Escrito por Kid on Dec 30, 2004

Porra, esqueci de postar sobre a ida pra Toronto. A preguiça está segurando meus braços então vou escrever pouco e postar muitas fotos. Vocês poderão ler o HBD assim como lêem a Playboy: só olhando as figuras.

Poisintão. O combinado era que ela (ou melhor, sua mãe de intercâmbio) nos daria carona até Pickering, uma cidade próxima, pra de lá pegarmos o trem pra Oshawa. Vou pular a parte em que achei que não chegaríamos a tempo por causa de um atraso da namorada, e ir direto pras fotos.

Free Image Hosting at www.ImageShack.us

Da esquerda pra direita:

1) Paisagem canadense pela janela do trem.

2) Mais paisagem congelada.

3) Union Station, em Toronto.

4) Gabi, Maya, Laís.

5) Alguém tenta interpretar um mapa, e então percebo que as aulas de topografia no CEFET poderiam ter sido úteis caso eu não tivesse dormido durante elas.

6) CN Tower, a mais alta estrutura do planeta.

7) A patroa saboreia um sorvete de morango no shopping. Ela me ofereceu, eu não quis porque afinal de contas morango é asqueroso.

8) Mayara, esbanjando carisma, porém impossibilitada de fazer um “sinal joinha” por causa das luvas.

9) The Matrix Comic Book. Foda, mas trinta conto é de lascar.

10) Pensativo.

11) Mayara tira uma foto minha tirando uma foto dela.

12) Sono.

13) Patroa comprando maquiagem.

Foi bacana. Resumamos, pois tou de saída pra ir patinar no gelo (leia-se cair no gelo):

Chegamos em Toronto, encontramos as meninas, uma delas me deixou como encarregado de arrastar sua coleção de pedras cuidadosamente guardada numa mala imensa. Perambulamos por Toronto procurando um lugar pra deixar as malas. Alguém teve a idéia de usar o porta volumes do Sheraton Hotel, que até onde sei é (ou era, até aquele dia) exclusivo pra hóspedes.

Fomos ao Eaton Center, um mega shopping subterrâneo - se não me engano, é o maior do mundo. As meninas ligaram para uma outra brasileira, a Eve. Então as meninas me arrastaram pra Queen street, e iam entrando em tudo quanto era loja que viam. Nos separamos; eu e a Becca fomos a uma loja de quadrinhos, RPG e outras coisas nerds, e as outras meninas, bem, não sei onde elas foram. Comprei os fabulosos action figures que vocês vêem acima, pra combinar com aquele que a patroa me deu no meu aniversário. Todos se reencontraram no McD’s ao fim da avenida. Comi dois Quarter Pounders with Cheese. Pegamos o trem de volta. Viveram todos felizes para sempre, ou até a manhã seguinte, quando os Quarter Pounders começaram a brigar com meu estômago - que perdeu a luta, mas expulsou os brigões do estabelecimento.

E fim.

Tou com fome.


Escrito por Kid on Dec 28, 2004

Atendendo a pedidos, um clássico do HBD republicado

(Ou “reciclando velhas confusões até vocês decidirem me dar esmolinhas“)

O Manual dos Góticos!


Recebi muitos elogios por causa do post sobre os góticos, mas também recebi muitas reclamações. As pessoas ficaram com uma impressão errada de mim. Eu disse que odiava os góticos? Foi um erro de digitação, minha gente. Eu ADORO os góticos. Sério mesmo, amo de coração.

Nesses últimos dias resolvi elevar minha devoção pelo goticismo a um nível nunca antes alcançado por ninguém: eu descobri a verdadeira ESSÊNCIA DO GOTICISMO! Sim, amiguinhos vampiros. Eu achei o que vocês procuravam esse tempo todo. Agora você poderá adquirir todo esse conhecimento, e não mais pagará mico quando algum coleguinha seu ler meu blog e arrumar um motivo pra encher seu saco.

Então, você quer ser gótico?



Ok. Mas a primeira coisa que precisa aprender é que a bela e transcendental filosofia gótica se basea - exclusivamente - em estética. Então se livre desse boné, ele não é nem um pouco gótico.



A propósito, se livre de qualquer peça de roupa que não seja de cor preta. Você é um vampiro deprimido, e esse tipo de pessoa não costuma usar roupinhas coloridas.



Isso mesmo, bom garoto. Agora entraremos num outro quesito importante: música!



11 em cada 10 góticos concordam que Blink 182 é uma das coisas menos góticas do mundo. Se você possui algum CD da alegre banda, jogue fora. Ofereça-os em sacrifício aos deuses pagãos nórdicos, à mãe natureza, ao Conde Drácula, sei lá.

Vá à loja de CDs mais próxima da sua casa. Não vá de ônibus, isso é totalmente anti-gótico. Ao invés disso, espere pelo dia mais quente do ano, vista três camisetas pretas e cinco calças (pretas também, pra combinar) e vá caminhando até a tal loja de discos. Adquira o CD mais gótico que seus olhos góticos encontrarem.



Esse é um ótimo CD. Ele foi premiado três vezes consecutivas por revistas especializadas como melhor álbum gótico do milênio. Suas belas canções o ajudarão a percorrer o longo caminho de ser tornar um gótico. Mas se bem que já estamos na metade mesmo.



Isso mesmo. Sinta o goticismo penetrando o seu ser (não se preocupe, você vai conseguir sentar no dia seguinte). Sinta o ódio, a raiva, a depressão, a dor de barriga. No último caso, vá ao banheiro. E porra, eu não mandei você jogar esse boné fora, caralho? Que merda de gótico é você?



Hunf… Ok, ok.

Agora você precisa de TATUAGENS. Você não será um gótico de verdade enquanto não tiver tatuagens. Mas não vá em estúdios de tatuadores, isso é para os consumistas. Faça suas próprias tatuagens góticas com pincel marcador.



Perfeita tatuagem! Extremamente sinistra. Com apenas três quatro riscos, você conseguiu captar todo o espírito gótico.

Agora, seus cabelos. Vamos dar uma gotizada neles.



Sinta a essência do goticismo tomando conta da sua cabeça - literalmente.



Fenomenal! Ninguém diria que esse revoltado garoto gótico há apenas alguns minutos atrás era fã de Blink 182 e usava roupas felizes. Mais um cliente satisfeito.

Agora, o passo fundamental:

Gótico que é gótico precisa tentar se suicidar, nem que seja ao menos uma vez.



Se você obteve êxito, meus parabéns! Agora você é um gótico! Dê alô ao Cão por mim, a propósito.

Se não conseguiu da primeira vez, continue tentando! O corpo humano não é assim tão resistente quanto parece. Envenenamento, enforcamento, salto livre de um prédio de onze andares… Há muita variedade. Escolha a opção que combine melhor com seu estilo gótico de ser.

Agradecimentos ao Trunks, modelo fotográfico profissional e meu irmão nas horas vagas


Escrito por Kid on Dec 26, 2004

Rapaz, que Natal fenomenal.

Devido a minha atual falta de família (pai em São Paulo, irmão em Fortaleza, mãe e irmã na Flórida), fui celebrar a véspera na casa da patroa. O que muito me surpreendeu, pois gringos são extremamente fechados no que diz respeito a tradições familiares. Um americano não convida um estranho pra um, digamos, jantar de Ação de Graças nem que o próprio peru adquirisse vida e o mandasse convidar o cara.

Mas a família da patroa me adora, e me convidaram pra ir dormir lá. A tradição familiar dos Kinsley (que não se se é compartilhada por outros) é que as meninas - Becca só tem irmãs - passam a noite no porão, assistindo filmes, jogando vídeo games ou, no caso da patroa, me agarrando embaixo das cobertas. A namorada é uma notória ninfomaníaca, mas eu imaginei que a presença de suas irmãs deitadas no mesmo chão, à menos de dez centímetros, a faria pensar em coisas como decência. Quando lá pelas quatro da manhã ela começou a me molestar sexualmente, vi que me enganei.

Manhã de Natal. Os “sogros” descem ao porão e tiram centenas de fotos. Levantamos e fomos à sala, ver o que o Papai Noel tinha trazido para nós.

Como vocês podem ver em filmes, há uma tradição gringa - que já está sendo também incorporada no Brasil, pra variar - de encher uma meia de presentinhos e doces, e pendurar na janela, lareira, privada, enfim, qualquer local pendurável. Para a minha surpresa, havia uma meia com meu nome - o que me fez sentir muito mal, pois só comprei presente pra namorada. Os pais da Becca sorriram pra mim. Coitados, se soubessem que eu estava comendo sua filha a poucas horas atrás, a receptividade certamente seria reduzida a um valor negativo.

Abri minha meia.


Um tíque pra ir ver Islipinóte


Ingressos de frente pro show do Slipknot, dia 9 de janeiro, aberto por Killswitch Engage e uma outra banda qualquer de menos destaque. Meu primeiro show de verdade - isso é, a menos que você considere Charlie Brown Jr. uma banda de verdade.

(Pra quem VIVIA me perguntando no Brasil: “Slip”: deslizo, “knot”: nó. “Nó de deslizo”, ou, adaptando, “nó/laço de forca”. Isso, forca. Alguém aciona uma alavanquinha, o cara cai do cadafalso e o laço desliza, apertando a corda ao redor de seu infeliz pescoço. Sacou? “Slipknot”.)

Revirando a meia, achei chocolates, um gift card (uma espécie de cartão de crédito pré-pago) de 50 dólares e um barbeador novo. Pra quem até hoje só achou pés sujos dentro de suas meias, pode-se dizer que vou uma bela evolução.

Então partimos aos presentes propriamente ditos, aqueles que estavam embaixo da árvore de Natal. Novamente me senti constrangido, pois toda a família tinha comprado ao menos dois presentes pra mim, enquanto eu tinha comprado apenas UM, e apenas pra patroa. Foda-se, eles viram Cidade de Deus. Eles entendem que nós brasileiros somos pé rapados; já devem se dar por satisfeitos em saber que não estou usando a casa deles como boca de fumo.

O primeiro presente foi da namorada:


Know Your Mushrooms


Desnecessário dizer que achei a coisa mais foda da Existência. Vesti a camiseta no ato e passei o resto da manhã cantarolando a trilha sonora do jogo em Lá menor (com solos de assobio).

No punho, uma wristband com “Geek” bordado, presente da cunhada. O outro presente dela, uma corrente nova pra carteira, está invisível na foto. Ganhei suéters, uma calça nova, e algo que eu queria faz tempo pra caralho: um tabuleiro de xadrez em espelho enegrecido, com peças de vidro. Um presente multi uso: serve como entretenimento, decoração e arma indetectável em aeroportos americanos.

Como não podia deixar de ser, houve o acontecimento constrangedor natalino. Embaixo da árvore, a Becca encontrou um pacote da LaSenza (o equivalente à Marisa, aí no Brasil). Ao abrir o embrulho, ela descobre que os pais a presentearam com uma camisola rendada preta microscópica e semi-transparente.

A patroa - tarada que é - olhou pra mim imediatamente, rindo e pondo a camisola em cima do próprio corpo, como que pra ver como ficaria. Eu, com meu melhor rosto de “não olha pra mim, caralho“, envergonhadíssimo, tentava voltar a atenção para os pedaços de papel de presente espalhados no chão. Enquanto eu esperava que a menina guardasse o presentinho, a mãe dela interveio.

- Filha, isso é uma blusa.

Se eu pudesse escrever um post tão engraçado quanto a expressão na cara da patroa, eu nunca mais precisaria postar nada.


A patroa, pensando nos atos que cometeu na madrugada anterior


Após a abertura de presentes, fomos filar um rango na casa dos tios da namorada. Re-encontrei o Brent, primo nerd gamemaníaco da patroa. Esfolei seu rabinho gringo em Mortal Kombat Deadly Alliance e em Soul Calibur, enquanto discutimos sobre a influência de jogos violentos na formação de um indivíduo. Ele disse que jogos sanguinolentos diminuem a sensibilidade da criança de perceber padrões de violência, e eu o esmurrei no estômago, que foi minha forma de mostrar que discordei.

Ganhei mais presentinhos (DVDs, luvas, cachecols e outros badulaques), comi pra cacete e voltei pra casa carregando trilhões de pacotes embaixo da primeira tempestade de neve do ano. Procês terem uma idéia, hoje de manhã não havia distinção entre calçada e rua. Tudo estava embaixo de neve.

E hoje tou indo pra Toronto com ela, ela e ela. Como a câmera digital da patroa é compatível com meu SD card de 512mb, e cada foto ocupa aproximadamente 100kb, vou poder tirar cinquenta trilhões de fotos. Quando saírmos do trem, tiro mais algumas.

A propósito:



Eu vou, você não.


Escrito por Kid on Dec 24, 2004



Cansei de ficar escrevendo feito um filho da puta dia após dia pra divertir a geral e só arrumar encheção de saco com isso. O negócio é ganhar dinheiro.

Como vocês podem ver, o HBD agora é um outdoor do Google. Não foi fácil tomar essa decisão. Apesar de eu nunca ter tido nada contra ganhar dinheiro por escrever - pelo contrário -, eu nunca gostei muito da idéia de RECEBER por escrever.

Como sei que interpretação de texto não é o forte de alguns aqui, deixarei mais explícito: eu não critico alguém por ganhar dinheiro escrevendo, mas é o tipo de coisa que eu preferia não fazer, por motivos que percebi recentemente que podem ser facilmente contornados: a censura, e a questão ética.

Patrocínio significa censura. Se alguém vai me pagar pra veicular propas aqui no HBD, sem dúvida eu teria que me tornar mais “comportadinho”. Que empresa gostaria de associar seu nome com alguém que compra briga com meio mundo e, na falta de gente nova pra brigar, chama Deus de filho da puta? Mudar meu estilo de escrita pra ganhar dinheiro estava definitivamente fora de questão.

Mas aí, pesquisando sobre o sistema AdSense do Google, descobri que eu poderia me submeter ao patrocínio gringo. Gringos não se importam com o conteúdo de um site se ele não é em inglês, então meus chiliques passarão despercebidos. Ao mesmo tempo, serei pago em doletas AMERICANAS que, assim como as barras de ouro do Sílvio Santos, valem mais que dinheiro.

Ou seja, eu posso continuar falando mal de todo mundo, prosseguir com as brigas, e ainda receber um cheque aqui em casa, para gastar passeando e consequentemente ter mais assuntos para atualizar o blog e provocar vocês. É unir o útil ao agradável.

A questão ética é um pouco mais complicada. Com o autor amador, sempre vi a beleza em escrever de graça. Ao “vender” meus textos, me sinto como um gigolô prostituindo minhas criações. Assim como o gerente de putas, estou comercializando algo que veio ao mundo pra nos dar alegria de graça. Assim como a antiga arte de alugar bucetas, pôr uma etiqueta de preço em cima dos meus posts me parecia algo errado demais, até mesmo pra mim.

Mas aí eu me lembrei que tou precisando um pedal pra guitarra nova que supostamente ganharei de Natal, e mandei a suposta ética tomar no cu. Eu sou o autor desta porra, ninguém mais além de mim pode dizer se meus textos podem ou não ser vendidos.

Então, mandei o formulário para o Gúgol. Recebi a aprovação hoje mesmo, e aí estão os bannerzinhos. Cada vez que alguém clica neles, eu recebo uma quantia X que pode varia dependendo do anunciante daquele link.

De acordo com as regras do serviço, você não pode pedir aos leitores de seu site para clicarem nos anúncios. Não entendo por que isso poderia ser considerado anti-ético, mas é a regra deles. “É spam“, eles disseram. “Você está gerando tráfico desnecessário pro site do patrocinador“, eles disseram. “Você não pode fazer spam pros seus leitores“, disseram. “Estamos fazendo isso apenas para limitar ao máximo quanto você ganhará com o sistema“, eles não disseram.

Tráfico desnecessário, olha a lorota. “There is no such thing as bad publicity“, já dizia o mestre.

Mas que coisa, eles se preocupam com o spam na internet. Seria bonito, se esses não fossem os mesmos que enchem nossas caixas de e-mail com propaganda não solicitada, que mudam nossas páginas iniciais pra sites de cassinos virtuais, que instalam spywares que esculhambam nosso PC, que programam pop ups parecidas com janelinhas do Internet Explorer para que você clique sem nem saber que está clicando. Forçar ou induzir o público em geral a clicar neles, beleza. Mas pedir pra um amigo seu clicar pra te ajudar é “spam“.

Como de costume, eu poderia solenemente desrespeitar essa regra. Mas resolvi “jogar certo” dessa vez. Até porque não estou afim de ser chutado do programa.

Claro, o problema de “se vender” é que coisas irônicas podem acontecer. Ontem, o banner levava a um site cristão que tinha como título “Deus te ama”. Depois do tal do Bad, Bad server: No donut for you do Orkut (que fez minha namorada morrer de rir), essa aí. Sem dúvida, o pessoal do Google tem um bom senso de humor.

O que acontece é que os banners são baseados nos assuntos dos posts. Não estranhem se, logo após eu escrever algo criticando o PS2, um banner da Sony aparecer aí em cima. Promover sem querer aquilo de que você fala mal: ossos do ofício ou apenas uma deliciosa ironia? Você decide, e eu vou contando meus centavinhos lá.

Muita gente me aconselha a escrever um livro. Bem, isso significaria que vocês teriam que pagar por uma cópia e… quero dizer, isso significaria que vocês teriam que pagar a xerox. Ao pôr anúncios aqui, vocês podem me prestigiar sem ter que ir até a gráfica da esquina. Não é uma alternativa fenomenal?

Aos reclamões: Parem de chorar. Todo mundo gosta de dinheiro, tio Quide não é diferente. Preciso de dinheiro pra comprar cuecas novas. E o banner até curou milagrosamente aquele bug do link fantasma que vocês tanto reclamavam.

E não se esqueça, Deus ama vocês.

A propósito, Feliz Natal, cambadinha. Comemoremos o feriado religioso nos preceitos do espírito cristão:

“E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos

E é assim que planejo passar meu Natal: obedecendo a Deus. Quem sou eu pra contrariar tão maravilhosa regra divina? Claro, anticoncepcionais interferem um pouquinho com propósito original do mandamento mas, e daí? Não posso deixar algo tão pequeno como uma pílula atrapalhar a comemoração da data sagrada.

É isso aí, amigos. Multipliquem-se vocês também nessa data especial!


Escrito por Kid on Dec 23, 2004

Eu ia começar esse post dizendo “Não sei se vocês se lembra, mas…” aí lembrei que vocês sempre lembram de TUDO que eu posto. Sério, parem de ler esses arquivos, vão se drogar, bater uma punheta, bater punheta se drogando, sei lá. Esse negócio de gostar de ler não dá futuro, você vai acabar escrevendo textos na internet pros outros rirem e esperando que eles tenham a decência de dar um cliquezinho nos anúncios dos caras que te pagam pra escrever. E você não quer isso.

Mas então. Como vocês devem saber, há uns meses aí eu tive uma puta dor de cabeça que durou uns cinco ou seis dias. Como todo bom hipocondríaco - aquela gente que acorda com a visão embaçada e acha que vai ficar cego, ou levanta rápido demais, fica tonto e acha que tá com labirintite -, achei logo que estava com um câncer no cérebro. Desesperado, saí pesquisando em tudo quanto era site e cheguei a conclusão de que era apenas mais um ataque de frescurite aguda.

Por circunstâncias adversas que eu provavelmente mencionei na época mas não lembro agora, meu pai estava no Brasil. Pois bem, começo a sentir as primeira pontadas na cabeça e, vejam só, meu pai está no Brasil de novo.

Ignorando a possibilidade de que este puto esteja num terreiro de macumba jogando pragas satânicas na minha vida (o que explicaria aquele meu dia de merda), minha hipocondria (ou frescura) volto-me à outra possibilidade: tumor nos miolos. Não tem como não pensar logo na pior hipótese. Esse pessimismo ainda me mata.

Mas o que fode tudo é que justo hoje, a patroa trabalha até tarde. E, como é de praxe nos dias em que trabalha até tarde, ela vem passar a noite aqui em casa. Mas logo hoje, uma noite promissora após um dia de tédio, as minhas artérias cranianas estão sambando.

Que mulher acreditaria que um homem negaria sexo alegando como motivo a desculpa mais famosa do manual? Ainda mais um brasileiro, ó céus? Tenho uma reputação a zelar. Um brasileiro não negaria fogo nem se tivesse levado um tiro na testa, que dirá por uma porcaria de dor de cabeça.

Mas não tem como. Se até me mover dói, imagina então mover e voltar, mover e voltar, mover e voltar… Minha cabeça vai explodir, e vocês vão ter que procurar outro blog pra ler enquanto o gerente foi tomar um cafezinho.

Se eu contar a verdade, ela não vai acreditar. Vai pensar que eu a acho gorda, que eu tou comendo a vizinha do 513, que virei viado. Vai ameaçar ir embora, fazer escândalo, gritar no meu ouvido, jogar a luminária na minha cabeça, bater a porta do apartamento na saída e tomar o Palm Pilot de volta. Ao falar com os amigos, vai dizer que broxei, que tenho acne na bunda, que sou viado. Quando chegar em casa, vai brigar com a mãe, bater na irmã menor, chutar o cachorro, escrever um bilhete suicida e se jogar do parapeito do nono andar em cima do carro do síndico, que vai me culpar pela tragédia e me despejará do apartamento.

Rápido, me arrumem uma desculpa melhor que “amor, hoje não dá, tou com dor de cabeça“. Já instalei muita coisa nesse Palm Pilot, não posso devolver assim sem mais nem menos.


Escrito por Kid on Dec 22, 2004


O Quide nem vai perceber que eu tinha roubado outros textos, rá rá…


“A gelada do ano” e “Vou ser astrólogo”


Dessas vez os textos foram copiados sem autorização, publicados sem créditos, alterados na cara de pau. O interessante é que esse cara provavelmente sequer assistiu o filme criticado, e se duvidar é assíduo leitor de horóscopo, como todas as bichas são. Não me surpreenderia se encontrasse mais textos MEUS

Se você mora no Rio, me faz um favor?

Luiz Henrique de Castro

Av. Marechal Henrique Lott, 50

Rio de Janeiro, RJ 22631-370


(21) 9691-6931

Mandem carta bomba, dêem uma ligadinha pro rapaz, sei lá.

[ Update ] Após investigar mais um pouco, descobri que esse endereço dele é de 2000. Suspeito que ele se mudou para essa outra localidade:

Rua Imbuí, 347 ca 2 - Tanque - Rio de Janeiro - RJ

E o telefone é (21) 2435-5784


Escrito por Kid on Dec 20, 2004

Antes de enrolar vocês - por pelo menos uns dois meses - enquanto a preguiça me impede de digitar os próximos posts da série Quide vs Deus - Fé no blogueiro, responderei as questões levantadas por alguns leitores deste diarinho virtual que já virou a sensação do verão cearense. Arriégua, má.

O rapaz ¬¬, revoltado contra esse sistema vagabundo de comentários que comprei no Paraguai, colocou em um espaço próprio um breve comentário sobre meu texto. Segue a refutação.

“Bom vamos lá. Acho que me enquadrarei nos “crentes que estão doidos pra xingar”.”

Isso é a confirmação de que meu talento pra previsões ainda funciona. Vou largar esse negócio de blog e abrir uma tenda de leitura de tarot.

“Em primeiro lugar, respeito sua opinião, ou melhor, sua não crença em Deus…”

Hm, lendo sua frase de introdução, não pareceu que você respeita minha opinião. Mas vai ver essa é a nova forma cristã de mostrar respeito, xingando. Paciência.

…entretanto expondo os fatos dessa maneira, desse jeitinho adolescente revoltado poser (adoro rótulos), usando palavrão, referindo-se a Deus como um personagem de “Cidade de Deus” (tem o nome Dele no título), enfim, fazendo essa resenha analítica do que está escrito na bíblia (um livro escrito por homens)que, ao meu ver, só tem como finalidade “ofender” aqueles seguem uma religião (não é o meu caso, mas…)”

O objetivo era mostrar um lado de “Deus” que ninguém gosta de ver, e não criticar os crentes. Se eu xingo sua banda favorita e você se ofende pessoalmente, você precisa ser mais maduro. Concorda?

“só li 2 parágrafos completos e fiz uma leitura rápida, pois cansei”

Não é má vontade não, mas não tem como considerar o palpite de alguém que sequer leu o texto. Isso é o mínimo que você pode fazer para poder ter uma opinião. Ao menos leia o texto inteiro, pra ter uma idéia completa sobre o que eu quis falar.

“Sei lá, acho patético aqueles que se declaram “ateus”!”

Eu acho patético que se declara crente, fazer o que né.

“Sejam agnósticos pelo menos, creem no amor que há entre as pessoas.”

Quem disse que um ateu não crê nisso?

Você está confundido ateu com niilista. Ateu é aquele que não se convence da existência de divindades - ou do Deus bíblico, como é mais o meu caso. Niilista é o relativista que não acredita em nada - coisas como “amor”, “honra” e “ética” podem ser simplificadas até não fazerem mais sentido.

Além do mais, um agnóstico não é isso que você definiu. Não apenas leia o texto de novo, mas se informe melhor sobre esses “rótulos” que você diz gostar de usar. Usa-los a torto e a direito já não é muito bonito, usa-los erradamente é simplesmente vergonhoso.

“Porra! Fica vestindo essa camisa de “olha, eu não acredito em merda nenhuma!” e ficar tentando convencer as pessoas que sua maneira de pensar eh a correta expondo fatos que estão contidos em um livro, partindo da idéia que Deus existe e que “Ele é mal! Não gosta de uns mas gosta de outros!”.”

Que curioso. A parte ressaltada no seu comentário é exatamente o que os cristãos (proselitistas por natureza) fazem, a única diferença é o propósito deles - fazer você aderir a fé deles. E todo mundo sabe que, junto do pacote de “aderir à fé deles”, você terá que aceitar uma cacetada de regrinhas que regirão seu estilo de vida, você terá que se submeter a um pastor, você terá que dar dízimos… E ainda têm a pachorra de dizer que você perecerá eternamente se não aceitar a “Verdade”.

Eu não tou oferecendo nada disso. Tou oferecendo refutação. E também não estou dizendo que você queimará num lago de fogo se não aceitar o que eu digo.

Mas se você prefere achar que o método deles é o certo e o meu está errado, fique à vontade.

“Se você que provar alguma coisa, sei lá, faça mateticamente…”

Caso você ainda não tenha percebido, estamos debatendo religião e não aritmética.

“…exponha fatos…”

Eu fiz isso. Mas aí vem seus amigos crentes e dizem que eu estou “só citando o Velho Testamento”. Vou abordar esse assunto mais na frente.

“…morra e vai ver como é do outro lado, depois passe uma mensagem psicografada…”

Que bela idéia. Mas antes de seguir seu conselho, acho que vou meter o dedo na tomada também. Apesar de que toda a lógica me diz que eu levarei um puta choque, só posso saber mesmo se enfiar, não é? Esse negócio de parar pra pensar não tá com nada.

“Querer provar que uma coisa não existe partindo do pre-suposto de que ela exista?!?! Só podia ser coisa de ateu!”

Se você tivesse ao menos lido o post entenderia que eu não parto de nenhuma pressuposto; eu analiso o que dizem a respeito dEle e concluo que Ele não faz sentido.

O próóóóóximo…

“Quide,

Tá engraçado mermo o texto. Só vc para me fazer rir com tanta blasfêmia.”

Brigado.

“Vou te explicar de novo: Deus criou o homem, o homem desobedeceu e foi expulso. QUANDO DEUS SE RECONCILIOU COM O HOMEM E SE REVELOU NOVAMENTE EM SUA PLENITUDE???? Quando? Quando?

EM CRISTO”

Sobre a finalidade de Deus ter criado o homem, ou da suposta desobediência, discutirei mais tarde. Vamos nos ater ao ponto da sua mensagem: Deus enviou Cristo para se reconciliar com o homem.

Em primeiro lugar, não era necessário o sacrifício de Jesus - que novamente mostra que Deus gosta de dar porrada em quem não fez nada para pagar pelos erros alheios. Já havia comunhão com Deus ANTES da vinda do Messias, ou então ninguém poderia falar com Deus, ou ir pro céu, ou coisa alguma. Jesus simplesmente não era necessário, me desculpa.

E em segundo, não há nenhuma comunhão nova com Deus que já não houvesse. Assim como antes, pessoas pecavam. Assim como antes, haviam aqueles que tinham contato com Deus. E assim como antes, pessoas também iam pro inferno. Me diga, o que Jesus mudou? Não vejo diferença, desculpa.

Venhamos e convenhamos, a vinda de Jesus à terra foi muito infrutífera. Dizem que ele veio para salvar os homens, mas isso significa que antes dele não havia salvação, e que todos nascidos antes do primeiro Natal foram pro inferno. Outros dizem que ele veio pra tirar o pecado do mundo, (”No dia seguinte João viu a Jesus (…) e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”), mas, por acaso o pecado foi embora deste mundo? Acho que não. Alguns dizem que Jesus veio pra estabelecer uma nova comunhão com Deus, mas de que forma isso era necessário? Já havia uma comunhão com Deus. Ao mandar Jesus, Deus estava praticamente dizendo “quem não acreditar nele, vai pro inferno!

Acontece que, conforme a bíblia prega, “Deus não considera o tempo da vossa ignorância“. Em outras palavras, um indiozinho que jamais ouviu falar de Jesus não poderia ir pro inferno. Se ninguém tivesse ouvido de Jesus, NINGUÉM iria pro inferno. Mas Deus o mandou. O que implica que sua vontade não era salvar todos, mas salvar uns poucos escolhidos. Aqueles que conseguissem crer. Quem não conseguisse, estaria fodido.

Deus nunca quis salvar todos, se quisesse, não teria mandado Jesus.

É claro ou preciso desenhar?

“Sacou? Então, crueldades do VT não valem.”

Arrá! Tava demorando!

Os cristãos frequentemente usam essa ladainha de “isso tá no Velho Testamento, não vale! Leia o Novo também…”, como se isso de alguma forma mágica apagasse o fato de que Deus, o amor máximo, cometeu diversos assassinatos em primeiro grau. O que é, na melhor das hipóteses, uma ofensa à lógica. Isso seria o equivalente jurídico a…

[ Promotor ] Meretíssimo, o réu jamais negou os assasinatos que cometeu. Em uma das ocasiões, ele entrou numa escola e avisou que quem não usasse roupa vermelha no dia seguinte, seria metralhado na saída!

[ Advogado de defesa ] Meu cliente na verdade ama todas aquelas crianças. Ele ama tanto, veja só, que até deu uma chance de todos se salvarem! Não se salvaram porque não quiseram acreditar nele!

[ Promotor, júri, juiz e a mulezinha que datilografa a sessão ] ¬¬

[ Advogado de defesa ] Erh… não colou, né? Bem, você também estão tirando eventos do contexto! Trago à tribuna a prova A.

O advogado põe uma fita no videocassete. É uma gravação caseira do acusado numa festa de aniversário, brincando com criancinhas, visivelmente animado por estar na presença deles.

[ Advogado de defesa ] Estão vendo? Vocês só querem ver as coisas ruins que meu cliente cometeu! Essa fita foi gravada após a chacina na escola, logo, essas acusações não valem mais.

[ Promotor, júri, juiz e a mulezinha que datilografa a sessão ] ¬¬

[ Advogado de defesa cochichando pro réu ] Porra, tá foda o negócio. Tu tinha que aloprar desse jeito, porra?

Precisa falar mais alguma coisa? Não dá pra defender alguém simplesmente mostrando ocasiões em que ele não cometeu crimes, isso não suaviza nem refuta nada. Os crimes continuam lá. Só prova que você está sem argumentos para defendê-lo.

Para defender um assassino, ou você refuta o fato de que ele matou, ou você apresenta motivos que poderiam consistir numa necessidade inviolável que o levou a cometer o homicídio. Não se pode refutar a bíblia, afinal, ela é “inspirada pelo Espírito Santo”, logo tudo que está lá é verdade. E não se pode atribuir necessidade nenhuma a Deus, pois como ser onipotente, ele não precisa de nada, nem é obrigado a nada. Tudo que Deus faz, faz porque QUER.

“E pq Deus não fez de outro jeito, que poupasse mais gente? Pq se não não aprenderiamos.”

Nossa, Deus TINHA que fazer dessa forma? Ele tinha algum tipo de limite que o impedia a pensar numa forma que salvasse todo mundo? E esse tempo todo a galera pensando que ele era onipotente…

Meta uma coisa na sua cabeça: Deus não tinha que fazer coisa alguma, de forma nenhuma. Ele, já que é onipotente, não deveria ter nenhum limite. Então essa história de “Deus tinha que fazer assim porque…” reflete uma natureza claramente humana: a contornação de obstáculos. Jeová não poderia ver nenhum obstáculo. Logo, ele não “tinha” que fazer assim para aprendermos coisa alguma. Se trata apenas uma clara contradição; homens definindo Deus ora como onipotente, ora como alguém que precisa dar um jeitinho - muito mal arranjado - pra consertar uma situação que, atente, foi criada por ele mesmo. Você me diz que o homem “escolheu” pecar, mas quem criou o sistema de condenação que o pune? Quem criou a possibilidade do pecado? Deus está tentando nos salvar de algo que ele mesmo criou?!

Deus meio maluquinho esse, ein? Se não quer condenar, não criasse inferno. Se quer condenar, não mandasse salvador. Dá pra se decidir?

“sacou????”

Será que sou eu que preciso sacar algo? ;)

O mms, que é meu amigo virtual com um certo nível de proximidade, mandou mais essa, quando confrontado com as desgraças que assolaram esse mundo por causa da mensagem de Cristo (Inquisição, Cruzadas, etc e tal.)

“Deus ter se revelado amor não quer dizer que os homens entenderam. De forma nenhuma, e Cristo sabia disso.”

Ou seja, não apenas a lição seria mal dada, como o professor sabia disso desde o início? Qual era o objetivo dessa liçào, se ninguém ia entender? O professor, sendo onipotente, não poderia muto bem, se quisesse, fazer a mensagem de uma forma que TODOS entenderiam?

Ou não? Você me dirá novamente que ele “precisava” fazer daquele jeito? Que ele “precisava” mandar uma mensagem que implicaria que alguns não conseguiriam se salvar (os que não acreditassem)? Que limites são esses que impedem o Deus Vivo de agir da forma que salvaria toda a humanidade?

Já um terceiro leitor disse:

“Pelo amor d deus vai ler uma biblia antes d falar tamnha besteira baseado em versiculos…”

Como assim, “besteira baseada em versículos”? Você quer que eu baseei qualquer análise sobre a bíblia em que? Em descupinhas que pastores dão para explica-la, né?

Cristãos são pessoas que tentam desesperadamente ocultar certas verdades. Ao serem confrontados com essas passagens que provam a maldade de Deus, o que eles fazem? Simplesmente rejeitam. Reclamam que são “apenas versículos”, embora eles façam usos de versículos também para tentar convencer pessoas nas igrejas. Ah, porque não posso fazer o mesmo? Não estou usando nada além da sua bíblia!

E falando nela, acho que quem precisa ler mais é você.

Um outro leitor falou o seguinte:

“Na moral, Kid. Respeito sua opinião, mas foda-se com ela.”

Esse aí é mais contraditório que Jeová.

“Se Deus “mata” criancinhas, promove guerras e tudo o mais, vc apenas se esquece de algo: que este mundo, segundo qualquer religião, é passageiro, e o que se constrói aqui é só um momento, valendo mesmo é a eternidade, seja ela de prazer ou de sofrimento.”

Em outras palavras, não é errado matar nem provocar guerras porque este mundo é passageiro.

Eu queria saber se você pensaria dessa forma se o Deus Vivo decidisse matar seus pais, e pior, por um erro que seus avós cometeram.

Ah, é, né?

“Então, se um aguerra existir, se uma criança nasce cega, EXISTE um propósito SIM, só que não para este mundo e SIM para o “outro”, no pós morte. Ou seja, normal você não acreditar, mas falar que não tem lógica é pq vc não pensou em todas as possibilidades.”

Existe uma corrente filosófica chamada “Navalha de Occam” (ou Ockam, dependendo do autor) que prega o seguinte: Não multiplique fatores sem necessidade. Em outras palavras, entre duas (ou mais) hipóteses, a mais simples tende a ser a verdadeira. Ou, se você vai explicar alguma coisa com uma teoria, quanto mais fatores você adiciona a ela, menos provável ela se torna.

Então, o que é mais “simples”? Que as putarias que acontecem no mundo são simplesmente um reflexo da falta de alguém pondo ordem nessa bagaça, ou que tudo isso está amarrado por um plano cósmico-transcendental que não faz sentido nesse mundo, mas num próximo?

Acredite no que quiser.

Aos que gritaram em coro “mas a bíblia é um livro humano, portanto as falhas”: deixe de ser boboquinhas, eu SEI disso. Caso contrário, não duvidaria dela. O que acontece é que crentes não admitem essa hipótese, pois ela contradiria Paulo em II Timóteo 3:16:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada”

Ou seja, segundo eles, não houve dedo humano na criação da bíblia. Logo, ao interpreta-la, vejo da forma que eles vêem, ou seja, a bíblia foi “escrita” por Deus através de homens. Logo, contradições não poderiam existir. A menos que Deus não quisesse que sua mensagem fosse passada com coerência…

Aguardem a continuação.


Escrito por Kid on Dec 17, 2004

Motivos pelo qual o Quide não acredita em/gosta de Deus

Aposto que muitos aí devem se perguntar “Ó céus, por que será que o Quide é tão revoltado contra Deus?” Ao contrário de muita gente que conheço, não me tornei ateu porque isso é cool. Minha “conversão” foi resultado de leituras constantes da Palavra Sagrada, acompanhadas com uma pitada de senso crítico e desligamento de interpretações cristãs tendenciosas. Os motivos que exporei aqui são simples, lógicos, e frutos de conclusões as quais vocês mesmos podem chegar. Basta uma bíblia na mão e um cérebro na cabeça. Vamos lá.

(Peço aos cristãos fundamentalistas que ao menos leiam o post todo e pensem por dois segundos antes de me xingar. Obrigado.)

1) Porque, se Deus existe, ele é um assassino sanguinário e impiedoso.

Deixa eu passar um recadinho que os filhos do Homem não gostam de ouvir: Deus não ama toda a humanidade. Sei que isso chocou a maioria de vocês. Eu sei que vocês cresceram ouvindo um papinho de que Deus é amor e coisa e tal, mas isso simplesmente não é verdade. Ao invés de se recludir nas idéias que enfiaram na sua cabeça ao longo dos anos e me xingar de blasfemo, pense comigo um pouco. Se vocês pararem pra pensar um pouquinho com as próprias cabecinhas, chegarão à mesma simples conclusão.

Imagine que eu quero namorar uma determinada garota. Eu afirmo ama-la, mas aparentemente ela não tá muito afim de mim. Eu SEI que ela seria feliz namorando comigo, mas ela simplesmente optou por não querer ficar comigo. Aí eu vou lá e dou-lhe uma punição por ela não me amar: eu dou um tiro na cara dela.

É isso que Deus faz.

Ame-o, ou sofra as consequências.

O conceito de que alguém irá pro inferno por causa do pecado é errada. Jesus e o apóstolo Paulo deixaram claro que ninguém vai pro céu por méritos próprios - você só vai pela “Graça do Pai”. Se você fosse pro céu por não ter mais cometido pecados, você não foi pela Graça do Pai, mas por obras terrenas. A questão não é parar de pecar - o que é obviamente impossível -, mas amar a Deus.

Pergunte-se a si mesmo: se Deus te envia pro inferno porque você não o amou de volta - seja lá por que motivo -, isso é realmente amor?

Mas o pior não é isso. O problema que algumas pessoas não vêem é que Deus tem um conceito meio estranho de Justiça. Ao longo da história da humanidade, Deus puniu ou matou MILHARES de pessoas que geralmente estavam apenas pagando o pato por terceiros. Querem alguns exemplos?

Êxodo 11:4-7

“Disse mais Moisés: Assim o SENHOR tem dito: À meia noite eu sairei pelo meio do Egito; E todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que haveria de assentar-se sobre o seu trono, até ao primogênito da serva que está detrás da mó, e todo o primogênito dos animais. E haverá grande clamor em toda a terra do Egito, como nunca houve semelhante e nunca haverá; Mas entre todos os filhos de Israel nem mesmo um cão moverá a sua língua, desde os homens até aos animais, para que saibais que o SENHOR fez diferença entre os egípcios e os israelitas.

Deus amava os egípcios?

Não. Ele estava pouco se fodendo para os egípcios, como a bíblia deixa claro nesse último versículo. Havia uma clara diferença entra a forma que Deus via os dois povos. O negócio dele era com os judeus. Danem-se os outros, afinal, eles pensam que existem outros deuses e rezam pra eles. Deus não permite esse engano. Não, não senhor. Se enganar dessa forma é motivo para levar porrada. É mais ou menos como se um professor desse punições para um aluno que simplesmente não entendeu a matéria. Ao invés de tentar novamente, ou apenas “facilitar” um pouco a matéria para aquele aluno visivelmente incapacitado, Deus dá-lhe uma porrada na cara.

Então, o que Deus fez foi mais ou menos o seguinte. O povo de Israel estava cativo no Egito. Deus, sendo ultra fodão, poderia muito bem ter liberto o povo sem a necessidade da permissão faraônica. Ou então, poderia ter punido apenas o faraó, para que este se convencesse a não mexer com os filhinhos do Homem e os deixasse ir. Mas nããããão. Isso seria piedoso demais. Ao invés disso, Jeová manda nove pragas castigando O PAÍS INTEIRO pela decisão que faraó não queria tomar. Faraó, um cara de princípios, preferiu não se prostrar a um tirano. Mais ou menos como o comerciante que se recusa a pagar pela “proteção” que a máfia promete. É burrice, claro, mas devemos respeitar a coragem.

Deus então dá a cartada final:

- Maluco, ou tu deixa meu povo ir, ou eu vou passar o cerol nos teus moleques TUDIM. Como assim, eles não tem nada a ver com isso? Foda-se, maluco. O trato tá fechado: deixa meu povo ir ou teus primogênitos vão pagar o pato. Não quero conversa. Toma tua decisão aí.

Faraó era um cara durão: mandou Deus tomar no cu e que se danasse. Deus então matou MILHARES de CRIANÇAS cujas famílias não tinham nada a ver com a história. E não foram apenas os primogênitos humanos que se foderam; a bíblia diz que até mesmos os filhotes de animais dos egípcios passaram desta pra melhor nessa brincadeira.

Se algum cristão tivesse cérebro, ele pensaria “Porra! Deus não é todo poderoso?! Por que ele não simplesmente libertou o povo, assim como fez com Paulo e Silas na ilha de Patmos, quando um simples terremoto foi o suficiente pra libertar seu servos?! Precisava esse sangue todo?! Ainda por cima, de inocentes?!”

E a resposta é óbvia: precisava. Deus A-D-O-R-A um banho de sangue, pessoalmente acho que Ele toca punheta assistindo essas coisas. Naqueles tempos, o trato pra se livrar do pecado era o seguinte:

- Pecou? Mas tu é um filho da puta mesmo, ein? Vamos fazer o seguinte: Pega um cordeiro e mata. Ofereça ele pra mim, que eu penso no teu caso. O que? Como assim, o cordeiro não tem nada a ver com o teu pecado? Se fode, porra. Tu prefere castigar o cordeiro ou assumir tua culpa no cartório? É, bem que pensei. Vai afiando o fação, que eu vou pôr uma fita virgem aqui no videocassete pra gravar a parada, pra não esquecer que tua ficha tá limpa.

Deus curte um banho de sangue. É bíblico. Lembra a história de Caim e Abel?

Gênesis 4:3-6

“E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou.”

Caim, o lavrador, ofereceu frutas e legumas. Abel meteu uma facada numa ovelhinha. Deus, que tem tesão por carnificina, preferiu a ovelhinha assassinada que as frutas de Caim. Por que Deus não aceitou a oferenda de Caim? Por que ela não envolveu morte e sofrimento de inocentes, claro.

E mais: supondo que ele é Onisciente, não deveria ele saber que isso provocaria a fúria de Caim e o levaria a matar Abel? Não poderia ele ter evitado isso?

Poderia, sim. Bastava deixar de ser um puto e aceitar as oferendas igualmente. Ou não aceitar a de ninguém. Mas nããããão. Isso seria justiça demais. Como Caim pecou gravemente (ele não adicionou sangue à sua oferenda), Deus a recusou.

Por séculos, teólogos discutem por que motivo Deus teria recusado a oferenda de Caim e com isso provocado o primeiro homicídio da História. A resposta é simples, conforma respaldada pela própria bíblia: Deus gosta de sangue. E Ele matou dois coelhos com uma cajadada só: recebeu uma ovelhinha sacrificada e um irmão assassinado, ambos inocentes, ambos mortos por sua causa.

Vamos pular pra outra historinha?

II Samuel 24:13-14

“Foi, pois, Gade a Davi, e fez-lho saber; e disse-lhe: Queres que sete anos de fome te venham à tua terra; ou que por três meses fujas de teus inimigos, e eles te persigam; ou que por três dias haja peste na tua terra? Delibera agora, e vê que resposta hei de dar ao que me enviou. Então disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu.”

Davi era um homem santo de Deus, um rei escolhido por Jeová, um homem que a bíblia diz que não dava um passo sequer sem se aconselhar com Deus. Um dia ele decidiu que esse negócio de ser bonzinho não tava com nada e comeu com a mulher do seu general, Urias. Acontece que a mulher esqueceu de tomar a pílula e engravidou. A clínica de aborto estava em greve, então Davi fez o que qualquer pessoa em sua situação faria: planejou matar o marido corno.

Deus não botou muita fé nessa presepada e mandou Gade, seu profeta, dar um recadinho pra Davi. Deu-se o seguinte diálogo:

- Davi, Davi, Davi… tua chapa tá quente lá com o Homem, rapá. Mas ele é tão bonzinho que vai deixar você decidir a própria punição.

(Rufam tambores, Gade pega o microfone e sorri pra platéia do programa. As câmeras começam a rolar.)

- Bem vindos ao “Escolhe teu destino e te fode!“, patrocinado por Jeová! Temos aqui Davi, rei justo e comedor de mulheres alheias. Como ele foi troux… errh, justo esses anos todos, o Chefe resolveu pegar leve com ele e mandou escolhas maneiras. Atrás da porta número 1, temos sete anos de fome assolando Israel!

- Mas o que o povo de Israel tem a ver com a minha pilantragem? :(

- Mermão, tu conhece o Homem. Descer o pau em inocentes é o hobby dele. Não me interrompa mais, por favor, seu merda. Escolhendo a Porta número 2, você terá direito de ser perseguido por inimigos cruéis e impiedosos durante três meses com todas as despesas pagas pelo Deus Vivo.

- Erh… Pula essa.

- Hehe, o Homem pôs essa opção só de sacanagem. Ele é onisciente e já sabia que você jamais escolheria assumir responsabilidade pelo próprio ato; mas o sendo de humor dele é foda, não? Então, na última Porta, você ganhará inteiramente de grátis uma epidemia que chutará a bagaça do país inteiro por três, sim, três dias.

- Pera. Eu vou ficar doente também?

- Hm, Ele não falou nada. Mas, conhecendo o Cara, acredito que não. Você sabe, isso seria castigar o VERDADEIRO culpado da situação, e esse negócio não é com Ele. O que deixa ele contente mesmo é ver nego que não tem nada a ver com a história se fodendo bonito. Ouvi falar que ele até grava essas putarias.

- Ok, vou de Porta 3 então! ^_^

E assim foi. Davi selou o destino de uma cambada que nem sabia o que tava acontecendo.

II Samuel 24:15

“Então enviou o SENHOR a peste a Israel, desde a manhã até ao tempo determinado; e desde Dã até Berseba, morreram setenta mil homens do povo.”

Não foram um nem dois nem três, mas SETENTA MIL homens. Isso é um sete seguido de quatro zeros. Ou seja, uma porrada de gente morreu porque Davi deu uma pulada de cerca, mas você não vê o fã-clube de Deus apregoando isso por aí. Sabe como é, espanta a clientela.

Eu poderia escrever um livro inteiro sobre atrocidades que Deus cometeu com inocentes, mas já existe esse livro: se chama “bíblia sagrada”. Jeová não ama a humanidade. Essa é uma historinha que um judeu blasfemo inventou no século I, e que por uma sacada de sorte acabou conquistando o império romano e assim, ganhou o mundo. Na melhor das hipóteses, Ele não amava ANTES; e se passou a amar agora, então Ele não é o mesmo ontem, hoje e sempre como sua Palavra nos ensina. Ou Deus não te ama, ou a bíblia é mentirosa. Escolha a opção que você achar mais conveniente.

….

Esse é um dos motivos. Aguardem a continuação, se Deus não mandar um raio na minha cabeça.

Recadinho para Deus

Aê rapá. Faz um tempão que não falo contigo. Não é culpa minha, um dia eu deixei de aceitar coisas que enfiavam na minha cabeça e comecei a tirar minhas próprias conclusões. Mas ora, não preciso me justificar, você já sabia desde que eu nasci que isso ia acontecer. Tendo em vista isso, vou ser obrigado a supor que era a forma como tinha que acontecer. Você poderia ter previnido isso, bastava não ter me dado neurônios.

Gostou da cor do recadinho? Foi uma epifania que tive após anos de oração sem ser ouvido: saquei que não estava usando as cores certas. Então resolvi chamar sua atenção usando o tom daquilo que você adora tirar dos homens. Conforme o Senhor ensinou a Caim, essa é a boa forma de se fazer ouvir daqui debaixo. Se isso não chamar sua atenção, eu não sei mais o que chamará.

Supondo que você é onisciente e já sabia que eu ia escrever essas linhas, e que você não me fulminou fatalmente por blasfemar contra Vossa Perfeiçoencia, só posso concluir que a) ou você não se importa com o que eu vou falar, ou b) você não pode fazer nada contra mim. Se eu estiver errado e você realmente se importa com esse post, por favor, me manda um recadinho que eu o apago. Caso a segunda alternativa seja a verdadeira, venha aqui tirar satisfações. Eu mandaria meu endereço, mas oras, você sabe onde moro.

Como o Senhor mesmo sabe, meu nome (Israel) significa “aquele que lutou com Deus e venceu” (Gênesis 32:28). Ora, claro que você sabe: você deu esse nome ao primeiro que resolveu chutar tua bunda. Se tiver afim de uma revanche, chega junto. Mas fale pro seus tietes ficarem longe disso, porque se a briga for de chatice eles ganham com larga margem de vantagem.

Se você não sabe ligar um computador ou se conectar à internet, ou se estiver com medo de me encarar de frente - sem dúvida com receio de tomar outra surra -, aí sim mande seu fã-clube tirar satisfação por você. A presença de qualquer um deles aqui será a prova de que você preferiu fingir que não me ouviu.

Fundamentalistas cristãos, ignorem o fato de que seu Deus dá livre arbítrio para todos fazerem o que quiserem e me xinguem nos comentários. Se vocês se sentiram ofendidos, lembrem-se que eu tenho direito de liberdade de expresão, e não apenas isso, mas eu quero também que vocês se fodam e eu não estou nem um pouco preocupado e desmistificar a religião de vocês e expôr pra todo mundo esse Deus assassino que vocês adoram.

Não pensem que porque desprezo essa crença e essa figura de um Criador assassino, odeio todos os crentes. Não é verdade. Tenho muitos amigos evangélicos do tempo que ia à igreja três vezes por semana com a bíblia embaixo do suvaco. E tenho amigos virtuais cristãos também, como o mms. E não acredito que esse Deus da bíblia exista. Se ele existe, meu amigo, estamos TODOS fodidos.


Escrito por Kid on Dec 15, 2004

Voltei ao tempo áureo da minha infância.

Após jurar para o site que só manteria os jogos por 24 horas e que possuo os respectivos cartuchos dos games que estava prestes a roubar, baixei um emulador de Super Nintendo com uma cacetada de ROMs que há dez anos atrás transferiram meu dinheirinho do lanche na escola diretamente para os bolsos de donos de locadoras de Fortaleza.Emuladores não são nenhuma novidade, claro. Lembro de ter vendido dois disquetes com um zip da ROM de BlackThorne pro meu primo por 5 reais em 1999, quando a onda de emulação ainda era algo mais conhecido por nerds que fuçavam a internet em busca de formas de conseguir coisas grátis que de outra formas teriam que ser pagas. Obviamente meu primo nem se deu conta de que aquilo podia ser pego na internet com facilidade; pra todos os efeitos aquilo era um cartucho de SNES em disquetes de computador. Cheguei a comercializar ROMs nas escola por algum tempo - junto com outras coisas ilegalmente adquiridas na internet -, mas isso é assunto de outro post.

Como eu estava dizendo, emulação não é nada recente, já tem pelo menos uns 10 anos nas costas. Acontece que logo no início os computadores não eram rápidos o bastante para “imitar” o funcionamento dos consoles. Além disso, no começo a emulação era usada com propósitos mais úteis: imagine que você tem um PC com win3.1 e precisa rodar um programa de OS2. Com um emulador, você não precisaria comprar outro computador só pra usar o tal programinha. Nos últimos anos nossas máquinas cresceram e ficaram fortinhas, e a emulação ganhou o mundo dos games, o que fez as gamehouses gritarem em uníssono “caralho, agora mesmo que aqueles brasileiros não compram jogos originais!

Acontece que jogar emulador num teclado é o equivalente gamístico a costurar com luvas de boxe. Um teclado não foi feito para ser espancado furiosamente pelas mãos ávidas (e naturalmente acostumadas a movimentos ritmados) de crianças de 13 anos. Não é à toa que aqueles controles eram praticamente caixas pretas; já vi um controle de SNES ser jogado na parede, perder um dos botões e continuar funcionando normalmente. Um teclado dificilmente teria essa resistência. Já fodi um teclado antigo de tanto jogar Mortal Kombat 4. Os direcionais e o A, que quando esmurrados de forma correta faziam o Subzero congelar seus inimigos, pararam de funcionar.

Então, para intensificar a experiência nostálgica - e não destruir meu teclado -, comprei um fabuloso Nexxtech PS2 Gamepad. O controle é no modelo do PlayStation, mas funciona perfeitamente como um de Super Nintendo - basta ignorar um dos Ls e Rs.

Então decidi a fazer algo que jamais sonhei que um dia seria capaz. Uma realização que minhas modesta situação financeira nos mid 90’s não permitia. Algo que iria me ajudar a ser uma pessoa melhor; uma cruzada de auto-conhecimento.

Resolvi ver todos os fatalities de Mortal Kombat 3.

O aprendizado de fatalities naquela época eram praticamente uma disciplina sagrada de tempo integral nas locadoras da época. Ordens monásticas (leia-se “os guris que tinham grana pra comprar revistas de macetes”) treinavam pupilos escolhidos a dedo. Estes se tornavam mestres exímios do desmembramento e profanação do corpo humano, e também aprendiam a fazer fatalities.

Saber executar os comandos que abriam aquelas animações sangrentas era um motivo de orgulho e uma razão para respeito. Aquele que aprendia um novo fatality chamava os amigos, orgulhoso, apenas para dizer, ao fim da apresentação: “Não vou te ensinar.

Estes malditos moleques que dominavam os segredos milenares dos fatalities não os compartilhariam com a turma nem sob tortura. Duvido que um padre inquisidor conseguisse fazer um daqueles miseraveis confessar o Animality do Liu Kang em Mortal Kombat 3. Mesmo que fosse queimado vivo, o cara teria o prazer de saber que só ele conheceria a combinacao magica que faz seu chinezinho ninja virar um dragão pixelizado e comer o torso do inimigo derrotado - não sem deixar os braços, que por um bug na animação ficavam pairando no ar, sem qualquer ligação com seu corpo recém digerido. A turma da locadora, que assistia à disputa mortal, ia ao delírio.

Mortal Kombat não tinha nenhum compromisso com realismo, e essa era a beleza do jogo. Estou cansado de dar murros nas pessoas e elas não voarem até o outro lado da rua, espirando sangue que evapora segundos depois. Mortal Kombat libera indivíduos outrora aprisionados por tirânicas leis da realidade. No jogo, você tá saltos mortais triplos sem qualquer equipamento para o impulsionar, solta cubos de gelo das mãos, cospe fogo, vê mulheres seminuas - venhamos e convenhamos, isso era uma irrealidade para crianças de 13 anos -, some pelo chão e reaparece milésimos depois, dando uma formidável voadora na arcada dentária de seu oponente… As opções são ilimitadas; conheço esse jogo há anos e até hoje ainda me surpreendo quanto o lutador controlado pela inteligência artificial do jogo comete alguma putaria que eu ainda não tinha presenciado.

No videogame, sanei minhas necessidades de fugir da realidade. Drogas o caralho, me dê um SNES com uma fita de MK3, de preferência pirata, com aquela clássica etiquetinha descascando nos cantos.

Mas enfim, eu nunca fui eleito como um escolhido para ser educado nos caminhos do fatalities. Não havia recursos para o treinamento: eu não tinha meu próprio videogame para treinar, não possuia as revistinhas, não tinha amigos espertos.

Hoje, a era da informação, eu cato todos os truquezinhos de todos os personagens de todos os jogos da série. Basta desviar dos anúncios que imploram para que eu aceite aumentar meu pênis. É estranho a forma como esses pop ups em particular PERSEGUEM você. Pense comigo, se você tivesse um pau pequeno, será que eles precisariam empurrar a mercadoria?

Então, eu salvei uma página de fatalities, imprimi e agora estou presenciando todos eles, no conforto da minha casa. Nem precisei xerocar revistinhas de ninguém, a tática alternativa daqueles que tinham menos poder aquisitivo - ou roubar as tais revistas, alternativa dos que tinham pouco poder aquisitito E vergonha na cara.

Ah, se eu tivesse esse poder de informação naquele tempo… Os “reis” da locadora teriam se prostrado aos meus pés, escrito poemas em minha homenagem e pago horas de jogatina como tributo.

E eu, compadecidamente, me transformaria num dragão e não deixaria nada como sobra além de suas pernas e bracinhos voadores.


Escrito por Kid on Dec 13, 2004

Meu pai deu um pulinho rápido aí no Brasil pra se casar - sim, minha família é modernética, não existe isso de ficar divorciado por mais de um mês -, de modos que estou completamente sozinho no apartamento. Certas coisas como responsabilidade com o lar, algo que nunca soube do que se tratava, começam a se fazer necessárias.



Essa pilha de pratos está na pia há pelo menos quatro dias. Meu pai me mandou lava-la pelo menos dois dias ANTES de ter viajado. Há essa altura, a colônia de bactérias já deve ter dominado cada milímetro da louça, e é provável que já tenha até sua própria estrutura social. Seus conteúdos eram originalmente arroz, feijão, milho e restos de batata frita. Agora é apenas uma mistura homogênea dos quatro elementos, mais água e detergente - estes últimos entraram na mistura quando tomei coragem e decidi limpar a putaria, mas percebi que a sujeira era mais forte do que eu e abandonei as louças à própria mercê na cozinha.

E falando em cozinha, a minha alimentação é outro fator preocupante. Na verdade sempre foi, mas antes ao menos havia a presença adulta para ficar me relembrando dos meus nocivos hábitos alimentares, numa tentativa frustrada de me convencer a abrir mão da dieta McDonalds e comer algo mais saudável - mãe, se você estiver lendo isso, desista.

Meus pais viviam me dizendo que eu ia acabar com minha saúde de tanto comer porcaria. Agora, sem ter quem me ponha juízo, é que me fodo mesmo.

Meu pai conhece o filho que tem. Ele bem sabe que eu JAMAIS seria capaz de produzir suco bebível, nem que minha vida dependesse disso (o que é o caso). Concentração de polpa e açucar em água são mistérios para mim. Então, ele comprou de antemão quatro caixas de refrigerante, cada qual portando dezesseis latinhas. Meu progenitor imaginou que, se eu fosse me alimentar três vezes ao dia, sessenta e quatro latinhas seriam mais do que suficiente para duas semanas. Pois bem, eis o saldo dos três primeiros dias.



A namorada confiscou as caixas restantes e se comprometeu e fazer um suquinho natural pra mim, antes que eu destrua meu estômago com a bebida enlatada.

Mas já avisei que se beber meu refrigerante vai apanhar.

Meu pai deixou um panelão de arroz na geladeira, e comprou umas seis ou sete latas de feijão preto. Acontece que a proporção de arroz/feijão é desequilibrada, e em breve o primeiro se extinguirá. Acho que em menos de dois dias, até. Vou ter que sobreviver comendo apenas feijão, pasta de dente e orégano.

Há roupas por todo canto do apartamento. É aquele velho hábito de chegar em casa, não esperar sequer chegar no quarto e ir tirando a roupa, jogando as peças em todo lugar - especialmente quando a patroa resolve dar um pulinho aqui. Não aguentando mais andar pela casa pisando nas minhas próprias camisas, resolvi ter alguma consciência. Juntei e cataloguei minhas roupas em um sistema muito engenhoso:



Roupas levemente sujas no topo, roupas mais ou menos sujas no meio, e roupas pingando suor e fedendo a enxofre no fundo - onde a nhaca fica enterrada e não atinge os níveis superiores - e as cuecas, jogadas pela janela.



Meu sofá, que antes era um confortável móvel, virou um acumulador de tralhas. As roupas que não couberam na classificação da cesta caem aí, e só Deus sabe quando voltarão pro armário. Perceba que as latinhas, onipresentes, também podem ser encontradas em cima do sofá. A flâmula nacional, que outrora pendia majestosamente na frente da minha janela anunciando aos vizinhos com quem é que eles estão lidando, caiu e foi soterrada por roupas sujas; o que por sinal me lembra que preciso comprar mais durex.

A bagunça tá tão grande que a única forma que vejo pra pra me livrar dela é vendendo sofá.

Melhor ainda, vou vender logo o apartamento.

Aí compro outro celular.


Escrito por Kid on Dec 11, 2004

“Ao creditar a autoria do texto ele agiu corretamente e poderia até de acusar de calúnia, pois o que ele fez pode até ser esperteza, mas não é plágio.”

Renato Arnun

“o nome ta la, o link também. não tem problema nenhum ele fazer isso (…)”

kalluf

“Ele até colocou o seu nominho no final, pô…”

Baru

Mas será possível, vocês não entendem nada do que eu falo mesmo. Sério, me surpreende saber que, mesmo escrevendo um texto INTEIRO pra explicar alguma coisa, vocês correm pros comentários pra deixar claro que ou não lêem com atenção, ou se esforçam pra não entender coisas simples. É broxante. Eu escrevo PAPEL, nego entende PINCEL, CHAPÉU, ESMOLÉU, PASTEL, TELEFONE, ou seja, qualquer coisa, menos o que eu realmente quis dizer. E que estava explícito no texto desde o começo.

Amiguinhos, o que aconteceu comigo não foi plágio. Eu nunca disse que era plágio. Creio ter deixado bem claro isso, e imagino que a maioria entendeu.

Mas claro, sempre tem gente que não entende. Deixa eu explicar de outra forma. Quem sabe desenhando vocês entendem?



Sei que a sutileza do GIF animado pode fazer a mensagem escapar dos menos atenciosos, portanto vou explicar de novo. Dessa vez, com calma, paciência e amor no coração. Mas se não entenderem dessa vez podem ir tomar nos rabos e se matricularem numa escola para crianças especiais do teleton do Sílvio Santos.

Apesar de eu ter COMPARADO, isso mesmo, FEITO UMA ANALOGIA, ou ainda, ABORDADO O ASSUNTO DE FORMA ASSOCIATIVA com o fenômeno do plágio, eu deixei claro - tanto no decorrer do post, quanto em comentários no mesmo - que o que o Luiz Henrique fez NÃO FOI PLÁGIO. Ele não tomou crédito por um texto meu. Se até agora você ainda não captou a mensagem, ei-la em sua esplendorosa simplicidade:

EU SEI QUE ELE COLOCOU MEU LINK NO FIM DO POST, PAREM DE ME AVISAR DE ALGO CUJA EXISTÊNCIA JÁ FOI NOTADA.

Entendidos?

Acontece que ninguém gosta de tentar QUEBRAR O COMPLICADO CÓDIGO que é a língua portuguesa fluente. Vamos pular a interpretação e cheguemos direto às conclusões imbecis, que dá menos trabalho e a gente pode aproveitar os feriados. Se o Quide escreveu a palavra PLÁGIO em algum lugar do post, é ÓBVIO que ele está querendo dizer que ele foi plagiado! Sem perder tempo com bobagens como contextualização, é mais fácil parecer um imbecil.

E se você é daqueles que prefere deixar todo esse negócio de leitura inteligente e interpretação textual, não há problemas: por sua causa, eu tento manter o texto simples.



Mas como pude perceber, até isso está grafado em um sistema criptográfico que vocês não consegue decifrar.

A questão é, como eu havia grifado no post anterior mas vocês insistem em não ver pra dar uma de jumentos, patrocínio. Você sabe, “financiamento (por parte de pessoa ou organismo) de uma empresa, de uma instituição, de uma associação, etc.“? Ganhar grana por escrever, entendem?

Usar um post meu pra preencher seu site não é o que me irrita, uma vez que ele deu meus créditos. O que fode é o fato desse rapaz ganhar dinheiro pra atualizar o site utilizando um texto meu sem autorização. Talvez possa parecer incrível para vocês, mas textos não simplesmente aparecem do nada. Existem pessoas que não conseguiriam escrever um bom texto nem que o próprio Veríssimo estivesse ditando as palavras para eles, e essas são as pessoas que mantém blogs postando coisas alheias - textos, animações, o que seja. Mas acontece que alguém escreve os textos, e esse alguém não está prostituindo suas criações.

Mas aí o rapaz, que ganha alguns trocados com banners, resolve pegar um texto que eu produzi e pôr em seu site, QUE É PAGO. Os patrocinadores do menino o pagam para escrever, mas o que ele faz? Usa um texto MEU. Ao invés de fazer o seu trabalho, ela pega o meu e ganha em cima dele. Por tabela, é como se ele estivesse me fazendo trabalhar para o Mercado Livre.

Ora porras, o Mercado Livre não me mandou nenhum centavo para entreter os visitantes do Acidez Mental e Estomacal. Tampouco o Luiz. Nem exijo dinheiro algum, até porque sei que o cara jamais pagaria. Brasileiro não paga dívida nem quando é legalmente obrigado a tal, imagina então numa situação como essa.

Eu teria me dado por satisfeito com um mero “Ô Quide, gostei do teu texto, posso pôr no meu site?” Você sabe, aquela coisa que hoje em dia tá meio em falta, “consideração”.

Mas isso, claro, deve ser pedir demais.

E aos que acham que estou sendo injusto com o tal Luiz: ele é plagiador reincidente, e já fez vítimas célebres como a própria Sarcástica, o Pedro Nunes, o Cláudio Lara, o Moskito, e esses são apenas os que tenho conhecimento. Pode não ter me plagiado, mas é plagiador, sim. E agora tá ganhando às minhas custas.

Entenderam agora? Por favor, digam que entenderam. Eu ainda tenho fé em vocês.

Falem a verdade, vocês não leram o post. Apenas clicaram no link do cara, não foi?


Escrito por Kid on Dec 9, 2004


“Assuncê beba esse sangue misturado com a cachaça e vá jogar bola de gude numa encruzilhada, que Exú vai foder bonitamente com mizifi Quide!”

Meu Deus, jogaram uma macumba em mim. Macumba pesada.

Ter dias ruins é algo normal para todos os seres humanos, mas quando muita coisa ruim acontece DE UMA VEZ, você começa a se perguntar a si mesmo: será que caguei na cruz em uma vida passada? Existem dias ruins, dias horríveis, dias catastróficos, dias em que ônibus espaciais explodem segundos após a decolagem, dias em que jogam bombas atômicas em cidades japonesas e dias como o que passei hoje.

O dia de hoje foi uma série sensacional de eventos desastrosos. A sequência foi tão homogênea e constante que quem a ouvir poderá pensar que estou inventando-a. Infelizmente não tenho essa sorte ou criatividade. Os fatos relatados neste post vieram a ocorrer no dia de hoje, na gélida cidade de Oshawa, no Canadá. Se algo de ruim aconteceu com você hoje, leia esse post com carinho e pense “caralho, ainda bem que não sou o Quide!”

Comecemos do começo.

Como fui dormir tarde na noite anterior, acordei em cima da hora pra escola. Hoje era um dia importante: Como estamos no final da sessão, era dia de provas finais. Perder aula no dia de hoje seria impensável.

Esfreguei os olhos ainda remelentos e noto um insuportável cheiro de merda no ar. Bud, o cachorro enviado por Belzebu para atormentar os canadenses, devia ter dado uma aliviada pelas redondezas. Injuriado por saber que não teria tempo pra limpar a sujeira, pulo da cama pra me arrumar. Qual não foi minha surpresa ao perceber que o chão estava mais macio que de costume.

A merda canina fresquinha foi comprimida contra o chão pelo meu peso. Parte da massa fecal escapou pelos lados do meu pé e por entre os dedos, fazendo um “squish”.

O sangue ferveu imediatamente. Pisar em merda recém cagada usando sapatos já é uma situação desagradável, de pés descalços então é simplesmente repulsivo. Tive a impressão que consegui até sentir as larvas caninas se movendo abaixo dos meus pés. Eu cortaria meu pé, mas eu não tinha tempo para apreciar a calamitosa situação e amaldiçoar a falta de sorte; eu estava atrasado pra aula.

Uma coisa que eu sabia teoricamente é que merda é um redutor de atrito. Ao deslizar na camada de merda que havia sob meu pé, cair de costas - sem camisa - em cima do tolete recém pisoteado e bater a cabeça na quina da cama, tive certeza.

Preguejando contra a criação divina, corri pro banheiro. Me lavei mais ou menos, sai pulando do chuveiro pelado pra me arrumar. O tempo corria contra mim, e a merda estava apenas me atrapalhando.

Na saída do banheiro e com os pés molhados, escorreguei mais uma vez. Não cheguei a ir ao chão, mas no desespero de buscar um apoio, meti a mão esquerda na parede. Meus dedos estão doendo até agora.

Vesti-me de qualquer jeito… aliás, não me vesti: joguei roupas no corpo. Minha indefectível camiseta do Slipknot estava (aliás, ainda está) pelo avesso. Feito isso, sai correndo. Ao chegar no térreo, lembrei que não havia trancado a porta do apartamento. A essa altura meus óculos já estavam embaçando de raiva; parecia que o próprio destino queria impedir minha ida à escola, e para tanto apelando até mesmo pra funções biológicas caninas.

Corri para a parada de ônibus, apenas para ver o Central Park #5, o ônibus que eu deveria pegar, saindo. Bufando inconformado e sabendo que o próximo só passaria em meia hora, decido entrar no primeiro ônibus que aparecesse e transferir para qualquer outro que passasse próximo à escola.

Entro num Ritson, cujo motorista garantiu que me levaria até a parada do Rossland. Este último me levaria até a escola.

O problema do plano é que eu não sabia onde era a avenida Rossland, e então pedi ao motorista que me avisasse quando chegássemos lá. Acontece que o filho da puta, distraído conversando com um passageiro, acabou esquecendo de me avisar. E só foi me falar pra descer TRÊS PARADAS após a tal avenida.

Lá vai o Kid descer da porra do coletivo e caminhar, embaixo de neve, até a Rossland. E adivinhou quem previu que o ônibus estava saindo logo em seguida. Os horários de ônibus aqui são todos metodicamente programados; um ônibus sempre passa minutos após o anterior. Se eu tivesse saltado na parada certa, estaria a caminho da escola. Deus, seu filho da puta, da próxima vez venha sozinho ao invés de mandar merda de cachorro e motoristas imbecis.

Então eu estava na parada, embaixo de neve, semi-coberto de merda de cachorro - o banho de cinco minutos não resolveu o problema do cheiro - , e esperando o próximo ônibus. Eu quero dizer, meu dia já tinha sido muito divertido até então, mas nada como esperar QUARENTA E CINCO MINUTOS EMBAIXO DE NEVE E VENTO A DOZE GRAUS CENTÍGRADOS NEGATIVOS. Em um momento tive a impressão que minha orelha tinha congelado e caído, mas estava com medo de tirar as mãos dos bolsos pra verificar e perder os dedos também.

Finalmente o ônibus chegou. A essa altura do campeonato eu já havia perdido a primeira prova, a de Healthcare. Foda-se, pensei, ao menos chego a tempo de entregar os summatives (trabalhos que valem a nota final) das outras matérias. Que eu, como bom brasileiro, tinha terminado na última hora, e imprimido na noite anterior.

Subi no ônibus (leia ao contrário e essa frase continuará a mesma ). Ao puxar a carteira do bolso, eu CONSEGUI a proeza de derruba-la. Segurei pela corrente, mas a carteira abriu-se e minha única cédula, uma de cinco dólares, voou pra fora do coletivo.

Eu já não conseguia mais acreditar. Paguei a porra da passagem e fui sentar no fundão do ônibus.

Mas veja só você como o Quide é sortudo: justo hoje, JUSTO HOJE, o itinerário do Rossland mudou. Ele não vai mais pro Oshawa Centre (não é erro de digitação, “centre” é “center” em inglês canadense). Tive que descer em outra parada e pagar um terceiro ônibus, o Stevenson, que felizmente menos desgraçadamente me levou à escola sem maiores sobressaltos.

Conforme eu já havia predito, a prova de Healthcare já tinha sido aplicada. Tomei um belo zero. Sem muito o que poder fazer, dirigi-me as próxima aula, World History e Man and Society.

Não haveria aula hoje, deveríamos apenas entregar os summatives. O professor chega à minha cadeira com a prancheta, anotando nomes dos alunos que entregaram os trabalhos. Meto a mão na mochila, mas ela volta vazia.

Os trabalhos estavam na minha impressora, no apartamento.

Não houve conversa. O professor marcou mais dois sensacionais zeros no meu currículo, um pra cada summative que eu me omiti de entregar.

A frustração tomou conta de cada centímetro do meu ser. Porra, fazer trabalho já é uma encheção de saco, e eu os fiz pra nada?

Na hora do almoço, derrubei as três fatias de pizza que comprei no refeitório, quando tropecei no cabo do fone de ouvido do mp3 que insiste em ficar preso embaixo do meu joelho. O aparelho saltou pra fora do bolso, e ao atingir o chão, cospiu o SD card recém comprado a quase três metros de distância. Felizmente não precisei cometer suicídio ali mesmo, pois o aparelho ainda funciona (ou pelo menos tá funcionando até agora).

Quase chorando, me dirigi para a última aula do dia, Business and Life Administration (a.k.a. “Everyday Math”). O summative estava na minha mochila, mas apenas parcialmente terminado. A professora deu-nos uma hora para termina-lo.

Eu já estava imaginando que algum infortúnio aconteceria. Sei lá, do jeito que o dia estava se desdobrando, eu não me surpreenderia se uma rajada de vento jogasse meu trabalho pela janela e eu, na ânsia de capturá-lo, acabaria sendo atropelado no meio da rua por um snowplow - os caminhões que “varrem” a neve da rua.

Mas nada aconteceu. Com ajuda do meu celular, terminei todos os cálculos do negócio. Entreguei o trabalho à professora, recolhi minhas tralhas e me dirigi à saída, colocando o celular no bolso.

Ou eu achava que tinha colocado no bolso. Meia hora depois, eu estava de volta à sala, procurando o celular desesperadamente. Ele simplesmente sumiu. Claro, eu só fui perceber disso quando já tinha caminhado até a parada de ônibus, e perdido o primeiro coletivo.

Na sala do Andy Darkis, o diretor da escola, eu estava inconsolável. Ligaram para o celular, mas o troço apenas chamava por duas vezes e então dava sinal de ocupado - o que poderia significar que alguém estava usando-o. Voltei pra casa destruído moralmente, com três zeros no currículo. com resquícios de merda de cachorro nas costas e sem celular. Era meu último dia de aula (o período acaba antes do Holiday Break e volta em janeiro), minha sorte resolveu tirar férias antes.

O que é melhor, eu deixo pra perder meu celular logo no último dia de aula, quando os vagabundos da escola saem pelos portões pela última vez pra nunca mais voltar (e levando meu aparelho telefônico).

Mas não foi de todo ruim. Ao menos roubei um exemplar de Senhor dos Anéis da biblioteca da escola.

Quem de vocês filhos da puta jogou essa macumba braba?


Escrito por Kid on Dec 8, 2004

Tem alguém que tá enchendo o saco nos comentários do post dos mórmons. Eu ia deixar passar, mas tá TÃO engraçado, mas TÃO engraçado, que seria uma sacanagem não dividir com vocês.

“você falou com tanta indignação sobre a historinha dos caras que até parece que isso é incomum no mundo das religiões, e não é. só tô falando que TODAS as religiões que eu conheço são assim, e TODAS são absurdas… então criticar a historia de uma ESPECIFICAMENTE É MUITO redundante, como se houvesse algum delirio religioso mais “coerente” que o outro.”

mayknox

Em outras palavras: não posso falar mal de uma religião, porque - na sagrada opinião da senhorita leitora - existem outras “menos coerentes”. Tá bom.

Eu tava na escola quando respondi esse comentário, então não se espantem com a falta de acentuação.

“Entao eu soh posso falar mal de uma religiao se eu estiver falando mal de TODAS ao mesmo tempo? Nao fode, dotora. Eu estava apenas sendo especifico, e nao ha nenhum mal nisso.

(Pelo contrario, ser generalizador demais eh que nao cai muito bem)

Partido dessa sua logica eu nao poderia falar mal de um game de computador, afinal, existem outros tambem ruins. Nao poderia criticar um amigo meu, pois existem outros piores. Em suma, nao poderia falar nada de ninguem, afinal, sempre tem alguem mais podre. Sempre que eu quiser criticar alguma coisa, terei que falar de todo o conjunto da obra?

Se eu fosse cristao e estivesse desmerecendo uma outra feh, vah lah, sua critica faria sentido.

E finalmente, voce tah levando meu post a serio por que?”

Kid

Eu achava que depois desse post teria ficado muito claro a falha argumentativa. Se eu entendi bem - e suponho que não entendi, pois quero dar um voto de confiança à menina - ela está me criticando por apontar absurdos em uma determinada crença. Segundo ela, não posso fazer isso, pois existem outras “menos coerentes“.

Em outras palavras, jamais fale mal de coisa alguma, pois deve existir por aí algo pior, e esse algo pior automaticamente tira seu direito constitucional de liberdade de expressão.

(Vamos ignorar o fato de que ela está se auto-afirmando a juíza para decidir o que é mais ou menos coerente no campo das religiões - tá, o mórmonismo é ridículo, mas você considera outra crença “mais ridícula”? Por que? Você já parou pra pensar que eu posso não achar o mesmo? Por que eu tenho que concordar com você? -, e vamos nos ater aos fatos menos óbvios. Antes de mandar mais alguns perdigotos pseudo-racionais (que não li por ter coisas mais importantes como fazer, como pentear o cabelo. Mas pessoalmente interpretei como “síndrome de não conseguir ficar calada mesmo após ter falado merda publicamente“), mayknox manda essa:

“1 - kid, pelo amor de deus… faça-me o favor. não quer entender não entende, mas não fica falando bosta como se eu tivesse dito algo ao menos parecido com o que você deu a entender. é OBVIO que no seu post você deixa MUITO claro que acha a religião X um absurdo, independende do que for a sua crença, em comparação as outras. NEM VEM QUE NÃO TEM, porra.”

mayknox

Essa me surpreendeu, não vou mentir.

Mas ok amiguinha, já que é TÃO ÓBVIO, faz um favor: me mostra no texto onde eu fiz essa tal comparação, que eu te dou a senha do HBD. Mando pro seu e-mail junto com uma conta do Gmail, olha que promoção bacana.

Sério. Mostraí. Fiquei curioso agora. Não é todo dia que alguém acha uma mensagem escondida num texto meu.

Ou faça um curso de interpretação de texto, o que for mais conveniente.

É brincadeira. A menina quer me fazer acreditar que eu falei algo que eu NÃO FALEI. É uma garota de fé.

Será que é difícil perceber que eu não comparei mormonismo com religião nenhuma, apenas analisei com o velho bom senso detector de lorotas?

Isso me lembrou uma ocasião em que estávamos eu e um amigo num quarto jogando videogame. O rapaz deu um peido, e passou o resto da tarde tentando me convencer de que eu é que tinha peidado. E o cara foi tão convincente que quase acreditei. Quem sabe se a may tivesse boas capacidades argumentativas, não teria obtido o mesmo resultado? Vou te falar, convencer uma pessoa que ela escreveu algo que ela NÃO escreveu não é pra poucos.

Sem ressentimentos, tá?


Escrito por Kid on Dec 7, 2004

O blog da Sarcástica - que agora por algum motivo inexplicável agora exige senha para abrir - já trazia há algum tempo a inscrição “Copie o que quiser, mas não se atreva a ganhar dinheiro com isso”. Ou alguma coisa assim. Eu copiaria a frase com mais fidelidade se eu pudesse entrar no site dela. Tira essa porra de senha daí, Shá.

Mas então. Apesar de ser ocasional vítima de gente sem criatividade e/ou vergonha na cara, jamais imaginei que alguém se ATREVERIA a ganhar dinheiro com um texto meu. Plágio pra preencher espaço num diarinho sem graça ainda vai, mas lucrar com essas putarias que posto aqui?! Venhamos e convenhamos, ao contrário do que meus “fãs” pensam, eu não escrevo TÃO bem assim. E pra falar a verdade, ultimamente sequer tenho me esforçado - como se não desse pra perceber. Se eu achasse que fosse possível tirar dinheiro dos meus escritos eu já estaria cobrando vocês a muito tempo. E sem dúvida estaria produzindo textos de maior qualidade.

Mas como essa internet não se cansa de me fazer dizer “puta que pariu, eu não acredito nisso“…


Clique para ver com os próprios olhos que a terra há de comer


O tal Luiz Henrique, cujo website eu já havia visitado há anos - literalmente - atrás, postou no seu espaço virtual o meu texto sobre meu celulá de pleiboi.

Plágio é um negócio interessante. Na primeira vez, a sensação é de inconformação - o fato de que alguém pegou algo que VOCÊ fez e tomou crédito por isso é tão revoltante quanto apanhar de irmão menor. Você deseja matar o plagiador com requintes de crueldade, e depois matar mais um pouco só pra ter certeza. Na segunda vez, você se revolta de novo, mas com intensidade um tanto quanto menor. Ao invés de fazer uma macumba pro plagiador, como da primeira vez, você apenas manda um e-mail desaforado. Nas terceiras, quartas, quintas e sextas vezes, um post no blog pra expor o farsante é suficiente; os impropérios dos leitores revoltados são sua vingança. Exceto, é claro, que o cara tenha copiado não apenas um, dois ou três textos, mas praticamente sua vida inteira, virando um clone virtual. Nesse caso, chutar a bagaça do indivíduo não é suficiente; você tem que tomar o site dele à força, arrancar o escalpo, erguer o tufo de cabelo no ar e dar um grito de batalha.

Voltemos ao caso mais recente. Entrando no tal site, você verá que o tal Luiz copiou meu texto sobre minha luta contra meu então recém-adquirido celular Motorola (apelidado carinhosamente “Cocôrola” por clientes não muitos satisfeitos com a qualidade do aparelho). O motivo que o levou a reproduzir esse texto em seu site, eu desconheço: o post sequer é engraçado.

E não se trata de um plágio safado filho da puta convencional, pois o sujeito não tomou crédito pelo texto. Meu mal afamado nick e meu endereço se encontram logo abaixo do post copiado. Qual o problema então, se o cara não tentou levar crédito pela autoria do post?

Simples. Patrocínio.

Eu não ganho nada pra escrever pra vocês. Nem um centavo. Há mais ou menos três anos solto textos pela internet afora, e jamais recebi um centavo sequer para isso. Já recebi propostas para tal, mas acabei recusando por saber que, no momento que escrever se tornasse uma obrigação ao invés de passatempo, eu ia perder a vontade de escrever. Além disso, ter alguém pagando pra você escrever significa menos liberdade. Pessoas que recebem por propaganda têm que se censurar; se eles vão escrever algo ofensivo, têm que olhar por cima dos ombros pra ter certeza de que não vão chatear ninguém.

Em suma, o único motivo pelo qual continuo atualizando esse site de graça é porque 1) eu tenho muito tempo livre, 2) eu gosto de (tentar) divertir os outros, e 3) ninguém me diz o que eu posso falar ou não. Perguntem aos meus pais.

Claro, há pessoas que ganham trocados com os próprios escritos. Tenho que admirar alguém que consegue, escrevendo, fazer os outros tirarem dinheiro do bolso. Nego aí não abre a carteira nem pra ajudar a família, que dirá pra ler o que eu tenho a dizer. Qualquer pessoa que seja tão bom autor a ponto de conseguir se sustentar com o hobby merece meu respeito. Mas claro, são poucos aqueles que conseguem dinheiro com a própria criatividade.

E há, claro, os que não conseguem mas tentam assim mesmo. É o caso do rapaz Luiz Henrique. Ele não tentou se fazer passar por autor do meu texto - e admiro isso - mas ele está fazendo algo que nem EU MESMO faço: ele está comercializando minhas criações. Está, indiretamente, cobrando por algo que eu fiz de graça.

Como você pode ter percebido, ele tem em seu site uma cacetada de banners. Não é difícil encontrar os banners, uma vez que eles se encontram em toda a extensão da página.

Pois bem. Os mantenedores desses banners pagam donos de websites pelo espaço de propaganda, geralmente porque as tais páginas geram um tráfego do caralho e como eles querem empurrar coisas que você não precisa comprar, então precisam de toda sorte possível. Até em blogs eles apostam, veja você. Empresas megamilionárias como o Google investindo dinheiro numa putaria que foi “inventada” por adolescentes que queriam contar pros amigos como foi seu dia; negócio de doido.

O cara que aceita enfeitar sua página com banners de patrocinadores tem que se comprometer em manter o nível de visitas. Afinal, se ninguém tá vendo a propaganda - ou clicando nos banners -, não faz sentido pagar por ela. Então é necessário postar coisas interessantes pra chamar a atenção do povo.

Há três opções para ser um sucesso de público: você pode postar fotos de mulheres peladas - que são todas basicamente a mesma coisa, só muda o cenário a cada edição da Playboy -, copiar textos alheios (dando crédito ou não) ou escrevendo o próprio material. Como todos sabemos, esse último não é algo que se vê muito por aí.

E o que aconteceu é que o cara se aproveitou de um texto meu pra preencher um espaço comercial. Num plágio convencional, o que acontece é que o pilantra quer dar uma de bom escritor pros amigos. Não que isso seja mais aceitável, mas é menos sacana do que querer ganhar dinheiro com o mesmo ato.

Como eu falei antes, não foi plágio. Não tou chateado com o cara. O que ele fez não foi igual ao que meus outros plagiadores fizeram. Mas não tem como aceitar o fato de que alguém está usando minhas gracinhas num site pago - algo que nem eu mesmo faço, e olha que estou falando das minhas próprias criações. Ok, ele me citou. E daí? Eu ganho três, quatro visitas, enquanto ele ganha dinheiro com algo que eu escrevi? Ah, não. Pera lá, pô.

A única coisa que tenho a dizer pro tal Luiz é: ô meu filho, você acha que é justo ganhar dinheiro com um site que é na verdade atualizado por outras pessoas?

Quando ver um texto meu na caixa de e-mail de amigos (e ter que convencer os amigos de que o texto era meu) já parecia ser o fim da picada, algo totalmente imprevisto acontece, me mostrando que era apenas a ponta do ferrão estava me incomodando antes.

Ainda acabo registrando essa porra de blog inteiro. Não vou ganhar nem um centavo com isso, mas ao menos posso dar uns sustos quando alguém decidir usar textos meus.


Escrito por Kid on Dec 4, 2004

[ Update ] Fama pouca é bobagem. Tou na lista dos procurados no Orkut! E criaram até boatos sobre minha morte!

Meu objetivo na vida foi atingido - ser reconhecido (e perseguido) por ser baderneiro é coisa pra poucos. Posso morrer em paz sabendo que causei comoção e trouxe a discórdia entre os mortais, e como se isso não fosse o bastante, obtive até reconhecimento. Falem bem ou mal, mas falem de mim. Haha!

…..

(Tenho uma amiga mórmon, mas como tenho certeza que ela não lê meu diarinho, não haverá problema algum em postar esse texto. Mas se ela por um acaso resolver visitar meu blog logo hoje, peço desculpas antecipadamente. Ou não.)



Veja esse pobre coitado. O que faz um cara desses sair de sua pacata cidadezinha norte-americana para se enfiar numa favelinha que parece locação do filme Cidade de Deus?

E quem aí nunca foi atormentado por um mórmon? Mentira, você foi sim. Outro dia mesmo na rua vi uma dupla de missionários perseguindo uma mulher. Ela, ao perceber a interceptação, jogou sua bolsa e celular ao chão e correu desesperada pela rua abaixo. Os mórmons partiram numa corrida desabalada em seu encalço. A mulher chegou num beco sem saída. Sem outra solução