Escrito por Kid on Mar 31, 2005
Muito tempo livre + Posts-Its coloridos + Cola + Uma idéia que vi por aí









Seis dólares.
Duas horas.
Um tubo de cola.
6 Folhas de 40cm x 25cm (pra formar o painel)
256 post-its.
Um mosaico super nerd de quase um metro quadrado.
Escrito por Kid on Mar 29, 2005
| You scored as atheism. You are… an atheist, though you probably already knew this. Also, you probably have several people praying daily for your soul.
Instead of simply being “nonreligious,” atheists strongly believe in the lack of existence of a higher being, or God.
Which religion is the right one for you? (new version) |
Nada que eu já não soubesse. O único erro do teste (um que me incomoda muito, diga-se de passagem) é o popular deslize de definir ateísmo como uma crença. Ateísmo não envolve crença, e sim a ausência de uma. Ateu não é o sujeito que crê que Deus não exista, é o cara que não crê que Deus exista.
“Mesma coisa” o caralho. Faz diferença sim, filhotes. Esse negócio de dizer que ateus acreditam na não-existência de Deus é uma safada jogadinha semântica (muito comuns em fóruns cristãos, aliás) pra tentar rotular o ateísmo como uma religião, quando na verdade está bem longe disso.
Qual o objetivo de comparar o ateísmo com uma religião? Sinceramente não sei. Mas os crentes adoram fazer isso.
Ateísmo não é uma religião, ao contrário do certos cristãos tentam nos convencer. Você não se torna adepto de uma religião simplesmente por não acreditar no Deus de uma outra religião - caso contrário, todos teríamos centenas de religiões, cada uma negando o(s) deus(es) de outras.
O argumento cristão é que o ateísmo, assim como religiões, envolve grupos de estudo que discutem obras de autoridades no assunto, debatem suas idéias acaloradamente, e acham que sua opinião está sempre certa. Acontece que essas características são tão vagas, que transformariam qualquer atividade em grupo em uma religião. De acordo com essa análise, até um partido político pode ser considerado uma crença religiosa.
O que eles se esquecem, obviamente, é que o fator principal que define uma religião (a crença no sobrenatural) está ausente no ateísmo. Mas usar racionalismo não é uma marca registrada deles de qualquer forma, relevemos.
E a forma como o teste deixou ateísmo e satanismo bastante equivalentes (alcançar um alto valor em um o dá automaticamente um alto valor no outro), não me resta dúvidas de que ele foi escrito por um cristão. Há uma diferença gritante entre as duas correntes: o satanista (ao menos o dogmático; há o satanismo filosófico, que não é uma religião) acredita que Deus exista, já o ateu não.
Nada a ver uma coisa com a outra, não? Uma comparação como essa só poderia ter sido mesmo feita por esse povo crê piamente que falta de fé no Senhor não tem nada a ver com pensamento lógico, só pode ser obra do Capiroto mesmo. “Hoje eles não vêem motivo racional pra acreditar em Jeová, amanhã estarão sacrificando bodes para Lúcifer!“
Humrum.
…
Não importa muito, anyways. Esse testezinho foi só pra ganhar tempo e terminar as continuações do post-novela.
E nem reclamem.
Escrito por Kid on Mar 28, 2005
(continuando…)
Eu e a patroa rodávamos em círculos no escuros, pelados, sem saber o que fazer. Aliás, corrijo-me: ela ainda estava de calcinha e sutiã, e assim eu era o único realmente pelado - o que me causava uma estranha sensação de exclusão.
A patroa rodava em círculos, murmurando “holy shit, she’s here, holy shit, she’s here, now what?” A vontade foi de dizer “a culpa é sua, porra“, mas era um pouco tarde demais para isso, e além do mais ela não fala português. Com os pés, tateei o chão em busca das minhas roupas.
Não que se vestir fosse resolver a situação completamente. Ainda que ambos estivéssemos com roupas, ainda teríamos que explicar o que diabos estávamos fazendo no quarto da sogra. Sair sem ser visto seria impossível até mesmo pro mais ninja dos ninjas, pois o apartamento é pequeno e consiste apenas de um corredor ligando a sala aos quartos e a cozinha. De uma forma ou de outra, eu teria que inventar uma explicação de porque eu estava no quarto dela.
Dos males, o menor. Vestir-se ao menos reduziria a gravidade do problema.
“Que situação“, pensei enquanto pegava minha camisa entre os dedos dos pés para só depois perceber que se tratava da camisola da sogra. Se tudo isso tivesse acontecido em outro cômodo da casa, já seria uma considerável comoção. Estar pelado no quarto da dona da casa só agravava o que já era uma irremediável condição.
A patroa, que a partir de agora julgo infinitamente mais esperta que eu (já que meu cérebro se desligou totalmente e a única coisa em que eu conseguia pensar era achar minhas roupas e inventar uma desculpa pra explicar à sogra o que diabos eu estava fazendo no quarto dela), disparou pra fora do quarto. Tentei acompanhá-la com a vista, mas pra ver o caminho que ela tomou, eu teria que sair do quarto. Normalmente é uma tarefa fácil, mas vocês se surprendeeriam com a forma que falta de roupas complica até mesmo o mais simples intento.
Então, como eu ia dizendo, a maldita se mandou e eu fiquei no quarto sozinho. Trezentos palavrões subiram à minha mente, enquanto eu tentava entender porque diabos ela me deixou sozinho na situação. voltei pra perto da cama e voltei a procurar minhas roupas, com o coração batendo na garganta (puta sensação horrorosa, quem conhece sabe), sempre de olho na porta - na vã esperança de que encarar a porta produziria forças mágicas que impediriam a sogra de abri-la e ver minha assustada piroca.
Estou me alongando muito na narrativa, mas não se confundam: desde o momento em que levantamos-nos da cama até este em que descrevo agora, não se passaram nem 10 segundos. Por um lance de sorte, a véia decidiu fazer alguma coisa no computador (é minha suspeita, a bem da verdade não sei ao certo porque ela não foi direto ao quarto) e com isso, ganhamos tempo pra formular uma fuga sensacional que, se lograsse êxito, sem dúvidas entraria nos anais da história de fugas sensacionais.
Examinei a cama novamente. A armação tubular do móvel sustentava-se a menos de cinco centímetros do chão. Sou magrinho, mas aí é querer demais. Praguejei os fabricantes da cama enquanto tentava achar uma saída para a situação. Talvez se eu…
De repente, um ruído na maçaneta da porta do quarto.
Eu, que estava abaixado junto à cama, espalmeando o chão em busca da minha calça, me senti como o caminhoneiro que desceu um barranco pra dar uma cagada e foi pego no flagra por outro cagão.
A porta se abre lentamente.
Eu estava de costas pra porta, então ao menos virei-me de frente pra impedir à sogra a visão de minha bunda nua. Palavras subiram novamente à minha mente; uma torrente de possíveis explicações para o fato de que eu estava nu no quarto da sogra.
A porta abriu-se o suficiente para que eu visse um vulto indistinguível na entrada da porta, segurando a maçaneta.
E eu, pelado e de cócoras, segurando o que julgava ser minhas calças, jurei a mim mesmo que nunca mais treparia no quarto da mãe de uma namorada.
(continua no próximo episódio…)
Escrito por Kid on Mar 27, 2005
Taí.
Me enchi dessa esculhambação e comprei um domínio próprio.
Cabou a putaria de ficar mudando de endereço. Decorem esse e acabou. É curtinho e .com, do jeito que vocês gostam.
E infinitas desculpas por ter enchido o saco de vocês com 50 mudanças de endereço em menos de uma semana. Devo ter batido algum recorde.
Escrito por Kid on Mar 25, 2005
Não costumo expor minhas desventuras sexuais aqui no blog, mas semana passada aconteceu uma parada tão tragicômica que seria um crime não compartilhar a experiência com vocês. E além do mais, a única coisa mais honorável que rir das próprias desgraças é fazer os outros rirem com elas.
Então.
(Mamãe, se você estiver lendo meu blog, pare aqui)
Tava eu ontem aqui no apê, naquele tédio dos infernos. Trunks monopolizou o PS2, então só me sobrava a internet ou a TV. Meu bolso estava totalmente vazio, então sair de casa não estava nos meus planos. Felizmente, lembrei-me que um amigo estaria dando uma festa. Ligo pro cara, confirmo minha ilustre presença e, após ponderar sobre tomar ou não tomar banho, decido que seria uma perda de tempo. Ligo pra namorada, informo o programa da noite e, após receber a confirmação da presença dela, volto pro PC pra xingar alguém no orkut.
Acontece que minha namorada sofre do mesmo mal que aflige milhões - por que não dizer BILHÕES - de namoradas mundo afora: ela simplesmente desconhece o significado da palavra “pontual”. As duas horas que ela deve ter gasto pra se arrumar comprometeram o programinha da noite. Quando ela chegou aqui, já tava tarde demais pra ir à festa do moleque.
Já que não tinha mais jeito, optei pro plano B: assistir um filme na TV a cabo. The Punisher (É chato, não percam seu tempo assistindo. Um dia escrevo uma resenha.) tava passando, e na hora pareceu uma opção interessante.
Casal de namorados assistindo TV sozinhos no quarto, já viu: mão aqui, mão ali, daqui a pouco já estávamos quase tirando a roupa um do outro. Mas acontece que meu quarto não tem tranca na porta, e todo mundo tava aqui em casa. Joguei um balde de água fria na animação da patroa ao explica-la a realidade, e voltei minha atenção para o filme novamente.
Os hormônios já estavam controlando a pobre alemã, que não se deu por rogada.
- Ah, vamos lá pra casa. Não tem ninguém lá.
Ahhh, as palavrinhas mágicas. Desliguei a TV, joguei o controle remoto pro lado e pulei da cama como que impulsionado por molas. Nem perdi meu tempo calçando meias ou sapatos. Tomei a mão da menina e corremos alegremente pelo corredor do prédio, quase saltitante de felicidade, em direção ao elevador.
(Vou pular as explicidades do que aconteceu no elevador, ninguém precisa saber de detalhes sórdidos.)
Mal chego na casa da mulé, e ela já tá tirando a roupa. Sem reclamações do meu lado. “Quando em Roma…” pensei, enquanto afrouxava o cinto. Aí aconteceu uma parada que foi o primeiro dominó da reação em cadeira cadeia.
- Ah, vamos pra cama da minha mãe.
Parei pra avaliar a opção. Após ter descoberto que o colchão da mãe é muito mais confortável que o seu próprio, a gótica não perde uma oportunidade de dormir (ou fazer qualquer outra coisa) na cama da progenitora. Pesei os riscos mentalmente. Já passava das doze da noite; considerando que sua mãe sai do trabalho às 10:30 e que demora menos de meia hora pra chegar em casa, tanto eu quanto a namorada imaginávamos que a sogra deveria ter ido pra casa do namorado, numa cidade vizinha. Ou seja, ela não voltaria mais pra casa naquela noite. “Beleza então“, pensei em voz alta enquanto jogava a camisa do Slipknot num canto do quarto. A patroa setou o alarme pra tocar às seis da manhã, para que não houvessem dúvidas de que eu estaria de pé e indo pra casa bem antes da véia chegar em casa.
E estávamos lá, naquele bem-bom que todos que têm uma vida sexual ativa conhecem. Eis que no auge do momento, uma desgraça imprevista acontece. Ambos ouvimos um barulho vindo da porta da frente. Nós dois sabíamos do que se tratava, embora estivéssemos mentalmente desejando que não fosse verdade. Deitado em cima da namorada, eu conseguia sentir a tensão no ar, refletida nas batidas aceleradas do seu coração gringo. A antecipação era palpável e roubava meu ar.
Após segundos que pareceram uma eternidade e nenhuma confirmação ou conclusão a respeito do barulho que ouvimos, estávamos quase respirando aliviados. Foi quando ouvimos um barulho de batida na porta.
Horrorizado como alguém que acaba de levar um susto naquelas animações de flash, percebi que alguém acabara de entrar no apartamento. Pulei da cama (peladíssimo) como se o colchão tivesse dado-me uma mordida na bunda. O quarto estava imerso numa densa escuridão, o que me impossibilitava de catar minha cueca do chão. Apenas os dígitos do relógio de cabeceira eram visíveis. Minha cabeça entrou em pane; o pensamento rodava em círculos tentando definir quem poderia estar no apartamento àquela hora.
Não havia dúvidas.
Era mãe da namorada.
(to be continued…)
Escrito por Kid on Mar 24, 2005
Definitivo.
Desculpas a todos essa putaria de hoje. Esse vai e vem de servidores estressou até a mim, que dirá os pobres leitores.
Deixa eu explicar pra quem não entendeu a confusão. O domínio do Yuri - como eu havia avisado - expirou. Acontece que eu, burraldaço, esqueci de avisar a todos que os arquivos do blog continuavam direcionando pra ele. Ou pior, esqueci de consertar isso. Somando a esse probleminha, o Criandosites resolve dar pau e deixou o domínio fdp.com.br indisponível durante a manhã inteira. Ou seja, o HBD tava absolutamente escondido da vista pública.
Depois de vais e vens, e com a imprescindível ajuda do Yuri, pus tudo nas ordens. Devo ter perdido uns 30% de visitas e o equivalente em dinheiro, mas o que importa é que tá tudo direitinho aí procês.
Vou tentar recompensa-los com posts.
A quem possa interessar: o www.hbd.fdp.com.br continua valendo. Mas aqueles que prefiram usa-lo, fiquem de sobreaviso: ele é grátis, portanto, não tão confiável quanto o server do Yuri.
Mais uma vez, foi mal aí.
Churumelas postas de lado, continuemos com a programação normal.
Escrito por Kid on Mar 22, 2005

O jogo desta semana (ou mês, sei lá quando atualizarei essa seção novamente) foi uma grande sensação na minha escola no meu tempo de colegial. Infelizmente para nós, jamais aprendemos ou nos importamos em pronunciar seu nome corretamente, e este game ficou marcado nas nossas infâncias com “O jogo do hotel”. A culpa do jogo não é o fato de que ele é totalmente em japonês, mas sim que ele foi lançado antes da chegada dessa modinha fedorenta de “otakus”, gente que decora os roteiros de animes, usa smiles como ^^ e que daria a bunda para um oriental apenas para ter um pouco de japonês em si. Assim sendo, como ninguém dava a mínima pro idioma nipônico, ficamos sem saber do que diabos se tratava o jogo, e tivemos que usar a imaginação pra teorizar sobre o que se tratava a história.
Syodai Nekketsu Kouha Kunio kun, conforme descobri há uns dois dias atrás, conta a história de dois moleques de colegial que mataram aula pra ir curtir na cidade. Obviamente, a merda pega no ventilador e nossos heróis se vêem às voltas como todo tipo de gente estranha, com habilidades fantásticas como cair no chão e desaparecer após levar dois murros. Obviamente, na época não sabíamos de nada disso. Então, pra nós, eles não eram moleques colegiais e sim OS CARAS DE BRANCO.
(E como se trata de um jogo de 2 players, essa resenha teve a participação ilustre de Trunks, como CARA DE AZUL.)

Conforme você pode ver no screenshot acima, há um bando de caras de branco. Meu personagem está entre eles, mas são todos japoneses e estão usando as mesmas roupas (que poderiam ser uniformes colegiais, o que corroboram o que li na internet sobre o jogo), não há forma de diferenciar um do outro. Legendas aparecem na parte inferior da tela, que ajudam bastante caso você saiba ler japonês, ou que serão ignoradas caso contrário.
Os caras entram no trem e me deixam sozinho no que parece ser a menor estação de metrô do mundo.

Trunks, o cara de azul, aparece magicamente na aventura. Há alguma explicação em japonês para o fato de porque ele apareceu, então novamente tive que usar minha imaginação para elucidar esse mistério. Sem mais essa nem aquela, somos interpelados pelos CARAS DE VERDE, o que nos permite pela primeira vez testar o complexo sistema de luta do jogo, que consiste em andar pra perto do oponente e apertar Y até que ele caia ou diga algo em japonês e saia de cena.
Os caras de verde não ofereceram muita dificuldade; antes que me desse conta já havia chutado suas bagaças japonesas e prossegui no joguinho.

…e aí chegamos na parte que explica o pseudônimo do jogo. Muita gente não tinha paciência com o idioma oriental e desistia rápido do jogo. A única coisa que se absorveu do game é que parte dele se passa num hotel, logo o jogo foi rebatizado com o nome alternativo de “Jogo do Hotel”. Lição de história à parte, voltemos à resenha.
O Cara de Branco está deitado numa cama que parece tão confortável quanto um tijolo. Sem mais nem essa, entram no quatro Cara de Azul e Caras de Branco números 2 e 3.

Algum de nós fala alguma coisa. Algum outro responde alguma outra coisa. Após esse revelador diálogo, o jogo continua.
Eu e Trunks passamos a explorar os outros quatros no mesmo andar, apenas pra descobrir que eles são tão fedorentos quanto o nosso: além das duas camas e uma porta, não há nada digno de comentário. Tudo bem, quartos de hotel são tudo igual mesmo. Mas custava ter ao menos usado uma textura diferente pras camas, ou colocado-as em posições diferentes?

Como você pode ver nesse shot, estou equipado com um útil pedaço de pau, encontrado em um dos quartos. Algo totalmente normal, pois como todos sabem há muitos pedaços de pau espalhados em pontos aleatórios de hotéis reais.
Perceba também que o life de Trunks está sensivelmente menor. Isso aconteceu quando eu estava testando os botões de ataque e ele estava - por muito azar, coitado - no meio da trajetória do pedaço de pau, que foi inadvertidamente arremessado quando apertei o Y. Novamente aí, podemos ver o quanto esse jogo é realista: ser atingido por um pedaço de pau, essa arma formidável, quase o matou.
Após praguejar em várias direções, Trunks se acalmou e decidimos pegar o elevador e explorar outros arredores.

Felizmente os números do elevador são legíveis, o que permitiu se movimentar baseado em uma decisão real ao invés de puro acaso na hora de escolher as opções. Infelizmente, é o único caso em que isso acontece no jogo inteiro.

Chegamos ao terceiro andar. Encontramos dois sujeitos de azul, um deles já se posicionando de forma suspeita atrás de Trunks. Alguém (o mais foda é que não dá pra saber nem quem está falando) fala alguma e, a julgar pelo ponto de exclamação, posso pensar que foi um xingamento. Antes que percebamos, já estávamos trocando sopapos e pauladas.

A imagem mostra que Trunks foi facilmente subjugado pelo oponente de azul, que é visto caminhando em cima da cara do meu pobre irmão. Algo que, estranhamente, tirou menos life do que a paulada que eu dei nele previamente. Isso deu um outro sentido à expressão “quem precisa de inimigos quando seu irmão tem um pedaço de pau e não sabe qual botão o arremessa“.
Após levar mais algumas caminhadas na face, Trunks morre - o que no jogo significa que seu bonequinho desapareceu.

Após o trágico falecimento/desaparecimento do meu irmão, a raiva toma conta do meu bonequinho de branco, e então espanco os inimigos.
Após mandar os oponentes pro limbo dos inimigos que desaparecem após suas derrotas, voltei pra explorar os outros quartos, na tentativa de encontrar alguma coisa mais útil que um pedaço de pau.

Achei em cima da cama esta pedra, que por um erro de gráfico se assemelha muito com um convencional travesseiro. Caso eu esteja enganado e se trate realmente de um travesseiro, é o travesseiro mais pesado do mundo, que requer dois braços arqueados em cima da cabeça para levantar, e que pode ser inclusive utilizado como arma (e como descobri no futuro, causando mais danos que o pedaço de pau.
Escondendo-me atrás da segurança que um travesseiro de trinta quilos confere ao seu portador, sai do quarto em busca de mais pessoas aleatórias para espancar.

E as vítimas não custaram a aparecer. Perceba a barrinha de life azul, logo abaixo da minha própria. Essa barrinha corresponde ao life da garota em minha frente. Esse estrago que quase a matou foi provocado por um único arremesso do travesseiro, e um murro na cara.
Mas o jogo virou rapidamente. As vítimas se organizaram - uma delas até se armou com um pedaço de pau que ela mesmo produziu através de artes mágicas - e vieram ao meu encalço. sabendo que não poderia conter a massa, fiz o que qualquer um faria:

Roubei a mala de uma das meninas e dei no pé rapidim.
Mas a menina jogou o pedaço de pau na minha cabeça, o que me despachou deste mundo pro outro.

Ou melhor, do corredor pro quarto. Acompanhando a temática realista do jogo, você nunca morre. Você desmaia e acorda no seu quarto. Com isso Trunks, que tinha “morrido” fazia tempo, pôde se reunir a mim. Armados com travesseiros e paus, retomamos a jornada em busca de uma conclusão sobre o que diabo esse jogo se trata.
O que não foi nada fácil. Em um certo momento do jogo, Trunks é interpelado por um sujeito, que faz uma pergunta crucial para o andamento do jogo:

Tirando os raros momentos em que o jogo tenta fazer de conta que há uma história rolando no pano de fundo, o jogo é porradaria pura. Nada de pegar um item e levar pro outro lado ou cumprir missões. Só porrada.



Enfim. Syodai Nekketsu Kouha Kunio kun é um jogo bacaninha, a despeito dos gráficos simples, da completa falta de realismo e da história imcompreensível. Eu ia pôr a ROM aqui, mas aí foderia minha banda, então se virem e procurem no Google.
Escrito por Kid on Mar 19, 2005
Mais uma mudança de endereço. Ai, caralho.
Atenção, cambada. O Yuri me avisou que a URL do domínio dele expirará nessa terça-feira, e ele talvez abrirá um outro de nome ainda não definido.
Isso significa que o endereço yuriii.com/hbd vai pro beleléu. Ou seja, esqueçam esse endereço. Entrem pelo http://www.hbd.fdp.com.br, que apesar de ter me dado um pequeno susto no passado, parece estar firme e forte. Se essa porra sair do ar, aí eu terei um problema real.
O endereço “real” do HBD passará a ser este. Eu não me preocuparia em decorá-lo, mas por questões de segurança eu bookmarkearia. Just on the safe side.
Isso, claro, se você ainda tem alguma vontade de ler as merdas que eu escrevo.
Um fenômeno similar aconteceu quando meu domínio .com expirou. Perdi umas duzentas visitas diárias, a despeito do fato que eu avisei sobre a mudança com mais de um mês de antecedência. Vamos ver dessa vez.
Escrito por Kid on Mar 19, 2005
Gente que merece morrer de maneiras dolorosas e/ou lentas, volume I
- Gente que fala “locar” ao invés de “alugar”
As pessoas em geral têm um problema em comum: a necessidade de ser “alternativo”. Nada de errado com isso; o lance é que tem gente que não se conforma em apenas usar óculos de aros grossos e ouvir bandas suecas que ele na verdade não gosta. Tem gente que gosta de “alternativizar” a língua, substituindo palavras de consolidação popular por outras que soam mais “cool”. Um bom exemplo desse fenômeno são as pessoas que insistem em se referir ao ato de alugar como “locar”.
Não que esteja errado, mas essa prática me incomoda muito. “Locar” soa nos meus ouvidos como a forma que o Chico Bento pronunciaria a palavra “local”. Pior que isso, não entendo o que leva uma pessoa a pedantemente descartar um simples “alugar”. Deve ser algum tipo de moda linguística, essas modernidades defendidas por sujeitos que consideram dar a bunda uma manifestação artística. Nos meus tempos de criança, quando eu frequentava locadoras e disfarçava estar olhando pra sessão de ficção mas estava na verdade de olho na prateleira de pornôs, não lembro de ter ouvido um “locar” sequer. E olha que eu vivia lá.
- Fãs imbecis de Star Wars
Antes de mais nada, deixo claro que sou um admirador profundo da série. O negócio é que imbecilidade não escolhe onde atacar, ela simplesmente infesta tudo. E deixo claro que não tenho nada contra os adoradores de George Lucas em particular, afinal, fãs são imbecis por natureza independente do objeto de fanatismo.
O negócio é que tem uma parada que percebi recentemente em relação a esses caras. Um negócio que já havia acontecido no passado, mas não com tanta frequência como ultimamente, então não merecia grande atenção. Aposto que já aconteceu com você.
Você está conversando animadamente com algum amigo nerd, e comete o terrível erro de se referir ao Uma Nova Esperança (oficialmente Episódio IV, o primeiro filme da série a ser lançado) como “o primeiro Star Wars”. O sangue do nerd ferverá, e ele terá um acesso de prolixidade (como todos os nerds, quando têm a oportunidade de deleitar seus ouvintes com suas pérolas de conhecimento inútil). Em seguida, ele explicará pomposamente que você é burraço, porque o primeiro filme da série não é Uma Nova Esperança, e sim A Ameaça Fantasma, uma conclusão tão espetacular quanto uma monografia de química que finalize a tese declarando que a água é molhada. Parece até que o fato de que o George Lucas está recontando o universo Star Wars com filmes que se passam antes da história principal fosse o terceiro sagrado mistério de Nossa Senhora de Fátima, um conhecimento que apenas o nerdzim detém.
- Gente que justifica analfabetismo por estar na internet
Frequentemente me vejo discutindo na internet com pessoas que trocam “o” por “u”, “ch” por “x”, “gente” por “gentiiii”, deliberadamente e sem motivo. Não vamos ser radicalistas: uma coisa é trocar “por que” por “pq” - é entendível. Mas “maluco” por “maluko”? “No” por “nu”? Qual a finalidade de substituir uma letra por outra, se isso significa simplesmente bastardizar a palavra original?
Eu procuro evitar atacar uma pessoa julgando detalhes alheios ao assunto debatido, mas é difícil se controlar e segurar uma crítica a esse tipo de atrocidade. Nas poucas vezes que cometi o erro de trazer a imbecilidade da pessoa à sua atenção (como uma crítica construtiva, até), recebi uma resposta que me ofende mais que os erros em si: “istou na internet, possu iscrever como kero kra, kkkkkk“, que é praticamente um “estou cercado de pessoas imbecis, então acho que devo me comportar igualmente” seguido de várias consoantes que, na cabeça do imbecil, soam como uma risada.
Quando foi a última vez que você ouviu alguém rindo “cá cá cá cá“?
[ ADENDO ] O RaUL não conta.
Escrito por Kid on Mar 16, 2005

Fiz uma viagem à Toys R Us na última sexta feira e desembolsei cinquenta e sete dólares por esse jogo. Um pouco caro em relação aos outros jogos que já comprei, mas o preço alto não é sem sua vantagem: o jogo veio em um pacote especial que inclui um incrível headset, que me permite xingar um oponente cantarolando cantigas em homenagem à sua morte. Só isso já deveria valer pelo menos os 57 dólares, pensei.
E estava muitíssimo enganado. Esse pacote valeria meus dois rins, se o fabricante pedissem-nos em troca do título. E eu daria de bom grado, aceitando passar o resto da vida ligado a uma máquina de hemodiálise, se ao menos houvesse um PS2 e uma cópia de Socom no hospital.
Socom é O melhor jogo que o dinheiro pode comprar, ponto final. O game o coloca na pele de um Navy Seal (que significa Sea, Air and Land, mas já vi traduzido em filmes como “focas da marinha”), que são caras armados com fuzis, metralhadoras, granadas e minas, mas a serviço do “bem” - o que deve significar que eles matam seus semelhantes mas mesmo assim irão pro céu, acho. A história é… hm, não sei qual é a história. Sempre pulo os briefings e as animações de apresentação. O que eu sei que é você tem armas na mão, e quem está armado não precisa dar atenção a algo que não esteja se movendo em sua direção.

Um Seal investiga uma casa abandonada. A última coisa que passa por sua cabeça é uma bala 9 milímetros.
Foda-se. Ninguém compra Socom por causa do modo single player. Quando mal comecei a primeira missão e matei todo meu esquadrão com uma granada mal-jogada, percebi que seria muito mais interessante voltar minhas avançadas táticas de guerra para o modo online, onde eu posso ao menos ser xingado de volta se trucidar meu próprio time.
Após escolher meu nome e conectar ao servidor (o que foi bastante simples, ponto pros produtores), perambulei pelo lobby a procura de um jogo. Entrei na sala “n00bs only” e bati um papo informal com os jogadores. Digitar utilizando o joystick é um exercício de paciência, algo que não tenho. Preciso comprar um teclado USB o quando antes.

Um Seal corre pra atender o telefone, enquanto uma igreja evangélica arde em chamas na rua em frente
Começa a partida. O jogo nos coloca num cenário meio “Guerra do Vietnã”: selva densa, riachos cobertos por neblina, intimidantes torres de madeira espalhadas aleatoriamente pelo mapa. Devo dizer logo de cara: os gráficos são fantásticos. Nos mapas com neve, conforme descobri depois, suas pegadas ficam impressas no chão. Dá pra ver até o bafo do seu personagem. Não sou o tipo de jogador que vende sua afinição em troca de gráficos, mas Socom me impressionou.
Então, de volta ao Vietnã. Começamos dentro do riacho. A neblina cobria nossas cinturas, dava pra ouvir até o barulho dos mosquitinhos vietnamitas voando ao redor da gente. Havia outros três Seals comigo. Do nada, não mais que de repente, ouço uma voz na minha orelha. Era Matt, um Seal que se posicionava bem do meu lado, estabelecendo contato pelo headset.
- Hey dude, are you leading?
- No, I’m Izzy 
Após rir da minha gracinha sem graça, Matt explicou que estava perguntando se eu lideraria. Sabe Deus porque o cara perguntou logo pra mim, que era provavelmente o mais novato ali, com menos de 0 horas jogadas. Mas aceitei o convite, dei uma olhadinha em volta e, sem pestanejar, mandei pro resto do esquadrão:
- É ali mesmo! Ali, do lado daquelas pedras. Vamos lá!
Obedientemente, o resto do esquadrão me seguiu - com exceção de um maluco que aparentemente ainda não havia dominado o sistema de controle de jogo, e foi visto pela última vez dando voltas em redor de uma torre. Sem dúvida aquele foi o primeiro a tomar um tiro na cara.

Os últimos suspiros de um terrorista
O esquadrão movia-se confiante, e o líder sem ter a mínima idéia de pra onde estava indo. Sem o menor aviso, ouvimos barulhos de armas à nossa direita. Viro-me para trás, para me esconder atrás de um corredor de pedras, bem a tempo de ver Matt tomar um BALAÇO no meio dos olhos. A animação foi linda; Matt levantou vôo para trás, impulsionado pelo impacto da bala. Ouviu-o dizendo “Fucking Shit!“, e o canal de comunicação se fechou (o jogo impede que jogadores mortos falem com os vivos, não porque isso é uma simulação mais realista do mundo real, mas para impedir que os defuntos dêem dicas pros companheiros que ainda respiram). Havia sido um headshot, então eu tinha certeza que era um jogador a menos no nosso time. O corpo de Matt, a essa altura já sem vida, atingiu a parede de pedra do lado oposto. Enquanto um bug estranho fez o corpo deitar-se em uma mesa invisível a uma altura de dois metros do chão, ouvi os outros soldados gritando loucamente no headset.
A experiência imersiva do jogo é surpreendente. A excelente ambientação, os sons realistas e o sistema de comunicação por voz dão a você a sensação de estar realmente num campo de batalha.
Após a morte dramática de Matt, os outros soldados se jogaram no chão, feito possível através da tecla triângulo. Balas começaram a zunir por todo lado, o que provavelmente indicava que o inimigo já sabia onde estávamos. Assisti perplexo os outros soldados se arrastarem pra longe do corpo do companheiro defunto e sumir embaixo da névoa. Eu estava sozinho.

Alguém com pouca sorte
As tiros inimigos silenciaram. Sem pensar duas vezes, saí atirando feito um louco, em todas as direções. Ouvi mais algumas rajadas e meu controle tremeu, o que indica que eu estava pegando chumbo. Voltei correndo pra trás da pedra. Esperei um pouco e percebi que novamente, os inimigos pararam de atirar. Então entendi que eles estavam me localizando por causa do barulho que eu fazia ao atirar em todas as direções como um desvairado.
Logo ao meus pés, estava o corpo do Matt. Ele havia largado uma HK mp5 silenciada…

Essa aí
…que reconheci imediatamente como minha arma favorita em muitos jogos online (como Soldat). Peguei a arma do presunto e saí correndo metendo balas em qualquer massa de pixels que estivesse se movendo.
Ouvi barulhos de tiros que pareciam estar vindo logo atrás. Ao me virar, dou de cara com um terrorista que corria em minha direção, empunhando uma AK 47. O azar dele é que ele gastou o resto do clipe tentando me alvejar de longe, e no momento estava recarregando o fuzil. Mais no susto do que na habilidade, pressionei o R1 com toda força que me foi possível, pensando “será que esse filho da puta conseguirá recarregar a tempo?” O coice da minha recém adquirida sub-metralhadora jogou a arma pra cima. A rajada pegou o terrorista desprevinido, bem do lado do nariz. Em êxtase, vi o corpo do maluco sendo jogado pra trás, mais ou menos da mesma forma que aconteceu com o Matt. Fiz minha primeira vítima no jogo.
Claro que, até fazer a segunda vítima, tive que comer muito feijão. Lembrei-me do tempo em que jogava Unreal, ou Quake, ou Soldat, ou CounterStrike, ou seja lá qual for o jogo, em que sempre haverá nerds que jogam há pelo menos dez vezes mais tempo que você e irão te matar mais ou menos na mesma proporção.
Morri de praticamente todas as formas possíveis e até mesmo impossíveis, quando um bug (ou um cheat?) fez uma bala atravessar uma pedra de uns dois metros de largura e acertasse minha inocente cabeça que passava pelo outro lado. Em várias ocasiões, dei dois passos pro lado e peguei tiros, ou servi de pista de aterrissagem para granadas, ou caminhei em minas terrestres. Após cansar de ver meu bonequinho voar sem vida pra todo lado, me comprometi em aperfeiçoar minha habilidade na porra do stick analógico. Mirar com aquela desgraça é um esforço miserável e frequentemente pouco (ou contra)produtivo (se algum companheiro tiver o azar de cruzar sua alça de mira enquanto você persegue um inimigo pela tela).
Legal é que tem uns caras que se envolvem mesmo com o jogo. Frequentemente sou abordado pelo headset por sujeitos que, gritando tal qual um sargento, pedem que eu me “identifique”, avisam que “têm contato visual com o inimigo”, ou que ele está às “nove horas”, que “necessitam de cobertura” ou (por causa da sua falha em seguir as instruções deles), mandam você “se foder”.
Normalmente eu acharia isso uma puta nerdagem, mas o resultado disso é uma curiosa experiência imersiva (que soma com o resto do pacote que o jogo oferece). Os caras são apenas crianças grandes brincando de polícia e ladrão. E sejamos francos: videogames são nada além de um brinquedo para crianças crescidinhas. Não posso julgar aqueles malucos apenas por vestirem a fantasia. E, na real, é realmente divertido.
“Mas Quide”, você me pergunta, “se esse jogo é tão legal, por que você está aqui escrevendo sobre ele ao invés de ir joga-lo?”
Por que, realmente. Vou expulsar o Trunks do aparelho e dar uns tirinhos virtuais.
Acho que vou inovar e jogar com o volante da próxima vez.
(Àqueles que tiverem um PS2 e o jogo: meu nome lá é IzzyNobre e costumo frequentar o server US East)
Escrito por Kid on Mar 13, 2005
Outro dia percebi que, a despeito da fortuna incrível que estou ganhando de presente do Google, mais cedo ou mais tarde - preferencialmente mais tarde, se a opção “beeeem mais tarde” não estiver disponível - eu terei que arrumar um outro emprego.
Aliás, um emprego não: uma carreira. Chegou a hora de decidir o que farei pro resto da vida. Para garantir uma boa escolha e maximizar minha renda potencial, tenho que estar atento às tendências profissionais e às demandas do mercado (ou às carteiras que estejam dando sopa, caso você seja do tipo que desiste rápido).
Após quase três minutos de pesquisa, cheguei a uma conclusão arquimediana:

Mas é claro.
Burrice alheia é a melhor área a que alguém pode se dedicar. Existente desde os tempos primordios até os dias atuais, é um ramo que oferece inúmeras oportunidades de carreiras. E você não precisa se preocupar em se tornar um profissional defasado: a burrice humana é um recurso renovável e jamais acabará, garantindo seu pão até o dia em que as estrelas apagarem ou Jesus voltar armado com metralhadores pra matar os pecadores, o que vier primeiro.
Então, bolei este pequeno guia de carreiras para aqueles que, assim como eu, perceberam que a burrice humana é sem dúvida um fator importante, e que deve ser considerado na sua escolha profissional.
Chaveiro
Quem nunca perdeu uma chave? Mentira, você já perdeu sim. Nenhum ser humano está imune da aflição de bater com as mãos nos bolsos e descobrir, horrorizado, que deixou as chaves na mesa do McDonald’s, ou na cabeceira da cama redonda do motel. É pensando nessa habilidade natural do homem de perder as chaves que surgiram os chaveiros - gente pronta a fazer uma cópia da chave que você encontrará uma semana depois, entre as almofadas do sofá, o último lugar onde você pensou em procurar.
Habilidades requeridas: Colocar uma chave no molde e não rir da cara do imbecil que perdeu a original.
Variações: O cara que tira segunda via de documentos.
Astrólogo
A teoria da seleção natural prega que a sobrevivência pertence aos mais aptos a se adaptarem ao meio, ou seja, os mais espertos. Há uma contradição para cada regra, e as pessoas que acreditam em horóscopo são o antagonista da teoria evolucionista. Apesar do avanço científico, que há séculos vem dissipando as superstições da geral, ainda existem pessoas que insistem em acreditar que, se perderam o emprego, a namorada ou a virgindade do cu para um negão suspeito num beco escuro às duas da manhã, é culpa de alguma rocha gigante que rodopia ao redor do Sol. Como se isso já não fosse uma ofensa ao intelecto de qualquer um que não precise de cuidados especiais, os simpatizantes de babaquices astrológicas aceitam qualquer sugestão lida em revistas de horóscopo, a despeito do fato de que elas são EXTREMAMENTE AMPLAS e se encaixariam no perfil de qualquer pessoa, independente do signo.
Habilidades requeridas: Encarar uma mão/mapa astral/baralho de tarô/búzios por alguns minutos sem liberar uma expressão de “não faço a menor idéia do que isso significa mas vou usar o poder da sugestão nesse otário”
Variações: Ciganos e médiuns de toda espécie.
Pastor Evangélico
Cansado de pedir às pessoas que te dêem dinheiro e ouvir um “vai trabalhar, vagabundo“? A solução é simples: bote uma bíblia embaixo do braço e diga que foi Deus quem mandou! Nove entre dez pessoas têm muito medo de ir pro inferno, e um pastor esperto sabe usar essa característica da população supersticiosa em seu favor. Aliás, a regra não se limita aos dízimos; qualquer coisa que você pronunciar, por mais incoerente e nitidamente absurda que seja, passará incólume pelo juri popular da sua congregação se você arrematar a sentença com um “…e isso é a vontade de Deus, irmãos!” Aleluia.
Habilidades requeridas: Ler a bíblia e arquitetar interpretações que digam que Deus precisa de dinheiro.
Variações: Pastor da Assembléia de Deus, pastor da Presbiteriana, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, pastor da Pentecostal.
Escritor de Auto-Ajuda
Autores especializados em livros de auto-ajuda são um pilar da nossa sociedade. Como poderíamos viver sem livros mal escritos repletos de analogias e metáforas pedantes e mal-empregadas, que visam ensinar você a fazer algo que já deveria ser capaz caso não fosse um fracasso retumbante no sentido mais amplo que a palavra permite? Perceba que temos um combo aqui: livros de auto-ajuda são direcionados a um público-alvo muito especial, o dos burros E fracassados (o que muitas vezes é uma redundância). Se você quer garantir seu sucesso neste ramo, escrever livros de auto-ajuda é uma ótima pedida. Ainda que você não obtenha sucesso, não se desespere: você já sabe onde arrumar apoio psicológico e força para sair da merda. E não se preocupe em não saber escrever direito: as pessoas que comprarão seus livros estarão tão preocupadas com seus próprios problemas que não notarão sua falta de proficiência com a língua portuguesa.
Habilidades requeridas: Conhecer muitas fábulas de animais que se meteram em situações complicadas e se salvaram por trabalhar em equipe/acreditar em si mesmo/não desistir.
Variações: Escritor de blogs com banners do Google.
Operador de Telemarketing
Se há algo pior que acreditar que Deus pediu seu dinheiro através de um pastor, ou que duas linhas na sua mão significam que você terá sorte no amor, ou que você pode fazer qualquer coisa que acreditar que pode, é a fé de que algo pode ser vendido pelo telefone. Ao longo de minha vida, bati o telefone na cara de operadores de telemarketing mais do que o suficiente para perceber que, não importa o que você está vendendo telefonicamente, ninguém em sua mente sã e em condição financeira abaixo do nível em que se limpa a bunda com cédulas de dez reais compraria. A lógica é simplíssima: se você precisa LIGAR pras pessoas e pedir que elas comprem, a probabilidade é que elas sequer sabem que o que você está vendendo existe. Diferente dos supra-citados, é um ramo que explora a burrice não dos clientes, mas do seu empregador. Mas cuidado: um dia seu chefe pode perceber que esteve apenas gastando dinheiro com salários e contas telefônicas, e quando este dia chegar (e eu tenho fé que todo ser humano um dia abandona seu estágio de burrice animalesca), você precisará ler este manual novamente.
Habilidades requeridas: Fazer de conta que o que você está vendendo é algo que as pessoas deveriam realmente adquirir, a despeito de seu preço exorbitante e inerente inutilidade.
Variações: Praticamente qualquer tipo de vendedor.
E é isso. Escolham a área que melhor se adequa ao seu gosto de fazer os outros de otários e se divirtam espalhando currículos por aí.
Escrito por Kid on Mar 10, 2005
Último post relacionado à religião, prometo.
Tava brincando com umas sprites de SNES e de repente veio uma idéia na cabeça. Mamãe já dizia que mente vazia é oficina do diabo (ou teria sido minha avó?). Suspeito que esse é mais um caso de ditado popular que estava, no fim das contas, certo.
Essa é mais uma campanha infrutífera de uma longa série de campanhas infrutíferas do HBD. Já tentei um bocado no passado, mas como era um blogueiro de merda que ninguém conhecia, não deram em nada. Foram tão insignificantes que aposto que vocês nem lembram. Agora, que sou um blogueiro bem sucedido, rico e já semi-decadente, veremos!
Versão para sites
Versão para fóruns*
Coloquem nos blogs, flogs, assinaturas em fóruns, videologs, perfis de orkut, carteiras e painel do carro.
Vamos espalhar a idéia.
…
E a interconectividade não pára por aí! Conversando com um amigo no MSN, tive uma idéia tão fenomenal que estou pensando em largar o blog, patenteá-la e viver de royalties como um marajá árabe.
Cacofonia do caralho à parte, a parada é a seguinte: abro a partir de agora um concurso de imagens, o primeiro da história do HBD. As propostas são:
a) Tirar foto de uma bíblia em uma situação cômica. Usem a criatividade, porra.
b) Tirar uma foto de uma bíblia com alguma notinha do lado, com dizeres engraçadinhos. Não me pergunte nada, use os miolos.
Quero ver agora o senso de humor de vocês.
Vamos lá, recarreguem as pilhas de suas CyberShots e mandem suas fotos pro meu e-mail (que por preguiça de digitar o código HTML, pedirei que você copie ali do menu ao lado). As melhores fotinhas serão postadas aqui, com os devidos créditos e links.
Bora malandro. Pega lá aquela bíblia da tua avó e mãos à obra!
Ah, sim: fotos postadas nos comentários serão desconsideradas. Qual será a graça de eleger e publicar as fotos mais engraçadas se todo mundo ver com antecedência?
*Só funciona no protocolo phpBB, malandro. Que é, diga-se de passagem, o único que deveria existir. Se você frequenta algum outro tipo de fórum (como EzBoards), você merece morrer.
Escrito por Kid on Mar 8, 2005
E como o assunto é religião e tudo o mais, acho que seria apropriado contar aqui o resultado da minha mais recente interação com essa galera que acredita que Deus é amor mas queimará os pecadores no quintos dos infernos até o fim dos tempos.
Conforme alguns amigos mais chegados devem saber (e se não sabem é porque não prestam atenção no que eu digo), há poucos brasileiros aqui em Oshawa. Além da Mayara, uma intercambista que comparece às festas a que a convido mas não fala nada a noite inteira, eu não conhecia nenhum outro compatriota nas redondezas. Até o dia em que o Mike, um cristão maluco lá da escola, me encheu o saco para que eu visitasse a sua igreja até que eu perdi a paciência e desistí de dizer “não”. Segundo ele, havia mais ou menos uns sete brazucas em sua congregação, incluindo o pastor. Brasileiros, mas crentes. “Todo mundo tem um defeito”, pensei, mas caralho ein? Crente E brasileiro. Imagina aí um batedor de carteita, mas que pede perdão a Deus após o crime.
Eu vivia prometendo ao Mike que visitaria a sua igreja, não por realmente querer ir lá mas porque isso revelou-se uma eficiente tática de repelir o cristãozinho. Mal ele chegava querendo me evangelizar, e eu dizia “Aê malandro, tou indo lá nesse domingo ein?“, e ele balançava a cabeça concordantemente e ia cuidar da própria vida.
Infelizmente tudo tem um prazo de validade, e a minha desculpa expirou após uns três meses de “Ei, não te vi lá no domingo!” Hoje, como não tinha nada pra fazer, resolvi dar um pulinho na igreja do moleque. Por mais chato que seja, cheguei à conclusão que, na pior das hipóteses, ao menos conhecerei mais brasileiros (embora eu ainda esteja na dúvida, pois isso talvez seria uma hipótese ainda pior do que a imaginada).
Mas enfim, reuní a família e me mandei lá pra igreja do moleque. Valeria ao menos o post.

Após uma breve confusão (chegamos à igreja mas simplesmente não conseguíamos encontrar a porta), estávamos dentro do templo e participando do “momento de louvor”, e quando digo “participando” me refiro ao sentido apático da palavra; bocejando e coçando a orelha enquanto os crentezinhos batiam palmas e choravam ao meu redor.
Após uns vinte minutos de cantoria e antes do término oficial do período de “louvor”, sentei-me e puxei o palm pilot pra dar continuidade a uma emocionantíssima partida de paciência. Antes que eu pudesse arrastar o 5 de espadas pra cima do seis de copas, o pastor apareceu magicamente em cima do púlpito e começou a pregação.
“As sete pessoas mais prejudiciais para a sua vida” era o tema do sermão. Uma a uma, o pastor ia dando as descrições das pessoas que, segundo ele, Deus não quer que você seja amiguinho. Pessoas que alimentam sua tristeza, pessoas que alimentam sua raiva, e por aí vai, sempre fechando os argumentos com pérolas do tipo “Deus não gosta disso”, “não é isso que Deus quer”, “o Senhor não se agrada disso”.
Coisa que ele não faria, caso fosse um pastor mais atencioso e dessa uma lidinha ocasional naquele livro que ele carrega debaixo do suvaco:
Ezequiel 28:6
Assim diz o SENHOR Deus: Visto que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus
Contradições pastorais à parte, o culto foi até bom. Bocejei apenas cinco vezes, em contraste com os seis que costumo soltar em situações do gênero. Terminada a primeira parte do sermão (que não durou mais que 10 minutos, o que eu achei esquisito), o pastor entrou na continuação do estudo: “As sete pessoas mais úteis para a sua vida”. Aprumei-se na cadeira, cocei a bunda, ajeitei o cabelo e limpei o óculos. Lá vinha merda.
O pastor começou a numerar o que eu considero a lista de qualidades que transformariam o mundo uma utopia, e todas as pessoas em bundões por tabela. “Pessoas que valorizam seu esforço”, “Pessoas que te tratam bem a despeito das situações”, “Pessoas que alimentam sua auto-estima”… O cara tá pensando o quê? Achar uma pessoa com ao menos uma dessas características já exigiria umas quatro ou cinco mudanças de bairro. Esperar que você se rodeie de gente dessa qualidade é apenas inocência.
Mas o culto ainda tava indo rápido demais, pro meu espanto. Em menos de cinco minutos, o pastor já tinha passado por todas as definições de bundões que fariam seu dia melhor se eles fossem seus amigos ou colegas de trabalho. O pastor chegou na última característica.
“Pessoas que o ajudam a se desprender de bens materiais”.
Ahhhhhh! Tudo fez sentido. Só então compreendi porque todas as outras definições exigiram menos de um minuto para serem definidas. Chegamos na metade do sermão e o assunto parou justamente naquele que, no fim das contas, tem finalidade de jogar uma chantagem emocional nos fiéis.

Pastor esperto.
Voltei minha atenção ao joguinho de paciência, e de cabeça baixa ouvia o pastor. Enfático, quase chorando em alguns momentos, ele dizia que Deus se entristecia muito quando via uma nota de 50 dólares na sua carteira e você não jogava na cestinha das ofertas.
Há! Essa é boa, ein? Deus, que é supostamente “dono do ouro e da prata” (segundo a bíblia), Senhor do Universo e Mestre do seu Destino, precisa de cinquenta pilas! Mais especificamente, das suas cinquenta pilas. Acho que Deus não pode simplesmente arrumar dinheiro de outra forma, cabe a nós sustentar o malandrão.
O pastor finalizou a palavra, embora sem a menor menção do assunto principal. A pauta de fechamento do sermão foi “temos que ser mais generosos com relação às ofertas da casa do Senhor!” E o pastor ordenou a segunda passada das sacolinhas de oferta, suponho eu que foi pra completar as cinquenta pratas de Deus que a primeira passada não arrecadou.

“Vou dar minhas cinquenta pratas pra Deus, aleluia”
Foi um tanto quanto divertido. Acho que vou domingo que vem, só pra ver que assunto o pastor inventará para preencher os primeiros vinte minutos da pregação, antes que a palavra seja direcionada ao assunto principal: dinheiro.
Escrito por Kid on Mar 7, 2005
Voltando a série “por que o Kid não acredita em Deus”, a pedido de um leitor santo-andreano.
2) Por que, se Deus existe, ele QUIS que o homem pecasse.
É chocante, né? Certamente não é isso que te ensinaram na escola dominical.
Mas vamos pensar um pouco.
Deus pôs a árvore no jardim. Deus sabia que o homem comeria?
Bem, se não sabia, ele não é onisciente. Então acho que ele sabia.
Deus sabia o que ia acontecer. Ele queria que isso acontesse?
Se dizemos “não”, então estaremos admitindo que coisas acontecem sem que Deus queira. E também estaremos admitindo que Deus é burro, afinal, se ele não queria que acontecesse, por que ele colocaria? Afinal, ele sabia que colocar a árvore lá acarretaria nisso. Se eu não quero que alguém se mate, eu não darei uma arma para ela, pois isso dará àquela pessoa a OPÇÃO de se matar. Pra que dar essa opção, se você não quer que ela faça isso? Talvez, porque há alguma regra dizendo que Deus tinha que nos dar…?
Logo, ele queria que o homem comesse a maçã. Não faz sentido dizer que ele não queria, se foi ele que pôs a árvore lá. Se ele pôs a árvore contra sua própria vontade, isso significa que alguma vontade SUPERIOR, ou LEI superior obrigou Deus a pôr aquela árvore lá. Existe algum outro deus ou leis que regem o comportamento de Deus!?
Como não existe nada acima de Deus, isso significa que Deus queria que o pecado entrasse neste mundo. Ele nos levou a fazer algo, e nos pune por isso.
Se Deus colocou a árvore no jardim não querendo que o homem comesse dela, só há duas possibilidades: ou ele era OBRIGADO a pôr aquela árvore, contra sua vontade - o que implica em regras que Deus segue. Talvez um deus superior, a quem Deus presta contas? - ou então ele era simplesmente burro. Será que ele não sabia que pôr aquela árvore ia resultar no que ele não queria?
(O que abre uma questão-gêmea: se Deus não queria condenar o homem, por que criou o inferno? Ele seguiu ordens, ou é apenas burro?)
Alguém diz “não, bobinho, foi pra dar ao homem o direito de escolha!“
Os cristãos gostam de se apegar a esse “detalhe”, indiferente ao fato de que a bíblia não dá muitos indícios de que existe livre arbítrio. Existe, no entanto, passagens que mostram justamente o contrário. Há milhares de passagens bíblicas que falam sobre os “escolhidos”. Aqueles a quem Deus escolheu para salvar. Ou seja, se Deus não te escolheu, foi mal.
Mas, voltando ao lance de “dar ao homem o direito de escolha“. Alguém poderia me esclarecer um negócio? Pra quê dar alguém algo prejudicial a ela? É mais ou menos como oferecer dois pratos de comida a alguém, um deles envenenado; e depois culpar a vítima por ter escolhido o que estava envenenado. E isentar a culpa daquele que ofereceu o veneno.
Pra que dar ao homem o direito de escolha, se isso implicaria mais tarde em um mundo onde a humanidade sofre? E olhe que ainda tem a questão do inferno. Pra quê dar essa escolha ao homem? Deus por acaso queria que seus filho escolhessem o “caminho errado”? Não? Então voltamos ao dilema: ou Deus seguiu ordens alheias à Sua vontade (que deveria ser suprema), ou ele é apenas burro, e faz coisas apenas para se contrariar.
Então, me parece que Deus nos faz cometer erros para que ele possa nos castigar depois. Alguém refuta?
Parece estranho? Não, não é. O Deus de amor e misericórdia que vocês ouvem falar por aí NÃO É o Deus dessa bíblia que você tem nas mãos. Esse Deus foi inventado para que vocês o aceitassem mais facilmente (mais especificamente por Paulo. Depois explico). O Deus que há na sua bíblia, na verdade, trata humanos com peões em um tabuleiro, como brinquedos:
Ezequiel 14:9
“Se o profeta for enganado e falar alguma coisa, fui eu, o SENHOR, que enganei esse profeta; estenderei a mão contra ele e o eliminarei do meio do meu povo de Israel.”
Imagine essa situação. Deus fala algo pra você e manda você dizer ao povo. Você não pode supor que o que Deus falou é mentira, afinal, ele é Deus! Mas ele sabia que estava te enganando, e então te pune pelo engano que ele mesmo colocou em você. Afinal, haveria alguma forma de esse profeta escapar da punição? Se ele se recusasse a mandar a mensagem de Deus - ou se atrevesse a pensar que Deus estava mentindo para ele -, ele estaria pecando. Mas se ele manda a mensagem divina, Deus o pune pelo “engano”.
Aí podemos ter uma idéia do joguinho sádico de Deus. Pena que trechos como esse não são lidos em igrejas; os pastores não são tão burros.
Ainda acham que eu estou inventando? Que estou “tirando passagens do contexto”, a desculpa favorita dos cristãos? Vamos ler mais.
Êxodo 10:20
O Senhor, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não deixou ir os filhos de Israel.
Êxodo 10:27
O SENHOR, porém, endureceu o coração de Faraó, e este não os quis deixar ir.
Êxodo 11:10
E Moisés e Arão fizeram todas estas maravilhas diante de Faraó; mas o SENHOR endureceu o coração de Faraó, que não deixou ir os filhos de Israel da sua terra.
As passagens acima são referentes à história bíblica das Dez Pragas. Segundo os cristãos, Deus puniu o povo egípcio (como bode expiatório, já que eles não tinham NADA A VER com a decisão do seu líder) porque o Faraó era um cara teimoso. Encasquetou com a idéia de ficar com os escravos hebreus, pronto: não iam-nos deixar ir embora.
Analisando com mais cuidado, fica claro que o Faraó não deixou o povo ir porque Deus o influenciou a isso. Mas… se Deus queria libertar o povo, pra quê “endureceu o coração” do Faraó para que ele não os libertassem?! Pra piorar a situação: qual era a culpa do povo, se a decisão de seu líder estava sendo manipulada pelo próprio Deus que os castigou? Me parece que os egípcios tavam fodidos de qualquer jeito.
Mas no fim, Deus resolveu deixar o Faraó tomar a decisão sozinho. Este acabou liberando os hebreus, não sem antes que esses safados levassem todo o ouro do Egito. Aí…
Êxodo 14:8
Porque o Senhor endureceu o coração de Faraó, rei do Egito, e este perseguiu os filhos de Israel; pois os filhos de Israel saíam afoitamente.
Ou seja: Deus fez o Faraó perseguir os israelitas. E todos sabem o final dessa história. Moisés abriu o Mar Vermelho e a judeuzada passou correndo. Os egípcios pensaram “ah, também podemos fazer isso!” e acabarem se fodendo na mão de Jeová, que fechou o mar em cima deles.
É como se Deus estivesse entediado após ter libertado os judeus e então pensou com seus botões “Hmmm… bem que eu poderia fazer os egípcios perseguirem meu povo! Seria engraçado.” Aí os egípcios, seguindo os desígnios do Criador, foram atrás dos hebreus. Afinal, o que Deus quer, acontece. Segundos depois Jeová, que deve ter Alzheimer, disse “Epa, caralho! Pra onde vocês tão indo? Vão recapturar meu povo? Tão loucos? Tomem essa!” E mata os coitados.
Por algo que eles fizeram a mando dele.
A conclusão que eu quero chegar aqui pode ser resumida facilmente na frase livre arbítrio é o caralho. O argumento de que Deus pôs a árvore no Jardim do Éden para nos dar uma escolha é facilmente contradito, mostrando trechos que mostram claramente que Deus manipula os homens. Ademais, desde quando dar o direito de uma má escolha é algo bom?
Daqui a dois anos, posto o resto das minhas confabulações anti-cristãs.
Escrito por Kid on Mar 3, 2005
Outro dia eu estava aqui jogando uma partidinha de um jogo qualquer no emulador de SNES quando me lembrei rapidamente de alguns jogos clássicos que passaram pelo meu videogame há anos atrás. Alguns bons, alguns ruins e quase todo o resto uma grande merda. A plataforma gráfica pro Super Nintendo era aparentemente muito fácil de programar, a julgar pela quantidade de títulos que foram lançados (ou muito difícil, a julgar por alguns resultados desatrosos que foram chamados carinhosamente de “jogos”). No período em que o SNES foi o videogame do momento, surgiram gamehouses obscuras com seus produtos mais obscuros ainda que desafiaram o limite do mau gosto e provaram que, com uma política relaxada de admissão de funcionários, pouca - às vezes nenhuma - criatividade e uma licença da Nintendo nas mãos, não há limite para a forma espantosa em que você pode fracassar em fazer um jogo. Assim, apesar de ser um console consagrado de qualidade e lembranças incomparável, o SNES foi paradoxalmente a plataforma que mais deu origem a jogos que são simplesmente um chute no pâncreas de tão ruins.
Muitos games se enquadram nessa categoria, e tenho muito a dizer sobre eles. Assim sendo, achei que seria uma experiência interessante dar a vocês minhas opiniões sobre essas pérolas do mundo do entretenimento eletrônico.
Sem mais delongas e parágrafos de encheção de linguiça, dou a vocês…

O primeiro jogo revisionado nessa seção será Home Alone 2 - Lost in New York, um jogo peculiar baseado no filme de mesmo nome estrelado por um artista mirim que, assim como a empresa que lançou o game, sumiu da face da Terra devido à extrema vergonha pessoal por ter se envolvido com a franquia Home Alone. O jogo, muito similarmente ao filme, é o tipo de coisa que você precisa estar bêbado ou ter sofrido uma lobotomia para conseguir gostar. O jogo foi um pioneiro com seu sistema de programação: Home Alone 2 foi inteiramente escrito por crianças autistas aleijadas que se revezaram jogando cocô no teclado de um 386 com monitor monocromático até que a engine estivesse sido programada.
Premissa do jogo: você é Kevin McCalister, o garoto que todos adoram esquecer pra trás durante as viagens de família, e está perdido em um conjunto de cenários mal coloridos que são uma ofensa à cidade de New York. Para garantir a similaridade com o filme, os produtores do jogo fizeram tudo que foi ao seu alcance para garantir que ninguém jamais poderia jogar este título e dizer que gostou sem ser alvo de objetos arremessados pelos amigos. A pérola foi produzida por Imagineering Inc., uma gamehouse formada por quatro reprovantes em Programação e um calouro de Relações Públicas com algum dinheiro e recursos pra pôr jogos vagabundos no mercado. Infelizmente, como você perceberá jogando esta bela porcaria, os tais recursos se limitavam a um tutorial em Basic e cenários repetidos desenhados no MS Paint.
Os gráficos são um espetáculo à parte, conforme vocês perceberão nos screenshots. A menos, é claro, que você queira continuar com a fé na humanidade e arranque os próprios olhos para não ter que acreditar que a pessoa que desenhou os cenários deste jogo tinha um emprego no ramo do entretenimento. É uma puta sacanagem ofender meus leitores com a absoluta escrotice que são as imagens desse jogo, mas é um mal necessário.
Os cenários são tão simples e entediantes que eu tenho a impressão que algo desenhado pelo meu cachorro poderia rivalizar em pé de igualdade. O “artista”, e veja que uso o termo irresponsavelmente, acreditava que poderia enganar a todos copiando um layout de 5 cm de parede e colando numa fase inteira. Isso teria passado despercebido, caso enfeitar um longo corredor com 300 cópias do mesmo quadro fosse algo comum no mundo real. Como o programador não teve tal sorte, sua trapaça foi tão imperceptível quanto um elefante vermelho equipado com caixas de som tocando a Quinta Sinfonia no centro da cidade.
Detalhes técnicos postos de lado (se esses crimes contra a humanidade puderem ser ignorados pelo bem do resto da resenha), vamos ao jogo em si.

O jogo, sem muita explicação sobre a história do filme ou o que está acontecendo, te coloca no saguão do Hotel Plaza em New York. Como você pode perceber no screenshot, há uma massa de pixels pretos-acinzentados que, se você estiver bêbado e espremer os olhos a dois metros de distância do monitor, se assemelha vagamente com o ator que encarnou o papel do recepcionista no filme. Por motivos que você não pode compreender apenas jogando o game, o recepcionista (e praticamente qualquer outra massa móvel de pixels no jogo, conforme você descobrirá no futuro) quer pegar você, enquanto um colar de pérolas flutua inexplicavelmente do lado direito da tela.
Como em qualquer situação em que você esteja sendo perseguido por um personagem mal feito de duas sprites de movimento, correr é a sua melhor opção. Caso você seja burro o bastante para não conseguir segurar o direcional no controle pelo tempo necessário para sair de perigo, os programadores incluíram uma barreira invisível que impede o recepcionista de alcançar você (embora permita que você a atravesse, chegando em segurança do outro lado)…

…como você pode ver nesse screenshot. O adversário mal desenhado correu ao meu encalço, mas foi bloqueado por algum tipo de parede etérea que o permite apenas esticar os braços e praguejar em minha direção.
Mas o time de programação foi além desse sistema de segurança contra jogadores burros. Caso você não consiga chegar à barreira de vento a tempo - e sinceramente não consigo entender por que você não conseguiria, tendo em vista que o Kevin pixelizado corre a mais de setenta quilômetros por hora -, não se preocupe.

Esqueceram de avisar no filme que o garoto Kevin é um recordista olímpico em saltos. Graças a esta sua habilidade secreta que desafia as leis da gravitação universal, é possível pular por cima de todos os inimigos com uma espaço de sobra de pelo menos uns quatro metros. Essa curiosa engine física, que eu suspeito ter sido aproveitada a partir da tarefa de casa mal feita de um calouro de Programação em Basic, torna o jogo uma espécie de corrida com obstáculos.
Sim, os obstáculos! Quando você achava que pegar objetos flutuantes e escapar de inimigos que são barrados por paredes invisíveis já era perigoso demais para alguém com problemas cardíacos, o pessoal da Imagineering Inc. colocou incríveis obstáculos no seu caminho.

Um dos contratempos que você encontrará em seu caminho é esta mala azul saltitante e suas quinhentas mil irmãs-gêmeas. Esta parte do jogo causou muitos danos em Super Nintendos pelo mundo afora quando as crianças, deparadas com o puro horror que é uma terrível mala saltitante, soltaram os controles no chão e correram para baixo das camas, ou se jogaram por janelas mas esqueceram de soltar o gamepad.
Com um inimigo tão poderoso a sua frente, qualquer reação que varie entre gritar em pânico e sair correndo no meio da rua e em seguida se jogar na frente de um caminhão de lixo é nada além de trivial. Mas a mala não é apenas um adversário simplesmente horrendo: ela abre um leque de possibilidades que poderia igualar esse jogo a clássicos da liberdade in-game como GTA. Você pode pular por cima da mala ou NÃO pular por cima da mala, passando por baixo tranquilamente. Como você pode ver, as possibilidades são infinitas, e garantirão que você jogará o jogo incessantemente até ter visto todas as ramificações da história. Certamente Chrono Trigger não pode competir com isso.

Malas saltitantes não são os únicos demônios que atormentarão sua existência neste clássico da plataforma 16-bits. Há também malas deslizantes, que passam o tempo todo se auto-movendo magicamente da direita pra esquerda, e isso pra não mencionar os perigosíssimos aspiradores de pó, que engolem todo o seu corpo e devolvem seu personagem pro começo da fase.

Há também esta idosa, que é um dos mais perturbadores personagens de um jogo eletrônico que já vi na vida até hoje, e suspeito que jamais encontrarei algo mais nefasto. Ela está lá, na dela, e de repente é possuída por algum demônio que a joga 3 metros no ar, sacodindo o guarda-chuva como uma maluca. Ela descreve uma perfeita parábola no ar (mostrando que ao menos as equações de segundo grau os programadores dominavam) e cai ao chão, temporariamente acalmada. Você pensa que tudo está bem, quando eis que ela levanta vôo novamente, chacoalhando o guarda-chuva como se estivesse tentando matar uma taturana voadora, uma incrível e assustadora imagem, diretamente do inferno para o seu Super Nintendo. Note que Kevin está armado - com uma inútil pistolinha que não faz nada além de paralisar os inimigos -, mas nem mesmo uma bazuca daria a segurança necessária pra encarar uma velha voadora.
E isso é só a primeira fase, que minha limitada paciência não me permitiu ir até o fim. Fui tentado a fazer alguma coisa mais divertida e significativa, como olhar a grama crescer em volta dos meus pés. Qualquer pessoa que goste de jogos deve experimentar essa pérola ao menos uma vez. Após jogar algo como Home Alone 2, sua boa vontade para com jogos “chatinhos” aumentará consideravelmente, assim como seu respeito por programadores, roteiristas, desenhistas, enfim, todo tipo de profissional envolvido na criação de um jogo de verdade, que não tenha velhas voadores ou malas mágicas.
E acima da arte vagabunda, da má ambientação, da programação preguiçosa e dos inimigos imbecis, este jogo é a prova definitiva que nada que esteja superficialmente associado ao Macauley Culkin escapa de ser um fracasso em proporções intergaláticas.
Escrito por Kid on Mar 2, 2005
Se tem uma coisa que eu adoro nesses meus leitores é a capacidade de eles verem arrogância em QUALQUER coisa que eu falo. Não importa o que eu escrevo, sempre tem alguém pra ficar magoadinho.
Eu posto um anúncio dizendo simplesmente que tou sem tempo e sem vontade de postar. Simplesmente isso. Do nada, neguim se espevita todo, me chama de boçal, como se eu estivesse dizendo “PRONTO, NÃO VOU MAIS ATUALIZAR O BLOG, AGORA VOCÊS SE FODERAM, RÁRÁRÁ!”. Como se eu estivesse dizendo que todos morrerão se eu parar de postar textos aqui.
Eu simplesmente digo que vou atualizar menos, e tem gente aí que se morde de despeito e vê nisso uma justificativa pra avacalhar. Avacalhar anonimamente, ainda por cima.
Despeitados e covardes. Aí nego não entende porque me sinto desmotivado pra escrever pra esse povinho. Tsc tsc.
Escrito por Kid on Mar 1, 2005
Bom, o negócio é o seguinte.
Tou um pouquinho sem tempo pra postar. Culpa de algumas correrias no colégio, pra assegurar que minhas notas do tempo de colegial no Brasil serão somadas ao meu high school canadense.
Além disso, dá uma chateação entrar no sisteminha lá do Google e ver que, de 600-700 visitantes diários, o que não é pouca coisa, pouco mais que vinte gastam um pouco do seu tempo pra clicar nos banners. Ou seja, a cada trinta e cinco visitantes, UM decide ajudar. Fodam-se, não vou mais ficar pedindo. Todo mundo já sabe que os banners tão ali. Não quer clicar, não clica, beleza. Mas não fique surpreso se eu passar uma semana sem atualizar.
Não é questão de chantagem, é uma questão de motivação. Motivação é uma parada importante quando você faz qualquer coisa pros outros. Em alguns momentos aqui em casa eu tava sem a menor vontade de atualizar o HBD (preguiça é a maior culpada), aí eu entrava no AdSense e via que num dia específico, umas sessenta pessoas contribuiram. Por mais sem vontade que eu esteja de escrever, fico até sem jeito de deixar a galera na mão. Me sinto realmente motivado a atualizar o site. E de fato, acabo reunindo coragem e disposição pra escrever algo. O post sobre a Vila foi criado sob essas condições.
Mas infelizmente há algumas outras situações. Às vezes acabo de chegar da escola/cinema/festa/casa da namorada/o que seja, e estou cansado pra caralho e sem vontade nem assunto de escrever um post. Logo no sistema do Google e vejo que menos de 5 pessoas clicaram nos banners, uma voz na minha cabeça diz instantaneamente “fodam-se, se eles não podem clicar num link pra mim, por que eu deveria perder meu tempo escrevendo pra eles?” Até mesmo quando estou com vontade ou uma idéia pra escrever, ver o descaso de vocês retratado nos baixos números no Google faz qualquer um perder o gás. E então, acabo deixando o “trabalho” pra depois.
E há, claro, um terceiro motivo.

Ganhei outro dia, do meu pai - que provou com isso ser totalmente louco. Na noite anterior à compra, ele tava brigando comigo por algum motivo qualquer que esqueci. Na manhã seguinte ele oferece o videogame.
Um cara no prédio tava vendendo o aparelho por apenas 150 pilas (aproximadamente trezentos reais) com dois controles, um memory card, modem, HD, dois jogos: Final Fantasy XI Online, um jogo escroto de pesca que ganhou uma passagem só de ida pra seção de usados da Eletronic Butique Games do shopping, e o demo de Burnout 3 (jogaço do caralho). Meu pai, ainda tomado por algum tipo de espírito generoso, foi à EB Games e comprou mais três jogos: Oni, Onimusha e Ace Combat 4. E eu já tinha um volante USB que, graças aos deuses, tem uma entrada pra PlayStation. Hoje, depois da escola, ele prometeu comprar mais uns três jogos (entre eles, Enter the Matrix, que apesar de eu saber que não é um jogããão, preciso ter). Ou seja, dá pra sacar que vou ter muito o que fazer como alternativa a escrever no blog.
Imagino que o cara que vendeu o videogame não tem a menor noção do valor do equipamento, uma vez que só o Final Fantasy Online com o HD custa mais de 135 dólares (a etiqueta do preço ainda está na caixa do jogo). É como se eu tivesse comprado apenas o jogo e o HD, e por 15 dólares extra tivesse recebido de brinde o videogame, o memory card, o modem, os jogos e os controles.
E a grana do Google, que seria destinada justamente pra comprar um PS2? Será revertida pra comprar um novo Palm Pilot. Isso é, se vocês decidirem colaborar, né. Já tou com um pouco mais da metade do dinheiro necessário pra adquirir o novo aparelho.
Enfim, resumindo o quadro: Quando não estou ocupado com assuntos escolares, estou desmotivado - culpa de ninguém além de vocês mesmos - ou jogando videogame. Não se espantem se o site ficar abandonado.
(Mas não, não estou fechando o HBD)
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As cinco maiores construções fictícias imaginárias da cultura popular. Com um bônus não-imaginário
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