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Escrito por Kid em Jan 30, 2005

(Sem paciência de escrever sobre a viagem a Parrysound. Fiquem com a continuação do texto sobre o show do Slipknot. Aos que têm memória ruim, leiam o finalzinho do post original pra se situar novamente na história.)

Voltamos para o estabelecimento, apenas para ser agraciados com a notícia de que Banda Bunda já havia cessado de causar danos aos nossos ouvidos com uma série de ruídos desconexos que alguns mais ignorantes poderiam ter confundido com música.

Veio então Killswitch Engage, a segunda promessa da noite. Logo de cara, surpresa chata: Howard Jones, o vocalista, explodiu a própria garganta num atentado suicida na faixa de Gaza. O vocal daquela banda que tocava previamente, daqui em diante referida como Banda Bunda, preencheu a lacuna, porém no mesmo sentido em que você preencheria um vasilhame de ouro com merda líquida. O cara cagou em cima da ótima banda que é o Killswitch. Além disso, eles só tocaram umas cinco músicas, e como nenhuma delas era a que eu estava esperando (The End of Heartache), por mim eles poderiam nem ter se apresentado e diminuído o tempo de espera para a grande banda da noite.

Os caras do Killswitch fecharam sua performance, agradeceram a colaboração do público que foi paciente com o cantor substituto e evitou atitudes menos receptivas como subir no palco e atirar nos integrantes da banda, e se mandou. As luzes acenderam, e a turma começou a se dispersar em direção as barraquinhas de lanches. Slipknot se preparava pra subir ao palco.

E, após uma meia hora, de fato subiram. E o que antes poderia ser intitulado como “uma grande massa de pessoas participando de um show” se transformou numa verdadeira zona de guerra. Em poucos riffs de guitarra, tudo virou uma confusão do caralho.

Enquanto Corey (e eu também) se esgoelava em Duality, pessoas pulavam, corriam e caiam por todo lado. Vi gente nocauteada sendo carregada pra longe da confusão. Levei algumas porradas nos braços e ombros. Seguranças corriam pra dentro da massa de malucos tentando conter a turba de começar a se matar, mas era tarde demais.

Left Behind. A multidão simplesmente enlouqueceu. Garrafas dágua voavam, camisas voavam, casacos voavam, sapatos voavam, pessoas voavam… Parecia que a própria lei da gravidade deixou de exercer seu poder em Mississauga. Levei mais umas duas porradas na orelha. De súbito, uma mosh pit (as famigeradas Rodinhas de Porradaria) se abriu justamente EM MINHA VOLTA. Temendo pela existência dos meus filhos ainda não nascidos, sai correndo em disparada. Alguém caiu aos meus pés e foi pisoteado pela turba louca. E então começou o crowd surfing.

Pra quem não sabe, crowd surfing é o esporte - e porque não chamar de arte - milenar de ser carregado pela multidão em um show. Crowd surfing, juntamente com desativar bombas e retirar dinheiro em um caixa eletrônico no Brasil, é uma das atividades mais perigosas e imprevisíveis que a humanidade conseguiu praticar sem levar-se a extinção prematura. Muito mudou desde a Idade Média, a época em que esse perigoso esporte surgiu (embora na época ser carregado por uma multidão não era conhecido como “crowd surfing” mas como “preparação para linchamento”), mas a essência é a mesma.

Há apenas um requerimento para o bom andamento de um crowd surfing, e infelizmente não depende do crowd surfista: todos os surfados (aqueles que estão levando o surfistas) devem sempre joga-lo na direção de potenciais surfados. O pré-requisito para ser surfado é apenas um: você deve estar voltado para a direção de onde o crowd surfista está vindo. Se você está de costas para ele, você não estará preparado para segurar um maluco de 80 kilos acima da sua cabeça, e muito provavelmente alguém vai se foder.

Para ilustrar as possibilidades que um crowd surfista enfrenta, eis alguns GIFs animados de minha autoria:



Acompanhem essa animação computadorizada - essa é a beleza da internet, que entre outras coisas permite a você chamar um gif animado com frames desenhados no MS Paint de “animação computadorizada” sem o menor peso na consciência. Nela, todos os participantes estão voltados para a mesma direção, garantindo que todos aproveitaram a brincadeira e ao mesmo tempo diminuindo drasticamente as chances de alguém sair da brincadeira com um olho perfurado ou braço quebrado.



O que vocês vêem acima é o resultado de uma má preparação dos atletas. Os quatro bonecos palitos da direita estavam atentos ao surfista e portanto desempenharam seu papel com eficácia e maestria. Já os dois da esquerda têm um problema no cromossomo 23 e por isso preferiram prestar mais atenção no show do que no maluco que pairava sobre suas cabeças segundos antes. Nunca cometa tal erro, você se arrisca a transformar-se numa mancha de pixels vermelhos.

E foi o que quase aconteceu comigo e a patroa. Por causa de um empurrão que recebi, me voltei pra trás pra dar um safanão no empurrador. Para o meu espanto, vi a alguns metros um punk que vencia a gravidade e era levado à nossa direção numa velocidade que provocaria inveja em um F-22. Num momento decisivo, puxei a patroa pro lado. O punk voador estatelou-se no chão a menos de um metro dos meus pés. Eu até pensei em ajuda-lo a levantar-se, mas a multidão fechou-se em volta dele, fagocitando-o em menos de 2 milésimos de segundo.

E esse foi o show. Gente voando, gritando, caindo, desmaiando e sendo levada pra fora.

Ah, e a patroa me deu essa camiseta do Slipknot:

(Ao colocar a camiseta no guarda-roupa no dia seguinte, percebi curioso que todas as minhas camisetas de bandas de rock foram presentes de namoradas).

Enfim, foi formidabilíssimo. Tou juntando uma grana pra ver se compro o ingresso pro Taste of Chaos, uma turnê com The Used, Killswitch Engage e diversas bandas de importância secundária com as quais ninguém se importa.

Alguém falou alguma coisa »

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December 16th, 2007 | 7:28 am


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5)
Falaí, rapaz

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