Escrito por Kid on Mar 31, 2006
Estou abdicando minha naturalidade cearense, é sério. Acreditam que aquela porra do Jornal O Povo (que eu a propósito jamais comprei porque jornal é um negócio incrivelmente sem graça) escreveu uma materiola de tapação de buraco sobre blogs de cariocas, paulistas, gaúchos, mas não faz um comentariozinho sobre o do cabeça-chata aqui? Ignoraram a mim, o único material 100% cearense de exportação nos Canadás? Logo eu, que fiz gratuitamente inúmeras contribuições para a globalização da cultura paraíba, como por exemplo ensinar a namorada gringa a falar “baitola”, “quenga” e “rapadura”?! Isso é uma falta de consideração mais imperdoável que peidar no almoço.
Ceará, faça-me o favor de se foder.
(Não que seja preciso mandar, o Ceará já se fode há décadas.)
Bom, poderia ser pior. Ao menos não compararam o HBD ao Kibe Loco, como fizeram com o Cocadaboa. Ouch!.
A partir de agora sou OSHAWAENSE. Resigno minha insígnia de cabeça-chata comedor de calango para todo o sempre e amém.
A primavera finalmente chegou, e qualquer desculpa pra permanecer de molho dentro de casa jogando Pokemon no emulador do palm tornou-se injustificável – até porque o palm é móvel e eu não preciso mesmo estar dentro de casa pra treinar meu Blastoise, embora minha poltrona seja um pouco mais confortável do que a calçada quente.
Então, decidi explorar o ambiente das adjacências do meu prédio. Tracei meu plano num guardanapo durante o jantar, pensando “amanhã será um dia de muitas aventuras“. Acordei bem cedinho na manhã seguinte, o que foi possível graças a uma sensacional técnica que eu desenvolvi semana passada: basta deixar a janela aberta. Moramos do lado leste do prédio, e se você lembra alguma coisa das aulas de ciências da segunda série, deve saber que é o lado em que o sol nasce. Isso, aliado a algum tipo de entidade sobrenatural que rouba minha habilidade de evitar dormir com o rosto virado pra janela, faz com que os raios matinais cegantes perfurem minhas pálpebras como bala de fuzil na manteiga e me acordem antes que todo mundo. Ainda que eu tente levantar e fechar a janela, é tarde demais – perdi o sono.
Taquei qualquer roupa no corpo e saí em direção a um local mágico aqui nas proximidades do meu domicílio, mas que por refinadíssima vagabundagem eu nunca tinha me dado ao trabalho de conhecer: a Northview Library, que fica literalmente aqui na esquina.
Eu queria demais pôr uma foto do lugar aqui, mas vai ficar pra outra vez. Esqueci de levar a câmera quando eu saí, e o macaco treinado que programou a vergonhosamente horrível página da biblioteca não achou necessário ilustrar o site com a fotografia do estabelecimento. Tire um tempo na sua ocupada agenda pra visitar o asqueroso site da biblioteca; repare que a única coisa que a diferencia de uma homepage de 1996 é a falta do banner do Geocities no topo da página. Parece que o autor da página abriu o MS Frontpage 97, carregou o primeiro layout-padrão enquanto tirava fiapos de carne do dente com a unha, fez algumas poucas edições nos links e mandou a porra toda pro ar usando o CuteFTP enquanto um vídeo RealPlayer de Cavaleiro Duzodíaco baixava a incríveis 3kbps.
Mas o que falta em estilo, estética, profissionalismo, qualidade e basicamente qualquer tipo de característica que poderia redimir o site é compensado pelo excelente serviço da biblioteca pública. Pra começar, achei a biblioteca incrivelmente democrática – ao contrário de outras instituições mantidas pelo governo da província, eles não fazem distinção entre cidadãos canadenses ou moradores de outras nacionalidades. Enquanto a maioria dos estabelecimentos governamentais exige cidadania plena pra que você possa aproveitar dos seus serviços, a galera da Northview não quer saber se você passou por todos os processos formais de naturalização ou se você chegou no país flutuando em cima de uma porta e tá se escondendo da imigração desde 1989 – contanto que você possa provar que reside em Ontário, fica subententido que você está pagando impostos nos produtos que consome (o imposto é adicionado ao preço da etiqueta quando você compra qualquer coisa, você paga o extra no caixa), e em conclusão tua grana tá mantendo a biblioteca da mesma forma que o dinheiro dos gringos está. Todo mundo tem direito de usar aquela porra.
(Aliás, tem uma clínica de saúde sexual para jovens aqui em Oshawa que funciona sob a mesma política. Tive a oportunidade de ver em primeira mão a magia que transformou meus impostos em uma seringa descartável tirando sangue do meu braço, mas isso é assunto pra outro post que eu prometerei hoje e talvez escreverei no Natal de 2057)
Mal entrei na biblioteca e já fui furiosamente arrancando o palm do bolso, procurando um hotspot. Diz a lei não-oficial wifinesca que lugares como bibliotecas devem por obrigação ter uma forma dos nerds se conectarem onlinemente, ou a população se revolta e taca fogo no prédio. Acho que a galera de Oshawa não conhece a regra, porque não havia um router wifi na biblioteca. Nem mesmo um criptografado.
Mas lembrei que o objetivo de dar uma voltinha pelo bairro era justamente desplugar um pouco, então respirei fundo e enfiei o palm no bolso. Felizmente essa conclusão veio antes de eu ver a fileira de PCs com acesso online gratuito, ou eu teria ficado por lá mesmo.
Após morar por mais de dois anos naqui, eu finalmente cheguei à perfeita resposta quando alguém pergunta “mas cara, qual a principal diferença entre um país fodido como o Brasil e o Canadá?” A resposta é tão concisa, direta e satisfatória que eu acho que vou até programar uma macro de MSN pra colar a frase sempre que eu apertar Ctrl+Alt+Shift+Insert+B+4:
A Northview é, sem chance de concorrência, a mais organizada biblioteca que eu já vi na vida. Não apenas organizada, mas bem muito bem equipada, abundante em eventos especiais pra comunidade* e exala uma sensação forte de “tudo aqui tem como finalidade servir bem vocês, negada”.
Pra começo de conversa, o cadastro na biblioteca é gratuito. O aluguel de livros é gratuito. Não há taxa de renovação, nem taxa pela carteirinha, você não precisa ir tirar fotos pra colar no cartão, nada. Chega lá, mostra alguma prova de que você mora na província, e pronto, cabou. Eu procurei desesperadamente por algum documento na minha carteira em que constasse meu endereço, mas não havia nenhum. Fiquei de fazer o cadastro outro dia, mas por enquanto nada me impedia de averiguar o lugar.
Uma das surpresas mais interessantes é que a biblioteca oferece trocentos milhoes de cursos de línguas e treinamento para voluntariado, tudo grátis. Decidi que finalmente acharei alguma coisa interessante pra fazer, e anotei um monte de telefones. O ambiente é muito arrumadinho, há salas pra reuniões que você pode reservar gratuitamente, há armários pra guardar seus cachimbos de crack, tem também uma sala de exibição de filmes onde toda semana eles, ahn, exibem um filme (gratuitamente), computadores com acesso à internet, porra, tem de tudo naquele lugar.
O que realmente me fez tirar o chapéu pro negócio é que eles alugam não apenas livros, mas DVDs também. Achei desde temporadas completas de Simpsons a Cidade de Deus (!), passando por séries inteiras de animes populares que até eu gosto um pouquinho, como Evangelion. E o aluguel de até cinco DVDs custa apenas UM DÓLAR, que na verdade atua apenas como “depósito de segurança”. Se eu não estiver enganado, eles até devolvem seu dólar depois que você traz os filmes de volta.
Fui à casa da namorada durante a tarde e cantei as maravilhas sobre a biblioteca. Os filmes baratíssimos, os computadores com acesso internético ilimitado, a organização pristina, o serviço eficiente, tudo. Ela apenas falou, com um rosto muito não-impressionado, que qualquer biblioteca – qualquer biblioteca PÚBLICA, ainda por cima – aqui é assim. E aí me lembrei de uma vez, há anos, que precisei procurar um livro na fodidíssima Biblioteca Pública Central em São Luís. Não preciso entrar em nenhum detalhe pra traçar paralelos entre as duas; qualquer pessoa que já dependeu de uma instituição que traz a palavra “público” no letreiro é familiarizado com o que eu encontrei lá. A gritante falta de interesse do nosso governo em relação a praticamente qualquer coisa de que o povão dependa é de entristecer e envergonhar. É meio melacólico admitir, mas me sinto mais bem tratado por uma terra estranha do que pelo meu próprio país. Aqui eu sei que meus impostos REALMENTE estão sendo utilizados pra alguma coisa que eu VOU usar, ou que eu gostaria de usar mesmo que não precisasse.
Amanhã vou lá sem falta tirar meu cartãozim. Levarei a câmera e passarei um caô bonito nas bibliotecárias, dizendo que escrevo pra um jornal online pra imigrantes brasileiro e que tou escrevendo uma matéria sobre a Northview. Com um pouquinho de carinho e paciência no Photoshop, produzo até um crachá semi-confiável pra dar mais credibilidade à história. Se eu tiver cara de pau suficiente pra tentar a mutreta, amanhã posto fotos do interior da biblioteca.
Não tem como não amar esse país.
*Perceberam que o orkut matou essa palavra? Hoje em dia não dá mais pra pensar em “comunidade” sem pensar em algo idiotamente associado à palavra, como “Odeio Acordar Cedo”.
Escrito por Kid on Mar 28, 2006
Canada – a terra do inverno que dura quase o ano inteiro, dos abortos grátis e do hockey no gelo, esporte glamorizado pelo clássico The Mighty Ducks, seja lá qual foi a tradução que a distribuidora deu pra vocês aí no Brasil. Foi basicamente o último filme de alguma expressão que o Emilio Estevez fez; só Deus sabe como o cara esteve pagando as contas desde então.
Apesar de morar aqui há dois anos, jamais havia presenciado uma partida de hockey – a menos que você considere válidas as jogatinas que alguns moleques da vizinhança travam na frente da garagem de casa. Como os moleques não usavam equipamentos de segurança oficiais aprovados pelo INMETRO (um deles nem patins tinha, e simplesmente corria atrás da puck, e um dos jogadores provou-se ser não um jogador, mas um mendigo que passava por perto naquele momento), eu não considerei. Então reitero, nunca assisti uma partida DE VERDADE desse esporte canadense.
(Puck é a “bolinha” do hockey, tá bom. Pra não parecer um esnobe, sacrificarei estilo por funcionalidade e chamarei o puck de “bolinha” mesmo.)
Não que eu esteja resistindo à cultura dos meus anfitriões, que me aceitaram em seu país e me cederam sua(s) mulher(es) com pouca ou nenhuma resistência, tratamento que eu aposto que os noruegueses não me dariam. O lance é que, sendo nerd por natureza, esportes me interessam muito pouco. Nunca fui chegado a “esportes nacionais”, nem quando morava no Brasil. Aqui não seria diferente. Esse negócio de sair correndo atrás de bolas ou pucks nunca foi a minha praia. Aliás, nem de praia eu gosto. Não sei se tem algo a ver com esse texto, mas taí. Falei. Odeio praia.
Mas na semana passada ou retrasada essa situação tomou um Adriane Galisteu-like giro de 360 graus celsius – fui convidado pra assistir um joguinho de hockey onde participaria o ilustre e desconhecido filho de um amigo de trabalho do meu pai. Pensei em recusar, mas eu não estava fazendo nada mesmo® e aceitei a sina.
O jogo era em Toronto, e a longa viagem de Oshawa até lá me deu tempo suficiente de levar um simples Geodude nível 23 ao nível 25, a partir de quando ele muda de nome legalmente para “Graveler” e aprende Harden – que é basicamente inútil. No caminho, a Gótica que eu trazia a tiracolo me explicava um pouco a respeito do glorioso esporte que é o hockey.

Um jogo emocionante
O hockey no gelo – ao menos a modalidade que eu assistiria naquele dia – consiste em uma atividade praticada por garotos de 12 anos que se jogam pra lá e pra cá num ringue de patinação adaptado pro esporte, brandindo tacos de madeira que medem o dobro do comprimento dos seus donos, tentando desesperadamente atrair a atenção dos seus pais por mais de 20 segundos enquanto esses sentam em lados opostos da arquibancada porque estão prestes a se divorciar. Tudo num jogo de hockey de crianças de 12 anos parece cuidadosamente arquitetado pra te fazer feliz. Se você não rir das tentativas frustradas dos pivetes de acertar a “bolinha” (o que frequentemente resulta em pauladas nas pernas e/ou cabeças de quem patina nas proximidades), atente a forma em que os 30 quilos de equipamento fazem os moleques patinarem com tanta desenvoltura quanto um tetraplégico que foi jogado numa piscina com um cofre amarrado nas costas. Há ainda a comicidade não-intencional do momento em que o treinador abre a portinha lateral do ringue e, sem mais nem essa, empurra um moleque pra dentro do jogo sem o menor traço de gentileza. O olhar de desespero no rosto do coitado é a coisa mais surpreendente que eu vi desde o dia em que flagrei uma amiga de sala trepando com o namorado, e por “flagrei” leia-se “o irmão dela me contou“, e por “o irmão dela me contou” leia-se “eu inventei a história para difamá-la na escola“.
Chegamos atrasados no lugar, então não sabíamos em que time o filho do amigo do pai estava jogando. Não fazia muita diferença, porque a habilidade dos times era igualmente inexistente, equilibradamente nula. Havia, se muito, UM jogador que sabia o que estava fazendo, invariavelmente sendo seguido por todos os outros num arrastão infantil mal coordenado visto antes apenas nas praias cariocas.
Havia o time amarelo, que chamarei de Time Amarelo, e o time azul, que chamarei de Time Vermelho. O Time Amarelo trazia estrelas proeminentes do circuito de hockey de crianças de 12 anos, como o irmão daquele outro moleque e o primo do filho do cara que tava organizando o jogo. Já o Time Vermelho, que foi considerado “uma estrela em ascensão no ramo hockeístico” pelo zelador do ringue, é um dos melhores times que já jogaram hockey naquele bairro, naquele exato instante em que apenas dois outros times jogaram.

uma das muitas coisas que eu entendi assistindo o jogo é que eu não entendo absolutamente nada de hockey. Substituições são feitas a qualquer momento do jogo, basta abrir a portinha lateral do ringue e empurrar um moleque pra fora, quer ele seja parte do time, quer ele esteja apenas assistindo o jogo na arquibancada. O jogo é dividido em vários “tempos” de mais ou menos cinco minutos, e o objetivo da divisão entre tantos “meio-tempos” é inexistente. Os jogadores podem passar por trás do gol, o que pra um brasileiro acostumado com futebol parece um desrespeito às leis da física newtoniana. Brigas são perfeitamente comuns, e o máximo de punição que vi ser administrada foi uma expulsão de dois minutos, nos quais o moleque vai pra um lugar chamado time-out box ou algo assim e fica lá sentado de castigo por 120 segundos. Levando em consideração a extrema falta de talento esportivo da molecada, remover um moleque do time era na verdade uma melhoria; cada jogador enviado pro time-out box era um jogador a menos pra se meter no meio dos poucos que sabiam o que estavam fazendo no jogo. Aliás, arrisco a previsão de que, se tirassem todos os jogadores e os substituíssem com tijolos, martelos e outros variados materiais de construção, veríamos um jogo superior.

Apesar de toda a minha falta de interesse no hockey, até eu tive que admitir que um esporte que obriga o goleiro a se fantasiar de Transformer merece respeito. A tarefa do goleiro é imensamente ingrata, porque apesar de que ele usa umas luvonas imensas e protetor de testículos cuidadosamente fabricado em Taiwan, ele é basicamente um alvo humano colocado na frente do gol, à mercê dos outros moleques de pernas finas como o da foto que provavelmente não resistirão à oportunidade de descontar suas frustrações juvenis no coitado.

A pivetada aguarda ansiosamente sua vez de ser empurrados pra dentro do ringue. Reuters
Lá pelo meio do jogo, quando finalmente entendi que a menos que um meteoro caísse dentro do ringue e matasse algumas das crianças jogando nada de digno de nota aconteceria, voltei minha atenção pro episódio de South Park que eu trazia no palm. Infelizmente, eu esqueci de trazer meus fones de ouvido, e assistir um vídeo em meio à gritaria ensurdecedora do inferno que se estabelece num evento dessa natureza é uma tarefa pra seres sobre-humanos. Desliguei o palm e me vi obrigado a assistir o jogo até o fim. O amigo de trabalho do meu pai virou-se pro meu lado, apontou pra um dos moleques e disse “olha isso, olha isso!”, visivelmente animado. Nada aconteceu por uns três minutos, e o jogo acabou. No zero a zero.
Talvez ele estava tão impaciente pelo fim do jogo quanto eu.
Escrito por Kid on Mar 27, 2006
Da série Não sou suporte técnico, filho duma puta ou Postando imagens enquanto termino um texto pra vocês

Escrito por Kid on Mar 25, 2006

[ Update ] Não é montagem, seus burros.
Escrito por Kid on Mar 23, 2006
Tanto insistiram que acabou sendo criado – o blog agora tem um canalzinho de IRC, o que me faz questionar a utilidade do Internet Relay Chat na era pós Instant-Messenger-com-função-de-webcam-que-incentiva-putaria, popularmente conhecido como MSN.

Israel Nobre – Usando padrões de cores carnavalescos no mIRC desde 1997
Mas não reclamem comigo, vão reclamar com o
O servidor é irc.voxliber.org, e o canal é #HBD. Estarei dando passadas frequentes lá, pra assinar autógrafos, beijar bebês, acenar pra multidão e dar entrevistas coletivas contanto que não façam perguntas a respeito de uma espinha que apareceu no meu queixo ontem à noite.
Se a noobice é o seu problema, não se mate ainda – aqui está um tutorialzinho com tudo que você precisa saber pra vir falar com a gente. Tá esperando o que, malandro?
E “vamos pra BrasNet” é o caralho.
Obrigado. |
Escrito por Kid on Mar 21, 2006
Vocês que lêem este blog com frequência a despeito do fato de que eu simplesmente deixei de leva-lo com a seriedade de outrora devem estar antenados no último melodrama virtual em que me meti – aquela saia justa no Wikipédia a respeito da permanência versus suprema eliminação do artigo do HBD. Rapaz, e que confusão bonita, como há muito não se via por estas bandas. Alguns chegaram a equivaler a putaria wikipediana ao julgamento de Michael Jackson, igualmente repleto de referências cômicas porém com consideravelmente menos crianças molestadas sexualmente.
Como deixei claro no começo dessa animada disputa internética a respeito da ética e democracia da suposta enciclopédia livre – tema que alguns debatedores mais exaltados tentavam insistentemente mudar pra “número de pirocas mulatas que os admins da wikipédia chuparam hoje, sem camisinha” -, não meti meu dedo canadense no meio daquela merda. Deixei que os leitores usassem sua habilidade (ou falta de, em muitos casos) comunicativa pra argumentar a favor do artigo.
Entretanto, minha imparcialidade suíça não me impediu de dar uma cuidadosa olhada nos argumentos, tanto pró como contra a permanência artigo. Achei muita munição pra detonar a já combalida credibilidade do grupo de moderação da Wikipédia portuguesa, comicamente composta em sua maioria por garotos de 15 anos que participam da comunidade a menos de dois meses (não estou exagerando). Porém, eu já havia decidido não usar o HBD pra manipular cuidadosamente a opinião dos leitores a meu favor, como costumeiramente faço, e assim sendo limitei-me a traçar comentários mentais ridicularizando a turma de elitistas que controlam a Wikipédia como se fosse um clubinho particular deles.
Distraído facilmente como só eu consigo ser, vi-me passeando por outras discussões a respeito de eliminação de artigos pouco enciclopédicos. Minha parada final, onde fiquei por mais tempo, foi a página de “piadas foleiras“, com a atenção especial à escrota gíria lusitana. Aliás, escrotidão lusitana parece ser o tema oficial adotado pela Wikipédia portuguesa. Creio que está na hora dos brazucas chutarem a bunda portuguesa mais uma vez e expulsá-los de onde eles pensam ser donos, mas isso é assunto pra outro post em que manipularei a opinião de vocês a meu favor.
Então, piadas “foleiras”, que imagino ter algo a ver com fole, tal como em “gaitas de fole”. Uma das incríveis vantagens do sistema wiki é que qualquer sujeito pode editar o acervo da enciclopédica, adicionando informações úteis e tornando o assunto mais rico. O problema é que antes mesmo de chegar ao fim da frase anterior você percebe que a idéia é incrivelmente auto-sabotadora, uma vez que 99% das pessoas na Internet parecem estar genuinamente dedicadas à atividade de foder tudo pra todo mundo.
E aí entram as piadas foleiras, que são edições tão deliciosamente sem sentido que se tornam piadas por si só. Jamais saberemos se os sujeitos maquinaram as edições com intuito claro de avacalhar ou se são apenas portadores de síndrome de Down que conseguiram alcançar o computador do hospital antes que os enfermeiros os alvejassem com dardos tranquilizantes atirados de zarabatanas. Inclino-me muito à segunda concepção, uma vez que alguns textos têm toda a ingenuidade e espírito infantil que apenas uma pessoa com problemas no vigésimo primeiro cromossomo exibiriam, mas isso pouco importa. Intencionais ou não, as piadinhas ganharam um espaço exclusivo na enciclopédia, o que atesta que “piadas foleiras” é um termo espantosamente escroto.
Abaixo, uma coleção dos meus favoritos disparates encontrados por aquelas bandas. Aproveitem.
Impecável estrutura gramatical.
Email via Wikipédia.
Algumas pessoas mandam cartões virtuais, outras vandalizam a Wikipédia.
Tão compreensível quanto o teorema de Fermat escrito em klingon.
Aula de geografia.
E o prêmio Nobel de química (acompanhado de prisão por porte ilícito de entorpecentes) vai para…
Internet – Trazendo de volta a pessoa amada desde 1997
“Sujeito edita artigo livremente editável por qualquer pessoa com um modem, classifica o ato como atividade hacker e expõe-se ao ridículo público” – Notícias que eu nunca verei num jornal.
Besteirol sem rodeios e direto ao ponto. O autor do artigo não o concluiu porque era arrastado pra longe do computador por cinco enfermeiros.
Capitão Óbvio arruma trabalho como professor de geografia.
Irmã Gorete Conceição do Rego, da Igreja Universal perto da pracinha, diz o que pensa sobre religiões afrobrasileiras.
Eu não sei o que falar disso. Acho que dispensa tentativas de explicação.
Nem culpo mais os sysops da Wikipédia. Os caras estão tão acostumados a ver porcaria injetada naquele negócio diariamente que já apagam artigos alheios por puro reflexo.
Porra, há uma expressão em inglês que define muito bem esse tipo de atitude – o “knee jerk reaction“. Não há nada tão específico na língua portuguesa, ou ao menos não que eu me lembre. Maldita língua portuguesa e/ou minha fraca memória.
Escrito por Kid on Mar 20, 2006
Trunks desenhou uma série de tirinhas faz mais ou menos dois meses, e só agora me dei conta de que o moleque quer que eu publique o trabalho dele aqui. E que melhor hora pra fazer isso senão o momento em que eu tou com preguiça de escrever?

Clicaí pra ver maior.
Já já (ou mês que vem) posto a próxima.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
Flickr
Categorias
Arquivos
Fotinhas
Mais
Prestigie, filho da puta
Vagabundos
Últimos comentários
Links
Posts recentes
Troços