado tá aí, ao alcance do seu mouse.
Ficha técnica:
Bateria e piadinhas antes da gravação: Bruno Nobre (não, ele não é meu parente)
Vocal rouco: Trunks (esse é meu parente)
Guitarra e Baixo (na segunda estrofe): Este que vos escreve
Ruídos incompreensíveis: Meu amplificador
Choques quando eu ligava a guitarra: Até hoje tento descobrir
Atendendo a pedidos, estou autografando sutiãs.
Escrito por Kid on Oct 25, 2004
Estando eu muito entediado num outro dia aí, decidi procurar flogs de gente da minha cidade. Na página inicial do fotolog.net, você pode selecionar todos os fotologs de um determinado país. Escolhi “Canadá” e as páginas do índice se abriram. Eu digitava Ctrl + F e o nome da minha cidade, para localizar nas páginas que abriam. Se o navegador não encontrasse nenhuma ocorrência da palavra “Oshawa”, eu passava pra próxima página do catálogo e repetia o procedimento infinitamente.
E entendi um dos motivos pelos quais gringo na internet tem raiva de brasileiro. Até EU fiquei com raiva.
Havia, sem qualquer exagero, mais brasileiros registrados no Canadá do que canadenses. Muito mais; eu diria até uma proporção de cinco brazucas pra cada gringo. Era raridade encontrar um fotolog de um canadense. Conforme já percebi, esse pessoal daqui não se liga nessas modinhas internéticas. Blog, fotolog, orkut… eles não fazem a menor idéia do que é isso. É raríssimo conhecer alguém que tenha algum desses. Os caras aqui se conformam com MSN e só.
Nosso país é uma nação de internautas insatisfeitos.
E o pior não é isso. Em relação a fotologs, a gracinha do momento é criar frases pseudo-engraçadas com o nome da cidade e país de onde seu flog é registrado. Acho que vi uns quatro mil flogs com os escritos “aki em casa tein piscina vem, CANADA“. Cansei de ler os “cerveja naum dah ressaca mas, CANADA“. E seus autores, cada um se achando mais engraçado e original que o outro, aposto. Neguinho vê a piadinha – se é que se pode chamar de piada – em fotologs por aí, acha A COISA MAIS ENGRAÇADA DO MUNDO e coloca no seu próprio, talvez achando que ninguém nunca viu essa gracinha antes, e que ele surpreenderá todos com a sagacidade de montar uma frase que faça um trocadilho imbecil com o nome de um país que ele sequer conhece.
O povo brasileiro tem duas características: nos espalhamos com facilidade, e não respeitamos regras. Antes nossa má educação se limitava às nossas fronteiras, mas com a internet, essa combinação nos tornou uma praga global. Veja o exemplo do fotolog: o país que você seleciona serve pra identificar a nacionalidade dos usuários do sistema, e ajuda a estabelecer um quadro demográfico dos fotologgers (tem gente que gosta desses rotulozinhos, fazer o que). Os brasileiros, ignorando a funcionalidade do sistema e as regras de utilização, usam um recurso do negócio pra fazer uma gracinha.
E gracinha sem graça, o que é pior. Se até a piada é fuleira, todo o propósito de bagunçar o sistema vai por água abaixo. Acho que não podemos esperar nada mais engraçado de um povo que passou os últimos vinte anos vendo os mesmos humoristas contando as mesmas piadas em A Praça é Nossa.
E o mais triste é que alguns brasileiros se ORGULHAM desse domínio que estabelecemos sobre os sistemas virtuais. Se o pessoal aqui no Canadá fosse mais informado sobre as tendências de comportamento da internet, eu teria vergonha de admitir minha nacionalidade.
Escrito por Kid on Oct 23, 2004
Ahahaha, quem diria que a mudança do meu endereço ia acabar trazendo benefícios.
Como os leitores mais atenciosos podem perceber, o domínio hojeeumbomdia.com expirou faz uns dois dias. Tou pensando em compra-lo novamente, mas até lá vou me virando com os que vocês já conhecem. Estou com preguiça de digitar os outros domínios, e presumo que você o conhece (caso contrário, não estaria lendo isso aqui).
Claro que você conhece o novo domínio, afinal, avisei sobre a expiração do .com há mais de um mês. E não avisei só uma vez. E não dei apenas um, mas DOIS novos endereços, caso você não gostasse de um.
Não precisava ser um cientista de foguetes da Nasa pra entender a mensagem.
Mas infelizmente percebi que preciso melhorar minha técnica de redação. Acho que “parem de entrar pelo hojeeumbomdia.com porque ele vai acabar” não foi claro o bastante. Muitos leitores não conseguiram decodificar essa complicada mensagem. Sempre imaginei que haveria aqueles que não conseguiram quebrar esse código, mas era apenas uma hipótese. Supus que apenas uns dois ou três seriam imbecis o bastante. Mas era ainda apenas uma teoria.
A prova disso veio quando abri o Nedstat hoje: houve um decréscimo de mais de cento e cinquenta visitantes em relação ao último dia de funcionamento do domínio e ontem.
Cento e cinquenta. Isso é um número considerável, é toda a visitação que alguns amigos meus têm por dia. Se cada um desses malucos me desse um real, eu teria grana o bastante pra comprar o domínio por três anos e ainda sobraria dinheiro pra comprar um BigMac e dois pirulitos de framboesa, talvez até um picolé.
Cento e cinquenta pessoas não compreenderam que “ACABAR” significa “CESSARÁ DE EXISTIR“, e continuam insistentemente tentando acessar um endereço que eu, o próprio dono, avisei em mais de uma ocasião que acabaria.
O curioso é que isso efetivamente filtrou os leitores que conseguem pensar, funcionando como um inesperado mas ainda assim formidável mecanismo de seleção natural. Sem querer querendo, eliminei uma cambada de leitor que era burro demais pra acompanhar uma simples mudança de endereço. E eles não farão lá tanta falta, afinal, se os caras não entenderam ISSO, o que diabos é que eles faziam aqui?
O mais engraçado é imaginar que essas cento e cinquenta pessoas que estão dando de cara com uma página em branco estão provavelmente se perguntando por que será que eu fechei o blog.
É de lascar. Da próxima vez faço um desenho; quem sabe um GIF animado.

Escrito por Kid on Oct 21, 2004
Sim, a mulher que quase derrubou a câmera digital. Com essa, estou ganhando a disputa de quem deu o susto mais encabuloso no grounds – é como chamamos o lugar onde as estações ficam, “the grounds“. Há o ground e a Lynde House, a casa mal assombrada.
Enfim, a mulher e a câmera digital.
Estava eu completamente imóvel no meu posto, quando ouvi passos vindo da entrada da clareira. Fiquei ainda mais imóvel, se é que isso é possível, esperando as próximas vítimas entrarem no meu alcance de sustos, que dá mais ou menos uns três metros.
Eram duas crianças; uma fantasiada de abelha e a outra, bem, a outra tinha um pano branco na cabeça e um papel higiênico na mão. Após refletir sobre o que eu estava vendo, decidi que estava fantasiada de noiva cagona, mas não tenho certeza. Atrás das crianças, vinha sua mãe.
A senhora que acompanhava a abelha e a noiva cagona trazia nas mãos uma câmera digital, e não tirava os olhos dela. Tudo bem que tecnologia moderna é algo surpreendente, mas tive a impressão que, se as crianças morressem ali na frente dela, a mulher continuaria fitando a câmera.
Quando os guris chegaram mais perto de mim, notei que eram muito novinhas, e fiquei puto. A gerência nos deu a ordem de não aterrorizar demais os pivetes mais novos, porque eles choram e gritam e se cagam e correm pela recepção como se sua vida dependesse disso, e isso é ruim pros negócios. Então, nas palavras do Owen (o cara que me contratou), “apenas façam eles perceber que você está lá“.
Então tá, né. Quando os guris se aproximaram de mim, se perguntando se eu era real ou apenas mais um manequim, fiz um movimento brusco com os braços, como se fosse agarra-los – mas não fiz um som sequer. Os guris me encararam por dois segundos que pareceram uma eternidade. Eu continuei olhando para eles, sem saber o que fazer. “Chorem, seus merdas!” desejei com todas minhas forças. Os pequenos canadenses continuavam olhando pra mim e piscando.
Houve uma breve longa espera. Como que atendendo minhas ondas mentais, os dois pivetes abriram o berreiro, largaram a sacolinha de doces no chão e correram em direção à mãe, que vinha lá atrás. Sorri satisfeito, mas o susto não terminou aí.
Alguns segundos depois o grupo inteiro apareceu no meu campo de visão. A desgraçada ainda olhava pra câmera, e os guris puxavam sua calça e apontavam pra mim, gritando “He is real! He is real!“. O curioso é que os canadenses pronunciam “Israel” como “Is real“, então a impressão que dava era que os moleques me conheciam. Por pouco não tirei a máscara e disse “Aê malucada, sou eu mesmo! Tudo beleza, seus porras?”
Mas então, voltando à historinha. As crianças estavam assustadíssimas, enquanto sua mãe continuava brincando com a câmera digital. Acho que eles estava apanhando pro equipamento, tentando talvez apagar uma foto. Tecnologia digital e velhos são duas coisas que não combinam de jeito nenhum. Você já viu um velho tentando comprar uma impressora? Eu já.
Então a mulher tirou os olhos da câmera pela primeira vez e me encarou fixamente. Prendi a respiração e fechei os olhos.
“Ele é só uma estátua, pessoal! Olha que machado legal ele tem!”
Minhas primeiras impressões estavam corretas: ela não viu quando assustei os guris. Logo, ela não sabia que por trás dessa máscara de macaquinho estava um brasileiro que a daria motivos para ter pesadelos pelo resto da sua pobre existência canadense.
A mulher mirou sua Cybershots em mim e tirou uma fotografia. Em seguida, olhou no visor de cristal líquido. Satisfeita com o resultado, desligou o aparelho e direcionou-o ao bolso. Então, ela decidiu dar uma última olhada em minha direção. Era a deixa.
Pulei da plataforma agilmente em direção à velha fotógrafa, agitando o machado e gritando feito um maluco. A mulé deu um salto pra trás, largando a câmera. Sabe quando você perde o equilíbrio de algo nas mãos e tenta desesperadamente agarra-lo de novo, como se sua vida dependesse disso? Você tem idéia de o quanto isso é engraçado?
Gritando palavrões, a mulher tentava se recompôr e segurar sua preciosa câmera digital. As crianças, que não deviam ter uma memória lá muito boa, gritaram de novo e se esconderam atrás da mãe. Lembro nitidamente de ver a noiva cagona puxando a calça da velha com muita força, e revelando algo que eu preferia morrer sem ver: a velha usava uma calcinha de alça fina, daquelas estilo fio dental.
Argh, eles não me pagam o suficiente pra ver um negócio desses.
Escrito por Kid on Oct 19, 2004
Como alguns amiguinhos já sabem, eu arrumei um bico pro Halloween. Um amigo meu me indicou pro pessoal do Cullen Gardens, um restaurante temático numa cidade próxima. Durante o período do Halloween, o restaurante contrata uma porrada de moleques pra usar fantasias e assustar as pobres criancinhas que se aventuram pela vila em miniatura que fica aos fundos do imenso restaurante.
Logo de cara, resolvi aceitar. A grana era boa. Mas eu não sabia o que me aguardava.
Sexta feira foi meu primeiro dia. Cheguei no lugar, fui à sala de armários. Meus coleguinhas já estavam lá, colocando suas fantasias. Tinha uma menina (bonitinha, até) trajando uma roupa de diabinha; um outro cara vestido como um esqueleto que brilhava no escuro, e um terceiro moleque usando uma hilária roupa de troll. Fui ao meu armário e descobri uma fantasia de Planeta dos Macaquinhos.

Beleza.
Meia hora após colocar a fantasia, o troll engraçado e eu caminhávamos para as nossas estações. Era incrivelmente difícil andar com os pés de macaco, e ainda por cima vendo o hilário troll na minha frente, com aquela cabeçona e mãos gigantes. O menino caveirinha, que ainda não tinha saído da sala de armário, apressou o passo e rapidamente nos alcançou. Os dois comentavam entre si que eu peguei “o melhor lugar”. Me senti um tanto quanto confortado ao ouvir isso. Os guris me indicaram onde eu ficaria, desejaram boa sorte e se mandaram pela estradinha que dá forma à vila.
Assim que cheguei à estação, olhei em volta pra ver se nenhum guri estava vindo. Após a confirmação, tirei a máscara desesperado e respirei profundamente: aquela porra tinha acabado de me dar claustrofobia. Em breve ela me daria uma suadeira do caralho também, mas eu só ia descobrir isso mais tarde.
Recoloquei a máscara e examinei minha “estação”, como eles chamam. O lugar onde eu ficaria era basicamente um playground modificado, para parecer cabandas de madeira, no meio da floresta. Passei a investigar o lugar. As entradas do playground estavam bloqueadas por tábuas de madeira, certamente para impedir os guris de subirem no lugar. Joguei meu machadinho de plástico pra dentro e, como se a fantasia tivesse me conferido genuinas habilidades macacais, pulei as tábuas com desenvoltura.
E caí de cara do outro lado. Me recompus rapidamente. Uma parte da armadura da minha fantasia quebrou (o protetor da canela esquerda), então deixei-o por ali mesmo. Foda-se.
Repensei minha posição e achei que seria melhor ficar mais próximo da trilha, ao alcance dos transeuntes. Desci e me posicionei ao lado da escada.
E então eu fiquei completamente imóvel, como se fosse parte do cenário. Espalhados pelo playground, havia manequins fantasiados como macacos também. Então o truque era ficar completamente imóvel. O lugar onde eu estava era o mais próximo da trilha, então a galera ia passando, após ver todos os outros, julgava que eu era também um manequim.
É claro que nesse momento eu pulava na frente dele brandindo meu letal machadinho de plástico, fazendo crianças gritarem de pavor. Alguns saiam correndo em disparada, outras voltavam correndo pela trilha escura. Algumas começavam a chorar, e creio que essas ouviam minhas risadas abafadas por trás da máscara de macacaquinho.
O mais curioso é que algumas vezes os pais se assustavam mais que as crianças. Esses vinham perto de mim e falavam “Porra, me pegou ein? Bom trabalho!” e apertavam minha mão, naquela típica cortesia gringa. Aí, como eu já estava sem qualquer resquício da minha notória vergonha (sou tímido pra caralho), começava a dançar em cima da plataforma de madeira. As criancinhas deliravam, me abraçavam, pediam pra ser minhas amiguinhas, e pra tirar fotos comigo e ofereciam doces. Obviamente só me importei com os doces, que foram jogados pra dentro da fantasia (ela não tinha bolsos), para serem coletados mais tarde na sala da staff.
Lá pelas oito horas, quando começou a ficar mais frio, uma garota da equipe veio trazer um chocolate quente pra mim. Ela o colocou em cima da viga de madeira onde eu apoiava minha mão. Só que tinha gente vindo o tempo todo, não ia dar tempo de tirar as luvas e a máscara e beber o negócio. Porra, não dava nem tempo de pegar o troço e esconder. Eu tinha que ficar totalmente parado.
O problema é que o copo fumegante de chocolate quente denunciava-me. Sempre que eu assustava alguém, a pessoa gritava (certamente tentando provar a própria sagacidade, e que não tinha sido realmente assustado): “eu sabia que ele era real, tinha um copo de café do lado dele!“.
Então resolvi ser criativo. Quando alguém se aproximava, eu berrava:
“Rwaaaaaaarrrrdon’t drink my chocolatearrrrrrrrrrrrr!!!!”
E a galera, após o susto, se cagava de rir. Pra completar, eu começava a dançar a macarena. A criançada pirou.
Em uma certa ocasião, duas meninas – de aparentes 15 anos – pararam na minha frente e começaram um longo debate para definir se eu era real ou não. Uma delas podia jurar que me viu movendo a cabeça, enquanto a outra dizia que estava prestando bastante atenção mas não notou nada. As desgraçadas não passavam, e estavam a uma distância grande demais para eu conseguir assusta-las (o efeito é melhor se a pessoa está perto de você). Aí uma das desgraçadas teve uma idéia brilhante:
“Já sei, vamos jogar pedras nele!”
Ah, maldita. Nesse ponto minha perna já estava doendo e eu precisava mudar a posição do corpo para distribuir o peso para a outra, e meu nariz começou a coçar. Todos vocês sabem que coceira no nariz é um negócio de louco. Mas que se foda: não ia mover nem um milímetro. Essas eu ia pegar de jeito.
Vi quando as meninas se abaixaram pra apanhar pedras. Cerrei os olhos com força e mordi os lábios, me preparando pro ataque. Segundos depois, senti uma pedrinha batendo contra a minha armadura. Abri os olhos. As felas da puta, não satisfeitas, se abaixaram novamente e apanharam um monte de pedras. Segundos depois fui METRALHADO por algumas centenas de milhares de pedregulhos.
Depois do apedrejamento, as meninas decidiram que era seguro passar. Uma delas veio pra perto de mim, de zoação, pra dar tchau.
Pulei na frente dele agitando o machado. A menina caiu pra trás, enquanto a outra saiu correndo em disparada. A que caiu no chão deu um berro agudo, achei que ela ia chorar. Ouvi ao longe a risada da fujona. Decidi ser bonzinho e estendi a mão para ajudar a menina caída. Ela mostrou insegurança, então tirei a máscara. Ela me viu e começou a rir. Me abraçou e, fingindo raiva, me deu um murro de mentirinha no rosto.
No fim da noite, na sala das fantasias, os scarers se reúnem para contar os melhores sustos. E tou por enquanto liderando com a da mulé que quase derrubou a câmera digital*.
*Explico depois.
Escrito por Kid on Oct 16, 2004


Comprei o DVD de Tróia na semana passada, quando voltava de Toronto (conheci lá dois leitores do HBD, o que foi bastante formidável). O DVD custou apenas 12 dólares, o que me deixou intrigado: seria uma cópia pirata? Acontece que DVD tinha uma caixa com acabamento impecável, o disco tinha a imagem do poster, e colado na capa estava um selinho holográfico. De duas, uma: ou aqui no Canadá se pratica uma SUPER pirataria, ou eu estou longe do Brasil a tempo suficiente para me tornar desfamiliarizado com técnicas avançadas de safadeza.Anyways.
Fui alertado que bundas masculinas abundavam nesse filme, com o perdão do trocadilho fraco que não será repetido nunca mais. Um tanto quanto consternado diante à possibilidade de ter minha preferência sexual ofendida por um close shot da bunda do Brad Pitt, chamei a patroa para assistir comigo, para ter a certeza de que ao menos um de nós ia gostar do filme e saber que não gastei 12 dólares num hipotético DVD pirateado.
Felizmente, não se vêem tantas nádegas desnudas na película. Ou pelo menos não me lembro de tantas assim, provavelmente porque eu estava ocupado me agarrando com a namorada no sofá. De qualquer forma, não vi bundas masculinas peladas, e isso é bom.
A história é familiar para qualquer um que tenha um pouco de cultura e leu mais na escola além dos livrinhos paradidáticos sem graça que os professores passavam pra gente. De forma resumida:
A mulé de um grego (um ator gordão feio que sempre faz papel de gordão feio) foge pra ficar com um troiano (o Legolas), logo após uma espécie de reunião entre os reis das duas localidades. O grego, putíssimo, quer pegar a vadia à força e encher-lhe de porradas. Seu rei, safadíssimo, vê nisso um pretexto para invadir Tróia e ficar com tudo. E lá vão eles em seus barquinhos, levando junto o Aquiles, que é uma espécie de super homem, mas não alejado e ainda vivo.
Mas eles não contavam com a astúcia do povo de Tróia: os muros da cidade são ininvadíveis. A partir daí começa um falatório que não prestei atenção. Adiante, mas falatório sem graça. Numa estratégia para chamar a atenção do expectador, o diretor manda umas cenas de nudez. Mas a cena não durou muito, então logo minha atenção foi desviada mais uma vez. Começa uma cena de batalha sanguinolenta. Alguém leva uma flechada na bunda, e possivelmente morre. Não sei se a bunda é um ponto vital.
Então os gregos têm uma idéia fenomenal: eles usam seus barcos para construir um cavalo gigante. Nesse ponto, se você não é um inculto, já está sabendo que o cavalinho está recheado de guerreiros gregos. E se você era, acabei de estragar a grande surpresa do filme.
Quando os troianos acham a imensa construção, pensam em leva-la para dentro da cidade. Obviamente nesse ponto um único personagem sensato (no caso, o Legolas) tem a idéia de queimar o cavalinho e, sem querer querendo, fazer um belo churrasco de cavalo à parmegiana com recheio grego.
Mas, como em todo filme, a decisão da maioria burra prevalece, e os troianos levam o cavalo pra dentro da cidade. Lá pras duas e quinze da manhã, a galera dumau sai do cavalo, abre as portas da cidade para que o exército grego invada e a espada come de esmola.
Claro que estou pulando muitas partes, como a morte do irmão do Legolas e tal. Claro que não fará diferença porque todos vocês já assistiram esse filme. E se eu contasse isso, ia estragar a surpresa praqueles que não assistiram.
Voltando à historinha: então o Aquiles entra na cidade com seus comparsas e toca fogo em tudo. Muito filho da puta esse povinho: tomam a cidade da galera, mas tocam fogo na parada inteira. Bradaquiles é morto por uma flechada no calcanhar (O CALCANHAR DE AQUILES, OH!). Sua namoradinha mata o rei grego, que por sua vez acabou de matar o rei de Tróia, que em sua juventudade com certeza matou mais gente também.
Como vocês podem ver, esse filme contém mais matanças e desgraças familiares que cinquenta tiragens do jornal popular aí da sua cidade.
Achei interessante como eles reciclaram o personagem que Orlando Bloom interpretou em Senhor dos Anéis. Lá pela metade do filme, quando por um passe de mágica o príncipe covarde se torna um habilidoso arqueiro e começa a disparar cinquenta flechas por segundo em alvos móveis e matando todos, você entenderá porque eu o chamei de Legolas e não de Paris, seu nome real no filme. Até porque Paris não é nome de homem.
Enfim, é um filme razoável, por diversos motivos. Primeiro, porque custou apenas doze pilas e temos que ter boa vontade para com coisas não-caras. Segundo, porque tem sangue à beça. Fontes não confirmadas garantem que o Wolfgang Petersen comprou uma empresa de ketchup para poder filmar Tróia. Acho que é mentira, porque nem três dariam conta de simular a abundante sanguinolência que esse filme exibe.
Neguinho leva espadada NO OLHO. Já pensou pegar um golpe de espada no globo ocular? Não pense, assista Tróia.
[ Update ] Reclamaram que tem spoilers no post, e que eu devia avisar isso pros incautos que não ainda não assistiram o filme. Então aí vai: não leia, tem spoilers.
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Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
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