Escrito por Kid on May 29, 2005

Se tem uma coisa que eu realmente odeio nesse planeta, além de tomates, é gente burra. Se existe uma coisa pior do que gente burra, é gente burra que pensa ser esperta, malandra, melhor que os outros. E, finalmente, a pior coisa do mundo – sem margem de competição – é aquele grupinho de gente burra que pensa ser esperta, e que se ajunta embaixo de uma ideologia mais idiota do que todos eles juntos, o que apenas comprova suas burrices iniciais.

E qual o melhor lugar pra encontrar gente dessa estirpe?

Internet, óbvio. Mais especificamente, o Orkut. <sarcasmo>O fato de que a grande maioria dos usuários são brasileiros é mera coincidência, claro</sarcasmo>.

Vocês que dispõe de acesso ao sistema de rede de relacionamentos já devem ter esbarrado com muitas comunidades que têm como tema principal alguma faceta da imbecilidade humana. Até eu, que parei de acessar aquele negócio há muito tempo, perdi as contas de quantas vezes vi comunidades que me fizeram perguntar a mim mesmo que tipo de ajuda profissional seus criadores necessitam pra viver como uma pessoa comum.

E o tema recorrente dessa espécie de comunidade são é o preconceito gratuito. Graças a essas comunidades, pessoas comuns podem se sentir mais inteligentes apenas por saber que não participariam de uma asneira ideológica desse calibre.

Então. O Fívio me mandou o link de uma comunidade cujos tópicos, segundo ele, me divertiriam por horas. Cliquei no link. Uma olhadela na imagem da comunidade – uma fotografia de Hitler – não deixava dúvidas sobre o tipo de imbecilidade, egocentrismo e agressividade gratuita a que eu seria exposto.

A comunidade se trata de um antro de neo-nazistas – você sabe, aquele pessoal que sofre de um gravíssimo complexo de inferioridade mas, como teve a (in)felicidade de ter pais “brancos”, vê-se apto a mergulhar na ilusão arrogante e superficial de que é realmente melhor do que outras pessoas simplesmente porque suas células pigmentárias são mais preguiçosas do que as de, digamos, um negão moçambiquenho de dois metros de altura.

Os caras não são apenas contra os negros, não – eles também odeiam a miscigenação, e alguns levam sua estupidez aos limites e sugerem que ela deveria ser “banida”. Na visão deles, a mistura de raças é parte de um intrincado plano negro de destruição da raça, arram, “pura”. Acho extremamente estranha essa opinião, porque a miscigenação é culpa de ninguém mais que os próprios brancos.

Mas parece que os neo-nazistas vêem a História de uma forma diferente. Em sua concepção retardada, os negros africanos do século 15 correram lá pra Londres ou Madri ou Lisboa, marchando com cartazes e implorando pra serem levados pras Américas pra trabalhar pelo resto da vida como escravos. Os europeus, uma gente muito boa e civilizada, negaram-se a ser cúmplices desse absurdo. Os negões, não vendo outra saída, resolveram apelar: os protestantes africanos se algemaram e se jogaram dentro das caravelas européias. Chegando no Novo Mundo, não satisfeitos com as putarias a que já eram submetidos, ofereceram suas filhas para serem estupradas pelos seus senhores, e assim promoveram a terrível miscigenação, sua arma secreta contra a raça branca! Ou seja, a escravidão do período colonial americano não foi nada além de uma intrincada trama negra pela destruição da espécie caucasiana. Sim, sim, isso faz bastante sentido.

Após analisar a comunidade, sua proposta, e as mensagens de alguns membros (estas contendo mais erros gramaticais e pontos de exclamação do que seria necessário para preencher dois porta-aviões), conclui que os usuários da tal comunidade abraçam todas as características descritas no primeiro parágrafo deste texto – e que por isso ganhariam de brinde meu desprezo. “Prato cheio“, pensei eu. Juntei-me à comunidade e abri um despretensioso tópico entitulado “Pergunta Simples”, e que trazia, surpreendentemente, uma pergunta simples:


A despeito da simplicidade da questão, ela mostrou-se um verdadeiro desafio pros carinhas – é a conclusão que tirei a partir das respostas que os manés deram, que em nada têm a ver com a pergunta, e que deixam transparecer que os panacas sequer entendem por que odeiam negros tanto assim. Transcrevo aqui o festival de babaquice que seguiu minha pergunta tão elementar.

Renato Aguirre, um racistinha que se define no orkut como hispânico/latino (Contradição? Não, imagina!), arriscou a primeira resposta que desencadearia uma avalanche de estupidez:


E tenho dito! Não há países africanos de primeiro mundo, e LOGICAMENTE isso significa que os habitantes desses países são inferiores! Faz bastante sentido, se você desconsiderar o fato de que não faz sentido nenhum. Após ler esse disparate, voltei ao perfil do cara curioso pra saber em que capital européia ele morava. Mas o orkut parece estar com defeito, pois ao invés de exibir Berlim, Oslo ou Genebra, o sistema lá diz que o cara mora em Santos. Há essa altura do campeonato, Renato já deve ter contatado seus advogados (todos arianos, não tenho dúvidas) para mover uma ação judicial contra essa rede de mentiras que é o orkut. Como eles se atrevem a insinuar que Renato mora num país de terceiro mundo?!

Mas uma coisa pôde ser aproveitada no post. Renato destruiu minhas antigas superstições de que o sucesso de um país está relacionado diretamente com sua economia, política, relações estrangeiras, relevância industrial, produção de bens exportáveis… Não, não. Tudo errado. Segundo o Sr. Aguirre, que deve ter escrito esse post entre a entrega de um Pulitzer e seu horário de almoço na Nasa, um país é bem sucedido em proporção inversa à quantidade de melanina que seus habitantes tem na pele.

Sinto cheiro de mais um Nobel pro Renato.

Certo. Vamos adiante.


O post acima foi deixado ao nosso deleite por um usuário anônimo, que engrossa as fileiras de uma nova qualidade de covardes: aqueles que não têm coragem de assumir as próprias convicções nem mesmo na internet. Segundo o incógnito, a raça branca tem uma “devida história de evolução” – foi só uma expressão de efeito, porque explicação que é bom não tem -, e que ela é considerada a “raça criadora”. Eu não tenho muita certeza sobre o que isso significa – porque “raça criadora” não faz absolutamente sentido nenhum – mas aposto que na cabeça o anônimo, é uma verdade absoluta induvidável.

Vou fazer de conta que “raça criadora” significa a etnia que deu origem a todas as outras, porque acho que foi esse o sentido que o animal tinha em mente quando mandou o post sem identificação. Nesse caso, o moleque está – surpresa!! – errado. Segundo historiadores e arqueólogos, a raça humana no planeta surgiu na África. Na última vez que verifiquei, não há arianos puros por lá.

Em seguida o maluco fala algo sobre “fatos genéticos”, o que me deixou muito curioso. O que diabos é um “fato genético”? Vou pular essa, até porque ele não citou nenhum “fato genético” que comprove as bobagens que ele vomitou no teclado. O que eu posso dizer, entretanto, é que pele branca é uma característica recessiva, ou seja, que se auto-extingue em poucas gerações por ser consequência de genes mais “fracos” – é comprovado que brancos têm uma resistência mais baixa a certas doenças, como câncer de pele. Se evolução prova alguma coisa, é que – ao menos geneticamente – os brancos é que são inferiores.

Em seguida, o neo-nazista citou o livro de Hitler, mas não deu nenhuma razão sequer pra coroborar a opinião de que o livro explicaria alguma coisa. O que o cara basicamente escreveu foi “ahn, pretos são bobocas, você é burro porque não admite, e se lesse o livro de um austríaco afetado que perdeu a guerra e se suicidou há quase sessenta anos atrás entenderia. Mas eu não sei do que estou falando e vou ficar por aqui mesmo, omitindo esse post de qualquer opinião inteligente.

Em seguida, outro anônimo dá sua opinião:


O que o cara quis dizer, trocando em miúdos, é que negros são inferiores porque são feios. E eu aqui achando que os caras eram arrogantes e superficiais! De onde será que tirei isso? Espero que os skinheads perdoem minha opinião claramente equivocada.

Infelizmente, a pessoa foi medrosa demais para atrelar seu próprio perfil à mensagem. Podemos apenas imaginar a beleza quase celestial do autor do post.

Então chegou Dirk Zobiak, que é a propósito o único caucasiano de Salvador, pra dar seu apoio intelectual aos racistas:


O post do soteropolitano, entitulado “raça criadoura“, explica que o mundo atual é um fruto da cultura branca. Espero que ele esteja mentindo, porque se isso for verdade tenho vergonha de ser branco. Em seguida ele menciona “valores brancos”, algo que muito me surpreendeu, porque eu estive sendo branco nos últimos vinte anos e nunca fui informado de nenhum valor. Infelizmente o Dirk, assim como todos os outros racistas que deram sua contribuição no tópico, fez a afirmação com valor exclusivamente dogmático – ou seja, ele não pode provar o que fala, mas é assim e pronto.

Depois ele diz que não discutirá superioridade – o que dá margem à pergunta, “o que diabos você está fazendo no meu tópico então?” -, mas que negros viviam guerrilhando entre si. Claro, beligerância é uma característica EXCLUSIVAMENTE negra! Nós, brancos, nos envolver em guerras?! Nããão… que é isso, chefia! Dirk cita novamente os misteriosos “valores e princípios brancos”, e novamente omite-se a nomear um sequer. Eu me daria por satisfeito com ao menos um!

Por último, diz que os negros “culpam os brancos por sua mazelas”. É, mané. Se sua raça tivesse sido arrancada à força da seu país pra trabalhar de graça pra um povinho preguiçoso, num doloroso processo que demorou mais de 200 anos pra chegar ao fim mas cujas consequências ecoam até hoje, talvez você pensasse diferente.

E o tópico continua lá, sem nenhuma resposta válida que explique exatamente por que um branco é melhor que um negro. Vou fazer uma aposta arriscada e supor que, de duas umas: os racistinhas simplesmente não tem motivo pra preconceito e não sabem o que estão falando, ou o dano cerebral que alguns desses coitados os impedem de explicar um ponto coerentemente.

Você decide.


Escrito por Kid on May 28, 2005

Anúncio rapidim

Muita gente anda mandando email perguntando sobre o link de cadastro pro Netbux, e o script que faz as pesquisas automaticamente. Pros preguiçosos que não sabem usar os históricos, taí:

Link de cadastro do Netbux

Script de pesquisas automáticas (a página faz apenas 6 pesquisas de cada vez, então basta recarregar a página quando as pesquisas estiverem prontas.

Kid, como funciona isso?
É bastante simples. Sites que promovem banners ganham dinheiro por cliques nos banners/pesquisas feitas a partir do site. O que o Netbux faz é repartir um pouco do lucro com usuários, porque isso os mantém clicando/pesquisando, o que gera mais lucros pro dono do site.

O que você ganha com isso?
Ganho uma porcentagem extra cada vez que indico alguém.

Posso indicar alguém?
Claro. Basta copiar seu referal link (disponível quando você se cadastra) e passar pra pessoa.

Esse negócio paga mesmo?
Neste tópico no fórum não-oficial Netbux há screenshots de pagamentos realizados no mês passado. Algumas pessoas ganharam mais de 400 dólares apenas pra fazer pesquisas e indicar outras pessoas.

Tentaí. O que você tem a perder?


Escrito por Kid on May 27, 2005

Porra! Finalmente o verão chegou. Tá fazendo 35 graus na sombra lá fora (ou seja, é bom sair dessa sombra), os esquilinhos pulam pra todo lado colhendo nozes e irritando os cachorros… uma belezura. Com um clima que me lembra tanto da pátria-mãe, não rola vontade de ficar dentro do apê escrevendo. Mas enquanto não publico nada novo (e vocês não me dão esmolas, claro), fiquem com isso aí.


AHAHAHAHAHSAJSKJAKSLASALSAGSHSKFLDFJOPRW

Não se desesperem, não demorarei muito pra postar. Só depende das esmolas.


Escrito por Kid on May 26, 2005

E, atendendo a pedidos via MSN, Star Wars Battlefront na webcam!


A definição não é lá das melhores – afinal, é só uma webcam vagabunda -, mas dá pra ter uma noção de como é o jogo.

Ah, e a imagem é atualizada a cada 20 segundos, e vou jogar por no mínimo umas três horas. Fiquem bizoiando

[ Update ] Porra, vou ter que dar uma saidinha, e consequentemente desligar o videogame. Culpem a patroa. Volto logo mais!

[ Update 2 ] Agora sim. E reduzi o delay entre imagens pra 10 segundos.

[ Update 3 ] Cabô.


Escrito por Kid on May 25, 2005

Alô amigos! Cá estou eu, seu amigo Quide, publicando mais um texto pseudo-engraçado pra ajuda-los a enfrentar a chatice do dia a dia no seu trabalho e contribuir com o aumento da incompetência e ociosidade.

E o texto de hoje é sobre um joguinho de Playstation2; uma boa indicação para quem tem o console ou apenas motivo de inveja para alguns de vocês – os pobres lascados – que mal podem comprar pasta de dente, que dirá videogames.

Outro dia eu estava aqui no meu quarto, fazendo castelinhos com moedas de um centavo como sempre, e a patroa teve a idéia de ir à locadora alugar algum filme. Já fazia quase três dias que eu não via nada explodindo, e eu tava com uma graninha sobrando, então aceitei a idéia. De mãos dadas com a namorada, saltitei alegremente até a Blockbuster que fica convenientemente atrás do meu prédio.

Um fenômeno curioso que me aflige após a compra do PS2 é que a seção de jogos exerce uma estranha atração gravitacional sobre mim, puxando-me inexoravelmente em direção à prateleira de jogos usados. Enquanto a gótica vasculhava a área de comédias, de onde eu sabia que ela emergeria com mais um filme ruim (minha mulé tem um notório mau gosto cinematográfico e para outras coisas também, como escolha de namorados), corri como um somaliano atrás de uma galinha para a parte de jogos. Cheguei lá ofegante, mas minha corrida não foi em vão: achei uma incrível pérola logo ao lado dos jogos ruins que ninguém jamais comprará e que permanecerão na loja até que ela seja implodida cinquenta anos no futuro para dar lugar a uma fábrica de algodão doce:


STAR WARS BATTLEFRONT. Eu havia visto a propaganda do jogo há meses antes na TV, e quase mijei nas calças de raiva por não dispôr da grana na época pra gastar com o jogo. Acontece que dessa vez eu havia acabado de receber o cheque do Gúgou (brigado amiguinhos ), e não voltaria pra casa sem o game. Julguei vinte paus um preço bastante razoável, agarrei a caixa, corri pro balcão, passei o cartão de crédito feliz na maquininha de cartões de crédito. Barulhinhos eletrônicos deram fim a uma interminável espera de três segundos de imenso suspense: “terei dinheiro suficiente na conta ou não?” A máquina cuspiu um recibo e a balconista enfiou o jogo numa sacola, respondendo minhas dúvidas. Agarrei o saquinho de plástico como se fosse meu próprio filho, mandei um cordial “thanks” e quando estava prestes a explodir pra fora da loja, lembrei da namorada. Lá estava ela, segurando o DVD de Debi e Loide 2, me perguntando o que eu havia comprado.

Nem lembro mais qual filme ela alugou, até porque acabamos não assistindo porra nenhuma. Meu pai estava assistindo seu DVD do Roberto Carlos no aparelho da sala, e eu não ia ceder o PS2 do meu quarto pra assistir filme algum. A namorada estendeu o dedo para apertar o botão que abre a bandeja do videogame, ato que eu prontamente respondi com um tapa na sua mão. Saquei o meu jogo recém-adquirido da sacolinha plástica e enfiei no videogame. O que seguiu-se pode ser descrito com um orgasmo eletrônico de vinte dólares.


Todos sabemos que a LucasArts anda meio desleixada com os jogos do universo Star Wars que ela anda lançando, cujas qualidades variam entre os níveis “muito podre” e “absolutamente asqueroso“. Não é o caso em SWB. Finalmente a LucasArts resolveu parar de produzir toletes fumegantes – de venda garantida apenas por carregar a licença Star Wars – e se comprometeu em produzir algo que valha a pena ser jogado até mesmo por quem não é fã da série.

Star Wars Battlefront é O jogo para você que é um nerd de SW, como é o meu caso. Há muito tempo nossa raça sofria por causa de títulos fedorentos como “Star Wars: Force Commander”, “Star Wars: Galatic Battlegrounds” ou “Star Wars: Onde está Jar Jar Binks?“, jogos que parecem ter sido feitos pra pagar uma aposta que George Lucas perdeu. Esqueça todas as porcarias que a LucasArts é culpada de libertar neste mundo. Repito a frase que abriu este parágrafo: Star Wars Battlefront é O jogo.

SWB é um jogo de ação/tiro em terceira pessoa (meu estilo favorito de ação, ao menos pra consoles) que simula as todas as batalhas clássicas de todos os filmes da série, e de algumas que aconteceram no universo expandido da série (presente em livros, revistinhas e outros jogos). Sim, TODAS as grandes porradarias intergaláticas estão no game, garantindo gritos de êxtase dos mais fiéis fãs das trilogias: A batalha no planeta congelado de Hoth, na floresta-lua de Endor, na Cidade nas Nuvens, em Kashyyyk (o planeta dos Wookies, que só aparece no Episódio III), e muitas outras. Puta que pariu, quando jogando em Endor, você pode até mesmo atirar em Ewoks! O que mais você poderia querer?!


O jogo oferece as duas linhas temporais da série: a Guerra Civil Estelar – o mote da primeira trilogia – e as Guerras Clônicas – tema dos Episódios I, II e III. Você tem opção de unidades correspondentes à linha que elas pertencem: quando jogando na Guerra Civil, você escolhe entre o Império Intergalático ou a Aliança Rebelde. Quando jogando as Guerras Clônicas, as opções são os Soldados da República ou os Droids Separatistas. Até aqui, nada de novo pra quem acompanha os filmes religiosamente – como eu. Há cinco unidades específicas em cada lado, as clássicas de todo jogo: a infantaria, o médico, o sniper, e por aí vai. Como manda o script, cada unidade tem uma habilidade especial. Quando combinadas estrategicamente, as habilidades conferem ao esquadrão um formidável potencial de chutar bundas.


Isso é tudo? Não! SWB trás uma característica que eu particularmente esperava a muito tempo num jogo de tiro da franquia: você pode pilotar todos os veículos da série! Essa habilidade rendeu ao jogo a alcunha de Star Wars Battlefield 1942 nos fóruns gringos internet a fora. Todos os robôs/naves que aparecem nos filmes estão disponíveis, muitos deles podendo ser tripulados por mais de um jogador. A emoção de passear por cima da base rebelde dentro num AT-AT – pros não-nerds: os robôzões quadrúpedes de O Império Contra Ataca – enquanto seus co-pilotos usam os lasers secundários pra catar um ou outro rebelde que passeiam pelas redondezas é incomparável. Há alguns animais em que você pode montar, mas eles são pálidos em comparação com as máquinas de destruição do jogo.

E isso não é tudo. Há ainda a opção de trocar porradas online contra 15 outros nerds. Você poderia imaginar que um jogo com tanto potencial teria um modo online incrivelmente divertido, mas obviamente você não conhece SWB.

A culpa é de todos, a começar pela LucasArts. Pra compensar a qualidade que eles injetaram no jogo, a empresa resolveu não investir absolutamente nada no suporte multiplayer. O resultado disso é um modo online totalmente lagado, com poucos servidores, e absolutamente nenhuma opção extra. Você não pode encontrar amigos no jogo, não pode enviar mensagens pra outros jogadores, enfim, não pode fazer praticamente nada além de jogar.

Mas tudo bem. Achei que, se ignorasse essas falhas (que a LucasArts prometeu consertar em SWB 2, que sai até o fim do ano), a experiência online poderia ser remotamente divertida. Me enganei de novo.

Mas tenho que ser honesto: a culpa agora não é na LA. O que impediu SWB de ser o melhor jogo de tiro que já joguei na vida não foi o lendário desleixo da LucasArts, mas a qualidade de imbecis que encontrei nos servidores. Estes não são imbecis normais: estou falando aqui de super-imbecis, uma raça avançada de cretinos que parece ser encontrada apenas nos servidores de Star Wars Battlefront. Não importa em qual servidor você logue, sem dúvida haverá ao menos uns três super-imbecis para te causar raiva lá. Já vi gente pilotando naves apenas para sair atropelando os companheiros de time, gente jogando várias granadas pra cima e em seguida fugindo da “chuva”, gente destruindo veículos que você vinha correndo o mapa inteiro pra pegar… tudo isso acompanhado de risadas retardadas no headset, ou xingamentos revoltados. E, na pior demonstração de maldade que já vi na minha vida, um dos jogadores do time em que eu estava jogando deixou seu headset do lado do computador, colocou músicas da Britney Spears pra tocar, e se mandou. Ninguém conseguia mais planejar nenhuma estratégia, porque o som alto dominou o canal de comunicação. E por causa do lag, o sistema que identifica o enviador das mensagens travou, fazendo os outros jogadores pensarem que EU era o responsável pelo atentado sonoro. Saí do jogo e fui procurar o endereço dos escritórios da LucasArts, pra enviar uma reclamação na forma de uma caixa de Semtex.

Quando os jogadores não estão fazendo algo espetacularmente idiota, é apenas aquela bagunça generalizada; todo mundo correndo pra cair na batalha de peito, se esquecendo que o jogo tem uma natureza tática. Ou seja, ninguém consegue se virar por muito sozinho.

Cada uma das unidades no jogo é particularmente boa em um aspecto, e uma merda completa em todos os outros. Sem ajuda do resto do time, pode ter certeza que o grupo inteiro será trucidado rapidinho – e é o que acontece em 100% dos casos. Ao contrário de outros jogos do gênero como Socom 2, é muito raro encontrar um grupo de jogadores que ouve suas sugestões e permanece junto, agindo realmente como uma equipe.

Mas tou exagerando. O modo online não é tããão ruim assim. Consegui achar uns bons server algumas vezes, sim. Mas é sempre mais fácil apontar as falhas.

Apesar dos pesares, o jogo ainda vale a pena. E muito. Se você tem um irmão, recomendo o modo Splitscreen – uma ótima alternativa ao modo online. Pra quem é fã da série há anos, a diversão de participar das batalhas épicas do universo Star Wars, a bordo dos veículos mostrados nos filmes, é inigualável.

E, claro, você ainda pode matar ewoks com tiros lasers na cara. Só isso já vale os vinte dólares.


Escrito por Kid on May 23, 2005

Cenas dos últimos capítulos

A namorada, num arroubo de falta de consideração, apoiou a cabeça no meu ombro. Minha camisa ficou instantaneamente manchada por lágrimas e sangue, então dei-lhe um cruzado de esquerda no nariz para ensina-la boas maneiras.

Esse não foi o único encontro naquele dia hospitalar.

Pouco tempo depois, Andy – o garoto-suicida-mascote da turma – entra apressado no Setor de Emergência. Ele estava ladeado pelo pai (um imigrante irlandês com um sotaque que provoca explosões intestinais provenientes de gargalhadas incessantes) e a mãe (uma adepta do esporte do consumo de prozac, e que passa maior parte do seu tempo em um torpor etílico). Ambos seguravam cada um de seus braços firmemente, aparentemente com medo de que eles cairíam dos ombros do moleque caso eles não cravassem suas unhas nos antebraços dele. O guri, cabisbaixo, foi arrastado pelo SE, dando-nos tempo suficiente apenas pra dizer “Hey, Andy” e imaginar o que ele tinha tentado dessa vez. Em fevereiro foram as pípulas; cortar os pulsos foi a do mês passado. Essa comitiva, formada pelos indivíduos mais promissores da sociedade canadense, entrou apressada na sala de um dos médicos de plantão, que já devia ter sido avisado previamente por telefone.

Negócio sem sentido. O pessoal que se fodeu contra a própria vontade tem que sentar na recepção, ler revistas de dois anos atrás e aguardar um médico disponível; já aqueles que estão tentando pôr fim na própria vida recebem atenção imediata.

Pouco tempo depois, o menino grampeado foi atendido – o que ratificou a suspeita de que a noção de prioridade nos hospitais canadenses foi bolada por um macaco com síndrome de Down. O caso dele era de longe o mais simples de todos, bastava puxar o grampo pra fora com um alicate. Já a namorada continuava sangrando do meu lado e murmurando expressões incoerentes, visivelmente enebriada pela dor. Dei uma cotovelada no olho dela, pra ela deixar de ser frouxa.

Quase quatro horas depois, fomos finalmente levados à uma salinha, onde uma médica iria limpar os ferimentos e tudo mais. Havia duas mesas na sala; a patroa sentou-se numa, enquanto eu e a sogra esperávamos em pé diante dela. Instantes após a nossa chegada, um molequinho negro acompanhado por uma menina branca entraram na sala e sentaram-se na mesa ao lado. O guri trazia um pano ao queixo. Uma conversa informal com a dupla revelou a causa do machucado: o menino levou um taco de golf na cara. Sem dúvidas, uma experiência não muito agradável. Alguns segundos mais tarde, uns médicos passaram a movimentar pacientes de outros quartos. Um deles, que foi deixado no corredor durante o tempo que levava os médicos a reorganizar o quarto ou algo assim, começou a gritar reclamando de uma suposta “diarréia explosiva”. Uma enfermeira correu ao auxílio do pobre cagão, injetou alguma coisa no catéter do cara, e em poucos instantes o maluco tava dormindo. Eu, naturalmente, estava rolando no chão de rir da cena, algo que o pessoal em volta aparentemente não aprovou.

E a médica finalmente chegou. Competentemente, a doutora apanhou os produtos lá, borrifou alguma coisa num pedaço de pano e começou a limpar a namorada. A essa altura, ela já estava beirando o limite da inconsciência. Passa o medicamento aqui, passa ali, e machucados que eu não tinha sequer notado eram tratados. A namorada, pobrezinha, esmpremia os olhos e cerrava os dentes firmemente sempre que a médica se aproximava de um ferimento, como se ela estivesse tentando morder uma rapadura invisível. Suponho que o produto milagroso tem alucinações como efeito colateral.

Ao fim do procedimento, a médica pegou uma pomadinha transparente cujo nome esqueci e passou a “selar” os machucados, pra ter certeza que eles não abririam. Mais alguns minutos e a patroa tava “consertada”.

Ou quase. Ainda faltava o rosto. Como mencionei, havia um rasgo no lábio superior, e um de seus dentes havia sumido. Após uma inspeção mais criteriosa, percebemos que o dente estava ainda lá, embora inclinado pra trás num ângulo estranhíssimo. A médica explicou que não poderia fazer porra nenhuma enquanto não tirassem um raio X da cabeça da coitada, pra ter certeza que tudo tava direitinho e tal. Toca a levar a menina pra sala de raio X, que ficava convenientemente ao lado da lanchonete. Esperei que a namorada fosse atendida e então, com habilidade, joguei um verde pro lado da sogra. Esta prontamente abriu a carteira, sacou uma nota de dez pilas e me dispensou à lanchonete.

Uma Sprite e dois pacotes de Ruffles depois, a namorada ainda não havia saído da sala de raio X. Sentei-me na recepção e peguei uma Readers Digest que tinha na reportagem de capa uma foto do atentado terrorista do World Trade Center (e acreditem, essa era a revista mais recente da pilha) e pus-me a esperar.

Pelo jeito, as peculiaridades daquele dia não haviam cessado de me entreter. Um cara chegou à recepção com um sanduíche na mão e a própria virilha na outra. Andando de um lado pro outro, ele parecia aflito para ir ao banheiro, a despeito da mancha de urina que cobria toda a parte da frente das suas calças. Uma boa alma indicou-o o banheiro, que de alguma forma o cara não conseguiu achar até então (a porta do lavatório se escondia a dois centímetros à direita dele). O doidinho (devia ser um doente mental genuíno) agradeceu com expressões ininteligíveis e correu como uma criança pra dentro do banheiro. Sem doentes cagões ou retardados mijões pra me distrair, voltei minha atenção à reportagem que prestava luto às vítimas do WTC.

Do nada, a namorada aparece na minha frente. Ela já havia sido dispensada do raio X, e não, não havia nada de errado com a cabeça dela – ao menos, nada que médicos possam consertar. Apanhei meu casaco, dei um cutucão na sogra (que cochilava na cadeira ao lado) e fomos embora do hospital.

O dia não estava acabado, entretanto. O aparelho da Becca estava fatalmente avariado, tínhamos que ir no dentista dela pra ajeitar o arame e fixar aquele dente fodido no lugar. O trabalho foi feito em tempo recorde; em menos de meia hora tava tudo consertadinho.

E já se passou uma semana desde o acidente. Os pontos no lábio já foram removidos, deixando apenas uma cicatriz no lugar. Quase todas as feridas nos braços, mãos e pernas se fecharam sem mais sequelas. E, apesar de há chances de que aquele dente tenha que ser removido e substituído por uma prótese, por ora tá tudo ok.

Mas por algum motivo ela não quer mais andar de patins comigo.


Escrito por Kid on May 21, 2005

O pessoal do Netbux mudou o sistema deles e avacalhou com o bot do joemontana. Porém, eles não contavam com a astúcia desses vagabundos que eu tenho a honra de chamar de “meus leitores”.

Confira nesse tópico do cesarhans um excelente tutorial de como safadear o novo sistema do Netbux.