Justiça Virtual
Escrito por Kid on Jan 29, 2008
Vocês já ouviram falar na expressão “hivemind”? Hive em inglês significa “colméia”. Mind é o óbvio “mente”. Mente-colméia é o termo aplicado pro fenômeno de aparente organização grupal independente de um líder, algo que é comum em coletivos de insetos como formigas e abelhas. Sacou? Abelhas, colméia. Os bichinhos se organizam e desempenham funções distintas sem a necessidade de instruções ou supervisão. Em outras palavras, é o modelo de anarquia quintessencial que estudantes de filosofia se masturbam só de imaginar funcionando de verdade no mundo real.
Anarquia nunca pareceu funcionar fora de letras de músicas punk, até a chegada desse maravilhoso instrumento que conhecemos como A INTERNET. Porra, existe alguma coisa que a internet não é capaz de fazer? A rede encurtou distâncias, facilitou o acesso à pornografia, provocou terror na indústria fonográfica e, nos dias de folga, destruiu décadas de dogma sociológico trazendo ao mundo a primeira ocorrência real de comportamento complexo não-orquestrado.
Eles se intitulam “Anonymous”, e ocupam uma das mais populares comunidades nerd gringas – o 4chan. Junto com o Something Awful e o Fark, os channers compõem uma das tribos mais conhecida da internet. E o Anonymous é a personificação do grupo.
Esse nome é reminescente da prática de não assinar os posts publicados nos fórum dos caras, um ritual que eles alegam promover pra enfatizar a idéia de que não há um indivíduo reconhecível na patota, são todos o mesmo sujeito, um organismo com uma consciência única formado por diversas pessoas. Bem Borg a parada, levemente assustadora e surreal, mas lembrem-se que estamos falando de uma cambada de adolescentes entediados.
E, aparentemente, adolescentes entediados constituem poder impressionante quando se algomeram em direção a um objetivo em comum. Agindo simultaneamente como Anonymous, o grupo se tornou infame na internet por promover verdadeiras caças-às-bruxas no domínio virtual, que eles consideram propriedade deles. Eles não dizem isso diretamente, mas todo o discurso justiceiro deles carregam um teor forte de “a internet é nossa e agora você vai sofrer por ter feito o que fez”. E eles sofrem.
Qualquer pessoa ou organização que tenha a infelicidade de ser considerada um alvo por Anonymous passa a receber ataques furiosos de todos os fronts possíveis – páginas são hackeadas e removidas do ar, servidores são afogados com DDoS, até o momento que a perseguição toma formas tangíveis - informações pessoais são distribuídas à turba ensadecida, que passa a apavorizar o alvo, a família do alvo, o cachorro do alvo, e qualquer outra criatura que tenha a infelicidade de se associar a ele.
Por isso comparei o grupo ao fenômeno hivemind (também conhecido pelo termo mais pejorativo mob mentality). Sem nenhum tipo de líder, sem qualquer tipo de organização arbitrária convencional, o exército dotado de consciência coletiva se mobiliza em prol do objetivo em mãos. Discussão filosófica à parte (eu sou particularmente contra esse comportamento de fazer justiça virtual com as próprias mãos, algo que eu chamo de Síndrome do Power Ranger Virtual).
Normalmente o Anonymous – ou Anon pros íntimos - se limitam a perseguir grupos virtuais que promovem racismo ou webmasters que se atrevem a provoca-los (estaria eu me colocando na alça de mira dos moleques?), mas essa semana a gangue resolveu destilar seu veneno contra um inimigo bem mais tangível e potencialmente perigoso – a Igreja da Cientologia.
Como esse post já tá muito mais parecido com reportagem investigativa séria, vou me ater à concisão. A Igreja da Cientologia é um culto (ou seja, uma religião de brincadeirinha) iniciado pelo fracassado autor de ficção científica L Ron Hubbard que, entre outras atrocidades contra a raça humana, transformou o outrora bacana Tom Cruise num proselitista religioso attention whore visivelmente insano. A Cientologia é famosa por apelar pra litígio jurídico toda vez que um crítico eleva sua voz contra a igreja, e seus dogmas a respeito da medicina (e mais especificamente a psicologia) moderna chegou ao extremo de provocar a morte de alguns membros. Lisa McPherson é a mais notória.
Recentemente, a Cientologia já gozava o status de alvo de gozação internacional. Aquele episódio de South Park (e a subsequente demissão de Isaac Hayes, cantor cientólogo que interpretava o personagem Chef) apenas atiçou o vozerio anti-cientologia. E, finalmente, a religião se viu às voltas com os nossos amiguinhos Anonymous.
De acordo com o manifesto postado em diversos sites relacionados ao grupo, Anonymous está realmente puto com a influência que os milhares de advogados a serviço da religião exerce sobre seus críticos, e resolveu se responsabilizar pelo maior e melhor orquestrado ataque contra a Igreja Cientóloga.
Primeiro vieram os ataques no campo virtual. Em uma assustadora questão de MINUTOS, aproximadamente trinta sites relacionados à crença cientóloga foram enviados pro limbo. Anonymous finalmente decidou que isso promovia pouco ou nenhuma influência no mundo real, e que a missão de realmente destruir o culto a L Ron Hubbard não se beneficiava com a remoção de meros websites. O que começou como uma piada acabou tomando espaço na mente da garotada por trás dessa putaria toda e a segunda via de ataque foi traçada – uma manifestação global, simultânea, diante dos prédios da igreja.
No momento da escrita desse texto, um tópico no Something Awful que debate o planejamento do protesto ultrapassa as 120 páginas. Usuários de várias partes dos Estados Unidos que nunca se viram na vida projetaram juntos dezenas de cartazes que serão impressos por milhares de outros nerds que também não se conhecem, e no dia dez de fevereiro essas placas serão erguidas em direção aos muros das igrejas e aos olhos de curiosos que estarão passando pela área.
E não é apenas isso. Cartas a respeito dos perigos da Cientologia (e, mais importante, reclamando pela revogação do status de isenção de importo da “religião”) foram redigidas e estão sendo enviadas aos montes a constituintes americanos. Usuários que planejam comparecer a comícios dos candidatos presidenciais americanos nas próximas semanas se imbuíram da responsabilidade de levar o assunto diretamente aos políticos, numa tentativa de conscientizar os futuros líderes da preocupação e ultraje popular em relação à Cientologia.
O movimento é tão maciço que até eu, um negativista convicto do tipo que acredita que as merdas nesse mundo são inerentemente impossíveis de consertar, começo a ver algum tipo de resultado positivo saindo dessa impressionante mobilização. E, lembrando, todo o movimento é completamente não-direcionado. Não existe uma pessoa sequer em posição de autoridade que esteja coordenando a logística da operação. O negócio simplesmente aconteceu.
A organização voluntária de uma massa tão numerosa por si só é algo absolutamente impressionante, como qualquer pessoa que já tentou organizar um grupo de 5 pessoas pra realizar um trabalho de faculdade pode concordar. Se algum resultado positivo sair dessa esculhambação, o negócio será verdadeiramente épico.
Aí vão uns links pra vocês que estejam totalmente ociosos no trabalho e queiram ler mais sobre o assunto, e que incidentemente torna esse artigo mais wikipedia-like:
http://www.whyaretheydead.net/ - Site que fala sobre as vítimas dos dogmas da Igreja da Cientologia
http://en.wikipedia.org/wiki/Project_Chanology - Um dossiê detalhado sobre as ações do Anonymous contra a Igreja
http://www.youtube.com/watch?v=UxWgRY1I_SI - Reportagem involuntariamente hilária sobre o Anonymous
Worst Spiderman Ever
Escrito por Kid on Jan 28, 2008
Dois Bobagens Internética do Dia seguidos é canalhice, eu sei. Mas vocês vão ter que me entender.
Eu tava até com vontade de atualizar o blog hoje, essa semi-confusão no Meio Bit sobre o iPod Touch me deu uns bons assuntos pra elaborar um ensaio de opinião como há muito tempo eu não postava aqui no HBD. Acontece que hoje eu levei uma queda formidável no gelo ao ir pro trabalho, esqueci a carteira e o celular em casa (o que me obrigou a passar fome o dia inteiro) e, pra fechar com chave de ouvo, levei uma bronca sensacional do meu chefe que – bronca merecida, não nego, mas mesmo assim - terminou de foder com o meu dia. Não tive mais paciência pra elaborar um textinho, ele terá que esperar.
Mas eis que surge a internet no horizonte, trazendo-me motivos pra sorrir novamente e dizer “amanhã será um novo dia, e lembre-se, sempre poderia ser pior”.
Sim, poderia. Eu poderia ser o Pior Spiderman Ever.
Imagina a situação do figura. Este é provavelmente um estudante de filosofia fodido e sem futuro que, por ter tido umas aulas de Ginástica Olímpica quando mais novo, conseguiu raspar o fundo do barril de semi-empregos e (com ajuda da pior fantasia de Spiderman já vista fora da Índia) descolar um emprego de animador de festas como Homem Aranha.
Com uma existência miserável dessas, ninguém pode culpar o cara por afogar as mágoas e aparecer no “trabalho” visivelmente embriagado. Note que após o primeiro backflip ele parece perder o equilíbrio e oscilar perigosamente pra fora do frame, sugerindo que um elevado grau etílico fluía por suas artérias. O terrível Spiderman tenta novamente impressionar as crianças com mais um backflip mal executado, que ele tenta compensar emulando os trejeitos do Spiderman cinematográfico no fim da pirueta. Então, pra fechar a apresentação, o performista decide usar seu tour de force, uma caminhada pela parede seguida de mais um backflip.
Como sabemos, a gravidade não costuma ser muito gentil com bebuns, e a manobra acabou sendo 5% wall run, 5% backflip e 90% vergonha. O maluco pisou em falso e sua apresentação caiu por terra, muito similarmente às suas esperanças de ocupar um espaço no mercado de trabalho através de um diploma de Filosofia.
Até aquele palhaço que tava pintando o rosto da pivetada deve ter ficado com pena do sujeito.
Professional Wolfenstein Player
Escrito por Kid on Jan 25, 2008
A internet está lotada de gente com bastante tempo livre nas mãos, uma câmera digital prontamente disponível e idéias criativas e/ou malucas que nos levam a especular quantos amigos este indivíduo possui, qual a última vez que ele teve um contato erótico consensual com um membro do sexo oposto, ou até mesmo durante qual gestão presidencial americana ele teve seu último banho. Esta seção do HBD é dedicada quase que inteiramente a dar mais visibilidade a esses talentosos cineastas internéticos e suas criativas produções youtubísticas.
Por causa da natureza fantástica ou surreal dessas produções, convencionamos a enxergar os criadores desses vídeos como idéias abstratas, pessoas que não existem de verdade no mundo real. Afinal, quem teria tanto tempo ou disposição pra executar esses projetos? Quando tive a idéia de trazer esse tipo de conteúdo pra vocês, não imaginava que ia acabar esbarrando pela internet a fora com algo produzido por alguém que eu conheço na vida real, uma pessoa de carne e osso cuja existência eu posso verificar.
O maluco narrando o vídeo se chama Clifford; ele trabalha no Wendy’s, onde eu trabalhava até o meio do ano passado. O que o maluco fez foi jogar Wolfenstein 3D por DUAS SEMANAS SEM PARAR, até decorar não apenas a localização de cada inimigo no jogo, mas as áreas secretas e os power-ups. O resultado disso é um speedrun de precisão cirúrgica, em que o moleque não apenas se posiciona na direção exata do inimigo antes mesmo de entrar na próxima sala, mas ainda dá a localização geográfica dos nazistas virtuais em relação angular à sua própria posição. “Vou entrar na próxima sala, virar 90 graus pra direita, dar três tiros, e em seguida 27 graus pra esquerda e matar os outros dois guardas que estão dando a volta na esquina nesse exato momento. Agora vou abrir essa porta e matar os dois guardas atrás dela antes mesmo da porta abrir completamente”.
O moleque vai e termina o jogo na dificuldade mais elevada permitida, sem levar um tiro sequer, em doze minutos. Toda essa habilidade, no entanto, não o impede de se referir aos guardas nazistas como “JESTAFO”, o que se provou mais irritante do que eu imaginava. A polícia nazista, a Gestapo, provavelmente não se agradaria disso. Mas eles também não se agradariam em levar tiros na cara com uma precisão que daria inveja ao Bullseye, então dá na mesma.
Eu me pergunto até agora a que tipo de ambiente o moleque foi submetido a ponto de que jogar Wolfenstein 3D por 14 dias consecutivos se tratasse de uma boa idéia. Aí conclui que eu não posso compreender a mente de um sujeito que quer se tornar mundialmente conhecido como o melhor jogador de Wolfenstein do mundo (e ele diz isso sem o menor sarcasmo).
Vá com deus, Clifford.
Orkut ceifa mais uma vida
Escrito por Kid on Jan 22, 2008
Ok, nem tanto. Mas vamos transformar a coisa em drama mexicano mesmo que é mais legal.
Antes de mais nada, peço perdão pela minha ausência. Ou nem tanto, qualquer um de vocês teria feito o mesmo se tivesse acabado de comprar Rock Band. nas palavras do imortal Gil Brother, “DÁ UM TEMPO, MORÔ?”. Deixa eu brincar de ser feliz com minha bateria de brinquedo.
Então, brinquei pra caralho no negócio, mas o show aqui tem que continuar. E nada melhor pra retomar as operações digitais que um dramalhão online trazido a você por cortesia da burrice humana associada ao uso indiscriminado do orkut. Eu nunca me canso de ver as tragédias que essa combinação tráz pra gente.
A Naty, uma internauta notavelmente peituda porém muitíssimo feia, resolveu expressar seus desejos pelo João Henrique através do popular site de relacionamentos. Até aí nada digno de nota, mulher com fogo na periquita é algo que existe desde os primórdios da raça humana e a internet é usada desde sua concepção pra finalidades sexuais.
E agora vem a parte que vocês estavam esperando.
Não, o mote principal não é o fato de que a Naty tem um namorado (o link ainda não foi desovado, mas nossos detetives internéticos estão trabalhando hora extra com esse objetivo em mente). Por motivos que eu jamais compreenderei, essa massa de retardados que compõe os usuários padrão do orkut passou a usar um método alternativo pra enviar mensagens secretíssimas pros seus destinatários – tais jumentos mandam as mensagens em forma de depoimento. “Assim”, pensam os retardados, “ninguém verá a mensagem!”. Não tendo conhecimento da existência do email, os imbecis enviam a sua mensagem de conteúdo compromissor de uma forma que torna sua exposição tão simples quando apertar um único botão.
E ADIVINHA O QUE ACONTECEU, AMIGO. Sim, isso mesmo.

O sujeito, por imbecilidade ou malícia (o ditado popular diz que ambos são indistinguíveis às vezes, eu adoto essa corrente de pensamento também), publicou o depoimento da menina. E a história rapidamente começou a correr fóruns pela internet afora, e no momento desta publicação os scraps da menina batiam a casa dos 5 dígitos.
Desesperada, a Naty tentou alertar seu concumbino. Ou seja, como se não bastasse a publicação de uma mensagem daquelas por depoimento, ela vai e manda um scrap confirmando que a missiva era autêntica.
O que leva alguém a adotar esse método de enviar mensagens de conteúdo sensível? Nego tá TENTANDO se foder, não é possível. Contemplei todas as possibilidades permitidas pelo nosso universo tridimensional e concluo que não há explicação a não ser “a menina estava intencionalmente tentando se lascar”.
Eu não sei nem o que pensar quando vejo uma história dessas. Essa tal de inclusão social me apavora algumas vezes, e o avanço dela pelo jeito é como o Juggernaut – absolutamente “imparável”. Não dá mais pra voltar aos tempos em que os usuários da internet eram poucos privilegiados – privilegiados tanto pela habilidade financeira de manter o hábito, quanto pelo intelecto necessário pra desvendar o uso dos serviços primitivos da Web 1.0. Esse acesso facilitado dá nisso aí.
Os mais socialmente consciente (você sabe, os filhinhos de papai estudantes de filosofia que dão esmola no sinal no caminho do shopping e por causa disso acham que estão atentos às necessidades do povão) vão nos chamar de elitistas metidos, e dirão que a internet deveria ser considerada um bem público que permite à massa acessar conhecimento de forma nunca antes possível.
Balela. Não sei quem eles estão tentando enganar com esse papinho comunista de Nova Era do Conhecimento, porque pobre burro não usa internet pra aprender sobre open source software, ou corrigir artigos na wikipedia, ou colaborar com o Folding@Home. Pobre burro usa internet pra mandar apresentação de powerpoint, pegar (e espalhar) vírus e postar mensagens comprometedores no orkut.
Sabe aquele lance de que às vezes a gente tem que tirar o direito de alguém pra proteger a pessoa dela mesma? A internet é um caso exemplar disso.
Rock Band
Escrito por Kid on Jan 15, 2008

Vamos ver se essa merda presta.
[ Update ] Presta, sim.
Só pra relembrar – comprei o jogo aproximadamente 12 horas atrás, e nunca toquei bateria na vida. Como disse o k-max, essa porra poderia ser implementada pra revolucionar a forma como alguém aprende a tocar instrumento rítmico.
Saudosista, eu?
Escrito por Kid on Jan 12, 2008


Next gen é o caralho. Viva os 16 bits, porque isso é tudo que eu preciso.
Sem Meias Palavras
Escrito por Kid on Jan 10, 2008
Há uns sete ou oito anos, quando eu morava no Brasil e cursava colegial, eu tinha uma rotina matinal consistente – acordar, conectar escondido dialupmente por quinze minutos e baixar mais 3% de alguma música no iMesh, escovar os dentes, comer meus sucrilhos e ligar a TV pra assistir o programa Bandeira Dois.
Pra qualquer pessoa que esteja lendo este relato e tenha a incrível sorte de não morar no Maranhão, eu explico. Bandeira Dois era um programa noticiário maranhense que se resumia a enviar um péssimo entrevistador pra delegacia local e “entrevistar” os elementos recolhidos pela força policial na noite anterior. O sujeito com o microfone tinha tanto talento pra reportagens quanto tinha pra pilotar uma astronave, e os valores de produção do programa sugeriam que ele era editado no Windows Movie Maker num Computador do Milhão cinco minutos antes da veiculação televisiva do episódio do dia. A gama de entrevistados variava desde “bebum arrumando confusão no bar da esquina” e “prostituta excepcionalmente feia (que pode ou não ser um travesti) provocando briga na praça atrás da igreja”, e somado ao fato de que o repórter era absolutamente incapaz de conduzir uma entrevista que fizesse qualquer sentido e não tentava nem esconder que estava se divertindo com a situação dos presos, assistir o programa era um exercício de humor involuntário.
Ou seja, era um programa horrível, seguindo a regra de qualquer coisa produzida no estado do Manhão (Guaraná Jesus, Família Sarney, e eu até corri pra wikipédia pra procurar mais personalidades famosas maranhenses mas adivinha só – não tem mais ninguém. A melhor coisa que sai do Maranhão são aviões e ônibus voltando aos seus estados de origem).
Programas dessa categoria são lugar comum no Nordeste. O Maranhão tinha o seu Bandeira Dois, meu querido Ceará tinha o Barra Pesada (que, comparado aos outros, era uma produção digna de um Emmy), e Pernambuco tem o atualmente célebre Sem Meias Palavras. Antes esses programas ficavam confinados à Região Nordeste do país, hoje em dia a magia do Youtube leva pra todo Brasil as reportagens non-sense que tanto alegravam minhas manhãs.
Não vou linkar o vídeo do Jeremias porque a essa altura do campeonato todas as pessoas que acessam a internet e falam português já viram as presepadas do adorável bêbado vagabundo sem futuro que está processando diversas empresas a quem ele culpa por seus infortúnios. Ao invés disso, darei preferência a um vídeo mais underground, mais alternativo, que estrela o ser humano mais embriagado da história do consumo do álcool.
O interessante desse programa é que ele consegue, tão sutilmente, falar tanto sobre o povo brasileiro. Veja que ninguém parece levar a sério as situações deprimentes em que os meliantes se encontram, bem no famoso costume brasileiro de rir das próprias desgraças. Aliás, por que deveriam levar a sério? Esses malandros estão de volta na rua em pouco tempo, e acabam se tornando personagens frequentes no progama sendo presos múltiplas vezes. Todo mundo sabe que a prisão dos caras nada mais é que um passeio de viatura e uma hospedagem no xadrez, pago pelos reais dos contribuintes. E no dia seguinte tá lá de novo, bebendo cachaça no meio da rua (e arrumando confusão em resultado) como se sua vida dependesse disso.
A beleza desse tipo de programa é que ele explora a pior qualidade de seres humanos em seus mais lastimáveis momentos, tudo pro nosso entretenimento e escárnio. Um sujeito que provavelmente nem sabe o que um computador se torna figurinha tarimbada em miríade de fóruns e chats de MSN. Uma verdadeira personalidade virtual.
A internet é de fato uma coisa linda.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
Flickr
Categorias
Arquivos



Fotinhas
Mais
Prestigie, filho da puta
Vagabundos
Últimos comentários
Links
Posts recentes
Troços