Promessas pra 2008

Escrito por Kid on Dec 30, 2007

Lá se vai 2007. Só mais dois dias e eu, você e qualquer pessoa que consiga não levar um tiro no rosto nas próximas 48 horas terá sobrevivido mais um ano. O que é mais do que a gente pode falar de um monte de gente, como o ilustríssimo Prince Pedro Gastão of Orléans-Braganza, o honorável Ryan Gracie, a coitada da Benazir Bhutto e o desconhecido John Belgrave. Sei lá quem é esse maluco, mas se a wikipédia o julga relevante o bastante pra incluir em sua lista de mortes famosas de 2007, ao menos uma menção ele merece.

O finzinho do ano é aquele período melancólico em que você percebe que não fez praticamente nada de edificante nos últimos 365 dias, e que sua vida profissional/amorosa/social continua a mesma merda que sempre foi, senão pior.

E assim o pobre desesperado, tendo uma crise de meia idade 20 anos mais cedo, decide que traçar uma listinha de objetivos pro ano que vem chegando talvez traga melhores resultados que a lista que ele escreveu num guardanapo do Bar do Zeca Paraíba durante o reveion do ano passado. Você sabe, aquela lista com diversos objetivos que você solenemente ignorou durante os últimos 12 meses.

E começa a confecção de mais uma lista de promessas pro ano que vai chegando. Coisas que ele não fez mas deveria ter feito, coisas que ele nunca pensou em fazer mas acabou de perceber que seriam uma boa idéia, coisas que ele deveria parar de fazer antes que a polícia descubra seu envolvimento, mulheres cujos ovários ele planeja conhecer por dentro no ano que vem… Seguindo os clichês, nós aqui no HBD (e com nós eu quero dizer “eu”) também temos uma lista de promessas pro ano de 2008.

  • Uploadear centenas de gigabytes em forma de episódios de Ursinhos Carinhosos e da Get Along Gang no Pornotube, inviabilizando milhares de punhetas ao redor do planeta;
  • Terminar o esperadíssimo post das patricinhas escrotas intercambistas (só falta uns dois parágrafos, contando com esses terei quase três já escritos);
  • Voltar a praticar minha guitarra, que se encontra no momento coletando poeira do lado da minha cama;
  • Voltar a resenhar filmes horríveis, já que aqueles posts rendiam muitíssima confusão entre os círculos de veneração aos tais filmes;
  • Aceitar os convites do k-max e do brok3d e fazer parte da mais temida gangue de hackeres brasileiros (totalmente sem mérito algum, já que a última raqueada que eu desempenhei foi enviar clientes de netbus pra desavisados no IRC);
  • Acabar com a enrolação e pedir logo a namorada em casamento, silenciando as amigas chatas dela;
  • Limpar meu armário, que no momento se encontra em situação lastimável. Tenho pelo menos 5 peças de roupa que eu dei por perdidas simplesmente porque não tenho paciência de revirar a bagunça no fundo do armário pra procura-las. Se uma camiseta cai do cabide, pra todos os fins e propósitos eu preciso de uma nova.
  • Convencer a população brasileira através de posts formadores de opinião de que já está passando da hora de crucificar o Inri Cristo;
  • Comprar um carro, ainda que se trate do tipo de carro que você vê abandonado na margem da BR-115 - o tipo que não tem rodas, motor, assentos, e que atualmente serve como habitação para uma família de quatro sem-terra evangélicos;
  • Construir uma máquina no tempo, voltar a 1995 e ensinar a mim mesmo a importância de ouvir o que seus pais (mais especificamente, o que o SEU PAI) sempre te diziam a respeito de mulheres;
  • Redirecionar o www.hbdia.com pro meatspin (não googleie) por um dia. Ainda que isso me custe metade do tráfego diário do HBD, a perda de empregos e relacionamentos será muito mais substancial e cômica, tornando a pegadinha lucrativa;
  • Provocar alguém suficientemente a ponto de que essa pessoa decida gastar fundos pra mover uma ação legal contra mim;
  • Convencer alguém a me dar cinquenta dólares, fazendo-o acreditar que eu preciso do dinheiro desesperadamente;
  • Promover algum tipo de ataque contra uma comunidade internética brasileira qualquer, utilizando links para 2girls1cup (não googleie) disfarçados com tinyurl.
  • Encontrar os responsáveis pelas inúmeras e absolutamente sem graça redublagem de Chaves que infestam o youtube, e força-los a comer os próprios teclados;
  • Provar cientificamente que a Guatemala não existe;
  • Unir a comunidade nerd brasileira pra ressucitar a brasnet, o que me renderia (graças a liderança do movimento) o status de ircOP que eu sempre almejei ter;
  • Criar uma personalidade blogueira fictícia e arrumar uma briga falsa contra ela, pra ver que lado vocês tomarão;
  • Reproduzir convincentemente os atentados de onze de setembro usando massinha de modelar e a centenária técnica stop motion;
  • Começar a minha própria religião. Pra maximizar a aceitação e o sucesso do novo dogma, pregarei que o caminho pra salvação envolve trepar premaritalmente sem necessariamente conhecer o nome de sua parceira e ingerir quantidades de álcool equivalentes ao mensal consumo de um Chevette 87 descalibrado;
  • Elaborar um teorema matemático que explique satisfatoriamente como as Spice Girls chegaram à conclusão de que elas ainda são culturalmente relevantes;
  • Prorucar tramatento pra dislexia;
  • Resenhar o show do Three Days Grace (que eu comparecerei em janeiro) ainda em 2008;
  • Pedir desculpas pros meus amigos, a quem eu acusei de terem roubado meu SD card de 1gb na última festa que eu dei aqui em casa, quando na verdade o cartão estava entre as almofadas do sofá;
  • Comprar uma nova guitarra (que eu não usarei pra nada além de tirar fotos e provocar inveja em usuários de fóruns que anseiam por um instrumento musical mas mal podem pagar passagens de ônibus);
  • Convencer o mercado canadense a importar refrigerante de guaraná pro seu território;
  • Passar menos tempo na frente do computador. Se eu puder reduzir de 18 pra 16 horas diárias, me darei por satisfeito;
  • Sequestrar os filhos do CEO da Nintendo e convence-lo a assinar um contrato prometendo produzir uma versão de Command and Conquer pro DS - com suporte online e voice chat;
  • Caso o plano falhe e eu acabe confinado a uma cela de 2 metros quadrados no subsolo de uma prisão canadense de segurança máxima, começar desde já a me acostumar com os controle do Command and Conquer de PS1, emulado no PSP;
  • Comprar Need for Speed Pro Street e ESPANCAR o Kauê na PlayStation Network;
  • Aprender a digitar com os pés, dobrando a minha capacidade de produzir textos pro site;
  • Tentar convencer um sonysta, tendo flamewar como única finalidade, de que o DS é um portátil superior ao PSP;
  • Descobrir a senha do router wifi do trabalho, o que me pouparia de uma conta de 200 dólares de celular por causa de leitura de fóruns durante o expediente quando a rede dos nossos computadores desiste de funcionar;
  • Convencer todas as pessoas que me conhecem que eu tenho na verdade 18 anos, e que estive mentindo sobre minha idade durante todos esse tempo;
  • Provocar o Google de alguma maneira que a única forma de resolver o problema seja bloquear o acesso do orkut por brasileiros, documentar o caos resultante.

Se eu me esforçar em pôr em prática pelo menos metade dessa lista, 2008 será um ano muito mais produtivo.

E você? Quais são as suas ilusões pro ano que vem?


Spirit of Truth

Escrito por Kid on Dec 27, 2007

Antes de mais nada, esclarecimentos sobre a falta de atualização e a demora no resultado do concurso Virtual Console.

Eu tive inesperadamente que trabalhar durante o período de holidays, ou seja, esses 4 ou 5 dias “ao redor” do Natal. Não que eu tenha ficado longe do computador, porque meu trabalho se resume a acessar a internet por aproximadamente 8 horas, parando de vezes em quando pra ir ao banheiro ou comer alguma coisa. Acontece que eu não tenho saco pra redigir um texto longo sem poder utilizar acentuação. Boiolagem, eu sei, mas fazer o que.

Além disso, eu calculei errado a quantidade de emails que eu receberia. Após os primeiros dois dias do anúncio do concurso, eu recebi 3 emails. Achei que isso era na verdade algo bom, afinal eu não teria que ler trocentas historinhas sem graça de nego desesperado pra poder jogar Super Mario World em sua TV de 29 polegadas.  Acontece que um dia antes do prazo final do concurso, eu recebi CENTO E TRINTA E SETE emails. Eu estou há tanto tempo longe do Brasil que esqueci do esporte nacional de deixar tudo pra última hora. Tentei descobrir se alguém havia linkado o concurso em algum fórum de games no último momento, mas não achei nada.

De qualquer forma, ainda não cheguei nem na METADE dos emails, então peço paciência da turma.

Agora vamos ao assunto do post.

 ….

No princípio a terra era sem forma e vazia. Então, deus criou o planeta terra (o que meio que entra em contradição com “no princípio a terra era sem forma e vazia”, mas a bíblia não é exatamente famosa por sua continuidade impecável). Deus criou então o homem. O homem criou em seguida a televisão, o crack, e a técnica de chroma key. E todas essas coisas se colidiram nos anso 90, e a explosão resultante nos deu o SPIRIT OF TRUTH

 

Pra alguém que adora apontar as falhas em tudo que vê pela frente, esse vídeo - sua concepção, sua execução, seu protagonista, TUDO nele - é um prato cheio. Se eu ganhasse um centavo pra todas as bizarrices que eu posso apontar nesse vídeo, eu teria pelo menos 13 centavos.

Todos os detalhes da produção desse vídeo indicam que os envolvidos em sua criação haviam ingerido quantidades cavalares de múltiplos entorpecentes. Note o corte de cabelo do “pastor”, a notável falta de um de seus dentes, a maneira cordial com que ele se dirige aos telespectadores (”You don’t like it? Kiss my ass/Repeat after me, BIOTCH”), a lista telefônica que ele ostensivamente finge se tratar de uma bíblia, sua incapacidade de pronunciar “red-handed”, a imagem de fundo totalmente inadequada, o trabalho de câmera que sugere que seu operador há meses parou de tomar medicação pro seu avançado estado de mal de Parkinson… esse é um review resumido dos primeiros 30 segundos do vídeo.

A data no vídeo, supondo que o sujeito manipulando a câmera não era um retardado completo e ao menos soube configurar o aparelho, indica que ele foi produzido no finzinho dos anos 90. Demorou dez anos, mas agora os cidadãos da internet têm o privilégio de presenciar algo que apenas a pequena comunidade americana da cidade em que o programa foi produzido podia apreciar.

Material de PRIMEIRA, essa porra. Se divirta.


Hahaha mas que legal

Escrito por Kid on Dec 26, 2007

Antes de mais nada - ja ja me pronuncio sobre o concurso do Virtual Console. Alguns problemas tecnicos atrasarao a divulgacao do resultado, mas nao se preocupem. Vou tentar agilizar isso antes do fim de semana.

Em segundo lugar estou postando do trabalho, entao por obsequio enfie a reclamacao da falta de acentos no bumbum.

E finalmente, o motivo deste post:

Deem uma olhada neste blog. Notaram uma LEVE semelhanca?

Fazia tempo que alguem nao criava um blog xerocado inteiramente do HBD. Ate mesmo um desenho que eu fiz no meu palm, ele reproduziu la, alegando a autoria.

Acho que estou voltando a ser relevante.

[ Update ] Olha so o que eu achei.

[ Update 2 ] Bah, ele apagou o blog. E me adicionou no MSN pra se desculpar. Nao se fazem mais plagiadores como antigamente :(

 

A proposito, se voces nao o retalharem, eu agradeco.


Mulheres e suas implicâncias

Escrito por Kid on Dec 23, 2007

Cadê a mulherada que lê essa porra? Temos pelos menos umas cinco, seis meninas lendo essa porra aqui? Eu acho um tanto improvável já que a temática e a execução dos textos que eu posto aqui nesse blog não é exatamente o tipo de coisa que tipicamente interessa meninas. A despeito disso vou fingir que há um grande público feminino lendo esta porra, e que ao menos UMA de vocês poderá me ajudar a entender um dos milhares de aspecto que tornam conviver com vocês tão desgraçadamente complicado.

UMA PRIVADAIsto é uma privada. A privada é a sua amiga. A privada é o que nos impede de excretar em qualquer lugar em que estejamos, tornando-a uma das poucas coisas que nos separam dos animais (entre as outras coisas estão o programa espacial, computadores, a medicina moderna, o sistema de meteorologia, o controle do fogo, a construção de armas de fogo, o mercado da bolsa de valores, videogames e polegares opositores). Se a privada não existisse, você teria que se expôr à indignidade de cagar atrás de arbustos, tal qual índios ianomames cujo estilo de vida foi abordado por uma matéria do Globo Repórter em 1993, ou atrás de latas de lixo, como alguns dos mendigos que habitam o centro da minha cidade.

A privada é uma verdadeira maravilha da tecnologia moderna. Mas por algum motivo que me elude, homens e mulheres não vêem a privada com os mesmos olhos. Homens vêem uma privada como uma forma de aliviar os intestinos ou a bexiga sem precisar correr pra trás de um carro estacionado na frente da mercearia da esquina e rezar para diversas divindades competidoras pra que seu dono não termine suas compras mais cedo do que o planejado. Mulheres, por outro lado, vêem a privada como mais um instrumento a intermédio de qual possam dar continuidade a um de seus hábitos prediletos - a constante encheção de saco.

Seguinte. Como a maioria dos homens machos do sexo masculino, eu tenho em meu DNA uma sequência de genes que é responsável pelo sexto sentido que nos acorda no meio da madrugada com a única intenção de se dirigir ao banheiro e mijar. Por motivos que meu psicológico nunca pôde explicar satisfatoriamente, tal gene permaneceu latente até meus 11 anos, me tornando uma das poucas pessoas no meu círculo de amizades cujo colchão passava mais tempo do lado de fora secando do que em cima da minha cama. Mas isso é assunto pra um outro post.

Então, bate as duas ou três da madrugada e minha bexiga envia o sinal para o meu cérebro, que passa a produzir quantias relativamente altas de adrenocorticotropina. Sem dúvida você deve até ter engasgado ao tentar pronunciar a palavra. Substitua-a por “aquele hormônio que prepara o seu corpo pra acordar”. Eu me levanto, coço a bunda lentamente enquanto movo a língua ao redor da boca apreciando aquele horroroso sabor que inunda suas papilas gustativas naqueles momentos logo após uma longa noite de sono. Vou ao computador, verifico meus emails, leio comentários do blog, posto em 4 ou 5 fóruns e finalmente lembro que estou com vontade de ir ao banheiro. Dirijo-me ao lavatório pra cuidar do meus negócios.

Essa é a parte que vocês precisam prestar atenção, meninas. Como quase todo homem de descendência não-judaica, minha piroca não foi mutilada momentos após meu nascimento. Meus pais podem ter tomado decisões horríveis sobre minha vida quando eu não tinha ainda o poder de fazer minhas próprias escolhas, mas eles optaram que eu não fosse circuncidado, e por isso eu os agradeço imensamente. Pai, eu sei que você está lendo esse artigo - quem tomou a decisão de não me circuncidade, você ou a mamãe? Me fale aí pra eu eu possa dar um bom presente de Natal pra alma caridosa que me poupou desse sofrimento desnecessário.

Então. O problema de ter um prepúcio é que, após passar horas desacordado, a posição em que essa camada de pele cobre a saída da uretra é absolutamente imprevisível. E, apesar de ter uma piroca por 23 anos, eu ainda não me me programei pra me lembrar, momentos antes de liberar o fluxo da urina, que a posição do prepúcio torna o simples ato de dar a mijadinha da madrugada uma grande confusão.

Às vezes seu membro genital “migra” por baixo da cobertura de pele que o protege, às vezes a umidade faz as bordas do prepúcio aderirem uma a outra. Desconheço a razão que provoca o fenômeno, mas o que importa mesmo é o resultado.

Vamos fazer um breve exercício mental pra entender o fenômeno.

Meninas, vocês já brincaram com uma mangueira. Lembra o que acontecia quando você bloqueava o fluxo da água com o polegar? Então, dependendo do diâmetro da abertura que seu dedo permitia, o jato de água se tornava completamente errático e imprevisível, não é?

A mesma coisa acontece com a gente. Eu sou míope, e muito raramente lembro de pôr os óculos antes de ir ao banheiro. Por causa disso, a baixa definição produzia pelas minhas retinas não me permite perceber que a, digamos, “configuração” do meu membro está bagunçada. Minha piroca executou uma operação ilegal e a limpeza do banheiro será finalizada.

O que acontece é que o jato de mijo, assim como o fluxo de água da mangueira do exemplo acima, se torna totalmente imprevisível. Outro dia mesmo por causa desse problema que afeta todos os homens não-circuncidados, eu mijei a cortina da banheira, a parede adjacente, meus pés, a lata de lixo e os rolos de papel higiênico sobressalentes que ficam convenientemente ao lado da pia.

A solução pra esse problema é levantar o assento da privada, permitindo um alvo mais largo e reduzindo as áreas mijadas não-intencionalmente às bordas de cerâmica da privada. E, como o assento da privada só é necessário pra homens em metade das vezes que vamos ao banheiro, ao contrário das meninas que são mortalmente dependentes do dispositivo, nós temos o costume de deixar o assento lavantado após executarmos nossas tarefas.

Aí que entra a parte que eu não entendo. Mulheres odeiam encontrar o assento levantado e isso todos sabemos. O que eu não sabia até morar com a minha patroa é o MOTIVO de tamanho desgosto. Acho que eu demorei a descobrir porque antes esse era o tipo de fato que eu apenas aceitava sem muita indagação, só recentemente fui exigir uma explicação.

Segundo a namorada, deixar o assento da privada levantado oferece um problema não de conveniência, mas de segurança. Eu sempre achei que as meninas tinham apenas preguiça de levantar o assento, ou talvez nojo de ter que manipular um objeto que potencialmente foi ensopado em urina masculina momentos antes (o que é burrice, afinal o assento está levantado justamente para protege-lo disso). O problema, segundo minha mulher, é mais sério.

De acordo com ela - e com outras garotas que interpelei após ouvir a explicação pra conferir sua veracidade - o problema é que as meninas às vezes vão sentar na privada na esperança de encontrar o assento, e  na sua ausência caem de periquita na gélida e potencialmente pútrida água do sanitário.This could be you

Eu fiquei simplesmente estupefato quando ela me apresentou essa explicação. Então quer dizer que a familiar reclamação feminina sobre o assento da privada não é por preguiça, e sim por burrice mesmo? Como é que você levanta da cama, se dirige até o banheiro, e se posiciona pra sentar na privada sem jamais abrir os olhos e notar que o assento está em posição vertical tal qual bandejas de aeroplanos, que devem ser recolhidas para a decolagem e aterrissagem?

Eu perguntei pra namorada se ela vai até o banheiro de olhos fechados, tateando as paredes até achar o caminho. Perguntei se a posse de dois cromossomos X dotou-as de ecolocalização que permite navegação independente da visão, e pressionei o ponto da minha teoria, elaborando que tal ecolocalização as deveria alertar sobre a posição do assento.

E ela, naturalmente, não soube me dar uma explicação convincente.

Meninas, é sério que vocês correm o risco de serem levadas na descarga se a gente esquece o assento levantado? Rola mesmo isso de cair de bunda na água, potencialmente se entalando no vaso sanitário e ter que recorrer à indignidade de berrar por socorro?

Estou aberto a uma explicação alternativa. Deixem algum comentário que elucide essa questão.


Os piores gadgets de todos os tempos

Escrito por Kid on Dec 21, 2007

Nós amantes de gadgets temos um problema que os gringos definem através da palavra “shortsight”, aportuguesado pra “vista curta”. Acho que “vista curta” serve quase perfeitamente pro contexto, embora não passe a mesma idéia de falta de perspectiva, figurativamente falando.

Esse problema significa que, ao comprar um novo brinquedinho tecnológico, nós às vezes não temos um bom discernimento pra identificar que aparelhos prometem muito mais do que poderiam cumprir. Combinado à familiar prática certas empresas de tecnologia de lançar produtos que poderiam claramente ter sido muito melhorados por um controle de qualidade mais apurado antes de chegarem as lojas, e o resultado é uma lista de gadgets que eram tão sensacionalmente horríveis que nos forçam a imaginar que tipo de solvente industrial os engenheiros estavam cheirando ao desenvolverem o projeto.

Tendo isso em consideração, aí vão os maiores e mais retumbantes fracassos na indústria de brinquedos eletrônicos. Que sirvam de lição pros projetos futuros (além de servirem como calço para a porta e como apoio pra mesa de perna curta).

CueCat

O CueCat em todo seu esplendorA idéia: o CueCat, produzido pela finada Digital Convergence, era essencialmente um leitor de código de barras modificado pra uso caseiro. A finalidade do aparelho era escanear códigos de barras exibidos em produtos ou revistas ou jornais ou caixas de LEGO e enviar seu browser diretamente pra página internética com maiores informações sobre o produto cujo código você acabou de escanear. A Digital Convergence acreditava tanto no sucesso do serviço que em um período passou até mesmo a enviar os CueCats gratuitamente pra participantes de mailing lists relacionadas a tecnologia.

O que acabou sendo: Uma forma revolucionária de enviar spam - o consumidor remete propagandas a si mesmo.

Por que fracassou horrivelmente: Em primeiro lugar, olha pra essa porra - isso te parece um periférico que alguém com idade na casa dos dois dígitos usaria na frente de sua família e amigos? Mas é claro que não. Em segundo lugar, a idéia por trás do CueCat era retardada desde o começo. “Instale esse aparelho no seu computador e se dê ao trabalho de sair escaneando as páginas de suas revistas favoritas pra que a gente possa mandar mais propaganda pra você!” Não sei se havia uma demanda tão grande por spam nos anos 90, a ponto de que esse mercado requeria o investimento necessário pra criação de um periférico cuja única finalidade era levar mais propaganda pros consumidores, mas a julgar pelo total fracasso do CueCat, um observador racional diria “de jeito nenhum”.

Isso pra não entrar no mérito do fato que os CueCats tinham códigos seriais anexados à identidade dos seus donos, possibilitando a Digital Convergence acesso ao conteúdo que seus “clientes” liam. O escândalo relacionado à falta de privacidade inerente ao uso do CueCat enterrou mais ainda um produto que nasceu morto.

Nem tudo é desgraça: Através de alguns hacks, o leitor pode ser utilizado pra organizar e catalogar coleções de revistinhas, DVDs, livros, qualquer porcaria que tenha códigos de barras. É o primeiro aparelho na história da humanidade cujo uso alternativo é infinitamente mais útil do que o uso intencionado, e muitas pessoas que usam hoje o CueCat provavelmente desconhecem a bizarra funcionalidade original do dispositivo. É como se de repente anunciassem que a camisinha era originalmente uma espécie de copo descartável que ocupasse menos espaço.

O horrível Virtual BoyVirtual Boy

A idéia: A Nintendo, revolucionária como sempre, decidiu que estava na hora de começar a investir no entretenimento VIRTUAL - apesar do fato que vinte anos após o lançamento do troço a tecnologia necessária pra isso ainda não existe.

O que acabou sendo: A forma mais cara de obter uma terrível dor de cabeça.

Por que fracassou horrivelmente: Olhe pra esse negócio. Você seria capaz de suspeitar que isso aí estava sendo marketeado como um aparelho portátil? Não é sua culpa; ninguém mais no mundo consideraria “portátil” algo que necessita de uma mesa como apoio. O custo da produção de displays “virtuais” coloridos era proibitivo naquela época, então a Nintendo aparentemente resolveu fazer uma tela inteiramente composta por vermelho e preto e rezar pra que ninguém notasse.

Os problemas técnicos do console não acabavam por aí; o Virtual Boy funcionava usando uma série de espelhos móveis que vibravam pra produzir as imagens estereográficas. Ou seja, o aparelho não apenas tinha peças móveis - ele tinha peças móveis DE VIDRO. Nem preciso mencionar que o Virtual Boy tinha a durabilidade de um castelo de cartas.

Há tanto que deu errado nessa porcaria que é até difícil lembrar de todos os fatores. O Virtual Boy tinha míseros 14 jogos , e foi até onde sei o único console da história com mais jogos cancelados do que lançados. O sistema era tão precário e tão visualmente desagradável que os jogos pausavam automaticamente a cada 15 minutos pra lembrar ao jogador que ele deveria parar um pouco pra descansar a vista. Como é que alguém achou que esse console seria uma boa idéia?

Pior do que tudo isso foi o timing do lançamento dessa geringonça. O Virtual Boy veio em 1995, apressadamente cobrindo a lacuna do Nintendo 64 cujo desenvolvimento estava seis meses atrasado. A maioria dos fãs não via sentido em gastar 180 dólares no duvidoso Virtual Boy quando o mais promissor N64 estava chegando em breve. Eu não posso culpá-los por isso.

Nem tudo é desgraça: No caso do Virtual Boy, tudo foi uma desgraça. Seu inventor, o Gunpei Yokoi - que é também o  gênio por trás dos Game and Watch, Game Boy e da série Metroid - admitiu publicamente que o Virtual Boy foi o responsável  pelo fim da sua carreira na Nintendo, dando confirmação a algo que todo mundo já sabia.

N-GageSIDE TALKKIN

A idéia: Pessoas adoram falar no telefone, e elas também adoram jogar videogame. Assim sendo, parece evidente que telefone celular + videogame portátil = PROFIT. Estou certo?

O que acabou sendo: Não, não estou. O N-Gage acabou sendo conhecido como um fracasso sensacional como celular. Entretanto, isso nem chegou perto de como ele fracassou como videogame.

Por que fracassou horrivelmente: Por onde começar, senhor Jesus? Vamos ver:

- Pouco mais de 50 jogos foram lançados pro N-Gage, 90% deles ports escrotíssimos de jogos populares cuja experiência dependia intrinsecamente de bons gráficos (Tomb Raider, Tony Hawk Pro Skater, Call of Duty, etc). Ou seja, se você tinha um Playstation (e de acordo com o colossal número de vendas mundiais, você tinha), você já tinha jogado esses títulos até cansar,  e portanto eles não incentivavam a compra do N-Gage.

- O acabamento do celular era quase que intencionalmente ruim (eu jamais serei convencido de que tamanha obra prima de mau design foi atingida acidentalmente).

- Você consegue acreditar que os GÊNIOS que projetaram o N-Gage colocaram o slot dos cartuchos EMBAIXO da bateria do bicho? Isso mesmo, pra trocar de jogo você tem que desligar a parada, tirar a proteção que cobre a bateria, remover a bateria, e fazer um breve malabarismo com o celular, tampa da bateria e a própria bateria enquanto troca os cartuchos. Eu imagino que eles queriam um local mais inconveniente pra colocar o slot de jogos, mas “um beco mal iluminado na Serra Leoa” exigiria muito do consumidor.

- SIDE TALKING. Essa era a característica mais marcante do N-Gage, que ressalta não apenas seu design retardadamente ruim mas também a já desconfiada aparente intenção dos projetistas de fazer você parecer um idiota quando estivesse usando o celular. O auto falante e o microfone do celular foram inexplicavelmente movidos pro lado do aparelho, de forma que o celular era usado da seguinte maneira, ilustrada abaixo:

sup dude

Ou seja, você segurava o aparelho de ladinho, como se você fosse um retardado para quem o funcionamento de um aparelho celular é um mistério insolúvel.

A justificativa oficial pra tamanho disparate é que o contato do celular com a sua bochecha mancharia a tela do N-Gage, mas o motivo real é que os engenheiros da Nokia odeiam você e a sua família.

Aparentemente achando que a surra que o N-Gage levou do Game Boy Advance não foi motivo suficiente pra repensar a premissa de um console portátil que custasse o triplo da concorrência e tivesse cem vezes menos jogos, a Nokia lançou em seguida o N-Gage QD - porém, ao contrário do N-Gage original, esse veio sem side talking.

E veio também sem suporte a mp3, sem rádio FM, e sem conectividade USB. Você vai me dizer que o N-Gage não foi uma piada interna da Nokia, às custas dos consumidores que eles claramente odeiam?

O fracasso do novo formato do N-Gage não impediu a Nokia de planejar a terceira geração do aparelho. Suspeito que eles devolverão a funcionalidade mp3, adicionarão wifi, e permitirão conectividade bluetooth. Por outro lado, cada aparelho virá de fábrica infectado com o vírus HIV.

Nem tudo é desgraça: A característica mais icônica do N-Gage ao menos rendeu este site, que me arrancou umas risadinhas. Ouço falar que o N-Gage é um emulador portátil semi-competente, portanto, se você é pobre demais pra comprar um PSP, talvez o N-Gage seja a opção pra você*

Sega DreamcastDreamcast

A idéia: Após trocentos consoles fracassados, a Sega decidiu meter uma voadora com os dois pés juntos no peito da competição, sendo a primeira a avançar no campo dos 128 bits.

O que acabou sendo: Apenas mais uma prova de que o sucesso do Mega Drive deve ter sido por completo acidente, uma vez que a Sega só conseguia fazer merda nos consoles.

Por que fracassou horrivelmente: Calma calma calma, eu sei o que você está pensando. Como eu OUSO falar mal do Dreamcast, que na verdade era um console muito bom e num sei o que. A menção do saudoso Dreamcast nessa lista não é exatamente mérito do console em si, e sim do que ele desencadeou.

Tecnicamente falando, o Dreamcast era realmente um console muito bom. Gráficos incrivelmente superiores ao Playstation e Nintendo 64 da concorrência, mídia que permitia quase o dobro dos CDs utilizado por outros consoles no passado, modem embutido que permitia pela primeira vez jogatina online já direto de fábrica, um cartão de memória revolucionário que era quase um videogame por si só… Não sou poucos os motivos que me fazem até hoje querer um Dreamcast - e vou comprar ano que vem sem falta, provavelmente em janeiro mesmo.

Acontece que a Sega, além de foder diversos estágios do desenvolvimento do Dreamcast (como optar por adotar o protótipo japonês inferior e de quebra descolar um processo por parte da NVidia por quebra de contrato), lançou o console MUITO tarde, em 1999. A intenção da Sega era pôr o Dreamcast pra competir com o Playstation e o Nintendo 64, mas na prática o possível comprador do console via Playstations 2 e GameCube nas prateleiras adjacentes.

Os consumidores já estavam cansados da mania da Sega de praticamente lançar um console por ano, abandonando a plataforma no ano seguinte pra desenvolver seu sucessor, então o mercado não apostou no Dreamcast e deu no que deu. Isso pra nem mencionar a treta Electronic Arts versus Sega, que custou à gamehouse os títulos de esportes da EA que tanto agradam o mercado gamer ocidental.

Nem tudo é desgraça: Como falei logo no começo, apesar dos pesares o Dreamcast ainda é um excelente console, com alguns títulos que valem demais a posse do videogame - Sonic Adventure, Crazy Taxi, Soul Calibur, o épico Shenmue, entre outros que não lembro. No Ebay dá pra pegar um Dreamcast com 20 ou 30 jogos originais por menos de cem dólares.

Meu pai ainda tem uns desses jogados na garagemZip Drives

A idéia: Uma mídia que pudesse comportar mais volume, facilitando o transporte de informações ou backups.

O que acabou sendo: Um dos mais claros exemplos de uma tecnologia que veio ao mundo apenas pra entrar numa lista como essa aqui. Tanto a idéia quanto a execução foram absolutamente terríveis. Zip Drives nunca correram o menor risco de se tornar uma mídia popular. Eles simplesmente nunca tiveram essa chance.

Por que fracassou horrivelmente: Vamos ver - custo proibitivo, mídia absolutamente não confiável, hardware de má qualidade… Tá vendo o que eu queria dizer quando falei que esse troço nunca teve uma chance?

Na teoria os zip drives não eram apenas uma boa idéia, eles eram uma alternativa bastante interessantes. Disquetes comportavam miseráveis 1.44mb, hard drives eram indecentemente caros, e gravadores de CD ainda não existiam ao alcance do público. A única solução viável era desenvolver disquetinhos que coubessem mais informações.

Acontece que todo tipo de problema se opôs ao sucesso dos zip drives. Como mencionei antes, o hardware era porquíssimo. Era mais comum ter seus filmes pornôs perdidos num zip drive do que conseguir copiá-los pro PC do seu amiguinho. Não que isso fosse um grande problema, já que o preço alto dos zip drives (e o fato de que naquela época, a maioria dos usuários não tinha muito o que backupear) acabavam tornando um dono de zip drives uma subcultura com pouquíssimos membros. Na prática, ele só servia pra guardar seus 100mb mais importantes, e não pra transferi-los pra outro PC. E na prática REAL, nem pra isso ele servia, por causa do já citado click of death.

Nem tudo é desgraça: Novamente vou ter que contrariar esse item. No caso dos zip drives, simplesmente não há uso alternativo que salve a parada. O produto era uma merda e será lembrado pra sempre como isso.

TEH POWER GLOVEPower Glove

A idéia: Um periférico que captava os movimentos da mão do usuário, permitindo impressionante “interfaceamento” baseado em gestos manuais.

O que acabou sendo: Uma horrível relíquia dos anos 80.

Por que fracassou horrivelmente: Há uma palavra em inglês que define perfeitamente a experiência de usar a Power Glove - “gimmick”. Em outras palavras, gimmick é essencialmente uma “feature” diferente ou incomum mas que não serve funcionalidade alguma além de ser diferente e incomum. 

O controle da Power Glove era muitíssimo mal calibrado e não servia grande propósito além de mostrar pros primos e dizer “viu como é legal?”, e cinco minutos depois descobrir que jogar Contra fazendo gestos com o braço estendido no ar nao é apenas cansativo - é retardado. Ao invés de jogar a porra do jogo, você tinha que descobrir exatamente que tipo de movimento seria interpretado pela Power Glove como a ação que você queria executar.

Nenhum tipo de estratégia de marketing conseguiria fazer o ato de balançar os braços na frente da TV parecer algo atraente, divertido ou cool, e acredite, eles tentaram desesperadamente:

So bad, indeed

Isso aí são excelentes cenas do clássico The Wizard, que era essencialmente um comercial de uma hora e meia da Nintendo. E essa cena em particular foi um comercial de dois minutos da Power Glove. O periférico vendeu pouco menos de 100 mil cópias no Estados Unidos numa época em que o Nintendo era campeão absoluto de vendas, então dá pra ter uma idéia dos resultados do marketing.

Nem tudo é desgraça: Diz a lenda que Thomas Edison tentou dois milhões de experimentos até chegar na lâmpada incandescente. A Nintendo não foi muito diferente, foram necessários dois fracassos retumbantes até sair um produto baseado na visão de interatividade que eles estavam tentando desenvolver desde os anos 80. E ele está sentado lá na minha sala, tomando poeira enquanto Mario Kart Wii não é lançado.

Quais foram os piores gadgets na opinião de vocês? Sou todo ouvidos.

*O HBD é um site humorístico e nenhum texto publicado aqui deveria ser levado a sério. Assim sendo, não interpretem isso como um incentivo à compra de um N-Gage. Se você quer tanto jogar Super Mario Kart no ônibus, há alternativas menos danosas pra você do que comprar um N-Gage - como por exemplo, assaltar um banco pra arrecadar a grana pra um PSP. 


“Village Idiot”

Escrito por Kid on Dec 17, 2007

Conhece essa expressão? Não? Deixarei o urban dictionary te iluminar. Prepare-se pra se tornar mais inteligente em 4, 3, 2, 1:  

Ou seja, village idiot é aquele “idiota local” que alcança fama (ou melhor, infâmia, que agora que eu paro pra pensar deveria ser escrito “infama” pois isso faria mais sentido) regional temporária por ser o protagonista de uma história que nos prova que alguns seres humanos não são muito mais inteligentes que girafas. Essa semana a teoria da seleção natural foi novamente posta em contradição, nos apresentando este projeto de ser humano que de alguma forma conseguiu atingir a maturidade sem morrer se engasgando com água ou esquecendo como respirar ou algo assim.

 Essa notícia saiu no Calgary Herald hoje. Eu não tirei uma foto maior que englobasse o artigo inteiro porque, além de eu não me importar, dá pra entender o âmago da questão de qualquer forma. Se você quer entender melhor a parada, googleie “85000 bill”.

Se você além de pobre também não fala inglês, aqui vai o resumo - este inteligentíssimo sujeito canadense assinou um plano que incluia “email and web browsing”, ou seja, por uns 10 dólares extra na sua conta, ele poderia acessar a webernet e ler emails no celular.

Maravilhado com o fato de que aparentemente esse plano wireless de 1o dólares totalmente anulava a necessidade de pagar um servidor pelo dobro do preço, esse sujeito me resolve então conectar seu laptop à internet utilizando o celular como um modem.

Acontece que, apesar de deter os conhecimentos necessários pra “interfacear” um celular Motorola com um computador (um dos celulares menos user-friendly pra esse tipo de coisa, confie em mim), o retardado aparentemente jamais foi informado que esses planos de 10 dólares geralmente limitam sua navegação a tipo 5mbps por mês; qualquer transferência adicional a isso é cobrada PELO KILOBYTE. Vou repetir: o cara que sabe conectar o celular ao computador (uma técnica relativamente complexa especialmente se você considerar que canadenses são geralmente retardados em matéria de tecnologia) não detém o senso comum que qualquer pessoa que ouve a expressão “internet no celular” conhece. Acessar a internet no celular é CARO.

Aí o sujeito vai e baixa FILMES, MÚLTIPLOS FILMES VIA TORRENT usando o plano de internet que é geralmente voltado pra nego cujo uso se resume a ler dois ou três emails por dia no celular. Eu tenho certeza que Miss Congeniality 2 ou seja lá qual foi a outra merda que o filho da puta baixou não valia oitenta e cinco mil dólares, ainda que esses dólares sejam canadenses e não dólares americanos (também conhecido como “dólares de verdade”).

Naturalmente, o retardado-mor está culpando a empresa. “SEUS FILHOS DA PUTA, como é que vocês me vendem esse plano de uso sem explicar no contrato os pormenores do serviço?” Ah é, o contrato tem uma cláusula detalhando as condições do uso e a limitação de apenas 5mb por mês.

“MAS ISSO NÃO É SUFICIENTE PORRA, deveria haver um aviso claro para retardados como eu que o serviço não era recomendado para uso em computadores convencionais, e que o acesso deveria se limitar ao celular!” O que, o contrato também explica isso? Mas que merda.

Apesar de estar totalmente, irrefutavelmente, absolutamente e 110%mente errado, a compania telefônica teve a boa vontade de descer o valor da conta de 85 mil pra módicos 3 mil dólares canadenses, o que em dinheiro de verdade equivalente a 8 dólares. Mas o cara não está satisfeito - apesar de não estar em seu direito de reclamar, o moleque insiste que a culpa é da compania que não o avisou que o valor da conta estava chegando na casa dos cinco dígitos. Sim, a culpa é da Bell por não vigiar de perto o uso de seus clientes. Como eles ousam partir do pressuposto que alguém que tem idade requerida pra assinar um contrato telefônico deve ter o triplo da idade necessária pra LER a porra do contrato?

Moral da história - não faça download ilegal de filmes. Especialmente, não faça download ilegal de vários filmes que medem aproximadamente 800mb cada um enquanto você está usando um serviço internético que cobra 1o centavos por cada kb baixado. E principalmente, não faça isso usando torrent, já que os arquivos ficarão sendo uplodeados do seu computador eternamente, triplicando ou quadruplicando o consumo de transferência que você normalmente usaria.

Pra ser conciso, a moral da história é que se você não for um retardado, a vida é consideravelmente mais fácil.


Go Brazil

Escrito por Kid on Dec 17, 2007

Não é exatamente um motivo pra se orgulhar por ser brasileiro, mas estranhamente também não é nenhum choque: 

O genial empreendedor por trás do adorável 2girls1cup é brasileiro.

Aí eu falo que tenho nojo de brasileiros e todo mundo me joga pedras.

Como de costume, NÃO googleie esse termo. Você me agradecerá.


Concurso Virtual Console HBD!

Escrito por Kid on Dec 13, 2007

Ontem eu fiquei sabendo que uma nova função presente no novo update do firmware do Wii permite presentear amiguinhos com jogos do Virtual Console. Pros leigos - Virtual Console é o sistema de emulação do console de nova geração da Nintendo que permite ao seu dono acesso a um imenso catálogo de jogos, desde títulos do saudoso TurboGrafx16 até o Nintendo Sixty Fooooooour. Até jogo do Mega Drive dá pra jogar nessa bagaça.

Óia o bicho aí

Então me acendeu uma idéia repentinamente - por que não inventar algum eventozinho pra dar um singelo presentinho de Natal pros donos de Wii que lêem o HBD e solidificar ainda mais a minha imagem de blogueiro bem sucedido e rico? Após confabular com alguns leitores via MSN, decidi o formato da competição.

Vai ser o seguinte: enviem para o meu email (com  subject “Concurso HBD”, não esqueçam) alguma história da sua infância que seja relacionada a jogos da geração 16 bits. Os autores das duas melhores histórias serão presenteados cada um com um jogo de sua escolha no Virtual Console, e terão seus textos publicados aqui no HBD. Os resultados serão publicados no Natal, ou seja, você tem aí mais de dez dias pra inventar alguma mentira envolvendo um NES e uma Light Gun enfiada no cu de um primo ou algo assim. Não precisa ser uma tese de conclusão de curso, três breves paragrafos com introdução-desenvolvimento-conclusão já tá valendo.

Como os jogos tem valor de pontos variados (jogos de NES custam 400 pontos, jogos de SNES, 800 pontos, e jogos de N64, 1600 pontos), dependendo das escolhas dos dois vencedores, é capaz de sobrar uns pontinhos suficientes pra um jogo qualquer de NES ou SNES. Caso isso aconteça, a terceira melhor história receberá um jogo como prêmio de consolação.

Tou saindo pra Best Buy agora mesmo e comprarei alguns cartões de Wii Points. Dependendo do rendimento desse concurso, usarei uma graninha que eu tenho sobrando aqui pra dar pra galera outros presentinhos videoguêimicos (Microsoft Points, jogos na Playstation Network, camisetas do Think Geek, sei lá, qualquer bobagem que vocês preferirem).

Vamos lá, me mandem suas histórias agora mesmo. Afinal, você não está fazendo nada mesmo (e dessa vez você pode até ganhar alguma coisa).


Garth Marenghi’s Darkplace

Escrito por Kid on Dec 13, 2007

Antes de postar esse vídeo eu sabia que nem todo mundo vai conseguir apreciar esse tipo de conteúdo, mas aí eu lembrei que isso é problema deles por serem burros e não apreciarem humor refinado ou não saberem falar inglês. Se você curte humor britânico sarcástico, e eu imagino que você curta, você vai me agradecer por esse post enquanto baixa todos os episódios do programa no uTorrent.

Garth Marenghi’s Darkplace é um meta-programa, se é que essa palavra existe ou faz sentido. O programa foi produzido em 2004 pelo comediante britânico Matthew Holness, que interpreta o papel do escritor/autor Garth Marenghi, que por sua vez interpreta o papel de seu maior personagem literário, o médico Rick Dagless.

 A premissa da parada é que Garth e seu produtor, Dean Learner (que também atua no negócio) produziram nos anos 80 uma série absolutamente revolucionária - com um orçamento que mal chegava aos triplo dígitos, ao que parece - sobre um dos personagens dos livros de Garth: o doutor Rick Dagless, que luta contra as forças do mal ao mesmo tempo que lida com as pressões de liderar uma equipe médica. É uma mistura de ER com The X Files e um pouco de Casseta e Planeta.

Ou seja, Darkplace é uma paródia de dramas médicos misturado com ficção científica e horror. A atuação é intencionalmente horrível; os atores frequentemente encaram pra câmera sem a menor cerimônia; erros de continuidade pipocam por todo canto no programa (camisas mudam de cor magicamente de uma cena pra outra, por exemplo), a voz de um dos personagens é dublada por nenhum motivo aparente. A idéia é justamente satirizar a (falta de) qualidade das produções televisivas dos anos 80, ao mesmo tempo que parodiam os temas e atuações canastríssimas frequentes dos dramas da TV americana daquele período.

Segundo o mythos criado pelo autor do programa, o fictício Darkplace jamais foi veiculado antes na TV; os executivos televisivos julgaram inadequado pra exibição. Agora, anos após o cancelamento do programa, o autor está recolhendo os rolos perdidos em seu porão com os episódios da parada, pra finalmente mostra-los para o público.

Totalmente sem sentido E sensacional? Pode apostar.

De nada.


Problemas informáticos

Escrito por Kid on Dec 12, 2007

Peraí que dessa vez eu tenho uma boa desculpa a respeito de não ter atualizado o blog nos últimos dias.

Como a maioria dos nerds, meu computador costuma ficar ligado por semanas a fio. Seja pela impaciência de esperar o Windows carregar, ou simplesmente pelo fato de que o período de ócio computacional “adianta” o download dos milhares de terabytes de vídeos que eu baixo diariamente, eu simplesmente não tenho a prática de desligar o computador com frequência.

E como a maioria dos nerds sabe, a longo prazo esse tipo de maus tratos fode um computador. O Windows (eu arriscaria dizer “sistemas operacionais em geral” mas eu não tenho muita experiência com Linux/OSX) simplesmente não foi feito pra rodar por períodos de tempo indefinido; o incessante abre-e-fecha-instala-desinstala-programas vai acrescentando inúmeros processos por baixo do capô do sistema, até que inevitáveis conflitos acabam aparecendo. É batata.

Acontece que minha namorada não sabe disso. E como ela teve a infelicidade de ser a última a usar meu computador antes que eu percebesse a merda, a culpa é automaticamente dela. Ou seja, eu ganho favores sexuais não merecidos como reparação. Vida de casado é foda; sendo solteiro minha única opção seria esmurrar a parede com ódio, quebrar o dry wall que reveste as paredes e perder meu depósito de segurança que cobre prejuízo causado por “acidentes” desse tipo. Sendo “casado”, eu lucro sexualmente com minhas próprias burrices computacionais enquanto mantenho a esperança de receber meus quinhentos dólares de volta caso não haja buracos nas paredes quando eu estiver entregando o apartamento de volta. 

Então. Eu chego do trabalho ontem e noto o funcionamento estranho do Windows com o mesmo tipo desespero paternal do sujeito que percebe que o filho está agindo de forma estranha e trazendo homens aleatórios para seu quarto.  Alguns widgets nativos do sistema não abrem mais (aliás, eles sumiram pra ser mais exato), alguns programas exibiam mensagens de erro de C++ - o sinal claro de que os problemas acumulados com o mau uso do computador invariavelmente fodeu seus aplicativos e requererá formatação -, o MSN se recusava a abrir e limitava minhas opções de pedir ajuda a alguém na internet, algumas funções do clique direito do mouse simplesmente pararam de trabalhar e, possivelmente o mais desesperador, o sistema de recuperação do Vista não responde meus comandos.

Tentei entrar em modo de segurança e rodar o sistema de recuperação, minha única alternativa àquela altura. As desvantagens de não morar com os pais se manifestaram pela primeira vez naquele momento. Apesar de não ser diretamente o ramo de trabalho dele, meu pai tem formação de técnico em informática, o que age como um calmante natural em momentos de stress tecnológico. Nem conto as vezes em que um simples “paiêêêê, olha essa porra do meu PC, tá todo fodido essa merda” seguido de duas horas de um Gears of Warzinho online despreocupado resolveram magicamente qualquer problema que impedisse meu uso normal do computador.

Acontece que eu nem sei quase nada a respeito de onde meu pai mora atualmente (só visitei a casa nova dele uma vez), exceto que é longe pra caralho. E se há uma coisa que eu aprendi durante anos de interação com informática é que, pro usuário avançado, assistência técnica via telefone é equivalente a simplesmente encarar a máquina com defeito por duas horas. As recomendações telefônicas não oferecerem absolutamente nada que alguém com o mínimo bom senso já não teria tentado ao menos quatro vezes. Se você mantém um site na internet e sabe formatar imagens, provavelmente conhece mais sobre computadores que a pessoa do outro lado da linha.

Não que fosse o caso com meu pai, mas eu sabia que qualquer sugestão que fosse simples o bastante pra passar pelo telefone, eu já teria tentado há horas. Talvez seja realmente possível aterrissar um Boing 747 seguindo apenas instruções passadas pela torre de controle, mas trazer um Windows de volta a vida requer que a pessoa te ajudando esteja fisicamente manipulando o computador.

A despeito disso, liguei pro meu pai exasperadíssimo. Conforme o previsto, ele me deu as soluções “ponta da língua” pra problemas dessa natureza, incluindo formatar o PC caso o defeito fosse irreversível (e era). Pro meu azar, eu não tenho nenhum CD do Windows comigo; meu pai é que sempre manteve essas ferramentas de conserto computadorístico. Aí lembrei do sistema de recuperação do Vista, uma dádiva divina pra nós geeks iconoclastas: o tipo que manja de tudo e mais um pouco sobre as artes nérdicas, mas que por um motivo ou por outro, não manjam o suficiente pra resolver certos problemas com suas máquinas. No meu caso, o pai técnico em informática me deixou mal acostumado e mal preparado.

Mas beleza. Basta rodar o sistema de recuperação pelo modo de segurança e tudo se resolve, né?

Não. Nem via modo de segurança a coisa funcionava. Ao rebootar o PC, eu era surpreendido com essa mensagem de erro, que por algum motivo eu fotografei ao invés de print-screenzar:

Ou seja, se meu sexto sentido nerd não falha, os problemas que eu enfrentei em geral e isso aí em particular eram obra de algum vírus muito filho da puta que intencionalmente mirou no sistema de recuperação do Windows. O volume-imagem que o Windows prepara pra recuperar seu computador de volta a um estado anterior de ordem havia sido fodido no rabo sem lubrificante por algum vírus misterioso. Alguém ainda pega vírus atualmente? Vírus de computador é tão 1998, pelo amor de deus.

Só me sobrava uma opção - usar uma função do computador pra reverte-lo ao estado inicial em que ele se encontrava quando eu o liguei pela primeira vez. O que implicava em efetivamente formatar meu computador. Sem paciência nenhuma pra fazer backups, nem pensei duas vezes. Meti o dedo na parada e aqui estamos nós - PC lisinho, sem conteúdo algum e notavelmente mais rápido. Até quando, eu não sei.

Com exceção dos vídeos que eu passei pro Archos, tudo foi embora - incluindo imagens pra um certo post, e o rascunho do mesmo (e outros) que eu mantinha num arquivinho blog.txt no desktop. Apesar disso, eu não exatamente me arrependo de ter formatado. Aliás, acho que ninguém nunca se arrepende de formatar o computador. É chato perder volumes e volumes de pornografia cuidadosamente catalogada, mas por outro lado se você é como eu, em poucos meses seu computador adquire as formas de uma bagunça tão espessa que se torna impossível achar o que você procura nele. Voltar tudo ao zero é um bom recomeço.

Agora, eu devo ser uma anta mesmo. Eu devia ter percebido que aquele vídeos_da_tiazinha.EXE era muito pequeno pra comportar os melhores momentos do auge da sua carreira, conforme anunciado pelo email anônimo que eu recebi. Vivendo e aprendendo - se os arquivos executáveis que eu receber de estranhos de agora em diante não forem fisicamente grandes o bastante pra conter o tipo de vídeo que o email promete, não os abrirei mais.


Speed Racer THE MOVIE

Escrito por Kid on Dec 9, 2007

Há muitas coisas que esse planeta precisa.

Paz entre os palestinos e os israelenses, por exemplo. Quando eu era moleque eu julgava que o conflito no oriente médio é auto-controlado porque eventualmente todos os terroristas já teriam se explodido/sido explodidos pelo Mossad, mas aparentemente eu não sabia de porra nenhuma quando era moleque.

WiFi global é outro bom exemplo. Imagina você poder acessar a internet literalmente em qualquer lugar, sem precisar roubar a conexão do vizinho. É nesse tipo de mundo que eu quero morar um dia.

Uma lei que torne obrigatório deixar o assento da privada levantado, pra que eu não precise mais ouvir reclamações da namorada.

Já entre as muitas coisas que esse mundo não precisa, a mais notável é uma adaptação cinematográfica de Speed Racer.

Sabe quando você arrota e um pouquinho da comida semi-digerida sobe até a sua garganta, deixando um gostinho horrível de pizza com suco gástrico na sua boca? Essa é a melhor forma de descrever a minha reação quando me falaram que Hollywood estava cogitando filmar Speed Racer. Vou ignorar o fator crucial desse problema, que é o fato de que Speed Racer é provavelmente um dos conceitos mais retardados pra você basear um filme em cima. Os irmãos (ou melhor, o casal de irmãos, se os rumores sobre o Larry fazendo operação de mudança de sexo forem reais) Wachowski, que serão eternamente conhecidos como “os criadores de MATRIX”, são conhecidos por seguir um filme razoável com duas bombas cinematográficas asquerosas. Veio Matrix, depois vieram as sofríveis continuações. Veio o formidável V for Vendetta, aí os caras continuam a teoria transformando o Speed Racer num sujeito de carne, osso e croma key.

Sério, vejam a porra desse trailer de novo. Se você não tiver caído no chão em um fulminante ataque epilético, me responda - isso parece ao menos remotamente com alguma coisa que você pagaria pra assistir? Isso mal qualifica pra “filmes que eu assistiria se estivesse preso a uma cadeira de rodas sem a opção de mudar de canal”.

Você quer uma prova irrefutável que esse filme será uma bosta? Note que Susan Sarandon por algum motivo participa da coisa. Nomes famosos em filmes são indicativo de duas coisas - se o filme parece ser razoável e tem uma história levemente interessante, a presença de um ator de peso significa que o sujeito leu o script, se interessou pelo projeto e resolveu participar. Isso representa - geralmente - que o filme tem potencial que foi visto pela estrela.

Quando o filme é na melhor das hipóteses duvidoso e estrela nomes famosos, tenha a certeza inabalável que é uma MERDA. Veja o trailer pela terceira vez. O que demonhos levaria uma atriz que ganhou um Oscar a estrelar numa produção como essa, me ajuda aí pelo amor de deus. Esse povo reconhece merda quando vê, e a presença deles em filmes desse naipe significa apenas uma coisa.

Hollywood é uma desgraça e ninguém me convencerá do contrário. Você tá lá na boa, recém chegado de Oregon ou algum outro estado americano fodido, com um diplominha de faculdade de artes, algumas peças de colegial no currículo, módico talento e grandes ambições. Após encher o saco de amigos com conexões com peixes grandes, você consegue AQUELE papel que queria tanto. E os filhos da puta de diretores/produtores que te deram aquela grande chance que hoje te tornou um nome reconhecível não vão esquecer que você deve um favor a eles.

Vinte anos depois você está lá na sua mansão na Califórnia, maravilhado com o próprio sucesso, deliciando-se no reconhecimento da sua carreira e pensando numa nova maneira de gastar seus milhões de dólares, quando um Joel Silver da vida te liga e fala “aê Susan, td tranks? Olha só, temos um projeto aqui que eu acho que tu vai se interessar muito”.

“Ah, o que é?”

“Peguei um roteiro com um amigo aí. A história é uma alegoria pro velho conto do jovem rapaz que vence um objetivo arbitrário em uma competição qualquer e aprende lições valiosas pra própria vida. O pessoal da Warner Brothers está interessadíssimo e eu pensei em te oferecer o papel”.

“Jóia, qual é o nome do filme?”

“SPEED RACER”

“….”

Rola muita politicagem no mundo cinematográfico, e por causa disso nego é socialmente obrigado a endossar os caça níqueis daqueles que há anos o ajudaram a estabelecer a própria carreira. O resultado tá aí - uma ganhadora de Oscar atuando com o mesmo entusiasmo e inspiração de uma ostra.

A vantagem é que daqui a dez anos eles podem pegar o rolo do filme, editar as menções ao Speed Racer e reutilizar as filmagens inteiras pra fazer F-Zero THE MOVIE.


Fazendo o jabá

Escrito por Kid on Dec 7, 2007

Vocês sabem bem que eu não costumo fazer propaganda (gratuita) de outros blogs aqui no HBD, então quando eu abro a exceção é porque vale a pena.

Eu estive passeando virtualmente pela internet procurando blogs e sites com mais ou menos a mesma temática do HBD, pra travar amizades com webmasters com quem eu possa me identificar. Alguns responderam meus emails e se revelaram nerd escrotos anti-sociais, outros sequer isso. Eu estava de bobeira no MSN quando alguém me manda esa tirinha:

Vou ser sincero com vocês - essas memes com citações de Tropa de Elite (estou prestes a resenhar, acalmem os fiofós) já estão cansativas. É impossível entrar num fórum ou canal de IRC ou casa de meretrício sem ouvir os bordões do filme sendo repetidos à exaustão. “Ahahaha TRÁZ A DOZE heheheheh PEDE PRA SAIR hihihihihih VC EH UM FANFARRAUM CARA hohoohhoohh”, porra, calem a boca. Vocês destruíram o que tinha de único e original naquelas falas repetindo-as insistentemente feito papagaios. Como os Chuck Norris Fact provaram, a internet tem o poder de destruir uma coisa engraçada por meio de repetição burra e incansável.

Mas então. A despeito do meu desgosto pelas meta-piadas relacionadas ao filme, essa tirinha aí eu achei engraçada. Não sei se é porque o autor mesclou as piadas com humor nerd, ou se ele conseguiu relaciona-las a eventos que realmente fazem sentido (um processador “trapaceando” ao fazer overclocking, por exemplo) ao invés de apenas copiar a frase seguida de uma sequência aleatória dos caracteres A, H, U e S, permutando-os em caixa alta e baixa.

Curioso, fui verificar o site do autor. Mal vi o layout (que me causou inveja pronfuda, aliás) e pensei comigo mesmo imediatamente, “é justamente ESSE tipo de webmaster que eu quero ter como amiguinho virtual”. Contatei o cara por email e em pouquíssimo tempo uma linda amizade nerd floresceu.

Você deve a si mesmo uma visita ao Nerdson. Se você mexe com programação, no mínimo você acabou de achar seu novo bookmark favorito.

 Continuando a jabazada, aí vai uma singela referência a algo que eu deveria ter prestigiado há muito tempo mas, sendo o filho da puta que sou, não o fiz. Você deve conhecer o Ato ou Efeito, né? Então. Há meses atrás os caras me entrevistaram pra uma seção no site deles, mas sendo muito modesto e humilde (hahahahah), eu nunca postei o link pro negócio. Aí está.

Aliás, a evolução que o Ato ou Efeito passou, saindo do formato de blog e se tornando algo mais parecido com um portal de interesse nerd, foi interessante de ver. Eu imagino o trabalho que é colocar conteúdo novo num site daquele porte com frequência.

Théo, se eu esquecer de adicionar o blog no blogroll ali do lado, pode me cobrar. Vocês merecem.


Estupro bestial

Escrito por Kid on Dec 7, 2007

Notícias de gente enfiando o Wiimote na parede/TV/cara da namorada enquanto jogava uma acirrada partida de WiiTennis eram previstas antes do lançamento do console, e as profecias se concretizaram em tamanho número que esse tipo de acidente já virou até lugar comum. O que ninguém imaginava nem em seus piores pesadelos é que jogar Wii te deixa suscetível a estupro bestial.

Se não rodar, clicaqui.

Vou te falar, eu até tentei sentir pena do moleque. Acontece que graças às minhas experiências como picolezeiro e assustador de Halloween, eu me tornei extremamente preconceituoso contra moleques gringos mimados, e esse pivete do vídeo parece se encaixar perfeitamente no perfil.

Ao menos uma importante lição foi aprendida. Qualquer pessoa que se preste a colocar um jogo da Ubisoft em seu Wii merece ser estuprado por um cachorro.

Disclaimer naquelas: Eu sei que você, você e você aí atrás também já viram o vídeo. Lembrem que tem gente que não acessa internet todo dia.


Rato na Locadora

Escrito por Kid on Dec 3, 2007

Lembram desse post? Claro que você lembra, foi um dos melhores textos que já apareceram nesta merda. Você lembra especificamente desta parte?

Finalmente o mistério será revelado

Então rapaziada do meu coração. Estava eu sentado lá na sala assistindo uma bobagem qualquer, quando comento com a namorada que preciso de alguma história dos anais da minha grande infância pra entreter uma porção de nerds desocupados que eu não conheço (dica - rima com OCÊS). A minha mulher, extremamente informada sobre todas as minhas estripulias pré-adolescentes, me sugeriu contar a vocês a lendária história do rato e meu subsequente banimento da locadora do bairro. Isso era na época que “banimento” significava realmente “você está proibido de frequentar um ambiente ao redor do qual seu círculo de amigos orbita”, e não “você foi expulso de um fórum e agora vários nerds revoltados poderão falar o que quiser a seu respeito sem precisar temer uma resposta”.

E me deu um estalo. Eu não prometi contar essa história pra vocês há anos atrás? Uma rápida busca no Wordpress me confirma que sim, realmente prometi uma crônica detalhando os pormenores de mais uma de minhas estripulias pueris. E como alguém me contou que os textos que vocês mais gostam é os que vos permitem imaginar minha pessoa se fodendo quando criança, aí vai.

Imaginei o verão cearense de 1996, ou seja, aquela época do ano em que as chuvas evaporam um pouco antes de tocar o chão e ar condicionados trabalhando a todo vapor mal conseguem reduzir a temperatura em salas de espera pros 30 graus. Eu tinha, deixa eu fazer as continhas, doze anos. Ou melhor, onze, porque como meu aniversário é em novembro a probabilidade dessa desventura ter se passado nos outros dez meses anteriores é mais alta.

Então, lá estava eu com meus doze aninhos vagabundando em casa. Não havia internet, TV a cabo era aquele tipo de sonho de consumo ainda impopular, eu não tinha um videogame ainda, e a constante vigilância materna tornava virtualmente impossível esconder uma revista de pornografias carnais nas dependências da nossa casa. Sem muitas opções de divertimento, meu estilo de vida na época se baseava em se encontrar com os amiguinhos do bairro na frente ou dentro da locadora da região para discutir os assuntos de vigência em nossas vidas infantis patéticas e sem propósito algum.

Justamente pela falta de propósito ou significado em nossas vidas, algumas idéias visivelmente retardadas não eram simplesmente discutidas em caráter de seriedade, mas também colocadas em prática prontamente, em questão de minutos. Passávamos dias inteiros planejando a logística de planos retumbantemente retardados, como por exemplo dar uma festa dentro daquela “casinha” no condomínio da esquina onde os zeladores do prédio estocam o lixo produzido pelos condôminos. Eu queria estar brincando. Nós realmente fizemos isso, com a ressalva de que no contexto infanto-juvenil cearense, a tal “festa” se resumiu a sete moleques confinados num espaço de cinco metros quadrados, comendo biscoito Passatempo e bebendo refrigerante genérico rodeados por camisinhas usadas, testes de gravidez e fraldas sujas. Aliás, algo que minha mente infantil não poderia apreciar na época é a cômica porém lógica sequência dos nojentos itens que nos rodeavam naquele ambiente. Mas divago.

Vou te dar um momento de ponderação pra que você possa apreciar a imagem mental de um punhado de moleques retardados de classe média alta se reunindo pra comer e conversar rodeados de lixo puramente por não ter nada melhor pra fazer. O contexto que você precisa extrair dessa anedota é que nós nem mesmo hesitávamos antes de aprontar algo completamente imbecil por causa da necessidade de arrumar alguma coisa pra fazer.

Num desses dias de completo ócio, eu dei a idéia (eu tenho certeza que deve ter sido eu quem sugeriu isso, porque entre meus coleguinhas infantis retardados, eu era provavelmente o menos intelectualmente abençoado) de irmos brincar num site de demolição (que costumava ser um conjunto habitacional até os tratores da prefeitura aparecerem) nas adjacências do nosso bairro. Eu lembro que tentei convencer a turma enchendo as cabecinhas deles com fantasias sobre todos os itens descartados - verdadeiros tesouros de valor incomensurável como relógios quebrados ou frisos de portas - que sem dúvida encontraríamos entre os escombros das casas destruídas, mas eu devo ter esquecido que praquela turma, uma idéia imbecil não precisava ser validada por uma justificativa duplamente imbecil. E fomos todos lá pra remexer as ruínas do conjunto habitacional.

Na foto: eu, com 11 ou 12 anos, coletando tesouros entre escombrosEnquanto meus amigos saltitavam alegremente entre vigas de metal enferrujado e cacos de vidro como uma perseverante família de catadores de lixo daquelas que passam o dia inteiro vasculhando o esfíncter da sociedade moderna na esperança de achar comida apenas parcialmente consumida, eu vasculhava o chão atentamente em busca de algum tipo de material interessante que na manhã seguinte serviria na escola como evidência da minha aventura vespertina com meus amigos do bairro.

Mas minha busca foi sem sucesso, porque aparentemente os mendigos que de vez em quando perambulavam as redondezas já pilharam o lugar de qualquer objeto de valor. Além de uma caixa de sapatos molhada, tudo o que víamos era pedaços de tijolo e cimento quebrado.

Até que finalmente percebi no cantinho do olho aquilo que onze anos depois daria o título a este texto - um gordíssimo rato de esgoto; cinza, peludo e visualmente repugnante como manda o roteiro que descreve a aparência de ratos de esgoto caso tal roteiro existisse em algum lugar além da minha imaginação.

Foi aí que o meu espírito empreendedor floresceu na forma da mais genial idéia que eu tive naquela tarde - e se eu usasse aquela decrépita caixa de sapatos molhada para capturar aquele pokemon selvagem e em seguida trazer o fruto da minha caçada pra locadora, permitindo que meus amiguinhos que não participaram da aventura pudessem apreciar os resultados da ida ao terreno demolido? A idéia era tão sensacional que jamais poderia resultar em algum problema.

O rato se mostrou particularmente não-responsivo, então coloca-lo em cativeiro foi extremamente menos problemáticos do que todas as outras vezes em que eu tentei capturar um rato vivo. Se eu lembro bem, houve pelos menos cinco momentos distintos da minha vida em que eu precisava (ou apenas QUERIA) obter um rato.

Já de posse do meu roedor, reuni os companheiros e exibi o achado. A minha genial idéia de repente pareceu não mais tão genial, porque todos sugeriram exatamente a mesma coisa, quase ao mesmo tempo - vamos levar o bicho pro pessoal lá da locadora! A decisão foi unânime. Se tratava, de fato, de mais uma de nossas sensacionais idéias que não poderiam de maneira alguma dar errado. Além do mais, os mendigos começavam a orbitar o terreno, certamente tentando declarar posse de qualquer outro achado de valor que extraíssemos do seu território. Nenhum de nós tínhamos seguro de vida contra tétano adquirido por meio de esfaqueamento administrado por moradores de rua, então tava na hora de se mandar.

Serelepemente nos dirigimos à locadora do escrotíssimo Seu Roberto que, pra deixar a história ainda mais saborosa, era argentino. Neste ponto seria redundância desnecessária esclarecer que Seu Roberto se tratava de um dos maiores filhos da puta com quem eu já tive o desprazer de interagir. O único motivo pelo qual prestigiávamos o estabelecimento gueimer dele era a posição geográfica conveniente, até porque a tabela de preços era absurda. Um real por hora em jogos de SNES e Mega Drive (quando as outras locadoras frequentemente cobravam metade do preço), TRÊS por hora em Playstation, N64 e 3DO. Seu Roberto era o tipo de pessoa que fazia você interromper a expressão “…e eu não desejaria aquilo nem pro meu pior inimigo!” pra perguntar ao interlocutor se ele conhecia o dono da locadora do nosso bairro, em seguida adicionando que no caso dele uma exceção seria aberta.

Então. Adentrei o recinto do Seu Roberto com o rato a tiracolo e a minha turminha seguindo de perto, como caçadores nas planícies da Tanzânia retornando à cidade com um troféu em forma de um cadáver de um animal selvagem qualquer. Meus companheiros de aventuras serviam como anunciadores da minha proeza, indo em cada cabine e interrompendo as partidas de Mortal Kombat pra informar os fregueses da locadora sobre o grande e cinzento rato de esgoto que nós achávamos que seria de grande interesse pra eles.

E, contrariando o bom senso, a pivetada realmente estava interessada no meu rato. A patotinha esqueceu os videogueimes temporariamente e cercaram a trupe de intrépidos caçadores, curiosos em relação ao nosso ratinho de esgoto. Puxa aqui, puxa ali, todo mundo esquecendo o instinto de auto-defesa temporariamente e metendo a mão ao mesmo tempo pra afagar o bichinho. E então acontece.

Se você está prestando atenção na narrativa, a caixa de sapatos estava originalmente molhada por uma substância que apenas hoje em dia eu percebo que provavelmente se tratava de urina de mendigo aidético. Não precisa ser um engenheiro estrutural da NASA pra saber que a integridade física da caixa estava seriamente comprometida. A força exercida pela multidão de moleque puxando a caixa em vários vetores diferentes acabou rompendo os ligamentos da fibra molhada do papelão, fazendo o rato cair no chão. Deixando a letargia inicial de lado, o rato em seguida correu em direção às cabines onde os videogames ficavam, buscando refúgio.

Foi pensando em momentos tais como esse que o novo povo desenvolveu expressões como “aí fodeu tudo”. Como que movido por molas, a pivetada inteira pulou pra fora da loja, largando controles de SNES no chão, derrubando cadeias, empurrando-se uns aos outros. Se você frequentou alguma locadora de videogame na sua vida, você deve saber que o ato de derrubar um controle no chão era extremamente mal visto pela administração do estabelecimento; alguns até mesmo puniam o delito com a redução do período que o cliente pagou pelo jogo. Algumas simplesmente recusam serviço na segunda derrubada. O que é compreensível, afinal de contas, aqueles consoles e todos os periféricos relacionados eram o ganha pão dos nerds adultos que se aproveitavam do preço alto dos consoles aí no Brasil pra montar aqueles estabelecimentos comerciais.

Agora, eu tenho muita certeza que a pivetada não estava realmente apavorada com o rato. As duas meninas que de vez em quando frequentavam o lugar (e por muito azar escolheram justamente aquele dia pra jogar The Lion King) talvez estivessem genuinamente assustadas; o resto da pivetada deve ter ido junto pelo prazer de participar da algazarra.

Então, onde eu estava mesmo? Ah, sim a pivetada tava fugindo da locadora como os botafoguenses viados que provavelmente eram (Little known fact: todo botafoguense é viado. Isso é uma constante quântica), derrubando controles, cadeiras e as outras crianças que tinham o azar de se encontrar entre a gurizada e a saída. Sem compreender a balbúrdia, me resignei a me agachar perto de uma das mesas pra recapturar o rato, lembrando neste momento que eu ainda não havia dado um nome a ele.

Enquanto em pensava num bom nome cristão com o qual pudesse batizar meu novo animal de estimação, notei que um par de sapatos havia se posicionado bem do meu lado. Sapato muito sério, de couro marom que indicava que o dono dos pés que os calçavam eram sem dúvida um adulto. Um adulto de provável mau humor, o que era o resultado comum de minhas estripulias.

Era ninguém menos que o odiável Seu Roberto, dono da locadora, filho da puta local da nossa região. Sem emitir nenhum tipo de comunicação audível, Seu Roberto fez algo a respeito do qual eu só havia até então lido em revistinhas da Mônica - o filho da puta me pegou PELA ORELHA e me dirigiu até a saída do seu estabelecimento comercial.

Tudo em seguida aconteceu muito rápido. Eu lembro de ver a gurizada, uns vinte moleques mais ou  menos, formando aquela rodinha estupefata na calçada. A gritaria atraiu alguns vizinhos, que correram pras portas pra averiguar quem estava arrumando confusão daquela vez. Seu Roberto finalmente largou minhas orelhas, mas não sem antes me dar um empurrão pro meio da pivetada. Os corpos franzinos de meus colegas amorteceram o impacto, não por solidariedade mas porque foram pegos de surpresa também. Finalmente, Seu Roberto decidiu se pronunciar.

Eu não falo espanhol, mas eu tenho bastante certeza que ele não estava recitando a letra de uma canção dos Menudos. Seu Roberto em alguns momentos lembrava que não entendíamos sua língua e enfiava alguns palavrões lusófonos no meio de sua gritaria, entre os quais o que me lembro com mais clareza é “lazarento”. Naquela época eu ainda era levemente religioso, então a maneira como o sujeito transformou um nome bíblico em um xingamento foi no mínimo fascinante.

O cara começava a se comportar de maneira bastante agressiva, de forma que eu achei que sair correndo em direção à minha casa era a única alternativa viável no momento. Por um momento eu achei que o cara ia me perseguir na corrida, mas as portas da locadora ainda estavam abertas e aquela multidão de moleque não pensaria nem 1/6 de vezes antes de pilhar completamente o interior da loja. Talvez eu deva minha vida a isso.

O desgraçado não me seguiu, mas no mesmo dia ele foi bater na porta da minha casa exigindo falar com meus pais. Não presenciei a conversa, mas o resultado dela é que eu fui colocado no castigo mais cruel que meus pais jamais me impuseram: fui proibido de sair na rua por aproximadamente seis meses. E eu, absolutamente retardado, segui o castigo à risca até mesmo quando meu pai estava de viagem e não teria forma nenhuma de saber que eu não estava em casa.

O ostracismo foi tamanho que, quando pena foi finalmente reduzida por bom comportamento e eu fui permitido sair em liberdade condicional, alguns de meus colegas tinham até se mudado de bairro, e outros alegaram achar que eu havia morrido.  Tomei conhecimento de que, no mundo exterior, eu havia me tornado uma espécie de moleque prodígio, famoso por ter provocado o maior e mais memorável tumulto que a turma havia presenciado. Eu me tornei uma lenda entre a pivetada, mas o status de celebridade não veio sem um preço muito caro.

O tempo distante da minha turma resultou efetivamente numa total desconexão com a galera. Eu havia sido cortado do grupo, a patotinha havia sido desfeita, e a maioria do pessoal havia começado a se relacionar com outros grupos. Tinha até mesmo novos moleques na região que eu jamais havia visto, que me saudaram como uma espécie de celebridade ao tomar conhecimento de que eu era O Israel que havia soltado o rato na locadora. Não dava pra se reunir na casa de alguém pra jogar Sonic sem que algum novato me pedisse pra repetir a história mais uma vez.

E naquele dia eu jurei uma terrível vingança contra argentinos em geral e Seu Roberto em particular, que infelizmente jamais se materializou.


Imbecilidade Internética

Escrito por Kid on Dec 2, 2007

[ Update ] Ca estou eu num domingo entediado no trabalho (por isso a falta de acentos, antes que reclamem) quando me informam que os nerds do OuterSpace ainda estao falando sobre mim.  

Porra, turma! Uma semana depois do texto que cutucou os vossos anus e voces AINDA estao com a bundinha doida porque alguem falou mal do forum de voces? Serio que a coisa ainda eh relevante o bastante pra justificar seis paginas de discussao? Eu comeco a pensar que esse forum eh tudo que voces tem na vida, porque como mais eu poderia explicar essa devocao quase religiosa pelo ambiente? 

Vou dar-lhes um valioso conselho, que voce pode utilizar para sua vida e melhorar a propria existencia, ou apenas descarta-lo como voce fez com todas as outras pequenas convencoes sociais que o permitiram ser alguem desejavel pelo sexo oposto:

Existe algo lah fora chamado “mundo real”. O conceito parece complicado, eu sei, mas eh bem simples. “Mundo real” eh aquele lugar pra onde as pessoas normais vao quando voces estao discutindo na internet as cinco da manha, ou quando voces passam a noite de sabado na frente do computador festejando o banimento de alguem do forum de voces. Basicamente, o mundo real eh aquele lugar que voce trocou pela internet devido a sua completa inabilidade de lidar com outros seres humanos. Vao dar uma saida la fora, voces vao gostar de conhecer o ambiente. Nao se preocupe, seu computador ainda estara ai no quarto da mamae quando voce voltar. Ao inves de ficar vigiando meu blog e meus comentarios e relatando tudo que voce le aqui pros outros internet warriors, voce poderia interagir com um ser do sexo feminino que talvez nao tera nojo de voce!

Quem sabe assim voces entenderao que nao eh necessario dar tanta atencao e energia a algo que eh nada alem de uma briguinha besta de internet que so tomou as proporcoes que vemos agora porque voces sao nerds mimados que choram se alguem sequer critica o console que a mamae comprou pra voce no ultimo dia 12 de outubro.

Arrumar uma mulher poderia ajudar tambem, vou cruzar os dedos aqui pra voces. Boa sorte em suas aventuras offline e em sua tentativa de estabelecer um relacionamento convencional com outras pessoas que nao sejam a sua familinha faz-de-conta de Ragnarok!

…. 

Se você tem um modem há mais de dois dias, já deve ter notado que é mais fácil cagar uma barra de ouro puro do que encontrar pessoas inteligentes na internet. E mais frequente que os imbecis virtuais, são os manés que disfarçam sua cretinice com algumas pitadas de conhecimento geral e um mínimo bom senso, o que levaria você a imaginar que está diante de alguém comum. Mas não está. Este sujeito com quem você animadamente debate o sistema de cotas ou a guerra no oriente médio, por mais efetivo que seja seu disfarce, não passa de mais um dos infinitos débil mentais que uma conexão com a internet liga a você.

Por que é tão difícil encontrar pessoas inteligentes na internet? Para responder essa pergunta, você precisa entender um aspecto muito importante das comunicações internéticas em geral - a internet provoca cretinice. Enquanto no mundo real uma discussão acalorada sobre aquele referendo do desarmamento terminaria com um dos dois lado admitindo que opiniões são opiniões e que se há uma coisa sagrada que todos concordam, é que o Xbox360 é muitíssimo melhor que um PS3, a mesma discussão na internet não acabaria de forma tão feliz. Você diria que o sujeito defende o desarmamento porque ele está aprovando um improvavel golpe de estado, enquanto o outro diria que sua opinião pró-armas apóia a violência no país, e antes que o moderador do fórum pudesse suspender um de vocês dois, mães já estariam envolvidas nos xingamentos e alguém acabaria com uma denúncia registrada no Ministério Público por calúnia e/ou difamação.

E por que isso acontece? Porque ninguém inventou ainda um periférico que permita esmurrar um internauta através de seu monitor. Enquanto a comunidade científica se ocupa com bobagens que vão desde cura do câncer a exploração espacial, eu não posso discutir tranquilamente na rede virtual sem que um imbecil meta as fuças no meio da conversa e vomite seus pensamentos desconexos que apenas com muita boa vontade poderiam se passar por um argumento. No dia que a Creative ou a Apple lançar seu esmurrador remoto de pessoas imbecis (contanto que o aparelho não exija o pagamento de um serviço adicional, nos moldes do Xbox Live), estarei na fila da Best Buy. “iPunch”. Tem uma sonoridade boa, admita.

Como um bom desocupado (bom, na verdade nem tanto atualmente, mas serei sempre um vagabundo de coração como vocês), eu me encarreguei com a tarefa de identificar e quantificar a imbecilidade do Internauta Comum. Após ler este texto, você nunca mais terá que se perguntar “Será que este sujeito que defende a qualidade musical do último CD dos Los Hermanos é um imbecil?”, embora essa devesse ser uma pergunta retórica pois é sabido que qualquer pessoa que não nutra desprezo pela banda é, de fato, um idiota sem salvação.

Primeiro patamar de imbecilidade
Pessoas que pontuam frases com pontuação excessiva
É impressionante que nos dias de hoje ainda há pessoas que criam tópicos em fórums com o título “alguém sabe onde posso pegar o instalador do fotoshope” acompanhado de trinta ou trinta e um pontos de interrogação, costumeiramente enfiando um ponto de exclamação no meio ou algumas barras e uns. O que eles estão pensando? Que a quantidade exagerada de pontuação desnecessária irá apressar a resposta à sua dúvida?


Não demorei mais de trinta segundos pra achar um bom exemplo desse tipo de comportamento. Ahh, orkut.

Sinto um misto de pena e desprezo quando presencio um destes retardados (que infelizmente são bem mais numerosos do que um Deus justo e amoroso deveria permitir) comunicando-se com sua característica pontuação excessiva. Na maioria esmagadora dos casos que presenciei em minha longa interação com a rede mundial de computadores, pessoas que pontuam frases com “!!!!!!!!?????” costumam também usar “rsrs” e enviar pros seus familiares apresentações de powerpoint que já eram velhas quando o muro de Berlim caiu. Preciso dizer mais alguma coisa?

No mundo real, este imbecil…

Seria o tipo de pessoa que, durante uma conversa entre amigos, faz um comentário irrelevante qualquer em forma de uma exclamação exagerada. Imagine a situação:
– Porra, eu adorei aquele filme, gente boa.
– Eu também. Bons efeitos especiais, ein?
– É VERDADE PESSOAL, AQUELE FILME FOI O MELHOR QUE EU ASSISTI ESSE ANO!!!!!
Evite qualquer contato com esse tipo de gente, ainda que seja apenas contato visual a uma distância de cinquenta metros.

Segundo patamar de imbecilidade
Pessoas que correm pra delatar outros internautas pras autoridades forísticas
Embora há alguns anos (lá por volta da quinta série) xisnovear coleguinhas de sala pra “tia” e assistir a subsequente confusão era divertido, saudável e até educativo, é provavelmente uma boa coisa o fato de que a maioria das pessoas evoluiu daquela fase (também conhecida como “pré-adolescência” ou “virgindade”). Entretanto, além de pornografia, a internet também é notória por trazer a tona a criança retardada que vive dentro de cada um de nós.E um dos comportamentos clássicos desse tipo de gente é a mania quase patológica de delatar os outros.Sou dono de algumas comunidades grandes, e não há nada mais abundante em uma comunidade grande que imbecis. Esses imbecis ainda não domaram as técnicas mais rudimentares de convívio social, então eles costumam falar e fazer idiotices o tempo todo, irritando a parcela não-imbecil da comunidade - assim como uma segunda qualidade de imbecis, também. Estes últimos se imbuem da responsabilidade de caçar os provocadores de confusões e destruir sua influência maligna no ambiente. Todo dia recebo scraps e emails me avisando de que alguém falou “porra” durante um debate sério, ou que um outro fez montagens com as fotos da namorada de um terceiro, e daí pra baixo (ironicamente, isso aconteceu bastante comigo recentemente).

Os dedos-duros virtuais vivem num mundo fantasioso em que a infraestrutura de um site como o orkut não poderia resistir sem a sua influência benevolente, e portanto agem de acordo. Como a Odeio Acordar Cedo poderia funcionar normalmente (e por “funcionar normalmente” entenda-se “exibir centenas de tópicos de joguinhos irrelevantes e um ou outro spam genérico”) sem que eu a vigiasse constantemente, impedindo que baderneiros orkúticos exalem o fedor da confusão virtual no coreto??!!//1

Normalmente, delatores virtuais abraçam a agradável ilusão de que eles são de alguma forma superiores aos criminosos virtuais que deduram. Isso nao passa de um engano; embora suas imbecilidades se manifestem de formas dimetralmente opostas, ambos ocupam o mesmo patamar de imbecilidade online - e ainda assim, considera-se o incitador com um pouco mais de prestígio que o justiceiro virtual, porque enquanto o incitador age por lazer, seu antagonista defende o ambiente virtual como se isso fosse algum tipo de trabalho voluntário não-remunerado. E todos sabemos que tipo de gente faz trabalho voluntário - hippies.

Alguns vão ainda mais longe em sua disposição em policiar a internet e até “formalizam” a coisa (o que reflete uma violenta necessidade de reconheimento). Quando três ou mais desses indivíduos se reúnem, surgem abominações como os auto-proclamados Justiceiros do Orkut. Tais comunidades se sustentam tanto pela colossal estupidez de seus membros, quanto pela seu igualmente colossal desejo de anexar uma mínima quantia de autenticidade ao seu grupo de vigilantes da interwebz. Os casos mais perdidos dessa espécie pensam até em registrar seu grupinho em cartório, isso se já não tiver impresso carteirinhas de sócio para os companheiros.

No mundo real, este imbecil…

…Seria como o Diego Alguma Coisa, que era por sua vez um moleque roliço com quem eu cursei a terceira ou quarta série há bilhões de anos atrás. Estudávamos num colégio religioso (a orientação era adventista, pros curiosos), e conversar telepaticamente com Jesus logo no início das atividades escolares diárias era uma prática inviolável. Por um motivo ou outro, num belo dia decidi que não estava afim de bater papo com divindades e manti meus olhos anarquicamente abertos durante a cerimônia.

Aí que entra Diego Alguma Coisa, que foi rápido em avisar à professora ao fim da oração que “O ISRAEL TAVA DE OLHO ABERTO EIN TIA!” Jumentíssimo, a rolha de poço não deve ter notado que com a sua acusação, ele havia acabado de admitir que também não havia participado do ritual religioso.

Não sei que fim levou o desgraçado, mas consigo até imagina-lo enviando scraps pros moderadores de suas comunidades favoritas, avisando que o Fulano de Tal e o Sicrano da Silva são na realidade semeadores da discórdia.

Terceiro patamar de imbecilidade