Escrito por Kid on Jul 30, 2005

Incrível. Sempre que tou motivadaço a postar, algo aparece.


Tou de malas prontas pra isso aí. Nunca fui pra uma turnê com trocentas bandas, deve ser legal pra caralho. Queria levar a câmera digital, mas tá no quarto do meu pai e o velho já tá dormindo. Se eu fosse passar a noite em casa, dava um jeito de surrupiar a do véio amanhã de manhã, mas acontece que tou ido passar a noite com a patroa - o que é uma raridade, pois normalmente ela que dorme aqui.

Vou levar uma câmera “alternativa” que tenho por aqui, que chupa pilha como se fosse limonada e que exibe uma qualidade execrável, mas vocês nem vão ligar mesmo.

E não é apenas isso! Acreditem se quiser, eu arrumei um trabalho. Tá, claro, trabalhim idiota de verão - estilo cortar grama e entregar pizza, igual nos filmes. Mas é algum dinheirinho, e só mesmo assim pra finalmente desligar esse computador um pouco e experimentar essa tal de vida offline que eu ouço tanto falar em discussões - quando um debatedor quer provar que é melhor que o outro, cita logo a tal “vida offline”.

Porque claro, gente que tem “vida offline” tem muuuuito tempo e disposição pra ficar batendo boca por horas na internet. Eu trabalhei um dia só e tou acabadaço, imagina esse pessoal que (supostamente) trabalha, estuda, namora, vai pra yoga e ainda passa no buteco do Craudiomir pra tomar aquele chopp com os amigos sumidos do terceiro ano. De onde esses quase-socialites arrumam tempo para participar de páginas e páginas de discussão no orkut? Do cu? Só pode.

Acho mesmo é que perdi minha veia brigona. Meu lado nerd está morrendo, socorro. Daqui a pouco desisto do palm e compro um, ahn… erh… Compro um daqueles, como é o nome…

Porra. Quando penso em gastar dinheiro, tudo que vem a cabeça é “Mage Knight”, “placa de vídeo”, “palm”, “teclado wireless pro palm”, “Magic the Gathering”, “câmera digital nova”, “Vampire The Requiem”… Com o que não-nerds gastam dinheiro? Nem sei. Vai ver meu lado nerd não está tão moribundo quanto eu pensei. Há esperanças.

E quando cheguei do trampo o cheque do Google (do mês passado) tava já aqui na minha mesa. Uma miséria, mas nem foi culpa de vocês. Estive pegando banners ridículos, de tipo 1/500 de cent por clique, deu nisso. Como vocês não tem culpa, reclamarei menos e e postarei mais.

Foda-se. Contanto que vocês estejam gostando disso aqui, ainda tá valendo. Pior é gente que nem ganha nada pra escrever, como recém-formandos de Jornalismo.

Ah, e não podemos esquecer que esse lance de trabalho vai resultar em muitos causos (contados em posts imensos com 4 continuações do jeitinho que vocês gostam). O trampo é duro e paga mal, igualzinho o de vocês. Veja como sou um cidadão patriota, simulo as condições de trabalho do Brasil mesmo morando fora.

Quando voltar, explico direito qual é a parada.

Mas já garanto uma coisa: vocês vão rir.


Escrito por Kid on Jul 28, 2005

Ninguém sabe (não contei pra não se acostumarem mal), mas logo após que a crise de enxaqueca passou, pulei aqui pra mesa do PC pra redigir um post pra vocês. Os leitores vêm sendo bastante generosos com os cliques, então achei que seria uma filha da putice de minha parte não aparecer com um texto aqui procês.

O texto aí debaixo era na realidade bastante antigo, que eu escrevi há tempos mas que não julguei digno de ocupar espaço na página principal do blog. Como vi que não ia poder “pegar no pesado” por um tempo - fui aconselhado pelo médico a parar de açoitar meus olhos com horas na frente do PC -, resolvi jogar esse textinho pequeno só pra tapar buraco mesmo.

Mas aí olhei, pensei, pensei, e resolvi que vocês mereciam mais.

Relevem, afinal o post abaixo foi escrito espremendo os olhos (meio que pra controlar a passagem de iluminação aos olhos), com uma compressa em volta da cabeça e à base de Tylenol e Advil.

* * *

Há poucas coisas para as quais a internet é realmente útil, e quase todas envolvem pegar coisas gratuitamente quando você na verdade precisaria pagar, ver mulheres nuas, e ver mulheres nuas gratuitamente quando você na verdade precisaria pagar. Há, porém, algo que dita a diferença entre as utilidades citadas acima: as discussões na internet.

Ahhh, as discussões na internet! O prazer de responder um inimigo fazendo gracinha com o nome dele, a diversão de postar uma crítica anonima no site/blog/scrapbook de alguém… a internet provém uma dose de liberdade que seus usuários jamais poderiam obter, e permite a eles demonstrar uma agressividade que seu franzino corpo de 50 quilos não poderia de forma alguma endossar. A menos, é claro, que você goste da sensação de ter punhos encrustados no seu rosto, entortando seus óculos e nariz.

A julgar pela quantidade de pessoas que entra na internet com o propósito único de bater boca (ou seja, todas aquelas que respiram e têm dedos), seria natural que pelo menos uma fração destes soubesse discutir propriamente. À primeira vista, é o que você poderia imaginar - “tanta gente fazendo a mesma coisa por tanto tempo, deve haver alguns aí fazendo da forma certa!”. É aí que a Realidade enfia sua bota entre suas nádegas: ninguém sabe discutir na internet. Ninguém.

O motivo é simples: se mero comentário de um desconhecido (ou seja, cuja opinião é tão importante na vida quando o processo reprodutivo dos salmões asiáticos) é suficiente para tirar-lhe do sério, você já perdeu. Qualquer pessoa séria - o que obviamente não é o meu caso - riria ao ver alguém que ela sequer conhece a criticando.

Acho que isso se deve ao fato de que não há nada mais fácil que irritar alguém através da internet. Vejam um exemplo recente que acontece aqui mesmo:


O mistério que resta é descobrir que post o cidadão leu, porque o meu com certeza não foi. No texto que eu escrevi sobre Harry Potter, em momento algum falei mal da série - taqui o link pra provar. Não posso criticar algo que não conheço direito, logo, não o fiz. Apenas insinuei que não gosto do livro e não estou interessado em conhecer melhor.

Mas não existem mais opiniões seguras. Falar que eu não gosto significa falar mal, e como ninguém pode falar mal de algo que o Rodrigo gosta, lá foi ele postar um comentário revoltadinho. O mais irônico de tudo é que, na opinião dele, as pessoas “devem saber do que falam antes de disparar críticas”. Genial! Pena que ele não aplica o conselho a si mesmo. Quinze segundinhos dedicados à leitura do parágrafo salvariam-no do vexame.

A única forma de sair por cima numa discussão virtual é deixar os críticos baterem boca sozinho, até eles perceberem que você não liga pro que eles dizem - ou, PIOR AINDA, que a voz deles sequer chegou até você. Isso os faz pensar que são tão insignificantes que você sequer sabe que eles estão descendo o pau em você.

Todas as pessoas - não me excluo - uma hora ou outra perdem a linha e passam então a digitar trinta palavrões por minuto, como se achassem que as letrinhas que elas estão mandando pra alguém do outro lado da linha têm o poder de realmente deixar aquela pessoa chateada. Como não dá pra enfiar a mão pelo monitor e extrair alguns dentes do fulaninho à base de sopapos, só sobra agredir verbalmente.

Mas isso é muito lugar comum. Qualquer pessoa pode chegar e mandar palavrões pro seu interlocutor, isso é amador demais.

Malandragem boa mesmo é o uso de argumentos-chavões, aqueles coringas das discussões que são puxados da manga sempre que o debatedor é esperto o bastante pra notar que não tem mais o que falar, mas burro o bastante pra continuar falando.

E estas são:

“…não tenho certeza, mas…”
O trecho acima vem sempre acompanhado de um fato fictício que o debatedor anexará, com muita má fé, no meio do seu argumento. É infalível: ou as pessoas aceitarão a baboseira e não se darão ao trabalho de checar a veracidade, ou pegarão o mentiroso no pulo, mas apenas pra receber a respostinha cara de pau “por isso que eu disse que não tinha certeza!“. Admitindo desde o começo que não tinha certeza (quando na verdade ele estava claramente inventando um dado), o cara se torna imune às invetigações. Ao notar essa sacada no meio de uma discussão, cuidado: você está lidando com um enrolão profissional.

“…não foi com essas palavras, mas ele quis dizer que…”
O sujeito primeiro fala isso, e depois cita algo que um Fulano teria supostamente dito. Neste caso, pode ter certeza que o tal Fulano quis dizer qualquer coisa, exceto o que foi atribuído a ele. Caso o tal Fulano apareça subitamente no meio da discussão para confrontar o indivíduo negando a citação, um enrolão com anos de experiência não perderá o ritmo: ele baterá o pé, reafirmará a alegação e ainda arrematará com um “não seja cínico, você falou sim“. Pronto, mais um engodo bem sucedido. Nem mesmo screenshots convencerão a platéia do contrário, afinal, vivemos na era Photoshop e as bundas da Playboy não enganam mais ninguém. A credibilidade de Fulano estará permanentemente destruída.

A determinação de alguns espertinhos é tamanha que, por um momento, Fulano achará até que realmente falou o que nunca falou.

“…não foi isso que eu quis dizer…”
Dizem que o sangue de Jesus tem poder. Como nunca adquiri uma amostra para verificar cientificamente, posso afirmar categoricamente sobre alguma outra coisa que tem muito poder: um enrolão negando algo que ele mesmo tenha falado. “Não foi isso que eu quis dizer“, “Não foi bem isso que eu disse” ou a mais letal variação “Não foi exatamente isso que eu falei” mata dois coelhos com uma cajadada só: o sujeito se esquiva da responsabilidade de admitir um vacilo que tenha cometido, e ainda acusa o seu oponente de ser uma mula manca que não consegue compreender a mais simples das frases. Assim como aqueles golpes de judô que meu vizinho sempre tentou me ensinar mas eu nunca entendi, essa frase protege e ao mesmo tempo contra-ataca. Ao ler esse tipo de coisa, não perca seu tempo debatendo. Desligue seu computador e vá dormir.

“…porra, mas você não sabe ler também…”
Essa é uma resposta tão utilizada que, caso seu inventor tivesse registrado a patente, estaria agora milionário. Tome cuidado, no entanto: muitas vezes este argumento é usado de forma válida, pois são comuns os casos em que alguém lê duas ou três palavras de um texto e então manda uma crítica que em nada representa o que foi falado no tal texto. Um perfeito exemplo é o screenshot alguns parágrafos acima.

Não é o caso quando se trata de gente safada. Você pode copiar EXATAMENTE o que o indivíduo falou, e mostrar que entendeu muito bem o que ele quis dizer - porra, talvez nem haja outra interpretação, mas ele ainda dirá que você está lendo de forma errada.

E qual a forma certa, você deve estar se perguntando?

Qualquer uma que não comprometa a posição do indivíduo na discussão, claro.

Quer saber? Cansei de disso. É perda de tempo debater com gente que acha que “ganha” uma discussão online quem fala mais bobagens por minuto.

A partir de agora, terei apenas duas respostas padrões para esse tipo de indivíduo:

Essa…


…e essa.

Ambas são polivalentes e se encaixam em um grande âmbito de situações. Usem a gosto.

Caso vocês estejam interessados em saber - e eu não consigo imaginar por que não estariam - as fotografias são de Netinho Flamenguista, maranhense e dublê oficial de Satanás. As fotos foram usadas sem autorização alguma, então bem que o moleque podia me processar logo ou algo assim.


Escrito por Kid on Jul 27, 2005

Sabe quando você quer algo desesperadamente? Mais que comida, mais que sexo, mais que matar o vizinho, mais que Star Wars Battlefront II?


Size/Weight
• Height: 4.6 in. / 11.68 cm.
• Width: 2.95 in. / 7.49 cm.
• Thickness: .67 in. / 1.70 cm.
• Weight: 4.8 oz. / 136 grams
Integrated Camera
• Maximum Resolution: Photo: 1280×960; 2X digital zoom1; Video: 320×2401
• Automatic white balance control
• Capture pictures using special effects such as Sepia, Black and White or Blue.
Built-in Bluetooth® Technology
• Communicate wirelessly and share files, photos and more with nearby Bluetooth-enabled devices.
Processor
• 312 MHz Intel® PXA270 processor
E mais um monte de besteiras
• Que não faz diferença colar aqui porque você não entende essas coisas tecnológicas e tal.

Câmera fotográfica! Toca e grava vídeos!! Reproduz mp3!!! Conecta via bluetooth - e wi-fi, se comprar o cartão -!!!!

Imagina aí eu sentado lá na calçada, conectado ao router wireless aqui do apartamento, ouvindo Ademir e tirando foto de algum canadense aleatório pra ilustrar um post qualquer.

Só de pensar já dá vontade de chorar. Caralho, eu não nasci pra acessar internet num computador desktop.

O briquedo custa apenas 250 doletinhas. Já tenho 90% desse valor. Lembre-se que cada centavo gasto com o novo palm será agradecidamente investido aqui no blog mesmo - tendo um negócio desses, atualizarei o blog até no banheiro. E se sair uma merda ninguém vai poder reclamar.


(Trocadilho ridículo, mas não teve como evitar mesmo.)

Vamos lá, preciso de vocês.

[ Update ]


Porra, galera esperta essa do ML, ein.


Escrito por Kid on Jul 27, 2005

Breves esclarecimentos

Perdoem a falta de atualização. Sofri a pior enxaqueca da vida ontem, não tinha a menor condição de postar. Aliás, nem deveria estar na frente do PC hoje. Minha visão ainda está meio fodida. Devo ter vomitado meu próprio peso corporal umas três vezes. Em no máximo dois dias minha visão estará 100% novamente, e darei um novo post a vocês.

***

O redirecionamento cjb.net é apenas um teste provisório. Aparentemente isso está causando um bug no Mozilla, e os usuários do navegador estão vendo duas barras brancas em cima do layout. As opções são 1) ignorem, 2) esperem até que meus testes estejam concluídos.

***

Atualizei o FAQ faz uns dois dias, mas vocês não devem ter percebido. Aproveitem a temporária falta de textos e dêem uma lida.


Escrito por Kid on Jul 25, 2005


Se você mora no Sul/Sudeste - como a maioria dos leitores do HBD -, a figura acima representa apenas alguém tocando teclado. Ou melhor, ela representa alguém com os dedos em cima de um teclado. Pra estar tocando, teria que ser um GIF animado. Mas você entendeu.

Para nós nordestinos, entretanto, há todo um contexto cultural atrás do forrozeiro, o bardo do século 21 (no Ceará, ao menos).

Nasci em Fortaleza, então é desnecessário dizer que ouvi mais forró na minha vida do que eu gostaria. Meu contato com este personagem cultural que é o forrozeiro (também conhecido como seresteiro em alguns círculos) remete à minha infância (Knuttz, se você está lendo isso, deve ter experimentado o mesmo que eu).

Entendam logo de cara: não estou falando do forrozeiro pop, o forrozero glamourizado que aparece no Faustão como o Frank Aguiar da foto. Estou me referindo aqui do Frank Aguiar de dez anos atrás, desconhecido, pobre, e que ganhava menos do que eu ganho com o Google pra se apresentar em muquifos como bares decadentes nas esquinas dos bairros mais decrépitos da cidade. Tou falando do forrozeiro do povão, que é exatamente igual a alguém que não sabe absolutamente nada sobre música, com a diferença de que arranjou um teclado emprestado.

Às vezes eu estava na casa de algum amigo desafiando a comer um palito de fósforo aceso ou algo assim, e uma pequena platéia num barzinho das proximidades chamava nossa atenção. Os espectadores sentavam ao redor do homem - naquelas clássicas cadeiras de metal com marcas de cerveja pintadas no encosto -, enquanto o cara montava seu teclacinho Yamaha em cima de uma mesa que combinava com as cadeiras.

Quando tudo estava resolvido, o teclado já estava conectado às precárias caixas de som do estabelecimento e já haviam chutado pra fora o bêbado que menosprezava o talento do músico e alegava tocar melhor que ele, começava o mini-show. O tecladista ligava o acompanhamento automático de seu instrumento (aquele que reproduz uma melodia simples com a batida de uma bateria), e preenchia as lacunas com seus próprios acordes, voz desafinada e característica falta de tino musical.

E nós, no quintal do Juninho, acompanhávamos a apresentação. Entre canções aclamadas na cena forrozeira, o cara sempre tentava encaixar uma composição própria. Esta recebia uma dose extra de falta de talento, uma vez que foi produzida por alguém com menos conhecimento musical quanto os supostos profissionais do segmento forrozeiro.

As músicas compostas pelo forrozeiro amador eram O verdadeiro espetáculo. Elas sempre exibiam uma quantidade homogênea de erros gramaticais (um reflexo da ignorância do povão), temáticas no mínimo lúdicas (tudo virava tema de música, de chifre sofrido pela ex-namorada a uma topada no pé da cama na noite anterior) e uma surpreende sensação de que o autor deveria tentar qualquer coisa na vida, exceto fazer música. Lembro que, sentados no muro assistindo a apresentação no barzinho da frente, constumávamos imaginar que tipo de tortura seria necessário suportarmos para concordar em produzir algo tão terrível quanto as canções do forrozeiro.

Então. Não é necessário dizer que forrozeiros tem o talento musical equivalente ao de uma vítima de paralisia cerebral sem dedos e surda. Por causa disso, quando o Humberto me mandou as .WMAs de um suposto “Ademir de Arari”, eu sabia que poderia esperar qualquer coisa destes arquivos, exceto música.

Lembram no post sobre A Vila, quando eu falei que algumas coisas são tão terrivelmente horríveis que conseguem fazer você pensar “porra, mas que merda!” mesmo quando você não está esperando muita coisa delas?

Poisé.

Ademir do Arari - A Chinela

Sim, o cara escreveu uma música sobre uma chinela. Aos que estranharam a grafia da palavra, cabe uma explicação: nordestinos falam “chinela”, e não “chinelo”, sei lá porque.

A música começa com uma constrangedora introdução de teclado, e aos 17 segundos Ademir entra com sua voz. Eu me sinto tentado a aloprar o cara dizendo que ele sai mais do ritmo do que o Muhamad Ali batendo punheta, mas aí lembrei que pra SAIR do ritmo, você precisa ter estado no ritmo ao menos uma vez - e não é o que acontece nessa música. Ademir oscila entre se adiantar e se atrasar no ritmo, mas jamais canta no ritmo correto da melodia. Se isso não é o bastante para você rir de pena do projeto de cantor, avance a canção pra marca 1:12 (um minuto, doze segundos) - Ademir erra a letra da PRÓPRIA música. Inacreditável, mas real.

Some-se isso à letra da canção (em especial ao poético “fiquei admirado/fiquei pobre coitado/olhar a chinela/chinela querida/sei que vais fazer parte da minha vida”) e você tem aí no seu winamp a pior composição musical da história.

…foi o que pensei, até baixar a segunda música do cara.

Ademir do Arari - Forrozinho

Essa aí é tão horrível quanto a anterior, com a exceção de que o cantor decidiu torna-la mais ridícula ainda com oferecimentos especiais a indivíduos com nomes no mínimo duvidáveis (”Pépson”? Ouvi direito essa porra?). Aliás, oferecimentos, não: ofrecimentos.

Ademir decidiu cortar o papo mole e partir direto ao ponto. Assim sendo, começou a sair do ritmo mais cedo nessa música. Assim como o corredor de uma maratona que reúne todos os seus esforços na última curva da corrida, Ademir reuniu toda a sua habilidade de errar o ritmo de uma música e em alguns momentos parece estar cinco segundos adiante da melodia. Uma prova disso é que ele conclui a cantoria quase dez segundos antes do fim da música de fato.

Ademir do Arari - Tributo a Elvis Presley

Não satisfeito em assassinar o português, Ademir ataca a língua inglesa.

Sim, é isso mesmo que você leu: o cara que não sabia pronunciar “oferecimentos” tenta cantar em inglês. Aliás, a julgar pelo que ouvi, dizer que o cara tá tentando é exagero - acho que nem tentando ele está.

Ri por uns quarenta minutos, até decidir que algo tão engraçado assim não é pra ser apreciado às escondidas. Chamei meu pai pra ouvir as músicas comigo. Ele riu ainda mais que eu, e perguntou por que eu não colocava os arquivos no site à disposição de qualquer um.

Dito e feito.

Ademir não canta muito bem, mas como humorista ele vai muito longe - mais longe até, eu diria, que a distância de seus versos ao ritmo das canções.

PS.: Espero que os advogados do Ademir de Arari não tirem o HBD do ar por desrespeito às leis de direito autoral. Sei que já zoei pessoas de variados backgrounds em situações anteriores, mas tou mexendo com gente grande dessa vez.

Suas orações serão apreciadas.


Escrito por Kid on Jul 23, 2005


TASTELESS AND VULGAR!!!

Sabe o que é isso?

Não, não é apenas um lanche do McDonalds. É um lanche GRÁTIS do McDonalds. E ganharei outros igualmente grátis por um mês inteirinho.

Foi o seguinte.

Estávamos eu, a patroa, a Katie e o Casey (o semi-viado, lembram?) no cinema, nos preparando para a exibição de Charlie and the Chocolate Factory (razoável, mas digamos que eu não cancelaria uma partida de Tetris para ir assistir). Um dos trailers - ou previews como os canadenses preferem falar - era o de Harry Potter e o Cálice de Fogo, que será lançado esse ano, ou não.

Imadiatamente, lembrei-me do fim do novo livro. A platéia na sala de exibição era composta em sua maioria por guris de no máximo 15 anos, ou seja, provavelmente tudo fã da série. Sorri sadisticamente, ao mesmo tempo que me virava pro lado.

– Aí, quer apostar que eu vou berrar aqui o fim do Half-Blood Prince?

– Porra, tá louco? - disse a bichinha do Casey - Vão chutar a gente do cinema.

– Vão o caralho, vou gritar sim.

Mas a verdade eu nem tava com tanta coragem. Já fui ameaçado de ser jogado pra fora do cinema por coisa muito menos grave, e eu não tava afim de perder a grana do ingresso. Quando eu bolava uma desculpa pro moleque, a patroa interferiu:

– Pago um mês de McDonalds se você gritar - e sorriu.

Saquei instantaneamente qual era a dela. A espertinha deve ter catado “no ar” que a minha intenção não era realmente zoar com a geral, mas ver se o Casey pegaria a isca. O que era pra ser uma brincadeirinha de nada com o Casey virou de repente uma questão de honra.

Ela cometeu um deslize fatal. Não devia ter me prometido nada proveniente do McDonalds.

– Aposta mermo? - perguntei só pra garantir.

– Aposto - ela estendeu a mão. Fiz o mesmo.

Um aperto breve selou o contrato. Tá fodida, pensei.

Reuni coragem e aguardei o momento certo. A tela do cinema exibia imagens do mago mirim com seus amiguinhos e um dragão ou um grifo ou uma fada madrinha ou um bruxo velho e enrugado ou alguma coisa assim. A pivetaiada ia a loucura; cada fala da versão cinematográfica do Harry Potter era seguida de palmas e gritarias. Como um predador escondido entre as sombras das cadeiras do cinema, esperei mais um pouco. O momento chegaria.

A tela ficou escura, exibindo o nome do filme, dos atores, dos produtores, essas merdas. A gurizada se acalmou com o fim do trailer. Era a hora.

Antes que o próximo trailer começasse, me virei pro lado do Casey e berrei:

– What!?! Dumbledore dies in the end of Half-Blood Prince?!

Os ocupantes das fileiras diante de nós rodaram suas cabeças 180 graus para trás, lançando olhares condenadores. Havia dois caras mais velhos - mais ou menos da minha idade -, o que tornou a aposta um considerável risco à minha saúde. Agora já era.

A geral ficou me encarando por três segundos que pareceram três horas. Acontece que eu tive a sensação de que o grito não foi alto o bastante. Se eu queria mesmo um mês grátis de McD’s, era necessário dar certeza absoluta à pagante da aposta.

– Duuuude! Snape kills Dumbledore in the new book?! - dito isso, me afundei na cadeira, prevendo uma saraivada de pipocas.

Dito e feito. Lembra aquela cena de Gladiador em que o exército romano libera trocentos milhões de flechas na sequência inicial do filme, aquela invasão bárbara? Então. Igualzinho. Olhei pra cima e vi um número equivalente de pipocas escrevendo um arco no ar e aterrissando algumas fileiras à frente. Logo em seguida, uma vaia onipotente tomou conta da sala. Afundei-me mais na cadeira, rindo, e percebi que meus acompanhantes faziam o mesmo - agora eram todos culpados por associação.

O pessoal das fileiras à frente eram entre todos os mais putos. Não apenas eles ouviram o final do livro, mas também foram alvejados por pipocas perdidas E ainda pegaram os piores lugares. Devem estar com o pescoço doendo até agora.

Eu sabia que seria linchado no momento que as luzes se acendessem. Devia ter molequinho marcando a origem do meu grito mentalmente, e não duvido que ele tivesse encarado a hipotética fonte o tempo inteiro, só pra não me perder de vista.

Bastou sair um pouquinho antes da exibição dos créditos, e pronto. Jamais saberão quem estragou o livro. Mwahaha!

Agora vou dar um pulinho no McDonalds. Hoje é BigMac Deal Day - BigMac com 2 dólares de desconto.

Não que eu me importe com a economia, é que meu pai ainda não fez compras.


Escrito por Kid on Jul 22, 2005

Assim como muitos de vocês, uso a internet há quase uma década. A rede de computadores parecia infantilmente inocente no começo: salas de IRC com gente bem humorada, as primeiras animações em flash com personagens extremamente mal desenhados, contas no Zipmail com vários .pps com imagens de gatinhos e anjinhos…

Até que um dia o sol se pôs, e começamos a ver que havia algo sombrio nesse nosso playground digital. Vídeos de violência extrema, pornografia nauseante, animações em flash com sustos que fazem você praticamente cospir o coração; essas são apenas algumas das coisas que já presenciei graças à via digital.

Já vi fotografias de um infeliz que foi esmagado por um bloco de granito que pesava algumas toneladas. Já vi um vídeo de um soldado segurando outro no chão com uma bota na cara, e em seguida esfaqueando seu prisioneiro com uma facada na garganta. Já vi - embora guarde ressalvas a respeito da veracidade - um vídeo onde uma garota escova os dentes com merda fresquinha, recém-cagada. E com certeza vocês viram ou conhecem alguém que viram os mesmos vídeos.

E você meio que se acostuma com a bizarrice. Não, “se acostuma” faz parecer que você aprova o negócio. Digamos que a exposição a essas paradas tira um pouco a sensibilidade. E, por causa disso, sempre achava que nada mais me chocaria.


Aí a irmã da namorada me manda o link do Rubber Johnny.

O negócio é, na falta de um adjetivo melhor que descreva exatamente o que diabos acontece nas imagens, PERTURBADOR. O vídeo - que abusa dos efeitos sonoros pra tirar a paz do espectador - mostra um homem (?) extremamente deformado e cujas capacidades mentais são questionáveis na melhor das hipóteses. Ao meu ver é um filme conceitual, daqueles que os intelectuais assistem e concluem um monte de babaquice que o autor da película sequer imaginou ao desenvolver o filme.

Na minha opinião, é simples e puramente bizarro.

Pesquisei um pouco sobre o vídeo, mas tava com preguiça de ler tudo então posso dizer apenas que se trata de um curta-metragem feito por um estudante de cinema. Ou algo assim, sei lá.

Assistam no escuro com fones de ouvido.


Escrito por Kid on Jul 21, 2005

Essas crianças não aprendem NUNCA. Querem aprontar alguma presepada pra impressionar os amiguinhos, beleza, SÓ NÃO FAÇAM ISSO NA INTERNET, POR FAVOR. Ou melhor, façam, que serve como lição pra gente. Colocar certas coisas na internet é praticamente jogar sua vida na lixeira do windows e depois esvazia-la, e vocês aí que têm webcams ou câmera digitais precisam entender isso. Mais uma vez alguém nos mostra o potencial que essa rede mundial de computadores tem pra acabar com a vida de alguém.


O negócio é o seguinte. O molequinho da foto (Robbie Alguma-Coisa, segundo fontes semi-seguras) é filho de um beta tester da Microsoft. O pai do moleque arrumou um jeito de levar um protótipo do videogame pra casa, e o hippiezinho aí achou que divulgar uma foto dele jogando Halo 2 no X360 elevaria sua reputação online em 30 pontos.

E assim foi. O coitado postou a foto.

Acontece que o moleque esqueceu de um negocinho chamado NDA - ou non-disclosure agreement -, algo que seu pai assinou ao ser contratado pela M$. A tal cláusula prevê que caso o testador sequer SONHE com o X360 e faça um comentário raso sobre isso a alguém, estará sujeito a cumprir vinte anos numa prisão federal na Guatemala, onde as refeições diárias são substituidas por sessões de tortura, e as costumeiras sessões de tortura são substituídas por mais sessões de tortura.

A história completa, com outras fotos, tá aqui. O moleque se pronunciou nesse site, alegando futilmente se tratar de uma montagem. Acho meio difícil alguém ser convencido por essa história, ainda por cima porque o G4TechTV (o maior canal sobre videogame e outras nerdices aqui no Canadá) já passou a notícia. E você sabe, passou na TV, só pode ser verdade. A TV nunca mentiria pra mim.

E quem vai pagar o pato é o pai do palhação. Não apenas o indivíduo perderá o emprego, como levará de brinde um mega-processo da Microsoft por causa do vacilo com o acordo de silêncio. Não sou nenhum especialista em direito empresarial, mas arrisco dizer que uma briga judicial com uma das maiores companias de informática do mundo não deve ser o tipo de coisa que você gostaria de se meter. Ainda mais se você não tem mais um emprego pra bancar um adêvogado.

Além disso, empresas de tecnologia prezam muito as credenciais de seus funcionários, e um cara que vacilou num NDA não arruma trabalho nesse ramo nunca mais.

O pai se fodeu bonitamente. O moleque, imagino que está apanhando na cabeça com um taco de baseball até agora.

E essa é a história do Klaus dessa semana. A única diferença desse moleque pro ator pornô mirim é que esse aí conseguiu foder alguém.


Escrito por Kid on Jul 19, 2005

Prezados amiguinhos;

Não, não morri. Permitam-me começar este post curto pedindo desculpas duplas. Uma é pelo fato de que eu desapareci no fim de semana sem dar nenhuma satisfação aos leitores, e a segunda é pelo fato de que esse post não tem nada demais e não os fará rir nenhuma vez.

Estou escrevendo isso aqui apenas para explicar o porquê do meu desaparecimento.


Sim, FINALMENTE comprei minha guitarrinha. É uma stratocaster preta ultra comunzíssima, mas é limpinha e é minha e é foda e tal.

(Os bonequinhos de Star Wars já eram meus há meses, mas tavam de bobeira na foto e mereceram destaque. Tão dando esses bonequinhos como brinde nos lanches infantis do Burger King, se a promoção não tiver acabado. Queria comprar vários, mas fiquei com pena de dar duas doletas nos brinquedos. Tenho o Palpatine, um Clone Trooper e o Obi-Wan, que não aparece na foto.)

Então.

Meus amigos mais próximos (não são vocês, tou falando dos meus amiguinhos gringos) acompanhavam uma novela que já se arrastava por meses. Compra ou não compra, compra ou não compra? Meu pai não se decidia, então resolvi deixar de ser mão-de-vaca e acabei investindo com parte do cheque do Google.

A propósito, amo vocês de coração. Coração do MSN até


E olha que foda. O amplificador tem um super-fenomenal afinador embutido! Provavelmente estou pagando uma de noob, mas admito que jamais tinha visto coisa parecida. Gamei no ampzinho. A distorção é uma bela merda, mas nada que um Metal Master não resolva. Que, a propósito, será comprado com o cheque do mês que vem.

Se eu soubesse que esse negócio de blog daria dinheiro assim, jamais teria me dado ao trabalho de digitar um currículo.

Como passei mais de um ano parado, não sabia tocar mais porra nenhuma. Enquanto me lamuriava a respeito da minha habilidade perdida, o Humberto me mandou o instalador do Guitar Pro.


O programa era lugar-comum entre a galera guitarreira lá do Maranhão, mas por algum motivo eu nunca tinha dado uma chance a ele. Como tava enferrujado demais e qualquer ajuda já é alguma coisa, resolvi instalar a parada.

O negócio é mágico. Você pega os arquivim .gp4 por aí, e carrega no negócio. Uma MIDI da música começa a tocar. O programa exibe a lista de instrumentos que tocam na canção, a tablatura e um bracim de uma guitarra pra você ir seguindo as instruções de como tocar. Dá até pra diminuir a velocidade, caso você seja um cretino completo e não consiga acompanhar a música no ritmo normal.

O engraçado é que tou falando maravilhas de um programa antigaço e ultra-conhecido como se fosse alguma novidade. Coitado de mim, devo ter sido o último guitarrista do mundo a instalar o Guitar Pro.

Um efeito curioso da utilização do GP é que meu amor por MIDIs, que eu achei ter morrido em 97-98 quando me apresentaram o formato mp3, ainda está vivo. Baixei os .gp4 das minhas músicas favoritas e tou desde ontem ouvindo apenas as MIDIs.

Guitarra nova, amp com afinador embutido, um tubo de Lays e dedos quase sangrando. Não tinha como postar nesse fim de semana. Perdoem-me. Não posso ser tão relapso se pretendo que vocês me paguem um pedal.

Alegria, alegria. E quando eu configurar o volume do headset do PS2, faço até umas fenomenais gravações procês.

E agora xeu tentar tirar aquele último solo de A World So Cold.

Com dedo sangrando e tudo. Apenas bichinhas param de tocar porque estão com os dedos doendo.


Escrito por Kid on Jul 16, 2005

Cenas dos últimos capítulos

Por um momento pensei em remover dos meus pés aquele atentado às córneas alheias, receoso de que a extravagante combinação de cores fosse também uma ofensa à minha masculinidade. Mas aí me lembrei que se preocupar com cor de sapato é que é coisa de boiolas (igual os cornos dos pais de vocês, não esqueçam), então fiquei com aquela horrorosidade mesmo.

Depois de calçado com o sapato que praticamente berrava “OLHEM PRA MIM OLHEM PRA MIM OLHEM PRA MIM“, fomos ao balcão novamente para descobrir em qual lane jogaríamos o tal boliche. Passei os últimos 15 minutos pensando numa tradução pra lanes, mas não consigo achar uma. Lanes são as, digamos, “pistas” de uns vinte metros onde no final ficam os pinos que você desesperadamente tenta derrubar com as bolas.

Agora que penso melhor, acho que “pista” serve como tradução exata.

A mulezinha ativou a pista 15 e perguntou se queríamos “bumpers“. Eu, em minha humilde posição de cabaço de boliche, nada podia fazer a não ser olhar pros meus companheiros com uma expressão de dúvida impressa na cara. A namorada explicou que os tais “bumpers” são umas borrachas automáticas que sobem do solo e bloqueiam as canaletas laterais, aumentando suas chances de não passar vergonha e derrubar ao menos um pino a cada jogada.

Ah, não fode! Vou na marra mesmo, decidi mentalmente. Aprendi a andar de bicicleta à base de muito constrangimento caindo de cara no chão, não é agora que vou apelar pra rodinhas. “Bumpers is the caralho, thanks. I don’t want that shit.


Apanhei uma bola e me dirigi à pista. Quando eu ia jogar a bola, o Casey segurou meu braço. Achei que ele corrigiria a minha (falta de) técnica, mas isso só aconteceria depois. Ele me falou - como quem tenta explicar a coisa mais óbvia do mundo a uma criança retardada - que antes de começarmos o jogo é necessário configurar o placar. Afinal, eu sou muito burro mesmo. Dito isso, o semi-viado me puxou a um monitorzinho que ficava rente à pista e colocou sua alcunha.

Por que uma alcunha? Porque boa parte da diversão do boliche (especialmente quando há muitas crianças em volta) é colocar no sisteminha algum trocadilho indecente como se fosse seu nome. Quando se faz uma pontuação boa (não que isso estivesse nos meus planos), seu “nome” aparece num telão nas proximidades, para divertimento da pivetada e desespero de suas respectivas mães.


(A propósito, esse foi o placar do segundo jogo)

E assim ficou. Phill McCrackin, ao ser lido com sotaque canadense, soa como “Feel me cracking“, que é um convite a você para sentir as flatulências do cara. O próximo seria eu, e me entitulei Heywood Jablome. o trocadilho aqui é “Hey, would you blow me?“, ou, em bom português, “Ô, quer chupar minha piroca?“. Na falta de uma escolha melhor, a patroa optou por Hairy Nips of Doom, que era uma piada interna entre a galera.

Beleza. Depois de ter registrado nossa imaturidade na tela do placar, começou o jogo em si. Casey tinha alguma intimidade com o “esporte”, então é honesto dizer que ele era (de longe) o melhor bolichista do grupo. Eu vinha logo depois na listinha de nomes, então arremessava depois dele. E que desastre aquilo foi.

Sem a menor idéia de como fazer aquilo, decidi seguir a regra que dita minha vida: fiz de qualquer jeito mesmo. Joguei a bola com a desenvoltura de um gordo dançando balé com um fogão amarrado nas costas.

Nem que eu tivesse jogado de olhos fechados o arremesso teria sido pior. A bola desprendeu-se dos meus dedos e descreveu um curto arco no ar. A gravidade lembrou-se que existia e puxou a esfera ao chão novamente. Até aí o arremesso tinha sido apenas, numa visão otimista, a merda que geralmente é quando o cara tá jogando a boliche pela primeira vez na vida. Eu tinha quase certeza que a bola ia ao menos roçar levemente um dos pinos, talvez até move-lo um pouquinho para que eu pudesse gritar “PORRA, OLÔCO, QUASE EIN, CÊ VIU?!”, mas não tive essa sorte toda. Espíritos dos índios que foram enterrados no solo abaixo da pista empurraram minha bola em direção à canaleta como se fosse um imã, um negócio inacreditável.


A bola emergiu do troço que devolve as bolas, me olhando como que dissesse “porra, mas tu é ruim pra caralho“. Me desafiando, quase.

Cada jogador tem direito de três tentativas cumulativas, ou seja, o número de pinos que você derruba em cada tentativa (zero) é somado ao seu placar final (zero). Assim, peguei a maldita bola novamente e joguei com mais força, para impedir que os espíritos roubassem a bola pra dentro da canaleta novamente. O problema é que devo ter soltado um pouco antes do que eu desejava, então a bola saiu muito sem jeito e entrou QUASE QUE INSTANTANEAMENTE na canaleta da esquerda.

Dei uma olhada muito sem graça em volta, só pra ter uma idéia de quem poderia ter visto o fiasco. Havia umas criancinhas nas pistas dos lados, e felizmente eles estavam mais entretidos com os próprios jogos. Casey escondia o rosto nas mãos e a namorada não sabia se fingia que não viu ou me incentivava. A indecisão dela foi pior do que se ela tivesse apontado e rido.

Peguei a bola pela última vez e mandei ver, já sem esperanças. Eu já não estava mais ligando, pois achava que não poderia piorar. Acreditem SE PUDEREM, piorou.

Eu deveria ter lembrado de jogar a bola um pouco mais baixo, porque o arco que a bola desenhou no ar dessa vez foi muito alto. O inacreditável aconteceu: a bola quicou na minha pista e passou PRA OUTRA DO LADO. Os molequinhos da pista da esquerda, recém-invadida pela bola fora de controle, começaram a gritar. Fingi que não era comigo.

Mas o melhor foi a ironia. Acontece que os tais guris estavam usando bumpers; a bola bateu num, bateu no outro, bateu no primeiro de novo e derrubou não um nem dois nem três, mas QUATRO pinos. Ainda bem que não foi um strike, senão ninguém ia acreditar.

Mas o constrangimento não estava acabado. Sobrou ter que ir até a molecada pra pedir a bola de volta. O garoto cuja jogada foi interrompida pela minha bola estava felizíssimo, já que quatro pinos foi mais do que ele derrubou na vida inteira. Já os seus coleguinhas não estavam tão felizes e exigiam uma CPI pra averiguar o caso.

As rodadas seguintes não foram muito diferentes. Com exceção da sensacional mudança de pistas, o resto foi essencialmente o que acontece num jogo ruim: a minha bola evitava os pinos como se eles tivesse AIDS, e às vezes tive a impressão que eu não derrubaria um deles nem que a bola tivesse o triplo do tamanho e fosse teleguiada. Mesmo quando minha bola alcançava as proximidades ou até esbarrava num dos pinos, nada acontecia. Estou quase convencido de que os pinos que eu tentava derrubar estavam colados no piso de madeira com superbonder.

Acabei perdendo, como podia ser facilmente previsto, e pondo um fim ao círculo de vergonha e sonhos destruídos. Meus dois competidores venceram por uma diferença de aproximadamente 400 pra 1, se eu arredondar meus resultados pra cima. Seria redundância dizer que, de todas as coisas que já tentei na vida, boliche foi a em que fracassei mais humilhantemente. Mas o dia não foi uma perda de tempo completa, entretanto.


Tá vendo essa garota? Ela estava no meio quando resolvi tirar uma foto do lugar, pra poder ilustrar o post. Acontece que a coitada se assustou com o flash da câmera, e virou-se para mim imediatamente. Nesse momento as mãos dela esqueceram de segurar a bola. E quem pagou o pato foi o pé direito dela, que estava entre a bola e o chão. Os pais dela estavam de costas, e não entenderam o motivo que levou a garota a voluntariamente soltar a bola em cima do pé.

É, ao menos não me fodi sozinho.


Escrito por Kid on Jul 15, 2005

Então, aí o TSE me manda um e-mail.


Foi um susto e não foi ao mesmo tempo. Tenho um título de eleitor, mas jamais votei na minha vida pelo fato de que um voto meu é algo tão relevante quanto um filme croata numa amostra de cinema independente de dez anos atrás. Não apenas isso, mas também nunca justifiquei meus não-votos, então eu já esperava que um dia daria merda.

Mas como não moro no país mesmo, foda-se.

maaaaaaaaaaaaaas, parece que eu preciso do meu título pra renovar o passaporte. E numa dessas eu não posso vacilar, porque não renovar o passaporte causaria alguns probleminhas - dentre os quais posso citar uma possível deportação, açoite com varas de bambus em frente a uma escola pública, e falência múltipla de órgãos. Decidido a entender em que tipo de problema minha irresponsabilidade me meteu desta vez, pensei em clicar no link fornecido pela mensagem…


Arquivo .scr, né?

…mas acontece que eu uso a internet a quase dez anos. Se eu não tivesse aprendido a verificar a barra de status antes de dar cliques por aí, provavelmente nem teria mais computador.

Cuidado aí, moçada. Esse scam já deve ter pego muitos desavisados, não vacilem. Não faço idéia do que esse arquivo possa fazer com seu computador, mas essa url quilométrica cheia de consoantes me assusta.

E se você já clicou, meus pêsames. Ninguém mandou você abrir seus emails antes de ler o HBD.

Antes que me perguntem: era Dream Theather - Home.


Escrito por Kid on Jul 14, 2005


Ô, mas vocês são umas bichas escandalosas mesmo, ein?

Acalmem as penas. Eu não sei quem vai morrer no livro. A bem da verdade, não sei nem quem é Dumbledore. Me orgulho de jamais ter lido um livro da série (apesar de ter um aqui, roubado da escola) e espero morrer invicto.

O lance é que, sempre às vésperas do lançamento da nova sequência das aventuras do mago mirim - que todo mundo dizia parecer-se comigo até eu deixar o cabelo crescer e finalmente me livrar desse estigma -, um monte de site inventa boatos (ou dá chutes bem calculados) pra estragar a alegria dos fãs fervorosos. E aqui no HBD não poderia ser diferente.

Espero ter enxugado as lágrimas.

Agora, negar esmolas é sacanagem. Coisa de gente sem coração. Digo mais, coisa de gente sem Jesus no coração.

Ousem a fazer isso, e eu vou pessoalmente até a Inglaterra matar a J. K. Rowling, e aí não tem mais livro pra ninguém. Não apenas matarei a infeliz, como pegarei os rascunhos do próximo livro e defecarei em cima deles. Em seguida mandarei uma página pra cada um de vocês.

Estamos entendidos? :*

E caso Dumbledore morra mesmo, não precisarei mais das esmolas. Vou montar um consultório astrológico. Não posso desperdiçar o talento psíquico.


Escrito por Kid on Jul 14, 2005

ATENÇÃO

Dumbledore morre no próximo livro do Harry Potter

Agora que já poupei vocês do prejuízo de comprar o livro, vamos ao post.

Boliche pode ser considerado um esporte? Embora a atividade inclui muitas características que geralmente configuram um esporte, como bolas, sapatos especiais e gente muito revoltada porque está levando uma surra no placar, boliche não é exatamente um negócio muito, digamos, “esportivo“. Você pega uma bola, dá três passos e arremessa em direção de pinos no fim de uma pista de madeira. Aí você joga um dos pés pro lado - movimento que é uma marca registrado do boliche - e coça a bunda com a mão livre. Há algum grau de habilidade envolvida no negócio, mas daí a considerar como esporte há uma grande distância. Pô, até pra catar piolho é necessário um certo nível de habilidade, e isso não faz do meu pente fino um equipamento esportivo. Por outro lado, se até xadrez e curling são considerados esporte, talvez boliche também seja.

Não preciso explicar pra ninguém o que é xadrez (ou ao menos ESPERO que não precise), mas tenho certeza que ninguém aí sabe o que é curling. Alguém já chegou pra você e perguntou “Ei, você sabe o que é curling?” Aposto que o desespero bateria se essa situação acontecesse com você num futuro próximo, porque não há nada pior que alguém perguntar pra você o que é curling quando você não sabe o que é curling.

Então: você sabe o que é curling?

Curling!

Claro que não sabe, afinal você não mora no hemisfério norte. Curling é um tipo de coisa que só mesmo canadense poderia ter inventado, e apenas outros canadenses podem considerar um esporte sério. Curling define-se como a arte de arremessar uma pedra polida de uns vinte quilos que vai deslizando através de metros e metros de gelo, tentando se aproximar o máximo possível do centro de um alvo desenhado no chão. Mas não é só isso! Aparentemente (não tenho certeza, porque sempre que um jogo de curling começa na TV eu paro de prestar atenção e vou fazer algo mais produtivo como arremessar minhas gavetas pela janela), os competidores podem jogar suas pedras contra as dos oponentes, tirando-as do alvo. Ou seja, é quase um jogo de bola de gude no gelo.

Apenas “quase”. A real natureza desse passatempo canadense vem à tona após uma análise mais cuidadosa, e você não perceberá os detalhes se não usar uma lente de aumento igual aquelas que vinha em pacotinhos de salgadinhos Elma Chips no começo dos anos 90.

O time de curling é composto - até onde sei - de três participantes. Um deles arremessa a pedrona. Agora é que vem a parte legal: os outros dois, munidos de vassouras, vão varrendo o gelo logo a frente da pedra, porque supostamente isso causa algum efeito mágico que é essencial para a trajetória de uma pedra imensa de vinte quilos deslizando com atrito desprezível numa superfície de gelo. Os varredores, que também deve acreditar em Papai Noel e políticos honestos, pensam que sua tarefa de varrer o gelo corresponde a um fator crucial no desempenho do arremessador.

Curling é, resumindo esses dois parágrafos, enxugar gelo fazendo de conta que isso é um esporte.

Ou seja, se até ISSO é considerado um esporte, boliche há de ser também. E se for, é apenas mais um deles em que sou um fracasso. Descobri isso no fim de semana passado.

A patroa e seu amigo semi-viado de infância, Casey, vieram aqui em casa no último sábado. Eles queriam fazer algo diferente. Um deles sugeriu que fôssemos jogar boliche no Neb’s, um centro recreativo aqui perto. Respondi que minha agenda já estava cheia de atividades para aquela tarde, e completei dizendo que estava ocupado naquele exato momento. Os dois insistiram, então não tive escolha senão guardar o maçarico, desamarrar o Bubbles (o gato da vizinha) e segui-los.

Chegamos lá após quinze minutos de caminhada. Eu já tinha visto o lugar na minha ida pra escola, mas nunca tinha entrado lá. O prédio do Neb’s fica imponentemente localizado no meio do nada, rodeado por árvores e esquilinhos. Uma placa imensa no topo do prédio, que se assemelha com um galpão imenso de três andares, anuncia ao visitante as atrações do estabelecimento: boliche (o que me pareceu ser o carro-chefe do lugar), camas elásticas, pistas de kart, sinucas, bares, arcades e algumas outras coisas que a tinta descascada na placa transformou um mistério para mim e os outros. A promessa era de muita diversão, pois fazia tempo que eu não ia a um boliche, camas elásticas, pistas de kart, sinucas, bares, arcades e algumas outras coisas.

Uma vez dentro do lugar, a primeira opção foi o tal boliche. Pagamos os cinco dólares da admissão e fomos pegar os sapatos especiais. Sim, porque boliche é algo extremamente profissional e o não-uso do equipamento adequado pode provocar ferimentos gravíssimos, como uma unha quebrada ou, Deus o livre, duas unhas quebradas. Assim sendo, a utilização dos ridículos sapatos de boliche é imperativa.

Não tive fiz firula. Ao contrário da Becca e do Casey, que passaram horas caçando sapatos que combinassem com a cor de seus olhos ou suas meias, pus no pé o primeiro par que minhas mãos alcançaram. Suponho que o sapato que eu escolhi era antes utilizado em botes salva-vidas, para facilitar que aviões de resgate sobrevoando a área a dez quilômetros de altitude localizassem vítimas de naufrágios. Minha teoria é a única explicação para a fosforescente combinação de azul-piscina com rosa-choque do sapato, além do fato de ele ser feito quase inteiramente de borracha lisa e de eu ter encontrado algas marinhas dentro dele. Também digno de nota era o terrível odor de gato morto que o sapato emanava de suas entranhas. O chulezão era um negócio de virar as tripas mesmo. Antes de calça-lo, fiz o que pude para segurar o sapato sem enfiar os dedos na parte interna, com medo de pegar alguma doença exótica.

Por um momento pensei em remover dos meus pés aquele atentado às córneas alheias, receoso de que a extravagante combinação de cores fosse também uma ofensa à minha masculinidade. Mas aí me lembrei que se preocupar com cor de sapato é que é coisa de boiolas (igual os cornos dos pais de vocês, não esqueçam), então fiquei com aquela horrorosidade mesmo.

Aí…


Escrito por Kid on Jul 12, 2005

Fortaleza, março de 1997.
Pátio do Colégio Adventista, no centro da cidade. Hora do recreio.

– Cara, meu irmão chegou dos EUA ontem, e ele trouxe um jogo foda.
– Ah, é? Qual o nome do jogo?
– Porra Israel, o jogo é lançamento e tu é pobre, claro que não adianta eu falar o nome porque tu não conhece. Mas o jogo é foda.
– Hm, como é ele?
– Cara, tu não vai nem acreditar. Você pode peidar nos inimigos.
PODE PEIDAR NOS INIMIGOS??
– Pode. Pode peidar e arrotar, e eles morrem. Porque era tóxico e tal. Assim que você mata eles.
– Porra, mentira do caralho essa tua ein Norman.

(o nome do moleque era Leandro, mas a gente chamava ele de Norman. Nem lembro porquê.)

– Mentira o caralho. Tô te falando cara, o bonequinho do jogo peida e arrota. E tem umas privadas no fim das fases, e você entra nelas e tal.
– Porra, tu tá me iludindo com essa história, Norman. Num existe isso.
– Puta que pariu, moleque invejoso do cacete, claro que existe. Tô te falando, pode peidar, arrotar, entrar em privada, jogar meleca de nariz…
– Meleca de nariz, ôloco, inventou essa agora ein.
– Caralho moleque, tou te falando. Claro que…
– Me empresta o cartucho então, pra eu ver e tal.
– Num fode, ganhei ontem o jogo.

E assim foi. Norman jamais me emprestou o cartucho, e então Boogerman - o “jogo em que você arrota e tal” - permaneceu uma incógnita na minha vida. Embora eu tenha visto resenhas dele em sites e revistas na época e portanto finalmente aceitado sua existência, jamais pude experimentar a emoção de peidar num jogo.

“Porra, tinha o primeiro GTA!”, alguém diria nos comentários se eu não tivesse citado logo. O pessoal da Rockstar, não satisfeitos com toda a destruição e violência gratuita que enfiaram naquele CD, ainda deram ao seu personagem a capacidade de expelir gases, tanto via oral quanto anal. Mas esses peidos e arrotos eram inócuos e não matavam ninguém, qual a graça?

Como eu ia dizendo antes, além de não contar com a solidariedade do dono do jogo, as locadoras que eu frequentava diariamente não tinham uma cópia do título. Ou seja, jamais experimentei a emoção de jogar a parada.

É claro, até agora. A internet mais uma vez vem provando ser a melhor coisa já inventada desde o biscoito recheado de chocolate. Achei a ROM do jogo perdida num canto escuro e úmido de algum site russo de emulação, e então saquei meu gamepad USB, criei a pasta “Boogerman SS”, preparei o programa de screenshots e embarquei em mais uma viagem pelo mundo dos 16 bits.

E se você está lendo esta resenha e conhece meu estilo de resenhar jogos/filmes, já deve ter imaginado como foi a experiência.

Logo ao rodar a ROM, percebi que Norman não havia mentido. O Boogerman, que é aparentemente a última esperança da humanidade, aparece num curto vídeo de apresentação jogando uma meleca verde na tela. As confirmações das lendas não pararam por aí, não:


Percebi embasbacado que realmente há privadas no jogo. Esse foi o primeiro sinal de que Norman não era um mentiroso do caralho conforme as más línguas da escola (eu) espalhavam durante o recreio. Em menos de vinte segundos de jogo, eu já estava completamente estupefato e convencido de que este jogo deveria ser a melhor coisa já concebida pelo intelecto humano. Que mais surpresas esse excelente jogo guardava para mim?

Primeiro, veja que história do caralho:


Um cientista construiu uma máquina para livrar o mundo da poluição, enviando todo o lixo tóxico existente no planeta para a dimensão X-crement, e devo avisar neste momento que esse foi o primeiro de muitos trocadilhos escatológicos. O cientista jamais aparece no jogo, mas sei que ele é provavelmente maluco, visto isso é um pré-requisito nas academias científicas do mundo dos videogames. Se você é um personagem num universo de 16 bits e tiver qualquer coisa menos prejudicial que síndrome de Down, esqueça a carreira científica.

Há no meio do laboratório algum tipo de máquina que é aparentemente movida à base de um troço brilhante que flutua acima de um buraco (estou usando as notações científicas). A animação mostra em seguida um zelador entrando no laboratório para aspirar o pó ou passar Pinho Sol nas privadas ou qualquer outra coisa que zeladores fazem, quando DE REPENTE uma mão emerge do nada e rouba a paradinha que fornecia energia a sua máquina. O zelador corre pro banheiro e…

SURPRESA! É o Boogerman! Isso foi um choque incrível, já que ele era o único personagem que apareceu na apresentação e antes de se transformar em Boogerman já se parecia bastante com ele. Quem mais ele poderia ser?


E aí começa nossa aventura. Se logo de começo Boogerman não me inspirou muita confiança, já que ele deixou o aspirador de pó largado no meio do laboratório e obviamente não esvaziou as cestas de lixo, o que me aguardava na próxima tela era dava menos esperanças ainda. Essa tela de abertura da primeira fase dá o tom que permanece no resto do jogo.


Admirem a obra de arte dos programadores da Interplay (que até onde sei, faliu há anos para nos ensinar que karma é uma realidade)! Por onde começar? Há mais coisas horríveis nesse único screenshot do que eu já vi em toda minha vida de gamer nerd, e olhe que estou dizendo isso com um olho fechado. Sem dúvida você se inclinou mais perto do monitor para averiguar os detalhes do screenshot, e ao fazer isso relembro a você como é maravilhoso não sentir cheiros pela internet.

Mas falando sério, por onde começar? Os artistas que trabalharam em troca de comida no desenvolvimento desse jogo enfiaram tanta nojeira - e dessa vez no sentido literal - no jogo que eu nem sei sobre o que falo primeiro. Boogerman tem três “poderes”: jogar catotas de nariz, arrotar e peidar. Na área superior da tela do jogo, você tem os medidores das habilidades especiais do cara. Um nariz catarrento à esquerda, uma boca arrotante na direita. Há uma meleca verde espalhada em quase todos os milímetros quadrados da fase, então é melhor se acostumar. Bem no centro desse screenshot há uma pilha de lixo (há centenas de outras espalhadas ao longo dos mapas); Boogerman pode se abaixar e cavucar no lixo em busca de itens ou talvez sua dignidade perdida.

Apesar dos três fantásticos poderes diferentes e do fato que você morre se levar apenas dois golpes dos inimigos, Boogerman é um dos jogos mais fáceis que já tive o desprazer de gastar meu tempo jogando. Se você passar a fase inteira correndo sem parar e jogando catotas em qualquer coisa que apareça na sua frente que tenha um sprite animado, vai zerar o jogo em menos tempo que foi gasto pra gravar os sons de peido. Assim sendo, eu quase nunca precisei usar os gases do herói. As catotas serviam.


Acho que os programadores sabiam disso, e perceberam que seria inútil dar mais poderes pra ele. Por isso, Boogerman - A Pick and Flick Adventure é o único jogo que eu conheço que dispõe de um botão que não tem função nenhuma além de, quando ativado, fazer o personagem apontar o dedo pomposamento para os céus, sorrir expondo todos os dentes da frente e dizer “Boooooogerman!” Acho que colocaram essa habilidade aí porque já sabia-se de antemão que apenas pessoas com severos problemas mentais jogariam por muito tempo, e era necessário lembra-los de alguma forma qual era o jogo que eles estavam jogando.

Engoli o vômito e comecei a jogar a parada. Antes de mais nada, resolvi testar todos os poderes do personagem. O X o faz se apresentar, jogando o dedo pro alto e falando o próprio nome canastrissimamente. Os outros botões, não lembro quais, jogam meleca, peidos e arrotos na direção dos inimigos. Uma vez que eu já tinha dominado o complicado esquema de comandos, prossegui.

Imediatamente apareceu algum tipo de oponente na minha frente. Resolvi jogar meleca primeiro e fazer perguntas depois. Este “depois” acabou tornando-se um “nunca”, pois quando alvejado pelo projétil melecoso, o inimigo fez a única coisa lógica que alguém faz em situação semelhante: imediatamente desapareceu em uma nuvem de fumaça para nunca mais ser visto novamente. Foi tudo tão rápido que nem deu pra perceber direito o que era o inimigo. Não reclamei, pois enfrentar os inimigos com facilidade significaria jogar a ROM por pouco tempo.

Eu queria poder falar mais sobre esse jogo, mas simplesmente não há mais o que falar. Leia o que eu escrevi acima quatro vezes e você terá entendido o jogo inteiro. Boogerman é decepcionantemente raso e sem graça. Os peidos e arrotos são uma surpresa cômica na primeira vez que você os usa, mas perde a graça rápido - especialmente se você tem mais de sete anos e piadinhas escatológicas não são mais tão divertidas pra você. As fases são vazias e quase sem nenhum elemento interativo. Os inimigos não oferecem nenhum desafio. Se você passar durex no botão direcional direito e colocar um peso de papel em cima do Y (ou B, não lembro qual botão solta catarro) e for dar uma voltinha no shopping, quando voltar pra casa o jogo terá sido zerado quatro vezes.

Não chega a ser um jogo HORROROSO, entretanto; é simplesmente aquele tipo de fita que você alugava no fim de semana por indicação de alguém, e na segunda feira na escola espancava o moleque que o indicou por ter mau gosto e feito você gastar cinco reais num jogo chato.

O trocadilho é sem graça, mas é a pura verdade: Boogerman não fede nem cheira. E pra um jogo que tem nojeira como premissa, acho que isso é a pior das críticas.


Escrito por Kid on Jul 11, 2005

Nível 14.5 na Escala Klaus


Um vídeo com pouco mais de 25 segundos, feito por um cinegrafista amador, mostra a universitária (Direito) campineira Letícia Santarém Amaro Rodrigues, de 20 anos, saltando para a morte.

A garota, que praticava pela primeira vez o esporte radical conhecido como bungee jump - uma espécie de iô-iô humano - morreu depois de se jogar de um pontilhão ferroviário de 50 metros de altura no limite entre as cidades de Araguari e Uberlândia(MG), no último domingo, dia 3. As imagens chocantes mostram o momento exato do pulo, a corda que prendia Letícia à ponte se partindo, o desespero de quem aguardava a sua vez de saltar e a corrida por socorro do pai da universitária, o engenheiro agrônomo Lineu Amaro Rodrigues, de 43, que assistia a tudo. Ele deverá depor sobre o caso na delegacia de Araguari.
Fonte: Times New Roman

Aconteceu já faz um bom tempo, e curiosamente não vejo ninguém comentando. Bom, agora alguém vai comentar.

Me dá até agonia de assistir esse vídeo. Já assisti vários filmes da série Faces da Morte, e o que me pertuba mais do que as cenas violentas é a noção de que a pessoa que está vivinha da silva nas imagens morrerá em poucos segudos.

O cara que gritou “filho da puta!”, com a voz quase falhando, é provavelmente o pai da moça - que assistiu tudo de camarote a cinquenta metros de altura. O desespero do pessoal que assistia a cena é palpável.

Eu, ein.

Mandei o vídeo pra um amigo do MSN, segundos depois vem a resposta.


Puta que pariu, rachei de rir. O monitor tá todo borrifado de refrigerante.

Vou pro inferno mesmo.

[ Update ]

“Ai Quide, como você ri disso :(”

“Que horror, que falta de respeito :( :(”

“Kid, como você tem coragem de rir de uma coisas dessas… :( :( :(”


Escrito por Kid on Jul 9, 2005

Estou no exato momento no lado sul de Oshawa, num porao escuro. Como voces podem perceber pela falta de acentuacao, estou utilizando um PC gringo. Ha amiguinhos canadenses deitados pelo chao inteiro, algumas meninas sem camisa, 4 ou 5 garrafas de vodca descansando vazias no chao, e restos de pizza na parede(!!). O Gamecube do Ryan continua ligado, exibindo a tela de apresentacao de Super Mario Sunshine, mas ninguem esta jogando. O cachorro foi pintado de verde com aquelas espuminhas em spray, e repousa no cantinho do porao, semi acordado, provavelmente traumatizado por todas as brincadeiras de que ele foi alvo ontem a noite. Esse ai nao vai dormir tao cedo.

Creio eu ser o unico acordado, embora metade dessa galera ja deveria estar em casa ha horas atras. Daqui a pouco alguns pais furiosos aparecem ai, batendo na porta e gritando pelos seus filhos.

Nao sei quando voltarei pra casa. Os moleques estao planejando ir pra beira do Lago Ontario puxar uma erva, tocar violao e fazer pedrinhas quicarem na superficie do lago, e eu vou acabar indo junto. Assim sendo, nao sei quando atualizarei o blog.

Perdoem, amiguinhos. Prometo que no futuro tentarei nao ter uma vida social que atrapalhe as atualizacoes do blog.

Enquanto isso, os mais desesperados por uma atualizacao - e que tenham um bom dominio da lingua inglesa - poderao deliciar-se com as minhas tentativas de blogagem no ingreis. Eis o endereco.

Volto logo, prometo. Voces vem sendo bastante generosos com as esmolas, me sinto ate mal em nao poder fazer uma atualizacao melhor hoje. Vou tentar recompensa-los quando sair deste porao.

E agora vou apalpar uma das amiguinhas antes que a gotica acorde. o/


Escrito por Kid on Jul 7, 2005

Metallica

Passei o dia ontem na casa de uma amiguinha aqui (lembra o grupo de malucos que conheci no outro dia? Então, estavam todos lá). Entre batatinhas Ruffles e refrigerante sem gás, alguém sugere que a menina jogue um CD no aparelho de som do apartamento. A menina trás St. Anger, para a consternação quase geral da turma inteira. Este CD, para quem não é antenado no mundo musical, foi a mais recente tentativa desesperada do Metallica de arrancar uns tocados dos fãs em que eles cagaram em cima.

Enquanto a sala inteira reclamava sobre a drástica mudança no estilo da banda, com o unânime argumento de que “o som antigo era muito melhor“, percebi que sou um dos poucos que não odiou St. Anger. Não me entendam mal; o Metallica antigo realmente era muito melhor. Clássicos como One, Sad But True e No Leaf Clover (meus favoritos) são simplesmente obras de arte, o melhor que o estilo oferece. Essas são aquelas músicas que você recomenda a uma pessoa que não gosta da banda, justamente por saber que elas provavelmente mudarão a opinião do indivíduo.

Apesar das comparações inevitáveis, eu pessoalmente não acho St. Anger tão horrível assim; eu apenas preferia aquele CD quando era tocado por apenas uma banda, o System of a Down.

Mas então. Minha reclamação com o Metallica não é a qualidade inferior do último CD, ou da imitação descarada do estilo musical de outrem. Minha revolta contra o grupo se dá ao fato de que eles não dão a mínima importância pros seus fãs, e não pensam duas vezes a respeito de irritá-los se existe dinheiro na jogada.

Voltemos ao ano de 1998, ou talvez 1999, seu cu que eu vou ficar lembrando de datas. Eu e qualquer pessoa que tenha mais ou menos a minha idade éramos testemunhas de uma das mais chocantes revoluções que o mundo já sofreu: a troca de arquivos pela internet. Mais especificamente, a troca GRATUITA de arquivos pela internet. Afinal, foi o fator “grátis” que causou o rebuliço.

Napster era o nome. Assim como milhares de outros internautas, meu pai baixou o programa ainda em sua versão beta e começou a trocar mp3 por aí. Na época dos 56kbps, uma única música demorava HORAS pra chegar em nossos HDs - embora eu me conformasse em poder ouvir um preview de trinta segundos das músicas que eu estava baixando. O negócio começou pequeno, mas em breve alcançou popularidade e acordou a galera dos direitos autorais. Companhias de gravação tornaram-se cientes da safadeza perpetrada pelos internautas, e decidiu morder de volta. Começou uma batalha que dura até hoje, e não vai acabar enquanto a internet existir.

Chegamos ao ponto a que eu estou me referindo.

Quem pode se esquecer do famigerado caso Metallica vs Napster? Ou, mais especificamente pra quem lembra dos detalhes, Lars Ulrich vs Fãs do Metallica. O baterista do grupo entrou com uma ação judicial num tribunal californiano contra a rede de transferência de arquivos, e acabou vencendo. O Napster foi obrigado a remover músicas do Metallica de seus servidores.

Eles podem ter ganho a batalha, mas definitivamente não a guerra. Os p2p aprenderam a lição do Napster - ter arquivos que infrijam copyright nos seus servidores não é bom. Em breve surgiu o Gnutella, um p2p que não tinha servidores: os arquivos eram trocados diretamente de usuário pra usuário. E assim as produtoras musicais tomaram no cu novamente.

A lição de história acima não é o ponto. O que me faz perder o respeito em relação ao Metallica é que eles estavam dispostos a provocar milhões de fãs simplesmente porque estariam perdendo alguns trocados com vendas de CD.

Pra quem não conhece o funcionamento da indústria fonográfica e talvez ache que o Napster estava causando MUITO prejuízo ao Metallica, permita-me iluminá-los: Um grupo assina um contrato com a compania, e um “cachê” mínimo é estipulado para a gravação de X álbuns previstos pelo tal contrato. Este cachê, somado ao que a banda recebe para fazer shows, é a fonte PRINCIPAL de lucro para o grupo. O resto da grana que a banda arrecada vem de aparições especiais em eventos (em que eles não estejam tocando), venda de merchandising, e, finalmente, a venda de álbuns.

Corrijam-me se a cifra estiver desatualizada, mas a venda de CDs rende aproximadamente 3% de lucro para a banda. Se um CD custasse 10 reais, a banda que o gravou ganha em torno de TRINTA CENTAVOS por cada venda.

Quem leva o resto do lucro? A loja e as empresas que transportam os CDs levam uma pequena fração do custo final do álbum, e a gravadora leva a maior parte da grana. Não é a toa que esse ramo dá muito dinheiro. No fim das contas, gravadoras se alimentam da fama das bandas que elas contratam.

Enfim.

Por que o Metallica se deu ao trabalho de mover uma ação legal contra um serviço que estava causando, na pior das hipóteses, um prejuízo de 3% no seu lucro final (os CDs que deixariam de ser comprados por causa das mp3 grátis)?

Falta de respeito para com os fãs. Pessoas que baixam mp3 ou gostam muito da banda, ou querem conhecer o trabalho dos caras e possivelmente acabar gostando deles. Ao impedir que esse público ouça suas músicas pela internet, o que a banda está na verdade dizendo nas entrelinhas é “Foda-se se você gosta de nós, a menos que estejamos sendo pagos você não merece nos ouvir”, ou “Quer conhecer nosso som? Compre o CD, ué. E foda-se se você acabar nem gostando no fim das contas, ao menos já ganhamos o nosso. Não damos amostra grátis.”

O que me irrita nessa atitude é que a banda não está realmente sendo lesada. Grupos como o Metallica assinam contratos por MILHARES DE DÓLARES, e fazem shows por alguns outros milhares de dólares. Tenho certeza que os 3% a menos da venda de CDs não os fará ter que vender suas mansões e ir morar embaixo de uma ponte. Isso dá uma visão interessante a respeito de por quão pouco os caras estão dipostos a brigar com seus fãs.

Mas isso foi apenas o primeiro choque. Naquela época eu nem gostava de Metallica mesmo, e decidi baixar as músicas dos caras só por despeito. Resultado: hoje sou um quase fã da banda. Entretanto, por causa desse tipo de atitude gananciosa, jamais tirarei dinheiro da minha carteira pra comprar um CD dos caras.

E isso não é tudo. Em 2003, o Metallica decidiu que o mercado não estava muito bom pro metal convencional - aquele que os rendeu milhões de fãs ao redor do mundo - e bolou uma nova estratégia de marketing. E qual é essa estratégia, amigo?

Mudar o estilo, claro. Como não está vendendo mais, o melhor a fazer é mudar totalmente o estilo que os fãs esperavam de você. Afinal, essa história de tocar por gostar da música é bobagem, né?

St. Anger foi o novo soco na cara dos fãs da banda. Pela segunda vez, a banda deixou claro que está cagando e andando para seu público. Sem cerimônia, os caras jogaram fora o som antigo que os levou a fama simplesmente porque não vendia mais, como se dissessem “ah, vocês gostavam daquele som que fazíamos antes, né? Ah, aquilo não dá mais dinheiro, então paramos. Que tal esse aqui?” e Hetfield puxa uma palheta.

Novamente, não me entendam mal - não estou criticando o som novo que os caras estão fazendo. Eu até gostei de algumas faixas de St. Anger (e quase fui linchado por admitir entre amigos). O que me revolta é o motivo pelo qual a banda fez isso, e o descaso total com as expectativas dos fãs. Isso, aliado ao histórico de mesquinharia da banda, me decepciona demais.

E o pior é que, quando os metaleiros dizem que new metal é modinha, não dá mais pra discordar. Não deixa de ser verdade.


Escrito por Kid on Jul 6, 2005

Tipo assim, ó. Dessa vez eu posso explicar tudo. Prestenção.

Eu já tava começando a escrever o post do SNES e tal. Aí a namorada chega e me arrasta pra uma loja das proximidades, porque aparentemente o mundo como o conhecemos acabaria se ela não comprasse tinta pro cabelo naquele dia. No caminho da loja, eu e a patroa esbarramos num grupo de moleques que passeava nos arredores do Five Points Mall, um shopping que fica aos fundos do meu prédio. A gótica conhecia um dos rapazes da turma (eram dois caras e três moças). Amizade espontânea aconteceu e fundiu os dois grupos, e todos passamos o resto do dia juntos.

Conversa vai, conversa vem, alguém me pergunta com o que eu trabalho. Respondi “bom, não trabalho, mas escrevo textos e me dão dinheiro por isso” e mencionei que tinha que terminar um post. E percebi que o fato de que eu preciso atualizar essa bagaça ao menos uma vez a cada dois dias me fez perceber que há centenas de milhares de coisas que eu poderia estar fazendo se não fosse o presidente e fundador do HBD, a saber:

Fazer confusão no Orkut

A melhor coisa pra se fazer antes de começar o dia é causar ódio mortal em um desconhecido no orkut. Quando acordo de manhã, a primeira coisa que faço - antes mesmo da coçadinha testicular matutina - é logar no orkut e mandar algum usuário aleatório se foder por motivos que eu mesmo desconheço. É que nem terapia, porém mais barato. O entretenimento provocado pelo indivíduo revidando ferozmente me provém o bom humor que vos é característico.

Arrumar a putaria que se instalou sobre minha cama

Essa é a minha cama, como a vejo aqui da mesa do computador. A única coisa que separa minha cama do caos completo é a namorada, que dorme aqui nos fins de semana e faz o favor de arrumar a bagunça que faço (segundo boatos, eu rolo e pulo durante meu sono). Aliás, não vale a pena arrumar aquilo, melhor esperar pelo fim de semana mesmo.

Comer as últimas pringles na latinha

Comprei essa Pringles ontem, apenas para descobrir três minutos depois que ela era “regular”, ou seja, sem nenhum tipo de sabor (ketchup, churrasco, queijo e outros). Sem esses temperos, uma Pringles nada mais é que uma cream cracker (ou, como dizíamos no Ceará, cremecráque) arredondada e com menos sabor. Joguei a latinha no sofá com raiva e ali ficou. Acho que vou dar pro cachorro.

Tirar a poeira dos meus bonequinhos de Matrix

Qualquer pessoa que colecione algum tipo de bonequinho articulado sabe que essas porras atraem poeira como dinheiro atrai vagabundas (que querem dinheiro). Embebi um paninho com Pinho Sol pra limpa-los, mas as porcarias estavam completamente cobertas de poeira antes mesmo que eu pudesse passar a segunda mão. Desencanei e resolvi deixar do jeito que tá. Não faz muita diferença mesmo, a não ser que você seja detalhista e perceba que o Neo não tinha uma barba cinza no filme.

Arrumar meus livros

Adoro livros. Compro-os e roubo-os sempre que tenho a oportunidade, embora quase nunca os leia - tenho um problema que atrapalha pra caralho minha leitura, desconfio ser dislexia. Apesar de quase não mexer na estante de livros, eles conseguem mover-se da configuração inicial (livros grandes à direita, livros pequenos à esquerda) e organizar-se aleatoriamente na bancada.

Arrumar meus DVDs

Quando comecei a comprar e colecionar DVDs, eu os arrumava na estante por ordem alfabética, pra ficar bem organizado e fácil de encontrar aqueles pornôs que eu comprava na banquinha de revista atrás da igreja. Quando o número de disquinhos ultrapassou a casa dos duzentos, decidi que ser organizado é coisa de viado, e a bagunça se instalou também na coleção de filmes (percebe o padrão regente aqui em casa?).

Assistir o filme do Papa

Quando tirei a foto dos DVDs, encontrei essa pérola lá no meio. Eu não lembro de jamais ter visto esse filme/documentário no meio das outras caixa, então vou ter que supor que ele se materializou aqui em casa milagrosamente. Juro pra vocês que assistirei a parada o mais breve possível para em seguida escrever uma resenha bastante difamatória.

Ler Hitchhiker’s Guide to the Galaxy

Comprei anteontem. A primeira vez que vi o livro foi em 2003, quando tinha acabado de chegar aqui no Canadá. Por algum motivo havia naquela época um hype ao redor do livro, porque TODAS as livrarias o tinham em posições de destaque e nas seções “best sellers”. Chegou o filme, e o exposição só aumentou. Todo blogueiro que se preze tem que pagar uma de intelectual e ler autores que o resto do povão nunca ouviu falar, decidi gastar os vinte dólares para adquirir uma cópia do livro.

E tou gostando pra caralho. Douglas Adams misturava ficção científica com humor non sense de uma forma genial. Já o filme é uma bomba atômica e deve ser encarado como uma puta com sífilis - evite a todo custo nem que isso lhe custe a vida de familiares.

Jogar Tony Hawk’s Pro Skater 4

Antes de esbarrar com a gangue de canadenses, comprei esse jogo. Tá, antigão, mas quem pode recusar uma oferta de $9,99? Se você não tem um jogo da série Tony Hawk na sua coleção, você não tem um PS2. Com isso em mente, resolvi comprar o DVD. Fiquei em dúvida na hora de tirar o cartão do bolso: não seria melhor economizar o dinheiro e comprar a edição mais recente do jogo, Tony Hawk Underground 2?

Então pensei melhor. Tony Hawk’s 1, 2, 3, 4, Underground, Underground 2, Tony Hawk Vai À Rússia, qual a diferença? É uma porra de um jogo de skate. Você faz manobras, ganha pontos, cai de cara no chão, sangra. Fim. É tudo igual.

Na pior das hipóteses, convenço o Trunks a comprar também e a gente joga online.

Ah, e quando você seleciona o Bob Burnquist, ele fala frases em português. No seu repertório estão as filosofais “Aêêê, vamulá!” e “Ié!

Limpar a sujeira embaixo da cama

Pessoalmente, tenho medo de descobrir o que pode estar aí embaixo. Tirei essa foto de uma respeitável distância de dois metros.

Comprar um sapato novo

Cheguei no Canadá com esse sapato e o tenho até hoje. Apesar de estar nos últimos suspiros, me recuso a substituí-lo. Esse sapato velho e sujo foi um companheiro nos melhores momentos da minha vida, como por exemplo aquele dia em que meu pai me deixou na casa de um amigo em Whitby (uma cidade que fica a trinta quilômetros de Oshawa), sendo que o moleque não estava em casa e eu tive que voltar ANDANDO. Sim, porque meu pai não esperou que eu entrasse na casa pra sair com o carro.

Mencionei que isso foi no inverno, embaixo de uma nevasca, à uma temperatura filha da puta de -28 graus? Taí, mencionei agora.

Metade da cor que o sapato exibe atualmente se deve a esse dia.

Abrir o emulador de SNES

Já comecei a escrever o texto, eu juro.

Escovar os dentes

O engraçado é que se eu disser pra vocês que não lembro quando foi a última vez que escovei os dentes, vocês vão pensar que eu estou de gozação.

Limpar a banheira

E limpar a banheira, então? As paredes dela estão GRUDENTAS, um negócio horrososo. O problema de não morar com a mãe é que você percebe que aquela mágica que organizava a casa durante o tempo que você estava fora desaparece.

Jogar a TV da sala no lixo

Sem paciência pra levar a TV pra autorizada e querendo economizar os 50 dólares que daria a um técnico para ajeitá-la, meu pai disse “foda-se, eu arrumo isso”, meteu a mão na parada e estragou uma TV de 57 polegadas e dois mil dólares.

E o melhor da história é a Sony não aceitará a garantia, porque ele quebrou os lacres.

Parabéns, papai!

Brincar no parquinho do prédio

Ok, não é um parquinho - são dois balanços enferrujados que provavelmente darão tétano de presente à minha bunda.

Lavar meus pés

Perdi uma aposta com a galera ontem e fui obrigado a ir ao shopping correndo descalço e girando a camisa na mão.

Esse foi um dos resultado (o outro foi um segurança do shopping gritando e correndo em minha direção).

Arrumar o armário

A última vez que pude ver o chão desse armário foi quando nos mudamos pra cá.

Dar um chute no meu pai enquanto ele confere seus emails

Fala a verdade, ele merece.

E agora vou jogar Tony Hawk. Ninguém aí tem o modem no PS2, tem?

[ Update ] Tinha faltado uma:

Jogar Vampiro

:D

Agora, sim.


Escrito por Kid on Jul 5, 2005

Caralho, tive um sonho bizarro demais. Bizarraço mesmo, daqueles que fazem você acordar berrando e jogando os braços em direções aleatórias. E o que mais me chocou é que esse sonho foi bizarro justamente porque não foi bizarro; foi de um realismo singular.

Normalmente meus sonhos são extremamente esquisitos, e portanto eu já estou acostumado com sonhos que não fazem sentido. Tipo, já tive sonhos em que sou um libertador da raça humana que foi subjugada por uma espécie super desenvolvida de sapos. Sonhei outra vez que estava numa montanha russa em Marte com o Bozo, e que ele tentava me matar com um arco-e-flecha. Semana passada mesmo eu sonhei que escrevia inutilidades em um blog e alguém me pagava pra isso.

Meu padrão onírico é a esquisitice. Qualquer coisa que fuja da anormalidade é que é diferente, e nesse caso a coerência do meu devaneio até me assustou.

Eu sonhei que estava e Augusta, a capital do estado norte-americano Maine…


Esse aí

…e que era o período da Guerra Civil. A Guerra Civil Americana foi quando os estados do Norte, liderados por Lincoln (o presidente mais feio da história dos EUA), disseram pros do Sul “ow, libera teus iscravos aih kra!!“, ao que os estados sulistas respoderam “ti fudê maluko vai encarar?” e então decidiram que já eram crescidinhos o bastante pra ser um país por conta própria. E de fato, eles até elegeram um presidente (na verdade eles pegaram o primeiro cara que entrou num barzinho naquela noite) e escreveram sua própria constituição no verso de um guardanapo. Por quatro anos houve dois EUAs: os Estados Unidos e os Estados Confederados.

O Norte, muito macho, resolveu encarar e a putaria se instalou na América do Norte como nunca antes foi visto.

Ah, e o Sul teve sua bagaça chutada. Violentamente. O que era bem previsível, pois eles tinham metade da força militar de seus vizinhos nortistas, e controlar escravos se rebelando em seu território já era bastante trabalho.

Então, Guerra Civil e meu sonho.

Sonhei que morava num vilarejo nos arredores de Augusta, capital do Maine. Eu sei disso porque li numa plaquinha de madeira que dizia “Você está aqui” com uma setinha perto de Augusta.

Era noite, e eu estava com meus amiguinhos passeando numa floresta há alguns quilômetros da nossa vila, caçando esquilos ou alces ou javalis ou alguma coisa. Encontramos um estranho na floresta, e ele nos informou de que estava fugindo de sua cidade, que havia sido invadida pelos confederados. A nova estratégia deles, informou o estranho que por algum motivo conhecia os planos militares do inimigo, é invadir pequenas cidades no Norte, como uma aposta logística pra fechar o cerco contra Lincoln. Porque tipo, era difícil tentar invadir o Norte vindo pelo Sul. Você ia passando e os escravos iam arremessando pedras e cocô em você até que você finalmente chegasse ao limite Norte-Sul. Dali em diante, os anti-escravagistas do Norte é que jogavam pedras e cocô em você, porque sabiam de onde você estava vindo e quem você era. É difícil lutar sob tais condições.

Então os soldados do presidente sulista entraram em barquinhos de papel e navegaram a costa leste até o Norte. Chegando lá, começaram a tocar o terror.

Antes que perguntem qualquer coisa, não se se isso realmente aconteceu. Eu imagino que não, caso contrário devo ter algum poder sobrenatural de aprender lições de História durante meus sonhos. E isso é melhor do que qualquer um de meus outros poderes sobrenaturais, que envolvem mas não se limitam aos incríveis poderes de “amassar latinhas de refrigerante com os pés” e “pegar ônibus errado”.

Coming attractions: Mais uma fabulosa resenha de Snes, o Legado. Não percam.


Escrito por Kid on Jul 3, 2005


Se você está lendo esta página, isso significa que você tem um modem e acesso à internet (e nada melhor pra fazer). E se você tem um modem e acessa a internet, isso significa que você conhece a história do Klaus.

O motivo da minha convicção é simples: A notoriedade que o caso Klaus alcançou, em tão pouco tempo, é uma coisa que agências de publicidade não ousam sequer sonhar. O malfadado vídeo que catapultou o moleque pra fama (e talvez pra cadeia muito em breve) foi distribuído via messengers da vida numa progressão geométrica, e ultrapassou até mesmo o tráfico gerado pela antiga corrente que pregava que o ICQ se tornaria pago e que uma menina da Iuguslávia tinha um tumor inoperável e que o Bill Gates apareceria na sua casa à meia noite pra comer a sua bunda ou algo assim.

Mas deixa eu explicar do começo, praqueles que talvez tenham passado a última semana embaixo de uma pedra e não souberam da história. Sempre tem os desinformados, né.

Então, tinha esse cara né, o Klaus. Ele um dia decidiu fornicar com uma vadia qualquer da vida. A idéia já era boa, mas aí ele teve uma melhor! Não sabendo que sua vida seria arruinada irreversivelmente no processo, ele decidiu registrar a foda cinematograficamente com uma webcam, sem o consentimento - ou ao menos conhecimento - da menina. Acontece que a tal foda acabou nunca se consumando, provavelmente porque seriam necessárias quatro pirocas como a do moleque pra alcançar a largura de um lápis. Como se isso não fosse o bastante para garantir humilhação instantânea, o moleque teve a incrível habilidade de não conseguir meter na menina. É isso mesmo que você leu: o vídeo é nada além de oito longos minutos de uma constrangedora tentativa de sexo, embora o garoto ainda ache que está ALOPRANDO DEMAIS e ficar mandando caras e bocas pra câmera. Tipo, MALANDRAÇO, ein?

Nego tenta transmitir imagens de si mesmo trepando e se dá mal. Hmm, notou as semelhanças o filme American Pie? A velha “A vida imita a arte” era verdade, e apenas um episódio dessa natureza poderia confirmar a teoria. E, assim como no filme, a filmagem acabaria se tornando um motivo de muita humilhação e alguns lares destruídos.

Então. Pau pequeno e fino, falta de