Escrito por Kid on Feb 28, 2006

A internet revolucionou a forma como as pessoas fazem muitas coisas. Graças à grande e maravilhosa rede de computadores, há novas formas de conhecer pessoas, roubar pessoas, ouvir música, roubar música, assistir filmes, roubar filmes… a lista estende-se ao infinito, embora seus itens sejam relativamente previsíveis e envolvam algum tipo de atividade criminal perpetrada por garotos de 15 anos. Entre tantas notáveis revoluções, há uma que é muito provavelmente a mais aclamada: a democratização da punheta.

Todos nós passamos pela mesma situação, com algumas pequenas variações. Lá por volta dos dez anos, você já começava a participar das rodinhas de conversa de sacanagem com os amigos, a despeito do fato de que o mais perto que você esteve de uma mulher foi quando a garçonete do McDonalds trouxe seu bolo de aniversário há dez anos atrás, quando seus pais tinham dinheiro pra arcar com uma festinha no restaurante. Não se culpe; a maioria dos seus amiguinhos não tinha histórias mais emocionantes pra contar. Porém, um deles tinha um trunfo: um dos moleques era o feliz proprietário de uma revista de sacanagem! Quase sempre, a revista era praticamente paleozóica, anterior à invenção das tesouras (o que explicaria as mulheres com mais cabelo lá embaixo do que em cima), porém posterior à popularização de mullets. As fotos beiravam o mau gosto pleno, as modelos eram tão atraentes quanto um cadáver dentro de um saco de lixo, e a revista não raro trazia inexplicáveis manchas em suas páginas – que geralmente exigiam algum esforço para se separarem.


Era degradante, mas era tudo o que tínhamos e além do mais aos 12 anos ninguém liga pra coisas como respeito próprio. Assim sendo, a molecada se aglomerava ao redor do possuidor da revista que, sendo o “dono da bola”, não deixava ninguém tira-la de suas mãos. Não somente isso, o miserável também controlava a virada de páginas com punho de ferro. Não adianta choramingar, ele só passaria a folha quando tivesse vontade de tal e pronto. Sendo o menor da turma, eu nunca conseguia um lugar privilegiado para observar a putaria; os moleques maiores tinham mais sorte (e porte) pra garantir um local melhor que o meu. Por baixo do suvaco de alguém, tudo que eu conseguia ver era uma perna no ar. E, devido a falta de critério dos produtores da revista na hora de escolher as modelos, não dava nem pra ter certeza se era uma perna masculina ou feminina. No outro dia, eu conseguia ver um braço – embora dessa vez eu tivesse certeza de que seu dono era um homem.

Pedir a revista emprestada ao João Batista (ele era o filho do pastor da minha igreja, veja você) não era uma opção. Dizia-se que a revista era um item de valor inestimável, presente na família do dono há gerações. Ele roubou de seu pai, que achou-a embaixo da cama do avô, que trouxe escondido nas caravelas ou algo assim. Àquele passo, imaginava eu, só vou ver uma mulher completa quando tiver uns 37 anos.

Mas chegou a fabulosa internet! O reinado do Dono da Revista chegava ao fim. Ninguém mais precisava participar daquela rodinha suspeita atrás da igreja (atrás da igreja!) pra ver partes de modelos cabeludas. Ninguém mais seria punido por ser ansioso demais para esperar a virada da página. Ninguém mais se sujeitaria às vontade do Dono da Revista. Foda-se a revista! Tinhamos a nossa disposição agora todas as mulheres do mundo!

Bem, teoricamente. Em primeiro lugar, porque dial up limitava muito o que podíamos fazer na internet, e baixar pornografia não era diferente. Aliás, era de fato diferente, porque um vídeo de putaria era consideravelmente mais pesado do que as outras coisas que normalmente baixávamos, digamos, um site l33t haxor hospedado no Geocities, mesmo com todos os GIFs de caveiras e tal. Além disso, muitos de nós (eu me incluo no grupo) morria de medo de procurar putaria na internet, porque o computador era compartilhado pela família inteira. Na minha cabeça, procurar putaria na internet faria o próprio PC me denunciar na próxima vez que meu pai fosse usá-lo. Eu preferia não me arriscar, então restringia minhas buscas aos momentos em que eu estava usando o computador na casa de algum amiguinho. Se alguém vai se foder por causa de pornozeira, que não seja o filhinho de pastor aqui.

E assim foi. Um belo dia, eu estava na casa do Tiago com outros coleguinhas, e o moleque disse que tinha algo legal pra mostrar pra gente, mas apenas quando a mãe dele saísse de casa. Já imaginávamos o que seria, então esperamos ansiosos até que a velha finalmente saiu pra jogar bingo ou ser atropelada (coisa que ela realmente foi naquele dia) ou algo assim.

Pra jogar bingo ou pra ser atropelada ou pra ambos, o fato é que a véia deixou o recinto. Corre a molecada pra frente do computador. Tiago executa o vídeo, propriamente entitulado FOda001.alguma_extensão_que_esqueci”, diante dos olhos curiosos da gurizada. Imagino a paciência do moleque de baixar um vídeo de dois minutos naqueles tempos em que um modem de 56k eram o equivalente do iPod atualmente – a grande novidade tecnológica em que todos queriam pôr as mãos, mas seus salários não permitiam.

O vídeo não trazia nada de espetacular. Uma mulézinha da vida – já pelada e numa posição estratégica – esperava pelo “ator”, que não podia ser visto na tela. Em segundos o cara aparecia, botava uma camisinha e fazia o serviço, enquanto a mulé fingia não-convincentemente que gemia. Nada de oral, nada de anal, nada de esguichada de esperma na cara de alguém, nada de gente cagando na boca de outros, nada muito cheio de firulas: foi pura e simples penetração, em todo seu esplendor de quase um minuto e meio.

No entanto, aquilo foi suficiente para chocar-nos de uma forma que nem os clipes musicais do Fofão nos chocaram. Ninguém ali – além do Tiago, que assistiu o vídeo trinta vezes antes de nossa chegada – jamais havia presenciado o ato sexual em si. Pra ser sincero, nós simplesmente não sabíamos como era o negócio! A cena parecia fora desse mundo; assisti o curto filme com uma estupefação que podia ser equivalente apenas a quando o lutador controlado pelo computador em Mortal Kombat me dava uma surra de Perfect, ou quando meus pais diziam que não me levariam mais ao McDonalds por causa de algo que eu jurava não ter feito. Minha mente se tornou um vídeocassete imaginário, que reproduzia cenas do vídeo pornô cada vez que eu fechava os olhos.

O tempo passou, melhores conexões chegaram, e a inocência daquele primeiro vídeo ficou pra trás. Em comparação com as putarias que eu já vi nesse meu computador, aquele filme que assisti na casa do Tiago poderia ser confundido com um episódio dos Ursinhos Carinhosos. Já vi praticamente todo tipo de baixaria a que um ser humano pode se sujeitar; já passaram pelo meu winamp cenas que deixariam torturadores da Inquisição compadecidos. Já vi gente cagando/mijando na cara de outras pessoas, gente sendo estuprada por mais de cinco indivíduos, pessoas enfiando uma miríade de objetos em outras pessoas, cada um desses objetos menos apropriado para tal fim que o outro, gente fazendo sexo com peixes (?)… há algum tempo eu imaginava que nada mais podia me chocar, que eu já tinha visto tudo que podia ser enfiado dentro de uma pessoa.

Até que achei esse link, que não apenas encheu meu PC de spywares, mas destruiu o que restava da minha pouca fé no futuro da humanidade. No site, apropriadamente chamado “Got Fooled“, mulheres são ludibriadas a fazer sexo por dinheiro FALSO! A galera da putaria não sabia como empurrar o nível mais pra baixo, e decidiu então que pagar as vagabas pelas sacanagens era muito convencional. O site não deixa dúvidas sobre a intenção dos criadores, que é avacalhar com a imagem das coitadas.

Claro que a proposta do site é falsa. Ninguém em sã consciência divulgaria falsificação de dinheiro assim, pra todo mundo ver, ainda por cima nos States. Mas o que marca é a idéia – os caras criam uma ilusão apenas para tornar a situação das mulheres mais humilhante do que já é.

Sinceramente?

Tenho medo do que meus filhos vão ver na internet.


Escrito por Kid on Feb 27, 2006

Façam-me um favor?

Da próxima vez que eu postar uma imagem, lembrem-me de enfiar uma watermark bem grande com a URL do HBD nela. De preferência piscante, em fonte número 58, com stroke vermelho e sombra em 4 pontos.

Não que eu aprove esse tipo de desespero a la KibeLoco, mas ao menos evita que neguim faça esse tipo de coisa.

Terceira vez que um post do HBD vai parar lá no TibiaBr sem créditos. Deve ser algum tipo de recorde.


Escrito por Kid on Feb 27, 2006

Revirando a pasta de arquivos recebidos através do MSN, achei essas coisinhas:

O primeiro é uma cartinha que uma leitora escreveu há anos. Ela acabou nunca enviando, e então decidiu que seria mais rápido tirar uma foto da carta e me mandar a imagem. Brigado, Gi.

O segundo é uma caricatura, e o terceiro é um desenho maluco com a frase “Hoje é um Bom Dia” enfiada no meio. Obra surrealista. Queria muito lembrar quem me mandou esses desenhos, mas minha célebre memória ruim me impede, por mais que eu tente. Obrigado mesmo assim.


Escrito por Kid on Feb 23, 2006

Eventos, eventos!

Uns crentes me entregaram um panfleto interessante semana passada.

Frente do panfleto

Interior do panfleto

Não escaneei o verso por preguiça e porque não havia nada relevante lá.

Como você pode ver, amanhã e no sábado estará rolando um encontro de céticos numa escola em Whitby, uma cidade vizinha pra onde eu poderia ir de bicicleta se não estivesse fazendo cinco graus negativos. Fiquei com o pé meio atrás quando percebi que a tal conferência está sendo organizada por cristãos, mas no panfleto eles deixaram claro que não vai haver cantoria, nem pedidos de ofertas nem pressão religiosa pra aceitar a Jesus no seu coração senão Deus o mandará diretinho pro quinto dos infernos onde você será espetado por tridentes pelo resto da sua existência. Basicamente, eles passarão o tempo todo tentando convencer os infiéis a possibilidade de um deus criador, usando argumentos como “veja só, você tem um nariz no meio do rosto. Se não fosse esse nariz, você não poderia usar óculos! Claramente um ser criador planejou isso pensando no seu bem estar!“.

E o melhor é que ainda darão aos espectadores a oportunidade de retrucar, pondo em risco suas teorias pseudo-científicas de “desenho inteligente” e seja lá quais são as outras falcatruas que os cristãos andam pregando hoje em dia pra substituir a fé. Qual o propósito?! Afinal de conta, se você admite que sua religião é completamente baseada e dependente de fé, pra que se dar ao trabalho de fazer de conta que há algum embasamento científico na sua crença? Creia e pronto. Vá ler historinhas bíblicas a respeito de um dia em que o sol parou no céu ou sobre engenharia genética mágica, e deixe coisas sérias pros cientistas de verdade.

De qualquer forma, nem fodendo eu poderia perder um negócio desses. Esqueci de ligar pros caras perguntando se eu poderei filmar â conferência, mas vou supor que câmeras são lugar-comum nesse tipo de evento. Vou levar também o mp3 player do Trunks, que grava áudio, pra gravar qualquer bobagem que eu perguntar e as respostas dos cientistas crentes. Chegando em casa, hospedo essas tralhas todas pra vocês.

O fim de semana promete. Como tenho certeza ABSOLUTA que os manés citarão Michael Behe* como se o cara fosse um papa, vou logo me preparar imprimindo todas as refutações das teorias macarrônicas do cara. Se você tiver links aí à mão, eu agradeço.

Ontem recebi uma ligação do Kauê, um leitor que mora em Toronto (ele é irmão mais velho da Anne, do FHBD). Ele me convidou pro seu casamento, que acontecerá no sábado que vem em Niagara Falls, na fronteira com os EUA. Coisa muito chique, não é pro bico de vocês.

Por algum motivo, ele pediu explicitamente que eu escreva um post sobre o casamento dele, com fotos e tudo mais que um post do HBD tenha direito. Vou supor que ele está me dando sinal verde pra aloprar qualquer coisa que eu veja por lá, então não quero reclamação depois.

Zoeira, Kauê. Te vejo na festa, meu filho!

* Célebre cientista cristão que teve suas teorias rejeitadas pela comunidade científica mundial e por qualquer pessoa que aprendeu Ciências na terceira série. O cara é tão cientista como L. Ron Hubbard**, ou Seu José do Lumiar***.

** Fundador da Cientologia, a religião mais maluca e sem vergonha dos tempos atuais.

*** Pedreiro que ergueu o muro da minha casa no Brasil. Ele adorava sanduíches de ovo.


Escrito por Kid on Feb 23, 2006


Escrito por Kid on Feb 21, 2006

Chega um momento na vida de todo mundo em que você pensa “porra, mas o que diabos estou fazendo com minha vida? Decerto eu poderia estar fazendo algo muito mais interessante que isto aqui!” Esse é o meu momento.

Segurem os fogos de artifício, não estou fechando o blog.

Como é sabido por toda a comunidade de vagabundos que têm este site em seus favoritos, estou atualmente esperando o resultado de um longuíssimo processo de imigração pra Canadalândia, terra dos gringos burros e palm pilots baratos. A falta do cartão de imigrante impede que eu trabalhe (legalmente; às vezes aparecem bicos como o de vender sorvete, ou o de Halloween. Mas a grana é pouca) e que eu vá pra faculdade estudar e contribuir com a sociedade canadense. E não há nada que eu possa fazer a não ser sentar a bunda na cadeira, pegar meu controle USB da gaveta e esperar enquanto jogo Sunset Riders no emulador de SNES.

E essa espera interminável pela maldita carta do consulado dizendo “Parabéns, agora você é um residente permanente do Canadá, vá trabalhar ou estudar ou fazer alguns abortos porque aqui matar bebês é legalizado e totalmente grátis pros nossos habitantes!” torna minha vida muito tediosa. Sem a espera de um contracheque no fim do mês pra torrar numa loja de eletrônica, sem a expectativa de uma prova para a qual você não estudou, a vida simplesmente não tem emoção. Minha existência neste país resume-se a namorar, perder tempo com jogos eletrônicos e sair com os amigos. Parece uma vida de rei, mas após dois anos você começa a sentir falta de algo a mais.

Lendo um tópico antigo num dos meus fóruns favoritos – o negócio é de tão alto nível que você tem que pagar pra participar -, achei uma solução perfeita.

Hitchhiking, ou mochilão em bom português maroto. Pegar algumas roupas, juntar trocados, enfiar tudo numa mochila velha, dar um beijo de despedida/boa-sorte na Gótica, deixar status Away no MSN com alguma auto-mensagem engraçada e sair pelo mundo. Ou pelo Canadá, porque eu não acho que tenho dinheiro o suficiente pra cruzar a fronteira do país.

Ao ler o texto do cara no fórum, relatando as aventuras, desventuras e gente muito maluca que ele conheceu no caminho, me dá ainda mais vontade de empacotar meus pertences e dar o fora desse apartamento. Talvez, quem saiba, pra nunca mais voltar…?

Peguei um mapa do Canadá que tenho aqui e comecei a traçar planos e rotas imaginárias. O sujeito de quem roubei a idéia, um tal de atmosPHEAR, foi muito punk – o maluco pegou um amigo qualquer e combinou que ambos teriam que fazer o seu percurso sem nenhum centavo sequer. Eles queriam saber até onde conseguiriam chegar utilizando-se apenas da boa vontade de incautos que pegam caroneiros em beira de estrada. No meio do caminho, acabaram arrumando bicos (como pintar a casa de uma velha que deu carona pra eles) e começaram a ter fundos pra bancar a aventura. Mas sempre gastando o mínimo de dinheiro possível, dormindo na rua, etc e tal.

Quase me melei todinho pensando na aventura. É de um negócio desses que eu preciso.

E as idéias começaram a fluir. Conforme já expliquei, acesso wireless aqui é bem comum, e é bem provável que eu pudesse acessar a internet na estrada através do palm, relatando os acontecimentos em tempo real. Ou, caso eu esteja ilhado da rede virtual, ainda sobra a opção de escrever as aventuras offlinemente, no palm mesmo, formando o conteúdo do livro que eu pretendo escrever num futuro próximo.

Três coisas me impedem de embarcar nessa loucura:

- O clima. Estamos no finzinho de inverno no Canadá, e a temperatura média é -15 graus. Segundo atmosPHEAR relatou, é comum ter que esperar algumas horas até que alguém decida te dar uma carona, e até lá eu já teria virado picolé sabor cearense. Vou ter que esperar até o meio da primavera, por idos de abril, pra levar essa idéia mais a sério.

- Um parceiro de viagem. Hitchhiking sozinho é sinônimo de “estupro por caminhoneiros no fundo da boléia de uma Scania 98“. Tendo um colega você se torna menos estuprável, ou ao menos não será comido sozinho. Vou tentar convencer esses malucos que participam dos meus círculos sociais.

- A coragem final pra dar o primeiro passo. Na mente o negócio parece genial, mas na beira de uma deserta estrada interprovincial, com sol nas costas e nenhum carro à vista, o negócio muda de figura. Se eu realmente levar essa maluquice adiante, terei que ir muito bem preparado psicologicamente pra não voltar atrás no meio do negócio. Quando eu pôr o pé pra fora de casa, será pra valer. Só volto quando tiver terminado um livro sobre a aventura.

E, como em grandes outras decisões da minha vida, entrego nas mãos dos habitantes da internerdz. O que vocês me dizem, meus caros? Estão afim de chegar no HBD um dia e ler posts como “…e então hoje eu tomei banho num posto de gasolina“, ou “nunca imaginei que comida achada no lixo pudesse ser tão saborosa. Devem ter sido os 3 dias sem comer“?


Escrito por Kid on Feb 20, 2006

Tudo morre. Com exceção de poucas entidades que parecem extender sua existência à eternidade, como emails corrente em prol de uma garota nigeriana com tumor cerebral ou a Dercy Gonçalves, tudo que existe nesse planeta um dia diz “ah, cansei. fodam-se todos vocês.“, sofre uma falência múltipla de órgãos, e bate as botas.

Pessoas morrem quando carros tentam ocupar o mesmo espaço em que elas se encontram. Relacionamentos morrem quando você introduz partes do seu corpo em outros corpos que conhecem sua namorada e contam tudo pra ela (apesar de terem jurado que não fariam isso, malditas). Tamagotchis morrem, embora voltem à vida facilmente por meio de uma espetada de clipe de papel no botão reset. (O que morreu de vez, no entanto, é o motivo que levava alguém a comprar aquelas merdas). Palms morrem também, e como viúvo de um Tungsten E2, eu sei melhor que ninguém. Até videogames morrem – um dos meus PS2s bateu as botas faz pouco tempo, aliás. Felizmente sou um playboy mimado e possuo dois videogames, então o luto pelo console falecido durou pouco tempo. Bastou tirar o GTA de dentro do primeiro, colocar dentro do segundo, e pronto.

A morte envolve a nossa breve existência assim como os Tupperwares de mamãe envolviam bolos de fubá que eu levava pra escola pra comer no recreio (ou na aula de Redação, o que me rendia maravilhosas visitas à coordenação após um dos pedaços de bolo decolar e atingir um amiguinho no meio do olho). Mas apesar de que o toque da morte é algo tão presente ao nosso redor, por algum motivo que nem John Smith poderia decifrar nós sempre pensamos que “nunca vai acontecer com a gente”. Mas acontece.

E sempre acontece em momentos inoportunos, e a nossa reação nessa hora é equivalente a que você teria se eu apertasse a campainha da sua casa e, ao me atender, eu jogasse um balde de ácido clorídrico na sua cara, dissesse que o Dumbledore morre na página 675 e saísse correndo. Você, que ainda não leu o livro porque o Submarino atrasou a entrega, sofreria a dor de mil mortes.

O motivo pelo qual parei de brincar com meu palm pra escrever este texto tão melancólico a respeito da morte é que um habitante da residência Nobre faleceu durante esta madrugada.


Meu companheiro de anos de partidas memoráveis de Counterstrike, Soldat, Age of Empires 2, Worms e basicamente qualquer outro jogo pirateado pela turma do FHBD finalmente cedeu ao desgaste e ao tempo. Desde semana passada notei que meu mouse andava mal das pernas, se é que alguém ainda usa ou reconhece essa expressão. Algumas vezes eu precisava deslizar o mouse de um lado da mesa ao outro pra que o cursor percorresse alguns milímetros na tela do computador. Clicar se tornou uma atividade emocionante, eu nunca sabia se o mouse registraria meus cliques ou não. A situação em breve se tornou insuportável quando, no meio de uma montagem no Photoshop, notei que qualquer pressão inferior a um soco no botão esquerdo do mouse não seria detectado.

O culpado? A Blizzard. Se há um jogo destruidor de mouses no mercado, este jogo é Diablo. Não lembro de ter encontrado na caixa do meu Diablo nenhum aviso do tipo “Atenção, viciados: este jogo provavelmente destruirá seu mouse antes que você alcance lvl 60“.

Agora vou ter que ir até a lojinha genérica de informática perto do banco, aquela cujo dono é um indiano estranhão, e vasculhar a estante de liquidação de equipamentos semi-velhos.

Se a preguiça não fosse tão predominante, levava até a câmera e registraria a aventura.