Escrito por Kid on Nov 30, 2005

Ô Flora, me explica um negócio?


De acordo com o trechinho que você deve ter copiado e colado de um site mórmon (”Cremos ser a Biblia a palavra de Deus, desde que esteja correta a sua tradução, tambem cremos ser o Livro de mormon a palavra de Deus“), me parece correto concluir que o LIVRO DE OLRO e a Bíblia tem o mesmo valor pros mórmons. Posso estar errado, afinal eu já me enganei demais e até achava que o Neo não morreria no fim de Matrix Revolutions, mas nesse caso aqui me parece uma questão simples de interpretação.

Vejamos: você diz (seguindo a corrente de pensamento mórmon) que a Bíblia é a palavra de Deus, e que o Livro de Mórmon é também a mesma coisa (Guarde a sua cisma com a palavra “também” pra depois, já já comento sobre isso). Não houve nessa frase nada que indique que um é mais importante do que o outro. Se eles dissessem “Bom, a bíblia é a palavra de Deus e tudo mais, mas veja que o Livro de Mórmon tem DESENHOS no começo!“, eu concluiria que eles dão mais importância à bíblia faz de conta deles.

Em contrapartida, se os caras dissessem “Aê, o Livro de Mórmon é o maior barato e tudo, mas você já viu que a bíblia é mais pesada e que - consequentemente - é uma arma mais eficiente contra os infiéis que não aceitam ser evangelizados?“, eu concluiria que a bíblia é mais importante pra eles.

Mas não é o caso. O trecho que você pôs aí diz apenas que a Bíblia é X, e em seguida diz que o Livro de Mórmon também é X. Logo, a Bíblia = Livro de Mórmon, ao menos no que diz respeito à importância espiritual (afinal são ambos uma mensagem de Deus, porra).

Julgando esta ser uma interpretação bastante acertada, respondi você com essa conclusão nos comentários. Achei ter sido cordial, até. Você me surpreendeu com esta resposta:


Bem, aparentemente a palavra “também” mudou de sentido após minha saída do Brasil, e você acha que eu ainda não aprendi o novo significado.

Se você usa a palavra “também” pra traçar um paralelo entre duas palavras ou idéias, sou obrigado a concluir que ambas tem o mesmo sentido ou valor. Mais ou menos assim:

2 + 2 é igual a 4.
1 + 1 + 1 + 1 TAMBÉM é igual a 4. (Perceba o NEGRITO e as LETRAS MAIÚSCULAS)

Se as duas afirmações são verdadeiras, eu posso dizer então que…

2 + 2 é igual a 1 + 1 + 1 + 1.

Tá certo? Se errei aí, por favor circule o erro com uma caneta vermelha igual minha professora de matemática costumava fazer.

Acho extremamente engraçado como você se fecha à discussão dizendo que tem certeza que sua religião é a correta, e que por isso não vale a pena debater nada. Eu poderia dizer que isso é uma atitude pedante, arrogante e bastante unilateral, mas não há necessidade pra isso, né?

Bem, certamente você parece estar bastante segura em relação aos seus conhecimentos religiosos, mas não ao gramáticos. Não vou estragar sua surpresa, mas pesquisaí a diferença entre “por que” e “porque”. Vou dar só uma dica: você não sabe usar nenhuma das duas palavras.

Aliás, “axo” também que “naum” se põe cedilha em palavras como “comece”, mas eu reprovei português em todos os meus anos letivos ímpares então posso estar errado.

Aliás, qual sua religião? Pela raiva com que imagino que você escreveu esse comentário, chutarei que você é mórmon. Acertei? Caso afirmativo, você também acredita em Papai Noel e/ou coelho da Páscoa?

E se não for pedir muito, explique-me nos comentários abaixo (em menos de 5 linhas e sem usar a palavra “caralho” ou “geladeira”) por que motivo exatamente você acha que eu desconheço a religião mórmon. O que, caso você não tenha percebido, é uma clara calúnia e portanto espere ouvir de meus advogados em breve.

Obrigado.


Escrito por Kid on Nov 30, 2005

[ Update ] As esmolinhas feiosas são provisórias. Tou esperando o anunciante mandar umas que não pareçam ter sido feitas em quatro segundos no Paint.

Acredite, ninguém odeia mais a aparência delas do que eu.


Outro dia no MSN eu tava conversando com o frost, e o assunto em pauta era a minha preocupação em escrever com mais frequência (tipo duas ou até mesmo três vezes por dia) pra dar aos leitores algo mais pra ler enquanto o chefe está no andar debaixo conferindo o estoque.

O frost mandou emoticons emocionados (ou gays, dependendo de quão liberal e moderno você é) e disse que achava “bonita” essa relação que eu tenho com os meus leitores. Claramente ele falou de forma sarcástica, questionando a minha preferência sexual ou até mesmo alguma coisa mais séria, como a superiodade de Star Wars acima de todos os outros filmes já concebidos na história da sétima arte.

Mensagens caluniosas a parte, eu realmente tenho um certo orgulho de nutrir um carinho pelos visitantes deste sitezim. E não é pra menos.


Recebi essa doação horas após a primeira de hoje.

Sério, vocês são foda demais. E nego ainda tem a ousadia de dizer que vocês me pagam pau?

Tá enganadíssimo, seja lá quem fala isso.

Eu que pago mó pau pra vocês. É sério.

Brigado mesmo, tanto aos que estão tirando uma graninha suada do bolso pra me ajudar, quanto pra galera que gostaria mas não pode. Alguns podem até se chatear da minha repetição de agradecer a cada depósito que fazem, mas dar meu singelo “obrigado” após cada doação é o mínimo que eu posso fazer (o máximo seria postar umas fotos da gótica de bikini que eu tenho por aqui, mas vocês não tão me pagando tanto assim - ainda).

Eu poderia até escrever alguma coisa do tipo “mimimi, meu blog tem mil visitas diárias, se cada um de vocês me mandasse um realzinho só por mês, eu teria um salário blogueiro de quinhentos dólares mensais!“, como certos indivíduos fazem por aí, mas isso é presunção demais. É como se eu julgasse que vocês têm a OBRIGAÇÃO de me manter, ou de pagar pelos posts que eu escrevo por simplesmente gostar de escrever.

Nunca pensem que o negócio é por aí. O blog é gratuito e contribui quem quer (ou quem pode). Novamente, muitíssimo obrigado pela boa vontade de vocês em ajudar este pobre blogueiro que recentemente perdeu sua renda internética e que ainda não pode trabalhar no exterior.

Maldito Adsense traidor :(

Vocês são, sem qualquer dúvida, a melhor comunidade* internética que eu já vi na vida. Jamais pensei que leitores de um blog se comprometeriam tanto em ajudar o dono do site. Pode ter certeza que vocês se tornarão conhecidos pela blogosfera por causa disso.

*Pense no sentido que essa palavra tinha antes do Orkut; foi a essa conotação que eu me referi.


Escrito por Kid on Nov 29, 2005

[ Update ] E as contribuições, surpreendentemente, continuam! Vocês são foda mermo.


Pediu-se anonimato, e aí está. Acho bastante peculiar a modéstia desse pessoal - ajudam, mas não querem que ninguém saibam quem são. Louvável.

Vocês que tentem adivinhar quem são os benfeitores.

Aos que possam ter pensado em contribuir mas ficaram com vergonha de depositar apenas dois reais - deixem de bobagem. Qualquer ajuda de vocês é bem vinda igualmente.

E a quem possa interessar, aí está o saldo de todas as doações que recebi.

Do fundo do meu coraçãozinho: obrigado. Ainda invento um jeito de recompensar vocês, podem esperar. Nem que seja malabarismo no sinal.


Ô galerinha do mal, vocês lembram quando o RauL, nosso mestre espiritual, postou um link pra um site mórmon onde você podia solicitar um Livro de Mórmon - a bíblia faz-de-conta dos caras - totalmente de grátis e sem gastos adicionais referentes a envio nem nada?

Pra que você quereria um Livro de Mórmon“, vocês devem estar se perguntando enquanto correm desesperados para fazer o primeiro comentário neste post, como as bichas loucas que são. A questão é que é de grátis e sem custos adicionais, portanto não importa a utilidade, eu vou descobrir uma pra ele. E sim, o livro chegou ontem. Já tinha até esquecido do que se tratava.


Só depois de fazer o primeiro rasgo no pacote é que tive a idéia de informar vocês através de meios fotográficos.


E aí está, o Livro de Mórmon. Mal posso esperar pra ler este maravilhoso artefato sagrado que me ensinará com profundidade detalhes de um monte de coisas que nunca aconteceram.

Essa internet é realmente sensacional. Alguns cliques num site e pronto, recebo um livro em casa! E grátis! E não um livo qualquer, este livro tem FIGURAS COLORIDAS.


Esse é o Jesus mais feio que eu já vi estampado numa bíblia. Um estranho misto de sem terra com pedreiro com tio que vende pipoca na pracinha.


Joseph Smith, o malandrinho que escreveu esse livro e em seguida disse pra galera que era senão a tradução fiel de placas de ouro que ele encontrou por aí e que jamais foram vistas novamentes.

Vou começar a ler e ver no que dá. Peça o seu Livro de Mórmon também!


Escrito por Kid on Nov 27, 2005

- Kid, sexo é tão bom assim como dizem?
- Ô, se é cara.
- É mesmo?
- Sim, é muito bom mesmo.
- Melhor que punheta?
- Vixi, bem melhor. Melhor que trinta e quatro punhetas.
- :(

Um diálogo parecido com este acima aconteceu semana passada, via MSN, com um leitor deste site. Ele comenta frequentemente aqui.

Apenas eu sei a identidade do rapaz. Tentem descobrir quem é o sujeito.

(Cuidado na hora de postar comentários com risadinha, você pode estar se entregando.)

[ Update ] Por que será que só depois de postar textos como esse eu me lembro que minha mãe lê o HBD? Oi mamãe.


Escrito por Kid on Nov 25, 2005

[ Rapidíssimas ]


Sério que tem essa chilenada toda lendo o HBD, ou é maluquice do contador mal programado?

Contatem-me, quero saber mais sobre esse país de vocês. A menos que vocês sejam brasileiros morando no Chile, e nesse caso meu interesse é consideravelmente menor. Lugar de brasileiro é no Brasil, seus traidores da pátria.


Há um ano eu decidi deixar o cabelo crescer. Depois de todo esse tempo, depois de até postar uma comparação entre cabelos curtos e cabelos compridos, depois de ter minhas madeixas involuntariamente descoloridas pela namorada - e ter que aguentar minha lista toda perguntando se eu pintei o cabelo. Vão ser curiosos assim na puta que pariu -, essa porra tá no comprimento que eu originalmente desejei.

O que ninguém me avisou é que depois que o cabelo passa da linha do queixo, se torna impossível comer miojo. A menos que eu faça um risco na parede oposta e mantenha meus olhos sempre fixos naquele nível, a cada garfada metade da minha cabeleira mergulha alegre dentro do prato.

E não é só com miojo, não.


Um valioso conselho: antes de comprar um fone de ouvido Sony pela maravilhosa facada de 70 dólares (se confortando que ao menos estará comprando algo de qualidade pela primeira vez na vida), esteja seguro que o fone não agredirá violentamente suas orelhas, tornando o uso prolongado uma verdadeira tortura romana.

E caso isso aconteça, não jogue o recibo fora.

Mas se você tem cabelo comprido, ao menos ninguém verá as feridas.




Nenhum valor é pequeno demais, bobinhos.

Obrigado pra ambos. Não passarei fome neste Natal!

Criarei o Hall da Fama em breve, ali embaixo da área das esmolinhas. De que outra forma você poderia ter seu próprio nome no HBD (a não ser, é claro, que você brigue comigo, ou me plagie, ou seja um ex-amiguinho, ou faça algo imbecil no orkut, ou mande uma caricatura minha)?


Os infelizes que conversam comigo no MSN em momentos de carência sabem - porque eu faço questão de me gabar sobre isso - que além de ter cinco computadores (num apê de apenas DOIS quartos), todos eles são equipados com monitores de cristal líquido sensível ao toque. Coisa muito fina, parece o laboratório de um super-vilão maluco do leste Europeu que planeja explodir a Terra mas que imbecilmente conta todo o plano ao James Bond, dando ao herói tempo suficiente para que ele escape de suas armadilhas envolvendo dinamite e tubarões e ainda cague em cima de seus planos na saída.

Mesmo se você subtrair o fator extra-cool do toque de tela, já dá pra me considerar um daqueles nerds chatíssimos que gozam nas calças ao recitar as especificações de seus super-computadores de última linha comprados especificamente pra jogar Half Life 2. O toque de tela apenas adiciona o “…e filhinho de papai rico” ao “nerd chato”.

Bem que eu queria, viu. O caso é que meu pai é técnico de informática com especialização em troços hospitalares. O que quebra lá, os mano jogam fora, e acaba vindo parar aqui em casa. Com toda sua malandragem brasileira, o velho conserta os monitores outrora sucateados e pronto - sucesso instantâneo entre os amiguinhos que vem (ou vêm, sei lá) aqui em casa e me vêem (esse aí eu tenho certeza, é vêem mesmo) jogando Command & Conquer sem o mouse, só tocando na tela. Claro que a jogabilidade fica comprometida (afinal, com touchscreen não tem clique direito), e sempre que eu tento enviar meus soldadinhos do ponto A ao B acabo acidentalmente explodindo minha própria base, enviando mensagens racistas ao oponente e incendiando meu computador, mas a idéia é a estética mesmo.

O problema é que uma cusparada acidental no monitor (resultado natural de uma piadinha espirituosa; quem aí nunca encheu o monitor de saliva) causa espamos epiléticos no cursor do mouse, que fica eternamente preso pela cusparada, até que eu resolva limpar a seboseira com o que quer que esteja na mesa do PC naquele momento.

Da última vez foi um post it.


Essa aí nem foi tão rapidinha, vai.


Já que resolveram me dar presentinhos de Natal via Paypal, acho que seria uma boa recompensá-los com uma fenomenal resenha HBD. Os filmes que tenho em mente são: Cubo, O Quinto Elemento e Dungeons and Dragons. Sempre tive vontade de resenhar este último, devido à minha forte crença de que é o pior filme já realizado por um estúdio americano e que ele foi produzido por alguma organizaçào cristã americana com o único objetivo de difamar o sagrado nome do RPG. Decerto, qualquer coisa remotamente associada com aquele filme merece ostracismo, então de uma certa forma os crentes venceram esse round.

Escolham sabiamente. Ouvirei as sugestões, ou não. É sempre assim.


Resenha de SNES é que nem trepar - divertido pra caralho, mas requer tanto esforço físico que no fim você tá acabado - e o pior, ninguém reconhece seu, ahn, trabalho.

Baixar a ROM, jogar por pelo menos uma hora - pra destilar o ódio pelos idealizadores do jogo -, tirar centenas de screenshots, selecionar as que se encaixam melhor no post, redimensionar tudo, hospedá-las… e só então começar a escrever o texto. É 594% mais trabalhoso do que simplesmente tirar onda com a cara de um infeliz alaetório.

Por isso é a seção menos atualizada do site. Mas não se preocupem, vou fazer um esforcinho pra atualizar isso mais frequentemente.

Aliás, vou trabalhar agora que nem policial brasileiro: agilizo mediante a propina.

E vocês que me pedem insistentemente pra resenhar SMW não devem ter entendido a finalidade das resenhas. Leiam-nas algumas trocentas vezes novamente.


Escrito por Kid on Nov 25, 2005

Aposto que tu tá aí sem fazer nada de bom, e além disso putaço porque não tem um post decente aqui no blog hoje.

Ora, isso não é motivo pra não se divertir no playground virtual que é a Internet, meu caro!

Conheça o Bolão Edu - uma acirrada competição online onde os participates apostam sobre assuntos de futuros posts do Edu em busca de pontos que não valem pra nada.

(Curiosamente, acertar as previsões é mais fácil do que parece.)

Confie em mim, é emocionante. Seria mais emocionante ainda se o autor tivesse algum resquício de originalidade e variasse um pouco seus temas previsíveis, assim impedindo que ao menos um apostador SEMPRE acerte.

Mas dá pra se divertir, até porque você não está fazendo nada melhor.


Escrito por Kid on Nov 24, 2005

Desde que comecei a postar a respeito do meu (não tão) recém-adquirido palm, um bocado de leitores passou a me disparar por MSN centenas de perguntas a respeito do computador portátil. Depois do terceiro pedido (ou exigência, dependendo do seu bom humor em encarar as coisas) de um tutorialzinho, decidi largar a preguiça e dar ao povo o que ele quer.

E por isso aí vai o…

Tutorial HBD de Palms

Vamos começar com o básico, um FAQzinho.

Pra começo de conversa, o que é um palm?
“Palm” é o nome genérico para aparelhos mais propriamente conhecidos como PDA, ou personal digital assistant. Não precisa nem de tradução, pois é bem óbvio que isso significa “Assistente Pessoal Digital”. Ou seja, praticamente uma secretária que você não pode comer.

Os aparelhinhos herdaram o nome da fabricante mais conhecida, a Palm - que no passado já se chamou US Robotics, 3Com e PalmOne -, tipo o que aconteceu com gilete, nescau e outras populares marcas que se tornaram sinônimos do produto que elas vendem. Vale lembrar que há PDAs que não são palms, como por exemplo os Pocket PCs.

Parece complicado de entender? Nem é, você que é burro. A diferença entre palms e pocket pcs é que palms são os equipamentos mais populares, mais baratos e menos robustos. Pocket PCs são menos populares, mais caros e mais robustos. Palms estão pro Pocket PC assim como um PC está pra um Mac. Sacou?

Há uns sete anos, os palms faziam pouco além de guardar seus contatos (telefones, endereços, emails, preço de programas incluindo oral e anal, essas coisas básicas), mas atualmente um PDA é basicamente uma extensão do seu PC desktop. Você pode ver fotos, assistir filmes, ouvir músicas, navegar na internet - ou ler páginas offline -, perder tempo com joguinhos e muito mais. Não é a toa que palms se tornaram o desejo de consumo de nerds ao redor do mundo, que na falta de dinheiro pra adquirir o brinquedinho high tech passaram a vender seu corpo ou pedir esmolas em seus diários virtuais - ou às vezes até mesmo ambos.

Mas o negócio vale a pena mesmo?
Rapaz, e como vale. Desde que comprei meu palm, as poucas vezes em que saí de casa sem ele pareciam intermináveis. Qualquer espera ociosa (longa fila no banco, viagem demorada de ônibus, camareira do motel que demora pra arrumar o quarto enquanto você espera no taxi com sua namorada tentando evitar o olhar do motorista no retrovisor) parece interminável depois que você se acostuma com o potencial multimídia desses bichinhos. Outro dia mesmo eu fui pro super mercado com meu pai e, na volta, paramos no posto pra abastecer. Não devemos ter demorado nem dez minutos lá, mas eu me mordia de raiva por ter esquecido o palm em cima da mesa do PC - especialmente porque eu havia acabado de baixar nele um episódio inédito de South Park.

E isso é apenas um dos usos. Colocar fotos no palm o transforma em um excelente álbum fotográfico virtual, que é uma mão na roda quando você está com seus amigos e quer mostrar pra eles o último ensaio do Kate’s Playground - aquele que você baixou no Limewire mas eles não conseguiram pegar. Há literalmente centenas de jogos pra palm por aí, pra agradar aos mais variados gostos, e isso sem considerar os emuladores que você pode instalar (Mega Driver, SNES, Nintendinho, Atari 2600, e por aí vai).


Queria lembrar quem foi o indivíduo que vaticinou que eu “desperdiçaria dinheiro se comprasse um palm”, imprimir essa imagem em tamanho real, cola-la na tampa de uma caixa contendo trinta escorpiões e enviar para a casa dele

Baixar filmes na internet adquire um novo significado quando você pode passá-los pra um dispositivo portátil - e com certos programas, você pode até mesmo ripar DVDs da sua coleção pessoal (ou aqueles que você pegou do seu vizinho, que a essa altura provavelmente esqueceu que estão com você). Um palm serve também como mp3player, uma vez que você pode desligar a tela para economizar bateria e deixar o som rolando (ou ouvir musiquinha enquanto usa outra função do aparelho).

Enfim, dá pra fazer coisa pra caralho. Se você usa seu PC como principal fonte de entretenimento (jogos, música, filmes, textos, pornografia), provavelmente se sentirá bastante satisfeito com um palm.

Rapaz, esse negócio é a melhor coisa já inventada desde a fita isolante. Vou lá na loja comprar.
Opa, vai com calma rapá. Antes de sacar o cartão de crédito (ou um 38) pro balconista da loja de eletrônicos mais próxima, você tem que saber QUAL aparelho se encaixará melhor nas suas necessidades. Nesse quesito, palms se assemelham bastante com computadores - a maioria das pessoas, por não entender muito do assunto, pode acabar comprando um modelo bastante oneroso sem sequer precisar de todos os recursos incluídos no pacote.


Zire 72
Processador Intel 312MHz
32Mb de armazenamento
Câmera digital de 1.2MP
Mais caro
Tungsten E2
Processador Intel 200MHz
32Mb de armazenamento
Melhor bateria num PDA
Mais acessível


Essas são basicamente as únicas especificações que realmente fazem diferença pro povão. O pessoal com melhor memória deve lembrar que o modelo que eu queria antes era o Zire 72, por causa da câmera. O que me motivou a escolher o TE2 é que uma câmera de 1.2 megapixels não é lá essas coisas todas, então não valeria 100 dólares a mais.

Não pensem que os 132mhz a mais do Zire 72 fazem grande diferença. Já conversei com donos do aparelho e pelo que apurei, não há grande vantagem.

Serviu pra tirar alguma dúvida, ou foi mesmo pra nada?

Algum outro dia ensino como instalar emuladores e filminhos.

Caralho, meu pai agora tem orkut. Não dou nem três dias pra ele começar a me pedir copos dágua por scrap.


Escrito por Kid on Nov 22, 2005

Acho que não tem um melhor exemplo de unanimidade na internet brasileira que a tirinha dos Malvados. Conheço nego que considera aquele site uma verdade bíblia, e seu autor um novo Jesus Cristo sem barba e ainda não crucificado. A julgar pelo onipresente bannerzinho dos Malvados, dá pra acreditar que todo mundo com acesso à internet adora aquilo ali.

Quer dizer, todo mundo menos eu.

Não é de hoje que eu olho praqueles rabiscos e simplesmente não entendo qual é a grande genialidade do cara. E isso é frustrante, porque sempre que leio aquelas porras cinco, seis vezes e simplesmente não vejo absolutamente graça nenhuma me sinto como um pedreiro iletrado que acabou de entrar numa galeria de arte moderna por engano e não entende o motivo pelo qual os riscos e formas geográficasmétricas nos quadros são considerados imagens geniais. Me sinto um incrível ignorante incapaz de detectar as referências ao pop-cult, que não sabe analisar uma analogia caricaturizada, que não entenderia uma crítica social bem-humorada nem que injetassem-na diretamente nas minhas veias. Dá vontade de chorar, quase Fico mó chateado.


Admito falta de sagacidade necessária pra interpretar e consequentemente venerar o cartum do cara com todas as forças do meu ser, dedicando horas a fio a escrever emails congratulando-o pela forma como ele é melhor do que todo o resto da humanidade. Por isso, nem preciso acrescentar que não entendo essa masturbação coletiva da blogosfera em geral resultado do lançamento do livro do cara.

Tipo, é irado pro Dahmer e tal. Conseguiu um reconhecimento foda com o trabalho dele e isso é legal pra caralho - aliás, foda-se o reconhecimento, o cara tá fazendo dinheiro porra. Poucas celebridades internéticas alcançam esse patamar com material próprio que não consista exclusivamente em dar Ctrl C numa fotografia noticiosa e colar um texto em cima com o Photoshop - texto esse derivado de um trocadilho infame geralmente baseado no nome do infeliz estrelando a notícia.

(Sim, Kibe Loco, estou olhando pra você.)

Mas o negócio é que eu simplesmente não vejo a graça naquelas tirinhas. Li umas trinta agora a pouco e não vejo nada além dos mesmos bonequinhos que parecem ter sido desenhados por uma vítima de Mal de Parkinson sofrendo um ataque de epilepsia durante um terremoto e umas frases desconexas que imagino serem uma tiradinha super sarcástica, culta e descolada sobre alguma coisa que eu ignoro. Nesse momento recolho-me a minha insignificância e visualizo mentalmente o leitor-padrão das tirinhas: um ex-hippie, ex-petista de 46 anos que ouve Mutantes, lê José Saramago e frequenta book clubs.

Sou tão burro assim, ou o imperador está mesmo com as bolas de fora e ninguém tem coragem de falar?

Não tou de zoação, seus putos. Tou sendo sincero mesmo. Alguém me diz o que há de tão supimpa nessas tirinhas, pra que eu não me sinta mais como o palerma do grupo que não entende as piadas e fica secretamente com inveja dos que tão rindo. Ou então digam que não entendem a tirinha também, que eu me sentirei menos só.

E tragam todos os seus Tazos, porque estou abrindo o bolão de comentários-padrão para este post!

Aposta número 1
O leitor-padrão das tirinhas chegará a conclusão de que eu sou um incrível imbecil por não compartilhar de seu refinado senso de humor. Uma vez que eu não amo o cartum como ele, sou automaticamente um inimigo mortal digno de receber as piores difamações disponíveis, sem dúvida envolvendo minha preferência sexual. O camarada fechará o comentário ousando dizer que eu não mereço o oxigênio que respiro por não dedicar minha vida a idolatrar André Dahmer;

Aposta número 2
Alguém dirá que adorou o texto sem sequer ter lido-o todo, e pra seu infortúnio deixará isso transparecer no comentário. Meia dúzia de outros comentadores o chamarão de paga-pau, embora também tenham concordado com o texto sem ler inteiro;

Aposta número 3
Um dos membros do HMD aproveitará minha baixa guarda pra frisar o fato de que eu sou mesmo uma besta quadrada. Antes que eu sequer pense em responder, a cavalaria armada já estará aqui em peso, montando a defesa do companheiro. Se eu cometer o erro de responder, seja lá qual for a resposta, meu link desaparecerá novamente lá do blog dos caras.

Aposta número 4
Tudo isso acontecerá ao mesmo tempo. Os comentários virarão mais uma daquelas intermináveis brigas no melhor estilo HBD, isso é, aquela coisa bonita onde vários internautas tentam de todas as formas possíveis garantir que são melhores do que seus antagonistas (ou seja, um bando de desconhecidos cujas opiniões não afetam em nada suas vidas). Alguém me ofenderá, eu não saberei levar na esportiva, e então dedicarei uns quinze minutos escrevendo um post-sequência tentando mostrar para todos que o meu ofensor é na verdade um indivíduo com problemas mentais e que é realmente digno de nossa pena. No fim das contas todos esquecerão de mais uma briga e dois leitores depositarão 10 dólares cada na minha conta do Paypal.

Vamos lá, tenho um monte de Tazos aqui.
Valendoooooooo.

[ Update de esclarecimento ] Quando escrevi o texto, julguei que os Malvados detêm uma imagem conhecida o bastante para que a minha tirinha ficasse automaticamente subentendida como paródia, sem a necessidade de uma legenda explicitando o gracejo.

Percebi que vários leitores pensaram que a tirinha do post é a própria tirinha criticada, então agora tá explicado. Não é.

O site com as tirinhas a que eu me refiro é esse. Leia algumas, depois leia a que ilustra esse post, e vocês entenderão.


Escrito por Kid on Nov 21, 2005

É questão de bom senso: depender da boa vontade alheia é uma furada.

E por muito tempo eu acreditei nesse ditado popular. Felizente, o HBD serviu pra mais uma vez mostrar que o bom senso nem sempre prevalece no comportamento do internauta brasileiro.

Por quase um ano, fui mantido pela boa vontade de vocês de clicar nos banners do Adsense. E que boa vontade - depois de um ano, eu já havia arrecadado quase 1500 dólares. Muito do que eu tenho aqui no meu quarto no momento (jogos de PS2, palm pilot, tecladinho portátil, etc) veio graças a vocês.

Por motivos quaisquer, o uso do Adsense me foi impedido. Pensei em alternativas de banners pagos, mas como a turma desaprovou o uso de banners pornográficos - por conta de acessar o site do trabalho, ou de viadagem, não sei -, preferi remover. Vão me chamar de piegas e tal, mas eu prefiro nem arrecadar dinheiro do que fazer isso de uma forma que a turma vai desaprovar. Fazer o quê, sou um blogueiro carente de amor e atenção.

Então decidi transformar a arrecadação numa coisa mais, digamos, aceitável - doações via Paypal. Muitos perguntaram como isso funciona, e finalmente explicarei.

Paypal, como todo mundo deve saber, é uma empresa do eBay que gerencia os pagamentos no site de leilões. É, disparadíssimo, o site mais seguro em que você poderia navegar na vida. Afinal de contas, os caras tão sentando em cima de milhões de dólares alheios.

Então. Se você tem, digamos, um cartão de crédito com dez dólares disponíveis que talvez gastaria com putas e drogas e decidiu que eu faria melhor uso dessa grana, basta clicar nesse botãozinho do Paypal ali do lado. Coloque seus dados, decida o valor com que quer contribuir, e manda pra mim.

Assim que coloquei o botão no layout da página, pensei alto “Porra, ninguém jamais vai contribuir com isso aí.

Passou uma semana.



A primeira pessoa a contribuir pediu que eu não revelasse sua identidade. Tem lá seus motivos, né.

O Rafael não me contatou com o mesmo pedido, então achei que não houvesse problema em agradece-lo nominalmente. Brigado aí, Rafael. E obrigado à primeira pessoa também, cujo nome eu não posso citar. O que é uma pena, porque essa pessoa também me mandou outra coisa no meu aniversário:


Dinheiro que, aliás, foi muito bem gasto. Comprei o DVD de Star Wars Episódio 3 no mesmo dia. Eu já tinha uma suspeita de quem poderia ser o benfeitor, até receber um email de confirmação da pessoa. Brigado de novo ;)

O que quero dizer com esse post? Que vocês são foda. Disse isso quando vocês me renderam 300 dólares no Adsense, e digo isso de novo por causa de alguns leitores que decidiram ajudar este pobre blogueiro tirando dinheiro da própria carteira e mandando aqui pra Oshawa. Sei bem que dez (que dirá então trinta) dólares fazem uma considerável diferença de orçamento aí no Brasil. Não há palavras pra descrever a minha sincera gratidão.

E aprendi uma lição. Às vezes, não encher o saco da galera implorando por dinheiro a cada post tenha um resultado bem melhor. Subestimei a boa vontade de vocês com aquela mendigância constante nos tempos do Adsense; foi um erro que não cometerei de novo. Quem sentir vontade de ajudar, ajudará.

Tou pensando em criar uma página com os nomes de todos os leitores que contribuíram, uma espécie de Hall da Fama dos generosos. Talvez com uma área onde eles pudessem deixar um recado pra galera e tal. Se vocês têm uma idéia melhor de como prestar uma pequena homenagem a estes, sou todo ouvidos.


Escrito por Kid on Nov 19, 2005

Imaginem-me de braços cruzados, batendo o pé no chão insistentemente e olhando pro relógio de cinco em cinco segundos.

Esse seria eu esperando vocês se cadastrarem no Frapp do blog. Até agora 80 vagabundos já se cadastraram, tá faltando apenas uns 437849242 agora.

Vão lá, que isso ajuda a complementar o recente censo. Muitos já vieram me contar via MSN que por causa do mapinha acabaram conhecendo outros leitores que moram nos mesmos estados que eles e tal. Mó bacaninha.

Cadastre-se. Não demora nem um minuto.


Escrito por Kid on Nov 18, 2005

Um dia desses uma leitora minha me informou um negócio assustador: ela conhece pelo menos cinco pessoas com mais de quarenta anos de idade que lêem o HBD. Até esse fatídico dia eu achava que a idade média de leitores dessa bagaça era entre os 14 e 15 anos, a julgar por alguns comentários que o site recebe e de alguns indivíduos que me adicionam no MSN.

Então, pra elucidar essa questão, a mulé me aconselhou a fazer um censo no HBD. Se você acessa o blog há milênios e nunca deu o ar de sua graça nos comentários, agora é a hora. Vocês sabem praticamente tudo sobre mim, tá na hora de falar algo sobre vocês mesmos.

Quero resposta de TODO MUNDO, ouviram bem? Sei quantos visitantes o site tem, então enquanto todo mundo não tiver respondido a enquete, não atualizo. Juro pelo meu deck de Magic, que por sinal foi turbinado com quatro Palíncronos recém comprados no eBay. Um dólar pelos quatro, veja que pechincha do caraio. Dá pra vender cada um aí no Brasil por não menos que 5 reais.

Ah, e nem me venham com viadices do tipo “mas ele nem vai ler meu comentário :(”. Eu sempre leio todos os comentários aqui, sem exceção. Costumo até responder alguns, porra.

Vamolá. Copiem, colem lá nos comentários e respondam a enquete que definirá o perfil do leitor do HBD. Participe. Afinal, você não está fazendo nada mesmo®.

Nome (ou nick, você escolhe):
Idade:
O que faço da vida:
Onde moro:
Há quanto tempo leio o site:
Nunca comentei antes porque:

[ Update ] E seguindo o conselho do RauL, criei um mapinha de usuários do HBD. Cadastrem-se lá, isso ajudará mais ainda.


Escrito por Kid on Nov 16, 2005

Peraí que eu vou falar.

A única coisa mais previsível que o surgimento de uma modinha de estação é a subsequente MODINHA DE ODIAR A MODINHA.

É batata. Seja lá qual seja o novo estilinho que a “mídia” (argh) tenta empurrar em cima dos mais sugestionáveis por meio de hipotizantes e satânicas ondas de TV, sempre vai ter a turminha metida a alterna (em outros tempos chamaríamos estes de COMUNISTAS SUJOS) que automaticamente odiará a modinha, por via de regra. Pode ser até que você simpatizasse com a nova onda, mas no momento que ela adquire o status oficial de MODINHA, é como se cada célula e organela e trompa de Falópio em seu ser se dedicasse 24 horas por dia a odiar a tal modinha com todas as forças possíveis, até que mal sobre energia pra respirar. E aí você odeia mais um pouco, porque na sua mente alterna é melhor morrer que habitar um mundo com pulseirinhas amarelas e garotos pseudo-deprimidos que usam óculos de aros grossos.

O motivo do ódio? Nenhum mesmo, na verdade. Raiva de modinhas é o ódio mais gratuito que possa existir, perdendo apenas para ódio dos judeus e ódio de mortadela, que eu vergonhosamente admito cultivar (não as mortadelas, mas o ódio por elas). A aderência de outrem a uma certa moda influencia tanto a minha vida quanto as oscilações da bolsa de valores da Nova Zelândia, então pra quê gastar esforços na árdua tarefa de odiar o fenômeno?

Odiar alguma coisa dá trabalho. Dá mais trabalho do que gostar, aliás. Se você adora, digamos…


CODY MATHERSON!!

…ou…


BUTCH YELTON AND THE UPBOUND!!!

…, ninguém te fará perguntas chatas do tipo “ahhhh meu mas como você não gosta deles?!” Tanto os outros fãs dos artistas acima te deixarão em paz, como as pessoas normais. No máximo perguntarão qual sua música favorita, e aí você lembra das duas únicas que conhece e pronto. Tudo fica bacana.

Mas não. Se você odeia, todos esperam que você tenha um BOM MOTIVO pra odiar seja lá o que for. Então você terá que ouvir todos os discos de seja lá qual banda você odeia, terá que entender como a carreira deles começou e tudo - só pra poder no fim dizer “ah, eles se venderam, sabe” achando que é a única pessoa no mundo que entende a mudança de artista independente pra artista contratado. Ou então “ah, eles nem sabem tocar, ouve aí essas musiquinhas deles!” como se isso tivesse impedido bandas de outras gerações de se tornar aclamadas por público e crítica. Vide Ramones.

E depois de toda a investigação, o indivíduo sentirá a necessidade de divulgar seus achados. Claro! Como todos vão saber que você é super subversivo se você não mostrar pra eles? Tome textos de dimensões monográficas pra justificar o seu desgosto com a forma que as modinhas dominam geral. Pra verificar esse fenômeno, basta passar por blogs aí afora.

Isso atingiu níveis imbecil nos últimos meses. Acho que é porque fomos atacados por várias tendências diferentes em pouco tempo. Um sacrifício virginal geralmente acalma a fúria dos deuses, mas quem disse que eu consigo convencer uma a vir aqui em casa? Eu explico que a virginidade delas está causando esses infortúnios, mas aí elas começam a choramingar dizendo que têm apenas 13 anos ou então dão outras desculpas furadas. Bah.

Mas ô, quase esqueci o que tava falando. O negócio é que de dois em dois meses, aparece aí alguma coisa nova com a que a “mídia” (porra, usei de novo) se enamora. Seja pulseiras Livestrong, seja emocore, seja bonezinhos de nomes impronunciáveis (ou não, é que eu queria usar “impronunciáveis” num texto), seja dar a bunda, whatever it may be. Se cinco mil aderem a essas ondas, pelo menos mil e duas pessoas irão automaticamente, sem o menor motivo aparente, odiar.


Zoar emos faz bem pra pele.
Sim, eu usei o tutorial HMD de fazer avatares pra MSN. Eu recomendo

Tirar onda com grupinhos é tipo beber uma cervejinha. É bacana e com moderação não faz mal a ninguém, mas nego tende a exagerar. Quando se menos espera, é noite de Natal e seu tio está totalmente bêbado e decidiu que seria engraçado tentar subir no pinheiro enfeitado no canto da sala. Sua vovozinha de oitenta anos tenta acalmá-lo, mas acaba levando um sopapo no meio da cara diante de todos os familiares chocados. O tio bebum acaba vomitando em cima do seu priminho menor e do seu presentinho, um Power Ranger falsificado comprado no dia anterior pela sua mãe de um camelô porque, afinal de contas, o moleque só tem três anos e vai acabar comendo o boneco de qualquer jeito.

É aí que a piada começa a perder a graça. O ódio sem motivo acaba virando uma própria moda.

E entendam bem, não há motivo pra esse ódio todo. Digamos que um moleque usando Nike Shox, cinco pulseiras Livestrong e uma camisa do My Chemical Romance matasse seus pais, sua namorada, cagasse no seu peito e finalmente cortasse seus braços - de forma que você não pudesse limpar a merda. Foi premeditado.

Taí, esse é um bom motivo pra odiar um portador da moda, talvez até todos eles. E ainda assim seria um certo preconceito, porque os outros modistas não têm culpa de ter um assassino com os mesmos gostos que eles. “Não generalize, ôu!” diriam os outros emo. Mas estou fugindo do tema.

A questão é: quem aí tem uma história trágica assim pra justificar seu ódio?

E como citei lá em cima, o problema final é que os odiadores não se conformam com o bom e velho ódio e precisam propaga-lo - em toda sua insignificância - para o mundo. Como blogs são o último reduto de comunicatividade de pessoas descoladas, tome postagens sobre o porquê das pulseirinhas Livestrong serem sinônimo de viadagem, ou como é ridículo ouvir Good Charlotte, ou qualquer outra coisa super radical e anti-conformista. Multiplique o número de blogs falando do assunto por mil. Some quatrocentos. Divida por 4.5 e multiplique de novo por três milhões. O número que você pensou foi cinco, não foi?

É como se os hippies estivessem de volta, mas pior porque os hippies ao menos tomavam porrada de polícia naqueles tempos.

Não faltaram pedidos nas últimas semanas pra que eu ressucitasse o Manual dos Góticos numa (que seria clichezíssima) versão emo. Muitos pediram há uns meses que eu fizesse uma paródia com as pulseirinhas da campanha lá do câncer, ou seria lepra, eu não lembro agora. Todos se achando super descolados porque vêem as mazelas das modinhas e não as aceitam.

Não entendo como esse pessoal pode sempre pular no mesmo grupinho de ódio e ainda assim achar que está sendo super diferente por não adotar as modas. “Ai ai ai, olhem essas pulseiras, que gay né?” ou “Ai ai ai, olha esses emos, que bichinhas né?” ou “olha esses Von Dutch, que feio isso”. Todo mundo falando a mesma coisa ao mesmo tempo, todo mundo postando a mesma coisa ao mesmo tempo, todo mundo odiando a mesma coisa ao mesmo tempo, mas em seu íntimo se achando super individual. Como se estivessem gritando desesperadamente “olha pra mim, não sou afetado pelas dinâmicas de comportamento de grupo, hihi!” Nem que eu tentasse muito poderia criar uma paródia tão irônica quanto essa dicotomia dos odiadores de modinha.

E o irônico é que é impossível falar sobre o fenômeno dos odiadores de modinha sem se tornar, de um certo modo, um odiador dos que odeiam modinhas. Acabei de fundar meu próprio clube.

Enfim, parem de odiar as coisas, dá mais trabalho. E se realmente querem odiar, ao menos sejam originais e odeiem algo que não esteja tão em voga e que ninguém mais odeie.

Mortadela, por exemplo.


Escrito por Kid on Nov 14, 2005

Ô Edu.

Será que dá pra parar de comentar com meu nome nos seus próprios comentários?

Ou ao menos me desbanir lá, pra que eu tenha o direito de resposta?

Tudo bem que você tem uns 19 anos nas costas, tem preferência por garotas imberbes de 12 e ainda é virgem, mas até você consegue me zoar de uma forma menos covardona.

Seja homem uma vez na vida, fio.

Brigado.


Escrito por Kid on Nov 13, 2005

O post

O comentário original

A edição movida a viadagem



É uma regra universal imutável: os caras que mais gostam de sacanear e pagar uma de malandro são os que menos aceitam brincadeiras com eles mesmos.

Eu gostaria de editar comentários de críticas aqui no HBD também, mas aí lembrei que tenho caráter e que não vou chorar se alguém não gosta dos meus textos :(


Escrito por Kid on Nov 13, 2005

Nada deixa um blogueiro ególatra e sedento de atenção mais feliz do que saber que alguém se deu ao trabalho de arrancar uma folha do próprio caderno escolar, apontar um lápis número dois, pegar uma foto sua no orkut e tentar fazer uma versão 2D de sua pessoa.


Clicaí pra ver maió

Esse sou eu, se ao invés de ser humano fosse um bode rabugento que de alguma forma pôs as mãos numa fantasia de Mario e substituiu o M do boné por um K.

Desenho de Lauro, de São Luis. Ficou foda.

Juro pra vocês que um dia (talvez essa semana mesmo) imprimo todos os desenhos que os leitores já me mandaram e faço um painelzão aqui na parede do quarto. Não tem demonstração maior de carinho pra um blogueiro do que receber uma caricatura dessas. A menos, é claro, que você tenha um cartão de crédito liberado e pronto pra clicar no botãozinho de doações do Paypal.

A propósito, explicarei melhor a ausência dos banners antigos e a chegada desse novo botãozinho aí. Mas agora não, esperem aí.

A propósito, se você tem um desenhinho similar e quer mostrar o talento pro mundo, manda aí.


Escrito por Kid on Nov 12, 2005

Testezinho pra ver se o Blogger já fez as pazes com o Opera.


Escrito por Kid on Nov 10, 2005

[ Update irrelevante ] Vejam só que beleza. Normalmente eu diria que o cara quis apenas difundir o texto, mas perceba que ele não apenas escondeu a URL, como também teve o cuidado de editar safadamente as referências ao meu nome.

E apesar de responder as críticas, quando perguntam se ele é o autor do post, ele faz silêncio.

Alguém que tenha uma conta neste fórum vá lá e revele a safadeza o rapaz, por obséquio?

Ah, e ele também postou o texto aqui.

[ Outro Update ] E aqui também.

Parece que alguém está desesperado em provar pros amiguinhos que é esperto.



Estava eu pululando de site em site nesta maravilhosa rede mundial de computadores quando de repente percebi que acabei parando num site muçulmano. Essa internet me deixa cada dia mais impressionado; não apenas pela variedade de porcaria que as pessoas enfiam nela todo dia, mas pela incrivelmente sensacional forma como você sai de um site pra outro sem que o primeiro tenha a menor conexão com o segundo. Tava eu aqui baixando uns joguinhos antigos da LucasArts (The Dig, Full Throttle, Day of the Tentacle e outras maravilhas de infância) e em menos de quatro cliques fui parar nesse Islami Way.

Pra começo de conversa, me surpreendeu muito que muçulmanos sejam autorizados a usar um computador, que dirá então ler alguma coisa além do Corão e aprender um pouco de HTML pra colocar no ar esse site aí. Segundo meus parcos conhecimentos a respeito da religião, os caras tem regras estritas de conduta, como por exemplo:

A obrigação de rezar cinco vezes por dia voltado em direção à Meca (capital mundial da religião);
A restrição a alimentos derivados de carne de porco;
Ao menos uma vez na vida amarrar alguns quilos de dinamite na cintura e explodir um mercado israelense;
Entre outras que não lembro, mas provavelmente envolvem restrições sexuais, ou restrições sexuais com porcos.

Como eu não estava fazendo nada mesmo®, resolvi ler um pouco do site dos caras. Pra entender melhor, e tal. Percebi que atacar apenas o cristianismo não tem mais graça, e não tem uma forma melhor de arrumar munição contra uma religião que aprender mais sobre ela mesma e seus seguidores.

E vou te contar, com tanta maluquice e hipocrisia envolvendo a religião com mais adeptos inflamáveis do mundo, sinto-me quase constrangido de ter aloprado com o cristianismo por todo esse tempo.

A primeira imagem que vêm à cabeça do populacho ao imaginar um muçulmano é um árabe brandindo uma AK em direção aos céus, berrando “Allah Akbar” (que significa “Deus é o Maior”, ou “Olhem pra mim, olhem pra mim, eu tenho um fuzil”), e pelo que li no site, seus idealizadores têm plena consciência do estigma. Portanto, boa parte do site se dedica a desmistificar a LENDA criada pela MÍDIA OCIDENTAL de que muçulmanos às vezes se tornam terroristas e explodem algumas pessoas.

Uma parte do FAQ deles se propõe a pôr as dúvidas abaixo:

19. Does Islam promote violence and terrorism?

No. Islam is religion of peace and submission and stresses on the sanctity of human life. (…) Islam condemns all the violence which happened in the Crusades, in Spain, in WW II, or by acts of people like the Rev. Jim Jones, David Koresh, Dr. Baruch Goldstein, or the atrocities committed in Bosnia by the Christian Serbs. (blá blá blá) However, sometimes violence is a human response of oppressed people as it happens in Palestine. Although this is wrong, they think of this as a way to get attention. There is a lot of terrorism and violence in areas where there is no Muslim presence. For example, in Ireland, South Africa, Latin America, and Sri Lanka. Sometimes the violence is due to a struggle between those who have with those who do not have, or between those who are oppressed with those who are oppressors. We need to find out why people become terrorists. Unfortunately, the Palestinians who are doing violence are called terrorists, but not the armed Israeli settlers when they do the same sometimes even against their own people. (mais blá blá blá) As it turned out to be in the Oklahoma City bombing, sometime Muslims are prematurely blamed even if the terrorism is committed by non-Muslims. Sometimes those who want Peace and those who oppose Peace can be of the same religion.

Tomei a liberdade de negritar as áreas de relevância pra poder tecer alguns comentários. Friso agora que isso veio de um site escrito por adeptos da própria religião, ou seja, não é a opinião de terceiros ou de gente que não sabe nada sobre a crença dos caras.

O parágrafo começa de forma promissora. “O Islã é uma religião de paz e despreza a violência”. Ok, beleza, eu estava enganado então. A CNN está mentindo pro mundo quando diz que um terrorista islâmico se dirigiu a um cinema em Israel e cagou em cima do carro de um judeu. Allah Akbar.

Mas aí o parágrafo continua, e o autor do FAQ especifica que o Islã condena a violência das Cruzadas, a violência da Inquisição Espanhola, a violência na Segunda Guerra… mas nenhuma palavra sobre a violência cometida por terroristas que dividem a mesma fé que ele. Intencional ou não, a impressão final é que eles criticam a violência que acontece FORA dos seus próprios motivos religiosos. Ou seja, na melhor das hipóteses, o autor do texto é conivente com terrorismo.

Isso se torna ainda mais evidente no segundo trecho negritado, que é uma espécie de “mão na cabeça” dos terroristas, uma justificativa besta. A segunda frase negritada soa como um “Ah, mas às vezes é o único jeito, né ^^”. Convenhamos, se o autor desse texto queria desfazer o mito do Islã violento, ou de ao menos CONIVENTE à violência, ele está falhando miseravelmente.

A terceira frase negrita é uma extensão da primeira. O autor continua citando vários lugares não-muçulmanos onde violência acontece, como se a mensagem fosse “Tá vendo? Não somos a causa da violência, afinal, essas putarias acontecem em todo lugar”. Isso é, com muita boa vontade, um argumento imbecil de má fé. Apontar outras causas de um problema não isenta a sua responsabilidade. No máximo, prova que você está tão sem argumentos que precisa desviar o foco do debate.

O pior é que eu comecei a ler esse texto sinceramente esperando ler algum bom argumento, de mente aberta pro “outro lado” da história. Lentamente percebo que a CNN não é tão mentirosa assim.

A quarta frase chuta o pau da barraca e manda as indiretas pra puta que pariu. O autor mostra de forma clara um certo sentimento de despeito em relação aos judeus, insinuando que o que os judeus fazem é violência, mas o que os palestinos fazem não é (ou é menos grave)

Ora, por favor, vá tomar no meio do seu cu árabe. O cara quer comparar o exército de um país - que está lá pra defender seus habitantes inocentes -, com as ações COVARDES de um bando de malucos que se amarra em dinamite e de vez em quando manda uns vinte israelenses pro beleléu?!

Novamente, o autor do texto não disse em momento nenhum que considera as ações terroristas dos palestinos algo errado. Essa é uma impressão constante toda vez que o texto se refere ao terrorismo islâmico.

O quinto parágrafo, a menção ao atentado de Oklahoma, é o curinga dos muçulmanos. Em vários sites diferentes, sempre que confrontados com a questão do terrorismo, os caras são rápidos em apontar o caso Oklahoma, onde Tim McVeigh (um ex-soldado americano) explodiu um prédio do governo. A mídia americana rapidamente supôs se tratar de mais um caso de extremismo religioso, o que provou-se errado.

Puta que pariu, dá licença. As pessoas não têm tempo de traçar gráficos com estatísticas e previsões e números exatos e amostras de grupo e porras do tipo. Eu, você e todo o resto do mundo julga qualquer coisa pela regra, e não pela exceção. E sinto muito, a regra é que terroristas ISLÂMICOS costumam explodir coisas. Não é culpa nossa, porra. Vocês VIVEM fazendo isso, é claro que se tornarão os suspeitos principais.

Um único americano maluco não vai mudar isso. Talvez se quatrocentos americanos se explodissem por ano, parariamos de associar terrorismo com Islã.

Mas até lá, vocês vão ter que suportar o estigma.

E não pára por aí, não.

Does Islam oppress women?

No. (…) Women are equal to men in all acts of piety (Quran 33:32).

Ah, deve ser por isso que tanto homens como mulheres são obrigados a se cobrir da cabeça aos pés com um véu. Deve ser por isso que um homem pego numa sala sozinho com uma mulher que não seja sua esposa deve ser apedrejado. Deve ser por isso que uma mulher pode ter até quatro maridos, né?

O pior de tudo é quando isso acontece: os caras citam uma passagem irrelevante do livro sagrado deles pra ofuscar as imagens que todos nós já conhecemos. Como se o que está escrito fizesse alguma diferença no que acontece de verdade.

Mas o melhor do texto está por vir:

Female Genital Mutilations has nothing to do with Islam. It is a pre Islamic African Custom, practiced by non Muslims including coptic Christians as well.

O que eles evitam mencionar, entretanto, é que apesar de ser um costume anterior ao Islã, ele continua sendo praticado sob o véu de prática tradicional/religiosa pelos próprios muçulmanos que o autor visa defender. É como se eu defendesse meus hábitos canibais justificando que o canibalismo já existia no bairro pra onde eu me mudei, então embora eu pratique ativamente e não pareça de forma alguma me opôr à prática, não é culpa minha.

Interessante como as pessoas fracassam maravilhosamente em algumas tentativas de se comunicar. O FAQ visa destruir a “mentira ocidental” de que a caras justificam violência por meio de sua religião, e as opiniões dele apenas confirmaram essa impressão.

Outro detalhe curioso é a menção da “Espada do Islã”. A expressão se refere à campanha islâmica de conversão mundial, que aconteceu por volta do século 7.

Mas deixa eu explicar do começo. Maomé era um maluco que morava ali pras bandas do Oriente Médio - numa cidade chamada Meca - uns seiscentos anos depois que Cristo nasceu. Assim como este outro, Maomé acordou um dia e decidiu que era um enviado de Deus para os homens, e resolveu criar uma nova religião. Tal qual Jesus, Maomé também se auto-proclamou o último elo de Deus para com a sua criação.

Mas aí terei que tirar o chapéu pra Jesus, porque o cara aparentemente tinha uns truques de mágica na manga e conseguiu convencer uma porrada de gente a segui-lo. Já Maomé, coitado, demorou quatro anos pra conseguir míseros 70 seguidores.

Mas isso não importou muito, porque assim como aconteceu com todos os outros messias, em pouco tempo Maomé se tornou pouco popular entre a galera lá de onde ele morava. Tipo, se ele chegava numa festa, todo mundo saía de fininho de perto dele, e ninguém jamais oferecia carona pra ele - porque com certeza no caminho de volta ele ia encher o saco de todo mundo com aquele papo de que ele era profeta de Deus, morte aos infiéis e tudo mais.

No fim das contas, Maomé se viu obrigado a abandonar sua cidade natal e se refugiar em Medina. Lá ele começou a propagar sua religião, e teve um pouco mais de sucesso do que na primeira vez.

Acontece que Maomé era aquele tipo de pessoa que guardava mágoas. A religião, que pregava paz e submissão a Deus e tudo mais, DE REPENTE, POR QUE SERÁ, tomou tom político e violento. Maomé declarou que Deus agora não queria mais salvar todos os homens, e sim salvar um bocadinho e matar os que não se sujeitassem. Começa o movimento que nossos livros de história chamam de “Espada do Islã”, ou “Jihad”.

O site, muito previsivelmente, nega a História com veemência e insinua que se trata de mais uma “mentira ocidental”. Assim como o Ocidente mente sobre a religião defender o uso de violência, né?

Mentira o cacete.

Sabe, é bastante normal que neguim tente esconder as merdas que fez no passado. O que fode é quando os indivíduos apelando pra isso se dizem servos de Deus, ou seja, eles dizem ser melhores do que o resto do povão. Ao menos a Igreja Católica admite a Inquisição.

O que eu esperava ler nesse site era algo como “o Islã não é violento, acontece que algumas pessoas usam-no erroneamente como justificativa pra terrorismo“. O que, obviamente, é uma opinião mais acertada e até mesmo mais honesta. Nem todo muçulmano é um terrorista, pensar o contrário é bobagem.

Mas não. Além de deixar implícito que não é contra o terrorismo palestino, o autor do site vai além e tenta nos ludibriar com uma versão diferente dos livros de História, sem a menor prova sequer.

Tentei me juntar a uma comunidade no orkut pra fazer algumas perguntas diretas aos caras, mas percebi consternado que o fascismo é regra vigente entre a comunidade islâmica. Todas as comunidades que encontrei são moderadas, e uma delas exibia a seguinte mensagem:


Vão se foder, então. Fechar o acesso da sua comunidade apenas àqueles aprovados por vocês não ajuda em nada, muito pelo contrário. Se eu já adquiri uma má impressão da religião e de seus seguidores, esse autoritarismo tornou tudo pior.

Perdi a paciência de ler o resto do FAQ. Esses manés deviam parar de justificar suas carnificinas e tentar convencer que são santinhos, e fazer o que eles fazem melhor: misturar explosivos e dirigir taxis em New York.

Cristianismo e Islamismo. Só falta avacalhar com o Judaísmo e pronto: garanti um lugar em cada inferno.


Escrito por Kid on Nov 9, 2005


Você está olhando para uma pilha de quase cinco quilos de docinhos e salgadinhos, arrecadados no último dia 31 (a.k.a. “O Halloween”) quando crianças candenses e imigrantes brasileiros saem implorando guloseimas de porta em porta, vestindo fantasias de seus personagens favoritos, apenas para perceber consternadamente horas mais tarde que crentes oportunistas desgraçados esconderam mensagens evangélicas no meio dos doces.

Antes que alguém diga que é lorota, permitam-me exibir a Prova A, escaneada na manhã seguinte por uma amiga:


In a scary world, christians hide proselitism in candy

Inacreditavelmente cômico, porém mais pura verdade. Os proselitistas tiveram a AUDÁCIA de afixar mensagens religiosas nos meus doces! Falta de respeito do cacete. Queria ver se eu passasse entregando panfletinhos sobre satanismo na casa deles. Seria uma putaria.

Essa artimanha é resultado da neurose de uma cambada de cristãos americanos, que decidiram que o Halloween é um ritual sombrio que abrirá portais para uma dimensão demoníaca habitada por criaturas de Lúcifer e atendentes de telemarketing cuja missão é espalhar a leptospirose no mundo. Eles se convenceram piamente de que Satanás em pessoa convenceu as crianças a aderir a este ritual em troca de doces grátis (como se os doces por si só não tivessem esse poder de persuasão), e agora estão tentando ganhar nossas almas de volta. Todos os esforços são válidos, incluindo a tarefa tediosa de grudar bilhetinhos em milhares de bombons.

Se há uma coisa que eu sinto falta nos meus tempos de cristianismo, é essa ilusão bacana de estar jogando uma partida de War com o Príncipe das Trevas. Os caras estão sempre lutando contra o Tinhoso, disputando espaço e tal. O pensamento cristão de estar “perdendo terreno” pro Belzebu é, apesar de um sintoma grave de desequilíbrio mental, emocionante.

Ao menos valeu as risadas, que eu repasso a vosmicês.

Mas o melhor da noite não foi isso. Antes de sair pra me encontrar com a turma naquela noite, notei que o nick do Adam no MSN era “Halloween, dia de roubar doces da criançada“. Ou melhor, era o equivalente em inglês, mas como já estourei o limite não-oficial de uma frase em inglês por post, fica a tradução.

(Puta que pariu, meus fones de ouvido pararam de funcionar. Logo agora que tou sem a grana do Adsense pra comprar uns novos. Alguém quer doar alguns dólares pra mim por paypal?)

De qualquer forma, eu achava que o nick do rapaz era apenas alegórico. Ao fim da noite, todos descobrimos que era tão literal quando poderia ser.

Quando cansamos de esmolar doces, voltamos pra casa do Ryan pra fazer a tradicional troca de bombons. Geralmente você gosta de apenas 50% do que arrecadou, e como a máxima vale pra todos, isso significa que é provável que o seu amigo pegou um monte de coisa que você gosta, e ele não. E vice versa. Todos esvaziamos as fronhas no chão, e estabeleceu um mercado de escambo.


O dólar está para mercado monetário assim como um Rocket está para as trocas de Halloween. Por ser um docinho barato, ele era o mais comumente encontrado. Cada um de nós tinha pelo menos trinta rolinhos como esse da foto em nossas fronhas. Obedecendo as regras econômicas de inflação (e levando em consideração que ele não é assim tão gostoso), seu valor era baixo.


Smarties são uma espécie de Xerox mal feita de M&M’s, embora essa analogia esteja relativamente incompleta pois eu não sei se xerox’s têm gosto de papelão. Apesar desse sabor peculiar, Smarties são um tanto mais populares que Rockets, então cada caixinha equivale a três ou quatro rolinhos dos drops coloridos acima. O preço varia de acordo com quem você troca, alguns moleques adoram o M&M’s falsificado e não abrirão mão dos tais por menos de nove rolinhos. Um roubo.


Caixinhas de Reese’s Pieces eram uma das mais cobiçadas guloseimas recolhidas, e é fácil entender por que. Gringos são notórios por sua adoração quase mórbida pela horrível pasta/manteiga de amendoin, que é recheio dos tais Reese’s Pieces. Une-se a isso o preço levemente mais alto, e o doce se torna praticamente um luxo dos esmoléus de Halloween. Devido ao alto preço de troca (uma caixinha dos Pieces custa às vezes três caixinhas de Smarties, ou duas caixinhas e cinco Rockets), Reese’s Pieces é um supérfluo entre os supérfluo. Tipo, se você vivesse à base de doces, comeria Pieces de sobremesa.

A namorada adora e eu odeio, então dei tudo pra ela. Levei um golpe do baú bonito.

Ao fim das trocas, Adam e seus comparsas chegam esbaforidos na casa do Ryan. Em suas mãos, uma fronha absolutamente LOTADA de doces. Antes que pudéssemos perguntar, Adam explicou.

Ele e três amigos estavam dirigindo em círculo, tal qual abutres, procurando a criança cuja fronha estivesse mais abarrotada. Finalmente escolheram a presa, e então puseram o plano em prática: o motorista do carro interceptaria o moleque enquanto Adam, dependurado na janela do lado do passageiro, arrancava a fronha das mãos do pobre infeliz que, quando voltasse pra casa, teria que assistir os irmãos comendo doces e rindo.

Quando Adam terminou de narrar sua odisséia, não havia oxigênio suficiente no quarto para manter-nos. Todos rolavam no chão, rindo até não poder mais, mal conseguindo respirar, com os rostos vermelhos, lágrimas nos olhos e tentando imaginar a expressão facial da criança que teve seus doces sequestrados.

Adam esvaziou a fronha no chão e tivemos uma surpresa: dentro da sacola havia um boneco de pelúcia do Jason, da série Sexta Feira 13. Caíamos ao chão novamente, imaginando o desgoto imenso do pivete. Sem dúvida ele perpetuará essa história, passando-a de geração em geração e sempre arrematando com o conselho de não andar com seus pertences voltados para o lado da rua.

Adam e seus terríveis amigos não estavam satisfeitos. Voltaram à rua pouco tempo depois e em menos de meia hora, voltaram com não apenas uma, mas DUAS fronhas, desta vez surrupiadas de duas meninas. Havia até uma bolsinha de maquiagem dentro da sacola.

Meus óculos até embaçaram de tanto que ri. Cada vez que eu lembrava da infinita tristeza das vítimas do meu amigo, sentia uma pontada no coração, quase um peso na consciência. Mas aí eu comia outro M&M roubado e ria mais ainda.

Agora que paro pra pensar, não é a toa que os crentes dizem que Halloween é coisa do diabo.


Escrito por Kid on Nov 7, 2005

Porra, o Opera não me deixa postar mesmo. Qualquer texto publicado por lá aparece no site como um post em branco. Cada vez que o Opera dá uma merda desse tipo (o problema anterior era com o orkut, que não loga no Opera nem fodendo), sinto que o IE me dá um olhar de soslaio lá do cantinho do desktop, como quem diz “Ahhhhhhhh, agora você vem falar comigo, né, filho duma égua?

Meu irmão começou a namorar a irmã da minha namorada. Estranho, não? Ele se deu bem, porque a menina é linda. Mais bonita que a patroa, sou o primeiro a admitir. É novinha (14 anos, contra os 19 do Trunks) mas se mija sentado e não é sapo… vocês já sabem.

E não, não é crime. A idade mínima na constituição canadense para sexo consensual, ou seja, o tipo que a outra pessoa concorda em fazer sem estar sob a mira de uma arma, é exatamente 14 aninhos. Abriu as pernas, já era.

Mas essa situação peculiar colocou uma dúvida na minha cabeça: ao namorar a irmã da minha namorada, Trunks levou um upgrade pra cunhado? Semi-cunhado? 1/2 cunhado? Como é que fica?

Alguém resolva essa questão pra mim enquanto eu escrevo os posts cobrados (patricinhas miserentas e resolução do Halloween, e talvez até umas resenhas).


Escrito por Kid on Nov 5, 2005

(O problema não era no Blogger. Postei pelo IE e foi direitinho. Adoro o Opera, mas ultimamente ele tem me decepcionado. )


Quando eu tinha 12 anos e minha mãe falou que nem lembrava mais que o aniversário dela se aproximava, minha mente juvenil não conseguiu acreditar. Como uma pessoa pode se manter indiferente ao seu próprio aniversário? Presentes, bajulação, festinha com presença indefectível dos amiguinhos escolares… é o único dia do ano em que alguém além de membros da sua família parece diposto a mostrar que se importa com você.

12 anos. Parece que faz uma eternidade, puta que pariu. Não acredito que finalmente me tornei um adulto. Os adultos “de verdade” estavam sempre dizendo que um dia a infância acaba, e eu nunca prestava atenção. Parecia que aquele estado de espírito era eterno.

Não era. Assim como a alegria de uma festa de aniversário também não era.


Trunks e eu, 1989

Acho que tem algo a ver com o fato de que, após uma certa idade, VOCÊ MESMO tem que fazer os preparativos do seu aniversário. Você tem que trabalhar pra descolar uma grana extra, você tem que arrumar um lugar pra festa, você tem que enviar os convites, você tem que contratar as stripers, você tem que entreter os convidados…

Nah, trabalho demais. Não é à toa que estou desanimadaço esse ano.

Boa era a época em que mamãe imprimia 50 convites enfeitados com WordArt, distribuia pros pais dos amiguinhos, e acordava cedo no dia 5 pra arrumar a casa e preparar os docinhos. Eu, vestido com roupa nova comprada dois dias antes, sentava na sala - não havia internet pra passar o tempo - e ficava apenas encarando a parede e esperando os convidadinhos, já pretendendo de antemão regular ao máximo o acesso aos brigadeiros e não permitir que ninguém entrasse no meu quarto. Isso porque o quarto era o altar sagrado dos presentes - não sei se é tradição universal, mas lá em casa cada presente recebido era armazenado na minha cama, e eu só poderia abri-los quando todos fossem embora.


Trunks, minha irmã vomitando algo aleatoriamente, eu com meu primeiro par de óculos.

Tenho minhas teorias à respeito dessa regra: talvez seja pra evitar que os moleques mimados se descabelem por desgosto ao ver alguém se entalando de brinquedos novos, enquanto eles sabem que voltarão pra casa pra brincar com os mesmos Playmobils velhos e desbotados.

A outra teoria é que meus pais me obrigavam a misturar todos os presentes e abri-los sem saber quem deu o quê para que eu não automaticamente odiasse o infeliz cujos pai havia sido demitido na semana anterior e que por isso não pôde me presentear com nada além de uma caixa de meias.

Sei lá, só perguntando pra eles agora.


Eu, 1987. Praticamente pornografia infantil.

Bah, a velhice roubou a diversão que eram as festinhas de aniversário. Ter sua própria festinha de aniversário era o mais próximo que nós pivetes tínhamos de ser reis: uma casa lotava-se de gente honrando nosso nascimento, que se enfileiravam pra entregar presentes e que ainda cediam o último copo de guaraná pra você se fosse o caso - o outro moleque, se quisesse, que corresse a cozinha e pedisse outro copo pra minha mãe.

Crescer é um negócio simplesmente deprimente. O que a gente ganha?

Mais preocupações.
Mais responsabilidades.
Mais cobranças.
Menos alegrias.

Esse ano eu tava tão sem saco pra ter uma festa que quase cancelei-a três vezes. A namorada e o irmão me convenceram a manter o evento, mas a falta de empolgação continua a mesma.

E por que diabos pais sempre tiram fotos de seus rebentos pelados?! Aposto que é mania brasileira.