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Escrito por Kid em Mar 25, 2005

Não costumo expor minhas desventuras sexuais aqui no blog, mas semana passada aconteceu uma parada tão tragicômica que seria um crime não compartilhar a experiência com vocês. E além do mais, a única coisa mais honorável que rir das próprias desgraças é fazer os outros rirem com elas.

Então.

(Mamãe, se você estiver lendo meu blog, pare aqui)

Tava eu ontem aqui no apê, naquele tédio dos infernos. Trunks monopolizou o PS2, então só me sobrava a internet ou a TV. Meu bolso estava totalmente vazio, então sair de casa não estava nos meus planos. Felizmente, lembrei-me que um amigo estaria dando uma festa. Ligo pro cara, confirmo minha ilustre presença e, após ponderar sobre tomar ou não tomar banho, decido que seria uma perda de tempo. Ligo pra namorada, informo o programa da noite e, após receber a confirmação da presença dela, volto pro PC pra xingar alguém no orkut.

Acontece que minha namorada sofre do mesmo mal que aflige milhões - por que não dizer BILHÕES - de namoradas mundo afora: ela simplesmente desconhece o significado da palavra “pontual”. As duas horas que ela deve ter gasto pra se arrumar comprometeram o programinha da noite. Quando ela chegou aqui, já tava tarde demais pra ir à festa do moleque.

Já que não tinha mais jeito, optei pro plano B: assistir um filme na TV a cabo. The Punisher (É chato, não percam seu tempo assistindo. Um dia escrevo uma resenha.) tava passando, e na hora pareceu uma opção interessante.

Casal de namorados assistindo TV sozinhos no quarto, já viu: mão aqui, mão ali, daqui a pouco já estávamos quase tirando a roupa um do outro. Mas acontece que meu quarto não tem tranca na porta, e todo mundo tava aqui em casa. Joguei um balde de água fria na animação da patroa ao explica-la a realidade, e voltei minha atenção para o filme novamente.

Os hormônios já estavam controlando a pobre alemã, que não se deu por rogada.

- Ah, vamos lá pra casa. Não tem ninguém lá.

Ahhh, as palavrinhas mágicas. Desliguei a TV, joguei o controle remoto pro lado e pulei da cama como que impulsionado por molas. Nem perdi meu tempo calçando meias ou sapatos. Tomei a mão da menina e corremos alegremente pelo corredor do prédio, quase saltitante de felicidade, em direção ao elevador.

(Vou pular as explicidades do que aconteceu no elevador, ninguém precisa saber de detalhes sórdidos.)

Mal chego na casa da mulé, e ela já tá tirando a roupa. Sem reclamações do meu lado. “Quando em Roma…” pensei, enquanto afrouxava o cinto. Aí aconteceu uma parada que foi o primeiro dominó da reação em cadeira cadeia.

- Ah, vamos pra cama da minha mãe.

Parei pra avaliar a opção. Após ter descoberto que o colchão da mãe é muito mais confortável que o seu próprio, a gótica não perde uma oportunidade de dormir (ou fazer qualquer outra coisa) na cama da progenitora. Pesei os riscos mentalmente. Já passava das doze da noite; considerando que sua mãe sai do trabalho às 10:30 e que demora menos de meia hora pra chegar em casa, tanto eu quanto a namorada imaginávamos que a sogra deveria ter ido pra casa do namorado, numa cidade vizinha. Ou seja, ela não voltaria mais pra casa naquela noite. “Beleza então“, pensei em voz alta enquanto jogava a camisa do Slipknot num canto do quarto. A patroa setou o alarme pra tocar às seis da manhã, para que não houvessem dúvidas de que eu estaria de pé e indo pra casa bem antes da véia chegar em casa.

E estávamos lá, naquele bem-bom que todos que têm uma vida sexual ativa conhecem. Eis que no auge do momento, uma desgraça imprevista acontece. Ambos ouvimos um barulho vindo da porta da frente. Nós dois sabíamos do que se tratava, embora estivéssemos mentalmente desejando que não fosse verdade. Deitado em cima da namorada, eu conseguia sentir a tensão no ar, refletida nas batidas aceleradas do seu coração gringo. A antecipação era palpável e roubava meu ar.

Após segundos que pareceram uma eternidade e nenhuma confirmação ou conclusão a respeito do barulho que ouvimos, estávamos quase respirando aliviados. Foi quando ouvimos um barulho de batida na porta.

Horrorizado como alguém que acaba de levar um susto naquelas animações de flash, percebi que alguém acabara de entrar no apartamento. Pulei da cama (peladíssimo) como se o colchão tivesse dado-me uma mordida na bunda. O quarto estava imerso numa densa escuridão, o que me impossibilitava de catar minha cueca do chão. Apenas os dígitos do relógio de cabeceira eram visíveis. Minha cabeça entrou em pane; o pensamento rodava em círculos tentando definir quem poderia estar no apartamento àquela hora.

Não havia dúvidas.

Era mãe da namorada.

(to be continued…)

Falaí, rapaz

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