Escrito por Kid on May 29, 2005
Se tem uma coisa que eu realmente odeio nesse planeta, além de tomates, é gente burra. Se existe uma coisa pior do que gente burra, é gente burra que pensa ser esperta, malandra, melhor que os outros. E, finalmente, a pior coisa do mundo - sem margem de competição - é aquele grupinho de gente burra que pensa ser esperta, e que se ajunta embaixo de uma ideologia mais idiota do que todos eles juntos, o que apenas comprova suas burrices iniciais.
E qual o melhor lugar pra encontrar gente dessa estirpe?
Internet, óbvio. Mais especificamente, o Orkut. <sarcasmo>O fato de que a grande maioria dos usuários são brasileiros é mera coincidência, claro</sarcasmo>.
Vocês que dispõe de acesso ao sistema de rede de relacionamentos já devem ter esbarrado com muitas comunidades que têm como tema principal alguma faceta da imbecilidade humana. Até eu, que parei de acessar aquele negócio há muito tempo, perdi as contas de quantas vezes vi comunidades que me fizeram perguntar a mim mesmo que tipo de ajuda profissional seus criadores necessitam pra viver como uma pessoa comum.
E o tema recorrente dessa espécie de comunidade são é o preconceito gratuito. Graças a essas comunidades, pessoas comuns podem se sentir mais inteligentes apenas por saber que não participariam de uma asneira ideológica desse calibre.
Então. O Fívio me mandou o link de uma comunidade cujos tópicos, segundo ele, me divertiriam por horas. Cliquei no link. Uma olhadela na imagem da comunidade - uma fotografia de Hitler - não deixava dúvidas sobre o tipo de imbecilidade, egocentrismo e agressividade gratuita a que eu seria exposto.
A comunidade se trata de um antro de neo-nazistas - você sabe, aquele pessoal que sofre de um gravíssimo complexo de inferioridade mas, como teve a (in)felicidade de ter pais “brancos”, vê-se apto a mergulhar na ilusão arrogante e superficial de que é realmente melhor do que outras pessoas simplesmente porque suas células pigmentárias são mais preguiçosas do que as de, digamos, um negão moçambiquenho de dois metros de altura.
Os caras não são apenas contra os negros, não - eles também odeiam a miscigenação, e alguns levam sua estupidez aos limites e sugerem que ela deveria ser “banida”. Na visão deles, a mistura de raças é parte de um intrincado plano negro de destruição da raça, arram, “pura”. Acho extremamente estranha essa opinião, porque a miscigenação é culpa de ninguém mais que os próprios brancos.
Mas parece que os neo-nazistas vêem a História de uma forma diferente. Em sua concepção retardada, os negros africanos do século 15 correram lá pra Londres ou Madri ou Lisboa, marchando com cartazes e implorando pra serem levados pras Américas pra trabalhar pelo resto da vida como escravos. Os europeus, uma gente muito boa e civilizada, negaram-se a ser cúmplices desse absurdo. Os negões, não vendo outra saída, resolveram apelar: os protestantes africanos se algemaram e se jogaram dentro das caravelas européias. Chegando no Novo Mundo, não satisfeitos com as putarias a que já eram submetidos, ofereceram suas filhas para serem estupradas pelos seus senhores, e assim promoveram a terrível miscigenação, sua arma secreta contra a raça branca! Ou seja, a escravidão do período colonial americano não foi nada além de uma intrincada trama negra pela destruição da espécie caucasiana. Sim, sim, isso faz bastante sentido.
Após analisar a comunidade, sua proposta, e as mensagens de alguns membros (estas contendo mais erros gramaticais e pontos de exclamação do que seria necessário para preencher dois porta-aviões), conclui que os usuários da tal comunidade abraçam todas as características descritas no primeiro parágrafo deste texto - e que por isso ganhariam de brinde meu desprezo. “Prato cheio“, pensei eu. Juntei-me à comunidade e abri um despretensioso tópico entitulado “Pergunta Simples”, e que trazia, surpreendentemente, uma pergunta simples:

A despeito da simplicidade da questão, ela mostrou-se um verdadeiro desafio pros carinhas - é a conclusão que tirei a partir das respostas que os manés deram, que em nada têm a ver com a pergunta, e que deixam transparecer que os panacas sequer entendem por que odeiam negros tanto assim. Transcrevo aqui o festival de babaquice que seguiu minha pergunta tão elementar.
Renato Aguirre, um racistinha que se define no orkut como hispânico/latino (Contradição? Não, imagina!), arriscou a primeira resposta que desencadearia uma avalanche de estupidez:

E tenho dito! Não há países africanos de primeiro mundo, e LOGICAMENTE isso significa que os habitantes desses países são inferiores! Faz bastante sentido, se você desconsiderar o fato de que não faz sentido nenhum. Após ler esse disparate, voltei ao perfil do cara curioso pra saber em que capital européia ele morava. Mas o orkut parece estar com defeito, pois ao invés de exibir Berlim, Oslo ou Genebra, o sistema lá diz que o cara mora em Santos. Há essa altura do campeonato, Renato já deve ter contatado seus advogados (todos arianos, não tenho dúvidas) para mover uma ação judicial contra essa rede de mentiras que é o orkut. Como eles se atrevem a insinuar que Renato mora num país de terceiro mundo?!
Mas uma coisa pôde ser aproveitada no post. Renato destruiu minhas antigas superstições de que o sucesso de um país está relacionado diretamente com sua economia, política, relações estrangeiras, relevância industrial, produção de bens exportáveis… Não, não. Tudo errado. Segundo o Sr. Aguirre, que deve ter escrito esse post entre a entrega de um Pulitzer e seu horário de almoço na Nasa, um país é bem sucedido em proporção inversa à quantidade de melanina que seus habitantes tem na pele.
Sinto cheiro de mais um Nobel pro Renato.
Certo. Vamos adiante.

O post acima foi deixado ao nosso deleite por um usuário anônimo, que engrossa as fileiras de uma nova qualidade de covardes: aqueles que não têm coragem de assumir as próprias convicções nem mesmo na internet. Segundo o incógnito, a raça branca tem uma “devida história de evolução” - foi só uma expressão de efeito, porque explicação que é bom não tem -, e que ela é considerada a “raça criadora”. Eu não tenho muita certeza sobre o que isso significa - porque “raça criadora” não faz absolutamente sentido nenhum - mas aposto que na cabeça o anônimo, é uma verdade absoluta induvidável.
Vou fazer de conta que “raça criadora” significa a etnia que deu origem a todas as outras, porque acho que foi esse o sentido que o animal tinha em mente quando mandou o post sem identificação. Nesse caso, o moleque está - surpresa!! - errado. Segundo historiadores e arqueólogos, a raça humana no planeta surgiu na África. Na última vez que verifiquei, não há arianos puros por lá.
Em seguida o maluco fala algo sobre “fatos genéticos”, o que me deixou muito curioso. O que diabos é um “fato genético”? Vou pular essa, até porque ele não citou nenhum “fato genético” que comprove as bobagens que ele vomitou no teclado. O que eu posso dizer, entretanto, é que pele branca é uma característica recessiva, ou seja, que se auto-extingue em poucas gerações por ser consequência de genes mais “fracos” - é comprovado que brancos têm uma resistência mais baixa a certas doenças, como câncer de pele. Se evolução prova alguma coisa, é que - ao menos geneticamente - os brancos é que são inferiores.
Em seguida, o neo-nazista citou o livro de Hitler, mas não deu nenhuma razão sequer pra coroborar a opinião de que o livro explicaria alguma coisa. O que o cara basicamente escreveu foi “ahn, pretos são bobocas, você é burro porque não admite, e se lesse o livro de um austríaco afetado que perdeu a guerra e se suicidou há quase sessenta anos atrás entenderia. Mas eu não sei do que estou falando e vou ficar por aqui mesmo, omitindo esse post de qualquer opinião inteligente.“
Em seguida, outro anônimo dá sua opinião:

O que o cara quis dizer, trocando em miúdos, é que negros são inferiores porque são feios. E eu aqui achando que os caras eram arrogantes e superficiais! De onde será que tirei isso? Espero que os skinheads perdoem minha opinião claramente equivocada.
Infelizmente, a pessoa foi medrosa demais para atrelar seu próprio perfil à mensagem. Podemos apenas imaginar a beleza quase celestial do autor do post.
Então chegou Dirk Zobiak, que é a propósito o único caucasiano de Salvador, pra dar seu apoio intelectual aos racistas:

O post do soteropolitano, entitulado “raça criadoura“, explica que o mundo atual é um fruto da cultura branca. Espero que ele esteja mentindo, porque se isso for verdade tenho vergonha de ser branco. Em seguida ele menciona “valores brancos”, algo que muito me surpreendeu, porque eu estive sendo branco nos últimos vinte anos e nunca fui informado de nenhum valor. Infelizmente o Dirk, assim como todos os outros racistas que deram sua contribuição no tópico, fez a afirmação com valor exclusivamente dogmático - ou seja, ele não pode provar o que fala, mas é assim e pronto.
Depois ele diz que não discutirá superioridade - o que dá margem à pergunta, “o que diabos você está fazendo no meu tópico então?” -, mas que negros viviam guerrilhando entre si. Claro, beligerância é uma característica EXCLUSIVAMENTE negra! Nós, brancos, nos envolver em guerras?! Nããão… que é isso, chefia! Dirk cita novamente os misteriosos “valores e princípios brancos”, e novamente omite-se a nomear um sequer. Eu me daria por satisfeito com ao menos um!
Por último, diz que os negros “culpam os brancos por sua mazelas”. É, mané. Se sua raça tivesse sido arrancada à força da seu país pra trabalhar de graça pra um povinho preguiçoso, num doloroso processo que demorou mais de 200 anos pra chegar ao fim mas cujas consequências ecoam até hoje, talvez você pensasse diferente.
E o tópico continua lá, sem nenhuma resposta válida que explique exatamente por que um branco é melhor que um negro. Vou fazer uma aposta arriscada e supor que, de duas umas: os racistinhas simplesmente não tem motivo pra preconceito e não sabem o que estão falando, ou o dano cerebral que alguns desses coitados os impedem de explicar um ponto coerentemente.
Você decide.
Escrito por Kid on May 28, 2005
Anúncio rapidim
Muita gente anda mandando email perguntando sobre o link de cadastro pro Netbux, e o script que faz as pesquisas automaticamente. Pros preguiçosos que não sabem usar os históricos, taí:
Script de pesquisas automáticas (a página faz apenas 6 pesquisas de cada vez, então basta recarregar a página quando as pesquisas estiverem prontas.
Kid, como funciona isso?
É bastante simples. Sites que promovem banners ganham dinheiro por cliques nos banners/pesquisas feitas a partir do site. O que o Netbux faz é repartir um pouco do lucro com usuários, porque isso os mantém clicando/pesquisando, o que gera mais lucros pro dono do site.
O que você ganha com isso?
Ganho uma porcentagem extra cada vez que indico alguém.
Posso indicar alguém?
Claro. Basta copiar seu referal link (disponível quando você se cadastra) e passar pra pessoa.
Esse negócio paga mesmo?
Neste tópico no fórum não-oficial Netbux há screenshots de pagamentos realizados no mês passado. Algumas pessoas ganharam mais de 400 dólares apenas pra fazer pesquisas e indicar outras pessoas.
Tentaí. O que você tem a perder?
Escrito por Kid on May 27, 2005
Porra! Finalmente o verão chegou. Tá fazendo 35 graus na sombra lá fora (ou seja, é bom sair dessa sombra), os esquilinhos pulam pra todo lado colhendo nozes e irritando os cachorros… uma belezura. Com um clima que me lembra tanto da pátria-mãe, não rola vontade de ficar dentro do apê escrevendo. Mas enquanto não publico nada novo (e vocês não me dão esmolas, claro), fiquem com isso aí.

AHAHAHAHAHSAJSKJAKSLASALSAGSHSKFLDFJOPRW
Não se desesperem, não demorarei muito pra postar. Só depende das esmolas.
Escrito por Kid on May 26, 2005
E, atendendo a pedidos via MSN, Star Wars Battlefront na webcam!

A definição não é lá das melhores - afinal, é só uma webcam vagabunda -, mas dá pra ter uma noção de como é o jogo.
Ah, e a imagem é atualizada a cada 20 segundos, e vou jogar por no mínimo umas três horas. Fiquem bizoiando 
[ Update ] Porra, vou ter que dar uma saidinha, e consequentemente desligar o videogame. Culpem a patroa. Volto logo mais!
[ Update 2 ] Agora sim. E reduzi o delay entre imagens pra 10 segundos.
[ Update 3 ] Cabô.
Escrito por Kid on May 25, 2005
Alô amigos! Cá estou eu, seu amigo Quide, publicando mais um texto pseudo-engraçado pra ajuda-los a enfrentar a chatice do dia a dia no seu trabalho e contribuir com o aumento da incompetência e ociosidade.
E o texto de hoje é sobre um joguinho de Playstation2; uma boa indicação para quem tem o console ou apenas motivo de inveja para alguns de vocês - os pobres lascados - que mal podem comprar pasta de dente, que dirá videogames.
Outro dia eu estava aqui no meu quarto, fazendo castelinhos com moedas de um centavo como sempre, e a patroa teve a idéia de ir à locadora alugar algum filme. Já fazia quase três dias que eu não via nada explodindo, e eu tava com uma graninha sobrando, então aceitei a idéia. De mãos dadas com a namorada, saltitei alegremente até a Blockbuster que fica convenientemente atrás do meu prédio.
Um fenômeno curioso que me aflige após a compra do PS2 é que a seção de jogos exerce uma estranha atração gravitacional sobre mim, puxando-me inexoravelmente em direção à prateleira de jogos usados. Enquanto a gótica vasculhava a área de comédias, de onde eu sabia que ela emergeria com mais um filme ruim (minha mulé tem um notório mau gosto cinematográfico e para outras coisas também, como escolha de namorados), corri como um somaliano atrás de uma galinha para a parte de jogos. Cheguei lá ofegante, mas minha corrida não foi em vão: achei uma incrível pérola logo ao lado dos jogos ruins que ninguém jamais comprará e que permanecerão na loja até que ela seja implodida cinquenta anos no futuro para dar lugar a uma fábrica de algodão doce:

STAR WARS BATTLEFRONT. Eu havia visto a propaganda do jogo há meses antes na TV, e quase mijei nas calças de raiva por não dispôr da grana na época pra gastar com o jogo. Acontece que dessa vez eu havia acabado de receber o cheque do Gúgou (brigado amiguinhos
Nem lembro mais qual filme ela alugou, até porque acabamos não assistindo porra nenhuma. Meu pai estava assistindo seu DVD do Roberto Carlos no aparelho da sala, e eu não ia ceder o PS2 do meu quarto pra assistir filme algum. A namorada estendeu o dedo para apertar o botão que abre a bandeja do videogame, ato que eu prontamente respondi com um tapa na sua mão. Saquei o meu jogo recém-adquirido da sacolinha plástica e enfiei no videogame. O que seguiu-se pode ser descrito com um orgasmo eletrônico de vinte dólares.

Todos sabemos que a LucasArts anda meio desleixada com os jogos do universo Star Wars que ela anda lançando, cujas qualidades variam entre os níveis “muito podre” e “absolutamente asqueroso“. Não é o caso em SWB. Finalmente a LucasArts resolveu parar de produzir toletes fumegantes - de venda garantida apenas por carregar a licença Star Wars - e se comprometeu em produzir algo que valha a pena ser jogado até mesmo por quem não é fã da série.
Star Wars Battlefront é O jogo para você que é um nerd de SW, como é o meu caso. Há muito tempo nossa raça sofria por causa de títulos fedorentos como “Star Wars: Force Commander”, “Star Wars: Galatic Battlegrounds” ou “Star Wars: Onde está Jar Jar Binks?“, jogos que parecem ter sido feitos pra pagar uma aposta que George Lucas perdeu. Esqueça todas as porcarias que a LucasArts é culpada de libertar neste mundo. Repito a frase que abriu este parágrafo: Star Wars Battlefront é O jogo.
SWB é um jogo de ação/tiro em terceira pessoa (meu estilo favorito de ação, ao menos pra consoles) que simula as todas as batalhas clássicas de todos os filmes da série, e de algumas que aconteceram no universo expandido da série (presente em livros, revistinhas e outros jogos). Sim, TODAS as grandes porradarias intergaláticas estão no game, garantindo gritos de êxtase dos mais fiéis fãs das trilogias: A batalha no planeta congelado de Hoth, na floresta-lua de Endor, na Cidade nas Nuvens, em Kashyyyk (o planeta dos Wookies, que só aparece no Episódio III), e muitas outras. Puta que pariu, quando jogando em Endor, você pode até mesmo atirar em Ewoks! O que mais você poderia querer?!

O jogo oferece as duas linhas temporais da série: a Guerra Civil Estelar - o mote da primeira trilogia - e as Guerras Clônicas - tema dos Episódios I, II e III. Você tem opção de unidades correspondentes à linha que elas pertencem: quando jogando na Guerra Civil, você escolhe entre o Império Intergalático ou a Aliança Rebelde. Quando jogando as Guerras Clônicas, as opções são os Soldados da República ou os Droids Separatistas. Até aqui, nada de novo pra quem acompanha os filmes religiosamente - como eu. Há cinco unidades específicas em cada lado, as clássicas de todo jogo: a infantaria, o médico, o sniper, e por aí vai. Como manda o script, cada unidade tem uma habilidade especial. Quando combinadas estrategicamente, as habilidades conferem ao esquadrão um formidável potencial de chutar bundas.

Isso é tudo? Não! SWB trás uma característica que eu particularmente esperava a muito tempo num jogo de tiro da franquia: você pode pilotar todos os veículos da série! Essa habilidade rendeu ao jogo a alcunha de Star Wars Battlefield 1942 nos fóruns gringos internet a fora. Todos os robôs/naves que aparecem nos filmes estão disponíveis, muitos deles podendo ser tripulados por mais de um jogador. A emoção de passear por cima da base rebelde dentro num AT-AT - pros não-nerds: os robôzões quadrúpedes de O Império Contra Ataca - enquanto seus co-pilotos usam os lasers secundários pra catar um ou outro rebelde que passeiam pelas redondezas é incomparável. Há alguns animais em que você pode montar, mas eles são pálidos em comparação com as máquinas de destruição do jogo.
E isso não é tudo. Há ainda a opção de trocar porradas online contra 15 outros nerds. Você poderia imaginar que um jogo com tanto potencial teria um modo online incrivelmente divertido, mas obviamente você não conhece SWB.
A culpa é de todos, a começar pela LucasArts. Pra compensar a qualidade que eles injetaram no jogo, a empresa resolveu não investir absolutamente nada no suporte multiplayer. O resultado disso é um modo online totalmente lagado, com poucos servidores, e absolutamente nenhuma opção extra. Você não pode encontrar amigos no jogo, não pode enviar mensagens pra outros jogadores, enfim, não pode fazer praticamente nada além de jogar.
Mas tudo bem. Achei que, se ignorasse essas falhas (que a LucasArts prometeu consertar em SWB 2, que sai até o fim do ano), a experiência online poderia ser remotamente divertida. Me enganei de novo.
Mas tenho que ser honesto: a culpa agora não é na LA. O que impediu SWB de ser o melhor jogo de tiro que já joguei na vida não foi o lendário desleixo da LucasArts, mas a qualidade de imbecis que encontrei nos servidores. Estes não são imbecis normais: estou falando aqui de super-imbecis, uma raça avançada de cretinos que parece ser encontrada apenas nos servidores de Star Wars Battlefront. Não importa em qual servidor você logue, sem dúvida haverá ao menos uns três super-imbecis para te causar raiva lá. Já vi gente pilotando naves apenas para sair atropelando os companheiros de time, gente jogando várias granadas pra cima e em seguida fugindo da “chuva”, gente destruindo veículos que você vinha correndo o mapa inteiro pra pegar… tudo isso acompanhado de risadas retardadas no headset, ou xingamentos revoltados. E, na pior demonstração de maldade que já vi na minha vida, um dos jogadores do time em que eu estava jogando deixou seu headset do lado do computador, colocou músicas da Britney Spears pra tocar, e se mandou. Ninguém conseguia mais planejar nenhuma estratégia, porque o som alto dominou o canal de comunicação. E por causa do lag, o sistema que identifica o enviador das mensagens travou, fazendo os outros jogadores pensarem que EU era o responsável pelo atentado sonoro. Saí do jogo e fui procurar o endereço dos escritórios da LucasArts, pra enviar uma reclamação na forma de uma caixa de Semtex.
Quando os jogadores não estão fazendo algo espetacularmente idiota, é apenas aquela bagunça generalizada; todo mundo correndo pra cair na batalha de peito, se esquecendo que o jogo tem uma natureza tática. Ou seja, ninguém consegue se virar por muito sozinho.
Cada uma das unidades no jogo é particularmente boa em um aspecto, e uma merda completa em todos os outros. Sem ajuda do resto do time, pode ter certeza que o grupo inteiro será trucidado rapidinho - e é o que acontece em 100% dos casos. Ao contrário de outros jogos do gênero como Socom 2, é muito raro encontrar um grupo de jogadores que ouve suas sugestões e permanece junto, agindo realmente como uma equipe.
Mas tou exagerando. O modo online não é tããão ruim assim. Consegui achar uns bons server algumas vezes, sim. Mas é sempre mais fácil apontar as falhas.
Apesar dos pesares, o jogo ainda vale a pena. E muito. Se você tem um irmão, recomendo o modo Splitscreen - uma ótima alternativa ao modo online. Pra quem é fã da série há anos, a diversão de participar das batalhas épicas do universo Star Wars, a bordo dos veículos mostrados nos filmes, é inigualável.
E, claro, você ainda pode matar ewoks com tiros lasers na cara. Só isso já vale os vinte dólares.
Escrito por Kid on May 23, 2005
Cenas dos últimos capítulos
A namorada, num arroubo de falta de consideração, apoiou a cabeça no meu ombro. Minha camisa ficou instantaneamente manchada por lágrimas e sangue, então dei-lhe um cruzado de esquerda no nariz para ensina-la boas maneiras.
Esse não foi o único encontro naquele dia hospitalar.
Pouco tempo depois, Andy - o garoto-suicida-mascote da turma - entra apressado no Setor de Emergência. Ele estava ladeado pelo pai (um imigrante irlandês com um sotaque que provoca explosões intestinais provenientes de gargalhadas incessantes) e a mãe (uma adepta do esporte do consumo de prozac, e que passa maior parte do seu tempo em um torpor etílico). Ambos seguravam cada um de seus braços firmemente, aparentemente com medo de que eles cairíam dos ombros do moleque caso eles não cravassem suas unhas nos antebraços dele. O guri, cabisbaixo, foi arrastado pelo SE, dando-nos tempo suficiente apenas pra dizer “Hey, Andy” e imaginar o que ele tinha tentado dessa vez. Em fevereiro foram as pípulas; cortar os pulsos foi a do mês passado. Essa comitiva, formada pelos indivíduos mais promissores da sociedade canadense, entrou apressada na sala de um dos médicos de plantão, que já devia ter sido avisado previamente por telefone.
Negócio sem sentido. O pessoal que se fodeu contra a própria vontade tem que sentar na recepção, ler revistas de dois anos atrás e aguardar um médico disponível; já aqueles que estão tentando pôr fim na própria vida recebem atenção imediata.
Pouco tempo depois, o menino grampeado foi atendido - o que ratificou a suspeita de que a noção de prioridade nos hospitais canadenses foi bolada por um macaco com síndrome de Down. O caso dele era de longe o mais simples de todos, bastava puxar o grampo pra fora com um alicate. Já a namorada continuava sangrando do meu lado e murmurando expressões incoerentes, visivelmente enebriada pela dor. Dei uma cotovelada no olho dela, pra ela deixar de ser frouxa.
Quase quatro horas depois, fomos finalmente levados à uma salinha, onde uma médica iria limpar os ferimentos e tudo mais. Havia duas mesas na sala; a patroa sentou-se numa, enquanto eu e a sogra esperávamos em pé diante dela. Instantes após a nossa chegada, um molequinho negro acompanhado por uma menina branca entraram na sala e sentaram-se na mesa ao lado. O guri trazia um pano ao queixo. Uma conversa informal com a dupla revelou a causa do machucado: o menino levou um taco de golf na cara. Sem dúvidas, uma experiência não muito agradável. Alguns segundos mais tarde, uns médicos passaram a movimentar pacientes de outros quartos. Um deles, que foi deixado no corredor durante o tempo que levava os médicos a reorganizar o quarto ou algo assim, começou a gritar reclamando de uma suposta “diarréia explosiva”. Uma enfermeira correu ao auxílio do pobre cagão, injetou alguma coisa no catéter do cara, e em poucos instantes o maluco tava dormindo. Eu, naturalmente, estava rolando no chão de rir da cena, algo que o pessoal em volta aparentemente não aprovou.
E a médica finalmente chegou. Competentemente, a doutora apanhou os produtos lá, borrifou alguma coisa num pedaço de pano e começou a limpar a namorada. A essa altura, ela já estava beirando o limite da inconsciência. Passa o medicamento aqui, passa ali, e machucados que eu não tinha sequer notado eram tratados. A namorada, pobrezinha, esmpremia os olhos e cerrava os dentes firmemente sempre que a médica se aproximava de um ferimento, como se ela estivesse tentando morder uma rapadura invisível. Suponho que o produto milagroso tem alucinações como efeito colateral.
Ao fim do procedimento, a médica pegou uma pomadinha transparente cujo nome esqueci e passou a “selar” os machucados, pra ter certeza que eles não abririam. Mais alguns minutos e a patroa tava “consertada”.
Ou quase. Ainda faltava o rosto. Como mencionei, havia um rasgo no lábio superior, e um de seus dentes havia sumido. Após uma inspeção mais criteriosa, percebemos que o dente estava ainda lá, embora inclinado pra trás num ângulo estranhíssimo. A médica explicou que não poderia fazer porra nenhuma enquanto não tirassem um raio X da cabeça da coitada, pra ter certeza que tudo tava direitinho e tal. Toca a levar a menina pra sala de raio X, que ficava convenientemente ao lado da lanchonete. Esperei que a namorada fosse atendida e então, com habilidade, joguei um verde pro lado da sogra. Esta prontamente abriu a carteira, sacou uma nota de dez pilas e me dispensou à lanchonete.
Uma Sprite e dois pacotes de Ruffles depois, a namorada ainda não havia saído da sala de raio X. Sentei-me na recepção e peguei uma Readers Digest que tinha na reportagem de capa uma foto do atentado terrorista do World Trade Center (e acreditem, essa era a revista mais recente da pilha) e pus-me a esperar.
Pelo jeito, as peculiaridades daquele dia não haviam cessado de me entreter. Um cara chegou à recepção com um sanduíche na mão e a própria virilha na outra. Andando de um lado pro outro, ele parecia aflito para ir ao banheiro, a despeito da mancha de urina que cobria toda a parte da frente das suas calças. Uma boa alma indicou-o o banheiro, que de alguma forma o cara não conseguiu achar até então (a porta do lavatório se escondia a dois centímetros à direita dele). O doidinho (devia ser um doente mental genuíno) agradeceu com expressões ininteligíveis e correu como uma criança pra dentro do banheiro. Sem doentes cagões ou retardados mijões pra me distrair, voltei minha atenção à reportagem que prestava luto às vítimas do WTC.
Do nada, a namorada aparece na minha frente. Ela já havia sido dispensada do raio X, e não, não havia nada de errado com a cabeça dela - ao menos, nada que médicos possam consertar. Apanhei meu casaco, dei um cutucão na sogra (que cochilava na cadeira ao lado) e fomos embora do hospital.
O dia não estava acabado, entretanto. O aparelho da Becca estava fatalmente avariado, tínhamos que ir no dentista dela pra ajeitar o arame e fixar aquele dente fodido no lugar. O trabalho foi feito em tempo recorde; em menos de meia hora tava tudo consertadinho.
E já se passou uma semana desde o acidente. Os pontos no lábio já foram removidos, deixando apenas uma cicatriz no lugar. Quase todas as feridas nos braços, mãos e pernas se fecharam sem mais sequelas. E, apesar de há chances de que aquele dente tenha que ser removido e substituído por uma prótese, por ora tá tudo ok.
Mas por algum motivo ela não quer mais andar de patins comigo.
Escrito por Kid on May 21, 2005
O pessoal do Netbux mudou o sistema deles e avacalhou com o bot do joemontana. Porém, eles não contavam com a astúcia desses vagabundos que eu tenho a honra de chamar de “meus leitores”.
Confira nesse tópico do cesarhans um excelente tutorial de como safadear o novo sistema do Netbux.
Escrito por Kid on May 20, 2005
Rapidinha sobre o fórum
CARAIO FOI UM SUCEÇO MERMÃO!!!!111
Já tem até amiguinhos crentes tentando me converter (de BMP pra JPG, acho). Incrível, incrível.
Mas nem tudo é perfeito. Acontece que neguim tá achando ruim aquela URL gigante do negócio. E o domainsatcost.ca, o site vagabundíssimo onde comprei meu domínio, não fornece subdomínios. Mas que merda, ein? Poisé, achei a mesma coisa. Então, criei esse redirecionamento tosco no cjb.net, o santo padroeiro dos pobres lascados que não podem comprar endereços virtuais.
Eu já tinha colocado um linkzinho aí no fim de cada post, já prevendo que ia ter gente que não sabe usar seus favoritos, mas pelo jeito não adiantou. Enfim.
O que? Não se cadastrou no fórum ainda? Corre então mané, é digrátis.
E tragam suas bíblias, o culto começa às 9.
Escrito por Kid on May 19, 2005
Cenas dos últimos capítulos
Agarrei a porta lateral da van e puxei pro lado. Lá estava ela, meio encolhida no lado oposto do banco. A patroa, que estava olhando pela janela do outro lado, virou então o rosto pra minha direção. Senti um arrepio na espinha.
O rosto foi a primeira coisa que chamou minha atenção. Estava bastante inchado, e havia adquirido em algumas áreas uma coloração arroxeada que não deixava dúvidas sobre a violência com a que a calçada (ou talvez um poste? Eu ainda não sabia) espancou minha namorada. Havia ao redor da boca dela sangue semi-coagulado, proveniente de um corte de uns dois centímetros acima do seu lábio superior. O sangue descia até o queixo, encontrando-se com outra ferida menor, mais próxima ao pescoço. Aquela “barba de sangue” conferia a ela uma aparência cadavérica.
A sua blusa azul estava empapada de sangue. Seus braços ostentavam rasgos de alguns centímetros de comprimento que, apesar de não serem ferimentos graves, deviam doer como o inferno. A pele em algumas partes havia sido arrancada, revelendo a camada inferior, sanguinolenta e extremente sensível. Em uma das mãos, um paninho que ela segurava junto ao rosto, tentando futilmente estancar o sangramento.
Os joelhos estavam pretos. Na hora, não consegui definir se era sujeira do asfalto, sangue ou uma asquerosa (embora provavelmente nutritiva) mistura de ambos.
O olhar da coitada era de tristeza profunda. Em meio a uma mistura de suor, sangue e lágrimas (que dariam inveja a Churchill*), a acidentada estendeu os braços, como que me pedindo auxílio, e murmurou, com voz chorosa, “Hunny, I’m hurt“. Mais algumas lágrimas escaparam, e percebi horrorizado que um de seus dentes da frente havia sumido.
Se o complicado jargão médico do meu diagnóstico confundiu você, fique com a versão para leigos:
Ela se fodeu. Feio. Ou bonitamente, que dependendo do contexto político e do fuso horário, são a mesma coisa. Ainda não aprendi a ler mentes, mas sei exatamente o que a gringa esfolada estava pensando nesse momento: “Eu devia ter ouvido o brasileiro!
Os braços esfolados continuavam estendidos em minha direção, uma das mãos segurando aquele paninho lá. Saltei pra dentro do Ford Venture da mãe da patroa - que, curiosamente, é o mesmo carro que meu pai possui…

Esse aí.
… - e fechei a porta atrás de mim. Em seguida, voltei-me pra gringa e dei-lhe o abraço que ela esperava. Tomando o cuidado, claro, de evitar aproximação das áreas esfoladas, sabendo de antemão que o contato provocaria mais dor que ser atingido na cabeça por dois tijolos voando em direções contrárias logo após receber a notícia de que sua mãe morreu atropelada por um caminhão de lixo.
A véia pisou na tábua e em poucos minutos chegávamos ao Oshawa Central Hospital. Ou alguma coisa nesses parâmetros, porque na verdade não lembro o nome do hospital e inventei essa alcunha aí. Vai ver era Oshawa Hospital for People Who Got Fucked Up Beautifully. A patroa saltou do carro, mancando com bastante dificuldade. Apesar de comprovadamente fodida, se recusou a aceitar uma cadeira de rodas - O que muito me chateou, pois sempre quis empurrar alguém em alta velocidade pelos corredores de um hospital numa cadeira de rodas. Lá se vai mais um sonho meu, daqui a pouco alguém vai me dizer que não posso ser astronauta, ou que preciso estudar pra ser alguém no futuro.
Demos entrada ao setor de emergência, sempre andando devagar os passos lentos da patroa. Esta, por sua vez, ia deixando um rastro de sangue por onde passava, que pingava copiosamente do seu rosto. Aquele paninho, que nas minhas melhores suposições devia ser azul originalmente, estava completamente encharcado de sangue gringo.
O setor de emergência deve ser um dos lugares mais interessantes onde alguém pode arrumar um emprego. Eles são uma janela para a parcela burra da sociedade, aqueles indivíduos cujo baixo QI impede de dominar as técnicas necessárias para manusear martelos, pregos, facas, enfim, equipamentos que exigem um certo carinho e respeito.
(Ignorem, claro, o fato de que essa crítica vem de uma pessoa que conseguiu se cortar com uma faquinha de manteiga ontem, ao tentar amanteigar um mini-croissant.)
Aparentemente, aquele foi um dia de azar para os habitantes dessa roça canadense chamada Oshawa. Poucos minutos após chegarmos ao SE, três amigos da patroa apareceram, um deles sendo carregado pelos outros dois. O que, em retrospecto, não faz o menor sentido - o moleque tinha apenas machucado o dedão. O grupo se aproximou da gente, e os acidentados começaram a trocar informações sobre seus infortúnios. Collin, o garoto que estava sendo trazido pelos outros dois, tinha um grampo enfiado no polegar direito. Após uma inspeção mais cuidadosa, percebi que o grampo não estava apenas penetrando a pele - o negócio estava TOTALMENTE ENCRUSTADO no dedo do infeliz, com apenas uma pontinha metálica do lado de fora. Como o menino conseguiu grampear o próprio dedo, e com tanta destreza que ninguém na escola conseguiu remover o grampo, é uma dúvida que assombrará minha existência até o dia em que eu zerar Enter the Matrix. A patroa ensanguentada e o moleque com o dedo grampeado sentaram-se e passaram a esperar o atendimento. A namorada, num arroubo de falta de consideração, apoiou a cabeça no meu ombro. Minha camisa ficou instantaneamente manchada por lágrimas e sangue, então dei-lhe um cruzado de esquerda no nariz para ensina-la boas maneiras.
Esse não foi o único encontro naquele dia hospitalar.
Continua nos próximos capítulos.
*Acho que menos de 5% dos leitores do blog são cultos o bastante pra entender a referência, mas tá aí.
Escrito por Kid on May 18, 2005
Eu ia esperar até o fim de semana, mas porra, essa impaciência me mata.
Lembram aquele primeiro fórum HBD? Pois bem. Após um início meteórico (oitenta usuários cadastrados nas primeiras horas de funcionamento), ele não sustentou o peso do próprio sucesso - nossa, como sou exibido - e teve que ser sacrificado por problemas de banda, esperneando e tudo mais. Alguns usuários reclamaram, mandaram ameaças de morte e até hoje pedem por um retorno triunfal da messageboard do blog, um espaço em que os usuários possam trocar farpas sem precisar migrar pros comentários do post mais recente.
Acontece que o HBD já consome uma bandwidth considerável no servidor do Yuri, e como eu não queria abusar da hospitalidade, aprovei a eutanásia do fórum e deixei o assunto pra lá. Mas eis que resolvi me aventurar no mundo maravilhosos dos fóruns gratuitos e…

Taí.
Vou acabar distribuindo uns status de moderadores, de tão bonzinho que sou.
[ Update 1 ] Bebum, mm e Knux, faço questão de vossas ilustres presenças.
[ Update 2 ] Meninas, não se intimidem. O fórum mal começou, mas já estamos numa necessidade emergencial de um ar feminino por aquelas bandas. O cheiro de cueca tá intoxicando o ambiente.
Escrito por Kid on May 17, 2005
Antes de continuar a aventura do acidente em que minha namorada se meteu, sinto a necessidade de explicar um pequeno detalhe que já tinha sido trazido à minha atenção por leitores através do MSN:
Como a sogra te ligou se ela é praticamente surda, só consegue escutar gritos na orelha??
Carol | 05.17.05 - 8:09 am |
Como os mais atenciosos de vocês devem se lembrar, os pais da minha querida gringa são surdos. Mencionei o detalhe em duas ocasiões diferentes, uma delas sendo a mais emocionante novelinha de posts que já passou por este periódico - aquela noite em que quase fui pêgo nu em pelo na cama da sogra.
Acontece que, por motivos que envolvem concisão (ou isso, ou uma inerente de preguiça de explicar detalhes com mais minúcia), acabei me contradizendo. No post anterior, falei que a véia me ligou pra informar sobre o acidente em que a namorada tinha se metido. “Como ela poderia ter te ligado, se é surda?!?!?!? Rárá! Peguei o Quide na mentira!“, muitos de vocês pensaram, apalpando a barriga e cutucando espinhas na testa. Bem, explicarei melhor.
A bem da verdade, a sogra não é surda. Enquanto o pai da namorada não ouviria uma bomba explodindo na sala ao lado, a mãe é apenas parcialmente surda. O termo inglês, conforme aprendi há mais de um ano atrás quando o namoro começou, é “hard of hearing“. Ou seja, a pessoa ouve com dificuldade, apenas quando você fala encarando-a (o que facilita a leitura de lábios quando necessária), e recorrendo muitas vezes - como no caso dela - àqueles aparelhinhos que você acopla na orelha e que ficam cheios de cera de ouvido após o uso, possivelmente a coisa mais nojenta que já vi na vida. Infelizmente, já o vi mais vezes do que desejaria.
Divago.
A questão é que eu sempre generalizava e resumia o problema da véia como surdez para evitar uma explicação mais elaborada sobre o real problema que aflige a sogrinha. É bem mais fácil taxar ela assim que precisar explicar o que “hard of hearing” significa sempre que fosse se referir à mulher. Aliás, se alguém souber o termo em português, deixa aí nos comentários.
Então. No dia que a véia me ligou, como em outras ocasiões similares, não houve realmente uma conversa propriamente dita. Ela falou meu nome (para ter certeza que eu serei chamado caso não tenha sido eu quem atendeu o telefone), passou a mensagem, e desligou. Não expliquei esse detalhe, mas até o momento em que finalmente vi a patroa naquele dia, eu estava no mesmo suspense que vocês, por um motivo simples: por mais que eu gritasse ao telefone “OMG WHAT HAPPENED TO MY GIRLFRIEND HOLY SHIT TELL ME NOW BITCH GAAAAAH“, a velha respondia apenas “ok, tou indo pegar você, bye“.
Ok, e como isso explica aquela mirabolante fuga do quarto da véia há alguns meses? Se ela ouvisse qualquer coisinha sequer com o aparelhinho de surdez, você teria se fodido!
Ah, mas vocês fazem perguntas demais. Como já expliquei, aquele aparelho quase mágico que concede uma audição - parcial, notem - aos deficientes é um depósito de nojeiras de ouvido, então eles sempre o removem quando não há necessidade de uso. A propósito, aquele negócio é enfiado FUNDO na orelha, quase tocando os tímpanos. Não é de se surpreender que o troço extraia quilos de cera quando emerge do canal auricular.
Mas então. Como as filhas dela (sim, a patroa só tem irmãs) são fluentes em linguagem de sinais, é comum que ela remova o troço quando chega em casa, tanto por questões de higiene, como de economia de bateria. No caso daquela noite, ela imaginava estar sozinha em casa - e eu peladão a apenas uma parede de distância, haha -, então realmente não havia necessidade de deixar o negócio no ouvido. O que, no fim das contas, acabou me salvando.
Não cheguei a saber ao certo o que realmente se deu naquela noite, mas já a vi removendo a parada do ouvido quando chega em casa em outras ocasiões, e levando em consideração que minha fuga foi perfeita, vou arriscar o palpite de que isso foi o que realmente aconteceu.
E agora, com vossa licença, vou terminar a continuação do post, que esse negócio de escrever em blog dá dinheiro.
Escrito por Kid on May 17, 2005
Só pra deixar mais destacado pra galera
Aê, companheiros vagabundos que se alistaram no Netbux. O novo bot, providenciado gentilmente pelo vagabundo-mor Joe Montana, é esse. Ou seja, basta logar-se no site e clicar no link do bot do rapaz. As pesquisas são feitas automaticamente, como se fosse mágica.
E se você não se cadastrou ainda no esqueminha, vai lá rápido.
Disclaimer: Nem eu, Quide da Silva Souza, nem a HBD Corporations Ltda se comprometem à garantia de resultado do servicinho pró-vagabundagem. Ou o negócio é legítimo, ou não é; até que apareçam provas contrárias, ambas possibilidades são igualmente prováveis. Como não custa nada tentar, e ao usar o bot seu esforço é elevado a um número negativo…
E na sequência, um post inédito…
…Se eu conseguir lembrar a senha do Palm Pilot.
Escrito por Kid on May 15, 2005
Passeando por blogs por aí, percebi que há um certo alvoroço em torno do Netbux, um site que remunera internautas por fazer pesquisas usando o site deles. Curioso, resolvi dar uma procurada sobre o assunto. Os resultados são interessantes.
Como hoje é domingo e a preguiça bate muito forte com seus longos braços, vou copiar trechos sobre o assunto do site do lab, um velho amigo dos tempos de Soldat. Com a permissão do autor, obviamente, para que ninguém venha me chamar de plagiador.
Há pouco tempo, o site Netbux.org se propôs a dar dinheiro a cada um que fizesse buscas diretamente em seu site. Ele utiliza protocolos do Google, Yahoo, Msn, Aol, Altavista etc. Isso gerou correntes de pessoas querendo ganhar dinheiro de graça. Obviamente, o dinheiro ganho é só um embolsamento extra e não significa que você deixará de trabalhar porque está ganhando essa grana.
O sistema funciona da seguinte maneira: Você faz até 40 buscas diárias no site e desembolsa 0.02 dólares por busca. Isso significa um total de 0.80 dólares por dia. Em um mês, você ganha cerca de 24 dólares. Mas, não se engane! Apesar das limitações, isso não acaba por aí. Acontece que, indicando um amigo, você ganha 0.02 dólares extras por cada busca que ele fizer. Ou seja, em um mês, você ganhará, com a ajuda de seu amigo, cerca de 50 dólares.
Interessante, não?
Agora veja a mágica! Se você convidar 10 amigos, você ganhará um total de 264 dólares por mês! É aí que está a magia! Se em um mês, você conseguir juntar a quantia de 50 dólares, estes serão enviados ao seu endereço pelo sistema StormPay (uma alternativa ao Paypal). Caso não consiga, essa grana ficará acumulada para o próximo mês e assim ficará ate você conseguir seus 50 dólares.
Ok! Chega de papo! Quero começar a ganhar dinheiro.
É isso aí, vamos ao que interessa:
1. Entre no site http://netbux.org/?r=193474 e se cadastre nos sistemas da Netbux. Selecione pagamento via “check” e ponha seu endereço.
2. Confirme sua conta no e-mail e clique no link que virá para ele. Preencha seus dados, logue-se no sistema NetBux e você poderá começar suas 40 buscas diárias.
3. Não tem item 3. Cabô.
É muito importante, para o funcionamento de todo o sistema, que você faça as 40 buscas diárias e adquira seus 0.80 centavos diários. Você ajudará todos os seus amigos e, em poucos dias e dedicação, principalmente para espalhar essa corrente, você poderá ganhar muito dinheiro.
Pessoal, enfim, espero que isso possa ajudá-los se vocês estão precisando de ajuda financeira =) Talvez seja uma boa saída. Mas, não deixe de trabalhar e ganhar sua graninha ;) O sistema Netbux pode ser bom, mas não compensa tanto quanto um salário bem ganho.
Obrigado.
Obrigado você, lab.
Taí. Eu já me cadastrei lá. Vamos ver no que dá.
Vi que outros blogs também divulgaram isso. Fazendo uma pesquisa por aí, vi que há uma certa polêmica sobre a validade do sistema. Uns dizem que funciona de fato, outros apontam a possibilidade do negócio ser uma maracutaia, e nada mais.
Bom, não tenho nada a perder mesmo. Na pior das hipótesses, terei perdido três minutos da minha vida fazendo pesquisas que eu provavelmente precisaria fazer de qualquer jeito no Google.
Então tá aí.
Ah, e quase esqueci: o Lab também arranjou esse formidável arquivo html, que tem um script que faz as 40 pesquisas em frames diferentes de uma única página. Ou seja, abre o arquivinho html e deixe as pesquisas rodando no fundo enquanto você visitas páginas de putaria na internet. E pronto.
Mais mole que isso, só se você sentar no pudim que estou comendo.
Escrito por Kid on May 14, 2005
Segunda feira, 11 da noite, via MSN
– Porra, que sono, honey. Vou cair na cama.
– Eu também, e pior que nem posso. Tenho um trabalho pra terminar…
– Cê vai acabar se atrasando pra aula de novo, menina. E se isso acontecer…
– Eu sei, eu sei. Se eu me atrasar de novo, vou pegar uma semana de suspensão.
– Pois é. Vai se foder muito bonito.
– Nem vou. Em último caso, vou de patins pra aula. Chego lá na metade do tempo.
– Descer de patins uma ladeira de dois quilometros, que é por acaso a avenida mais movimentada da cidade?
– É…
– Tu vai é morrer, isso sim.
– Vou nada.
– Sério, não vai de patins não.
– Já fui outras vezes.
– Não vai não. Tou falando sério.
– Ok, não te preocupa. Não vou.
– Beleza.
Isso encerrou minha conversa com a gótica, e pôs em início mais uma emocionante partida online de Star Wars Battlefront (resenha em breve, não se desesperem) logo assim que desconectei do MSN. Após algumas horas de diversão, desliguei o PS2 e fui dormir, sonhando em seguida (pela quinta vez esse mês) sobre uma raça secreta de homens-sapo que sobrepujou os humanos e conquistou o planeta, e sua ligação com o tráfico internacional de rapaduras.
Terça feira, 7 da manhã, residência dos Nobres
Acordei suado, gritando e agitando meus braços desesperadamente para me livrar das garras de um dos soldados imperiais do Rei-sapo, apenas para perceber que foi tudo um sonho e que eu não sou o libertador da raça humana. Apalpei o cobertor e percebi satisfeito que dessa vez ao menos não me mijei todo. Esfreguei os olhos, dei uma coçadinha na bunda e passei o antebraço na boca, removendo os restos de baba ressecada, e pulei da cama pra me vestir (Por sugestão insistência da patroa, me tornei adepto do esporte de dormir pelado. É bacana, recomendo. Mas isso é irrelevante na história, então esqueçam que falei isso).
Então o telefone toca. No bina, o nome da namorada apareceu, piscando em letras verdes.
– Ahn… Izzy?
Era a sogra. Achei extremamente estranho o fato de que ela estava me ligando, mais estranho ainda que o sonho que eu tive na noite anterior.
– Eu mermo.
– Tou ligando pra saber se você quer vir com a Becca pro hospital.
– ?!
– Ela se meteu num acidente.
Praguejei mentalmente. Segundos depois, minha mente entrou em negação, e eu podia jurar que a sogra estava de zoação comigo.
– Porra, sério isso?
– Já tou passando aí no prédio pra te levar.
E a véia desligou, sem me dar mais informações sobre o acontecido. Por uns dois segundos adicionais, permaneci na idéia de que isso poderia ser nada além de uma brincadeira de mau gosto da sogra. I mean, porra, na noite anterior eu falei pra menina não fazer a parada, ela faz, e agora se estoura toda? Até onde sei, não tenho esses super poderes premonitórios - a menos que aquele negócio que eu comprei na internet já esteja fazendo efeito.
Meti a mão no armário, peguei a primeira camisa que encontrei lá, pulei pra dentro dos meus sapatos (nem me dei ao trabalho de usar meias, algo que me causou arrependimento horas mais tarde) e corri desabaladamente pra fora do apê. Esmurrei o botão do elevador. Os três segundos seguinte de espera pelo aparelho me deixaram impaciente, então comecei a apertar o botãozinho repetidamente, como se a vida da namorada dependesse da minha capacidade de pressionar o botão trinta vezes por segundo. A porcaria do elevador deu o ar da graça, pondo fim a uma espera que pareceu desgraçadamente longa.
Minutos após uma ansiosíssima espera no saguão, a van da sogra se fez visível na esquina. Os vidros são insulados, então não pude ver a namorada, embora na minha mente eu podia vê-la em um deplorável estado agonizante no banco de trás, jorrando sangue das feridas abertas, tentando colocar os ossos pra dentro do braço/perna de novo, enquanto segurava o próprio olho com a outra mão. Sacodi a cabeça quase imperceptivelmente, como que para afastar o pensamento nefasto. Ao me aproximar do carro, percebi que a hipotética condição física da namorada estava me deixando exponencialmente nervoso.
Sabe aquela sensação de querer logo acabar com alguma coisa, mas estar com um medo insuportável dessa tal coisa? Eu costumava ter essa sensação quando era criança e me notava a iminente queda de um dente de leite, ou quando precisava tomar uma injeção no rabo. Eu morria de medo de ter que arrancar dentes, ou de ter agulhas de cinco centímetros deflorando minhas nádegas, mas sabia que era inevitável.
Agarrei a porta lateral da van e puxei pro lado. Lá estava ela, meio encolhida no lado oposto do banco. A patroa, que estava olhando pela janela do outro lado, virou então o rosto pra minha direção. Senti um arrepio na espinha.
TO BE CONTINUED… admitam, vocês adoram esse suspense.
Escrito por Kid on May 12, 2005

Puta que pariu, FINALMENTE achei essa porra. Comprei o PS2 pensando nesse jogo, mas sempre que eu achava nas lojas estava sem dinheiro.
E já sei até o que vão falar. O jogo é uma merda, foi feito às pressas pra lucrar em cima da série, recebeu notas baixas nos sites de críticas, etc e tal. Foda-se, sou fã tarado do filme, tive que comprar. E foi só doze dólares mesmo.
Blog em recesso.
Mentira, post novo amanhã sobre o acidente da patroa ![]()
[ Special Udpate ] O jogo é do caralho. Vocês não sabem de nada.
Escrito por Kid on May 11, 2005
Não perca, na Webcam HBD:

Eu, terminando de preencher a porta do meu quarto com Posts-Its.
Acompanhe o INCRÍVEL e EMOCIONANTE e QUALQUER OUTRO ADJETIVO EM MAIÚSCULAS E ENFATICAMENTE EM NEGRITO desenrolar dos eventos nesse reality show que já virou sensação em lugar nenhum.
Ah, a imagem aí em cima é atualizada a cada 30 segundos.
Aproveite a oportunidade pra criticar alguma coisa no meu quarto e dizer que o seu é mais legal.
E não insistam, não farei strip. Vocês não andam clicando o bastante no banner do Google pra isso.
Cabô.
Escrito por Kid on May 9, 2005

Esta é provavelmente a resenha cinematográfica mais longa que já escrevi. Isso se deve ao fato de que o filme aqui revisionado é tão ruim, mas tão ruim, que se torna fenomenal. Logo, há muito para se escrever sobre ele.No último sábado, reuní-me com meus camaradas canadenses ruins em matemática para um “get together“, que são encontros semanais que temos por aqui. Por definição, get togethers consistem numa reunião de pessoas não em número suficiente para ser considerada uma festa, mas o bastante para constar como um evento social, como uma convenção de Star Trek ou uma suruba. Acrescentando à agenda da noite (que já incluía uma sessão de Vampiro, um mini-campeonato de Halo 2 e a certeza de que eu seria humilhado neste último - sim, somos todos nerds felizes), Adam trouxe à sala o DVD de Wishmaster, creio eu lançado no Brasil como “Mestre dos Desejos” ou algo similarmente óbvio. Após eu ter levado uma formidável sova em Halo, por motivos que envolvem o fato de que a porra daquele controle me odeia, nosso anfitrão desligou o videogame (um tanto quanto para meu alívio) e meteu o filme no aparelho de DVD. Como meu sonho de salvar a Terra a base de tiros já havia sido destruído pela minha falta de habilidade em FPSs de console, restava a esperança de que assistiríamos a um bom filme.
Wishmaster começa preenchendo a tela com o pomposo anúncio de que foi escrito por ninguém menos que Wes Craven, cineasta responsável pela bem sucedida série de horror Pânico e por quatrocentos outros filmes não tão bem sucedidos. Chamar aquelas porcarias (que Craven deve ter filmado em 3 horas só pra pagar um aluguel atrasado) de “não bem sucedidas” é como dizer que o bombardeio de Hiroshima foi uma falta de educação da parte dos americanos. As outras películas são simplesmente vergonhosas, e me surpreende o fato de que Craven não mudou de nome ou faz uma cirurgia plástica para se desassociar à criação daquelas monstruosidades. Eu teria. Mas eu sou feio, então eu provavelmente faria uma plástica a despeito disso.
Mas então, Wishmaster.

O filme começa ambientado no ano 238492742492 antes de Cristo, aparentemente na Pérsia ou em algum outro país do Oriente Médio que não existe mais. A câmera viaja até dentro de um palácio. Se você achava que os três segundos que a panorâmica demorou pra chegar ao palácio foram tediosos demais e não mostraram ninguém morrendo dramaticamente e que portanto este filme não é do Craven, se prepare pra surpresa! Coincidentemente enquanto alguém passeava com uma câmera dentro do palácio, uma desgraça de proporções estratosférica está acontecendo - e que nos dá a chance de verificar que os 17 dólares usados na produção desse filme foram bem empregados em maquiagem e má atuação. Sem nenhum aviso do que diabos está acontecendo, pessoas correm pra todos os lados do palácio, sangrando pela boca, nariz e outros variados orifícios, com os rostos ou corpos deformados. Há nas proximidades um homem cuja metade do corpo foi transformada numa cobra. Segundos mais tarde, numa das cenas com o uso mais óbvio de bonecos de borracha na história do cinema, um bicho demoníaco explode da barriga de um infeliz (cof cof ALIENS cof cof) e MORDE O BRAÇO DE UM CARA QUE PASSAVA POR PERTO ENQUANTO AINDA PENDURADO DA BARRIGA DO DEFUNTO.Em meio a este show de horrores, percebemos que a câmera é o ponto de vista de um carinha que corre desesperado em direção ao centro do palácio, tentando desviar das mutações da natureza em sua volta. A estupefação é visível na cara do corredor, que aparentemente não apreciou ver monstros pulando de barrigas.

Antes que eu continue a resenha, devo deixar claro: a cena mais memorável de todo o filme é a sequência em que um carinha cai, agonizando, e em seguida seu esqueleto rasga sua pele e pula pra fora, como que dizendo “querida, cheguei!”, e logo depois corre pra estrangular um outro infeliz que teve a infeliz infelicidade de estar infelizmente passando por perto no momento pouco feliz.
O cara que corria e desviava das aberrações, que até aí entendemos ser uma espécie de conselheiro do rei do palácio das maravilhas, chega à sala do trono. E, surpresa, lá está o Wishmaster, o satânico demônio que emprestou seu nome a esta porcaria de filme. Ao contrário de gênios bonzinhos como Einstein e aquele do Alladin, este aqui tem como trabalho integral e vitalício foder os pedidos que seus mestres fazem. O conselheiro pede ao seu rei que pare de fazer pedidos, uma vez que o gênio satânico irá apenas pensar numa maneira de perverte-los. Nesse instante, compreendemos que o baile dos infernos de segundos atrás foi causado por um desejo esculhambado pelo gênio.
No melhor momento “Programa do Ratinho” do filme, o gênio e o conselheiro travam uma espécie de debate, enquanto o rei assiste a comoção com um olhar de peixe morto.

Mas o conselheiro aparentemente não tem paciência pra discutir com seres das trevas, e assim tira do bolso sua fantástica pedrinha PRENDE-GÊNIOS-2000. Ele aponta-a em direção do ser maligno e assim ele e toda sua malignidade são presos dentro da pedra. Neste exato momento você pensa “eu aposto minhas cuecas que algum imbecil pegará essa pedra e soltará o gênio“.
E é o que acontece. Cinquenta bilhões de anos depois, há um barco trazendo pros EUA um carregamento de artefatos antigos do Oriente Médio (veja que feliz coincidência). A câmera dá um zoom numa caixa, apenas pra que você saiba que a tal pedra PRENDE-GÊNIOS-2000 está, de alguma forma e sem sombra de dúvidas, lá dentro. Um guindaste apanha a caixa do navio e a trás pro chão do porto.
Acontece que o operador do guindaste, veja só que palerma, se atrapalha nos controles e derrama seu café neles. Mas o problema é que este não é um café Nestlé qualquer, é um super CAFÉ-QUEIMA-TUDO-3001. Como resultado, o painel de controle emite fumaça e explode, fazendo o guindaste soltar a caixa. E bem em cima de um pobre coitado que caminhava tranquilamente lá embaixo, que se explodiu como uma melancia. Provavelmente era mesmo uma melancia, já que eles gastaram todos os 17 dólares do orçamento nas cenas iniciais, e fruta são mais baratas que estúdios de efeitos especiais.
Mas então. A caixa cai, mata uma melancia e a estátua que estava dentro se quebra, revelando a PRENDE-GÊNIOS-2000 encrustada em um dos fragmentos. O operador do guindaste viu o negócio, pegou-a e levou pra uma lojinha qualquer, pra faturar uma grana. Uma coisa leva a outra e eis que aparece a protagonista do filme, a doutora Alguma Coisa, a funcionária da lojinha que é especialista em detectar se pedras capturadoras de gênios são reais ou forjadas. E, sem querer querendo, acaba liberando o gênio!
Craven, inseguro dos próprios talentos como escrevedor de coisas assustadoras, achou melhor pôr algum tipo de garantia no seu filme. Eis que, sem mais nem essa nem outra, Freddy Krueger é trazido para a trama, como uma forma do diretor lembrar-nos de que isto ainda é um filme de terror, a despeito dos hilários bonecos de borracha e dos copos de café que destróem guindastes. Infelizmente, o fato de que o ator que interpreta Freddy não é um assassino sobrenatural e sim algum tipo de empresário engomadinho apenas aumenta o já constrangedor humor não-intencional do filme. Se você achar qualquer coisa nesse filme remotamente assustadora, você também deve achar borboletas e flores assustadoras.

Então, voltamos ao super laboratório onde estão testando a pedrinha vermelha. O gênio invariavelmente escapa, não sem causar uma explosão semi-inesperada. O técnico que estava no local é jogado pelo ar como uma meia velha, e se arrebenta todo na descida. O gênio, que por algum motivo que desconheço, ignoro e simplesmente não me importo, é uma miniatura de si mesmo, um mini-gênio. O ser demoníaco das profundezas satânicas, por sua vez, pergunta ao técnico que agoniza se ele “deseja” que a dor pare. O coitado, previsivelmente, diz que sim. Oh, mas que burrinho! O gênio se aproveita do vacilo e mata o infeliz, embora pondo um fim a dor, não foi exatamente o que o cara queria.
Caso você não tenha nenhum problema neurológico que exija atenções especiais, neste momento você perceberá que toda essa enrolação anterior foi apenas para fazer o espectador pensar que isto tudo é um filme, quando na verdade é apenas um projeto paralelo de Craven, intitulado “formas violentas de matar pessoas que eu ainda não usei nos meus outros filmes“. A premissa do filme é simplesmente essa: pessoas fazendo desejos que o gênio dará um jeito de avacalhar. Daí em diante, a história se transforma num sensacional banho de sangue cinematográfico.
O gênio, não satisfeito em assassinar cruelmente um pobre técnico que foi burro o suficiente para aceitar um emprego onde as coisas explodem com tanta facilidade, sai à rua em busca de mais pessoas burras. A próxima cena mostra um mendigo tentando entrar numa farmácia e sendo logo em seguida impedido pelo dono dela, que o dispensa rudemente. O mendigo fica muito putinho, solta alguns palavrões aleatórios e continua andando. O gênio o aborda, e pergunta se ele gostaria de fazer alguma malvadeza com o farmacista mau-educado. O bebum (não confundir com Bebum, comentador chato oficial do HBD) diz que queria que o dono da farmácia desenvolvesse algum câncer e morresse. O gênio assegura-o que o desejo será cumprido, ao mísero custo de 1 (uma) alma. Dele, claro.
A imagem volta para a farmácia. Dentro de poucos segundos, o desafeto do mendigo bêbado começa a ter espasmos violentos, como se alguém tivesse enfiado uma enguia elétrica em seu esfíncter. Como resultado do câncer mais estranho que já vi na vida, asquerosas e pustulentas brotoejas explodem na cara do infeliz. E ele, como você pode ter adivinhado, morre. :(

Por algum motivo, o gênio volta ao laboratório altamente inflamável. Ele decide a arrancar o rosto do técnico que ele matou previamente. Eis que de repente aparece um mané no local, que então demonstra sua incrível habilidade de se cagar de medo ao ver o gênio. Este, sadicamente, pergunta se o mané desejaria não ver mais aquela monstruosidade. Ignorando meus gritos desesperados de “Não, não deseje nada, porraaaaaa…“, o mané diz “sim”. E o gênio, mostrando falta de criatividade, arranca os olhos do coitado. Sacou? Ele não queria ver mais, então teve os olhos arrancados! Eu estava esperando algo mais elaborado, então me decepcionei com essa cena. Ah, e o recém-cego morre também. :(
O gênio volta à atividade de confeccionar uma máscara com o rosto do primeiro defunto. Por motivos que, novamente, ignoro e/ou não me importo, o gênio aparece numa loja de roupas (já com a cara do carinha que ele matou antes), e está procurando por alguém. Ele é atendido por uma funcionária da loja. O gênio elogia a beleza desta, e então faz a pergunta que antecipávamos:
– Aê princesa, você deseja ser bonita para sempre?
A mulé, indubitavelmente achando aquele papo muito estranho, diz que sim - ou seja, ela se fodeu. Passei dois segundos pensando “mas porra, como o gênio achará uma forma de foder este desejo?”. Não me entenda mal, respeito profundamente a capacidade satânica do bicho de esculhambar até mesmo os desejos mais inocentes, mas eu não conseguia imaginar sangue saindo daquele desejo. Então o suspense acaba: o gênio a transforma num manequim! Sem mais nem essa, o manequim revira os olhos, algo que meus anos assistindo Plantão Médico indicaram prontamente como um sinal clínico de que a mulher se fodeu.
A esta altura do campeonato, eu tenho certeza que havia alguma trama boboca envolvendo aquela doutora Alguma Coisa capturar o gênio novamente, ou talvez ETs e algo assim. Isso era extremamente irrelevante a este ponto. Um filme com pessoas explodindo como melancias, esqueletos saindo de corpos e esgoelando pessoas e FREDDY KRUEGER não necessita de uma trama para ser um sucesso trash. Assim, economizarei linhas nesse post, que já tá grande pra caralho, e omitirei detalhes sobre a tal trama.
Sim, prosseguindo com o banho de sangue, o gênio vai então pra uma delegacia. Após um animado bate papo com um sargento/capitão/alguma coisa no DP, o gênio pergunta se há algo que seu interlocutor deseja. O policial aponta para um meliante que está sentado atrás deles, esperando ser levado pro xadrez. O policial então fala que sabe que o cara é um assassino, mas não pode provar e que portanto, o cara provavelmente não seria preso. Em seguida, ele diz que gostaria de poder provar que o cara é, de fato, um criminoso.

É a deixa. Impulsionado pelos poderes malignos do gênio, o carinha dá um pulo pra frente, agarra a arma de um dos policiais que está custodiando e a delegacia se transforma num stand de tiro. Após muitas pessoas pegarem tiros com a cabeça (incluindo, previsivelmente, o policial que fez o desejo), o assassino vira a arma pra própria cabeça e vai se encontrar com Lúcifer.
Mais tarde, um cara (se não me engano, o chefe da doutora Alguma Coisa) pede ao gênio um milhão de dólares. O gênio apenas sorri. Eu estava esperando que um saco com um milhão de dólares em moedas de um centavo cairia sobre o carinha e esmagaria sua cabeça, mas ao invés disso, vemos apenas o sorriso malicioso do terrível gênio. A cena corta para o saguão de um aeroporto, onde uma idosa assina uma apólice de seguro no valor de, adivinhe, UM MILHÃO DE DÓLARES, e coloca como beneficiado seu filho. Adivinhem só quem é o filho da véia.
A cena corta e mostra um avião decolando. Sem o menor aviso prévio, o avião explode em pleno ar, segundos após ter saído do chão.
Há mais algumas mortes sensacionais, mas porra, esse texto tá grande demais. Conforme falei no comecinho do texto, esse filme é tão ruim, e tão horrendamente mal feito, que assisti-lo se torna de alguma forma uma atividade consideravelmente divertida.
Recomendo com força.
Escrito por Kid on May 7, 2005
Super clássicos dos velhos tempos (pra ganhar tempo enquanto o Quide escreve um post novo)
Meu pai deu um pulinho rápido aí no Brasil pra se casar - sim, minha família é modernética, não existe isso de ficar divorciado por mais de um mês -, de modos que estou completamente sozinho no apartamento. Certas coisas como responsabilidade com o lar, algo que nunca soube do que se tratava, começam a se fazer necessárias.

Essa pilha de pratos está na pia há pelo menos quatro dias. Meu pai me mandou lava-la pelo menos dois dias ANTES de ter viajado. Há essa altura, a colônia de bactérias já deve ter dominado cada milímetro da louça, e é provável que já tenha até sua própria estrutura social. Seus conteúdos eram originalmente arroz, feijão, milho e restos de batata frita. Agora é apenas uma mistura homogênea dos quatro elementos, mais água e detergente - estes últimos entraram na mistura quando tomei coragem e decidi limpar a putaria, mas percebi que a sujeira era mais forte do que eu e abandonei as louças à própria mercê na cozinha.
E falando em cozinha, a minha alimentação é outro fator preocupante. Na verdade sempre foi, mas antes ao menos havia a presença adulta para ficar me relembrando dos meus nocivos hábitos alimentares, numa tentativa frustrada de me convencer a abrir mão da dieta McDonalds e comer algo mais saudável - mãe, se você estiver lendo isso, desista.
Meus pais viviam me dizendo que eu ia acabar com minha saúde de tanto comer porcaria. Agora, sem ter quem me ponha juízo, é que me fodo mesmo.
Meu pai conhece o filho que tem. Ele bem sabe que eu JAMAIS seria capaz de produzir suco bebível, nem que minha vida dependesse disso (o que é o caso). Concentração de polpa e açucar em água são mistérios para mim. Então, ele comprou de antemão quatro caixas de refrigerante, cada qual portando dezesseis latinhas. Meu progenitor imaginou que, se eu fosse me alimentar três vezes ao dia, sessenta e quatro latinhas seriam mais do que suficiente para duas semanas. Pois bem, eis o saldo dos três primeiros dias.

A namorada confiscou as caixas restantes e se comprometeu e fazer um suquinho natural pra mim, antes que eu destrua meu estômago com a bebida enlatada.
Mas já avisei que se beber meu refrigerante vai apanhar.
Meu pai deixou um panelão de arroz na geladeira, e comprou umas seis ou sete latas de feijão preto. Acontece que a proporção de arroz/feijão é desequilibrada, e em breve o primeiro se extinguirá. Acho que em menos de dois dias, até. Vou ter que sobreviver comendo apenas feijão, pasta de dente e orégano.
Há roupas por todo canto do apartamento. É aquele velho hábito de chegar em casa, não esperar sequer chegar no quarto e ir tirando a roupa, jogando as peças em todo lugar - especialmente quando a patroa resolve dar um pulinho aqui. Não aguentando mais andar pela casa pisando nas minhas próprias camisas, resolvi ter alguma consciência. Juntei e cataloguei minhas roupas em um sistema muito engenhoso:

Roupas levemente sujas no topo, roupas mais ou menos sujas no meio, e roupas pingando suor e fedendo a enxofre no fundo - onde a nhaca fica enterrada e não atinge os níveis superiores - e as cuecas, jogadas pela janela.

Meu sofá, que antes era um confortável móvel, virou um acumulador de tralhas. As roupas que não couberam na classificação da cesta caem aí, e só Deus sabe quando voltarão pro armário. Perceba que as latinhas, onipresentes, também podem ser encontradas em cima do sofá. A flâmula nacional, que outrora pendia majestosamente na frente da minha janela anunciando aos vizinhos com quem é que eles estão lidando, caiu e foi soterrada por roupas sujas; o que por sinal me lembra que preciso comprar mais durex.
A bagunça tá tão grande que a única forma que vejo pra pra me livrar dela é vendendo sofá.
Melhor ainda, vou vender logo o apartamento.
Aí compro outro celular.
Escrito por Kid on May 6, 2005
Eu e uns caras de um fórum aí começamos um projetinho.
A população feminina não ficará muito emocionada, mas imagino que o macharal vai adorar.
Ah, sim: atualizaremos todo dia.
Escrito por Kid on May 5, 2005
Independente do hemisfério onde você mora, certas coisas nunca mudam, mais ou menos como as meias que estou usando - que coloquei nos pés no dia que embarquei pro Canadá. Uma dessas coisas é o fato de que pessoas loucas têm uma misteriosa aversão por carros/motos/bicicletas/skates/triciclos/qualquer tipo de veículo particular, e só se deslocam de um lugar pro outro usando ônibus.
Mais especificamente, os ônibus que eu pego.
Estava eu sentado na parada de ônibus do lado da escola, quando notei a aproximação de duas velhacas. Pessoas cujas idades batem na casa dos três dígitos não costumam chamar minha atenção - com exceção notável de um idoso que foi atropelado perto da minha casa, embora o crédito não pertença a ele e sim aos seus intestinos espalhados pela calçada -, mas essas veiotas que se aproximavam não podiam ser ignoradas - a opção não estava sob meu controle. Isso se deve em parte ao fato de que uma das anciãs, que a partir de agora será nomeada “Vovó #1″, conversava com a outra em um volume vocal que dava a impressão de que ela estava tentando se fazer ouvir por alguém em outro continente.
Bem que eu queria que eu estivesse inventando isso; não é o caso. Já ouvi turbinas menos barulhentas que a Vovó #1. Ela ainda estava a uns 20 metros de distância, mas a sensação era de que ela estava bem do lado da minha orelha, berrando algo sobre um novo modelo de fraldas geriátricas ou alguma coisa assim. Senti pena quando conclui que ela sofre de um mal incontrolável que faz o doente acreditar que o mundo à sua volta se interessa em ouvir o que ela tem pra falar (ou berrar desesperadamente como era o caso). A moléstia, conhecida como blogueirite aguda linfática, não tem cura e também deixa suas meias fedendo como um ovo podre chacoalhado trinta vezes e em seguida enterrado em esterco de porco.
O segundo detalhe foi dolorosamente registrado pela minha retina quando olhei pra trás, tentando identificar a fonte da gritaria e quem sabe silenciá-la com uma pedra precisamente colocada entre os dentes em alta velocidade. Ao estabelecer contato visual com a Vovó #1, deduzi automaticamente que ela não pagava sua conta de luz a pelo menos 18 meses. Apenas a combinação da falta de energia com a súbita vontade de se vestir à meia noite explicaria racionalmente a roupa que a véia usava. Talvez isso, ou a múmia caminhante fosse cega, o que explicaria tanto a sua falta de estilo, quanto o fato de que ela estava aparentemente tentando se vingar do destino cegando o resto do mundo vestindo uma excêntrica combinação de cores.

Não tou aloprando.
Já vi paraquedas menos coloridos que a roupa que a velhaca usava. Lá estava eu, sentado na parada de ônibus, enquanto as Vovós #1 e #2 se aproximavam, a primeira cegando e ensurdecendo o mundo à sua volta.
Parei de desenhar casinhas no palm pilot (um dos meus novos passatempos) e coloquei os fones de ouvido. Infelizmente, descobri que meu mp3 player não tem potência suficiente para abafar uma véia coroca se comunicando no idioma das turbinas. Vou mandar um e-mail pro fabricante, sugerindo que as próximas versões emitam sons que ultrapassem os 347292 decibéis que alguma velha esteja produzindo próximo ao usuário do aparelho.
Mas as múmias canadenses ainda são um pouquinho melhores que seus equivalentes brasileiros: aqueles vagabundos que abordam os coletivos e incentivam você a sustentá-los, enfatizando suas louváveis qualidades que envolvem por exemplo o fato de que ele está te fazendo um favor em não roubar/matar/estuprar. E que, por causa disso, você deveria dar um real (talvez dois?) a ele. Claro! Afinal, se ele vai estuprar alguém, poderia muito bem ser a sua mãe, não? A segurança da sua mãe sem dúvida vale um real. Até dois.
Puta que pariu. E ainda tem gente que fica chateada quando eu uso o termo “País da Putaria”.
E da próxima vez, volto pra casa correndo.
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As cinco maiores construções fictícias imaginárias da cultura popular. Com um bônus não-imaginário
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