Escrito por Kid on Dec 31, 2005
Só atualizo ano que vem.
Enquanto isso vá pra praia dar seus pulinhos, comer suas uvas e abraçar familiares que você nem gosta.
Muito mais HBD no ano que vem.
Escrito por Kid on Dec 28, 2005
Vocês já perceberam que depois que você conhece uma pessoa nova, em breve a conversa se torna uma disputa de quem já se envolveu nos acidentes mais mirabolantes?
Passei os últimos 21 anos estudando essa tendência da psiquê humana. Aliás, de onde surgiu esse acento circunflexo, que minha professora de alfabetização (tia Socorro, que já morreu até, coitada) ficava muito puta se o chamassem de “acento chapeuzinho”? Qual o problema de chamar o circunflexo de chapeuzinho? Temo que agora apenas Satanás poderá perguntar isso a ela.
Não importa. Faça o teste aí; da próxima vez que conhecer alguém novo, comente COMO QUEM NÃO QUER NADA que no verão passado você perdeu um dedo do pé enquanto tentava, sei lá, operar um moedor de carne em cima de um skate. Pode ter certeza que o sujeito tirará a camisa, mostrará uma cicatriz entre a terceira e quarta costela e dirá que foi perfurado por uma viga de construção quando mergulhou do terceiro andar de seu prédio tentando capturar uma pipa desgarrada. Antes que você puxe de memória algum acidente mais imbecil, vai lembrar da minha teoria.
Falando em pipas desgarradas, já contei pra vocês o dia em que apanhei por causa de uma porra de uma pipa?
Era 1997, ou 1998, sei lá. Geralmente lembro os anos em que minhas putarias aconteciam porque bastava lembrar em que série eu estava (fiz a quarta em 94, a quinta em 95, a sexta em 96 e etecétera), mas dessa vez o ano me escapa da memória.
Eu morava na época no asqueroso Conjunto Ceará, um bairro escroto na periferia mais fodida de Fortaleza. Os leitores cabeça-chata não precisam que eu descreva a imagem, mas tem muito sulista lendo isso aqui, então vamos fazer um exercício mental. Pensem aí no bairro mais sujo das redondezas de Calcutá, e em seguida imaginem um caminhão-pipa cheio de esterco, muco, placentas, cadáveres em avançado estado de decomposição e cópias do último CD do Los Hermanos explodindo bem no meio dele, espalhando a repugnante mistura por todo lado. Esse é o Conjunto Ceará.
Meu pai, na época pastor evangélico, liderava uma congregaçãozinha quase ou tão fodida quanto o próprio bairro, bem no meio do sertão cearense. Morávamos na Aldeota, e se eu não estivesse com a imensa preguiça de abrir o Google Earth vocês veriam que há um continente inteiro entre os dois bairros. Depois de algum tempo gastando uma nota preta em gasolina, o coroa resolveu se mudar lá praquela invasão. Ir pra igreja à pé seria seria uma economia considerável, ainda que isso significasse ter que disputar a calçada com crianças peladas brincando dentro de poças de lama com carrinhos de plástico sem rodas e com as caras ocupadas por moscas varejeiras.
Sem putaria, o lugar era sinistrão. Era um misto de invasão do MST com favela indiana, muito tosco mesmo. Inclusive, foi lá que fui assaltado pela primeira vez na vida (o que é assunto pra um post que só escreverei depois de anos de cobranças dos leitores).
Voltando à história, papai-pastor se muda de mala e cuia pra uma periferia fodidaça e eu, filhinho de papai acostumado com colégio particular caro e amiguinhos ricos, me vi morando numa casa rente à rua sem asfalto e moleques que nunca nem tinham visto um computador de perto. Sem computador, sem videogame (eu havia destruído meu SNES acidentalmente pouco tempo antes da mudança), sem carros de controle remoto, tivemos que nos comunicar com base em um denominador comum, ou seja, nossos papos de brinquedos não podiam envolver coisas cujo preço ultrapassasse os dois dígitos.

Acima, uma simulação computadorizada de mim mesmo, aos 14 anos, empinando uma pipa. Perceba as gravatas borboleta com que eu enfeitei minha pipa
E a resposta foram as pipas. Pipas não eram apenas aeromodelos rudimentares construídos com bambu, papel de seda e cuspe; com um pouco de cola branca, cacos de vidro e malícia tipicamente brasileira, uma pipa comum se tornava uma fabulosa aeronave de combate. Nas mãos de pilotos habilidosos, uma pipa podia cruzar os céus com maestria e cortar a linha da pipa de um oponente, e aí fodeu. Alguém voltaria pra casa chorando, com um carretel de linha sem uma pipa na outra ponta.
A confecção e decolagem de pipas era basicamente o único passatempo que aquela crianças dignas de um show beneficente do Bono Vox podiam desfrutar. Os que conseguiam arrancar algum dinheiro dos pais de vez em quando podiam se dar ao luxo de comprar pipas pré-fabricadas no mercantil do seu Joaquim da Mandioca. Desconheço o motivo dessa alcunha, porque jamais vi seu Joaquim com nenhuma mandioca, com M maiúsculo ou não. Por isso mesmo, temo o duplo sentido do apelido.
Os mais miseráveis e desnutridos da turma (ou seja, aqueles para quem os dois reais que cada pipa custava constituia uma fortuna inalcançavel) tinham que implorar pelas pipas velhas de outrem, fazer suas próprias a duras penas ou disputar as pipas abatidas.
E as pipas abatidas, mas que espetáculo! Uma pipa derrubada era praticamente o equivalente do Conjunto Ceará do lançamento de um ônibus espacial. Pessoas vinham de todos os cantos pra assistir. Não, não é exagero, é literalmente mesmo: o fenômeno resultante de uma briga de pipas fazia muitos interromper seus afazeres e ir à rua assistir a putaria.
Quando uma pipa cruzava os céus à deriva, saíam pivetes de TUDO QUANTO ERA BURACO numa carreira desesperada no encalço da pipa grátis. Crianças desciam de árvores, pulavam da esquina, saltavam de dentro de bueiros, chutavam o portão de casa e passavam sebo nas canelas. Eu nem sabia que tinha tanto moleque naquele lugar. Imagino que estes passavam o tempo se escondendo e analisando o tráfego aéreo do bairro, aguardando o momento de correr. E a animação era porque, segundo o código de honra da pivetada, uma pipa cortada pelo cerol alheio pertencia ao povão. Aquele que a capturasse primeiro se tornaria o dono, e ai do dono legítimo se este se meter a reclamar a posse da pipa! Um delito dessa natureza requeria pena de pelo menos cinquenta cascudos em áreas variadas do corpo.
Segundos após a pipa perdida encontrar descanso no telhado da vizinha da frente, mais guris se juntavam à turba na corrida em direção à aeronave abatida. Chinelas havaianas não aguentavam a velocidade e as tiras estouravam, frequentemente levando rostos imberbes de encontro ao asfalto. Com tantos corpos caídos no chão, o negócio frequentemente se tornava uma corrida com obstáculos.
Sem o menor respeito à propriedade alheia, aos amiguinhos ou aos próprios ossos, a pivetada escalava os muros da casa da dona Francisquinha de Jesus - aquela que vendia pastel de queijo na feira -, disputando cada ponto de apoio na base do tapa, até que alguém finalmente tocasse a seda da pipa. Devia haver algum tipo de lei informal regendo a briga pelo brinquedo, porque no exato momento que alguém encostava na pipa, todo o resto da turma abandonava a disputa.
A cena era pitoresca; aquela criançada toda correndo feito loucos no meio do trânsito, desviando de carros, se empurrando, se esbofeteando, caindo de cara no chão, trepando em muros alheios… por algo que custava dois reais. Ah, Conjunto Ceará…
Além dessa putaria toda (ou por causa dela mesma), a brincadeira das pipas gerava uma perpétua inimizade entre as patotas de cada rua. O pessoal da Comendador Machado odiava a turma da Sete de Setembro, que por sua vez não podia sequer ver a galerinha da 89. Bando de metidos. Se achavam nova-iorquinos, só porque o nome da rua era um número!
O que acontecia é que tomar posse da pipa abatida da rua oponente era uma injúria imperdoável. Se alguém da turma oponente cortasse sua pipa no cerol, tudo bem, era parte do esporte. Bastava voltar pra casa, roubar o dinheiro do pão e comprar outra. Mas quando os amigos do algoz conseguiam pegar a pipa perdida e trazer de volta pro bando, ahhhh… Isso feria a dignidade. A pipa cortada de um oponente era praticamente um troféu de caça, um atestado de superioridade. Era quase como se seu inimigo estivesse de posse de sua própria alma.
Havia ainda uma patifaria ainda mais vilanesca, o ato de “fazer farofa”. “Fazer farofa” consistia em capturar a pipa do oponente apenas para destruí-la completamente.
Entendidas as regras do esporte, continuo a historinha.
Num belo dia de domingo, estávamos eu e a minha turminha empinando pipas. A galera da rua da frente, cujo nome não consigo lembrar, estava na mesma atividade. Eles lá, a gente cá. Olhares raivosos cruzavam a rua em ambas direções. No ar, as pipas materializavam o ódio mútuo que as nossas gangues infantis nutriam uma pela outra - com habilidade, os empinadores de cada lado jogavam suas pipas umas contras as outras, tentando faze-las se engancharem na linha acerolada (que é uma linha com cerol, e não acerolas. Embora o Manélzinho da 21 jurasse ter projetado uma pipa com suco de acerola ao invés de cola. Vai ser pobre assim na puta que pariu).
Num lance de sorte, o Adriano conseguiu desvencilhar a pipa do oponente da linha. Esta começou a cair, desenhando uma espiral no céu em direção à nossa turma. Por ser um domingo, o movimento no bairro era bem menor, e a pipa já caía em nossa direção mesmo. Nem foi necessário correr. Eu, por ser o mais alto entre a nossa turma, peguei a pipa caída com facilidade. Joguei um olhar pra turma da rua da frente, e as caras deles não eram das melhores. Um moleque saiu do meio do grupo em nossa direção.

Ele atravessou metade da rua e, com frases curtas, exigiu a devolução da pipa. Sua mão pendia no ar, insistente.
“Ah, mermão” falei “tu sabe como é o negócio. Pipa bolada não tem dono!”
O sujeitinho, que acho que se chamava Marcelo, não perdeu tempo debatendo. Ao invés disso, ele voltou rapidamente pro meio da sua turma, que aguardava do outro lado da rua. A retirada voluntária do inimigo foi algo ainda mais honroso que ter capturado a pipa dele. Meu espírito gozador não se conteve.
“Ei, ei, ô, ô, olhaqui!” o rapaz virou o corpo em minha direção “Brigado pela pipa nova, ein!” tendo dito isso, ergui o artefato acima da minha cabeça e ensaiei uma breve e constrangedora dança de vitória.
O moleque, indignadíssimo, apressou o passo em direção aos seus amigos. Ao chegar lá, conferenciou com eles brevemente. Em seguida, correram todos pra rua, saindo da nossa visão.
Minha turma e eu voltamos às nossas atividades normais. Em pouco tempo, a turma inimiga reapareceu na esquina.
Com paus e pedras nas mãos, e olhares sérios na cara.
Não minto, gelei instantaneamente. Nunca fui de brigar, especialmente quando os oponentes são mais numerosos e armados. Pensei em correr, mas eu era o mais velho da minha turminha e a vergonha jamais seria esquecida. Permaneci no mesmo lugar, com a pipa ainda na mão.
“Me dá” disse Marcelo, sem precisar especificar exatamente o que eu deveria dar.
As palavras quase não vinham à boca.
“Mas eu peguei…”
Sem pensar duas vezes, Marcelo girou o braço e o pedaço de pau em sua mão foi de encontro à minha perna. Virei o corpo instintivamente (e vi de relance que meus amigos tinham desaparecido), e a porrada pegou do lado do joelho. Dei um passo pra trás, irado, mas sabia que seria impossível me defender dos três ao mesmo tempo.
“Me dá essa porra, branquelo de merda” disse o menino. Com o joelho doendo e uma inegável vontade de sair em disparada, o orgulho falou mais alto. Fiquei calado. Reconheci um dos pedaços de pau que os moleques carregavam como a perna de uma cama que havia sido jogada num terreno baldio das proximidades (não o do mapa acima, um mais distante).
Sem esperar a minha resposta, Marcelo deu uma estocada com o pedaço de pau e perfurou a película de seda da pipa. Com um rápido movimento, ele arrancou-a das minhas mãos. Me senti como se alguém tivesse arrancado minhas roupas.
Na sua fúria e falta de planejamento na hora de reconquistar a pipa, o moleque acabou estragando-a. Sem pensar duas vezes, ele “fez farofa” ali mesmo. Depois jogou a pipa aos meus pés, e saiu. Até hoje me pergunto o que impediu o sujeito e seus amigos de me dar uma surra de perna de cama.
E eu passei uma semana sem falar com o Trunks, também. Aquele corno fazia kung fu na época e me deixou apanhar sem se manifestar!
Logo após os malfeitores abandonarem nossa rua, a minha turma começou a aparecer. Eu estava morrendo de vergonha, mas dava pra ver que a deles era ainda maior que a minha. Eu estava revoltadíssimo, afinal, éramos uns nove. Armados ou não, cada um dos moleques da rua rival teria que se virar contra três! Seria um massacre, se eu não tivesse sido abandonado como um filho cujo pai descobriu sua homossexualidade.
Mandei todos aqueles medrosos de merda irem pro inferno (incluindo o Trunks) e voltei pra casa. E passei o resto do dia jogando Command and Conquer.
Escrito por Kid on Dec 26, 2005

E aí, vocês ganharam o quê neste Natal? Vamos ver se alguém foi tão mimado como eu neste aniversário de Jesus.
E não apenas de comercialismo material insensível foi este Natal, ao contrário do que geralmente é. Com exceção do primeiro Natal, pois ainda não existiam cartões de crédito.

Diga alô para Kevin Costa Nobre, o mais novo membro da família. Nasceu ontem, então acho que conta como presente de Natal. Tudo bem que eu estava esperando por Path of Neo por MESES, mas Kevin é o único presente que mijará na cama do meu pai, o manterá acordado por alguns anos e tentará beber o detergente guardado embaixo da pia, então acho que ele é o presente mais radical que eu já ganhei.
Meu pai diz que ele parece comigo, mas é que meu pai é maldoso assim mesmo.
Escrito por Kid on Dec 25, 2005

BOA TARDE A TODOS OS PESSOAS QUE VIERÃO NO BLOGUE DO ISRAEL NOBREGA ME
AUCILIAR A ME PRESTEGEAR HOJE POIS HOJE EU GOSTARIA DE FALAR SOBRE O ASSUNTO CUJO É CHAMADO MANUAU DA MASTURBASSÃO PARA OS PEÇOAS, NO, CASO POBRES.
O CUJO TESTO SERÁ UM TESTO SOBRE MASTURBASSÃO PARA AS PESSOAS POBRES DA NOÇA SOCIEDADE MODERNA QUE NÃO TEM DINHEIRO MAIS TAM, BEM, PARA AS PESSOAS QUE NAO TEM INTERNET OU TEM INTERNET COM O NET NENY MAUDITO QUE BLOQUEIA AS COISAS PORNO CORRETO?
FAS DE CONTA QUE VOCE NAO TEM INTERNET, OU ENTAO VOCE VIAJOU PARA A CASA DO SEU TIO EM SALT LEIK CITY COMO EU E LA TEM NET NENY QUE BLOQUEIA AS COISAS DE COISA PORNO. OU ENTAO VOCE É UM POBRE MONGO QUE NAO TEM EMPREGO E PORISSO NAO TEM DINHEIRO CUJO PRA GASTAR COM INTERNET E OUTRAS COISA QUE SERVEM PRA SER UMA PESSOA PORNO.
DAI ENTAO, NESSES, CASOS, COMO, SERA, A, SUA, VIDA, SECSUAL?
ENTAO, PARA, AUCILIAR, AS, PESSOAS, QUE, SE, DEPARÃO, COM CUJOS ESSES PROBLEMAS QUE EU RESOLVI VIM AQUI E DAR ALGUNS CONSELIOS DE COISAS PORNO QUE
AS PESSOAS NEM SABEM QUE SERVEM DE SER COISAS PORNO!!!!!!!!!!!!
MAIS PELA AMOR DE DEUS NAO VALE SÓ VOCES VIR AQUI E PEGAREM TUDO MEUS CONSELIOS E SE DIVERTIREM SÓ MENTE NO MASTURBO E NÃO COMPARTILIAREM AS COISAS QUE VOCES FAS NA SUA PRÓPRIA MASTURBASSÃO ENTÃO PELA AMOR DE DEUS:
AGORA O POSTE VIROU UMA EM QUETE!!!!! VA NO COMENTÁRIO ALI EM BAICHO BLOGSPOT.COM.BR ONDE DIS PRA COMENTAR E DAÍ DIGA AS COISAS QUE VOCE USA NO SEU MASTURBAMENTO TAMBEM POIS SENDO A SIM DAÍ CADA UM PODERÃO DAR UMA OPINIAO DE UM OBJETO E DAÍ OS OUTROS VÃO PODEM SABER E DAI TODO MUNDO SE DIVERTE MAIS E NINGUEM TEM QUE GASTAR DINHEIRO NEM IR PRA LAN HAUSE POIS PODE SEGUIR O CONSELIO UM DO OUTRO!!!!!!!!!!!
BOM MAIS COMO EU SOU O DONO DO BLOGUE EU VOU COMESSAR E AQUI VAI AS MINHAS COISA PRA VOCES USAREM.
COISA NUMERO 1:
ESPELIO
ISTO MESMO ESPELIO É AQUILO QUE REFLETE AS PESSOAS CUJAS FICAO NA FRENTE (DO ESPELIO).
UMA VES MINHA INTERNET FICOU QUASE 1 MES FORA DO AR POR QUE MEU PAI TAVA DESEMPREGADO E A JENTE TAVA VIRANDO POBRE. DAI EU NAO PODIA VER COISA PORNO NA INTERNET DAI EU FASIA A SIM:
EU IA NO BANHEIRO, VIRAVA, UM, ESPELIO, DE, FRENTE, PRO, OLTRO. DAI EU MUDAVA ATÉ QUE FICAVA DE UM JEITO QUE EU SÓ PODIA VER MEUS ANUS NO ESPELIO DA FRENTE SEM VER A MINHA CARA.
DAI TAVA LA PRONTO MINHA REVISTA PROPRIA PORNO FEITA EM CASA! COMO MINHA BUNDA NAO TEM PELO POIS EU NAO SOU UM TONY RAMOS HOMEM-CHIPANSÉ DAI EU PODIA OLIAR NO ESPELIO FINJIR QUE ERA A BUNDA DE UMA MULIER E DAI ME DESCASCAR NA ALEGRIA VENDO AQUILO!
É MEIO MAU FEITO MAIS É EFICAS PRA QUEM FICAR SEM INTERNET!!!!!!
COISA NUMERO 2:
CELULAR CUJO TEM VIBRACAL
TEM JENTE QUE PENSA QUE SÓ MULIER QUE SE MASTURBA ENFIANDO O CELULAR NA CHOCHOTA MAIS ISTO É MENTIRA.
POIS QUE JA ESTUDOL O CORPO HUMANO SABE MUITO BEM QUE HOMEM TAMBEM TEM COISOS DE PRASER QUE FICAO ATRAS E NA FRENTE DO SACO.
ENTAO SE VOCE TEM DOIS TELEFONE CUJO UM, NO, CASO, É UM CELULAR VOCE PODE POR ELE DENTRO DE UMA MEIA PRA NAO SUJAR, DAI, ENFIAR, ELE DEBAIXO DO SEU PENIS NA FRENTE DO SACO, E, DAI, FICAR, LIGANDO, COM OLTRO NUMERO PRA O CELULAR, POR, QUE DAI O CELULAR E NAO VOCE MESMO QUE FAS TODO O SERVISSO DO PRASER PRA VOCE.
EU RECOMENDO!!!!!
COISA NUMERO 3:
JORNAL TRIBUNA
EM TODAS AS SIDADES DO NOSSO BRASILSAO VELIO E EM CLUSIVE NO CANADÁ SE O ISRAEL QUIZER TENTAR ESISTE JORNAL POLICAL QUE APARESSE UM MONTE DE MORTO E JENTE QUE LEVOU CHUMBO PELO RABO.
DAI O SEGREDO É O, NO, CASO, SEGUINTE. SE VOCE FOR NA BANCA E QUIZER COMPRAR UMA REVISTA PORNO, OU, ATÉ, MESMO, UMA, REVISTA, PLEIBOI…
LOJICO QUE VOCE VAI FICAR COM VERGONHA E NAO VAI QUERER IR POIS TODO MUNDO DA BANCA VAI RIR DA SUA CARA POR SER UM PORNO, CORRETO!!!!!!??????
MAIS DAI VOCE PODE UTILISAR O JORNAL POLICIAL COMO CUJO O QUE EU FALEI!!!!!!!
POIS EM TODOS OS JORNAL POLICIAL TEM FOTOS DE JENTE QUE MORRE. E MUITAS JENTES QUE MORREM ELES MORREM NO MEIO DA NOITE E SE FOR MULIER TAO ATÉ DORMINDO, MUITAS, VESES, E, POR, ISSO, TAO SEM CAUCINHA NEM SEM SUTIAM.
DAI VOCE PODE UTILISAR ESTAS FOTOS PARA O SEU MASTURBAMENTO!!!!!!!!
É LOJICO QUE TEM JENTE QUE ACHA MEIO NOJENTO SE MASTURBAR PARA OS MORTO MAIS A VERDADE PRA QUEM FOR PENSAR É QUE É LOJICO QUE ISTO NAO TEM NADA A VER NEM RASAO DE CER POIS A PESAR DA MULIER TER LEVADO TIRO AQUILO CONTINUA SENDO AS TETAS E A VAJINA DELA ENTAO SE VOCE OLIAR TETAS E VAJINA E NAO FICAR COM O PENIS DURO ISTO NAO SIGUINIFICA QUE VOCE NAO GOSTA DE MORTO MAIS SIM QUE VOCE PODE SER GEY POIS TA VENDO TETA E VAJINA E SEU PENIS NAO ESTA REAJINDO A CUJA SITUASSÃO!!!!!!!!!!
POR TANTO NAO SINTA PESO EM SUA CONCIENSIA POIS NA VERDADE SE A MULIER NAO TIVECE CIDO MORTA CONTINUARIA TENDO TETAS E VAJINA E PORISSO VOCE NAO DEVE NAO QUERER OLIAR TETAS E VAJINAS, NÃO, É, MESMO?
COISA NUMERO 4 E ULTIMA POIS EU JA DEI IDEIA DE MAIS E QUERO SABER IDEIAS DE VOSSES TAMBEM :

QUEM É RICO E TEM TV A CABO SKY DIRECT TV DAI PODE BOTAR NO DISCOVERI CHENEL.
POIS LA SEMPRE TEM PROGRAMA DE INDIO E OS INDIGENOS SEMPRE VIVEM PELADÃO. DESGRASSADOS MAUDITOS NESTAS HORAS EU ME PENSO: PORQUE QUE NAO É TODO MUNDO INDIO NAO É MESMO?
IMAJINE IR PRA ESCOLA E TODAS AS GOSTOSAS ESTAR COM AS VULVAS DE FORA SE APARESSENDO PRA TODO MUNDO?
BEM MAIS SE VOCE FOR FASER ISTO CUIDADO POR QUE EU POR ESEMPLO:
SERTA VES EU TAVA DOIDAO DE BRONHA E QUERIA TODO CUSTO ME MASTURBAR DAI EU PONHEI A TV NO CANAL DO CABO QUE, NO, CASO, TINHA UM FIUME SOBRE OS INDIOS DOCUMENTARIOS DA NATURESA PAÇANDO.
DAI EU FIQUEI ME MASTURBANDO PRAS VULVAS DAS INDIAS QUE ELAS ANDAO PELADAS NA FLORESTA MAIS OS INDIOS NAO COMEM ELAS NO FIUME.
DAI EU FUI PEGAR UM PANO, NO, CASO, PRA LIMPAR MEUS ESPERMATOSOIDES ANTES DE GOSAR E QUANDO EU VOUTEI PRA VER NA TV NAO TINHA MAIS VULVA APENAS BUNDAS E EM CLUSIVE UMA DELAS ERA BEM GOSTOSA DAI EU DESCASQUEI MEU MANJUBO PRA BUNDA NA TV ATE GOSAR
MAIS DAI QUANDO SE PAÇOU MAIS TEMPO, NO, FIUME, EU VI QUE NA VERDADE A BUNDA ERA DO INDIO E NAO DE MULIER INDIGÊNA INDIA.
DAI EU FIQUEI BEM TRISTE POR QUE EU PENSEI QUE TINHA SIDO UMA COISA BAITOLA DA MINHA PARTE.
MAIS DE POIS EU PENSEI MELIOR E VI QUE A CULPA ERA DO INDIO POIS ELE TINHA A BUNDA SEM PELO IGUAL MULIER E POR TANTO NAO PODIA RECLAMAR. ELE, NO, CASO, QUE, TAVA SENDO PÉ DE ASTRA EM NAO DEICHAR CRECER PELO NO ANUS POR ISSO SE SERVE DE LISSAO APRENDAO A LISSAO QUE UM HOMEM DEVE TOMAR CUIDADO COM QUEM ELE SE MASTURBA. O PEITO DA MULIER PODE, NA, VERDADE, DEPOIS, QUE, SAI DO CLOSED, NO FIUME, SE REVELAR O PEITO DE UM HOMEM GORDO!!!!!!!!!!!!

POR ESEMPLO FOTO NO CLOSED ASSIMA.

E AGORA A FOTO DO CLOSED MAIS FORA DO CLOSED. VIRÃO?
E é isso aí. Feliz Natal a todos.
Escrito por Kid on Dec 23, 2005
Ah, acho que nem contei pra vocês, mas finalmente consegui “contratar” o RaUL pra postar aqui no HBD. A coluna semanal dele será todo domingo.
Até lá, fiquem com o novo FAQ do HBD.
[ Update ] …ou com a re-estréia da Tagboard HBD.
Escrito por Kid on Dec 20, 2005
Olhaí, eu poderia estar jogando Counterstrike com o Trunks, mas vos amo tanto que resolvi não procrastinar dessa vez.
Os screenshots estão em inglês, mas dá pra seguir as instruções direitinho mesmo se você tiver um PS portugays (haha, essa piada nunca fica velha, diz aí). Se não der, crie vergonha nessa sua cara ensebada e baixe um Photoshop em inglês.
Abram o programa e vamos lá.

Crie uma imagem de 350 por 20. Largura e altura, respectivamente, a menos que você queira que a sua user bar seja uma coluna sem graça.
Comecemos a trabalhar em cima da imagem vazia agora.

Selecione a ferramenta Gradient Tool. Você estará criando o fundo da imagem. Selecione duas cores que não machuquem muito os olhos, ou os admins do fórum que você participa não terão piedade.
Pra esse exemplo, escolhi azul e branco. Aplique o gradiente à imagem.

O resultado será algo parecido com a imagem acima. O fundo da imagem está pronto!
O melhor, quase pronto. Se você quiser empiriquitar mais o visual da sua user bar, você pode adicionar scanlines ao fundo da imagem. O procedimento é opcional, mas melhora bastante a qualidade do negócio. E sejamos francos, o que você quer é impressionar a galera do fórum.

Crie um segundo arquivo. Coloque o nome “scanlines” se você tiver ADD e não conseguir lembrar o que diabos está fazendo. Largura e altura devem ser 6 pixels, e o fundo da imagem deve ser transparente. Tão prestando atenção?
Após criar essa imagem, dê zoom até não poder mais. Usando o Pencil Tool (aquele lápis lá), crie um padrão qualquer nesse arquivinho.

Fiz essa linha diagonal amarela aí. Agora, clique em Edit (Editar) e Define Pattern (Definir Padrão, imagino).
Tudo pronto. Só falta jogar a linha diagonal por cima da imagem original.

Selecione o Pattern Stamp Tool. Escolha as scanlines como o padrão, e passe o mouse por cima da imagem original.
O resultado será algo parecido com isso:

A user bar já tá tomando a forma. Agora, precisamos de uma imagem pra colocar nela.

Taí. Lembre-se que a imagem precisa ser pequena pra caber direitinho, então você terá que redimensiona-la de acordo com a necessidade.
A borda direita da imagem não tá legal. Pra dar um efeito melhor, use a borracha embaçada e apague um pouco da borda. Olha como fica melhor:

Pra dar o último toque, vamos aplicar uma sombra nessa imagenzinha.

Clique com o botão direito na layer, e o menu aparecerá. Selecione Blending Options.

A primeira opção é a Drop Shadow. Mexa com os parâmetros do efeito até atingir o resultado que você quer.
A user bar está quase pronta. Agora, basta adicionar o texto. Use a fonte Visitor BRK, que você pode baixar aqui. Aliás, recomendo essa fonte mesmo que você não queira fazer user bars, ela é mó legalzinha.
Escreva o texto desejado. Pra aplicar uma borda preta e tornar o letreiro mais visível, clique com o botão direito na layer naquela caixinha do lado, selecione Blending Options de novo e vá pra última opção, Stroke. Coloque um Stroke de 1 pixel e mude a cor. Eu sempre escolho preto.

A user bar está QUASE pronta. Falta o último detalhe: aquele efeito de reflexo super legal. Se você é um analfabeto de photoshop como eu, devia estar pensando “mas como diabos farei aquele efeitinho? Sou um analfabeto de photoshop como o Kid!” É bem mais fácil do que você imaginou, a menos que você tenha imaginado que o efeito aparece como resultado de um Pai Nosso e dois Ave Marias.
Primeiro, você precisa duplicar o letreiro. Se você não fizer isso, o efeito de reflexo será aplicado por cima dele, e ficará difícil de ler.
A outra forma de fazer isso é criando uma nova layer, mas enfim.

Clique com o botão direito na layer do letreiro e clique em Duplicate layer. Você terá agora dois letreiros, um em cima do outro, então à primeira vista a ação não terá nenhum resultado. É assim mesmo, não se desespere.

Usando a Elliptical Marquee Tool (ferramenta de seleção circular, acho), faça uma seleção no topo da imagem. Preencha-a com a cor branca, e coloque a Opacity na faixa dos 20% ou 30%.
Pra fechar tudo, leve a imagem pro Paint (Selecione tudo com um Ctrl + A, clique em Edit e depois em Copy Merged. É a opção logo abaixo do Copiar normal.) e coloque uma borda preta em volta dela. Há alguma forma de fazer isso no Photoshop, tenho certeza, mas eu não sei como é. Então vai no bom e velho Paint mesmo.
Voilá!

É fácil pra caralho ou não é?
Faça as suas e venha se exibir com a gente no fórum.
Disclaimer: Todas as user bars criadas por mim e o Vexille estão à disposição da turma. Usem à vontade; a única coisa que peço encarecidamente é que vocês nos digam aí nos comentários onde estão usando as assinaturas, pra que a gente possa ir lá ver e ficar todo orgulhoso.
A propósito, seria bom se vocês salvassem as imagens e hospedassem pro seu próprio uso. Assim as imagens não cairão lá do FHBD por excesso de visualizações.
Escrito por Kid on Dec 19, 2005
Se você participa de um fórum qualquer e acha que aquele simples banner ali ao lado não expressa exatamente o quanto você ama esse website que é blog mas que eu chamo de website, agora você tem uma nova opção. Como a nova moda infestando as assinaturas dos fóruns desse nosso Brasil são as user bars, resolvi fazer uma pra vocês. Varri as teias de aranha de cima do Photoshop e criei esta belezinha:

É ou não é a coisa mais linda que você já viu na tela de um computador?
Copiando o código abaixo, você poderá usar essa lindeza na sua assinatura (ou “sig”, como dizem os internautas descolados que tingem o cabelo de azul, usam expressões como “straight edge” e “downsizing” e tiram fotos de si mesmo segurando a câmera por cima da cabeça) em qualquer lugar na internet, incluindo aquele fórum sobre Harry Potter onde crianças de 14 anos debatem se seria legal se o Harry casasse com a Hermione.
A propósito, o nome dela pronuncia-se “Rer-máione”. Lembrem-se disso, ou vocês passarão muita vergonha ao tentar dizer o nome da personagem no Canadá. Confiem em mim.
A menos, é claro, que você tenha se dado ao trabalho de assistir as porcarias que foram os filmes baseados naquela merda de livro. Nesse caso, a lição sobre a pronúncia é inútil.
Mas em todo caso, porra, que gosto cinematográfico horrível esse seu.
A propósito, sim, eu criei essa user bar do zero. Ao contrário do que possa parecer, não é nem um pouco difícil fazer essas bobagens. Se vocês aceitarem screenshots de um Photoshop em ingrêis, amanhã faço um tutorialzim. Que tal?
[ Update ] Eu e o Vexille já tamos nos divertindo pra caralho com essa porra. Amanhã será a vez de vocês.
Manual dos Góticos
Escrito por Kid on Dec 18, 2005
Em março de 2004, na sequência de um texto bastante polêmico criticando um certo subgrupo, publiquei um post que se tornou indiscutivelmente o maior sucesso deste blog. O texto foi citado, linkado e plagiado em inúmeros fóruns, comunidades no orkut e blogs ao redor da internet. O que me deixou imensamente feliz, a propósito, já que foi meu primeiro texto a receber tamanha visualização e até então eu não achava que produzia alguma coisa que valesse a pena ser lida. A aparição no Uêba cimentou a notoriedade daquele texto, e muitos leitores old-school conheceram o HBD justamente por causa daquele post.
Acontece que o post era diretamente dependente das imagens que ele trazia. Tragicamente, seis meses após a publicação do texto, o servidor do Yuri - um amigo que me cedia hospedagem virtual - foi passear. Sem nenhum backup, as fotos foram invariavelmente mandadas pro limbo. O post continuava nos arquivos do site, mas sem as imagens, metade do humor se perdeu.
Apesar de inúmeros pedidos de um remake do post - o que requeriria fotos novas -, eu sempre me negava a faze-lo. Não queria apelar pra uma “fórmula de sucesso”; antes escrever um texto completamente novo e original que tentar atingir a mesma fama do post original de forma preguiçosa. Sabe quando uma continuação acaba ficando uma merda e suja o nome do original? Então.
Por essas e outras, preferi não dar um irmãozinho àquele post. Sem que eu pudesse republica-lo para os leitores antigos, e sem querer criar uma nova versão pros leitores novos, aquele texto seria eternamente apenas uma lembrança. Nada mais que uma parte do legado do site.
Até agora. Fuçando no Google, esbarrei com um dos muitos blogs que na época copiaram o texto. Muitos plagiadores, reforçando sua natureza preguiçosa, apenas linkaram as imagens. Mas acabei descobrindo uma garota que hospedou as fotos em seu servidor.E hoje, quase dois anos após a estréia do texto que catapultou as visitas e a visibilidade do Hoje é um Bom Dia, eu lhes dou o célebre MANUAL DOS GÓTICOS, versão remixada e aditivada.
Recebi muitos elogios por causa do post sobre os góticos, mas também recebi muitas reclamações. As pessoas ficaram com uma impressão errada de mim. Eu disse que odiava os góticos? Foi um erro de digitação, minha gente. Eu ADORO os góticos. Sério mesmo, amo de coração.Nesses últimos dias resolvi elevar minha devoção pelo goticismo a um nível nunca antes alcançado por ninguém: eu descobri a verdadeira ESSÊNCIA DO GOTICISMO! Sim, amiguinhos vampiros. Eu achei o que vocês procuravam esse tempo todo. Agora você poderá adquirir todo esse conhecimento, e não mais pagará mico quando algum coleguinha seu ler meu blog e arrumar um motivo pra encher seu saco.
Então, você quer ser gótico?

Certo. Mas a primeira coisa que precisa aprender é que a bela e transcendental filosofia gótica se basea - exclusivamente - em estética. Então se livre desse boné, ele não é nem um pouco gótico.

A propósito, se livre de qualquer peça de roupa que não seja de cor preta. Você é um vampiro deprimido, um poeta atormentado pela dor de coisas que nunca aconteceram, e esse tipo de pessoa não costuma usar roupinhas coloridas.

Isso mesmo, bom garoto. Agora entraremos num outro quesito importante: música!

11 em cada 10 góticos concordam que Blink 182 é uma das coisas menos góticas do mundo, perdendo apenas para “ser uma pessoa feliz” e “ter amigos”. Se você possui algum CD da alegre banda, jogue fora. Ofereça-os em sacrifício aos deuses pagãos nórdicos, à mãe natureza, ao Conde Drácula, sei lá.Vá à loja de CDs mais próxima da sua casa. Não vá de ônibus, isso é totalmente anti-gótico. Ao invés disso, espere pelo dia mais quente do ano, vista três camisetas pretas e cinco calças (pretas também, pra combinar) e vá caminhando até a tal loja de discos. Adquira o CD mais gótico que seus olhos góticos encontrarem.

Esse é um ótimo CD. Ele foi premiado três vezes consecutivas por revistas especializadas como melhor álbum gótico do milênio. Suas belas canções o ajudarão a percorrer o longo caminho de ser tornar um gótico. Mas se bem que já estamos na metade mesmo.

Isso mesmo. Sinta o goticismo penetrando o seu ser (não se preocupe, você vai conseguir sentar no dia seguinte). Sinta o ódio, a raiva, a depressão, a dor de barriga. No último caso, vá ao banheiro. E porra, eu não mandei você jogar esse boné fora, caralho? Que merda de gótico é você?

Hunf… Ok, ok.Agora você precisa de TATUAGENS. Você não será um gótico de verdade enquanto não tiver tatuagens. Afinal, o grande lance do goticismo é desenvolver uma personalidade única e ser diferente de todo mundo, e que melhor forma pra atingir isso que fazendo algo que milhões de pessoas ao redor do mundo inteiro já fizeram? Mas não vá em estúdios de tatuadores, isso é para os consumistas e os massificados. Você sabe, aquelas pessoas que compram roupas na C&A e assistem MTV (coisas que você também faz, embora não admita antes de uma tortura). Faça suas próprias tatuagens góticas com pincel marcador.

Perfeita tatuagem! Extremamente sinistra. Com apenas quatro riscos, você conseguiu captar todo o espírito e essência da filosofia gótica. Nem Edgar Allan Poe faria melhor, até porque ele era escritor e não desenhista, o que torna essa analogia injusta.Agora, seus cabelos. Vamos dar uma gotizada neles.

Sinta a essência do goticismo tomando conta da sua cabeça - literalmente.

Fenomenal! Ninguém diria que esse revoltado garoto gótico há apenas alguns minutos atrás era fã de Blink 182 e usava roupas felizes. A julgar por essa foto, poderíamos até imaginar que o sujeito realmente tem algum motivo pra andar por aí de cara fechada! O objetivo foi atingido com perfeição.Mais um cliente satisfeito.
Agora, o passo fundamental:
Gótico que é gótico precisa tentar se suicidar, nem que seja ao menos uma vez, por motivos banais e/ou inexistentes. Visto que ninguém consegue lembrar a forma certa de cortar os pulsos, não se perturbe com tecnicalidades e vá de cabeça num método testado e aprovado.

Se você obteve êxito, meus parabéns! Agora você é um gótico! Dê alô ao Cão por mim, a propósito.Se você não conseguiu da primeira vez, não deixe a ida ao hospital e a possível internação forçada numa ala psiquiátrica desencorajá-lo - continue tentando! Desistir de primeira é coisa pra porcos capitalistas. O corpo humano não é assim tão resistente quanto parece. Envenenamento, enforcamento, salto livre de um prédio de onze andares, jogar World of Warcraft por dias seguidos sem se alimentar ou tomar banho… Há muitas opções de suicídio neste mundo moderno em que vivemos. Escolha a opção que combine melhor com seu estilo gótico de ser.
Agradecimentos ao Trunks, modelo fotográfico profissional e meu irmão nas horas vagas
Ahhhh, que curiosa sensação de viagem no tempo.
Escrito por Kid on Dec 17, 2005

Obrigado, você-sabe-quem-cujo-nome-não-devo-falar-mas-que-imagino-que-ao-menos-dois-leitores-já-possam-ter-descoberto. Esses trinta paus virão bem a calhar, porque hoje mesmo descobri que todas as minhas cuecas sumiram e não há como sobreviver ao inverno canadense sem agasalhar as bolas com pelo menos três camadas de underwear.
Tênquis, e boas festas pra você também.
Aos curiosos, taí a lista atualizada de todas as doações (até agora, nove) que este site já recebeu. Ao todo, mais de 130 doletas foram arrecadadas para o fundo “Mantenha o Kid postando ou passe o resto da vida lendo o Faz Sentido“.
Infelizmente, por causa da época do ano em que estamos, vou acabar nem acessando boa parte dessa grana. Maldito Natal e a maldita pressão da norma social que me obriga a gastar uma boa parte do montante com a namorada. Espero que ela goste do jogo de PS2 que comprarei pra ela, porque eu certamente gostarei.
Amo cês tudim.
PS.: Não peçam fotos, a Ashley é feinha.
Escrito por Kid on Dec 16, 2005

Vocês que costumam ler esses sites de notícias na espera de dar de cara com alguma história bem absurda só pra poder em seguida entrar no seu fórum favorito e abrir um tópico com o título “VEJAM SÓ QUE ABSURDO CRIANÇA DE DOIS ANOS DE IDADE É POSSUÍDA PELO SACI PERERÊ E MATA A FAMÍLIA INTEIRA COM UM CACO DE VIDRO!!!!” já devem conhecer essa última, e embora eu não costume escrever posts sobre notícias, acho que dessa vez vale a pena quebrar a regra. Não esperem, no entanto, que eu comece a postar sobre qualquer coisa que vi na TV, ou sobre futebol, ou sobre jogar lixo no chão e outras coisas óbvias da mesma qualidade.
Segundo essa notícia do Terra, que anos atrás era o Zaz e me fornecia horas de diversão hosteando jogos de Quake onde dois ou três desgraçados conseguiam me matar sempre a despeito do incrível lag de aproximadamente 45 minutos, existe um indivíduo tão desocupado em São Paulo que a idéia de escrever um livro inteiro usando o tecladinho de um celular parece uma boa idéia. Ao que me parece, o sujeito planeja não apenas ficar mundialmente famoso como o primeiro a perder os polegares por uso exagerado desses malditos teclados de celular, mas também quer ficar rico publicando grandes obras da literatura nacional dessa forma. O primeiro livro a ser redigido é Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
E como uma história dessas não poderia ficar sem aquele último detalhe que faz você pensar “Ah, vai se foder! É mentira isso, falaí!“, o rapaz está escrevendo o livro utilizando o adorável idioma “ddonês”, que é na verdade aquele velho conhecido miguxês mas que exige um pouco mais de esforço pra escrever, porque você está usando um teclado de quatro centímetros quadrados pra isso.
Veja aí uma prévia do trabalho do moleque:
“Alg1 tmpo hesitei c dvia abrir stas memorias plo principio ou plo fim, i.eh, c poria em 1ro lugar o meu nasc ou minha mort. Suposto o uso vulgar sja comecar plo nasc, 2 considercoes m levaram a adotar dferent metodo: a 1ra eh n sou propriament 1 autor defunto, mas 1 defunt autor, pra kem a campa foi outro berco; a 2da eh q o scrito fikria assim + galant e + novo. Moises, q tb contou sua mort, n a pos no introlito, mas no cabo; diferenca radcal entr este livro e o pentateuco.“
Se isso não é um grande avanço pra literatura brasileira, não sei mais o que é.
Segundo me foi dito, essa linguagem - antigamente conhecida como “miguxês” ou “imbecilidade propagada por garotas de 13 anos em seus diarinhos virtuais onde elas publicam sua emocionante vida que se resume a ir à escola e brigar com amiguinhas” - foi re-batizada de “ddonês”. Em toda a minha inocência, achei que esse nome fosse alguma variação de “DD 1″, ou “DD ONE”. Cheguei até a imaginar uma pronúncia como “Djí Djí Uon” ou algo assim.
Que nada. Ddonês é simplesmente uma “linguagem de dedos”. Sacou? Porque quando você manda esse tipo de mensagem pelo celular, você escreve com os dedos! Ao contrário de, por exemplo, digitar com os pés ou segurar canetas com a orelha, que é o que normalmente se faz.
Só há um problema com essa empreitada pioneira do rapaz. Acho que ele jamais entrou nessa tal de internet antes, e por isso não sabe que aproximadamente todas as pessoas que respiram odeiam esse tipo de escrita com todas as suas forças. A maioria dos internautas com algum amor pela língua-mãe (ou seja, o único tipo de pessoa que seria capaz de voluntariamente ler um livro de Machado de Assis) prefereria contracenar com a própria mãe num filme pornô sadomasoquista do que se submeter a ler essas infâmias.
Basicamente, o cara transformou um livro chato num livro ilegível. Por que diabos ele acha que alguém que goste de literatura brasileira compraria um livro escrito dessa forma, Jesus amado?! Qualquer pessoa que ao menos não odeie a língua portuguesa evitaria esse livro como se toca-lo transmitisse AIDS.
E aparentemente eu não sou o único a pensar isso, ao menos a julgar pelos comentários que o tal Fernando recebe em seu MOBLOG - que é basicamente um blog mas com a sílaba MO na frente, e escrito completamente em MAIÚSCULAS. Lá ele tem recebido muitas frases de motivação, como por exemplo “Era pra voce ter vergonha do que esta fazendo. Quer chamar atenção pinta a Bunda de vermelho e vai passear no Shopping.” (diz aí, você não adora pessoas que usam uma letra maiúscula aleatoriamente no meio de uma frase?), ou “Você é mesmo um idiota ….”, ou a minha favorita “cumpade…eu acho q tu tem que parar de usar entorpecentes…daqui a pouco vão te degolar com um MACHADO!“. Sacou? Tá esculhambando um livro de Machado de Assis, vai ser degolado com um MACHADO! Mas esse rapaz é mesmo um gênio da sátira e da ironia.
Mais engraçado que o comportamento do escritor, que fala da própria presepada como se fosse uma missão de grande importância, é a incomensurável revolta dos defensores da língua lá no MOBLOG dele. Eu apostaria uma palheta da Fender que metade dos comentários vem de gente que nunca sequer abriu um livro de Machado de Assis na vida (ao contrário do Fernando), mas eu gosto da minha palheta. Só tenho essa.
Não sei vocês, mas eu vou ficar lá encorajando o cara. Vai ser muito engraçado se esse livro for publicado mesmo.
PS.: RaUL, aguardo a sua opinião sobre esse negócio todo.
Escrito por Kid on Dec 15, 2005

Brigado, Bertim :~
PS.: Mande mais cinquenta centavos da próxima vez.
[ Update ] Bah, quer saber? Tou me enchendo de ver esse banner escroto aí em cima. Se o pessoal continuar doando, arrancarei essa merda daí e sapatearei ao som de um bolero argentino em cima dele.
Escrito por Kid on Dec 13, 2005
Caralho, sou muito burro. No fim das contas, “subsídio” tem uma outra definição.
Guerra, admito chorando, você ganhou esse round. Em homenagem à sua inteligência superior à minha, substituo o post com um pedido de clemência e misericórdia ante ao seu vasto conhecimento da língua portuguesa. Como prova de boa fé e amizade, ofereço 1 (hum) Guaraná Antártica e dois pacotes do salgadinho genérico de sua escolha disponível no mercantil mais próximo da sua casa.
Nota mental compartilhada com a galera: Jamais use o Priberam pra apontar o erro de alguém. O tiro vai sair pela culatra, você terá que editar seu post substituindo uma sensacional tiração de onda por um homossexual pedidos de desculpa. Pra piorar tudo, alguém vai dizer “AAAAAAAAAAAHHH O KID ERROU MEU DEUS DO CÉU, MARIA, PEGUE A CÂMERA FOTOGRÁFICA RÁPIDO, O KID ERROU, VAMOS ALOPRÁ-LO, NÃO É POSSÍVEL, O KID ERRROOOOOOOUUUUU…“
Se você estava esperando eu cometer um vacilo para que você pudesse me tripudiar, essa é a sua hora. Flora, Feliz Natal!
Falando nisso, alguém me dê um Aurélio e uma cartilha de alfabetização esse ano, por obséquio.
E não se acostumem. Essa serviu como lição.
[ Update ] Ha, se eu estou envergonhado pelo erro, imagina então a galera que foi na onda ;D
Escrito por Kid on Dec 12, 2005
Cenas do último episódio
A mulher não desistia de bater papo no telefone, e o tempo passava rápido. Mandei-a às favas e decidi correr em direção ao desconhecido. Fiz um cálculo mental rápido: O endereço do lugar era 1661 Harmony and Winchester. O Walmart, por sua vez, ficava em 1500 Harmony and Winchester. Assim sendo, a distância não poderia ser mais que um quilômetro. Ainda assim, no meu íntimo a idéia de correr por um quilômetro embaixo de neve - lembrem-se, eu tinha vinte minutos pra chegar na entrevista - era tão ou mais assustadora que os filmes que passavam tarde da noite na Band quando eu era criança, mas minha mãe não deixava eu assistir porque “filme de terror não é coisa de crente”.
Sem outra solução, fechei o zíper da jaqueta e me joguei rumo ao desconhecido. Bem, era rumo ao norte mesmo. Mas eu não sabia ainda o que havia lá, então acho que isso o qualifica como desconhecido.
Uma planície branca como a bunda de um norueguês recém-nascido se estendia até onde a vista alcançava. A área atrás do Walmart era totalmente desolada. Os terrenos foram comprados por várias empresas diferentes, mas ainda não havia nada construído no lugar, a não ser o que parecia ser um imenso depósito a uns 500 metros de onde eu estava.
A neve continuava caindo pesada, aumentando a espessura da camada de gelo abaixo dos meus pés a cada instante. Caminhar num ambiente como esse é similar a ter um sujeito de 250 quilos montado nas suas costas assobiando o tema de Titanic. Seu pé afunda gostoso no chão a cada passo, e a irritação é mais do que suficiente para que a vontade de beber ácido e acabar com a agonia seja maior do que a minha vontade de viver até os 22 anos.
Lancei uma olhadela em direção ao relógio. Faltavam apenas dez minutos, OMG. Olhei em volta e ainda não via o lugar onde eu deveria ir. Eu estava basicamente correndo na neve, numa temperatura abaixo de zero, sem um rumo preciso e com um prazo de dez minutos. O desespero e o arrependimento bateram forte. Ao invés de estar correndo como um mexicano rente à fronteira dos EUA, eu poderia estar em casa baixando mp3s defeituosas e lendo pela milésima vez aquela piada pré-histórica que alguns insistem a me mandar por email!
Quando tudo parecia perdido, avistei uma van encostada na calçada. O motorista aparentemente dormia ou descansava encostado no volante. Dei a volta no carro e, meio constrangido de ter que acordar o indivíduo no meio do que poderia ser um sonho com a Sylvia Saint e suas amiguinhas pouco vestidas, dei umas batidinhas na janela.
O sonho devia estar bom demais, porque o sujeito não acordou. Bati novamente, e finalmente o sujeito percebeu minha presença. Girando a manivela da porta, o vidro desceu. Imediatamente, uma baforada gelada depositou alguns quilos de neve na cara do indivíduo. Ele girou a manivela no sentido contrário e subiu o vidro um pouco. “Que é?“, ele perguntou com cara de poucos amigos. Perguntei se ele conhecia o endereço onde eu deveria ir. Ele apontou pra uma direção qualquer e, sem esperar minha resposta, subiu o vidro novamente e virou-se pro outro lado.
Filho duma puta. Pela aparência, deveria ser indiano. Resolvi deixar pra ligar pra imigração mais tarde. Continuei minha marcha pelos campos nevados em direção ao nada, onde eu deveria chegar em cinco minutos.
Após correr mais um pouquinho, percebi que o prédio que eu achava ser um depósito na verdade era o próprio rinque de patinação onde eu deveria ir. O frio me desmotivava a tirar a mão do bolso pra verificar o relógio novamente, mas eu imaginava que não devia ter muito tempo de sobra. Apressei o passo.
…E nessa hora meu pé se afundou com vontade numa parte onde a neve era mais macia. Talvez eu não devesse estar correndo.
Desci até o meio da canela naquela merda. Senti o frio cortante da neve entrando no sapato e preenchendo o espaço entre este e minha meia. Graças à inércia, meu corpo girou noventa graus para frente. As mãos não foram rápidas o bastante pra impedir a queda. Meu rosto ardeu instantaneamente assim que se enfiou na camada de neve.
Fiquei lá esparramado por uns dois segundos, sem reação. Pareceu uma eternidade. Aí lembrei que o palm estava no meu bolso e levantei avidamente. Queria verificar a condição do bichinho, mas tira-lo do bolso durante uma nevasca não é lá a decisão mais inteligente de todas. Sacodi o cabelo, fazendo a neve voar pra todo lado - assim como todos sempre insinuavam quando eu tinha caspa. Falado nisso, tenho que lavar o cabelo hoje.
Provando que não aprendo com meus próprios erros, voltei a correr. Já estava mais perto agora, mas definitivamente atrasado.
Em poucos minutos eu já tava na loja, sentado à uma das mesas e esperando o chefe chegar. Outros quatro candidatos chegaram pouco tempo depois - uma mulher com idade suficiente pra ser bisavó de Pedro Álvares Cabral, um sujeitinho com um ar de skinhead, uma adolescente grávida acompanhada de seu namorado e uma distinta senhora com uma impressionante falta de dentes. Contei seis dentes sobrando naquele buraco pútrido que ela chama de boca, e pela qualidade destes eu concluiria que ela esteve escovando os dentes com uma mistura de manteiga e açúcar.
O chefe chegou praticamente UMA HORA depois. Sério, não estou fazendo um daqueles exageros engraçadinhos: o cara realmente foi aparecer quase 60 minutos após todos os candidatos terem chegado. Durante esse tempo, a secretária do cara puxou conversa mole com a gente. A Mulher dos Dentes Podres já tinha trabalhado numa outra padaria/lanchonete da mesma rede, e a secretária fez uma anotação enquanto balançava a cabeça de forma aprovativa. Isso poderia ter garantido a vaga da mulé, se não fosse a sua obsessão por contar com detalhes sórdidos os motivos pelos quais ela foi banida de três McDonald’s da cidade. Apenas Jesus Cristo sabe o que leva um candidato a se auto-difamar durante uma entrevista, mas foi o que aconteceu. O pior, a mulher parecia estar orgulhosa de si mesmo.
A mulher mais velha, calada e constantemente olhando pro relógio, decidiu que não precisava do emprego tanto assim e se mandou antes do chefe aparecer. A Garota Grávida e seu namorado cochichavam baixinho enquanto encaravam os outros candidatos. Não faço a menor idéia do que eles estavam falando. O Moleque Skinhead fazia pouco além de morder as próprias unhas e descaradamente encarar os peitos volumosos da futura mãe.
Mas então o chefe chegou e começou a fazer um monte de perguntas. A entrevista acabou em menos de dez minutos. O cara pegou nossos telefones e combinou-se que ele ligaria pra gente dentro de um mês, pra começarmos o treinamento e tal.
Vamos ver se eles ligam mesmo.
Escrito por Kid on Dec 9, 2005
Agora que já terminamos a saga mórmon, voltemos ao assunto oficial deste site - contar a minha desinteressante vida por meio de técnicas literárias que a façam parecer mais divertida do que a de vocês.
Firmemente decidido a adquirir o novo Xbox 360 - ainda que a primeira leva do videogame esteja seguindo bem o padrão de qualidade Microsoft -, catei um jornaleco qualquer, circulei anúncios de trabalho com uma caneta hidrocor vermelha e saí ligando por aí.
Marquei uma entrevista de trabalho com a turma da CountryStyle, uma rede de padarias daqui da Canadalândia. Abriram uma franquia no novo rinque de patinação no extremo norte da cidade, e tão contratando funcionários aos quilos la. Decidi que devia tentar lá.
Graças à inclinação do eixo de nosso querido planeta, estava fazendo uns cinco graus negativos do lado de fora. Neve caía copiosamente, acumulando-se nas calçadas, ruas e em cima do meu fone de ouvido. Depois de uma divertida espera de quase meia hora num frio de rachar os testículos, o malditíssimo Ritson #7 despontava na esquina. Catei as moedinhas no bolso e me joguei pra dentro do ônibus.
Tomei um lugar perto da janela (onde ficam os aquecedores) e, após me aconchegar que nem virgem em braço de puta, saquei o palm pra assistir South Park. Oh, palm, há alguma coisa que você não faça?
E então eu a vi.
Algumas cadeiras à frente, um casal discutia baixinho. O comportamento da mulé não dava muitas dicas sobre o motivo da confusão, mas a indiferença estampada no rosto do seu marido e/ou namorado deixava claro: era uma briga sobre motivo nenhum, hobby de 9 entre 10 mulheres. O cara parecia estar acostumado, e a forma como ele ignorava os chiliques silenciosos da mulé era admirável.
No chão ao seu lado, havia um carrinho de bebê. O carrinho portava a mais feia criança que eu já tive o desprazer de ver na minha existência. Não esqueçam jamais que este que vos fala trabalhou por um tempo considerável com crianças, cada uma mais asquerosa que a última, então meu testemunho deve valer alguma coisa. Olhei em volta pra descobrir se os outros passageiros também estavam ofendidos com aquela imagem, mas acho que todos já tinham decidido há muito tempo que não aguentariam mais aquilo e por isso o ônibus estava quase vazio.
O cabelo da menina parecia que tinha sido cortado por uma pessoa que viveu três quartos de sua vida dentro de uma caverna no Azerbaijão, fora do contato com humanos e portanto nunca teve uma noção de como as pessoas comuns costumam cortar seu cabelo. Sem brincadeira, o cabelo dela era o típico corte “perdi-uma-aposta-e-não-perdoaram”: um lado era do comprimento do meu, e o outro mal passava da orelha. Segurei minha revolta contra aquela criança e sua presença num local público como o ônibus, e em pouco tempo cheguei no Walmart.
O endereço que o cara me deu parecia não tão longe ao norte do Walmart. O problema é que não havia luzes naquela direção, é literalmente o fim da cidade. A neve continuava a castigar Ontário, e caminhar com destino indefinido embaixo de nevasca é impraticável. Chequei o relógio - eu tinha vinte minutos pra chegar no lugar marcado pra entrevista, e eu sequer sabia quão longe do local eu estava. Cacei uma moedinha na carteira, corri pra dentro do Walmart e decidi ligar pra um táxi.
O problema é que uma mulé gordíssima e seus cinco sacos de compras estavam ocupando a única cabine telefônica das redondezas. Ao me ver chegar perto da cabine esbaforido, a infeliz puxou pra dentro alguns de seus sacos que estavam parcialmente fora da cabine e em seguida fechou a portinha, sem jamais tirar os olhos de mim. Devia achar que eu estava afim de roubar seus assentos de privada recém comprados.
A mulher não desistia de bater papo no telefone, e o tempo passava rápido. Mandei-a às favas e decidi correr em direção ao desconhecido. Fiz um cálculo mental rápido: O endereço do lugar era 1661 Harmony and Winchester. O Walmart, por sua vez, ficava em 1500 Harmony and Winchester. Assim sendo, a distância não poderia ser mais que um quilômetro. Ainda assim, no meu íntimo a idéia de correr por um quilômetro embaixo de neve - lembrem-se, eu tinha vinte minutos pra chegar na entrevista - era tão ou mais assustadora que os filmes que passavam tarde da noite na Band quando eu era criança, mas minha mãe não deixava eu assistir porque “filme de terror não é coisa de crente”.
To be continued.
(Porque eu sei que neguim odeia post enorme. Ou não?)
Escrito por Kid on Dec 7, 2005
E o momento que todo mundo esperava finalmente chegou: a conclusão do dossiê a respeito do mormonismo. Flora deve ter mijado as calcinhas com tanto suspense e antecipação. Calcinhas de OLRO.
De antemão, aviso que a preguiça estava me matando impiedosamente e só decidi postar por incentivo da Vanessa. Agradeçam ou xinguem-na, a culpa é dela. Assim sendo, interrompo meu copo de bananada com chocolate apenas para concluir essa série de posts. Em seguida, quem sabe, uma resenha pra empatar tudo.
Vamos a uma breve análise dos fatos que já aprendemos até agora. Joseph Smith afirma ter recebido uma visita do anjo Moroni. QUATRO anos depois, ou seja, tempo MAIS DO QUE SUFICIENTE para que o sujeito tivesse escrito um livro, Smith finalmente recebe as já famosas placas de OLRO. Nada é mais importante do que frisar que Smith jamais permitiu que pessoa alguma visse as tais placas.
Seus vizinhos capturam a caixa onde Smith guardava as plaquinhas e verificam que elas estavam vazias, mas MUITÍSSIMO SAFADAMENTE o profeta explica que já sabia que os caras furtariam seus pertences e portanto escondeu o livro de olro em outro local.
Apesar de estar fazendo um serviço supostamente divino, Smith sai por aí em busca de ajuda financeira. Ele acaba batendo à porta de Martin Harris, um rico fazendeiro local que aceita arcar a empreitada do jovem Smith. Harris pede pra ver as placas, Smith dá a mesma desculpa furada de sempre - afinal, POR QUE NÃO DEIXAR NINGUÉM VER AS PLACAS? - e Harris, que é um cara de muito senso crítico, aceita custear a tradução de um livro celestial que ninguém jamais viu.
O livro nasce, Smith convence centenas de otários e vira o líder da religião, arruma confusão em vários lugares por causa da nova fé, e sua vida acaba tragicamente quando ele é preso e em seguida assassinado por uma multidão armada.
Isso é um resuminho dos capítulos anteriores. Além do que já é óbvio, o que há de errado com a história do Livro de Mórmon?
• O primeiro detalhe óbvio para alguém que já tenha lido o livro - e não seja mórmon - é que ele não passa de um plágio mal feito de outro livro já disponível na época: a Bíblia Sagrada Apostólica Romana de Roma na Itália!
Este link mostra todas as passagens do Livro de Mórmon que são simplesmente idênticas a versículos bíblicos. Não estamos falando de apenas uma frase copiada - em alguns instantes, o parágrafo inteiro é idêntico. E não é apenas uma ou duas ou trinta vezes que isso acontece, não. No Livro de Mórmon há mais de QUATROCENTAS frases copiadas diretamente da bíblia.
É praticamente um edu, mas Smith a essa altura já tinha comido alguém.
Não sei você, mas se alguém publica um livro com TANTAS similaridades com algum outro, eu não automaticamente assumiria que esse sujeito é o mais honesto da face da terra. Essa é fácil demais, e foi o primeiro deslize de Smith.
• Ainda sobre a originalidade de Smith. Os que crêem em sua história dizem que o livro contém muitos nomes hebraicos que não aparecem na bíblia, portanto, Smith não poderia conhece-los. O profeta era - eles dizem - um homem de pouca educação, burraldaço. Não poderia ter simplesmente inventado esses nomes.
– Um breve comentário:
Uma característica irritante dos mórmons (além de andar ao sol do meio dia de gravata com uma bolsinha a tira-colo distribuindo livretos e evangelizando qualquer ser humano que apareça em seu campo visual) é esse dualismo quando descrevendo a pessoa de Joseph Smith. Assim como um católico venera Maria ou um punheteiro adora Sylvia Saint, um mórmon ama Joseph Smith. Não faltarão adjetivos honoráveis quando se descreve o profeta - era um homem justo, honesto, incapaz de fazer o mal a alguém. Claro que ele não poderia ter inventado essa história!
Entretanto, quando é a autenticidade do livro que está em jogo, o Smith-Papa dá lugar ao Smith-Burro, semi-analfabeto e sem cultura, digno de pena e escárnio, que jamais poderia ter inventado tudo aquilo sozinho. –
Voltando ao lance dos nomes, achei esse textinho que coloca tudo em seu lugar:
“Muitas das “novas” palavras de Smith parecem ser nada mais do que combinações de palavras existentes. Por exemplo, Moisés + Isaías = Mosías. Abinoam + Gadi = Abinadi. Mesmo que Smith não tenha tirado o nome de Neftaí do apócrifa (2 Macabeus 1:36) ele poderia facilmente ter inventado a palavra combinando Nehemiah tanto com Zefi (1 Crônicas 1:36), Sefi (1 Crônicas 1:40), ou mesmo Sifi (1 Crônicas 4:37). Combinando “celestial” com “terrestrial” nós temos a palavra terrestial, e Helamã pode ser criado combinando Helã (2 Samuel 10:16) com palavras como Naamã (Gênesis 47:21) ou mesmo Hamã (Ester 3:5). Se Smith não tirou a palavra Moroni de uma cidade na ilha de Comoros (Cumorah?), ele deve ter combinado a palavra Mordecai (Esdras 2:2; Ester 2:5) com nomes como Gideôni (Números 1:11), Armoni (2 Samuel 21:8), ou talvez o título dado em João 20:16, Raboni.”
Ou seja, Smith podia ser burro e santo ao mesmo tempo, mas original ele certamente não era.
• Se original ele não era, ao menos conhecedor de História…
…é que ele não era mesmo. Os contos do Livro de Mórmon, que se passam na América de 600 a.C., citam alguns itens que simplesmente não poderiam existir naquele lugar, naquela época. Essas imperfeições no livro sagrado são como uma grande espinha purulenta bem no meio da testa - um detalhe vergonhoso que você gostaria de poder esconder, mas não tem jeito.
O primeiro e mais conhecido deste detalhes é a citação de cavalos na América. O Livro diz que os hebreus - que viajaram do Oriente Médio até a terra do Tio Sam dois mil anos antes da expansão marítima européia que originou a tecnologia necessária pra isso - encontraram vacas e cavalos ao desembarcar na costa americana.
Ora, qualquer um que já tenha jogado Age of Empires 2™ sabe que isso é uma mentira safadíssima. Os europeus que trouxeram os cavalos pra América, e mesmo assim apenas após pagar 200 Food pra evoluir pra Era do Bronze e então construir Estábulos. Ou 400 Wood e evoluir pra Era Imperial, faz muito tempo que não jogo Age of Empires 2™.
A questão é simples: não havia cavalos no Novo Mundo em 600 a.C. Nem vacas nem cabras também. Seja lá quem escreveu o Livro de Mórmon, ele não estava na América naquela época.
(O livro também cita aço embora esse não tivesse sido inventado ainda)
• O Livro de Mórmon fala de espadas, escudos, armaduras, cidades, moedas, templos e outros registros além das famigeradas placas de olro. Após aproximadamente dois séculos, nada disso foi encontrado. Absolutamente nada. Não há uma evidência arqueológica sequer dos fatos relatados no Livro de Mórmon. Nem a bíblia cristã é tão fantasiosa; ao menos há provas sobre alguns eventos que ela relata. O Livro de Mórmon também fala de uma espetacular batalha onde morrem DOIS MILHÕES DE SOLDADOS, o que faria daquele lugar o maior sítio arqueológico do mundo. Imagine aí dois milhões de esqueletos, com dois milhões de armas e armaduras.
Não preciso dizer que isso também jamais foi encontrado. Ao inventar essas lorotas, Smith não contava com o avanço da arqueologia. Felizmente, a fé cega ainda estava do seu lado.
• Lembram quando eu falei pra se lembrar do suposto peso do livro (aproximadamente 30 quilos)? Adivinha só: a pessoa que disse isso jamais pôde ter segurado um livro de olro, porque ele não pesaria apenas isso. Segundo a sagrada ciência de materiais, um livro de olro com as dimensões descritas por Smith (6 x 8 x 7 polegadas) pesaria 74 quilos.
• O CASO KINDERHOOK. Se as incoerências do Livro são uma espinha purulenta na testa dos mórmons, o caso Kinderhook é aquela espinha quando ela estoura e lança pus em todas as direções, inflamando logo em seguida e instalando uma cratera permanente no meio da sua cara.
A história resumida é a seguinte: Um rapazinho das localidades encontrou por aí seis misteriosas placas metálicas contendo uma estranha escrita. O cara divulgou o fato e entregou as placas pra Smith, já que ele tinha adquirido a fama de tradutor místico.
O achado das placas fez a comunidade mórmon festejar, afinal, finalmente havia uma prova de que povos antigos da América escreviam registros em placas de metal. Falava-se até que as placas poderiam ser um apêndice ao Livro de Mórmon. E por que não? Smith recebeu as placas e começou a traduzi-las.
E aí a merda bateu no ventilador. Algus anos depois, o cara que achou as placas finalmente admitiu que tudo havia sido um embuste pra pegar Smith na mentira. E funcionou perfeitamente. A comunidade mórmon se sentiu como se tivesse soltado um peido na frente de todo mundo. A humilhação foi certeira.
Mórmons atuais vão tentar convencer você de que Smith nunca sequer aceitou a legitimidade das placas, mas não é o que os registros antigas da igreja dizem:
“Monday, May, 1. — …I insert facsimiles of the six brass plates found near Kinderhook, in Pike county, Illinois, on April 23, by Mr. Robert Wiley and others, while excavating a large mound. They found a skeleton about six feet from the surface of the earth, which must have stood nine feet high. The plates were found on the breast of the skeleton and were covered on both sides with ancient characters.
“I have translated a portion of them, and find they contain the history of the person with whom they were found. He was a descendant of Ham, through the loins of Pharaoh, king of Egypt, and that he received his kingdom from the Ruler of heaven and earth.” (History of the Church, Vol. 5, p. 372)
As citações acima são de Smith, e estão gravadas pra posteridade em History of the Church, um livro MÓRMON. Os caras obviamente caíram na lorota do moleque lá, e jamais poderão negar.
E olha o safado aí inventando uma tradução! Infelizmente, Smith foi assassinado ANTES de completar a tradução. Os mórmons tiveram sorte. Se essa tradução tivesse sido publicada, não haveria jamais como negar a safadeza do profeta.
Ou talvez não. Mórmons negam a verdade até mesmo quando esfregamos na cara deles como se fosse uma torta de limão.
E aí, Flora?
E os cavalos?!
Escrito por Kid on Dec 6, 2005
Ô, vagabundo.
Já se cadastrou no Fórum HBD?
Tá todo mundo te esperando, rapaz!
[ Update ] Atendendo a pedidos, o fórum agora tem uma área exclusiva pra putaria!
Vamos ver se essa porra não lota agora. Bando de punheteiros sem vergonha.
Escrito por Kid on Dec 5, 2005
[ Update ] A putaria no FHBD tava muito grande, e finalmente resolvi limpar a casa. Fiz uma faxina geral; o fórum foi completamente reformulado (com direito a regrinhas novas e tudo mais). Dessa vez o negócio vai pra frente.
Se eu não tiver fodido o database, todas as contas continuam lá. Basta logar e voltar a postar.
Ah, nada como passar o fim de semana descansando sem sequer pensar em atualizar o blog. Mãos à obra agora.
Antes de continuar a historinha, preciso ressaltar que achei muito boas algumas contribuições de leitores como o misterioso Sts, que parece ter feito uma pesquisa ainda mais extensa que a minha, ou do Messiah, que me mandou um link com umas informações adicionais muito úteis. Valeu pela força.
É curioso perceber também que os leitores mórmons estão diminuindo cada vez mais sua participação; prevejo que em breve eles responderão as acusações de pilantragem de Joseph Smith com meros smileys.
Sem mais delongas, vamos continuar a historinha. Por erros de cálculos, talvez a segunda parte não seja tão longa quanto a primeira. É difícil escrever uma história em várias partes de tamanho igual. Nisso eu dou um ponto pro Smith - ele é melhor narrando historinhas do que eu.
No último capítulo…
Chegou a hora de finalmente traduzir as placas. Sim, porque ele não poderia dizer que o negócio já estava em inglês - seria absurdo demais até mesmo pros padrões dele. As placas estariam então em uma língua morta, e para traduzi-las o anjo presenteou-lhe com duas pedras mágicas, chamadas de Urim e Tumim (algumas versões dizem que eram pedras, outras que era algum tipo de artefato não bem definido). Ao colocar as pedras/artefato perto das placas, ele podia ler o texto normalmente.
Acontece que POR ALGUM MOTIVO, Smith decidiu que precisava de ajuda pra traduzir as placas de OLRO. Aparentemente o dom espiritual dado por Deus e o tal Urim e Tumim não era o bastante - o profeta precisava de GRANA pra trabalhar.
Sim, grana. Desde antes do fundamento da igreja Mórmon, Joseph Smith já foi metendo a mão no bolso de seus seguidores. Esse padrão se repetiria até sua morte. Vocês aí acham que o cara foi assassinado por uma multidão ensandecida por absolutamente nada, né.
Então, o jovem profeta passou a procurar um otário, digo, um contribuidor contribuinte (valeu, Pedro) generoso disposto a pagar o sujeito pra fazer um trabalho que supostamente o próprio Deus o mandou fazer. Did I hear someone say “estelionato“?
E Smith não demorou muito a achar a vítima. Em 1831, o profetinha tornou-se “sócio” de Martin Harris, um próspero fazendeiro da região. O sentido da palavra “sócio” aqui foi um pouquinho distorcido. Uma sociedade geralmente implica algum tipo de lucro ou ganho pessoal para ambas partes da união, enquanto a sociedade oferecidade por Smith foi algo mais ou menos como “Seguinte, eu vou traduzir essas placas através do poder de Deus, o que é uma tarefa com a que o próprio me responsabilizou, enquanto você ‘financia’ a tradução. Beleza? Fechou.”
E já que mencionamos a tradução, seria interessante explicar um detalhe pra cambada: segundo Smith e trechos no próprio Livro de Mórmon, a língua nas placas de OLRO era “egípcio reformado”. Isso é um pouquinho estranho se você considerar que os “reais autores” do livro são supostamente hebreus e não egípcios, mas vamos deixar essa passar. O que é realmente estranho é que “egípcio reformado” é uma língua tão real quanto élfico.
É isso mesmo. “Egípcio reformado” não existe. Por que será que Smith ia escrever uma suposta tradução espiritual baseado numa língua inexistente? Seria, talvez, para que nenhum especialista em línguas pudesse confrontar sua tradução? Oh, não. Claro que não.
Detalhes, detalhes.
Martin Harris passou então a financiar o jovem Smith e ajuda-lo nas “traduções”. Se você imagina que Smith deixaria ao menos o próprio patrocinador dessa putaria toda ver as placas…
…você está enganadíssimo. Harris NUNCA viu as placas, salvo através de uma “visão espiritual”.
Vou repetir pra vocês que não entenderam: Apesar de todos os Livros de Mórmon do mundo portarem o seu testemunho, Martin Harris jamais viu as placas. Além de nunca ter tocado as placas diretamente (apenas por baixo de panos e tal), ele um dia sonhou a respeito delas, e pra ele isso significava que elas eram reais.
Vai entender o tipo de raciocínio que esse pessoal do século XIX empregava.
“Ah, mas as outras testemunhas viram as placas e tudo, né?”
Não. As três testemunhas originais (Oliver Cowdery, David Whitmer, e Martin Harris) tiveram uma visão das placas enquanto orando numa floresta, e o mesmo aconteceu com as outras oito testemunhas - convenientemente, todos membros das famílias Smith e Harris.
Vou usar letras maiúsculas, negrito e uma fonte vermelha pra ver se eu posso deixar isso bem claro pra qualquer um que esteja lendo este site:
NINGUÉM ALÉM DE JOSEPH SMITH JAMAIS VIU AS PLACAS DE OLRO. Ninguém. Absolutamente ninguém. Os testemunhos a que os mórmons dão tanto valor não passaram de “visões espirituais”, sonhos e qualquer outra coisa atribuída ao poder de Deus. Isso é claro nos testemunhos:
“And we also testify that we have seeen [sic] the engravings which are upon the plates; and they have been shewn [sic] unto us by the power of God, and not of man“
O texto acima é um fragmento do testemunho original publicado em 1830.
Essas são as partes mais importantes da história do mormonismo. Há muitas partes que eu tou pulando: as subsequentes confusões com as comunidades locais - que obrigaram a comunidade mórmon a se realocar em diferentes Estados -, as repetidas prisões de Joseph Smith, os conflitos da igreja com a lei local, a candidatura de Smith à presidência (sim, o cara queria se candidatar a presidente), enfim, um monte de coisa. Nada disso é essencial pro texto, se eu fosse contar a história toda ia ficar mais chato do que já está.
Esse é o fim da segunda parte. Na terceira e última, eu vou explicar exatamente porque (se é que ainda precisa de motivos) que ninguém com um QI maior do que o de panela de pressão deveria acreditar que a história contada por Smith é verdadeira.
E depois uma resenhazinha pra alegrar o povo.
Escrito por Kid on Dec 4, 2005
No primeiro dia, tive 128 cliques no novo banner de esmolinhas.
No segundo, 64.
No terceiro, 43.
No quarto, 20.
Hoje, (até agora, pelo menos), cinco.
Detesto ter que ficar relembrando o pessoal, mas se não ficar puxando a orelha a galera não se conscientiza :(

Escrito por Kid on Dec 2, 2005
Esse papo tava já enjoado, mas o povo pediu repetidamente e eu não posso dizer “não”. Além do mais, acho que esse texto será bastante útil, tanto pros mórmons quanto pras pessoas normais que não acreditam em contos de fadas.
Vou separar o post em três trechos: as duas primeiras partes explicando a história do mormonismo e do Joseph Smith (pescado diretamente de qualquer biografia do sujeito, disponível publicamente e sujeita à verificação de qualquer um), e a última parte mostrando (e provando) que a história é uma das mais fantásticas lorotas já contadas. Tou repartindo esse post tanto assim porque a história é realmente longa, e ninguém vai querer ler um post de cento e cinquenta e dois parágrafos.
Antes de mais nada, digo a todos que tudo escrito neste texto (com exceção óbvia das gracinhas típicas de um post do HBD) é nada além de história confirmada e comprovada. Se você - mórmon ou não - duvida de qualquer detalhe que eu escrevi, pesquise por conta própria. Se eu cometi algum erro factual, aponte-o. Mas erro factual MESMO, e não algo como “ah, as enciclopédias todas dizem isso, mas é uma conspiração contra nós!“
E principalmente, não apenas aceite a minha palavra, ou a de mais ninguém. Não corra pra mostrar esse texto pro seu pastor e perguntar pra ele como exatamente responder as perguntas que eu fiz. Vá atrás dos fatos você mesmo. Dê uma pesquisadinha, não vai doer. Você vai se surpreender, confie em mim.
Se ao menos UMA pessoa perceber a lorota que engoliu todo esse tempo e cair na real, as horas gastas lendo o Livro de Mórmon, enciclopédias e biografias não terão sido em vão. Valerá a pena todas as esmolas que recebi neste blog até hoje.
É sério.
Agora que já dei o disclaimer, está na hora do VAMOS APRENDER MAIS SOBRE O MORMONISMO COM O TIO QUIDE, volume I.
Voltemos rapidamente ao ano 1823, no estado americano de New York. Havia naqueles arredores um garotinho chamado JOSEPH SMITH JÚNIOR, que pra todos os efeitos será referido de agora em diante como “profeta”.

Esse é Joseph Smith. Um cara legal, bacana, gente fina e educado, apesar de ter uma cabeça que lembra um triângulo isósceles de cabeça pra baixo.
Na época de seus 17 anos, o profeta apareceu com a seguinte mirabolante história: ele havia sido contatado por um anjo! Moroni, esse era o nome da criatura celestial. Segundo Smith, Moroni tinha sido um Nefita, ou seja, um membro de uma antiga civilização que existiu na América séculos antes de Cristo. O anjo o explicou que a história completa da nação Nefita havia sido escrita em placas de OLRO, que haviam sido enterradas CONVENIENTEMENTE numa colina não muito longe do lugar onde Smith morava. O anjo explicou que Smith foi escolhido por Deus pra contar a história até então desconhecida dos Nefitas. Este importante relato seria uma espécie de “adição” à bíblia que todos conhecemos. De acordo com o que o anjo contou pra Smith, todas as religiões ao redor do mundo estavam absolutamente erradas e era dever dele trazer o caminho correto pra humanidade, senão iríamos todos arder no quinto dos infernos.
Beleza, então.
O profeta não pôde se conter de animação e contou a história pros seus familiares. A pergunta óbvia de qualquer indivíduo com um mínimo de senso crítico foi exatamente o que a família perguntou: “tá, mas você pode provar isso? Cadê esse tal livro de OLRO?”
Nesse momento, as cortinas abrem, o palco se ilumina. A platéia fica de pé e aplaude. Começa o primeiro ato da mais longa peça da história da humanidade (uma que começou no século XIX e continua até hoje). Joseph Smith inicia sua atuação.
No que se tornaria uma série de desculpas esfarrapadas e explicações contraditórias, o profeta explica que por algum motivo o anjo não o permitiu ficar com as placas. Até hoje não existe uma resposta oficial para esse pequeno probleminha de falta de evidências, e cada mórmon que você perguntar te dará a opinião dele de por que o anjo Moroni não deu as placas àquele que era o único que poderia traduzi-las.
Mas não há problema, porque quatro anos depois, Smith deu à sua família as boas novas! MORONI DEU AS PLACAS PARA QUE ELE AS TRADUZISSE! E se passaram apenas quatro anos, obviamente Smith não poderia ter utilizado todo esse tempo pra, sei lá, inventar uma historinha fictícia qualquer e alegar ser a tradução das supostas placas! Afinal, são apenas quatro anos minha gente! Não dá pra escrever 166 páginas (o primeiro manuscrito “traduzido” tinha 166 páginas) em apenas QUATRO ANOS.
Mas deixemos esse detalhe pra depois. Smith não vai “traduzir” nada ainda, há muita história pra contar até lá.
Joseph Smith, O PROFETA DE DEUS ALELUIA, trouxe o livro de OLRO (que supostamente pesava trinta quilos, lembrem-se deste detalhe) pra casa. Mais do que previsivelmente, a família pediu para ver a maravilhosa mensagem espiritual que se tornaria em breve o “complemento” da Bíblia Sagrada. “Bora, Joseph! Deixa eu ver essas placas, menino!”
Mas Joseph “O Profeta” Smith se recusou a mostrar o livro de OLRO pros seus familiares. Mantendo o artefato seguramente escondido dentro de uma fronha de travesseiro, o profeta alegou que o anjo havia proibido terminantemente que Smith mostrasse as placas pra alguém. Novamente, isso faz bastante sentido, se você considerar que não faz sentido nenhum. Mas vamos deixar as explicações pra segunda parte do texto.
Smith consolou seus familiares explicando que eles poderiam tocar no livro POR CIMA DA FRONHA, sem tocar diretamente nas placas. Claro que ele não poderia ter posto, sei lá, uns tijolos lá embaixo. Ele era um profeta! Profetas não mexem com tijolos, apenas pedreiros fazem isso. E assim ficou. Joseph “Joseph” Smith, agora de posse do livro de OLRO, poderia começar a tradução do que foi citado por ele mesmo como o “mais correto livro já escrito na história da humanidade“. Lembre-se deste detalhe, ele será útil lá na frente.
Acontece que todo mundo sabe que você não pode ter um livro de ouro puro dentro de casa sem chamar atenção dos outros. Apesar de não morar no Brasil, o jovem Smith “Profeta” Joseph começou a ser perseguido pela vizinhança criminosa. Aqueles desgraçados queriam seu livro de OLRO! RauL, me diz como pode um absurdo desses!
Joseph “Joseph Smith o Profeta” Smith foi espertaço e escondeu as placas numa caixa. Um dia ele saiu de casa pra passear por aí, e deixou a caixa em casa. Seus vizinhos foram rápidos, sequestraram a tal caixa e arrebentaram-na pra subtrair as placas. Mas, SURPRESA!
A caixa estava VAZIA, meus amigos. Completamente VAZIA. O livro que Smith alegava ter guardado lá simplesmente não estava lá. Não havia placas coisa nenhuma.
Isso seria uma prova óbvia de que a história toda era um embuste, não acham?
PORRA NENHUMA. Smith, o espertalhaço o PROFETA DE DEUS, alegou que teve uma premonição de que seus vizinhos eram um bando de filhos da puta, e que eles iriam tentar roubar as placas. Assim, ele as colocou em outro lugar antes do negócio todo acontecer! Mas que alegria!
É inacreditável, mas até mesmo essa lorota pegou. Se bem que os caras já tinham aceito acreditar num livro de OLRO que ninguém podia ver, acho que daí em diante o resto fica fácil de engolir.
E a fama de Smith como um enviado de Deus, detentor até mesmo de poderes premonitórios, se espalhou mais ainda. O cara era quase um X-Man praquele pessoal.
Chegou a hora de finalmente traduzir as placas. Sim, porque ele não poderia dizer que o negócio já estava em inglês - seria absurdo demais até mesmo pros padrões dele. As placas estariam então em uma língua morta, e para traduzi-las o anjo presenteou-lhe com duas pedras mágicas, chamadas de Urim e Tumim (algumas versões dizem que eram pedras, outras que era algum tipo de artefato não bem definido). Ao colocar as pedras/artefato perto das placas, ele podia ler o texto normalmente.
Ok até aí.
(Continua no Volume 2)
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