Escrito por Kid on Jul 30, 2005
Incrível. Sempre que tou motivadaço a postar, algo aparece.

Tou de malas prontas pra isso aí. Nunca fui pra uma turnê com trocentas bandas, deve ser legal pra caralho. Queria levar a câmera digital, mas tá no quarto do meu pai e o velho já tá dormindo. Se eu fosse passar a noite em casa, dava um jeito de surrupiar a do véio amanhã de manhã, mas acontece que tou ido passar a noite com a patroa – o que é uma raridade, pois normalmente ela que dorme aqui.
Vou levar uma câmera “alternativa” que tenho por aqui, que chupa pilha como se fosse limonada e que exibe uma qualidade execrável, mas vocês nem vão ligar mesmo.
E não é apenas isso! Acreditem se quiser, eu arrumei um trabalho. Tá, claro, trabalhim idiota de verão – estilo cortar grama e entregar pizza, igual nos filmes. Mas é algum dinheirinho, e só mesmo assim pra finalmente desligar esse computador um pouco e experimentar essa tal de vida offline que eu ouço tanto falar em discussões – quando um debatedor quer provar que é melhor que o outro, cita logo a tal “vida offline”.
Porque claro, gente que tem “vida offline” tem muuuuito tempo e disposição pra ficar batendo boca por horas na internet. Eu trabalhei um dia só e tou acabadaço, imagina esse pessoal que (supostamente) trabalha, estuda, namora, vai pra yoga e ainda passa no buteco do Craudiomir pra tomar aquele chopp com os amigos sumidos do terceiro ano. De onde esses quase-socialites arrumam tempo para participar de páginas e páginas de discussão no orkut? Do cu? Só pode.
Acho mesmo é que perdi minha veia brigona. Meu lado nerd está morrendo, socorro. Daqui a pouco desisto do palm e compro um, ahn… erh… Compro um daqueles, como é o nome…
Porra. Quando penso em gastar dinheiro, tudo que vem a cabeça é “Mage Knight”, “placa de vídeo”, “palm”, “teclado wireless pro palm”, “Magic the Gathering”, “câmera digital nova”, “Vampire The Requiem”… Com o que não-nerds gastam dinheiro? Nem sei. Vai ver meu lado nerd não está tão moribundo quanto eu pensei. Há esperanças.
E quando cheguei do trampo o cheque do Google (do mês passado) tava já aqui na minha mesa. Uma miséria, mas nem foi culpa de vocês. Estive pegando banners ridículos, de tipo 1/500 de cent por clique, deu nisso. Como vocês não tem culpa, reclamarei menos e e postarei mais.
Foda-se. Contanto que vocês estejam gostando disso aqui, ainda tá valendo. Pior é gente que nem ganha nada pra escrever, como recém-formandos de Jornalismo.
Ah, e não podemos esquecer que esse lance de trabalho vai resultar em muitos causos (contados em posts imensos com 4 continuações do jeitinho que vocês gostam). O trampo é duro e paga mal, igualzinho o de vocês. Veja como sou um cidadão patriota, simulo as condições de trabalho do Brasil mesmo morando fora.
Quando voltar, explico direito qual é a parada.
Mas já garanto uma coisa: vocês vão rir.
Escrito por Kid on Jul 28, 2005
Ninguém sabe (não contei pra não se acostumarem mal), mas logo após que a crise de enxaqueca passou, pulei aqui pra mesa do PC pra redigir um post pra vocês. Os leitores vêm sendo bastante generosos com os cliques, então achei que seria uma filha da putice de minha parte não aparecer com um texto aqui procês.
O texto aí debaixo era na realidade bastante antigo, que eu escrevi há tempos mas que não julguei digno de ocupar espaço na página principal do blog. Como vi que não ia poder “pegar no pesado” por um tempo – fui aconselhado pelo médico a parar de açoitar meus olhos com horas na frente do PC -, resolvi jogar esse textinho pequeno só pra tapar buraco mesmo.
Mas aí olhei, pensei, pensei, e resolvi que vocês mereciam mais.
Relevem, afinal o post abaixo foi escrito espremendo os olhos (meio que pra controlar a passagem de iluminação aos olhos), com uma compressa em volta da cabeça e à base de Tylenol e Advil.
Há poucas coisas para as quais a internet é realmente útil, e quase todas envolvem pegar coisas gratuitamente quando você na verdade precisaria pagar, ver mulheres nuas, e ver mulheres nuas gratuitamente quando você na verdade precisaria pagar. Há, porém, algo que dita a diferença entre as utilidades citadas acima: as discussões na internet.
Ahhh, as discussões na internet! O prazer de responder um inimigo fazendo gracinha com o nome dele, a diversão de postar uma crítica anonima no site/blog/scrapbook de alguém… a internet provém uma dose de liberdade que seus usuários jamais poderiam obter, e permite a eles demonstrar uma agressividade que seu franzino corpo de 50 quilos não poderia de forma alguma endossar. A menos, é claro, que você goste da sensação de ter punhos encrustados no seu rosto, entortando seus óculos e nariz.
A julgar pela quantidade de pessoas que entra na internet com o propósito único de bater boca (ou seja, todas aquelas que respiram e têm dedos), seria natural que pelo menos uma fração destes soubesse discutir propriamente. À primeira vista, é o que você poderia imaginar – “tanta gente fazendo a mesma coisa por tanto tempo, deve haver alguns aí fazendo da forma certa!”. É aí que a Realidade enfia sua bota entre suas nádegas: ninguém sabe discutir na internet. Ninguém.
O motivo é simples: se mero comentário de um desconhecido (ou seja, cuja opinião é tão importante na vida quando o processo reprodutivo dos salmões asiáticos) é suficiente para tirar-lhe do sério, você já perdeu. Qualquer pessoa séria – o que obviamente não é o meu caso – riria ao ver alguém que ela sequer conhece a criticando.
Acho que isso se deve ao fato de que não há nada mais fácil que irritar alguém através da internet. Vejam um exemplo recente que acontece aqui mesmo:

O mistério que resta é descobrir que post o cidadão leu, porque o meu com certeza não foi. No texto que eu escrevi sobre Harry Potter, em momento algum falei mal da série – taqui o link pra provar. Não posso criticar algo que não conheço direito, logo, não o fiz. Apenas insinuei que não gosto do livro e não estou interessado em conhecer melhor.
Mas não existem mais opiniões seguras. Falar que eu não gosto significa falar mal, e como ninguém pode falar mal de algo que o Rodrigo gosta, lá foi ele postar um comentário revoltadinho. O mais irônico de tudo é que, na opinião dele, as pessoas “devem saber do que falam antes de disparar críticas”. Genial! Pena que ele não aplica o conselho a si mesmo. Quinze segundinhos dedicados à leitura do parágrafo salvariam-no do vexame.
A única forma de sair por cima numa discussão virtual é deixar os críticos baterem boca sozinho, até eles perceberem que você não liga pro que eles dizem – ou, PIOR AINDA, que a voz deles sequer chegou até você. Isso os faz pensar que são tão insignificantes que você sequer sabe que eles estão descendo o pau em você.
Todas as pessoas – não me excluo – uma hora ou outra perdem a linha e passam então a digitar trinta palavrões por minuto, como se achassem que as letrinhas que elas estão mandando pra alguém do outro lado da linha têm o poder de realmente deixar aquela pessoa chateada. Como não dá pra enfiar a mão pelo monitor e extrair alguns dentes do fulaninho à base de sopapos, só sobra agredir verbalmente.
Mas isso é muito lugar comum. Qualquer pessoa pode chegar e mandar palavrões pro seu interlocutor, isso é amador demais.
Malandragem boa mesmo é o uso de argumentos-chavões, aqueles coringas das discussões que são puxados da manga sempre que o debatedor é esperto o bastante pra notar que não tem mais o que falar, mas burro o bastante pra continuar falando.
E estas são:
“…não tenho certeza, mas…”
O trecho acima vem sempre acompanhado de um fato fictício que o debatedor anexará, com muita má fé, no meio do seu argumento. É infalível: ou as pessoas aceitarão a baboseira e não se darão ao trabalho de checar a veracidade, ou pegarão o mentiroso no pulo, mas apenas pra receber a respostinha cara de pau “por isso que eu disse que não tinha certeza!“. Admitindo desde o começo que não tinha certeza (quando na verdade ele estava claramente inventando um dado), o cara se torna imune às invetigações. Ao notar essa sacada no meio de uma discussão, cuidado: você está lidando com um enrolão profissional.
“…não foi com essas palavras, mas ele quis dizer que…”
O sujeito primeiro fala isso, e depois cita algo que um Fulano teria supostamente dito. Neste caso, pode ter certeza que o tal Fulano quis dizer qualquer coisa, exceto o que foi atribuído a ele. Caso o tal Fulano apareça subitamente no meio da discussão para confrontar o indivíduo negando a citação, um enrolão com anos de experiência não perderá o ritmo: ele baterá o pé, reafirmará a alegação e ainda arrematará com um “não seja cínico, você falou sim“. Pronto, mais um engodo bem sucedido. Nem mesmo screenshots convencerão a platéia do contrário, afinal, vivemos na era Photoshop e as bundas da Playboy não enganam mais ninguém. A credibilidade de Fulano estará permanentemente destruída.
A determinação de alguns espertinhos é tamanha que, por um momento, Fulano achará até que realmente falou o que nunca falou.
“…não foi isso que eu quis dizer…”
Dizem que o sangue de Jesus tem poder. Como nunca adquiri uma amostra para verificar cientificamente, posso afirmar categoricamente sobre alguma outra coisa que tem muito poder: um enrolão negando algo que ele mesmo tenha falado. “Não foi isso que eu quis dizer“, “Não foi bem isso que eu disse” ou a mais letal variação “Não foi exatamente isso que eu falei” mata dois coelhos com uma cajadada só: o sujeito se esquiva da responsabilidade de admitir um vacilo que tenha cometido, e ainda acusa o seu oponente de ser uma mula manca que não consegue compreender a mais simples das frases. Assim como aqueles golpes de judô que meu vizinho sempre tentou me ensinar mas eu nunca entendi, essa frase protege e ao mesmo tempo contra-ataca. Ao ler esse tipo de coisa, não perca seu tempo debatendo. Desligue seu computador e vá dormir.
“…porra, mas você não sabe ler também…”
Essa é uma resposta tão utilizada que, caso seu inventor tivesse registrado a patente, estaria agora milionário. Tome cuidado, no entanto: muitas vezes este argumento é usado de forma válida, pois são comuns os casos em que alguém lê duas ou três palavras de um texto e então manda uma crítica que em nada representa o que foi falado no tal texto. Um perfeito exemplo é o screenshot alguns parágrafos acima.
Não é o caso quando se trata de gente safada. Você pode copiar EXATAMENTE o que o indivíduo falou, e mostrar que entendeu muito bem o que ele quis dizer – porra, talvez nem haja outra interpretação, mas ele ainda dirá que você está lendo de forma errada.
E qual a forma certa, você deve estar se perguntando?
Qualquer uma que não comprometa a posição do indivíduo na discussão, claro.
Quer saber? Cansei de disso. É perda de tempo debater com gente que acha que “ganha” uma discussão online quem fala mais bobagens por minuto.
A partir de agora, terei apenas duas respostas padrões para esse tipo de indivíduo:
Essa…

…e essa.

Ambas são polivalentes e se encaixam em um grande âmbito de situações. Usem a gosto.
Caso vocês estejam interessados em saber – e eu não consigo imaginar por que não estariam – as fotografias são de Netinho Flamenguista, maranhense e dublê oficial de Satanás. As fotos foram usadas sem autorização alguma, então bem que o moleque podia me processar logo ou algo assim.
Escrito por Kid on Jul 27, 2005
Sabe quando você quer algo desesperadamente? Mais que comida, mais que sexo, mais que matar o vizinho, mais que Star Wars Battlefront II?

Size/Weight
• Height: 4.6 in. / 11.68 cm.
• Width: 2.95 in. / 7.49 cm.
• Thickness: .67 in. / 1.70 cm.
• Weight: 4.8 oz. / 136 grams
Integrated Camera
• Maximum Resolution: Photo: 1280×960; 2X digital zoom1; Video: 320×2401
• Automatic white balance control
• Capture pictures using special effects such as Sepia, Black and White or Blue.
Built-in Bluetooth® Technology
• Communicate wirelessly and share files, photos and more with nearby Bluetooth-enabled devices.
Processor
• 312 MHz Intel® PXA270 processor
E mais um monte de besteiras
• Que não faz diferença colar aqui porque você não entende essas coisas tecnológicas e tal.
Câmera fotográfica! Toca e grava vídeos!! Reproduz mp3!!! Conecta via bluetooth – e wi-fi, se comprar o cartão -!!!!
Imagina aí eu sentado lá na calçada, conectado ao router wireless aqui do apartamento, ouvindo Ademir e tirando foto de algum canadense aleatório pra ilustrar um post qualquer.
…
Só de pensar já dá vontade de chorar. Caralho, eu não nasci pra acessar internet num computador desktop.
O briquedo custa apenas 250 doletinhas. Já tenho 90% desse valor. Lembre-se que cada centavo gasto com o novo palm será agradecidamente investido aqui no blog mesmo – tendo um negócio desses, atualizarei o blog até no banheiro. E se sair uma merda ninguém vai poder reclamar.

(Trocadilho ridículo, mas não teve como evitar mesmo.)
Vamos lá, preciso de vocês.
[ Update ]

Porra, galera esperta essa do ML, ein.
Escrito por Kid on Jul 27, 2005
Breves esclarecimentos
Perdoem a falta de atualização. Sofri a pior enxaqueca da vida ontem, não tinha a menor condição de postar. Aliás, nem deveria estar na frente do PC hoje. Minha visão ainda está meio fodida. Devo ter vomitado meu próprio peso corporal umas três vezes. Em no máximo dois dias minha visão estará 100% novamente, e darei um novo post a vocês.
O redirecionamento cjb.net é apenas um teste provisório. Aparentemente isso está causando um bug no Mozilla, e os usuários do navegador estão vendo duas barras brancas em cima do layout. As opções são 1) ignorem, 2) esperem até que meus testes estejam concluídos.
Atualizei o FAQ faz uns dois dias, mas vocês não devem ter percebido. Aproveitem a temporária falta de textos e dêem uma lida.
Escrito por Kid on Jul 25, 2005

Se você mora no Sul/Sudeste – como a maioria dos leitores do HBD -, a figura acima representa apenas alguém tocando teclado. Ou melhor, ela representa alguém com os dedos em cima de um teclado. Pra estar tocando, teria que ser um GIF animado. Mas você entendeu.
Para nós nordestinos, entretanto, há todo um contexto cultural atrás do forrozeiro, o bardo do século 21 (no Ceará, ao menos).
Nasci em Fortaleza, então é desnecessário dizer que ouvi mais forró na minha vida do que eu gostaria. Meu contato com este personagem cultural que é o forrozeiro (também conhecido como seresteiro em alguns círculos) remete à minha infância (Knuttz, se você está lendo isso, deve ter experimentado o mesmo que eu).
Entendam logo de cara: não estou falando do forrozeiro pop, o forrozero glamourizado que aparece no Faustão como o Frank Aguiar da foto. Estou me referindo aqui do Frank Aguiar de dez anos atrás, desconhecido, pobre, e que ganhava menos do que eu ganho com o Google pra se apresentar em muquifos como bares decadentes nas esquinas dos bairros mais decrépitos da cidade. Tou falando do forrozeiro do povão, que é exatamente igual a alguém que não sabe absolutamente nada sobre música, com a diferença de que arranjou um teclado emprestado.
Às vezes eu estava na casa de algum amigo desafiando a comer um palito de fósforo aceso ou algo assim, e uma pequena platéia num barzinho das proximidades chamava nossa atenção. Os espectadores sentavam ao redor do homem – naquelas clássicas cadeiras de metal com marcas de cerveja pintadas no encosto -, enquanto o cara montava seu teclacinho Yamaha em cima de uma mesa que combinava com as cadeiras.
Quando tudo estava resolvido, o teclado já estava conectado às precárias caixas de som do estabelecimento e já haviam chutado pra fora o bêbado que menosprezava o talento do músico e alegava tocar melhor que ele, começava o mini-show. O tecladista ligava o acompanhamento automático de seu instrumento (aquele que reproduz uma melodia simples com a batida de uma bateria), e preenchia as lacunas com seus próprios acordes, voz desafinada e característica falta de tino musical.
E nós, no quintal do Juninho, acompanhávamos a apresentação. Entre canções aclamadas na cena forrozeira, o cara sempre tentava encaixar uma composição própria. Esta recebia uma dose extra de falta de talento, uma vez que foi produzida por alguém com menos conhecimento musical quanto os supostos profissionais do segmento forrozeiro.
As músicas compostas pelo forrozeiro amador eram O verdadeiro espetáculo. Elas sempre exibiam uma quantidade homogênea de erros gramaticais (um reflexo da ignorância do povão), temáticas no mínimo lúdicas (tudo virava tema de música, de chifre sofrido pela ex-namorada a uma topada no pé da cama na noite anterior) e uma surpreende sensação de que o autor deveria tentar qualquer coisa na vida, exceto fazer música. Lembro que, sentados no muro assistindo a apresentação no barzinho da frente, constumávamos imaginar que tipo de tortura seria necessário suportarmos para concordar em produzir algo tão terrível quanto as canções do forrozeiro.
Então. Não é necessário dizer que forrozeiros tem o talento musical equivalente ao de uma vítima de paralisia cerebral sem dedos e surda. Por causa disso, quando o Humberto me mandou as .WMAs de um suposto “Ademir de Arari”, eu sabia que poderia esperar qualquer coisa destes arquivos, exceto música.
Lembram no post sobre A Vila, quando eu falei que algumas coisas são tão terrivelmente horríveis que conseguem fazer você pensar “porra, mas que merda!” mesmo quando você não está esperando muita coisa delas?
Poisé.
Ademir do Arari – A ChinelaSim, o cara escreveu uma música sobre uma chinela. Aos que estranharam a grafia da palavra, cabe uma explicação: nordestinos falam “chinela”, e não “chinelo”, sei lá porque.
A música começa com uma constrangedora introdução de teclado, e aos 17 segundos Ademir entra com sua voz. Eu me sinto tentado a aloprar o cara dizendo que ele sai mais do ritmo do que o Muhamad Ali batendo punheta, mas aí lembrei que pra SAIR do ritmo, você precisa ter estado no ritmo ao menos uma vez – e não é o que acontece nessa música. Ademir oscila entre se adiantar e se atrasar no ritmo, mas jamais canta no ritmo correto da melodia. Se isso não é o bastante para você rir de pena do projeto de cantor, avance a canção pra marca 1:12 (um minuto, doze segundos) – Ademir erra a letra da PRÓPRIA música. Inacreditável, mas real.
Some-se isso à letra da canção (em especial ao poético “fiquei admirado/fiquei pobre coitado/olhar a chinela/chinela querida/sei que vais fazer parte da minha vida”) e você tem aí no seu winamp a pior composição musical da história.
…foi o que pensei, até baixar a segunda música do cara.
Ademir do Arari – ForrozinhoEssa aí é tão horrível quanto a anterior, com a exceção de que o cantor decidiu torna-la mais ridícula ainda com oferecimentos especiais a indivíduos com nomes no mínimo duvidáveis (”Pépson”? Ouvi direito essa porra?). Aliás, oferecimentos, não: ofrecimentos.
Ademir decidiu cortar o papo mole e partir direto ao ponto. Assim sendo, começou a sair do ritmo mais cedo nessa música. Assim como o corredor de uma maratona que reúne todos os seus esforços na última curva da corrida, Ademir reuniu toda a sua habilidade de errar o ritmo de uma música e em alguns momentos parece estar cinco segundos adiante da melodia. Uma prova disso é que ele conclui a cantoria quase dez segundos antes do fim da música de fato.
Ademir do Arari – Tributo a Elvis PresleyNão satisfeito em assassinar o português, Ademir ataca a língua inglesa.
Sim, é isso mesmo que você leu: o cara que não sabia pronunciar “oferecimentos” tenta cantar em inglês. Aliás, a julgar pelo que ouvi, dizer que o cara tá tentando é exagero – acho que nem tentando ele está.
Ri por uns quarenta minutos, até decidir que algo tão engraçado assim não é pra ser apreciado às escondidas. Chamei meu pai pra ouvir as músicas comigo. Ele riu ainda mais que eu, e perguntou por que eu não colocava os arquivos no site à disposição de qualquer um.
Dito e feito.
Ademir não canta muito bem, mas como humorista ele vai muito longe – mais longe até, eu diria, que a distância de seus versos ao ritmo das canções.
PS.: Espero que os advogados do Ademir de Arari não tirem o HBD do ar por desrespeito às leis de direito autoral. Sei que já zoei pessoas de variados backgrounds em situações anteriores, mas tou mexendo com gente grande dessa vez.
Suas orações serão apreciadas.
Escrito por Kid on Jul 23, 2005

TASTELESS AND VULGAR!!!
Sabe o que é isso?
Não, não é apenas um lanche do McDonalds. É um lanche GRÁTIS do McDonalds. E ganharei outros igualmente grátis por um mês inteirinho.
Foi o seguinte.
Estávamos eu, a patroa, a Katie e o Casey (o semi-viado, lembram?) no cinema, nos preparando para a exibição de Charlie and the Chocolate Factory (razoável, mas digamos que eu não cancelaria uma partida de Tetris para ir assistir). Um dos trailers – ou previews como os canadenses preferem falar – era o de Harry Potter e o Cálice de Fogo, que será lançado esse ano, ou não.
Imadiatamente, lembrei-me do fim do novo livro. A platéia na sala de exibição era composta em sua maioria por guris de no máximo 15 anos, ou seja, provavelmente tudo fã da série. Sorri sadisticamente, ao mesmo tempo que me virava pro lado.
– Aí, quer apostar que eu vou berrar aqui o fim do Half-Blood Prince?
– Porra, tá louco? – disse a bichinha do Casey – Vão chutar a gente do cinema.
– Vão o caralho, vou gritar sim.
Mas a verdade eu nem tava com tanta coragem. Já fui ameaçado de ser jogado pra fora do cinema por coisa muito menos grave, e eu não tava afim de perder a grana do ingresso. Quando eu bolava uma desculpa pro moleque, a patroa interferiu:
– Pago um mês de McDonalds se você gritar – e sorriu.
Saquei instantaneamente qual era a dela. A espertinha deve ter catado “no ar” que a minha intenção não era realmente zoar com a geral, mas ver se o Casey pegaria a isca. O que era pra ser uma brincadeirinha de nada com o Casey virou de repente uma questão de honra.
Ela cometeu um deslize fatal. Não devia ter me prometido nada proveniente do McDonalds.
– Aposta mermo? – perguntei só pra garantir.
– Aposto – ela estendeu a mão. Fiz o mesmo.
Um aperto breve selou o contrato. Tá fodida, pensei.
Reuni coragem e aguardei o momento certo. A tela do cinema exibia imagens do mago mirim com seus amiguinhos e um dragão ou um grifo ou uma fada madrinha ou um bruxo velho e enrugado ou alguma coisa assim. A pivetaiada ia a loucura; cada fala da versão cinematográfica do Harry Potter era seguida de palmas e gritarias. Como um predador escondido entre as sombras das cadeiras do cinema, esperei mais um pouco. O momento chegaria.
A tela ficou escura, exibindo o nome do filme, dos atores, dos produtores, essas merdas. A gurizada se acalmou com o fim do trailer. Era a hora.
Antes que o próximo trailer começasse, me virei pro lado do Casey e berrei:
– What!?! Dumbledore dies in the end of Half-Blood Prince?!
Os ocupantes das fileiras diante de nós rodaram suas cabeças 180 graus para trás, lançando olhares condenadores. Havia dois caras mais velhos – mais ou menos da minha idade -, o que tornou a aposta um considerável risco à minha saúde. Agora já era.
A geral ficou me encarando por três segundos que pareceram três horas. Acontece que eu tive a sensação de que o grito não foi alto o bastante. Se eu queria mesmo um mês grátis de McD’s, era necessário dar certeza absoluta à pagante da aposta.
– Duuuude! Snape kills Dumbledore in the new book?! – dito isso, me afundei na cadeira, prevendo uma saraivada de pipocas.
Dito e feito. Lembra aquela cena de Gladiador em que o exército romano libera trocentos milhões de flechas na sequência inicial do filme, aquela invasão bárbara? Então. Igualzinho. Olhei pra cima e vi um número equivalente de pipocas escrevendo um arco no ar e aterrissando algumas fileiras à frente. Logo em seguida, uma vaia onipotente tomou conta da sala. Afundei-me mais na cadeira, rindo, e percebi que meus acompanhantes faziam o mesmo – agora eram todos culpados por associação.
O pessoal das fileiras à frente eram entre todos os mais putos. Não apenas eles ouviram o final do livro, mas também foram alvejados por pipocas perdidas E ainda pegaram os piores lugares. Devem estar com o pescoço doendo até agora.
Eu sabia que seria linchado no momento que as luzes se acendessem. Devia ter molequinho marcando a origem do meu grito mentalmente, e não duvido que ele tivesse encarado a hipotética fonte o tempo inteiro, só pra não me perder de vista.
Bastou sair um pouquinho antes da exibição dos créditos, e pronto. Jamais saberão quem estragou o livro. Mwahaha!
Agora vou dar um pulinho no McDonalds. Hoje é BigMac Deal Day – BigMac com 2 dólares de desconto.
Não que eu me importe com a economia, é que meu pai ainda não fez compras.
Escrito por Kid on Jul 22, 2005
Assim como muitos de vocês, uso a internet há quase uma década. A rede de computadores parecia infantilmente inocente no começo: salas de IRC com gente bem humorada, as primeiras animações em flash com personagens extremamente mal desenhados, contas no Zipmail com vários .pps com imagens de gatinhos e anjinhos…
Até que um dia o sol se pôs, e começamos a ver que havia algo sombrio nesse nosso playground digital. Vídeos de violência extrema, pornografia nauseante, animações em flash com sustos que fazem você praticamente cospir o coração; essas são apenas algumas das coisas que já presenciei graças à via digital.
Já vi fotografias de um infeliz que foi esmagado por um bloco de granito que pesava algumas toneladas. Já vi um vídeo de um soldado segurando outro no chão com uma bota na cara, e em seguida esfaqueando seu prisioneiro com uma facada na garganta. Já vi – embora guarde ressalvas a respeito da veracidade – um vídeo onde uma garota escova os dentes com merda fresquinha, recém-cagada. E com certeza vocês viram ou conhecem alguém que viram os mesmos vídeos.
E você meio que se acostuma com a bizarrice. Não, “se acostuma” faz parecer que você aprova o negócio. Digamos que a exposição a essas paradas tira um pouco a sensibilidade. E, por causa disso, sempre achava que nada mais me chocaria.

Aí a irmã da namorada me manda o link do Rubber Johnny.
O negócio é, na falta de um adjetivo melhor que descreva exatamente o que diabos acontece nas imagens, PERTURBADOR. O vídeo – que abusa dos efeitos sonoros pra tirar a paz do espectador – mostra um homem (?) extremamente deformado e cujas capacidades mentais são questionáveis na melhor das hipóteses. Ao meu ver é um filme conceitual, daqueles que os intelectuais assistem e concluem um monte de babaquice que o autor da película sequer imaginou ao desenvolver o filme.
Na minha opinião, é simples e puramente bizarro.
Pesquisei um pouco sobre o vídeo, mas tava com preguiça de ler tudo então posso dizer apenas que se trata de um curta-metragem feito por um estudante de cinema. Ou algo assim, sei lá.
Assistam no escuro com fones de ouvido.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
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