Escrito por Kid on Feb 26, 2005
Clássicos dos velhos tempos ou Não perguntei se você já leu
Oh, os tempos de internet discada… Em que belo mundo vivíamos, não? A internet lenta nos educava de uma forma que nunca saberemos valorizar, ou que muitos sequer conhecerão. Agora que todo mundo tem ADSL, internet a cabo, a rádio, a microondas e fogão, já tá tudo fudido.
No meu tempo, não tinha esse negócio de passar o dia inteiro conectado. Internet era um luxo que nos dávamos apenas nos fins de semana, ou durante as madrugadas. Graças a essa prática, eu aprendi o significado do pulso único, decorei todos os feriados nacionais do nosso calendário e descobri técnicas formidáveis para se manter acordado até a meia noite, horário da internetagem liberada. Hoje em dia o moleque mal liga o PC e, antes de ouvir o barulhinho de boas vindas do Ruíndows, já tá conectado, checandos e-mails, lendo comentários do blog e arrumando confusão numa comunidade do Orkut.
Não existia Google. Nós tínhamos que usar o Cadê, ou no máximo, o Yahoo!, que se somados e elevados à decima terceira potência não chegariam nem aos pés do sensacional banco de dados do deus dos sistemas buscas da internet atual. Se eu quisesse saber qual a capital da Guatemala ou a população do Turcomenistão, tinha que ESTUDAR. Tinha que pegar um ônibus, ir à biblioteca e garimpar entre os quinhentos milhões de livros um que pudesse tirar minha dúvida inútil. Ainda que preferíssemos pesquisar na internet, as duas horas que os resultados da busca demoravam para aparecer já eram suficientes para que desistíssemos daquele negócio de procurar respostas na internet e fôssemos fazer algo de mais valia.

Bate papo sem frescuras
Programinhas de bate-papo com opções como webcam, conversa por áudio, conferência, joguinhos e outras farofagens? Porra nenhuma. Tínhamos IRC, que servia exclusivamente pra teclar (e trocar pornografia, mas isso não vem ao caso).
Naquele tempo se exercitava a escrita. Hoje em dia não se tecla, a comunicação é feita inteiramente por smiles do MSN. Veja como esses emoticons substituem com facilidade sentenças inteiras:
= “Oi, tudo bom? Vi uma foto sua em algum site por aí e te adicionei na esperança que um dia você libere pra mim“
= “Caralho, você é bicha mesmo? Achei que era brincadeira do pessoal!”
= “Sabe como é, isso nunca tinha acontecido antes. Da próxima vez eu juro que me concentro mais…”
= “Sei não, ein. Da última vez você foi embora sem pagar e eu me fodi.”
= “Você é interessante pra caralho.”
Não, não. Nada de imagenzinhas. A gente usava dois pontos e um parêntese. Essa era a nossa cara de feliz.
Sites eram objetos de status internéticos. Dizer “eu tenho um sáite, sabe” era o equivalente atual de “tou com CounterStrike e um Cd key original, e não te dou“. Você era até mesmo invejado. Se você conseguisse colocar um contador de visitas ou um guestbook, então!

Um belo trabalho de webdesign primitivo
Quem tinha um website era considerado O HACKER DA TURMA, ainda que linguagem HTML pouco – ou nada – tivesse a ver com atividades haxors. Vale lembrar que, naquele tempo, hacker não era quem invadia seu computador. Era aquele cara que sabia o básico sobre um, como desmonta-lo e faze-lo funcionar de novo.
Web design não havia sido inventado. O cara pegava um CD com cliparts e gifs animados toscos, apanhava para um editor de html paleozóico, arrumava um espacinho de uns cinco megas no Xoom, GeoCities ou StarMedia e colocava no ar uma página sem conteúdo algum, milhares de bugs e o indefectível “e-mail para contato”. Sim, nossa inocência nos fazia acreditar que um desconhecido qualquer visitaria aquela porcaria e ainda sentiria vontade de mandar um e-mail pra gente.
Mas naquele tempo, nós SABÍAMOS fazer páginas. Não existiam template shops com códigos pra gente copiar e colar. Hoje em dia até cachorros têm blogs, idosas viram modelos e não mandamos e-mails nem pras nossas próprias mães em seus aniversários.
Baixar vídeo de mulher pelada?! Impraticável. Não existia Kazaa, Emule ou similares antros de p2p (punheteiro to punheteiro). No máximo, nos satisfazíamos com um arquivo zipado com 20 fotos de amadoras, enviado por um amigo no IRC, que supostamente seriam de alguma ^-^LaNiZiNhA^-^ e suas amigas – de nicks igualmente toscos – , todas frequentadoras do canal #rio_de_janeiro. Não havia diversidade: eram sempre as mesmas fotos de meninas barrigudas, feias e peladas no box de um banheiro de alguma casa de praia. E entre as “modelos”, sempre tinha aquela que, segundo seu amigo, já foi comida por ele. Ou talvez uma amiga dela, porque ele sempre se confundia e apontava outra dizendo que as duas “eram muito parecidas”.
Com o advento da internet rápida pra caralho, qualquer um consegue achar e baixar filmes que vão desde um inocente strip tease incompleto até um vídeo de cinquenta minutos estrelando uma mulher cagando na boca de um cara que está sendo ao mesmo tempo sodomizado por um cavalo. Ou seja, todos esses doentes sexuais aí afora encontram a realização de suas fantasias profanas na grande rede mundial.

O melhor programa de digitação do mundo
E o que dizer dos jogos online?! A internet lenta me fez aprender sobre hardware e software, me fazendo preferir apenas jogos fuleiros, de gráficos asquerosos e que ninguém queria jogar mesmo, mas que eram os únicos que rodavam numa internet de 36,600 kbps. A baixa taxa de transferência da conexão não permitia o uso de programas de comunicação por áudio, então tínhamos que digitar todas as mensagens. Você tem idéia de quanto é difícil mirar a arma laser, digitar “toma essa, seu n00b fela da puta!“, voltar as mãos ao mouse e mandar um tiro na cabeça do n00b fela da puta em questão? Isso exigia uma coordenação motora impressionante. Minha invejável abildade de dijitação – totallmeent perfeita e sem erros ortógráficos, perçeba – veio daquelas noites de partidas intermináveis de Quake num servidor vagabundo da Uol.
A jogatina online nos tempos de internet discada exercitava até mesmo nossos dons premonitórios: por causa do lag, tínhamos que adivinhar onde o inimigo estaria dali a cinco segundos. Então, atirávamos naquele ponto, esperando que nossa previsão fosse correta. Era quase como brincar de queimada com olhos vendados, com a única diferença que você empunhava uma bazuca e seu inimigo não era o vizinho menor, e sim algum miserável nerd americano.
Falando em miseráveis nerds americanos, quem não teve um desses como o primeiro contato no ICQ? Internet ainda não era uma coisa muito popular. Era raro conhecer algum amigo que também acessasse, então você tinha que se virar com seus parcos conhecimentos da língua inglesa pra arrumar amiguinhos virtuais de outros continentes. Isso, além de te dar prática na língua estrangeira, expandia seus horizontes sociais, o colocava em contato com a cultura mundial e um monte de outras coisas bacanas. Já hoje em dia, um chat no MSN contém exatamente as mesmas pessoas que você já vê todo dia na escola.
Esses guris de hoje em dia não sabem porra nenhuma, pois receberam tudo nas mãos. Eles nunca saberão a emoção de ouvir o barulhinho do modem após cinquenta e duas tentativas frustradas de conexão. O mundo gira rápido para eles, que estão montados em conexões Velox de duzencinquenteisseis cabáites. Morreu a internet arte.
Progresso é o caralho. Vou instalar um modem dial up aqui nessa porra. N00bs de Quake, eu voltei!
Dessa vez não é preguiça. Tou com uns três ou quatro textos pela metade, esperando serem terminados, mas estive com pouco ou nenhum tempo disponível nesse fim de semana. Normalmente eu arrumaria um tempo extra de alguma forma e publicaria algo inédito, mas como vocês não estão cumprindo sua parte do acordo, fica um texto recauchutado mesmo. No futuro explicarei o que roubou meu tempo dessa forma.
Escrito por Kid on Feb 23, 2005
(Finalizando o post sobre a viagem de esqui paga pela escola. Ô escola boa, puta que pariu.)
Acidentes? Claro! Não seria uma ski trip se ao menos uma pessoa não tivesse voltado pra casa com um pé quebrado.
Esqui é um esporte radical, e obviamente o preço de toda essa radicalidade foi a falta de consideração com segurança. Em 1999 o Ministério da Saúde do Canadá entrevistou dez mil esquiadores e chegou a uma estarrecedora conclusão: um em cada três esquiadores já caiu em cima dos outros dois. Não é raro ver notícias de mortes associadas ao esporte; ontem mesmo um homem deu um tiro na cabeça usando esquis, o que serviu pra aumentar a lista das tragédias envolvendo a atividade. Esqui é considerado pela Organização Mundial de Saúde o terceiro esporte mais perigoso do mundo, logo atrás de pular de paraquedas sem paraquedas e pegar dardos com a boca.
Caí um bocado de vezes, mas felizmente não sofri nada muito grave. Houve, no entanto, situações memoráveis (das quais escapei ileso). Em um determinado momento atropelei um garoto que se materializou sem aviso na minha frente, bem no finzinho de uma das colinas. A batida foi uma das coisas mais intensas e emocionantes que já experimentei na vida. Nos momentos imediatamente anteriores à porrada, cerrei os dentes com força e joguei os poles pra trás, pra tentar reduzir a quantidade de metal envolvido na cacetada. Gritei pro moleque se segurar – algo que eu sabia ser fútil, mas não custa tentar -, já que eu não tinha mesmo como parar, e coloquei os braços na frente da cara pra proteger o óculos e mandei ver.
O molequinho imbecil que achou que poderia passar na minha frente (a despeito do fato que eu me movia pelo menos trinta vezes mais rápido que ele, ou seja, o pivete jamais conseguiria atravessar a colina sem ser interceptado por mim) levou uma brasileirada no meio da barriga. Nos enroscamos numa bola de pernas e braços e rolamos por uns dois metros de distância do ponto de impacto. Por algum tipo de milagre dos santos do esqui, nem eu nem ele nos machucamos. Isso surpreendeu tanto aos que testemunharam a cacetada quanto a mim: a força do impacto foi sucifiente pra arrancar um dos esquis do meu pé, mas no entanto não provocou sequer um arranhão.
Todavia, alguns não foram tão sortudos como eu. Vi uma porção de acidentes violentos na neve; curiosamente, o grau de violência andava lado a lado com a comicidade dos tais acidentes. Achei que isso tivesse algo a ver com meu prazer em assistir gente se fodendo com requintes de boniteza, mas talvez isso seja uma análise precipitada. Um estudo mais profundo provavelmente revelaria que acidentes são inerentemente engraçados, e que eu não sou de forma alguma culpado por cair no chão rindo quando alguém se enfia de cara num muro de concreto na minha frente.
Um dos esquiadores saiu da trilha – o que acontece com uma assustadora frequência -, e tentou provar que a física estava errada ocupando o mesmo lugar que uma árvore. As leis naturais encarregaram-se de dar ao esquiador a dolorosa lição de que cada cacetada tem uma reação igual em intensidade e em direção diferente. Ou de maior intensidade que coloca os ossos em direções diferentes, esqueci o enunciado exato.
Em miúdos: a porra toda foi legal pra caralho. Some a emoção provocada pelas altas velocidade à diversão acompanhada por testemunhar as cacetadas em primeira mão, e eleve ao fato de que foi tudo de graça e você terá uma idéia aproximada do dia incomparável que aquilo foi. Apesar de que seja um desafio à sorte e que isso nunca seja uma atitude inteligente, espero voltar aos esquis em breve
Ah, e quando voltei ao saguão minhas tralhas (mp3 e palm pilot) estavam no mesmo cantinho, intocadas. Aliás, intocadas não: a mochila tinha sido movida de lugar pois eu supostamente a deixei numa área inadequada. Entretanto, o conteúdo da mochila estava incólume. É curioso pensar no outro lado deste espectro: quando meu pai esteve no Brasil, deixou o notebook no chão por TRÊS segundos pra entregar o cartão de embarque no guichê da compania aérea, e esse foi o tempo mais do que suficiente pra que algum paulista safado surrupiasse sua maleta com o computador portátil, papéis do casório, moedinhas de cinquenta centavos e alguma hipotética revista de sacanagem que meu pai carregasse lá dentro.
Vou te contar. Não me levem a mal e nem venham com frescurinhas, mas não tem como não falar a verdade: a cada momento que passo aqui fora, diminui a vontade de voltar pro Brasil.
(Exceto, é claro, pra visitar certas pessoas…)
Escrito por Kid on Feb 21, 2005

Há um tempão atrás, combinei com ele que deixaríamos o cabelo crescer. Ele, tendo mais dinheiro que eu na época, alisou, relaxou, sei lá o que diabo ele fez. Pobre coitado e recebendo apenas cliques em banners (aliás, na época nem isso), deixei meu cabelo crescer à la vonté, sem interferir na sua natureza e confiando simplesmente na sorte.
Não sei se ele continuou com o pacto. Mas eu, apostando na melhoria, fiz um voto de honra: jamais pisaria novamente num salão de cabelereiro. Ou ao menos, até o cabelo atingir o nível desejado.
E foi uma desgraça. Nos estágios medianos entre cabelo curto – cabelo comprido, a juba adquire um formato levemente arredondado, conhecido popularmente em escolas por aí (ou ao menos as que frequentei) como “jéquiçon fáive”, o que era uma alusão ao grupinho musical do rei do pop na época quando ele tinha a idade das criancinhas que come hoje e ainda era preto.
Foi um período foda. Sair com aquilo à mostra era impraticável, então eu usava um boné o tempo todo, imaginando como valeria a pena quando essa porra tivesse grande o bastante. Perseverante (e por muitíssima preguiça de procurar um cabelereiro), fui deixando o matagal na minha cabeça expandir-se até onde a vista alcançasse. Hoje, uns oito meses (e vinte centímetros capitalares) depois, os resultados desejados aparecem.
Em retrospecto, valeu a pena. Mas cabe aqui uma listinha com vantagens e desvantagens dos dois estilos, para encorajar – porém conscientizar – aqueles que estejam pensando em seguir o duro caminho.
Cabelo Curto
Com menos cabelo, você não precisa se preocupar em arrumar, pentear, pôr pra cima, pro lado, nada disso. Dê aquela passada com a mão e pronto: sua cabeleira está pronta pra qualquer ocasião. Gel é desnecessário, uma vez que água ou cuspe têm as mesmas propriedades fixantes e custam consideravelmente menos.
Cabelos curtos são mais fáceis de lavar. Aliás, cabelo curto o isenta de gastar dinheiro com supérfluos como shampoo. Bote a cabeça embaixo da pia, jogue um pouco de pasta de dente (pra aromatizar e matar as cáries), enxágue e enxugue com uma toalha de rosto. Funcionou comigo por anos. Pense em quanto dinheiro você economizará usando dentifrício barato ao invés de shampoos e condicionadores caros.
Cabelos curtos não exigem meses pra ficar no ponto desejado, portanto tornando você incólume aos conhecidos efeitos colaterais da espera do crescimento capilar (entre os quais posso citar “parecer com o Bozo“, o que o impedirá de sair na rua sem usar algo cobrindo a cabeça). Se você é impaciente ou se preocupa com coisas de pouca importância como aparência pessoal ou auto-estima, cabelo curto é a sua escolha!
O que você economizará cuspindo no cabelo e lavando-o com pasta de dente será refletido na hora de corta-lo: as taxas de cabelereiros balancearão a equação, impedindo que meses de maus tratos por questões econômicas o transformem em um milionário. Dependendo de quanto o seu cabelo cresce (o meu cresce consideravelmente rápido), as visitas ao barbeiro da esquina podem se tornar frequentes, e seu bolso consequentemente vazio.
Cabelo curto é sem graça. Todo mundo usa.
Cabelo comprido
A vantagem de ter cabelão é poder fazer o que der na telha com ele. Deixar pra baixo, prender pra cima, partir no meio, pentear pro lado… as opções são inúmeras, e prenderão você na frente do espelho por pelo menos o triplo do tempo antes necessário.
Cabelos compridos são um pré-requisito para headbanging. Tente chacoalhar a cabeça ao som de Three Nil com cabelos curtos. Não tem a menor atitude. Agora, tente fazer o mesmo um ano após sua última viagem ao cabelereiro…
A mulherada prefere. Fato praticamente incontestável (e muito motivador). É um negócio que me confunde, pra falar a verdade. Sempre ouvi falar que mulheres gostam de impressões de masculinidade e coisa e tal (há explicações biológicas mas a) seria um post muito longo se eu fosse explicar b) sei que você não se importam com isso), e cabelo comprido age em dimetral oposição a isso, deixando você mais parecido com uma garota. Bah, vai entender as mulheres…
Cabelos compridos exigirão, jogando por baixo numa estimativa otimista, cinquenta e três milhões de vezes mais cuidados que cabelos curtos. A menos que você seja um camelo egípcio, dificilmente haverá cuspe suficiente pra dar conta de uma cabeleira de meses.
Caspa. Por causa do volume que a cabeleira atinge e outros fatores que desconheço e ao mesmo tempo não tenho o mínimo interesse em descobrir, cabelos compridos provocam muito mais caspa que cabelos curtos. Não apenas você terá que comprar shampoos, mas shampoos específicos para acabar com essa desgraça na sua cabeça.
Sabe quando sua namorada tá deitada em cima de você, se apoiando com os cotovelos próximos aos seus ombros? Poisé. Ela SEMPRE aterrissará os cotovelos em cima do seu cabelo. Aí o telefone toca/o irmão grita/o MSN chama/alguém bate na porta e você levanta duma vez pra atender, inadvertidamente arrancando metade dos seus cabelos, enquanto a miserável pede desculpas um milhão de vezes. No meu caso é ainda mais frustrante, pois minha namorada tem cabelo mais curto que o meu, impossibilitando uma vingança.
Ah, sim: caspa, quando cai no olho, arde como o demônio segurando uma cruz encharcada com ácido.
Você só terá o prazer de experimentar essas e outras incríveis descobertas quando tiver cabelos compridos. Embora em retrospecto, parece até que ganhei mais desvantagens que vantagens por causa do cabelão.
Vou raspar essa porra.
[ Update diretamente da aula de Antropologia ] Haha, que ele era hipocrita eu ja sabia. Mas que era aproveitador, isso eh novidade pra mim.
Resumo da opera: o Guaxinim, um amigo do Eduardo, aprontou uma baguncinha com sua comunidade de Friends no orkut. Os membros da comunidade, que nao sacaram que era uma zoacao, ficaram furiosos. Guaxinim, que eh o autor da malandragem, postou explicacoes em seu proprio blog. E o que o Eduardo fez? Abriu um topico na comunidade oferecendo as vitimas da brincadeira a elucidacao da molecagem.
Ao clicar no link pras supostas explicacoes, o incauto internauta era levado para o blog do Eduardo, que tem a distinta caracterista de nao explicar porra nenhuma sobre o caso. Havia no post do topo apenas um link para o blog do Guaxinim, onde esta a verdadeira explicacao.
Ou seja, ele abriu um topico oportunista para fazer spam do proprio blog com propaganda enganosa. Isso deve ser algum tipo de recorde de safadeza, eu se fosse ele jah tava ligando pra redacao do Guinness Book. Eduardo e seu desespero em arrebanhar visitas (um comportamento um tanto estranho pra alguem que dizia nao ligar pra isso) rivalizou em pilantragem com gente de peso como Edir Macedo, Joao Cleber e aquela gente que vende carros usados.
Quando confrontado sobre a presepada, ele apenas chilicou e desconversou. Nao que eu esperasse resposta. Soh queria dar a ele a certeza de que a usurpada seria notada e exposta. Afinal, nada mais legal que pegar gente safada no pulo.
Hohohohoho. Corram antes que ele apague o topico.
[ Novo Update ] Eduardo peidou na farofa e pediu pro dono da comunidade apagar meus posts (embora tenha permanecido o spam-propaganda-enganosa.
Eh a ultima vez que puxo encrenca com gente medrosa, juro :(
Escrito por Kid on Feb 20, 2005
Caso vocês tenham esquecido, o trato ainda tá valendo.
Escrito por Kid on Feb 17, 2005
(No episódio anterior, eu havia passado raspando em uma dupla de menininhas que sequer sabiam de onde eu estava vindo. Essa quase-colisão foi apenas o prenúncio do que aconteceria…)
Há dois tipos de neve, powder snow e packing snow. A primeira é a neve recém caída, ainda fofinha, não tocada por esquis os snowboards. Essa é a neve ideal para novatos porque, além de mais macia, ela causa mais atrito, que é aquela coisa que impede você de sair voando colina abaixo mais rápido que uma Ferrari com gasolina aditivada. Já a segunda é aquele tipo de neve porcaria que sobra após as Olimpíadas de Inverno. Vítima da pressão que os corpos gordos dos esquiadores promovem, a neve derrete. O clima ártico da montanha acaba por congelar a água novamente. Porém, ao invés de flocos, temos agora longas camadas de gelo.
E gelo, como todos sabemos, não causa atrito NENHUM.
Então, como se eu já não estivesse indo rápido o bastante após ter quase colidido com as duas menininhas, o gelo me arremessou pra frente com mais velocidade ainda. Nem que Jesus Cristo num F-22 poderia mais me alcançar. O gelo fica todo arrebentado por causa das prévias esquiadas, então passar por ele foi o equivalente a andar de patins num ralador de queijo. As imperfeições no gelo fizeram os esquis chacoalhar assustadoramente, e num momento tive a impressão de que eles estavam indo em direções opostas. Fiz um esforço hercúleo e trouxe-os de volta à forma paralela.
Um pouco à frente estavam meus amigos da escola. Este ponto era o mais rápido de toda a trilha. Como eu estava indo durante todo o trajeto “em paralelas”, ou seja, sem cruzar os esquis, eu estava indo pelo menos umas três vezes mais rápido do que todo o resto da galera. Vi-os tornarem-se cada vez mais próximos. Os miseráveis estavam indo mais ou menos na mesma velocidade, formando uma espécie de fila lateral bloqueando cada centímetro esquiável da trilha. Pra mim, é como se eles estivessem parados no meio da porra da trilha. Uma parede de canadenses esperando para que um brasileiro se arremessasse nela.
O desesperto de estar se movimentando àquela velocidade logo atrás de um monte de gente que sequer sabia que eu estava ali foi inigualável. Qualquer um que já desceu de patins ou skate uma ladeira muito íngreme e comprida e percebeu que havia alguém atravessando a rua lá na frente sabe do que estou falando. Sabendo que ia cair de qualquer jeito e que nada poderia ser mais embaraçoso (e doloroso), comecei a berrar desesperadamente.

Os canadenses ouviram meus berros e perceberam o que ia acontecer. A coisa toda não durou mais que cinco segundos, mas pareceu uma eternidade.
Ao mesmo tempo em que eu movia-me como um bólido montanha abaixo, os coitados se movimentaram num esforço um tanto quanto cômico pra sair da frente. Alguns mantiveram a calma e aplicaram seus conhecimentos no esporte para fazer uma graciosa curva pra direita e abrir o caminho, outros simplesmente jogaram-se de peito na neve. Abaixo, imagens captadas por uma câmera de vigilância do SkyLoft, e não um GIF animado feito com frames desenhados no Paint.

Depois de momentos de puro terror, a trilha chegou à área plana. Eu simplesmente não conseguia acreditar que havia descido aquela montanha sem cair. A adrenalina foi sendo consumida aos poucos, mas eu ainda sentia os efeitos do susto. Andei em direção aos teleféricos que levavam os esquiadores de volta ao topo da montanha, fazendo um lembrete mental de trocar de cuecas quando chegasse em casa. Ao chegar no topo da montanha, decidi enfrentá-la de novo. E de novo. E de novo. E me diverti pra caralho.
A primeira descida foi a única em que não caí. Ironicamente, foi também a em que atingi maior velocidade. Em todas as outras tentativas, acabei de cara na neve – o que confirmou uma teoria e aniquilou outra. Costumamos pensar que praticantes de esportes em países frios não se machucam tanto quanto nossos esportistas conterrâneos porque a neve não é tão dura quanto, digamos, asfalto ou uma bala perdida. Se trata de um ledo engano. Há dor em quedas na neve, e dores bem dolorosas eu vos digo. Voltei de Parry Sound com um puta hematoma na coxa, e não foi sequer por causa de queda em alta velocidade. Eu estava descendo uma colininha de nada num trenó e o troço levantou vôo numa pequena rampa. A queda, que não foi de mais que meio metro, me custou uma enorme mancha roxa na perna (que até assustou minha namorada, de tão grave que parecia), e três dias mancando.
E isso é apenas uma dos fatores que tornam seu agradável dia esquiando não tão agradável assim. Quando você cai em alta velocidade e sai rolando, seus braços e pernas às vezes dobram em ângulos impróprios para o bom funcionamento de uma articulação. Isso sem contar nos esquis que estão presos aos seus pés, que são mais um fator a ser considerado. Descobri que um corpo que cai na neve desenvolve um misterioso magnetismo; isso pôde ser comprovado pela estranha atração que sua cabeça exerceu sobre meus esquis todas as vezes em que cai. Sempre que eu caia, a impressão era de que eu estava me espancando com dois pedaços de metal. E eu batia forte, preferencialmente na cabeça.
Mas eu não fui o único a me acidentar. Aliás, em retrospecto, eu fui o mais sortudo…
(Acompanhe a continuação desse lenga-lenga no fim de semana. Ou não. Depende de vocês. Tão clicando, por acaso? Humpft.)
Escrito por Kid on Feb 15, 2005
Sugerido nos comentários por kernel

Iam colocar “…e gaguinha nas horas vagas“, mas tiveram medo que ela fosse tentar pronunciar o título inteiro pra se apresentar
Cena: Repórter da Globo ao vivo numa estação de metrô qualquer cujo nome foge ao meu conhecimento. A entrevistada é uma nutricionista, e o assunto da matéria eu ainda não descobri porque quando caí no chão de tanto rir, danifiquei a parte do meu córtex cerebral que lida com memória – e estou com medo de assistir de novo e provocar danos extendidos a outras áreas, como as células responsáveis por atualizar o blog diariamente*.
A repórter faz uma pergunta qualquer que não lembro, afinal de contas o ponto do vídeo não é esse. A nutricionista responde:
- Elas precisam saber… saber… que o… até um sanduíche-íche pode ter um valor… nor… nô… nô… nutri-tri-tri… Tri-tri (balança a cabeça e prossegue, afinal ela é brasileira e não desiste) tri-tri… adequado.
- Ou seja – interfere a repórter, tentando salvar a gaguinha da humilhação em rede nacional. O esforço provou-se fútil nos momentos seguintes – o valor nutricional pode ser adequado até mesmo num sanduíche!
- Lógico, você pode diminuir… cumwhuehenrow (sim, essa é a transcrição fiel do barulho que a mulher emitiu, algo parecido com o som que um gato faz ao ser cortado no meio com um ralador de queijo)… a quantê… quantidade de gur… de gur… de gurduuuuura…
- Então – tenta novamente a repórter, afinal ela também é brasileira – , diminuindo a quantidade de gurdura (poisé, a repórter fala “gurdura” também)…
Porra, engraçado pra caralho! Deliciei-me vendo esse vídeo na mesma forma que me divertia vendo crianças tentando se exibir pra amiguinhos provando que podem empinar a roda da frente da bicicleta e levando um tombaço em seguida. Poucas coisas são tão prejudiciais à auto-estima quanto pagar mico na frente da geral, e tanto aquelas criancinhas ciclistas quanto a dona Lemos sabem disso.
Em um dado momento você percebe o desespero da coitada enquanto perde uma luta contra a impiedosa língua portuguesa – que com suas vogais, consoantes e ditongos confundem a cabeça da mulher. Ela olha pra alguém que está atrás do cameraman e, desolada, balança a cabeça de um lado pro outro negativamente, como se estivesse dizendo “Porra, me tira daqui, tá foda!”.
O que me surpreende é o fato de que essa infeliz chegou a ir ao ar. Tudo bem, era ao vivo – e isso, como sabemos, é a principal justificativa pra má qualidade na TV -, mas repórteres sempre travam algum tipo de conversinha breve com os entrevistados, pelo menos pra se apresentar. Será que não deu pra perceber que a mulé não consegue se comunicar sem provocar risadas a todos aqueles que estejam num raio de cinco quilômetros do alcance de sua voz? Ou teria sua gagueira sido desencadeada algum tipo de radiação emitida pelo funcionamento da câmera? Nesse caso, poderia a gaguinha cobrar algum tipo de indenização? O Quide já escreveu os posts que prometeu publicar essa semana – incluindo as continuações das aventuras de esqui, ou tá só enrolando pra ganhar tempo e esperando o cheque do Google chegar?
São perguntas cujas respostas jamais saberemos. A única coisa que sei é que esse vídeo é simplesmente hilário. Se você algum dia se perguntou como alguém falaria caso tivessem jogado cola na sua boca (e eu sei que essa é uma dúvida que atormenta muitas pessoas), vale o download.
Sabem usar o rapidshare, né?
*Quer ver que vou ter que explicar a ironia?
Escrito por Kid on Feb 14, 2005
Cena anterior: Cheguei no SkyLoft e recebi, juntamente com alguns amigos menos habilidosos com esquis, uma aulinha bunda sobre o esporte.
Lá estava eu, tendo recebido minha aulinha de (menos de) trinta minutos sobre não me arrebentar em árvores e outros esquiadores. Para um canadense, talvez fosse suficiente; de fato, meus amigos gringos esperavam impacientes pelo fim da aulinha para poder descer a montanha de costas e dando saltos mortais, essas coisas que canadenses fazem quando não estão jogando hockey do dois ou cortando triângulo em feltro. Enquanto isso, eu dava passos desengonçados, me equilibrando precariamente com meus novos pés de um metro e meio de metal colorido.
O instrutor finalizou a aula, convencido de que já estávamos preparados para enfrentar as descidas congeladas sem quebrar algo importante como o pescoço ou, Deus o livre, o equipamento cedido pelo SkyLoft, o que causaria ao usuário um prejuízo no valor equivalente ao número de ossos que ele estralhaçaria na queda provocada pelo defeito nos esquis. Os mais familiarizados, ou seja, aqueles que não precisaram de ajuda pra pôr os snowboards ou se manterem em pé com eles, desceram a montanha assim que receberam permissão, gritando e fazendo brincadeiras uns com os outros. Morreu neste exato momento aquele velho lugar-comum de que gringos são frios e apáticos; poucas vezes na vida vi gente tão animada pra descer em alta velocidade um declive cujo atrito é nulo, tendo os pés firmemente presos a tábuas de madeira.
Após a descida dos canadenses, avaliei a situação. Lá estava eu, com esquis nos pés e recém-superficialmente-instruído nas noções básicas de um esporte em que uma falha não significa perder o gol ou fazer tesoura quando o oponente faz pedra, mas quebrar o pescoço em três pontos ou até mesmo perder os esquis alugados. Respirei fundo e caminhei desajeitadamente até a beirada das montanhas, decidindo cuidadosamente em qual delas eu esquiaria (substitua a palavra “esquiaria” por “cairia de forma humilhante na frente da geral, levantando-me em seguida e alegando não ter doído, a despeito do fato de que meu antebraço está fazendo um ângulo de 90 graus. “).
As trilhas são separadas em grupos de cores (a primeira escolha era enumerar as trilhas, mas os canadenses não são lá apaixonados por números, então recorreram à alternativa colorida, conhecida em outras freguesias como “solução jardim de infância”). Há trilhas verdes, azuis e pretas. Verdes são aquelas a qual enviam aquelas pessoas que estão aprendendo a fixar os esquis nos pés e que não têm planos de saúde, como é o meu caso. As azuis são as trilhas intermediárias, ou trilhas “sei esquiar mas o seguro morreu de velho“. As pretas são o destino de esquiadores olímpicos, pessoas que despertaram da Matrix e agora dominam a lei da gravidade ou daqueles com seguros de vida cujas cláusulas tiveram que ser calculadas em algum outro país, pois a cifra bate a casa das centenas de milhar e os canadenses ainda estão terminando a tabuada de dois.
Diante as opções, julguei-me pertencente a uma trilha verde e pus-me a caminho da mais próxima.
Aí entrou em cena aquele cara lá de cima que não gosta muito de mim.
Coincidentemente (ou “muitíssimo infelizmente“), alguém colocou uma imensa lata de lixo VERDE na entrada de uma trilha PRETA. Isso, aliado ao fato de que as plaquinhas que indicavam as cores das trilhas tinham aproximadamente o tamanho de um ícone num desktop cuja resolução é 1280 x 1024, provocou a maior descarga de adrenalina que senti na vida desde o dia em que dormi na casa da patroa e a mãe dela voltou de manhã cedo antes do previsto.
Posicionei-me na frente da trilha “verde”. Olhei pra baixo. “Esses canadenses devem ser muito fodas mesmo“, pensei, “porque a parede lá de casa é menos íngreme que essa porra de montanha, entrentanto é essa que os iniciantes descem“. Deus deve ter rido enquanto eu dava uma última olhada pra baixo. Dava pra ver alguns dos meus amigos lá embaixo, a mais ou menos dois quilômetros de distância. Usando o pensamento patenteado de quem está prestes a se aventurar a algo que escapa totalmente de suas habilidades mas ainda assim procura se reassegurar que vai conseguir, conclui que “se os canadenses conseguem, eu consigo também“.
Usando os poles, umas hastes de metal que dão pra gente cujo nome em português desconheço, me impulsionei em direção à beirada. Lembrei do palm pilot e do mp3 player que eu havia deixado no saguão do SkyLoft, e relembrei que tinha sido uma melhor idéia arriscá-los à índole canadense que à minha (falta de) habilidade como esquiador.
Após muita procrastinação, reuni os últimos resquícios de coragem que a altura da montanha não afugentou e me lancei em direção ao meu destino.
No começo tudo tava indo muito bem, como todas as coisas sempre vão até que você perceba que na verdade foi uma péssima idéia. Os esquis estavam estáveis (argh, isso soou horrível), a brisa fria batia no rosto e no cabelo, tudo uma beleza. Isso foi um pouco antes das coisas começaram a ficar azedas. Em pouco tempo, eu aprenderia uma lição muito importante no esqui, algo que eles não incluíram naquela aulinha: a velocidade que você atinge naquela porra é inversamente proporcional a facilidade de diminui-la. A cada segundo eu ficava mais rápido e menos capaz de fazer o tal “snowplow”, o movimento redentor que salvaria meus órgãos internos de serem trespassados por fragmentos ósseos resultados de uma fratura múltipla exposta. Não demorou nada para que eu começasse a ultrapassar o pessoal que tinha saído bem antes de mim. Estes, mais cuidadosos – talvez por saber que aquilo não era colina verde porra nenhuma -, não largavam o snowplow. Eu, que seria igualmente cuidadoso caso tivesse consciência do que tinha me metido, descia descaralhadamente.
Então ligou-se na minha cabeça aquele alarme que sempre dispara quando percebemos que perdemos nossa carteira ou quando você está assistindo um filme pornô na sala e se dá conta de que alguém chegou em casa há pelo menos 10 minutos atrás. “Me fodi“, gritava a voz na minha cabeça. Meu coração batia desesperado. Os poles nas minhas mãos eram totalmente inúteis agora, não dá pra usá-los pra parar quando você está indo mais rápido que uma Ferrari com gasolina aditivada. Eu estava ultrapassando todo mundo a uma velocidade estonteante, usando cada um de meus neurônios que venho desenvolvendo após quase duas décadas me equilibrando em duas pernas na árdua tarefa de não cair. Cada vez que eu me aproximava de alguém, batia o desespero. Desviar de esquiadores mais lentos quanto você está descendo a uns cinquenta quilômetros por hora (não é exagero) não é algo que se deve fazer se o seu objetivo é permanecer em pé. Miraculosamente, eu consegui curvar os esquis e passar muito rente a duas menininhas que se aventuraram na perigosa decida. Foi tão rápido por elas que a impressão que tive é que elas estavam paradas.
Aí a situação ficou pior.
(Agora você fecha o HBD e reza pra que eu poste a continuação)
Escrito por Kid on Feb 14, 2005
No último sábado, reuní-me com meus camaradas canadenses ruins em matemática para um “get together“, que são encontros semanais que temos por aqui. Por definição, get togethers consistem numa reunião de pessoas não em número suficiente para ser considerada uma festa, mas o bastante para constar como um evento social como uma convenção de Star Trek ou uma suruba. Acrescentando à agenda da noite (que já incluía uma sessão de Vampiro, um mini-campeonato de Halo 2 e a certeza de que eu seria humilhado neste último – sim, somos todos nerds felizes), Adam trouxe à sala o DVD de Wishmaster, creio eu lançado no Brasil como “Mestre dos Desejos” ou algo similarmente óbvio. Após eu ter levado uma formidável sova em Halo, por motivos que envolvem o fato de que a porra daquele controle me odeia, nosso anfitrão desligou o videogame (um tanto quanto para meu alívio) e meteu o filme no aparelho de DVD. Como meu sonho de salvar a Terra a base de tiros já havia sido destruído pela minha falta de habilidade em FPSs de console, restava a esperança de que assistiríamos a um bom filme.
Wishmaster começa preenchendo a tela com o pomposo anúncio de que foi escrito por ninguém menos que Wes Craven, cineasta responsável pela bem sucedida série de horror Pânico e por quatrocentos outros filmes não tão bem sucedidos. Chamar aquelas porcarias (que Craven deve ter filmado só pra pagar um aluguel atrasado) de “não bem sucedidas” é como dizer que o bombardeio de Hiroshima foi uma falta de educação da parte dos americanos. As outras películas são simplesmente vergonhosas, e me surpreende o fato de que Craven não mudou de nome ou faz uma cirurgia plástica para se desassociar à criação daquelas monstruosidades. Eu teria. Mas eu sou feio, então eu provavelmente faria uma plástica a despeito disso.
Mas então, Wishmaster.
![]() |
| Capa do DVD |
O filme começa ambientado no ano 238492742492 antes de Cristo, aparentemente na Pérsia ou em algum outro país do Oriente Médio que não existe mais. A câmera viaja até dentro de um palácio. Se você achava que os três segundos que a panorâmica demorou pra chegar ao palácio foram tediosos demais e não mostraram ninguém morrendo dramaticamente, se prepare pra surpresa! Coincidentemente enquanto alguém passeava com uma câmera dentro do palácio, uma desgraça de proporções estratosférica está acontecendo – e que nos dá a chance de verificar que os 17 dólares usados na produção desse filme foram bem empregados em maquiagem e má atuação. Sem nenhum aviso do que diabos está acontecendo, pessoas correm pra todos os lados sangrando, com os rostos ou corpos deformados. Há pelas proximidades um homem cuja metade do corpo foi transformada numa cobra. Segundos mais tarde, numa das cenas com o uso mais óbvio de bonecos de borracha na história do cinema, um bicho demoníaco explode da barriga de um infeliz (cof cof ALIENS cof cof) e MORDE O BRAÇO DE UM CARA QUE PASSAVA POR PERTO ENQUANTO AINDA PENDURADO DA BARRIGA DO FUTURO DEFUNTO. Nesse momento percebemos que a visão da câmera é o ponto de vista de um carinha que corre desesperado ao centro do palácio, tentando desviar das mutações da natureza em sua volta. A estupefação é
Escrito por Kid on Feb 13, 2005
Rapidinhas
• Finalmente consegui algum sossego pra escrever. Post novo semana que vem, amiguinhos.
• Falando em post novo, o acordo de trinta esmolinhas – a despeito dos chorões – continua valendo. Tou quase comprando meu PS2, não me deixem na mão agora.
Yuri: Quanto ce já tem e, consequentemente, quanto falta?
• O Prêmio Nobel da cara de pau deste ano já tem dono. Luiz Henrique critica Latino por plágio (post do dia 7).
Se duvidar, o texto é até de outra pessoa. Aliás, me surpreenderia mais se não fosse.
• Alguém conhece um bom editor visual de HTML (com exceção do Dreamweaver cujo demo sequer instala na minha máquina)? Editar o layout da página mexendo nos códigos é um pé no saco, e o não demorará nada pro Frost começar a me cobrar pelo serviço.
Yuri: Editar o layout pelo notepad é realmente um tanto quanto interessante (leia: um CU). Para evitar que o frost cobre a edição, por que simplesmente não pede a mim? (Não vou cobrar)
• O HBD fez um aninho de vida e ninguém me deu parabéns. Eu aqui me matando pra escrever pra vocês, e nem uns quinhentos dólares de presente vocês mandam.
Yuri: Tava vendo no ftp os arquivos e me dei conta disso antes desse post, mas realmente me esqueci de parabenizá-lo.
Seus merdas =(
Yuri: Mas por conta desse elogio vai ficar sem o congratulations, mesmo.
• Tou esperando sugestões de filmes ruins para resenhar.
(Não insistam, eu gostei de O Grito)
Yuri: Achei que só eu tinha pedido pra você ver este filme. Mas já que gostou, assista Saw e prepare um senhor post.
• O programinha da webcam deixa o PC um pouco lento, então deixo-o desligado quando estou usando a internet. Sou um cara paciente mas, convenhamos, ver o cursor do mouse se movendo a dois centímetros por hora é meio irritante. Se uma foto estiver demorando demais pra ser atualizada, é porque tou no PC e a câmera está offline.
• SNES – O Legado, a nossa seção do HBD, será inaugurada em breve.
Yuri: Adiante-me informações sobre essa novidade o mais rápido possível. (MSN)
• Baixei Paciência pro palm pilot. Escrever posts durante aulas se tornou ainda mais difícil. Joguim viciante do caralho.
•

Rapaz, que boa idéia.
Yuri: Eu até tinha um comentário a fazer sobre isso, pois já… nada não, esquece!
• Sabe aquela pessoa tão chata, mas tão chata, que faz você sair correndo de casa às pressas quando ela avisa que está indo te visitar? Poisé. Um “amigo” meu dessa qualidade tá vindo aqui.
Fui.
PS: Yuri: Me avisa quando meus comentários no post ficarem chatos.
Escrito por Kid on Feb 12, 2005
Então, tá sem nada pra fazer aí? Eu também. Por isso coloquei no ar hoje a Webcam HBD, online 24 horas por dia. Se você não aguenta de expectativa esperando a chegada de cada post novo, agora você pode acompanhar a confecção dos textos ao vivo – ou apenas me ver dormindo, quem sabe. Basta dar um reload na página e carregar a nova imagem.
É bem provável que eu esqueça que a webcam está ligada e transmitindo imagens minha a cada minuto para a internet, então as chances de vocês me pegarem fazendo algo embaraçoso são altas o bastante para me fazer mudar de idéia e desligar essa porcaria. Vamos ver quanto tempo isso vai durar.
Haha, vou poder ver meu quarto da escola agora.
Escrito por Kid on Feb 11, 2005
E enquanto vocês esperam a publicação de novos posts…
…
Eu nem sempre fui um vagabundo, sabe. Houve uma época na minha vida em que eu acordava cedinho de manhã, tomava um banho (ok, essa parte nem sempre), caminhava sonolento até a parada de ônibus – inevitavelmente lotado – e batia ponto numa empresa. Trabalhei quase um ano como operador do CPD de uma grande empresa de metalurgia do Maranhão.
(O dono era amigo da minha mãe e praticamente me empurrou pro emprego, pronto.)

O lugar onde eu “trabalhava” era parecido com esse aí, porém um pouco mais espaçoso. Digo “trabalhava” porque na verdade eu não trabalhava, eu ESFORÇAVA-ME AO MÁXIMO PARA NÃO FODER MUITO COM A EMPRESA.
Mas esse esforço era em vão. Bom, na verdade eu nem lembro de me esforçar muito – esse era o problema.
Enfim, independente das minhas tentativas contrárias, eu fazia merdas que fariam até mesmo o cara mais atrapalhado e inútil do mundo olhar pra mim revoltado e dizer “Caralho mermão, sai daí, deixa que eu faço!” Se chefe tivesse idéia das merdas que eu fazia quase todo dia, eu teria ido pra rua muito antes.
Existem seis níveis de cagada no emprego, que listei abaixo em ordem crescente de magnitude destrutiva:
1) Aquele vacilo pequeno, que pode ser escondido facilmente;
2) O errinho que é percebido por alguns, mas pode ser consertado antes que o chefe volte;
3) A pisada de bola estrondosa que todos percebem mas que, com sorte e ajuda dos astros, ainda pode ser remediada;
4) A merda astronômica que causa prejuízos irreparáveis e demissões;
5) A catástrofe apocalíptica que destrói a empresa além de provocar queimaduras de terceiro grau, processos e mortes;
6) As coisas que eu fazia quando trabalhava – também conhecido como Fator Quide(sgraça).
Meu trabalho não era muito complicado, mas ainda assim eu conseguia foder tudo e todos em minha volta. Parecia que um campo de energia negativa provocada por Vênus rodeava minha aura mística transcendental, provocando um sem-número de contratempos e putarias. Não era culpa minha não.
Uma de minhas funções era operar o sistema de controle de distribuição de material, designando rotas para os caminhões que entregavam ferro e aço aos pontos de construção ao redor da cidade. No programa, os bairros eram representados por números de 001 até 023, se não me falha a memória. Quando eu ia cadastrar uma nova entrega, digitava um desses números. O nome do bairro que seria o destino do material saía impresso numa folha, junto com a relação do inventário.
Pra começo de conversa, como eles atribuem uma tarefa dessas A MIM!? Qualquer pessoa que leia este diário virtual dificilmente me deixaria a cargo de sequer fritar um ovo, e nos os culpo. Se o chefe lesse o HBD nada disso teria acontecido.
Entretanto, vejam que a tarefa em questão era bastante simples, bastava prestar um pouco de atenção. Infelizmente, tal faculdade mental é uma desconhecida para mim.
Então eu de vez em quando (leia-se COM FREQUÊNCIA ASSUSTADORA) errava o número dos bairros e ocasionava a entrega de material em endereços errados ou inexistentes. Uma vez mandei um caminhão cheio de barras de aço pra um bairro que ficava praticamente numa cidade vizinha. Os caras chegam lá só pra descobrir que, onde deveria estar a construção de uma escola, funcionava uma padaria.
Minha outra função era ainda simples: eu deveria pegar as segundas-vias das compras efetuadas pela empresa e grampear nelas os canhotos das terceiras-vias. Aquilo tudo ia pro contador, para que ele controlasse o fluxo de grana dentro da compania. Um serviço SIMPLES. Ninguém seria capaz de foder algo tão trivial. Quer dizer, ninguém além deste que vos escreve. Um serviço simples não significa que eu não vou descobrir uma forma de faze-lo de maneira errada.
Uma vez, no fim do dia, após ter grampeado mais de DUZENTOS canhotos, percebi que havia anexado-os à PRIMEIRA VIA, ao invés da segunda. Eu teria que tirar todos os grampos, descer ao almoxarifado, procurar as segundas-vias do dia e regrampear tudo. Mas era minha hora de ir embora, porra. Sem consternação, passei uma liga elástica em volta dos papéis e entreguei na mesa do meu supervisor.
- Aê chefia, tudo beleza.
Outra vez, fui pedido para destruir as duplicatas antigas (as que tinham mais de um ano). O supervisor deixou bem claro que eu devia prestar muita atenção na data das duplicatas antes de rasga-las. Eles precisavam arquivar as mais recentes, a perda de uma delas não podia ser cogitada. Os documentos estavam todos dentro de um grande saco de lixo. Fui pegando, olhando a data e, dependendo dos números, rasgando ou colocando na caixa ao lado. Aí as influências góticas malignas se mobilizaram pra foder comigo mais uma vez. Eu ainda não tinha meu kit Merlin2004 Plus na época, infelizmente.
Havia muito mais duplicatas antigas que recentes, então quase todas que eu pegava, rasgava. Era o seguinte: Meter a mão no saco, pegar um papel, olhar a data, coçar o saco, rasgar. Acontece que, quando se começa a fazer uma coisa repetidamente, o cérebro liga o piloto automático e desliga a atenção.
Assim, a etapa “olhar a data” acabou sendo eliminada do procedimento.
Quando me dei conta, havia rasgado TODOS os papéis dentro do saco, com exceção de duas que ainda sobraram no fundo. Peguei os papéis consternado: nenhum deles era uma duplicata recente, o que significava que eu havia rasgado TODAS as outras.
Sem exasperação, fui até o armário de material de escritório, apanhei um monte de papel de duplicata e joguei no meio das que ainda não estavam rasgadas. Nunca fiquei sabendo qual foi a surpresa do meu supervisor ao descobrir que, onde deveriam estar as duplicatas recentes, nada havia além de duas antigas e papéis em branco. Aquela era minha última semana no trampo, e eu não vi o cara até meu último dia porque ele tava viajando.
Isso sem mencionar as incontáveis vezes que eu ia lanchar numa padaria próxima e, quando voltava ao prédio, dava DE CARA com o chefe, com as mãos cheias de quitutes e guloseimas. Isso me irritava demais. TODO MUNDO ia lanchar numa boa e nunca era pego no flagra. Bastava eu pôr o pé na rua e a porra do chefe por algum motivo tinha que sair da sua sala e dar uma volta pelo complexo. As salas ficavam acima do depósito de material, e volta e meia (leia-se SEMPRE QUE EU RESOLVIA SAIR PRA FAZER UMA BOQUINHA), ele ficava dando voltas lá por baixo. E era batata, sempre esbarrava com ele na entrada, trazendo pastéis e refrigerante nas mãos.
Havia muito mais merda, por exemplo, a bagunça que eu fazia com os cobradores. No sistema de cobrança, eu deveria atribuir certas duplicatas a certos cobradores. Eu sempre errava, designando as cobranças erradas para os cobradores errados. O que acontecia era que, como o cara não estava designado para efetuar aquela cobrança que eu registrei com o nome dele na máquina, ele não ia. E o devedor não pagava.
Falando em não pagar, o erro mais aloprante era sem dúvida o que eu fazia na hora de registrar pagantes e devedores. Na lista de devedores, um Enter em cima de um nome significava que o indivíduo já havia pago seus débitos, e seu nome era removido da lista. Como eu fazia sempre com pressa pra acabar logo, acabava dando Enter em nomes errados. Esse vacilo causava prejuízo à empresa (pois o sistema entendia que o fulano já havia pago algo que na verdade não pagou), e deixava puto o cliente que havia pago sua dívida, mas cujo nome não havia sido “Enterizado” por mim. Um formidável erro duplo.
Meu Deus, agora que escrevo essas memórias, percebo que não produzi nada naquele lugar – pelo contrário, só avacalhei. Seria melhor para a empresa se eles me pagassem para NÃO ir trabalhar.
É de se admirar que eu eu tenha passado quase um ano lá, tempo mais do que suficiente para destrui-la. Mais admirável ainda é que isso não aconteceu.
Escrito por Kid on Feb 11, 2005
Probleminhas aqui.
Sem saco pra postar por enquanto.
Desculpa aí, cambada.
[ Update ] E vamos deixar uma coisa clara aqui:
Ninguem aqui tá me pagando porra nenhuma. Deixem de ser manés. Vocês estão, em uma análise muito realista, clicando em um link (algo que vocês fazem o dia inteiro, pensam que eu não sei?). O máximo que você está gastando pra contribuir comigo é a borrachinha que faz o botão do seu mouse voltar a posição original. Acredite, já gastei bem mais que isso postando textos quase diariamente aqui. Portanto, deixem de ver o ato de clicar em um link como uma grande atitude de altruismo. Ou fodam-se. Ou ambos, vai do gosto de cada um, e quem sou eu pra julgar.
Eu escrevo pra divertir vocês, o mínimo que vocês podem fazer é contribuir com a campanha De um PS2 pro Quide.
Enfim, continuei atualizando o HBD sempre que tiver tempo e algo pra publicar (como agora, durante uma aula de Antropologia). Há posts quase prontos para serem postados, assim que eu tiver um pouco mais de tempo e cabeça pra isso, concluirei-os.
Beijoquinhas pra todos, sejam um pouco pacientes e parem de encher o saco. Na pior das hipoteses, corro pra locadora e alugo algum filme bunda.
Alias, alguem tem sugestoes de filmes ruins?
Yuri: Assista O Grito, ouvi dizer que é um CU e quero que você confirme, fazendo um favor.
P.S.: Não estou adicionando homens ao meu MSN. Já chega de macho nessa minha lista. Não perca seu tempo mandando authorize request, a menos que seu email seja alguma coisa androgina e eu não consiga definir seu sexo apenas lendo-o. Neste caso, eu o deletarei após perguntar se você é homem.
Nada pessoal.
Yuri: By the way, Kid, há um programinha rondando por aí – chamado Messenger Discovery, se não me engano – que aumenta ou simplesmente atropela o tal do limite de 150 usuários na clist (lista de contatos). Para mais info, me procura no MSN. Lembranças pra quem fôda sua família e assim que der, te ligo denovo.
Escrito por Kid on Feb 7, 2005

Quando criança, eu adorava o meu Super Nintendo. O Snes era o fusquinha dos videogames: bom e barato (e às vezes só pegava nos trancos). Quando ouvi o boato de que a Nintendo lançaria um super console de nova geração, experimentei meu primeiro orgasmo. Mal podia esperar para ver o novo videogame da empresa que era praticamente uma divindade para mim e meus amigos.Aí saiu o Nintendo 64.
Com o advento do IRC, ficou muito fácil arrumar um par pra pegar um cineminha naquela noite de domingo logo após o Faustão que é a realização da palavra “tédio”. Opções femininas não faltavam. Resolvi tentar a sorte com a ^_GaToSa_16^, uma amiga virtual cujas características físicas fariam inveja a uma modelo internacional. Cometi o erro de não pedir uma foto para que pudesse reconhecê-la com mais facilidade na entrada do cinema mas, pensei, “com um corpo tal qual descrito por ela no IRC, não será difícil encontrá-la“. E realmente encontrei-a.
^_GaToSa_16^ pesava três vezes o que eu pesaria se tivesse comido um caminhão de mudanças, tinha mais óleo na cara do que normalmente se gasta no McDonalds pra produzir trinta quilos de batatas fritas e era tão bonita quanto um acidente envolvendo um ônibus escolar e um trem cheio de grávidas num campo minado.
Como fã de Matrix, eu contava os dias para o lançamento da última parte da série. Coincidentemente, o capítulo final da saga do hacker broxa (quem mandou não tomar a “pílula azul”?) foi lançada no Brasil no dia do meu aniversário. A excitação era palpável. Achei que assistiria o melhor filme da história da cinematografia.
Ao invés disso, passaram Matrix Revolutions.
Como vocês podem ver, a vida me presenteou com terríveis decepções. Por pior que fosse o fracasso da realidade em atingir minhas expectativas, jamais imaginei que algo me faria olhar para o N64, pra ^_GaToSa_16^ e pro ingresso de Matrix Revolutions e dizer, entre lágrimas “Eu era feliz e não sabia!“. Isso, claro, foi antes de eu ter assistido A Vila, o que provou de uma vez por todas que não importa quantas coisas terríveis tenham acontecido com você, um dia lançarão um filme pior do que tudo isso elevado ao cubo.
E quando você se der conta disso, já terá pago pra assistí-lo.

Antes de mais nada, um disclaimer: informo de antemão que, no momento que a namorada pôs o DVD no aparelho, voltou pro sofá chutando minha canela acidentalmente, roubou minha pipoca e disse que assistiríamos um filme muito bom, eu já conhecia o final da película. Como é de conhecimento popular, o senhor M. Night Shyamalamalemolejo tem como marca registrada escrever/produzir/dirigir/dançar/cantar/fazer strips em filme cujo carro-chefe é a surpresa no final. Assim como em Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais (mas nem tanto neste último), A Vila aposta suas fichas na grande reviravolta que só é revelada nos momentos finais do filme. Uma vez que eu já conhecia este final, assistir o filme – assim como o nome de seu diretor – não fazia muito sentido. Eu já esperava que o filme não seria assim tão divertido, ao menos pra mim.Porém, muito otimista, achei que a produção seria divertida (ao menos “assistível”) por si só, sem o seu “espetacular” desfecho. Ou seja, mesmo sabendo que eu muito provavelmente estaria perdendo meu tempo assistindo A Vila, dei um crédito ao senhor Shymashumalagueta pelas seus prévias criações hollywoodianas.
The joke was on me. A Vila distorceu meu conceito de quão ruim as coisas podem ser, ainda que você não esteja esperando pelo melhor.
Vocês que ainda não assistiram e planejam gastar uns 5 reais alugando o DVD, dois conselhos: em primeiro lugar, não alugue. Sério. Faça qualquer outra coisa com esse dinheiro. Saia e compre chocolates, rasgue as notas, use-as como papel higiênico, use a criatividade. Qualquer finalidade dada a estes cinco reais – incluindo rasgar as notas, queimar os pedacinhos e cheirar as cinzas – será mais proveitosa. Queria eu ter rasgado, queimado e cheirado os 3 dólares que gastei alugando o DVD. Eu teria morrido por intoxicação, ao invés de ter passado 108 minutos assistindo a maior decepção hollywoodiana desde que George Lucas decidiu que não era milionário o bastante e que podia lançar cinco jogos de videogame baseados na franquia Star Wars se gravasse Episódio I – A Ameaça Fantasma.
O segundo conselho, caso você prefira gastar o dinheiro alugando o filme que inalando-o, é este: não pense que você estará alugando um filme legal de terror/suspense. Ao invés disso, encare A Vila como uma comédia romântica européia dos anos 70, filmada toda em câmera lenta, que alguém alugou antes de você e gravou de sacanagem, por cima da fita, três ou quatro imagens de monstros.
Não estou de putaria com vocês. As quase duas horas do filme não passam de um romancezinho mela-cueca do personagem vivido pelo Joaquim Phoenix, o padeiro português da vila, e uma menina qualquer cuja irmã levou um fora do seu Joaquim, ora pois. Do nada, quando você menos espera, a sombra do reflexo da silhueta do monstro aparece para tirar nosso sossego. Nesse momento, a súbita mudança da música acaba fazendo você acordar, ou chutar a namorada como reflexo. Enquanto você esfrega os olhos e limpa a baba da almofada do sofá, o bicho já montou em sua motocicleta invisível e desapareceu de vista.
Isso não é tudo. Aliás, isso é só o começo. Há muito mais coisas horrorosas nesse filminho de merda, dentre as quais posso citar a atuação – ou algo mais notável, a falta dela.

Pense nos dólares, pense nos dólares…
A Academia deveria estabelecer uma regra que impedisse vencedores do Oscar de receber cachês nos filmes seguintes à sua premiação. Isso certamente impediria que atores que no ano anterior foram considerados os mais talentosos de “atuar” (e uso o verbo irresponsavelmente aqui) em lixos como A Vila em troca de alguns trocadinhos para comprar uma Ferrari nova.Encarem isso como uma medida preventiva de suicídio profissional. Aposto que isso evitaria uns três A Vila’s por ano, jogando por baixo. Adrien Brody deveria ter sua estatueta enfiada no reto e retirada pela orelha esquerda com alicates industriais, e isso não seria nem metade do que ele merecia por ter aceitado sujar o currículo com esse pedaço de merda que é A Vila.
Mas ver um ganhador do prêmio máximo da cinematografia interpretando um mongol com menos de quatro frases em seu repertório é apenas um pedacinho de milho não-digerido nesse tolete úmido e fumegante que é A Vila. Mas esse não é um cocô comum. Estamos falando aqui de um tipo muito especial de cocô, aquele que faz sua mãe abrir todas as janelas da casa e exige pelo menos três descargas para que sua existência hedionda saia de uma vez por todas de nossas vidas. E ainda assim, as marcas que este bolo fecal deixa para trás são irremovíveis. Esfregue com aquela escovinha branca o quanto quiser, nem assim você removerá os resíduos completamente.
E a menina cega?! Como posso escrever uma resenha sobre A Vila e não citar a menina cega?!

Ivy Walker, a cega com a melhor visão do mundo
Não me levem a mal, não quero desmerecer a desesperada tentativa da atriz em nos convencer que ela estava ao menos tentando atuar. Tenho certeza que Bryce Dallas Howard deve ter pesquisado muito pro seu papel; aliás, sua pesquisa foi tão intensiva e consumiu tanto tempo da garota que ela não teve tempo de aprender o básico sobre pessoas cegas: elas não enxergam. Justamente por isso é que elas não encaram as pessoas com quem conversam, ou movimentam os olhos na direção de ruídos, ou piscam com frequência, ou conseguem enganar monstros fazendo-os caírem em buracos logo a sua frente, ou seja, coisas que Bryce faz o tempo todo durante o filme. Seria impossível concluir que essa menina era cega se não tivessem deixado isso explícito. Em um momento eu achei que a grande surpresa do filme é que ela passaria uma rasteira no Joaquim, jogaria a bengala na cabeça dele e diria “Aê mané, eu não sou cega não! Sacaneei!” Provavelmente, teria sido um final melhor.O monstro é uma palhaçada à parte – digo “o monstro”, porque não sei se apareceram mais de um no filme. Vou alugá-lo novamente para tirar a dúvida, mas tenho que lembrar de durex nas pálpebras dessa vez. Quando vi pela primeira vez aquela mistura de Sonic the Hedgehog e Papai Noel corcunda, achei que a intenção do diretor era deixar os espectadores sem fôlego de tanto rir, provocando um coma induzido por falta de oxigenação no cérebro, que nos faria acreditar, quando voltássemos a consciência, que assistimos um bom filme. Infelizmente, não funcionou comigo. O suposto monstro é muitíssimo obviamente alguém usando nada mais que um traje de monstro-porco-espinho, que na folga do Natal deixou o saco de presentes na floresta e foi assustar aquela gente legal da vila. As pessoas da produção que reasseguraram o diretor de que aquela porcaria seria assustadora devem ser aquele tipo de gente que sempre dormem de luz acesa e se mijam de medo quando vêem borboletas.
Mas não posso julgar o senhor Shyamleiohaqlqwo; se eu fosse lançar um filme ruim com um monstro que só aparece durante cinco minutos em quase duas horas, eu também teria economizado nos efeitos especiais e contratado os melhores marketeiros do mercado pra vender a idéia.
Agora, à parte que todos esperavam: o final.
O filme é relativamente velho (foi lançado por aqui em julho passado, acho), então acho que todos já assistiram-no e assim ninguém se chateará se eu contar que o(s) monstro(s) na verdade não existem, e que foram criados pelos tais anciões para impedir que os mais novos se arriscassem a atravessar a floresta e descobrissem que na verdade não é ano 1897 porra nenhuma, e que os anciões são uns bundas-moles que, cansados de lidar com a dureza da realidade, recriaram uma vila do século passado pra se esconder nela.
(Se você ainda não assistiu o filme, não leia o parágrafo acima.)
Vou ter que dar o braço a torcer aqui: a história é muito interessante, se não fosse esculhambadamente mal contada. Acontece que o senhor Shyamlashuiwjsdqamnn, que deve ter deixado o sucesso subir a cabeça, resolveu desafiar as próprias habilidades como diretor. Ao invés de contar a história como se faz normalmente, ou seja, início, desenvolvimento com conversas chatas, clímax e GRANDE SURPRESA, ele resolveu inovar com início, desenvolvimento com conversas chatas, desenvolvimento com conversas chatas, desenvolvimento com conversas chatas, desenvolvimento com conversas chatas, desenvolvimento com conversas chatas, GRANDE SURPRESA e clímax.
Se você não sabe o que isso quis dizer, explico (porque tou com preguiça de fazer um GIF animado). Lá pelo finalzinho do filme, a menina cega decide atravessar a floresta para buscar remédios e salvar a vida de Joaquim, que levou facadas do outro gajo. Somos levados a pensar que esse será O MOMENTO do filme, que toda aquela chatice a que fomos submetidos nas últimas trinta horas de romancezinho chove-não-molha foi o prelúdio para os grandes sustos que levaremos agora.
Aí o diretor decide que talvez nós ficaremos mais assustados se já soubermos de antemão que os monstros não são reais. Ou seja, minutos antes do que seria os sustos de nossas vidas, o diretor vai e conta o final precipitadamente. Qual a graça de ver a menina cega fugindo de algo que já sabemos (nós e ela) não ser uma ameaça, e sim um engraçadinho usando uma roupa de Papai Noel com palitos de dentes espetados nas costas?
Não sei.
Mas M. Night Shayfjklawhpdanjkq achou que seria o maior barato.
Essa foi a grande surpresa de A Vila. Todos foram ao cinema motivados pela sensacionalística campanha publicitária que implorava para que aqueles que já tivessem assistido o filme não contassem o final pro seus amigos. No fim das contas, o próprio diretor estragou o final, contando a surpresa antes da hora.
Má atuação, história arrastadíssima, final tão espetacular quanto um prego torto e, como se isso não fosse o bastante, ainda foi estragado pelo próprio contador da história. A Vila é um fracasso retumbante em qualquer nível concebível pelo sentido da palavra “fracasso”.
Sou um homem humilde e consciente das minhas limitações. Tenho plena convicção de que mesmo que eu fosse pago horrores, quisesse ardentemente e me esforçasse muito, jamais conseguiria fazer um filme pior que esse. O senhor Shyajlandoqiueq merece meu respeito por ter atingido o nível máximo de escrotice que foi permitido enfiar num rolo de filme, coisa que os diretores de Power Rangers, Spice World e Debi & Lóide apenas sonharam.
A Vila é, concluindo este post, A maior decepção que alguém pode ter na vida. Nunca na história da cinematografia um diretor conseguiu capturar com tanta perfeição a sensação de abrir um presente de Natal e encontrar um par de meias.
Seria melhor que eu tivesse comprado um Nintendo 64, casado com a ^_GaToSa_16^ e viajado pra Los Angeles pra assistir a World Premiere de Matrix Revolutions. O risco de que o “efeito borboleta” dessas atitudes resultariam em que eu jamais assistisse A Vila faria valer a pena jogar Mario 64 pro resto da vida.
Escrito por Kid on Feb 6, 2005
Aviso extraordinário

O domínio hbd.fdp.com.br parou de funcionar misteriosamente. Aliás, misteriosamente não: o Frost acha que é porque eu estava usando o serviço do CriandoSites apenas para redirecionar. Fiquei sabendo por fontes confiáveis (a Times New Roman nunca mentiu pra mim) que a mãe do administrador do sistema morreu de forma trágica quando foi redirecionada da estrada para uma vala na BR-116, e então o pobre webmaster tem pavor a essa prática de mudar o rumo das coisas.
Os mais atenciosos devem se lembrar que eu avisei que o hbd.fdp.com.br não era nada além de um mirror pro server do Yuri. Estes devem ter apenas dado de ombros ao bater de cara com o erro 404 e digitado o endereço original. Mas sei que confiar nas habilidades interpretativas dos meus amados leitores não é uma aposta segura, então estou prevendo uma queda de 129% nas visitas. Se no fim do www.hojeeumbomdia.com, que foi anunciado com UM MÊS de antecedência, eu perdi metade das visitas diárias, imagina agora.
Estou tentando re-enviar o arquivinho redirecionador, mas tá foda. Eu não sabia que o CriandoSites era tão marrento. Não tá me deixando ativar a administração do meu domínio nem debaixo de ameaças de morte.
Enfim. O http://yuriii.com/hbd continua firme e forte. Avisem os amiguinhos.
Escrito por Kid on Feb 6, 2005
A correria naquele outro dia foi porque eu estava atrasado (como sempre) pra ir à escola. Acontece que este não era um dia normal de escola. Neste dia eu não iria humilhar meus colegas matematicamente analfabetos com minha habilidade de resolver equações de primeiro grau, ou recortar triângulos em feltro. Iriámos esquiar!
“Que escola legal“, vocês devem estar pensando. E é mesmo. A cada dois meses, a diretoria premia os vinte melhores alunos da escola com uma viagem pra algum lugar legal. Como sou aparentemente o único no prédio que sabe fazer de cabeça contas de adição de números de dois dígitos, é uma concorrência um tanto quando injusta pros pros canadenses.
No bimestre passado, fomos ao Playdium, uma cadeia de arcades altamente foda. Jogos, comida, viagem até lá e de volta, tudo de grátis. Brinquei num simulador de vôo com três telas de cristal líquido e mais botões que o avião de verdade por quase uma hora seguida. Enchi a barriga de batata frita não comesse frituras há anos. Tirei muitas fotos pra escrever um post sobre o acontecido e fazer inveja aos coitados que gastam dinheiro jogando King of Fighters em arcades mais velhos que a tia da minha avó, mas não encontro mais as fotos HD. Oh well.
Então, a viagem pro chalé, o SkyLoft. Antes de nos dar os passes pro troço, a coordenação da escola nos fez assinar um longuíssimo termo de compromisso:
Entendo os riscos que os esportes de neve significam. Assumo total responsabilidade sobre qualquer calamidade que me possa ocorrer, citadas abaixo mas não limitadas a:
- Fraturas nos braços, pernas, dedos, crânio ou qualquer outra estrutura óssea;
- Perda de dentes;
- Deslocamento, torções, rompimento de ligamentos ou tecidos musculares;
- Frostbite*
- Cortes e consequente perda de sangue;
- Queda dos lifts e todas a lesões que isso implica;
- Ataques de velociraptors;
- Esmagamento por geladeiras que porventura caiam sobre você (um risco constante);
- Colisão com aviões;
- Ser atacado por um velociraptor enquanto uma geladeira cai em você
- Etc.
E um espaço embaixo pra assinar. Cada item lido diminuia a vontade de participar do negócio. Os caras queriam deixar BEM claro que se você se fodesse lá em cima, não era culpa de ninguém a não ser de você mesmo.
“Bom, é de graça mesmo!” pensei, pondo em prática tudo que aprendi nesses anos sendo brasileiro. Se há uma coisa que não se rejeita, é algo que não custa nada. Ignorando-se obviamente o fato de que esse algo pode provocar um acidente doloroso que ceifará sua vida ao mesmo tempo que você berra desesperado em arrependimento por ter assinado o tal termo de compromisso.
Mas é de graça.
Assinei o papel e entreguei de volta pra secretária.
- Ô, você esqueceu de preencher o espaço do seu cartão de saúde.
- Hm, eu não tenho cartão de saúde.
- ![]()
- …
- E você quer ir… assim mesmo?
- Hmm… pra falar a verdade tou meio em dúvida.
- Eu também estaria, se fosse você. Afinal, às vezes…
- O almoço lá vai ser de graça, né?
- É, mas…
- Toma o formulário. Vou sim.
E fui pro ônibus da escola.
Isso aqui vale uma ressalva revoltada. Seja lá quem foi que projetou ônibus escolares, essa pessoa não devia ter pernas, ou nunca viu seres humanos que tivessem tais membros. O espaço entre as fileiras do ônibus escolar (não sei se todos são assim, você que já andou num ônibus escolar diferente se dê por sortudo) era menor que a distância entre meu dedo indicador e médio. Minhas pernas estavam presas entre o meu assento e o da frente, fazendo com que meus joelhos quase encostassem meu queixo. Se alguém me visse de perfil, poderia me confundir com um N maiúsculo. Me segurei nessa torturante posição até chegarmos no chalé.
A viagem até o lugar me fez pensar nos riscos que eu estava prestes a correr. Se eu seria exposto a velocidades e impactos que estraçalham ossos, quebram dentes e rompem músculos, como eu protegeria o palm pilot e o mp3, meus fiéis seguidores que me acompanham pra todos os lugares? Cocei meu queixo com o joelho, pensativo. Quem se preocupa em fratura exposta múltipla ou rompimento transversal quando Ossos e músculos têm um sistema de auto-reparo?! Se eu cair de bunda em cima do meu mp3 player, comé que fica? Quem vai me dar um novo? Diante dessa real preocupação, comecei a pensar direito no que eu havia me metido.
Aí me lembrei do que a patroa tinha feito com a bolsa no dia do show do Slipknot. Quando entramos no chalé, peguei minhas bugigangas tecnológicas (que somam um valor de mais de R$ 600), botei dentro da mochila e simplesmente larguei-a num cantinho do chalé, perto de um banco. Agora era a hora de provar a índole desses canadenses.
Fui ao lugarzinho onde os funcionários do local nos entregam o equipamento que estaria preso nos nossos pés enquanto caíamos colina abaixo. Havia duas opções: snowboard e esquis. Como todos me falavam que esquis eram mais fáceis de controlar que snowboard (nota: MENTIRA DO CARALHO), optei pelos esquis. Ao me entregar o equipamento, o funcionário do SkyLoft me entregou também o seguinte papelzinho, que tem como utilidade tranquilizar e inspirar confiança em brasileiros que mal se acostumaram com neve e nunca puseram esquis na vida:

Se você morrer, não pode dizer que eles não avisaram
Prendi a porra toda nos pés e caminhei desajeitadamente em direção às colinas, onde um instrutor aguardava os menos entrosados com as atividades de inverno. Eu e mais uns seis carinhas recebemos todas as noções básicas do esporte que deu pra enfiar numa micro-aula de trinta minutos (o que significou que alguns voltaram pra casa sem saber dar saltos mortais triplos). Não que fizesse muita diferença, e todos sabem disso: a única coisa que alguém que está descendo uma montanha com esquis precisa saber é diminuir a velocidade sem que isso envolva uma colisão de frente com uma árvore, uma lata de lixo ou outro esquiador – o que causaria danos a árvores, latas de lixo ou outras pessoas. Portanto aqueles trinta minutos não realmente ensinavam nada de muito importante, era apenas um “tentem não se matar no caminho” disfarçado de aula. Então a única coisa que realmente aprendemos nessa “aula” foi como reduzir a velocidade (reduzir a velocidade, e não parar. Iniciante no esqui só pára quando encontra uma árvore, uma lata de lixo ou outro esquiador).
Então, pra diminuir a velocidade, nos ensinaram uma técnica chamada snowplow (leia-se “isnou-pláu”). Essa complexa e revolucionária técnica consiste em cruzar as pontas frontais dos esquis, transformando o que era outrora um feixe paralelo de tábuas de fibra de vidro em duas linhas concorrentes. Abaixo, mais um de meus incríveis GIFs explicativos:

Abre e fecha, abre e fecha
Bem, eu sou iniciante no mundo do esqui, mas não são um leigo completo. Quando criança, joguei muito aquele joguinho de esqui do Windows, uma fonte inesgotável de conhecimento esportivo e animações composta de três pixels e duas cores que se você espremesse os olhos pareciam vagamente com esquiadores. Se esse jogo me ensinou uma coisa, é que devemos desviar de árvores, linhas coloridas no chão fazem você saltar trinta metros no ar, e que o monstro acinzentado que come esquiadores no fim da montanha é invencível.
(Adendo: Lembro que passei grande parte da minha infância tentando descobrir o que diabos era aquele monstro pixelado. Quando eu não estava tentando desvendar a que espécie ele pertencia, estava pensando numa forma de escapar de suas temíveis garras. Obviamente, eu não teria passado anos bolando uma estratégia de fuga se o primo do amigo do vizinho não tivesse dito que um cara da escola dele conseguiu escapar do monstro…)
Então, apoiado pelos meus conhecimentos no esporte – duas varetas de metal que em diversas ocasiões foram a única ajuda contra a força da gravidade -, me senti preparado pra enfrentar a primeira montanha.
(Continua no próximo episódio)
Escrito por Kid on Feb 4, 2005
Correria aqui em casa. Quando chegar, explico o porquê. E envolve, novamente, a burrice dos estudantes canadenses.
Confiram o FAQ HBD (um serviço de utilidade pública/encheção de linguíça enquanto os posts que tenho escritos pela metade no palm pilot não são terminados).
Escrito por Kid on Feb 3, 2005
Quando postei meu e-mail aqui no HBD, uma voz lá no fundo da minha mente – aquilo que alguns chamam de “consciência” ou “esquizofrenia” – me alertou ao fato de que alguma bizarrice aconteceria. Como sempre achei que não era dotado de uma consciência, desmereci o aviso da minha psique. Além disso, eu já venho ignorando as vozes na minha cabeça a muito tempo, e não se mexe em time que tá ganhando – especialmente quando esse time é a única coisa que separa um galão de gasolina e um palito de fósforo da igreja evangélica aqui na esquina.
Não demorou muito para que os sinais de minha previsão começassen a aparecer, o que prova que tá passando da hora de eu abandonar esse blog e as esmolas que vocês jogam em minha direção e abrir o terreiro do Pai Quide, leitura de mão, tarô e resenhas de filmes ruins por apenas um clique no banner na recepção.
Houve uma surpresa, todavia. Pra ser sincero, eu estava me preparando pra receber nada mais que emails porcamente redigidos cujo conteúdo variasse entre agressões verbais contra minha pessoam, envio de vírus astutamente escondidos atrás de um nome de arquivo como “foto da Angélica dando o cu.exe”, “elogios” direcionados à minha pobre mãe ou até mesmo uma incrível combinação dos três – um “vá se foder” pra mim, um “puta sem vergonha” pra mamãe, e um programinha mal-intecionado que me faz acreditar que vou ver uma mulher nua mas na verdade apaga minhas mp3 e muda a página inicial do meu navegador pra um site homossexual.
Com gente externando sua raiva de mim – ou de mamãe, por ter cometido o crime de me pôr no mundo – com palavras, eu já estava acostumado. Ser alvo do ódio alheio é como uma droga; além de precisar de doses cada vez maiores pra se satisfazer, você acaba adquirindo tolerância. Graças a este site, ouvir um “vá se foder” hoje não me afeta como há, digamos, dois anos atrás. Parece muito afável. Não dá mais o mesmo prazer, também. Por isso eu estava um tanto quanto melancólico, achando que receberia e-mails pouco originais.
Talvez antecedendo que o HBD tivesse me roubado a sensibilidade de apreciar um bom e velho “foda-se”, vocês foram mais espertos e me surpreenderam. Desde o momento em que divulguei meu endereço eletrônico até a última checagem da minha inbox, recebi mais de CEM pedidos de confirmação de diversos sites que abrangem as mais ecléticas formas de zoar alguém.
Acompanhem esse gráfico que mostra o resultado do devastador tsunami de emails indesejados:

Logo no começo cheguei a achar que poderia ter havido algum erro nos bancos de dados dos tais sites, ou que talvez eu até tivesse me cadastrado neles, mas não lembrava. Daí você tira quão avançado é o estágio do meu mal de Alzheimer, e quão importantes são as doações que vocês fazem.
Até o fechamento deste post, recebi confirmação de cadastros em fóruns gays, flamenguistas (redundância, eu sei), pedidos de amostras grátis de Viagra e uma inscrição na mail list do Jesus, Me Chicoteia, que me dará o privilégio de receber uma notificação via e-mail cada vez que o autor atualizar a página.
Curiosamente, este último foi mais o constrangedor (e provou que tem gente aí que não sabe brincar). Ainda não entendi o porquê, mas suspeito que há relação com o fato de que eu preferiria ser flagrado numa passeata gay com uma camisa do Flamengo de mãos dadas com o Clodovil num carro alegórico patrocinado pela Pfizer do que me associar de qualquer forma possível com o autor do blog supracitado. Diabos, eu preferiria até me jogar embaixo do tal alegórico do que ter meu sagrado e-mail convivendo no mesmo banco de dados em que aquela merda é hospedada.
E os emails continuavam a chegar, pedindo que eu confirmasse meu cadastro em um monte de merda em que não me cadastrei. Se não fossem aqueles 250 mega de armazenamento que o Hotmail me providencia, eu teria um bom trabalho em organizar minha caixa entre os 100 spams que vocês mandaram e os 300 que eu já recebo normalmente. Hip hip urra pro Hotmail.
Diverti-me muito tentando adivinhar que nova traquinagem meus amados leitores fariam com meu e-mail. Ainda mais legal foi tentar adivinhar quais leitores seriam responsáveis por quais ataque de spam. Seriam cristãos revoltados com minha opinião sobre sua religião e que agora praticam aquele dogma fundamental de sua religião, odiar seus inimigos e se vingar deles lotando sua caixa com junkmail? Brasileiros ultra-naciolistas furiosos com o novo nome com o que rebatizei nosso país, a despeito do fato que é pura verdade e eles não têm nenhum argumento que prove o contrário, a não ser “você só fala isso porque mora no exterior, se morasse aqui veria que o Brasil não tem nenhum problema“? Talvez pseudo-góticos que interromperam suas viagens ao cemitério e deixaram seus poemas escrotos pela metade só pra vir me chatear porque zoei com a cara deles, esquecendo-se que eles mesmos dizem não se importar com o que os outros falam deles? Ou, quem sabe, fãs de DragonBallZ que finalmente completaram a alfabetização e podem ler os fomulários de cadastros de sites GLS e escrever meu e-mail neles?
Esse é o problema de atirar em muitas direções diferentes – você não sabe quem está atacando e por isso corre o risco de cometer um julgamento premeditado se acusar um suspeito inocente, o que me preocuparia caso conceitos como moral e ética fossem importantes pra mim. Por isso (mas não apenas por isso), fodam-se todos, culpados, inocentes, suas famílias, seus animais de estimação, suas bandas favoritas e seus Pentium 2’s.
Mas devo admitir que vocês têm criatividade, pra não falar em disposição ou falta de algo melhor pra fazer. Admito que sou incapaz de dedicar tanto tempo na internet para a exclusiva finalidade de chamar atenção dos outros com provocaçõezinhas de tal natureza. Tenho várias condições clínicas que me impedem disso, como por exemplo não ter oito anos de idade (mental ou cronológica – embora creio que o caso seja o segundo, a julgar pela grafia de alguns comentários de vocês. Uma criança de oito anos sabe acentuar corretamente). Há alguns anos atrás eu também tentava chamar atenção das pessoas com técnicas similares, mas aí aprendi a andar e dispensei as fraldas.
Tava muito divertido, até que percebi que meus perseguidores cansaram de chamar minha atenção, e que as gracinhas estão chegando com menos frequência. O que provou que vocês não são apenas péssimos leitores, mas também stalkers incompetentes. Como vocês esperam me irritar se não aguentam a tarefa nem por uma semana? Felizmente já odeio todos vocês de antemão, por que se fosse depender do esforço de vocês… vocês são inofensivos demais, só odeio vocês mesmo porque sou bonzinho.
Vamos lá, pessoal. Se é pra fazer, façamos bem feito. Deve ter mais algum site asqueroso que vocês ainda não desenterraram. Paciência; um dia vocês me farão odiá-los com motivo.
Escrito por Kid on Feb 2, 2005
Ô seus miseráveis.
Parem de choramingar que estão “clicando de graça” pra receberem posts chatos ou curtos demais. Vocês já passam o dia aí na frente desse Pentiumzinho 2 escroto de vocês clicando em tudo que vêem pela frente. Será que é demais pedir pra clicarem nesses banners? Seus insensíveis.
Levem ao menos em consideração que ja estive tentando divertir vocês por mais de um ano sem pedir nada em troca, ou que em verdade em verdade vos amo de coração.
Quando aparecer um postzinho meia boca como o abaixo – ou este -, substituam mentalmente o texto publicado por “Esperem um pouquinho enquanto termino um post legal aqui. Vou deixar esta porcaria escrita às pressas pra vocês poderem criticar a qualidade dele nos comentários e assim me apressar a terminar logo o próximo texto“.
Aí fica todo mundo feliz.
Beijinhos,
Escrito por Kid on Feb 1, 2005
Amizade blogueira
puta post inútil. hein, kid?
Destaque
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
Fama, sucesso e dinheiro não impede ninguém de esculhambar a própria vida de forma cômica. Confiraí os casos mais célebres.
Nossa herança genética atrapalha nossa vida mais do que você imagina. Duvida? Clique ai e leia.
Flickr
Categorias
Arquivos
TwitPic
Mais
Prestigie, filho da puta
Top vagabundos
Últimos comentários
Links
Posts recentes
Troços