Escrito por Kid on Sep 30, 2005
Sabe o que é preguiça?
Não, você não sabe. Você pensa que sabe. Deixa eu explicar o significado do verbete pra vocês. Não adianta ir procurar no dicionário, porque ele acabou de ser redefinido há dois minutos atrás.
Saca só.
Ontem notei a proliferação de um monte de .dll desconhecido na C:\Windows. Quando digo “um monte“, me refiro a uma quantia que passava de quinhentos arquivos. Sério mesmo. Sei lá de onde vieram tantos arquivinhos .dll, mas eles estavam todos lá. Não devia ser outra coisa além de vírus.
Na falta de um bom antivírus, resolvi ir deletando os arquivos no braço mesmo. Quando tivesse mais tempo, eu passaria o resto do serviço pro Norton. Deletados os 500 e tantos arquivinhos intrusos, notei que havia um monte de pastas com nomes suspeitos que eu também jamais tinha visto antes. “Mais lixarada“, pensei. Saí deletando bonitamente qualquer pasta de nome estranho. Apagava primeiro, fazia perguntas depois.
Obviamente, depois de uma barbeiragem dessas, milhões de programas pararam de funcionar. Qual não foi a minha surpresa ao notar que até mesmo o Windows Media Player tinha ido pro saco! E agora, quem poderá me ajudar?
Quase instantaneamente meu pai aparece no MSN, perguntando alguma coisa sobre algo que não tinha muita importância (como ele geralmente faz). Expliquei que meu computador tava uma merda, e que precisava de ajuda pra resolver o pepino. Em resposta, ele me manda um pedido de assistência remota, pra acessar meu PC via MSN e resolver a parada.
Ah, esqueci de mencionar que ele está NO QUARTO AO LADO.
Assistência remota pra mexer um computador que está no quarto ao lado, a menos de 2 metros de distância. Aprendam: isso é preguiça.
[ Update ] Depois de passar quase cinco minutos tentando convence-lo a vir me ajudar, decido ir até o quarto dele arrastá-lo pra cá.
Encontro-o jogando Paciência (no PC) trajando apenas sua cueca, tomando Sprite e ouvindo Roberto Carlos.
Acho que era pedir demais que ele desmarcasse esse importante compromisso.
[ Update 2 ] A propósito, achei um Launcherzinho que simula o Windows XP no Palm. Olha que beleza que fica:

Dá pra fazer basicamente qualquer coisa que você faria num PC, que por sinal o Palm OS não permite: criar pastas, ver todos os arquivos no seu palm, renomear ícones, usar mais de um programa ao mesmo tempo em multi-tarefa, etc etc etc. A utilização do seu portátil fica exatamente igual à utilização de um PC de mesa.
Muito bacana. Quem tiver interessado, deixa um recado aí nos comments que eu libero a versão full.
[ Update 3 ] Bah, melhor pôr logo o link aqui.
O produto é shareware, mas ele dá praticamente TODA a funcionalidade da versão registrada, e não fica nenhuma tela chata pedindo pra você registrar o programa a cada 12 segundos.
O registro é meio que simbólico, pelo que entendi. Aproveitem.
Escrito por Kid on Sep 29, 2005
Rapidinhas com Fotinhas

Finalmente essa porra chegou. E vou te contar, que bela confusão acabei aprontando no eBay/PayPal por causa da burrice do vendedor.
Antes de fechar a compra do teclado, mandei dois emails pro vendedor pra averiguar se o teclado funcionaria com o meu palm. Não queria pagar quarenta pilas num peso de papel com teclas. O cara garantiu que sim, então ficou por isso mesmo. Paguei o negócio e passei a esperar a entrega.
Acontece que pouco tempo depois, entrei na página do fabricante do teclado e descobri que o produto anunciado lá no eBay não era compatível com meu aparelho. O vendedor teria me ludibriado!
Rodei a baiana. Em poucos segundos entrei com um processo no PayPal contra o vendedor miserável, explicando a artimanha safada (mentir sobre a compatibilidade do produto para garantir a venda) e exigindo minha grana de volta.
Nesse ínterim, o teclado chega. Aí foi desfeito o mal entendido: a foto postada pelo vendedor no eBay era de OUTRO TECLADO. O cara tava basicamente vendendo X, enquanto mostrava a foto do Y.

Digam alô ao
, ou :queporraeessa: como ele é mais conhecido. O simpático bichinho é criação do Lipedal, para um jogo que ele está programando há uns cinquenta anos. Quando é que essa porra fica pronta, ein?
Enfim. Desde sua primeira aparição no fórum HBD, o
fez muitos fãs. Achei que seria uma boa colocar o esdrúxulo gif como um emoticon no fórum, mas não sabia que comando colocar. “Como pôr um comando pra essa imagem, se nem sei que porra é essa?” pensei. Acabei pondo :queporraeessa:, por falta de uma idéia melhor. O “sapinho” – como ela era originalmente chamado por seu criador – estava batizado.
Daí, bastou dar a idéia pra namorada costurar um :queporraeessa: pra eu poder fazer inveja pros usuários do fórum, e pronto.

Como todo blogueiro superficial, preciso me manter antenado nessas modinhas que pipocam por aí. Assim que ouvi falar que a mais recente modinha canadense eram as wristbands, passei a montar minha coleção.
(A propósito, essa modinha já era véia quando eu cheguei aqui. Tou sabendo que ela atravessou o Atlântico e começou a atacar o Brasil recentemente, junto com a emozice)
A com a bandeirinha do Brasil foi a minha primeira, confeccionada por mim mesmo. Cortei a bandeira de um gorrinho que comprei em Sampa e costurei (muito mal costurado) numa wristband que tava dando sopa aqui em casa. A “geek” foi dada pela namorada numa meia de Natal. Eles têm esse costume aqui; rechear uma meia natalina com lembrancinhas, colocar sobre a lareira e dar pros amados na véspera de Natal.
Você já viram nos filmes.
E a última, do cogumelo, foi comprada recentemente num site sugerido aí nos comentários.
Reza a lenda que o seguinte diálogo aconteceu aqui quando estávamos de saída pro cinema:
- Ô, qual munhequeira eu uso? A geek ou a do cogumelo? – perguntei pra namorada
- Use a do cogumelo – respondeu a gringa, após breve deliberação – “geek” ficará subentendido – concluiu, ao mesmo tempo que meu rosto adquiriu este formato ![]()

Essa foto não interessará ninguém além do Speed Racer. Tirei-a com a única intenção de provocar nele uma inveja cruel. A propósito, só me faltam dois livros: Congo e State of Fear, que é o mais recente. Ele escreveu outros, mas como são não-ficção não me interesso.
Preciso dizer que sou fã tiete?

Peguei anteontem lá no escritório. Ganhei a coleção por ter trabalhado durante toda a temporada lá na Frosty Freeze. O action figure da Trinity ao lado, os outros dois do Neo, os cinco posters espalhados no quarto e meu sobretudo preto pendurado atrás da porta não negam meu fanatismo.
Sem dúvida vão perguntar, então explico logo: o post it azul diz “Desligue o controle, porra!” Coloquei isso aí porque sempre esqueço de desligar o controle wireless do PS2 depois da jogatina. Por isso, ele acaba quase sempre passando a noite inteira ligado, bebendo as pilhas. Se eu não ponho esse post it aí, não lembro de desligar nunca.

Ingresso do show do Slipknot, emoldurado.
Mês que vem haverá outro do lado dele.
Agora que já dei um rolé com a câmera, vou escrever um post de verdade.
Escrito por Kid on Sep 27, 2005
Acabei de chegar da segunda “entrevista” de trabalho dessa semana. O motivo das aspas é que as entrevistas que se fazem aqui não têm nada a ver com as entrevistas de trabalho que a gente conhece aí no Brasil. Aí, a entrevista é um parte do processo de seleção, um resultado indesejado da concorrência. Todo mundo quer uma vaga, mas não tem lugar pra todos. Aí o empregador dá umas investigadas a respeito do candidato, pra ver se ele é apto pro serviço.
Aqui, a entrevista não tem nada a ver com isso. Em todas as minhas experiências no mercado de trabalho canadense (O bico do Halloween, o de sorveteiro e até mesmo uma tentativa frustrada na área de telemarketing, um causo inédito que em breve virará post), a entrevista consistia em o meu futuro empregador explicar o que é que eu deveria fazer quando fosse contratado. No fim da explicação – que nunca passava de 10 minutos -, o cara perguntava se eu estava interessado na posição. Ao receber a resposta afirmativa, ele aperta sua mão e diz “ótimo, vejo você na segunda feira às X horas.“
E pronto, você está contratado. Simples assim.
Hoje foi a mesma coisa.
No sábado, descobri um site com listagens de empregos aqui na minha cidade. Fucei o site de cabo a rabo, e anotei não menos que 15 telefones. Filtrei as oportunidades, excluindo os empregos que necessitariam da papelada da imigração. Sobraram uns cinco empregos, e liguei pra todos eles. Coloquei os mais interessantes no topo da lista de prioridade, e parti daí. Hoje fui “entrevistado” no Emprego No. 1: colocador de panfletos no Oshawa This Week, o jornaleco da minha cidade.
Colocar panfletos é o emprego mais fácil que eu poderia imaginar. O trabalho resume-se em abrir or jornais, jogar uns panfletos de restaurantes/pizzarias/concessionárias/qualquer tipo de negócio dentro, respirar e em seguida passar pro próximo jornal. Obviamente, você repete esses passos alguns milhares de vezes, mas não pode existir uma tarefa mais fácil de executar. Mole, mole, mole.
Acordei cedinho (o encontro com a supervisora foi desgraçadamente marcado pras sete da manhã) me arrumei rapidamente, engoli qualquer coisa na cozinha, fiz de conta que era um café da manhã e corri pra rua. Subi no #7 Ritson, um ônibus que me leva diretamente à frente do escritório do Oshawa This Week e que convenientemente pára bem na frente do meu prédio. Felizmente tive a idéia de apanhar um livro pra ler no caminho, que durou uns quarenta minutos.
Cheguei no prédio do jornal, e a recepcionista me direcionou ao depósito onde rolaa colocação dos panfletos – que será pomposamente apelidado de “inserção estratégica de marketing” no meu próximo currículo atualizado. Desviei das milhares de caixas de jornal espalhadas pelo chão e encontrei Harsha, uma indiana que é a supervisora do departamento. Em cinco minutos, ela me explicou novamente o que já tinha explicado por telefone – ou seja, que o serviço resumia-se em colocar panfletos no jornal. Havia alguns detalhes, tipo quantos panfletos colocar, e qual panfletos colocar em qual dia, mas nada muito complicado. No fim da breve explicação, ela revelou o salário e perguntou se eu ainda estava interessado. Disse, escondendo a animação, que sim. Ela puxou um papel pra anotar meu telefone e disse que até sexta-feira estaria me ligando pra dizer se eu peguei a vaga ou não.
E enquanto isso, imprimo mais um currículo pra levar pro restaurante aqui pertinho.
Fiquem na torcida aí.
Escrito por Kid on Sep 26, 2005
Arrumar emprego aqui, mesmo nas minhas condições limitadas de imigrante esperando o processo de legalização, é mais fácil do que eu imaginei. Fiz duas ligações hoje de manhã, marquei uma entrevista pra amanhã e já arrumei um emprego garantido pra hoje a noite. O problema é que esse aí é numa cidade vizinha, então ainda estou avaliando se valerá a pena ou não. É uma empresa de mudanças, ou seja, o salário promete ser bom. Trabalho braçal aqui paga muito bem. Mas ficar pegando ônibus pra outra cidade…
Enquanto não me decido, resolvi deixar meu currículo aqui no HBD. Talvez alguém aí esteja precisando de um blogueiro desempregado, nunca se sabe.
Idade indefinida
Mora em algum lugar no Hemisfério Norte
Educação
• Segundo grau brasileiro completo (passei raspando por não ter aprendido logaritmos)
• Segundo grau canadense completo (concluído com honras por saber a tabuada de 3)
• Ensino superior incompleto por motivos de mudança (bah, eu nem queria aquele diploma mesmo…)
Experiência de trabalho
• Operador de CPD
Funções: Destruir a empresa, ser pego pelo chefe almoçando durante o expediente.
• Assustador de Halloween
Funções: Matar criancinhas de medo, arrancar palavrões de seus pais.
• Picolé-man
Funções: Vender gelo pra esquimó (de uma certa forma).
Expectativa salarial
Qualquer oferta acima de 30 mil dólares por mês – com adição de férias remuneradas a cada quinze dias, assistência médica, secretária gostosa de minha escolha e um novo telefone celular – será considerada com prioridade.
Referências
Pô, preciso dar mesmo?
Confie em mim, sou um bom empregado.
[ Update ] Um restaurante aqui pertinho de casa tá contratando. Esse seria o emprego ideal :(
[ Update 2 ] Cacete, e eu achava que era difícil arrumar emprego aqui sem ter a papelada legal da imigração. Acabei de arrumar mais uma entrevista pra amanhã – outro restaurante, e também aqui perto -, e outro emprego garantido começando amanhã mesmo. Se tudo correr legal, já rola post amanhã mesmo sobre o primeiro dia de trabalho.
Escrito por Kid on Sep 23, 2005
O Lipedal deu a idéia de eu cobrar sim a grana que o negão me deve – que ficou acertada em 27 dólares num telefonema ontem -, nem que fosse apenas pra salvar o áudio e arrancar umas risadas (e esmolas) de vocês.
Taí.
Kid vs Negão Nigeriano, primeira tentativa.Se a essa altura eu preciso explicar como se salva um arquivo, desligue seu computador e bata a cabeça contra a parede mais próxima até aparecer um buraco. Na cabeça ou na parede, o que vier primeiro.
(Agradecimentos especiais ao marvin, que ripou o .wav pra mim.)
Viram como o inglês do cara é tosco? Imagina decifrar isso às 4 da matina, com o barulho de um aspirador por trás. Missão impossível.
Pra quem não conseguiu entender, o cara disse “Ligo pra você depois, pare de me ligar“, como se eu tivesse colocado o número dele na discagem automática do celular e depois colocado uma pedra em cima da tecla de ativação. O que o filho da puta ignora é que essa é a primeira vez que ligo pra cobrar minha grana, e que não estou fazendo nada que não seja meu direito.
Dito isto, o negão bateu o telefone na minha cara, me deixando como um imbecil dizendo “Hello? Hello?” para uma linha muda.
Vou dar dois dias pra ele. Pensei em ligar de novo e falar umas verdades pro desgraçado, mas achei que o que ele tá querendo mais é um motivo pra não me pagar.
Assim sendo, vou deixar passar uns dois dias. O segundo round vem aí.
Esperemos.
Independente do final dessa história, já odeio evangélicos mais do que já odiava previamente. Foda-se que eu tou generalizando. Odeio vocês e pronto, não discutam.
Escrito por Kid on Sep 22, 2005
(É post grande que vocês queriam, né? Então toma.)
Ok, deixa eu começar a contar a história do começo.
Ontem foi o último dia no trampo de sorveteiro. Últimos dias sempre têm aquele melancólico ar de despedida, ontem não foi diferente. Pra celebrar o fim da estação, instaurou-se o maior clima de festa no escritório: havia balões, música, chefe contando piada e tirando onda com os recém-ex-funcionários e muita comida grátis. Rolou até distribuição de prêmios e tal (eu ganhei a coleção completa de Matrix, com 10 DVDs e um busto do Neo. Fotinha aqui procês quando o prêmio for entregue no domingo, no pique-nique anual da empresa).
Então. Dei tchau praquela galera e voltei pra casa, com o coração meio apertado. Sou uma bichinha mesmo, despedidas me deixam bolado. Lembrei de quantas vezes eu tava lá na minha rota, olhando impaciente pro relógio, esperando que nove horas chegassem logo para que eu pudesse me mandar dali. Percebi subitamente que vou sentir falta de trabalhar como picolezeiro.
Cheguei na minha residência à meia noite, e passei a me arrumar pra encarar a segunda jornada de trabalho. Dei a passada obrigatória na internerd, conversei com alguns amigos, xinguei alguns inimigos até que o meu chefe apareceu aqui pra me levar.
O trabalho era aparentemente simples: limpar restaurantes durante a madrugada. Assim sendo, eu imaginei que não precisaria de muitas instruções da parte do chefe.
Acontece que o cara MAL FALAVA COMIGO. David era um nigeriano extremamente mal educado e sem o menor tino social. Nas poucas vezes que o cara se direcionava a mim, parecia que tava com medo de falar, sei lá que porra aquele negão tinha. Soma-se a isso o sotaque simplesmente horroroso dele; cada frase dele era acompanhada por um “Uhn, excuse me?/I beg your pardon?/Say that again?/Nigga, what the fuck did you say?” meu. No começo eu encarei como um emocionante desafio linguístico. “O que diabo esse negão está tentando me dizer?!” Duas horas depois, decifrar o inglês dele se tornou um estorvo.
Mas beleza. A intenção era ganhar dinheiro, e não fazer amizade com o cara. Aceitei o infortúnio resignado e passei a sonhar com as doletas que seriam recebidas no fim do expediente.
E foi aí que começou a putaria. Claro, se a história envolve a mim, há de ter algum tipo de putaria. É praticamente uma lei científica.
Interpelei o David três vezes a respeito do salário por telefone, e duas vezes pessoalmente. Sempre que eu mencionava isso, o cara dava uma enrolada SAFADÍSSIMA, tipo “erh, ahn, tipo, hmm… a gente acerta isso depois“. Meu desconfiômetro apontou valores astronômicos; coisa boa eu não devia esperar de alguém que repetidamente se recusava a dizer a um empregado quanto ele deveria receber. Mas beleza, imaginei que ele ia primeiro avaliar meu desempenho pra depois dizer quanto eu mereceria arrecadar. Achei justo até, embora posso garantir agora que isso era uma forma minha de tentar autenticar uma atitude safada da parte do negão.
Primeiro ele me levou a um restaurante aqui perto, só pra pegar uns outros trabalhadores e levar pra outro canto. O cara controla uma verdadeira máfia de sub-empregados. Entramos todos na van dele e nos dirigimos a um segundo restaurante onde os escravinhos trabalhariam. Pra não dizer que aquela noite foi uma perda de tempo completa, David passou no McD’s e pagou um lanche pra mim e outro maluquinho lá. Insisti em pagar meu lanche, mas ele não aceitou. Até a forma de dispensar meu dinheiro foi meio estúpida. “Esse cara deve ter sido abandonado pela mãe e criado por cactos“, pensei.
Não tinha nem terminado o primeiro dia com o sujeito, e eu já não via a hora de pedir demissão.
Aí veio o choque – o maluco do banco do passageiro vira-se pro David e chama-o pelo título de PASTOR. Ficou revelado em uma conversa posterior que ele é pastor evangélico de uma congregação qualquer sem importância. E eu escolhi justo esse dia pra usar uma camiseta do Slipknot, ou seja, fui ouvindo sermão (sempre num inglês aleijado) durante todo o caminho do restaurante onde eu trabalharia. O suéter estampado com o Marilyn Manson não saiu mais da mochila.
E olha que eu já não era muito fã do cara. A essa altura, eu já tava realmente triste por causa do trabalho de sorveteiro ter acabado.
Chegamos no outro restaurante, que era EM OUTRA CIDADE, MAS O PUTO JAMAIS ME DISSE. Descemos, descarreguei o equipamento – sim, ele me fez carregar tudo sozinho. Carinha sem vergonha. – e começamos a limpar o lugar. Era uma pizzaria de beira de estrada.
De cinco em cinco minutos o carinha vinha verificar se eu estava fazendo tudo certinho, Apontava um lugar no carpete que eu não tinha aspirado direito. Reclamava que eu não puxei as mesas pra aspirar embaixo direitinho. Basicamente, ficava sobrevoando meu ombro e analisando tudo que eu fazia, e disparando trinta críticas por segundo em tempo real. Senti mais saudade ainda do trabalho de sorveteiro, daquela liberdade de ficar passeando por aí com a bicicleta e fazendo o que eu bem entendesse, sem a pressão da presença da chefia.
Eventualmente o negão lembrou que não tinha ido junto comigo só pra encher o saco, e começou a trabalhar também. Foi aí que o negócio piorou.
Cabe uma explicação antes:
Quem me conhece sabe que eu sou incapaz de acordar depois de nove horas da manhã. No dia anterior, eu havia acordado às oito, e ido trabalhar às três da tarde. Voltei ao escritório às 9 da noite, rolou aquela festinha já mencionada, e cheguei em casa mais ou menos às doze. Nisso já iam dezesseis horas acordado. Todo mundo precisa de oito horas de sono, ou seja, eu já tava rodando na reserva. E o trabalho com o negão não tinha nem começado.
O cansaço começou a bater forte, mas tudo bem. Decidi encarar a segunda rodada de trabalho.
Acontece que eu não sabia que essa ia durar até as SETE da manhã. Lá pelas 4 AM, eu já não conseguia pensar em nada a não ser minha cama, e na namorada. A sensação foi muito escrota: cansado, em outra cidade, trabalhando sem nem saber por quanto pra um desconhecido escroto… bateu a maior sensação de isolamento, de solidão. Desejei com todas as forças que aquela porra acabasse logo. Queria mandar uma mensagem pro celular da gótica, mas ela estaria obviamente dormindo àquela hora.
Como mencionei antes, só acabei voltando pra casa às sete da matina. Neste momento, meu relógio marca exatamente 9:52, e estranhamente não estou mais com sono.
Quando o cara me deixou de volta no prédio, tava decididaço a ligar pra ele mais tarde e dizer que ele podia enfiar o trampo escravo dele em seu cuzinho preto. Pra minha surpresa, ele acabou me ligando antes, pra me dizer que me daria o pagamento da noite no dia seguinte. Decidi acabar logo com aquilo e falei que não gostei do emprego e que não voltaria mais. O cara ficou putíssimo instantaneamente, e aí mesmo que eu soube que não voltaria a trabalhar pra ele – nem me convencer o cara sabia; a tentativa dele pelo telefone foi bizarramente hostil. O que, imagino eu, é a última forma que você deve usar se quer convencer alguém a trabalhar com você.
Ele disse que me pagaria hoje quando eu fosse trampar, mas como eu falei que não iria e bati o pé, ele não falou mais nada e desligou. Nem sei se o cara vai ao menos honrar a suposta moral que ele deve pregar em sua igreja e me pagar. E não faço questão do dinheiro dele.
Foda-se. Que volte pra Nigéria.
…
E que volte a vagabundagem. Acho bom vocês me manterem mesmo, porque agora tou na mão de vocês :(
Escrito por Kid on Sep 21, 2005
Preciso mais uma vez da direção de vocês para tomar uma decisão importante na minha vida. Lembram que vocês me ajudaram a decidir aceitar o trabalho do sorvete? Poisé, mesma coisa agora.
Hoje é meu último dia de sorveteiro. Curiosamente descolei outro empreguinho hoje mesmo. Minutos atrás, pra ser mais exato.
O trampo é num restaurante não tão longe daqui, DE MADRUGADA. O cara não me falou o salário ainda, disse que discutiremos isso quando chegar lá hoje à noite. É isso mermo, começo já hoje. Pelo telefone, ele disse que acertaremos um valor que me satisfaça. Isso me deixa esperançoso, negociações de salário parecem uma idéia muito emocionante.
Acontece que aí, minha vida social vai pro buraco. O trampo será todo santo dia, de meia noite às cinco. A namorada, que passa os fins de semana na minha casa, terá que se acostumar a dormir sozinha nos sábados.
E aí? Aceito a parada, ou fico na vagabundagem sustentadas por cliques? Quero opinião de todo mundo, incluindo vocês que acessam esse blog mas nunca comentam.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
Flickr
Categorias
Arquivos
Fotinhas
Mais
Prestigie, filho da puta
Vagabundos
Últimos comentários
Links
Posts recentes
Troços