Escrito por Kid on Oct 31, 2004

Tem certas pessoas que só não são mais burras porque ainda estão vivas. Se fossem um pouquinho mais cretinas, teriam esquecido que não sabe respirar embaixo dágua, ou que não sabem voar.

Essa pérola veio diretamente do Orkut.

Ajuda 10/19/2004 6:18 PM

Não consigo colocar fotos no meu album, alguém pode me ajudar? Eu clico em “album” mas aparece a mensagem : “Photo album uploads are under maintenance. Please try again in a few days.” Ou seja, tentar outro dia. O que será que eu preciso fazer pra concertar isso?

Conforme até mesmo uma samambaia poderia entender - se ela tivesse uma conta no Orkut -, o servidor tá em manutenção e pede para você tentar o envio novamente, dentro de alguns dias.

Eu poderia dar o benefício da dúvida ao rapaz e supor que ele não sabe ler inglês, se ele não tivesse traduzido a mensagem do servidor. Eu poderia imaginar que ele não é um gênio de informática, se o compreendimento do simples “Não tá funcionando, porra! Tente depois!” requisitasse grande domínio de ciências computacionais.

Mas não é o caso. A mensagem é simples: O servidor tá em manutenção e ficará normal em alguns dias.

O QUE SERÁ, MEU DEUS, QUE ELE TERÁ QUE FAZER PRA CONCERTAR ISSO?

Mas temos que dar um crédito ao rapaz: a despeito da falta de cérebro, ele se propõe a consertar um defeito no servidor do Orkut. Um herói, esse menino.

[ Update ] É Halloween, maluco! Vou pegar uns docinhos de graça por aí e volto depois pra contar sobre meu último dia de trabalho (que foi ontem, mas a preguiça me impediu de escrever um postinho.)

(E possivelmente impedirá de novo.)

(Tchau.)


Escrito por Kid on Oct 28, 2004

Revirando meu HD, achei algo que trouxe lágrimas a estes olhos quase canadenses.

Noise - My Own Summer


Cover do Deftones, gravado com todo carinho e nenhuma habilidade musical que seja.

A gravação dessa música foi um marco da tecnologia barata dos sistemas de mensagens instantâneas e equipamentos baratos de informática. É uma prova de que você não precisa de dinheiro e estúdio pra fazer uma gravação da sua bandinha de garagem. Exceto, é claro que você queira qualidade técnica, musical, acabamento profissional, enfim, essas coisas que ninguém precisa.

A história dessa gravação foi curiosa. Eu estava indo ensaiar com o Bruno, meu baterista, em Toronto. trunks, o vocal da banda, estava gripado e rouco, então não poderia sair de casa, tampouco se esgoelar na frente de um microfone. Fui sozinho.

Cheguei no nosso estúdio improvisado (o apartamento do Bruno), e comecei a montar a parafernália. Nesse ínterim, Bruno brigava com meu irmão pelo áudio do MSN, por causa do seu não-comparecimento. Vi os dois discutindo pelo MSN e uma idéia genial veio num estalo. Pensei com meus zíperes:

“Porra, tou com fome pra caralho. Vamos pro McDonalds.”

Após o lanche reforçado, voltamos ao estúdio. O Bruno continuava puto pela falta do vocalista. Então me lembrei dos dois malucos brigando em tempo real pelo áudio do MSN. Aí tive a idéia.

Contatei meu irmão e mandei ele abrir o Sound Forge. Dei todas as instruções necessárias para a gravação. A idéia seria tocar na frente do microfone do PC do Bruno, enquanto meu irmão ficava na escuta do outro lado. Trunks então direcionaria o microfone do meu PC, em Oshawa, para as caixinhas de som. Tocaríamos no apartamento, o som seria levado através de sessenta quilômetros de cabos, saindo lá em casa. E aí, seria captado pelo microfone do meu computador, e imediatamente gravado pelo Sound Forge num arquivinho mp3 de baixa qualidade.

Ou seja, um plano infalível que tinha tudo pra dar errado.

Mas não nos preocupamos com coisas bobas como funcionalidade e mandamos ver. O resultado tá aí, ao alcance do seu mouse.

Ficha técnica:

Bateria e piadinhas antes da gravação: Bruno Nobre (não, ele não é meu parente)

Vocal rouco: Trunks (esse é meu parente)

Guitarra e Baixo (na segunda estrofe): Este que vos escreve

Ruídos incompreensíveis: Meu amplificador

Choques quando eu ligava a guitarra: Até hoje tento descobrir

Atendendo a pedidos, estou autografando sutiãs.


Escrito por Kid on Oct 25, 2004

Estando eu muito entediado num outro dia aí, decidi procurar flogs de gente da minha cidade. Na página inicial do fotolog.net, você pode selecionar todos os fotologs de um determinado país. Escolhi “Canadá” e as páginas do índice se abriram. Eu digitava Ctrl + F e o nome da minha cidade, para localizar nas páginas que abriam. Se o navegador não encontrasse nenhuma ocorrência da palavra “Oshawa”, eu passava pra próxima página do catálogo e repetia o procedimento infinitamente.

E entendi um dos motivos pelos quais gringo na internet tem raiva de brasileiro. Até EU fiquei com raiva.

Havia, sem qualquer exagero, mais brasileiros registrados no Canadá do que canadenses. Muito mais; eu diria até uma proporção de cinco brazucas pra cada gringo. Era raridade encontrar um fotolog de um canadense. Conforme já percebi, esse pessoal daqui não se liga nessas modinhas internéticas. Blog, fotolog, orkut… eles não fazem a menor idéia do que é isso. É raríssimo conhecer alguém que tenha algum desses. Os caras aqui se conformam com MSN e só.

Nosso país é uma nação de internautas insatisfeitos.

E o pior não é isso. Em relação a fotologs, a gracinha do momento é criar frases pseudo-engraçadas com o nome da cidade e país de onde seu flog é registrado. Acho que vi uns quatro mil flogs com os escritos “aki em casa tein piscina vem, CANADA“. Cansei de ler os “cerveja naum dah ressaca mas, CANADA“. E seus autores, cada um se achando mais engraçado e original que o outro, aposto. Neguinho vê a piadinha - se é que se pode chamar de piada - em fotologs por aí, acha A COISA MAIS ENGRAÇADA DO MUNDO e coloca no seu próprio, talvez achando que ninguém nunca viu essa gracinha antes, e que ele surpreenderá todos com a sagacidade de montar uma frase que faça um trocadilho imbecil com o nome de um país que ele sequer conhece.

O povo brasileiro tem duas características: nos espalhamos com facilidade, e não respeitamos regras. Antes nossa má educação se limitava às nossas fronteiras, mas com a internet, essa combinação nos tornou uma praga global. Veja o exemplo do fotolog: o país que você seleciona serve pra identificar a nacionalidade dos usuários do sistema, e ajuda a estabelecer um quadro demográfico dos fotologgers (tem gente que gosta desses rotulozinhos, fazer o que). Os brasileiros, ignorando a funcionalidade do sistema e as regras de utilização, usam um recurso do negócio pra fazer uma gracinha.

E gracinha sem graça, o que é pior. Se até a piada é fuleira, todo o propósito de bagunçar o sistema vai por água abaixo. Acho que não podemos esperar nada mais engraçado de um povo que passou os últimos vinte anos vendo os mesmos humoristas contando as mesmas piadas em A Praça é Nossa.

E o mais triste é que alguns brasileiros se ORGULHAM desse domínio que estabelecemos sobre os sistemas virtuais. Se o pessoal aqui no Canadá fosse mais informado sobre as tendências de comportamento da internet, eu teria vergonha de admitir minha nacionalidade.


Escrito por Kid on Oct 23, 2004

Ahahaha, quem diria que a mudança do meu endereço ia acabar trazendo benefícios.

Como os leitores mais atenciosos podem perceber, o domínio hojeeumbomdia.com expirou faz uns dois dias. Tou pensando em compra-lo novamente, mas até lá vou me virando com os que vocês já conhecem. Estou com preguiça de digitar os outros domínios, e presumo que você o conhece (caso contrário, não estaria lendo isso aqui).

Claro que você conhece o novo domínio, afinal, avisei sobre a expiração do .com há mais de um mês. E não avisei só uma vez. E não dei apenas um, mas DOIS novos endereços, caso você não gostasse de um.

Não precisava ser um cientista de foguetes da Nasa pra entender a mensagem.

Mas infelizmente percebi que preciso melhorar minha técnica de redação. Acho que “parem de entrar pelo hojeeumbomdia.com porque ele vai acabar” não foi claro o bastante. Muitos leitores não conseguiram decodificar essa complicada mensagem. Sempre imaginei que haveria aqueles que não conseguiram quebrar esse código, mas era apenas uma hipótese. Supus que apenas uns dois ou três seriam imbecis o bastante. Mas era ainda apenas uma teoria.

A prova disso veio quando abri o Nedstat hoje: houve um decréscimo de mais de cento e cinquenta visitantes em relação ao último dia de funcionamento do domínio e ontem.

Cento e cinquenta. Isso é um número considerável, é toda a visitação que alguns amigos meus têm por dia. Se cada um desses malucos me desse um real, eu teria grana o bastante pra comprar o domínio por três anos e ainda sobraria dinheiro pra comprar um BigMac e dois pirulitos de framboesa, talvez até um picolé.

Cento e cinquenta pessoas não compreenderam que “ACABAR” significa “CESSARÁ DE EXISTIR“, e continuam insistentemente tentando acessar um endereço que eu, o próprio dono, avisei em mais de uma ocasião que acabaria.

O curioso é que isso efetivamente filtrou os leitores que conseguem pensar, funcionando como um inesperado mas ainda assim formidável mecanismo de seleção natural. Sem querer querendo, eliminei uma cambada de leitor que era burro demais pra acompanhar uma simples mudança de endereço. E eles não farão lá tanta falta, afinal, se os caras não entenderam ISSO, o que diabos é que eles faziam aqui?

O mais engraçado é imaginar que essas cento e cinquenta pessoas que estão dando de cara com uma página em branco estão provavelmente se perguntando por que será que eu fechei o blog.

É de lascar. Da próxima vez faço um desenho; quem sabe um GIF animado.


Escrito por Kid on Oct 21, 2004

Sim, a mulher que quase derrubou a câmera digital. Com essa, estou ganhando a disputa de quem deu o susto mais encabuloso no grounds - é como chamamos o lugar onde as estações ficam, “the grounds“. Há o ground e a Lynde House, a casa mal assombrada.

Enfim, a mulher e a câmera digital.

Estava eu completamente imóvel no meu posto, quando ouvi passos vindo da entrada da clareira. Fiquei ainda mais imóvel, se é que isso é possível, esperando as próximas vítimas entrarem no meu alcance de sustos, que dá mais ou menos uns três metros.

Eram duas crianças; uma fantasiada de abelha e a outra, bem, a outra tinha um pano branco na cabeça e um papel higiênico na mão. Após refletir sobre o que eu estava vendo, decidi que estava fantasiada de noiva cagona, mas não tenho certeza. Atrás das crianças, vinha sua mãe.

A senhora que acompanhava a abelha e a noiva cagona trazia nas mãos uma câmera digital, e não tirava os olhos dela. Tudo bem que tecnologia moderna é algo surpreendente, mas tive a impressão que, se as crianças morressem ali na frente dela, a mulher continuaria fitando a câmera.

Quando os guris chegaram mais perto de mim, notei que eram muito novinhas, e fiquei puto. A gerência nos deu a ordem de não aterrorizar demais os pivetes mais novos, porque eles choram e gritam e se cagam e correm pela recepção como se sua vida dependesse disso, e isso é ruim pros negócios. Então, nas palavras do Owen (o cara que me contratou), “apenas façam eles perceber que você está lá“.

Então tá, né. Quando os guris se aproximaram de mim, se perguntando se eu era real ou apenas mais um manequim, fiz um movimento brusco com os braços, como se fosse agarra-los - mas não fiz um som sequer. Os guris me encararam por dois segundos que pareceram uma eternidade. Eu continuei olhando para eles, sem saber o que fazer. “Chorem, seus merdas!” desejei com todas minhas forças. Os pequenos canadenses continuavam olhando pra mim e piscando.

Houve uma breve longa espera. Como que atendendo minhas ondas mentais, os dois pivetes abriram o berreiro, largaram a sacolinha de doces no chão e correram em direção à mãe, que vinha lá atrás. Sorri satisfeito, mas o susto não terminou aí.

Alguns segundos depois o grupo inteiro apareceu no meu campo de visão. A desgraçada ainda olhava pra câmera, e os guris puxavam sua calça e apontavam pra mim, gritando “He is real! He is real!“. O curioso é que os canadenses pronunciam “Israel” como “Is real“, então a impressão que dava era que os moleques me conheciam. Por pouco não tirei a máscara e disse “Aê malucada, sou eu mesmo! Tudo beleza, seus porras?

Mas então, voltando à historinha. As crianças estavam assustadíssimas, enquanto sua mãe continuava brincando com a câmera digital. Acho que eles estava apanhando pro equipamento, tentando talvez apagar uma foto. Tecnologia digital e velhos são duas coisas que não combinam de jeito nenhum. Você já viu um velho tentando comprar uma impressora? Eu já.

Então a mulher tirou os olhos da câmera pela primeira vez e me encarou fixamente. Prendi a respiração e fechei os olhos.

Ele é só uma estátua, pessoal! Olha que machado legal ele tem!

Minhas primeiras impressões estavam corretas: ela não viu quando assustei os guris. Logo, ela não sabia que por trás dessa máscara de macaquinho estava um brasileiro que a daria motivos para ter pesadelos pelo resto da sua pobre existência canadense.

A mulher mirou sua Cybershots em mim e tirou uma fotografia. Em seguida, olhou no visor de cristal líquido. Satisfeita com o resultado, desligou o aparelho e direcionou-o ao bolso. Então, ela decidiu dar uma última olhada em minha direção. Era a deixa.

Pulei da plataforma agilmente em direção à velha fotógrafa, agitando o machado e gritando feito um maluco. A mulé deu um salto pra trás, largando a câmera. Sabe quando você perde o equilíbrio de algo nas mãos e tenta desesperadamente agarra-lo de novo, como se sua vida dependesse disso? Você tem idéia de o quanto isso é engraçado?

Gritando palavrões, a mulher tentava se recompôr e segurar sua preciosa câmera digital. As crianças, que não deviam ter uma memória lá muito boa, gritaram de novo e se esconderam atrás da mãe. Lembro nitidamente de ver a noiva cagona puxando a calça da velha com muita força, e revelando algo que eu preferia morrer sem ver: a velha usava uma calcinha de alça fina, daquelas estilo fio dental.

Argh, eles não me pagam o suficiente pra ver um negócio desses.


Escrito por Kid on Oct 19, 2004

Como alguns amiguinhos já sabem, eu arrumei um bico pro Halloween. Um amigo meu me indicou pro pessoal do Cullen Gardens, um restaurante temático numa cidade próxima. Durante o período do Halloween, o restaurante contrata uma porrada de moleques pra usar fantasias e assustar as pobres criancinhas que se aventuram pela vila em miniatura que fica aos fundos do imenso restaurante.

Logo de cara, resolvi aceitar. A grana era boa. Mas eu não sabia o que me aguardava.

Sexta feira foi meu primeiro dia. Cheguei no lugar, fui à sala de armários. Meus coleguinhas já estavam lá, colocando suas fantasias. Tinha uma menina (bonitinha, até) trajando uma roupa de diabinha; um outro cara vestido como um esqueleto que brilhava no escuro, e um terceiro moleque usando uma hilária roupa de troll. Fui ao meu armário e descobri uma fantasia de Planeta dos Macaquinhos.



Beleza.

Meia hora após colocar a fantasia, o troll engraçado e eu caminhávamos para as nossas estações. Era incrivelmente difícil andar com os pés de macaco, e ainda por cima vendo o hilário troll na minha frente, com aquela cabeçona e mãos gigantes. O menino caveirinha, que ainda não tinha saído da sala de armário, apressou o passo e rapidamente nos alcançou. Os dois comentavam entre si que eu peguei “o melhor lugar”. Me senti um tanto quanto confortado ao ouvir isso. Os guris me indicaram onde eu ficaria, desejaram boa sorte e se mandaram pela estradinha que dá forma à vila.

Assim que cheguei à estação, olhei em volta pra ver se nenhum guri estava vindo. Após a confirmação, tirei a máscara desesperado e respirei profundamente: aquela porra tinha acabado de me dar claustrofobia. Em breve ela me daria uma suadeira do caralho também, mas eu só ia descobrir isso mais tarde.

Recoloquei a máscara e examinei minha “estação”, como eles chamam. O lugar onde eu ficaria era basicamente um playground modificado, para parecer cabandas de madeira, no meio da floresta. Passei a investigar o lugar. As entradas do playground estavam bloqueadas por tábuas de madeira, certamente para impedir os guris de subirem no lugar. Joguei meu machadinho de plástico pra dentro e, como se a fantasia tivesse me conferido genuinas habilidades macacais, pulei as tábuas com desenvoltura.

E caí de cara do outro lado. Me recompus rapidamente. Uma parte da armadura da minha fantasia quebrou (o protetor da canela esquerda), então deixei-o por ali mesmo. Foda-se.

Repensei minha posição e achei que seria melhor ficar mais próximo da trilha, ao alcance dos transeuntes. Desci e me posicionei ao lado da escada.

E então eu fiquei completamente imóvel, como se fosse parte do cenário. Espalhados pelo playground, havia manequins fantasiados como macacos também. Então o truque era ficar completamente imóvel. O lugar onde eu estava era o mais próximo da trilha, então a galera ia passando, após ver todos os outros, julgava que eu era também um manequim.

É claro que nesse momento eu pulava na frente dele brandindo meu letal machadinho de plástico, fazendo crianças gritarem de pavor. Alguns saiam correndo em disparada, outras voltavam correndo pela trilha escura. Algumas começavam a chorar, e creio que essas ouviam minhas risadas abafadas por trás da máscara de macacaquinho.

O mais curioso é que algumas vezes os pais se assustavam mais que as crianças. Esses vinham perto de mim e falavam “Porra, me pegou ein? Bom trabalho!” e apertavam minha mão, naquela típica cortesia gringa. Aí, como eu já estava sem qualquer resquício da minha notória vergonha (sou tímido pra caralho), começava a dançar em cima da plataforma de madeira. As criancinhas deliravam, me abraçavam, pediam pra ser minhas amiguinhas, e pra tirar fotos comigo e ofereciam doces. Obviamente só me importei com os doces, que foram jogados pra dentro da fantasia (ela não tinha bolsos), para serem coletados mais tarde na sala da staff.

Lá pelas oito horas, quando começou a ficar mais frio, uma garota da equipe veio trazer um chocolate quente pra mim. Ela o colocou em cima da viga de madeira onde eu apoiava minha mão. Só que tinha gente vindo o tempo todo, não ia dar tempo de tirar as luvas e a máscara e beber o negócio. Porra, não dava nem tempo de pegar o troço e esconder. Eu tinha que ficar totalmente parado.

O problema é que o copo fumegante de chocolate quente denunciava-me. Sempre que eu assustava alguém, a pessoa gritava (certamente tentando provar a própria sagacidade, e que não tinha sido realmente assustado): “eu sabia que ele era real, tinha um copo de café do lado dele!“.

Então resolvi ser criativo. Quando alguém se aproximava, eu berrava:

Rwaaaaaaarrrrdon’t drink my chocolatearrrrrrrrrrrrr!!!!

E a galera, após o susto, se cagava de rir. Pra completar, eu começava a dançar a macarena. A criançada pirou.

Em uma certa ocasião, duas meninas - de aparentes 15 anos - pararam na minha frente e começaram um longo debate para definir se eu era real ou não. Uma delas podia jurar que me viu movendo a cabeça, enquanto a outra dizia que estava prestando bastante atenção mas não notou nada. As desgraçadas não passavam, e estavam a uma distância grande demais para eu conseguir assusta-las (o efeito é melhor se a pessoa está perto de você). Aí uma das desgraçadas teve uma idéia brilhante:

“Já sei, vamos jogar pedras nele!”

Ah, maldita. Nesse ponto minha perna já estava doendo e eu precisava mudar a posição do corpo para distribuir o peso para a outra, e meu nariz começou a coçar. Todos vocês sabem que coceira no nariz é um negócio de louco. Mas que se foda: não ia mover nem um milímetro. Essas eu ia pegar de jeito.

Vi quando as meninas se abaixaram pra apanhar pedras. Cerrei os olhos com força e mordi os lábios, me preparando pro ataque. Segundos depois, senti uma pedrinha batendo contra a minha armadura. Abri os olhos. As felas da puta, não satisfeitas, se abaixaram novamente e apanharam um monte de pedras. Segundos depois fui METRALHADO por algumas centenas de milhares de pedregulhos.

Depois do apedrejamento, as meninas decidiram que era seguro passar. Uma delas veio pra perto de mim, de zoação, pra dar tchau.

Pulei na frente dele agitando o machado. A menina caiu pra trás, enquanto a outra saiu correndo em disparada. A que caiu no chão deu um berro agudo, achei que ela ia chorar. Ouvi ao longe a risada da fujona. Decidi ser bonzinho e estendi a mão para ajudar a menina caída. Ela mostrou insegurança, então tirei a máscara. Ela me viu e começou a rir. Me abraçou e, fingindo raiva, me deu um murro de mentirinha no rosto.

No fim da noite, na sala das fantasias, os scarers se reúnem para contar os melhores sustos. E tou por enquanto liderando com a da mulé que quase derrubou a câmera digital*.

*Explico depois.


Escrito por Kid on Oct 16, 2004



Comprei o DVD de Tróia na semana passada, quando voltava de Toronto (conheci lá dois leitores do HBD, o que foi bastante formidável). O DVD custou apenas 12 dólares, o que me deixou intrigado: seria uma cópia pirata? Acontece que DVD tinha uma caixa com acabamento impecável, o disco tinha a imagem do poster, e colado na capa estava um selinho holográfico. De duas, uma: ou aqui no Canadá se pratica uma SUPER pirataria, ou eu estou longe do Brasil a tempo suficiente para me tornar desfamiliarizado com técnicas avançadas de safadeza.Anyways.

Fui alertado que bundas masculinas abundavam nesse filme, com o perdão do trocadilho fraco que não será repetido nunca mais. Um tanto quanto consternado diante à possibilidade de ter minha preferência sexual ofendida por um close shot da bunda do Brad Pitt, chamei a patroa para assistir comigo, para ter a certeza de que ao menos um de nós ia gostar do filme e saber que não gastei 12 dólares num hipotético DVD pirateado.

Felizmente, não se vêem tantas nádegas desnudas na película. Ou pelo menos não me lembro de tantas assim, provavelmente porque eu estava ocupado me agarrando com a namorada no sofá. De qualquer forma, não vi bundas masculinas peladas, e isso é bom.

A história é familiar para qualquer um que tenha um pouco de cultura e leu mais na escola além dos livrinhos paradidáticos sem graça que os professores passavam pra gente. De forma resumida:

A mulé de um grego (um ator gordão feio que sempre faz papel de gordão feio) foge pra ficar com um troiano (o Legolas), logo após uma espécie de reunião entre os reis das duas localidades. O grego, putíssimo, quer pegar a vadia à força e encher-lhe de porradas. Seu rei, safadíssimo, vê nisso um pretexto para invadir Tróia e ficar com tudo. E lá vão eles em seus barquinhos, levando junto o Aquiles, que é uma espécie de super homem, mas não alejado e ainda vivo.

Mas eles não contavam com a astúcia do povo de Tróia: os muros da cidade são ininvadíveis. A partir daí começa um falatório que não prestei atenção. Adiante, mas falatório sem graça. Numa estratégia para chamar a atenção do expectador, o diretor manda umas cenas de nudez. Mas a cena não durou muito, então logo minha atenção foi desviada mais uma vez. Começa uma cena de batalha sanguinolenta. Alguém leva uma flechada na bunda, e possivelmente morre. Não sei se a bunda é um ponto vital.

Então os gregos têm uma idéia fenomenal: eles usam seus barcos para construir um cavalo gigante. Nesse ponto, se você não é um inculto, já está sabendo que o cavalinho está recheado de guerreiros gregos. E se você era, acabei de estragar a grande surpresa do filme.

Quando os troianos acham a imensa construção, pensam em leva-la para dentro da cidade. Obviamente nesse ponto um único personagem sensato (no caso, o Legolas) tem a idéia de queimar o cavalinho e, sem querer querendo, fazer um belo churrasco de cavalo à parmegiana com recheio grego.

Mas, como em todo filme, a decisão da maioria burra prevalece, e os troianos levam o cavalo pra dentro da cidade. Lá pras duas e quinze da manhã, a galera dumau sai do cavalo, abre as portas da cidade para que o exército grego invada e a espada come de esmola.

Claro que estou pulando muitas partes, como a morte do irmão do Legolas e tal. Claro que não fará diferença porque todos vocês já assistiram esse filme. E se eu contasse isso, ia estragar a surpresa praqueles que não assistiram.

Voltando à historinha: então o Aquiles entra na cidade com seus comparsas e toca fogo em tudo. Muito filho da puta esse povinho: tomam a cidade da galera, mas tocam fogo na parada inteira. Bradaquiles é morto por uma flechada no calcanhar (O CALCANHAR DE AQUILES, OH!). Sua namoradinha mata o rei grego, que por sua vez acabou de matar o rei de Tróia, que em sua juventudade com certeza matou mais gente também.

Como vocês podem ver, esse filme contém mais matanças e desgraças familiares que cinquenta tiragens do jornal popular aí da sua cidade.

Achei interessante como eles reciclaram o personagem que Orlando Bloom interpretou em Senhor dos Anéis. Lá pela metade do filme, quando por um passe de mágica o príncipe covarde se torna um habilidoso arqueiro e começa a disparar cinquenta flechas por segundo em alvos móveis e matando todos, você entenderá porque eu o chamei de Legolas e não de Paris, seu nome real no filme. Até porque Paris não é nome de homem.

Enfim, é um filme razoável, por diversos motivos. Primeiro, porque custou apenas doze pilas e temos que ter boa vontade para com coisas não-caras. Segundo, porque tem sangue à beça. Fontes não confirmadas garantem que o Wolfgang Petersen comprou uma empresa de ketchup para poder filmar Tróia. Acho que é mentira, porque nem três dariam conta de simular a abundante sanguinolência que esse filme exibe.

Neguinho leva espadada NO OLHO. Já pensou pegar um golpe de espada no globo ocular? Não pense, assista Tróia.

[ Update ] Reclamaram que tem spoilers no post, e que eu devia avisar isso pros incautos que não ainda não assistiram o filme. Então aí vai: não leia, tem spoilers.


Escrito por Kid on Oct 14, 2004

E então eu comprei um celulá. Conheçam o Motorola v220.


Celular de pleibói


A loja estava lançando uma formidável promoção: um celular (entre uma grande variedade de modelos) + um mp3player por apenas 49,95 pilas. Ou cinquenta, porque que eu me lembre, não me deram troco. Não sei pra que essa viadagem de x,95 centavos. Acho que nesse caso serve pra enganar o consumidor, sugestionando-o que a compra ainda está na casa dos quarenta dólares.

E até que ainda está, mas por míseros cinco centavos que não fazem a menor diferença.

O aparelhinho é mágico. Tem uma câmera VGA com zoom de 4x, ringtones de mp3 (o vendedor utilizou seu fantástico toque de uma bela canção do Slipknot pra me convencer da compra), incríveis joguinhos em Java (baixei Worms 2, Laboratório de Dexter, Prince of Persia e Dope Wars pelo Limewire), protetores de tela em GIF animados, papel de parede, exibição de vídeos, conexão ao MSN e um monte de coisas que ainda não descobri, porque obviamente não li a porcaria do manual.

É, o celular é uma belezura. Só tem um problema: é da Motorola.

O caso aqui não é de simples preconceito infundado com o fabricante. Eu adquiri um profundo ÓDIO ASSASSINO pela a porra dessa marca. E por um motivo bem simples: puta falta de respeito com o consumidor.

A caixa do aparelho diz que ele faz todos esses truques, e muito mais. Logo de cara você nota a entradinha USB no bichinho, o que garante o método de transferência dos arquivos. Pus a caixa debaixo do braço e fui pra casa.

Chegando ao meu domicílio, a primeira surpresa: não havia um cabo USB na caixa. Isso não é problema pra mim, eu tenho um que uso com meu mp3player. Mas isso não era um bom sinal. Se a fabricante não fornece o equipamento necessário para a transferência…

Meus medos logo se concretizariam. Lendo o índice do manual, percebo consternado que não havia NENHUMA menção à transferência de arquivos entre o PC e o telefone. A empresa simplesmente esqueceu esse PEQUENO detalhe, que por sinal é o carro-chefe do aparelho. A essa altura eu já tava com umas cinquenta fotos na porcaria do celular, e sem a menor idéia de como passa-las pro computador.

Passei a mão no pescoço e senti minha medalhinha de São Google, o protetor dos donos de celulares inúteis. Corri aos pés do santo e passei a procurar freneticamente a resposta pro meu problema.

Logo nos primeiros cliques meu ódio pela Motorola aumentou exponencialmente. Navegando em fóruns de usuários do aparelho, descobri que a Motorola não liberou software para o modelo v220. Ela fez aquela propaganda e tudo mais, mas não há maneira de utilizar metade do potencial do telefone, simplesmente porque a fabricante lançou o produto antes de “termina-lo”. Então entendi a falta do cabo USB: eles não estavam pensando em realmente permitir a transferência dos arquivos.

Após bater minha cabeça na parede, gritar xingamentos que devem ter intrigado meus vizinhos e pular em cima do celular por uma meia hora, decidi continuar navegando para ver se descobria mais alguma coisa. Então achei o que parecia ser uma solução: uma fantástica GAMBIARRA.

Um usuário do mesmo modelo que eu instalou uma versão antiga de um programa de interface da Motorola, o Mobile Phone Tools. Os celulares mais antigos são reconhecidos pelo programa, mas o v220 não. O que fazer?

Instalar um driver de MODEM da Motorola. Assim, o programa reconheceria a porra do telefone, que a essa altura já estava embalado de novo, junto com o recibo, pronto para uma viagem até a loja.

Segui os links, baixei os arquivos, desviei de infinitas pop ups e fui dar uma mijadinha. Nada do aparelho funcionar. O que me dava muita raiva, porque lendo o fórum eu percebia que todos os usuários estavam conseguindo. Menos eu, claro, porque eu tenho que me foder mesmo.

A solução veio num estalo: formatar o PC. A lixarada que eu acumulei ao longo de uns oito meses de uso estavam deixando o Windows numa situação lastimável. Meu PC já iniciava com umas (sem exagero) quinze janelas de erro. Defeitos no registro estavam causando incompatibilidade com mais da metade dos programas que eu usava. Decidi começar tudo de novo e rezar pra que isso resolvesse o problema do celular.

Eram umas quatro da tarde. Formatei o disco, iniciei a instalação do WinXP e fui dormir, com a certeza que quando eu acordasse, umas duas horas depois, estaria tudo pronto.

Acordei às sete da noite e fui pro PC, achando que estava prontinho pra usar. Ao chegar aqui, minhas temporas latejaram de raiva: eu tinha esquecido de clicar no “PROSSEGUIR“, na tela de instalação do sistema operacional.

Uma hora depois e finalmente utilizando o computador, percebo que preciso aprender a fazer backup. Perdi meu arquivo de textos do blog (com uns três posts inéditos), todas as minhas mp3, meu programa de fazer GIFs animados, minha paciência, enfim, um monte de coisa. Fodam-se, agora eu faço essa porra funcionar.

E não é que funcionou?

Fui pro McDonalds comemorar a vitória da eterna batalha homem vs celular da Motorola.



A qualidade é razoável. Nada que se diga “nossa, que qualidade supimpa!“, mas quebra um galho. E o zoom funciona que é uma beleza.

Agora que fiz a porcaria conectar com o PC, passei a procurar bobagens para encher a memória do celular. Coloquei isso, isso e isso como protetores de tela. Baixei um editor de mp3, para cortar as partes preferidas de minhas canções e transforma-las em fabulosos ringtones. Acabei esculhambando minhas melhores músicas, mas dane-se, agora eu tiro foto com o celular, tenho uma bandeirinha brasileira movendo-se ao sabor do vento e ouço Slipknot e Angra quando recebo ligações.

Se isso não dá sentido à vida de alguém, eu não sei mais o que dá.


Escrito por Kid on Oct 13, 2004

Puta que pariu, Google é realmente um negócio fantástico.

Como vocês já sabem, o domínio hojeeumbomdia.com está caminhando lentamente para sua morte inevitável, no próximo dia 20. Eu poderia pagar os 12 dólares e renova-lo, mas tive uma idéia alternativa.

Arrumei uma hospedagem gratuita aqui. Tudo bacaninha e tal. A idéia era usar o domínio recém-criado para redirecionar os visitantes pra cá, no yuriii.com. Eu sabia que dava pra ser feito com um simples scriptzinho, mas, devido a um puta defeito na rede do MSN no último fim de semana, tava foda de encontrar alguém que pudesse me dar uma luz.

Desesperado, corri ao google. Em menos de três minutos, achei o scriptzinho que precisava. Se fosse depender de alguém pra me ajudar nisso aí, sabe Deus quanto tempo demoraria. E dá uma sensação de satisfação muito bacana quando nos viramos sozinhos. Posso apontar na cara de meus amiguinhos profissionais em HTML e dizer “HAHA não preciso mais de você, seu miserável!

Enfim, o endereço novo é www.hbd.fdp.com.br. Não é bacaninha? Bem mais fácil de decorar. E mais rápido pra digitar, também. Não que faça diferença, afinal, cookies facilitam o trabalho pra todo mundo, de qualquer jeito.

Ele é apenas um redirecionamento pra cá (por enquanto, tenho planos futuros pra ele). Portanto, vão logo esquecendo o hojeeumbomdia.com. Em menos de uma semana ele cai fora.

E deixará saudades.


Escrito por Kid on Oct 11, 2004

Estamos passando por uma eleição geral no globo. Vocês aí no Brasil votaram pra vereadores e prefeitos; meus vizinhos americanos estão enfrentando a difícil decisão de escolher entre um líder promissor e uma anta notória, e eu aqui tendo que decidir entre almoçar no McDonalds de novo, ou dar uma chance ao Burger King.

Então, outro dia fiz a pergunta ao Frost: com qual blogueira você elegeria para colocar uma aliança no dedo? E descobri que seria interessante sondar a opinião do povão em relação a isso, afinal, a voz do povo é a voz do Google.

E aí? Com qual blogueiro(a) você trocaria votos matrimoniais?

Stephs, do Queima, Jesus!

Adele, do Poroco

Jack Frost, do Lixão

Núdou, do… qual o nome do blog da Núdou? Aqui não abre nem a pau.

Dre, do behind the screen

Flávio, do ¡Ay, caramba!

Kid, do HBD

Conforme você percebeu, esse botão é inútil e as opções não podem ser selecionadas em todos os navegadores. Minhas habilidades de HTML são bastante limitadas. Sei fazer os negocinhos, mas não consigo faze-los funcionar. Eu poderia até criar uma enquete, mas a preguiça está segurando meus dedos.

Então use os comentários para votar.

Blogueiros casados foram intencionalmente não adicionados porque não quero choradeira de marido/esposa ciumenta.

E os que têm namorado(a), dane-se. Ele(a) tem que ter senso de humor.


Escrito por Kid on Oct 9, 2004

Lembranças do Brasil

Aí uma vez eu estava num busão voltando do centro da cidade - quase dormindo - quando subiu um velhinho no coletivo. O idoso entrou no veículo sem pagar a passagem, e carregando diversas malas. Ele deixa algumas no piso do busú, e desce pra pegar mais algumas. O motorista, achando que o digno senhor já estivesse a bordo, pisou na tábua. Imediatamente ouviu-se uma sequência de pancadas na lataria do ônibus e gritos de desespero dos passageiros, porque o velhinho tinha colocado suas malas no ônibus, mas ainda não havia subido. E então descobriríamos que o velhinho era bastante invocado.

[ Velhinho Bastante Invocado ] Ô seu motorista feladaputa! - gritou ele, assim que subiu no veículo - Seu corno! Quando eu tiver entrando é pra parar essa porra! - ele parou momentaneamente de xingar para erguer seu chapéu de vaqueiro que caia e ocultava seus olhos. Imaginem um velhinho com um chapéu de vaqueiro no meio da cara, xingando como um técnico de futebol com hemorróidas.

[ Motorista “Feladaputa e Corno” ] Hmpft…

O Velhinho achou que os passageiros do ônibus estavam muito interessados em ouvir suas histórias gloriosas de brigas com outros motoristas - coisa que aparentemente persegue o coitado. Ele então começou a desfiar peripécias anteriores e xingamentos (exatamente nessa ordem, porque ele contava uma história e em seguida falava alguns impropérios)

[ Velhinho Bastante Invocado ] Outro dia um desses motoristas palhaços fez a mesma coisa comigo… Nós tava subindo e eles num espera nós, quer logo ir embora… Esses bando de feladaputa… Esses corno…

[ Passageiro Bonzinho Fingindo Interesse #1 ] Foi mesmo?

[ Velhinho Bastante Invocado ] É… A gente tentamos argumentar, e ele ainda disse que ia me bater, esses baitola… Caralho…

(Eu nunca tinha ouvido um velho dizer caralho antes. Acho que caralho é um palavrão novo. Eles só conhecem feladaputa e corno)

[ Passageiro Bonzinho Fingindo Interesse #2 ] Mas que coisa… Eles não podem fazer isso não…

[ Velhinho Bastante Invocado ] Mas eu calei a boca daquele corno! Sabe o que eu fiz? Eu puxei minha… - aí ele se abaixou e passou a procurar algo dentro da mala. Nesse ponto todos já tinham sacado que o velho não ia lá muito bem da cabeça. O que ele estava procurando na mala? Os passageiros imaginavam que o Velhinho ia sacar um 38, ou uma bazuca.

Eu já estava achando que o Velhinho era um cara bacana, corajoso, um verdadeiro terrorista urbano e tudo mais. Ia até elogiá-lo. Aí ele finalmente achou o que procurava em uma das malas.

E puxa uma faquinha de manteiga da Tramontina

Sem ponta.

Tipo essa



A despeito do terrível perigo que o Velhinho se tornou nesse momento, uma sonora gargalhada dominou o interior do ônibus. Os passageiros, num coro de risadas, não respeitaram o terrível Velhinho armado. Este, achando por algum motivo que o motorista era o responsável pelas chacotas, ergueu sua lâmina em direção à frente do ônibus, em uma patética pose de ameaça. Eu não conseguia acreditar na cena. Os risos aumentaram em número e intensidade.

Alguém fez sinal pro ônibus parar logo em seguida. O velhinho, que estava em pé no corredor do ônibus, foi desequilibrado pela parada brusca do veículo. Ao tentar desesperadamente se agarrar a uma das barras de apoio, se descuidou e derrubou a sua arma mortal. E ele se pôs de joelhos pra procurar a porra da faquinha, que tinha ido parar EMBAIXO da cadeira do motorista. Imaginaí um velhinho com idade pra ser seu avô, tateando em busca de uma faca de manteiga e praguejando contra a criação divina.

Os passageiros deliraram em gargalhadas. Se risadas causassem orgasmo, estaríamos todos gozados. Acho que nunca ri tanto na minha vida.

E nesse ponto (literalmente, pois era um ponto de ônibus), eu tive que descer. Esse Velhinho deve ter aprontado mais alguma coisa lá, eu tenho certeza.


Escrito por Kid on Oct 7, 2004

Algumas vezes acordamos com aquela vontade de chutar latas de lixos, morder rabos de gatos, cagar em cima de jardins alheios e meter balas nas cabeças de quem aparecer na nossa frente. O lance é que algumas pessoas acabam realmente cometendo esses terríveis atos. Chutar, morder e cagar não causavam nenhum problema e são atitudes bem vistas e até mesmo encorajadas pela sociedade. Mas o negócio de meter bala não deu muito certo. Por isso, Deus criou o Soldat.



Se você é um nerd miserento que passa semanas enfurnado em LAN houses torrando o dinheiro do papai e levando headshots dos nerds mais miserentos que você, Soldat é a solução para a sua vida. Bem, isso, e uma mulher. Mas eu não achei mulheres para download no Google. Vamos explicar comé que funciona o jogo então.

Soldat é um joguinho de ação em plataforma. Diferente de outros jogos do gênero como Mario World ou Sonic, em Soldat você pode arrancar cabeças das pessoas com rifles de precisão ou granadas. E não, não estou usando uma força de expressão: cabeças literalmente voam nesse joguinho. E deixando um rastro de sangue por trás.


Uma fiel reprodução computadorizada de uma cabeça sendo lançada ao espaço por uma bala virtual.


O joguinho tem mais de 18 armas reais, como a formidável Ak-74, o versátil Steyr, uma arrasadora granada de estilhaços ou a infeliz Barret, arma favorita dos campers. Esses filhos da puta se escondem em algum lugar e ficam matando a geral e rindo da própria safadeza. Até que uma granada cai do lado deles, explodindo pedacinhos de camper pra todos os lados.


Era uma vez um camper


Filhos duma puta.

O jogo tem 6 modos:

Deathmatch

O que eu costumo chamar de Brazil Mode: cada um por si e Deus por ninguém, porque Ele não joga Soldat. Pegue uma arma, atire em qualquer coisa que se mover e tente equilibrar suas despesas com um salário mínimo. Essa última parte é a mais complicada.

Pointmatch

É como o Brazil Mode, mas valendo pontuação pra cada amiguinho que você assassinar.

Teammatch

A.k.a. “Briga de Gangue na Favela”: É deathmatch com times.

Rambomatch

Argh, odeio esse modo. Há um arco solto em algum lugar no mapa; aquele que o pegar se torna praticamente invencível. Seu life se recupera gradativamente, cada flecha atirada reduz o life do seu oponente a zero, e o arco pode atirar sequencialmente, uma flecha atrás da outra, o que fará seus oponentes chorarem de raiva. Sem contar no sempre-útil tiro secundário do arco: uma flecha incandescente que explode no toque. Mate o Rambo, pegue o arco e você passa a ser o perseguido pela cambada.

Capture the Flag

Capture a bandeira.

Acho que não tem muito o que explicar.

Infiltration

Ah, esse sim é legal. Há dois times: um tem uma base, e o outro tenta invadi-la. O time protegendo a base tem que impedir que o time invasor leve a bandeira para sua própria base.

Tudo isso num joguinho de 12 mega.

É isso aí. Pegue sua cópia de Soldat aqui. E o fix aqui. Você precisará do fix pra poder jogar online (o melhor atributo desse fabuloso joguinho).

Tinha um crack para torná-lo full, mas o jogo se recupera automaticamente após a aplicação do negócio. Então deixa pra lá. A versão completa do jogo não oferece nenhum incentivo que leve um jogador a comprá-la. Não há praticamente nenhuma vantagem relevante.

E não é apenas isso: baixando o joguinho você pode se tornar um membro do mais novo clan soldatesco da internet. Digam alô para os Chutadores de Bagaça! Tou distribuindo rankings de Sargento e Tenente pra quem for chegando.

Aliste-se já para a luta contra nossos primeiros oponentes: OS CANADENSES!

Sim, sim. O campo de guerra será um servidor canadense já escolhido por mim. Mas isso é assunto pra um outro post.


Escrito por Kid on Oct 4, 2004

Pessoas que frequentam mIRC são muito estranhas. Eu não sou lá de estabelecer padrões de conduta em lugar algum, mas a presença de um nível mínimo de inteligência seria apreciado; eu diria até “indispensável”. Se ao menos impedissem pessoas com síndrome de down de acessar o bate-papo, eu já me daria por satisfeito e sairia pulando contente.

Quando comecei a usar mIRC, eu cometi vários vacilos também. Mas claro, erram erros movidos por pura inocência/inexperiência, e não por defeitos cogênitos no cérebro. Eu, por exemplo, tentei uma vez colocar uma @ meu nick achando que isso me tornaria um OP. Parem de rir, vocês todos tentaram também. TODOS. Quem disser que não tentou é porque foi burro demais para ter ao menos essa idéia. Ou então tá mentindo mesmo.

E parecia brilhante na hora, não é mesmo? Em outra ocasião, fiz confusão num canal e achava que se eu saísse correndo de lá antes do OP me banir, ele nada poderia fazer contra mim. Inocência e falta de conhecimento do ambiente.

Enfim, coisinhas que todo mundo já fez, ou ainda vai fazer. Bobagens até perdoáveis, que nos causam risadas anos depois. Mas tem uns negócios que vejo aí que me dão vontade de jogar meu computador pela janela em forma de protesto silencioso.

Tou cansado de ver neguinho perguntando se “alguém quer teclar” no mIRC. Essa pergunta é o equivalente internético de chegar num McDonalds e perguntar, em voz alta no meio do restaurante, se alguém quer comer. Porra, isso só perde em nível de burrice para tomar sorvete pela testa, achar que aquela sua ex-namorada era virgem e votar no Maluf. As pessoas que cometem essa jumentice são um desafio à neurologia: Como um ser humano consegue abandonar todo o raciocínio ao ponto de chegar no mIRC e perguntar se alguém quer teclar, mas ainda mantendo intelecto suficiente para conseguir estabelecer uma comunicação coerente?

Alguns caras tentam especificar um pouco, elaborando perfis complexos como “alguma loira, que meça entre 1,60 e 1,80, que more no bairro tal, que goste de U2 e tenha a tatuagem de uma rosa vermelha no ombro quer teclar?“. Por que perguntar o “quer teclar?“? Se tiver alguém lá que preencha essas exigências, ela está no mirc justamente pra bater papo. Deve haver alguma explicação pra essa mania de perguntar se usuários de mIRC querem teclar, mas eu desconheço.

Será que é tão difícil compreender que um programa de bate-papo serve pra, pasmem, bater papo? Qualquer um que esteja lá está fazendo justamente isso (ou trocando fotos de putaria, mas ele teve que teclar antes para ganhar acesso aos arquivos). Ao invés de apenas clicar em cima do nome de alguém e começar um papinho sem graça - porque quem “quer teclar” sempre aparece com as conversas mais desinteressantes do mundo -, o cara me faz uma pergunta retardada na frente de todo mundo.

Tem também os scripts. Oh, os scripts. Uma comodidade que caiu nas mãos do Mal.

Por mais surpreendente que possa soar, logo no começo os scripts tinham utilidade. A função de um script era encurtar certos comandos e oferecer algumas funções extras ao mIRC. Aí alguém achou que podia estragar um pouco mais o nosso mundo e demonstrou todo seu descaso para com a humanidade, criando algo chamando autocolor.



(Alguém que, diga-se de passagem, merecia ser atropelado por um caminhão de lixo.)

Enquanto eu escrevia esse post, entrei no mIRC para poder relembrar tudo que me dá raiva nesse negócio. Em menos de 30 segundos, minha visão foi permanentemente avariada por combinações exdrúxulas esdrúxulas de azul com vermelho, verde limão e azul e ou, no caso dessa menina acima, uma cor de baitola e outra de viado. A qualidade se perdeu quando fui salvar a imagem, mas a união das duas cores no programa era quase fosforecente fosforescente. Imprimi a imagem para mostrar pra um amigo, e o papel brilhava no escuro. Decidi que não queria ter minhas córneas queimadas por causa da falta de bom senso de garotas de 13 anos. Na esperança de recuperar minha visão (e diante a impossibilidade de abrir a cabeça dessas gurias com uma enxada torta e dar uma olhadinha pra descobrir o que tem lá dentro), fechei o programa.

Mas o post ainda tava na metade, então respirei fundo, rezei uma Ave Maria e meia, e abri o programa de novo.

Aí dei de cara com uma enorme lista de mp3 que os usuários ficam mandando pro canal de dois em dois segundos. Ao invés de conversar, os caras ficam competindo quem consegue mandar mais notificações automáticas de mp3.

Tenho algumas poucas esperanças na vida. Uma delas é ter um futuro que não envolva percorrer a cidade agarrado à traseira de um caminhão de lixo, usando um macacão amarelo; a outra é que programadores “criativos” encontrem uma morte trágica entre as mandíbulas de tubarões brancos. Sério, pra que se dar ao trabalho de programar algo como isso? A mp3 que você está ouvindo é algo que me interessa tanto quanto as flutuações do câmbio da bolsa de valores da Guatemala, senão menos. E aposto que a galera acha o mesmo. E daí que você está ouvindo, no último volume, o mais recente lançamento daquela conhecida banda de forró? Isso não é algo bonito pra sair mostrando por aí, coisa que você saberia se tivesse aquilo que chamam aí de “bom senso”. Pelo amor das criancinhas, desliguem essa baitolagem, minha gente.

E falando em baitolagem, maldito o dia em que os viados descobriram que podem procurar parceiros em canais de IRC. Nada contra homossexuais (contanto que eles vão dar a rabiola bem longe de mim, e que mantenham uma diplomática distância de três quilômetros e meio). O problema é que eu dispenso ter que ler as fantasias sexuais de frustrados baitolas enrustidos de 30 anos que não têm coragem de ir procurar bofes em bares gays na sua cidade. Eu poderia viver sem ter que ler coisas como “algum garoto sarado de 18 anos quer enfiar uma caixa de som no meu cuzinho e gozar na minha cara com muito carinho e sem viadagem?“.

Sim, no mIRC a nova moda agora é ser gay, mas “sem viadagem“. Dê a bunda o quanto lhe aprouver, mas não demonstre perobice. O cara manda algo do tipo “algum gatinho malhado que more na Gávea tá afim de vir aqui em casa enfiar uma beterraba no meu cu” e arremata a mensagem com um “mas sem viadagem?” Escolha, meu amigo. Ou você pede pra te comerem, ou você pára com a viadagem. Não dá pra desassociar o ato de uma piroca adentrando seu ser e a pederastia. São dois conceitos inalienáveis, como “brasileiro” e “safadeza“.

O cara ignora esse detalhe e oferece o próprio furico, embora negando a baitolice enfaticamente. Quem o viadinho pensa que está enganando? A si mesmo? Até parece que os caras vão chegar lá, farão o serviço e no fim, baterão uns nas costas dos outros dizendo “Falô Pedrão, te vejo amanhã na pelada do bairro. A gostosa da Ritinha vai estar lá. Não esquece a cervejinha“.

Não posso esquecer daqueles caras que só falam em MAIÚSCULAS, como se estivesse gritando com suas putas. Acho que no começo eles faziam isso segurando o Shift mesmo; então descobriram que, com um mero toque no Caps Lock, poderiam soar como idiotas com menos esforço. Há muito tempo atrás eu também escrevia em maiúsculas, mas então decidi que coisas como não parecer um completo paspalho têm valor para mim.

Ah, IRC cansou mesmo. Muito colorido e pederasta pro meu gosto. O negócio é meter balas nos outros em Soldat. Sem viadagem.

O que é soldat? Aguarde o próximo post.


Escrito por Kid on Oct 3, 2004

Falei sobre a experiência do plágio no Orkut. Alguém me recomendou o Copy Scape, um site que ajuda você a descobrir plágios comparando frases do seu blog com o de outros sites. E, adivinha só?

Poisé.

Reparem que esse aí não se limitou a surrupiar apenas os meus textos que apareceram no Ueba (que já não são poucos): ele roubou também um post sobre meu pai, sobre minha mudança para este apartamento… E olha que nem terminei de ler o blog do menino. E destaque especial para as tirinhas toscas dele, visivelmente baseadas nas do HBD. A descrição do personagem principal é inclusive a mesma.

Incrível. A cada dois posts do blog do rapaz, um foi tirado do HBD. Curioso o fato de que quem me plagia não se limita a pegar um, dois ou três textos. O cara fica SUGANDO o site inteiro. Sem contar que ele surrupiou o antigo layout do meu irmão também.

Deu uma certa pena quando vi que ele plagiou posts onde eu reclamava de pessoas que criticam minha opinião nos meus textos. Ele quer imitar até a minha indignação? Sério, não há nada que esse povo crie por si próprios? Até minhas emoções eles precisam imitar?

Hipocrisia pouca é bobagem:

“A todos que criticam algo do modo mais gay,que alias,é sempre do jeito mais GAY possivel,em vez de perderem seu tempo,poderiam escrever coisas legais,ou engraçadas quem sabe”

AHAHHAHHAHAHA. Olha o menino criativo mandando a galera escrever. Sem dúvida ele é um exemplo.

Pois é né, André. Ao invés de me plagiar você poderia escrever coisas legais, ou engraçadas quem sabe.

O próximo manual será “Como ser Quide em cinco minutos”. Tou vendo que a demanda é grande.

[ Update ] O blog sumiu misteriosamente alguns minutos após a publicação desse post. Mas São Google faz milagres.


Escrito por Kid on Oct 1, 2004

Primeiro a descoberta, depois a exposição, o quebra pau e, pra fechar a saga em grande estilo, a vingança.

Eu falei que não adiantaria apagar os comentários que mesmo assim seus amigos ficariam sabendo, não falei? Entonces.

Ah, doce vingança.