Cloverfield – Resenha
Escrito por Kid on Feb 28, 2008

Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como “utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas” ou até mesmo “assistir a namorada arrumar a casa só de calcinha e sutiã enquanto jogo Pokemon”. Pra você ter uma idéia do meu amor por ambos discussões internéticas E observar a namorada trajando artigos femininos rendados, se eu não tivesse contas pra pagar minhas atividades diárias se resumiriam a arrumar confusão no orkut enquanto treino um Bulbassauro level 15 observando a namorada semi-nua passando o aspirador de pó no quarto. Ao invés disso preciso fazer coisas não tão aprazíveis, como lavar minhas roupas, fazer declaração de imposto de renda e tomar banhos.
Ou seja, ao dizer que assistir filmes é meu hobby número um, estou dizendo bastante. E entretanto, foi preciso muita insistência da minha patotinha de amigos pra que eu finalmente resolvesse trocar meus dez dólares por um ingresso pra ver Cloverfield com eles. E por que seria isso?
Porque cinematografistas odeiam os espectadores dos seus filmes.
Lembra de Transformers? Lembra daquelas cenas de acão em que a câmera chacoalha pra todo lado? Lembra quando essas cenas eram as partes mais legais do filme?
Não, você não lembra dessa última. Por que, ao contrário do que cineastas acreditam, dar a câmera pra um portador de mal de Parkinson não é uma técnica cinematográfica indispensável. Como se uma cena de porradaria entre robôs de trinta metros de altura sendo filmada a dois centímetros de distância já não fosse complicado o bastante de acompanhar, Michael Bay decidiu que apreciaríamos o filme mais ainda se ele empregasse epiléticos pra filmar essas cenas. O resultado é que assistir tais trechos dofilme te dá a mesma sensação de ver aqueles vídeos caseiros das férias dos seus primos na Disney – a insuportável tremeliqueira do infeliz operando a câmera torna impossível fixar a vista em um ponto qualquer por mais de um segundo.
Num filme como Transformers isso é levemente suportável porque elas são cenas de trinta segundos num filme de uma hora e meia. Já pensou como seria aturar um filme inteiro nessa tremedeira sem fim?
Basicamente, é isso que Cloverfield é. Pra você ter uma noção da gravidade do negócio, a CNN reportou na época do lançamento do filme que diversas pessoas passaram mal durante a exibição da parada. Nego decidiu que seria melhor sair correndo do cinema pra vomitar na privacidade do banheiro do estabelecimento que aguentar mais um segundo do filme. E na nota mais não-intencionalmente humorística que eu já li em qualquer publicação noticiosa, o redator aconselhou que os potenciais espectadores se preparem tomando anti-nauseantes antes de ir pro cinema.
Sim, você leu isso direito. A CNN, uma das mais prestigiosas organizações noticiosas do planeta, falou explicitamente que a única forma de você resistir ao filme inteiro sem vomitar é se você for pro cinema sob efeito de medicamentos.
Ou seja, resenhar o filme se torna essencialmente um exercício em futilidade. Eu poderia escrever uma tese de doutorado de cinquenta páginas sobre o filme e/ou J. J. Abrams poderia ganhar um Oscar de direção graças ao seu trabalho (que se resumia, imagino, a pegar o megafone e instruir atores a expressar espanto e terror diante do monstro imaginário que a equipe de pós-produção adicionaria meses após as filmagens da película), mas no fim do dia, nada disso muda o fato de que a CNN aconselhou as pessoas intencionadas a ver o filme de tomar remédios contra vômito antes de comprar o ingresso.
Não me culpe por ter ido assistir o filme já com má vontade.
Por isso, antes mesmo de começar minha resenha, estou preemptivamente declarando Cloverfield como o PIOR filme de toda a história da cinematografia. Sempre que resenho um filme aqui no HBD exagero bastante pra causar risadas e provocar ódio em fanboys, mas no caso de Cloverfield nenhum exagero é necessário. Este filme fará você vomitar.
Agora você já sabe o que esperar deste post. Já tratamos dos pormenores, vamos à resenha propriamente dita.
Cloverfield, pra quem esteve totalmente alheio ao insuportável hype internérdico relacionado ao filme, é a clássica história de um monstro destruindo New York vista através dos olhos do observador comum. Todo mundo estava perfeitamente ciente de que a idéia do filme estrelando uma Catástrofe Genérica #89 devastando New York é extremamente batida, então por isso o foco do filme é contar a história de um grupo de jovens perambulando pela cidade durante o ataque. O que eles esperavam se tratar de uma abordagem mais criativa, mas pra deixar no esquema mesmo foi decidido que a melhor forma que eles tinham de passar a idéia do filme era dando uma câmera pra um dos atores que passa boa parte do filme correndo de um lado pro outro.
Em outras palavras, Cloverfield é uma mistura de Independence Day (ameaça alienígena destruindo a Big Apple) com Blair Witch Project (grupo de retardados que ao invés de largar a câmera e se ocupar com algo mais importante, como por exemplo a própria sobrevivência, decide documentar cuidadosamente os eventos que inevitavelmente culminarão na morte de todos).
Oops, spoiler.
Vou dar um ponto pro filme - os efeitos especiais são muito bacanas. O problema é que hoje em dia, dizer que os efeitos especiais de um filme são bons carrega a mesma significância de dizer que o filme está passando num cinema. Em pleno século XXI, você não está me fazendo nenhum favor ao fazer efeitos especiais convincentes ao invés de um ator usando uma roupa de monstro com zíper prontamente visível.
Acontece que minha boa vontade com o filme acaba aí mesmo. Pra começo de conversa, não há uma história propriamente dita. O filme abre com uma turminha de jovens descolados num apartamento em NYC dando uma festa pra um sujeito que está prestes a se mudar a trabalho pro Japão, quando o monstro começa a atacar a cidade. Momentos antes o filme apresenta um conflito amoroso mal resolvido que, previsivelmente, será resolvido pelos protagonistas justamente quando a cidade inteira está indo pro inferno. Não entendo por que personagens em blockbusters decidem resolver seus problemas sentimentais justamente no dia que poderosas entidades espaciais decidem transformar a cidade em seu playground particular. É o dia mais romântico do ano após Valentine’s Day.
E pronto. Essa é a história. Não há muito background dos personagens, não há explicações de onde o monstro surgiu, não há nem um fechamento satisfatório pro filme (todos morrem). O monstro aparece, destrói algumas coisas, e a galera toca a correr desesperadamente pelos próximos 90 minutos, parando ocasionalmente pra recuperar o fôlego e/ou dizer coisas como “HOLY SHIT DID YOU SEE THAT”, ou “SHIT SHIT WHY ARE WE STOPPING KEEP RUNNING WE’RE ALL GOING TO DIE WHERE IS YOUR GOD NOW”.
Numa previsível convenção cinematográfica, os personagens principais arrumam motivos dúbios pra adentrar mais e mais a cidade, ao invés de se locomover na máxima velocidade permitida pela sua capacidade física na direção contrária do monstro. Aí batem de cara com o bichão, subitamente se lembram que eles apreciam coisas como respirar, e saem correndo. Cinco minutos e um caso de amnésia seletiva depois, eles voltam a penetrar a cidade.
O motivo aqui é que o Rob, o personagem principal que estava de viagem marcada pra Tokio, decidiu ir salvar a menininha de quem ele é afim. A pobre infeliz se encontra presa num prédio que caiu diagonalmente em cima do prédio vizinho e ficou lá, apoiado no outro prédio. Um fenômeno que prova que além de tudo os roteiristas não entendem a forma como a gravidade funciona.
Eu MEIO que consigo entender que o rapaz ia realmente arriscar a própria vida pra salvar uma desgraçada que ousou aparecer na festa de despedida dele de braços dados com outro sujeito. Entretanto, o filme me dá um tapa na cara quando revela que o desejo do cara de encontrar a menina toda fodida não é pra dançar sarcasticamente na frente dela e dizer “haha, se fodeu. Ok, tou indo agora”, e sim pra realmente salva-la. Tudo bem, eu consigo aturar o sentimentalismo barato.
Mas e os caras seguindo ele? J. J. Abrams espera que eu acredite que esse cara convenceu diversas outras pessoas a acompanha-lo na missão suicida?
Alguém aí já tentou convencer algum amigo a ajudar numa mudança? A assistir sua peça de teatro? Se você já precisou da ajuda de um amigo pra alguma coisa, você sabe que amigos só se dispoem a executar favores que signifiquem o menor esforço possível.
Sim, eu sei que o filme não precisa ser explicitamente verossímil, e que alguma suspensão de descrença ainda é recomendada. Acontece que me venderam esse filme usando a idéia de que ele é um retrato realista do que aconteceria quando pessoas comuns se vissem às voltas com um monstro de cem metros de altura. Se a idéia da película era realismo, façam-me o favor de manter a temática. Se qualquer um de nós recrutasse a ajuda de amigos pra ir salvar uma menina numa situação em que um monstro alienígena se encontra exatamente entre você e a donzela em perigo, nem seu melhor amigo nesse mundo teria ajuda a oferecer a não ser a promessa de que ele não revelará nenhum fato constrangedor no seu funeral.
Eu consigo acreditar num monstro qualquer detonando New York (e por que não, a essa altura do campeonato? Hollywood já me convenceu que pode acontecer a qualquer momento), mas não consigo engolir uma patotinha de amigos seguindo o rapaz apaixonado em direção ao bicho enquanto o exército americano mal consegue causar cócegas nele.
Isso foi o que finalmente causou aquela perturbação durante o filme pra mim. O tempo todo a idéia era transmitir idéia de realismo, tentando indiretamente fazer você pensar “nossa, imagina eu nessa situação”. Com esse disparate dos caras seguindo o maluco sem motivo nenhum a não ser o desejo de não viver mais, o filme se auto-sabotou e destruiu totalmente a idéia de realismo.
Vejo muitas críticos dizendo que o filme foi chato porque a turminha passa o tempo inteiro ocupados com o contraditório exercício de simultaneamente fugir e correr pra onde o monstro está. ”Filme chato”, eles dizem, porque os personagens principais em momento algum apanham uma bazuca ou aprendem a pilotar um caça a jato, enquanto aquele típico rock cinematográfico rola no fundo e eles andam em câmera lenta, um do lado do outro, em direção ao alien pra batalha final.
Porra, vocês esqueceram que a idéia do filme era mostrar uma história mais realista no típico cenário do monstro-detonando-a-cidade? Se qualquer um de nós estivesse na situação dos protagonistas, você não se preocuparia em obter armamentos pra lutar contra o monstro no um-a-um. Isso se deve ao fato que você estaria muito ocupado correndo a altas velocidades na direção contrária, parando ocasionalmente pra rezar pra todas as divindades conhecidas e notar que cagou as próprias calças de tanto terror.
Acho que talvez eu esteja pegando muito pesado com o filme. A proposta de um testemunho em primeira pessoa da tragédia é convincente, a proposta é original apesar de não ser inédita, os efeitos são muito bem feitos, e dá quase pra se identificar com o protagonista principal (o único que não é completamente one-dimensional).
Mas no final das contas, Cloverfield ainda é um filme que vai fazer você vomitar.
Hits HBD
Escrito por Kid on Feb 22, 2008
Olá olá NAÇÃO HBD. Tou com um plano novo aí pro site e preciso da colaboração de vocês.
Seguinte pípou. Como há quase mil textos espalhados pelos arquivos deste blog, é difícil pra um leitor novato achar exatamente o tipo de post que ele apreciará e me fará habitante dos bookmarks dele. Por isso, resolvi abrir uma seção intitulada “Hits HBD”, onde catalogarei os posts escolhidos por vocês como os melhores que eu já escrevi aqui. Com uma pequena descriçãozinha e tudo, pra você saber logo de cara se está afim de ler um texto sobre assunto X ou não.
Portanto, deixe sua usual timidez de lado só por hoje, e me diga aí nos comentários que textos eu devo obrigatoriamente incluir nos Hits HBD. Ainda hoje coloco esse troço no ar, então corra e chame seus amiguinhos pra palpitar aí.
Hoje sou todo ouvidos.
Rubik’s Cube
Escrito por Kid on Feb 20, 2008
Mexi com um cubo mágico pela primeira vez em 1995. Demorou apenas treze anos, mas aprendi a resolver essa bosta.
Teria sido muito mais impressionante antes do advento do Youtube, que permitiu que tomassemos conhecimento dos outros milhões de sujeitos que sabem resolver a parada. Agora eu sei montar a parada, mas não me sinto mais especial.
Oh well.
Baladinhas e seus tipos
Escrito por Kid on Feb 15, 2008
Valentine’s day ontem, e fui meio que obrigado a sair pra uma dessas tais de BALADINHAS, né. Apesar de não ser um nerd totamente eremita e até gostar de sair pra dançar com a namorada, ir pra boates ultimamente tem me deixado desnorteado. É uma experiência que sempre me faz rever meus conceitos em relação à minha própria vida, e aqui está o motivo:
Não importa o quão “bem casado” você esteja, numa boate você esbarrará trocentas vezes com mulheres quarenta vezes mais gostosas que a sua própria te dando aquela nitidazíssima sensação de que você deveria ter experimentado mais a vida de solteiro.
Nada de errado com meu relacionamento. Minha companheira é uma mulé excepcional que eu dificilmente trocaria por uma outra, mas as condições em circunstâncias de uma balada engana seus sentidos. Uma boate é um ambiente cuidadosamente calculado pra te dar uma visão extremamente irreal das muléres da sua cidade. Você já deve ter tido a mesma experiência que eu – você chega numa boate e não importa pra que lado você olhe, sua visão cruzará alguma mulher que acabou de sair das páginas de revista masculina, confundindo você completamente porque até então ver esse tipo de mulher no mundo exterior era uma experiência levemente mais rara. Há pouquíssimas ocasiões no dia a dia em que uma mulher passa e me faz gastar a energia de virar o pescoço; já uma boate como a de ontem a noite parece estar totalmente populada por essa categoria de mulher.
E você se pergunta “onde essas loucas se escondem nos dias normais? Como não vejo uma menina dessas na fila do banco, ou na área de congelados no supermercado?” A verdade é que você as vê, sim – mas de uma forma menos artificial do que aquela em que elas se apresentam numa boate. Não tanta maquiagem, saltos mais respeitosos, saias mais longas, blusas não tão apertadas, e a lista prossegue.

O lugar
Considere o que eu tive que aturar logo na entrada do clube. Como é de costume aqui (de repente é aí também, não costumava ir a boates no Brasil), os caras costumam colocar uma mulher deliciosíssima vestida em trajes extremamente libidinosos andando pelo bar com uma bandeja cheia de shots de tequila e outras bebidas fortes. Por míseros 10 dólares a mais, sua bebida é posicionada entre as amplas tetas da menina, e você tem a liberdade de catar o copinho da bebida enfiando a boca nos peitos da outra lá.
As mulheres que costumam ocupar essa posição costumam ser IMORALMENTE gostosas, mas a menina desempenhando essa função ontem, puta que pariu. A doida devia ter mais ou menos a minha altura, mas aquele salto alto fininho estilo atriz pornô a deixava praticamente um palmo acima de mim e realçava as pernas e a bunda dela, que é o que saltos altos geralmente fazem. Ela usava uma sainha vermelha estilo colegial que nem sequer tentava cobrir suas partes íntimas, deixando sua calcinha preta de renda amplamente à vista. As pernas grossas da menina estavam enfeitadas com uma cinta-liga e uma daquelas meias-arrastão que subia até a coxa. E a blusa dela aparentava ter sido feita com menos de vinte centímetros quadrados, apertando os peitos já volumosos e dando aquela pequena porém absolutamente hipnótica visão da renda do sutiã. Essencialmente, uma visão perfeitamente projetada pra extrair o máximo de gorjetas possível. Eu queria parar de olhar pra mulé, revoltado com tamanha exploração da fraqueza masculina, mas o prédio podia estar pegando fogo e eu não teria conseguido olhar pra nenhum outro lado. Tipo uma mariposa totalmente fissurada numa lâmpada incandescente. Pra completar o clima putanesco, telões na parede exibiam os videoclipes mais libidinosos que você pode imaginar, como este, que virou meu clipe favorito e agora de manhã eu já assisti consecutivamente umas trinta vezes. Aliás, se tu conhecer mais videos de musiquinhas frequentemente tocadas em boates – não necessariamente imorais como esse -, deixe nos comentários plis.

Eu e a patroa
E isso foi só o começo da noite. Pra onde eu olhava, não havia como escapar da onipresença de mulheres daquele tipo que você não seria capaz de impôr limites pro tipo de coisas horríveis que você faria por uma chance de come-la. Eu concluí que o ambiente da boate não é apenas habitat natural de mulheres (artificialmente) sensacionais, mas ele também torna sua improvável chance de pega-las mais possível do que você imaginaria. Pensa aí – qualquer mulher pareceria deliciosa usando esses trajes, mas as que saem em público assim são as que mais provavelmente dariam pra você. Baladas promovem uma espécie de seleção natural; se você entra aqui vestida assim, você PROVAVELMENTE é fácil. Combinado com a meia luz e o alto contexto alcólico do ambiente, o que tornará sua feiúra bem mais tolerável, e quem sabe aquela menina dançando ao redor do strip pole não apenas daria pra você, mas convenceria a amiguinha dela a fazer o mesmo.
Aí eu percebi que minha obsessão com as mulheres deliciosas da boate estavam começando a me deprimir e causar sérios danos ao meu semi-casamento, e me pus a uma prática mais proveitosa – decidi catalogar os tipos que eu vi ontem na balada, pra escrever um texto detalhando-os. Sim, eu sou realmente muito mais nerd do que você imaginava.
Sim, os tipinhos estereotípicos que habitam as baladinhas! Em um sensacional exercício de taxonomia in promptu, pude separá-los nos distintos grupos:
The Nightclub Douchebag
Geralmente prefiro evitar usar termos em inglês porque isso marginaliza a turminha que não domina a língua gringa. Infelizmente, eu não conheço nenhuma boa tradução pra “douchebag”. Idiota, paspalho, palerma, babaca e todos esses outros são termos muito genéricos que não passam nem de longe o significado de “douchebag”, que é essencialmente “um indivíduo que tem um senso inflado de auto-importância, o que é geralmente combinado com inteligência abaixo do normal”.
Nightclub Douchebags se locomovem em bandos, unidos por interesses em comum como por exemplo “aplicar aproximadamente oito litros de gel de cabelo toda noite” ou “usar camisetas de cores homossexuais numa tentativa fútil de alegar que é macho o bastante pra sair em público usando uma camiseta pólo cor de rosa”. Como a foto aí acima atesta, Nightclub Douchebags são uma espécie biologicamente atrasada. Tal como amebas e outros bichos unicelulares que te dão doenças, os nightclub douchebags estão presos em um estágio evolucionário que ainda não permite distinção entre membros da espécie. Nightclub Douchebags normalmente não têm nenhuma ocupação além de parasitar o papai e a mamãe e comparecer às baladas todo final de semana. Não se conhece as outras atividades dessa espécie, uma vez que no mundo exterior à boate eles não usam os característicos oito litros de gel/camisetas pólo com a gola levantada, tornando a identificação possível apenas em cativeiro.
Normalmente, o Nightclub Douchebag tentará se aproximar de literalmente QUALQUER mulher no salão, o que sugere uma escassez de parceiras sexuais. Até onde posso averiguar, as baladas são a piracema dos Nightclub Douchebags, o momento em que todos convergem a um mesmo ponto na (fútil) esperança de acasalar. O ritual de acasalamento da espécie – algo jamais registrado na biologia moderna e um ponto de contenção entre alguns acadêmicos que acreditam que a espécie é estéril e assexual – envolve aproximar-se da parceira com uma garrafa de Heineken em uma mão e explicar detalhadamente pra sua pretendente que seu pai é advogado/dono da faculdade local/o inventor do abridor de latas, e que num salto de lógica isso de alguma forma a deveria injetar com o desejo de se encontrar atrás da boate pra uma trepadinha. Estipula-se que as horas de bronzeamento artificial torraram seus neurônios, explicando assim a inteligência abaixo do normal.
The Cougar .jpg)
Não consegui achar uma imagem sequer de uma cougar no Google que não fosse referente ao filmes pornográficos sobre a espécie, então fiz uma busca aleatória e peguei essa imagem de um disco do Abba. Que, agora que eu paro pra pensar, é justamente o tipo de coisa que Cougars ouvem.
Cougar é outra expressão em inglês sem um representante lusófono. Eu poderia dizer “papa anjo” mas é novamente um termo muito amplo, então é melhor eu apenas explicar do que se trata a parada.
Cougars são mulheres de trinta ou até mesmo quarenta anos que, por estarem sofrendo uma crise de meia idade ou um amargo divórcio, sentem a necessidade de auto-afirmar o que ainda resta de sua suposta juventude frequentando ambientes projetados pra pessoas com a metade da idade delas, tranjando indumentária com o mesmo público-alvo. É bastante fácil identificar uma Cougar – sempre que o DJ der um relapso e tocar um remix de alguma velharia tipo Bee Gees ou o próprio Abba aí acima, você ouvirá gritos estridentes das Cougars, alegremente anunciando pra todo mundo que essa é a música favorita delas, e que elas realmente estão há poucos anos da terceira idade.
Uma Cougar dançará a esmo até encontrar um “garotão” que ela talvez possa convencer a levar pra casa na van familiar dela, sem dúvida ainda equipada com cadeirinha de bebê e tal, e estuprar violentamente pra depois comentar com as outras amiguinhas cougars no melhor estilo Sex And The City. O que suas vítimas provavelmente não pararam pra pensar antes de cair na lábia de uma cougar é que ela provavelmente tem idade pra ser sua mãe, um pensamento extremamente assustador e anti-tesão.
Via de regra? Evite.
Os Menores de Idade
Essa raça não é tão comumente vista como as anteriores, mas de vez em quando os seguranças do lugar são mais desleixados e deixam um ou outro escapar de seu crivo, e você acaba vendo alguns espalhados pelo clube. Os menores de idade se dividem em dois subgrupos – os que REALMENTE são menores de idade e que se valem das similaridades físicas com irmãos mais velhos pra se apoderar de suas identidades, ou a turma que foi amaldiçada geneticamente com a sina de aparentar ser cinco anos mais novo do que realmente é, como meu irmão. De uma forma ou de outra, os Menores de Idade sempre parecem totalmente fora do seu meio quando estão numa boate.
Seja a expressão facial que demostra total deslumbramento com a idéia de estar num clube noturno, ou o fato de que você sabe que o moleque tem até mais chances de dançar com uma gostosa porque elas geralmente gostam de tirar onda atiçando a pirralhada, os Menores de Idade conseguem ser quase mais odiáveis que os Nightclub Douchebags. Pise em cima se tiver a oportunidade.
Na pior das hipóteses, você dará uma boa história pro pivete contar pros amigos de escola no dia seguinte.
A Gordinha
Uma boate pode ser basicamente definida como um lugar onde todo mundo tenta ser algo que não é. Seja os Douchebags tentando pagar de riquinhos, as Cougars tentando parecer vinte anos mais jovens, ou os Menores fazendo o exato inverso disso, todo mundo num clube noturno está usando sua versão “new and improved” deles mesmo. Até mesmo eu sou suspeito pra falar, afinal de contas, dançando abraçado com a namorada eu estou – mesmo que involuntariamente – deixando meu traje de nerd jogador de Magic em casa.
Acontece que entre todos esses camaleões sociais, um grupo é o mais insindioso. Muito mais perigoso e sombrio. Estou falando, é claro, da Gordinha.
O primeiro truque da Gordinha é o decote (infelizmente não presente na foto acima). Sabendo que seus avantajados melões são essencialmente a única parte atraente de seu corpo, a Gordinha investe totalmente nesse ângulo de ataque. Usando blusinhas que foram projetadas pra comportar seios infinitamente menores, a Gordinha prepara suas tetas de forma que elas acabam se amontoando até encostar no seu queixo. Elas fazem isso porque conhecem um detalhe importante da mente masculina – somos seres simples, de fácil entretenimento, que não conseguem focar sua atenção no quadro geral após terem visto alguma parte feminina de interesse. A idéia é camuflar o resto do corpo asqueroso e indesejado oferecendo uma isca visual.
E funciona.
Assim que você entra no clube e esbarra com uma Gordinha, a visão de seu decote (que parece tão estruturalmente inseguro que dá a impressão que a blusa dela está prestes a explodir e espalhar peito gordo por todo lado) é hipnótica. É a PRIMEIRA coisa que vamos notar, e uma visão geralmente cuidadosa, demorada, que obscurecerá o resto do corpo. É assim que funciona o truque.
Demora um tempo até que você consiga escapar da ilusão e enxergar a realidade. Quando finalmente enxergo a Gordinha por trás do decote, praticamente aponto pra ela com um sorriso maroto e digo pra mim mesmo “Haha, me pegou ein?”
Gordinhas são a personificação do desespero. Alguns biólogos têm dificuldade de identificar sua classe alimentar - às vezes são identificadas como predadores, ativamente caçando algum desavisado/míope pra saciar sua frustração sexual. Já alguns estudiosos declaram que as Gordinhas são animais de carniça, se aproveitando dos restos dos rapazes que já foram rejeitados por outras meninas, ou que já estão em tamanho estado etílico que suas faculdades visuais se tornaram comprometidas, tornando-os completamente indefesos aos avances da Gordinha. Pra apaziguar os debates, convencionou-se que Gordinhas são seres onívoros, ou seja, elas atacaram praticamente qualquer coisa que der bola. A julgar pela sua circunferência, “onívoro” (ou seja, um ser que come de tudo) parece ser realmente a classificação correta.
Mal posso esperar pra ir na boate semana que vem.
Indy’s Back, Bitches!
Escrito por Kid on Feb 14, 2008
Se há um benefício absolutamente inegável de ser uma criança dos anos 80, foram as inesquecíveis trilogias cinematográficas daquele período. Back to the Future, Star Wars, Die Hard, Beverly Hills Cop, Rocky, Rambo… foram muitas contribuições marcantes. Por motivos que eu posso apenas suspeitar se tratar de “alguém precisa de mais dinheiro pro seu hábito de cheirar pó”, as estrelas sexagenárias que protagonizaram aquelas séries começaram a sair de seus asilos pra filmar a quarte parte de suas sagas. Nem vou entrar nessa discussão filosófica a respeito dos critérios artísticos (ou falta dos mesmos) empregados nesse tipo de sequência que alguns gostam de tachar de caça níqueis.
Sinceramente, eu não poderia me importar menos com isso. Ainda que os motivos por trás da produção dessas sequências de filmes clássicos envolvessem rituais demoníacos em que filhotes de cachorrinhos fossem injetados com vírus HIV, triturados em liquidificadores e em seguida transformados em carne moída pra uma escola de órfãos, eu não poderia culpa-los. E sabe por quê? Porque todos esses cachorrinhos morreram por uma boa causa. Indiana Jones estará de volta às telonas.

O filme sai dia 22 de maio, e aí está o trailer. E aquela história do Harrison Ford se recusar a filmar a película a menos que ele pudesse empunhar o icônico chicote que tinha sido vetado por questões de segurança? Eu não faço a mínima idéia de que fim levou essa história. Eu não esperava que o estúdio cedesse aos desejos do ator. Afinal de contas, o filme é dirigido pelo Steven Spielberg e tem produção executiva do George Lucas, dois cineastas que, se tivessem a oportunidade, substituiriam qualquer coisa num filme (atores, sets, copos dágua, roteiro) por dublês digitais dos mesmos, sem economizar no antialiasing nem lense flares.
Me surpreendo muito que não fizeram um boneco digital com a imagem do Ford de trinta anos atrás pra estrelar na parada. Afinal de contas, Harrison Ford é atualmente mais velho do que Sean Connery era quando o último interpretou o pai do primeiro em The Last Cruzade. Tente imaginar o Sean Connery sendo o protagonista naquele filme, fazendo acrobacias com um chicote e esmurrando nazistas. Mais complicado, né?
Agora me dêem licença pra ligar pro meu pai e dar as boas novas pro véio. Ele não é tão antenado nesses lançamentos como nós, nerds que recebem internetemente os anúncios sobre o início dessas produções meses antes delas começarem. Ele não deve fazer a menor idéia que esse filme estava sendo produzido, essa notícia será como um Natal adiantado pra ele – assim como Die Hard 4 e Rambo 4 foram há pouco tempo.
Fatman
Escrito por Kid on Feb 14, 2008
Não é segredo pra ninguém que tenha visto minhas fotos no orkut eu não tenho mais a forma que tinha há alguns anos. Não se engane; eu continuo sendo o mesmo nerd franzino que sempre fui. Acho que nunca pesei mais que 60 quilos em toda a minha vida. Como meço 1,73m, ainda estou abaixo da triste média que te daria o direito de me chamar de balofo, tudo em caps se preferisse. Ou seja, ainda não tá batendo nenhum desespero que me leva a malhar dezoito horas por dia ou mudar pra uma dieta constituida inteiramente de folhas de alface e água.
Apesar disso, a minha região abdominal começou há alguns meses a exibir uma notável circunferência adiposa. Do tipo que você dá um tapinha só pelo prazer de observar a energia se dissipando ao longo da banha, saca? Claro que você sabe. Tu é provavelmente um saco de banha que pesa o triplo que eu peso.
Há vários fatores que eu posso culpar (ao invés de admitir a culpa). Um deles foi a minha vida no Canadá. Não sei se é um fenômeno notado por vocês aí, mas todo mundo que imigra pro exterior passa a ganhar peso. Eu averiguei isso investigando os orkuts das centenas de intercambistas que eu conheci em meus quase cinco anos vivendo no hemisfério norte – todas eram até mesmo consideravelmente gostosinhas antes de vir estudar aqui. A diferença após poucos meses é bem perceptível.
Por morar aqui, o acesso a fast food é muitíssimo mais constante. No Brasil eu comia no McDonalds talvez três vezes por mês. Houve uma época – os quase seis meses que trabalhei no Wendy’s – que eu comi fast food TODO SANTO DIA, ocasionalmente mais de uma vez por dia. Aquele emprego deve ser inteiramente responsável pela minha barriga atual.
Então eu decidi que não posso continuar com esse estilo de vida. Cortei fast food COMPLETAMENTE. Passei a almoçar no Subway há algumas semanas, na esperança de que essa redução na ingestão das gororobas gordurosas estenda minha vida em alguns anos. Mas aí percebi que isso não é o bastante. Como eu trago várias caixas de latinhas de refrigerante pra casa quando faço compras, ainda estou ingerindo diariamente muito açucar que virará mais gordura na minha pança. Então, estou de saída pro supermercado pra comprar V8, um suco de frutas e vegetais que é o preferido pela turma do movimento “alimentação natureba”. Comprar um suco industrializado como parte de um movimento de alimentação natureba parece um contra-senso, mas lembre-se que eu moro na América do Norte; isso é o mais próximo de dieta saudável que os caras praticam.
Então eu abri mão de hamburgers, refrigerantes, E comecei a malhar. ”Malhar” é um termo que estou usando aqui num sentido bastante amplo, porque eu tenho certeza que muitos vão rir da minha cara quando eu confessar que minha rotina de exercícios se limita a cinquenta abdominais e cinquenta flexões. Patético, eu sei, mas levem o contexto em consideração. O máximo de exercício físico que eu costumo fazer é jogar bateria em Rock Band. Se eu conseguir manter a disciplina e me manter afastado das comidas gordurosas e açucaradas, essa curta bateria de exercícios me impedirá de me transformar neste sujeito num futuro próximo.
Este sujeito não está apenas perfeitamente satisfeito em ter transformado o próprio corpo num repugnante saco de banha com pernas que misteriosamente aprendeu a falar e operar um computador. Oh, não. Pra se sentir realmente um ser humano realizado, o cara faz questão de exibir sua triste figura pra milhões de usuários da internet. E pra maximizar o impacto psicológico, o cara ainda se mostra desempenhando justamente as atitudes que o tornaram essa tristíssima imagem. Nesse vídeo ele ingere cinco cheeseburgers duplos, em outro ele come uma caixa inteira de sorvete, regado a uma garrafa de dois litros de refrigerante. E tem muito mais sebosidade no perfil do youtube do infeliz.
Como é que alguém se permite chegar ao ponto em que ele não apenas tem desenvolve man titties (tetinhas masculinas no bom português), mas elas ainda por cima se estendem além do tórax do sujeito e dão uma volta no torso do cara, chegando nas costas?! A voz do coitado sugere que ou ele é vítima de poderosos problemas mentais, ou que ele mal consegue funcionar como um ser humano comum diante a visão de comida. O cara perde sua humanidade e age como se fosse um orc esfomeado. Simplesmente asqueroso.
Se isso não te serve como inspiração pra torcer o nariz sempre que ouvir a palavra “McDonalds”, nada mais servirá.
Duck Tales
Escrito por Kid on Feb 12, 2008
Normalmente eu tento escrever um textozinho tentando ser engraçado a respeito dos vídeos que eu posto como Bobagens Internética do dia.
Acontece que não há nada que eu possa falar perto desse vídeo que soe engraçado (não, isso não é desculpa pra preguiça. Se fosse eu admitiria abertamente). O vídeo por si só é sensacional, qualquer tentativa de fazer gracinha perto duma obra prima internética dessa soará fraca.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
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