Escrito por Kid on Apr 28, 2005
…E uma das coisas que mais me chamaram atenção foram as páginas H/P/C/V, que era o acronímio de “Hackers, Phreakers, Crackers e Virii“. Caso você desconheça a língua inglesa, isso são os plurais de hacker (malandrinhos do mundo eletrônico), phreaker (malandrinhos do mundo telefônico), cracker (malandrinhos mal-intencionados do mundo eletrônico) e virus (precisa explicar?).
Naquela época dourada, havia muitos sites com essa temática. Suas similaridades não se limitavam ao assunto das páginas: Todos eles tinham fundo preto, eram hospedados no Geocities, e tinham como entrada uma página (também com fundo preto) com GIFs animados randomicamente espalhados pelo corpo do site, e uma grande mão esquelética animada no centro. Lentamente, o dedo indicador da mão se movia, convidando a parar o mouse em cima dela e tascar um cliquezinho.
Clicando na mão cadavérica, entrei no perigoso mundo das raqueadas infantis.
E encontrei uma página 404 logo de cara. Aparentemente o Geocities tem políticas de uso que não aprovam o roubo de senhas de banco através da internet. Bundões. O lance era procurar alguma outra página.
Nem demorou muito para que eu fosse atraído para o “lado negro” da internet. Primeiro foram os sites “anarquistas” - se bem que tava mais pra terroristas -, que ensinavam a fazer bombas nucleares com palitos de dentes e cascas de bananas. A evolução natural foram os sites de raqueagens “simples”, ou, pra quem viveu nessa época gloriosa, Back Oriffice e NetBus. Esses dois programinhas estiveram tão presentes na minha infância quanto os Playmobils que herdei do meu pai e as notas baixas em português.
Graças aos trojans, esses programinhas de invasão “receita de bolo” (como eles eram chamados pelos VERDADEIROS raquers) é que aprendi sobre protocolos de internet, IPs, conexões, portas, maçanetas e outras coisas do mesmo gênero alimentício. Antigamente esses programas eram mais fácil encontrar na internet do que doenças venéreas em prostitutas tailandesas. Fui procura-los recentemente - com exclusiva finalidade de pesquisa ou pra foder com alguém, não lembro mais - e não achei uma única página sequer. Vai ver os “hackers” arrumaram algo mais interessante para fazer - como sexo - , ou aceitaram a Jesus, e decidiram parar de aloprar com os computadores alheios.
Mas na época, era muito fácil encontrar os programinhas nocivos aos computadores alheios, e frequentemente nocivos aos nossos próprios computadores. Sim, porque não raro acabávamos infectando a nós mesmos com o programa que deveríamos mandar pra vítima. Aprender a mexer com trojans era praticamente uma roleta russa, uma atividade mais perigosa que um cego tentando raspar as bolas.
Eu explico.
Um trojan consistia em X arquivos, sendo um deles o CLIENTE, o outro o PATCH, e X-2 são os arquivos de sistema/readme.txt que você jamais abrirá ou notará a existência, o que no futuro significará que, ao escrever um texto sobre eles, você terá que enumerá-los com uma incógnita simplesmente por não lembrar quantos eram. O CLIENTE era a parte principal do programa, o cockpit, digamos. Era nele que você digitava comandos ou clicava em botões que provocariam efeitos no computador do indivíduo. O que eu chamo de “Efeito Enter”, um análogo do Efeito Borboleta (o que antes era apenas de conhecimento de físicos e matemáticos, e agora por causa do filme de mesmo nome, qualquer mané sabe o que significa): Você aperta um Enter no Ceará, um HD é formatado em São Paulo.
Então, após algumas idas e vindas entre sites pseudo-ráqueres, eu já tinha todo o aparato necessário para causar alguma destruição em larga escala. O único problema é que eu não sabia como encontrar vítimas.
Se quem tem boca vai a Roma, quem tem IRC deve pelo menos conseguir invadir um computador de lá. Pensando nisso, entrei na rede de bate-papo em busca de um mestre que pudesse me auxiliar na difícil tarefa de encontrar otários que não dessem muita atenção à segurança virtual.
Não foi muito díficil. Em pouco tempo, entendi todo o funcionamento do submundo ráquer nas redes de IRC. Havia canais cujos OPs já estavam um passo à frente de nós, ou seja, já tinham saído do patamar de ráquer iniciante e sabiam usar programas que localizavam IPs infectados com trojans. Sendo os ráqueres generosos que eram, a diversão desses era liberar os IPs infectados na sala lotada de iniciantes, todos ávidos por causar alguma destruição online.
O que se seguia era uma corrida desembestada para conseguir logar no IP doente. Aquele que entrasse primeiro poderia “trancar” o hospedeiro, impedindo que mais de um usuário mal-intencionado penetrasse as profundezas da máquina invadida (o que acontecia frequentemente, provocando tragicômicos resultados).
Uma vez dentro, as possibilidades eram infinitas. Lembro-me da emoção de ter conseguido entrar no primeiro computador infectado através de trojan. Senti-me como um garoto numa loja de doces, cuja vidraça eu quebrara para poder entrar. Os clientes tinham opções diferenciadas: o BackOriffice era bom para roubar senhas, já o NetBus era um programinha mais “user-friendly”, mais gráfico, que tinha como finalidade basicamente aloprar o computador do infeliz. Você podia mover o mouse, tirar printscreens, mandar janelas de aviso, abrir páginas, fuçar o HD… praticamente qualquer coisa que você poderia fazer se estivesse sentado na cadeira do cara com a vantagem de não levar um murro, como aconteceria se você estivesse fazendo todas essas putarias estando ao lado do invadido.
Minhas primeiras experiências foram com o BackOriffice. O programa era menos intuitivo (em outras palavras, demorei pra caralho pra aprender a usar), mas em compensação era de longe o mais útil: ele me possibilitava ver qualquer coisa que o usuário digitasse no campo de senhas…
…Incluindo senhas erradas. Como alguém consegue errar a própria senha QUATRO VEZES, eu não sei. O que sei é que isso complicava minhas transações. Eu era obrigado a tentar todas as quatro/cinco/seis senhas que o mané digitava errado, até achar a correta.
Sim, transações. Assim que percebi que estava com trocentas senhas do UOL na mão e vários amigos pobres cujos pais não podiam pagar acesso à internet, descobri que as raqueadas poderiam ser rentáveis.
Começou muito inocentemente. Abordei um colega e perguntei se o pai dele já tinha deixado de ser um miserável e já tinha pago acesso à internet na casa dele. Tristonho, ele respondeu negativamente com uma meneada de cabeça. Vale lembrar que nessa época, computadores já vinham “de fábrica” com a bendita placa fax modem; o que faltava aos meus amigos favelados era grana pra pagar o acesso ao provedor.
Puxei um papel do bolso, onde eu havia anotado um nome de usuário, uma senha e um número telefônico (surrupiados de algum pobre coitado). Expliquei para o moleque que era uma senha válida pra acessar a internet através do UOL. Vendi pro guri por cinco reais, todo o dinheiro que ele tinha no bolso, com a garantia de que eu apanharia no dia seguinte se a senha não funcionasse.
E funcionou. Em pouco tempo, expandi meu mercado negro de senhas do UOL para guris de outras salas. Moleques que até então eu nem conhecia chegavam a mim por indicação de colegas de sala.
Ah, bons tempos.
Escrito por Kid on Apr 26, 2005
Qualquer pessoa que entrou em contato com a internet em meados dos anos 90 sabe uma coisa ou outra sobre hacking. Houve um período quando sites hackers eram moda absoluta, assim como garotinhos querendo ser piratas virtuais ou raspar a cabeça mas deixar um tufo na frente, o popular topete pagodeiro (ou alça de boquete).
Há uma regra que rege minha vida, e êi-la: tudo que não presta e esteja suficientemente perto para que eu alcance merece a chance de ser experimentado. Estando as páginas hax0rs a alguns cliques de distância, não se poderia esperar nada diferente: eu também marquei presença memorável nas fileiras de ráqueres infantis. Mas pra contar essa história, teremos que voltar no tempo um pouquinho. Voltemos precisamente oito anos, quando os dinossauros dominavam a terra e o Playstation2 ainda não existia.
A chegada da internet na minha casa foi um evento digno de foto no álbum de família, e que mudou para sempre as antigas formas de aprendizado, de entretenimento, de socialização, de matar tempo e bater punheta, especialmente bater punheta. O advento da “information super highway“, - é o nome chique da internet, decore - foi tão marcante que eu, que praticamente tenho mal de Alzheimer, ainda consigo lembrar.
Era uma manhã de sábado no longínquo ano de 1996. Eu não tinha acesso à internet até então, portanto fazia o que todas as pessoas sem esse privilégio fazem: nada. Meu pai entrou no nosso apartamento carregando uma caixa consideravelmente grande. O embrulho revelou uma maravilha da tecnologia comercial dos mid90’s: um Pentium Aptiva 133 com 32mb de memória RAM, um presente dos deuses à classe média-alta brasileira.
Computadores pessoais já eram relativamente populares nos anos 90, mas eles tinham a funcionalidade de uma pilha gasta. Devido aos poucos recursos que os primeiros PCs dispunham, usa-los era uma experiência tão divertida quanto receber uma hemodiálise num hospital da rede pública.
Não me entendam mal. Não há nada mais emocionante que passar horas examinando um imenso HD de astronômicos 500mb, jogando paciência e free cell, digitando bobagens no Lotus Notes, gastando energia e estando completamente limitado ao que já está instalado no disco rígido. Acontece que, depois dos primeiros meses, você acabava percebendo que nada de novo seu PC trouxe, além do que você já podia fazer com um caderno, um baralho e uma lâmpada ligada o dia inteiro.
(Ou um palm top.)
Então, pra garantir que não estava comprando apenas um peso de papel com um processador da Intel, meu pai incluiu no pacote um inovador kit multimídia (o nome chique do conjunto drive de CD-ROM + placa dc som) e a sensacional novidade do momento, a placa fax modem. Esta última é provavelmente a mais incrível invenção da raça humana, perdendo apenas para o formato MP3 e aquelas meias indestrutíveis que vendiam na TV quando eu era moleque.
Então estava lá eu, no auge de meus onze anos (com direito a pêlos recém-nascidos no saco e tudo mais), sentado na frente do meu primeiro PC de verdade*. O ícone piscante do modem ao lado do reloginho do Win95 certificava que eu estava, de fato, conectado à misteriosa internet (a forma antiga era verificar o telefone). Um mundo inteiro me aguardava lá fora. Um mundo, embora eu não soubesse na época, que tentaria a todo custo me vender Viagra, instalar programas indesejados no meu HD, mudar a página inicial do meu navegador e roubar praticamente todo o tempo livre que eu tenho.
A internet era bastante promissora, mas obviamente eu estava muito mais ocupado liderando minha gangue de motoqueiros futuristas através de uma misteriosa trama de ação e aventura em CD-ROM. Assim como muitos outros, fui agraciado com o genial Full Throttle, brinde que veio com o tal do kit multimídia. FT é indubitavelmente a melhor coisa que o George Lucas já fez na vida - a série Star Wars foi manchada pela esculhambação que o Lucas chamou de “novos episódios”.
Mas uma hora o jogo perdeu seu apelo. Acabei focalizando minha atenção para minha outra opção - me aventurei internet adentro.
Logo no início, a internet parecia ter sido criada por alguém que não queria que você achasse nada. Existiam poucos sites de buscas, e os que dispunhamos não eram nada como os que temos hoje (ou O que temos hoje, afinal, todos sabem que praticamente só existe um sistema de busca atualmente). Procurar coisas no Cadê era uma desgraça, vocês lembram?
Mas eu era um garotinho esperto, e os obstáculos que as engines de busca mal programadas não me impediram de me meter de cabeça no mundo virtual.
(To be continued, some day)
Escrito por Kid on Apr 24, 2005
Ah, sim: o grande projeto envolvendo Super Mario World.
A namorada se mudou do prédio. Enjoei de brincar no PS2. Não tem nada pra fazer nessa internet. Sem muita opção pra passar o tempo, embarquei numa missão que redefinirá o significado da expressão “nerd desocupado”.
Peguei a ROM de Mario All-Stars (aquele cartucho com todos os jogos de Mario já lançados pra NES/SNES) e comecei a editar Super Mario World. Tá dando um trabalhão do caralho, mas os primeiros resultados estão interessantes. Terminei de editar o primeiro mundo hoje de manhã, e já comecei o segundo.
Estou tornando os mapas mais complicados. Acrescentei inimigos, apaguei o chão em alguns trechos de fases, escondi melhor as chaves em outras… as possibilidades são infinitas. Modéstia a parte, o jogo tá ficando mais interessante. Morri umas três vezes na primeira fase, e tou apanhando pra conseguir pegar a chave da primeira fase do segundo mundo. Tava tão difícil alcançar o lugar onde eu coloquei a chave, que tive que editar novamente e colocar uns blocos pra conseguir chegar no lugar sem depender da peninha (tava impossível desviar de todos aqueles inimigos em pleno vôo).
Olha como tá ficando bonito:
E essas são só as duas primeiras fases.
Sim, tem um monte de bugs espalhados por aí. Não, eu não terminei o segundo mundo ainda (na verdade só falta duas fases). Sim, essa é apenas uma versão beta. Não, não tenho previsão pra terminar de editar todo o jogo.
Mas se você tem vontade de ver um Mario diferente, pegaí.
Sim, RapidShare. O último arquivo que coloquei lá teve mais de 300 downloads, então acho que (a maioria de) vocês ao já sabe usar o sistema direitinho.
O arquivo tem 4 megas, mas tenho certeza que vocês vão gostar.
Escrito por Kid on Apr 22, 2005

O jogo desse mês (originalmente era pra ser uma atualização semanal, mas bah) é um que muitos de vocês devem ter visto nas paredes das locadoras, mas nunca jogaram porque não sabiam se era bom: Joe e Mac 2 - Lost in the Tropics. Na primeira vez que aluguei um Super Nintendo (dez reais por três dias), esse foi o jogo que eu e meu irmão elegemos como o acompanhante do console. Três dias e quatro polegares calejados depois, o título se consolidou em nossos corações juvenis como um clássico. Ao ver o link do download no site onde pego ROMs, não hesitei: terminei de comer meu sanduíche de mortadela, limpei a boca na manga da camisa e baixei o arquivo.

O terrível tiranossauro que aparece na tela de abertura me levou numa emocionante viagem nostálgica de volta a 1995, quando personagens animados em sprites de 2D ainda emocionavam alguém. Limpei as lágrimas na manga camisa, mas com o cuidado de desviar das manchas de ketchup que estavam lá previamente, e prossegui no jogo.

A tela de abertura do jogo me assegurava que eu estava realmente jogando Joe e Mac 2 - Lost in the Tropics, e não Tomb Raider ou Mario Party 5 como você poderia confundir. Apertei o Start. Uma aventura pré-histórica me aguardava, então resolvi pausar o emulador e preparar outro sanduíche.

O jogo abre essa apresentação, que explica como o terrível Gork surrupiou a coroa sagrada de um velho que mora na mesma aldeia que Joe (e Mac, que não estava presente no jogo porque o Trunks tava ocupado no outro PC assistindo hentai ou algo assim). Gork, deve ser combatido, e a coroa trazida de volta, e o Trunks parar com essas putarias.

Ao entrar na cabaninha que foi alvo do meliante, o véio (que inexplicavelmente não tem nome) me informa sobre o roubo. Perceba que ele usa plaquinhas ilustradas com as representações do Gork e da coroa furtada, talvez partindo do pressuposto de que nós somos muito burros ou temos algum problema de memória e já esquecemos que o roubo foi mostrado a dois segundos atrás. O véio nos dá a missão de ir a uma vila vizinha e bater em animais/pular em plataformas/pegar chaves que eventualmente nos colocarão frente a frente com o ladrão de coroas.
Por que o véio não foi atrás da própria coroa, eu ainda não sei. Mas não tive tempo de perguntar, uma vez que o jogo me jogou pra fora da cabaninha onde eu conversava com o cara. E a aventura começa!

Mas antes, decidi visitar a cabaninha do Joe, que fica logo ali na esquina. Para a minha surpresa, não havia absolutamente nada dentro dela. Ou o Joe é um pé-rapado que não pode sequer comprar uma cama, ou o Gork roubou mais do que a coroa, mas o baixo orçamento dos produtores do jogo não permitir animar a cena do ladrão “passando o limpa” na casa do protagonista do jogo.
É um mistério até agora insolúvel.

Nosso herói, que tem uma incrível semelhança com um alterofilista que usa uma vassoura sem cabo na cabeça, parte em busca do elemento. Na imagem acima, Joe confronta algum tipo de dinossauro.
A jogabilidade em J&M2 é muito simples. Há inimigos puláveis, batíveis e mistos. Os inimigos puláveis morrem se você executa um salto que aterrisse em suas cabeças, supostamente provocando um traumatismo craniano que os derruba e os faz desaparecer após dois segundos. Os batíveis são aqueles cuja evolução presenteou com um crânio mais rígido, e então exigem algumas cacetadas com um pedaço de pau pra morrer/desaparecer. Interessantemente, o bastão de Joe permanece eternamente fora de vista, até o momento que é direcionado contra a cabeça de alguém. Já os inimigos mistos são aqueles que necessitam de porradas e pulos para sucumbirem.

Além das incríveis habilidades de pular sobre e/ou arrebentar as cabeças dos inimigos a base de pauladas, Joe é um puta glutão. Felizmente, boa parte dos objetos ingeríveis no jogo o concedem fabulosas habilidades especiais. A fruta desconhecida o permite cuspir sementes; o frango, ossinhos; a pimenta (sim, ele come até pimenta no jogo), labaredas incendiárias, e por aí vai. Ainda não achei nenhum alimento venenoso no jogo, então, na dúvida, caia de boca que é seguro.
(Contenham a vontade de fazer piadinhas de cunho homossexual, por favor)

Se há uma coisa que eu aprendi nesse jogo, é que a pré-história era um lugar muito violento. Há de tudo um pouco no período Paleozóico: dinossauros, libélulas e minhocas gigantes, plantas carnívoras, caranguejos e até mesmo estupradores. Na cena acima, pode-se ver Joe sendo molestado sexualmente por um outro homem das cavernas, enquanto seu cúmplice dá risadas e um terceiro troglodita gira uma bola de pedra presa a uma corrente (na esperança que uma cabeça desatenta interrompesse a trajetória).

Nosso intrépido herói, que ignorou o senso comum e não quis ir à delegacia fazer um retrato falado do estuprador, encontra uma chave - que o permitirá abrir uma porta e então prosseguir a busca por mais uma chave.

Em um determinado ponto do jogo, você é desafiado a testar suas habilidades motoras pilotando um carro feito com um bloco de pedra e rodinhas de madeira. Veja que Joe parece não muito tranquilo em relação ao meu talento como piloto.

Não o culpo.

Após bater, pular, cuspir e ser sodomizado por homens de Neanderthal, nosso intrépido herói enfrenta a versão paleozóica de Legolas. Diferente da versão de Tolkien, este arqueiro pré-histórico tem a mira de um idoso cego que foi rodado três vezes e em seguida tomou um taco de baseball na cara. Todas as flechas (que como você deve ter adivinhado, são infinitas) do cara aterrissam a aproximadamente três quilômetros de Joe, então você pode passar pelo riozinho tranquilamente. Subi uma elevação e prossegui.

(In)felizmente, nem todos os oponentes são tão ineptos. Um pouco adiante encontrei mais um malfeitor, que me encarava com toda a maldade que foi possível enfiar num sprite de 16 bits. Pro seu azar, eu havia acabado de engolir um frango mágico - que apareceu do nada, como todas as outras coisas nesse fenomenal jogo -, o que significa que eu dispunha da incrível habilidade de cuspir ossos letais. Despachei-o pro outro mundo com facilidade e desci a elevação, de volta ao riachinho.

E surpresa! Pisei no ponto mágico que me joga em direção à próxima fase, o que no jogo significa que um jato de água pegou o Joe pela bunda e o mandou pro próximo nível. Somos agraciados com esse olhar na cara do Joe, que estranhamente dá a impressão que ele tá gostando da pressão no fiofó. Preferi não julgar o rapaz. Vale ressaltar que, até agora, não apareceu nenhum ser do sexo feminino neste jogo, então vai ver que é a única forma do coitado se divertir.

O jato erótico me levou até a última fase desse mapa, onde eu deveria enfrentar o chefão - um estegossauro aproximadamente 500 vezes maior do que a sua versão do mundo real. Tudo bem, estegossauros eram grandes mesmo, o filme Mundo Perdido não me deixa mentir. Mas esse aí me dava a impressão que ele poderia me inalar inteiro pela narina esquerda, e tenho quase certeza que eles não eram tão grandes assim. Além disso, a maioria dos arqueólogos concordaria comigo sobre o fato de que dinossauros não cuspiam pedras para matar homens das cavernas de cabelos verdes.

Se você derrotar o chefão - e eu não consigo entender porque não conseguiria, pois a mira do estegossauro é um pouco pior do que a do Legolas pré-histórico -, você entra num barquinho e então é capaz de passear pelo mundo a lá Mario World que J&M2 copiou.

Desembarquei nessa outra vila, onde pude comprar coisas como um eficiente machado mágico que dispara raios azuis, frutas e mais pedaços de frango. Assim como na vila anterior, para acessar as funções dos casebres e poder comprar coisas, você precisa dar uma paulada no gongo na frente deles (como pode ser visto no GIF) a despeito do fato de que os donos dos estabelecimentos estão bem ali, olhando pra você. Suponho que todos nessa vila são cegos e tem algum problema de audição.
E perceba aí que apareceu a primeira personagem feminina do jogo: a vendedora de comida.
Mas eu não tava afim de comprar nada, então passei pra próxima casinha.

Veja só você! O jogo me permite, por modestas 50 rodinhas (que são o equivalente às moedas de Mario ou às argolas douradas de Sonic), repor os itens supostamente roubados pelo meliante que a essa altura do campeonato já foi totalmente esquecido! Infelizmente, a única coisa que ganhei comprando a opção Remodeling foi um tapete verde.
Mais adiante havia uma cabaninha com um telescópio. Eu podia apontar o telescópio - de grátis! - para diversos locais, que incluem o esconderijo do Gork, a minha própria casa e outros dois locais que esqueci agora. Tentei apontar o aparelho pro banheiro da vendedora de comida, mas infelizmente é uma função que não foi implementada (talvez pela faixa etária a que o jogo é destinado). O que esse jogo acerta na variedade de cores utilizada nos mapas e nos itens comestíveis, peca na falta da opção de ver a vendedora pelada no chuveiro.
Na falta de melhor escolha, direcionei o telescópio para o esconderijo do terrível vilão que eu deveria pular e/ou matar a pauladas, a fim de readquirir a coroa-sagrada-não-sei-das-quantas.

Se havia dúvidas sobre o grupo a que esse jogo é destinado, essa imagem destroi-as assim como eu destrui qualquer possibilidade de ir pro céu caso Deus realmente exista. Já vi inimigos sendo descritos de muitas formas que incluem “satânico”, “infernal” ou “demoníaco”, mas “malvado” é a primeira vez.
Me cansei de passear pela vila e parti em direção às próximas fases, onde enfrentaria os mesmos inimigos com as mesmas técnicas de batalha. Por motivos diversos, que envolvem “preguiça” e “ter outras coisas pra fazer”, a resenha pára por aí mesmo. Não que faça muita diferença, o post já tava ficando imenso e já deu pra ter uma idéia do que é o jogo. Fim.
Mas tenho certeza plena de que o Gork é muito “malvado”.
Escrito por Kid on Apr 21, 2005
Atualizacoes sobre o lance do GreenZap: (sem acentos porque estou na escola e apressado pra caralho).
Segundo suspeitas, eh um scam. Um famoso pilantra virtual chamado Damon Westmoreland estah de alguma forma envolvido no negocio (o que jah levanta serias suspeitas).
De acordo com informacoes que colhi, um fato que eles nao divulgam (caso seja verdadeiro, ainda nao sei ao certo) eh que o seu credito soh estarah liberado quando voce depositar uma quantia X na sua conta no GreenZap (e aih o coro grita “tava bom demais pra ser verdade“). Caso isso seja verdade, scam ou nao, ninguem recebera a grana, nem nos, nem eles, porque duvido muito que alguem que leia esse blog (ou seja, brasileiro) irah dar X dindins pros caras. Como jah citei em outras ocasiao, nossa raca nao paga nem o que deve, que dira isso.
Enfim.
Na pior das hipoteses, voce perdeu 20 segundos se cadastrando e alimentou a esperanca de comprar coisas no eBay.
A culpa eh minha. Nao me processem, por favor.
E porra, fazia um tempo que eu nao postava um texto com esse portugues a la usuario preguicoso de mirc
Escrito por Kid on Apr 21, 2005
Aê malandragem.
Tão afim de ganhar uma graninha na internet?
Seguinte.
Vai chegar na praça um site que é uma espécie de novo Paypal, o GreenZap. Até aí, nada de novo. Acontece que quando você se cadastra através da indicação de alguém, eles te dão 25 dólares pra gastar no eBay.
O serviço ainda não tá funcional, e entrará em vigor no verão de 2005 (o que significa qualquer período entre junho e agosto). Mas pré-cadastrando-se, você fila essa barbada de 25 paus!
Não demora nem custa nada. Basta colocar seu e-mail, seu login e umas três informações pessoais. Por 25 dólares na faixa, eu fazia bem mais, talvez até um post.
PS.: O crédito ficará disponível pra você através do eBay, e como este é internacional, você do Brasil não fica de fora da parada. Quer mais o que? Vai lá se cadastrar antes que os caras percebam que é mais barato apenas investir esses 25 dólares em publicidade.
PS2.: Recebi um email dos caras do site. O crédito ficará liberado no dia primeiro de junho. Até lá, vão no Ebay e se divirtam com os preços ridículos das paradas lá. O Spiderman 2 pro PS2 que quero a tanto tempo tá por dez pilas :~
Escrito por Kid on Apr 19, 2005

A maioria já deve ter percebido, mas vale o aviso atrasado. Como aprendi com as infinitas mudanças de URL, trazer algo à atenção de vocês (ainda que três ou quatro vezes) nunca é demais.
Decidi remover a busca do Google da área “Esmolinha, Dotô”. Tomei a decisão após meses de reclamações de leitores muito especiais, cujas deficiências visuais os impediam de encontrar o banner. Não é pra menos, uma vez que o banner estava cuidadosamente escondido cinco milímetros abaixo da tal área busca (agora extinta). Ou seja, era praticamente invisível. O erro foi meu, se supor que alguém sem um detector de infravermelho poderia achar aquele negócio. Não é a toa que não tava ganhando nada.

Então, né. Aqueles leitores (que suponho lerem o HBD usando aqueles programas especiais que ditam em voz alta o conteúdo de sites) constantemente reclamavam que não conseguiam achar o banner de jeito nenhum. Alguns chegaram a me pedir pra fazer GIFs animados ensinando-os a acha-lo, veja só! Bem, ao menos os caras tavam intencionados a me ajudar, e isso é o que importa, né?
Fiz o banner. Mas por mais incríveis e fabulosos que sejam as minhas animações, elas não fazem milagres. Independente dos meus esforços em combinar o Paint e o GIF Movie Gear, não fui capaz de devolver a visão dos pobres leitores, tal como aquele tal de Jesus fez cuspindo na areia e esfregando a lama na cara de um ceguinho da Palestina.
Ao menos é o que a Bíblia diz. Quem sou eu pra contradizê-la, né.
Divago. O importante é que você, antes de levar seu cão-guia pra mijar lá fora, não esqueça da esmolinha.
E agora sim, que venham os posts novos (em Braille, não se preocupem).
Escrito por Kid on Apr 19, 2005

Sim, isso é uma screenshot real, e não uma montagem. Em breve explicarei do que se trata o mega-projeto.
Escrito por Kid on Apr 18, 2005
Aproveitando o clima…
PS.: Sim, estou escrevendo posts novos. Tenham paciência, porra.
Escrito por Kid on Apr 16, 2005
A quem possa interessar…

Para sites
Para fóruns
Caso você não tenha percebido o novo selinho HBD ali no menu ao lado, vai aí um post só pra ele.
Resolvi abraçar o tema Super Mario World de vez. Eu já tinha aprendido a tocar a música-tema na guitarra, já tinha uma camiseta do jogo, e já fiz um mosaico de post-its com o personagem. Só faltava mesmo um selinho no blog.
Explicando o desnecessário: a tag de cima é pra você pôr no seu blog, e a debaixo é pra pôr como assinatura em fóruns.
Até que ficou bonitim, fala a verdade - ao menos pra quem mal sabe usar o Photoshop.
Escrito por Kid on Apr 14, 2005
Não sei se vocês já perceberam, mas existe um inerente fascínio infantil por violência.
Quando eu era guri e ia a uma locadora, o primeiro lugar que eu ia era à sessão de terror. Terrores sobrenaturais não era o que me atraía, o que eu queria mesmo ver era sangue. Procurava entre as fitas a capa cujas imagens tivessem a maior quantidade do líquido vital. Achava o maior barato ver aquelas maquiagens que simulavam cortes e buracos na pele, que nos filmes invariavelmente esguichava plasma suficiente pra abastecer dois bancos de sangue em algum país africano.
Não sei se isso acontecia com todo mundo, mas era assim comigo. Se todos somos vítimas dessa estranha atração, está explicada a origem dos estranhos jogos infantis que envolvem violência gratuita entre moleques de treze anos.
Sem dúvida você já deve ter visto uns joguinhos desse tipo, onde dez ou mais crianças decidem duas ou três regras que apenas “legalizam” a troca de sopapos, dando algum tipo de pretexto para o ato. Se não, os meus amigos eram uns doentes que devem estar até hoje pagando por ajuda psicológica.
Quando eu era criança, havia duas brincadeiras (se é que posso chamar aquelas demonstrações de ódio de brincadeiras) que atraíram minha atenção muito mais do que o pega-pega ou esconde-esconde - com exceção às ocasiões em que a Fernanda, uma irmã gostosa de um dos amiguinhos do bairro, brincava com a gente. Não me entendam mal, ser agraciado com o direito impune de encher um desafeto de porradas (ainda consentindo em ser sujeito ao mesmo tratamento) é uma beleza, mas não se equivale à diversão se se espremer pra caber num lugar apertado junto com a Fernada, sob a convincente alegação de que “esse é o melhor lugar, eles nunca vão achar a gente aqui, hihihihi!“
Mas então, as porradas.

Uma das brincadeiras se chamava, inocentemente, “Castanha”. Os mais ingênuos de vocês poderão supor logo de cara que o jogo se tratava de arremessar castanhas uns nos outros, mas isso apenas prova que sua criatividade para violência é muito limitada, ao ponto de aceitar sugestões por causa do mero nome da brincadeira. Castanha era muito mais profundo que arremessar hortaliças (não sei se uma castanha é uma hortaliça, mas direi aqui que é pois nunca pude usar essa palavra num texto) no olho de um coleguinha.
Castanha era um jogo simples, a despeito de que para algo ser considerado um “jogo” deve haver algum sistema de pontuação ou competição real. Por definição, Castanha não era um jogo muito mais do que era um método de tortura. A brincadeira era simples e consistia de apenas duas etapas simples:
- Localizar alguém que acabou de se sentar na sua cadeira.
- Correr até o indivíduo que acabou de se sentar e enchê-lo de porradas.
Só isso. Incrível como algo tão simples conseguiu mandar tantas pessoas pra diretoria da escola. Havia variações nas regras básicas, mas a idéia principal nunca foi alterada: corra pra cima de quem se sentou e projete partes do seu corpo (mão, pé, cabeça, bunda, vai ao gosto do freguês) com violência contra o infeliz.
Ninguém estava imune, pois o privilégio de participar da brincadeira era dado a para todos todos, quer eles desejem brincar ou não. Era praticamente uma emulação da democracia adulta a qual nos acostumaríamos um dia, como o voto obrigatório.
A única forma de se excluir do jogo era sendo portador de alguma deficiência extremamente debilitante, (o que o salvaria das porradas mas não das piadas extremamente maldosas) ou não ir à escola. Sendo impossível passar um dia inteiro sem se sentar na cadeira, aqueles que optavam participar das aulas tinham uma única forma de se salvar das bordoadas: qualquer pessoa que desejasse sentar a bunda na cadeira deveria dizer, em alto e bom som para que todos ouvissem, “castanha” (daí o nome do jogo).
Nunca saberei por que escolheram essa palavra. O que sei é que esse verbete mágico salvou os órgãos internos de muita gente. Digo isso porque em algumas ocasiões, o som resultante de um murro nas costas dava a impressão de que os pulmões do sujeito foram atingidos pela mão cruel do indivíduo que administrou a punição naquele que foi burro o bastante pra esquecer de “pedir permissão” pra sentar (que frase longa, que horror).
Nenhum momento era sagrado. Você poderia estar emprestando uma fita de SNES pro seu amigo que senta atrás de você, e logo em seguida sentar-se sem pronunciar a palavra redentora (por esquecimento ou pela ilusão de que prestar um favor ao amigo o livraria do espancamento); levava porrada a despeito de qualquer coisa.
Eu estudava no Colégio Adventista; lembro-me de uma ocasião em que um garoto entrou na sala durante o momento da oração diária (eles nos obrigavam a orar no começo do horário letivo). Todos (ou quase todos) de cabeça baixa, falando pra Deus algo que ele supostamente já deveria saber mesmo, quando o moleque sentou-se na cadeira. Alguém estava de olho na situação e não perdoou o erro. Um baque surdo ecoou na sala, seguido de vários outro, menos potentes mas mais numerosos. A classe inteira abriu os olhos; o moleque recém chegado na classe estava debruçado no chão, e seus cadernos e livros espalhados pelo piso da sala. O carrasco voltava silenciosamente pra sua cadeira, com um olhar de “missão cumprida” no rosto, provavelmente pensando em contar vantagem sobre o fato de que ele foi o único a ver o menino que sentou sem dizer “Castanha”.
Ah, tinha outra brincadeira. Mas esse post tá grande demais, conto no futuro.
Grandes Lendas dos Videogames
Escrito por Kid on Apr 11, 2005
Se há uma característica marcante da raça humana, além da nossa habilidade natural de não se dar bem uns com os outros, é o dom da criatividade. Duvido muito que um ser de outro mundo fosse capaz de escrever peças de teatro, compôr músicas que ficam presas nas nossas cabeças meses após termos ouvido-as pela primeira vez, ou descobrir como equilibrar um salário mínimo até o fim do mês que vem.
E a humanidade mostrou essa criatividade ao longo de sua (relativa) breve existência nesse planeta. Os nossos ancestrais primordiais combinaram pedras afiadas, cipós e paus e inventaram ferramentas que os permitiram pela primeira vez quebrar as cabeças de seus semelhantes. Os homens mesopotâmicos criaram um Deus que até hoje faz com que gente dê dez porcento do que ganha a líderes de igrejas. Nos tempos mais modernos, o homem misturou pólvora e ferro e criou as armas de fogo, excelentes ferramentas para acabar com discussões. Mais recentemente, o homem uniu computadores através de cabos e protocolos de comunicação e descobriu uma forma revolucionária de receber pornografia de graça em casa. Não precisa ser um gênio pra perceber que a criatividade humana foi a ferramenta que nos permitiu ser algo além de macacos jogando cocô uns nos outros.
Criatividade é um privilégio de qualidade divina. Vemos-na em muitos locares (entre os quais podem-se excetuar por exemplo o blog do Eduardo), e ela é sempre recompensada onde é encontrada. Porém, não há um grupo mais criativo neste universo do que os jogadores de videogame. Por um motivo simples.
Basta entregar um jogo qualquer na mão de um moleque de 13 anos, em menos de uma hora ele jurará que existem ao menos 3 vezes mais fases do que realmente há no jogo.
Xeu explicar melhor.
Todas as pessoas que têm mais ou menos a minha faixa etária, ou seja, que cresceram e amaram os mesmos jogos eletrônicos que eu, devem conhecer estas fábulas a que me refiro. Promessas de segredos escondidos, profecias sobre mundos nunca antes explorados, lendas de mistérios que esperavam por você.
Parece muito importante, a despeito do fato de que na verdade não era nem um pouco. Estou falando aqui daquilo que aconteceu com todos aqui, em algum momento de suas vidas, se você possuiu um videogame: seu primo/amigo de sala/vizinho chegava pra você e contava algo sobre alguma área secreta em um jogo qualquer, e a partir daí você deixava de ser um mero jogador de videogame, mas se tornava um verdadeiro desbravador.
Todos aqui tiveram experiências do tipo, de ter ouvido sobre uma suposta fase secreta/item escondido/personagem oculto no seu jogo preferido. Tais mistérios não eram como os de outrora, que eram confessados no leito de morte de um explorador moribundo, mas por um moleque cujo primo tem um amigo que pegou uma revista americana emprestada do vizinho, e que a tal revista explicava todos os passos de como atingir o Eldorado eletrônico.
E nós, claro, caíamos como patinhos. Toda vez. E passávamos boa parte de nossas infâncias procurando os tais locais misteriosos.
E é disso que esse post fala: das lendas mentirosas e dos sonhos destruídos quando descobríamos que não havia área secretíssima porra nenhuma. Algumas vezes a verdade era mais cruel; o amigo do primo do irmão do menino da escola nem existia!
A Fase na Nuvem
Essa aí esteve nos meus sonhos e pesadelos por quase 5 anos. Desde a época em que eu não tinha videogame e jogava minha mesada fora em locadoras em Fortaleza, eu já venerava Super Mario World. Dedicava todo meu tempo livre a catar moedas embaixo do sofá pra ir jogar na locadora do seu Roberto, um argentino que me odiava por causa de um certo episódio envolvendo um rato (explico um dia). Então. Um belo dia, eu e um vizinho discutíamos sobre quem havia aberto mais fases no jogo. Falei, orgulhoso, que tinha quase todas as 96 fases destravadas no meu cartucho de Mario. O garoto soltou, com um ar de desdém, que duvidava que eu tivesse aberto a “fase na nuvem”. Perguntei, intrigado, “que fase é essa?”. Ele tomou o controle da minha mão e levou meu Mario pixelizado até o segundo mundo, você pode ver na imagem aí em cima. Tá vendo essa nuvenzinha no meio do oceano? Então. O cara jurava que tinha uma fase aí. É desnecessário dizer que eu passei boa parte da minha infância em Donut Plains, o segundo mundo de Mario, tentando achar a passagem que me levaria pra Fase na Nuvem.
A banheira do Honda
Lendas videogamísticas envolvendo partes do cenário que são supostamente interativas com o jogador são mais numerosas que a quantidade de leitores que não me dão esmolinhas, mas a Banheira do Honda era a mais proeminente. Eu particularmente nunca fui muito chegado a Street Fighter, mas como vocês já devem saber, as lendas dos jogos não se limitam aos grupos que têm afinidado com os tais jogos. Eu só devo ter jogado Street Fighter umas duas vezes na vida, duas experiências extremamente tediosas (caralho, eu odiava esse jogo mesmo), mas ainda assim ouvi a história da banheira do Honda. Supostamente, havia uma combinação secreta que, se executada corretamente, no tempo certinho, permitia ao Honda pular dentro da banheira no fundo do cenário e lavar a bunda, ou algo do tipo. Vale lembrar nesse ponto que as lendas tinham muitas micro-variações, mas a idéia principal era sempre a mesma. Um dia, peguei Street Fighter emprestado de um amigo da escola, só pra ver se o negócio era verdade - a lenda tinha feito mais uma vítima. Imagino que pelo menos uns cinquenta mil controles de SNES foram destruídos por jogadores frustrados ao perceber que a banheira do Honda era tão inacessível pro avantajado lutador de sumô como portas, corredores e outras passagens estreitas.
A Triforce
Tenho certeza que quando leram os primeiros parágrafos do post, muitos se perguntaram se eu ia falar sobre a lendária Triforce em Zelda The Ocarina of Time. Não é pra menos; a lenda da Triforce era mais notória que Jebus, o doente mental que passa o dia inteiro lá no centro da cidade gritando contra semáforos e pedras. De longe a lenda mais bem trabalhada, a história da Triforce envolvia até mesmo, pasmem, a suposta participação da própria Nintendo! A lenda, ou ao menos a variação que ouvi, era a seguinte: um programador que trabalhou na equipe de de produção de Ocarina of Time fez, sozinho, um JOGO INTEIRO e escondeu o tal jogo, ou ao menos a passagem para ele, num artefato conhecido por gamers no mundo inteiro como Triforce. O tal programador teria morrido (e o contador da lenda sempre enfatizava o drama do cara, dando-o pestilências como hemorróidas cancerígenas ou tuberculepra leucêmica, porque afinal de contas todos tínhamos 13-14 anos e nomes complicados davam credibilidade à história) e o segredo do jogo escondido foi levado junto pra cova. A Nintendo ouviu o boato sobre o tal jogo secreto, e queria descobrir onde ele se escondia, para poder aproveitar e honrar o trabalho do programador, lançando o jogo no mercado. Obviamente a Nintendo não ia fazer algo inteligente, barato e rápido como, digamos, abrir o código fonte do jogo e localizar a anomalia. Não, não. Ao invés disso, a empresa resolveu pagar CINQUENTA MIL DÓLARES pra qualquer jogador que encontrasse a Triforce, tirasse uma foto da tela da TV e mandasse pra eles.
Essa lenda afetou a vida de muita gente. Amigos antes felizes e sorridentes viraram nada além de uma sombra do que eram antes, de tão obcecados estavam em encontrar a tal Triforce e filar os cinquenta mil paus. Tinha neguinho fazendo até planos pro dinheiro, e não tou inventando. Era uma parada semi-deprimente (não totalmente deprimente porque, em retrospecto, os caras eram otários mesmo e mereciam sofrer pela ingenuidade).
Quando Majora’s Mask, a continuação de Ocarina of Time, foi lançado, a lenda morreu. Os boateiros de plantão ainda lançaram mão de uma última tentativa de manter a saga viva, ou seja, deram uma espécie de patch na lorota: eis que de repente, “descobre-se” o sobrenome do tal programador morto era justamente MAJORA, e que o novo jogo era exatamente o mundo secreto atrás da Triforce! Como se pode ver, o engodo é realmente notável. A Lenda da Triforce foi a única mentira que conheço que passou até por update.
O Combo de 99 hits do Subzero
Esse não podia faltar, pois foi uma das lendas que mais ouvi na época gloriosa do SNES. Muitos clamavam ter alcançado o tal combo, outros diziam ter testemunhado a tal sequência, e um número equivalente alegava ter parentes que conseguiram acertar a combinação que fazia o Subzero desferir exatas noventa e nove porradas no seu inimigo. O combo de 99 hits virou uma espécie de nirvana dos videogames, um estado de espírito que apenas os mais iluminados poderiam alcançar. Até o grupo dos Grandes Mestres do MK (que era composto de malucos mais ou menos dois anos mais velhos que o resto da turma e que dominavam técnicas milenares dos jogos de luta como cobrir o controle com a camisa pra facilitar o desenvolvimento dos golpes) foi pego de surpresa com o boato. Júnior a.k.a. “Cabeça”, o líder não-oficial daquela patota de pré-adolescentes que controlava as partidas de Mortal Kombat com punhos de ferro e camisas de campanhas políticas, foi um dos primeiros a comprar a briga contra a lenda. O moleque passou MESES jogando MK3, e após muito tempo sem notícias sobre ter conseguido ou não o tal combo, foi obrigado a inventar as próprias mentiras. Segundo ele, uma vez ele QUASE conseguiu, mas faltou energia na hora H. Quando essa lorota se tornou velha, ele passou a alegar que tinha conseguido, e que tinha dado pause no jogo (usando um cheat code que permitia pausar partidas de MK3, o que realmente existe) mas aí a mãe dele não deixou ele sair de casa pra dar as boas novas pros amigos. Como ele tava com medo de deixar o videogame ligado por muito tempo e assim foder o aparelho, acabou desligando-o.
Eu tenho minhas suspeitas a respeito dessa lenda. Imagino que alguém tenha visto Killer Instinct pela primeira vez e achado que se tratava de um outro jogo como, digamos, uma versão nova de MK (a confusão entre jogos era um fenômeno muito comum). Havia um personagem em KI, o Cinder, que quando era azul parecia ser feito inteiramente de gelo. Alguém viu o jogo de luta, o personagem de gelo e aqueles combos brutais que eram o carro chefe de Killer Instinct, e pronto. Surgiu uma lenda que, se minha teoria está correta, foi mais um engano do que uma mentira proposital.
…
Da forma que vejo, as lendas dos videogames não são muito diferentes das lendas sobre montros marinhos, quedas d’água no fim do mundo e muitas outras histórias similares que eram senso comum em séculos passados. Assim como os primeiros navegadores, os jogadores de videogame estão diante de um mundo (ainda que virtual) praticamente inexplorado. Superstição, ignorância e imaginação são os responsáveis para que os exploradores preencham as lacunas desconhecidas com invenções próprias. Hoje, com o advento da informação (no caso, os sites especializados que podem rapidamente confirmar ou omitir tais segredos em jogos), as lendas deram lugar ao conhecimento (quase) pleno.
A humanidade pode ter demorado pra descobrir que um navio não cairá num abismo sem fim ao se aproximar do “fim do mundo”, mas eu demorei mais ainda pra finalmente abrir mão do sonho de jogar numa fase nas nuvens.
Escrito por Kid on Apr 8, 2005
Outro dia escrevi um post sobre Socom. O jogo é tudo que a geral ama em CS, com a vantagem de que você não precisa suportar os CSmaníacos - uma espécie de nerd que habita lan houses - e de ser em terceira pessoa - convenhamos, o gênero FPS é uma mancha na história dos consoles. Mirar em um jogo em primeira pessoa usando o controle analógico foi a pior idéia que alguém já teve desde dizer que nem Deus podia afundar um navio - todo mundo sabe que o cara é vingativo, deu no que deu.
Muitos dirão que eu apenas sou ruim demais nos jogos, e eu te respondo que o fato de que você já se acostumou com os controles - ao contrário de mim - não os torna melhores do que realmente são - e aproveito esse momento pra reiterar que são, de fato, uma merda. Outros dirão que eu sou imaturo por se importar com as críticas alheias, ainda por cima sobre aptidão pra um jogo, e eu respondo dizendo que os que dizem isso são feios, gordos, bobocas e que além de não te dar esse picolé de morango que eu tenho, ainda vou contar pra minha mãe.
Tendo já respondido essas futuras/prováveis críticas, continuemos.
Então. Eu não sabia, mas a segunda versão do game já tava disponível na lojinha de videogames mais próxima. Matei aula e corri pra lá. O preço na etiqueta dizia 17 dólares, e eu quase não acreditei nos meus olhos. Tirei o cartão feliz do bolso.
Descobri que Socom 2 conseguiu ser - para a minha surpresa - ainda melhor que o primeiro. Os caras corrigiram todos as falhas do antecessor, acrescentaram mapas, armas, texturas, skins pros bonequinhos, modos de jogo, TUDO. Procês terem uma idéia de como o jogo é foda, você dá comandos de voz pro seu esquadrão. Cê grita “Get down“, e os carinhas se jogam no chão. “Fire at will“, e os caras começam a atirar em qualquer coisa que se mova. Há uma lista interminável de comandos pra interagir com o seu time de Seals, o negócio é indecente de tão legal que é.
Então, comprar Socom 2 foi, na prática, como dar um patch no jogo.
Mas esse não é o motivo pelo qual escrevo esse post. Conforme a caixa do jogo me avisava, existem duas fases no jogo que se passam…
….rufem os tambores….
…se você usa uma resolução abaixo de 1024 x 768, vai ter que rolar a tela um pouco mais…
…no Brasil.
E sim, como vocês devem suspeitar, preparei uma surpresinha pra vocês. Não ia escrever um post só pra dizer que o jogo tem uma fase no País da Putaria (embora o fato seja digno de ao menos uma notinha de rodapé).
Não tenho paciência pra jogos offline (não comprei Socom pra isso), então pedi pro Trunks passar das fases do single-player mode pra que pudéssemos ver a tal fase brasileira. Eu já me sentia ofendido antes mesmo da fase começar; tanto eu quanto o irmão suspeitávamos que foram contratados tantos atores brasileiros pra fazer as dublagens quanto existem posts engraçados na página principal do Faz Sentido. É comum o erro de achar que aí se fala espanhol, então já tava esperando algo mais ou menos nos moldes de “Veo el terrorista adelante”.
O que se seguiu diante dos meus olhos foi bem pior.

Vai um espetinho aí?
Simplesmente hilariante. Veja a elegância do vendedor da carne, sua presença de espírito e tudo mais. O cara mostrou uma certa insegurança ao revelar a procedência do alimento, e eu suspeito que a intenção disso era fazer os gringos que jogam o título pensarem “AHÁ! Este açougueiro de rua pôs droga na carne, que safadinho! LOL!!!“, mas nós brasileiros sabemos que o malandro não gastaria pó pra impregnar comida de rua (que já tem a mesma qualidade mortífera por sí só.). Suspeito muitíssimo que o mistério relacionado à carne não é de natureza narcótica, mas sim de felina.
Atente também para a notável habilidade do dublador do terrorista, que conseguiu errar praticamente todo segmento do discurso que dependesse do sotaque, me dando dúvidas sobre a nacionalidade do personagem (que é supostamente brasileiro). Talvez o Brasil tenha mudado bastante desde que me mudei pro Canadá, mas na minha época ninguém dizia “Istrou fajiendo uma patruu-ia“. “Patruia“, no máximo, e isso ainda requereria pelo menos uma convivência de 10 anos na roça braba. Eu tava dando uma chance ao terrorista, mas perdi totalmente a fé quando ele começou a soar como um segmento mal gravado de “Fucker and Sucker“, os tiras gringos do Casseta e Planeta.
A qualidade do vídeo não é das melhores, uma vez que tive que diminuir a qualidade da captura pra não ficar tão grande. Hospedei no RapidShare, pra não foder a banda do Yuri. Aos reclamões que não conseguirem quebrar o complicadíssimo código do sisteminha grátis (que envolve habilidades desafiadoras tais como clicar no link e esperar até o download liberar), na moral, você não era nem pra estar lendo isso. Volta pro artesanato de colares de macarrão, ou à pintura de tinta guache usando os dedos, ou seja lá o que você faz aí na APAE, porque meu objetivo sempre foi escrever pra gente com uma certa capacidade intelectual.
Não destruam meu sonho.
Escrito por Kid on Apr 7, 2005
(e finalmente, o desfecho da história)
Sempre ouvi a expressão “gelar o sangue”, e experimentei-a algumas vezes, mas nesse momento conheci o significado real da metáfora. Assim que ouvi o barulho de passos caminhando em direção ao quarto, se tornando inexoravelmente mais altos, corri pra trás da porta. Foi impressionantemente rápido, eu sequer pensei: quando dei conta de mim mesmo, já estava em pé, completamente retesado, prendendo a respiração por um instante atrás da porta semi-aberta.
Uma opção deveras imbecilóide, vocês não precisam me relembrar. A ilusão era de que a véia entraria no quarto, e que meu corpo semi-pelado (eu ainda estava com a camisa nas mãos) ficaria totalmente fora de vista, bloqueado pela porta. Como se a véia não fosse fechar a porta atrás de si logo em seguida, assim como 99% das pessoas fazem ao entrar nos próprios quartos.
Os passos se tornaram mais próximos. A proximidade da porta fazia minha respiração condensar nas lentes dos óculos, agravando minha deficiência visual. Pensei em usar a camisa pra limpar as lentes, mas eu não queria quebrar minha imobilização. Fiquei como estava, inerte e assustado, atrás da porta.
Os passos continuavam. Um vulto cruzou a porta, bloqueando a iluminação e projetando uma sombra amedrontadora no piso de madeira do quarto. Poucas vezes na minha vida uma sombra me assustou tanto, e esta certamente está no Top 10. Os passos eram de sapato contra o piso, o que significava que era realmente a véia, prestes a descobrir minha nudez.
A sombra parou por alguns instantes na frente da porta. Mais uma baforada, e meu mundo mergulhou mais profundo numa névoa esbranquiçada, resultado da condensação do hálito quente no vidro frio dos óculos. A sombra sumiu diante das lentes embaçadas, e por um momento eu não consegui distinguir se a véia ainda estava na frente da porta do quarto, ou se tinha voltado.
Um detalhe que alguns leitores devem se lembrar é que a mãe da minha mulé véia é parcialmente surda (o pai é completamente surdo). Isso tornaria tudo infinitamente mais fácil, se o apartamento não fosse do tamanho de uma caixa de sapatos. Se a confusão tivesse acontecido, digamos, na casa nova da patroa (que se mudou do prédio onde moro no começo da semana), que tem dois pavimentos e uns 4-5 quartos, eu poderia ter saído do quarto berrando, dando saltos mortais pra trás e derrubar uns quatro quadros no caminho. Uma vez que a sogra não ouve nada menos barulhento que um berro diretamente na orelha, esse desespero nunca teria acontecido.
Mas não era o caso. A surdez da mulé não era um fator a ser considerado (ou eu achava que não), porque o apê era tão pequeno, que não importaria o quão silencioso eu fosse, ela ainda me veria saindo semi-nu do quarto dela.
Minhas lentes desanuviaram nos instantes seguintes, e a sombra havia desaparecido. Antes que eu pudesse recolocar minhas idéias no rumo e decidir um plano extraordinário que envolveria dois clipes e uma moeda de cinco cents (tudo que eu tinha no bolso), ouço o barulho da torneira do banheiro, que devido à minha tamanha sorte fica diretamente na frente do quarto. Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, a namorada intervém.
- Dude, GET OUT!!!
Mas eu ainda não sabia a situação lá fora. Tive medo de que a véia saísse do banheiro no exato momento em que eu decidisse sair do quarto. Hesitei por apenas metade de um microsegundo, mas a situação era alarmante demais para manter-se a calma.
- Dude, GET THE FUCK OUT!!
Agi no impulso. Agarrei a beirada da porta e puxei-a para dentro, ao mesmo tempo que saltei de trás dela. Assim que atravesso o umbral da porta, dou de cara com a bunda avantajada da sogra, que estava meio que debruçada diante a pia do banheiro, aparentemente escovando os dentes. A visão foi paralizante. Notei que eu podia ver meu próprio reflexo no espelho logo em frente à mulher. Um pensamento cruzou minha cabeça: “se essa véia levantar a cabeça - sendo ela mais baixa que eu -, ela vai me ver na hora.”
Chacoalhei a cabeça, como que afastando a idéia, e disparei em direção à porta.
Quando apareci no corredor, descalço, com os óculos semi-embaçados e com a camisa nas mãos, vi que havia um entregador de pizza esperando à porta do apê da frente. Duas meninas esperavam pelo elevador, no fim do corredor. Evito o olhar do entregador (que provavelmente já deve ter visto situações do tipo, mesmo), mas não houve jeito de evitar as olhadelas disfarçadas das duas meninas, que deviam ter uns 15-16 anos, enquanto eu recolocava a camisa, ajeitava os cabelos e percebia, ao olhar pra baixo, que eu tinha vestido a calça pelo avesso.
Nunca trepem na cama da sogra, amigos.
Escrito por Kid on Apr 5, 2005
Você algum dia já se perguntou o que aconteceria se alguém pegasse o Arc, aquele ET que tem uma micro-coluna na revista Veja, e usasse algum intricado instrumento de extração para remover toda a graça do personagem, em seguida mudasse seu nome, sua imagem, cagasse em cima dele e finalmente colocasse o resultado num blog, como se fosse uma obra sua?
O Edu respondeu essa pergunta.

Ahahahahhjkdfjkdjfhsfls.
“Esperança”.
É constrangedor o fato de que esse cara divide o mesmo planeta que eu. Não sei o que é pior, e creio que vocês me ajudarão a definir:
a) O cara plagiar uma parada que originalmente já não era lá tão legal (o que significa que até pra copiar, é incompetente). Nem pra ser xerocador o cara tem o tino. Da próxima vez, plagie o Veríssimo de novo, cara. Sö não deixe o Fívio ver.
b) Ou o cara achar que ninguém perceberá que ele está “criando” um personagem com a premissa idêntica a de um que já existe há anos e que é divulgado apenas na revista de maior circulação no país.
c) A vergonhosa combinação dos dois, somando o fato de que o cara é o Eduardo.
Vão rápido, já já ele apaga.
E já consigo prever a resposta do mané.

[ Update ] Atendendo a pedidos…
Escrito por Kid on Apr 4, 2005
Ah, estragaram a surpresa da super série de posts.
Agora perdi até a vontade de continua-la =(
Escrito por Kid on Apr 3, 2005
(continuando…)
O vulto dá um passo apressado pra dentro do quatro e fecha a a porta atrás de si.
Era a patroa, já vestida. Sem explicar nada, ela me toma pela mão e me empurra pra trás da porta do quarto.
- Peraí, porra. Preciso procurar minhas roupas.
Prontamente, a garota estendeu a mão e ativou o interruptor, que fez meus olhos se fecharem instantaneamente como protesto doloroso. Parcialmente cego, nu e com adrenalina a mil, eu me sentia como um animal acuado. O que eu segurava na mão e pensava ser a minha calça era na verdade uma da mãe da namorada. Atirei-a pro lado como se a peça fosse um animal venenoso. Olhei pro lado e bingo, lá estavam minha calça e camisa, perto do criado-mudo onde o relógio ficava.
Pus as calças rapidamente - o que julguei ser mais importante - e interpelei a patroa, com a camisa na mão.
- Tá, e agora?
- Fique atrás da porta e NÃO SE MEXA. Quando eu der o sinal, CORRA.
A ênfase no “corra“, deixando claro que minha sobrevivência na situação ia depender de mim mesmo, não me deixou nem um pouco mais calmo. Eu devo ter parecido um completo imbecil, encarando a namorada silenciosamente, absorvendo as instruções. Desde o momento em que ouvimos um barulho na porta, meu lado racional parou de funcionar. Se alguém já experimentou uma situação de suspense total, em que um simples pensamento parece ser uma tarefa difícil demais, sabe do que estou falando.
Comecei a fazer milhões de perguntas a mim mesmo. O que diabos ela faria pra chamar atenção da mãe? Eu teria tempo de correr? E se eu não ouvisse o “sinal”?
E se desse tudo errado?
Antes que eu pudesse perguntar sobre o plano B, se havia algum, a namorada perdeu a paciência com o meu estupor e me empurrou pra trás da porta.
- Fica aí. Espera meu sinal.
Antes que eu sequer pensasse em fazer a ela as perguntas que fiz a mim mesmo, a menina disparou pra fora do quarto. Eu não sabia nem pra onde ela foi. Imaginei que ela tentaria falar com a mãe. Ela daria uma enroladinha, limparia a barra pelo tempo suficiente, e eu correria pra segurança. A véia nunca saberia que há minutos atrás um brasileiro estava peladão em cima da sua filha, em cima da sua cama.
“Um sinal”. Esperar por “um sinal”. A situação já era ridiculamente surreal, e a menção de um “sinal” não ajudou nada. A melhor teoria era de que a namorada correu pra inventar um papo qualquer com a mãe, tentando distrai-la por tempo suficiente para que ela pudesse formular uma estratégia melhor.
A antecipação era o pior. Aquela horrível impressão de que as coisas estão seguindos seus rumos e você não pode fazer nada pra interferir. Em segundo lugar, vinha aquela horrível sensação da pulsação sanguínea na garganta.
Passei a mão no cabelo, que o suor do nervosismo colou no rosto. Imediatamente, senti a falta dos meus óculos.
Engraçado como uma preocupação consegue fazer a gente se desligar de certas coisas. Meu grau de miopia é alto, então não suporto ficar sem meus óculos. Até então, eu não tinha dado a mínima pra esse detalhe, que normalmente não passa despercebido.
Eu não poderia ir embora sem os óculos. Sai de trás da porta e olhei em volta. Meus olhos estavam relativamente acostumados à penumbra, mas todos sabem que achar óculos é difícil até mesmo em lugares iluminados.
Dei passos indecisos pro meio do quarto, olhando em volta, tateando no colchão, na cômoda, em cima da TV. Onde eu deixei a porra dos óculos? Comecei a refazer mentalmente meus passos depois que entrei no quarto. Eu entrei aqui com óculos, e deixei-os em algum lugar por aqui. Ou teria deixado-os na mesinha de centro da sala? Parecia haver uma barreira entre os eventos presentes e o que tinha acontecido há alguns minutos atrás. Era como se tivesse sido há quatro anos. “Eu deixei os óculos aqui, tenho certeza. Ou não?”
Olhei pro relógio. Os dígitos 12 e 20 brilhavam em vermelho na escuridão, inundando a área próxima ao relógio com uma débil luminosidade. Os números pareciam abstratos na minha cabeça. O relógio. 12:20. O alarme setado pela namorada, um plano de segurança agora fútil.
O alarme setado pra namorada.
Senti um estalo na minha mente quando lembrei-me de ter repousado os óculos atrás do relógio antes de deitar, logo após a patroa ter mexido no relógio. Costumo deixar meus óculos atrás das coisas, serve como proteção contra braçadas desesperadas durante pesadelos envolvendo palhaços ou coisas do gênero.
Estendi o braço e alcancei a parte de trás do relógio. Senti o metal da armação dos óculos. Senti-me o cara mais inteligente do mundo enquanto recolocava-os no rosto. Imediatamente, o quarto pareceu mais claro. Sou míope e meu grau é alto, o que significa que vejo tudo embaçado quando estou sem óculos. Isso causa uma ilusão de ótica que faz lugares escuros parecerem ainda mais escuros, porque você tem dificuldade em definir os contornos dos objetos.
Já com os óculos no rosto, comecei a virar a camisa - que estava pelo avesso - para vesti-la. Foi mais por causa da força do hábito. Numa situação como essa, vestir com a camisa com a estampa encostando na barriga é a sua última preocupação.
E aí ouvi passos na sala. Alguém estava se movendo.
E vindo em direção ao quarto.
(Pára a fita, Pikachu, pára a fita…)
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As cinco maiores construções fictícias imaginárias da cultura popular. Com um bônus não-imaginário
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