Escrito por Kid on Aug 31, 2005

Escrever resenhas cinematográficas de filmes ruins é mais ou menos como pular de cabeça do topo de um prédio de 58 andares – não precisa ser um ciêntista da computação como o Graf pra saber que não vai ser coisa boa. No entanto, tenho como compromisso assistir filmes horríveis para que vocês não precisem assistir, então aceito minha sina mais ou menos como o Homem Aranha, que tem super poderes mas tem que ficar correndo pra cima e pra baixo (literalmente) pela cidade ajudando bundões.Acontece que a resenha de hoje exigiu um pouco mais de mim. Na ocasião em que assisti essa bomba pela primeira vez, a presença da namorada (combinada à ausência de suas roupas) disputaram minha atenção com o filme. O impasse durou quase 4 segundos, e ao fim dos quais joguei um sapato na televisão e fiquei com apenas metade do filme em minha mente perturbada. Quase UM MÊS se passou; decidi que apesar de nem ter assistido o filme inteiro, o pouco que vi já daria uma excelente resenha.Não tive escolha a não ser abrir o Limewire e procurar o vídeo.

Não vou manter nenhum suspense: Resident Evil: Apocalypse é O pior filme que eu já me submeti a assistir. Ever.Particularmente, me surpreendo muito pelo fato de que esse filme foi um grande lançamento hollywoodiano na época. Não há absolutamente nenhum quesito do filme que não possa ser resumido como “abismalmente horrível”. Já vi mais profissionalismo em produções amadoras para feiras de ciências. Tenho plena certeza que um macaco munido de uma câmera digital, um estilingue e um picolé de framboesa (que eu mesmo poderia fornecer) seria capaz de filmar algo pelo menos oitenta vezes melhor que esse filmeco. Ainda estou pensando se perdôo vocês por terem me feito passar pelo suplício de assistir esse filme não apenas uma ou duas vezes, mas ainda baixá-lo pro computador e admitir que o assisti.Mas como sei que você serão bastante generosos nas esmolas, vou parar de choramingar.

Jill Valentine. É gostosa, então deixa quieto
Paul Anderson decidiu que o público que não se interessou em assistir o primeiro filme era grande o bastante pra justificar um resumo do primeiro filme nos créditos de abertura do segundo. Por isso, Resident Evil: Apocalypse abre com um breve resumo do filme original. Isso foi uma jogada bastante útil praqueles que viram apenas 4 minutos do filme até decidir que bater a cabeça contra a parede pelos próximos 90 minutos seria mais divertido que terminar de assistir o filme.Eu, por exemplo. Nunca esperei muita coisa de filmes sobre videogames, especialmente se eu nunca gostei do jogo em questão. O primeiro Resident Evil já não inspirava muita confiança, e portanto a única coisa que sei sobre ele é que há zumbis em algum momento no filme. Assim sendo, não assisti.Enfim. Pelo resuminho de trinta segundos, entendi que no primeiro filme os zumbis passearam por laboratório gigante comendo a geral, claramente sem camisinhas, até que Mila Jovovich chegou chutando bundas com outros personagens secundários descartáveis. A narração é da própria Jovovich, a propósito, que canaliza toda a sensibilidade artística de um absorvente usado lendo o texto da introdução. Então, a Mila chutou muitas bundas zumbis, e finalmente escapou com vida do tal laboratório recheado de mortos-vivos.
Aí beleza, acontece que a super corporação maligna “Umbrela” decide que seria uma boa idéia abrir o laboratório pra entender o que aconteceu lá. Aparentemente o contexto da frase “os zumbis tão lá, fudeu geral” foi muito subjetivo para que eles sacassem a gravidade da situação. Previsivelmente, os caras abrem o laboratório, os zumbis escapam, e a putaria começa (de novo).
Somos então apresentados pra primeira personagem de alguma importância no filme: Jill Valentine, uma agente especial de um grupo chamado “S.T.A.R.S.” – possivelmente o nome mais imbecil pra uma organização de elite. Aliás, Residente Evil está bem servido no departamento de nomes imbecis: Raccoon City, Umbrela, STARS…
Divago.
Jill está em casa quando ouve no seu radinho à pilha que os zumbis estão a solta. Segundos depois ela aparece numa delegacia, mata algumas dúzias de zumbis que estavam ali de bobeira, fala suas linhas de diálogo e vai embora. Essa é basicamente a transcrição exata do que aconteceu de relevante na cena, ou seja, dá pra perceber que ela não teve propósito nenhum a não ser mostrar que a Jill é boa de mira e de pernas.
Aparece então o segundo personagem de certa relevância na trama. Olivera é o esteriotípico mocinho que não respeita regras se isso for necessário para salvar um inocente. Alguém de bom coração. Ou, como eu prefiro interpretar, alguém burro o bastante pra arriscar a própria carreira por alguém que ele sequer conhecer. Aquele tipo de gente tapada que cai em golpes do vigário e outras safadezas similares.
Então. Uma vadia qualquer está sendo perseguida por aproximadamente trinta mil zumbis. Ela é acuada no topo de um prédio, e o Olivera vendo tudo de um helicóptero lá. O mocinho implora ao piloto pra que eles voltem e resgatem a mulé, mas o piloto responde que “não há tempo”. Malditos pilotos contratados por organizações malignas, nunca têm tempo para salvar um inocente!
Olivera se emputece e decide que a força da gravidade não respeitaria a autoridade do piloto, então ele pula do helicóptero pra resgatar a mulezinha. Em queda livre, o cara dá vários tiros a esmos, e obviamente todos matam ao menos duas dúzias de zumbis porque nos filmes os caras são bons de mira mesmo, não precisam nem estar olhando pros alvos.
Mas é tarde demais: a mulé já foi mordida por um zumbi. Ou melhor, acho que essa era a idéia que a cena deveria ter passado, embora a tal mordida parecesse mais uma fatia de mortadela grudada no braço dela. Mas façamos de conta que era uma mordida mesmo.
E como todos sabem, os tratados médicos mais recentes são unânimes em afirmar que ser mordido por um zumbi transforma você AUTOMATICAMENTE em um. Ou seja, se possível, evite.
“Mas é tarde demais: a mulé já foi mordida por um zumbi. Ou melhor, acho que essa era a idéia que a cena deveria ter passado, embora a tal mordida parecesse mais uma fatia de mortadela grudada no braço dela. Mas façamos de conta que era uma mordida mesmo.
E como todos sabem, os tratados médicos mais recentes são unânimes em afirmar que ser mordido por um zumbi transforma você AUTOMATICAMENTE em um. Ou seja, se possível, evite.”
O filme avança algumas horas. É noite em Raccoon City, e vemos uma imagem aérea da cidade que agora está em estado de calamidade pública porque a zumbizada tá apavorando geral. A sapkgem tava mto grande mermaum.
É nesse momento que descobrimos que a Umbrela deveria largar todas as pesquisas e projetos em que estava envolvida e se dedicar exclusivamente à construção civil: os caras construiram um muro AO REDOR DA CIDADE INTEIRA num dia só, pra conter a epidemia. NUM DIA. E não tou falando de um muro qualquer de cimento e tijolo não, é um mega muro metálico de metros de altura, com portões automáticos e o caralho a quatro.

Olha o portãozão aí
Foram momentos como esse que reforçaram a idéia de que ninguém estava sequer tentando escrever uma história verossímil. O roteiro do filme deve ter sido escrito em 5 minutos no verso de um guardanapo do bar mais próximo à casa do diretor.
Então. Nossos heróis estão tentando sair da cidade, mas aí a galera da Umbrela percebe que a putaria atingiu níveis incontroláveis e então os portões são fechados. Raccoon City se torna automaticamente a maior prisão mista da galáxia.
A partir daí encerra-se qualquer resquício de história, porque o filme basicamente se torna um documentário sobre a stand de tiro que Raccoon City subitamente se tornou. Há uma cena de dois minutos com nada além de imagens de soldados de afiliação misteriosa atirando contra exércitos infinitos de zumbis.
Vale lembrar que há um personagem chamado Doutor Ashford que aparentemente é responsável pelo vírus, ou algo assim. Não prestei muita atenção. A única coisa digna de menção sobre o personagem é que ele tem um pesadíssimo sotaque britânico, porque aparentemente há uma lei em Hollywood que obriga ao menos um personagem ter sotaque britânico.
Imagine a situação. Você está numa cidade onde há um vírus a solta que transforma pessoas em mortos-vivos. Você precisa chegar do ponto A ao ponto B, talvez porque o ponto B tem consideravelmente menos zumbis que o ponto A. O que fazer?

ATRAVESSAR UM CEMITÉRIO, CLARO!
A foto aí prova que não inventei isso. Os caras precisavam DESESPERADAMENTE enfiar no filme a clássica cena dos mortos saindo da terra, e a melhor solução pra justificar a cena é pôr os personagens atravessando um cemitério VOLUNTARIAMENTE. Preciso relembrar que há um vírus zumbificador a solta? Não.

Precisa-se de dignidade, pago bem. Favor entrar em contato.
Um detalhe também digno de menção é a presença do Nemesis na película. Quer dizer, ouvi falar que ele estava no filme, mas acho que sacanearam o vídeo que eu baixei. Devem ter editado o filme ou algo assim, porque no lugar do terrível Nemesis de Resident Evil 3, havia um maluco vestindo uma fantasia CLARAMENTE de borracha, tão assustador quanto uma pilha gasta.
Simplesmente ridículo. O pior é que tenho absoluta certeza de que deve haver gente que se orgulha de ter participado da produção dessa porcaria.
O filme é horrível e pronto.
E que venham os fanzinhos que se agradam com lixo me criticar.
A propósito, a versão “unificada” da resenha está lá na área Cinema. A data tá errada, porque na verdade estou apagando um post qualquer e substituindo com a resenha, pra poder ficar com o layout bacaninha e tudo.
Escrito por Kid on Aug 29, 2005
Enquanto ganho tempo terminando um post novo, vai um remix.

Posso dizer que o resultado mais curioso da minha experiência escolar nos alpes canadenses é algo que já deveria ter sido previsto no dia em que um moleque na minha aula de matemática pediu uma calculadora para solucionar o mistério da raiz quadrada de 16, ou quando um outro em Antropologia pediu ajuda pra soletrar “tough” (ele teimava que era com um A): meu nível como estudante decolou em progressão geométrica elevada a quatro mais dois.
Como primeiro ponto nesta minha tese, cito a notável diferença do método de ensino. Aqui, a geral pode escolher as matérias que cursará durante o ano (que são apenas oito, contrastando com as quinze a que somos submetidos durante aquele período de prostituição mental e destruição de todos os valores morais que nós conhecemos no Brasil como “ensino médio”).
Como acontece em toda e qualquer situação em que moleques de 14-15 anos são agraciados com o privilégio de escolha que seja um pouco mais relevante que a cor da roupa que usam, isso resulta em inexorável porém previsível merda. Preguiçosos e vagabundos – porém equipados com livre arbítrio -, os guris procuram dar preferência a matérias extremamente desafiadoras como Preparação Alimentar e Higiene Pessoal em detrimento de disciplinas mais elaboradas, porém fundamentais para aqueles que não são sustentado por doações de teletons, como Matemática ou Gramática Básica. Essas escolhas acadêmicas dos canadenses, que são dominadas por 90% das pessoas que têm cozinhas, banheiros e alguma dignidade, são as culpadas por moldar uma sociedade em que um sujeito que saiba transformar kilometros em metros sem tabelas ou calculdora é um gênio.

Um colega canadense encara em desespero uma complicada equação de primeiro grau, enquanto os alunos do fundo já perderam toda a esperança de descobrir quanto é a raiz quadrada de 9 e então voltam sua atenção para um joguinho trazido pela professora
E foi justamente o que aconteceu comigo aqui. Maravilhados por minhas incríveis habilidades matemáticas (que incluem dividir números naturais de dois dígitos pela metade – de cabeça!!! – e dispor do aparato intelectual para descobrir hipotenusas escondidas atrás de um enigmático x), os canadenses olham para mim com o respeito e admiração que a maioria das pessoas endereçaria a um medalhista olímpico ou um ganhador do prêmio Nobel, e ainda assim apenas se estes tiverem namoradas gostosas.
Os caras deixam de aprender matemática pra cursar matérias que deveriam fazer parte da formação básica de qualquer ser humano que já tenha dispensado as fraldas, deu nisso: um desempenho escolar que envergonharia internos da APAE. O fato de que este país de primeiro mundo é habitado por pessoas que precisam de uma calculadora pra dividir números pares por dois me leva a crer que o sucesso de uma nação depende de algum tipo de ritual mágico que nós brasileiros não dispomos.
O destino me agraciou com uma formidável oportunidade de oferecer pra vocês uma amostra do que estou falando; entretanto, sinto uma dor no pâncreas por ter perdido meu celular-câmera e não poder imortalizar em .jpg a atividade a que a professora está nos submetendo neste exato momento (sim, estou digitando este post durante um aula – de onde vocês acham que veio a idéia?): estou recortando formas geométricas em feltro e costurando num pedaço de pano com os respectivos nomes. Até tentei sugerir atividades mais desafiadoras como decorar a tabuada de dois ou aprender a dar nó no cadarço, mas meus colegas de sala recusaram em uníssono devido ao fato que eles já estavam enfrentando considerável dificuldade em recortar o feltro de forma que o trabalho não parecesse ter sido feito por um cego com mal de Parkinson numa montanha russa. Cordenação motora não é um bem de que todos podemos nos gabar, aparentemente.
O segundo ponto que me catapultou de aluno-vagabundo-que-senta-no-fundão-e-faz-piadinha-o-tempo-todo para estudante exemplar é o supracitado detalhe da diferença no número de matérias administradas anualmente: temos em média quinze, ao contrário destes vagabundos que reclamam de oito – sendo que metade das tais te ensinam coisas como metodologia de fritar ovos e técnicas contemporâneas de limpar a bunda. Logo que cheguei aqui, os canadenses pouco sagazes me lembraram que o ensino médio canadense dura 4 anos, enquanto o nosso dura “apenas” 3 anos.
A verdade atingiu-os com a força de uma martelada no olho quando os lembrei que no Brasil estudamos quase o dobro de matérias que eles estudam aqui. Cada ano de Ensino Médio brazuca vale por dois canadenses, e olha que tou sendo generoso e considerando que todas as matérias que eles aprendem tem valor acadêmico – o que não é verdade.
Dessa forma, enfatizei o fato de que a diferença entre o mais vagabundo terceiro-anista brasileiro e o melhor estudante canadense é a mesma que separa um cientista de foguetes de um tijolo (com a diferença que um tijolo serve pra alguma coisa e não dá gastos ao Estado recebendo aulas imbecis sobre preparar macarrão instantâneo, escovar os dentes e cortar triângulos de feltro).
E o terceiro e final dessa porra de post que já tá grande demais é que, como se não fosse o bastante que a nota mínima de aprovação aqui seja um medíocre 5 (o que me garante uma vantagem extra que já já explico), alunos podem se formar independente de suas realizações acadêmicas, apoiando-se simplesmente em seu desempenho esportivo ou de um tal de “moral asset“, que em português significa “uma desculpa pra passar esses burros que não conseguem aprovação por conta própria“. Como receber aprovação por moral asset, você me pergunta? Basta se comportar um pouquinho acima da linha do permitido pelas normas sociais de bom convívio. Ou seja, se você nunca ameaçou um professor de morte à mão armada, explodiu uma bomba embaixo da cadeira do diretor, tomou parte em rituais satânicos no banheiro ou cometeu assassinato em primeiro grau nas instalações da escola, você já pode receber o moral asset.
A questão da média de aprovação é uma quesito à parte que garante com 100% de segurança a humilhação que esses canadenses sofrem em relação aos meus talentos estudantis. A média na minha escola era sete, portanto todas as minhas notas são iguais ou superiores a essa média. Mesmo nas matérias que eu menos gostava, minha nota é 5 vezes maior do que as maiores notas dos melhores alunos da escola.
Se eu soubesse que me mudar pro Canadá elevaria meu desempenho escolar a 456a. potência, eu nem teria começado o ensino médio no Brasil.
Escrito por Kid on Aug 28, 2005
Qual não foi a minha surpresa ao chegar em casa hoje e descobrir que a turma do HMD (ainda não sei quem foi exatamente o responsável pela obra de arte, então direi que foi “a turma”) escreveu uma revista/biografia não-autorizada sobre minha honorável pessoa.
Ainda não li todinha, porque assim que consegui parar de rir, liguei pra namorada pra mostrar as imagens pra ela. Julgando pelas legendas embaixo das imagens, dá pra ver que é coisa fina. Vou ler com mais calma depois de um banho que está atrasado por mais ou menos uma semana.
A revista está aqui. Removi as imagens porque uma certa pessoinha está LOUQUINHA pra arrumar um motivo banal pra me processar, e eu resolvi não facilitar a vida pra ela.
Vô te contar, não sabia que esse pessoal conhecia tanto assim a respeito da minha vida.
[ Update ] Li os comentários do post anterior e agora sei que o Killer foi o responsável pela revista.
Escrito por Kid on Aug 27, 2005

Em algum lugar nos Estados Unidos, no quartel general da Microsoft.
- Ou seja, a situação tá complicada.
Essa foi a conclusão de Richard – o diretor de finanças – após o término de sua apresentação de slides chatíssima, cheia de gráficos que poucos entenderam e menos ainda tentaram entender. As luzes se acendem, revelando que muitos participantes da reunião estavam esfregango os olhos e tentando disfarçar os bocejos. Um deles estava, por algum motivo, com as calças ao redor do tornozelo. Ele estaria limpando seu cubículo no fim do dia.
- Como vocês puderam perceber, o MSN simplesmente não está mais se sustentando. Perdemos o patrocínio das balas Juquinha, nosso maior acionista, e o tráfego de mensagens gera uma banda que não podemos mais suportar. Falei hoje com Mike Mehr Dohivel, nosso gerente de desenvolvimento e sacerdote oficial dos templos satânicos das áreas 5B e 5C, e perguntei se havia alguma solução para esta situação. Ele disse que, se esvaziarmos dois países europeus, enchermos cada metro quadrado de suas superfícies com servidores e reduzirmos o limite nas listas de contato no MSN pra quatro pessoas, 20% do problema terá sido resolvido. Isso, claro, na estimativa mais otimista. Mike também disse que “eles estão vindo, os marcianos estão vindo!!!” e que “cérebros são melhores que sorvete de baunilha“, o que me faz lembrar que precisamos de um novo gerente de desenvolvimento.
Neste momento um estagiário – que todos se perguntavam como havia adquirido acesso a uma reunião tão importante – ergueu o braço franzino, pedindo licença pra falar.
- Eu estive pensando…
Silêncio se fez na sala, e o estagiário olhou em volta e continuou.
- E se nós déssemos um jeito de chutar os usuários, ou ao menos uma parte deles, do serviço?
O silêncio foi substituído por um burburinho agitado.
- Garoto, não podemos fazer isso. Seria uma tragédia em termos de relações públicas, e além disso…
- Calma porra, deixa eu explicar. O meu plano é que talvez poderíamos lançar uma nova versão do MSN cheia de features e frescurinhas que na verdade espantariam os usuários. Não estaríamos expulsando ninguém per se, mas ainda assim muita gente não aguentaria o tranco e voltaria pro ICQ ou qualquer outro programa de mensagens instantâneas que nós estupramos com o MSN.
O diretor de finanças pensa por um tempo. Estala os dedos e finalmente diz:
- Moleque, que idéia genial. Chamem os programadores.
…
Embora a cena acima seja completamente fictícia e levemente inspirada em um pesadelo que tive semana passada, ela dá uma teoria bastante plausível para o lançamento da última versão do messenger da Microsoft. Aliás, não exatamente sobre o lançamento do programa, mas a respeito de algumas funções que ele tem.
O MSN 7 é recheado de funções mais ou menos na mesma proporção e intensidade que uma prostituta tailandesa é recheada de DSTs. Já comentei antes a respeito sobre o uso indiscriminado de GIFs pra substituir palavras, mas isso é apenas um uso alternativo da possibilidade de adicionar seus próprios smiles animados. Ou seja, era uma idéia aparentemente inócua que nós (e eu quero na verdade dizer “vocês”) avacalhamos. Então os GIFs eu deixo passar. Mas o que dizer disso?

Nudge. Ah, Nudge. Nem sei qual o nome da função no MSN em português, mas vocês sabem do que eu estou falando. Se não, isso significa que a imagem acima não carregou no seu navegador, provavelmente porque ele é comunista e merece morrer.
Nudge significa, na tradução mais literal possível, “empurrão” ou “cutucão”. Sabe aquele cara chatíssimo que não consegue pronunciar duas palavras sem enfiar o dedo indicador em variadas partes da sua anatomia, tentando desesperadamente chamar sua atenção?
Então. Esse era o público-alvo que a Microsoft tinha em mente ao embutir esse botãozinho do inferno no messenger. Algumas pessoas acham que o aviso sonoro e aquela janelinha piscando na barra de tarefas não chama sua atenção o bastante. Algumas pessoas esquecem que você pode estar ocupado com outras coisas – ou outras pessoas mais interessantes – e por isso não responde 3 milisegundos após elas te enviarem uma mensagem. Foi pra isso que inventaram o Nudge, pra lembrar a você que tem muita gente que não merece estar na sua lista e que você precisa selecionar melhor os seus amigos.
Pior que tem gente que abusa de algo que já é um abuso. Outro dia (antes de eu desabilitar essa função desgraçada), um cara mandou uns cinco ou seis nudges simultâneos porque eu não mandei uma resposta imediata ao seu “blz kra???///“. Meu monitor padeceu de ataques epiléticos que acabaram magicamente travando o Photoshop e mandando pro brejo todo o trabalho que eu estava tendo em deformar a foto de um desafeto qualquer.
O sujeito carente de atenção deve estar até hoje se perguntando por que eu nunca mais apareci online.
E o que dizer dos winks? Winks são uma falta de respeito ainda maior. Um indivíduo que te manda um wink está dizendo nas entrelinhas (mesmo que sem perceber) “estou pouco me lixando a respeito do que você pode estar fazendo no computador nesse momento. Foda-se o filme que você está assistindo, foda-se a música que você está ouvindo, foda-se o jogo que você está jogando: veja esta animação!“

ICQ, você era tão melhor. :(
Escrito por Kid on Aug 18, 2005

Num momento raro, passei pela sala ontem – quase nunca saio do meu quarto – e vi de relance meu pai assistindo uma reportagem no Globo Media Center. A matéria era a respeito do /kick /ban geral que tão dando nos colonos judeus, que ocuparam a região da faixa de Gaza na década de 70, transformando palestinos em bombas com pernas.
Ao menos é isso que diz o site da CNN. Se a data estiver errada, não é culpa minha.
A TV mostrava cenas dramáticas da retirada, enquanto eu degustava um cereal matinal com um leite que eu não consegui definir no momento, mas tenho 68% de certeza que estava estragado. Soldados israelenses agarrando neguim pelas pernas, braços, orelhas ou qualquer outra protuberância e arrastando rua afora. Moradores revoltados tentando futilmente reagir com pedradas. Gente amontoada dentro de sinagogas rezando fervorosamente para um Deus que, embora eles ainda não perceberam, virou as costas pra humanidade há muito tempo e mandou-nos todos se foder.
E eu vendo isso tudo e comendo meu cerealzinho com leite estragado. A desocupação faz parte de um plano de paz entre Israel e o povo palestino, pra parar de vez com os atentados que acontecem praticamente todo dia naquelas bandas. O governo de Israel tá gastando uma grana preta com essa operação, especialmente se você considerar que eles deram uma compensação de mais de 250 mil dólares pra cada família (certos casos chegaram a 500 mil).
E ainda assim, os caras não querem sair dali de jeito NENHUM. Porque tão na Terra Santa e tal, sabe como é.
Vou te dizer, nunca vi tanta gente disposta a ser explodida.
E por causa de um motivo tão imbecil como religião.
Ok, os terroristas estão bastante disposto a se dinamitarem também, mas ao menos eles fazem isso como uma ferramenta política. Tudo bem, demorou uns trinta anos pra Israel finalmente atender a exigência dos dissidentes, mas o que você queria? Praticamente todo dia acontece um atentado naquele país, ao que os israelenses se referem como “explosão das cinco”. Tipo o chá das cinco dos britânicos, mas com mais mortes. O governo israelense estava ocupado demais limpando restos de terroristas das calçadas. Ouvi dizer que eles até agendam seus compromissos em relação a isso:
“Aê Jacó, vamo no cinema assistir a Paixão de Cristo!”
“Nah, deixa alguém se explodir primeiro, é mais seguro.”

GAME OVER, MAN! GAME OVER! Pega tua grana e te manda logo dessa terra de gente inflamável. A propósito, compre uma tesoura no caminho, o cabelo da sua orelha está fora de controle
Uma dos momentos mais interessantes da cobertura jornalística foi quando o repórter explicou que as camisetas alaranjadas que alguns habitantes estavam vestindo simbolizavam um protesto silencioso contra o processo de desocupação. Claro, porque tudo que você precisa pra impedir um processo militar movido por um dos melhores exércitos do planeta são camisetas de silk-screen que são vendidas no quilo.
A própria idéia de protestar contra a desocupação é um contra-senso. Os caras estão protestando pelo direito de habitar uma terra que os palestinos explodem todo dia em forma de protesto? Especialmente levando em consideração que o processo trará paz pro seu próprio povo, e ainda por cima tendo recebido uma compensação que os permite morar em qualquer outro lugar?
Vai ser burro assim na puta que pariu.
Se eu fosse Ariel Sharon, teria bolado uma estratégia muito melhor: abaixaria os preços de C4, dinamite e gasolina. Queria ver os colonos protestando contra uma bola de fogo.
Escrito por Kid on Aug 18, 2005
As últimas cinco frases selecionadas são:
Matheus C. Vidal
“Vestiria uma jaqueta de lantejoulas – também do Mario, é claro!”
Víctor Castro de Sá
“Para ganhar eu não sei, mas com ela eu faria malabarismo no sinal!”
Luiza Martins
“Eu clicaria no banner da “esmolinha” todo dia até você virar um
multi-milionário!”
Saco de Lixo
“Vestiria uma daquelas placas pra fazer propaganda do HBD numa avenida movimentada”
Elton Maximiano
“Perderia um sabado na frente do micro! Taquipariu!”
…
É isso aí, molecada. Agora basta se preparar pra rodada final, no dia 20.
Pra quem não lembra do que consiste a rodada final:
No dia 20 de agosto (um sábado), aparecerá um post aqui no HBD apenas com a palavra “VALENDO”. Os três primeiros participantes – dentre aqueles dez qualificados – a postarem comentários serão catapultados pra Rodada Final.
Ou seja, neguim vai ter que marcar plantão no blog.
Comentários de não-participantes serão ignorados e/ou deletados.
Boa sorte.
Escrito por Kid on Aug 16, 2005

Pobreza não é uma exclusividade do País da Putaria e adjacências. Temos pé-rapados aqui no Hemisfério Norte também.
Estava eu montado na minha bicicretinha sorveteira quando fui abordado com um guri que parecia ter acabado de sair de um portal dimensional com uma ligação direta com a favela da Rocinha. O moleque – que não devia ter mais que 12 anos – era um caucasianinho, mas o resto de suas características (mais notavelmente seu cheiro) o faziam parecer mais com um habitante do terceiro mundo. Não gosto de fazer suposições sobre a vida dos outros, mas suspeito que o moleque tinha se trancado numa sauna por quatro horas e em seguida tomado banho de mijo de gato e lavado o cabelo com gema de ovo podre.
Completando o deprimente quadro, a putrefata criança carente canadense estava semi-descalça: chinelinho sujo num pé, chão quente no outro.
O remelento se aproximou da bicicleta e começou a avaliar o “cardápio”. De joelhos no chão e rente ao refrigerador, o garoto traçava com o dedo linhas indo de um lado pro outro nas ilustrações dos sorvetes, avaliando as escolhas.
Sabendo que o desgraçado ia demorar pra fazer a decisão – já tinham se passado dois minutos. A maioria dos fregueses já me aborda sabendo o que quer -, tomei a liberdade de sacar o Palm e, pra matar o tempo, desenhei uma casinha:

A julgar pela complexidade do desenho – veja, tem até uma chaminé -, dá pra perceber que o garoto passou um bom tempo escolhendo seu sorvete. Perdi a paciência totalmente, embolsei o palm e comecei a empurrar a bicicleta.
O moleque não se deu por vencido. Ele e as moscas que o seguiam continuaram orbitando a bicicleta, olhando fixamente para o menu composto de adesivos com fotos dos sorvetes. Meti o pé no chão, paralisando a bicicleta. O sol batia a pino, não havia nenhuma árvore na rua e minha paciência tava indo embora junto com meu suor.
- Puta que pariu, moleque. Vai comprar essa desgraça ou ficar só olhando? – ao dizer isso, coloquei o pé na frente da plaquinha com o número serial (18) da bicicleta. Não queria dar pro guri uma identidade pela qual ele pudesse ligar pro meu chefe e reclamar do atendimento. Acreditem, isso acontece com frequência.
- Ahn, tou escolhendo, tou escolhendo. – e meteu o dedo no nariz.
Suspirei fundo. O cabelo já estava a essa altura totalmente empapado de suor, e uma mecha molhada insistia em cair na minha cara, sujando as lentes dos meus óculos e elevando a frustração a um expoente de pelo menos três dígitos. Puxei a cabeleira pra trás, irritado com o desgraçado.
O moleque finalmente se levanta e manda:
- Ah, eu queria um Ice Cream Sandwich, mas tá caro demais.
Dá as costas e caminha de volta pra casa, sem a menor cerimônia.
O sorvete que ele queria custava 1,50. UM E CINQUENTA! Se o pivete tivesse afim de um Cookie Dough, que é a mercadoria mais cara da bicicleta, eu entenderia. Mas UM E CINQUENTA.
Pensando bem, foi até bom que ele não comprou o sorvete. Ia estragar o apetite dele pra sopa de caixa de papelão que sua mãe deve ter preparado pra ele e pra seus oito irmãos.
[ Update ] Finalmente.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
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