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O que fazer quando um amigo age como um idiota nas redes sociais?

Postado em 27 novembro 2011 Escrito por Izzy Nobre 0 Comentários

Uma das dicotomias mais fascinantes sobre a internet é que ela tem simultaneamente um imenso potencial pra unir e separar pessoas.

Pare e pense aí: pra cada pessoa gente boa que você conheceu por causa da sua conexão com a internet, facilmente vem à mente uma pessoa escrota com quem você interagiu na web. Dependendo de quem você seja, a proporção pode chegar perto de 1:1 — pra cada amizade, um desafeto.

Há duas explicações pra isso, e eu não sei qual eu acho mais provável.

Momento CIENTÍFICO

A primeira é que a internet realça nossas piores características. Meio como no mundo real, por mais infrequentes que sejam, seus piores hábitos serão mais prontamente lembrados do que suas boas ações. Num exercício curioso de confirmation bias, cada vez que alguém te vê cometendo um ato reprovável (por mais que você seja um cara super gente boa 99% do tempo), a impressão que ele terá é “tá vendo, olha esse cara sendo um filho da puta escroto de novo!

A outra teoria é que a internet como uma entidade praticamente nos incentiva a agir da forma mais escrota possível. A intangibilidade da internet (você não pode ser “demitido” ou levar um soco da internet, que são exemplos de duas coisas que moderam nossas interações sociais no mundo real) e a relativa anonimidade — algo que praticamente morreu com os fóruns e chats, mas ainda perdura de alguma forma — nos elicita a agir de acordo com que a escola Freudiana define como “id”, ou seja, permitindo que nossos impulsos animalísticos mais primais tomem a direção da sua persona virtual.

Um fenômeno que já foi inclusive observado e analisado

Em outras palavras: enquanto na vida real a gente engole sapos em prol da diplomacia/necessidade de manter um emprego duradouro, o seu “eu” digital é uma criança emocionalmente imatura que reage exatamente como ela quer em qualquer situação, já que represálias são estatisticamente improváveis. Na internet não existem filtros impedindo que tudo que você pense seja verbalizado.

Por que estou falando disso? Porque eu sou uma das pessoas que se sente como se pra cada pessoa que gosta de mim, há outra que me odeia e usa meu nome como xingamento (eu já vi nego fazendo isso diversas vezes). “Mano você tá izzynobreando“, ao que o interlocutor responde “porra mano não exagera também né“.

Meu nome se tornou uma ofensa que faz o alvo pedir moderação, e a culpa é inteiramente minha.

Embora eu goste de pensar que sou uma vítima do tal confirmation bias da primeira teoria, e que o que muitos identificam em mim como um padrão perene de filhadaputice são apenas momentos isolados de hostilidade intercalados por longos períodos de civilidade, é infinitamente mais provável que eu me encaixe mais na segunda hipótese.

Aliás, eu sou auto-consciente (serve isso como tradução de “self-aware”?) o bastante pra reconhecer que sim, eu adoro mimar a criança virtual id dando-a pleno controle de algumas interações minhas. E por isso eu frequentemente me comporto como um completo babaca.

Eu compreendo que o que alguns acham engraçado — e alguns certamente acham; se ninguém tivesse o mesmo senso de humor que eu, eu não teria 24 mil followers –, muitos acharão reprovável. E como opinião é um negócio complemente subjetivo, eu não posso sequer dizer que eles estão “errados”.

O que acontece é o seguinte — outro dia um broder internético meu de longa data (não vou mencionar o nome porque tenho certeza que alguns ” fãs” mais ardorosos vão querer tomar satisfação) chamou atenção ao fato de que eu frequentemente sou muito chato.

Pro id, um comentário como esse é uma afronta, é um tapa na cara. O primeiro impulso é devolver “na mesma moeda”; o problema é que enquanto a pessoa que fez o comentário não teve intenção de ofender, pra quem a recebe a crítica é pior que xingar a mãe. E devolver na “mesma moeda” inerentemente significará uma reação desproporcional à provocação que na verdade nem era provocação.

E é por isso que presenciamos constantemente o fenômeno do sujeito que “chilicou por pouca coisa”. Pro sujeito que recebeu a crítica, ela não foi “pouca coisa”, e a reação não foi chilique: foi uma resposta à altura do esculacho.

Voltando o ponto: consegui curvar o ímpeto do id de retorquir o cara com truculência — afinal de contas, a internet não é tão intangível assim; o cara é um broder e eu não quero queimar pontes tão prontamente por motivo trivial — e respondi o cara no que penso ser a forma mais neutra: essa é a forma que eu gosto de usar o tuíter e não acho que isso mudará.

E o comentário deste colega me fez pensar que uma das coisas mais frequentes no tuíter (e em qualquer rede social) é que broders constantemente encherão seu saco.

Eu presencio isso todo dia. Às vezes é um chegado forçando um meme cuja insistência provoca  rejeição; outras é um amigo se metendo numa confusão e agindo de forma que faz você por a mão no rosto e suspirar, e por aí vai.

E eu percebi que isso nada mais é que um microcosmo da chamada “condição humana”. Entre outras coisas, uma constante da nossa existência é que pessoas que gostamos vão nos encher o saco.

Sua esposa/namorada te enche o saco, seu marido/namorado te enche o saco, seus irmãos te enchem o saco, seus pais te enchem o saco, seus amigos te enchem o saco, e aquele imigrante cearense que você segue no tuíter porque ele tem um site interessante vai te encher o saco. É imutável, é inevitável, e dependendo da proporção da coisa, isso acaba erodindo seu relacionamento com a pessoa.

Mas aí que tá: como agir nesse caso? Na vida real, o jeito como falei é aturar as chatices. Já o facebook tem uma solução interessante — você pode esconder as postagens de um mala sem que ele tome conhecimento disso.

Já no tuíter… não há uma solução “oficial”. Clientes de tuíter têm uma opção semelhante à do Facebook, mas enquanto a feature não for parte da experiência “central” do tuíter — ou seja, enquanto não for adotada pelo próprio Twitter e incorporada no site –, pra maioria das pessoas o unfollow será serventia da casa.

Isso é foda. Tem gente que eu considero muito, mas cujos tweets eu literalmente não suporto mais. Quando uso o tuíter no celular, tenho essas pessoas no mute do echofon, e portanto não as vejo. Elas fazem tão pouca falta na minha timeline que, quando acesso o tuíter pelo site, suas babaquices subitamente visíveis são um rude lembrete de que sim, eu ainda os sigo.

Eu optei há muito tempo pelo mute porque eu tenho consideração por tais pessoas, quero permitir que elas me mandem DM quando necessário, e não quero ter que explicar pra eles o motivo de dar unfollow (DR virtual é 10 vezes pior do que a DR real, porque nem chance de rolar sexo no final existe pra compensar).

E eu não quero dizer “porra maluco mas tu é muito chato, puta que pariu” porque o id da pessoa o colocará no modo defensivo automaticamente e a confusão resultante será desgastante pra ambos.

Mas é como eu falei — isso não é um mal da internet, ou do túiter, na verdade. É parte da condição humana. É um fenômeno que se repetirá em todas as esferas da sua existência — trabalho, faculdade, família, grupo de amigos, etc. Nós seres humanos somos todos pecinhas de LEGO com encaixes incompatíveis tentando ser constantemente conectadas.

É curioso o quão rápido esquecemos disso quando apontamos pra algum internauta como o supra-sumo sacerdote da escrotidade.

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Categorias: A internet é foda