Escrito por Kid on Feb 28, 2006

A internet revolucionou a forma como as pessoas fazem muitas coisas. Graças à grande e maravilhosa rede de computadores, há novas formas de conhecer pessoas, roubar pessoas, ouvir música, roubar música, assistir filmes, roubar filmes… a lista estende-se ao infinito, embora seus itens sejam relativamente previsíveis e envolvam algum tipo de atividade criminal perpetrada por garotos de 15 anos. Entre tantas notáveis revoluções, há uma que é muito provavelmente a mais aclamada: a democratização da punheta.

Todos nós passamos pela mesma situação, com algumas pequenas variações. Lá por volta dos dez anos, você já começava a participar das rodinhas de conversa de sacanagem com os amigos, a despeito do fato de que o mais perto que você esteve de uma mulher foi quando a garçonete do McDonalds trouxe seu bolo de aniversário há dez anos atrás, quando seus pais tinham dinheiro pra arcar com uma festinha no restaurante. Não se culpe; a maioria dos seus amiguinhos não tinha histórias mais emocionantes pra contar. Porém, um deles tinha um trunfo: um dos moleques era o feliz proprietário de uma revista de sacanagem! Quase sempre, a revista era praticamente paleozóica, anterior à invenção das tesouras (o que explicaria as mulheres com mais cabelo lá embaixo do que em cima), porém posterior à popularização de mullets. As fotos beiravam o mau gosto pleno, as modelos eram tão atraentes quanto um cadáver dentro de um saco de lixo, e a revista não raro trazia inexplicáveis manchas em suas páginas - que geralmente exigiam algum esforço para se separarem.


Era degradante, mas era tudo o que tínhamos e além do mais aos 12 anos ninguém liga pra coisas como respeito próprio. Assim sendo, a molecada se aglomerava ao redor do possuidor da revista que, sendo o “dono da bola”, não deixava ninguém tira-la de suas mãos. Não somente isso, o miserável também controlava a virada de páginas com punho de ferro. Não adianta choramingar, ele só passaria a folha quando tivesse vontade de tal e pronto. Sendo o menor da turma, eu nunca conseguia um lugar privilegiado para observar a putaria; os moleques maiores tinham mais sorte (e porte) pra garantir um local melhor que o meu. Por baixo do suvaco de alguém, tudo que eu conseguia ver era uma perna no ar. E, devido a falta de critério dos produtores da revista na hora de escolher as modelos, não dava nem pra ter certeza se era uma perna masculina ou feminina. No outro dia, eu conseguia ver um braço - embora dessa vez eu tivesse certeza de que seu dono era um homem.

Pedir a revista emprestada ao João Batista (ele era o filho do pastor da minha igreja, veja você) não era uma opção. Dizia-se que a revista era um item de valor inestimável, presente na família do dono há gerações. Ele roubou de seu pai, que achou-a embaixo da cama do avô, que trouxe escondido nas caravelas ou algo assim. Àquele passo, imaginava eu, só vou ver uma mulher completa quando tiver uns 37 anos.

Mas chegou a fabulosa internet! O reinado do Dono da Revista chegava ao fim. Ninguém mais precisava participar daquela rodinha suspeita atrás da igreja (atrás da igreja!) pra ver partes de modelos cabeludas. Ninguém mais seria punido por ser ansioso demais para esperar a virada da página. Ninguém mais se sujeitaria às vontade do Dono da Revista. Foda-se a revista! Tinhamos a nossa disposição agora todas as mulheres do mundo!

Bem, teoricamente. Em primeiro lugar, porque dial up limitava muito o que podíamos fazer na internet, e baixar pornografia não era diferente. Aliás, era de fato diferente, porque um vídeo de putaria era consideravelmente mais pesado do que as outras coisas que normalmente baixávamos, digamos, um site l33t haxor hospedado no Geocities, mesmo com todos os GIFs de caveiras e tal. Além disso, muitos de nós (eu me incluo no grupo) morria de medo de procurar putaria na internet, porque o computador era compartilhado pela família inteira. Na minha cabeça, procurar putaria na internet faria o próprio PC me denunciar na próxima vez que meu pai fosse usá-lo. Eu preferia não me arriscar, então restringia minhas buscas aos momentos em que eu estava usando o computador na casa de algum amiguinho. Se alguém vai se foder por causa de pornozeira, que não seja o filhinho de pastor aqui.

E assim foi. Um belo dia, eu estava na casa do Tiago com outros coleguinhas, e o moleque disse que tinha algo legal pra mostrar pra gente, mas apenas quando a mãe dele saísse de casa. Já imaginávamos o que seria, então esperamos ansiosos até que a velha finalmente saiu pra jogar bingo ou ser atropelada (coisa que ela realmente foi naquele dia) ou algo assim.

Pra jogar bingo ou pra ser atropelada ou pra ambos, o fato é que a véia deixou o recinto. Corre a molecada pra frente do computador. Tiago executa o vídeo, propriamente entitulado FOda001.alguma_extensão_que_esqueci”, diante dos olhos curiosos da gurizada. Imagino a paciência do moleque de baixar um vídeo de dois minutos naqueles tempos em que um modem de 56k eram o equivalente do iPod atualmente - a grande novidade tecnológica em que todos queriam pôr as mãos, mas seus salários não permitiam.

O vídeo não trazia nada de espetacular. Uma mulézinha da vida - já pelada e numa posição estratégica - esperava pelo “ator”, que não podia ser visto na tela. Em segundos o cara aparecia, botava uma camisinha e fazia o serviço, enquanto a mulé fingia não-convincentemente que gemia. Nada de oral, nada de anal, nada de esguichada de esperma na cara de alguém, nada de gente cagando na boca de outros, nada muito cheio de firulas: foi pura e simples penetração, em todo seu esplendor de quase um minuto e meio.

No entanto, aquilo foi suficiente para chocar-nos de uma forma que nem os clipes musicais do Fofão nos chocaram. Ninguém ali - além do Tiago, que assistiu o vídeo trinta vezes antes de nossa chegada - jamais havia presenciado o ato sexual em si. Pra ser sincero, nós simplesmente não sabíamos como era o negócio! A cena parecia fora desse mundo; assisti o curto filme com uma estupefação que podia ser equivalente apenas a quando o lutador controlado pelo computador em Mortal Kombat me dava uma surra de Perfect, ou quando meus pais diziam que não me levariam mais ao McDonalds por causa de algo que eu jurava não ter feito. Minha mente se tornou um vídeocassete imaginário, que reproduzia cenas do vídeo pornô cada vez que eu fechava os olhos.

O tempo passou, melhores conexões chegaram, e a inocência daquele primeiro vídeo ficou pra trás. Em comparação com as putarias que eu já vi nesse meu computador, aquele filme que assisti na casa do Tiago poderia ser confundido com um episódio dos Ursinhos Carinhosos. Já vi praticamente todo tipo de baixaria a que um ser humano pode se sujeitar; já passaram pelo meu winamp cenas que deixariam torturadores da Inquisição compadecidos. Já vi gente cagando/mijando na cara de outras pessoas, gente sendo estuprada por mais de cinco indivíduos, pessoas enfiando uma miríade de objetos em outras pessoas, cada um desses objetos menos apropriado para tal fim que o outro, gente fazendo sexo com peixes (?)… há algum tempo eu imaginava que nada mais podia me chocar, que eu já tinha visto tudo que podia ser enfiado dentro de uma pessoa.

Até que achei esse link, que não apenas encheu meu PC de spywares, mas destruiu o que restava da minha pouca fé no futuro da humanidade. No site, apropriadamente chamado “Got Fooled“, mulheres são ludibriadas a fazer sexo por dinheiro FALSO! A galera da putaria não sabia como empurrar o nível mais pra baixo, e decidiu então que pagar as vagabas pelas sacanagens era muito convencional. O site não deixa dúvidas sobre a intenção dos criadores, que é avacalhar com a imagem das coitadas.

Claro que a proposta do site é falsa. Ninguém em sã consciência divulgaria falsificação de dinheiro assim, pra todo mundo ver, ainda por cima nos States. Mas o que marca é a idéia - os caras criam uma ilusão apenas para tornar a situação das mulheres mais humilhante do que já é.

Sinceramente?

Tenho medo do que meus filhos vão ver na internet.


Escrito por Kid on Feb 27, 2006

Façam-me um favor?

Da próxima vez que eu postar uma imagem, lembrem-me de enfiar uma watermark bem grande com a URL do HBD nela. De preferência piscante, em fonte número 58, com stroke vermelho e sombra em 4 pontos.

Não que eu aprove esse tipo de desespero a la KibeLoco, mas ao menos evita que neguim faça esse tipo de coisa.

Terceira vez que um post do HBD vai parar lá no TibiaBr sem créditos. Deve ser algum tipo de recorde.


Escrito por Kid on Feb 27, 2006

Revirando a pasta de arquivos recebidos através do MSN, achei essas coisinhas:

O primeiro é uma cartinha que uma leitora escreveu há anos. Ela acabou nunca enviando, e então decidiu que seria mais rápido tirar uma foto da carta e me mandar a imagem. Brigado, Gi.

O segundo é uma caricatura, e o terceiro é um desenho maluco com a frase “Hoje é um Bom Dia” enfiada no meio. Obra surrealista. Queria muito lembrar quem me mandou esses desenhos, mas minha célebre memória ruim me impede, por mais que eu tente. Obrigado mesmo assim.


Escrito por Kid on Feb 23, 2006

Eventos, eventos!

Uns crentes me entregaram um panfleto interessante semana passada.

Frente do panfleto

Interior do panfleto

Não escaneei o verso por preguiça e porque não havia nada relevante lá.

Como você pode ver, amanhã e no sábado estará rolando um encontro de céticos numa escola em Whitby, uma cidade vizinha pra onde eu poderia ir de bicicleta se não estivesse fazendo cinco graus negativos. Fiquei com o pé meio atrás quando percebi que a tal conferência está sendo organizada por cristãos, mas no panfleto eles deixaram claro que não vai haver cantoria, nem pedidos de ofertas nem pressão religiosa pra aceitar a Jesus no seu coração senão Deus o mandará diretinho pro quinto dos infernos onde você será espetado por tridentes pelo resto da sua existência. Basicamente, eles passarão o tempo todo tentando convencer os infiéis a possibilidade de um deus criador, usando argumentos como “veja só, você tem um nariz no meio do rosto. Se não fosse esse nariz, você não poderia usar óculos! Claramente um ser criador planejou isso pensando no seu bem estar!“.

E o melhor é que ainda darão aos espectadores a oportunidade de retrucar, pondo em risco suas teorias pseudo-científicas de “desenho inteligente” e seja lá quais são as outras falcatruas que os cristãos andam pregando hoje em dia pra substituir a fé. Qual o propósito?! Afinal de conta, se você admite que sua religião é completamente baseada e dependente de fé, pra que se dar ao trabalho de fazer de conta que há algum embasamento científico na sua crença? Creia e pronto. Vá ler historinhas bíblicas a respeito de um dia em que o sol parou no céu ou sobre engenharia genética mágica, e deixe coisas sérias pros cientistas de verdade.

De qualquer forma, nem fodendo eu poderia perder um negócio desses. Esqueci de ligar pros caras perguntando se eu poderei filmar â conferência, mas vou supor que câmeras são lugar-comum nesse tipo de evento. Vou levar também o mp3 player do Trunks, que grava áudio, pra gravar qualquer bobagem que eu perguntar e as respostas dos cientistas crentes. Chegando em casa, hospedo essas tralhas todas pra vocês.

O fim de semana promete. Como tenho certeza ABSOLUTA que os manés citarão Michael Behe* como se o cara fosse um papa, vou logo me preparar imprimindo todas as refutações das teorias macarrônicas do cara. Se você tiver links aí à mão, eu agradeço.

Ontem recebi uma ligação do Kauê, um leitor que mora em Toronto (ele é irmão mais velho da Anne, do FHBD). Ele me convidou pro seu casamento, que acontecerá no sábado que vem em Niagara Falls, na fronteira com os EUA. Coisa muito chique, não é pro bico de vocês.

Por algum motivo, ele pediu explicitamente que eu escreva um post sobre o casamento dele, com fotos e tudo mais que um post do HBD tenha direito. Vou supor que ele está me dando sinal verde pra aloprar qualquer coisa que eu veja por lá, então não quero reclamação depois.

Zoeira, Kauê. Te vejo na festa, meu filho!

* Célebre cientista cristão que teve suas teorias rejeitadas pela comunidade científica mundial e por qualquer pessoa que aprendeu Ciências na terceira série. O cara é tão cientista como L. Ron Hubbard**, ou Seu José do Lumiar***.

** Fundador da Cientologia, a religião mais maluca e sem vergonha dos tempos atuais.

*** Pedreiro que ergueu o muro da minha casa no Brasil. Ele adorava sanduíches de ovo.


Escrito por Kid on Feb 23, 2006


Escrito por Kid on Feb 21, 2006

Chega um momento na vida de todo mundo em que você pensa “porra, mas o que diabos estou fazendo com minha vida? Decerto eu poderia estar fazendo algo muito mais interessante que isto aqui!” Esse é o meu momento.

Segurem os fogos de artifício, não estou fechando o blog.

Como é sabido por toda a comunidade de vagabundos que têm este site em seus favoritos, estou atualmente esperando o resultado de um longuíssimo processo de imigração pra Canadalândia, terra dos gringos burros e palm pilots baratos. A falta do cartão de imigrante impede que eu trabalhe (legalmente; às vezes aparecem bicos como o de vender sorvete, ou o de Halloween. Mas a grana é pouca) e que eu vá pra faculdade estudar e contribuir com a sociedade canadense. E não há nada que eu possa fazer a não ser sentar a bunda na cadeira, pegar meu controle USB da gaveta e esperar enquanto jogo Sunset Riders no emulador de SNES.

E essa espera interminável pela maldita carta do consulado dizendo “Parabéns, agora você é um residente permanente do Canadá, vá trabalhar ou estudar ou fazer alguns abortos porque aqui matar bebês é legalizado e totalmente grátis pros nossos habitantes!” torna minha vida muito tediosa. Sem a espera de um contracheque no fim do mês pra torrar numa loja de eletrônica, sem a expectativa de uma prova para a qual você não estudou, a vida simplesmente não tem emoção. Minha existência neste país resume-se a namorar, perder tempo com jogos eletrônicos e sair com os amigos. Parece uma vida de rei, mas após dois anos você começa a sentir falta de algo a mais.

Lendo um tópico antigo num dos meus fóruns favoritos - o negócio é de tão alto nível que você tem que pagar pra participar -, achei uma solução perfeita.

Hitchhiking, ou mochilão em bom português maroto. Pegar algumas roupas, juntar trocados, enfiar tudo numa mochila velha, dar um beijo de despedida/boa-sorte na Gótica, deixar status Away no MSN com alguma auto-mensagem engraçada e sair pelo mundo. Ou pelo Canadá, porque eu não acho que tenho dinheiro o suficiente pra cruzar a fronteira do país.

Ao ler o texto do cara no fórum, relatando as aventuras, desventuras e gente muito maluca que ele conheceu no caminho, me dá ainda mais vontade de empacotar meus pertences e dar o fora desse apartamento. Talvez, quem saiba, pra nunca mais voltar…?

Peguei um mapa do Canadá que tenho aqui e comecei a traçar planos e rotas imaginárias. O sujeito de quem roubei a idéia, um tal de atmosPHEAR, foi muito punk - o maluco pegou um amigo qualquer e combinou que ambos teriam que fazer o seu percurso sem nenhum centavo sequer. Eles queriam saber até onde conseguiriam chegar utilizando-se apenas da boa vontade de incautos que pegam caroneiros em beira de estrada. No meio do caminho, acabaram arrumando bicos (como pintar a casa de uma velha que deu carona pra eles) e começaram a ter fundos pra bancar a aventura. Mas sempre gastando o mínimo de dinheiro possível, dormindo na rua, etc e tal.

Quase me melei todinho pensando na aventura. É de um negócio desses que eu preciso.

E as idéias começaram a fluir. Conforme já expliquei, acesso wireless aqui é bem comum, e é bem provável que eu pudesse acessar a internet na estrada através do palm, relatando os acontecimentos em tempo real. Ou, caso eu esteja ilhado da rede virtual, ainda sobra a opção de escrever as aventuras offlinemente, no palm mesmo, formando o conteúdo do livro que eu pretendo escrever num futuro próximo.

Três coisas me impedem de embarcar nessa loucura:

- O clima. Estamos no finzinho de inverno no Canadá, e a temperatura média é -15 graus. Segundo atmosPHEAR relatou, é comum ter que esperar algumas horas até que alguém decida te dar uma carona, e até lá eu já teria virado picolé sabor cearense. Vou ter que esperar até o meio da primavera, por idos de abril, pra levar essa idéia mais a sério.

- Um parceiro de viagem. Hitchhiking sozinho é sinônimo de “estupro por caminhoneiros no fundo da boléia de uma Scania 98“. Tendo um colega você se torna menos estuprável, ou ao menos não será comido sozinho. Vou tentar convencer esses malucos que participam dos meus círculos sociais.

- A coragem final pra dar o primeiro passo. Na mente o negócio parece genial, mas na beira de uma deserta estrada interprovincial, com sol nas costas e nenhum carro à vista, o negócio muda de figura. Se eu realmente levar essa maluquice adiante, terei que ir muito bem preparado psicologicamente pra não voltar atrás no meio do negócio. Quando eu pôr o pé pra fora de casa, será pra valer. Só volto quando tiver terminado um livro sobre a aventura.

E, como em grandes outras decisões da minha vida, entrego nas mãos dos habitantes da internerdz. O que vocês me dizem, meus caros? Estão afim de chegar no HBD um dia e ler posts como “…e então hoje eu tomei banho num posto de gasolina“, ou “nunca imaginei que comida achada no lixo pudesse ser tão saborosa. Devem ter sido os 3 dias sem comer“?


Escrito por Kid on Feb 20, 2006

Tudo morre. Com exceção de poucas entidades que parecem extender sua existência à eternidade, como emails corrente em prol de uma garota nigeriana com tumor cerebral ou a Dercy Gonçalves, tudo que existe nesse planeta um dia diz “ah, cansei. fodam-se todos vocês.“, sofre uma falência múltipla de órgãos, e bate as botas.

Pessoas morrem quando carros tentam ocupar o mesmo espaço em que elas se encontram. Relacionamentos morrem quando você introduz partes do seu corpo em outros corpos que conhecem sua namorada e contam tudo pra ela (apesar de terem jurado que não fariam isso, malditas). Tamagotchis morrem, embora voltem à vida facilmente por meio de uma espetada de clipe de papel no botão reset. (O que morreu de vez, no entanto, é o motivo que levava alguém a comprar aquelas merdas). Palms morrem também, e como viúvo de um Tungsten E2, eu sei melhor que ninguém. Até videogames morrem - um dos meus PS2s bateu as botas faz pouco tempo, aliás. Felizmente sou um playboy mimado e possuo dois videogames, então o luto pelo console falecido durou pouco tempo. Bastou tirar o GTA de dentro do primeiro, colocar dentro do segundo, e pronto.

A morte envolve a nossa breve existência assim como os Tupperwares de mamãe envolviam bolos de fubá que eu levava pra escola pra comer no recreio (ou na aula de Redação, o que me rendia maravilhosas visitas à coordenação após um dos pedaços de bolo decolar e atingir um amiguinho no meio do olho). Mas apesar de que o toque da morte é algo tão presente ao nosso redor, por algum motivo que nem John Smith poderia decifrar nós sempre pensamos que “nunca vai acontecer com a gente”. Mas acontece.

E sempre acontece em momentos inoportunos, e a nossa reação nessa hora é equivalente a que você teria se eu apertasse a campainha da sua casa e, ao me atender, eu jogasse um balde de ácido clorídrico na sua cara, dissesse que o Dumbledore morre na página 675 e saísse correndo. Você, que ainda não leu o livro porque o Submarino atrasou a entrega, sofreria a dor de mil mortes.

O motivo pelo qual parei de brincar com meu palm pra escrever este texto tão melancólico a respeito da morte é que um habitante da residência Nobre faleceu durante esta madrugada.


Meu companheiro de anos de partidas memoráveis de Counterstrike, Soldat, Age of Empires 2, Worms e basicamente qualquer outro jogo pirateado pela turma do FHBD finalmente cedeu ao desgaste e ao tempo. Desde semana passada notei que meu mouse andava mal das pernas, se é que alguém ainda usa ou reconhece essa expressão. Algumas vezes eu precisava deslizar o mouse de um lado da mesa ao outro pra que o cursor percorresse alguns milímetros na tela do computador. Clicar se tornou uma atividade emocionante, eu nunca sabia se o mouse registraria meus cliques ou não. A situação em breve se tornou insuportável quando, no meio de uma montagem no Photoshop, notei que qualquer pressão inferior a um soco no botão esquerdo do mouse não seria detectado.

O culpado? A Blizzard. Se há um jogo destruidor de mouses no mercado, este jogo é Diablo. Não lembro de ter encontrado na caixa do meu Diablo nenhum aviso do tipo “Atenção, viciados: este jogo provavelmente destruirá seu mouse antes que você alcance lvl 60“.

Agora vou ter que ir até a lojinha genérica de informática perto do banco, aquela cujo dono é um indiano estranhão, e vasculhar a estante de liquidação de equipamentos semi-velhos.

Se a preguiça não fosse tão predominante, levava até a câmera e registraria a aventura.


Escrito por Kid on Feb 19, 2006

Atualizar no fim de semana não é de meu feitio, mas essa eu não podia deixar passar.


Paulo Velho é o único que tá no rastro certo. A malícia de postar aquele texto em forma de imagem não tem nada a ver com plágio, até porque eu já evolui do ponto em que esse tipo de coisa me incomodava. Agora, só mesmo balconistas que não sabem operar uma máquina de débito automático e uma miserável infecção no ouvido que está destruindo minha audição gradativamente me tiram do sério.

Vai aí uma dica: o post-imagem tem a ver com traduções automáticas.

Agora vão brincar de detetives. Quero ver quem descobre a verdade.


Escrito por Kid on Feb 17, 2006

Ah, e uma perguntinha: quem aqui usa PDAs? Quero medir o público, pra saber se vale a pena o esforço de dar continuidade ao HBD Pocket.

Considerem este post o censo de usuários móveis do HBD. Se você usa PDA (ou smartphone), diga nos comentários qual é o seu aparelho, e se costuma acessar via WiFi ou ler páginas salvas no palm/pocket pc.

E aliás, alguém me recomende um bom programa de emails pra Palm. Essa merda do VersaMail não funciona com Hotmail, e ter que entrar em site pra ler emails é um saco.


Escrito por Kid on Feb 17, 2006

(Não me pergunte porque postei o texto em forma de imagem. Você não vai querer saber.)


Escrito por Kid on Feb 16, 2006


Meodeosdocéu, agora posso assistir Malhação.

E o programa da Ana Maria Braga.

E Zorra Total.

E qualquer outra porcaria que passe nesse canal. Me sinto em casa agora.


Escrito por Kid on Feb 15, 2006

Alguém me chamou a atenção para este perfil falso carregando a minha imagem no orkut.

Perfis “fakes”, porque afinal de conta temos que usar expressões inglesas até quando não há necessidade porque isso que é cool, não são nenhuma novidade pra mim. Essa estatégia é o melhor ataque de certas pessoas que, quando completamente acuadas em uma briga internética, espumando pela boca de tanta raiva e sem nenhum tipo de escrúpulos, crêem que reproduzir a imagem de outrem na interweb porém fazendo pequenas atualizações como escrever “dar muito a bunda!” na área de atividades favoritas é a pior injúria a quem alguém pode ser vítima.

Enfim, ofender a masculinidade de alguém na internet através de uma representação fictícia dela é a nova arma de escolha. É mais ou menos como na segunda série, com a exceção de que ao invés de dizerem “você é bichinha, haha!“, alguém arruma fotos suas e cria uma conta num site de relacionamentos.

Por ser alguém que não é exatamente o amor do povão, já fui vítima de uma meia dúzia de perfis paraguaios. O que me intriga, no entanto, é que este perfil aí não tem nada de difamatório. A única edição que o sujeito fez foi mudar a área de relacionamentos, me tornando semi-solteiro. De acordo com o que vi na área de recados dele, o cara tá se usando da minha ilustre igura não exatamente pra me zoar, mas pra puxar assunto com umas meninas suspeitas aí.

A pergunta não cala. Por que diabos…? Nem bonitão eu sou. Alguém diga pro sujeito que me sinto lisonjeado que ele está tentando arrumar mulher virtualmente usando uma máscara de Kid, mas que ele está perdendo o tempo dele.


Escrito por Kid on Feb 13, 2006

Allah te abençoe, amigo. Eu estava realmente precisando de cuecas novas. Não lembro quando foi a última vez que vi uma cueca aqui em casa.

E falando em Allah, devo perguntar: tem algum muçulmano por aí (me contento com um só que seja) que discorda do churrasco de embaixada que andam fazendo pela Europa afora, ou vocês são todos loucos mesmo?

Tanta putaria por causa de um desenho, gente boa? Vocês odeiam caricaturas TANTO assim, ou estavam apenas esperando por um bom pretexto pra extender a jihad?


Escrito por Kid on Feb 12, 2006

A “mídia” (puta que pariu, odeio usar essa palavra) está repleta de gente que é famosa sem fazer absolutamente nada, ou ao menos nada de relevância. Ligue a TV e, aonde quer que você olhe, haverá algumas Brunas Surfistinhas, Narcisas Tamborindiguim ou Adrianes Galisteu propagandeando a própria imagem ao highest bidder. Figuras como as citadas são como um Globo de Ouro, ou aqueles concursos de blogs que quase todo mundo já participou alguma vez - apesar da pompa e aparente auto-importância, quem realmente dá a mínima pra eles? Ninguém.

Apesar da espantosa insignificância dessas pessoas (que se combinadas mal chegariam à importância de uma amídala), até mesmo elas tem algum tipo de realização under their belts. Bruna Surfistinha vendeu a própria bunda incessantemente até achar alguém pra quem ela resolveu dar de graça, do nada tornou-se até escritora e apareceu até no Jô Soares - que, ironicamente, tem a circunferência aproximada de alguém que precisaria pagar a Surfistinha por favores sexuais que não pudesse conseguir de graça. Ainda no ramo literário, temos a tal Narcisa - uma “socialite” que escreveu um livro idiota a respeito da “alta sociedade” do Rio ou São Paulo, sei lá de onde a mulé é.

(Socialites, pra quem não sabe, são pessoas que tem um ou dois parentes importantes, e por causa disso começam a pensar que elas são importantes também. A partir daí, elas passam o resto da vida tentando manter esse status quo que só existe na cabeça delas, indo a festas a que não foram convidadas e tentando aparecer o máximo possível em programas de quinta categoria que entrevistariam até o porteiro do seu prédio se ele concordasse em não usar aquela camiseta “Lula Lá” da campanha de 89.)

Já a Adriane Galisteu foi vítima de nada além de sorte. Para a felicidade da modeloBARRAapresentadora, ela não apenas namorava um famoso, mas o carro dele espatifou-se numa parede diante dos olhos de milhões de brasileiros que perceberam imediatamente que nunca mais ganhariam um Grand Prix, se fosse depender do brasileiro que sobrou.

Daí pra patamar de viúva celebridade nacional, foi apenas um passo. Mas Galisteu não queria abusar a sorte, então só pra garantir deu este passo nua, usando sandálias de salto alto diante da câmera do J.R. Duran. É bom aceitar primeira proposta antes que a Playboy desistisse da idéia.

A questão é que até parasitas de atenção conseguem em algum momento elevar-se além de sua insignificância e fazer algo que capture os corações do populacho, como dar a bunda, escrever um livro, posar nua ou construir uma boneca com uma vassoura, dar-lhe o nome de Maria Eugênia e chorar como uma criança porque seus colegas de programa esconderam-na por dez minutos. Haha, “esconderam a boneca”.

O que dizer, então, de gente que jamais fez ABSOLUTAMENTE NADA DIGNO DE UMA NOTA DE RODAPÉ SEQUER, mas pensa que é famosa?

Não gaste neurônios tentando imaginar. Eu dou a vocês…


VILA BOYS.

É difícil até começar a descrever os sujeitos sem que eu não seja arrebatado por risadas que disparem a liberação de endorfinas que acabam por me fazer perder a força nos dedos que me impeçam de continuar o texto. Então, deixo que a própria página dos VILA BOYS os descrevam. Por favor, ignorem os erros de ortografia, gramática, uso de pontuação, uso de aspas, lógica, formatação em HTML, ou simplesmente tudo.

HISTÓRIA DOS VILA BOYS

Tudo começou numa festa junina , quando as 5 garotas viram os 6 jovens e resolveram tirar algumas fotos deles. E como eles moravam numa vila do Rio de Janeiro, elas resolveram batizar o grupo de ”VILA BOYS”.

Depois de algum tempo o grupo resolveu tirar mais fotos e iniciando assim uma carreira fotográfica. Após algumas semanas o grupo ja era conhecido em vários lugares do Rio de Janeiro como: boites , shoppings, nos colégios, nos bairros etc… .

As garotas que ainda não conheciam o grupo ,estavam doidas para conhecer porque muita gente falava sobre os vila boys.

Então eles tiraram mais fotos , e resolveram coloca-las na internet aumentando assim mais a sua fama. As garotas ficavam enlouquecidas com eles porque eram muitos simpáticos e muito lindos.

Começou assim vários telefonemas para o grupo , tornandando assim a vidas deles muito agitadas. O grupo tinha como point a boite ”El Turf” e lá eles eram muito conhecidos . E assim começaram a frequentar todos os sábados a boite El Turf e nos domingos eles costumavam a frequentar o Olimpo Disco Club, onde eles eram conhecidos.

Nós gostamos muito deles e por isso resolvemos fazer essa homenagem a esse grupo que tem uma carreira de susseso pela frente…

Pra você que começou a rir logo no primeiro parágrafo, desligou o PC sem querer chutando o gabinete num espasmo de alegria e perdeu a paciência de começar a ler de novo, resumo. Os cinco sujeitos foram abordados por meninas de existência não comprovada, e de repente se tornaram famosos modelos, com o direito de usar a expressão “carreira fotográfica” irresponsavelmente.

Isso é basicamente tudo que você precisa saber. Não vou entregar o ouro a respeito do resto das incríveis aventuras dos famosíssimos VILA BOYS, então você terá que levar o cursor do mouse até o link dos caras e ver com os próprios olhos. Experimente a viagem no tempo que é visitar o site dos caras, inteiramente feito em um programa shareware de edição de HTML, e enviado pro servidor do UOL através do Cute FTP em aproximadamente 1994. Deleite-se nas tabelas mal formatadas, ou nas fotografias digitalizadas com scanners de 134 dpi e irrecuperavelmente distorcidas no processo, ou até mesmo na lista de ultra-badalados locais que a trupe frequenta, como BAIRROS, ESCOLAS e até mesmo, sim, SHOPPINGS! SHOPPINGS, I TELL YOU!

Chega. Palavras não são suficientes para descrever os famosos garotos, a menos que eu começasse a inventar as minhas próprias palavras, mas aí vocês não entenderiam o texto. Seguindo a máxima de que imagens valem mais que mil palavras, ainda que essas imagens sejam mais pixelizadas que screenshots da versão beta do primeiro Tomb Raider, aí vão fotos dos VILA BOYS em seus melhores momentos de PURA CURTIÇÃO


Mas que BAD BOY.


Faixas AZUL CLARO prontos para chutar a sua bunda.


Uma possível ex-namorada teve seu rosto distorcido, provavelmente pra não espantar as milhares de pretendentes que o sujeito possa ter.

O mais legal é que o site nega ter sido feito por, digamos, um dos VILA BOYS que sabe mexer um pouco com HTML e scanners. Segundo o autor da página, esse templo de adoração aos caras foi posto no ar por “fãs” deles.

Qualé, rapaziada. Vocês não tão enganando ninguém.

O problema não é a página terrivelmente mal feita com letreiros feitos em Wordart/Corel Draw 4, nem as fotos porcamente escaneadas, muito menos o fato de que os caras deixam uma área pra contato com seus ICQs e emails do BOL. Minha inconformação com esse pedaço histórico da internet (vi o site pela primeira vez em 2002, mas eu tava comendo goiabada naquele dia e meus dedos estavam todos melados, o que impossibilitou a manufaturação de um texto aloprativo) é que os sujeitos parecem acreditar piamente que são celebridades de renome internacional. Não sei se rio ou se rio de novo.

O que você ainda está fazendo aqui? Vá ver o site dos caras.


Escrito por Kid on Feb 10, 2006

[ Update ] E não é que chegou hoje mesmo?



Enquanto perdemos os últimos dias jogando Worms até que o momento em que o sujeito que está hosteando os jogos acidentalmente esbarra o dedo no estabilizador, o Dia dos Namorados se aproxima. Caso você não saiba, o VALENTINE’S DAY (a.k.a. “Desculpa pra mulé mandar flores pra si mesma”, sim, isso acontece mesmo) aqui na gringolândia é comemorado no próximo dia 14, e faltam, deixa eu ver, uns quatro dias só.

Sorrateiramente a data vai chegando, esperando o momento crucial em que eu me esqueço dela e gasto meus últimos dólares comprando um novo jogo de PS2. Ano passado não dei nada pra Gótica, se repetir a proeza em 2006 é capaz de eu acabar dormindo no sofá. Felizmente, o sofá do meu quarto fica bem de frente pra TV, então ao menos poderei brincar com meu jogo novo enquanto ela dorme com raiva e se pergunta porque diabos ainda namora comigo.

Uma das coisas que comecei a sentir recentemente, além do indescritível desespero porque o carteiro ainda não entregou o sensacional vestidim oriental que eu comprei pra gótica no eBay com a grana das doações de vocês, é uma dúvida que sei que jamais sanarei: Onde está o meu primeiro amor?

1992, Olimpíadas de Barcelona, segunda série. Eu estudava no Colégio Adventista de Londrina, no interior fodido do Paraná onde os locais adotam aquele terrível sotaque caipira/paulista que todos conhecem, e eu era infinitamente zoado pela minha dicção nordestina. Eu era aloprado porque não falava porrrrrrta que nem eles, fazendo aquele biquinho prolongado no R, sei lá como era aquela porra. Os caipiras tirando onda com o menino da capital.

Seu nome era Marta Alguma Coisa que Esqueci. Lembro-me claramente do primeiro nome, no entanto, porque ela o escrevia com firulas de causar inveja a um, sei lá, alguém que escreve com muitas firulas. Como um post não está completo sem uma imagemzinha semi-relevante, aí vai minha melhor tentativa se forjar a assinatura da menina.

Só nesse M característico dela, Marta colocava mais dedicação e esforço que muitas pessoas colocam em suas teses de final de curso. E com coraçãozim no final e tudo, como crianças de 7 anos frequentemente fazem. A Marta nunca me contou, mas eu tenho certeza que a grande frustração de sua vida era não ter um I em algum lugar no seu nome, a que ela pudesse devidamente pingar com um coração em miniatura (já tive uma namorada que fazia isso). Como ela é - ou era, quem sabe já morreu até - brasileira e não desiste nunca, ia esse coração sem motivo mesmo.

Não lembro como nossas brincadeirinhas começaram, mas… ah, quem diabos vai acreditar nisso? Provavelmente fui eu que comecei com o negócio. Dividíamos uma mesa perto da parede, então sempre que possível ela abaixava aquela calça azul ridícula que a liderança religiosa da escola obriga a gurizada a usar e me mostrava dois milímetros do tecido de sua calcinha. Essas brincadeira levemente sexuais me revelaram algumas coisas. Uma delas é que, aos sete anos, o corpo da Marta não era nem um pouco diferente do meu. A outra é que, ou ela gostava MUITO de calcinhas da Moranguinho e tinha uma coleção de uma pra cada dia da semana, ou então ela não era lá muito asseada.

E nisso ia. A menina fazia um projeto de strip no meio de uma sala lotada de pré-pré-adolescentes, e eu observava com uma expressão nula no rosto. Tenho certeza que eu gostava, mas porra, a menina não tinha curvas nem nos dedos ainda. Se meu filho for tão precoce quanto eu, vamos surpreende-lo no ultrasom encoxando o cordão umbilical.

Um dia, sei lá porque, peguei o telefone dela. Procês terem uma idéia da sensacional roça que era Londrina, os números telefônicos tinham seis dígitos. Então, peguei o telefone dela e liguei no dia seguinte por volta da hora do almoço, logo antes de sair pra escola.

“Oi, Marta!”
“Ahn?”
“Sou… eu…”
“Eu quem?”
“O Israel.”
“Oi Isael!”

Eu era a única criança de 7 anos que sabia pronunciar meu nome corretamente. Pro resto da população infantil ao meu redor, meu nome era Isael e nem um decreto presidencial os convenceria do contrário. Quem sabe era pura birra, e se eu tivesse me apresentado como Isael os moleques falariam direito.

“É, sou eu.”
“Tudo legal?
“Tu quer namorar comigo?”

Sem mais nem menos, porque mulheres gostam de espontaneidade.

“Namorar?”
“É, comigo”
“Eu não.”

O que sucedeu foram os 15 segundos mais constrangedores da minha vida. Um silêncio mortal se estabeleceu na linha. Eu consegui até ouvir a abertura de TV Colosso na TV da casa dela. Após muito pensar, resolvi que a melhor atitude seria desligar o telefone na cara da menina, sem nenhuma palavra de explicação ou despedida. Na minha mente infantil era o plano perfeito, apesar de que eu não levei em consideração de que eu a veria no colégio em menos de meia hora.

Evitei a stripper mirim o quanto pude, mas ela e suas amiguinhas me encontraram na quadra do colégio. O grupinho se dissipou inexplicavelmente. A Diana chegou pra mim e perguntou sem o mínimo respeito pelas emoções alheias:

“Ei Isael, tu pediu a Marta pra namorar contigo foi é?”
“Eu não.”
“PEDIU SIM!”

E saiu correndo. Havia um bando de loucas naquela escola, e as que eu conhecia não eram exceção.

Qual o propósito desse post temático? Não sei, porque no momento eu quero realmente saber onde está o vestido que eu comprei no eBay. Mas por trás dessa aparência insensível, no fundo do meu coração me pergunto onde Marta se enfiou, ou o que ela estará fazendo.

Marta, se você estiver aí lendo o HBD, há duas coisas que eu nunca tive a oportunidade de te dizer. Uma é que aquela tua calcinha da Moranguinho fedia pra caralho, e que eu aposto que a cor original dela não era amarela. E a Diana era mais bonita que você. Devia ter pego o telefone dela.

Como se não fosse o bastante, ela ainda tinha um I no nome.


Escrito por Kid on Feb 9, 2006

Dando continuidade à Semana Não-Oficial de Joguetes e Diversão Online no HBD, vai aí mais uma pérola descoberta pelo Vexille, meu braço direito controlando a ditadura soviética que é aquele Fórum HBD.

Então digamos que você tem um PC mais fodido do que o meu, tipo um Pentium 100 com 32 mega de RAM e um monitor monocromático de 13 polegadas, alimentado por uma pilha alcalina e conectado à internet a 28kbps. Seja lá qual for o interior onde você mora, esses joguinhos que eu postei aqui te deixam com água na boca e mais nada, porque trabalhar na roça não gera grana suficiente pra rolar um upgrade, e o próximo pau-de-arara pra capital (onde você poderia adquirir um pente de memória de 16 mega) só passa mês que vem.

Mas se ainda assim você gostaria de participar das já lendárias sessões de jogatina online da portentosa nação HBD, ceus probrema ciaca baram.


Em suas andanças pela internet, o Chile (apelido carinhoso do Vexille) encontrou esse tal de GuStop, que é uma versão internética do famoso Stop, ou Adedonha, ou “aquele jogo que a gente jogava durante a aula de Religião porque sabíamos que qualquer um passaria naquela merda sem qualquer tipo de esforço“.

Vou dar um salto de fé e supor que não preciso explicar pra ninguém como se joga Stop. Assim, basta clicar aqui, pegar o jogo, e dar as caras no FHBD pra combinarmos as partidinhas.

Mas digamos que seu problema é mais complicado. Você acessa através de uma LAN caseira, consequentemente não tem um IP real e é muito burro pra setar as portas do seu router pra direcionar todo o tráfico diretamente pro seu PC?

Não arranque mais seus cabelos por não poder jogar com a turma. No próximo post, apresentarei um programinha simplesmente sensacional que resolve todos os seus problemas. Sim, você vai poder hostear jogos mesmo estando atrás de um router! E de quebra, poderá entrar em todas redes oficiais HBD de joguinhos online. Tem rede específica pra Worms, pra Total Annihilation, pra Starcraft… nunca mais você precisará ligar pro seu primo às duas da manhã porque ele é a única pessoa que pode jogar contigo.

Aguarde aí.

Favor desconsiderar os inúmeros erros ortográficos nesse post. Lipedal tá me enchendo o saco pra terminar logo o post e jogar Stop com ele.

“Redes oficiais de joguinhos”. É como se eu tivesse martelado um “Certificado de Vagabundo” na parede, atrás da minha cadeira.


Escrito por Kid on Feb 8, 2006


Cinco segundos depois ele lembrou que me adicionou sim, mas que já tinha esquecido. A memória do sujeito é de causar inveja a elefantes, porque eu perguntei quem ele era logo após ele me adicionar - mas ele já não fazia idéia de quem eu era.

Assim que me identifiquei, ele mandou uma torrente de GIFs animados que tentavam expressar sua emoção por estar conversando com o autor de seu blog favorito. Os erros gramaticais, apesar de eu ser um sujeito já desensibilizado por tal coisa, foram de arrancar os olhos em sinal de protesto. E em seguida, o sujeito pediu-me que eu puxasse um assunto qualquer, porque ele estava sem nenhum pra conversar.

Foi o block mais rápido que já dei em minha carreira bloguística: 32 segundos.

Excetuando-se a preguiça intransponível que impede-me de editar o layout, por que diabos eu ainda deixo meu MSN aqui no blog? De dez pessoas que me adicionam, 0,5 acaba sendo uma pessoa interessante. Oito usam um português que deixaria um macaco com vergonha (isso sem mencionar os gifs animados pra substituir palavras, letras e pontuação), e o resto precisa ser convencido de que eu sou o Kid “de verdade”, e não alguém usando o nick dele.

Se você utiliza animações no lugar de palavras, poupe o seu tempo e o meu. Não me adicione, a despeito de quanto você gosta do meu site. A bem da verdade, me constranjo cada vez que um carnavalesco de MSN me adiciona pra falar suas bobagens e me mostrar seus festivos GIFs animados, um mais travador-de-janela que o outro. É esse tipo de gente que meu blog atrai? Acredite em mim, há muitas coisas que eu me animo em ver, mas um PORQUE estroboscópico que demora 30 segundos pra carregar não é uma delas. Vocês não têm a menor consideração, não? E se eu tivesse epilepsia, como ia ficar?

Se você encontrou esse email no meu blog, que outra confirmação você precisa pra se convencer de que eu sou o autor do site? Faça um favor pra você mesmo e NÃO ME ADICIONE.

Se apesar disso você decide tentar a sorte e me adicionar, vamos combinar uma coisa - apenas o faça SE VOCÊ TIVER ALGO PRA ME FALAR. Ora porras, é você que está me adicionando, e não o contrário. Por que demônios eu deveria arrumar uma pauta de diálogo? Nem te conheço, cupade.

Em miúdos, não me adicione a menos que você tenha algo pra falar. Parece uma coisa tão imbecilmente óbvia, né?

Não é. Se eu recebesse um centavo pra cada sujeito que me adiciona pra, depois de três minutos de conversa, falar algo como “aih, puxa um assunto hihihi“, eu poderia tranquilamente comprar todos os jogos que a turma do FHBD andou pirateando nos últimos dias.

Eu não sou uma celebridade global. Não sou vocalista de uma banda cujo último single ocupa local de destaque nas rádios da sua cidade. Não sou ninguém especial que você precisa, a qualquer custo, adicionar a sua lista. Sou apenas um nerd de óculos que de vez em quando atualiza um blog.

Aí neguim vai dizer “OH MEU DEUS, QUE ESTRELINHA, NÃO QUER FALAR COM A GALERA!“. Que digam. Quero ver se dez retardados te adicionassem todo santo dia pra falar bobagens. Não há paciência que aguente.

“Ah, então tira o email do blog logo!”

Eu tiraria, mas aí eu estaria correndo o risco de nunca conhecer as poucas pessoas interessantes que mantém este blog em seus favoritos. Alguns dos indivíduos mais bacanas que já conheci me encontraram através desse site, e acho que isso é alguma coisa de valor. Mas na boa, se você adora o HBD mas não tem absolutamente nada de importante pra me falar, porque não apenas deixa um comentário, ou manda um email? Não me adiciona, cara. Não vamos nos falar com frequência, e eu não sou um conhecido seu, ou um amiguinho seu.

Aliás, se nos conhecêssemos pessoalmente, você provavelmente nem gostaria de mim.


Escrito por Kid on Feb 7, 2006

Assisti ontem um filmeco que daria uma resenha excelente, mas a preguiça que estou sofrendo no momento impede-me de fazer qualquer coisa relacionada à atividade de escrever uma resenha, ou seja, sair procurando imagens do filme no Google, abrir o Notepad e começar a redigir o texto, ou pensar em piadinhas bobas sobre algum detalhe retardado do filme. E vai por mim, detalhe retardado é o que não faltava naquela merda.

Maaaaas, como tenho uma certa obrigação moral de sustentar o entretenimento de vocês - e como jogatina nerd online tem se tornado um tema frequente do HBD -, resolvi dar pra vocês mais um excelente joguinho que será responsável por noites em claro e gritaria desesperada no momento em que você percebe que está prestes a perder e então diz que tem que ir dormir, mas na verdade isso é uma mentira sua pra evitar a desonra da derrota.


O joguinho acima é Total Annihilation, também conhecido como “TA” ou “aquele jogo de estratégia com robôs que saiu completo na CD Expert em 1998“. A screenshot não é lá essas coisas todas, mas não se engane: você está prestes a conhecer o MELHOR JOGO DO MUNDO.

Total Annihilation é um incomparável clássico de estratégia. A palavra “incomparável”, ao contrário de praticamente qualquer outra palavra que eu uso nos meus textos, não é apenas pra fazer efeito exagerado: TA é verdadeiramente um jogo sem igual. Apesar de ter sido lançado há uns dez anos, até hoje os outros jogos do gênero estão brincando de pega-pega com ele. Command and Conquer Generals, Starcraft, Age of Empires, Warcraft 3… todos esses são vermes desonrosos em comparação com o grande clássico de Chris Taylor.

A história do jogo, se é que alguém se importa em saber, é que no futuro duas facções começaram um arranca-rabos por causa da decisão de mover a consciência humana para corpos robóticos. A guerra durou milênios e se espalhou pela galáxia inteira, e agora você tem a tarefa de comandar os últimos exércitos de um dos lados e pôr fim na confusão.

Ninguém quer saber de história. O que vocês precisam saber é que TA:

- Tem um arsenal bem definido de unidades navais, aréas e terrestres (ao contrário de todos os outros jogos que põem ênfase exclusivamente em combate terrestre sem graça);
- Foi o primeiro RTS com gráficos 3D, o que por si só é algo que merece nota;
- Tem uma sensacional engine física, simulando com efeitos de balística, flutuação, inércia, e um monte de coisas que te ensinaram na escola mas tu não lembra mais. Cê precisa ver pra crer, mané;
- Tem um detalhado porém simples sistema de ações programáveis. Com alguns cliques, você pode mandar aquele construtor fazer algumas torres de misseis e depois voltar pra dentro da base pra coletar materiais, ou então ordenar que a fábrica de robôs construa 5 robôs X e cinco robôs Y. Você pode também mandar as unidades patrulhar uma área, proteger/seguir uma determinada unidade ou construção. E, acima de tudo, TODOS esses comandos são simplíssimos - basta segurar o Shift e sair clicando por aí pra programar suas unidades.
- Por ser um jogo antigaço, os requerimentos são baixíssimos. Até o minha máquina fedorenta (Pentium 3, 600mhz com 512mb de RAM) roda o jogo com tranquilidade, com todos os efeitos gráficos ligados e o Winamp tocando Wannabe das Spice Girls.
- Tem uma inigualável mecânica de guerra - radares realmente funcionam como deveriam no mundo real, anti-radares idem. É preciso fazer missões de reconhecimento antes de instalar aquela base no território inimigo, ou você se fode. Não adianta também construir apenas o tanque mais pesado do jogo e avançar no inimigo, porque há unidades inferiores que se aproveitam das fraquezas dos seus tanques e podem dar a volta por cima. As unidades mortas até deixam suas carcaças metálicas no chão, e em breve o campo de batalha ficará lotado de lixo, deixando as lutas mais complexas. E por aí vai.
- Há muito mais. Eu poderia explicar em detalhes como TA é tão mais realista que os outros jogos sem se tornar cansativamente complicado, mas é melhor você ver por sim mesmo;

Acha que eu tou exagerando? Bem, isso é porque você é burro e provavelmente homossexual. A GameSpy fez um Top Ten dos melhores RTSs da história, onde os clássicos supracitados (Age of Empires, Warcraft 3, Starcraft e etc) disputavam apesar da injusta diferença de idade dos jogos. Adivinha quem ganhou o primeiro lugar?

Poisé.

E agora, pro que interessa:

Você pode pegar o jogo aqui, upado pelo Vexille. A descompactação exige um programinha meio underground aí, mas nada que vá exigir que você ligue praquele seu primo que faz ciências da computação.

Peguem, cadastrem-se no fórum e preparem-se pra perder.


Escrito por Kid on Feb 6, 2006


Num clima desses, não dá nem vontade de escrever algo.

Dá vontade de descer ao térreo, rechear uma bola de neve com uma pedra, voltar e jogar na cara do Trunks enquanto ele tá dormindo.


Escrito por Kid on Feb 3, 2006

[ Update ] Hospedar arquivos pra vocês em servidor free é foda. Em menos de três dias já estouraram o limite do site onde hospedaram o crack do Worms! HBDdotted, como diria o Knux.

Re-hospedei aqui. Vamos ver se dessa vez dura.


Taí a resenha, finalmente. Essa porcaria deveria ter sido concluída semana passada, mas com partidas de Worms acontecendo a cada segundo, ficou difícil terminar o texto em apenas três dias como é de costume.


Algumas vezes coisas boas acontecem comigo. E, em casos mais raros ainda, vocês acabam se beneficiando. Isso porque eu estou sendo presunçoso o bastante pra supor que uma nova resenha cinematográfica é uma grande benção divina pra vocês.Outro dia aí eu fui à Deja View, a loja local de DVDs semi-novos. Nas prateleiras, vi um filme sobre o qual sempre ouvi falar na minha infância, mas nunca tive a sorte (ou azar) de ver com meus próprios olhinhos. O preço do DVD não era alto, mas eu resolvi economizar a grana pra algo mais moralmente edificante, como uma caixa de massinha de modelar ou adesivos do Bob Esponja.

Qual não foi a minha surpresa quando, dois dias depois, meu pai visita a mesma loja e compra o DVD! Oh, a alegria de viver, meu amigo! Dei dois pulinhos para comemorar, sob o olhar suspeito do meu pai.


Tudo no DVD cheirava a uma excelente futura resenha. Porra, dois filmes em um DVD só? Você sabe que a qualidade dos filmes é excelente quando o estúdio decide que lançar ambos em um DVD individual para cada não valeria a pena.Ou seja: A Mosca é um filme que não vale o DVD em que foi gravado. Literalmente. Isso já fala horrores a respeito da beleza de filme que eu estava prestes a assistir.

Falando em valor, e esse precinho, então?


Nove pratas por dois filmes?! Sem nem abrir a caixa do DVD, já consegui sentir o cheiro de uma excelente produção cinematográfica. Tudo bem que o DVD é usado, mas porra. Filmes usados ficam na faixa de 20 dólares!A Mosca é um super clássico do tempo de Corujão ou Domingo Maior, aquelas programações cinematográficas da Globo que passavam quando a gurizada já estava ou dormindo, ou caindo de sono. Durante toda a minha infância tentei assistir essa maravilha, mas por causa de idiotices como regras familiares e escola, eu era impedido de desafiar o relógio biológico e absorver toda a supimpice que é esse filme.

O filme, rodado no finzinho dos anos 80, é um drama/romance/horror/ficção científica que conta a história de Seth Brundle, interpretado por Jeff Goldblum a.k.a. “o cara que interpreta o mesmo personagem em basicamente todos os seus filmes“. Assim como Will Farrel e Morgan Freeman, Jeff Goldblum só sabe atuar de acordo um único estereotipo e o fará até o dia de sua morte, fazendo assim com que todos seus papéis sejam cópias uns dos outros.

O filme começa numa misteriosa festa. Temos a impressão de que é algum tipo de evento de importância no mundo científico, mas os sensacionais autores do roteiro não gastaram sequer dois segundos pra nos explicar exatamente que porra de festa era aquela. Seth (o cientista que daqui a uma hora e meia será uma mosca gigante) está explicando pra Veronica (a repórter que daqui a meia hora ele estará comendo) que ele é um grande gênio e que sua última invenção provocará a maior revolução que a humanidade já viu desde a invenção das tatuagens temporárias que vinham junto com o chiclete Ploc.

A mulé decide o acompanhar de volta pra sua casa (casa dele. Maldita ambiguidade.) pra ver que porra de invenção sensacional é essa. Dentro do carro, Seth começa a agir como uma putinha nervosa. Ele explica que morre de medo de meios de transportes convencionais, o que o coloca automaticamente no primeiro lugar da lista de “pessoas mais medrosas do mundo”, destronando a minha irmã menor que quando tinha 7 anos tinha medo de pular. O medo imbecil e irracional dele, você perceberá em breve, foi a desculpa que o cara precisou pra conceber sua maravilhosa invenção.

E o que é essa invenção, meu deus do céu?!

Ao chegar no apartamento, que é basicamente uma sarjeta com paredes e mobília, Seth exibe orgulhoso sua grandíssima invenção: uma máquina de teletransporte! O sujeito então mostra pra ela um imenso armário equipado com um tecladinho e tela, e então tenta enganar-nos dizendo que aquilo é um computador. A mulher obviamente não acredita nas habilidades inventísticas do sujeito, a despeito do fato de que ela foi até a casa dele sob a crença de que ele era um cientista. Seth se propõe a mostrá-la que sua maquininha funciona de verdade, e então pede um objeto pessoal da mulé para fazer uma experiência.

Essa desgraçada então tira a sua meia 7/8 e entrega pro cientista, sem dúvida alguma tentando seduzir o coitado pra depois dizer que está com dor de cabeça ou que não esteve tomando anticoncepcionais recentemente. O cara põe a meia na sua máquina teleportadora e SURPRESA, a meia aparece na máquina ao lado.

A mulé, que é uma repórter, mela a calcinha só de imaginar a sensacional matéria que ela poderia escrever a respeito da experiência do sujeito. Sem que o cara perceba, essa destruidora de lares liga um gravador portátil do tamanho de um sofá (ahh, a tecnologia dos anos 80) e começa a gravar tudo que o sujeito fala a respeito da máquina. A repórter, satisfeita com a entrevista não-autorizada e provavelmente ilegal, vai embora mostrar a novidade pro editor da revista.

O editor, previsivelmente, não acredita na mulé. Seth então se encontra com a repórter e propõe uma parceria - você me dá a buceta, e em troca eu te dou uma super cobertura exclusiva do meu sensacional experimento. Uma proposta dessa é irrecusável, afinal de contas, você já viu o cabelo da mulé? O penteado dela alcança tranquilamente a sacada de um apartamento de terceiro andar. Arrumar alguém que a coma e DE QUEBRA conseguir uma matéria é uma proposta que só acontece uma vez a cada passagem do cometa Haley.

O que acontece é que os dois em breve começam a trepar com furor de causar inveja ao mais apaixonado dos casais, a despeito de terem se conhecido no dia anterior. Um monte de coisas sem muita importância para a trama da história acontecem, e no momento eu larguei o filme e fui jogar um pouco de Worms.

Pouco tempo após eu ter mandado algum oponente pra puta que pariu por meio de uma Granada Santa milimetricamente bem colocada, o filme começa a ficar interessante, atraindo minha atenção de volta. Parece que o cientista e a mulé do cabelo do caralho resolvem testar algum bicho infeliz antes de adentrar a máquina eles mesmos. Sem muitas explicações, os covardes arrumam um BABUÍNO (como se arrumar um animal dessa espécie nos Estados Unidos fosse algo bastante fácil) e enfiam-no na máquina. Seth aperta botões em seu armário-computador, luzes piscam intensamente e o macaco desaparece. Oh, deu tudo certo! Vamos verificar a outra cabine pra ver se…

…ao abrir a máquina, percebemos que o babuíno sumiu e em seu lugar vemos algo que parece o mesmo babuíno, porém após ter passado 15 minutos num liquidificador. Segundo Seth, a máquina VIROU O BABUÍNO PELO AVESSO, e após assistir esse filme eu posso seguramente afirmar que existe espaghetti dentro de um babuíno. A massa de fiapos sanguinolentos que há dois minutos era uma criatura viva dá seus últimos “suspiros”, ofegando e chacoalhando suas entranhas por todo lado.

Procurei desesperadamente na internet por uma imagem desta pitoresca cena, mas infelizmente não encontrei nada que fizesse jus ao terror que é um babuíno virado ao avesso. Por dois segundos pensei em pegar uma foto de um talharim no Google Imagens e colocar embaixo uma legenda nos moldes de “Isso é mais ou menos o que aconteceu no filme“, mas o que vocês fizeram pra merecer uma piada tão infame? Deixo a bela/terrível imagem a cargo da imaginação de vocês.

Após uma forçadíssima analogia que de científica não tinha absolutamente nada, Seth descobre que a máquina não “entende” a carne. Então, ele vai “ensinar” ao computador armário o que é a carne, porque maioria das pessoas prefere que seus animais teleportados não exponham suas entranhas.

Beleza, a máquina tá pronta pro uso. Devia haver uma liquidação de babuínos na cidade do cara, porque Seth tinha OUTRO macaco dando sopa pelo apartamento. Ele testa a máquina com o novo macaco, e tudo revela-se funcionar perfeitamente.

Mas aí, claro, algo inesperado acontece e fode os planos bonitinhos do casal. A mulé vai se encontrar com o ex-namorado, que é por sinal o próprio editor dela - o que deixa claro que Seth não foi o primeiro a quem ela abriu as pernas por causa de uma oportunidade de carreira. O cientista fica malucão de ciúmes, achando que a esta altura sua mulé está num traje de couro sendo sodomizada por cinco caras simultaneamente.

E então, muito revoltado, Seth se joga de corpo e alma na manguaça. Após equilibrar sua composição sanguínea com mais álcool do que seria necessário pra um Chevette 83 fazer o trecho Quixeramobim - Juazeiro do Norte, o cientista bêbado entra na máquina teleportadora. Mas, OH! Uma mosca entrou na máquina ao mesmo tempo. A máquina recombinou o DNA do Seth com o da mosca, o que revela que essa máquina é realmente miraculosa porque a teoria de teleporte não tem absolutamente nada a ver com código genético.

E a partir daí, o resto vira putaria. Seth em breve começa a sentir os primeiros sintomas da terrível transformação que ele sofrerá nos próximos 28 minutos. No começo tudo parece legal: o sujeito acorda um dia se sentindo mais forte, mais ágil, começa a andar nas paredes e/ou tetos… nada demais. Ou de mais.

Mas em breve o cara percebe que entrar na máquina enquanto mamado não foi a melhor idéia do mundo. Seu rosto começa a desenvolver repugnantes bolhas semi-cancerosas, dando à cara do sujeito uma textura similar a de merda fresca. A máquina também meio que fodeu com os miolos do cara, então ele pira o cabeção de decide que a mulezinha dele deveria ser teleportada também. A repórter, que dá pra qualquer um mas não é boba, percebe de cara que o cara tá pra lá de Bagdá (falaí, há quanto tempo você não via essa expressão?). A mulé dá o fora, e o cara-de-cocô resolve que não precisa dela e vai pra um bar.

No botequim, a pilha de bosta humana encontra um grupo de motorqueiros com caras de poucos amigos disputando uma animada partida de queda de braço. O pedaço de excrementos com pernas desafia os motoqueiros malvadões, e ainda arremata a aposta dizendo que, se ganhar, pode levar uma mulé pra casa - e aponta pra uma vadia qualquer, que devido ao contexto podemos concluir que era relacionada a algum dos motoqueiros. A mulher protesta revoltadamente que não é uma prostituta e que isso é um ultraje sem tamanho, mas fica pra assistir a disputa entre o homem/mosca/saco de estrume ambulante e o motoqueiro.

Mostrando que o teor verdadeiro do filme é sanguinolência desmedida, o bolo fecal em forma de gente - que se você ainda não entendeu, ganhou super-força após se fundir com a mosca - literalmente ARREBENTA o braço do pobre motoqueiro. A cena seguinte mostra o braço arrebentado do sujeito, com o osso exposto e uma mangueirinha escondida ejetando alguns litros de sangue falso por segundo. O tolete falante levanta-se satisfeito, pega a mulezinha pelo braço e trás pra casa, onde a fode violentamente.

Tudo legal, mas aí a repórte decide ir ver como o homem-fezes está. E aí ela acaba pegando o sujeito e a vadia no flagra, oh não. Nesse momento Verônica emite a famosa “tenha medo. tenha muito medo”, que eu não sabia ter sido originada neste filme. Aprendemos algo inútil todo dia.

O resto do filme mostra apenas a lenta degradação de Seth, que evolui de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco. Em breve os dentes e unhas do cara começam a cair até, é uma beleza.

Neste meio tempo, descobre-se que Verônica está prenha. Aparentemente ninguém explicou pra mulher que sair dando indiscriminadamente pra diversos sujeitos que você nem conhece pode resultar em uma gravidez, porque ela parece muito surpresa. Tendo em vista que o pai da criança é (provavelmente) a massa de fezes pustulentas, ela decide abortar a criança. Mas o filme não deveria acabar assim, então o cientista - já quase totalmente irreconhecível em seu traje de cocô - sequestra a mulé da clínica clandestina lá e leva-a de volta ao seu apartamento. No fundo de seu cérebro surgiu a idéia de que, se ele jogar alguém dentro de uma das máquinas e se teleportar com ela, o cara vai ficar curado. Ok, ein.

O ex-namorado arruma uma arma magicamente e vai atrás dos dois. Ao chegar lá, é recepcionado pelo cientista mosca, que vomita uma substância ácida na mão do coitado e derrete-a toda. Não satisfeito, dá uma segunda vomitada no pobre ex-namorado, dessa vez no pé. O sujeito, que não tinha nada a ver com o negócio, se fode com maestria quase invejável.

Mais algumas bobagens acontecem e então Seth sofre a última transformação, a que troca o ator numa roupa pútrida por um marionete de mosca gigante. A manipulação deste é tão desastrada e mal feita que faz com que o teatrinho de fantoches com meias sujas que eu faço pra entreter o Kevin seja merecedor de algum tipo de prêmio.

Seguindo seu plano, a moscona empurra a mulher dentro de uma das máquinas e entra na outra. Na última hora, o ex-namorado maneta e perneta pega sua escopeta mágica surgida de lugar nenhum e dá um balaço no cabo que ligava uma máquina à outra. A mosca se desespera e tenta sair o negócio a tempo de esganar o aleijado, mas FODEU RAPAZ - a máquina se ativa quando a mosca gigante tá saindo do troço.

O resultado é que ele acaba se fundindo com partes metálicas da engenhoca, dando razão ao ditado popular que diz “sorria, as coisas ainda podem melhorar”. Metade homem, metade mosca e metade máquina, essa fração-aberração sai da máquina se arrastando em direção à mulher. Esta pega a arma do ex-namorado, mira na cabeça da monstruosidade e mete chumbo quente no que talvez fosse a testa dela.

Rolam os créditos. Até que não foi um filme tããão ruim, é apenas um filme medíocre dos anos 80. ~

Com esse pensamento, resolvi assistir A Mosca 2 logo em seguida. Lembra da evolução “de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco”? Então, isso define a diferença entre o primeiro e o segundo filme. Enquanto o primeiro é apenas levemente ruim e pode ser apreciado se você não tem padrões altos, o segundo é praticamente a incompetência humana em forma física. A Mosca 2 deve ser evitado a todos os custos. Jamais assista, jamais compre, jamais esteja em um raio de menos de 15km de distância de uma cópia do filme.

Fique longe da continuação deste filme, ou os terroristas já venceram.