Escrito por Kid on Sep 30, 2005
Sabe o que é preguiça?
Não, você não sabe. Você pensa que sabe. Deixa eu explicar o significado do verbete pra vocês. Não adianta ir procurar no dicionário, porque ele acabou de ser redefinido há dois minutos atrás.
Saca só.
Ontem notei a proliferação de um monte de .dll desconhecido na C:\Windows. Quando digo “um monte“, me refiro a uma quantia que passava de quinhentos arquivos. Sério mesmo. Sei lá de onde vieram tantos arquivinhos .dll, mas eles estavam todos lá. Não devia ser outra coisa além de vírus.
Na falta de um bom antivírus, resolvi ir deletando os arquivos no braço mesmo. Quando tivesse mais tempo, eu passaria o resto do serviço pro Norton. Deletados os 500 e tantos arquivinhos intrusos, notei que havia um monte de pastas com nomes suspeitos que eu também jamais tinha visto antes. “Mais lixarada“, pensei. Saí deletando bonitamente qualquer pasta de nome estranho. Apagava primeiro, fazia perguntas depois.
Obviamente, depois de uma barbeiragem dessas, milhões de programas pararam de funcionar. Qual não foi a minha surpresa ao notar que até mesmo o Windows Media Player tinha ido pro saco! E agora, quem poderá me ajudar?
Quase instantaneamente meu pai aparece no MSN, perguntando alguma coisa sobre algo que não tinha muita importância (como ele geralmente faz). Expliquei que meu computador tava uma merda, e que precisava de ajuda pra resolver o pepino. Em resposta, ele me manda um pedido de assistência remota, pra acessar meu PC via MSN e resolver a parada.
Ah, esqueci de mencionar que ele está NO QUARTO AO LADO.
Assistência remota pra mexer um computador que está no quarto ao lado, a menos de 2 metros de distância. Aprendam: isso é preguiça.
[ Update ] Depois de passar quase cinco minutos tentando convence-lo a vir me ajudar, decido ir até o quarto dele arrastá-lo pra cá.
Encontro-o jogando Paciência (no PC) trajando apenas sua cueca, tomando Sprite e ouvindo Roberto Carlos.
Acho que era pedir demais que ele desmarcasse esse importante compromisso.
[ Update 2 ] A propósito, achei um Launcherzinho que simula o Windows XP no Palm. Olha que beleza que fica:

Dá pra fazer basicamente qualquer coisa que você faria num PC, que por sinal o Palm OS não permite: criar pastas, ver todos os arquivos no seu palm, renomear ícones, usar mais de um programa ao mesmo tempo em multi-tarefa, etc etc etc. A utilização do seu portátil fica exatamente igual à utilização de um PC de mesa.
Muito bacana. Quem tiver interessado, deixa um recado aí nos comments que eu libero a versão full.
[ Update 3 ] Bah, melhor pôr logo o link aqui.
O produto é shareware, mas ele dá praticamente TODA a funcionalidade da versão registrada, e não fica nenhuma tela chata pedindo pra você registrar o programa a cada 12 segundos.
O registro é meio que simbólico, pelo que entendi. Aproveitem.
Escrito por Kid on Sep 29, 2005
Rapidinhas com Fotinhas

Finalmente essa porra chegou. E vou te contar, que bela confusão acabei aprontando no eBay/PayPal por causa da burrice do vendedor.
Antes de fechar a compra do teclado, mandei dois emails pro vendedor pra averiguar se o teclado funcionaria com o meu palm. Não queria pagar quarenta pilas num peso de papel com teclas. O cara garantiu que sim, então ficou por isso mesmo. Paguei o negócio e passei a esperar a entrega.
Acontece que pouco tempo depois, entrei na página do fabricante do teclado e descobri que o produto anunciado lá no eBay não era compatível com meu aparelho. O vendedor teria me ludibriado!
Rodei a baiana. Em poucos segundos entrei com um processo no PayPal contra o vendedor miserável, explicando a artimanha safada (mentir sobre a compatibilidade do produto para garantir a venda) e exigindo minha grana de volta.
Nesse ínterim, o teclado chega. Aí foi desfeito o mal entendido: a foto postada pelo vendedor no eBay era de OUTRO TECLADO. O cara tava basicamente vendendo X, enquanto mostrava a foto do Y.

Digam alô ao
, ou :queporraeessa: como ele é mais conhecido. O simpático bichinho é criação do Lipedal, para um jogo que ele está programando há uns cinquenta anos. Quando é que essa porra fica pronta, ein?
Enfim. Desde sua primeira aparição no fórum HBD, o
fez muitos fãs. Achei que seria uma boa colocar o esdrúxulo gif como um emoticon no fórum, mas não sabia que comando colocar. “Como pôr um comando pra essa imagem, se nem sei que porra é essa?” pensei. Acabei pondo :queporraeessa:, por falta de uma idéia melhor. O “sapinho” - como ela era originalmente chamado por seu criador - estava batizado.
Daí, bastou dar a idéia pra namorada costurar um :queporraeessa: pra eu poder fazer inveja pros usuários do fórum, e pronto.

Como todo blogueiro superficial, preciso me manter antenado nessas modinhas que pipocam por aí. Assim que ouvi falar que a mais recente modinha canadense eram as wristbands, passei a montar minha coleção.
(A propósito, essa modinha já era véia quando eu cheguei aqui. Tou sabendo que ela atravessou o Atlântico e começou a atacar o Brasil recentemente, junto com a emozice)
A com a bandeirinha do Brasil foi a minha primeira, confeccionada por mim mesmo. Cortei a bandeira de um gorrinho que comprei em Sampa e costurei (muito mal costurado) numa wristband que tava dando sopa aqui em casa. A “geek” foi dada pela namorada numa meia de Natal. Eles têm esse costume aqui; rechear uma meia natalina com lembrancinhas, colocar sobre a lareira e dar pros amados na véspera de Natal.
Você já viram nos filmes.
E a última, do cogumelo, foi comprada recentemente num site sugerido aí nos comentários.
Reza a lenda que o seguinte diálogo aconteceu aqui quando estávamos de saída pro cinema:
- Ô, qual munhequeira eu uso? A geek ou a do cogumelo? - perguntei pra namorada
- Use a do cogumelo - respondeu a gringa, após breve deliberação - “geek” ficará subentendido - concluiu, ao mesmo tempo que meu rosto adquiriu este formato ![]()

Essa foto não interessará ninguém além do Speed Racer. Tirei-a com a única intenção de provocar nele uma inveja cruel. A propósito, só me faltam dois livros: Congo e State of Fear, que é o mais recente. Ele escreveu outros, mas como são não-ficção não me interesso.
Preciso dizer que sou fã tiete?

Peguei anteontem lá no escritório. Ganhei a coleção por ter trabalhado durante toda a temporada lá na Frosty Freeze. O action figure da Trinity ao lado, os outros dois do Neo, os cinco posters espalhados no quarto e meu sobretudo preto pendurado atrás da porta não negam meu fanatismo.
Sem dúvida vão perguntar, então explico logo: o post it azul diz “Desligue o controle, porra!” Coloquei isso aí porque sempre esqueço de desligar o controle wireless do PS2 depois da jogatina. Por isso, ele acaba quase sempre passando a noite inteira ligado, bebendo as pilhas. Se eu não ponho esse post it aí, não lembro de desligar nunca.

Ingresso do show do Slipknot, emoldurado.
Mês que vem haverá outro do lado dele.
Agora que já dei um rolé com a câmera, vou escrever um post de verdade.
Escrito por Kid on Sep 27, 2005
Acabei de chegar da segunda “entrevista” de trabalho dessa semana. O motivo das aspas é que as entrevistas que se fazem aqui não têm nada a ver com as entrevistas de trabalho que a gente conhece aí no Brasil. Aí, a entrevista é um parte do processo de seleção, um resultado indesejado da concorrência. Todo mundo quer uma vaga, mas não tem lugar pra todos. Aí o empregador dá umas investigadas a respeito do candidato, pra ver se ele é apto pro serviço.
Aqui, a entrevista não tem nada a ver com isso. Em todas as minhas experiências no mercado de trabalho canadense (O bico do Halloween, o de sorveteiro e até mesmo uma tentativa frustrada na área de telemarketing, um causo inédito que em breve virará post), a entrevista consistia em o meu futuro empregador explicar o que é que eu deveria fazer quando fosse contratado. No fim da explicação - que nunca passava de 10 minutos -, o cara perguntava se eu estava interessado na posição. Ao receber a resposta afirmativa, ele aperta sua mão e diz “ótimo, vejo você na segunda feira às X horas.“
E pronto, você está contratado. Simples assim.
Hoje foi a mesma coisa.
No sábado, descobri um site com listagens de empregos aqui na minha cidade. Fucei o site de cabo a rabo, e anotei não menos que 15 telefones. Filtrei as oportunidades, excluindo os empregos que necessitariam da papelada da imigração. Sobraram uns cinco empregos, e liguei pra todos eles. Coloquei os mais interessantes no topo da lista de prioridade, e parti daí. Hoje fui “entrevistado” no Emprego No. 1: colocador de panfletos no Oshawa This Week, o jornaleco da minha cidade.
Colocar panfletos é o emprego mais fácil que eu poderia imaginar. O trabalho resume-se em abrir or jornais, jogar uns panfletos de restaurantes/pizzarias/concessionárias/qualquer tipo de negócio dentro, respirar e em seguida passar pro próximo jornal. Obviamente, você repete esses passos alguns milhares de vezes, mas não pode existir uma tarefa mais fácil de executar. Mole, mole, mole.
Acordei cedinho (o encontro com a supervisora foi desgraçadamente marcado pras sete da manhã) me arrumei rapidamente, engoli qualquer coisa na cozinha, fiz de conta que era um café da manhã e corri pra rua. Subi no #7 Ritson, um ônibus que me leva diretamente à frente do escritório do Oshawa This Week e que convenientemente pára bem na frente do meu prédio. Felizmente tive a idéia de apanhar um livro pra ler no caminho, que durou uns quarenta minutos.
Cheguei no prédio do jornal, e a recepcionista me direcionou ao depósito onde rolaa colocação dos panfletos - que será pomposamente apelidado de “inserção estratégica de marketing” no meu próximo currículo atualizado. Desviei das milhares de caixas de jornal espalhadas pelo chão e encontrei Harsha, uma indiana que é a supervisora do departamento. Em cinco minutos, ela me explicou novamente o que já tinha explicado por telefone - ou seja, que o serviço resumia-se em colocar panfletos no jornal. Havia alguns detalhes, tipo quantos panfletos colocar, e qual panfletos colocar em qual dia, mas nada muito complicado. No fim da breve explicação, ela revelou o salário e perguntou se eu ainda estava interessado. Disse, escondendo a animação, que sim. Ela puxou um papel pra anotar meu telefone e disse que até sexta-feira estaria me ligando pra dizer se eu peguei a vaga ou não.
E enquanto isso, imprimo mais um currículo pra levar pro restaurante aqui pertinho.
Fiquem na torcida aí.
Escrito por Kid on Sep 26, 2005
Arrumar emprego aqui, mesmo nas minhas condições limitadas de imigrante esperando o processo de legalização, é mais fácil do que eu imaginei. Fiz duas ligações hoje de manhã, marquei uma entrevista pra amanhã e já arrumei um emprego garantido pra hoje a noite. O problema é que esse aí é numa cidade vizinha, então ainda estou avaliando se valerá a pena ou não. É uma empresa de mudanças, ou seja, o salário promete ser bom. Trabalho braçal aqui paga muito bem. Mas ficar pegando ônibus pra outra cidade…
Enquanto não me decido, resolvi deixar meu currículo aqui no HBD. Talvez alguém aí esteja precisando de um blogueiro desempregado, nunca se sabe.
Idade indefinida
Mora em algum lugar no Hemisfério Norte
Educação
• Segundo grau brasileiro completo (passei raspando por não ter aprendido logaritmos)
• Segundo grau canadense completo (concluído com honras por saber a tabuada de 3)
• Ensino superior incompleto por motivos de mudança (bah, eu nem queria aquele diploma mesmo…)
Experiência de trabalho
• Operador de CPD
Funções: Destruir a empresa, ser pego pelo chefe almoçando durante o expediente.
• Assustador de Halloween
Funções: Matar criancinhas de medo, arrancar palavrões de seus pais.
• Picolé-man
Funções: Vender gelo pra esquimó (de uma certa forma).
Expectativa salarial
Qualquer oferta acima de 30 mil dólares por mês - com adição de férias remuneradas a cada quinze dias, assistência médica, secretária gostosa de minha escolha e um novo telefone celular - será considerada com prioridade.
Referências
Pô, preciso dar mesmo?
Confie em mim, sou um bom empregado.
[ Update ] Um restaurante aqui pertinho de casa tá contratando. Esse seria o emprego ideal :(
[ Update 2 ] Cacete, e eu achava que era difícil arrumar emprego aqui sem ter a papelada legal da imigração. Acabei de arrumar mais uma entrevista pra amanhã - outro restaurante, e também aqui perto -, e outro emprego garantido começando amanhã mesmo. Se tudo correr legal, já rola post amanhã mesmo sobre o primeiro dia de trabalho.
Escrito por Kid on Sep 23, 2005
O Lipedal deu a idéia de eu cobrar sim a grana que o negão me deve - que ficou acertada em 27 dólares num telefonema ontem -, nem que fosse apenas pra salvar o áudio e arrancar umas risadas (e esmolas) de vocês.
Taí.
Kid vs Negão Nigeriano, primeira tentativa.Se a essa altura eu preciso explicar como se salva um arquivo, desligue seu computador e bata a cabeça contra a parede mais próxima até aparecer um buraco. Na cabeça ou na parede, o que vier primeiro.
(Agradecimentos especiais ao marvin, que ripou o .wav pra mim.)
Viram como o inglês do cara é tosco? Imagina decifrar isso às 4 da matina, com o barulho de um aspirador por trás. Missão impossível.
Pra quem não conseguiu entender, o cara disse “Ligo pra você depois, pare de me ligar“, como se eu tivesse colocado o número dele na discagem automática do celular e depois colocado uma pedra em cima da tecla de ativação. O que o filho da puta ignora é que essa é a primeira vez que ligo pra cobrar minha grana, e que não estou fazendo nada que não seja meu direito.
Dito isto, o negão bateu o telefone na minha cara, me deixando como um imbecil dizendo “Hello? Hello?” para uma linha muda.
Vou dar dois dias pra ele. Pensei em ligar de novo e falar umas verdades pro desgraçado, mas achei que o que ele tá querendo mais é um motivo pra não me pagar.
Assim sendo, vou deixar passar uns dois dias. O segundo round vem aí.
Esperemos.
Independente do final dessa história, já odeio evangélicos mais do que já odiava previamente. Foda-se que eu tou generalizando. Odeio vocês e pronto, não discutam.
Escrito por Kid on Sep 22, 2005
(É post grande que vocês queriam, né? Então toma.)
Ok, deixa eu começar a contar a história do começo.
Ontem foi o último dia no trampo de sorveteiro. Últimos dias sempre têm aquele melancólico ar de despedida, ontem não foi diferente. Pra celebrar o fim da estação, instaurou-se o maior clima de festa no escritório: havia balões, música, chefe contando piada e tirando onda com os recém-ex-funcionários e muita comida grátis. Rolou até distribuição de prêmios e tal (eu ganhei a coleção completa de Matrix, com 10 DVDs e um busto do Neo. Fotinha aqui procês quando o prêmio for entregue no domingo, no pique-nique anual da empresa).
Então. Dei tchau praquela galera e voltei pra casa, com o coração meio apertado. Sou uma bichinha mesmo, despedidas me deixam bolado. Lembrei de quantas vezes eu tava lá na minha rota, olhando impaciente pro relógio, esperando que nove horas chegassem logo para que eu pudesse me mandar dali. Percebi subitamente que vou sentir falta de trabalhar como picolezeiro.
Cheguei na minha residência à meia noite, e passei a me arrumar pra encarar a segunda jornada de trabalho. Dei a passada obrigatória na internerd, conversei com alguns amigos, xinguei alguns inimigos até que o meu chefe apareceu aqui pra me levar.
O trabalho era aparentemente simples: limpar restaurantes durante a madrugada. Assim sendo, eu imaginei que não precisaria de muitas instruções da parte do chefe.
Acontece que o cara MAL FALAVA COMIGO. David era um nigeriano extremamente mal educado e sem o menor tino social. Nas poucas vezes que o cara se direcionava a mim, parecia que tava com medo de falar, sei lá que porra aquele negão tinha. Soma-se a isso o sotaque simplesmente horroroso dele; cada frase dele era acompanhada por um “Uhn, excuse me?/I beg your pardon?/Say that again?/Nigga, what the fuck did you say?” meu. No começo eu encarei como um emocionante desafio linguístico. “O que diabo esse negão está tentando me dizer?!” Duas horas depois, decifrar o inglês dele se tornou um estorvo.
Mas beleza. A intenção era ganhar dinheiro, e não fazer amizade com o cara. Aceitei o infortúnio resignado e passei a sonhar com as doletas que seriam recebidas no fim do expediente.
E foi aí que começou a putaria. Claro, se a história envolve a mim, há de ter algum tipo de putaria. É praticamente uma lei científica.
Interpelei o David três vezes a respeito do salário por telefone, e duas vezes pessoalmente. Sempre que eu mencionava isso, o cara dava uma enrolada SAFADÍSSIMA, tipo “erh, ahn, tipo, hmm… a gente acerta isso depois“. Meu desconfiômetro apontou valores astronômicos; coisa boa eu não devia esperar de alguém que repetidamente se recusava a dizer a um empregado quanto ele deveria receber. Mas beleza, imaginei que ele ia primeiro avaliar meu desempenho pra depois dizer quanto eu mereceria arrecadar. Achei justo até, embora posso garantir agora que isso era uma forma minha de tentar autenticar uma atitude safada da parte do negão.
Primeiro ele me levou a um restaurante aqui perto, só pra pegar uns outros trabalhadores e levar pra outro canto. O cara controla uma verdadeira máfia de sub-empregados. Entramos todos na van dele e nos dirigimos a um segundo restaurante onde os escravinhos trabalhariam. Pra não dizer que aquela noite foi uma perda de tempo completa, David passou no McD’s e pagou um lanche pra mim e outro maluquinho lá. Insisti em pagar meu lanche, mas ele não aceitou. Até a forma de dispensar meu dinheiro foi meio estúpida. “Esse cara deve ter sido abandonado pela mãe e criado por cactos“, pensei.
Não tinha nem terminado o primeiro dia com o sujeito, e eu já não via a hora de pedir demissão.
Aí veio o choque - o maluco do banco do passageiro vira-se pro David e chama-o pelo título de PASTOR. Ficou revelado em uma conversa posterior que ele é pastor evangélico de uma congregação qualquer sem importância. E eu escolhi justo esse dia pra usar uma camiseta do Slipknot, ou seja, fui ouvindo sermão (sempre num inglês aleijado) durante todo o caminho do restaurante onde eu trabalharia. O suéter estampado com o Marilyn Manson não saiu mais da mochila.
E olha que eu já não era muito fã do cara. A essa altura, eu já tava realmente triste por causa do trabalho de sorveteiro ter acabado.
Chegamos no outro restaurante, que era EM OUTRA CIDADE, MAS O PUTO JAMAIS ME DISSE. Descemos, descarreguei o equipamento - sim, ele me fez carregar tudo sozinho. Carinha sem vergonha. - e começamos a limpar o lugar. Era uma pizzaria de beira de estrada.
De cinco em cinco minutos o carinha vinha verificar se eu estava fazendo tudo certinho, Apontava um lugar no carpete que eu não tinha aspirado direito. Reclamava que eu não puxei as mesas pra aspirar embaixo direitinho. Basicamente, ficava sobrevoando meu ombro e analisando tudo que eu fazia, e disparando trinta críticas por segundo em tempo real. Senti mais saudade ainda do trabalho de sorveteiro, daquela liberdade de ficar passeando por aí com a bicicleta e fazendo o que eu bem entendesse, sem a pressão da presença da chefia.
Eventualmente o negão lembrou que não tinha ido junto comigo só pra encher o saco, e começou a trabalhar também. Foi aí que o negócio piorou.
Cabe uma explicação antes:
Quem me conhece sabe que eu sou incapaz de acordar depois de nove horas da manhã. No dia anterior, eu havia acordado às oito, e ido trabalhar às três da tarde. Voltei ao escritório às 9 da noite, rolou aquela festinha já mencionada, e cheguei em casa mais ou menos às doze. Nisso já iam dezesseis horas acordado. Todo mundo precisa de oito horas de sono, ou seja, eu já tava rodando na reserva. E o trabalho com o negão não tinha nem começado.
O cansaço começou a bater forte, mas tudo bem. Decidi encarar a segunda rodada de trabalho.
Acontece que eu não sabia que essa ia durar até as SETE da manhã. Lá pelas 4 AM, eu já não conseguia pensar em nada a não ser minha cama, e na namorada. A sensação foi muito escrota: cansado, em outra cidade, trabalhando sem nem saber por quanto pra um desconhecido escroto… bateu a maior sensação de isolamento, de solidão. Desejei com todas as forças que aquela porra acabasse logo. Queria mandar uma mensagem pro celular da gótica, mas ela estaria obviamente dormindo àquela hora.
Como mencionei antes, só acabei voltando pra casa às sete da matina. Neste momento, meu relógio marca exatamente 9:52, e estranhamente não estou mais com sono.
Quando o cara me deixou de volta no prédio, tava decididaço a ligar pra ele mais tarde e dizer que ele podia enfiar o trampo escravo dele em seu cuzinho preto. Pra minha surpresa, ele acabou me ligando antes, pra me dizer que me daria o pagamento da noite no dia seguinte. Decidi acabar logo com aquilo e falei que não gostei do emprego e que não voltaria mais. O cara ficou putíssimo instantaneamente, e aí mesmo que eu soube que não voltaria a trabalhar pra ele - nem me convencer o cara sabia; a tentativa dele pelo telefone foi bizarramente hostil. O que, imagino eu, é a última forma que você deve usar se quer convencer alguém a trabalhar com você.
Ele disse que me pagaria hoje quando eu fosse trampar, mas como eu falei que não iria e bati o pé, ele não falou mais nada e desligou. Nem sei se o cara vai ao menos honrar a suposta moral que ele deve pregar em sua igreja e me pagar. E não faço questão do dinheiro dele.
Foda-se. Que volte pra Nigéria.
…
E que volte a vagabundagem. Acho bom vocês me manterem mesmo, porque agora tou na mão de vocês :(
Escrito por Kid on Sep 21, 2005
Preciso mais uma vez da direção de vocês para tomar uma decisão importante na minha vida. Lembram que vocês me ajudaram a decidir aceitar o trabalho do sorvete? Poisé, mesma coisa agora.
Hoje é meu último dia de sorveteiro. Curiosamente descolei outro empreguinho hoje mesmo. Minutos atrás, pra ser mais exato.
O trampo é num restaurante não tão longe daqui, DE MADRUGADA. O cara não me falou o salário ainda, disse que discutiremos isso quando chegar lá hoje à noite. É isso mermo, começo já hoje. Pelo telefone, ele disse que acertaremos um valor que me satisfaça. Isso me deixa esperançoso, negociações de salário parecem uma idéia muito emocionante.
Acontece que aí, minha vida social vai pro buraco. O trampo será todo santo dia, de meia noite às cinco. A namorada, que passa os fins de semana na minha casa, terá que se acostumar a dormir sozinha nos sábados.
E aí? Aceito a parada, ou fico na vagabundagem sustentadas por cliques? Quero opinião de todo mundo, incluindo vocês que acessam esse blog mas nunca comentam.
Escrito por Kid on Sep 21, 2005
Cheguei no saguão do prédio outro dia aí e dei de cara com um monte de inquilino de roupas de banho e toalhas nos ombros. Todos eles tinham uma expressão muito enfezada no rosto, e como todos estavam esperando o elevador e não estavam molhados, imaginei logo que deveria ter acontecido algo de errado com a piscina no prédio. Talvez fecharam pra trocar a água, ou pôr mais cloro, sei lá, alguma coisa assim.

Tenants não é “tenentes”, seus burros. É “moradores”, “inquilinos”.
Esse era o aviso fixado nos elevadores pouco tempo depois. O que esqueceram de dizer que o problema é que ALGUÉM CAGOU NA PISCINA. Talvez o “VANDALISM” em letras maiúsculas e fonte verde seja um eufemismo pra isso, vai saber. Ao invés de “Devido ao vandalismo“, lê-se “Devido a infelizes cagando na piscina“.
É isso aí mesmo. Segundo informações que colhi posteriormente, algum engraçadinho foi à piscina mais cedo que a geral e mandou uma cagada fumegante na área de lazer dos habitantes do Summit Place. A revolta dos moradores foi tanta, que ouvi comentarem até sobre linchamento. O mais revoltado de todos era um cara lá (com maior cara de viado, devo acrescentar) lá que tinha mergulhado antes de avisarem-lhe a respeito do tolete que se banhava lá. Até onde fiquei sabendo, demoraram mais tempo para remover o excremento porque não conseguiram convencer nenhum dos funcionários do condomínio a aceitar a missão.
E fecharam a piscina. Não que faça muita diferença, vai demorar algumas gerações até que alguém se disponha a freqüentar aquela piscina novamente.
De volta ao apartamento, comecei a matutar várias dúvidas: o que leva um cidadão a sair do conforto de sua casa com a única e exclusiva intenção de cagar na piscina comunitária do prédio, um privilégio que ele provavelmente também desfrutava? O que alguém tem a ganhar com esse tipo de atitude? Poder contar numa rodinha de amigos que foi o único com bolas o bastante pra se aliviar numa piscina?
Fico imaginando o cara acocorado na beirada da piscina, com o calção em volta dos tornozelos, abafando as risadas. Que qualidade de ser humano caga numa piscina?
…
Pior que somos os únicos brasileiros do prédio. Devem estar desconfiando da gente.
Escrito por Kid on Sep 19, 2005
Segurem as pontas, tem post novo vindo aí. Deixa só eu me livrar dessa correria surreal que tou passando ultimamente.
Definitivamente não estou preparado pra essa vida adulta de responsabilidade.
Alguém aí é velho o bastante pra lembrar do The Mario Bros Super Show, um desenho do Mario que passava de manhã na Globo, possivelmente na TV Colosso? Fazendo uma pesquisa no Google, descobri que dá pra assistir vários episódios daquele programa na internet. E, o que interessará mais, dá pra assistir DE GRATISMENTE, com som original e tudo.

Não precisa nem ser fã maluco do jogo pra adorar aquele desenho. E os atores toscos interpretando o Mario e o Luigi, então?! O cara que fazia o papel de Mario parecia um mendigo. Bom demais.
E, ahn… se você não fala inglês fluente, vai desejar ter feito um curso anos atrás. Não há legendas na exibição do desenho.
Mas acho vale mesmo assim, ainda que só pela nostalgia. Aqueles barulhinhos de moedas sendo recolhidas e do Mario pulando são um idioma universal.
Escrito por Kid on Sep 18, 2005
Quero dar esmola, mas só vejo Curiosidades. O que fazer?
Se você gosta do HBD e quer me motivar a atualizar o blog cada vez mais frequentemente através de generosas esmolas, você é uma boa pessoa. Pena que o Google tenta impedir a sua ajuda, jogando banners das famigeradas Curiosidades aí ao lado. A maioria de vocês deve saber que eu não ganho porra nenhuma por esses banners desgraçados. Cada vez que essas porras aparecem, meu rendimento diário cai uns 50%.
Dá até uma tristeza. Depois que você se acostuma a fazer dez dólares por dia, US$ 5,50 não servem mais.
Mas com um pouquinho de paciência, você pode continuar ajudando este blogueiro vagabundo. Aprenda com as dicas dos leitores:

Isso mermo. Se você entrar em qualquer página do blog (FAQ, Arquivos), jamais verá banner inútil de curiosidades. Se você quiser gastar dois segundinhos pra fazer uma boa ação, entre lá em qualquer desses links. E lembre-se: só é possível dar uma esmola por dia.
Uma outra estratégia pra se livrar das curiosidades é esta:

Essa aí eu não conhecia. Aparentemente, clicando com o botão direito no banner e atualizando, as curiosidades vão embora.
Escolha a opção mais conveniente e pronto. Não há mais desculpa.
[ Update ] Essa do Rodolfo Rodonho nem sempre funfa, então fiquem apenas com a primeira mesmo.
Escrito por Kid on Sep 17, 2005
Rapidinhas

Algum de vocês deve ter infiltrado uma rapadura envenenada aqui em casa. Tenho quase certeza.
Tou doentaço desde quinta feira. Febre alta, cinquenta espirros por minuto, noites em claro - tentando assistir pornozeiras inéditas na TV, mas ao invés disso - vomitando profusamente… A macumba foi forte.

Estou 50% mais feliz hoje. Fui a Toronto a tarde e comprei seis litros de guaraná Antártica (GUARANÁ ANTÁRTICA!) e dois pacotes de biscoito Passatempo (BISCOITINHO PASSATEMPO!!~~“11one one one). Gastei mais de vinte dólares, mas valeu a pena. Não suporto biscoitos nem refrigerantes canadenses. Cookies são até bonzinhos (embora enjoem rapidamente), mas alguém aí já tomou Root Beer ou Dr Pepper? Vai ter mal gosto assim na puta que te pariu. Refrigerantezinhos nojentos.

O trabalho de picolezeiro, infelizmente, está chegando ao fim. O lado ruim é que terei que me re-acostumar com a falta de grana; o lado bom é que vou me livrar da gurizada insuportável que não sabe fazer contas e tenta comprar sorvetes de três dólares com duas moedas de 25 centavos.
Preparei alguns posts sobre os dias de labuta. Aguardem.

E falando em trabalho, Halloween tá chegando. Quem lembra das putarias aprontadas no ano passado? Isso sem falar na grana. Quase 500 dólares por duas semanas de “trabalho” - assustar crianças três horas por dia pode ser considerado trabalho? - é formidável demais da conta.
Mal posso esperar.
Escrito por Kid on Sep 16, 2005

Tenham medo.
A internet está em polvorosa, e mais uma vez é o Google que toca a putaria.
Após o anúncio e lançamento de serviços como orkut, Gmail, Adsense, Google Maps e mais recentemente, o Google Talk, a Microsoft do novo milênio concluiu que ainda não dominava a internet o bastante. Então, decidiram que vão abrir a sua própria.
Zoeira?
Pode apostar que não. Não apenas os caras criarão uma super internet paralela, como fornecerão acesso gratuito a ela. Na minha época isso se chamava “monopólio total” e “preparação para a chegada do anticristo”, mas eu posso estar enganado.
Corram que ainda dá tempo.
Escrito por Kid on Sep 15, 2005
Sempre que tou entediado e há uma graninha sobrando na carteira, jogo algumas roupas no corpo - não que eu viva pelado dentro de casa, apenas nos fins de semana - e dou uma caminhadinha até o Five Points Mall, um shoppingzinho meia boca que fica aqui atrás do prédio.
Meu destino: Dollarama, a versão gringa das lojas de R$1,99. Tudo custa um dólar, e nem um centavo a mais.
O Dollarama é não apenas uma loja para mim, é quase um playground. A loja é imensa, com várias seções diferentes, e há milhões de coisinhas interessantes pra comprar lá. A seção de brinquedos em particular me diverte demais. Só brinquedinho fajuto, de plástico barato e marcas obscuras. Mas há milhões de briquedos diferentes, então há ao menos variedade. Lembro que a última vez que fui numa loja dessas com o Trunks, compramos quatro pistolas de pressão que disparavam balas de borracha. Perdemos todas as balinhas três horas depois, atirando um no outro, na mãe, na irmã, no cachorro, enfim, em qualquer coisa que cruzou nosso caminho naquele dia.
Então. Fui hoje de novo no Dollarama pra comprar feltro, pra corrigir um miserável defeito de design que o controle de qualidade da Palm deixou escapulir pro Tungsten E2 (aquele que vocês me deram de presente).
Vale um parêntese aqui.
(Tanto os PDAs quanto os softwares da Palm são de qualidade excelente, embora não se possa dizer o mesmo do hardware que eles lançam. São tantos problemas que me pergunto se isso não seria uma estratégia de vendas dele: “lancemos um produto que se auto-destruirá em alguns meses, e pouco tempo depois lancemos um que seja um pouquinho melhor e mais caro“.
Não é implicância da minha parte.
Veja o Zire 71, por exemplo. Ele tem uma câmera retrátil, que você expõe deslizando um mecanismo no aparelho. Acontece que esse movimento acaba destruindo um cabo dentro do palm, e você não pode mais conecta-lo ao PC.
Já o Zire 72 vem de fábrica com uma pintura emborrachada que descasca com pouco tempo de uso. A Palm tentou se retratar lançando uma versão sem a pintura fuleira, e substituiu gratuitamente os modelos avariados, mas a mancha na imagem da empresa permaneceu.
E aí chegou a linha Tungsten. O Tungsten E, apesar de parecer metálico, é na verdade de plástico com uma pintura de alumínio. Acontece que a capinha que vem na caixa do palm é vagabundíssima, provavelmente produzida às toneladas por crianças chinesas por cinquenta centavos por mês. Essas crianças chinesas não capricharam na costura, e ela arranha a pintura do Tungsten E. Milhares de consumidores enviam reclamações pra Palm. Uma merda.
Sai o Tungsten E2. Você imaginaria que depois desse fiasco, os caras acordariam pro vacilo e ao menos incluiriam uma capinha menos vagabunda.
Ledo engano. A capinha é a mesma, o estrago é o mesmo. Lendo em fóruns, descobri que uma forma de evitar os arranhados é comprando feltro e grudando na parte da capa que encosta no palm.
A Palm tem uma linha de equipamentos excelentes, mas a cada novo lançamento a má fama do seu desleixo com o acabamento final se consolida.
E por isso eu fui lá ao Dollarama comprar o feltro.)
Passei uma hora perdido na loja, passeando entre as prateleiras. Os brinquedinhos baratos roubaram minha atenção por maior parte do tempo. Acabei encontrando o que procurava mas, no caminho ao caixa, algo captou minha atenção. Algo vermelho, azul, e com um bigode inconfundível.

Um reloginho infantil oficial do Mario! Por UM MÍSERO DÓLAR! Nem o picolé mais fajuto da minha bicicleta é tão barato. Procurei desesperado na prateleira pra ver se havia outros relógios com personagens diferentes do jogo, mas Mario estava sozinho na loja. Era o último relógio. Arranquei da prateleira sem pestanejar.
Não vou nem tirar da embalagem.
[ Update ] E eu achava que brasileiro era safado. Olha o canadense espertinho vendendo o mesmo relógio por dez dólares!
Escrito por Kid on Sep 14, 2005
Atendendo aos pedidos do último comentário - e já que o baixo número de esmolas nos últimos dias me desmotivou a escrever textos novos -, mais algumas fotos.

Crianças canadenses se divertem num banco de neve acumulado no estacionamento do prédio. Uma delas arriscou uma tentativa de salto mortal pra trás. Caiu de cabeça no chão. Dezembro, acho eu.

Mesmo estacionamento, mesmo mês, outro ângulo.

Pegando o Go Train pra Toronto. Outro dia aí, nem lembro quando. Acho que foi semana passada.

Casey, o célebre amigo com 50% de concentração homossexual, e Trunks.

Chalé que alugamos em Parrysound. Ô lugarzinho bom do caralho. Mal posso esperar por janeiro do ano que vem.

Oh pátria amada, idolatrada, salve salve :(

Gambiarra tecnológica projetada por mim e construída pelo pai. A máquina na foto é um Pentium III confinado dentro de uma caixa não muito maior que um monitor de cristal líquido. A tela é sensível ao toque, e o PC está conectado à rede (na época, por fios. Hoje tá wireless) ao computador do meu pai, com um HD de oitenta giga abarrotado de músicas baixadas ilegalmente via p2p.
O PC também está conectado à internet (5mbps, chorem por favor) e tem Limewire instalado e configurado pra baixar as músicas diretamente pro PC do pai. Basta chegar no monitor, procurar uma música e baixar.
Faz o maior sucesso quando temos festas aqui.
E quando eu disse “projetada por mim“, o que na verdade aconteceu foi eu dizendo “ei, vamos colocar isso na parede, ligar na rede e usar pra tocar mp3?“

Irmãos Nobre. Eu sou o mais bonito e que projeta computadores.

Ajudando a namorada a se mudar. Era tão melhor quando ela morava aqui no prédio…
Escrito por Kid on Sep 12, 2005
No dia 23 de novembro de 2003, às vésperas do meu embarque rumo ao Canadá, escrevi um post no finado HBD-Weblogger a respeito das minhas expectativas sobre o novo país. A idéia, dada pelo Yuri, era deixar passar um tempinho após a mudança e a adaptação, e então verificar quais das minhas previsões estavam corretas e quais eram apenas reflexos da minha imensa burrice.
Acontece que, por motivos diversos, abandonei aquela favela virtual que é o Weblogger e então aquele post ficou lá, apodrecendo nos servidores do pior serviço gratuito jamais oferecido na internet brasileira, ou talvez até mundial.
Nossa, como o Weblogger é ruim. Se houvesse um esgoto na rede mundial de computadores, o Weblogger teria que melhorar muito para sê-lo. Algumas coisas são uma porcaria ofensiva, mas deixamos passar porque “é grátis”. Não é o caso com o Weblogger; o negócio é tão satanicamente ruim, que nem que eles me pagassem seria possível relevar. O serviço oferecido pelo Weblogger é grátis na mesma proporção em que uma picada de escorpião é.
Não quero causar aos usuários daquela desgraça mais vergonha (estar associado com o serviço já custa-lhes a dignidade), portanto permitam-me resumir minha opinião:
O Weblogger é uma merda. O serviço, a empresa por trás dele e seus usuários são o tipo de coisa que me dá vergonha de ser brasileiro. Eu não voltaria a utilizá-lo nem sendo ameaçado à mão armada, e a julgar pelo fato de que eles ainda têm usuários, imagino que essa é a nova estratégia de marketing. Os culpados pelo Holocausto foram julgados em Nuremberg, mas só haverá justiça nesse mundo quando enfiarem tudo e todos relacionados ao Weblogger num foguete e em seguida dispará-lo em direção ao Sol.
Ah, sim, o post.
Outro dia aí, sentado à sombra de uma maple tree (matando hora no trabalho) e revirando os documentos o Palm, achei aquele texto.
“O Yuri outro dia me deu uma idéia do caralho: postar minhas considerações sobre o meu futuro lar e, depois de algum tempo, analisar a opinião que eu tinha antes de ir pra lá.
Uma idéia foda, diga-se de passagem. Uma das coisas mais legais de ter um blog é justamente isso - arquivar idéias. Vamos ver se o futuro me contradirá.
Pelo que já apurei em diálogos pela internet, os canadenses são xenófobos. Muito xenófobos. Se vocês não se lembram, fui escorraçado de todos os canais canadenses em que tentei estabelecer contato. Mas me ocorreu que talvez apenas os nerds canadenses de IRC fossem tão anti-sociais. Morram todos nerds canadeneses virgens e anti-sociais.
Ah, é? Espera só você chegar aqui, Quide!
Cala a boca, porra.
Além da área pessoal, também tem a questão financeira. Meu plano é atingir a independência o mais cedo possível. Um canadense (o único que não era nerd xenófobo e virgem) me disse que emprego não é difícil de se arranjar lá. E mesmo o maior dos palermas, sem nenhuma educação ou sagacidade, consegue fazer dois mil dolares por mês, fácil, fácil. Assim que eu quero.E o clima? Sou um cearense e moro em São Luís do Maranhão. Meu corpo vai se rachar em um choque térmico quando chegar lá.
Voltando à questão monetária, creio que poderei realizar alguns pequenos sonhos que a economia brasileira impede: ter um mp3 player, um Playstation 2, um computador FODA… Só posso esperar.
Será que minhas esperanças são infundadas? Será que me foderei lá da mesma forma que me fodo na terra tupiniquim? Terei meu mp3 player, meu Playstation e meu computador FODA? Porque nunca mais postei tirinhas? Capitu traiu Bentinho?
Apenas uma coisa é certa: os nerds canadenses merecem morrer. Sem perdão.”
Logo de cara, eu já percebi que estava muito errado sobre os canadenses. Sobre os caras serem xenófobos, foi uma má concepção. Eu estava tentando conhecer canadenses no IRC, onde encontrei apenas nerds que, apesar de provavelmente ter personagens de World of Warcraft/Everquest com +500 pontos em atributos variados, não exercitam muito suas habilidades sociais. Na verdade, os canadenses são muito amigáveis.
Talvez, um pouco demais.
Sobre o mundo profissional, eu estava certo e errado. Estava certo na questão da facilidade de arrumar empregos - minha namorada praticamente teve seu emprego empurrado pra cima dela -, mas esqueci de um pequeno detalhe burocrático. Aliás, “esqueci” não, eu nunca soube.

Vista da janela do meu quarto, dezembro
Quando meu pai foi convidado a trabalhar aqui, sabíamos que teríamos status legal no país. O que eu não sabia é que processos de legalização demoram uma VIDA pra sair. Então, até sair o greencard (previsto para o começo do ano que vem), não posso tirar um número de previdência social, e consequentemente não posso trabalhar. A não ser, evidentemente, “por baixo dos panos”.
Sobre o clima, isso aí realmente foi foda. Pra quem não sabe, a temperatura no norte de Ontário chega a descer a não menos que -40 graus Celsius. Quando isso acontece, ninguém sai de casa. Isso não é uma hipérbole, ninguém sai de casa literalmente. A essa temperatura, o sangue congela dentro das suas artérias, e acontece o fenômeno conhecido como frostbite - partes do seu corpo morrem por falta de oxigenação e simplesmente caem.

Lago Ontário, visto de dentro do Go Train, julho
A respeito dos meus sonhos de consumo, realizei todos que queria. Mp3, já passaram não menos que quatro pela minha mão, e eu já tou querendo outro. Computador foda, eu passei de desejar após o videogame. PC pra mim, só mesmo pra conectar na internet. Meu pai estacionou o Athlon XP de 2.4ghz dele lá na sala porque a fonte queimou, e eu não quero comprar uma nova porque tenho preguiça de tirar meu PC velho do quarto e substituir pelo Athlon.

Da esquerda pra direita: Casey (o amigo semi-viado) a gótica, e Trunks (o irmão), em janeiro
Até mesmo coisas que eu nunca imaginei que ia querer, como palm pilots, já tive também. Se você gosta de gastar dinheiro com bugigangas modernéticas, Brasil não é o país pra você.
Um detalhe que eu não comentei no post daquela época foi a área sentimental. Eu era noivo na ocasião, então não estava me preocupando em arrumar mulé aqui. Aquele noivado foi tão bem sucedido como a viagem inaugural do Titanic, e pouco tempo após chegar aqui, eu me toquei que ia ficar sozinho por um bom tempo. Nunca fui nenhum Don Juan, e - eu imaginava - devia ser ainda mais difícil pegar mulé num país onde você ainda tá aprendendo a língua.
Ledo engano. Brasileirice tá em alta aqui no Norte; eu estava em vantagem, e não em desvantagem. Em menos de quatro meses após o término do noivado, tava de namorada nova. Modelo importado, ainda por cima.

Namorada e cunhada, num acampamento em Parrysound. Eu estava atrás da câmera, como em todas as outras fotos. Dezembro
Mas não vou mentir procês: a adaptação é foda. Sem qualquer dúvida, foi o pior período da minha vida, e qualquer imigrante pode confirmar. Imagina você abandonar todos os seus amigos, seus hábitos, suas faculdades, suas conquistas, pra morar num país que você nunca viu na vida. O sistema de aluguel aqui é meio estranho; os donos das casas exigem os pagamentos do primeiro e último meses adiantados. Por causa disso, passamos dois meses morando numa casa sem mobília (os primeiros contra-cheques do meu pai foram só pra pagar aluguel, que por sinal costuma atinge a marca dos quatro dígitos).
(Pior ainda é a experiência de quem vem morar ilegalmente)
Depois que isso passa, você ainda tem que lidar com a terrível sensação de isolamento. Demora um pouco pra se acostumar com a televisão inteiramente em outra língua. Você sai na rua e ouve todo mundo falando em inglês, logo no começo é estranho pra caralho. E pra piorar, eu não conhecia absolutamente ninguém aqui. Não tinha escolha a não ser passar o dia inteiro trancafiado dentro de casa.
E a situação permaneceu a mesma até eu ser apresentado pro Chris - meu ex-guitarrista -, uns dois meses depois ter chegado aqui. Através dele, fiz meu primeiro círculo de amizades. Foi aí que conheci a famigerada gótica alemã. Fui apresentado aos amigos dela, que eventualmente se tornaram meus amigos. Meu inglês aumentou exponencialmente, o que facilitou a minha vida social. E a partir daí, tudo melhorou.

Na escola, descolando meu diplominha canadense. Outubro
A única coisa que realmente me dá saudade ao lembrar do Brasil é a minha família. Gostaria de poder dizer “meus amigos”, mas eu diria que menos de 2% das minhas amizades manteve contato comigo, sinal de que não devíamos ser tão amiguinhos assim. Assim sendo, fodam-se.
Reiniciar sua vida em outro país é difícil pra caralho. Abrir mão de certas coisas, psicologicamente, dói demais. Conversando com outros imigrantes, descubro que quase todos passaram pelas mesmas etapas que eu. Muitos desistem e voltam correndo pro País da Putaria, mesmo depois de ter vendido até a mãe pra tentar uma chance aqui fora. Admito que eu quis voltar, em diversas ocasiões.
Mas somos condicionados a nos acostumar. Depois de um tempo, a vida nova entra nos trilhos.
Mas que ainda dá uma pontada de saudade desse país onde nasci e me criei, dá sim :(
Escrito por Kid on Sep 10, 2005

Primeiro foi apenas um comentário isolado. Depois, dois. Três. Quatro. Dois emails. Três emails. Pedidos no MSN. Ameaças de morte, seguidas de pedidos de desculpas, e mais ameaças de morte poucos segundos depois, sugerindo que alguém aí esqueceu de tomar seus medicamentos. Nunca vi essa reação de vocês.
Aparentemente esse tal Jogos Mortais é o melhor filme do universo, porque jamais recebi tantos pedidos pra resenhar uma película antes. Nem mesmo Mario Bros, filme horrível estrelando o encanador italiando mais amado dos videogames, recebeu tantas requisições de uma resenha. A bem da verdade, nunca recebeu nenhuma. Mas eu mantenho as esperanças.
Enfim. Como o desejo de vocês é ordem aqui agora, não tive escolha a não ser largar minha coleção de selos comemorativos da Guerra Civil Americana e fui procurar o filme por aí.
Fui à Blockbuster, mas todas as dez cópias do filme estavam alugadas. Isso enfatizou mais ainda o fato de que esse filme deveria ser a melhor coisa já inventada após a torradeira elétrica, e que eu não seria um ser humano completo e produtivo enquanto não assistisse essa maravilha. Havia alguns DVDs na outra prateleira, mas eram para comprar. Dei de ombros e voltei pra casa.
Limewire aberto no desktop. “Saw”. Mil resultados, nenhum baixável. “Jogos Mortais”. Menos resultados ainda, e apenas um download à incrível velocidade de 1.4 kbps. Malditos usuários de DSL 256kbps aí do Brasil, esse povo atrapalha a vida de todos.
A busca “Quero ver Saw, porra” por algum motivo inexplicável só exibiu um resultado, que por sinal não era o filme desejado, e sim um vídeo pornô de um anão com um cavalo (!). Perdi a paciência.
Voltei à Blockbuster e comprei a porra do DVD. Só por causa de vocês.

De nada.
Voltei pra casa com essa adição à minha coleção de DVDs empoeirados. Preparei uma rodada de pipocas, obviamente sem tampa, e peguei um lápis e cruzadinhas pra me distrair enquanto as pipocas ficavam prontas. Ahn, caneta, eu quis dizer. Peguei uma caneta. Vermelha e tal.
Tudo pronto, coloquei o DVD (que tem a sugestiva ilustração de uma serra circular) no PS2 e me preparei para absorver toda a incrível maravilha que deveria ser este filme.
Jogos Mortais, ou Só como nós canadenses aqui chamamos, começa com um maluco acordando numa banheira num quarto escuro. Neste exato momento, a câmera dá um zoom em alguma coisa caindo pelo ralo da banheira que ele acabou de destampar ao acordar. A câmera dá um close de vários segundos no ralo, e podemos ver alguma coisa deslizando pelo buraco. Essa é uma técnica muito utilizada em Hollywood, entitulada “vamos dar um close demorado em algum detalhe essencial na história, porque senão os burrões não entenderão o que acabou de acontecer“. Ainda não sabemos, mas aquilo que escorregou pelo ralo era justamente a chave das correntes que prendem o pé do indivíduo.

Esse é o maluco
O cara levanta completamente assustado e desesperado, assim como qualquer um aqui após ter sido sequestrado por um estranho e acordar numa banheira num local desconhecido e escuro, com uma corrente em volta do pé.
Acontece que o garoto da banheira não estava sozinho. Do outro lado do quarto, há um desconhecido na mesma situação, trancafiado e acorrentado. O estranho tenta acalmar o garoto, e pouco a pouco eles passam a entender o que diabos está acontecendo.

Alguém se machucou
O negócio é o seguinte: há um assassino em série por aí, que… bom, “assassino” não, porque como um dos protagonistas - o Doutor Alguma Coisa da Silva, interpretado por Cary Elwes - explica idiotamente, “ele nunca matou ninguém, na verdade“. Ele continua explicando que o modus operandi do “assassino” é colocar suas vítimas em situações complicadíssimas que, se não levadas com malemolência e sagacidade, resultarão na morte do infeliz. Pelo que entendi, eles tentam dizer que do ponto de vista legal o “assassino” não é um assassino de verdade.
Logo de cara eu pensei “mas que marca de querosene o roteirista desse filme bebeu ao escrever essa merda?” A idéia é mostrar que o Jigsaw - apelido dado ao assasino - jamais matou ninguém; que na verdade suas vítimas é que se foderam. Acho que eles desconhecem a definição de assassinato:
In law, murder is the crime of a human being causing the death of another human being, without lawful excuse, and with intent to kill or with an intent to cause grievous bodily harm.
Lawful excuse seria a) auto-defesa, b) execução da sentença de morte de um prisioneiro de acordo com as leis ou c) ou aborto em países em que é legalizado, o que obviamente não é o caso no filme.
Questões legais à parte, a dupla começa a entender o que está acontecendo: o infame Jigsaw não gosta muito deles, e os colocou num banheiro de algum lugar não-identificável. A missão de um dos personagens é matar o outro.
O filme mostra então as vítimas anteriores do Jigsaw. O primeiro foi um gordão suicida, possivelmente gótico, trancafiado em uma lugar repleto de razor wire. Razor wire é mais ou menos como o irmão mais velho do arame farpado: no lugar de farpas, há lâminas afiadíssimas. Então, o gordão deveria atravessar o arame e se mandar, porque a porta do lugar seria trancada pra sempre em poucas horas, e ele morreria de fome ali mesmo. O que, a julgar pela circuferência do cara, demoraria pelo menos uns trinta anos. Previsivelmente, o gordo acaba todo fatiado.
Na próxima vítima, Jigsaw utilizou toda a sua criatividade. O maluco acorda num quarto escuro, com um cofre bem no centro e milhares de combinações numéricas escritas nas paredes. Segundo a fita cassete - que Jigsaw gentilmente fornece a cada uma vítima, só pra não dizerem que ele é totalmente mau -, há um veneno correndo nas veias do infeliz. O antítodo está dentro do cofre. A combinação do cofre é um dos quarenta milhões de números nas paredes. Sendo a sala totalmente escura, a única coisa que o coitado pode usar para enxergar é uma vela. Ah, já contei que ele estava totalmente bezuntado numa substância inflamável, que o transformaria em churrasquinho caso ele vacilasse com a vela?
Como se ele não estivesse fodido o bastante, Jigsaw ainda espalhou cacos de vidro no chão inteiro, só pra sacanear de vez. Vai se foder, ein.
A terceira vítima, uma mulé altas gata diga-se de passagem, foi a única que conseguiu escapar. Com uma armadilha de urso presa à cabeça e pronta pra separar suas arcadas dentárias para sempre, ela deveria abrir a barriga de um infeliz à base de bisturizada pra de lá tirar a chave e se livrar de um destino miserável. Como já falei, essa aí escapou.
E por que infernos esse desgraçado comete esses terríveis atos? Simples, porque ele é um moralista que tá cansado de ver gente acabando as próprias vidas, então ele decidiu facilitar o trabalho dos outros. Porque ele, na verdade, é apenas um cara prestativo.
O filme é razoável. Saw foi escrito, filmado e editado em apenas 18 dias, e isso é bastante óbvio na falta de qualidade da edição. Um “efeito” muito usado no filme é acelerar a reprodução da cena enquanto a câmera rodopia em volta do cenário, o que me sugere que os produtores que autorizaram isso devem ter oito anos de idade. Outro detalhe que comprova a rapidez em que o filme foi escrito e filmado são seus 5783 erros na trama, o que acredito ser um recorde mundial.
Não vou me estender em todos eles, mas vale a pena explicar o mais notável. Conforme todos vocês já devem saber (e se não sabiam, saberão agora), o corpo ensangüentado era na verdade o próprio Jigsaw. Em um dado momento no filme, um dos personagens presos no banheiro toma um puta choque através da corrente em que está preto, gentileza especial de seu anfitrião assassino. Até aí tudo beleza, porque não sabemos que o assassino está ali, deitado perto deles e totalmente imóvel.
Acontece que no fim do filme, Jigsaw se levanta, dá aquela surpresa na gente, e manda ver outro choque no pobre Adam (que a propósito é o roteirista do filme). E a dúvida apareceu instantaneamente: DE ONDE DIABOS ELE TIROU O CONTROLINHO PRA DAR CHOQUE EM MALANDRO? No começo do filme, ele está caído no chão com um revolver em uma mão e um gravador em outra. Um personagem pega o gravador, outro pega a arma, e temos então um corpo imóvel caído no chão DANDO CHOQUES NOS OUTROS. Acontece que suas mãos deveriam estar vazias, e ele não poderia simplesmente meter a mão no bolso e pegar o controle.
Outra incoerência é o próprio Jigsaw. Segundo o filme nos explica, o indivíduo é na verdade um ancião com um tumor cerebral em estado terminal. Apesar de ser um velho moribundo, Jigsaw não vê nenhuma dificuldade em invadir casas, sequestrar pessoas, fabricar complexos artefatos assassinos e ainda por cima voltar toda noite pro hospital sem que ninguém perceba sua ausência. No mundo real, pessoas na situação dele precisam de ajuda até pra ir ao banheiro, que dirá então pra dar lições de vida promovendo matanças sanguinárias.

Cary Elwes. A sua interpretação nesse filme é tão singular, que só posso formular teorias para explicá-la. Minha favorita é de que o diretor de Saw apontou uma AK-47 na cabeça do cachorrinho de estimação do ator e disse que, se ele ao menos FINGISSE que sabia atuar, a última coisa que passaria pela cabeça do Rex seria chumbo quente.
E é isso. Saw parece uma foda apressada: a idéia é boa, mas foi mal executada e acabou decepcionando.
Saw II vem aí, vamos esperar que ao menos gastem um pouco mais de um mês para finalizá-lo.
Agora deixa eu correr na Blockbuster que talvez aceitem o filme de volta.
Escrito por Kid on Sep 9, 2005
Saca quando você era guri e sua mãe te dava uma carona até a frente da escola pra, na frente de todo mundo - incluindo aquela mina da sexta série que você queria dar uns pega -, dar aquele beijo maternal extremamente vexatório, que crucificava instantaneamente o resto da sua vida social escolar?


Pelo menos minha mãe não usava a internet.
A propósito, se você estiver lendo isso, oi mamãe
Se eu não chegar do trampo muito cansado, post novo ainda hoje.
Escrito por Kid on Sep 7, 2005
Se você fechar esse vídeo pornô que você deve estar assistindo e parar pra pensar um pouco a respeito do século em que vivemos, chegará à mesma conclusão que eu atingi semana passada enquanto entregava uma casquinha de caramelo ao mesmo tempo que safadamente surrupiava 25 cents do troco de seu comprador:
Vivemos num mundo muito seguro, e isso tornou nossa existência muito monótona.
Pense comigo um pouco: cintos de segurança, backups, vacinas, airbags, botes salva-vidas, capacetes, seguros de vida, função “Desfazer” do Word, continues infinitos em Mario World… Temos ao nosso dispor incontáveis mecanismos de proteção que, ao mesmo tempo que nos dão segurança, acabam roubando todo aquele friozinho na barriga, a sensação de perigo, o próprio gostinho de viver. Que tipo de emoção se pode ter num mundo onde você pode comprar uma pílula de emergência minutos após ter estourado uma camisinha?!
Alguns indivíduos mais ousados, não conformados com essa sociedade medrosa que nos tornamos, adotam estilos e atividades ditos “extremas”. Mal sabem eles que até mesmo os esportes radicais foram infectados por essa covardia contemporânea:
• Em rafting, se usa colete salva-vidas;
• Skatistas usam capacete;
• A mochila do paraquedista tem um paraquedas de emergência…
Que porra é essa? Se arriscar sendo cuidadoso? Isso não faz o menor sentido. Ou você se preocupa com sua segurança, ou você pratica essas atividades. Tentar ambos prova não apenas que você tem tanto medo como o resto das pessoas, mas também que você tem medo de admitir esse medo, e é por isso que sai fazendo essas maluquices - pra que ninguém saiba que você é um puta dum cagão.
Tá, tudo bem, talvez essa cultura de auto-preservação tenha salvo algumas centenas de milhares de mortes trágicas, dolorosas e prematuras. Mas gente, e a adrenalina? E o senso de aventura?! Milhões de mortes por ano me parece um preço justo a se pagar por um friozinho na barriga de vez em quando.
Não chorem ainda. Essa situação pode ser revertida. Basta seguir meu simples Manual de Aventuras Domésticas, que pode ser praticado por qualquer pessoa, em qualquer idade, sem necessidade de esperar meia hora após ter tido uma refeição.

Imagine a cena: é um sábado à tarde, e há um filme na TV a cabo que por algum milagre não é uma merda repulsiva como os filmes de sábado à tarde geralmente são. Todo serelepe, você decide que a experiência cinematográfica não pode ser completa sem uma bacia fumegante de pipoca quentinha no seu colo, recém saída da pipoqueira. Você vai à cozinha, simultaneamente coçando o ovo esquerdo - não porque estava coçando, você coçou de graça mesmo - e joga os grãos de milho na panelona. Aí, de MEDROSO DE MERDA QUE VOCÊ É, você põe a tampa em cima de tudo, senta ao lado do fogão e começa a morder uma unha do pé pra passar o tempo.
Aí que está o seu erro. Você acabou de sepultar toda a adrenalina que a confecção de uma rodada de pipoca envolve. Já pensou? Um grão pode ou não voar por uma brecha entre a panela e a tampa, quando você a levanta pra ver se tá tudo no ponto, e pode ou não acertar você no meio do olho! Praticamente uma roleta russa culinária.
Os praticantes mais extremos desse esporte não apenas jogam fora a tampa, mas comumente mantém o rosto centímetros acima da panela, só pra ver se conseguem tirá-lo na hora H. Como em outras técnicas que envolvem tirar uma parte do corpo na hora H, não preciso dizer que isso nem sempre dá os resultados esperados.
Mas ao menos você não será um covarde de merda.

Poucos sabem, mas cruzadinhas podem ser uma das atividades mais extenuantes e radicais que um ser humano pode se submeter. Basta remover o lápis, jogar a borracha fora e puxar uma caneta da gaveta. A excitação será palpável quando você se deparar com o item “Capital da Iuguslávia“, X letras, vertical, e não houver uma forma de verificar o Google no momento.
O que fazer? Deixar em branco? Fechar a revistinha e perguntar a alguém menos burro? ESCREVER QUALQUE COISA COM LÁPIS E DEPOIS APAGAR?
Mas claro que não. Escrever com lápis - se garantindo na segurança que uma borracha oferece - é pra gente frouxa e que está acostumada a sempre sair errando tudo. Fazer cruzadinhas com lápis é não apenas mais um dos milhares de sistema de segurança que nos protegem como bebêzinhos indefesos o tempo todo, mas também um atestado de ignorância.
Passe a caneta (de preferência vermelha, pra que alguém que veja as cruzadinhas pense depois “caralho, esse cara era realmente um aventureiro!“) enquanto repete para si mesmo “ah, foda-se“. Muito em breve você saberá se acertou (o que fará você soltar um longo suspiro de alívio, confie em mim) ou não. E nesse caso, FODEU.
E até descobrir isso, o suor descerá continuamente de sua testa.

O corpo humano tem muitas características peculiares, quase todas trabalham incansavelmente para tornar nossa existência mais dolorosa. Canelas, amídalas, apêndices, molares… parece que certas partes do nosso corpo foram colocadas lá apenas causar dor e encheção de saco. Como se não fosse só isso, até mesmo as partes “úteis” causam uma dor impressionante por motivo nenhum.
Os dentes, por exemplo. Sozinhos eles são apenas mais uma engranagem da complexa máquina que é o corpo humano. Com eles você morde uma rapadura, segura o celular enquanto amarra os cadarços, arranca o piercing do mamilo de alguém… Ou seja, nossos dentes são uma excelente ferramenta.
Mas experimente combiná-los com sorvete. E não qualquer dente, mas especialmente os dentes da frente. Há terminações nervosas naquela área que potencialmente tornam o ato de comer sorvete tão doloroso quanto levar um choque de quarenta milhões de volts após ter perdido o braço numa mina terrestre que um soldado iraquiano pôs no seu caminho após estuprar sua mãe com um taco de baseball em chamas.
Alguns, entretanto, desenvolveram técnicas inconscientes e conseguem desviar da dor lacinante que vem após morder um gélido picolé com os incisivos. Alguns não. A que grupo você pertence?
Dê uma dentada naquele Frutilli e descubra, seu medroso!

Só aquele que já passou pela situação de ter estar trancado num banheiro em falta de papel higiênico sabe o quanto isso é desesperador. Acho que a única coisa pior que isso seria estar trancado num banheiro sem papel higiênico num prédio em chamas, minutos após ter sido demitido e não saber como pagará a prestação do carro no mês que vem. Mas como a maioria de vocês não tem carros, pelo menos dessa vocês escaparam.
Claro que ninguém quer se ver numa situação como essa. Por isso é lugar comum verificar - antes mesmo de arriar as calças - se há um volume satisfatório de papel higiênico naquele buraquinho da parede, justamente pra evitar a desagradável surpresa de estender o braço em direção ao rolo e sentir apenas o papelão.
E mais uma vez as conveniências e medos da nossa sociedade contemporânea estragam o que poderia ser uma aventura de proporções inimagináveis.
Os riscos nessa atividade são maiores que qualquer outro. Uma coisa é despencar de um avião a cinco mil metros de altura, cair de cabeça e ter uma morte instantânea e indolor. Outra bem diferente é despejar a feijoada de ontem na privada de um conhecido durante uma festa, dar de cara com a falta de papel higiênico e ter que contemplar a possibilidade do uso da cueca para o fim higiênico. Já viram o filme Saw, em que os malucos têm a opção de cortar os próprios pés para escapar do assassino? A solução está lá, na sua frente, mas você simplesmente não consegue tomar a decisão. E além disso, o tempo vai passando, lentamente mas inexoravelmente, e em breve perguntarão por que você ainda está no banheiro.
O que eu estou querendo dizer aqui é que verificar a existência do papel antes de liberar o esfíncter é coisa de gente FROUXA. Feche os olhos, feche a porta (e o nariz, dependendo do que você comeu ontem), e vá na fé.
E é isso. Adotem essas simples atividades radicais e injetem alguma emoção em suas vidinhas hermeticamente fechadas e protegidas 24 horas por dia, seus molengas!
Hm, mó vontade de fazer cruzadinhas comendo pipoca agora. Cadê minha BIC?
Escrito por Kid on Sep 6, 2005
Num site qualquer por aí:

Sério mesmo?
Sem zoeira?
No duro?
Não me diga! E eu achando aqui que era uma grande pegadinha do Gugu. Tudo ator contratado, tudo montagem no Photoshop e tal.
Escrito por Kid on Sep 5, 2005
Alguém já percebeu que é extremamente difícil achar bons jogos grátis pro Palm?
Aliás, “extremamente difícil” é praticamente um eufemismo. Você tem mais chances se suar ouro líquido do que de achar um jogo divertido pro Palm sem que pra isso tenha que sacar seu cartão de crédito e assim dar uma chance aos ráqueres do mundo inteiro darem um alô pra sua conta bancária.
Já fucei tudo quanto é site de aplicativos pro portátil, mas os resultados são iguais não importa o lugar onde eu procure. Os jogos freeware parecem que foram transportados diretamente de um Commodore 64. Sinceramente, não gastei 300 paus num computador de mão pra jogar Hanoi.
Aliás, nem os jogos pagos são essas coisas todas. Achei no Google versões pagas de Pacman, Paciência e Forca. Quem diabos gastaria VINTE DÓLARES pra jogar Forca num palm?
Mas não desisti, e acabei achando joguinhos que realmente valem a pena ser baixados. Previsivelmente, são porras de shareware - assim como qualquer bom programa pro Palm OS. Se a porra dos sites que vende essas merdas aceitassem paypal, juro que até abriria mão de minha brasileirança e desembolsava a grana. Como não tive alternativa, crackeei. Um deles ficou sem crack, mas vale mencionar mesmo assim porque o jogo é foda.

O jogo acima é mais um produto da infinita linha dos jogos Tycoon. Aliás, agora que paro pra pensar nisso, tá faltando um Puteiro Tycoon, ou Casa de Fumo Tycoon (Dope Wars não vale). Pena que não sei programar pra palm.
Mas enfim. Em Lemonade Tycoon, você gerencia uma banquinha de limonada. O jogo é simples o bastante pra que você aprenda em menos de cinco minutos - a não ser que seja um palerma total -, mas ao mesmo tempo complexo o bastante pra não ser desinteressante ou extremamente repetitivo. Você tem que bolar uma receita que agrade o público, investir em publicidade, comprar upgrades pro seu negócio, descobrir que áreas da cidade rendem mais… O jogo é bastante viciante, e os gráficos pixelizados dão um charme todo nintendístico. Só isso já rende 10 pontos na minha escala.
A versão shareware permite que você jogue por trinta dias - não trinta dias reais, trinta dias no jogo, algo que passa em menos de duas horas depois que você estiver viciado. Já baixei aproximadamente cinquenta e duas mil versões crackeadas, sem qualquer sucesso.
[ Update ] Olha a versão crackeada aí.

Esse aí é foda. Pense em Lemonade Tycoon, mas com gráficos melhorados, som EXCELENTE (jamais vi um aplicativo de palm com som tão bom), e nível mais profundo de jogabilidade e complexidade. Ou seja, basicamente pegaram a idéia do Lemonade Tycoon e a melhoraram 1008% . Em Tots n Togs, você gerencia uma loja de roupas super descoladas. Há tantas opções no jogo pra comentar - você pode escolher o que sua loja venderá, definir preços, usar a grana pra comprar diversos tipos diferentes de publicidade (rádio, TV, jornal, etc), fazer promoções, contratar empregados, abrir filiais… Esse jogo é foda. Vou admitir que a temática é meio homossexual, mas qualquer pessoa que goste de jogos de estratégia vai pensar seriamente em comprar Tots n Togs pro seu palm. Isso é, depois que você baixar 89 milhões de seriais que não funcionem, como eu.

Um jogo que parece bastante interessante é o Village Sims. Não tive muito tempo de jogar ainda, mas é um joguinho estilo The Sims - você tem que empurrar um bando de mongóis pra fazer atividades que eles mesmo deveriam estar fazendo se não quiserem morrer de fome.
Aqui tem uma versão crackeada, basta inventar um número qualquer como serial e o programa será registrado.

É aqui que o potencial do palm como plataforma para jogos se revela. Se não fosse Warfare Incorporated, eu não teria idéia que um jogo de estratégia poderia ter sido tão bem transportado para um aparelho portátil. Isso me faz pensar no potencial que o Nintendo DS têm pra jogos desse gênero - isso é, se as gamehouses não se esforçassem tanto em ignorar isso.
Warfare Incorporated é um título nos moldes de clássicos como Command and Conquer e Starcraft, jogos que cresci jogando. Se você conhece jogos de estratégia em tempo real - porra, QUEM não conhece? -, não preciso explicar do que se trata o jogo.
Os gráficos são excelentes; ouso a dizer que nesse departamento Warfare Incorporated rivaliza de frente com o primeiro C&C. As unidades são bem definidas, os cenários são ricos em detalhes, as animações fluem bonitamente na telinha do palm. As unidades têm até idle animation, que é aquelas animações que acontecem quando os bonequinhos ficam parados por muito tempo. Ou seja, dá pra perceber que os caras dedicaram bastante tempo pensando nos detalhes.
A jogabilidade é impecável. Os criadores do jogo contornaram a falta de um botão direito do mouse de uma forma bastante criativa - para acessar certas opções e menus, basta clicar e segurar a stylus por meio segundo.
O jogo é simplesmente fodólico. Torrei a bateria do palm jogando ontem, e por isso tive que terminar esse post no PC. Vou dar o braço a torcer e admitir que Warfare Incorporated não é nada de revolucionário ou original (o jogo é basicamente uma cópia recauchutada de Command & Conquer), mas não estou julgando-o por originalidade. O que vale mesmo é a diversão. Confiem em mim, esse é o jogo de estratégia mais divertido que eu já joguei, ponto final. Melhor até que o C&C, porque uma coisa é jogar à mesa do computador, e outra coisa é jogar ao lado de uma bicicleta de sorvete enquanto guris canadense escolhem o sabor que preferem.
Se você é fã de jogos de estratégia e não aguenta mais jogar paciência e tetris no seu palm, pegue agora mesmo.
COMO HACKEAR O WARFARE INCORPORATED
A versão acima é a shareware. Para hackea-la, você precisará do MUH, o Multi User Hacker. O que esse programinha faz é “enganar” o seu palm, pra que ele pense que ele tem outro nome ao invés do seu. Assim, você usa o serial que registraram praquele nome. Genial, eu sei.
Instalem o MUH. Rodem. Na telinha, selecionem Warfare Incorporated. No nome, coloquem “kracked dude”, sem as aspas. Voltem ao jogo, e coloque este serial: K-7486AC-FF6010-125E76
E pronto, o seu Warfare Incorporated agora está completo. O jogo tem 17 fases que o manterão ocupado por um bom tempo. Se você sentir um gostinho de “quero mais” - eu sei que você sentirá -, baixe as missões criadas por internautas. A comunidade é imensa, e há MUITAS missões ao seu dispor.

Dejobaan Bebop é mais um clone de The Sims, mas com um nível surpreedente de complexidade - especialmente considerando que é um jogo de palm. Acho que todo mundo sabe o que esperar de um jogo no estilo The Sims, então não preciso explicar muito. Esse foi outro culpado pela morte da minha bateria.
Peguem aqui, e crackeem usando o MUH também. Abra o programinha hacker, selecione o Bebop, e mude o nome do seu palm para “drfunk”. Sem aspas, porra.
Em seguida, rode o jogo e nas telas de registro, coloque “drfunk”, “drfunk”, e “19359″, respectivamente. Isso mesmo, são três telinhas. A formatação automática tornará o d maiúsculo, por ser a primeira letra da palavra, mas isso não fará diferença.
Pode soar complicado, mas o processo todo não demora nem dois minutos.
Os cracks acima foram fornecidos pelo Vlademir, dono da comuna Palm Warez Recife. E vou te contar, tirei o chapéu pra esse cara. Nunca vi alguém tão disposto a ajudar. Neguim posta pedidos de jogos nas áreas erradas, ignora as regras de utilização da comunidade, inunda o cara com exigências de joguinhos. Mas mesmo assim, o cara trata todo mundo na faixa e não demora nem um dia pra postar os links galera que a galera precisa.
Haja paciência e boa vontade. Nunca vi atendimento tão bom nem mesmo em serviços pagos!
Se você tem alguma outra boa sugestão de joguinho pro palm, mandaí nos comentários. Se houver dúvidas de como hackear os jogos, mandem email. Pra esse tipo de coisa, email é melhor que comentários.
(Mereço ao menos um mês de esmola garantida por esse post tão útil, fala a verdade)
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