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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Artigos clássicos</title>
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		<title>A Saga de um Empinador de Pipas</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 08:05:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos clássicos]]></category>

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Vocês já perceberam que depois que você conhece uma pessoa nova, em breve a conversa se torna uma disputa de quem já se envolveu nos acidentes mais mirabolantes?
Passei os últimos 24 anos estudando essa tendência da psiquê humana. Aliás, de onde surgiu esse acento circunflexo, que minha professora de alfabetização (tia Socorro, que já morreu [...]]]></description>
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<p>Vocês já perceberam que depois que você conhece uma pessoa nova, em breve a conversa se torna uma disputa de quem já se envolveu nos acidentes mais mirabolantes?</p>
<p>Passei os últimos 24 anos estudando essa tendência da psiquê humana. Aliás, de onde surgiu esse acento circunflexo, que minha professora de alfabetização (tia Socorro, que já morreu até, coitada) ficava muito puta se o chamassem de &#8220;acento chapeuzinho&#8221;? Qual o problema de chamar o circunflexo de chapeuzinho? Temo que agora apenas Satanás poderá perguntar isso a ela.</p>
<p>Não importa. Faça o teste aí; da próxima vez que conhecer alguém novo, comente <strong>COMO QUEM NÃO QUER NADA</strong> que no verão passado você perdeu um dedo do pé enquanto tentava, sei lá, operar um moedor de carne em cima de um skate. Pode ter certeza que o sujeito tirará a camisa, mostrará uma cicatriz entre a terceira e quarta costela e dirá que foi perfurado por uma viga de construção quando mergulhou do terceiro andar de seu prédio tentando capturar uma pipa desgarrada. Antes que você puxe de memória algum acidente mais imbecil, vai lembrar da minha teoria.</p>
<p>Falando em pipas desgarradas, já contei pra vocês o dia em que apanhei por causa de uma porra de uma pipa?<br />
<span id="more-1000"></span><br />
Era 1997, ou 1998, sei lá. Geralmente lembro os anos em que minhas putarias aconteciam porque bastava lembrar em que série eu estava (fiz a quarta em 94, a quinta em 95, a sexta em 96 e etecétera), mas dessa vez o ano me escapa da memória.</p>
<p>Eu morava na época no asqueroso Conjunto Ceará, um bairro escroto na periferia mais fodida de Fortaleza. Os leitores cabeça-chata não precisam que eu descreva a imagem, mas tem muito sulista lendo isso aqui, então vamos fazer um exercício mental. Pensem aí no bairro mais sujo das redondezas de Calcutá, e em seguida imaginem um caminhão-pipa cheio de esterco, muco, placentas, cadáveres em avançado estado de decomposição e cópias do último CD do Los Hermanos explodindo bem no meio dele, espalhando a repugnante mistura por todo lado. Esse é o Conjunto Ceará.</p>
<p>Meu pai, na época pastor evangélico, liderava uma congregaçãozinha quase ou tão fodida quanto o próprio bairro, bem no meio do sertão cearense. Morávamos na Aldeota, e se eu não estivesse com a imensa preguiça de abrir o Google Earth vocês veriam que há um continente inteiro entre os dois bairros. Depois de algum tempo gastando uma nota preta em gasolina, o coroa resolveu se mudar lá praquela invasão. Ir pra igreja à pé seria seria uma economia considerável, ainda que isso significasse ter que disputar a calçada com crianças peladas brincando dentro de poças de lama com carrinhos de plástico sem rodas e com as caras ocupadas por moscas varejeiras.</p>
<p>Sem putaria, o lugar era sinistrão. Era um misto de invasão do MST com favela indiana, muito tosco mesmo. Inclusive, foi lá que fui assaltado pela primeira vez na vida (o que é assunto pra um post que só escreverei depois de anos de cobranças dos leitores).</p>
<p>Voltando à história, papai-pastor se muda de mala e cuia pra uma periferia fodidaça e eu, filhinho de papai acostumado com colégio particular caro e amiguinhos ricos, me vi morando numa casa rente à rua sem asfalto e moleques que nunca nem tinham visto um computador de perto. Sem computador, sem videogame (eu havia destruído meu SNES acidentalmente pouco tempo antes da mudança), sem carros de controle remoto, tivemos que nos comunicar com base em um denominador comum, ou seja, nossos papos de brinquedos não podiam envolver coisas cujo preço ultrapassasse os dois dígitos.</p>
<p><center><img SRC="http://img406.imageshack.us/img406/5347/pipa4sa.jpg" BORDER="1" /><br />
<font SIZE="1">Acima, uma simulação computadorizada de mim mesmo, aos 14 anos, empinando uma pipa. Perceba as gravatas borboleta com que eu enfeitei minha pipa</font></center><br />
E a resposta foram as pipas. Pipas não eram apenas aeromodelos rudimentares construídos com bambu, papel de seda e cuspe; com um pouco de cola branca, cacos de vidro e malícia tipicamente brasileira, uma pipa comum se tornava uma fabulosa aeronave de combate. Nas mãos de pilotos habilidosos, uma pipa podia cruzar os céus com maestria e cortar a linha da pipa de um oponente, e aí fodeu. Alguém voltaria pra casa chorando, com um carretel de linha sem uma pipa na outra ponta.A confecção e decolagem de pipas era basicamente o único passatempo que aquela crianças dignas de um show beneficente do Bono Vox podiam desfrutar. Os que conseguiam arrancar algum dinheiro dos pais de vez em quando podiam se dar ao luxo de comprar pipas pré-fabricadas no mercantil do seu Joaquim da Mandioca. Desconheço o motivo dessa alcunha, porque jamais vi seu Joaquim com nenhuma mandioca, com M maiúsculo ou não. Por isso mesmo, temo o duplo sentido do apelido.Os mais miseráveis e desnutridos da turma (ou seja, aqueles para quem os dois reais que cada pipa custava constituia uma fortuna inalcançavel) tinham que implorar pelas pipas velhas de outrem, fazer suas próprias a duras penas ou disputar as pipas abatidas.</p>
<p>E as pipas abatidas, mas que espetáculo! Uma pipa derrubada era praticamente o equivalente do Conjunto Ceará do lançamento de um ônibus espacial. Pessoas vinham de todos os cantos pra assistir. Não, não é exagero, é literalmente mesmo: o fenômeno resultante de uma briga de pipas fazia muitos interromper seus afazeres e ir à rua assistir a putaria.</p>
<p>Quando uma pipa cruzava os céus à deriva, saíam pivetes de <strong>TUDO QUANTO ERA BURACO</strong> numa carreira desesperada no encalço da pipa grátis. Crianças desciam de árvores, pulavam da esquina, saltavam de dentro de bueiros, chutavam o portão de casa e passavam sebo nas canelas. Eu nem sabia que tinha tanto moleque naquele lugar. Imagino que estes passavam o tempo se escondendo e analisando o tráfego aéreo do bairro, aguardando o momento de correr. E a animação era porque, segundo o código de honra da pivetada, uma pipa cortada pelo cerol alheio pertencia ao povão. Aquele que a capturasse primeiro se tornaria o dono, e ai do dono legítimo se este se meter a reclamar a posse da pipa! Um delito dessa natureza requeria pena de pelo menos cinquenta cascudos em áreas variadas do corpo.</p>
<p>Segundos após a pipa perdida encontrar descanso no telhado da vizinha da frente, mais guris se juntavam à turba na corrida em direção à aeronave abatida. Chinelas havaianas não aguentavam a velocidade e as tiras estouravam, frequentemente levando rostos imberbes de encontro ao asfalto. Com tantos corpos caídos no chão, o negócio frequentemente se tornava uma corrida com obstáculos.</p>
<p>Sem o menor respeito à propriedade alheia, aos amiguinhos ou aos próprios ossos, a pivetada escalava os muros da casa da dona Francisquinha de Jesus &#8211; aquela que vendia pastel de queijo na feira -, disputando cada ponto de apoio na base do tapa, até que alguém finalmente tocasse a seda da pipa. Devia haver algum tipo de lei informal regendo a briga pelo brinquedo, porque no exato momento que alguém encostava na pipa, todo o resto da turma abandonava a disputa.</p>
<p>A cena era pitoresca; aquela criançada toda correndo feito loucos no meio do trânsito, desviando de carros, se empurrando, se esbofeteando, caindo de cara no chão, trepando em muros alheios&#8230; por algo que custava <strong>dois reais</strong>. Ah, Conjunto Ceará&#8230;</p>
<p>Além dessa putaria toda (ou por causa dela mesma), a brincadeira das pipas gerava uma perpétua inimizade entre as patotas de cada rua. O pessoal da Comendador Machado odiava a turma da Sete de Setembro, que por sua vez não podia sequer ver a galerinha da 89. Bando de metidos. Se achavam nova-iorquinos, só porque o nome da rua era um número!</p>
<p>O que acontecia é que tomar posse da pipa abatida da rua oponente era uma injúria imperdoável. Se alguém da turma oponente cortasse sua pipa no cerol, tudo bem, era parte do esporte. Bastava voltar pra casa, roubar o dinheiro do pão e comprar outra. Mas quando os amigos do algoz conseguiam pegar a pipa perdida e trazer de volta pro bando, ahhhh&#8230; Isso feria a dignidade. A pipa cortada de um oponente era praticamente um troféu de caça, um atestado de superioridade. Era quase como se seu inimigo estivesse de posse de sua própria alma.</p>
<p>Havia ainda uma patifaria ainda mais vilanesca, o ato de &#8220;fazer farofa&#8221;. &#8220;Fazer farofa&#8221; consistia em capturar a pipa do oponente apenas para destruí-la completamente.</p>
<p>Entendidas as regras do esporte, continuo a historinha.</p>
<p>Num belo dia de domingo, estávamos eu e a minha turminha empinando pipas. A galera da rua da frente, cujo nome não consigo lembrar, estava na mesma atividade. Eles lá, a gente cá. Olhares raivosos cruzavam a rua em ambas direções. No ar, as pipas materializavam o ódio mútuo que as nossas gangues infantis nutriam uma pela outra &#8211; com habilidade, os empinadores de cada lado jogavam suas pipas umas contras as outras, tentando faze-las se engancharem na linha acerolada (que é uma linha com cerol, e não acerolas. Embora o Manélzinho da 21 jurasse ter projetado uma pipa com suco de acerola ao invés de cola. Vai ser pobre assim na puta que pariu).</p>
<p>Num lance de sorte, o Adriano conseguiu desvencilhar a pipa do oponente da linha. Esta começou a cair, desenhando uma espiral no céu em direção à nossa turma. Por ser um domingo, o movimento no bairro era bem menor, e a pipa já caía em nossa direção mesmo. Nem foi necessário correr. Eu, por ser o mais alto entre a nossa turma, peguei a pipa caída com facilidade. Joguei um olhar pra turma da rua da frente, e as caras deles não eram das melhores. Um moleque saiu do meio do grupo em nossa direção.</p>
<p><center><img SRC="http://img406.imageshack.us/img406/8986/mapa0gb.jpg" BORDER="1" /></center><br />
Ele atravessou metade da rua e, com frases curtas, exigiu a devolução da pipa. Sua mão pendia no ar, insistente.<em>&#8220;Ah, mermão&#8221;</em> falei <em>&#8220;tu sabe como é o negócio. Pipa bolada não tem dono!&#8221;</em>O sujeitinho, que acho que se chamava Marcelo, não perdeu tempo debatendo. Ao invés disso, ele voltou rapidamente pro meio da sua turma, que aguardava do outro lado da rua. A retirada voluntária do inimigo foi algo ainda mais honroso que ter capturado a pipa dele. Meu espírito gozador não se conteve.</p>
<p><em>&#8220;Ei, ei, ô, ô, olhaqui!&#8221;</em> o rapaz virou o corpo em minha direção <em>&#8220;Brigado pela pipa nova, ein!</em>&#8221; tendo dito isso, ergui o artefato acima da minha cabeça e ensaiei uma breve e constrangedora dança de vitória.</p>
<p>O moleque, indignadíssimo, apressou o passo em direção aos seus amigos. Ao chegar lá, conferenciou com eles brevemente. Em seguida, correram todos pra rua, saindo da nossa visão.</p>
<p>Minha turma e eu voltamos às nossas atividades normais. Em pouco tempo, a turma inimiga reapareceu na esquina.</p>
<p>Com paus e pedras nas mãos, e olhares sérios na cara.</p>
<p>Não minto, gelei instantaneamente. Nunca fui de brigar, especialmente quando os oponentes são mais numerosos e armados. Pensei em correr, mas eu era o mais velho da minha turminha e a vergonha jamais seria esquecida. Permaneci no mesmo lugar, com a pipa ainda na mão.</p>
<p><em>&#8220;Me dá&#8221;</em> disse Marcelo, sem precisar especificar exatamente o que eu deveria dar.</p>
<p>As palavras quase não vinham à boca.</p>
<p><em>&#8220;Mas eu peguei&#8230;&#8221;</em></p>
<p>Sem pensar duas vezes, Marcelo girou o braço e o pedaço de pau em sua mão foi de encontro à minha perna. Virei o corpo instintivamente (e vi de relance que meus amigos tinham desaparecido), e a porrada pegou do lado do joelho. Dei um passo pra trás, irado, mas sabia que seria impossível me defender dos três ao mesmo tempo.</p>
<p><em>&#8220;Me dá essa porra, branquelo de merda&#8221;</em> disse o menino. Com o joelho doendo e uma inegável vontade de sair em disparada, o orgulho falou mais alto. Fiquei calado. Reconheci um dos pedaços de pau que os moleques carregavam como a perna de uma cama que havia sido jogada num terreno baldio das proximidades (não o do mapa acima, um mais distante).</p>
<p>Sem esperar a minha resposta, Marcelo deu uma estocada com o pedaço de pau e perfurou a película de seda da pipa. Com um rápido movimento, ele arrancou-a das minhas mãos. Me senti como se alguém tivesse arrancado minhas roupas.</p>
<p>Na sua fúria e falta de planejamento na hora de reconquistar a pipa, o moleque acabou estragando-a. Sem pensar duas vezes, ele &#8220;fez farofa&#8221; ali mesmo. Depois jogou a pipa aos meus pés, e saiu. Até hoje me pergunto o que impediu o sujeito e seus amigos de me dar uma surra de perna de cama.</p>
<p>E eu passei uma semana sem falar com o Trunks, também. Aquele corno fazia kung fu na época e me deixou apanhar sem se manifestar!</p>
<p>Logo após os malfeitores abandonarem nossa rua, a minha turma começou a aparecer. Eu estava morrendo de vergonha, mas dava pra ver que a deles era ainda maior que a minha. Eu estava revoltadíssimo, afinal, éramos uns nove. Armados ou não, cada um dos moleques da rua rival teria que se virar contra três! Seria um massacre, se eu não tivesse sido abandonado como um filho cujo pai descobriu sua homossexualidade.</p>
<p>Mandei todos aqueles medrosos de merda irem pro inferno (incluindo o Trunks) e voltei pra casa. E passei o resto do dia jogando Command and Conquer.</p>

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		<title>Clássico HBD &#8211; Viagem de Ski</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 16:33:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos clássicos]]></category>

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O texto a seguir foi publicado aqui em 2005, quando eu estava cursando o colegial canadense e tal. O post retrata a minha quase trágica viagem a um resort de ski em Ontario. Muitos de vocês devem lembrar do texto, que na época foi publicado em 3 partes, enquanto a maioria de novos leitores provavelmente [...]]]></description>
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<p>O texto a seguir foi publicado aqui em 2005, quando eu estava cursando o colegial canadense e tal. O post retrata a minha quase trágica viagem a um resort de ski em Ontario. Muitos de vocês devem lembrar do texto, que na época foi publicado em 3 partes, enquanto a maioria de novos leitores provavelmente nunca leu. Aí está sua oportunidade de acompanhar uma saga clássica do HBD.<br />
<span id="more-906"></span></p>
<p>Fevereiro de 2005</p>
<p>A correria naquele outro dia foi porque eu estava atrasado (como sempre) pra ir à escola. Acontece que este não era um dia normal de escola. Neste dia eu não iria humilhar meus colegas matematicamente analfabetos com minha habilidade de resolver equações de primeiro grau, ou recortar triângulos em feltro. Iriámos <strong>esquiar</strong>!</p>
<p>&#8220;<em>Que escola legal</em>&#8220;, vocês devem estar pensando. E é mesmo. A cada dois meses, a diretoria premia os vinte melhores alunos da escola com uma viagem pra algum lugar legal. Como sou aparentemente o único no prédio que sabe fazer de cabeça contas de adição de números de dois dígitos, é uma concorrência um tanto quando injusta pros canadenses.</p>
<p>No bimestre passado, fomos ao Playdium, um arcade imenso que fica em Mississauga, Ontario. Jogos, comida, viagem até lá e de volta, tudo de grátis. Brinquei num simulador de vôo com três telas de cristal líquido e mais botões que o avião de verdade por quase uma hora. Enchi a barriga de batata frita como se não comesse frituras há anos. Tirei muitas fotos pra escrever um post sobre o acontecido e fazer inveja aos coitados que gastam dinheiro jogando King of Fighters em arcades mais velhos que a tia da minha avó, mas não encontro mais as fotos.</p>
<p>Então, a viagem pro chalé, o SkyLoft. Antes de nos dar os passes pro troço, a coordenação da escola nos fez assinar um longuíssimo termo de compromisso:</p>
<p><em>Entendo os riscos que os esportes de neve significam. Assumo total responsabilidade sobre qualquer calamidade que me possa ocorrer, citadas abaixo mas não limitadas a:</p>
<p>- Fraturas nos braços, pernas, dedos, crânio ou qualquer outra estrutura óssea;</p>
<p>- Perda de dentes;</p>
<p>- Deslocamento, torções, rompimento de ligamentos ou tecidos musculares;</p>
<p>- Frostbite</p>
<p>- Cortes e consequente perda de sangue;</p>
<p>- Queda dos lifts e todas as lesões que isso implica;</p>
<p>- Ataques de velociraptors;</p>
<p>- Esmagamento por geladeiras que porventura caiam sobre você (um risco constante);</p>
<p>- Colisão com aviões;</p>
<p>- Ser atacado por um velociraptor enquanto uma geladeira cai em você;</p>
<p>- Etc.</em></p>
<p>E um espaço embaixo pra assinar. Cada item lido diminuia a vontade de participar do negócio. Os caras queriam deixar <strong>BEM</strong> claro que se você se fodesse lá em cima, não era culpa de ninguém a não ser de você mesmo.</p>
<p>&#8220;Bom, é de graça mesmo!&#8221; pensei, pondo em prática tudo que aprendi nesses anos sendo brasileiro. Se há uma coisa que não se rejeita, é algo que não custa nada. Ignorando-se obviamente o fato de que esse algo pode provocar um acidente doloroso que ceifará sua vida ao mesmo tempo que você berra desesperado em arrependimento por ter assinado o tal termo de compromisso.</p>
<p>Mas é de graça.</p>
<p>Assinei o papel e entreguei de volta pra secretária.</p>
<p>- Ô, você esqueceu de preencher o espaço do seu cartão de saúde.</p>
<p>- Hm, eu não tenho cartão de saúde.</p>
<p>- <img src="http://messenger.msn.com/MMM2004-11-10_11.23/Resource/emoticons/what_smile.gif" alt="" /></p>
<p>- &#8230;</p>
<p>- E você quer ir&#8230; assim mesmo?</p>
<p>- Hmm&#8230; pra falar a verdade tou meio em dúvida.</p>
<p>- Eu também estaria, se fosse você. Afinal, às vezes&#8230;</p>
<p>- O almoço lá vai ser de graça, né?</p>
<p>- É, mas&#8230;</p>
<p>- Toma o formulário. Vou sim.</p>
<p>E fui pro ônibus da escola.</p>
<p>Isso aqui vale uma ressalva revoltada. Seja lá quem foi que projetou ônibus escolares, essa pessoa não devia ter pernas, ou nunca viu seres humanos que tivessem tais membros. O espaço entre as fileiras do ônibus escolar (não sei se todos são assim, você que já andou num ônibus escolar diferente se dê por sortudo) era menor que a distância entre meu dedo indicador e médio. Minhas pernas estavam presas entre o meu assento e o da frente, fazendo com que meus joelhos quase encostassem meu queixo. Se alguém me visse de perfil, poderia me confundir com um N maiúsculo. Me segurei nessa torturante posição até chegarmos no chalé.</p>
<p>A viagem até o lugar me fez pensar nos riscos que eu estava prestes a correr. Se eu seria exposto a velocidades e impactos que estraçalham ossos, quebram dentes e rompem músculos, como eu protegeria o palm pilot e o mp3, meus fiéis seguidores que me acompanham pra todos os lugares? Cocei meu queixo com o joelho, pensativo. Quem se preocupa em fratura exposta múltipla ou rompimento transversal quando ossos e músculos têm um sistema de auto-reparo?! Se eu cair de bunda em cima do meu mp3 player, comé que fica? Quem vai me dar um novo? Diante dessa real preocupação, comecei a pensar direito no que eu havia me metido.</p>
<p>Aí me lembrei do que a patroa tinha feito com a bolsa no dia do show do Slipknot. Quando entramos no chalé, peguei minhas bugigangas tecnológicas (que somam um valor de mais de R$ 600), botei dentro da mochila e simplesmente larguei-a num cantinho do chalé, perto de um banco. Agora era a hora de provar a índole desses canadenses.</p>
<p>Fui ao lugarzinho onde os funcionários do local nos entregam o equipamento que estaria preso nos nossos pés enquanto caíamos colina abaixo. Havia duas opções: snowboard e esquis. Como todos me falavam que esquis eram mais fáceis de controlar que snowboard (nota: <strong>MENTIRA DO CARALHO</strong>), optei pelos esquis. Ao me entregar o equipamento, o funcionário do SkyLoft me entregou também o seguinte papelzinho, que tem como utilidade tranquilizar e inspirar confiança em brasileiros que mal se acostumaram com neve e nunca puseram esquis na vida:</p>
<p><center><img src="http://img151.exs.cx/img151/5381/snowstub0gt.jpg" border=1></p>
<p><span style="font-size: xx-small;">Se você morrer, não pode dizer que eles não avisaram</span></center></p>
<p>Prendi a porra toda nos pés e caminhei desajeitadamente em direção às colinas, onde um instrutor aguardava os menos entrosados com as atividades de inverno. </p>
<p>Eu e mais uns seis carinhas recebemos todas as noções básicas do esporte que deu pra enfiar numa micro-aula de trinta minutos (o que significou que alguns voltaram pra casa sem saber dar saltos mortais triplos). Não que fizesse muita diferença, e todos sabem disso: a única coisa que alguém que está descendo uma montanha com esquis precisa saber é diminuir a velocidade sem que isso envolva uma colisão de frente com uma árvore, uma lata de lixo ou outro esquiador &#8211; o que causaria danos a árvores, latas de lixo ou outras pessoas. </p>
<p>Portanto aqueles trinta minutos não realmente ensinavam nada de muito importante, era apenas um &#8220;<em>tentem não se matar no caminho</em>&#8221; disfarçado de aula. Então a única coisa que realmente aprendemos nessa &#8220;aula&#8221; foi como reduzir a velocidade (reduzir a velocidade, e não parar. Iniciante no esqui só pára quando encontra uma árvore, uma lata de lixo ou outro esquiador).</p>
<p>Então, pra diminuir a velocidade, nos ensinaram uma técnica chamada snowplow (leia-se &#8220;isnou-pláu&#8221;). Essa complexa e revolucionária técnica consiste em cruzar as pontas frontais dos esquis, transformando o que era outrora um feixe paralelo de tábuas de fibra de vidro em duas linhas concorrentes. Abaixo, mais um de meus incríveis GIFs explicativos:</p>
<p><center><img src="http://img228.exs.cx/img228/3434/esqui5bj.gif" border="1" alt="" /><br />
<span style="font-size: xx-small;">Abre e fecha, abre e fecha</span></center></p>
<p>Bem, eu sou iniciante no mundo do esqui, mas não são um leigo completo. Quando criança, joguei muito aquele joguinho de esqui do Windows, o clássico Skifree, que era uma fonte inesgotável de conhecimento esportivo e animações composta de três pixels e duas cores que se você espremesse os olhos pareciam vagamente com esquiadores. Se esse jogo me ensinou uma coisa, é que devemos desviar de árvores, linhas coloridas no chão fazem você saltar trinta metros no ar, e que o monstro acinzentado que come esquiadores no fim da montanha é invencível.</p>
<p>(Adendo: Lembro que passei grande parte da minha infância tentando descobrir o que diabos era aquele monstro pixelado. Quando eu não estava tentando desvendar a que  espécie ele pertencia, estava pensando numa forma de escapar de suas temíveis garras. Obviamente, eu não teria passado anos bolando uma estratégia de fuga se o primo do amigo do vizinho não tivesse dito que um cara da escola dele conseguiu escapar do monstro&#8230; Malditas<a href="http://hbdia.com/wordpress/2005/04/11/324/"> lendas de jogos eletrônicos</a>)</p>
<p>Então, apoiado pelos meus conhecimentos no esporte &#8211; duas varetas de metal que em diversas ocasiões foram a única ajuda contra a força da gravidade -, me senti preparado pra enfrentar a primeira montanha.</p>
<p>Lá estava eu, tendo recebido minha aulinha de (menos de) trinta minutos sobre não me arrebentar em árvores e outros esquiadores. Para um canadense, talvez fosse suficiente; de fato, meus amigos gringos esperavam impacientes pelo fim da aulinha para poder descer a montanha de costas e dando saltos mortais, essas coisas que canadenses fazem quando não estão jogando hockey do dois ou cortando triângulo em feltro. Enquanto isso, eu dava passos desengonçados, me equilibrando precariamente com meus novos pés de um metro e meio de metal colorido.</p>
<p>O instrutor finalizou a aula, convencido de que já estávamos preparados para enfrentar as descidas congeladas sem quebrar algo importante como o pescoço ou, Deus o livre, o equipamento cedido pelo SkyLoft, o que causaria ao usuário um prejuízo no valor equivalente ao número de ossos que ele estralhaçaria na queda provocada pelo defeito nos esquis.</p>
<p>Os mais familiarizados, ou seja, aqueles que não precisaram de ajuda pra pôr os snowboards ou se manterem em pé com eles, desceram a montanha assim que receberam permissão, gritando e fazendo brincadeiras uns com os outros. Morreu neste exato momento aquele velho lugar-comum de que gringos são frios e apáticos; poucas vezes na vida vi gente tão animada pra descer em alta velocidade um declive cujo atrito é nulo, tendo os pés firmemente presos a tábuas de madeira/alumínio.</p>
<p>Após a descida dos canadenses, avaliei a situação. Lá estava eu, com esquis nos pés e recém-superficialmente-instruído nas noções básicas de um esporte em que uma falha não significa perder o gol ou fazer tesoura quando o oponente faz pedra, mas quebrar o pescoço em três pontos ou até mesmo perder os esquis alugados. Respirei fundo e caminhei desajeitadamente até a beirada das montanhas, decidindo cuidadosamente em qual delas eu esquiaria (substitua a palavra &#8220;<em>esquiaria</em>&#8221; por &#8220;<em>cairia de forma humilhante na frente da geral, levantando-me em seguida e alegando não ter doído, a despeito do fato de que meu antebraço está fazendo um ângulo de 90 graus.</em> &#8220;).</p>
<p>As trilhas são separadas em grupos de cores (a primeira escolha era enumerar as trilhas, mas os canadenses não são lá apaixonados por números, então recorreram à alternativa colorida, conhecida em outras freguesias como &#8220;Solução Jardim-De-Infância&#8221;). Há trilhas verdes, azuis e pretas. Verdes são aquelas a qual enviam aquelas pessoas que estão aprendendo a fixar os esquis nos pés e que não têm planos de saúde, como é o meu caso. As azuis são as trilhas intermediárias, ou trilhas &#8220;<em>sei esquiar mas o seguro morreu de velho</em>&#8220;. As pretas são o destino de esquiadores olímpicos, pessoas que despertaram da Matrix e agora dominam a lei da gravidade ou daqueles com seguros de vida cujas cláusulas tiveram que ser calculadas em algum outro país, pois a cifra bate a casa das centenas de milhar e os canadenses ainda estão terminando a tabuada de dois.</p>
<p>Diante as opções, julguei-me pertencente a uma trilha verde e pus-me a caminho da mais próxima.</p>
<p>Aí entrou em cena aquele cara lá de cima que não gosta muito de mim.</p>
<p>Coincidentemente (ou &#8220;<em>muitíssimo infelizmente</em>&#8220;), alguém colocou uma imensa lata de lixo <strong>VERDE</strong> na entrada de uma trilha <strong>PRETA.</strong> Isso, aliado ao fato de que as plaquinhas que indicavam as cores das trilhas tinham aproximadamente o tamanho de um ícone num desktop cuja resolução é 1280 x 1024, provocou a maior descarga de adrenalina que senti na vida desde o dia em que dormi na casa da patroa e a mãe dela voltou de manhã cedo antes do previsto.</p>
<p>Posicionei-me na frente da trilha &#8220;verde&#8221;. Olhei pra baixo. &#8220;<em>Esses canadenses devem ser muito fodas mesmo</em>&#8220;, pensei, &#8220;<em>porque a parede lá de casa é menos íngreme que essa porra de montanha, entrentanto é essa que os iniciantes descem</em>&#8220;.  Deus deve ter rido enquanto eu dava uma última olhada pra baixo. Dava pra ver alguns dos meus amigos lá embaixo, a mais ou menos dois quilômetros de distância. Usando o pensamento patenteado de quem está prestes a se aventurar a algo que escapa totalmente de suas habilidades mas ainda assim procura se reassegurar que vai conseguir, conclui que &#8220;<em>se os canadenses conseguem, eu consigo também</em>&#8220;.</p>
<p>Usando os <em>poles</em>, umas hastes de metal que dão pra gente cujo nome em português desconheço, me impulsionei em direção à beirada. Lembrei do palm pilot e do mp3 player que eu havia deixado no saguão do SkyLoft, e decidi que tinha sido uma melhor idéia deixa-los à mercê da índole canadense que à minha (falta de) habilidade como esquiador.</p>
<p>Após muita procrastinação, reuni os últimos resquícios de coragem que a altura da montanha não afugentou e me lancei em direção ao meu destino.</p>
<p>No começo tudo tava indo muito bem, como todas as coisas sempre vão até que você perceba que na verdade foi uma péssima idéia. Os esquis estavam estáveis (argh, isso soou horrível), a brisa fria batia no rosto e no cabelo, tudo uma beleza.</p>
<p>Isso foi um pouco antes das coisas começaram a ficar azedas. Em pouco tempo, eu aprenderia uma lição muito importante no esqui, algo que eles não incluíram naquela aulinha: a velocidade que você atinge naquela porra é diretamente proporcional a dificuldade de diminui-la.</p>
<p>A cada segundo eu ficava mais rápido e menos capaz de fazer o tal &#8220;snowplow&#8221;, o movimento redentor que salvaria meus órgãos internos de serem trespassados por fragmentos ósseos resultados de uma fratura múltipla exposta. Não demorou nada para que eu começasse a ultrapassar o pessoal que tinha saído bem antes de mim. Estes, mais cuidadosos &#8211; talvez por saber que aquilo não era colina verde porra nenhuma -, não largavam o <em>snowplow</em>. Eu, que seria igualmente cuidadoso caso tivesse consciência do que tinha me metido, descia descaralhadamente.</p>
<p>Então ligou-se na minha cabeça aquele alarme que sempre dispara quando percebemos que perdemos nossa carteira ou quando você está assistindo um filme pornô na sala e se dá conta de que alguém chegou em casa há pelo menos 10 minutos atrás. &#8220;<em>Me fodi</em>&#8220;, gritava a voz na minha cabeça. Meu coração batia desesperado. Os <em>poles</em> nas minhas mãos eram totalmente inúteis agora, não dá pra usá-los pra parar quando você está indo mais rápido que uma Ferrari com gasolina aditivada descendo uma ladeira.</p>
<p>Eu estava ultrapassando todo mundo a uma velocidade estonteante, usando cada um de meus neurônios que venho desenvolvendo após quase duas décadas me equilibrando em duas pernas na árdua tarefa de não cair. Cada vez que eu me aproximava de alguém, batia o desespero. Desviar de esquiadores mais lentos quanto você está descendo a uns cinquenta quilômetros por hora (não é exagero) não é algo que se deve fazer se o seu objetivo é permanecer em pé. Miraculosamente, eu consegui curvar os esquis e passar muito rente a duas menininhas que se aventuraram na perigosa decida. Foi tão rápido por elas que a impressão que tive é que elas estavam paradas.</p>
<p>Aí a situação ficou pior.</p>
<p>Há dois tipos de neve, <em>powder snow</em> e <em>packing snow</em>. A primeira é a neve recém caída, ainda fofinha, não tocada por esquis os snowboards. Essa é a neve ideal para novatos porque, além de mais macia, ela causa mais atrito, que é aquela coisa que impede você de sair voando colina abaixo mais rápido que a supracitada Ferrari com gasolina aditivada. Já a segunda é aquele tipo de neve porcaria que sobra após as Olimpíadas de Inverno. Vítima da pressão que os corpos gordos dos esquiadores promovem, a neve derrete. O clima ártico da montanha acaba por congelar a água novamente. Porém, ao invés de flocos, temos agora longas camadas de gelo.</p>
<p>E gelo, como todos sabemos, não causa atrito <strong>NENHUM</strong>.</p>
<p>Então, como se eu já não estivesse indo rápido o bastante após ter quase colidido com as duas menininhas, o gelo me arremessou pra frente com mais velocidade ainda. Nem que Jesus Cristo pilotando um X-Wing poderia mais me alcançar. O gelo fica todo arrebentado por causa das prévias esquiadas, então passar por ele foi o equivalente a andar de patins num ralador de queijo. As imperfeições no gelo fizeram os esquis chacoalhar assustadoramente, e num momento tive a impressão de que eles estavam indo em direções opostas. Uma simulação mental me deu a conclusão de que, se os esquis se afastassem mais ainda, eu aabaria sendo rasgado ao meio. Fiz um esforço hercúleo e trouxe-os de volta à forma paralela.</p>
<p>Um pouco à frente estavam meus amigos da escola. Este ponto era o mais rápido de toda a trilha. Como eu estava indo durante todo o trajeto &#8220;em paralelas&#8221;, ou seja, sem cruzar os esquis, eu estava indo pelo menos umas três vezes mais rápido do que todo o resto da galera. Vi-os tornarem-se cada vez mais próximos. Os miseráveis estavam indo mais ou menos na mesma velocidade, formando uma espécie de fila lateral bloqueando cada centímetro esquiável da trilha. Pra mim, é como se eles estivessem parados no meio da porra da trilha. Uma parede de canadenses esperando para que um brasileiro se arremessasse nela.</p>
<p>O desesperto de estar se movimentando àquela velocidade logo atrás de um monte de gente que sequer sabia que eu estava ali foi inigualável. Qualquer um que já desceu de patins ou skate uma ladeira muito íngreme e comprida e percebeu que havia alguém atravessando a rua lá na frente sabe do que estou falando. Sabendo que ia cair de qualquer jeito e que nada poderia ser mais embaraçoso (e doloroso), comecei a berrar desesperadamente. Sim, berrar.</p>
<p><center><img src="http://img134.exs.cx/img134/7869/skiingtrip1ku.jpg" border=1></center></p>
<p>Os canadenses ouviram meus gritos e perceberam o que ia acontecer. A coisa toda não durou mais que três segundos, mas pareceu uma eternidade.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que eu movia-me como um bólido montanha abaixo, os coitados se movimentaram num esforço um tanto quanto cômico pra sair da frente. Alguns mantiveram a calma e aplicaram seus conhecimentos no esporte para fazer uma graciosa curva pra direita e abrir o caminho, outros simplesmente jogaram-se de peito na neve. Abaixo, imagens captadas por uma câmera de vigilância do SkyLoft, e não um GIF animado feito por mim mesmo com frames desenhados no Paint e sprites de Skifree.</p>
<p><center><img src="http://img134.exs.cx/img134/9886/esquigif0ip.gif" border="1" alt="" /></center></p>
<p>Depois de momentos de puro terror, a trilha chegou à área plana. Eu simplesmente não conseguia acreditar que havia descido aquela montanha <strong>sem cair</strong>. A adrenalina foi sendo consumida aos poucos, mas eu ainda sentia os efeitos do susto. Andei em direção aos teleféricos que levavam os esquiadores de volta ao topo da montanha, fazendo um lembrete mental de trocar de cuecas quando chegasse em casa. Ao chegar no topo da montanha, decidi enfrentá-la de novo. E de novo. E de novo. E me diverti pra caralho.</p>
<p>Por algum motivo, ter chegado ao fim da colina são e salvo me deu toda a coragem que eu precisava pra encarar o negócio novamente.</p>
<p>A primeira descida foi a única em que não caí. Ironicamente, foi também a em que atingi maior velocidade. Em todas as outras tentativas, acabei de cara na neve &#8211; o que confirmou uma teoria e aniquilou outra.</p>
<p>Costumamos pensar que praticantes de esportes em países frios não se machucam tanto quanto nossos esportistas conterrâneos porque a neve não é tão dura quanto, digamos, asfalto ou uma bala perdida. Se trata de um ledo engano. Há dor em quedas na neve, e dores bem dolorosas eu vos digo. Voltei de Parry Sound com um puta hematoma na coxa, e não foi sequer por causa de queda em alta velocidade. Eu estava descendo uma colininha de nada num trenó e o troço levantou vôo numa pequena rampa. A queda, que não foi de mais que meio metro, me custou uma enorme mancha roxa na perna (que até assustou minha namorada, de tão grave que parecia), e três dias mancando.</p>
<p>E isso é apenas uma dos fatores que tornam seu agradável dia esquiando não tão agradável assim. Quando você cai em alta velocidade e sai rolando, seus braços e pernas às vezes dobram em ângulos impróprios para o bom funcionamento de uma articulação. Isso sem contar nos esquis que estão presos aos seus pés, que são mais um fator a ser considerado. Descobri que um corpo que cai na neve desenvolve um misterioso magnetismo; isso pôde ser comprovado pela estranha atração que sua cabeça exerceu sobre meus esquis todas as vezes em que cai. Sempre que eu caia, a impressão era de que eu estava me espancando com dois pedaços de metal. E eu batia forte, preferencialmente na cabeça.</p>
<p>Mas eu não fui o único a me acidentar. Aliás, em retrospecto, eu fui o mais sortudo. Uma colega quebrou o braço nessa mesma viagem, e outro quebrou o tornozelo. Apesar das quedas, todos os meus ossos voltaram pra casa no mesmo formato.</p>
<p>O palm e o mp3 player estavam intactos, também.</p>

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		<title>Otakuzismo e você</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Nov 2007 15:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos clássicos]]></category>

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<p>Dando uma olhada no mundo e na Intarnetch atualmente &#8211; tomando o devido cuidado de evitar passar muito perto do orkut, uma vez que cientistas de renome finalmente descobriram que retardadice é de fato espalhada pelo mundo virtual -, percebo que devo ter dormido durante uma reunião ou perdido algum memorando. É a única explicação pro fato de que eu não fui informado de que nos últimos anos, todos os seres humanos com acesso a clientes de torrent e codecs de divx devem obrigatoriamente venerar qualquer tipo de animação que tenha sido feita dentro do território japonês.</p>
<p>Meus esforços em entender o fenômeno (pesquisar &#8220;fenomeno&#8221; no Google, sem acento, e ver se o corretor ortográfico do sistema de busca compreende as nuances da pontuação portuguesa), foram infrutíferos. Com toda certeza, desenhos japoneses &#8211; conhecidos como &#8220;anime&#8221;, o que soa como um demônio romano com hemorróidas &#8211; são líderes mundiais em categorias prestigiosas como &#8220;cenas com flashes induzidores de ataques epiléticos&#8221; e &#8220;aberturas cantadas por mulheres que soam como um sujeito que teve as bolas explodidas por C-4&#8243;, sem contar no sucesso de crítica &#8220;lutas chatas na frente de linhas coloridas&#8221;, mas isso ainda não explica como a cultura Oriental em geral conseguiu invadir o nosso espaço. Se a Segunda Guerra Mundial me ensinou alguma coisa, é que japoneses tem uma pré-disposição para invasões inesperadas e para afundar navios de guerra arremessando aviões neles. A História nos deu uma lição sobre a insidiosa prática nipônica de atacar quando menos se espera, mas nós a ignoramos.</p>
<p>Existe um grupo responsável pela expansão da japanofilia em nosso hemisfério. Tal grupo responde pelo nome &#8220;otaku&#8221;. Falo japonês tão bem quanto falo japonês, então desconheço o significado &#8220;oficial&#8221; do termo e, francamente, eu nem quero saber. Uma tradução livre mais adequada poderia ser &#8220;adolescentes desprovidos de identidade cultural que pensam que espremer os olhos e fazer o símbolo da paz em toda foto que tiram é algo legal&#8221;.</p>
<p>Para entender melhor a complexidade da situação, precisamos compreender todas as facetas do fenômeno e identificar as raízes do problema. Mas antes de mais nada, você deve se fazer uma pergunta &#8211; quem é um otaku?</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img60.imageshack.us/img60/3663/tdeltasfatchickqd5.jpg" /><br />
<font SIZE="1">Esta mulher é moderadora de um fórum sobre Inuyasha</font></center><br />
Qualquer pessoa pode ser um otaku. A nomenclatura arcaica exigia que um sujeito passasse horas e horas em canais obscuros na Undernet, trocando terabytes de vídeos de desenhos japoneses sobre samurais e ninjas e meninas que se transformam em gatos, se dando por satisfeito até mesmo por assistir animes em outras línguas e sem nenhuma legenda (para um anime, se tornar &#8220;mais incoerente ainda&#8221; é uma impossibilidade prática, então assistir o mesmo desenho em português ou em javanês faz pouca diferença), contanto que ele os assistisse por um mínimo de cinco horas por dia. Nos dias de hoje é mais fácil ser aceito no meio dos otakus, e a falta de critérios mais rígidos tornou o fenômeno extremamente popular.Quem pode ser um otakus? Eu receio que esta frase tenha se tornado redundante atualmente, e que a forma mais sensível devesse ser &#8220;quem <strong>NÃO É</strong> um otaku&#8221;? Qualquer pessoa pode ser um otaku. Sua mãe, seu vizinho, seu contador, sua professora de geografia, seu cachorro, ninguém está a salvo. Até você pode ser um otaku &#8211; se você alguma vez comprou uma peça de roupa dolorosamente ridícula apenas porque havia um ideograma japonês em algum lugar nela, a japanofilia já ceifou sua vida, assim como ceifou muitas outras que se aventuraram a assistir um episódio de Naruto porque &#8220;<em>todo mundo tá assistindo cara!!!</em>&#8221;</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img502.imageshack.us/img502/5417/fatkidmz5.jpg" /><br />
<font SIZE="1">Este rapaz é considerado o mais prolífico cosplayer da atualidade, tendo sido fotografado vestido como mais de 2678 personagens de desenhos animados japoneses</font></center><br />
O otaku comum é um sujeito branco, de classe média alta, e tem entre 14 e 18 anos de idade. Embora espécimes mais velhos tenham sido encontrados, considera-se que o desvio japanófilo tende a desaparecer quando a pessoa começa a ter obrigações adultas de uma pessoa normal, como um trabalho fixo e o interesse por temas que não sejam diretamente relacionado a animação japonesa. O otaku também coleciona aquelas revistinhas horríveis que exigem que você jogue toda sua dignidade na lata do lixo e as leia ao contrário e passa horas aprendendo frases triviais em japonês que ele prontamente usará erroneamente quando se encontrar com outros otakus na loja de artigos japoneses do shopping, pra debater sobre a última vídeo-montagem de Naruto, proclamada como a melhor vídeo-montagem dentre as 367 outras que eles uploadearam no YouTube ontem à noite. Otakus são &#8211; por via de regra &#8211; absolutamente inexperientes em qualquer atividade que requer destreza com o sexo oposto, tornando 135% deles virgens eternos.Um outro hábito característico do grupo é a mania de adicionar sufixos como &#8220;chan&#8221;, &#8220;kun&#8221; e outras palavras de origem satânica aos seus próprios nomes, em uma tentativa desesperada de se aproximar mais ainda da cultura nipônica. Nos fóruns otakus, locais amplamente reconhecidos por cidadãos de bem como &#8220;o ânus da Internet&#8221; é bastante comum ver participantes formando imensas famílias de faz-de-conta, adotando e declarando-se como tios, pais, sogros e irmãos de outros membros do fórum,  catalogando esta árvore genealógica de mentirinha nas suas assinaturas. Como se sabe, isso é uma ridícula e deprimente forma encontrada pelos párias de simular o convívio social que eles não têm na vida real.</p>
<p>Qualquer otaku que se preze jamais seria surpreendido sem trazer no seu mp3 player ao menos 400 mb de j-rock, um estilo que é o equivalente musical de merda de bebê recém nascido. Os mais versados abrangem em suas coleções musicais o J-pop, e é sabido que pop é exponencialmente pior que rock qualquer seja sua forma.</p>
<p>A predileção otaku por j-rock é apenas rivalizada pela sua predileção por pirocas veiosas e/ou representações gráficas de pirocas veiosas desvirginando pequenas estudantes. O que levaria alguém a se masturbar vendo tais desenhos está acima de minha compreensão, mas por outro lado, <a TARGET="new" HREF="http://www.youtube.com/watch?v=xABKJNPXroc"><strong>muito do que os otakus fazem está acima da minha compreensão</strong></a>. O perturbador vídeo do link anterior é motivo mais do que suficiente pra chegar à conclusão de que otakus tem um profundo despeito pela humanidade e tudo que consideramos sagrado.</p>
<p>E como esquecer o cosplay? Para os que não conhecem o termo, cosplay é o que acontece quando anos de abandono e falta de convivência social encontram um cartão de crédito e um site de fantasias de personagens de desenhos animados. Abandonando de vez qualquer último resquício de dignidade que tenha sobrevivido a maratonas consecutivas de OVAs de Evangelion, o otaku não apenas se veste como um personagem fictício de seus desenhos favoritos, mas sai em público trajando essa atrocidade. Há diversos sites e fotologs dedicados a veicular imagens de pessoas que se sujeitam voluntariamente a esse tipo de humilhaçào pública. Sinta-se à vontade para pesquisar sobre o assunto, averiguar as fotos e rir com maldade dessas pessoas.</p>
<p>Otakus, como todo grupinho ignorante de subcultura pseudo-alternativa, se vêem no direito de rotular os outros de forma bastante preconceituosa, julgando-se com a autoridade de desprezar aqueles que em sua opinião não merecem ostentar o título de adorador de animes. Uma subcategoria dos otakus são os otakus posers, ou seja, todo aquele que não se masturbe ao menos cinco vezes por dia lendo fan-fics de Full Metal Alchemist ou que não tenha serialmente pensado em vender todos os seus pertences e mudar-se para o Japão. Para o resto do mundo, otakus posers são apenas pessoas que gostam de alguns desenhos japoneses. Para os otakus, qualquer sujeito que assista animes apenas como hobby casual e não como religião é sem qualquer sombra de dúvidas um mal caráter que merece a pior morte imaginável &#8211; o que me faz lembrar que a sociedade em geral raciocina de uma forma bastante injusta. Um sujeito pode ser um cidadão de bem, pagar seus impostos em dia, frequentar a Igreja e até dedicar seu tempo livre a fazer Mapas de Team Fortress de graça pros amigos. No entanto, basta ele fazer sexo com <strong>UM</strong> cavalo e a sociedade dará as costas para ele.</p>
<p>Agora você pode ser considerado um profissional no tema otaku. O que fazer para impedir o avanço dessa nova onda?</p>
<p>Resista. Otakus são conhecidos por ter uma atração patológica pelo defunto formato Real Video (assim como uma atração patológica por desenhos de tentáculos estuprando gatos antropomórficos). Como todos sabemos, o Real Player é um terrível software programado por Osama Bin Laden em pessoa, em mais uma tentativa de destruir a liberdade ocidental e instalar spywares que colocam &#8220;funcionalidades&#8221; não-requisitadas no seu navegador, como a excelente &#8220;funcionalidade&#8221; de mudar a sua página inicial e a &#8220;funcionalidade&#8221; de ser o pior player na história dos players. Enquanto você estiver longe desse software, anime não poderá tocar você. Cruzes e alho talvez ajudem também.</p>
<p>Ajude. Um otaku pode não ser uma pessoa como eu e você no sentido ético da palavra, e portanto não ser agraciado pelos Direitos Humanos que a sociedade mundial preza tanto. No entanto, isso ainda não é motivo para serrá-los no meio com uma moto-serra enferrujada. Faça como Jesus faria e os ame ou ande sobre água ou reparta pães ou expulse mercadores de um templo ou inicie um feriado mundial para celebrar seu nascimento ou algo assim. <strong>ENTRETANTO</strong>, se seu amigo otaku aparecer em sua residência com um convite extra praquela AnimeCon exclusiva, saiba que nenhum júri no planeta o condenaria por remover a coluna vertebral dele com uma lixa de unhas ali mesmo.</p>
<p>Espalhe a palavra. Mostre esse texto para todos os seus amigos, otakus ou não. O poder é de vocês, já dizia Capitão Planeta. Juntos podemos trazer essa invasão japonesa a um fim relativamente não-trágico. Pra fins práticos, qualquer meio de ação que resulte, mesmo que indiretamente, no fim da cultuação de iconografia japonesa &#8211; isso inclui por exemplo desenvolver uma nova forma do vírus Ebola que se propague através de arquivos .avi cujo nome contenha qualquer combinação das palavras &#8220;samurai&#8221; e &#8220;ninja&#8221; &#8211; será considerado não-trágico.</p>

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		<title>Manual dos Góticos</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2005 00:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos clássicos]]></category>

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Em março de 2004, na sequência de um texto bastante polêmico criticando um certo subgrupo, publiquei um post que se tornou indiscutivelmente o maior sucesso deste blog. O texto foi citado, linkado e plagiado em inúmeros fóruns, comunidades no orkut e blogs ao redor da internet. O que me deixou imensamente feliz, a propósito, já [...]]]></description>
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<p>Em março de 2004, na sequência de um texto bastante polêmico criticando um certo subgrupo, publiquei um post que se tornou indiscutivelmente o maior sucesso deste blog. O texto foi citado, linkado e plagiado em inúmeros fóruns, comunidades no orkut e blogs ao redor da internet. O que me deixou imensamente feliz, a propósito, já que foi meu primeiro texto a receber tamanha visualização e até então eu não achava que produzia alguma coisa que valesse a pena ser lida. A aparição no <a HREF="http://www.ueba.com.br">Uêba</a> cimentou a notoriedade daquele texto, e muitos leitores <em>old-school</em> conheceram o HBD <strong>justamente</strong> por causa daquele post.</p>
<p>Acontece que o post era diretamente dependente das imagens que ele trazia. Tragicamente, seis meses após a publicação do texto, o servidor do Yuri - um amigo que me cedia hospedagem virtual - foi passear. Sem nenhum backup, as fotos foram invariavelmente mandadas pro limbo. O post continuava nos arquivos do site, mas sem as imagens, metade do humor se perdeu.</p>
<p>Apesar de inúmeros pedidos de um remake do post &#8211; o que requeriria fotos novas -, eu sempre me negava a faze-lo. Não queria apelar pra uma &#8220;fórmula de sucesso&#8221;; antes escrever um texto completamente novo e original que tentar atingir a mesma fama do post original de forma preguiçosa. Sabe quando uma continuação acaba ficando uma merda e suja o nome do original? Então.</p>
<p>Por essas e outras, preferi não dar um irmãozinho àquele post. Sem que eu pudesse republica-lo para os leitores antigos, e sem querer criar uma nova versão pros leitores novos, aquele texto seria eternamente apenas uma lembrança. Nada mais que uma parte do legado do site.</p>
<p><center><strong>&#8230;</strong></center><br />
Até agora. Fuçando no Google, esbarrei com um dos muitos blogs que na época copiaram o texto. Muitos plagiadores, reforçando sua natureza preguiçosa, apenas linkaram as imagens. Mas acabei descobrindo uma garota que hospedou as fotos em seu servidor.E hoje, quase dois anos após a estréia do texto que catapultou as visitas e a visibilidade do Hoje é um Bom Dia, eu lhes dou o célebre <strong>MANUAL DOS GÓTICOS</strong>, versão remixada e aditivada.</p>
<p><center><strong>&#8230;</strong></center><br />
Recebi muitos elogios por causa do post sobre os góticos, mas também recebi muitas reclamações. As pessoas ficaram com uma impressão errada de mim. Eu disse que odiava os góticos? Foi um erro de digitação, minha gente. Eu ADORO os góticos. Sério mesmo, amo de coração.Nesses últimos dias resolvi elevar minha devoção pelo goticismo a um nível nunca antes alcançado por ninguém: eu descobri a verdadeira <strong>ESSÊNCIA DO GOTICISMO</strong>! Sim, amiguinhos vampiros. Eu achei o que vocês procuravam esse tempo todo. Agora você poderá adquirir todo esse conhecimento, e não mais pagará mico quando algum coleguinha seu ler meu blog e arrumar um motivo pra encher seu saco.</p>
<p>Então, você quer ser gótico?</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img528.imageshack.us/img528/9898/primeira0uv.gif" /></center><br />
Certo. Mas a primeira coisa que precisa aprender é que a bela e transcendental filosofia gótica se basea &#8211; exclusivamente &#8211; em estética. Então se livre desse boné, ele não é nem um pouco gótico. <center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/3619/segunda4zq.gif" /></center><br />
A propósito, se livre de qualquer peça de roupa que não seja de cor preta. Você é um vampiro deprimido, um poeta atormentado pela dor de coisas que nunca aconteceram, e esse tipo de pessoa não costuma usar roupinhas coloridas. <center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/3963/terceira5yg.gif" /></center><br />
Isso mesmo, bom garoto. Agora entraremos num outro quesito importante: música! <center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/1018/quarta3qh.gif" /></center><br />
11 em cada 10 góticos concordam que Blink 182 é uma das coisas menos góticas do mundo, perdendo apenas para &#8220;ser uma pessoa feliz&#8221; e &#8220;ter amigos&#8221;. Se você possui algum CD da alegre banda, jogue fora. Ofereça-os em sacrifício aos deuses pagãos nórdicos, à mãe natureza, ao Conde Drácula, sei lá.Vá à loja de CDs mais próxima da sua casa. Não vá de ônibus, isso é totalmente anti-gótico. Ao invés disso, espere pelo dia mais quente do ano, vista três camisetas pretas e cinco calças (pretas também, pra combinar) e vá caminhando até a tal loja de discos. Adquira o CD mais gótico que seus olhos góticos encontrarem.</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/1963/quinta0wl.gif" /></center><br />
Esse é um ótimo CD. Ele foi premiado três vezes consecutivas por revistas especializadas como melhor álbum gótico do milênio. Suas belas canções o ajudarão a percorrer o longo caminho de ser tornar um gótico. Mas se bem que já estamos na metade mesmo. <center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/9365/sexta7eg.gif" /></center><br />
Isso mesmo. Sinta o goticismo penetrando o seu ser (não se preocupe, você vai conseguir sentar no dia seguinte). Sinta o ódio, a raiva, a depressão, a dor de barriga. No último caso, vá ao banheiro. E porra, eu não mandei você jogar esse boné fora, caralho? Que merda de gótico é você? <center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/4038/setima4ug.gif" /></center><br />
Hunf&#8230; Ok, ok.Agora você precisa de <strong>TATUAGENS</strong>. Você não será um gótico de verdade enquanto não tiver tatuagens. Afinal, o grande lance do goticismo é desenvolver uma personalidade única e ser diferente de todo mundo, e que melhor forma pra atingir isso que fazendo algo que milhões de pessoas ao redor do mundo inteiro já fizeram? Mas não vá em estúdios de tatuadores, isso é para os consumistas e os massificados. Você sabe, aquelas pessoas que compram roupas na C&amp;A e assistem MTV (coisas que você também faz, embora não admita antes de uma tortura). Faça suas próprias tatuagens góticas com pincel marcador.</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/3025/oitava8tl.gif" /></center><br />
Perfeita tatuagem! Extremamente sinistra. Com apenas quatro riscos, você conseguiu captar todo o espírito e essência da filosofia gótica. Nem Edgar Allan Poe faria melhor, até porque ele era escritor e não desenhista, o que torna essa analogia injusta.Agora, seus cabelos. Vamos dar uma gotizada neles.</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/6586/nona6rx.gif" /></center><br />
Sinta a essência do goticismo tomando conta da sua cabeça &#8211; literalmente. <center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/8352/decima8sj.gif" /></center><br />
Fenomenal! Ninguém diria que esse revoltado garoto gótico há apenas alguns minutos atrás era fã de Blink 182 e usava roupas felizes. A julgar por essa foto, poderíamos até imaginar que o sujeito realmente tem algum motivo pra andar por aí de cara fechada! O objetivo foi atingido com perfeição.Mais um cliente satisfeito.</p>
<p>Agora, o passo fundamental:</p>
<p>Gótico que é gótico precisa tentar se suicidar, nem que seja ao menos uma vez, por motivos banais e/ou inexistentes. Visto que ninguém consegue lembrar a forma certa de cortar os pulsos, não se perturbe com tecnicalidades e vá de cabeça num método testado e aprovado.</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img419.imageshack.us/img419/2182/eleven6sd.gif" /></center><br />
Se você obteve êxito, meus parabéns! Agora você é um gótico! Dê alô ao Cão por mim, a propósito.Se você não conseguiu da primeira vez, não deixe a ida ao hospital e a possível internação forçada numa ala psiquiátrica desencorajá-lo &#8211; continue tentando! Desistir de primeira é coisa pra porcos capitalistas. O corpo humano não é assim tão resistente quanto parece. Envenenamento, enforcamento, salto livre de um prédio de onze andares, jogar World of Warcraft por dias seguidos sem se alimentar ou tomar banho&#8230; Há muitas opções de suicídio neste mundo moderno em que vivemos. Escolha a opção que combine melhor com seu estilo gótico de ser.</p>
<p><font SIZE="1">Agradecimentos ao Trunks, modelo fotográfico profissional e meu irmão nas horas vagas</font></p>
<p><center>&#8230;</center><br />
Ahhhh, que curiosa sensação de viagem no tempo.</p>

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		<title>Grandes Lendas dos Videogames</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2005 17:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos clássicos]]></category>
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Se há uma característica marcante da raça humana, além da nossa habilidade natural de não se dar bem uns com os outros, é o dom da criatividade. Duvido muito que um ser de outro mundo fosse capaz de escrever peças de teatro, compôr músicas que ficam presas nas nossas cabeças meses após termos ouvido-as pela [...]]]></description>
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<p>Se há uma característica marcante da raça humana, além da nossa habilidade natural de não se dar bem uns com os outros, é o dom da <strong>criatividade</strong>. Duvido muito que um ser de outro mundo fosse capaz de escrever peças de teatro, compôr músicas que ficam presas nas nossas cabeças meses após termos ouvido-as pela primeira vez, ou descobrir como equilibrar um salário mínimo até o fim do mês que vem.</p>
<p>E a humanidade mostrou essa criatividade ao longo de sua (relativa) breve existência nesse planeta. Os nossos ancestrais primordiais combinaram pedras afiadas, cipós e paus e inventaram ferramentas que os permitiram pela primeira vez quebrar as cabeças de seus semelhantes. Os homens mesopotâmicos criaram um Deus que até hoje faz com que gente dê dez porcento do que ganha a líderes de igrejas. Nos tempos mais modernos, o homem misturou pólvora e ferro e criou as armas de fogo, excelentes ferramentas para acabar com discussões. Mais recentemente, o homem uniu computadores através de cabos e protocolos de comunicação e descobriu uma forma revolucionária de receber pornografia de graça em casa. Não precisa ser um gênio pra perceber que a criatividade humana foi a ferramenta que nos permitiu ser algo além de macacos jogando cocô uns nos outros.</p>
<p>Criatividade é um privilégio de qualidade divina. Vemos-na em muitos locares (entre os quais podem-se excetuar por exemplo o blog do Eduardo), e ela é sempre recompensada onde é encontrada. Porém, não há um grupo mais criativo neste universo do que os jogadores de videogame. Por um motivo simples.</p>
<p><strong>Basta entregar um jogo qualquer na mão de um moleque de 13 anos, em menos de uma hora ele jurará que existem ao menos 3 vezes mais fases do que realmente há no jogo.</strong></p>
<p>Xeu explicar melhor.</p>
<p>Todas as pessoas que têm mais ou menos a minha faixa etária, ou seja, que cresceram e amaram os mesmos jogos eletrônicos que eu, devem conhecer estas fábulas a que me refiro. Promessas de segredos escondidos, profecias sobre mundos nunca antes explorados, lendas de mistérios que esperavam por você.</p>
<p>Parece muito importante, a despeito do fato de que na verdade não era nem um pouco. Estou falando aqui daquilo que aconteceu com todos aqui, em algum momento de suas vidas, se você possuiu um videogame: seu primo/amigo de sala/vizinho chegava pra você e contava algo sobre alguma área secreta em um jogo qualquer, e a partir daí você deixava de ser um mero jogador de videogame, mas se tornava um verdadeiro desbravador.</p>
<p>Todos aqui tiveram experiências do tipo, de ter ouvido sobre uma suposta fase secreta/item escondido/personagem oculto no seu jogo preferido. Tais mistérios não eram como os de outrora, que eram confessados no leito de morte de um explorador moribundo, mas por um moleque cujo primo tem um amigo que pegou uma revista americana emprestada do vizinho, e que a tal revista explicava todos os passos de como atingir o Eldorado eletrônico.</p>
<p>E nós, claro, caíamos como patinhos. Toda vez. E passávamos boa parte de nossas infâncias procurando os tais locais misteriosos.</p>
<p>E é disso que esse post fala: das lendas mentirosas e dos sonhos destruídos quando descobríamos que não havia área secretíssima porra nenhuma. Algumas vezes a verdade era mais cruel; o amigo do primo do irmão do menino da escola nem existia!</p>
<p><img ALIGN="right" BORDER="1" SRC="http://img191.exs.cx/img191/9531/nuvem5ms.jpg" /><strong>A Fase na Nuvem</strong><br />
Essa aí esteve nos meus sonhos e pesadelos por quase 5 anos. Desde a época em que eu não tinha videogame e jogava minha mesada fora em locadoras em Fortaleza, eu já venerava Super Mario World. Dedicava todo meu tempo livre a catar moedas embaixo do sofá pra ir jogar na locadora do seu Roberto, um argentino que me odiava por causa de um certo episódio envolvendo um rato (explico um dia). Então. Um belo dia, eu e um vizinho discutíamos sobre quem havia aberto mais fases no jogo. Falei, orgulhoso, que tinha quase todas as 96 fases destravadas no meu cartucho de Mario. O garoto soltou, com um ar de desdém, que duvidava que eu tivesse aberto a &#8220;fase na nuvem&#8221;. Perguntei, intrigado, &#8220;que fase é essa?&#8221;. Ele tomou o controle da minha mão e levou meu Mario pixelizado até o segundo mundo, você pode ver na imagem aí em cima. Tá vendo essa nuvenzinha no meio do oceano? Então. O cara <u>jurava</u> que tinha uma fase aí. É desnecessário dizer que eu passei boa parte da minha infância em Donut Plains, o segundo mundo de Mario, tentando achar a passagem que me levaria pra Fase na Nuvem.</p>
<p><img ALIGN="left" BORDER="1" HEIGHT="212" WIDTH="255" SRC="http://img208.exs.cx/img208/3333/honda9ox.jpg" /><strong>A banheira do Honda</strong><br />
Lendas videogamísticas envolvendo partes do cenário que são supostamente interativas com o jogador são mais numerosas que a quantidade de leitores que não me dão esmolinhas, mas a Banheira do Honda era a mais proeminente. Eu particularmente nunca fui muito chegado a Street Fighter, mas como vocês já devem saber, as lendas dos jogos não se limitam aos grupos que têm afinidado com os tais jogos. Eu só devo ter jogado Street Fighter umas duas vezes na vida, duas experiências extremamente tediosas (caralho, eu odiava esse jogo mesmo), mas ainda assim ouvi a história da banheira do Honda. Supostamente, havia uma combinação secreta que, se executada corretamente, no tempo certinho, permitia ao Honda pular dentro da banheira no fundo do cenário e lavar a bunda, ou algo do tipo. Vale lembrar nesse ponto que as lendas tinham muitas micro-variações, mas a idéia principal era sempre a mesma. Um dia, peguei Street Fighter emprestado de um amigo da escola, só pra ver se o negócio era verdade &#8211; a lenda tinha feito mais uma vítima. Imagino que pelo menos uns cinquenta mil controles de SNES foram destruídos por jogadores frustrados ao perceber que a banheira do Honda era tão inacessível pro avantajado lutador de sumô como portas, corredores e outras passagens estreitas.</p>
<p><img ALIGN="right" BORDER="1" HEIGHT="212" WIDTH="255" SRC="http://img139.exs.cx/img139/3239/zelda5oj.jpg" /><strong>A Triforce</strong><br />
Tenho certeza que quando leram os primeiros parágrafos do post, muitos se perguntaram se eu ia falar sobre a lendária Triforce em Zelda The Ocarina of Time. Não é pra menos; a lenda da Triforce era mais notória que Jebus, o doente mental que passa o dia inteiro lá no centro da cidade gritando contra semáforos e pedras. De longe a lenda mais bem trabalhada, a história da Triforce envolvia até mesmo, pasmem, a suposta participação da própria Nintendo! A lenda, ou ao menos a variação que ouvi, era a seguinte: um programador que trabalhou na equipe de de produção de Ocarina of Time fez, sozinho, um <strong>JOGO INTEIRO</strong> e escondeu o tal jogo, ou ao menos a passagem para ele, num artefato conhecido por gamers no mundo inteiro como Triforce. O tal programador teria morrido (e o contador da lenda sempre enfatizava o drama do cara, dando-o pestilências como hemorróidas cancerígenas ou tuberculepra leucêmica, porque afinal de contas todos tínhamos 13-14 anos e nomes complicados davam credibilidade à história) e o segredo do jogo escondido foi levado junto pra cova. A Nintendo ouviu o boato sobre o tal jogo secreto, e queria descobrir onde ele se escondia, para poder aproveitar e honrar o trabalho do programador, lançando o jogo no mercado. Obviamente a Nintendo não ia fazer algo inteligente, barato e rápido como, digamos, abrir o código fonte do jogo e localizar a anomalia. Não, não. Ao invés disso, a empresa resolveu pagar <strong>CINQUENTA MIL DÓLARES</strong> pra qualquer jogador que encontrasse a Triforce, tirasse uma foto da tela da TV e mandasse pra eles.</p>
<p>Essa lenda afetou a vida de muita gente. Amigos antes felizes e sorridentes viraram nada além de uma sombra do que eram antes, de tão obcecados estavam em encontrar a tal Triforce e filar os cinquenta mil paus. Tinha neguinho fazendo até planos pro dinheiro, e não tou inventando. Era uma parada semi-deprimente (não totalmente deprimente porque, em retrospecto, os caras eram otários mesmo e mereciam sofrer pela ingenuidade).</p>
<p>Quando Majora&#8217;s Mask, a continuação de Ocarina of Time, foi lançado, a lenda morreu. Os boateiros de plantão ainda lançaram mão de uma última tentativa de manter a saga viva, ou seja, deram uma espécie de patch na lorota: eis que de repente, &#8220;descobre-se&#8221; o sobrenome do tal programador morto era justamente <strong>MAJORA</strong>, e que o novo jogo era exatamente o mundo secreto atrás da Triforce! Como se pode ver, o engodo é realmente notável. A Lenda da Triforce foi a única mentira que conheço que passou até por update.</p>
<p><img ALIGN="left" BORDER="1" SRC="http://img229.exs.cx/img229/6245/subzero3jd.jpg" /><strong>O Combo de 99 hits do Subzero</strong><br />
Esse não podia faltar, pois foi uma das lendas que mais ouvi na época gloriosa do SNES. Muitos clamavam ter alcançado o tal combo, outros diziam ter testemunhado a tal sequência, e um número equivalente alegava ter parentes que conseguiram acertar a combinação que fazia o Subzero desferir exatas noventa e nove porradas no seu inimigo. O combo de 99 hits virou uma espécie de nirvana dos videogames, um estado de espírito que apenas os mais iluminados poderiam alcançar. Até o grupo dos Grandes Mestres do MK (que era composto de malucos mais ou menos dois anos mais velhos que o resto da turma e que dominavam técnicas milenares dos jogos de luta como cobrir o controle com a camisa pra facilitar o desenvolvimento dos golpes) foi pego de surpresa com o boato. Júnior a.k.a. &#8220;Cabeça&#8221;, o líder não-oficial daquela patota de pré-adolescentes que controlava as partidas de Mortal Kombat com punhos de ferro e camisas de campanhas políticas, foi um dos primeiros a comprar a briga contra a lenda. O moleque passou <strong>MESES</strong> jogando MK3, e após muito tempo sem notícias sobre ter conseguido ou não o tal combo, foi obrigado a inventar as próprias mentiras. Segundo ele, uma vez ele <strong>QUASE</strong> conseguiu, mas faltou energia na hora H. Quando essa lorota se tornou velha, ele passou a alegar que tinha conseguido, e que tinha dado pause no jogo (usando um cheat code que permitia pausar partidas de MK3, o que realmente existe) mas aí a mãe dele não deixou ele sair de casa pra dar as boas novas pros amigos. Como ele tava com medo de deixar o videogame ligado por muito tempo e assim foder o aparelho, acabou desligando-o.</p>
<p>Eu tenho minhas suspeitas a respeito dessa lenda. Imagino que alguém tenha visto Killer Instinct pela primeira vez e achado que se tratava de um outro jogo como, digamos, uma versão nova de MK (a confusão entre jogos era um fenômeno muito comum). Havia um personagem em KI, o Cinder, que quando era azul parecia ser feito inteiramente de gelo. Alguém viu o jogo de luta, o personagem de gelo e aqueles combos brutais que eram o carro chefe de Killer Instinct, e pronto. Surgiu uma lenda que, se minha teoria está correta, foi mais um engano do que uma mentira proposital.</p>
<p><strong>&#8230;</strong></p>
<p>Da forma que vejo, as lendas dos videogames não são muito diferentes das lendas sobre montros marinhos, quedas d&#8217;água no fim do mundo e muitas outras histórias similares que eram senso comum em séculos passados. Assim como os primeiros navegadores, os jogadores de videogame estão diante de um mundo (ainda que virtual) praticamente inexplorado. Superstição, ignorância e imaginação são os responsáveis para que os exploradores preencham as lacunas desconhecidas com invenções próprias. Hoje, com o advento da informação (no caso, os sites especializados que podem rapidamente confirmar ou omitir tais segredos em jogos), as lendas deram lugar ao conhecimento (quase) pleno.</p>
<p>A humanidade pode ter demorado pra descobrir que um navio não cairá num abismo sem fim ao se aproximar do &#8220;fim do mundo&#8221;, mas eu demorei mais ainda pra finalmente abrir mão do sonho de jogar numa fase nas nuvens.</p>

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