Escrito por Kid on Aug 30, 2006
Atenção, leitores cariocas! O forista Fívio lá do FHBD tem um recado que alguns de vocês talvez julguem interessante:

Bom, o aviso tá dado. E você ainda achava que não há nada do seu interesse no FHBD? Se cadastra logo, mané!
Escrito por Kid on Aug 28, 2006
Sabe quando você compra algo não porque morria de vontade de ter nem nada, mas só porque PODIA comprar? Tipo, consumismo safadíssimo mesmo, resultado de um nerd com dinheiro sobrando na mão?
Então.

Agora não preciso mais ficar respondendo os sonistas xaropes que insistem em falar merda do meu querido Nintendo DS.
E GU1LH3RME, ainda não downgradeei o meu PSP. Não achei o UMD de GTA desatualizado, ferramenta necessária pra fazer o downgrade, e além disso acho que nem será preciso. Olha isso aí.
Mas legal mesmo foi na Sony Store hoje. Eu lá pesquisando preços de memory sticks grandes, de 2gb pra cima, já pensando na pirataria que comerá solta quando eu haxorizar meu PSPzinho. Passei um caô mó sem vergonha pro representante da Sony, explicando que queria um memory stick de 4gb porque quero poder ter todas as minhas músicas comigo on the go. Aí o cara faz um aceno de desprezo com a mão e fala:
– Mp3s?! Fuck that. Hack your PSP, dawg. The internet shows you how to do it, it’s a piece of cake. That way you can run pirated games off the memory stick, yo 
Aí eu ri e expliquei que a intenção era realmente baixar ISOs pra não comprar jogos originais nunca mais, mas que me senti intimidado a comentar isso na frente dele pelo fato de que ele trazia um crachá da Sony no peito. Aí o maluco (que era um chinezinho cheio de gel no cabelo espetado, mó MODERNÉTICO) aponta pros outros colegas de trabalho e explica que na loja, TODO MUNDO joga com ISOs piratinhas e que até onde ele sabe nenhum conhecido dele jamais comprou um jogo original.
Mais um console pra dar atenção, carinho, e gastar dinheiro. Videogame é pior que namorada, porque os buracos são insatisfatoriamente pequenos demais para que você aproveite outros usos.
Resenha - Cubo
Escrito por Kid on Aug 26, 2006

Às vezes todos nós temos aquele momento em que dizemos pra nós mesmos “Sabe duma coisa? Bem que hoje eu poderia assistir um filme bizarramente mal produzido, com um custo de produção que rivalizaria com os de uma coxinha de posto de gasolina de beira de estrada, com uma história CLARAMENTE inexistente, estrelando pessoas que provavelmente sequer sabem soletrar a palavra “atuação”, que o diretor convenceu a participar da película por meio de ameaças de sequestrar seus animais de estimação“. E você continua, “…e que bom seria se o filme em questão fosse canadense!“.
Bom, hoje é o seu dia de sorte. Se você está realmente com vontade de assistir à pior contribuição canadense para a comunidade global desde a Alanis Morissette, levante a bunda da cadeira neste momento, vá à locadora, lembre-se que alugar filmes custa dinheiro e que você tem uma conexão com a Nova Internets 2.0 Shareware Version®, e baixe Cubo.

Os personagens descansam entre a última morte violenta e sem propósito e a próxima
Cubo conta a história de um diretor canadense que foi convencido a filmar uma película cujo roteiro resume-se a “um bando de pessoas morrendo de formas que, apesar de envolverem efeitos especiais criados por um garoto de 13 anos usando o Caligary True Space num Pentium 100, não dão a mínima pista de algo que pudesse se assemelhar, ainda que distantemente, a um roteiro”. Caso a frase anterior tenha ficado muito longa e você teve dificuldades em compreende-la, aqui está o resumo numa oração de apenas cinco palavras: não existe roteiro em Cubo. E sim, “em” é uma palavra e pronto.
Detesto ser tão categórico (bom, na verdade não), mas simplesmente não existe roteiro nesse filme. O diretor de Cubo resolveu lutar contra as convenções facistas do universo hollywoodiano, que envolvem por exemplo técnicas ultrapassadas como “apresentar progressão de eventos lógicos que desenrolam a trama”. Ao invés de, sei lá, CONTAR UMA HISTÓRIA, Cubo apenas mostra pessoas aleatórias morrendo vítimas dos piores efeitos especiais que eu vi desde Jurassic Park III: Michael Crichton Precisa de Uma Nova Ferrari, tudo enojadamente envolto por uma aura de sentido metafórico/filosófico que fez milhares de espectadores jurarem pelas suas próprias vidas que iriam convencer os amigos de que o filme não apenas faz bastante sentido, mas que é até um bom filme.

No frame, três personagens são confrontados por frustrações que dão insights sobre a psiquê humana em situações de stress. Um pouco à direita, um quarto personagem tem as tripas removidas pela narina esquerda
Se você cometer o erro de julgamento de alugar esta porcaria pra ver se a sua opinião baterá com a minha, aqui está basicamente o que você poderá esperar do filme.
Umas sete pessoas acordam dentro de uma espécie de prédio composto de diversas salas cúbicas. Os personagens se encontram, trocam informações que você sabe imediatamente que são decisivas pro desfecho da “trama”, e então começam a morrer, porque as salas cúbicas são cheias de armadilhas.
Ou seja, o Cubo está lá, as pessoas estão lá, e umas armadilhas também estão lá. Isso é tudo que você merece saber. Como assim, você quer entender o que é o tal Cubo? Não há o que entender, o Cubo é um cubo e pronto. Por que você se importa em entender como seria possível construir algo como o Cubo, ou ainda entender qual seria o propósito de usa-lo para matar pessoas aleatórias? O que você quer dizer com “a premissa do filme é idiota e praticamente requer fé para que faça um grama de sentido”? Pare de me fazer perguntas irrelevantes e veja aquele sujeito tendo sua cabeça arrancada.
Como eu disse, isso é tudo que você merece saber, ou ao menos foi isso que o diretor decidiu. Se você tem qualquer desejo de compreender a existência ou propósito do tal Cubo, de onde ele surgiu, quem está por trás dele e etc, me desculpe, mas isso significa que você é burro. Querer compreender um filme com base nas informações que a história fornece é uma característica de pessoas cretinas que ouvem Los Hermanos e assistem Praça é Nossa; apenas pessoas “inteligentes” conseguem apreciar um filme como Cubo, que requer que você se cadastre em oito fóruns diferentes e combine várias teorias pra entender metade do que o filme quis dizer.
As próximas duas horas (ou sei lá qual é a duração daquela merda) são divididas entre 1) um personagem dá um passo em falso, se fode e é dividido em centenas de pedacinhos, muitos deles em chamas, 2) um personagem fala algo pra outro personagem, num diálogo supostamente profundo e inspirador 3) os personagens passam de uma sala pra outra, 4) repete.

Lâminas prontas pra decepar o baço de um descuidado, ou uma analogia referente à descaracterização humana à margem do século 21
Independente de não fazer o menor sentido não importa como você tente analisar o filme, Cubo ajuntou uma pequena legião de fãs que acredita piamente que aquelas duas horas divididas entre atuação que envergonhariam uma trupe amadora de teatro colegial e efeitos especiais que parecem ter saído de uma propaganda de computador nos anos 80 são uma metáfora para a vida e alguma coisa assim.
Vem cá, vocês não deveriam estar assistindo aulas de Introdução às Obras de Platão no Centro de Ciências Humanas de seja lá qual é a faculdade que vocês cursam? Se tem uma raça que adora filmes sem sentido que os permitem fingir pros amigos que eles o entenderam, essa raça de chama “calouro de Filosofia”.
O problema é o seguinte - eu não assisto filmes pra contar uma história a mim mesmo, tentando me convencer de que foi isso que o diretor quis dizer enquanto anotava instruções de uma determinada cena num guardanapo, vizinho a outras anotações como “segunda feira - lavar as cuecas, terça feira - pagar o aluguel”. Eu estou pagando pra ver o filme, eu quero que o diretor me conte uma história. Se eu quisesse passar duas horas tentando adivinhar o que alguém está querendo me dizer, eu eu estaria jogando Imagem e Ação com meu vizinho que insiste em desenhar uma geladeira de diversas formas festivas, contanto que nenhuma dessas formas se assemelhe a uma geladeira.
O principal problema de filmes como Cubo é a previsível onda de sabichões que afirmam saber exatamente e literalmente tudo que o idealizador do filme queria dizer com cada cena, como se isso significasse que eles estão a um nível acima da condição humana e merecem se diferenciar da categoria Homo Sapiens.
Cubo não é “profundo”, seus imbecis. Guardem os livros de retórica, não há nada pra analisar nesta porcaria. Há uma imensa diferença entre roteiro profundo e roteiro não-existente; e essa diferença é que no primeiro a trama não necessita de closes das tripas de um dos personagens.
Se você gosta de violência desnecessária, fazer de conta que entendeu o sentido por trás de um filme sem sentido e de molestar crianças de colo com espetos de churrasco, então Cubo é uma boa pedida pra você.
Eu, por outro lado, preferiria esfregar merda nos olhos que assistir esse filme mais uma vez. E é por isso que escrevi essa resenha hoje, apesar de ter assistido Cubo três anos atrás e tendo que puxar tudo de memória pra evitar alugar aquela porcaria só pra escrever um post.
Escrito por Kid on Aug 23, 2006
Porra, esqueci de mostrar isso aqui pra vocês.
O aniversário da namorada foi no comecinho deste mês, e não apenas coincidiu com duas viagens que eu fiz, como é perigosamente perto do aniversário do meu irmão. Com as finanças em baixa por causa das expedições com amigos e da obrigação moral de dar um presente pro Trunks, minha carteira exibia sinais de que não resistiria a mais uma celebração da proeza de ter passado um ano inteiro sem morrer.
E aí que entra em jogo a genialidade puramente brasileira. Enquanto canadenses bundas-moles vão ao shopping com uma amiga da namorada e valem-se de cartões de crédito platinum service pra comprar qualquer coisa que a amiga indique (incluindo um cartão com alguma frase pré-escrita pra diminuir o esforço de usar a criatividade pra presentear a amada), o brasileiro liso aqui se dirigiu à pasta C:\Pics_and_Vidz_and_Someothershit, escolheu a dedo as melhores imagens e vídeos, abriu o Windows Movie Maker e fez um videozinho sensacionalmente meloso que provavelmente levaria um diabético ao coma.
Não satisfeito com a idéia de apenas chamar a namorada pra ver o vídeo tocando no Winamp, gravei a parada num DVD, pedi ao Vexille que me preparasse uma capinha bem bacana pra produção. Daí, convoquei amigos da patroa secretamente para uma festinha surpresa de última hora e arrematei o plano com a compra do bolo favorito dela e um modesto buquê de flores. Tá, eu TINHA algum dinheiro, mas um presente “de verdade” pra aniversário de namorada (leia-se “algo de ouro”) me custaria brincando uns 100 paus, enquanto o combo bolo + flores ficou por menos de 40. Não paguei sequer pelo DVD virgem, que foi devidamente roubado da pilha do meu pai e substituído por um papel recortado em formato circular com um buraco no centro e os dizeres “DVD Virgem” escritos com crayon azul.
Então, dei o DVD pra ela de presente na festinha, que foi em seguida exibido na frente de todo mundo na minha sensacional televisão de cinquenta polegadas que eu juro que não roubei de ninguém. E ainda tive a manha de aparecer com as flores APENAS após o fim do vídeo, para maximizar o efeito dramático.
As amigas devem estar com inveja dela e procurando brasileiros na internet pra namorar até hoje.
O resultado da parada está aí:
Se você usa o Opera e não entende por que demônios os vídeos de streaming não rodam fora do site, não chore e clique aqui.
Aceito encomendas para vídeos de casamentos, batizados, aniversários e competições de Pump It Up.
Trabalhando no Restaurante
Escrito por Kid on Aug 21, 2006
Todo dia, durante três horas, eu abandono as confusões virtuais em que vivo metido para o divertimento alheio em prol de um objetivo muito mais nobre - ganhar dinheiro.
Como expliquei uns dois ou três anos atrás, mandei o meu antigo chefe tomar em sua digníssima rabiola e me demiti do antigo trabalho de vendedor móvel de guloseimas congeladas. Após menos de um dia de exploração no extenso mercado trabalhístico de Oshawa (que vai desde colheita de morangos durante o verão a limpar neve de portas de casas alheias no inverno), encontrei uma nova ocupação, consideravalmente mais lucrativa que aquele marmotagem de andar de bicicleta pela cidade trocando picolés semi-derretidos por moedas de dois dólares.
Tornei-me um técnico aquático - que é o termo chique para “lavador de pratos” - de um respeitável restaurante no centro da cidade, literalmente vizinho à Worlds Collide (uma igualmente respeitável loja de RPG, revistinha em quadrinhos e DVDs de desenhos japonês que estrelam meninas menores de idade trajando calcinhas de algodão).
Eu me demiti da Frosty Freeze na quinta feira, por motivos que incluem - mas não se limitam a - minha vontade de derramar gasolina em cima do carro do chefe e/ou amarrar alguns pregos enferrujados em volta de uma granada de mão e jogar no escritório do desgraçado, anexo a um bilhete dizendo “alguém joguei gasolina na sua BMW, não sei quem fui”. Na manhã de sexta, livre da opressão que apenas um vendedor de picolés no Canadá poderia experimentar, saí distribuindo currículos pela cidade afora.
E dei sorte. Antes do fim do dia a turma do restaurante já tinha me ligado, pelo jeito as pilhas de pratos lá estavam atingindo o telhado e eles precisaram desesperadamente de um brasileiro pra resolver a situação.
E comecei na sexta feira mesmo.
O restaurante, cujo nome manterei em anonimato por motivo nenhum, é um estabelecimento praticamente histórico na cidade. Fundado em 1958, o lugar se tornou uma espécie de cartão postal da pequena cidade rural que é Oshawa. O restaurante é de longe o preferido entre os mendigos que habitam o centro da cidade, que pausam suas atividades diárias - conversar com placas de trânsito e lamber jornais velhos no bequinho atrás da igreja - temporariamente para saborear a culinária de Louie, meu chefe/chef. Ouvi inclusive alguns deles comentando em voz alta com amigos imaginários que as panquecas do Louie são consideravelmente mais saborosas que o caderno de Esportes, que tem misto sabor de urina de gato com cola de sapateiro (o favorito deles).
Nota mental: JAMAIS confuda a profissão do seu chefe com algo que define exatamente o que ele faz, como “cozinheiro”. Algumas pessoas precisam desesperadamente se apegar a títulos desnecessários para validar a própria profissão. Portanto, Louie é um “chef”, e não um “cozinheiro”, que é basicamente a mesma coisa mas com mais letras.

1) Overhead board
Essa é a área em que os objetos de valor que eu porventura trago ao restaurante devem ser mantidos. Não estou zoando; no primeiro dia de trabalho um dos cozinheiros viu meu palm e perguntou se eu planejava trazê-lo pro trabalho todo dia. Expliquei que o dispositivo era um prático visualizador portátil de pornografias, e que eu preciso carregá-lo pra onde eu for (nunca se sabe quando eu precisarei ter pornografia ao meu alcance). O cara então me aconselhou a manter todos meus pertences à vista, porque ele não confia em ninguém no restaurante. Em seguida ele deu um pulo, olhando pra trás desconfiadíssimo, como se a sua sombra estivesse tentando ouvir o que ele me dizia e em seguida roubar sua carteira.
2) Dish tray
Essa massa disforme esverdeada em que os pratos flutuam não é uma mera representação artística, não - ela é uma imagem bastante apropriada do ambiente que os pratos e talheres habitam enquanto não estão na prateleira do outro lado da cozinha, prontinhos para recepcionar outra porção de batatas fritas ou panquecas. Algumas vezes as garçonetes esquecem uma dessas bandejas (tray = bandeja?) embaixo do balcão da frente, e até que eu finalmente localize a porcariada, a massa de bactérias que toma conta dos pratos já desenvolveu classes sociais e partidos políticos.
A receita pra uma massa disforme esverdeada® é bastante flexível, não se limitando a restos de comida. Guardanapos, cigarros pré-fumados, bolas de ketchup endurecido, panfletos da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, canetas estragadas, aparelhos auditivos, ou seja, praticamente qualquer coisa que caiba num prato e esteja ao alcance dos clientes acaba vindo parar na minha pia. É como se houvesse naquele restaurante um vortex onde tempo e espaço entram em colapso, atraindo pequenos itens domésticos em minha direção.
3) A pia
A pia é meu principal instrumento de trabalho. Após enchê-la até o topo com água na temperatura aproximada do Sol num dia particularmente quente, despejar alguns litros de solvente industrial e não usar absolutamente nenhum tipo de equipamento de proteção além de uma deprimente redinha pro meu volumoso cabelo (sim, eu uso uma rede pro cabelo tal qual uma cozinheira mexicana de meia idade), eu empurro pra dentro da pia os pratos cobertos em qualquer substância pegajosa que o restaurante esteja servindo nesse dia em particular e esfrego-os até que a substância pegajosa se torne menos perceptível. Essa parte do trabalho é a que exije maior atenção e esforço; se nesse dia eu estiver com menos vontade de trabalhar, a garçonete servirá um sorvete sabor calabresa a algum infeliz.
Vez ou outra o meu supervisor resolve ser inventivo e despeja alguns galões de água sanitária na pia, e eu vou te contar, nada revela cortes antes despercebidos como meter a mão em uma mistura fumegante de água sanitária, detergente e restos de comida em intermédio estado de putrefação.
4) The grease trap
Quando pedi pro Trunks ilustrar a cozinha, eu deveria ter especificado que também queria um desenho da grease trap. Como não expliquei pro moleque, no lugar do aparelho há uma espécie de explosão criada por formas geométricas do MS Word preenchido com um padrão de tijolos ou algo assim.
Não conheço o nome técnico do dispositivo na língua lusófona, então aí vai uma breve descrição do funcionamento do grease trap e de sua importância na sociedade geopolítica canadense.
Como o restaurante é famoso por servir hamburguers, batatas fritas, bacon e outros itens alimentícios que são o equivalente a mascar uma barra de gordura refinada de porco, boa parte dessa seboseira vai parar na minha pia. Grease trap é uma imensa caixa de plástico cheia de tubos e outros coisas que filtra a água que passa pelo ralo da pia, evitando que o volume astronômico de gordura foda o encanamento do lugar.
Romântico, né? E tem mais.
Toda semana a grease trap precisa ser limpa. Manualmente. Toda aquela sebozeira que ficou lá fermentando por sete dias até atingir o patamar de arma biológica precisa ser removida com o uso de uma panelinha asquerosíssima que é mantida ao lado do equipamento.
Palavras não fazem justiça à inigualável nojeira que é a abertura de uma grease trap. Pra você ter uma noção, a grease trap só pode ser aberta em momentos de baixo movimento no restaurante, ou há o perigo de espantar daquela área três futuras gerações de qualquer infeliz que esteja no lugar nesse momento mágico. O problema não é a gordura em si; é a espuma resultante da fermentação da parada. É uma espuma cinza, bastante espessa - praticamente sólida, aliás - e igualmente fétida.
Após transferir o desagradável conteúdo da grease trap pra baldes plásticos, tenho que carregá-los até o esgoto por trás do restaurante. Se ao menos uma gota do líquido espirrar nas suas calças, não haverá solução senão amputar a perna - isso se você tiver a sorte de não entrar em combustão instantânea ali mesmo.
5) Não sei o nome dessa área
É o local onde os pratos ficam pra escorrer. Após dar umas assopradinhas na louça e me assegurar de que não há quase nenhum pedaço grande de comida ainda visível, jogo os pratos nessa área aí, onde eles ficarão até que eu lembre que tenho que colocá-los de volta à disposição dos cozinheiros. O que geralmente não acontece em menos de meia hora após o momento em que eu deveria ter feito isso.
Fazer o que, eu não posso ser responsabilizado pelo que faço após inalar os vapores da grease trap.
6) Linen closet
É um pequeno armário pra onde nossos aventais vão após um longo dia de fingir que estamos lavando pratos e etc. Sim, caso você esteja seguindo a descrição, eu uso uma redinha pro cabelo E um avental. Se você achava que precisava de alguma boa idéia pra me aloprar, aí está.
Os aventais são lavados em cada Olimpíada, o que garante que você jamais encontrará um que não tenha um misterioso padrão de manchas multicores (e multisabores, basta esperar o chefe virar de costas e descobrir por si mesmo).
Isso é basicamente um resumo do meu ambiente de trabalho. Agora você sabe o que eu estou fazendo quando não estou online no MSN.
Aliás, tenho que tomar um banho já já. Meu turno começa daqui a duas horas. E hoje é dia de pagamento, o pior dia pra chegar atrasado.
Escrito por Kid on Aug 16, 2006
Nos últimos dias eu venho repetindo como um mantra budista que não se deve levar a internet a sério, imagino até que vocês já estão de saco cheio de notar esse tema recorrente nas entrelinhas dos meus textos. Aparentemente é muito fácil se deixar levar pelo mundo virtual, a julgar pelo número de pessoas que se revolta mortalmente pelo motivos internéticos mais triviais, e com “triviais” eu quero realmente dizer “dolorosamente idiotas”.
A bela confusão de ontem no orkut expôs com grau cruel de ironia os perigos de levar o orkut com mais seriedade que se levaria uma tentativa do Tiririca de se eleger a um cargo público que não envolva contracenar com o Carlos Alberto.
Se você esteve acompanhando este blog nos últimos dias, deve estar a par dos acontecimentos relacionados ao super bug do orkut. Em resumo, os hackers revelaram um bug na programação do site que permitia postagem de códigos em javascript.
Mas no fim do dia, revelou-se mais que isso. E esse é o assunto deste post investigativo Globo Repórter style.
Como vocês viram, eu recebi bastantes agradecimentos pelo serviço quase informativo do texto sobre o problema. Como era de se esperar, recebi também uma parcela generosa de xingamentos dos mais variados tipos de imbecis, indo desde aquele que tenta dar uma de esperto, ao que nem sequer tentou fingir isso.
Recebi até uma ofensa mutíssimo pitoresca:

Após anos irritando internautas aleatórios com meus textos e atitudes, essa é a primeira vez que o sujeito pausa seu chilique temporariamente apenas para elogiar a beleza da minha namorada, deixando quase implícito nas entrelinhas uma vontade latente de experimentar sua beleza pessoalmente.
Obrigado, script-kiddies-phedem. Eu sei que ela é uma puta duma loira gostosa, afinal, eu tô comendo. E não entendo por que você vê incongruência entre fazer sexo com a namorada e internetar. Não há nenhum mistério em balancear as atividades. Aliás, é uma questão simples de balancear o teclado na cabeça dela.
No momento, como você espera que eu me ofenda com o seu comentário? Fale o que quiser do alto de sua ignorância a respeito da minha pessoa - ao ratificar o fato de que eu namoro uma gostosa, toda a sua tentativa de me atingir vai por água abaixo.
Aliás, se tiverem um tempinho livre, vão lá ler o hilário comentário do sujeito aí. Se estiverem com preguiça, este é o resumo do que ele falou - “Buá, buá, eu sou ráquer também! Kid, não dê reconhecimento ao K-Max, e sim a mim! Eu quero receber mérito também! :(“
Mas isso é o de menos. Eu estava preparado para receber reclamações de outros nerds que gostariam de ter seus nomes divulgados como grandes ráqueres, ou xingamentos acalorados de gente que reagiu contra mim como se eu tivesse peidado dentro de um envelope e enviado pras avós deles no Natal.
O que realmente me causa um certo incômodo são comentários como este:
Eu tô sem celular.
Tava esperando minha tia me dizer coisas do meu primo…
=/
Ele ta no hospital.
Vc não precisa acreditar se quiser…
Mas td bem…
Bel | 08.14.06 - 12:47 pm | #
Vocês conseguem entender agora o que eu quero dizer com “tem gente que leva o orkut (e, por extensão, a internet) a sério demais?“
Isso não quer dizer apenas que certas pessoas se chateiam muito mais do que deviam por causa de assuntos meramente virtuais, embora essa afirmação seja verdadeira. A confusão do orkut e o ódio que alguns passaram a nutrir por mim por causa disso é uma boa prova.
O outro sentido da acusação de que o orkut é levado a sério demais é que certas pessoas parecem não perceber que se trata de um site gratuito, de acesso público (público e gratuito não é a mesma coisa, seus imbecis. Algo pode ser público, mas não gratuito, e vice versa), lotado de gente usando máscaras internéticas e se valendo do anonimato pra causar confusão, e com mais bugs que a versão beta do Windows 3.1. se ela tivesse sido programada pelo sobrinho retardado do Bill Gates.
Quando eu recebi o comentário da menina acima, por dois segundos eu me compadeci e pensei nas casualidades que o travamento de scraps promovido pela turma do FHBD poderia ter causado. Se for verdadeiro, o comentário da Bel prova que houve repercussões um tanto mais sérias advindas da brincadeira.
Mas aí eu comecei a pensar um pouco. A tal Bel tem um primo enfermo, talvez com aquela variação africana da letal tuberculepra cancerígena, e contava com o sistema de mensagens do orkut para receber informações sobre o estado de saúde do moleque.
Leia novamente - alguém estava contando com o orkut para trocar informações sobre um parente doente. No evento de um problema com o site (algo que acontece com pouca frequência, apenas umas três vezes por minuto), o primo da Bel morreria e ela não saberia.
Será que eu sou o único que tenho vontade de encher de murros alguém que decide depender do orkut, e aparentemente EXCLUSIVAMENTE do orkut, pra trocar mensagens importantes?! Bel, se você decidiu abrir mão de todas as outras formas de comunicação que o mundo civilizado oferece e substitui-las pelo maravilhoso bugado scrapbook do site de relacionamentos do Google, você deveria estar chateada consigo mesma, e não comigo. Não preciso dizer que você foi uma idiota por depender de um site tão instável para receber mensagens importantes sobre o estado de saúde de um membro da familia. Existem vários outros métodos de comunicação na internet - vários outros meios que não exibem sua mensagem a meio mundo; que não decidem parar de funcionar quando bem entendem; que não são tão frágeisl e inseguros; que não expõem informações pessoais suas para qualquer pessoa que saiba manejar um mouse.
Perdoe minha franqueza Bel, mas você é uma idiota. Imaginei aqui a pobre Bel com seus scraps trancados, sentada ao lado de um telefone, com um celular no bolso, com o Outlook aberto no background, com o MSN em status de Ocupado com uma letra de música como nick, e coçando a cabeça tentando descobrir como poderia entrar em contato com sua tia.
Você não pode esperar que eu me compadeça com alguém que deixou a carteira na calçada e depois chora porque a roubaram. Você tomou uma decisão imbecil, e decisões imbecis geralmente têm resultados trágicos. É uma lei universal.
Recebi outras reclamações por MSN e email de sujeitos que se revoltaram contra mim, alegando que mantinham contato com amigos através dos seus scrapbooks. Esses se enquadram na mesma qualidade de idiotas que a Bel. Neguim parece que esqueceu que existem outras formas de manter contato com seres humanos além do orkut.
O babaca cresce e aparece!!!!Ta pensando que o orkut é inutil como voce.Presta atenção o orkut é usado pra manter amigos e nao idiotas como vc.Para de ser criança….idiota cresce vira gente!!!Criança como vc sempre se da mal.Vai se FUDERRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!!!!!Vc nao pega ninguem e nao deve ter amigos….VAI BATER UMA PUNHETA!!!!!!Quem sabe vc vira HOMEM!!!!!!IDIOTA, CRETINO, BESTA, ANTA, MULA, IGNORANTE. VAI PRO INFERNO!!!!!!! MORREEEEE.
Rejane | 08.14.06 - 1:05 pm | #
Eu não preciso escrever um parágrafo inteiro pra provar pra você que a Rejane é uma idiota. Até essa linha é desnecessária.
Como a Rejane aí, houve muitos outros que mandaram longos comentários em Caps Lock porque não aceitam que os leitores do FHBD travem seus scraps por um dia para alerta-lo sobre um problema grave de segurança, porque como ele poderá viver 24 horas sem receber uma propaganda de festa, ou desenhinhos ASCII, ambos provenientes de sujeitos que ele sequer conhece? Sou realmente um cara muito, muito malvado, talvez até virgem.
E falando em virgem, não podemos esquecer o adorável Fábio. O sujeito que concluiu que eu vivo em função da internet, e em seguida afirmou que me bateria em virtude de algo que aconteceu na internet. Que me chamou de “virgem” por motivos obscuros; suponho que ele acha que eu nunca fiz sexo porque alguém travou os scraps dele com a URL do HBD. É uma lógica impecável. Outras brilhantes declarações do sujeito envolvem por exempo a “eu faço faculdade - logo, devo ser muito inteligente, uma vez que há apenas membros do MENSA matriculados em instituições de ensino no Brasil” e a “blá blá blá vc eh taum sínico lol blá blá blá“.
Fábio, por favor, evite entrar no meu blog novamente.
Mas é isso aí. Continuem trocando mensagens importantes publicamente por scraps, continuem mantendo contato com todas as suas amizades usando o serviço do orkut, continuem com raiva de alguém que tentou avisa-los de um problema que poderia foder com os próprios interesses de vocês.
Nego não aprende mesmo.
A Saga de um Empinador de Pipas
Escrito por Kid on Aug 14, 2006
(Re-postzinho. Tou meio ocupado agora pra terminar o post que estava sendo produzido.)
Vocês já perceberam que depois que você conhece uma pessoa nova, em breve a conversa se torna uma disputa de quem já se envolveu nos acidentes mais mirabolantes?
Passei os últimos 21 anos estudando essa tendência da psiquê humana. Aliás, de onde surgiu esse acento circunflexo, que minha professora de alfabetização (tia Socorro, que já morreu até, coitada) ficava muito puta se o chamassem de “acento chapeuzinho”? Qual o problema de chamar o circunflexo de chapeuzinho? Temo que agora apenas Satanás poderá perguntar isso a ela.
Não importa. Faça o teste aí; da próxima vez que conhecer alguém novo, comente COMO QUEM NÃO QUER NADA que no verão passado você perdeu um dedo do pé enquanto tentava, sei lá, operar um moedor de carne em cima de um skate. Pode ter certeza que o sujeito tirará a camisa, mostrará uma cicatriz entre a terceira e quarta costela e dirá que foi perfurado por uma viga de construção quando mergulhou do terceiro andar de seu prédio tentando capturar uma pipa desgarrada. Antes que você puxe de memória algum acidente mais imbecil, vai lembrar da minha teoria.
Falando em pipas desgarradas, já contei pra vocês o dia em que apanhei por causa de uma porra de uma pipa?
Era 1997, ou 1998, sei lá. Geralmente lembro os anos em que minhas putarias aconteciam porque bastava lembrar em que série eu estava (fiz a quarta em 94, a quinta em 95, a sexta em 96 e etecétera), mas dessa vez o ano me escapa da memória.
Eu morava na época no asqueroso Conjunto Ceará, um bairro escroto na periferia mais fodida de Fortaleza. Os leitores cabeça-chata não precisam que eu descreva a imagem, mas tem muito sulista lendo isso aqui, então vamos fazer um exercício mental. Pensem aí no bairro mais sujo das redondezas de Calcutá, e em seguida imaginem um caminhão-pipa cheio de esterco, muco, placentas, cadáveres em avançado estado de decomposição e cópias do último CD do Los Hermanos explodindo bem no meio dele, espalhando a repugnante mistura por todo lado. Esse é o Conjunto Ceará.
Meu pai, na época pastor evangélico, liderava uma congregaçãozinha quase ou tão fodida quanto o próprio bairro, bem no meio do sertão cearense. Morávamos na Aldeota, e se eu não estivesse com a imensa preguiça de abrir o Google Earth vocês veriam que há um continente inteiro entre os dois bairros. Depois de algum tempo gastando uma nota preta em gasolina, o coroa resolveu se mudar lá praquela invasão. Ir pra igreja à pé seria seria uma economia considerável, ainda que isso significasse ter que disputar a calçada com crianças peladas brincando dentro de poças de lama com carrinhos de plástico sem rodas e com as caras ocupadas por moscas varejeiras.
Sem putaria, o lugar era sinistrão. Era um misto de invasão do MST com favela indiana, muito tosco mesmo. Inclusive, foi lá que fui assaltado pela primeira vez na vida (o que é assunto pra um post que só escreverei depois de anos de cobranças dos leitores).
Voltando à história, papai-pastor se muda de mala e cuia pra uma periferia fodidaça e eu, filhinho de papai acostumado com colégio particular caro e amiguinhos ricos, me vi morando numa casa rente à rua sem asfalto e moleques que nunca nem tinham visto um computador de perto. Sem computador, sem videogame (eu havia destruído meu SNES acidentalmente pouco tempo antes da mudança), sem carros de controle remoto, tivemos que nos comunicar com base em um denominador comum, ou seja, nossos papos de brinquedos não podiam envolver coisas cujo preço ultrapassasse os dois dígitos.

Acima, uma simulação computadorizada de mim mesmo, aos 14 anos, empinando uma pipa. Perceba as gravatas borboleta com que eu enfeitei minha pipa
E a resposta foram as pipas. Pipas não eram apenas aeromodelos rudimentares construídos com bambu, papel de seda e cuspe; com um pouco de cola branca, cacos de vidro e malícia tipicamente brasileira, uma pipa comum se tornava uma fabulosa aeronave de combate. Nas mãos de pilotos habilidosos, uma pipa podia cruzar os céus com maestria e cortar a linha da pipa de um oponente, e aí fodeu. Alguém voltaria pra casa chorando, com um carretel de linha sem uma pipa na outra ponta.A confecção e decolagem de pipas era basicamente o único passatempo que aquela crianças dignas de um show beneficente do Bono Vox podiam desfrutar. Os que conseguiam arrancar algum dinheiro dos pais de vez em quando podiam se dar ao luxo de comprar pipas pré-fabricadas no mercantil do seu Joaquim da Mandioca. Desconheço o motivo dessa alcunha, porque jamais vi seu Joaquim com nenhuma mandioca, com M maiúsculo ou não. Por isso mesmo, temo o duplo sentido do apelido.Os mais miseráveis e desnutridos da turma (ou seja, aqueles para quem os dois reais que cada pipa custava constituia uma fortuna inalcançavel) tinham que implorar pelas pipas velhas de outrem, fazer suas próprias a duras penas ou disputar as pipas abatidas.
E as pipas abatidas, mas que espetáculo! Uma pipa derrubada era praticamente o equivalente do Conjunto Ceará do lançamento de um ônibus espacial. Pessoas vinham de todos os cantos pra assistir. Não, não é exagero, é literalmente mesmo: o fenômeno resultante de uma briga de pipas fazia muitos interromper seus afazeres e ir à rua assistir a putaria.
Quando uma pipa cruzava os céus à deriva, saíam pivetes de TUDO QUANTO ERA BURACO numa carreira desesperada no encalço da pipa grátis. Crianças desciam de árvores, pulavam da esquina, saltavam de dentro de bueiros, chutavam o portão de casa e passavam sebo nas canelas. Eu nem sabia que tinha tanto moleque naquele lugar. Imagino que estes passavam o tempo se escondendo e analisando o tráfego aéreo do bairro, aguardando o momento de correr. E a animação era porque, segundo o código de honra da pivetada, uma pipa cortada pelo cerol alheio pertencia ao povão. Aquele que a capturasse primeiro se tornaria o dono, e ai do dono legítimo se este se meter a reclamar a posse da pipa! Um delito dessa natureza requeria pena de pelo menos cinquenta cascudos em áreas variadas do corpo.
Segundos após a pipa perdida encontrar descanso no telhado da vizinha da frente, mais guris se juntavam à turba na corrida em direção à aeronave abatida. Chinelas havaianas não aguentavam a velocidade e as tiras estouravam, frequentemente levando rostos imberbes de encontro ao asfalto. Com tantos corpos caídos no chão, o negócio frequentemente se tornava uma corrida com obstáculos.
Sem o menor respeito à propriedade alheia, aos amiguinhos ou aos próprios ossos, a pivetada escalava os muros da casa da dona Francisquinha de Jesus - aquela que vendia pastel de queijo na feira -, disputando cada ponto de apoio na base do tapa, até que alguém finalmente tocasse a seda da pipa. Devia haver algum tipo de lei informal regendo a briga pelo brinquedo, porque no exato momento que alguém encostava na pipa, todo o resto da turma abandonava a disputa.
A cena era pitoresca; aquela criançada toda correndo feito loucos no meio do trânsito, desviando de carros, se empurrando, se esbofeteando, caindo de cara no chão, trepando em muros alheios… por algo que custava dois reais. Ah, Conjunto Ceará…
Além dessa putaria toda (ou por causa dela mesma), a brincadeira das pipas gerava uma perpétua inimizade entre as patotas de cada rua. O pessoal da Comendador Machado odiava a turma da Sete de Setembro, que por sua vez não podia sequer ver a galerinha da 89. Bando de metidos. Se achavam nova-iorquinos, só porque o nome da rua era um número!
O que acontecia é que tomar posse da pipa abatida da rua oponente era uma injúria imperdoável. Se alguém da turma oponente cortasse sua pipa no cerol, tudo bem, era parte do esporte. Bastava voltar pra casa, roubar o dinheiro do pão e comprar outra. Mas quando os amigos do algoz conseguiam pegar a pipa perdida e trazer de volta pro bando, ahhhh… Isso feria a dignidade. A pipa cortada de um oponente era praticamente um troféu de caça, um atestado de superioridade. Era quase como se seu inimigo estivesse de posse de sua própria alma.
Havia ainda uma patifaria ainda mais vilanesca, o ato de “fazer farofa”. “Fazer farofa” consistia em capturar a pipa do oponente apenas para destruí-la completamente.
Entendidas as regras do esporte, continuo a historinha.
Num belo dia de domingo, estávamos eu e a minha turminha empinando pipas. A galera da rua da frente, cujo nome não consigo lembrar, estava na mesma atividade. Eles lá, a gente cá. Olhares raivosos cruzavam a rua em ambas direções. No ar, as pipas materializavam o ódio mútuo que as nossas gangues infantis nutriam uma pela outra - com habilidade, os empinadores de cada lado jogavam suas pipas umas contras as outras, tentando faze-las se engancharem na linha acerolada (que é uma linha com cerol, e não acerolas. Embora o Manélzinho da 21 jurasse ter projetado uma pipa com suco de acerola ao invés de cola. Vai ser pobre assim na puta que pariu).
Num lance de sorte, o Adriano conseguiu desvencilhar a pipa do oponente da linha. Esta começou a cair, desenhando uma espiral no céu em direção à nossa turma. Por ser um domingo, o movimento no bairro era bem menor, e a pipa já caía em nossa direção mesmo. Nem foi necessário correr. Eu, por ser o mais alto entre a nossa turma, peguei a pipa caída com facilidade. Joguei um olhar pra turma da rua da frente, e as caras deles não eram das melhores. Um moleque saiu do meio do grupo em nossa direção.

Ele atravessou metade da rua e, com frases curtas, exigiu a devolução da pipa. Sua mão pendia no ar, insistente.“Ah, mermão” falei “tu sabe como é o negócio. Pipa bolada não tem dono!”O sujeitinho, que acho que se chamava Marcelo, não perdeu tempo debatendo. Ao invés disso, ele voltou rapidamente pro meio da sua turma, que aguardava do outro lado da rua. A retirada voluntária do inimigo foi algo ainda mais honroso que ter capturado a pipa dele. Meu espírito gozador não se conteve.
“Ei, ei, ô, ô, olhaqui!” o rapaz virou o corpo em minha direção “Brigado pela pipa nova, ein!” tendo dito isso, ergui o artefato acima da minha cabeça e ensaiei uma breve e constrangedora dança de vitória.
O moleque, indignadíssimo, apressou o passo em direção aos seus amigos. Ao chegar lá, conferenciou com eles brevemente. Em seguida, correram todos pra rua, saindo da nossa visão.
Minha turma e eu voltamos às nossas atividades normais. Em pouco tempo, a turma inimiga reapareceu na esquina.
Com paus e pedras nas mãos, e olhares sérios na cara.
Não minto, gelei instantaneamente. Nunca fui de brigar, especialmente quando os oponentes são mais numerosos e armados. Pensei em correr, mas eu era o mais velho da minha turminha e a vergonha jamais seria esquecida. Permaneci no mesmo lugar, com a pipa ainda na mão.
“Me dá” disse Marcelo, sem precisar especificar exatamente o que eu deveria dar.
As palavras quase não vinham à boca.
“Mas eu peguei…”
Sem pensar duas vezes, Marcelo girou o braço e o pedaço de pau em sua mão foi de encontro à minha perna. Virei o corpo instintivamente (e vi de relance que meus amigos tinham desaparecido), e a porrada pegou do lado do joelho. Dei um passo pra trás, irado, mas sabia que seria impossível me defender dos três ao mesmo tempo.
“Me dá essa porra, branquelo de merda” disse o menino. Com o joelho doendo e uma inegável vontade de sair em disparada, o orgulho falou mais alto. Fiquei calado. Reconheci um dos pedaços de pau que os moleques carregavam como a perna de uma cama que havia sido jogada num terreno baldio das proximidades (não o do mapa acima, um mais distante).
Sem esperar a minha resposta, Marcelo deu uma estocada com o pedaço de pau e perfurou a película de seda da pipa. Com um rápido movimento, ele arrancou-a das minhas mãos. Me senti como se alguém tivesse arrancado minhas roupas.
Na sua fúria e falta de planejamento na hora de reconquistar a pipa, o moleque acabou estragando-a. Sem pensar duas vezes, ele “fez farofa” ali mesmo. Depois jogou a pipa aos meus pés, e saiu. Até hoje me pergunto o que impediu o sujeito e seus amigos de me dar uma surra de perna de cama.
E eu passei uma semana sem falar com o Trunks, também. Aquele corno fazia kung fu na época e me deixou apanhar sem se manifestar!
Logo após os malfeitores abandonarem nossa rua, a minha turma começou a aparecer. Eu estava morrendo de vergonha, mas dava pra ver que a deles era ainda maior que a minha. Eu estava revoltadíssimo, afinal, éramos uns nove. Armados ou não, cada um dos moleques da rua rival teria que se virar contra três! Seria um massacre, se eu não tivesse sido abandonado como um filho cujo pai descobriu sua homossexualidade.
Mandei todos aqueles medrosos de merda irem pro inferno (incluindo o Trunks) e voltei pra casa. E passei o resto do dia jogando Command and Conquer.
Escrito por Kid on Aug 14, 2006
Olá, turminha que está chegando no HBD vinda do orkut! Você nesse momento deve estar coçando a cabeça e pensando “Aga Be Dê?! Mas que porra…? Onde está o scrapbook da Fernandinha, ou aquele tópico na Odeio Acordar Cedo que eu estava lendo agora a pouco?!“
Há uma explicação. Tem paciência pra ler?
Bom, deixe eu me apresentar. Sou o Kid, bagunceiro virtual, dono deste humilde site que você lê agora em algum navegador alternativo que você se convenceu que é o mais seguro da galáxia, e admin do fórum de mesmo nome. Meus leitores, um bando de nerds desocupados que praticam hackerzices nas horas vagas, recentemente me informaram do (mais novo) gritante defeito de segurança do orkut; uma falha na codificação do site que permite a inserção de um javascript que pode, entre outras coisas, roubar seus cookies e com isso transferir suas comunidades a outro malandro.
Exatamente. Dê uma olhadinha no seu perfil - se você é dono de alguma comunidade que valoriza, este texto deve ter captado sua atenção agora. E antes que você pense “duh, mas eu aprendi com os roubos do passado. Basta verificar o endereço do link pra se safar esses problemas!“
Te engana, e te engana feio, mané. Dessa vez o buraco é mais embaixo - sem que você sequer clique em nenhum link, gente mal intencionada já tá pegando suas informações. Abriu um tópico? Clicou num scrapbook? Dê tchau à sua comunidade de ex-alunos do Colégio Dom Pedro II de São Luís do Maranhão. Ela agora é de algum garoto de 13 anos que mora em Manaus e aprendeu ontem a programar javascript.
Vinícius K-Max, o célebre hacker que perpetrou o lendário roubo de comunidades em 2005 (proeza que teve exposição em sites populares como o Cocadaboa) me chamou a atenção no MSN rapidamente, e me explicou que queria que EU avisasse a geral sobre o problema. Sei lá por que, o cara gosta do blog e talvez queira me dar essa exposição, e eu na real tenho a maior honra de ter como leitor um meliante do calibre dele e não vou discutir com o cara porque tenho medo de ele hackear meu Playstation 2 e impossibilitar minhas jogatinas noturnas de Socom 3 online.
Voltando ao assunto, o hacker preparou um link para redirecionar o máximo possível de orkutnautas para este texto de aviso.
Antes que você se emputeça por ter sido engabelado a cair neste blog ao invés de qualquer tópico escroto de uma comunidade idiota que você seja membro, lembre-se que neste momento eu poderia estar com o poder de tomar a força todas aquelas comunidades que você dedicou tanto tempo e atenção para ver atingir os 500 membros. No entanto, estou usando essa habilidade pra te alertar do perigo que suas preciosas comunidades estão correndo neste exato momento.
Meu aviso é que deixem de visitar o orkut pelas próximas 48 horas. A turma do Google é rapidinha em solucionar esse tipo de problema, em em menos de dois dias você já poderá voltar a postar em tópicos como “bata os cotovelos no teclado e publique o que sair rsrsrsrs!” sem medo de gente talentosa como o K-Max surrupie todos os seus preciosos cookies. Até lá, contentem-se em visitar outros sites, talvez algum outro em que imbecilidade humana não seja tão perceptível.
Nestas últimas linhas geralmente o autor de um texto como esse agradece a atenção do leitor, mas é você que deveria estar me agradecendo. Tudo que eu ganhei com a presepada é menos bandwidth, já que visitas não me rendem dinheiro mesmo.
E tá legal, eu compreendo que é chato pra caralho - ok, nem tanto, vai - não poder ler seus scraps porque um blogueiro de merda quer dar uma de salvador da pátria. É um mal necessário - prefere esperar pra ler o scrap da Fernandinha depois de amanhã, ou perder suas comunidades hoje? Pelo jeito que tem gente por aí que dá uma importância doentia aos seus grupinhos orkúticos…
E vamos ser sinceros - se o conteúdo de seus scraps tivesse importância superior a uma fralda usada, não estariam exibidos publicamente num site como o orkut. Se você decidiu manter sua correspondência lá, isso foi no mínimo mau planejamento. Daqui a dois dias você poderá ver os peixinhos, elefantinhos e todos os outros desenhos escrotos que os spammers mandarão pra vocês até que o serviço se normalize.
Ou não - os spammers que tentarem fazer teu scrapbook de outdoor cairão aqui agora. Ladrão que rouba ladrão…
Ah, já sei. Tu quer aprender como se faz a manha! É simples - cole a linha abaixo em tópicos, scrapbooks, o que quiser:
Como o efeito colateral do negócio é travar o scrapbook do sujeito temporariamente, a parada tem multi-uso. Serve tanto pra quem quer avisar os conhecidos (se bem que nesse caso bastaria enviar o link deste artigo), como pra quem quer aloprar os desafetos. Use com responsabilidade, mané.
E se você não tem nenhuma comunidade importante, não dá a mínima pra porra do orkut e só o usa mesmo pra procurar casais em São Paulo para sessões de voyeurismo, aí vai a foto de um ratinho.

…e já que já estão aqui mesmo, assistam o vídeo do post abaixo. É praticamente uma epopéia nerd, coisa fina.
[ Update ] Cabou a festa. A galera do orkut resolveu honrar seus contracheques e trabalhou contra o relógio pra resolver tudo.
Escrito por Kid on Aug 13, 2006
Ahh, e lembram do denunciador de comunidades atéias?
Os informantes do HBD ainda conseguiram esta mensagem, interceptada num grupo de filesharing que o Lobato, Ranger Vermelho Internético, modera:
[LOBATO:19831] FODA-SE AOS ESPIÕES ! É PRA SABER MESMO
á estou tiririca da vida com isso.
Não estou nem aí agora.
FODA-SE !
Sei que tem espiões aqui e um lá no orkut.
É graças a isso que até segunda estarei excluindo meus 2 perfis (pessoal e moderador) por que aquela bosta de briga chegou a tal ponto que agora se fala DA MINHA VIDA PESSOAL !
Se eu voltar lá, não avisarei a ninguém, não direi a ninguém quem sou, não estarei distribuindo convites, NEM MESMO A MEUS AMIGOS E FAMILIARES !
Não vou deixar minhas comunidades abandonadas, já repassei para alguns perfis, outros aguardo respostas e alguns eu simplesmente deletei.
Fala de trégua, mas o cara sozinho tem uma comunidade de 11.000 … E ESTÃO FAZENDO DE MEU SCRAP UM CHAT OU ATÉ FALANDO BOSTA DE MIM.
Não vou ficar recebendo isso nem dar chance… agora é excluir e se voltar ficar na minha.
Sinto muito a muitos que me adicionaram em meus perfis… mas nõ vou mudar minha opnião.
E DANE-SE SE TIVER ESPIÃO AQUI !
VAI CORRENDO CONTAR PRA ELE.
Meu perfil moderador já está com aviso.
Fazem zona e ainda querem trégua !
Folgados !
LOBATO
Porra negada! Mal passou-se dois dias e vocês já fizeram o cara correr da raia?!
Dá pra pegar leve da próxima vez? Esse aí não deu nem pro começo!
Mais informações sobre o caso aqui.
Escrito por Kid on Aug 11, 2006
[ Update ] Não falei que meus informantes são foda?
Já acharam o perfil do sujeito responsável pelas “denúncias” contra mim.
Divirtam-se.
[ Update 2 ] Rapaz, mal acabou a treta do Fórum e já temos um outro maluco em mãos. Vejam só o detalhado dossiê que ele escreveu sobre mim, e sobre o terrível crime que eu ando cometendo (o de não moderar uma comunidade minha no orkut, vigiando-a 24 horas por dia pra evitar que alguém use sua liberdade de expressão).
Será que esse vai pra Brasília também?
[ Update 3 ] Ah, que merda. Essa briga acabou antes de começar. Nem entre seus próprios companheiros de luta o sujeito conseguiu apoio :(
Acho que a Nova Internet® é cruel para todos.
Pessoal, antes que eu termine o novo post, deixa eu contar um negócio aqui pra vocês. Se há alguém que possa me ajudar nessa situação, são os leitores deste blog.
Lembra quando eu postei sobre os Power Rangers virtuais? Então. Naquela época esse tipo de gente representava apenas um motivo de risadas e talvez pena, mas no momento eles evoluíram de “idiotas inofensivos” para “ok, agora tá começando a me encher o saco”.
Por causa da Renmero muito bem disse, meus scraps se tornaram a Caps Lock Jesus Party 2006 - um evento virtual onde religiosos xiitas, unidos pela ignorância e intolerância, juntam-se em uma só voz para postar agressões verbais contra uma pessoa que jamais sequer falou com elas.
Enfim, ser odiado é algo que eu aprendi a aceitar após três ou quatro anos escrevendo o tipo de coisa que eu escrevo na internet. O problema é que eu recebi CINCO páginas de scraps de crentes num período de 10 horas ontem. Como eu não andei mexendo nesse formigueiro, alguém deveria ser responsável por essa onda de “ataques”. E não demorou pras minhas centenas de informantes me soltarem informação relevante ao caso.
Nesta comunidade de Power Rangers internéticos, meu nome foi apontado junto à acusação de intolerância religiosa - claramente, um fruto da minha associação à OED. Além da insatisfação de ser considerado de calibre semelhante aos idiotas que dão luz a grupos entitulados “Jesus - o 1º pedófilo do mundo” ou “José o Primeiro Corno Assumido”, tal denúncia é tão prejudicial para minha pessoa quanto o ato de estalar os dedos.
Se não fosse, é claro, os trocentos cristãos que por um momento pensam que estão numa cruzada e correm pro meus scraps me encher o saco.
Decidi que esses justiceiros virtuais bem que poderiam provar de seu próprio remédio. E é bem simples.
CLICANDO AQUI, vocês podem denunciar a comunidade dos sujeitos. Na causa da denúncia, coloque “cyber terrorism” ou algum desses outros termos atraentes usados pra descrever presepadas internéticas.
Se os leitores do HBD conseguiram estourar a banda de um servidor em menos de um dia e lotar um fórum com mais de 250 membros em menos de doze horas, imagino que antes que eu saia pro trabalho esses justiceiros interwébicos precisarão organizar uma nova casa.
Vamos ver no que dá. Eu confio no potencial de minha manada de nerds desocupados e com vontade de causar. Denunciem a comunidade dos filhos das putas!
…
Ah, e da próxima vez que uma celebridade virtual do calibre da Marimoon aparecer no FHBD (note a barra do título do flog dela), será que vocês poderiam me avisar antes? Sempre quis um autógrafo virtual da menina. E a julgar pela curta participação dela no fórum, ela é tão bonita quanto é gente boa.
Escrito por Kid on Aug 9, 2006
Com o fim de toda aquela sensacional confusão do fim de semana (devidamente documentada na FHBDpedia, pra quem não acompanhou a putaria de perto porque estava na praia comendo caranguejo na Barraca do Zé do Arroz), os foristas do FHBD puderam finalmente voltar à sua casa virtual pra rir dos esforços infrutíferos de sua maior adversária, trocar links de pornografia (perfeitamente permitido pelo nosso host. Não percam seu tempo tentando nos fechar dessa vez.) e voltar ao planejamento de suas empreitadas extra-fórum.
E uma delas é a já lendária FHBD WHOREHOUSE TOUR 2006.

A FHBD Whorehouse Tour é um prestigioso empreendimento de respeitados partipantes do meu antro virtual, como os superstars Hayato e Bombadão. Ele é o fruto da união de nerds localizados em Sampa, de muito tempo nas mãos, e de dinheiro sobrando pra gastar irresponsavelmente.
Inspirados num tópico do Bombadão (a respeito de um outro popular fórum internético que exibe “resenhas” de prostitutas), foristas do FHBD tiveram a sensacional idéia de fazer uma excursão ao Andradas, o ponto mais baixo do meretrício paulista, e sacrificar o próprio bem estar para presentear o resto do fórum com fotos e depoimentos exclusivos a respeito da inesquecível aventura. Pra vocês terem uma noção aproximada do ambiente que nossos desbravadores estão se preparando pra encarar, diz-se que você precisa de uma vacina contra tétano para ao menos dirigir o olhar a uma das donzelas que trabalham lá vendendo serviços orais por R$2,50, vale-transporte, ou cartas foil de Magic.
É barra pesada mesmo, doutores. É o tipo de coisa que separa homens de meninos, assim como uma ordem judicial como aquelas que o Michael Jackson teria que assinar caso fosse enquadrado como o pedófilo safado que é.
Um dos planos debatidos pelo grupo de caçadores de emoções consiste em fotografar as vagabas peladas e em atividades lúdicas, quem sabe até ostentando famosas plaquinhas FHBD, pra confirmar a autenticidade da empreitada e incrementar o teor cômico da situação.
O que obviamente passou a significar uma dificuldade logística - fato de que levar um aparelho caro como uma câmera digital Sony contrabandeada na Ponte da Amizade pra um estabelecimento de prestígio tão duvidoso significa um risco de investimento que ninguém gostaria de correr. A situação foi remediada pela minha brilhante sugestão de registrar a missão com uma câmera descartável, dessas bem vagabundas cujo preço fica na casa de uma única cifra e que algumas vezes vêm até em versões à prova dágua. Se é à prova dágua, deve resistir a outros fluidos similares, o que funciona perfeitamente pro propósito e natureza desse safari.
Tal qual uma missão de comandos americanos na profunda selva vietnamita em 1966, uma força-tarefa de reconhecimento já está se preparando pra dar uma olhada no lugar e reportar suas conclusões aos planejadores, que desenvolverão uma estratégia baseada nas observações dos espiões. A coisa é realmente profissional, rapá. Pelo que li por alto no tópico onde estão planejando a coisa, bolaram até um sofisticado sistema de comunicação para eventuais emergências, como putas psicóticas armada de objetos semi-afiados e/ou enferrujados, ou cafetões pouco compreensíveis.
Povo corajoso, vou te contar.
E antes que os moralistas venham me encher o saco com longos comentários a respeito de que sexo é uma benção divina que Deus separou para os casados e que o projeto é uma pouca vergonha, informo que os foristas já decidiram que não adentrarão nenhum orifício de nenhuma das profissionais do sexo do Andradas - alguns por compromissos sentimentais com suas namoradas, outros por compromissos sentimentais com os próprios genitais. Não os culpo de forma alguma, afinal, o seguro morreu de velho. Seguindo o ditado popular eu evitaria até me aproximar muito das moças do Andradas a menos que estivesse usando um daqueles trajes à prova de radiação, uma vez que elas devem estar tão infestadas de DSTs que as putas menos saudáveis já deve estar até irradiando AIDS.
Os foristas Majoraze e Hayato estã coordenando a comitiva desbravadora, e a Whorehouse Tour 2006 está sendo planejada para setembro. Os outros foristas já engajados e prontos para ação são Anoobis e Joselito, lembrando que ainda há vagas pra loucos que queiram participar da coisa.
Naturalmente, a cobertura do evento será de exclusividade do HBD, então aguardem aí um post com sensacionais fotografias de putas com mais celulite do que um ônibus cheio de velhas de oitenta anos segurando cartazes que fazem referência a um fórum de nerds e os épicos relatos dos foristas que embarcarão nessa putaria (literalmente).
Já há planos de uma Whorehouse Tour 2007, a que eu poderei orgulhosamente comparecer, já que vou ao Brasil ano que vem (Hell yeah bitch). Estamos apenas esperando os resultados da primeira Tour pra ver se vale a pena dar continuidade ao evento e transformar numa coisa anual, tipo uma convenção de RPG (porém levemente menos nerd porque haverá peitos e bundas femininas envolvidas na história). Dependendo do número de sobreviventes da primeira edição, quem sabe ano que vem repetimos a dose.
Até a Gótica vai dar o ar de sua graça lá, uma vez que ela está vindo visitar o País da Putaria comigo e adoraria confraternizar com nerds que ela nunca viu na vida mas vão recepcioná-la no aeroporto gritando “Facadiiiiinha”.
É esperar pra ver. Setembro tá chegando!
Escrito por Kid on Aug 8, 2006
Não falei que já já voltava? E agora tem até domínio próprio, tá chique essa porra.
Tudo bem que tá bem precário o visual da parada, mas nada que uns ajustes não resolvam.
Ah, e se o fórum estiver caindo numa página de aviso da Domainsatcost.ca, é porque vocês tentaram entrar no fórum sem digitar o www. Probleminha simples de DNS, já já ajeito isso.
[ Update ] O fórum tá passando por uma manutenção rápida, pra atualizar a versão do software. Já já volta.
[ Update 2 ] O Fórum está 100% operacional. Mais de 200 usuários cadastrados em menos de 24 horas de atividade.
Vocês me orgulham.
Escrito por Kid on Aug 8, 2006
Servidor no ar, fórum sendo instalado logo em breve. Dessa vez, num host MEU, pago, gerenciado por gente que não dá muita bola pra ameaças de idosas com disposição demais e bom senso de menos.
Aliás, o meu admin é forista das antigas do FHBD, que inclusive fez um precinho camarada (e até aceitou fiado, pra você ver como palavra de blogueiro ainda tem algum valor na praça), já que ele também quer ver o fórum no ar novamente.
Vocês aguentam mais algumas horinhas sem o FHBD?
Escrito por Kid on Aug 7, 2006
O sucesso estrondoso do novo FHBD (duzentos usuários em menos de seis horas de operação) fodeu com a banda do servidor em que o novo fórum estava e nos deixou a ver navios mais uma vez, mas ao menos agora não é por causa de [ CENSURADO ].
Nada que um novo servidor não resolva. Tou já acertando a compra de um servidor dedicado, com limite de bandwidth bem mais generoso, pra re-estabelecer nossa casa. Não dou nem dois dias pro FHBD voltar com mais força do que jamais teve.
Voltamos já, macacada!
Escrito por Kid on Aug 7, 2006
Já deu o que tinha que dar.
Escrito por Kid on Aug 7, 2006
Deixem de chilique, o fórum volta essa semana sem falta.
Se essa Gorda achava que isso daria fim ao ódio generalizado que ela conseguiu cultivar em literalmente 100% das pessoas com quem entrou em contato virtual, ela deu um tiro no próprio pé.
Nerdezada, recuar e aguardar, que o contra-ataque vem chegando.
E vem chegando com força.
Escrito por Kid on Aug 4, 2006
Tou saindo de viagem daqui a pouco (vida de blogueiro é agitada), e volto na segunda com um post novo.
Enquanto isso vão debatendo aí nos comentários sobre o que será o tema do post. Quem se aproximar mais ganhará um pirulito de uva.
Para não dizer que este foi um post inútil, aí vai uma foto de um pato.

Escrito por Kid on Aug 1, 2006
Se você tem um modem há mais de dois dias, já deve ter notado que é mais fácil cagar uma barra de ouro puro do que encontrar pessoas inteligentes na internet. E mais frequente que os imbecis virtuais, são os manés que disfarçam sua cretinice com algumas pitadas de conhecimento geral e um mínimo bom senso, o que levaria você a imaginar que está diante de alguém comum. Mas não está. Este sujeito com quem você animadamente debate o sistema de cotas ou a guerra no oriente média, por mais efetivo que seja seu disfarce, não passa de mais um dos infinitos débil mentais que uma conexão com a internet liga a você.
Por que é tão difícil encontrar pessoas inteligentes na internet? Para responder essa pergunta, você precisa entender um aspecto muito importante das comunicações internéticas em geral - a internet provoca cretinice. Enquanto no mundo real uma discussão acalorada sobre, sei lá, aquele referendo do desarmamento terminaria com um dos dois lado admitindo que opiniões são opiniões e que se há uma coisa sagrada que todos concordam, é que o PS2 é muitíssimo melhor que um Xbox, a mesma discussão na internet não acabaria de forma tão feliz. Você diria que o sujeito defende o desarmamento porque ele está aprovando um improvavel golpe de estado, enquanto o outro diria que sua opinião pró-armas apóia a violência no país, e antes que o moderador do fórum pudesse suspender um de vocês dois, mães já estariam envolvidas nos xingamentos e alguém acabaria com uma denúncia registrada no Ministério Público por calúnia e/ou difamação.
E por que isso acontece? Porque ninguém inventou ainda um periférico que permita esmurrar um internauta através de seu monitor. Enquanto a comunidade científica se ocupa com bobagens que vão desde cura do câncer a exploração espacial, eu não posso discutir tranquilamente na rede virtual sem que um imbecil meta as fuças no meio da conversa e vomite seus pensamentos desconexos que apenas com muita boa vontade poderiam se passar por um argumento. No dia que a Creative lançar seu esmurrador remoto de pessoas imbecis (contanto que o aparelho não exija o pagamento de um serviço adicional, nos moldes do Xbox Live), estarei na fila da Best Buy.
Como um bom desocupado (bom, na verdade nem tanto atualmente, mas serei sempre um vagabundo de coração como vocês), eu me encarreguei com a tarefa de identificar e quantificar a imbecilidade do Internauta Comum. Após ler este texto, você nunca mais terá que se perguntar “Será que este sujeito que defende a qualidade musical do último CD dos Los Hermanos é um imbecil?”, embora essa devesse ser uma pergunta retórica pois é sabido que qualquer pessoa que não nutra desprezo pela banda é, de fato, um idiota.
Primeiro patamar de imbecilidade
Pessoas que pontuam frases com pontuação excessiva
É impressionante que nos dias de hoje ainda há pessoas que criam tópicos em fórums com o título “alguém sabe onde posso pegar o instalador do fotoshope” acompanhado de trinta ou trinta e um pontos de interrogação, costumeiramente enfiando um ponto de exclamação no meio ou algumas barras e uns. O que eles estão pensando? Que a quantidade exagerada de pontuação desnecessária irá apressar a resposta à sua dúvida?

Não demorei mais de trinta segundos pra achar um bom exemplo desse tipo de comportamento. Ahh, orkut.
Sinto um misto de pena e desprezo quando presencio um destes retardados (que infelizmente são bem mais numerosos do que um Deus justo e amoroso deveria permitir) comunicando-se com sua característica pontuação excessiva. Na maioria esmagadora dos casos que presenciei em minha longa interação com a rede mundial de computadores, pessoas que pontuam frases com “!!!!!!!!?????” costumam também usar “rsrs” e enviar pros seus familiares apresentações de powerpoint que já eram velhas quando o muro de Berlim caiu. Preciso dizer mais alguma coisa?
No mundo real, este imbecil…
Seria o tipo de pessoa que, durante uma conversa entre amigos, faz um comentário irrelevante qualquer em forma de uma exclamação exagerada. Imagine a situação:
– Porra, eu adorei aquele filme, gente boa.
– Eu também. Bons efeitos especiais, ein?
– É VERDADE PESSOAL, AQUELE FILME FOI O MELHOR QUE EU ASSISTI ESSE ANO!!!!!
Evite qualquer contato com esse tipo de gente, ainda que seja apenas contato visual a uma distância de cinquenta metros.
Segundo patamar de imbecilidade
Pessoas que correm pra delatar outros internautas pras autoridades forísticas
Embora há alguns anos (lá por volta da quinta série) xisnovear coleguinhas de sala pra “tia” e assistir a subsequente confusão era divertido, saudável e até educativo, é provavelmente uma boa coisa o fato de que a maioria das pessoas evoluiu daquela fase (também conhecida como “pré-adolescência” ou “virgindade”). Entretanto, além de pornografia, a internet também é notória por trazer a tona a criança retardada que vive dentro de cada um de nós.
E um dos comportamentos clássicos desse tipo de gente é a mania quase patológica de delatar os outros.
Sou dono de algumas comunidades grandes, e não há nada mais abundante em uma comunidade grande que imbecis. Esses imbecis ainda não domaram as técnicas mais rudimentares de convívio social, então eles costumam falar e fazer idiotices o tempo todo, irritando a parcela não-imbecil da comunidade - assim como uma segunda qualidade de imbecis, também. Estes últimos se imbuem da responsabilidade de caçar os provocadores de confusões e destruir sua influência maligna no ambiente. Todo dia recebo scraps e emails me avisando de que alguém falou “porra” durante um debate sério, ou que um outro fez montagens com as fotos da namorada de um terceiro, e daí pra baixo.
Os dedos-duros virtuais vivem num mundo fantasioso em que a infraestrutura de um site como o orkut não poderia resistir sem a sua influência benevolente, e portanto agem de acordo. Como a Odeio Acordar Cedo poderia funcionar normalmente (e por “funcionar normalmente” entenda-se “exibir centenas de tópicos de joguinhos irrelevantes e um ou outro spam genérico”) sem que eu a vigiasse constantemente, impedindo que baderneiros orkúticos exalem o fedor da confusão virtual no coreto??!!//1
Normalmente, delatores virtuais abraçam a agradável ilusão de que eles são de alguma forma superiores aos criminosos virtuais que deduram. Isso nao passa de um engano; embora suas imbecilidades se manifestem de formas dimetralmente opostas, ambos ocupam o mesmo patamar de imbecilidade online - e ainda assim, considera-se o incitador com um pouco mais de prestígio que o justiceiro virtual, porque enquanto o incitador age por lazer, seu antagonista defende o ambiente virtual como se isso fosse algum tipo de trabalho voluntário não-remunerado. E todos sabemos que tipo de gente faz trabalho voluntário - hippies.
Alguns vão ainda mais longe em sua disposição em policiar a internet e até “formalizam” a coisa (o que reflete uma violenta necessidade de reconheimento). Quando três ou mais desses indivíduos se reúnem, surgem abominações como os auto-proclamados Justiceiros do Orkut. Tais comunidades se sustentam tanto pela colossal estupidez de seus membros, quanto pela seu igualmente colossal desejo de anexar uma mínima quantia de autenticidade ao seu grupo de vigilantes da interwebz. Os casos mais perdidos dessa espécie pensam até em registrar seu grupinho em cartório, isso se já não tiver impresso carteirinhas de sócio para os companheiros.
No mundo real, este imbecil…
…Seria como o Diego Alguma Coisa, que era por sua vez um moleque roliço com quem eu cursei a terceira ou quarta série há bilhões de anos atrás. Estudávamos num colégio religioso (a orientação era adventista, pros curiosos), e conversar telepaticamente com Jesus logo no início das atividades escolares diárias era uma prática inviolável. Por um motivo ou outro, num belo dia decidi que não estava afim de bater papo com divindades e manti meus olhos anarquicamente abertos durante a cerimônia.
Aí que entra Diego Alguma Coisa, que foi rápido em avisar à professora ao fim da oração que “O ISRAEL TAVA DE OLHO ABERTO EIN TIA!” Jumentíssimo, a rolha de poço não deve ter notado que com a sua acusação, ele havia acabado de admitir que também não havia participado do ritual religioso.
Não sei que fim levou o desgraçado, mas consigo até imagina-lo enviando scraps pros moderadores de suas comunidades favoritas, avisando que o Fulano de Tal e o Sicrano da Silva são na realidade semeadores da discórdia.
Terceiro patamar de imbecilidade
Pessoas que abraçam fama virtual inexistente
A internet deu a muitos Zé Ninguém a oportunidade de falar bobagens pra um número bem maior de pessoas do que a geografia normalmente permitiria; invariavelmente, alguém acabará achando que o Zé Ninguém é um rapaz muito especial e, meu deus do céu, vai até admitir pro rapaz sua opinião via um email elogioso muito bem redigido, tomando o maior cuidado de se identificar como um “não-paga-pau, como aqueles outros”. Quando dez ou mais pessoas fazem o mesmo num espaço curto de tempo, Zé Ninguém começa a achar que é de fato algum tipo de celebridade. É o nascimento de uma estrela virtual.
Já tive encontros com estrelinhas virtuais no passado (ou, em retrospecto, pessoas que acreditavam ser estrelinhas virtuais), mas em casos como o do famosíssimo Thiago Fialho, ao menos havia algo que pudesse levar o coitado a ver-se como algum tipo de ganhador do prêmio Nobel ou coisa que o valha - afinal, o Fialho é dono do mais famoso e simultaneamente desconhecido videolog da internet do mundo inteirinho, supostamente o primeiro de toda a galáxia, e isso deve valer ao menos uma entrada grátis no cinema local quando você informa o guichê de que tremendo VIP você é. Entretanto, o orkut está fazendo muita gente acreditar que é importante por motivos bem mais idiotas.
Disclaimer: pra ser sincero, poucas coisas são mais idiotas que se achar mundialmente famoso porque o seu site idiota com vídeos que rivalizam em idiotice tem 300 visitas diárias e foi citado numa coluna de 4 linhas na Gazeta Semanal de Juazeiro do Norte, mas darei uma colher de chá pro garoto Fialho, porque ouvi dizer que o primo dele conhece um sujeito que tem o telefone de um advogado.
Como eu estava dizendo, os sedentos por reconhecimento acharam no orkut um novo motivo pra gabar-se de sua influência inexistente - números arbitrários regidos por um software mais bugado que a versão beta do Windows 3.11 e que na verdade não significam absolutamente NADA.
Quantas vezes você estava xeretando o perfil de sua ex-namorada e acabou sendo atraído a um outro perfil, um que mostrava uma garota mais exuberante, apenas pra ser surpreendido no perfil da vadia com pedidos chorosos de que você junte-se às variadas comunidades de pobres coitados que supostamente a amam?
Como se o orkut não fosse exclusivamente lotado de comunidades imbecis e que o ato de criar uma comunidade exija tanto esforço quanto beber água usando um canudinho motorizado, algumas pessoas têm o ego masturbado quando são informadas de que alguém montou um grupo em sua homenagem, como se isso fosse o equivalente a usar seu nome pra batizar um navio ou esculpir um busto de marfim ou algo assim. Mais que isso, a pessoa (geralmente mulher, vai entender) joga qualquer sombra de dignidade na privada e passa a rastejar-se nas sarjetas virtuais daquele antro de idiotas recrutando mais participantes pras comunidades criadas em sua honra.
Isso pra não mencionar alguns sujeitos que, quando não se gabam do número de “amigos” que mantem no site, queixam-se em voz alta em relação aos bugs orkúticos que exibem no perfil do sujeito um número de “fãs” inferior ao que ele realmente tem. Notou as aspas sarcásticas? Não costumo usá-las sem bom motivo. A definição de “amizade” no orkut é “atitude de aceitar meu pedido virtual por meio de um clique em um botão”, ao passo de que o significado de demonstrar admiração fanática é “atitude de… clicar em um botão”. Se você está convencido de que o fato de que 500 pessoas clicaram em um botão em sua honra significa que eu devo reconhecer a sua importância, por favor, vá lamber sua própria bunda.
No mundo real, este imbecil…
Eu nem consigo imaginar que tipo de comportamento seguiria a já horrível atitude de respectivamente esmolar e se gabar atenção e importância no orkut, o que é um bom sinal para a humanidade em geral.
Quarto patamar de imbecilidade
Vovôs virtuais e seus maçantes sermões sobre educação internética
Já percebeu que você mal pode mandar um idiota se foder que rapidamente um policial elitista da moral e bons costumes aparece em cena pra dar a sua opinião babaca a respeito de que você não tem o direito de se expressar daquela forma na internet, e que blá blá blá blá blá? Sob investigação mais cuidadosa, 90% dos indivíduos que opõem-se às suas demonstrações de liberdade de expressão revelam-se ter mais de quarenta anos. Aí reside uma combinação drasticamente idiota - gente velha e a internet.
Gente velha - e pra fim de debates, estabeleçamos “gente velha” como qualquer ser humano vivo que já era adulto nos anos 80 e que portanto não pôde apreciar clássicos como Capitão Planeta ou Família Dinossauro* - tem uma habilidade impressionante de não se adaptar a mudanças. Idosos não apenas não se adaptam aos avanços da sociedade ao seu redor, mas ativamente lutam para manter um ambiente de comportamento retrógrado e ultrapassado onde quer que estejam.
Vamos deixar algo bem claro - se eu estou mandando alguém se lascar, esta pessoa provavelmente merece o gasto de energia resultante na digitação e publicação de tal ofensa. Se eu julguei que o dispêndio de tempo e esforço dedicados na tarefa de ridicularizar o sujeito perante seus coleguinhas era justificável, compreenda, você simplesmente não sabe do que está falando se tenta argumentar comigo que eu não devo tratar as pessoas desse jeito e que no seu tempo os mocinhos eram mais educados e a gasolina era mais barata e computadores ainda tinham monitores monocromáticos e blá blá blá blá. Você fala demais, e pior que isso, fala demais sobre algo que ninguém quer ouvir. Cale a boca e aceite que a internet existe com o único propósito de facilitar a entrega de ofensas mundialmente.
No mundo real, este imbecil…
Assiste novelas reprisadas no Vale a Pena Ver de Novo e relembra nostalgicamente a respeito de que, quando a novela passou pela primeira vez, os comerciais nos intervalos eram da Mesbla e das Lojas Riachuelo. E também que naquela época um garoto de 14 anos não tinha métodos tecnológicos pra utilizar quando queria desrespeitar um idoso.
Bom, isso é basicamente um resumo de todos os imbecis que povoam o orkut e a internet em geral. Há aqueles que vão além de nossas expectativas e não se enquadram em apenas um, mas dois ou até três perfis de imbecis virtuais.
Desafio você a se dirigir à comunidade mais próxima e não encontrar ao menos dois internautas que se encaixem direitinho nas descrições que você acabou de ler aqui.
É batata.
*Aê velharada que lê este blog: façam-me o favor de me poupar do comentário clichê “ahhhh mas eu tenho 50 anos e curtia Capitão Planeta e/ou Família Dinossauro!“
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