Escrito por Kid on Aug 31, 2005

Escrever resenhas cinematográficas de filmes ruins é mais ou menos como pular de cabeça do topo de um prédio de 58 andares - não precisa ser um ciêntista da computação como o Graf pra saber que não vai ser coisa boa. No entanto, tenho como compromisso assistir filmes horríveis para que vocês não precisem assistir, então aceito minha sina mais ou menos como o Homem Aranha, que tem super poderes mas tem que ficar correndo pra cima e pra baixo (literalmente) pela cidade ajudando bundões.Acontece que a resenha de hoje exigiu um pouco mais de mim. Na ocasião em que assisti essa bomba pela primeira vez, a presença da namorada (combinada à ausência de suas roupas) disputaram minha atenção com o filme. O impasse durou quase 4 segundos, e ao fim dos quais joguei um sapato na televisão e fiquei com apenas metade do filme em minha mente perturbada. Quase UM MÊS se passou; decidi que apesar de nem ter assistido o filme inteiro, o pouco que vi já daria uma excelente resenha.Não tive escolha a não ser abrir o Limewire e procurar o vídeo.

Não vou manter nenhum suspense: Resident Evil: Apocalypse é O pior filme que eu já me submeti a assistir. Ever.Particularmente, me surpreendo muito pelo fato de que esse filme foi um grande lançamento hollywoodiano na época. Não há absolutamente nenhum quesito do filme que não possa ser resumido como “abismalmente horrível”. Já vi mais profissionalismo em produções amadoras para feiras de ciências. Tenho plena certeza que um macaco munido de uma câmera digital, um estilingue e um picolé de framboesa (que eu mesmo poderia fornecer) seria capaz de filmar algo pelo menos oitenta vezes melhor que esse filmeco. Ainda estou pensando se perdôo vocês por terem me feito passar pelo suplício de assistir esse filme não apenas uma ou duas vezes, mas ainda baixá-lo pro computador e admitir que o assisti.Mas como sei que você serão bastante generosos nas esmolas, vou parar de choramingar.

Jill Valentine. É gostosa, então deixa quieto
Paul Anderson decidiu que o público que não se interessou em assistir o primeiro filme era grande o bastante pra justificar um resumo do primeiro filme nos créditos de abertura do segundo. Por isso, Resident Evil: Apocalypse abre com um breve resumo do filme original. Isso foi uma jogada bastante útil praqueles que viram apenas 4 minutos do filme até decidir que bater a cabeça contra a parede pelos próximos 90 minutos seria mais divertido que terminar de assistir o filme.Eu, por exemplo. Nunca esperei muita coisa de filmes sobre videogames, especialmente se eu nunca gostei do jogo em questão. O primeiro Resident Evil já não inspirava muita confiança, e portanto a única coisa que sei sobre ele é que há zumbis em algum momento no filme. Assim sendo, não assisti.Enfim. Pelo resuminho de trinta segundos, entendi que no primeiro filme os zumbis passearam por laboratório gigante comendo a geral, claramente sem camisinhas, até que Mila Jovovich chegou chutando bundas com outros personagens secundários descartáveis. A narração é da própria Jovovich, a propósito, que canaliza toda a sensibilidade artística de um absorvente usado lendo o texto da introdução. Então, a Mila chutou muitas bundas zumbis, e finalmente escapou com vida do tal laboratório recheado de mortos-vivos.
Aí beleza, acontece que a super corporação maligna “Umbrela” decide que seria uma boa idéia abrir o laboratório pra entender o que aconteceu lá. Aparentemente o contexto da frase “os zumbis tão lá, fudeu geral” foi muito subjetivo para que eles sacassem a gravidade da situação. Previsivelmente, os caras abrem o laboratório, os zumbis escapam, e a putaria começa (de novo).
Somos então apresentados pra primeira personagem de alguma importância no filme: Jill Valentine, uma agente especial de um grupo chamado “S.T.A.R.S.” - possivelmente o nome mais imbecil pra uma organização de elite. Aliás, Residente Evil está bem servido no departamento de nomes imbecis: Raccoon City, Umbrela, STARS…
Divago.
Jill está em casa quando ouve no seu radinho à pilha que os zumbis estão a solta. Segundos depois ela aparece numa delegacia, mata algumas dúzias de zumbis que estavam ali de bobeira, fala suas linhas de diálogo e vai embora. Essa é basicamente a transcrição exata do que aconteceu de relevante na cena, ou seja, dá pra perceber que ela não teve propósito nenhum a não ser mostrar que a Jill é boa de mira e de pernas.
Aparece então o segundo personagem de certa relevância na trama. Olivera é o esteriotípico mocinho que não respeita regras se isso for necessário para salvar um inocente. Alguém de bom coração. Ou, como eu prefiro interpretar, alguém burro o bastante pra arriscar a própria carreira por alguém que ele sequer conhecer. Aquele tipo de gente tapada que cai em golpes do vigário e outras safadezas similares.
Então. Uma vadia qualquer está sendo perseguida por aproximadamente trinta mil zumbis. Ela é acuada no topo de um prédio, e o Olivera vendo tudo de um helicóptero lá. O mocinho implora ao piloto pra que eles voltem e resgatem a mulé, mas o piloto responde que “não há tempo”. Malditos pilotos contratados por organizações malignas, nunca têm tempo para salvar um inocente!
Olivera se emputece e decide que a força da gravidade não respeitaria a autoridade do piloto, então ele pula do helicóptero pra resgatar a mulezinha. Em queda livre, o cara dá vários tiros a esmos, e obviamente todos matam ao menos duas dúzias de zumbis porque nos filmes os caras são bons de mira mesmo, não precisam nem estar olhando pros alvos.
Mas é tarde demais: a mulé já foi mordida por um zumbi. Ou melhor, acho que essa era a idéia que a cena deveria ter passado, embora a tal mordida parecesse mais uma fatia de mortadela grudada no braço dela. Mas façamos de conta que era uma mordida mesmo.
E como todos sabem, os tratados médicos mais recentes são unânimes em afirmar que ser mordido por um zumbi transforma você AUTOMATICAMENTE em um. Ou seja, se possível, evite.
“Mas é tarde demais: a mulé já foi mordida por um zumbi. Ou melhor, acho que essa era a idéia que a cena deveria ter passado, embora a tal mordida parecesse mais uma fatia de mortadela grudada no braço dela. Mas façamos de conta que era uma mordida mesmo.
E como todos sabem, os tratados médicos mais recentes são unânimes em afirmar que ser mordido por um zumbi transforma você AUTOMATICAMENTE em um. Ou seja, se possível, evite.”
O filme avança algumas horas. É noite em Raccoon City, e vemos uma imagem aérea da cidade que agora está em estado de calamidade pública porque a zumbizada tá apavorando geral. A sapkgem tava mto grande mermaum.
É nesse momento que descobrimos que a Umbrela deveria largar todas as pesquisas e projetos em que estava envolvida e se dedicar exclusivamente à construção civil: os caras construiram um muro AO REDOR DA CIDADE INTEIRA num dia só, pra conter a epidemia. NUM DIA. E não tou falando de um muro qualquer de cimento e tijolo não, é um mega muro metálico de metros de altura, com portões automáticos e o caralho a quatro.

Olha o portãozão aí
Foram momentos como esse que reforçaram a idéia de que ninguém estava sequer tentando escrever uma história verossímil. O roteiro do filme deve ter sido escrito em 5 minutos no verso de um guardanapo do bar mais próximo à casa do diretor.
Então. Nossos heróis estão tentando sair da cidade, mas aí a galera da Umbrela percebe que a putaria atingiu níveis incontroláveis e então os portões são fechados. Raccoon City se torna automaticamente a maior prisão mista da galáxia.
A partir daí encerra-se qualquer resquício de história, porque o filme basicamente se torna um documentário sobre a stand de tiro que Raccoon City subitamente se tornou. Há uma cena de dois minutos com nada além de imagens de soldados de afiliação misteriosa atirando contra exércitos infinitos de zumbis.
Vale lembrar que há um personagem chamado Doutor Ashford que aparentemente é responsável pelo vírus, ou algo assim. Não prestei muita atenção. A única coisa digna de menção sobre o personagem é que ele tem um pesadíssimo sotaque britânico, porque aparentemente há uma lei em Hollywood que obriga ao menos um personagem ter sotaque britânico.
Imagine a situação. Você está numa cidade onde há um vírus a solta que transforma pessoas em mortos-vivos. Você precisa chegar do ponto A ao ponto B, talvez porque o ponto B tem consideravelmente menos zumbis que o ponto A. O que fazer?

ATRAVESSAR UM CEMITÉRIO, CLARO!
A foto aí prova que não inventei isso. Os caras precisavam DESESPERADAMENTE enfiar no filme a clássica cena dos mortos saindo da terra, e a melhor solução pra justificar a cena é pôr os personagens atravessando um cemitério VOLUNTARIAMENTE. Preciso relembrar que há um vírus zumbificador a solta? Não.

Precisa-se de dignidade, pago bem. Favor entrar em contato.
Um detalhe também digno de menção é a presença do Nemesis na película. Quer dizer, ouvi falar que ele estava no filme, mas acho que sacanearam o vídeo que eu baixei. Devem ter editado o filme ou algo assim, porque no lugar do terrível Nemesis de Resident Evil 3, havia um maluco vestindo uma fantasia CLARAMENTE de borracha, tão assustador quanto uma pilha gasta.
Simplesmente ridículo. O pior é que tenho absoluta certeza de que deve haver gente que se orgulha de ter participado da produção dessa porcaria.
O filme é horrível e pronto.
E que venham os fanzinhos que se agradam com lixo me criticar.
A propósito, a versão “unificada” da resenha está lá na área Cinema. A data tá errada, porque na verdade estou apagando um post qualquer e substituindo com a resenha, pra poder ficar com o layout bacaninha e tudo.
Escrito por Kid on Aug 29, 2005
Enquanto ganho tempo terminando um post novo, vai um remix.

Posso dizer que o resultado mais curioso da minha experiência escolar nos alpes canadenses é algo que já deveria ter sido previsto no dia em que um moleque na minha aula de matemática pediu uma calculadora para solucionar o mistério da raiz quadrada de 16, ou quando um outro em Antropologia pediu ajuda pra soletrar “tough” (ele teimava que era com um A): meu nível como estudante decolou em progressão geométrica elevada a quatro mais dois.
Como primeiro ponto nesta minha tese, cito a notável diferença do método de ensino. Aqui, a geral pode escolher as matérias que cursará durante o ano (que são apenas oito, contrastando com as quinze a que somos submetidos durante aquele período de prostituição mental e destruição de todos os valores morais que nós conhecemos no Brasil como “ensino médio”).
Como acontece em toda e qualquer situação em que moleques de 14-15 anos são agraciados com o privilégio de escolha que seja um pouco mais relevante que a cor da roupa que usam, isso resulta em inexorável porém previsível merda. Preguiçosos e vagabundos - porém equipados com livre arbítrio -, os guris procuram dar preferência a matérias extremamente desafiadoras como Preparação Alimentar e Higiene Pessoal em detrimento de disciplinas mais elaboradas, porém fundamentais para aqueles que não são sustentado por doações de teletons, como Matemática ou Gramática Básica. Essas escolhas acadêmicas dos canadenses, que são dominadas por 90% das pessoas que têm cozinhas, banheiros e alguma dignidade, são as culpadas por moldar uma sociedade em que um sujeito que saiba transformar kilometros em metros sem tabelas ou calculdora é um gênio.

Um colega canadense encara em desespero uma complicada equação de primeiro grau, enquanto os alunos do fundo já perderam toda a esperança de descobrir quanto é a raiz quadrada de 9 e então voltam sua atenção para um joguinho trazido pela professora
E foi justamente o que aconteceu comigo aqui. Maravilhados por minhas incríveis habilidades matemáticas (que incluem dividir números naturais de dois dígitos pela metade - de cabeça!!! - e dispor do aparato intelectual para descobrir hipotenusas escondidas atrás de um enigmático x), os canadenses olham para mim com o respeito e admiração que a maioria das pessoas endereçaria a um medalhista olímpico ou um ganhador do prêmio Nobel, e ainda assim apenas se estes tiverem namoradas gostosas.
Os caras deixam de aprender matemática pra cursar matérias que deveriam fazer parte da formação básica de qualquer ser humano que já tenha dispensado as fraldas, deu nisso: um desempenho escolar que envergonharia internos da APAE. O fato de que este país de primeiro mundo é habitado por pessoas que precisam de uma calculadora pra dividir números pares por dois me leva a crer que o sucesso de uma nação depende de algum tipo de ritual mágico que nós brasileiros não dispomos.
O destino me agraciou com uma formidável oportunidade de oferecer pra vocês uma amostra do que estou falando; entretanto, sinto uma dor no pâncreas por ter perdido meu celular-câmera e não poder imortalizar em .jpg a atividade a que a professora está nos submetendo neste exato momento (sim, estou digitando este post durante um aula - de onde vocês acham que veio a idéia?): estou recortando formas geométricas em feltro e costurando num pedaço de pano com os respectivos nomes. Até tentei sugerir atividades mais desafiadoras como decorar a tabuada de dois ou aprender a dar nó no cadarço, mas meus colegas de sala recusaram em uníssono devido ao fato que eles já estavam enfrentando considerável dificuldade em recortar o feltro de forma que o trabalho não parecesse ter sido feito por um cego com mal de Parkinson numa montanha russa. Cordenação motora não é um bem de que todos podemos nos gabar, aparentemente.
O segundo ponto que me catapultou de aluno-vagabundo-que-senta-no-fundão-e-faz-piadinha-o-tempo-todo para estudante exemplar é o supracitado detalhe da diferença no número de matérias administradas anualmente: temos em média quinze, ao contrário destes vagabundos que reclamam de oito - sendo que metade das tais te ensinam coisas como metodologia de fritar ovos e técnicas contemporâneas de limpar a bunda. Logo que cheguei aqui, os canadenses pouco sagazes me lembraram que o ensino médio canadense dura 4 anos, enquanto o nosso dura “apenas” 3 anos.
A verdade atingiu-os com a força de uma martelada no olho quando os lembrei que no Brasil estudamos quase o dobro de matérias que eles estudam aqui. Cada ano de Ensino Médio brazuca vale por dois canadenses, e olha que tou sendo generoso e considerando que todas as matérias que eles aprendem tem valor acadêmico - o que não é verdade.
Dessa forma, enfatizei o fato de que a diferença entre o mais vagabundo terceiro-anista brasileiro e o melhor estudante canadense é a mesma que separa um cientista de foguetes de um tijolo (com a diferença que um tijolo serve pra alguma coisa e não dá gastos ao Estado recebendo aulas imbecis sobre preparar macarrão instantâneo, escovar os dentes e cortar triângulos de feltro).
E o terceiro e final dessa porra de post que já tá grande demais é que, como se não fosse o bastante que a nota mínima de aprovação aqui seja um medíocre 5 (o que me garante uma vantagem extra que já já explico), alunos podem se formar independente de suas realizações acadêmicas, apoiando-se simplesmente em seu desempenho esportivo ou de um tal de “moral asset“, que em português significa “uma desculpa pra passar esses burros que não conseguem aprovação por conta própria“. Como receber aprovação por moral asset, você me pergunta? Basta se comportar um pouquinho acima da linha do permitido pelas normas sociais de bom convívio. Ou seja, se você nunca ameaçou um professor de morte à mão armada, explodiu uma bomba embaixo da cadeira do diretor, tomou parte em rituais satânicos no banheiro ou cometeu assassinato em primeiro grau nas instalações da escola, você já pode receber o moral asset.
A questão da média de aprovação é uma quesito à parte que garante com 100% de segurança a humilhação que esses canadenses sofrem em relação aos meus talentos estudantis. A média na minha escola era sete, portanto todas as minhas notas são iguais ou superiores a essa média. Mesmo nas matérias que eu menos gostava, minha nota é 5 vezes maior do que as maiores notas dos melhores alunos da escola.
Se eu soubesse que me mudar pro Canadá elevaria meu desempenho escolar a 456a. potência, eu nem teria começado o ensino médio no Brasil.
Escrito por Kid on Aug 28, 2005
Qual não foi a minha surpresa ao chegar em casa hoje e descobrir que a turma do HMD (ainda não sei quem foi exatamente o responsável pela obra de arte, então direi que foi “a turma”) escreveu uma revista/biografia não-autorizada sobre minha honorável pessoa.
Ainda não li todinha, porque assim que consegui parar de rir, liguei pra namorada pra mostrar as imagens pra ela. Julgando pelas legendas embaixo das imagens, dá pra ver que é coisa fina. Vou ler com mais calma depois de um banho que está atrasado por mais ou menos uma semana.
A revista está aqui. Removi as imagens porque uma certa pessoinha está LOUQUINHA pra arrumar um motivo banal pra me processar, e eu resolvi não facilitar a vida pra ela.
Vô te contar, não sabia que esse pessoal conhecia tanto assim a respeito da minha vida.
[ Update ] Li os comentários do post anterior e agora sei que o Killer foi o responsável pela revista.
Escrito por Kid on Aug 27, 2005

Em algum lugar nos Estados Unidos, no quartel general da Microsoft.
- Ou seja, a situação tá complicada.
Essa foi a conclusão de Richard - o diretor de finanças - após o término de sua apresentação de slides chatíssima, cheia de gráficos que poucos entenderam e menos ainda tentaram entender. As luzes se acendem, revelando que muitos participantes da reunião estavam esfregango os olhos e tentando disfarçar os bocejos. Um deles estava, por algum motivo, com as calças ao redor do tornozelo. Ele estaria limpando seu cubículo no fim do dia.
- Como vocês puderam perceber, o MSN simplesmente não está mais se sustentando. Perdemos o patrocínio das balas Juquinha, nosso maior acionista, e o tráfego de mensagens gera uma banda que não podemos mais suportar. Falei hoje com Mike Mehr Dohivel, nosso gerente de desenvolvimento e sacerdote oficial dos templos satânicos das áreas 5B e 5C, e perguntei se havia alguma solução para esta situação. Ele disse que, se esvaziarmos dois países europeus, enchermos cada metro quadrado de suas superfícies com servidores e reduzirmos o limite nas listas de contato no MSN pra quatro pessoas, 20% do problema terá sido resolvido. Isso, claro, na estimativa mais otimista. Mike também disse que “eles estão vindo, os marcianos estão vindo!!!” e que “cérebros são melhores que sorvete de baunilha“, o que me faz lembrar que precisamos de um novo gerente de desenvolvimento.
Neste momento um estagiário - que todos se perguntavam como havia adquirido acesso a uma reunião tão importante - ergueu o braço franzino, pedindo licença pra falar.
- Eu estive pensando…
Silêncio se fez na sala, e o estagiário olhou em volta e continuou.
- E se nós déssemos um jeito de chutar os usuários, ou ao menos uma parte deles, do serviço?
O silêncio foi substituído por um burburinho agitado.
- Garoto, não podemos fazer isso. Seria uma tragédia em termos de relações públicas, e além disso…
- Calma porra, deixa eu explicar. O meu plano é que talvez poderíamos lançar uma nova versão do MSN cheia de features e frescurinhas que na verdade espantariam os usuários. Não estaríamos expulsando ninguém per se, mas ainda assim muita gente não aguentaria o tranco e voltaria pro ICQ ou qualquer outro programa de mensagens instantâneas que nós estupramos com o MSN.
O diretor de finanças pensa por um tempo. Estala os dedos e finalmente diz:
- Moleque, que idéia genial. Chamem os programadores.
…
Embora a cena acima seja completamente fictícia e levemente inspirada em um pesadelo que tive semana passada, ela dá uma teoria bastante plausível para o lançamento da última versão do messenger da Microsoft. Aliás, não exatamente sobre o lançamento do programa, mas a respeito de algumas funções que ele tem.
O MSN 7 é recheado de funções mais ou menos na mesma proporção e intensidade que uma prostituta tailandesa é recheada de DSTs. Já comentei antes a respeito sobre o uso indiscriminado de GIFs pra substituir palavras, mas isso é apenas um uso alternativo da possibilidade de adicionar seus próprios smiles animados. Ou seja, era uma idéia aparentemente inócua que nós (e eu quero na verdade dizer “vocês”) avacalhamos. Então os GIFs eu deixo passar. Mas o que dizer disso?

Nudge. Ah, Nudge. Nem sei qual o nome da função no MSN em português, mas vocês sabem do que eu estou falando. Se não, isso significa que a imagem acima não carregou no seu navegador, provavelmente porque ele é comunista e merece morrer.
Nudge significa, na tradução mais literal possível, “empurrão” ou “cutucão”. Sabe aquele cara chatíssimo que não consegue pronunciar duas palavras sem enfiar o dedo indicador em variadas partes da sua anatomia, tentando desesperadamente chamar sua atenção?
Então. Esse era o público-alvo que a Microsoft tinha em mente ao embutir esse botãozinho do inferno no messenger. Algumas pessoas acham que o aviso sonoro e aquela janelinha piscando na barra de tarefas não chama sua atenção o bastante. Algumas pessoas esquecem que você pode estar ocupado com outras coisas - ou outras pessoas mais interessantes - e por isso não responde 3 milisegundos após elas te enviarem uma mensagem. Foi pra isso que inventaram o Nudge, pra lembrar a você que tem muita gente que não merece estar na sua lista e que você precisa selecionar melhor os seus amigos.
Pior que tem gente que abusa de algo que já é um abuso. Outro dia (antes de eu desabilitar essa função desgraçada), um cara mandou uns cinco ou seis nudges simultâneos porque eu não mandei uma resposta imediata ao seu “blz kra???///“. Meu monitor padeceu de ataques epiléticos que acabaram magicamente travando o Photoshop e mandando pro brejo todo o trabalho que eu estava tendo em deformar a foto de um desafeto qualquer.
O sujeito carente de atenção deve estar até hoje se perguntando por que eu nunca mais apareci online.
E o que dizer dos winks? Winks são uma falta de respeito ainda maior. Um indivíduo que te manda um wink está dizendo nas entrelinhas (mesmo que sem perceber) “estou pouco me lixando a respeito do que você pode estar fazendo no computador nesse momento. Foda-se o filme que você está assistindo, foda-se a música que você está ouvindo, foda-se o jogo que você está jogando: veja esta animação!“

ICQ, você era tão melhor. :(
Escrito por Kid on Aug 18, 2005

Num momento raro, passei pela sala ontem - quase nunca saio do meu quarto - e vi de relance meu pai assistindo uma reportagem no Globo Media Center. A matéria era a respeito do /kick /ban geral que tão dando nos colonos judeus, que ocuparam a região da faixa de Gaza na década de 70, transformando palestinos em bombas com pernas.
Ao menos é isso que diz o site da CNN. Se a data estiver errada, não é culpa minha.
A TV mostrava cenas dramáticas da retirada, enquanto eu degustava um cereal matinal com um leite que eu não consegui definir no momento, mas tenho 68% de certeza que estava estragado. Soldados israelenses agarrando neguim pelas pernas, braços, orelhas ou qualquer outra protuberância e arrastando rua afora. Moradores revoltados tentando futilmente reagir com pedradas. Gente amontoada dentro de sinagogas rezando fervorosamente para um Deus que, embora eles ainda não perceberam, virou as costas pra humanidade há muito tempo e mandou-nos todos se foder.
E eu vendo isso tudo e comendo meu cerealzinho com leite estragado. A desocupação faz parte de um plano de paz entre Israel e o povo palestino, pra parar de vez com os atentados que acontecem praticamente todo dia naquelas bandas. O governo de Israel tá gastando uma grana preta com essa operação, especialmente se você considerar que eles deram uma compensação de mais de 250 mil dólares pra cada família (certos casos chegaram a 500 mil).
E ainda assim, os caras não querem sair dali de jeito NENHUM. Porque tão na Terra Santa e tal, sabe como é.
Vou te dizer, nunca vi tanta gente disposta a ser explodida.
E por causa de um motivo tão imbecil como religião.
Ok, os terroristas estão bastante disposto a se dinamitarem também, mas ao menos eles fazem isso como uma ferramenta política. Tudo bem, demorou uns trinta anos pra Israel finalmente atender a exigência dos dissidentes, mas o que você queria? Praticamente todo dia acontece um atentado naquele país, ao que os israelenses se referem como “explosão das cinco”. Tipo o chá das cinco dos britânicos, mas com mais mortes. O governo israelense estava ocupado demais limpando restos de terroristas das calçadas. Ouvi dizer que eles até agendam seus compromissos em relação a isso:
“Aê Jacó, vamo no cinema assistir a Paixão de Cristo!”
“Nah, deixa alguém se explodir primeiro, é mais seguro.”

GAME OVER, MAN! GAME OVER! Pega tua grana e te manda logo dessa terra de gente inflamável. A propósito, compre uma tesoura no caminho, o cabelo da sua orelha está fora de controle
Uma dos momentos mais interessantes da cobertura jornalística foi quando o repórter explicou que as camisetas alaranjadas que alguns habitantes estavam vestindo simbolizavam um protesto silencioso contra o processo de desocupação. Claro, porque tudo que você precisa pra impedir um processo militar movido por um dos melhores exércitos do planeta são camisetas de silk-screen que são vendidas no quilo.
A própria idéia de protestar contra a desocupação é um contra-senso. Os caras estão protestando pelo direito de habitar uma terra que os palestinos explodem todo dia em forma de protesto? Especialmente levando em consideração que o processo trará paz pro seu próprio povo, e ainda por cima tendo recebido uma compensação que os permite morar em qualquer outro lugar?
Vai ser burro assim na puta que pariu.
Se eu fosse Ariel Sharon, teria bolado uma estratégia muito melhor: abaixaria os preços de C4, dinamite e gasolina. Queria ver os colonos protestando contra uma bola de fogo.
Escrito por Kid on Aug 18, 2005
As últimas cinco frases selecionadas são:
Matheus C. Vidal
“Vestiria uma jaqueta de lantejoulas - também do Mario, é claro!”
Víctor Castro de Sá
“Para ganhar eu não sei, mas com ela eu faria malabarismo no sinal!”
Luiza Martins
“Eu clicaria no banner da “esmolinha” todo dia até você virar um
multi-milionário!”
Saco de Lixo
“Vestiria uma daquelas placas pra fazer propaganda do HBD numa avenida movimentada”
Elton Maximiano
“Perderia um sabado na frente do micro! Taquipariu!”
…
É isso aí, molecada. Agora basta se preparar pra rodada final, no dia 20.
Pra quem não lembra do que consiste a rodada final:
No dia 20 de agosto (um sábado), aparecerá um post aqui no HBD apenas com a palavra “VALENDO”. Os três primeiros participantes - dentre aqueles dez qualificados - a postarem comentários serão catapultados pra Rodada Final.
Ou seja, neguim vai ter que marcar plantão no blog.
Comentários de não-participantes serão ignorados e/ou deletados.
Boa sorte.
Escrito por Kid on Aug 16, 2005

Pobreza não é uma exclusividade do País da Putaria e adjacências. Temos pé-rapados aqui no Hemisfério Norte também.
Estava eu montado na minha bicicretinha sorveteira quando fui abordado com um guri que parecia ter acabado de sair de um portal dimensional com uma ligação direta com a favela da Rocinha. O moleque - que não devia ter mais que 12 anos - era um caucasianinho, mas o resto de suas características (mais notavelmente seu cheiro) o faziam parecer mais com um habitante do terceiro mundo. Não gosto de fazer suposições sobre a vida dos outros, mas suspeito que o moleque tinha se trancado numa sauna por quatro horas e em seguida tomado banho de mijo de gato e lavado o cabelo com gema de ovo podre.
Completando o deprimente quadro, a putrefata criança carente canadense estava semi-descalça: chinelinho sujo num pé, chão quente no outro.
O remelento se aproximou da bicicleta e começou a avaliar o “cardápio”. De joelhos no chão e rente ao refrigerador, o garoto traçava com o dedo linhas indo de um lado pro outro nas ilustrações dos sorvetes, avaliando as escolhas.
Sabendo que o desgraçado ia demorar pra fazer a decisão - já tinham se passado dois minutos. A maioria dos fregueses já me aborda sabendo o que quer -, tomei a liberdade de sacar o Palm e, pra matar o tempo, desenhei uma casinha:

A julgar pela complexidade do desenho - veja, tem até uma chaminé -, dá pra perceber que o garoto passou um bom tempo escolhendo seu sorvete. Perdi a paciência totalmente, embolsei o palm e comecei a empurrar a bicicleta.
O moleque não se deu por vencido. Ele e as moscas que o seguiam continuaram orbitando a bicicleta, olhando fixamente para o menu composto de adesivos com fotos dos sorvetes. Meti o pé no chão, paralisando a bicicleta. O sol batia a pino, não havia nenhuma árvore na rua e minha paciência tava indo embora junto com meu suor.
- Puta que pariu, moleque. Vai comprar essa desgraça ou ficar só olhando? - ao dizer isso, coloquei o pé na frente da plaquinha com o número serial (18) da bicicleta. Não queria dar pro guri uma identidade pela qual ele pudesse ligar pro meu chefe e reclamar do atendimento. Acreditem, isso acontece com frequência.
- Ahn, tou escolhendo, tou escolhendo. - e meteu o dedo no nariz.
Suspirei fundo. O cabelo já estava a essa altura totalmente empapado de suor, e uma mecha molhada insistia em cair na minha cara, sujando as lentes dos meus óculos e elevando a frustração a um expoente de pelo menos três dígitos. Puxei a cabeleira pra trás, irritado com o desgraçado.
O moleque finalmente se levanta e manda:
- Ah, eu queria um Ice Cream Sandwich, mas tá caro demais.
Dá as costas e caminha de volta pra casa, sem a menor cerimônia.
O sorvete que ele queria custava 1,50. UM E CINQUENTA! Se o pivete tivesse afim de um Cookie Dough, que é a mercadoria mais cara da bicicleta, eu entenderia. Mas UM E CINQUENTA.
Pensando bem, foi até bom que ele não comprou o sorvete. Ia estragar o apetite dele pra sopa de caixa de papelão que sua mãe deve ter preparado pra ele e pra seus oito irmãos.
[ Update ] Finalmente.
Escrito por Kid on Aug 16, 2005
Há pouco tempo um leitor (não lembro mesmo quem foi) sugeriu que, já que vocês são meus mantenedores, que eu devia postar aqui tudo que compro com a grana das esmolas virtuais. Uma espécie de prestação de contas com Fisco, mais ou menos.
Acho que ele tem razão. Assim, postarei tudo que comprar com essa graninha que vocês me dão.

Começando hoje.
Hip Gear Wireless PS2 Controller with Rumble Function (Batteries Included)
O que é: É um controle sem fio, e nada mais que isso. Aliás, minto - o controle tem um modo turbo e uma tal de função macro, que nunca tinha ouvido falar mas já imagino pra que sirva: vou poder floodar em fóruns enquanto jogo Socom II.
Essa haste preta embaixo do controle é um suportezinho vagabundo de plástico. A caixinha preta é a antena, que é conectada na entrada do controle no videogame. A frequência é 2.4ghz, e o alcance é de 30 pés. Vou poder jogar tomando banho.
Quanto: 45 doletas.
Brigado mesmo, galera.
Escrito por Kid on Aug 15, 2005
Aposto que vocês tinham até esquecido que era hoje. Conforme vocês devem lembrar, a regra do concurso dizia que a frase deveria ter 15 ou menos palavras. Isso obviamente não impediu algumas pessoas de enviar verdadeiras redações de vestibular, com dois ou até três parágrafos.
Pra não ser tão carrasco, decidi que as 15 palavras limite não incluem preposições nem artigos. Contar “a” ou “o” como se fosse palavra é foda.
Enfim, as cinco primeiras frases são:
Alberto Lage P.C. Rezende
“Eu iria a pé até o Canadá pra buscar. Mas ja inventaram os correios.”
Diego Neves
“Eu faria qualquer coisa, MENOS ir atrás do armário…PERIGOSO!”
Marcel Barbosa
“Iria até o Maranhão encontrar o Ademir, e convenceria ele a gravar um CD “Live in Oshawa”"
Toninho
“EU DARIA A BUNDA.”
![]()
Donkey Kong Jr
“Mandaria um cheque do google por email direto pro Canadá via TAM.”
E é isso aí. Gostaria de relembrá-los que agora não adianta mais mandar mensagens, pois a Rodada I já acabou.
Agora vou vender uns picolés.
Escrito por Kid on Aug 13, 2005
Muito trabalho, fim de semana corridaço e, pra completar a falta de motivação, poucas esmolas.
Assim sendo, vai um post remixado.
Vou arrumar um espacim na agenda pra postar “de verdade”, não se desesperem.
…
Apesar de ser um cara muito impaciente com pessoas imbecis, eu acredito que ser burro é um direito que vos assiste. Um dia a ONU declarará que todo ser humanon tem direito a ser um bastardo ignorante, ao menos em relação a alguma coisa, ou ao menos em algum ponto da sua vida. Isso vai deixar muita gente feliz, pois afinal elas terão uma desculpa para justificar sua própria estupidez.
Certo, todo mundo tem direito de ser burro. Mas acontece que tem gente cujo baixo raciocínio ofende e ABUSA da nossa boa vontade. Um exemplo claro de gente que se agarra firmemente ao seu direito de ser estúpida são pessoas que lêem horóscopo.
O que leva alguém a acreditar numa babaquice tão estúpida e obviamente ridícula como astrologia? Falta de perspectiva de vida, ausência de senso de realidade, ignorância pura? Já fui estudante de Bacharelado em Física, mas o motivo que leva alguém a acreditar em astrologia é algo está muito além da minha compreensão.
Astrólogos ganham (muito) dinheiro porque eles aliviam a consciência das pessoas. Eles convenceram multidões a acreditar que rochas e bolas gasosas que giram a bilhões de quilômetros de distância do nosso planeta são os responsáveis pelos seus fracassos pessoais. Eles dão conforto às pessoas que não querem acreditar que são mais feias que bater em mãe na missa, ou que não têm nenhuma habilidade útil ao mercado de trabalho. Os astrólogos deram a conveniente ilusão de que a feiúra e a ineptude dessas pessoas nada tem a ver com seus fracassos. Isso é culpa de Saturno e seus aneis, aqueles filhos da puta.
E numerologia então? Nada pessoal, Undes(23x+78y)³+(34x-7y)=10.
“As letras do seu nome representam 1, 2, 3 e 4. Somando tudo atinge-se 10, o que explica toda a desgraça que acontece na sua vida desde o dia em que você nasceu. Para mudar esse péssimo quadro astral, mude seu nome pra Josephynu. Caso não faça efeito, use dois Y’s.”
Porra, é deprimente e vergonhoso para mim como membro da raça humana saber que tem gente que acredita nessa merda.
Existem (muitas) revistas especializadas em esoterismo, prova de que há muita gente aí fora que se interessa em saber a posição de Netuno em relação a Marte, e em como isso afetará sua vida amorosa. Mesmo nenhum conhecimento astrológico, eu posso dizer com 97,8% de certeza em que isso afetará sua vida: em porra nenhuma, meu filho. Os movimentos de corpos celestes ao redor do Sol não são o motivo pelo qual você perdeu seu emprego ou sua namorada, isso aconteceu porque tu é prego, e o fato de que você acredita em horóscopo é a confirmação da sua preguice. Caso encerrado.
Não é necessário um diploma em astronomia para sacar logo de cara que horóscopo não passa de um esquema ridículo e extremamente ilógico para arrancar dinheiro de pessoas burras. Basta ler algumas “previsões” astrológicas:
(e para não pensarem que inventei algo tão sem sentido, taí o link)
Escorpião
Plutão está em contato com Mercúrio, simbolizando intuição, sensibilidade à flor da pele, conhecimento e sabedoria, mas também podendo indicar a tendência a se preocupar excessivamente, ruminando velhas encucações, escorpiano.
Como exatamente Plutão poderia estar em contato com Mercúrio, se esses são os planetas mais separados de todo o sistema solar?! Será que a tal astróloga não poderia ter usado alguma lógica e escolhido Vênus e Marte, ou Saturno e Júpiter? Que diferença ia fazer? O cara que tá lendo a previsão tá pouco se lixando para o nome dos planetas, ela quer saber se vai arrumar um emprego ou se aquela mina vai dar pra ele.
“…, simbolizando intuição, sensibilidade à flor da pele, conhecimento e sabedoria…”
O que os dois planetas tem a ver com essas características em particular, nem o Google sabe. O astrólogo estabelece relações arbitrárias entre as posições dos corpos celestes e a maneira como isso influenciará uma pessoa. Nada do que eles alegam faz o menor sentido, o que acaba impedindo que você diga “seu viado, você está inventando isso!“. Óbvio, se você não compreende, não pode apontar a farsa.
Mas não nos detenhamos nesse ponto, essa não é a questão principal.
Reparem como previsões zodíacas são extramemente AMPLAS: elas geralmente englobam uma miríade de interpretações, o que na minha concepção significa “atirar desesperadamente pra todo lado“. Apostando em vários possíveis resultados, a chance de acertar ao menos um deles é altíssima. Pra confirmar minha teoria, vem o “mas também podendo indicar a tendência de…” Previsões sempre têm o “mas também podendo significar…”, o que prova de uma vez por todas a estratégia por trás de previsões astrológicas: sair chutando alopradamente.
Escolha dois planetas quaisquer, estabeleça alguma relação entre eles (ou estão perto demais, ou estão longe demais, ou estão girando muito rapidamente, ou estão tortos) e saia atribuindo consequências do alinhamento deles, sempre envolvendo mil e uma interpretações. com alguma sorte, alguma vai acabar se adequando a alguém. Pronto, acabei de desvendar a lógica por trás das previsões astrológicas. Querem ver?
“Vênus e Netuno estão formando um ângulo de 90 graus com Fobos, uma das luas de Marte. Isso não é bom, pois significa pobreza na família, incêndio na sua casa, queda na bolsa de valores e descarrilamento de trens. Mas também pode siginificar que você vai arrumar um emprego melhor, ou ganhar um prêmio na loteria, ter mais visitas pro seu blog ou achar uma nota de cinco reais no chão. Entretanto, tal alinhamento astronômico também representa ser infectado com o vírus HIV, ser atropelado por um triciclo e ter perda total num acidente automobilístico usando um carro emprestado e sem seguro e com os faróis queimados, o que aumenta a multa. Logo, tal alinhamento no sistema solar o expõe a toda sorte de putarias e infortúnios, embora também possa trazer boas supresas e vibrações - pois é. Para anular os efeitos nocivos dos astros, não deixe de adquirir o super especial kit Merlin2004 Plus, com 13 cristais mágicos místicos sobrenaturais e coloridos, que energizarão seus portais transcendentais mandando a influência negativa diretamente para a puta que pariu“
Porra, ficou bem mais convincente e científico que essa merda que eu achei na internet. Foda-se o blog, vou ser um astrólogo gótico.
Escrito por Kid on Aug 11, 2005
[ Update 2 ] O Fívio me deu a idéia de procurar o perfil do Roosewelt no orkut. Com um nome desses, não deveria ser difícil de achar.
E não foi mesmo. Olha o naipe do cara.
Esse é o sujeito que tem a audácia de me chamar de feio?
E reparem a atitude do menino, mó mini-punk-anti-sistema-e-tudo-mais. O cara tira foto mostrando dedinho pra câmera, e eu sou “infantil”.
Ironia pouca é bobagem. No post que despertou a ira do terrível Roosewelt, eu tinha dito exatamente o seguinte:
“Era impossível conhecer um estudante de biblioteconomia sem que todo o grupinho desse um olhar estranho ao coitado. Primeiro, pela sua duvidosa preferência sexual: Biblioteconomia, assim como Serviço Social, era um curso predominantemente feminino. Ao contrário do que possa parecer, estudar numa sala cheia de mulheres não facilita a pegação. Por serem maioria, elas é que acabam te influenciando: antes que você perceba, estará familiarizado com revistas femininas e dando conselhos sentimentais para as colegas de sala. Daí em diante é um passo pra começar dar a bunda. É um fato científico.“
Aí encontro uma foto da turma com a qual o cara divide a sala de aula. Acho que não preciso dizer muita coisa.
E que beldades de capa de revista, ein? Ô inveja. Vou voltar pro Brasil e fazer vestibular de Biblioteconomia, claramente esse rapaz tá muito melhor na fita do que eu.
…
Tá explicada a raiva do moleque. O post bateu onde doeu.
Aliás, leiam o perfil do cara. Sabe aquelas pessoas que não sabem bem o que falar, nem como articular o discurso, e aí enfiam dois quilos de palavras rebuscadas no texto? Aí eles misturam tudo com chavões e lugares-comuns e, no fim da obra, batem no peito orgulhosas e se acham muito inteligentes? Então.
Leiam a descrição dele e vocês entenderão.
[ Update ] Mas que porra. Alguns leitores me falaram que o blog, quando acessado via www.hbdia.com, demora um bocado de tempo pra exibir os posts novos.
Se isso estiver acontecendo com você, deixa uma mensagem aí nos comentários. Preciso ter uma idéia da amplitude do problema pra formular uma solução a longo prazo.
A curto prazo, usem o link do blogspot. Se tudo estiver normalzinho, continuem usando o pontocom.
Já me mandaram vírus. Já me cadastraram em maillist de blogs que odeio. Já até espalharam meu hotmail em chats gays.
Mas eu sabia que postar meu email no HBD um dia valeria a pena.
Lembram desse post, em que eu zoava o curso superior de Biblioteconomia?
Então. Alguém não gostou muito daquele texto, e aí resolveu expressar sua indignação escrevendo um email para minha pessoa. Caso haja alguma dúvida de que pessoas que se estressam lendo um blog de humor são imbecis da melhor qualidade, apresento agora a Prova A:

O Roosewelt é tão foda que ele não precisa digitar o nome do próprio curso corretamente
Li o email não menos que quatro vezes. A mensagem era tão ridiculamente retardada, que foi difícil me convencer de que é um email REAL, e não alguém fazendo uma piada irônica.
Depois de fazer um minuto de silêncio pelo cérebro do Roosewelt, que de acordo com meus cálculos deve ter morrido uns 10 anos antes do envio deste email, comecei a ler as entrelinhas da mensagem que o carinha me mandou.
Uma das coisas que saltam à vista é o fato de que ele insinua que eu não sei escrever. É engraçado receber uma crítica dessas de alguém que escreve “quizeres”, “frustado”, “ensina” (quando na verdade queria dizer “ensinar”), “apreendeu” (a intenção era escrever “aprendeu”. Vou dar um voto de confiança e deixar passar como um erro de digitação) e “por que” numa resposta. Quem é alfabetizado, o que não parece ser o caso do nosso amigo aí, sabe que “por que” antecede perguntas, e não respostas.
Ok, mesmo deixando de lado os detalhinhos “técnicos” desse atentado gramatical que é o email deste indivíduo - que foi aprovado mediante a uma redação para uma faculdade federal! -, sobra ainda mais imbecilidade. O primeiro parágrafo é uma espécia de “olhe para mim, eu entendo alguma coisa sobre programação para a web“. Embora o maluco tenha vomitado várias siglas do jargão tecnológico, eu duvido muito que esse indivíduo realmente saiba ao menos o começo da teoria de programação. Um maluco desse não dominou sequer a linguagem portuguesa, que ele esteve praticando a vida inteira, imagine então uma linguagem de programação.
Me engana que eu gosto, Roosewelt. Aliás, que nomezinho de pobre do caralho, ein? Pobre tem essa mania de dar nome em inglês, ou que simulem inglês. Se for nome de presidente americano morto então, é um combo. Lembro que tinha um maluco no meu segundo ano que se chamava “Jon Quenedi”, e lembrei-me dele ao ler essa sua terrível mensagem. Assim como você, o cara não era lá um grande prodígio intelectual, se é que você me entende.
…
Mas isso tudo foi apenas detalhe. A mais legal incoerência do rapaz foi a seguinte:
Aos que não sabem, “pedra” é uma gíria maranhense que significa “falta de mulé”. “Pedra” é também um objeto que tem um QI médio um pouco superior ao autor desse email.
Feita a tradução, o que essa frase significa? O cara tá me oferecendo ir a um Congresso (de Bibliotecomia, imaginem o naipe do evento) pra pegar mulher, porque eu em contrapartida “só pego mulher pagando”.
Roosewelt, odeio estragar sua ilusão, mas Congressos não são de graça. Não apenas se paga a taxa de inscrição, mas na maioria das vezes você também tem que pagar uma viagem ao local do evento, e hospedagem por toda a duração do negócio.
Ou seja, tá me parecendo que ir pra Congresso pra comer buceta sai um pouquinho mais caro que as hipotéticas prostitutas que você me imagina pegando.
Então peraê - essa é a sua técnica de pegar mulé? Pagar inscrição em Congresso/Encontro Regional, em seguida pagar uma passagem com destino à cidade onde o Congresso acontecerá, e finalmente pagar hospedagem pelos três ou quatro dias do evento?
Enquanto você torra a grana do papai na esperança de pegar alguém, nem passagem de ônibus pra ver minha namorada eu preciso pagar.
Aliás, você ao menos sabe o que é “namorada”? Vou explicar: é aquela garota que você come frequentemente e que portanto não precisa se tacar em outra cidade pra tentar por três dias pegar alguém.
E pra fechar com chave de ouro, o fulaninho me chama de “feio”. Suspeito que ele completaria com um “bobão” e “faz xixi na cama, nhé!“, mas ele teve que ceder seu computador pra outro aluno.
O curioso é que ele me chama de infantil no título do email.
E falando em UFMA, eu gostaria de saber como ou porque este indivíduo concluiu que eu frequentei uma universidade paga - isso é um detalhe da minha vida que eu nem mesmo sabia. Até hoje, eu acreditava ter cursado a mesma faculdade que você, e não apenas isso, mas também o CEFET.
Não que isso seja um grande mérito, não me entenda mal. CEFET é uma merda mesmo.
E a UFMA aceita até gente como você.
Escrito por Kid on Aug 9, 2005
Pronto. Consertei quase tudo no layout, não perdi os posts… acho que de todas as crises que o site já teve, esta foi a menos horrível. A única área do site ainda não acessível é o FAQ, já que este era outro arquivo que ficava no server do yuri, mas já já ajeito isso. Já consegui até as perguntas de volta (santo cache do Google), basta criar outro layout rapidim.
Obrigado pelo apoio, cambada.
E vale lembrar que o www.hbdia.com é totalmente à prova dessas putarias (porque esse aí eu pago, óbvio). Sempre que alguma merda do tipo acontecer com o HBD, corram pro domínio pontocom. Mesmo que o blog esteja fora do ar, seja lá por qual o motivo, em breve ele volta pra esse domínio aí.
Ou seja, é o único 100% seguro.
E bola pra frente, que tem post novo vindo aí.
Seguinte.
Novamente, a novela de mudança de endereços.
O domínio do yuri faleceu. Assim sendo, perdi muitas imagens que estavam hospedadas no site dele. Entretanto, parece que não perdi meus históricos, e glórias ao blogspot por isso.
O www.hbdia.com continua firme e forte.
A propósito, o layout vai ficar zoado por um tempinho, mas darei um jeito nisso aí. Acontece que o .css e algumas imagens ficavam no server do yuri, então foi tudo pro espaço.
Oh, well. Poderia ter sido pior, né? Ao menos não perdi os posts. Bola pra frente e cabeça erguida.
Mas não vou negar, ver o HBD todo degringolado dá um aperto no coração :(
Escrito por Kid on Aug 8, 2005
Quase esqueço de continuar o post sobre o trabalho. Essa correria entre a impressora e a tábua de passar está consumindo todo o meu tempo livre.
Onde eu parei mesmo? Ah, sim. Na sexta feira retrasada, primeiro dia de trabalho, acabei chegando no lugar uma hora adiantado. Culpa da placa mãe do meu PC, que desde o mês passado vem apresentando problemas de junta - tenho que juntar tudo e jogar fora.
Já havia alguns outros picolezeiros no lugar, preparando suas bicicletas para a labuta. Sendo eu o newbie sem moral, teria que esperar o “treinamento” (que seria administrado por Sean - pronuncia-se “Xôn” -, um dos chefes).
Sentei-me no chão do estacionamento das bicicletinhas, enquando assistia os meus colegas de trabalho desaparecer um a um ao dobrarem a esquina. “Treinamento”? Como assim, “treinamento?” Tudo que vou fazer é andar de bicicleta (que na verdade é um triciclo, o que diminui ainda mais o desafio) e fazer continhas aritméticas simples pra descobrir o troco do freguês. Isso não deveria ser extremamente simples?
Era o que eu achava. Assim como na Matrix, a realidade não é o que parece e o Morpheus é careca.

Essa bicicleta acima se parece muito com o meu instrumento de trabalho. A diferença é que a mulé da foto tem bastante sorte, pois ela tem um guarda-sol acoplado à bicicreta dela. Além disso, esse cabelo dela me parece ser capaz de suportar tiros de rifles de precisão, então ela não deve se preocupar muito com quedas.
Após uns dez minutos de espera, o Xôn aparece. O gringo se desculpa pela demora e começa a me passar o básico da profissão.
- “Jamais deixe uma crianças subir na bicicreta. No verão passado, um dos vendedores deixou uma menina dar uma voltinha nela, e a garota acabou descendo uma ladeira, virando a bicicleta e enfiando a cara no asfalto. Perdemos quase 50% da carga da bicicleta naquele dia.”
- “Se você for assaltado - nunca aconteceu, mas gostamos de deixar todos preparados -, não entregue o dinheiro. Se necessário, grite, ou até lute se você for capaz, mas em hipótese nenhuma entregue a grana. Com sorte alguém virá ao seu socorro e o ladrão fugirá”
(Precisa dizer que os caras não tão acostumados com esse tipo de situação?)
- “Tente sempre beber água em intervalos regulares, não queremos que você desmaie e seja atropelado por um caminhão de lixo quando estiver lá fora”
E ele deu mais umas dicas, mas eu tava ocupado anotando tudo mentalmente e pensando como escreveria o post. Por causa disso, quando ele finalmente me desejou boa sorte e saiu, eu fiquei com aquela sensação de um aluno vagabundo quando percebe que há uma prova bimestral em cima da sua mesa e ele não estudou nada.
Agora já era, pensei. O chefe me equipou com uma bolsinha pra guardar o troco, um rudimentar sistema de GPS (um mapinha recém-saído de uma impressora matricial). Montei na bicicleta e zarpei rumo ao desconhecido.
Sabe, na faculdade eu havia ouvido falar dum negócio chamado “gravidade”, mas você não entende o que isso realmente significa até o momento em que tem que empurrar uma bicicleta de picolés ladeira acima. Na moral, em um determinado momento passei uns trinta segundos lutando contra a bicicleta, tentando empurrá-la pela rua íngreme. Eu colocava toda minha força naquela porra, e o negócio não apenas não ia pra cima, como deslizava lentamente ladeira abaixo, ignorando todo o meu esforço.
Mas eventualmente eu superei a subida, e o resto foi tranquilo. Havia mais algumas ladeiras à frente, mas nada que uma pedalada violenta não resolvesse. Em alguns locais, era possível até dar uma volta na ladeira e chegar ao outro lado sem precisar subi-la.
Com a exceção dessas questões meramente geográficas, o resto do trabalho é muito moleza. Ser um picolezeiro consiste simplesmente em passear de bicicleta em áreas de alta concentração de gurizada, e tocar os sininhos da bike o mais alto possível. É batata. De longe, ouço os berros desesperados da molecada (que ás vezes estão em outra rua), e então vejo aquela turba correndo em minha direção.
É de dar medo, até.
Pior é quando tem uns garotinhos mais animados que tentam ENTRAR no refrigerador da bicicleta. Outro dia desses um pivete se pendurou no refrigerador e começou a escalar em direção à entrada do negócio, ignorando meus protestos. A vontade de tira-lo de lá de cima aos murros foi quase irresistível.
Lembro que no primeiro dia, já havia passado três hors e eu não tinha vendido nenhum sorvetinho sequer. Tava puto, quando avistei duas menininhas sentadas no jardim diante uma caixa de papelão. Minha visão não é das melhores, mas eu pensei ter visto copos e uma jarra em cima da caixa.
Passei pelas meninas tocando os sininhos, e uma delas se levantou de supetão e correu em minha direção. Notei na mão dela algo que poderia ser uma cédula, então me animei. Seria minha primeira venda!
Porra nenhuma.

Só não rasguei de raiva porque achei que seria uma boa escanear e pôr no blog. Taí.
Vender picolés é, em muitas formas diferentes, como atravessar o deserto. Você anda por horas debaixo de um sol escaldante sem ver uma alma viva, e antes que perceba tem que racionar sua água. Antes do meu primeiro dia de trabalho, o Joe falou “traga água”. Inocentemente, eu trouxe UMA garrafinha de água mineral. Meia hora depois de começar o trabalho, a garrafinha já estava vazia, e eu desesperado.
Em uma ocasião me chega um molequinho todo seboso e, sem mais nem menos, põe um sapato em cima do refrigerador da bicicleta.
“Tu me dá quanto por esse sapato?”
Olhei-o meio de soslaio, dei um tapão no sapato que o arremessou ao meio fio e montei na bicicleta. Eu tava puto, pois achei que ele ia comprar sorvete e não oferecer escambo.
“Não, cara. Olha só, é Nike. Sério. Me dá um sorvete.”
Olhei o moleque de alto a baixo. O sapato não caberia no meu pé. Mandei outro tapa e segui adiante.
Esse não foi a única oferta estranha. Outro dia uma menina perguntou se podia cantar em troca da minha mercadoria.
Quem diria que canadenses seriam tão desesperados por sorvete?
Escrito por Kid on Aug 6, 2005
Versão final
(Leiam o adendo sobre a Rodada II)
(Ok, a Rodada III foi-se embora. O que vocês não me pedem chorando…)
Devido a problemas de segurança, a natureza da competição teve que ser alterada. Decidi eliminar a competição baseada nos Time Trials de Mario Kart por dois motivos: o primeiro é a questão das montagens, e o segundo porque esse formato limita o número de participantes. Após conversar com o Edu e Flávio, bolei alterações que permitirão uma competição mais ampla e honesta.
E vamos que vamos.
Rodada I ou Geral
Os participantes deverão enviar-me um email respondendo a seguinte pergunta:
A resposta deve ter menos de 15 palavras. Qualquer pessoa pode participar, mas apenas com uma resposta.
O prazo para a Rodada I é até o dia 15 de agosto, segunda-feira. As dez melhores respostas serão escolhidas e postadas no HBD - cinco serão postadas na terça-feira (16), e as outras cinco na quarta-feira (17), só pra aumentar o suspense.
Os perdedores pedirão licença pra cagar e sairão de fininho. E começa a próxima rodada, com os dez qualificados.
Rodada II ou Final
É aí que os nervos ficarão à flor da pele. A Rodada Eliminatória é muito simples. No dia 20 de agosto (um sábado), aparecerá um post aqui no HBD apenas com a palavra “VALENDO“. Os três primeiros participantes - dentre aqueles dez qualificados - a postarem comentários serão catapultados pra Rodada Final.
Ou seja, neguim vai ter que marcar plantão no blog.
Comentários de não-participantes serão ignorados e/ou deletados.
E o vencedor fica mais perto da camiseta!
ADENDO: Fazer vocês perderem um sábado inteiro na frente do PC é maldade, então aí vai: A Rodada II acontecerá entre 10:00 e 14:00 horas (horário de Brasília)
E é isso aí. A Rodada I já tá valendo a partir de agora.
Boa sorte!
Escrito por Kid on Aug 6, 2005
Seguinte, galera.
Vou ter que pedir desculpas à galera que mandou screenshots, mas infelizmente não poderei aceitá-las.
Chamaram minha atenção ao fato de que forjar um screenshot pelo Photoshop é fácil demais (até mesmo postaram exemplos no fórum), e obviamente não seria uma competição honesta. Tive que voltar atrás na decisão.
Deram-me duas sugestões: Salvar um pequeno vídeo com a tela dos tempos, usando o ACA System Capture Pro, ou salvar um SaveState no emulador, e enviar savestate pro meu email. O problema dessa solução é que o emulador de vocês tem que ser o Zsnes, e tem que ser a versão 1.337, caso contrário o SaveState não carregará aqui quando eu for avaliar as submissões.
Decidam o que vocês acham mais viável, e a vontade de vocês será feita. Quando essa decisão estiver tomada, publicarei o edital final.
Escrito por Kid on Aug 5, 2005
Devido às muitas dúvidas, aos mal entendimentos e às burrices coletivas de vocês na hora de ler o edital do concurso Mario Kart, terei que postar um segundo texto. Dessa vez as regras serão mais explícitas (aparentemente dizer que os recordes não deveriam ser postados nos comentários não foi explícito o bastante) e observações gerais que englobem toda a situação num contexto mais atual que leve em consideração os preâmbulos da estrutura de gerenciamento. O post terá também uma foto de uma mulé aleatória pelada, só pra agradar o RauL.
Em 24 horas agilizarei isso, tudo direitinho e com direito a GIFs animados se for o caso, mas agora tenho que ir mimir pois trabalho amanhã de manhã e tou quebradaço. Essa vida séria, com responsabilidades de verdade, lugares pra ir e sorvetes pra vender, é chata demais. Vô te contar, viu.
Ainda por vir: a continuação do post do trabalho de sorveteiro, o post sobre a Warped Tour, uma resenha cinematográfica secretíssima (não revelei o filme nem à galera do MSN), e mais uma formidável resenha do SNES, porque já tá na hora.
E no fim de semana é aniversário da namorada, então não esperem atualizações.
(Mas talvez ainda saia umazinha)
[ Update ] Finalmente criaram uma comunidade pro HBD no orkut.
Eu já tava achando que vocês não me amavam :(
Escrito por Kid on Aug 4, 2005
O bowser me deu uma boa idéia pro concurso das camisetas, vamos ver se esse negócio dá certo.
O concurso será decidido na base do Time Trial em Super Mario Kart for the Super Nintendo Entertainment System. A pista é Mario Circuit 2, na Mushroom Cup. Os participantes deverão tirar screenshots da tela do fim da corrida, onde se vê o tempo final, e enviar pro meu email. Screenshots postados aqui nos comentários serão ignorados.
Emulador (Corrigido)
Rom (Corrigido também. Agradecimentos ao Genius.)
Vão lá e me deixem orgulhoso.
A propósito, o envio das camisas sairá por quase trinta dólares CADA. É um tanto quanto caro, e terei que usar o cheque do Google pra arcar com isso. Ou seja, estarei contando com a ajuda de vocês.
Dependendo da arrecadação de esmolas e do número de participantes, talvez role prêmio até pro terceiro lugar. As estampas serão iguais as que fiz, ou à escolha de vocês. Em breve postarei novas figuras, e o(s) vencedor(es) poderão escolher a estampa preferida pra ser aplicada à(s) sua(s) camisa(s).
Escrito por Kid on Aug 3, 2005
Aqueles que notam a Webcam HBD ali ao lado perceberam as formidáveis camisetas com que posei pras fotos mais recentes. Recebi até mesmo emails perguntando onde adquirir as camisas.
Surpresa, surpresa: eu não as comprei. Eu mesmo as fiz. Ou fi-las, se você prefere o português culto que ninguém usa.
A confecção dessas camisetas é um procedimento bastante simples. Anote:
1) 1 (uma) camiseta de algodão, branca e sem nenhuma estampa;
Adquiri o item por cinco doletinhas numa lojinha de conveniências aqui perto. Lojas de conveniência são o equivalente canadense dos mercadinhos “Dois Irmãos”, “Da Lindalva” ou “Santo Antônio”, que se localizam em esquinas brasileiras e onde se encontra de tudo, desde veneno de rato a placas de vídeo Radeon importadas do Paraguai sem nota fiscal.
2) 1 (uma) folha de papel transfer, ou papel de decalque como é conhecido em alguns círculos, ou “transfer paper” se você é um imigrante ilegal que atravessou a fronteira do México auxiliado por coiotes;
O papel que comprei é da IBM, e custou 10 pilas o pacote com 10 folhas. Se você é bom de matemática, descobrirá que cada folha custa um dólar.
3) 1 (um) ferro de passar, de preferência que esteja funcionando;
Facilmente encontrável nas lojas Mesbla, caso estas ainda existissem.
4) 1 (uma) cópia pirata do Photoshop.
Só serve se for pirata. O software serve pra editar as imagens da sua camiseta e apagar espinhas que você esqueceu que tinha quando tirou a foto.
E é basicamente isso. Basta imprimir o gráfico desejado numa folha, passar o ferro no papel sobre a camiseta, e arrancar o papel quando a parada tiver esfriado um pouquinho, pra mó de não queimar os dedos.
Depois de uma experiência frustrada (nota mental: jamais aplicar decalque em camisas pretas, não presta), consegui o primeiro resultado:

A escolha da figura não surpreende ninguém, né? A imagem está propositalmente pixelada, que é pra manter aquele efeito meio nostálgico. O Photoshop suaviza as bordas da imagem quando a redimensiona, então uma boa idéia é usar o Paint e o velho Print Screen pra obter uma imagem pixelada grande.
Como eu tinha comprado quatro camisetas, resolvi imprimir mais uma imagem.

Eu gostei bastante do contraste dessa aí, embora tenha sido um burrão e colocado a imagem muito perto da gola. Se não fosse esse erro retardado, essa teria sido minha camisa favorita.
Continuei gastando o cartucho da impressora do meu pai e mandei ver na terceira imagem. “Mario World” no Google Imagens + fonte de Super Mario no Photoshop + paciência de colorir cada letra com uma cor diferente:

Meu pai e minha madrasta gostaram bastante dessa aí. A inspiração veio do Mario Foda, um blog velhaço da minha época de blogueiro underground. Tou até pensando em ressuscitar a premissa do blog, nem que seja apenas numa série de camisas similares a essa. Já bolei e preparei outras três imagens nesse estilo, falta só decidir qual delas vou aplicar na última camiseta. A lojinha aqui perto cobra 10 pilas por três camisetas, mas o aniversário da namorada tá chegando e não me posso dar a luxos.
A propósito, a estampa mais de perto fica assim:

Minha coleção de camisas do Mario ficou maiorzinha. Até ontem, a única que eu tinha era essa…

…, que me foi dada pela patroa no Natal do ano passado. Desnecessário dizer que gamei na camiseta e usei-a até duas rodelas escuras se formarem embaixo das axilas.
Como não estou mais no País da Putaria e aqui qualquer bobagenzinha rende uma viagem aos tribunais, resolvi mandar um email pra Nintendo só pra esclarecer as legalidades do que eu estava fazendo. A resposta chegou hoje mesmo: tecnicamente, os caras não aprovaram (pois as imagens são copyrighteadas e a Nintendo já vendeu os direitos a certas empresas que fazem camisas similares), mas eles me garantiram que não se oporiam à minha iniciativa. Isso é, CONTANTO que as camisetas não dêem a impressão errônea de que a Nintendo está me patrocinando ou apoiando de alguma forma. Achei que eles também me proibiriam de vender as camisas, mas o email não mencionou nada.
Acho que isso quer dizer que posso montar uma feirinha aqui no corredor do prédio.
Uma por R$7, duas por R$10. Aceito vale-transporte ou esmolinhas.
[ Update ] Será que rolava fazer algum mini-concurso aqui no blog e arcar o envio de uma dessas camisas pro vencedor aí no Brasil?
Escrito por Kid on Aug 2, 2005
Depois desse café da manhã super reforçado de 15 horas, continuo.
Estava eu jogando Diablo - um vício importado da infância, na época da jogatina online das madrugadas - quando alguém me mandou uma mensagem via MSN. Eu não sabia ainda, mas a mensagem era relativamente importante.
Mas acontece que eu estava levelando e caçando itens mágicos. Mais um pouquinho e meu persnoagem seria um Lvl 20 e pouco, não dava pra parar pra atender o moleque.
Dois dias depois fechei o jogo e voltei ao desktop. Finalmente li a mensagem; era o Max, um amiguinho da época do colegial. O cara dizia ter um emprego pra mim. Como ele estava offline, liguei pra casa dele. Do outro lado da linha, o cara me explicou do que se tratava.
Vendedor de picolé. Na bicicletinha e tudo mais.
Pausa de vinte e três segundos. Com uma mão no queixo acariciando a barba por fazer, analisei a proposta. Max me disse que o trampo é bastante cansativo, pois eu precisaria ficar andando pra cima e pra baixo com a bicicletinha de sorvete. Como sou um típico nerd cujo máximo exercício físico constitui a caminhada do quarto à cozinha e ocasionalmente ao banheiro, não preciso dizer que a expectativa me assustou.
Mas no fim das contas, eu quero mesmo é dinheiro. Decidi que valeria a pena ao menos tentar. Acessei o formulário virtual no link que o amiguinho mandou e esperei.
Uma semana depois, me ligam lá da Frosty Freeze, empresa dos picolezeiros. Fiquei sabendo que a tal Frosty Freeze é a distribuidora local da Kibon, que aqui foi nomeada TOSCAMENTE como “Good Humor”. Sério. Esse é o nome da empresa em inglês. Tem o mesmo logotipo e tal (aquele coraçãozinho), e o nome é escrito na mesma fonte até.
Ficou marcada uma “entrevista” no dia seguinte. O motivo das aspas é que eu já sabia, de acordo com minhas experiências passadas, que as entrevistas de emprego canadense não são realmente entrevistas. O empregador simplesmente explica em cinco minutos o que você deverá fazer e pergunta no fim se você aceita o trabalho. É literalmente só isso. A única coisa digna de menção a respeito a mini-entrevista é que o Joe Alguma-Coisa, o cara que me contratou, é fã de MPB. Quando falei que era brasileiro, ele estendeu o braço em direção à estante do escritório e puxou de lá um CD de Bebel Gilberto (que eu honestamente jamais havia ouvido falar), Caetano e Marisa Monte. Contou uma longa e desinteressante história de uma hora a respeito de como ele conheceu os artistas, numa loja brasileira lá em Toronto. Coincidência do caralho.
No fim das contas, aceitei o emprego e passei a me preparar psicologicamente pra barra pesada que eu começaria a enfrentar a partir do dia seguinte.
Cheguei cedinho no lugar, pra ver se fazia uma média com a chefia. Acontece que a bateria da minha placa-mãe tá fodida e o relógio do Windows tá zoado, então acabei chegando uma hora antes do começo das atividades do dia - assim, acabei pagando uma de mané. Aproveitei o tempo livre pra escrever um post no palm. Este post.
Os outros picolezeiros - tudo moleque da minha idade, ou mais jovens - começaram a chegar e se preparar pra labuta. Eu não fazia ainda a menor idéia do que esperar, então tava relativamente nervoso. Felizmente, a molecada que trabalha comigo é um pessoal muito sangue-bom. Os caras me deram todas as dicas, me deixaram um pouco mais à vontade.
Depois de um breve treinamento - que consistiu nas complicadas instruções “você anda de bicicleta, toca o sino, e vende picolés. É isso” - por um dos co-chefes, me deram vinte pilas em moedas pra usar como troco e me enviaram rua afora.
Já trabalhei algumas vezes na vida, mas em todas as ocasiões eram sempre um trabalhinho fácil, que dava pra fazer no maior corpo-mole. Houve aquele trampo no CPD de uma empresa de metalurgia no Maranhão, o formidável bico de Halloween em que eu me vestia de macaco pra dar sustos inarráveis em molequinhos indefesas bem diante de seus sádicos pais, e vários outras que ainda não escrevi post ainda. Em todos eles, o trabalho era bobo, não muito exigente e, no caso do de Halloween, até mesmo divertido.
Não é o caso com a bicicleta de sorvete. A parada é cansativa pra cacete. No fim do dia, eu tava acabadaço. Minhas pernas protestavam em forma de dores musculares a cada passo que eu dava. O pior de tudo é que a Warped Tour foi no dia SEGUINTE, ou seja, não houve sequer uma trégua pra dar um descanso aos ossos.
Mas tou me adiantando a história. Xeu começar do começo.
(Amanhã, que agora vou dormir)
Escrito por Kid on Aug 1, 2005
Cheguei.
O post do show terá que esperar um pouco, porque não faz sentido escrever o post hoje e publicar as fotos três dias depois.
Enquanto os filmes não forem revelados - acabei não levando nenhuma câmera digital -, a o post do Warped Tour terá que esperar.
Mas posso ir contando como foi o tal empreguim de verão que arrumei.
Deixa eu tomar o café da manhã que já já começo a escrever o post.
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