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Escrito por Kid em Dec 26, 2004

Rapaz, que Natal fenomenal.

Devido a minha atual falta de família (pai em São Paulo, irmão em Fortaleza, mãe e irmã na Flórida), fui celebrar a véspera na casa da patroa. O que muito me surpreendeu, pois gringos são extremamente fechados no que diz respeito a tradições familiares. Um americano não convida um estranho pra um, digamos, jantar de Ação de Graças nem que o próprio peru adquirisse vida e o mandasse convidar o cara.

Mas a família da patroa me adora, e me convidaram pra ir dormir lá. A tradição familiar dos Kinsley (que não se se é compartilhada por outros) é que as meninas - Becca só tem irmãs - passam a noite no porão, assistindo filmes, jogando vídeo games ou, no caso da patroa, me agarrando embaixo das cobertas. A namorada é uma notória ninfomaníaca, mas eu imaginei que a presença de suas irmãs deitadas no mesmo chão, à menos de dez centímetros, a faria pensar em coisas como decência. Quando lá pelas quatro da manhã ela começou a me molestar sexualmente, vi que me enganei.

Manhã de Natal. Os “sogros” descem ao porão e tiram centenas de fotos. Levantamos e fomos à sala, ver o que o Papai Noel tinha trazido para nós.

Como vocês podem ver em filmes, há uma tradição gringa - que já está sendo também incorporada no Brasil, pra variar - de encher uma meia de presentinhos e doces, e pendurar na janela, lareira, privada, enfim, qualquer local pendurável. Para a minha surpresa, havia uma meia com meu nome - o que me fez sentir muito mal, pois só comprei presente pra namorada. Os pais da Becca sorriram pra mim. Coitados, se soubessem que eu estava comendo sua filha a poucas horas atrás, a receptividade certamente seria reduzida a um valor negativo.

Abri minha meia.


Um tíque pra ir ver Islipinóte


Ingressos de frente pro show do Slipknot, dia 9 de janeiro, aberto por Killswitch Engage e uma outra banda qualquer de menos destaque. Meu primeiro show de verdade - isso é, a menos que você considere Charlie Brown Jr. uma banda de verdade.

(Pra quem VIVIA me perguntando no Brasil: “Slip”: deslizo, “knot”: nó. “Nó de deslizo”, ou, adaptando, “nó/laço de forca”. Isso, forca. Alguém aciona uma alavanquinha, o cara cai do cadafalso e o laço desliza, apertando a corda ao redor de seu infeliz pescoço. Sacou? “Slipknot”.)

Revirando a meia, achei chocolates, um gift card (uma espécie de cartão de crédito pré-pago) de 50 dólares e um barbeador novo. Pra quem até hoje só achou pés sujos dentro de suas meias, pode-se dizer que vou uma bela evolução.

Então partimos aos presentes propriamente ditos, aqueles que estavam embaixo da árvore de Natal. Novamente me senti constrangido, pois toda a família tinha comprado ao menos dois presentes pra mim, enquanto eu tinha comprado apenas UM, e apenas pra patroa. Foda-se, eles viram Cidade de Deus. Eles entendem que nós brasileiros somos pé rapados; já devem se dar por satisfeitos em saber que não estou usando a casa deles como boca de fumo.

O primeiro presente foi da namorada:


Know Your Mushrooms


Desnecessário dizer que achei a coisa mais foda da Existência. Vesti a camiseta no ato e passei o resto da manhã cantarolando a trilha sonora do jogo em Lá menor (com solos de assobio).

No punho, uma wristband com “Geek” bordado, presente da cunhada. O outro presente dela, uma corrente nova pra carteira, está invisível na foto. Ganhei suéters, uma calça nova, e algo que eu queria faz tempo pra caralho: um tabuleiro de xadrez em espelho enegrecido, com peças de vidro. Um presente multi uso: serve como entretenimento, decoração e arma indetectável em aeroportos americanos.

Como não podia deixar de ser, houve o acontecimento constrangedor natalino. Embaixo da árvore, a Becca encontrou um pacote da LaSenza (o equivalente à Marisa, aí no Brasil). Ao abrir o embrulho, ela descobre que os pais a presentearam com uma camisola rendada preta microscópica e semi-transparente.

A patroa - tarada que é - olhou pra mim imediatamente, rindo e pondo a camisola em cima do próprio corpo, como que pra ver como ficaria. Eu, com meu melhor rosto de “não olha pra mim, caralho“, envergonhadíssimo, tentava voltar a atenção para os pedaços de papel de presente espalhados no chão. Enquanto eu esperava que a menina guardasse o presentinho, a mãe dela interveio.

- Filha, isso é uma blusa.

Se eu pudesse escrever um post tão engraçado quanto a expressão na cara da patroa, eu nunca mais precisaria postar nada.


A patroa, pensando nos atos que cometeu na madrugada anterior


Após a abertura de presentes, fomos filar um rango na casa dos tios da namorada. Re-encontrei o Brent, primo nerd gamemaníaco da patroa. Esfolei seu rabinho gringo em Mortal Kombat Deadly Alliance e em Soul Calibur, enquanto discutimos sobre a influência de jogos violentos na formação de um indivíduo. Ele disse que jogos sanguinolentos diminuem a sensibilidade da criança de perceber padrões de violência, e eu o esmurrei no estômago, que foi minha forma de mostrar que discordei.

Ganhei mais presentinhos (DVDs, luvas, cachecols e outros badulaques), comi pra cacete e voltei pra casa carregando trilhões de pacotes embaixo da primeira tempestade de neve do ano. Procês terem uma idéia, hoje de manhã não havia distinção entre calçada e rua. Tudo estava embaixo de neve.

E hoje tou indo pra Toronto com ela, ela e ela. Como a câmera digital da patroa é compatível com meu SD card de 512mb, e cada foto ocupa aproximadamente 100kb, vou poder tirar cinquenta trilhões de fotos. Quando saírmos do trem, tiro mais algumas.

A propósito:



Eu vou, você não.

Alguém falou alguma coisa »

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December 16th, 2007 | 7:19 am


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5)
Falaí, rapaz

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