Escrito por Kid em Dec 24, 2004

Cansei de ficar escrevendo feito um filho da puta dia após dia pra divertir a geral e só arrumar encheção de saco com isso. O negócio é ganhar dinheiro.
Como vocês podem ver, o HBD agora é um outdoor do Google. Não foi fácil tomar essa decisão. Apesar de eu nunca ter tido nada contra ganhar dinheiro por escrever - pelo contrário -, eu nunca gostei muito da idéia de RECEBER por escrever.
Como sei que interpretação de texto não é o forte de alguns aqui, deixarei mais explícito: eu não critico alguém por ganhar dinheiro escrevendo, mas é o tipo de coisa que eu preferia não fazer, por motivos que percebi recentemente que podem ser facilmente contornados: a censura, e a questão ética.
Patrocínio significa censura. Se alguém vai me pagar pra veicular propas aqui no HBD, sem dúvida eu teria que me tornar mais “comportadinho”. Que empresa gostaria de associar seu nome com alguém que compra briga com meio mundo e, na falta de gente nova pra brigar, chama Deus de filho da puta? Mudar meu estilo de escrita pra ganhar dinheiro estava definitivamente fora de questão.
Mas aí, pesquisando sobre o sistema AdSense do Google, descobri que eu poderia me submeter ao patrocínio gringo. Gringos não se importam com o conteúdo de um site se ele não é em inglês, então meus chiliques passarão despercebidos. Ao mesmo tempo, serei pago em doletas AMERICANAS que, assim como as barras de ouro do Sílvio Santos, valem mais que dinheiro.
Ou seja, eu posso continuar falando mal de todo mundo, prosseguir com as brigas, e ainda receber um cheque aqui em casa, para gastar passeando e consequentemente ter mais assuntos para atualizar o blog e provocar vocês. É unir o útil ao agradável.
A questão ética é um pouco mais complicada. Com o autor amador, sempre vi a beleza em escrever de graça. Ao “vender” meus textos, me sinto como um gigolô prostituindo minhas criações. Assim como o gerente de putas, estou comercializando algo que veio ao mundo pra nos dar alegria de graça. Assim como a antiga arte de alugar bucetas, pôr uma etiqueta de preço em cima dos meus posts me parecia algo errado demais, até mesmo pra mim.
Mas aí eu me lembrei que tou precisando um pedal pra guitarra nova que supostamente ganharei de Natal, e mandei a suposta ética tomar no cu. Eu sou o autor desta porra, ninguém mais além de mim pode dizer se meus textos podem ou não ser vendidos.
Então, mandei o formulário para o Gúgol. Recebi a aprovação hoje mesmo, e aí estão os bannerzinhos. Cada vez que alguém clica neles, eu recebo uma quantia X que pode varia dependendo do anunciante daquele link.
De acordo com as regras do serviço, você não pode pedir aos leitores de seu site para clicarem nos anúncios. Não entendo por que isso poderia ser considerado anti-ético, mas é a regra deles. “É spam“, eles disseram. “Você está gerando tráfico desnecessário pro site do patrocinador“, eles disseram. “Você não pode fazer spam pros seus leitores“, disseram. “Estamos fazendo isso apenas para limitar ao máximo quanto você ganhará com o sistema“, eles não disseram.
Tráfico desnecessário, olha a lorota. “There is no such thing as bad publicity“, já dizia o mestre.
Mas que coisa, eles se preocupam com o spam na internet. Seria bonito, se esses não fossem os mesmos que enchem nossas caixas de e-mail com propaganda não solicitada, que mudam nossas páginas iniciais pra sites de cassinos virtuais, que instalam spywares que esculhambam nosso PC, que programam pop ups parecidas com janelinhas do Internet Explorer para que você clique sem nem saber que está clicando. Forçar ou induzir o público em geral a clicar neles, beleza. Mas pedir pra um amigo seu clicar pra te ajudar é “spam“.
Como de costume, eu poderia solenemente desrespeitar essa regra. Mas resolvi “jogar certo” dessa vez. Até porque não estou afim de ser chutado do programa.
Claro, o problema de “se vender” é que coisas irônicas podem acontecer. Ontem, o banner levava a um site cristão que tinha como título “Deus te ama”. Depois do tal do Bad, Bad server: No donut for you do Orkut (que fez minha namorada morrer de rir), essa aí. Sem dúvida, o pessoal do Google tem um bom senso de humor.
O que acontece é que os banners são baseados nos assuntos dos posts. Não estranhem se, logo após eu escrever algo criticando o PS2, um banner da Sony aparecer aí em cima. Promover sem querer aquilo de que você fala mal: ossos do ofício ou apenas uma deliciosa ironia? Você decide, e eu vou contando meus centavinhos lá.
Muita gente me aconselha a escrever um livro. Bem, isso significaria que vocês teriam que pagar por uma cópia e… quero dizer, isso significaria que vocês teriam que pagar a xerox. Ao pôr anúncios aqui, vocês podem me prestigiar sem ter que ir até a gráfica da esquina. Não é uma alternativa fenomenal?
Aos reclamões: Parem de chorar. Todo mundo gosta de dinheiro, tio Quide não é diferente. Preciso de dinheiro pra comprar cuecas novas. E o banner até curou milagrosamente aquele bug do link fantasma que vocês tanto reclamavam.
E não se esqueça, Deus ama vocês.
…
A propósito, Feliz Natal, cambadinha. Comemoremos o feriado religioso nos preceitos do espírito cristão:
“E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos“
E é assim que planejo passar meu Natal: obedecendo a Deus. Quem sou eu pra contrariar tão maravilhosa regra divina? Claro, anticoncepcionais interferem um pouquinho com propósito original do mandamento mas, e daí? Não posso deixar algo tão pequeno como uma pílula atrapalhar a comemoração da data sagrada.
É isso aí, amigos. Multipliquem-se vocês também nessa data especial!
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