Escrito por Kid on Apr 28, 2005
…E uma das coisas que mais me chamaram atenção foram as páginas H/P/C/V, que era o acronímio de “Hackers, Phreakers, Crackers e Virii“. Caso você desconheça a língua inglesa, isso são os plurais de hacker (malandrinhos do mundo eletrônico), phreaker (malandrinhos do mundo telefônico), cracker (malandrinhos mal-intencionados do mundo eletrônico) e virus (precisa explicar?).
Naquela época dourada, havia muitos sites com essa temática. Suas similaridades não se limitavam ao assunto das páginas: Todos eles tinham fundo preto, eram hospedados no Geocities, e tinham como entrada uma página (também com fundo preto) com GIFs animados randomicamente espalhados pelo corpo do site, e uma grande mão esquelética animada no centro. Lentamente, o dedo indicador da mão se movia, convidando a parar o mouse em cima dela e tascar um cliquezinho.
Clicando na mão cadavérica, entrei no perigoso mundo das raqueadas infantis.
E encontrei uma página 404 logo de cara. Aparentemente o Geocities tem políticas de uso que não aprovam o roubo de senhas de banco através da internet. Bundões. O lance era procurar alguma outra página.
Nem demorou muito para que eu fosse atraído para o “lado negro” da internet. Primeiro foram os sites “anarquistas” – se bem que tava mais pra terroristas -, que ensinavam a fazer bombas nucleares com palitos de dentes e cascas de bananas. A evolução natural foram os sites de raqueagens “simples”, ou, pra quem viveu nessa época gloriosa, Back Oriffice e NetBus. Esses dois programinhas estiveram tão presentes na minha infância quanto os Playmobils que herdei do meu pai e as notas baixas em português.
Graças aos trojans, esses programinhas de invasão “receita de bolo” (como eles eram chamados pelos VERDADEIROS raquers) é que aprendi sobre protocolos de internet, IPs, conexões, portas, maçanetas e outras coisas do mesmo gênero alimentício. Antigamente esses programas eram mais fácil encontrar na internet do que doenças venéreas em prostitutas tailandesas. Fui procura-los recentemente – com exclusiva finalidade de pesquisa ou pra foder com alguém, não lembro mais – e não achei uma única página sequer. Vai ver os “hackers” arrumaram algo mais interessante para fazer – como sexo – , ou aceitaram a Jesus, e decidiram parar de aloprar com os computadores alheios.
Mas na época, era muito fácil encontrar os programinhas nocivos aos computadores alheios, e frequentemente nocivos aos nossos próprios computadores. Sim, porque não raro acabávamos infectando a nós mesmos com o programa que deveríamos mandar pra vítima. Aprender a mexer com trojans era praticamente uma roleta russa, uma atividade mais perigosa que um cego tentando raspar as bolas.
Eu explico.
Um trojan consistia em X arquivos, sendo um deles o CLIENTE, o outro o PATCH, e X-2 são os arquivos de sistema/readme.txt que você jamais abrirá ou notará a existência, o que no futuro significará que, ao escrever um texto sobre eles, você terá que enumerá-los com uma incógnita simplesmente por não lembrar quantos eram. O CLIENTE era a parte principal do programa, o cockpit, digamos. Era nele que você digitava comandos ou clicava em botões que provocariam efeitos no computador do indivíduo. O que eu chamo de “Efeito Enter”, um análogo do Efeito Borboleta (o que antes era apenas de conhecimento de físicos e matemáticos, e agora por causa do filme de mesmo nome, qualquer mané sabe o que significa): Você aperta um Enter no Ceará, um HD é formatado em São Paulo.
Então, após algumas idas e vindas entre sites pseudo-ráqueres, eu já tinha todo o aparato necessário para causar alguma destruição em larga escala. O único problema é que eu não sabia como encontrar vítimas.
Se quem tem boca vai a Roma, quem tem IRC deve pelo menos conseguir invadir um computador de lá. Pensando nisso, entrei na rede de bate-papo em busca de um mestre que pudesse me auxiliar na difícil tarefa de encontrar otários que não dessem muita atenção à segurança virtual.
Não foi muito díficil. Em pouco tempo, entendi todo o funcionamento do submundo ráquer nas redes de IRC. Havia canais cujos OPs já estavam um passo à frente de nós, ou seja, já tinham saído do patamar de ráquer iniciante e sabiam usar programas que localizavam IPs infectados com trojans. Sendo os ráqueres generosos que eram, a diversão desses era liberar os IPs infectados na sala lotada de iniciantes, todos ávidos por causar alguma destruição online.
O que se seguia era uma corrida desembestada para conseguir logar no IP doente. Aquele que entrasse primeiro poderia “trancar” o hospedeiro, impedindo que mais de um usuário mal-intencionado penetrasse as profundezas da máquina invadida (o que acontecia frequentemente, provocando tragicômicos resultados).
Uma vez dentro, as possibilidades eram infinitas. Lembro-me da emoção de ter conseguido entrar no primeiro computador infectado através de trojan. Senti-me como um garoto numa loja de doces, cuja vidraça eu quebrara para poder entrar. Os clientes tinham opções diferenciadas: o BackOriffice era bom para roubar senhas, já o NetBus era um programinha mais “user-friendly”, mais gráfico, que tinha como finalidade basicamente aloprar o computador do infeliz. Você podia mover o mouse, tirar printscreens, mandar janelas de aviso, abrir páginas, fuçar o HD… praticamente qualquer coisa que você poderia fazer se estivesse sentado na cadeira do cara com a vantagem de não levar um murro, como aconteceria se você estivesse fazendo todas essas putarias estando ao lado do invadido.
Minhas primeiras experiências foram com o BackOriffice. O programa era menos intuitivo (em outras palavras, demorei pra caralho pra aprender a usar), mas em compensação era de longe o mais útil: ele me possibilitava ver qualquer coisa que o usuário digitasse no campo de senhas…
…Incluindo senhas erradas. Como alguém consegue errar a própria senha QUATRO VEZES, eu não sei. O que sei é que isso complicava minhas transações. Eu era obrigado a tentar todas as quatro/cinco/seis senhas que o mané digitava errado, até achar a correta.
Sim, transações. Assim que percebi que estava com trocentas senhas do UOL na mão e vários amigos pobres cujos pais não podiam pagar acesso à internet, descobri que as raqueadas poderiam ser rentáveis.
Começou muito inocentemente. Abordei um colega e perguntei se o pai dele já tinha deixado de ser um miserável e já tinha pago acesso à internet na casa dele. Tristonho, ele respondeu negativamente com uma meneada de cabeça. Vale lembrar que nessa época, computadores já vinham “de fábrica” com a bendita placa fax modem; o que faltava aos meus amigos favelados era grana pra pagar o acesso ao provedor.
Puxei um papel do bolso, onde eu havia anotado um nome de usuário, uma senha e um número telefônico (surrupiados de algum pobre coitado). Expliquei para o moleque que era uma senha válida pra acessar a internet através do UOL. Vendi pro guri por cinco reais, todo o dinheiro que ele tinha no bolso, com a garantia de que eu apanharia no dia seguinte se a senha não funcionasse.
E funcionou. Em pouco tempo, expandi meu mercado negro de senhas do UOL para guris de outras salas. Moleques que até então eu nem conhecia chegavam a mim por indicação de colegas de sala.
Ah, bons tempos.
Escrito por Kid on Apr 26, 2005
Qualquer pessoa que entrou em contato com a internet em meados dos anos 90 sabe uma coisa ou outra sobre hacking. Houve um período quando sites hackers eram moda absoluta, assim como garotinhos querendo ser piratas virtuais ou raspar a cabeça mas deixar um tufo na frente, o popular topete pagodeiro (ou alça de boquete).
Há uma regra que rege minha vida, e êi-la: tudo que não presta e esteja suficientemente perto para que eu alcance merece a chance de ser experimentado. Estando as páginas hax0rs a alguns cliques de distância, não se poderia esperar nada diferente: eu também marquei presença memorável nas fileiras de ráqueres infantis. Mas pra contar essa história, teremos que voltar no tempo um pouquinho. Voltemos precisamente oito anos, quando os dinossauros dominavam a terra e o Playstation2 ainda não existia.
A chegada da internet na minha casa foi um evento digno de foto no álbum de família, e que mudou para sempre as antigas formas de aprendizado, de entretenimento, de socialização, de matar tempo e bater punheta, especialmente bater punheta. O advento da “information super highway“, – é o nome chique da internet, decore – foi tão marcante que eu, que praticamente tenho mal de Alzheimer, ainda consigo lembrar.
Era uma manhã de sábado no longínquo ano de 1996. Eu não tinha acesso à internet até então, portanto fazia o que todas as pessoas sem esse privilégio fazem: nada. Meu pai entrou no nosso apartamento carregando uma caixa consideravelmente grande. O embrulho revelou uma maravilha da tecnologia comercial dos mid90’s: um Pentium Aptiva 133 com 32mb de memória RAM, um presente dos deuses à classe média-alta brasileira.
Computadores pessoais já eram relativamente populares nos anos 90, mas eles tinham a funcionalidade de uma pilha gasta. Devido aos poucos recursos que os primeiros PCs dispunham, usa-los era uma experiência tão divertida quanto receber uma hemodiálise num hospital da rede pública.
Não me entendam mal. Não há nada mais emocionante que passar horas examinando um imenso HD de astronômicos 500mb, jogando paciência e free cell, digitando bobagens no Lotus Notes, gastando energia e estando completamente limitado ao que já está instalado no disco rígido. Acontece que, depois dos primeiros meses, você acabava percebendo que nada de novo seu PC trouxe, além do que você já podia fazer com um caderno, um baralho e uma lâmpada ligada o dia inteiro.
(Ou um palm top.)
Então, pra garantir que não estava comprando apenas um peso de papel com um processador da Intel, meu pai incluiu no pacote um inovador kit multimídia (o nome chique do conjunto drive de CD-ROM + placa dc som) e a sensacional novidade do momento, a placa fax modem. Esta última é provavelmente a mais incrível invenção da raça humana, perdendo apenas para o formato MP3 e aquelas meias indestrutíveis que vendiam na TV quando eu era moleque.
Então estava lá eu, no auge de meus onze anos (com direito a pêlos recém-nascidos no saco e tudo mais), sentado na frente do meu primeiro PC de verdade*. O ícone piscante do modem ao lado do reloginho do Win95 certificava que eu estava, de fato, conectado à misteriosa internet (a forma antiga era verificar o telefone). Um mundo inteiro me aguardava lá fora. Um mundo, embora eu não soubesse na época, que tentaria a todo custo me vender Viagra, instalar programas indesejados no meu HD, mudar a página inicial do meu navegador e roubar praticamente todo o tempo livre que eu tenho.
A internet era bastante promissora, mas obviamente eu estava muito mais ocupado liderando minha gangue de motoqueiros futuristas através de uma misteriosa trama de ação e aventura em CD-ROM. Assim como muitos outros, fui agraciado com o genial Full Throttle, brinde que veio com o tal do kit multimídia. FT é indubitavelmente a melhor coisa que o George Lucas já fez na vida – a série Star Wars foi manchada pela esculhambação que o Lucas chamou de “novos episódios”.
Mas uma hora o jogo perdeu seu apelo. Acabei focalizando minha atenção para minha outra opção – me aventurei internet adentro.
Logo no início, a internet parecia ter sido criada por alguém que não queria que você achasse nada. Existiam poucos sites de buscas, e os que dispunhamos não eram nada como os que temos hoje (ou O que temos hoje, afinal, todos sabem que praticamente só existe um sistema de busca atualmente). Procurar coisas no Cadê era uma desgraça, vocês lembram?
Mas eu era um garotinho esperto, e os obstáculos que as engines de busca mal programadas não me impediram de me meter de cabeça no mundo virtual.
(To be continued, some day)
Escrito por Kid on Apr 24, 2005
Ah, sim: o grande projeto envolvendo Super Mario World.
A namorada se mudou do prédio. Enjoei de brincar no PS2. Não tem nada pra fazer nessa internet. Sem muita opção pra passar o tempo, embarquei numa missão que redefinirá o significado da expressão “nerd desocupado”.
Peguei a ROM de Mario All-Stars (aquele cartucho com todos os jogos de Mario já lançados pra NES/SNES) e comecei a editar Super Mario World. Tá dando um trabalhão do caralho, mas os primeiros resultados estão interessantes. Terminei de editar o primeiro mundo hoje de manhã, e já comecei o segundo.
Estou tornando os mapas mais complicados. Acrescentei inimigos, apaguei o chão em alguns trechos de fases, escondi melhor as chaves em outras… as possibilidades são infinitas. Modéstia a parte, o jogo tá ficando mais interessante. Morri umas três vezes na primeira fase, e tou apanhando pra conseguir pegar a chave da primeira fase do segundo mundo. Tava tão difícil alcançar o lugar onde eu coloquei a chave, que tive que editar novamente e colocar uns blocos pra conseguir chegar no lugar sem depender da peninha (tava impossível desviar de todos aqueles inimigos em pleno vôo).
Olha como tá ficando bonito:
E essas são só as duas primeiras fases.
Sim, tem um monte de bugs espalhados por aí. Não, eu não terminei o segundo mundo ainda (na verdade só falta duas fases). Sim, essa é apenas uma versão beta. Não, não tenho previsão pra terminar de editar todo o jogo.
Mas se você tem vontade de ver um Mario diferente, pegaí.
Sim, RapidShare. O último arquivo que coloquei lá teve mais de 300 downloads, então acho que (a maioria de) vocês ao já sabe usar o sistema direitinho.
O arquivo tem 4 megas, mas tenho certeza que vocês vão gostar.
Escrito por Kid on Apr 22, 2005

O jogo desse mês (originalmente era pra ser uma atualização semanal, mas bah) é um que muitos de vocês devem ter visto nas paredes das locadoras, mas nunca jogaram porque não sabiam se era bom: Joe e Mac 2 – Lost in the Tropics. Na primeira vez que aluguei um Super Nintendo (dez reais por três dias), esse foi o jogo que eu e meu irmão elegemos como o acompanhante do console. Três dias e quatro polegares calejados depois, o título se consolidou em nossos corações juvenis como um clássico. Ao ver o link do download no site onde pego ROMs, não hesitei: terminei de comer meu sanduíche de mortadela, limpei a boca na manga da camisa e baixei o arquivo.

O terrível tiranossauro que aparece na tela de abertura me levou numa emocionante viagem nostálgica de volta a 1995, quando personagens animados em sprites de 2D ainda emocionavam alguém. Limpei as lágrimas na manga camisa, mas com o cuidado de desviar das manchas de ketchup que estavam lá previamente, e prossegui no jogo.

A tela de abertura do jogo me assegurava que eu estava realmente jogando Joe e Mac 2 – Lost in the Tropics, e não Tomb Raider ou Mario Party 5 como você poderia confundir. Apertei o Start. Uma aventura pré-histórica me aguardava, então resolvi pausar o emulador e preparar outro sanduíche.

O jogo abre essa apresentação, que explica como o terrível Gork surrupiou a coroa sagrada de um velho que mora na mesma aldeia que Joe (e Mac, que não estava presente no jogo porque o Trunks tava ocupado no outro PC assistindo hentai ou algo assim). Gork, deve ser combatido, e a coroa trazida de volta, e o Trunks parar com essas putarias.

Ao entrar na cabaninha que foi alvo do meliante, o véio (que inexplicavelmente não tem nome) me informa sobre o roubo. Perceba que ele usa plaquinhas ilustradas com as representações do Gork e da coroa furtada, talvez partindo do pressuposto de que nós somos muito burros ou temos algum problema de memória e já esquecemos que o roubo foi mostrado a dois segundos atrás. O véio nos dá a missão de ir a uma vila vizinha e bater em animais/pular em plataformas/pegar chaves que eventualmente nos colocarão frente a frente com o ladrão de coroas.
Por que o véio não foi atrás da própria coroa, eu ainda não sei. Mas não tive tempo de perguntar, uma vez que o jogo me jogou pra fora da cabaninha onde eu conversava com o cara. E a aventura começa!

Mas antes, decidi visitar a cabaninha do Joe, que fica logo ali na esquina. Para a minha surpresa, não havia absolutamente nada dentro dela. Ou o Joe é um pé-rapado que não pode sequer comprar uma cama, ou o Gork roubou mais do que a coroa, mas o baixo orçamento dos produtores do jogo não permitir animar a cena do ladrão “passando o limpa” na casa do protagonista do jogo.
É um mistério até agora insolúvel.

Nosso herói, que tem uma incrível semelhança com um alterofilista que usa uma vassoura sem cabo na cabeça, parte em busca do elemento. Na imagem acima, Joe confronta algum tipo de dinossauro.
A jogabilidade em J&M2 é muito simples. Há inimigos puláveis, batíveis e mistos. Os inimigos puláveis morrem se você executa um salto que aterrisse em suas cabeças, supostamente provocando um traumatismo craniano que os derruba e os faz desaparecer após dois segundos. Os batíveis são aqueles cuja evolução presenteou com um crânio mais rígido, e então exigem algumas cacetadas com um pedaço de pau pra morrer/desaparecer. Interessantemente, o bastão de Joe permanece eternamente fora de vista, até o momento que é direcionado contra a cabeça de alguém. Já os inimigos mistos são aqueles que necessitam de porradas e pulos para sucumbirem.

Além das incríveis habilidades de pular sobre e/ou arrebentar as cabeças dos inimigos a base de pauladas, Joe é um puta glutão. Felizmente, boa parte dos objetos ingeríveis no jogo o concedem fabulosas habilidades especiais. A fruta desconhecida o permite cuspir sementes; o frango, ossinhos; a pimenta (sim, ele come até pimenta no jogo), labaredas incendiárias, e por aí vai. Ainda não achei nenhum alimento venenoso no jogo, então, na dúvida, caia de boca que é seguro.
(Contenham a vontade de fazer piadinhas de cunho homossexual, por favor)

Se há uma coisa que eu aprendi nesse jogo, é que a pré-história era um lugar muito violento. Há de tudo um pouco no período Paleozóico: dinossauros, libélulas e minhocas gigantes, plantas carnívoras, caranguejos e até mesmo estupradores. Na cena acima, pode-se ver Joe sendo molestado sexualmente por um outro homem das cavernas, enquanto seu cúmplice dá risadas e um terceiro troglodita gira uma bola de pedra presa a uma corrente (na esperança que uma cabeça desatenta interrompesse a trajetória).

Nosso intrépido herói, que ignorou o senso comum e não quis ir à delegacia fazer um retrato falado do estuprador, encontra uma chave – que o permitirá abrir uma porta e então prosseguir a busca por mais uma chave.

Em um determinado ponto do jogo, você é desafiado a testar suas habilidades motoras pilotando um carro feito com um bloco de pedra e rodinhas de madeira. Veja que Joe parece não muito tranquilo em relação ao meu talento como piloto.

Não o culpo.

Após bater, pular, cuspir e ser sodomizado por homens de Neanderthal, nosso intrépido herói enfrenta a versão paleozóica de Legolas. Diferente da versão de Tolkien, este arqueiro pré-histórico tem a mira de um idoso cego que foi rodado três vezes e em seguida tomou um taco de baseball na cara. Todas as flechas (que como você deve ter adivinhado, são infinitas) do cara aterrissam a aproximadamente três quilômetros de Joe, então você pode passar pelo riozinho tranquilamente. Subi uma elevação e prossegui.

(In)felizmente, nem todos os oponentes são tão ineptos. Um pouco adiante encontrei mais um malfeitor, que me encarava com toda a maldade que foi possível enfiar num sprite de 16 bits. Pro seu azar, eu havia acabado de engolir um frango mágico – que apareceu do nada, como todas as outras coisas nesse fenomenal jogo -, o que significa que eu dispunha da incrível habilidade de cuspir ossos letais. Despachei-o pro outro mundo com facilidade e desci a elevação, de volta ao riachinho.

E surpresa! Pisei no ponto mágico que me joga em direção à próxima fase, o que no jogo significa que um jato de água pegou o Joe pela bunda e o mandou pro próximo nível. Somos agraciados com esse olhar na cara do Joe, que estranhamente dá a impressão que ele tá gostando da pressão no fiofó. Preferi não julgar o rapaz. Vale ressaltar que, até agora, não apareceu nenhum ser do sexo feminino neste jogo, então vai ver que é a única forma do coitado se divertir.

O jato erótico me levou até a última fase desse mapa, onde eu deveria enfrentar o chefão – um estegossauro aproximadamente 500 vezes maior do que a sua versão do mundo real. Tudo bem, estegossauros eram grandes mesmo, o filme Mundo Perdido não me deixa mentir. Mas esse aí me dava a impressão que ele poderia me inalar inteiro pela narina esquerda, e tenho quase certeza que eles não eram tão grandes assim. Além disso, a maioria dos arqueólogos concordaria comigo sobre o fato de que dinossauros não cuspiam pedras para matar homens das cavernas de cabelos verdes.

Se você derrotar o chefão – e eu não consigo entender porque não conseguiria, pois a mira do estegossauro é um pouco pior do que a do Legolas pré-histórico -, você entra num barquinho e então é capaz de passear pelo mundo a lá Mario World que J&M2 copiou.

Desembarquei nessa outra vila, onde pude comprar coisas como um eficiente machado mágico que dispara raios azuis, frutas e mais pedaços de frango. Assim como na vila anterior, para acessar as funções dos casebres e poder comprar coisas, você precisa dar uma paulada no gongo na frente deles (como pode ser visto no GIF) a despeito do fato de que os donos dos estabelecimentos estão bem ali, olhando pra você. Suponho que todos nessa vila são cegos e tem algum problema de audição.
E perceba aí que apareceu a primeira personagem feminina do jogo: a vendedora de comida.
Mas eu não tava afim de comprar nada, então passei pra próxima casinha.

Veja só você! O jogo me permite, por modestas 50 rodinhas (que são o equivalente às moedas de Mario ou às argolas douradas de Sonic), repor os itens supostamente roubados pelo meliante que a essa altura do campeonato já foi totalmente esquecido! Infelizmente, a única coisa que ganhei comprando a opção Remodeling foi um tapete verde.
Mais adiante havia uma cabaninha com um telescópio. Eu podia apontar o telescópio – de grátis! – para diversos locais, que incluem o esconderijo do Gork, a minha própria casa e outros dois locais que esqueci agora. Tentei apontar o aparelho pro banheiro da vendedora de comida, mas infelizmente é uma função que não foi implementada (talvez pela faixa etária a que o jogo é destinado). O que esse jogo acerta na variedade de cores utilizada nos mapas e nos itens comestíveis, peca na falta da opção de ver a vendedora pelada no chuveiro.
Na falta de melhor escolha, direcionei o telescópio para o esconderijo do terrível vilão que eu deveria pular e/ou matar a pauladas, a fim de readquirir a coroa-sagrada-não-sei-das-quantas.

Se havia dúvidas sobre o grupo a que esse jogo é destinado, essa imagem destroi-as assim como eu destrui qualquer possibilidade de ir pro céu caso Deus realmente exista. Já vi inimigos sendo descritos de muitas formas que incluem “satânico”, “infernal” ou “demoníaco”, mas “malvado” é a primeira vez.
Me cansei de passear pela vila e parti em direção às próximas fases, onde enfrentaria os mesmos inimigos com as mesmas técnicas de batalha. Por motivos diversos, que envolvem “preguiça” e “ter outras coisas pra fazer”, a resenha pára por aí mesmo. Não que faça muita diferença, o post já tava ficando imenso e já deu pra ter uma idéia do que é o jogo. Fim.
Mas tenho certeza plena de que o Gork é muito “malvado”.
Escrito por Kid on Apr 19, 2005

A maioria já deve ter percebido, mas vale o aviso atrasado. Como aprendi com as infinitas mudanças de URL, trazer algo à atenção de vocês (ainda que três ou quatro vezes) nunca é demais.
Decidi remover a busca do Google da área “Esmolinha, Dotô”. Tomei a decisão após meses de reclamações de leitores muito especiais, cujas deficiências visuais os impediam de encontrar o banner. Não é pra menos, uma vez que o banner estava cuidadosamente escondido cinco milímetros abaixo da tal área busca (agora extinta). Ou seja, era praticamente invisível. O erro foi meu, se supor que alguém sem um detector de infravermelho poderia achar aquele negócio. Não é a toa que não tava ganhando nada.

Então, né. Aqueles leitores (que suponho lerem o HBD usando aqueles programas especiais que ditam em voz alta o conteúdo de sites) constantemente reclamavam que não conseguiam achar o banner de jeito nenhum. Alguns chegaram a me pedir pra fazer GIFs animados ensinando-os a acha-lo, veja só! Bem, ao menos os caras tavam intencionados a me ajudar, e isso é o que importa, né?
Fiz o banner. Mas por mais incríveis e fabulosos que sejam as minhas animações, elas não fazem milagres. Independente dos meus esforços em combinar o Paint e o GIF Movie Gear, não fui capaz de devolver a visão dos pobres leitores, tal como aquele tal de Jesus fez cuspindo na areia e esfregando a lama na cara de um ceguinho da Palestina.
Ao menos é o que a Bíblia diz. Quem sou eu pra contradizê-la, né.
Divago. O importante é que você, antes de levar seu cão-guia pra mijar lá fora, não esqueça da esmolinha.
E agora sim, que venham os posts novos (em Braille, não se preocupem).
Escrito por Kid on Apr 19, 2005

Sim, isso é uma screenshot real, e não uma montagem. Em breve explicarei do que se trata o mega-projeto.
Escrito por Kid on Apr 18, 2005
Aproveitando o clima…
PS.: Sim, estou escrevendo posts novos. Tenham paciência, porra.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
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