Homens de Bem
Escrito por Kid on Oct 23, 2008
Mais de uma vez aqui neste singelo website eu falei sobre o fenômeno internético dos Power Rangers Virtuais, termo que eu cunhei quando me pronunciei sobre o assunto pela primeira vez e venho fazendo lobby pra que seja adotado por toda a internet como termo chacotístico oficial.
Pra quem não lembra e tem preguiça de clicar em links, a Síndrome dos Power Rangers Virtuais se caracteriza como um distúrbio psico-social que provoca no portador um estranho senso de responsabilidade em relação à internet. Um Power Ranger Virtual é alguém completamente convencido de que alguém (ele) deveria estabelecer a moral e os bons costumes na internet, afinal, a internet é serious business.
Como o ambiente da web 2.0 tornou bastante fácil colocar uma página no ar pra servir como estandarte pra qualquer coisa, o sujeito dedica então quinze segundos pra criar uma comunidade no orkut ou um blog no Wordpress e pronto – seu grupo agora tem um quartel general e, consequentemente, legitimidade.

Hoje veio a meu conhecimento a mais nova faceta desse curioso e lastimável fenômeno – o grupo conhecido como “Homens de Bem”, que miseravelmente divide letras com a sigla do meu blog.
Leia o resto dessa porra »
Justiça Virtual
Escrito por Kid on Jan 29, 2008
Vocês já ouviram falar na expressão “hivemind”? Hive em inglês significa “colméia”. Mind é o óbvio “mente”. Mente-colméia é o termo aplicado pro fenômeno de aparente organização grupal independente de um líder, algo que é comum em coletivos de insetos como formigas e abelhas. Sacou? Abelhas, colméia. Os bichinhos se organizam e desempenham funções distintas sem a necessidade de instruções ou supervisão. Em outras palavras, é o modelo de anarquia quintessencial que estudantes de filosofia se masturbam só de imaginar funcionando de verdade no mundo real.
Anarquia nunca pareceu funcionar fora de letras de músicas punk, até a chegada desse maravilhoso instrumento que conhecemos como A INTERNET. Porra, existe alguma coisa que a internet não é capaz de fazer? A rede encurtou distâncias, facilitou o acesso à pornografia, provocou terror na indústria fonográfica e, nos dias de folga, destruiu décadas de dogma sociológico trazendo ao mundo a primeira ocorrência real de comportamento complexo não-orquestrado.
Eles se intitulam “Anonymous”, e ocupam uma das mais populares comunidades nerd gringas – o 4chan. Junto com o Something Awful e o Fark, os channers compõem uma das tribos mais conhecida da internet. E o Anonymous é a personificação do grupo.
Esse nome é reminescente da prática de não assinar os posts publicados nos fórum dos caras, um ritual que eles alegam promover pra enfatizar a idéia de que não há um indivíduo reconhecível na patota, são todos o mesmo sujeito, um organismo com uma consciência única formado por diversas pessoas. Bem Borg a parada, levemente assustadora e surreal, mas lembrem-se que estamos falando de uma cambada de adolescentes entediados.
E, aparentemente, adolescentes entediados constituem poder impressionante quando se algomeram em direção a um objetivo em comum. Agindo simultaneamente como Anonymous, o grupo se tornou infame na internet por promover verdadeiras caças-às-bruxas no domínio virtual, que eles consideram propriedade deles. Eles não dizem isso diretamente, mas todo o discurso justiceiro deles carregam um teor forte de “a internet é nossa e agora você vai sofrer por ter feito o que fez”. E eles sofrem.
Qualquer pessoa ou organização que tenha a infelicidade de ser considerada um alvo por Anonymous passa a receber ataques furiosos de todos os fronts possíveis – páginas são hackeadas e removidas do ar, servidores são afogados com DDoS, até o momento que a perseguição toma formas tangíveis - informações pessoais são distribuídas à turba ensadecida, que passa a apavorizar o alvo, a família do alvo, o cachorro do alvo, e qualquer outra criatura que tenha a infelicidade de se associar a ele.
Por isso comparei o grupo ao fenômeno hivemind (também conhecido pelo termo mais pejorativo mob mentality). Sem nenhum tipo de líder, sem qualquer tipo de organização arbitrária convencional, o exército dotado de consciência coletiva se mobiliza em prol do objetivo em mãos. Discussão filosófica à parte (eu sou particularmente contra esse comportamento de fazer justiça virtual com as próprias mãos, algo que eu chamo de Síndrome do Power Ranger Virtual).
Normalmente o Anonymous – ou Anon pros íntimos - se limitam a perseguir grupos virtuais que promovem racismo ou webmasters que se atrevem a provoca-los (estaria eu me colocando na alça de mira dos moleques?), mas essa semana a gangue resolveu destilar seu veneno contra um inimigo bem mais tangível e potencialmente perigoso – a Igreja da Cientologia.
Como esse post já tá muito mais parecido com reportagem investigativa séria, vou me ater à concisão. A Igreja da Cientologia é um culto (ou seja, uma religião de brincadeirinha) iniciado pelo fracassado autor de ficção científica L Ron Hubbard que, entre outras atrocidades contra a raça humana, transformou o outrora bacana Tom Cruise num proselitista religioso attention whore visivelmente insano. A Cientologia é famosa por apelar pra litígio jurídico toda vez que um crítico eleva sua voz contra a igreja, e seus dogmas a respeito da medicina (e mais especificamente a psicologia) moderna chegou ao extremo de provocar a morte de alguns membros. Lisa McPherson é a mais notória.
Recentemente, a Cientologia já gozava o status de alvo de gozação internacional. Aquele episódio de South Park (e a subsequente demissão de Isaac Hayes, cantor cientólogo que interpretava o personagem Chef) apenas atiçou o vozerio anti-cientologia. E, finalmente, a religião se viu às voltas com os nossos amiguinhos Anonymous.
De acordo com o manifesto postado em diversos sites relacionados ao grupo, Anonymous está realmente puto com a influência que os milhares de advogados a serviço da religião exerce sobre seus críticos, e resolveu se responsabilizar pelo maior e melhor orquestrado ataque contra a Igreja Cientóloga.
Primeiro vieram os ataques no campo virtual. Em uma assustadora questão de MINUTOS, aproximadamente trinta sites relacionados à crença cientóloga foram enviados pro limbo. Anonymous finalmente decidou que isso promovia pouco ou nenhuma influência no mundo real, e que a missão de realmente destruir o culto a L Ron Hubbard não se beneficiava com a remoção de meros websites. O que começou como uma piada acabou tomando espaço na mente da garotada por trás dessa putaria toda e a segunda via de ataque foi traçada – uma manifestação global, simultânea, diante dos prédios da igreja.
No momento da escrita desse texto, um tópico no Something Awful que debate o planejamento do protesto ultrapassa as 120 páginas. Usuários de várias partes dos Estados Unidos que nunca se viram na vida projetaram juntos dezenas de cartazes que serão impressos por milhares de outros nerds que também não se conhecem, e no dia dez de fevereiro essas placas serão erguidas em direção aos muros das igrejas e aos olhos de curiosos que estarão passando pela área.
E não é apenas isso. Cartas a respeito dos perigos da Cientologia (e, mais importante, reclamando pela revogação do status de isenção de importo da “religião”) foram redigidas e estão sendo enviadas aos montes a constituintes americanos. Usuários que planejam comparecer a comícios dos candidatos presidenciais americanos nas próximas semanas se imbuíram da responsabilidade de levar o assunto diretamente aos políticos, numa tentativa de conscientizar os futuros líderes da preocupação e ultraje popular em relação à Cientologia.
O movimento é tão maciço que até eu, um negativista convicto do tipo que acredita que as merdas nesse mundo são inerentemente impossíveis de consertar, começo a ver algum tipo de resultado positivo saindo dessa impressionante mobilização. E, lembrando, todo o movimento é completamente não-direcionado. Não existe uma pessoa sequer em posição de autoridade que esteja coordenando a logística da operação. O negócio simplesmente aconteceu.
A organização voluntária de uma massa tão numerosa por si só é algo absolutamente impressionante, como qualquer pessoa que já tentou organizar um grupo de 5 pessoas pra realizar um trabalho de faculdade pode concordar. Se algum resultado positivo sair dessa esculhambação, o negócio será verdadeiramente épico.
Aí vão uns links pra vocês que estejam totalmente ociosos no trabalho e queiram ler mais sobre o assunto, e que incidentemente torna esse artigo mais wikipedia-like:
http://www.whyaretheydead.net/ - Site que fala sobre as vítimas dos dogmas da Igreja da Cientologia
http://en.wikipedia.org/wiki/Project_Chanology - Um dossiê detalhado sobre as ações do Anonymous contra a Igreja
http://www.youtube.com/watch?v=UxWgRY1I_SI - Reportagem involuntariamente hilária sobre o Anonymous
Escrito por Kid on Jan 5, 2006
[ Update urgente que não tem nada a ver com o post ]
Devido a complicações burocráticas relativas à imigração, o processo está dependendo de um documento da Polícia do Estado do Paraná confirmando que nada consta na ficha do meu pai. O problema óbvio é que não podemos arcar com uma viagem até o Brasil só pra resolver isso.
Se você mora no Paraná, tem algum tempo disponível e poderia me ajudar a resolver esse problema SERÍSSIMO (preciso ter esses documentos em mãos até fevereiro), por favor me contate no MSN.
É post longo que vocês queriam, seus putos? Tomaí então.
Lembra quando éramos crianças e passavam na TV aqueles seriados japonês mal filmados sobre um grupo de jovens justiceiros que corrigiam os males do mundo através das milenares artes de “chutar atores coadjuvantes que usam roupas de monstro” e “mexer a cabeça profusamente sempre que estiver balbuciando uma frase, pra que o telespectador saiba qual dos Changeman está falando“?
Dentro de roupas coloridas de lycra – e às vezes um grande robô, que na verdade era outro ator coadjuavante mal pago trajando uma roupa de papelão -, os Power Rangers (ou seja lá qual era o grupo, porque eles eram todos iguais) davam às crianças a ilusão de que, se elas se juntassem num grupo consideravelmente coeso e tivessem acesso a disfarces, elas também podiam lutar contra o mal e as injustiças do mundo. Aliás, se você tiver memória boa lembrará da mensagem do Capitão Planeta (“O poder é de vocês!”), que corrobora minha teoria. Que, aliás, é a única teoria na história da ciência moderna que pode ser corroborada por uma frase proveniente de um desenho animado a respeito de anéis mágicos e reciclagem.
Ou seja: através desses e outros seriados, a televisão nos dava uma certa sensação de importância, de que havia alguma missão maior destinada aos nossos futuros. Que um dia, teríamos nosso próprio grupinho defensor da ordem e bons costumes na galáxia. Na nossa mente infantil, estávamos sendo recrutados na luta contra as terrívels patifarias que assolam a humanidade desde o primeiro dia que alguém chegou pra um amigo e perguntou se ele conhecia o Mário. Mas você não sabia de que Mário ele tava falando, lembra? Poisé, patifaria.
E a mensagem subliminar pegava mesmo. Atire a primeira pedra aquele que nunca se reuniu no playground do condomínio e, com um olhar sério no rosto, sol poente às costas e uma revistinha da Mônica em mãos e proclamou, orgulhoso, “Eu sou o Ranger Vermelho!”
Claro que haviam uns outros quatro moleques que queriam ser o Ranger Vermelho, então a disputa pela identidade do herói acabava sendo disputada no tapa. Mas o que quero dizer é que acabávamos aceitando a missão e “encarnávamos” o grupinho de super heróis, ainda que apenas para correr em volta do estacionamento berrando nomes de ataques místicos contra os outros amiguinhos ou pra jogar pedras nas meninas do bloco 2B.
Alguns de nós acabam passando por aquele período conhecido como “puberdade” e “obtenção de uma identidade pessoal que não derive da incorporação a um grupo cujos própositos nem você mesmo entende“. Quando isso acontece, brincar de ser super herói perde a graça.
Já outros, infelizmente, acabam fazendo faculdade de filosofia e se tornando pseudo-socialistas no processo, do tipo que sai por aí pichando “abaixo o capEtalismo“, com o E obrigatoriamente maiúsculo para que fique óbvio pra todos que o capitalismo é mau – a despeito do fato que a própria latinha de tinta foi adquirida através do sistema capEtalista com E maiúsculo.
Ou então se vestem de preto da cabeça aos pés em pleno Nordeste e se reúnem pra tomar vinho quente no cemitério local enquanto recitam poesias mal escritas a respeito de como a dor envolve o ser humano desde o nascimento, apesar de serem filhos da classe média alta, de frequentar escolas particulares e de terem lares sem complicações.
Marxistas ou góticos, o motivo que leva os mais sugestionáveis a se afiliar a esses grupos é o mesmo: a inerente vontade de “salvar o mundo”, de estar num grupo de super-homens melhores que o resto da humanidade e capazes de salvar-nos, seja do terrível sistema monetário ou da ilusão de felicidade. E assim como os pivetes Power Rangers de outrora, não faltam máscaras – o rapaz que lê Kant briga com o pai pela grana necessária pra comprar um Nike Shox, enquanto os góticos… bem, a máscara dos góticos é menos metafórica. Vocês já viram esses caras? Eles usam maquiagem aos quilos. Máscaras são desnecessárias.
Toda essa enrolação, que a minha professora chamaria de “Desensolvimento da dissertação” (algo que eu sempre pulava. Meu negócio era partir direto pras piadinhas zoando os coordenadores da escola. Independente do tema da redação, alguém seria ridicularizado), é pra explicar pra vocês que algumas pessoas nunca abandonam a vontade de ser um defensor dos oprimidos ou ignorantes, o desejo de ser um Power Ranger.
E alguns deles, tragicamente, acabam levando o comportamento para a interweb. Afinal de contas, se você tem uma característica repulsiva e socialmente inaceitável, por que não agraciar os cidadãos da internet com ela? Como se já não houvessem desajustados o bastante na rede mundial, essa gentinha desprezível trás pra cá o seu sentimento doentio de auto-importância, de missão superior de salvadores da humanidade.
E é sobre esse pessoal que este post fala.
Se isto fosse um tribunal, esta seria a Prova número 1.

Há muito tempo, alguém me mandou o link pra este tópico, na comunidade dos tais Anjos do Orkut (que acredito ter sido extinta). Felizmente, eu havia salvo o screenshot meses atrás, porque sabia que algo hilário como esta mensagem poderia um dia servir como ilustração pra um post do HBD.
Pra vocês que têm uma vida social e que não estão informados a respeito das tendências e lendas do zoológico humano que é o orkut, eu explicarei. Anjos do Orkut são um grupo formado quase completamente por evangélicos e pessoas diagnosticadas pelo SUS como portadoras de síndrome de Down. Pro desespero de muita gente, alguns membros deste sensacional clubinho virtual aprenderam técnicas rudimentares de roubar senhas através de links pilantras. Alguém somou 2 + 2 e a cambada descobriu que poderia usar o conhecimento pra promover uma caça às bruxas no orkut, capturando comunidades consideradas nocivas e espalhando o terror entre aqueles que não conseguem ver a diferença entre www.orkut.com e www.orkut.ig.hpg.com.br/pegador_de_senhas.html.
E assim, o grupo vigilante “Anjos do Orkut” nasceu.
Agora que você já sabe que tipo de projeto de gente fundou essa sociedade, vamos ao âmago da mensagem acima. Se você tiver pipocas aí na sua casa, essa é a hora.
Aliás, precisa destrinchar a mensagem do cara? De forma resumida, o que o sujeito está dizendo é “Gente boa, olha nós aqui! Somos todos hackers perigosíssimos, muito bem treinados por diversas organizações militares, e vamos roubar sua comunidade trangressora, porque é isso que nós profissionais de tecnologia fazemos – passamos boa parte do nosso tempo vigiando comunidades alheias gratuitamente. E o motivo pelo qual fazemos isso é porque pessoas desconhecidas na internet podem, Deus o livre, usar seu direito de liberdade de expressão falar coisas terríveis das quais discordamos, como por exemplo “Odeio o Corinthians” ou “Jesus Cristo não existiu”. Chutaremos vossas bagaças, e não há nada que você possa fazer!“
Não sei você, mas eu me deleito na parte em que o cara deixa implícito que ele vai levar a confusão pro mundo real se necessário, que é especialista em armas e tudo mais.
Se isso não é um exemplo vivo da síndrome de Power Ranger wannabe em ação, eu não sei o que é. Nem as máscaras faltam! A moda entre os justiceiros virtuais é esconder a cara usando imagens que ilustrem fielmente seu ideal heróico, como o Capitão América ou talvez o Butthead. O uso de identidades secretas é obrigatório, porque um Power Ranger online preferiria ter seus olhos dissolvidos com ácido sulfúrico e em seguida ter suas órbitas oculares estupradas por um time nigeriano de futsal do que deixar que seus conhecidos descubram suas verdadeiras atividades na grande rede de computadores. A identidade secreta é um conceito sagrado.
Seria bom se todos os portadores da síndrome de Power Ranger wannabe se mantessem na Anjos do Orkut. Seria mais fácil evita-los, talvez. Não é o caso.

Esse tópico aí foi criado em praticamente todas as grandes comunidades de brasileiros no Canadá após eu ter banido o tal Gerard da minha, por ter repetidamente desrespeitado as regras da comunidade. O sujeito obviamente não entendeu que eu o bani por ter simplesmente quebrado uma regra repetidamente, e saiu alardeando o negócio por aí como se fosse uma grande injustiça da minha parte. Boo-hoo, eu bani uma pessoa da minha comunidade! Mas que coisa, certamente mereço a cadeira elétrica. Como eu, que sou apenas o criador e dono da comunidade, ouso ditar regras de conduta pros membros?!
O mais legal do tópico do rapaz, além do já explicado complexo de grande salvador da pátria e de seu projeto de movimento anti-Kid, é o “O Quide está numa comunidade de cunho racista, obviamente ele é um neonazista e provavelmente se masturba vendo vídeos dos discursos de Hitler!” Com o cara fazendo um formidável papel de abestado por si mesmo, sobra pouco pra eu dizer a respeito dele. Porra, ele pede pra geral parar de me dar atenção POSTANDO ESSE TÓPICO EM CINCO COMUNIDADES DIFERENTES. Tipo, “Combinado, pessoal. Vamos parar de dar ibope pra esse tal Kid. Mas não esqueçam de passar essa mensagem pra todo mundo!“
Mas é realmente um sujeito promissor. Não me surpreenderei quando receber a notícia de que o rapaz ganhou um prêmio Nobel.
Eu gostaria de dizer que a putaria pára por aí, mas infelizmente hoje eu tava sem ter o que fazer em casa (ah, já contei pra vocês que meu PS2 quebrou hoje? Contei agora.) e achei mais isso aqui.
A comunidade Anti-Semeadores da Discórdia é, como você pode ver, um grito de indignação contra aquele terrível bando de internautas que sai por aí provocando brigas no orkut só pra ver as reações exageradas do pessoal que não entende a óbvia piada. De forma deliciosamente irônica, ver comunidades como esta era justamente o meu objetivo quando criei a Semeadores, mas deixemos isso de lado.
O que me perturba neste caso particular de justiceiros online é o fato de que esses sujeitos aparentemente demoraram mais de um ano pra descobrir o meu email, algo que está disponível publicamente no meu perfil no orkut ou no HBD.
(E lembrem-se que a URL do HBD está bem no topo da descrição da Semeadores. Da próxima vez não esconderei-a tão bem.)
Ao finalmente desvendar o complicado código que escondia essa preciosa e potencialmente destrutiva informação (meu deus, eles têm meu EMAIL! Rápido, liguem pro esquadrão antibombas!), eles comemoram a proeza como se tivessem enviado um macaco à lua dentro de uma caixa de papelão lacrada com chiclete e movida a suco de manga.
Pouco tempo após a publicação desse tópico, recebi quatro pedidos de autorização no MSN – o que provou que ao menos alguns deles conseguiram concluir que um email do Hotmail implica em uma conta no Messenger; ponto pra eles.
Três dos que me adicionaram fizeram pouco além de xingar minha inocente mãe, enquanto o quarto tentou travar uma conversa. Tal qual um agente do FBI, o sujeito disse que “já me localizaram”, e que não há nada que eu possa fazer pra impedir que esse grupo de elite tão bem treinado que é o Anti Semeadores da Discórdia destrua totalmente minha vida. Tanto no orkut como na vida real, ele enfatizou. Mas se bem que esse pessoal nunca soube entender a diferença entre um e outro, então eu deveria ter pedido pra ele especificar direitinho.
Não pude deixar de perceber também que o sujeito, seguindo religiosamente a não-tão-nova moda MSNística, substituiu a palavra “orkut” por um gif piscante equivalente. Nada diz “estou falando sério, ein!” como um gif piscante no MSN.
E vou te dizer, você definitivamente não quer mexer com o tipo perigoso de gente que voluntariamente adere a uma putaria dessas. Se eles fazem esse tipo de coisa com a própria dignidade, imagine o que eles fariam com você.
O poder é de vocês, Power Rangers virtuais! Pro alto e avante, a internet precisa de vocês!
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