Estupro bestial
Escrito por Kid on Dec 7, 2007
Notícias de gente enfiando o Wiimote na parede/TV/cara da namorada enquanto jogava uma acirrada partida de WiiTennis eram previstas antes do lançamento do console, e as profecias se concretizaram em tamanho número que esse tipo de acidente já virou até lugar comum. O que ninguém imaginava nem em seus piores pesadelos é que jogar Wii te deixa suscetível a estupro bestial.
Se não rodar, clicaqui.
Vou te falar, eu até tentei sentir pena do moleque. Acontece que graças às minhas experiências como picolezeiro e assustador de Halloween, eu me tornei extremamente preconceituoso contra moleques gringos mimados, e esse pivete do vídeo parece se encaixar perfeitamente no perfil.
Ao menos uma importante lição foi aprendida. Qualquer pessoa que se preste a colocar um jogo da Ubisoft em seu Wii merece ser estuprado por um cachorro.
Disclaimer naquelas: Eu sei que você, você e você aí atrás também já viram o vídeo. Lembrem que tem gente que não acessa internet todo dia.
Escrito por Kid on Aug 2, 2007
Como vocês já me ajudaram a tomar decisões profissionais no passado (peguei os bicos de picolezeiro e de assustador de Haloween graças ao apoio moral online de vocês), nada mais lógico que expor meu mais recente dilema trabalhístico pra galera, na esperança que um monte de nerd vagabundo como você aí tenham uma perspectiva melhor pro meu problema.
Seguinte, hoje foi oficialmente meu último dia no Wendy’s. Despedidas e lágrimas à parte, eu recebi uma notícia interessante da mulé que me contratou (que por sinal tem a minha idade e é gostosa pra caralho): Uma vaga nova abriu no mesmo setor onde eu fui contratato – “oficial de segurança”, um nome chique pra “guardinha sem moral, distintivo ou arma de fogo”. O salário?
Quase 1300 dólares POR SEMANA. Quase inacreditável, mas é isso aí. 18 dólares por hora, 12 horas por dia, seis dias por semana. Faça as continhas.
Tirando essa jornada de trabalho insana, parece um emprego caído do céu. Porra, mais de 5 mil dólares pra fazer segurança de um prédio? Ainda por cima num lugar pacífico como o Canadá?
Aí vem o problema, claro, porque pobre nunca recebe boa notícia sem uma pegadinha por trás. O trabalho não é em Calgary. O lugar se chama Crow’s Nest Pass, fica há três horas de distância do meu não-tão-novo lar, e pelo que ouvi falar é uma cidade totalmente fodida. A empresa vai pagar o transporte da turma pra lá, a estadia num hotel qualquer, a alimentação (quatro refeições diárias de até 30 dólares serão cobertas pela empresa), e eles dão até um bonuzinho mixuruca pra lazer. Deve ser uma bobagem de tipo 100 dólares por semana, mas é dinheiro grátis de qualquer forma. Eu precisarei ficar lá por dois ou três meses. A mulé perguntou se eu poderia ficar mais tempo se fosse necessário, porque a última turma que foi enviada pro lugar tá lá desde março e ainda não voltou.
Eu até poderia trazer a namorada, mas aí gastaria uma pequena fortuna mantendo-a lá, já que a empresa cobriria apenas as minhas despesas. E ainda que eu a levasse, a coitada passaria seis dias por semana sozinha sem ter o que fazer no hotel, a não ser que arrumasse um emprego qualquer por lá durante esses 2-3 meses. E eu teria que me contentar a passar 6 dias por semana trabalhando literamente o dia inteiro, e passar os fins de semana (ou melhor o DOMINGO) em casa na frente da TV, já que nem notebook eu tenho e não vou empacotar meu PC todo só pra poder acessar internet lá uma vez por semana.
Maaaaaaaaas, 1300 dólares por SEMANA. Isso é muito mais do que boa parte de vocês devem ganhar num mês inteiro aí. Pra uma bela comparação nerd, eu poderia comprar dois PS3 POR SEMANA, minha gente.
O que eu devo escolher, dinheiro ou vida social? Você decide!
Escrito por Kid on May 26, 2007
Porra, hoje eu até tinha uma boa desculpa pra me isentar de atualizar a bagaça (meu vizinho/colega de trabalho tá dando uma sensacional festinha), mas promessa é promessa caralho. Um post por dia, nem mais nem menos.
Sabe de uma coisa? Disseram-me muitas, muitas coisas quando eu era criança, e boa parte desses conselhos foram totalmente dispensáveis ou simplesmente eram o tipo de coisa que eu descobriria por mim mesmo um dia. Como por exemplo o aviso alertando sobre desmontar uma lanterninha LED que eu tinha nos meus 13 anos e enfiar os cabinhos dela na tomada. Mas coisas realmente importantes ninguém conta pra gente. Como por exemplo, o fato de que quando você finalmente precisa pagar contas, o mês passa muito mais rápido. Vocês já perceberam isso? Juro por deus que a impressão que eu tenho é que a conta do celular chega de 10 em 10 dias.

Cento e trinta e dois dólares de conta médica. Porra, tudo que eu fiz foi visitar o doutor pra que ele me receitasse alguma coisa pra ajudar a dormir. Tudo bem que a conta cobre três meses de hipotético uso dos recursos hospitalares, mas isso realmente vale 132 dólares? Eu poderia ter ido no FHBD e postado um tópico dizendo “caralho, não consigo dormir, ajudaí plz” e eu teria obtido uma resposta como “bate umas punhetinhas aí que você dorme rapidinho”. Não é exatamente o procedimento clínico padrão, mas o resultado seria similar e eu teria uma centena de dólares a mais no bolso.

CENTO E TRINTA PAUS de conta de celular. Taquepariu. Se eu estivesse ligando pras Ilhas Fiji seria justificável, mas tudo que eu faço com essa porra de celular é mandar mensagens pra namorada durante o expediente, e levar bronca por mandar mensagens durante o expediente. Nem valeu a pena ter pego o plano mais fodão, com acesso à internet, MSN, previsão do tempo, emulador nativo de PS2 e sei lá mais o que. Hoje começo a pensar que, por 130 dólares mensais, um celular não é exatamente tão necessário. Eu poderia comprar um helicóptro novo por mês com essa grana.
Não é de hoje que eu confesso que ando muitíssimo decepcionado com essa vida adulta. Quando eu era moleque e pegava cinco reais, 100% daquele valor era gasto comigo mesmo. Uma hora na locadora jogando Super Mario World, um pastel de queijo com orégano na escola, um refrigerante no shopping, e talvez um saquinho de bolinhas de gude. Aproveitamento total das minhas finanças. Nada de impostos nem aluguel nem conta de celular nem porra nenhuma. Hoje eu tenho em meu poder um valor literalmente milhares de vezes maior do que aqueles cinco reais, mas eu acabo aproveitando de menos de 50% dele.
Acho que o problema é que dinheiro tem um significado muito diferente após você adquirir o que você queria tanto. O celular, por exemplo, parecia absolutamente indispensável quando eu não tinha um. Essa noção mudou no momento que eu abri aquele envelope da Rogers Wireless dizendo “OI TUDO BOM MANDE CEM DÓLARES PRA GENTE OBRIGADO”.
E isso dá uma frustração do caralho. Parece que a quantidade de dinheiro é sempre equivalente ao número de planos aquisitivos que você faz pro mês. Quando eu era picolezeiro e ganhava menos de um quarto da grana que estou fazendo agora, eu conseguia comprar as bobagens que eu queria, mas nada muito exagerado. Agora que estou num trabalho consideravelmente melhor, minhas posses materiais acompanharam a evolução, e a grana continua servindo apenas pra comprar o básico, sem maiores extravagâncias. Se eu não me lembrasse que esse “básico” aumentou bastante, a impressão que eu teria é de que continuo ganhando a mesma quantia de outrora – o que é frustrante pra cacete.
Debater números é meio maçante mas pra vocês terem uma idéia da situação, eu recebo meu pagamento a cada duas semanas. De cada cheque, uns 400 dólares nem passam pelo meu bolso. Aluguel + impostos + contas tomam essa parcela da minha grana. Aí eu sempre digo pra mim mesmo “ok, dessa vez vou economizar e pôr alguma grana na poupança. Aí acaba chovendo e eu pego um taxi, ou passo na frente de um restaurante e a namorada puxa meu braço com aquele olhar desgraçado que nos pega de surpresa e não permite a elaboração de uma desculpa razoável, ou a loja da esquina tá fazendo liquidação de estoque e eu ainda não tenho um iPod Video, ou a Toys R Us está vendendo aqueles sensacionais helicóptros que eu sempre quis… E o plano de economizar dinheiro vai pro espaço.
Bah. Economizar dinheiro pra QUÊ? Eu já tenho meu helicóptro.
Escrito por Kid on Jun 23, 2006
O fim de semana se aproxima, e você já está bolando formas de convencer sua mãe a te dar os dez reais que você precisa pra pagar o ingresso do XI Congresso de Pessoas que Usam o Google Como Corretor Ortográfico. E é nesse é o momento que você ergue as mãos aos céus e amaldiçoa a própria sorte pelo fato de que você não tem um emprego, e também porque a Convenção não reconhece uniões estudantis e portanto não aceita meia-entrada.
Por mais que eu quisesse postar sobre trabalho (e ultimamente eu queria mesmo, você precisava ver), eu sempre chegava à inevitável conclusão de que escrever sobre trabalho num blog endereçado a vagabundos é como discutir sobre os efeitos especiais de Matrix Revolutions com um caco de telha. Calculo que enquanto 60% de vocês nunca trabalhou, 34% encontra-se tentando fugir de oportunidades de emprego que se formam perigosamente no horizonte, 28% não perceberia que as porcentagens nessa frase estão errada se eu mesmo não dissesse isso, e os dois últimos de vocês se preparam pra comentar dizendo que trabalham sim, e que eu deveria saber disso porque você já havia mencionado seu trabalho em outros comentários que eu provavelmente nem li.
Já que vocês têm tanta experiência de trabalho quanto um PSP tem bons jogos, darei alguns conselhos inúteis e comentários pertinentes baseados nas minhas próprias aventuras pelo impiedoso mercado de trabalho.
A primeira e única coisa que você precisa saber é que todo ser humano neste planeta absolutamente odeia o próprio emprego. Não pense por um momento que atores pornôs, beta-testers de jogos da Blizzard ou até mesmo picolezeiros são exclusões da regra – se você precisa fazer alguma coisa para receber dinheiro, e chamemos essa “alguma coisa” de X (sendo X um número real diferente de zero), você odiará X com todas as forças que as leis da física permitam.. E não é à toa, já que X é o que torna sua vagabundagem incompatível com o seu amor pelo dinheiro.
Se você pensou em dizer que não odeia seu trabalho, é porque é inocente demais pra supor que minha teoria não tem corolários e outras artimanhas que me permitem corrigi-la de pronto sem jamais precisar admitir abertamente que ela estava errada. Ou isso, ou você está acessando o HBD do trabalho e tem medo de expressar sua opinião verdadeira porque sabe que será impossível esconder seus planos de explodir o prédio da empresa uma vez que todos conhecerão seu ardente desejo de ver todos seus amigos (e inimigos) de trabalho amontoados numa massa disformes de defuntos em chamas.
O que eu quero dizer é que, se você não odeia seu emprego, é apenas uma questão de tempo.
Não posso falar muito sobre os supostos trabalhos de vocês, então explicarei detalhadamente o que e por que eu odeio meu emprego.
Como todos devem saber, vendo picolés pra sustentar meu vício de McDonalds, brinquedos tecnológicos e jogos eletrônicos. De uma certa forma, vender picolés no Canadá é quase como vender gelo pra esquimó (e obrigado ao Pedro por me dar essa analogia que eu uso tanto). O lado bom do trabalho é que ele me dá uma chance de fazer algo que normalmente evito de qualquer forma – me exercitar. É quase como se eles estivessem me pagando pra que eu me mantenha em forma. Uma academia ao contrário.
As vantagens que me permitem tolerar o trampo ficam por aí. Os outros aspectos do trabalho, eu apenas odeio mesmo.
Em primeiro lugar, trabalhar com crianças é um inferno. Não um inferno qualquer como o de Dante, e muito menos como o falsamente propagandeado no filme O Inferno de Dante, mas um inferno especialmente cruel onde demônios de 12 ou 13 anos de idade que têm como passatempo te espancar com lancheiras de Pokemon recheadas de pedras. Não sei exatamente o que eu odeio mais – a gritaria desesperada que todas as crianças de uma rua fazem quando me vêem, os 50 minutos que eles demoram pra decidir que sorvete eles querem, ou o fato de que eu não posso calar os infelizes na base de tapas como eu gostaria. A impotência diante da gurizada me dá uma leve tristeza.
Em segundo lugar, o pagamento fuleiro. Não me levem a mal, com o pagamento de um dia de trabalho (eles pagam todo dia), eu compro qualquer jogo de Nintendo DS que eu quiser, mas pros padrões canadenses isso é o equivalente a trabalhar num porão chinês costurando Nikes falsificados a cinquenta centavos por dia. Meu emprego é uma bosta no que diz respeito a pagamento porque eu só recebo por comissão. É, negadinha. Teoricamente eu poderia trabalhar o dia inteiro e não receber nada. Tá, nunca aconteceu, mas eu preciso de motivos pra justificar as desculpas que dou toda semana pra faltar o trabalho pelo menos duas vezes.
Em terceiro lugar, e como não podia faltar, eu absolutamente odeio a chefia da Frosty Freeze. São dois sócios – Sean (ou Shawn, há duas grafias pro mesmo nome e eu não sei qual é a dele) e Joe. Joe é um cara gente finíssima, do tipo que você talvez até pagaria a entrada dele no cinema se ele tivesse esquecido a carteira em casa ou algo assim. Mas o Sean/Shawn, ahh, este sujeito é um excelente exemplar de filho da puta. O cara aparenta estar sempre de mau humor, costuma falar mal de alguns empregados quando estes não estão no escritório, e o pior de tudo, ele é fã de Ivete Sangalo (isso mesmo, você leu certo) e faz questão de ter os CDs da mulé tocando no escritório sempre que possível. Ou seja, sempre.
E acima de tudo, a chefia é exigente. Outro dia o Sean/Shawn/Xon tava me enchendo o saco porque alguém ligou pra reclamar que eu estava andando rápido demais numa determinada rua – no futuro, lembrarei de reduzir minha velocidade atual de dois quilômetros por hora. Este filho da puta (o que ligou, e não o Xon. Mas ambos dividem um patamar semelhante de filha da putice) decidiu que valeria a pena ir atrás do telefone do escritório da Frosty Freeze e registrar uma reclamação formal contra a minha honorável pessoa simplesmente porque ele decidiu que vencer os 10 metros de distância que nos separavam seria um favor muito grande a se pedir.
- Ô Izzy, não quero ouvir mais esse tipo de reclamação, beleza? Da próxima vez, ande mais devagar.
- Xon, o único motivo pelo qual eu andei um pouco mais rápido hoje é porque eu tava usando uma camiseta preta, o sol tava a pino e a rua desse sujeito não tem árvores. Eu estava cozinhando lá. Só apressei o passo até encontrar uma sombra.
- Bom, não podemos fazer nada em relação ao sol. Você tem que andar devagarzinho mesmo assim.
Me deu vontade de mandar o desgraçado pra puta que pariu. Oh, me desculpe por não querer fritar embaixo do sol do meio dia dentro de uma camiseta preta enquanto o pequeno Billy gasta meia hora decidindo se quer o sorvete que me renderá 30 centavos, ou o que me renderá 25 centavos.
…
Mas hey, ter dinheiro faz a diferença entre sair da EBgames de mãos vazias, ou sair de lá com dois jogos novinhos pro DS.

A propósito, alguém aí quer jogar Mario Kart online, ou vocês pobres lascados não têm routers wifi?
Venham vender picolé aqui.
Escrito por Kid on Sep 22, 2005
(É post grande que vocês queriam, né? Então toma.)
Ok, deixa eu começar a contar a história do começo.
Ontem foi o último dia no trampo de sorveteiro. Últimos dias sempre têm aquele melancólico ar de despedida, ontem não foi diferente. Pra celebrar o fim da estação, instaurou-se o maior clima de festa no escritório: havia balões, música, chefe contando piada e tirando onda com os recém-ex-funcionários e muita comida grátis. Rolou até distribuição de prêmios e tal (eu ganhei a coleção completa de Matrix, com 10 DVDs e um busto do Neo. Fotinha aqui procês quando o prêmio for entregue no domingo, no pique-nique anual da empresa).
Então. Dei tchau praquela galera e voltei pra casa, com o coração meio apertado. Sou uma bichinha mesmo, despedidas me deixam bolado. Lembrei de quantas vezes eu tava lá na minha rota, olhando impaciente pro relógio, esperando que nove horas chegassem logo para que eu pudesse me mandar dali. Percebi subitamente que vou sentir falta de trabalhar como picolezeiro.
Cheguei na minha residência à meia noite, e passei a me arrumar pra encarar a segunda jornada de trabalho. Dei a passada obrigatória na internerd, conversei com alguns amigos, xinguei alguns inimigos até que o meu chefe apareceu aqui pra me levar.
O trabalho era aparentemente simples: limpar restaurantes durante a madrugada. Assim sendo, eu imaginei que não precisaria de muitas instruções da parte do chefe.
Acontece que o cara MAL FALAVA COMIGO. David era um nigeriano extremamente mal educado e sem o menor tino social. Nas poucas vezes que o cara se direcionava a mim, parecia que tava com medo de falar, sei lá que porra aquele negão tinha. Soma-se a isso o sotaque simplesmente horroroso dele; cada frase dele era acompanhada por um “Uhn, excuse me?/I beg your pardon?/Say that again?/Nigga, what the fuck did you say?” meu. No começo eu encarei como um emocionante desafio linguístico. “O que diabo esse negão está tentando me dizer?!” Duas horas depois, decifrar o inglês dele se tornou um estorvo.
Mas beleza. A intenção era ganhar dinheiro, e não fazer amizade com o cara. Aceitei o infortúnio resignado e passei a sonhar com as doletas que seriam recebidas no fim do expediente.
E foi aí que começou a putaria. Claro, se a história envolve a mim, há de ter algum tipo de putaria. É praticamente uma lei científica.
Interpelei o David três vezes a respeito do salário por telefone, e duas vezes pessoalmente. Sempre que eu mencionava isso, o cara dava uma enrolada SAFADÍSSIMA, tipo “erh, ahn, tipo, hmm… a gente acerta isso depois“. Meu desconfiômetro apontou valores astronômicos; coisa boa eu não devia esperar de alguém que repetidamente se recusava a dizer a um empregado quanto ele deveria receber. Mas beleza, imaginei que ele ia primeiro avaliar meu desempenho pra depois dizer quanto eu mereceria arrecadar. Achei justo até, embora posso garantir agora que isso era uma forma minha de tentar autenticar uma atitude safada da parte do negão.
Primeiro ele me levou a um restaurante aqui perto, só pra pegar uns outros trabalhadores e levar pra outro canto. O cara controla uma verdadeira máfia de sub-empregados. Entramos todos na van dele e nos dirigimos a um segundo restaurante onde os escravinhos trabalhariam. Pra não dizer que aquela noite foi uma perda de tempo completa, David passou no McD’s e pagou um lanche pra mim e outro maluquinho lá. Insisti em pagar meu lanche, mas ele não aceitou. Até a forma de dispensar meu dinheiro foi meio estúpida. “Esse cara deve ter sido abandonado pela mãe e criado por cactos“, pensei.
Não tinha nem terminado o primeiro dia com o sujeito, e eu já não via a hora de pedir demissão.
Aí veio o choque – o maluco do banco do passageiro vira-se pro David e chama-o pelo título de PASTOR. Ficou revelado em uma conversa posterior que ele é pastor evangélico de uma congregação qualquer sem importância. E eu escolhi justo esse dia pra usar uma camiseta do Slipknot, ou seja, fui ouvindo sermão (sempre num inglês aleijado) durante todo o caminho do restaurante onde eu trabalharia. O suéter estampado com o Marilyn Manson não saiu mais da mochila.
E olha que eu já não era muito fã do cara. A essa altura, eu já tava realmente triste por causa do trabalho de sorveteiro ter acabado.
Chegamos no outro restaurante, que era EM OUTRA CIDADE, MAS O PUTO JAMAIS ME DISSE. Descemos, descarreguei o equipamento – sim, ele me fez carregar tudo sozinho. Carinha sem vergonha. – e começamos a limpar o lugar. Era uma pizzaria de beira de estrada.
De cinco em cinco minutos o carinha vinha verificar se eu estava fazendo tudo certinho, Apontava um lugar no carpete que eu não tinha aspirado direito. Reclamava que eu não puxei as mesas pra aspirar embaixo direitinho. Basicamente, ficava sobrevoando meu ombro e analisando tudo que eu fazia, e disparando trinta críticas por segundo em tempo real. Senti mais saudade ainda do trabalho de sorveteiro, daquela liberdade de ficar passeando por aí com a bicicleta e fazendo o que eu bem entendesse, sem a pressão da presença da chefia.
Eventualmente o negão lembrou que não tinha ido junto comigo só pra encher o saco, e começou a trabalhar também. Foi aí que o negócio piorou.
Cabe uma explicação antes:
Quem me conhece sabe que eu sou incapaz de acordar depois de nove horas da manhã. No dia anterior, eu havia acordado às oito, e ido trabalhar às três da tarde. Voltei ao escritório às 9 da noite, rolou aquela festinha já mencionada, e cheguei em casa mais ou menos às doze. Nisso já iam dezesseis horas acordado. Todo mundo precisa de oito horas de sono, ou seja, eu já tava rodando na reserva. E o trabalho com o negão não tinha nem começado.
O cansaço começou a bater forte, mas tudo bem. Decidi encarar a segunda rodada de trabalho.
Acontece que eu não sabia que essa ia durar até as SETE da manhã. Lá pelas 4 AM, eu já não conseguia pensar em nada a não ser minha cama, e na namorada. A sensação foi muito escrota: cansado, em outra cidade, trabalhando sem nem saber por quanto pra um desconhecido escroto… bateu a maior sensação de isolamento, de solidão. Desejei com todas as forças que aquela porra acabasse logo. Queria mandar uma mensagem pro celular da gótica, mas ela estaria obviamente dormindo àquela hora.
Como mencionei antes, só acabei voltando pra casa às sete da matina. Neste momento, meu relógio marca exatamente 9:52, e estranhamente não estou mais com sono.
Quando o cara me deixou de volta no prédio, tava decididaço a ligar pra ele mais tarde e dizer que ele podia enfiar o trampo escravo dele em seu cuzinho preto. Pra minha surpresa, ele acabou me ligando antes, pra me dizer que me daria o pagamento da noite no dia seguinte. Decidi acabar logo com aquilo e falei que não gostei do emprego e que não voltaria mais. O cara ficou putíssimo instantaneamente, e aí mesmo que eu soube que não voltaria a trabalhar pra ele – nem me convencer o cara sabia; a tentativa dele pelo telefone foi bizarramente hostil. O que, imagino eu, é a última forma que você deve usar se quer convencer alguém a trabalhar com você.
Ele disse que me pagaria hoje quando eu fosse trampar, mas como eu falei que não iria e bati o pé, ele não falou mais nada e desligou. Nem sei se o cara vai ao menos honrar a suposta moral que ele deve pregar em sua igreja e me pagar. E não faço questão do dinheiro dele.
Foda-se. Que volte pra Nigéria.
…
E que volte a vagabundagem. Acho bom vocês me manterem mesmo, porque agora tou na mão de vocês :(
Escrito por Kid on Sep 17, 2005
Rapidinhas

Algum de vocês deve ter infiltrado uma rapadura envenenada aqui em casa. Tenho quase certeza.
Tou doentaço desde quinta feira. Febre alta, cinquenta espirros por minuto, noites em claro – tentando assistir pornozeiras inéditas na TV, mas ao invés disso – vomitando profusamente… A macumba foi forte.

Estou 50% mais feliz hoje. Fui a Toronto a tarde e comprei seis litros de guaraná Antártica (GUARANÁ ANTÁRTICA!) e dois pacotes de biscoito Passatempo (BISCOITINHO PASSATEMPO!!~~“11one one one). Gastei mais de vinte dólares, mas valeu a pena. Não suporto biscoitos nem refrigerantes canadenses. Cookies são até bonzinhos (embora enjoem rapidamente), mas alguém aí já tomou Root Beer ou Dr Pepper? Vai ter mal gosto assim na puta que te pariu. Refrigerantezinhos nojentos.

O trabalho de picolezeiro, infelizmente, está chegando ao fim. O lado ruim é que terei que me re-acostumar com a falta de grana; o lado bom é que vou me livrar da gurizada insuportável que não sabe fazer contas e tenta comprar sorvetes de três dólares com duas moedas de 25 centavos.
Preparei alguns posts sobre os dias de labuta. Aguardem.

E falando em trabalho, Halloween tá chegando. Quem lembra das putarias aprontadas no ano passado? Isso sem falar na grana. Quase 500 dólares por duas semanas de “trabalho” – assustar crianças três horas por dia pode ser considerado trabalho? – é formidável demais da conta.
Mal posso esperar.
Escrito por Kid on Sep 1, 2005
Vocês me deram o melhor presente que já ganhei na vida, e nenhum de vocês sequer sabia.
Ontem chegou meu sexto cheque do Adsense.

O Google me enviou neste mês impressionantes 326 dólares. Eu já esperava essa quantia, pois confiro minha conta do Adsense todo dia – porém, uma coisa é ver cifras numa página na internet, outra coisa é ter um cheque daquele valor em mãos, de uma grana só sua, ainda por cima saída da internet. Apesar de estar ganhando dinheiro com este site há quase um ano, o conceito ainda me espanta um pouco. Vou ser sincero com vocês: jamais imaginei que um dia ganharia dinheiro com um computador, a não ser colocando o meu a venda. Não tenho nenhum conhecimento informático profundo o bastante pra conseguir dinheiro com isso.
Com o cheque em mãos, corri animado pro banco atrás do meu prédio. No caminho, a única coisa que eu podia pensar era puta que pariu, meus leitores são foda. Se não fosse pelo apoio de vocês, o HBD não seria absolutamente nada além de uma página HTML com uma visita diária – eu mesmo.
Certo, essa rasgação de seda parece coisa de banda que acabou de receber uma premiação na MTV, mas é a pura verdade: o coração do HBD não é este picolezeiro que vos escreve sobre peripécias mirabolantes e vive se metendo em confusões na internet.
O HBD é vocês, os leitores, que gastam alguns minutos do seu dia pra ler essas bobagens que eu posto nesta página. Sem vocês, não haveria um motivo – nem motivação – pra escrever. Vocês me dão o privilégio de ter um público disposto a ouvir minhas idéias, e não apenas isso, mas ainda me pagam por esses textos que eu publico aqui na tentativa de agradar vocês.
Poucos blogueiros podem dizer “porra, meus leitores são foda!“, e me considero um sujeito de sorte por ser um deles.
Recebi esse cheque graças às esmolas generosas de vocês. Vocês fizeram cada centavo dessa grana por mim, e não há como agradecer o bastante. Espero poder contar sempre com vocês.
Cheguei no banco quase sem fôlego nenhum, segurando o cheque com firmeza entre os dedos como se o banco estivesse sendo atacado por um furacão. A reação das balconistas (todas do meu banco são mulheres) é peculiar. Sempre acabo pegando uma atendente diferente, e por isso meu chequinho sempre é visto com muita desconfiança.
Primeiro, ela digita a data no computador. Depois, meu nome. Em seguida, o nome do remetente do cheque…
E nessa ela pára. Põe os óculos, apanha o cheque do balcão, olha com mais atenção. Vira o cheque, examina a parte de trás, levanta à lâmpada pra verificar a marca dágua. Não satisfeita, chama o gerente do banco (esse sim, já conhece meus chequinhos) e só então o processo continua.
A grande maioria das pessoas aqui sequer faz idéia que o Google é uma empresa de verdade.
326 dólares mais rico, segui em direção à loja de informática bem ao lado do banco. E finalmente comprei algo que eu queria há quase um ano.

Palm Tungsten E2. Desde que ganhei aquele Zire 21 da namorada, que é um modelo de palm bem simples, eu queria comprar um mais cheio de firulas. Esse aí faz basicamente tudo que o meu fazia – porém melhor – além de acessar a internet, tocar mp3, vídeos, exibir imagens na telinha de alta definição. O troço tem até uma versões portáteis do Acrobat, Word, Powerpoint e Excel.
Voltei pra casa segurando o aparelho em mãos, ainda não acreditando que adquiri um negócio desses apenas por escrever textos pra vocês.
Não satifeito, peguei parte do dinheiro e fiz um “pequeno” investimento no HBD – comprei um teclado wireless pro brinquedinho, pra poder digitar posts procês em qualquer lugar. Já dá pra escrever textos no palm sem o teclado (aliás, esse post foi inteiramente escrito no trabalho), mas com o teclado é muito mais rápido e confortável. Podem ter certeza que, onde quer que eu esteja, se houver uma superfície plana por perto, estarei escrevendo um post. De preferência, um com menos vírgulas do que a frase anterior.
Acho que é o mínimo que eu poderia fazer.
Muitíssimo obrigado por cada clique que vocês me deram, moçada. É impressionante como um gesto tão insignificante como clicar num banner faça tanta diferença na vida de alguém. Podem ter certeza que, enquanto as esmolinhas estiverem fluindo, haverá posts cada vez mais frequentes no HBD.
Conversando sobre computadores portáteis com alguns leitores, descobri que pelo menos cinco dos meus leitores dispõem de aparelhos similares ao presentinho que vocês me deram. Então, achei que eu poderia me esforçar um pouquinho mais pra agradar esse grupo.
Sempre odiei o fato de que nenhum dos sites que leio têm uma versão para computadores portáteis. Por isso, anuncio o lançamento de uma nova área do HBD. Aliás, não exatamente uma nova área, mas um novo blog.

Layout por Erik
Digam alô ao HBD Pocket, uma versão “enxuta” do blog projetada especialmente para palms. Basta carregar o HTML pro seu aparelhinho e pronto, você poderá sair por aí carregando o HBD no bolso (HBD “Pocket”, pescou, pescou? Rá rá).
Em breve, postarei um tutorial explicando como fazer isso, caso alguns de vocês não saibam. O HBD Pocket será atualizado junto com o HBD oficial, com os mesmos posts, e alguns dedicados exclusivamente ao público usuário dos aparelhos.
E é isso aí.
MUITO obrigado, pessoal.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
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