Escrito por Kid on Apr 28, 2006
Cabei de ligar pro Joe, meu ex-chefe lá na Frosty Freeze. Aparentemente eles estão precisando de mais moleques pra preencher as “cadeiras”, então descolei um trampo pra mim e pro Trunks. Já na segunda-feira, vestirei mais uma vez aquele aventalzinho da Kibon gringa (imbecilmente nomeada “Good Humor” aqui nos Canadás) e patrulharei as ruas de Oshawa à espreita de moleques com dinheiro nas carteiras.

Uma das fotos do ano passado
Aguardem mais aventuras do sorveteiro, dessa vez com vídeos e fotos. Vou ver se dessa vez gravo uma entrevista com algum moleque gringo dizendo palavrões em português pro vosso deleite.
Deixa eu ver se ainda tenho aquele GIFzinho que eu usava no topo dessa série de posts. Caralho, não consigo acreditar que já faz um ano que trabalhei naquele negócio.
Escrito por Kid on Apr 27, 2006
Aniversário de dois anos de namoro é considerado, pra todos os fins HBDísticos, feriado. Então vou me dar uma folga hoje.
Post novo em breve.
Escrito por Kid on Apr 25, 2006
[ Update ]
Minha nova assinatura no fórum:

…
De acordo com a ligação que recebi do meu pai ontem de manhã, ele está, de fato, em outro lugar que não é este apartamento. O véio informou que chegou com segurança em Montreal, embora a confirmação telefônica de sua ausência fosse virtualmente desnecessária. A julgar pela impressionante pilha de pratos sujos na pia, os DVDs favoritos dele espalhados pelo chão da sala (apostei com meu irmão que era possível representar um átomo de Irídio com a coleção especial Star Wars. Perdi.) e a recente transformação do que antes era a cama paterna numa sensacional mesa de Dungeons and Dragons, era bem óbvio que a única coisa que mantem a ordem nesse apartamento não está por perto pra chilicar a respeito da bagunça como de costume.
A ausência paterna trouxe um pequeno probleminha colateral - por algum motivo que ninguém jamais entenderá, o velho levou o meu desodorante com ele. Aquele tubinho de Axe (era Axe?) era a única coisa impedindo que meu suvaco se transforme permanentemente num emissor de odores que fariam uma cebola chorar.
Há algum dinheiro na minha carteira, vinte dois dólares e trinta e quatro centavos pra ser mais exato. Um tubo extra de desodorante (ou seja, um item semi-supérfluo, como marshmellow ou controles USB pra jogar emuladores de SNES) representam quatro dólares que eu não precisaria gastar, um golpe à minha economia. Dá pra comprar um booster de Magic com essa grana, caralho! Ok, tá certo, eu não jogo mais Magic. Tá, eu também não sei se o preço de booster ainda é esse. E tudo bem, talvez eu tenha matado uma prostituta e enterrado o corpo dele embaixo de um pé de siriguela quando eu morava no Maranhão. Mas esse não é o ponto! Além disso, meu suvaco já estava cheirando como um gambá que morreu há 15 horas e depois foi mergulhado num balde de amônia em que alguém havia mijado. Sair de casa nessas condições, ainda que o propósito seja minimizar o problema, não é exatamente o tipo de coisa que você devia fazer.
E vamos ser sinceros aí de uma vez por todas - eu simplesmente não gosto de tomar banho. Não pensem que eu sou um hippie comunista estudante de filosofia que mantem longos dreadlocks à base de semestres sem entrar em contato com água, talvez porque a empresa que fabrica a ducha da sua casa desrespeita as convenções estabelecidas pelos Sindicatos dos Trabalhadores de Fábricas de Duchas. Como todo bom leninista, eles fedem como protesto em nome do proletariado, são sebosos por uma ideologia. Eu, por outro lado, tomo banhos diários. E lavo até atrás das orelhas, coisa que eu aposto que vocês não fazem.
Acontece que eu simplesmente não gosto de banhos. Talvez tenha a ver com um dia em que uma tarântula saiu do ralo do chuveiro enquanto eu passava shampoo nas madeixas e cantarolava uma musiquinha do N’Sync, completamente desatento pro que acontecia perto do meu pé. E não, isso não é uma tentativa de piadinha - o pesadelo acima realmente aconteceu, o que me dá uma excelente desculpa pra fingir um trauma inexistente. Ao menos posso justificar o desgosto por banhos.
O leitor-padrão do HBD, o sujeito que provavelmente passou mais tempo jogando Diablo no Battle.net do que a maioria das pessoas passa respirando, certamente é familiarizado com falta de banhos. O típico nerd internauta, ou seja, o público-alvo que eu tenho em mente quando jogo textos neste site, não é o tipo de pessoa que costuma dar importância pra detalhes insignificantes como higiene pessoal. Aliás, eu proponho um desafio a todos vocês. Olhem pros seus teclados e mouses. Se eles não têm uma visível camada de óleo cobrindo toda sua superfície de forma que você possa seguramente usa-los pra caçar espinhas na cara, você não é um leitor HBDIsta de verdade.
Mas até mesmo você compreende a necessidade de uma ocasional visita ao banheiro praquela lavadinha mensal. E nesses dias de falta de desodorante, desenvolvi uma técnica que imaginei que vocês achariam bastante útil.
Então, como eu disse lá em cima, meu pai viajou e levou meu único desodorante. Isso normalmente não seria um problema, caso minhas glândulas sudorípadas não me fizessem o favor de vomitar litros e mais litros de suor em direção aos meus cotovelos. O único paliativo seria tomar um banho a cada 47 minutos, mas puta que pariu, ninguém teria disposição pra isso. “Foda-se”, pensei inicialmente. Enquanto o suor ainda não estiver pingando no chão pela manga da camiseta, não há necessidade de me limpar. Acontece que este luxo é incompatível com a minha habilidade de manter uma namorada. E alguma coisa precisaria ser feita.
Foi aí que tive um insight - pra que lavar o corpo inteiro se a única parte que fede como um queijo podre que alguém esqueceu embaixo da geladeira por cem anos é o seu suvaquinho? Por que não apenas dar um banho no suvaco?
A idéia é tão incrivelmente simples que eu não me surpreenderei se meia dúzia de nojentos comentarem dizendo que eu plagiei um hábito que eles praticam desde os seis anos de idade. Eu tiraria fotos pra ilustrar este texto, mas meu pai levou a câmera digital também. Usarei fotos aleatórias no texto; use a imaginação e faça de conta que elas se encaixam no texto.
Aliás, foda-se. Não vou pôr imagem nenhuma, porque afinal de contas a técnica é muito simples e nem precisa disso. “Banhar o suvaco” é um negócio tão revolucionário e holístico que, apesar de eu nem saber o que a última palavra significa, eu tenho certeza que ela se aplica à prática. Se ela funcionou pra mim e eu ainda tenho uma namorada, deve funcionar com você também, a menos é claro que ela não funcione de jeito nenhum.
Seguinte.
Ao primeiro sinal de corrimentos suvacais, vá pro banheiro. Remova a camiseta. O próximo passo é uma variável, ela dependerá de quanto tempo você demorou pra finalmente sair da frente do computador. Se a resposta foi “três dias”, remova a camiseta tomando o cuidado de que ela não encoste nos seus olhos e jogue-a no lixo.
Apanhe a toalha mais próxima e, usando essa esperteza que apenas um brasileiro pode exibir, confeccione um vestido “tomara que caia” ao redor do seu peito, evitando a área axilar. Lave suas mãos imundas e ensaboe-as. Tasque a espuma no suvaco. Repita o processo quatro ou cinco vezes.
A idéia por trás da técnica é simples - seu suvaco é uma criatura subdesenvolvida; ele não conseguirá diferenciar um banho de verdade de um banho “localizado”. Simulando um banho, seu suvaco voltará à sua condição pristina, isso é, quando ele não fede como um mendigo que caiu num depósito de absorventes usados. E tudo isso sem o incômodo e desconforto de um banho “real”.
Uma técnica tão avançada não poderia deixar de levantar questões polêmicas. Banhar o suvaco faz de você um sujeito asqueroso que não merece participar de círculos sociais (ou receber scraps, muitas pessoas atualmente acreditam que são a mesma coisa)? Banhar o suvaco é na verdade uma prática que deveria ser não apenas desestimulada, mas proibida e punível com sanções da ONU a menos que você tenha motivos religiosos pra usar como desculpa? Banhar o suvaco fará de você uma pessoa que a maioria do mundo ocidental desprezará?
Tecnicamente sim, mas eticamente e realisticamente sim também.
Escrito por Kid on Apr 22, 2006
Ô pessoal, obrigado pelo apoio aí com o novo banner/click e tal. Por incrível que pareça, a margem de lucro desse novo sistema é MAIOR do que a do AdSense. OMG REVERSE OF FORTUNE, por essa eu realmente não esperava mesmo. Resta saber se esse Clickschange vai ser fiel mesmo, ou se só mandou o primeiro cheque pra eu me animar.
Uma pequena ressalva é necessária, no entanto - não percam seu tempo clicando repetidamente, os cliques não são contabilizados. Outro dia tive 93 cliques, dos quais apenas 70 foram validados. Dois leitores menos espertos apareceram no MSN animadaços, dizendo que “se dependesse deles, o Kid vai ficar rico! Cliquei umas quarenta vezes já!“. A ingenuidade de uma criança é de doer na alma.
Um cliquezinho por dia e tá bom demais, gente fina. Mais que isso eu não poderia pedir de vocês.
Post de verdade semana que vem. Escrever no fim de semana é uma merda, sacomé.
Escrito por Kid on Apr 20, 2006
A turma do FHBD iniciou uma nostálgica discussão a respeito de páginas internéticas que os foristas faziam anos atrás. O Vexille linkou meu sitezinho extremamente mal feito, colocado no ar em 2000, com informações sobre um joguinho freeware que eu curtia naquela época, e um site dele sobre Pokemon.
Caralho, parece que eu uploadeei aquele site há uma eternidade.
Surgiu a idéia de procurar meus sites e blogs antigos. A grande maioria deles não está mais acessível, mas é pra isso que serve o WebArchive. Consegui reler blogs que eu havia posto no ar em 2001, cujos servidores já apagaram há alguns anos.
A mudança na minha personalidade virtual (e real) é gritante. Minhas publicações daquele tempo não passavam de pequenas declarações irrelevantes sobre meu dia-a-dia, no melho estilo diarinho virtual insignificante, com inúmeros erros preguiçosos (”tah” no lugar de “tá”, “kra” no lugar de “cara”, esse tipo de coisa abominável mesmo). Meus blogs do passado eram o tipo de coisa que manchavam a internet mesmo.
Reler essas bobagens que eu jogava na internet há anos é curioso. Ler um blog antigo meu, que era sob todos os ângulos nada além de um diarinho sem graça, é mais interessante do que eu jamais imaginei. Eu não sou mais aquela pessoa que eu era antes, e duvido que algum dia serei novamente. O Kid de outrora, assim como aquela fase que eu vivia naquele específico período, morreu.
Nas entrelinhas dos textos dá pra notar aquela inocência do sujeito que havia acabado de entrar na faculdade, a ingenuidade de quem tava com a primeira namorada e achava que ela era virgem, a simplicidade de quem acreditava que um homem invisível no céu criou o universo em sete dias.
Só mesmo lendo esses textos pra que eu finalmente me convença de que realmente amadureci.
No embalo, criei um novo blog-diarinho pra reler daqui há 4, 5 anos. É quase como uma capsula do tempo, aquelas paradinhas que os malucos enchem de relíquias contemporâneas e enterram pra abrirem novamente em dez ou vinte anos. Vou lotar de fotos, algo que me arrependo de não ter colocado com frequência nos meus diarinhos de meia década atrás, e muitas outras irrelevâncias diárias que não interessará a ninguém além de mim mesmo em alguns anos.
E quando tiver terminado o layout do HBD 2, escrevo um texto “de verdade”.
Futebol Kombat
Escrito por Kid on Apr 17, 2006
Aposto que vocês querem saber mais sobre traquinagens infantis enolvendo agressão física desnecessária, impune e covarde. Confessem aí, vocês entraram no blog hoje só pra isso (se eu estiver errado, não respondam).
Uma outra brincadeira que mandava muitos moleques chorando pra diretoria era uma cujo nome não lembro, mas alguns moleques chamavam casualmente de “Futebol Kombat”, uma referência a um vídeo-jogo quase tão violento quanto a brincadeira. O envio à diretoria não era (apenas) graças aos machucados relacionados ao jogo, e sim pelo fato de que ele se tornou altamente ilegal nas dependências do colégio, e qualquer um flagrado no meio da brincadeira era enviado pra casa mais cedo. O que era bom, se você parar pra pensar; ninguém está disposto a assistir mais duas aulas de matemática com uma vertebra deslocada, especialmente se você não estava com muita paciência pra aprender logaritmos naquele dia em particular.
Futebol Kombat, assim como os outros jogos infantis que têm como único objetivo descer o sarrafo nos amigos sem se preocupar com as ramificações do ato, não tinha regras distintas. Por algum motivo, Futebol Kombat não era um esporte olímpico, então não havia um comitê pra decidir aspectos importantes com gameplay, como “chute no pescoço é falta”, ou “berrar o nome da mãe de um oponente não é o método oficial de pedir tempo”. Devido à falta de um comitê oficial com sigla importante pra nos dizer exatamente o que podíamos fazer durante uma partida de Futebol Kombat, a tarefa recaia sobre o moleque mais forte que estivesse na quadra naquele momento e/ou seus amigos - e se você discordar de alguma decisão do sujeito, seus dentes poderão formalizar uma reclamação oficial contra o punho dele. O fato de que o brutamontes ocupava a função de juíz não-oficial não significava, obviamente, que ele não quebraria as próprias regras que alterava ou inventava, especialmente (e principalmente) quando isso pudesse o beneficiar. E em Futebol Kombat, o “benefício” de alguém significa que alguma outra pessoa voltará pra casa com algumas unhas a menos.
“E o que diabos era Futebol Kombat, porra? VOcê está falando e falando e tentando enfiar piadinhas no texto e ainda não explicou nada sobre o maravilhoso esporte e desse jeito eu não vou clicar no seu banner ok tchau.“, você pensou com seus botões ou zíperes ou presilhas de velcro ou aqueles ganchinhos que prendem sutiãs no lugar. Não lembro todos os detalhes e minúcias a respeito daquele esporte, mas eu duvido que qualquer pessoa que jogou mais de quinze minutos daquilo lembre de muita coisa - há um limite de porradas que o cérebro humano pode levar até que algumas de suas funções como memória (ou controle intestinal) comece a falhar. Em minha experiência, eu diria que depois da terceira porrada você não sabe mais nem onde está. Na quinta, suas cuecas mudavam de cor e a viagem de volta pra casa seria bem desagradável pra todos que pegassem o mesmo ônibus que você.
Futebol Kombat é um esporte sem limite de participantes, embora um número alto seja mais aconselhável. Qualquer quantia inferior a vinte moleques não seria considerada uma partida séria; se muito, uma peladinha de várzea com travinha de tijolo. Pivetes de séries inferiores à quinta, pra todos os efeitos, não eram contados no número final de participantes. Não era apenas preconceito contra os guris menores (que realmente tínhamos), havia uma série de motivos pra explicar isso.
O primeiro é que tais crianças raramente possuem o porte pra defender seus pontos vitais das porradas que sem dúvida levariam exaustivamente, então a gente tinha que evitar esmurrar seus estômagos/chutar suas bocas com muita força. Por conta disso, não os considerávamos oponentes válidos. A menos que você saiba levar uma mísera joelhada na orelha e não sair correndo chorando, não nos faça perder nosso tempo considerando você um jogador.
O segundo motivo é que era muito comum um jogador subitamente arrancar um moleque menor do meio dos transeuntes e arremessá-lo contra os inimigos, ou ainda usá-lo como escudo humano. Por causa disso era extremamente difícil contabilizar com precisão o número de crianças menores que participavam (ainda que involuntariamente) da brincadeira, uma vez que o número era flutuante. Vale lembrar que, em Futebol Kombat, é incrivelmente complicado diferenciar participantes voluntários dos involuntários. Por via de regra, qualquer jogador que estivesse sendo vítima de porradas podia ser considerado um participante “involuntário”, ao menos naquele exato momento. Ninguém gostava de levar porradas por vontade própria.
Tudo que você precisa pra jogar Futebol Kombat é uma bola - embora uma mochila tivesse sido usada uma vez, com resultados catastróficos. Se você guarda seus óculos numa mochila, você tem a obrigação de me avisar antes do recreio - e um bando de garotos com pouco medo de quebrar ossos ou reputações impecáveis como estudantes comportados.
O setup do jogo era muitíssimo simples. A pivetada adentra a quadra. Definem-se os “locais salvos”, geralmente as traves ou “a bunda da tua mãe”, quando algum palhacinho estava jogando. Feito isso, a bola e/ou mochila era lançada no meio da quadra, e a partir daí o pandemônio se instalava no local. Poucas regras valiam, ninguém era de ninguém e no caso de esfaqueamento todo mundo sabia que “ninguém viu nada”.
O jogo resume-se em dominar a bola, enfiar-lhe um poderoso chute que a jogue em direção de um outro jogador, e rezar pra que ele seja atingindo pela bola sem controlá-la com pés ágeis (o que poderia resultar em um vingativo contra-ataque).
No momento que a bola entrava em contato com seu nariz, testículo esquerdo ou qualquer outro ponto cuidadosamente premeditado pelo oponente pra causar mais dor, você se tornava automaticamente o alvo dos outros quarenta moleques que povoavam a quadra; chamemos o jogador atingido de “Infeliz”. Nesse momento, a menos que o Infeliz tocasse os “pontos salvos” ou acertasse outro jogador com a bola, qualquer pessoa num raio de dois quilômetros tinha o direito quase bíblico de descer a porrada nele.
Os momentos imeditamente seguintes ao contato Bola-Infeliz eram os mais difíceis de se estabelecer o número exato de jogadores. Qualquer transeunte que por um motivo ou outro não fosse muito com a cara do Infeliz do momento sentia a obrigação moral de largar o que estivesse fazendo e participar do jogo imediatamente, mesmo que só por essa rodada. Não era raro encontrar no meio do público espectadores que assistiam ao jogo com a única finalidade de invadir a quadra quando um inimigo de longa data fosse transformado em Infeliz. Era o momento mágico em que você poderia se impulsionar da parede, arremessar-se em direção à turba ensandecida e, praticamente anônimo, introduzir uma potente voadora no meio do joelho do sujeito sem que ele tivesse muita chance de revidar. Com outros oitenta pés voando em direção ao seu rosto, é impressionante como você perde a capacidade de se defender.
Futebol Kombat dava uma chance única às castas reprimidas da escola, que no jogo podiam canalizar suas frustrações e os anos de abandono social escolar em um salto mortal com perna estendida em direção às órbitas oculares de alguém que fosse levemente (ou não) relacionado aos seus desgostos juvenis.
Ao contrário do que possa parecer, o Infeliz não era totalmente indefeso. Bom, ele estava invariavelmente fodido, isso é fato - mas havia algumas regras que davam uma efêmera sensação de segurança. Se não fosse por elas, a prática do Futebol Kombat dificilmente teria se estendido a uma segunda partida.
O Infeliz tinha basicamente duas escolha. A primeira era correr desabaladamente em direção aos supracitados “pontos salvos”, ou seja, verdadeiros totens de segurança mágica. Com um toque, todos os outros jogadores abandonam a perseguição e voltam sua atenção à bola, exceto aqueles que não queriam dar a corrida como perdida e metiam-lhe uma voadora nas costas anyway, alegando que “porra, não vi tu pegando na trave, ein! Mas tudo bem, isso são águas passadas. Sem ressentimentos, né? Cadê a bola?”
A segunda opção do Infeliz era defender-se como podia dos avanços bárbaros daqueles que há dois minutos eram bons amigos seus e até pegavam carona com você nos dias em que os pais deles voltavam bêbados pra casa, espancavam a mulher, chutavam o cachorro e dormiam sentados na privada, esquecendo de pegá-los no colégio. É desnecessário dizer que essa opção funcionava por menos de 10 segundos, até que você percebia que sair correndo em direção à trave talvez resultassem em menos hematomas.
Havia algumas táticas alternativas, também. O momento em que a bola te acertava no meio das costas (ou seja, sua “coroação” em Infeliz) era o exato instante em que muitas crianças ingênuas o bastante para assistir o jogo de perto eram arrancadas do meio da multidão e eram literalmente arremessadas em direção aos atacantes. Valia agarrar o que o braço encontrasse; vi moleques sendo puxados pela cueca, rodopiados e jogados no meio da galera como um pedaço de filé jogado num aquário de piranhas. Mas era um tipo especial de aquário que, invés de água, estava preenchido com uma mistura de ácido sulfúrico, urina e explosivo plástico em chamas.
Diz-se que a necessidade é a mãe da invenção. Seja lá quem falou isso devia jogar ou ao menos assistir Futebol Kombat - nos momentos de desespero, os Infelizes transformavam qualquer coisa em seu alcance em rudimentares armas brancas de curto e longo alcance, com considerável sucesso. No melhor estilo MacGyver de ser, camisas viravam chicotes e sapatos viravam luvas de boxe. Vi até um garoto arriscar uma tentativa de fabricar uma espécie de funda bíblica (como aquela usada por Davi contra Golias), que funcionaria propulsionando o sapato a velocidades indecentes girando a camisa acima da cabeça e liberando o sapato em seguida. É uma pena que alguém acertou-lhe um chute na virilha antes que sua invenção pudesse nos maravilhar com seu funcionamento.
Como é perceptível, a despeito do esforço e criatividade dos jogadores, lutar contra a maré em Futebol Kombat acabava sendo infrutífero em 127% dos casos. Ou você corria desesperadamente como o Thiago Fialho corre atrás de exposição internética, ou aceitava as porradas de peito (e braços, e cotovelos, e canelas, e pescoço) aberto como o Thiago Fialho aceita as pequenas menções de seu site como medalhas de honra ao mérito. Resistir, como diriam os guardas Vogons, era inútil.
Aquele que nunca jogou Futebol Kombat não sabe a definição correta de “adrenalina”, a menos que você tenha um dicionário ou uma conexão à internet e o link de um dicionário online, senão nesse caso você sabe a definição de adrenalina. Em um segundo de jogo, dúzias de emoções diferentes atravessavam sua mente - o puro terror de ver a bola avançando velozmente contra você; a conclusão quase imediata de saber que não poderá sair da rota de colisão com ela; o choque e a constatação de que ela havia de fato entrado em contato claro com seu joelho, e finalmente o momento em que os outros jogadores também percebiam isso… ahhh, era bom demais.
Arrume uns amigos, convença-os a aceitar porradas com esportividade ainda que estas signifiquem gastos desnecessários com meses de fisioterapia e vá jogar um Futebol Kombat hoje mesmo! Na pior das hipóteses, você tira umas fotos dos resultados da partida e ganha uma graninha vendendo as imagens pro Ogrish.com.
O Ogrish paga por essas coisas, né?
Escrito por Kid on Apr 15, 2006
Tá vendo esse link logo abaixo do banner do Mecado Livre (que não é meu, e sim de um leitor que me pagou pra eu exibi-lo no HBD)? Então, a partir de hoje, é através dele que você poderá dar uma ajudinha financeira ao seu blogueiro canadense.
Logo que fui chutado do Adsense experimentei com vários sistemas de banners, mas nenhum era confiável. Usei o tal ClickXchange por uma semana, desistindo logo em seguida por achar que tinha credibilidade similar aos outros que eu já havia usado. A idéia foi abandonada ontem, ao verificar minha caixa de correio e dar de cara com um cheque dos caras (que eu nem sabia que eles haviam enviado, já que eu nem logava mais no site deles). Embora a grana não seja equivalente ao que o AdSense me pagava, é um valor considerável e suficiente pra abandonar algumas manias que a falta de banners me causou.
O que eu quero dizer é que a partir de agora volto a receber graças aos cliques de vocês. Consequentemente, acaba-se hoje a mendigância - algo que eu nunca gostei de fazer, na verdade. O problema é que é difícil escrever sem algum tipo de motivação; é difícil levar alguma coisa com seriedade e disposição sem nenhum tipo de recompensa. Com a recém-adquirida motivação, dá pra voltar a levar o site mais a sério, e parar de empurrar com a barriga ou escrever textos novos apenas uma vez por semana. Será mais fácil colocar conteúdo novo quase diariamente aqui no blog, como era natural antigamente nos tempos do AdSense. O HBD de outrora renascerá das cinzas. Aguardem mais resenhas de SNES, mais resenhas de filmes e, como não poderia ser diferente, mais confusões. Capaz até do post das Patricinhas Intercambistas finalmente sair, sem nenhum de vocês ter que meter a mão no bolso.
É claro que pra isso não basta colocar o link/banner do ClickXchange aí em cima; estou contando com a colaboração de vocês. Se a fidelidade de vocês continuar como era na época do AdSense, tenho certeza que não vou precisar relembrar vocês toda semana de clicar no troço. Como eu já disse, quero evitar qualquer coisa que lembre aquela mendigagem virtual de uns tempo atrás.
Ah, e um esclarecimento final - devido ao relativo sucesso comercial da idéia, continuarei oferecendo espaço de propaganda aqui no blog. Mas, se a colaboração dos leitores com os banners for mais do que o esperado, não vou encher o saco de vocês com múltiplas propagandas. O espaço oferecido aos leitores será extinto, sobrando apenas o bannerzinho do ClickXchange. Não quero abusar da paciência de vocês.
Enfim, é isso aí. Xeu terminar um post “de verdade”.
Castanha
Escrito por Kid on Apr 15, 2006
Hoje lembrei que havia prometido um texto a respeito de violência infantil há algum tempo, na sequência de um primeiro post sobre o assunto. Pra refrescar a memória de vocês - e pedindo licença pra repostar o texto original -, aí vai aquele primeiro post.
…
Não sei se vocês já perceberam, mas existe um inerente fascínio infantil por violência.
Quando eu era guri e ia a uma locadora, o primeiro lugar que eu ia era à sessão de terror. Terrores sobrenaturais não era o que me atraía, o que eu queria mesmo ver era sangue. Procurava entre as fitas a capa cujas imagens tivessem a maior quantidade do líquido vital. Achava o maior barato ver aquelas maquiagens que simulavam cortes e buracos na pele, que nos filmes invariavelmente esguichava plasma suficiente pra abastecer dois bancos de sangue em algum país africano.
Não sei se isso acontecia com todo mundo, mas era assim comigo. Se todos somos vítimas dessa estranha atração, está explicada a origem dos estranhos jogos infantis que envolvem violência gratuita entre moleques de treze anos.
Sem dúvida você já deve ter visto uns joguinhos desse tipo, onde dez ou mais crianças decidem duas ou três regras que apenas “legalizam” a troca de sopapos, dando algum tipo de pretexto para o ato. Se não, os meus amigos eram uns doentes que devem estar até hoje pagando por ajuda psicológica.
Quando eu era criança, havia duas brincadeiras (se é que posso chamar aquelas demonstrações de ódio de brincadeiras) que atraíram minha atenção muito mais do que o pega-pega ou esconde-esconde - com exceção às ocasiões em que a Fernanda, uma irmã gostosa de um dos amiguinhos do bairro, brincava com a gente. Não me entendam mal, ser agraciado com o direito impune de encher um desafeto de porradas (ainda consentindo em ser sujeito ao mesmo tratamento) é uma beleza, mas não se equivale à diversão se se espremer pra caber num lugar apertado junto com a Fernada, sob a convincente alegação de que “esse é o melhor lugar, eles nunca vão achar a gente aqui, hihihihi!”
Mas então, as porradas.

Uma das brincadeiras se chamava, inocentemente, “Castanha”. Os mais ingênuos de vocês poderão supor logo de cara que o jogo se tratava de arremessar castanhas uns nos outros, mas isso apenas prova que sua criatividade para violência é muito limitada, ao ponto de aceitar sugestões por causa do mero nome da brincadeira. Castanha era muito mais profundo que arremessar hortaliças (não sei se uma castanha é uma hortaliça, mas direi aqui que é pois nunca pude usar essa palavra num texto) no olho de um coleguinha.Castanha era um jogo simples, a despeito de que para algo ser considerado um “jogo” deve haver algum sistema de pontuação ou competição real. Por definição, Castanha não era um jogo muito mais do que era um método de tortura. A brincadeira era simples e consistia de apenas duas etapas simples:- Localizar alguém que acabou de se sentar na sua cadeira.
- Correr até o indivíduo que acabou de se sentar e enchê-lo de porradas.
Só isso. Incrível como algo tão simples conseguiu mandar tantas pessoas pra diretoria da escola. Havia variações nas regras básicas, mas a idéia principal nunca foi alterada: corra pra cima de quem se sentou e projete partes do seu corpo (mão, pé, cabeça, bunda, vai ao gosto do freguês) com violência contra o infeliz.
Ninguém estava imune, pois o privilégio de participar da brincadeira era dado a para todos todos, quer eles desejem brincar ou não. Era praticamente uma emulação da democracia adulta a qual nos acostumaríamos um dia, como o voto obrigatório.
A única forma de se excluir do jogo era sendo portador de alguma deficiência extremamente debilitante, (o que o salvaria das porradas mas não das piadas extremamente maldosas) ou não ir à escola. Sendo impossível passar um dia inteiro sem se sentar na cadeira, aqueles que optavam participar das aulas tinham uma única forma de se salvar das bordoadas: qualquer pessoa que desejasse sentar a bunda na cadeira deveria dizer, em alto e bom som para que todos ouvissem, “castanha” (daí o nome do jogo).
Nunca saberei por que escolheram essa palavra. O que sei é que esse verbete mágico salvou os órgãos internos de muita gente. Digo isso porque em algumas ocasiões, o som resultante de um murro nas costas dava a impressão de que os pulmões do sujeito foram atingidos pela mão cruel do indivíduo que administrou a punição naquele que foi burro o bastante pra esquecer de “pedir permissão” pra sentar (que frase longa, que horror).
Nenhum momento era sagrado. Você poderia estar emprestando uma fita de SNES pro seu amigo que senta atrás de você, e logo em seguida sentar-se sem pronunciar a palavra redentora (por esquecimento ou pela ilusão de que prestar um favor ao amigo o livraria do espancamento); levava porrada a despeito de qualquer coisa.
Eu estudava no Colégio Adventista; lembro-me de uma ocasião em que um garoto entrou na sala durante o momento da oração diária (eles nos obrigavam a orar no começo do horário letivo). Todos (ou quase todos) de cabeça baixa, falando pra Deus algo que ele supostamente já deveria saber mesmo, quando o moleque sentou-se na cadeira. Alguém estava de olho na situação e não perdoou o erro. Um baque surdo ecoou na sala, seguido de vários outro, menos potentes mas mais numerosos. A classe inteira abriu os olhos; o moleque recém chegado na classe estava debruçado no chão, e seus cadernos e livros espalhados pelo piso da sala. O carrasco voltava silenciosamente pra sua cadeira, com um olhar de “missão cumprida” no rosto, provavelmente pensando em contar vantagem sobre o fato de que ele foi o único a ver o menino que sentou sem dizer “Castanha”.
Ah, tinha outra brincadeira. Mas esse post tá grande demais, conto no futuro.
Escrito por Kid on Apr 12, 2006
Imperia Online, The Mobster, Eixo do Mal, The Crims, Omerta, Kingdom of Loathing… esses são apenas alguns dos joguinhos de navegador que fizeram despencar os gráficos de produtividade de escritórios ao redor do mundo. Nos últimos dois anos esse tipo de jogo ganhou popularidade, e não há um fórum sequer que eu acesse que ainda não tenha sofrido a influência dos web-based MMOs. Aposto minha bola esquerda que muitos aí passaram os últimos meses atacando jogadores daquela poderosa guilda coreana enquanto seu chefe achava que você estava escrevendo um relatório sobre a agenda do seu setor. O coitado nunca imaginou que você não estava preparando as apresentações pro pessoal do Marketing, e ao invés disso suas spreadsheets no Excel tinham como finalidade calcular meticulosamente a progressão do seu império virtual, e quanto tempo demoraria pra obter os recursos necessários pra finalmente foder os coreanos no cu com um ataque supresa que nem Napoleão poderia ter planejado. Suas habilidades estratégias importam-se pro mundo real no dia que você começou a procurar proxies pra acessar o site do jogo no caso da galera do departamento de rede bloqueasse a URL do seu joguinho.
O problema desses joguinhos de RPG/estratégia que rodam direto do seu navegador é que eles são sobrenaturalmente chatos.
Mas Travian é até legalzinho. É bem parecido com Civilization: complicado à primeira vista, mas a jogabilidade não é tão profunda a ponto de que você precisará ler 5 manuais em PDF pra entender como construir a primeira casinha.

Admita, ao menos ele parece mais interessante que aqueles outros joguinhos de navegador em que tudo que você vê são números e botões.
A legião de desocupados que compõem o FHBD já tão all over nesse jogo. Unam-se aos caras ou morram, acho.
…
Após um bom tempo de descaso e indiferença, quando eu já pensava em vender itens domésticos no eBay para sustentar meus vícios, eis que os benfeitores que lêem o HBD resolvem sair do anonimato e mandar dinheirinho pro seu blogueiro quase favorito (depois do KibeLoco).



Achei um tanto estranho que as doações tenham vindo em intervalos tão curtos. Por acaso vocês tão pensando que meu aniversário passou recentemente? Caso afirmativo, continuem pensando.
De uma forma ou de outra, agradeço imensamente a vocês e aos donos originais dos cartões de crédito que vocês roubaram pra me mandar essa graninha. Rogo a Nossa Senhora que vocês não tenham deixado impressões digitais aproveitáveis, ou que ao menos as celas sejam razoavelmente limpas.
E é uma pena que ninguém aceitou a idéia do pay-per-read. Caso contrário, hoje eu teria que postar dois posts novos.[/chantagem]
E sabe que eu tava justamente pensando em contar a história das Patricinhas Intercambistas? Curiosamente, duas delas me contataram recentemente após mais de um ano sem contato algum. Mistério, mistério.[/chantagem cara de pau]
Escrito por Kid on Apr 10, 2006
Olá, meus queridos vagabundos! Com a casa vazia e muitas opções de divertimento, ainda por cima se você considerar as ilegais e imorais, há pouco ou nenhum tempo e/ou disposição pra escrever um textozinho pra vocês. Porém, a política do HBD é dar alguma coisa nova pra vocês custe o que custar, então resolvi dar mais um tutorialzinho de Photoshop pra vocês.
Como vocês sabem, os tutoriais HBD (como o de dark art ou de user bars, que eu estou com preguiça de linkar) são sempre tutoriais facílimos de seguir, com instruções simples e que requerem pouca habilidade com o negócio, mas que dão resultados que vos permitirão postar em fóruns e se exibir pros seus amigos virtuais, negando a origem do material. Então aqui vai mais um pra vocês. Nesta edição, ensinarei vocês a editar imagens de forma que elas pareçam modelos em miniatura. Sensacional, eu sei.
Pra começar, você precisa de uma boa imagem. Escolhi essa aqui por causa da altura e ângulo em que ela foi tirada.
1) Carregue a imagem no Photoshop

Só agora percebi que esse passo dispensava um screenshot demonstrativo.
2) Faça outra coisa
Pressione a tecla Q. Isso entrará no modo Quick Mask Mode. Como eu suponho que esse comando só funciona na versão inglesa do aplicativo, e que vocês não tiveram a garra de instalar um Photoshop pirata em inglês, taí uma screenshot.

Aperte esse botão aí.
3) Agora, faça uma outra coisa

Agora que estamos editando em máscara, selecione a ferramenta de gradiente. Escolha as cores preta e branca para o gradiente. Tá tudo quase pronto.
Arraste o gradiente do meio da imagem pro topo. Essa é a parte que você precisará praticar; o local em que você coloca o gradiente decidirá se a montagem ficou de qualidade incrível ou uma merda que nem um usuário iniciante do Devian Art postaria em sua página.
3) Se você não esmerdalhou tudo, deve estar assim

Bonitinho.
Agora, aperte o Q novamente pra sair do modo de edição de máscara.

Uma área selecionada aparecerá magicamente. Aqui que reside o truque; você editará esse trecho da imagem de forma que ele pareça desfocado.
“E como eu farei isso, meu deus do céu?”
4) Assim

Lens Blur é o segredo. Mexa com os níveis de desfoque na área selecionada e pronto, com uma mínima dedicação você conseguirá uns resultados bem legais.
5) Retoques, considerações finais e uma imagem bem grande
Se quiser, repita o mesmo procedimento na área inferior da imagem, e pronto.
O tutorial é só isso. A ilusão de ótica funciona de uma forma muito simples, na verdade. Nossos olhos estão acostumados a reconhecer um padrão quando vemos imagens de coisas minúsculas: as bordas da imagem tendem a parecer fora de foco. Basta reproduzir esse efeito em imagens bem escolhidas, e seus olhos “pensam” que estão vendo algo bem pequeno. O truque não funciona legal com qualquer imagem, estejam avisados.
Como vocês não estão tão apressados como eu, façam umas montagens melhores, postem nos comentários e me deixem orgulhosos.
Escrito por Kid on Apr 9, 2006
O pai, a madrasta e o irmãozinho foram pra Montreal.
E voltam só semana que vem.
Party time 
Escrito por Kid on Apr 7, 2006
Se você tem alguma idéia a respeito do cristianismo, deve saber que uma das crenças dos adeptos da religião é que um dia, talvez numa quinta feira, Deus e seu filho finalmente terão um quebra-pau cósmico com o Cão. Nessa quinta feira fatídica, O Todo-Poderoso finalmente se vingará de Lúcifer por ter tocado a putaria em Sua Divina Criação amarrando-o numa cadeira de pregos e forçando o pobre diabo (HAHA VEJA QUE TROCADILHO INESPERADO E CRIATIVO) a ouvir CDs gospel por mil anos, em seguida trocando-os por CDs de sertanejo gospel e aumentando o volume um pouquinho.
A maioria dos cristãos está satisfeita em esperar mais algumas eternidades até o dia do confronto final. Outros, por sua vez, parecem tão ansiosos em ver a triunfal aparição do demônio que começam a vê-lo em praticamente qualquer lugar. E alguns não se satisfazem em sua histeria coletiva, mas digitam suas teorias em textos semi-coerentes e publicam na internets pro mundo inteiro ver e deleitar-se na comédia involuntária que é o resultado da combinação “crente doido” e “rede de computadores onde crentes doidos podem publicar suas astutas observações sobre o mundo que os cerca e a forma como o diabo permeou-o completamente“. E acreditem em mim, é bem engraçado. Engraçado não numa forma “hahaha o Pedrinho foi andar de bibicleta sem as mãos e enfiou a cara na calçada“, mas sim numa maneira mais “veja só o Pedrinho tentando se comunicar na internet após o traumatismo craniano que reduziu seu QI pela metade“.
(Antes que você corra pros comentários pra explicar que traumatismo craniano não reduz QI, que storyteller usa D10’s e que a jurisdição do FBI é o território dos EUA e não o Canadá, tente desenvolver um senso de humor.)
Esses dias eu tive o desprazer de conhecer o Tabernáculo Net, um excelente exemplo de porque os fanáticos religiosos deveriam abandonar esse negócio de computadores e voltar a se isolar em mosteiros na puta que pariu ou afogar bruxas pra descobrir se elas eram bruxas mesmo ou se estavam apenas indo pra um show do Nightwish.
Se você teve a sorte de não ter sido exposto às maluquices ao senhor Gustavo Guerrear e aos outros trezentos cristãos que tiveram suas histórias paranóicas publicadas no site, em primeiro lugar, não entre no site. Deixa que eu dou um conveniente resumão do que você encontraria lá, enquanto você economiza sua banda com algo mais relevante, como torrents daquela coletânea do Nirvana que você prometeu que baixaria pra namorada.
Negoceoseguinte: Boa parte dos evangélicos que vive em absoluto e perpétuo terror. Segundo esse pessoal, atitudes triviais como ouvir uma determinada música ou usar um certo shampoo serão interpretadas no “reino espiritual” como uma espécie de assinatura num contrato que diz “Autorizo o Senhor das Trevas a possuir meu ânus da forma que achar conveniente. Assinado, eu.” Use os tais produtos que carregam símbolos satânicos, queira você saiba disso ou nào, e você se fodeu bonitamente. Ninguém quer um destino desses, então essa turma não poupa esforços pra evitar qualquer coisa que alguém algum dia por qualquer motivo que seja tenha taxado de “demoníaco”.
No começo, esse desespero em evitar a associação com o capiroto deve ter começado de forma coerente, compreensível. “Evite participar de rituais satânicos” “Por mais que pareça uma boa idéia, não tatue um pentagrama invertido na testa” ou “Nunca sacrifique uma criança para Lúcifer” são conselhos bastante fáceis de seguir, e dá pra entender porque alguém sugeriria isso na igreja. O problema é que começaram a ver influência satânica em qualquer coisa, e ao mesmo tempo o senso crítico da galera desapareceu. E com a chegada da internet, as paranóias cristãs ultrapassaram as paredes da igreja e chegaram ao povão.
Pra evitar os previsíveis comentários “Ô quide eu sou crente mas não acredito nessas abobrinhas não ein“, explico de antemão que sei que nem todos os evangélicos se submetem a crendices medievais.
Mas sim, sim, o site lá. A idéia é que empresas maléficas secretamente enfiam mensagens subliminares ultra secretas nas embalagens de seus produtos. O processo daria então total liberdade a Satanás que foda com a vida do usuário do tal produto, ou alguma coisa mais ou menos assim.
A primeira página que acessei foi essa aqui, que revela uma imagem suspeita numa embalagem de shampoo. Através da avançadíssima metodologia de segurar o frasco do shampoo na frente do espelho, o autor do texto notou que uma imagem estranha aparecia como resultado. Ele então dá seu diagnóstico - “bom, eu não sei direito o que são mensagens subliminares, nem como elas funcionam, nem por que objetivo os fabricantes do shampoo a colocariam no seu produto. Mas eu pus um espelho na frente da embalagem e apareceu essa imagem aí. Tá vendo, tem algo que parece olhos, tem alguma outra coisa que bom muita boa vontade pode ser interpretada como um chifre, e tem alguma outra coisa que, se você apertar os olhos e inclinar a cabeça pro lado, parecem lágrimas - não há dúvidas, tenho certeza que a imagem não é outra senão a 3×4 de Lúcifer!”
O resto do site se esforça em manter o mesmo padrão de paranóia. Visitantes enviam emails com suas próprias suspeitas de envolvimento satânico em objetos triviais do dia a dia, como cuecas e brinquedos da linha Star Wars. Mas a alguns deles, Gustavo Guerrear responde:
“Temos recebido muitos e-mails perguntando sobre algo “por trás” da personagem/produto Hello Kitty. Porém até o momento não descobrimos algo CONFIÁVEL que possa revelar algo sobre ela. Até recebemos algumas coisas, mas preferimos não publicar porque não temos certeza da veracidade, para que o site não perca credibilidade.“
…e a resposta me deixou pensativo. A julgar pelo conteúdo do site, o webmaster não é lá o sujeito mais racional que eu já vi na vida. Quão absurda a teoria precisa ser pra que até esse sujeito a desconsidere? Imagino o conteúdo do email e a justificativa do seu autor para acusar a marca de envolvimento satânico.

Em outras áreas do site, Gustavo dá alguma explicação sem pé nem cabeça a respeito dos maléficos efeitos psicológicos que os símbolos invisíveis são capazes de causar. Digo com toda certeza do mundo que o senhor Guerrear jamais cursou Psicologia, ou leu livros de Psicologia, ou sequer passou na frente de um prédio onde alguém estava xerocando um livro de Psicologia. O sujeito simplesmente não faz idéia do que está falando, o que não o impede de ser levado a sério por centenas ou milhares de cristãos que recebem links do site dele por email.
Até jogos são vítimas do cuidadoso escrutínio do intrépido Gustavo Guerrear. Lembra o Pitfall pro SNES/PC, em que uma nuvem de fumaça em forma de caveira (de forma clara, nítida e em nenhum aspecto “subliminar”) aparecia quando você matava um inimigo?

Sobre a imagem, o webmaster escreve:
“Olha, isso não foi colocado aí por acaso, com certeza. Essa imagem foi colocada com um propósito específico, o propósito de influenciar de alguma forma maligna as pessoas (provavelmente crianças!) que de forma inocente jogam este jogo. E podem ter certeza que isso pode amaldiçoar os jogadores de alguma forma.“
Que tipo de resposta o cara daria se alguém perguntasse “ahn, mas afinal, baseado em quê você diz que essa imagem pode influenciar de ‘alguma forma maligna’, caro amigo”?
Não haveria resposta. As alegações não são nada além da própria supersticiosidade do autor do site. Nem mesmo a própria bíblia dá respaldo claro a esse tipo de acusação.
Ahhh, esses fanáticos religiosos e suas adoráveis maluquices.
Seria interessante se, no Dia do Juízo Final, quando o demônio finalmente aparecer pra tocar o “agora vamos ver!”, os crentes puxassem seus frascos de shampoo, seus espelhos e seus SNES, verificassem as mensagens subliminares, e em seguida dissessem “ei, você não se parece nada com a imagem na embalagem do Seda Ceramidas. És um impostor! Saia da nossa frente, estamos esperando o cara de verdade.“
Escrito por Kid on Apr 6, 2006

Adaildo Neto, acreano, amigo de Thiago Fialho, mestre de Mago - A Ascensão, que nas horas vagas escreve testemonials pros amiguinhos de RPG descrevendo-os como “Fulano tem manipulação 5 e lábia 5″ e namora mulheres feias. Nas horas mais vagas ainda, Adaildo (isso é nome de verdade?) gosta de deixar comentários anônimos em blogs de pessoas que ele não conhece, pensando consigo mesmo “hihihi ele jamais saberá quem sou eu!”
A mensagem de um covarde anônimo fica beeeem diferente quando você pode ver a cara gorda dele, não é? Vô te falar, pessoas que jogam RPG até cinco da manhã não deviam ser tão apressadinhos em chamar os outros de nerds. Sujo falando do mal lavado.
Pensam que eu tou inventando papo sobre o cara? Dêem uma olhada no perfil dele.
Fio, da próxima vez que for comentar anonimamente, não coloque seu email real.
Thiago, mande alguém menos burro vir defender a sua honra da próxima vez. De preferência, alguém que já não guarde mágoas de mim desde 2003 porque eu o bania repetidamente do #weblogger da BrasNet.
PS.: Fazer a barba não é tão difícil assim, vai.
Ok, talvez seja pra alguém que passa boa parte do seu tempo segurando D20s e tabelas de dano.
Escrito por Kid on Apr 4, 2006
[ Update ]
Escaneei a notinha do síndico. Olha a garranchada do coitado:

Diz aí se isso não parece ter sido retirado diretamente do caderno escolar de um estivador de 45 anos chamado Francisco da Silva sendo alfabetizado através do Amigos da Escola.
Antes que perguntem - “super” é coloquialismo de “superintendent”, que por sua vez significa “síndico analfabeto com preguiça de escrever a palavra inteira”.

As caixas estavam entulhando o corredor há uns três dias. O vizinho da frente, um malandro com fama de maconheiro (toda sexta-feira o cheiro da erva vindo do apê dele dominava o corredor), cedeu o apartamento e um casalzinho se instalou no lugar durante o fim de semana. No primeiro dia não dava pra ter certeza se as caixas eram parte da mudança dos novatos ou apenas lixarada que o inquilino anterior havia deixado pra trás, mas com o passar dos dias a teoria de que o conteúdo das caixas fosse composto por tranqueiras como videocassete fabricado no começo dos anos 90 e secretárias eletrônicas quebradas ganhou força.
Sei lá por que, um dia eu tava chegando em casa e a porra da caixa me atraiu a atenção. Desnecessariamente furtivo (eram duas da manhã, quem estaria andando pelos corredores do prédio àquela hora?), joguei uma olhada de soslaio pra dentro da caixa, como quem não quer nada.
Por ironia do destino, eu acabei querendo muito o que vi lá dentro.

Dentro da caixa repousavam um PS2 e três controles. Eu não podia acreditar nos meus olhos; conheço por experiência própria o desinteresse dos gringos por itens de tecnologia com mais de 5 anos de idade (a TV antiga do meu quarto, de 29 polegadas, foi catada do lixo. Funcionando perfeitamente e tudo mais), mas descartar um videogame em perfeito estado de conservação - nem empoeirado tava, vá se foder - é algo que minha mente teve problemas em aceitar.
“Perfeito estado de conservação aparente“, pensei eu. “Vai ver que eu ligo essa porra e nem imagem aparece. Ou então sobe um filetinho de fumaça do fundo do videogame”.
Só tinha um jeito de saber. Liguei a parada na TV e HA!, o videogame funcionava. Mas ao meter um jogo qualquer no drive, percebi que o jogo não era lido. Após uma averiguação mais técnica e cuidadosa que envolveu colocar o ouvido em cima do console, percebi que o motor que gira o DVD não estava rodando. A bobina deve ter estourado, ou uma solda partido, ou uma engrenagem saído do lugar, ou qualquer bobagem similar que pode ser consertado facilmente com manuais encontrados no próprio Google. Meu pai conserta aparelhos eletrônicos como ganha-pão, e coisinhas levemente mais complexas que um drive de DVD, como equipamentos de tomografia computadorizada e máquinas de raio-X, então eu estava 100% confiante de que esse videogame não daria trabalho pro véio.
Fui dormir satisfeito com a idéia de que cada televisão da casa teria um videogame ligado a ela.
É aí que a parte feliz da história acabou. O resto foi uma comédia pastelônica com teor de sitcoms.
Na manhã seguinte, um pensamento me ocorreu - e se os novos vizinhos ainda quiserem essas tralhas? Dei de ombros, me confortando no pensamento de que nenhuma pessoa que se importasse com um videogame (ainda que não funcionando perfeitamente) o deixaria ao léu, ao alcance de qualquer brasileiro. Se o videogame tá com um defeitinho besta, é mais um indício de quem o deixou naquela caixa não tem interesse de mantê-lo em casa.
Mas eu sou um paranóico do caralho, e a idéia de que eu podia ter possivelmente roubado a parada dos caras começou a me incomodar profundamente. Mentalmente, eu já visualizava o FBI chutando a porta do meu apartamento, mandando granadas de efeito moral e invandindo meu lar pra resgatar o videogame furtado.
Tomado por dúvidas, decidi que não havia nada melhor que perguntar, casualmente, se a lixarada era mesmo deles. Se eles dissessem algo que me levasse a crer definitivamente que eles não tinham interesse no conteúdo das caixas, eu ficaria com o PS2 tranquilo. Caso contrário…
Calcei-me e saí de casa pra interrogar os vizinhos. O foda é que, no momento exato que eu pus o pé pra fora de casa, uma atraente loira de uns 25, 26 anos saiu do apartamento em frente; era a nova vizinha. Me senti como uma vaca no meio da estrada, encarando os faróis de um automóvel - totalmente sem reação, sem saber se falava com a mulé, se fingia que estava só saindo de casa, se voltava pra dentro, ou o quê. A loira percebeu meu embaraço, sorriu pra mim, e foi em direção ao elevador. Após dar um tapa na própria testa e praguejar contra a própria idiotice, fui ao encalço da loira. Interceptei-a.
“Erh, ahn, oi…”
“Oh, oi!” - e sorri. Loiras sorriem demais.
“É que eu, ahn, eu tava pensando…” - o inglês começa a morrer na subida. Por que demônios a mulher tinha que ser BONITA? Me atrapalhei todo mas, tal qual um ninja, me recompus rapidamente.
“…tipo, eu vi essas caixas aí na frente do teu apartamento. Isso é lixo, cê tá jogando fora, coméquié?”
“Ah, é que eu ainda não recebi a chave da área de depósitos ainda. Quando receber, jogo tudo lá. ^_^” - e sorri de novo. Deve ser uma otaku, supus.
Nesse momento eu perdi a trilha de pensamentos. A mulé então aparentemente quer o lixo, incluindo o videogame. E agora? Tentei raciocinar uma forma de mencionar o videogame, pra medir o interesse dela nesse item em particular, mas eu não podia falar nada sobre ele. Se eu desse trela do interesse no PS2, e futuramente a falta dele fosse notada, teria sido o mesmo que tatuar “fui eu que futriquei nas suas coisas e subtraí seu videogame” na testa.
Foi nessa hora que me senti numa sitcom. Saca aquelas situações bobas em que os caras sempre se metem que, por medo de simplesmente explicar a verdade, começam a se complicar cada vez mais? Então.
Dei bom dia pra mulher e voltei pro apartamento, onde tive que tomar uma importante decisão - devolvo o videogame, ou simplesmente fico com ele e nego qualquer coisa se porventura a falta do PS2 for notada?
Trunks não queria nem conversa - ele queria ficar com o console e acabou-se. “Pessoas que deixam suas coisas fora de casa por cinco dias e esperam encontra-las todas intocadas MERECEM ter seus videogames roubados“, raciocinou ele. E eu até concordo com o moleque, embora o lado de mim que não quer ter o apartamento invadido pelo FBI e repleto de gás lacrimejante preferiu evitar uma confusão maior e repôr o videogame.
Exageros a parte, eu não podia ficar com o videogame - eu já havia me exposto e mostrado interesse nas caixas. Se a falta do PS2 fosse sentida, eles já saberiam com quem procurar. Mas por outro lado, abrir mão de um videogame grátis é uma decisão que eu não queria tomar.
Ainda sem saber o que faria, resolvi dar mais uma olhada na caixa, pra ter certeza que ninguém tinha se dado o trabalho de recolhê-la ainda. Talvez pra me reconfortar na idéia de que o negócio era realmente sem valor aos olhos dos vizinhos, e que ainda que a idéia fosse guardar tudo num depósito, a falta de um item não chamaria atenção.
Ao sair do apartamento, vejo que o síndico havia fixado uma notinha nas caixas que dizia “Por favor, remova do corredor. Ass., o síndico.“
A nota aumentou a minha tensão. Agora eu teria que agir contra o tempo; se alguém visse a nota e removesse a caixa, eu não teria mais a chance de repôr o videogame. A decisão de ficar com o console e arriscar confusão ou devolver e sair limpo da história tinha que ser tomada o mais rápido possível.
Então me compliquei mais ainda - arranquei a nota, pra me dar mais tempo pra decidir e ao mesmo tempo dando mais evidências de que alguém tava mexendo na porra da caixa.
Acabei decidindo pôr o negócio de volta.
O POBREMA É: O apartamento da loira fica diretamente em frente do meu. Se por algum acaso ela não morasse sozinha e algum hipotético morador do apartamento saísse no momento exato em que eu recolocava o videogame e os controles, a situação seria dolorosamente constrangedora. Novamente, eu poderia apenas dizer a verdade (”porra, tu deixou as coisas aí, achei que era lixo. Mas já sei que não é e tou pondo de volta, kthxbye“), mas a gente só pensa na solução mais simples quando não está vivendo a situação.
Com o videogame e os controles debaixo do suvaco, abri a porta sorrateiramente. Olhei pra um lado e pro outro, e após confirmar que a barra tava limpa, movi-me em direção à caixa. Centímetros pareciam anos-luz de distância, nanosegundos pareciam séculos. Na minha paranóia, a missão de doze segundos que seria jogar o videogame no lugar de forma que parecesse intocado pareceu demorar muito mais tempo que isso, dando ampla chance pra que eu fosse flagrado.
Devolvi a porra toda.
No dia seguinte, constatei através do olho mágico que as caixas continuavam lá. Me bateu um certo arrependimento de ter devolvido a parada, porque eu tenho 100% de certeza que a porra do videogame será jogado no lixo.
Há mais detalhes, por exemplo a empreitada do Trunks em interrogar a loira mais uma vez a respeito do PS2 e ser surpreendido pelo namorado mau-humorado dela, enquanto eu tentava abafar as risadas por trás da porta, mas tou com preguiça de digitar tudo. Preguiça.
Ao menos não foi uma perda total; troquei um controle velho meu por um controle novinho dos caras. Se eles notarem que um controle deles de repente acumulou quilos de poeira em todas as cavidades e que os controles analógicos tão prendendo, vou fingir que nunca vi a caixa to begin with.
E da próxima vez que neguim deixar videogame dando sopa por cinco dias, vou deixar minha consciência em casa antes de ir lá saquear.
A minha dúvida é - teriam meus amados leitores feito o mesmo?
Escrito por Kid on Apr 2, 2006
A Internet está lotada de três coisas - vídeos de homens sendo sodomizado por cavalos, ROMs de jogos de MegaDrive e pessoas que se julgam imensamente mais importante do que realmente são. Neste fim de semana, tive o prazer ou desprazer de interagir com um belo exemplo do último tipo. Há um bom tempo não acontece uma briguinha blogueira besta no estilo HBD que vocês tanto adoram, então achei essa uma boa oportunidade de dar ao povo o que ele espera.
Tudo começou com este post numa comunidade de blogueiros, de onde já saíram boas safras de confusões alimentadas por egocêntrismo e escândalos movidos a senso de auto-importância. A briguinha de ontem, no entanto, deixou as confusões do passado no chinelo.
A história é a seguinte, pra você que tem muita preguiça de clicar no hyperlink - eu escrevi um tópico questionando a suposta “fama” que um certo site tem, e perguntando aos membros da comunidade que outros sites “famosos” porém insignificantes pra toda população global eles conhecem. Como se pode esperar, a confusão tomou tons TRÁGICOS.
Eu gostaria de linkar o tal site aqui no HBD, mas o cara sinceramente não merece uma menção. Digamos apenas que é uma página auto-entitulada “O MAIS FAMOSO DE SUA CATEGORIA NO MUNDO INTEIRO“, e o pior é que isso não é uma de minhas hipérboles; o cara literalmente nomeou seu site como o mais famoso do mundo. Se você pensou que isso é uma boa demonstração da marca registrada de alguém que se leva muuuuito a sério, você ainda não viu nada.
Mas então, eu escrevi o tópico lá. Como eu não tinha nada pessoal contra o cara - até ontem -, eu tomei o cuidado de não ofender o sujeito. Teci comentários naturalmente sarcásticos sobre o site do cara, como é meu estilo, mas não falei nada terrivelmente inapropriado.
A primeira resposta do sujeito chegou rápido. Thiago Fialho, a celebridade, deve passar algumas boas horas do seu dia verificando as estatísticas do seu site, ansioso por saber onde seu site foi comentado. Ao ver que um mísero blogueiro cearense que nunca apareceu no jornal teve a audácia de não reconhecer sua galopante fama mundial, Thiagão rolou as mangas e digitou uma resposta de justiça poética pra calar a boca do cabeça-chata aqui e de qualquer outro que ousasse duvidar de sua fama. Afinal de contas, como as pessoas continuarão pensando que ele é realmente uma celebridade se ele não esclarecer esse tipo de coisa para estranhos na internet?

Thiago Fialho, a maior história a atingir o mundo desde a invenção do grampeador
A resposta, previsivelmente, falava um grande bocado a respeito de “inveja”. A resposta tão padrão e pouco elaborada que até um caminhoneiro poderia dar - “se sua estrela não brilha, não apague a minha!”. Não reconhecer a fama de alguém é, inegavelmente, inveja. Se você se atreve a pensar que o site é apenas mais um na internet, você tem inveja dele. Se você nunca ouviu falar de Thiago Fialho, nunca viu o link do site dele em lugar nenhum, ou nunca tinha visto a foto acima, não é porque a fama do sujeito ainda não chegou a você (impossível!), é porque secretamente, mesmo sem jamais ter ouvido falar do cara, seu pobre coração arde com a mais pura e refinada inveja.
Com toda sinceridade, o mecanismo lógico que leva a esse tipo de conclusão me dá uma certa pena da pessoa (por 30 segundos, no cabo dos quais eu começo a rir). Sério mesmo, analisa comigo - o sujeito recebe uma crítica (ou nem tanto isso, como foi o caso aqui). A reação automática da pessoa é pensar que ninguém em sã mente poderia, voluntariamente, não idolatra-la. Afinal, como alguém poderia não amar Thiago Fialho? ELE TEM UM WEBSITE NA INTERNET QUE RECEBE ALGUMAS VISITAS DIÁRIAS! Não é pouca merda.
Partindo daí, a pessoa conclui que alguma coisa está impedindo o amor incondicional do crítico, e essa “alguma coisa” poderia ser apenas uma profunda inveja de seja lá qual proeza o cara já realizou na vida. Não podemos esquecer que o cara não apenas julga a tal proeza como notável, mas ele passará a usá-la como padrão pra julgar as conquistas de outras pessoas. Quer ver?
Thiagão, atacando o crítico e não a crítica como apenas as pessoas mais imbecis sabem fazer, criticou o HBD em resposta. Mas ele não falou que eu escrevo mal, ou que meu estilo é sem graça, nem nada que se pudesse considerar crítica “válida” ou “coerente”.
Ele apenas contestou meu púlico e a minha visibilidade, como quem diz humildemente “Se você não é o dono do Google, não tem direito de expressar uma opinião negativa sobre a minha página internética“.
O que o cara quis dizer, basicamente, é que eu não tou “no nível dele”, e que por isso qualquer opinião (negativa, que fique claro. Um elogio de um blogueiro de 10 visitas diárias ainda conta) se torna automaticamente inválida.
Dito isso, o webmaster se enfurnou novamente no buraco de onde saiu. Isso que dá morar no Acre; passar a vida toda num estado onde porra nenhuma aconteceu nos últimos 300 anos te dá uma noção meio distorcida de o que realmente importa no mundo real. Uma porra de um site com vídeos idiotas se torna motivo suficiente pra se submeter ao ridículo diante centenas de pessoas.
Mas acho que o Thiagão decidiu que uma resposta apenas não seria o suficiente, e por isso ele mandou uma segunda mensagem, exibindo orgulhosamente todas as vezes que seu site foi citado em mini-matérias de 4 linhas com que o colador do jornal jogou em cima da mesa de edição por engano enquanto fumava crack. Aliás, admito que é uma piada reciclada, mas é que essa aí causou tanto nervosismo no moleque que me darei ao luxo de usa-la de novo. Após ter esfregado as matérias na minha cara e provado, conclusivamente, de que é de fato a pessoa mais famosa que eu já vi na minha vida, Thiago se deu por satisfeito e saiu da discussão.
Os membros da comunidade, divertidos com a putaria, passaram a fazer o que sabem fazer melhor - dar uma visita aos perfis dos envolvidos na confusão pra tentar arrumar mais lenha. E o que acharam no perfil do famosíssimo webmaster foi apenas a confirmação que precisavam de que o cara é doentemente obcecado consigo mesmo. Jogaram informações do perfil do coitado no tópico, e algumas boas risadas ao custo da dignidade no moleque foram aproveitadas.
Eu bem que imaginei que a reação da criança seria beligerante, mas eu me surpreendi com a intensidade e paixão com que o menino agarrava-se à “fama” que o site lhe trouxe. Já que esta porra dá sentido à vida do sujeito, acho que eu não deveria me espantar tanto. Por diversas vezes no tópico eu rebati a calúnia dele de que eu o havia criticado, mas o Thiagão, que é rápido em procurar e colar comentários que eu fiz no site dele 100 anos atrás, não conseguiu encontrar uma resposta pra uma pergunta que eu fiz há cinco minutos.
Leitura seletiva, acho.
Eu imagino que a resposta que ele gostaria de dar é “Mas Kid, você precisa entender que, enquanto você não tiver aparecido em trinta jornais e dado algumas entrevistas coletivas à CNN, você simplesmente não tem o direito de expressar uma opinião não-favorável ao meu grande site, a menos que o faça escondido de outras pessoas.”
Mas a confusão não pára por aí! Eis que do nada surge ninguém senão Marco Aurélio, um outro blogueiro notório pelo seu incomparável amor à própria pessoa. A confusão ficou trinta mil vezes mais engraçada em menos de dois segundos de participação do Marco.
O careca, dando um excelente exemplo de raciocínio lógico que apenas um egocêntrico de primeira linha poderia ter, colou comentários que eu fiz no site dele em 2004 e concluiu “Kid, uma vez você me elogiou, não há então como negar que você me amava e queria dar a luz aos meus filhos“. A idéia que o cara alimenta em sua cabeçorra é que, se eu postei um comentário de elogio a respeito de um texto que ele escreveu, a minha vida é senão um palco de adoração à sua pessoa.
Como um membro da comunidade ressaltou, nem quero imaginar o que se passa na mente Aureliana quando ele lê 20 ou 30 comentários lisonjeiros em seu site.
E a confusão continuou nesse ritmo; um ou o outro (que se uniram com o mesmo objetivo em comum: espezinhar aquele que não aceita sua notoriedade) colava um comentário que eu fiz anos atrás, ou citava um outro desentendimento que aconteceu quando eu ainda morava no Brasil, e em seguida vaticinava o non-sequitur de que Thiago é realmente a coisa mais sensacional a atingir a internet desde o email e que todo aquele que não crê só pode mesmo morrer de inveja da incomparável fama virtual do rapaz.

Eu já conhecia o señor Fialho de outros carnavais, mas não fazia idéia de que o cara era tão prepotente. Já o Marco apenas reafirmou o que eu pensava sobre ele há muito tempo - algumas pessoas simplesmente não estão psicologicamente preparadas pra receber muitos elogios.
Pronto, Thiagão. Agora até na merda do HBD você apareceu. Sinta-se à vontade pra empregar o pensamento caminhoneiro mais uma vez, dizendo algo como “sua inveja aumenta meu ibope“.
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