Escrito por Kid on Apr 28, 2006

Cabei de ligar pro Joe, meu ex-chefe lá na Frosty Freeze. Aparentemente eles estão precisando de mais moleques pra preencher as “cadeiras”, então descolei um trampo pra mim e pro Trunks. Já na segunda-feira, vestirei mais uma vez aquele aventalzinho da Kibon gringa (imbecilmente nomeada “Good Humor” aqui nos Canadás) e patrulharei as ruas de Oshawa à espreita de moleques com dinheiro nas carteiras.


Uma das fotos do ano passado

Aguardem mais aventuras do sorveteiro, dessa vez com vídeos e fotos. Vou ver se dessa vez gravo uma entrevista com algum moleque gringo dizendo palavrões em português pro vosso deleite.

Deixa eu ver se ainda tenho aquele GIFzinho que eu usava no topo dessa série de posts. Caralho, não consigo acreditar que já faz um ano que trabalhei naquele negócio.


Escrito por Kid on Apr 27, 2006

Aniversário de dois anos de namoro é considerado, pra todos os fins HBDísticos, feriado. Então vou me dar uma folga hoje.

Post novo em breve.


Escrito por Kid on Apr 25, 2006

[ Update ]

Minha nova assinatura no fórum:


De acordo com a ligação que recebi do meu pai ontem de manhã, ele está, de fato, em outro lugar que não é este apartamento. O véio informou que chegou com segurança em Montreal, embora a confirmação telefônica de sua ausência fosse virtualmente desnecessária. A julgar pela impressionante pilha de pratos sujos na pia, os DVDs favoritos dele espalhados pelo chão da sala (apostei com meu irmão que era possível representar um átomo de Irídio com a coleção especial Star Wars. Perdi.) e a recente transformação do que antes era a cama paterna numa sensacional mesa de Dungeons and Dragons, era bem óbvio que a única coisa que mantem a ordem nesse apartamento não está por perto pra chilicar a respeito da bagunça como de costume.

A ausência paterna trouxe um pequeno probleminha colateral – por algum motivo que ninguém jamais entenderá, o velho levou o meu desodorante com ele. Aquele tubinho de Axe (era Axe?) era a única coisa impedindo que meu suvaco se transforme permanentemente num emissor de odores que fariam uma cebola chorar.

Há algum dinheiro na minha carteira, vinte dois dólares e trinta e quatro centavos pra ser mais exato. Um tubo extra de desodorante (ou seja, um item semi-supérfluo, como marshmellow ou controles USB pra jogar emuladores de SNES) representam quatro dólares que eu não precisaria gastar, um golpe à minha economia. Dá pra comprar um booster de Magic com essa grana, caralho! Ok, tá certo, eu não jogo mais Magic. Tá, eu também não sei se o preço de booster ainda é esse. E tudo bem, talvez eu tenha matado uma prostituta e enterrado o corpo dele embaixo de um pé de siriguela quando eu morava no Maranhão. Mas esse não é o ponto! Além disso, meu suvaco já estava cheirando como um gambá que morreu há 15 horas e depois foi mergulhado num balde de amônia em que alguém havia mijado. Sair de casa nessas condições, ainda que o propósito seja minimizar o problema, não é exatamente o tipo de coisa que você devia fazer.

E vamos ser sinceros aí de uma vez por todas – eu simplesmente não gosto de tomar banho. Não pensem que eu sou um hippie comunista estudante de filosofia que mantem longos dreadlocks à base de semestres sem entrar em contato com água, talvez porque a empresa que fabrica a ducha da sua casa desrespeita as convenções estabelecidas pelos Sindicatos dos Trabalhadores de Fábricas de Duchas. Como todo bom leninista, eles fedem como protesto em nome do proletariado, são sebosos por uma ideologia. Eu, por outro lado, tomo banhos diários. E lavo até atrás das orelhas, coisa que eu aposto que vocês não fazem.

Acontece que eu simplesmente não gosto de banhos. Talvez tenha a ver com um dia em que uma tarântula saiu do ralo do chuveiro enquanto eu passava shampoo nas madeixas e cantarolava uma musiquinha do N’Sync, completamente desatento pro que acontecia perto do meu pé. E não, isso não é uma tentativa de piadinha – o pesadelo acima realmente aconteceu, o que me dá uma excelente desculpa pra fingir um trauma inexistente. Ao menos posso justificar o desgosto por banhos.

O leitor-padrão do HBD, o sujeito que provavelmente passou mais tempo jogando Diablo no Battle.net do que a maioria das pessoas passa respirando, certamente é familiarizado com falta de banhos. O típico nerd internauta, ou seja, o público-alvo que eu tenho em mente quando jogo textos neste site, não é o tipo de pessoa que costuma dar importância pra detalhes insignificantes como higiene pessoal. Aliás, eu proponho um desafio a todos vocês. Olhem pros seus teclados e mouses. Se eles não têm uma visível camada de óleo cobrindo toda sua superfície de forma que você possa seguramente usa-los pra caçar espinhas na cara, você não é um leitor HBDIsta de verdade.

Mas até mesmo você compreende a necessidade de uma ocasional visita ao banheiro praquela lavadinha mensal. E nesses dias de falta de desodorante, desenvolvi uma técnica que imaginei que vocês achariam bastante útil.

Então, como eu disse lá em cima, meu pai viajou e levou meu único desodorante. Isso normalmente não seria um problema, caso minhas glândulas sudorípadas não me fizessem o favor de vomitar litros e mais litros de suor em direção aos meus cotovelos. O único paliativo seria tomar um banho a cada 47 minutos, mas puta que pariu, ninguém teria disposição pra isso. “Foda-se”, pensei inicialmente. Enquanto o suor ainda não estiver pingando no chão pela manga da camiseta, não há necessidade de me limpar. Acontece que este luxo é incompatível com a minha habilidade de manter uma namorada. E alguma coisa precisaria ser feita.

Foi aí que tive um insight – pra que lavar o corpo inteiro se a única parte que fede como um queijo podre que alguém esqueceu embaixo da geladeira por cem anos é o seu suvaquinho? Por que não apenas dar um banho no suvaco?

A idéia é tão incrivelmente simples que eu não me surpreenderei se meia dúzia de nojentos comentarem dizendo que eu plagiei um hábito que eles praticam desde os seis anos de idade. Eu tiraria fotos pra ilustrar este texto, mas meu pai levou a câmera digital também. Usarei fotos aleatórias no texto; use a imaginação e faça de conta que elas se encaixam no texto.

Aliás, foda-se. Não vou pôr imagem nenhuma, porque afinal de contas a técnica é muito simples e nem precisa disso. “Banhar o suvaco” é um negócio tão revolucionário e holístico que, apesar de eu nem saber o que a última palavra significa, eu tenho certeza que ela se aplica à prática. Se ela funcionou pra mim e eu ainda tenho uma namorada, deve funcionar com você também, a menos é claro que ela não funcione de jeito nenhum.

Seguinte.

Ao primeiro sinal de corrimentos suvacais, vá pro banheiro. Remova a camiseta. O próximo passo é uma variável, ela dependerá de quanto tempo você demorou pra finalmente sair da frente do computador. Se a resposta foi “três dias”, remova a camiseta tomando o cuidado de que ela não encoste nos seus olhos e jogue-a no lixo.

Apanhe a toalha mais próxima e, usando essa esperteza que apenas um brasileiro pode exibir, confeccione um vestido “tomara que caia” ao redor do seu peito, evitando a área axilar. Lave suas mãos imundas e ensaboe-as. Tasque a espuma no suvaco. Repita o processo quatro ou cinco vezes.

A idéia por trás da técnica é simples – seu suvaco é uma criatura subdesenvolvida; ele não conseguirá diferenciar um banho de verdade de um banho “localizado”. Simulando um banho, seu suvaco voltará à sua condição pristina, isso é, quando ele não fede como um mendigo que caiu num depósito de absorventes usados. E tudo isso sem o incômodo e desconforto de um banho “real”.

Uma técnica tão avançada não poderia deixar de levantar questões polêmicas. Banhar o suvaco faz de você um sujeito asqueroso que não merece participar de círculos sociais (ou receber scraps, muitas pessoas atualmente acreditam que são a mesma coisa)? Banhar o suvaco é na verdade uma prática que deveria ser não apenas desestimulada, mas proibida e punível com sanções da ONU a menos que você tenha motivos religiosos pra usar como desculpa? Banhar o suvaco fará de você uma pessoa que a maioria do mundo ocidental desprezará?

Tecnicamente sim, mas eticamente e realisticamente sim também.


Escrito por Kid on Apr 22, 2006

Ô pessoal, obrigado pelo apoio aí com o novo banner/click e tal. Por incrível que pareça, a margem de lucro desse novo sistema é MAIOR do que a do AdSense. OMG REVERSE OF FORTUNE, por essa eu realmente não esperava mesmo. Resta saber se esse Clickschange vai ser fiel mesmo, ou se só mandou o primeiro cheque pra eu me animar.

Uma pequena ressalva é necessária, no entanto – não percam seu tempo clicando repetidamente, os cliques não são contabilizados. Outro dia tive 93 cliques, dos quais apenas 70 foram validados. Dois leitores menos espertos apareceram no MSN animadaços, dizendo que “se dependesse deles, o Kid vai ficar rico! Cliquei umas quarenta vezes já!“. A ingenuidade de uma criança é de doer na alma.

Um cliquezinho por dia e tá bom demais, gente fina. Mais que isso eu não poderia pedir de vocês.

Post de verdade semana que vem. Escrever no fim de semana é uma merda, sacomé.


Escrito por Kid on Apr 20, 2006

A turma do FHBD iniciou uma nostálgica discussão a respeito de páginas internéticas que os foristas faziam anos atrás. O Vexille linkou meu sitezinho extremamente mal feito, colocado no ar em 2000, com informações sobre um joguinho freeware que eu curtia naquela época, e um site dele sobre Pokemon.

Caralho, parece que eu uploadeei aquele site há uma eternidade.

Surgiu a idéia de procurar meus sites e blogs antigos. A grande maioria deles não está mais acessível, mas é pra isso que serve o WebArchive. Consegui reler blogs que eu havia posto no ar em 2001, cujos servidores já apagaram há alguns anos.

A mudança na minha personalidade virtual (e real) é gritante. Minhas publicações daquele tempo não passavam de pequenas declarações irrelevantes sobre meu dia-a-dia, no melho estilo diarinho virtual insignificante, com inúmeros erros preguiçosos (”tah” no lugar de “tá”, “kra” no lugar de “cara”, esse tipo de coisa abominável mesmo). Meus blogs do passado eram o tipo de coisa que manchavam a internet mesmo.

Reler essas bobagens que eu jogava na internet há anos é curioso. Ler um blog antigo meu, que era sob todos os ângulos nada além de um diarinho sem graça, é mais interessante do que eu jamais imaginei. Eu não sou mais aquela pessoa que eu era antes, e duvido que algum dia serei novamente. O Kid de outrora, assim como aquela fase que eu vivia naquele específico período, morreu.

Nas entrelinhas dos textos dá pra notar aquela inocência do sujeito que havia acabado de entrar na faculdade, a ingenuidade de quem tava com a primeira namorada e achava que ela era virgem, a simplicidade de quem acreditava que um homem invisível no céu criou o universo em sete dias.

Só mesmo lendo esses textos pra que eu finalmente me convença de que realmente amadureci.

No embalo, criei um novo blog-diarinho pra reler daqui há 4, 5 anos. É quase como uma capsula do tempo, aquelas paradinhas que os malucos enchem de relíquias contemporâneas e enterram pra abrirem novamente em dez ou vinte anos. Vou lotar de fotos, algo que me arrependo de não ter colocado com frequência nos meus diarinhos de meia década atrás, e muitas outras irrelevâncias diárias que não interessará a ninguém além de mim mesmo em alguns anos.

E quando tiver terminado o layout do HBD 2, escrevo um texto “de verdade”.


Futebol Kombat

Escrito por Kid on Apr 17, 2006

Aposto que vocês querem saber mais sobre traquinagens infantis enolvendo agressão física desnecessária, impune e covarde. Confessem aí, vocês entraram no blog hoje só pra isso (se eu estiver errado, não respondam).

Uma outra brincadeira que mandava muitos moleques chorando pra diretoria era uma cujo nome não lembro, mas alguns moleques chamavam casualmente de “Futebol Kombat”, uma referência a um vídeo-jogo quase tão violento quanto a brincadeira. O envio à diretoria não era (apenas) graças aos machucados relacionados ao jogo, e sim pelo fato de que ele se tornou altamente ilegal nas dependências do colégio, e qualquer um flagrado no meio da brincadeira era enviado pra casa mais cedo. O que era bom, se você parar pra pensar; ninguém está disposto a assistir mais duas aulas de matemática com uma vertebra deslocada, especialmente se você não estava com muita paciência pra aprender logaritmos naquele dia em particular.

Futebol Kombat, assim como os outros jogos infantis que têm como único objetivo descer o sarrafo nos amigos sem se preocupar com as ramificações do ato, não tinha regras distintas. Por algum motivo, Futebol Kombat não era um esporte olímpico, então não havia um comitê pra decidir aspectos importantes com gameplay, como “chute no pescoço é falta”, ou “berrar o nome da mãe de um oponente não é o método oficial de pedir tempo”. Devido à falta de um comitê oficial com sigla importante pra nos dizer exatamente o que podíamos fazer durante uma partida de Futebol Kombat, a tarefa recaia sobre o moleque mais forte que estivesse na quadra naquele momento e/ou seus amigos – e se você discordar de alguma decisão do sujeito, seus dentes poderão formalizar uma reclamação oficial contra o punho dele. O fato de que o brutamontes ocupava a função de juíz não-oficial não significava, obviamente, que ele não quebraria as próprias regras que alterava ou inventava, especialmente (e principalmente) quando isso pudesse o beneficiar. E em Futebol Kombat, o “benefício” de alguém significa que alguma outra pessoa voltará pra casa com algumas unhas a menos.

E o que diabos era Futebol Kombat, porra? VOcê está falando e falando e tentando enfiar piadinhas no texto e ainda não explicou nada sobre o maravilhoso esporte e desse jeito eu não vou clicar no seu banner ok tchau.“, você pensou com seus botões ou zíperes ou presilhas de velcro ou aqueles ganchinhos que prendem sutiãs no lugar. Não lembro todos os detalhes e minúcias a respeito daquele esporte, mas eu duvido que qualquer pessoa que jogou mais de quinze minutos daquilo lembre de muita coisa – há um limite de porradas que o cérebro humano pode levar até que algumas de suas funções como memória (ou controle intestinal) comece a falhar. Em minha experiência, eu diria que depois da terceira porrada você não sabe mais nem onde está. Na quinta, suas cuecas mudavam de cor e a viagem de volta pra casa seria bem desagradável pra todos que pegassem o mesmo ônibus que você.

Futebol Kombat é um esporte sem limite de participantes, embora um número alto seja mais aconselhável. Qualquer quantia inferior a vinte moleques não seria considerada uma partida séria; se muito, uma peladinha de várzea com travinha de tijolo. Pivetes de séries inferiores à quinta, pra todos os efeitos, não eram contados no número final de participantes. Não era apenas preconceito contra os guris menores (que realmente tínhamos), havia uma série de motivos pra explicar isso.

O primeiro é que tais crianças raramente possuem o porte pra defender seus pontos vitais das porradas que sem dúvida levariam exaustivamente, então a gente tinha que evitar esmurrar seus estômagos/chutar suas bocas com muita força. Por conta disso, não os considerávamos oponentes válidos. A menos que você saiba levar uma mísera joelhada na orelha e não sair correndo chorando, não nos faça perder nosso tempo considerando você um jogador.

O segundo motivo é que era muito comum um jogador subitamente arrancar um moleque menor do meio dos transeuntes e arremessá-lo contra os inimigos, ou ainda usá-lo como escudo humano. Por causa disso era extremamente difícil contabilizar com precisão o número de crianças menores que participavam (ainda que involuntariamente) da brincadeira, uma vez que o número era flutuante. Vale lembrar que, em Futebol Kombat, é incrivelmente complicado diferenciar participantes voluntários dos involuntários. Por via de regra, qualquer jogador que estivesse sendo vítima de porradas podia ser considerado um participante “involuntário”, ao menos naquele exato momento. Ninguém gostava de levar porradas por vontade própria.

Tudo que você precisa pra jogar Futebol Kombat é uma bola – embora uma mochila tivesse sido usada uma vez, com resultados catastróficos. Se você guarda seus óculos numa mochila, você tem a obrigação de me avisar antes do recreio – e um bando de garotos com pouco medo de quebrar ossos ou reputações impecáveis como estudantes comportados.

O setup do jogo era muitíssimo simples. A pivetada adentra a quadra. Definem-se os “locais salvos”, geralmente as traves ou “a bunda da tua mãe”, quando algum palhacinho estava jogando. Feito isso, a bola e/ou mochila era lançada no meio da quadra, e a partir daí o pandemônio se instalava no local. Poucas regras valiam, ninguém era de ninguém e no caso de esfaqueamento todo mundo sabia que “ninguém viu nada”.

O jogo resume-se em dominar a bola, enfiar-lhe um poderoso chute que a jogue em direção de um outro jogador, e rezar pra que ele seja atingindo pela bola sem controlá-la com pés ágeis (o que poderia resultar em um vingativo contra-ataque).

No momento que a bola entrava em contato com seu nariz, testículo esquerdo ou qualquer outro ponto cuidadosamente premeditado pelo oponente pra causar mais dor, você se tornava automaticamente o alvo dos outros quarenta moleques que povoavam a quadra; chamemos o jogador atingido de “Infeliz”. Nesse momento, a menos que o Infeliz tocasse os “pontos salvos” ou acertasse outro jogador com a bola, qualquer pessoa num raio de dois quilômetros tinha o direito quase bíblico de descer a porrada nele.

Os momentos imeditamente seguintes ao contato Bola-Infeliz eram os mais difíceis de se estabelecer o número exato de jogadores. Qualquer transeunte que por um motivo ou outro não fosse muito com a cara do Infeliz do momento sentia a obrigação moral de largar o que estivesse fazendo e participar do jogo imediatamente, mesmo que só por essa rodada. Não era raro encontrar no meio do público espectadores que assistiam ao jogo com a única finalidade de invadir a quadra quando um inimigo de longa data fosse transformado em Infeliz. Era o momento mágico em que você poderia se impulsionar da parede, arremessar-se em direção à turba ensandecida e, praticamente anônimo, introduzir uma potente voadora no meio do joelho do sujeito sem que ele tivesse muita chance de revidar. Com outros oitenta pés voando em direção ao seu rosto, é impressionante como você perde a capacidade de se defender.

Futebol Kombat dava uma chance única às castas reprimidas da escola, que no jogo podiam canalizar suas frustrações e os anos de abandono social escolar em um salto mortal com perna estendida em direção às órbitas oculares de alguém que fosse levemente (ou não) relacionado aos seus desgostos juvenis.

Ao contrário do que possa parecer, o Infeliz não era totalmente indefeso. Bom, ele estava invariavelmente fodido, isso é fato – mas havia algumas regras que davam uma efêmera sensação de segurança. Se não fosse por elas, a prática do Futebol Kombat dificilmente teria se estendido a uma segunda partida.

O Infeliz tinha basicamente duas escolha. A primeira era correr desabaladamente em direção aos supracitados “pontos salvos”, ou seja, verdadeiros totens de segurança mágica. Com um toque, todos os outros jogadores abandonam a perseguição e voltam sua atenção à bola, exceto aqueles que não queriam dar a corrida como perdida e metiam-lhe uma voadora nas costas anyway, alegando que “porra, não vi tu pegando na trave, ein! Mas tudo bem, isso são águas passadas. Sem ressentimentos, né? Cadê a bola?

A segunda opção do Infeliz era defender-se como podia dos avanços bárbaros daqueles que há dois minutos eram bons amigos seus e até pegavam carona com você nos dias em que os pais deles voltavam bêbados pra casa, espancavam a mulher, chutavam o cachorro e dormiam sentados na privada, esquecendo de pegá-los no colégio. É desnecessário dizer que essa opção funcionava por menos de 10 segundos, até que você percebia que sair correndo em direção à trave talvez resultassem em menos hematomas.

Havia algumas táticas alternativas, também. O momento em que a bola te acertava no meio das costas (ou seja, sua “coroação” em Infeliz) era o exato instante em que muitas crianças ingênuas o bastante para assistir o jogo de perto eram arrancadas do meio da multidão e eram literalmente arremessadas em direção aos atacantes. Valia agarrar o que o braço encontrasse; vi moleques sendo puxados pela cueca, rodopiados e jogados no meio da galera como um pedaço de filé jogado num aquário de piranhas. Mas era um tipo especial de aquário que, invés de água, estava preenchido com uma mistura de ácido sulfúrico, urina e explosivo plástico em chamas.

Diz-se que a necessidade é a mãe da invenção. Seja lá quem falou isso devia jogar ou ao menos assistir Futebol Kombat – nos momentos de desespero, os Infelizes transformavam qualquer coisa em seu alcance em rudimentares armas brancas de curto e longo alcance, com considerável sucesso. No melhor estilo MacGyver de ser, camisas viravam chicotes e sapatos viravam luvas de boxe. Vi até um garoto arriscar uma tentativa de fabricar uma espécie de funda bíblica (como aquela usada por Davi contra Golias), que funcionaria propulsionando o sapato a velocidades indecentes girando a camisa acima da cabeça e liberando o sapato em seguida. É uma pena que alguém acertou-lhe um chute na virilha antes que sua invenção pudesse nos maravilhar com seu funcionamento.

Como é perceptível, a despeito do esforço e criatividade dos jogadores, lutar contra a maré em Futebol Kombat acabava sendo infrutífero em 127% dos casos. Ou você corria desesperadamente como o Thiago Fialho corre atrás de exposição internética, ou aceitava as porradas de peito (e braços, e cotovelos, e canelas, e pescoço) aberto como o Thiago Fialho aceita as pequenas menções de seu site como medalhas de honra ao mérito. Resistir, como diriam os guardas Vogons, era inútil.

Aquele que nunca jogou Futebol Kombat não sabe a definição correta de “adrenalina”, a menos que você tenha um dicionário ou uma conexão à internet e o link de um dicionário online, senão nesse caso você sabe a definição de adrenalina. Em um segundo de jogo, dúzias de emoções diferentes atravessavam sua mente – o puro terror de ver a bola avançando velozmente contra você; a conclusão quase imediata de saber que não poderá sair da rota de colisão com ela; o choque e a constatação de que ela havia de fato entrado em contato claro com seu joelho, e finalmente o momento em que os outros jogadores também percebiam isso… ahhh, era bom demais.

Arrume uns amigos, convença-os a aceitar porradas com esportividade ainda que estas signifiquem gastos desnecessários com meses de fisioterapia e vá jogar um Futebol Kombat hoje mesmo! Na pior das hipóteses, você tira umas fotos dos resultados da partida e ganha uma graninha vendendo as imagens pro Ogrish.com.

O Ogrish paga por essas coisas, né?


Escrito por Kid on Apr 15, 2006

Um avisozinho pra cambada

Tá vendo esse link logo abaixo do banner do Mecado Livre (que não é meu, e sim de um leitor que me pagou pra eu exibi-lo no HBD)? Então, a partir de hoje, é através dele que você poderá dar uma ajudinha financeira ao seu blogueiro canadense.

Logo que fui chutado do Adsense experimentei com vários sistemas de banners, mas nenhum era confiável. Usei o tal ClickXchange por uma semana, desistindo logo em seguida por achar que tinha credibilidade similar aos outros que eu já havia usado. A idéia foi abandonada ontem, ao verificar minha caixa de correio e dar de cara com um cheque dos caras (que eu nem sabia que eles haviam enviado, já que eu nem logava mais no site deles). Embora a grana não seja equivalente ao que o AdSense me pagava, é um valor considerável e suficiente pra abandonar algumas manias que a falta de banners me causou.

O que eu quero dizer é que a partir de agora volto a receber graças aos cliques de vocês. Consequentemente, acaba-se hoje a mendigância – algo que eu nunca gostei de fazer, na verdade. O problema é que é difícil escrever sem algum tipo de motivação; é difícil levar alguma coisa com seriedade e disposição sem nenhum tipo de recompensa. Com a recém-adquirida motivação, dá pra voltar a levar o site mais a sério, e parar de empurrar com a barriga ou escrever textos novos apenas uma vez por semana. Será mais fácil colocar conteúdo novo quase diariamente aqui no blog, como era natural antigamente nos tempos do AdSense. O HBD de outrora renascerá das cinzas. Aguardem mais resenhas de SNES, mais resenhas de filmes e, como não poderia ser diferente, mais confusões. Capaz até do post das Patricinhas Intercambistas finalmente sair, sem nenhum de vocês ter que meter a mão no bolso.

É claro que pra isso não basta colocar o link/banner do ClickXchange aí em cima; estou contando com a colaboração de vocês. Se a fidelidade de vocês continuar como era na época do AdSense, tenho certeza que não vou precisar relembrar vocês toda semana de clicar no troço. Como eu já disse, quero evitar qualquer coisa que lembre aquela mendigagem virtual de uns tempo atrás.

Ah, e um esclarecimento final – devido ao relativo sucesso comercial da idéia, continuarei oferecendo espaço de propaganda aqui no blog. Mas, se a colaboração dos leitores com os banners for mais do que o esperado, não vou encher o saco de vocês com múltiplas propagandas. O espaço oferecido aos leitores será extinto, sobrando apenas o bannerzinho do ClickXchange. Não quero abusar da paciência de vocês.

Enfim, é isso aí. Xeu terminar um post “de verdade”.