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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Brasil 2009</title>
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		<title>Dossiê da Ida ao Brasil, parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 19:41:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil 2009]]></category>

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A viagem ao Brasil começou da mesma forma como todas as minhas viagens começam &#8211; com uma furiosa checagem e rechecagem de todos os pertences eletrônicos que desejo levar comigo.
Sou um viciado em tecnologia E um paranóico em estado clínico de obsessividade-compulsividade. Essa combinação de personalidades revela-se especialmente prejudicante quando estou prestes a viajar &#8211; [...]]]></description>
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<p>A viagem ao Brasil começou da mesma forma como todas as minhas viagens começam &#8211; com uma furiosa checagem e rechecagem de todos os pertences eletrônicos que desejo levar comigo.</p>
<p>Sou um viciado em tecnologia <strong>E</strong> um paranóico em estado clínico de obsessividade-compulsividade. Essa combinação de personalidades revela-se especialmente prejudicante quando estou prestes a viajar &#8211; ao mesmo tempo que quero levar o máximo de gadgets possíveis comigo, só descanso quando verifiquei (múltplas vezes) que não estou deixando nenhum techtoy para trás.</p>
<p>A grande ironia &#8211; que não deixou de se repetir nesta viagem, aliás &#8211; é que eu acabo não usando nada do que trago comigo. O iPhone por exemplo serviu apenas como mp3 player durante os vôos; o PSP saiu da mochila apenas pra ser exibido e manuseado pelos primos que também veneram tecnologia. Os dois controles USB que trouxe comigo, em preparativos pra domar o tédio a bordo das aeronaves por intermédio de emuladores de SNES, ficaram dentro da mochila o tempo inteiro e só vieram pra fora na tradicional checagem e rechecagem do dia da viagem de volta.<br />
<span id="more-970"></span><br />
Quando digo-vos que sou obsessivo compulsivo e que esse ritual de verificar meus pertences tecnológicos várias vezes antes da empacotagem final é repetido duas ou três vezes, não estou exagerando. Além de todas as minhas incontáveis falhas, tenho a memória equivalente a de um peixinho de aquário. O que acontece muitas vezes é que eu coloco algo X na mochila e, 3 itens mais tarde, esqueço-me de ter já guardado o tal X lá no começo da arrumação. Aí eu penso desesperado, &#8220;cadê o X?&#8221;. Não encontrando-o em local algum &#8211; afinal, ele já está na mochila -, resigno-me a revirar o conteúdo da mesma na cama, até achar o item que eu achava ter esquecido. </p>
<p>E o pior, isso se repete duas ou três vezes durante o processo de fazer as malas. É um ritual enlouquecedor.</p>
<p>Aliás, escrevo este texto incerto de onde coloquei o carregador do PSP. E não tou fazendo piadinha não, realmente não lembro de ter colocado na mochila.</p>
<p>O plano originalmente era escrever um pequeno diário de bordo, com entradas de um ou dois pequenos parágrafos, pra não esquecer detalhes sobre a viagem. Como minha estadia no Brasil foi muito corrida (eu saía de casa às 8 da manhã, ia a 3 ou 4 lugares diferentes por dia, voltava pra casa às 3 da matina, completamente exausto), não sobrou tempo ou paciência pra registrar os eventos. Meu diário de bordo acabou tendo apenas uma entrada, escrito durante o vôo Calgary-Toronto:</p>
<blockquote><p><strong>Março, dia 10</strong></p>
<p>Chegamos no aeroporto com duas horas de antecedência, conforme aconselhado. Não serviu pra muita coisa, já que o nosso vôo atrasou quase uma hora e meia. Deveríamos chegar em Toronto às 9:57 e embarcar pra São Paulo às 11 da noite. Duvido muito que pegaremos aquele vôo. Capaz de passarmos a noite em Toronto.</p>
<p>Pelo menos será pela conta da Air Canada. Só espero que consertem todos os vôos direitinho.</p></blockquote>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3344/3345498359_5aa1d3f85e.jpg?v=0" border=1><br />No ar, em direção a Toronto</center></p>
<p>Expliquei melhor a história através do twitter. A namorada e eu embarcamos em Calgary com destino a Toronto no dia 10 de março, de onde pegaríamos um vôo pra São Paulo. Só há um vôo Toronto-São Paulo por dia, e como nosso avião ficou mais de uma hora no chão em Calgary, acabamos perdendo o vôo pra pátria-mãe.</p>
<p>Desci do avião encarando o relógio e dizendo pra mim mesmo &#8220;<em>não vai dar tempo. Essa porra desse avião já saiu faz tempo</em>&#8220;. Não deu outra &#8211; havíamos perdido o vôo.</p>
<p>Uma atendente da AirCanada (que coincidente é a madrinha do meu irmão canadense) se desculpou e passou a procurar no seu computador uma forma de nos acomodar num hotel das redondezas naquela noite, e num avião com destino ao Brasil no dia seguinte. <em>&#8220;Lá se vai um dia das minhas férias&#8221;</em>, pensei irritadíssimo.</p>
<p>A notícia seguinte foi ainda pior. Meio envergonhada, a atendente explicou que não haveria vôo pro Brasil no dia seguinte, dia 11. Ou seja, só poderíamos embarcar dia 12. Eu perderia então <strong>DOIS</strong> dias da porra das minhas férias.</p>
<p>A essa altura, eu já estava <em>literalmente</em> bufando de raiva. A namorada do meu lado tentava me abraçar e me acalmar, mas isso não funciona comigo &#8211; quando estou com muita raiva, os afagos dela me tornam ainda mais revoltado. Vai entender.</p>
<p>Me afastei da menina, pra não acabar explodindo pra cima dela. Nisso a atendente nos entrega dois vouchers, que são cupons pra uso em hotéis da vizinhança pra servir viajantes fodidos pela incompetência da linha aérea. Os cupons cobriam duas noites num Sheraton das proximidades, e a alimentação no restaurante do hotel. Nada mau, mas no momento eu não queria saber de Sheratons ou de restaurantes &#8211; eu estava absolutamente revoltado por estar perdendo tempo com minha família.</p>
<p>A atendente não queria nos deixar esperando por um táxi e se prontificou pra nos deixar no hotel ela mesma. Bateu ponto e foi nos deixar no hotel, passando por um Burger King no caminho e nos comprando um jantar por cortesia da AirCanada. Eram umas 11 da noite a esta altura.</p>
<p>Chegamos no nosso quarto e eu despenquei na cadeira, completamente desconsolado. Liguei o netbook, conectei no wifi do hotel e fui chorar pitangas pros meus amiguinhos que estivessem conectados no momento. </p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3644/3448473892_7a5bb086b4.jpg?v=0" border=1></center></p>
<p>A namorada, por outro lado, viu potencial no nosso breve desvio. A menina sacou o telefone do bolso e começou a ligar pra todos os nossos velhos amigos de Oshawa, que não esperavam nossa presença e se atiçaram todos pra virem nos visitar no hotel. Na manhã seguinte a Jen aparece no nosso quarto, animadíssima, com planos de nos levar pra Oshawa pra tomarmos umas em compania de velhos conhecidos que não víamos há mais de um ano. A turma parecia tão feliz em nos ver que me senti culpado por amaldiçoar a passagem por Ontario.</p>
<p>Mas a irritação de perder dias da minha viagem ainda mordiscava minha mente. No carro da Jen, a caminho de Oshawa, liguei pro atendimento internacional da TAM. Eu estava crente que eles não moveriam uma palha pra remarcar o dia do vôo de volta e assim estender minha viagem, já que o erro tinha sido da AirCanada e não deles. Pra minha surpresa, o atendimento foi excelente e a mulé que tratou do meu caso estendeu minha viagem sem pestanejar, acomodando os dias perdidos pelo vacilo da AirCanada. Embolsei o celular, dessa vez com um sorriso no rosto (o primeiro em mais de 24 horas).</p>
<p>E pude, então, aproveitar a compania dos velhos amigos tranquilo.</p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3340/3448335784_c9437464dc.jpg?v=1239907803" border=1><br />Becca e a irmã Jess, a quem ela não via há mais de um ano</center></p>
<p>Dois dias depois, fizemos check-out no hotel, nos despedimos dos amigos com lágrimas nos olhos, e fomos ao Pearson International Airport, em Toronto. Eram umas 6 da noite, nosso vôo sairia às 11 se não me engano. Paranóico que sou, preferi sair de Oshawa o mais cedo possível, pra compensar qualquer contratempo.</p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3315/3447523197_1566f7ef90.jpg?v=0" border=1><br />Eu, em direção ao salão de embarque do aeroporto em Toronto</center></p>
<p>Chegamos no aeroporto com bastante tempo de sobra. Como não havia nada a fazer mesmo, preferi fazer logo o check-in e matar tempo já no salão de embarque. Me acomodei nas cadeiras bem ao lado do nosso portão e, com três horas pela frente, liguei o netbook e fiquei jogando Super Mario World por uma meia hora, até a namorada (que havia desaparecido temporariamente) depositar uma sacola de papel marrom na cadeira ao meu lado. </p>
<p>Pausei o jogo pra investigar o conteúdo do saco misterioso &#8211; um cheeseburger com fritas, acompanhados de um copo de Sprite que ela trazia na mão com um sorriso no rosto. A menina havia tomado nota de minhas menções de fome durante a viagem de Oshawa pra Toronto, e aproveitou o momento de ociosidade pra ir me providenciar um lanche. É por essas e outras que vou casar com essa menina.</p>
<p>(Sim, noivamos durante a viagem. Depois de 5 anos de namoro e 2 anos morando junto, já estavam ficando sem desculpas pra enrolar a coitada.)</p>
<p>Entre uma mordida no cheeseburger aqui e outra ali, passei a observar a galera ao nosso redor, no portão de embarque. Alguns eram obviamente gringos deslumbrados com a idéia de estarem a poucas horas do paraíso tropical que é nosso país. A maioria, no entanto, era formada por brasileiros intercambistas voltando ao Brasil deslumbrados com a recente e breve estadia no Canadá. Você sabe, é aquele tipinho que passa um mês fora, e volta pro Brasil soltando expressões em inglês &#8220;sem querer&#8221;, simulando em seguida embaraçamento e se desculpando pela força do hábito. </p>
<p>O mesmo tipinho que, quando esteve aqui, passou o tempo inteiro se relacionando exclusivamente com outros intercambistas e usando português durante 98% do tempo. </p>
<p>(Como você deve ter notado, tenho ojeriza a intercambistas)</p>
<p>Ri mentalmente da curiosa dicotomia, tomando nota mental de menciona-la neste exato post. Mais ou menos uma hora mais tarde, começamos a embarcar. E aí aconteceu um dos negócios mais legais da viagem.</p>
<p>Por causa do vacilo da AirCanada, nossas passagens foram upgradeadas gratuitamente pra primeira classe. Como você deve saber, o embarque dos mais endinheirados é feito primeiro. A mulherzinha do auto-falante avisa que no momento o embarque começará, mas que os detentores de passagens de primeira classe vão primeiro.</p>
<p>Nisso eu e a namorada nos levantamos com nossas tralhas pra nos dirigir à fila. Nesses momentos econômicos difíceis, é compreensível que não tantas pessoas possam pagar os quase 5 mil dólares de um bilhete de primeira classe. Por isso, apenas três outros passageiros se dirigiram à fila conosco &#8211; um sujeito bem vestido que era obviamente algum executivo endinheirado, um maluco gordinho e mal vestido que tinha cara de jogador de poker profissional, e uma loira estonteante com um vestidinho azul claro que era ou atriz pornô, ou stripper, ou prostituta de luxo. </p>
<p>Os olhares do resto da galera na nossa direção traziam um misto de admiração e despeito. Os mesmos olhares se repetiram quando já estávamos acomodados em nossos assentos na primeira classe, e os pé-rapados passavam pela gente no seu caminho em direção às suas latas de sardinha na traseira do avião.</p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3373/3448338316_ca5f62ed44.jpg?v=0" border=1><br />First class, bitch</center></p>
<p>Eu notei que o clima na primeira classe seria diferente de qualquer outra coisa que já experimentei na vida quando as aeromoças passaram nos distribuindo <strong>CHAMPAGNE</strong>. Embaixo do assento (que era totalmente automatizado e se reclinava completamente, permitindo sono de verdade durante o vôo) havia uma malinha de plástico com roupão, pantufas, máscaras de sono, lençol de lã, escova de dentes, absorvente feminino, aspirina, enfim, um monte de mimos. À nossa frente, uma telinha de TV com controles digitais, e uma porrada de canais de filmes e o caralho.</p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3405/3447635267_e643c42e71.jpg?v=0" border=1><br />Living the dream</center></p>
<p>Obviamente, eu estava pouco me lixando pra programação pré-definida de vôo, uma vez que eu trazia aproximadamente cinquenta filmes no meu fiel companheiro de viagens, o Acer Aspire One:</p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3386/3447636103_ee62025507.jpg?v=0" border=1><br />Chupem, pobres</center></p>
<p>A única desvantagem é que os cubículos são separados individualmente. Há uma pequena divisória que pode ser retraída parcialmente pra permitir bate-papo entre companheiros de viagem, mas a abertura não era grande o bastante pra permitir que, por exemplo, recém-noivos dormissem abraçadinhos. Fazer o que, não se pode ganhar todas.</p>
<p>O vôo passou bem mais rápido do que eu antecipava, uma benção garantida pela poltrona que ficava perfeitamente paralela com o chão. Assisti uns dois episódios de How I Met Your Mother até que o cansaço das estripulias com os amigos de Oshawa me forçasse a pregar os olhos.</p>
<p>Quando acordei, estávamos a poucos minutos de pousar em Guarulhos, São Paulo. A primeira vez em 6 anos que eu poria os pés em solo brasileiro.</p>
<p><em>To be continued</em></p>

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		<title>O retorno ao Canadá &#8211; prólogo</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2009 14:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
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Antes que eu publique um mega-dossiê para meus caros amiguinhos brasileiros detalhando minuciosamente o meu retorno às terras brasileiras, é necessário relatar uma história engraçada que aconteceu durante o embarque de volta à Canadalândia. É uma linda história sobre tradicional falta de educação brasileira, e sobre não se acanhar e dizer pra uma pessoa mal [...]]]></description>
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<p>Antes que eu publique um mega-dossiê para meus caros amiguinhos brasileiros detalhando minuciosamente o meu retorno às terras brasileiras, é necessário relatar uma história engraçada que aconteceu durante o embarque de volta à Canadalândia. É uma linda história sobre tradicional falta de educação brasileira, e sobre não se acanhar e dizer pra uma pessoa mal educada exatamente aquilo que ela precisa ouvir.</p>
<p>E, melhor ainda, diante de uma platéia. Foi um acontecimento tão fenomenalmente satisfatório que, mal passados dois segundos de seu término, o primeiro pensamento que me veio à mente foi &#8220;TENHO QUE ESCREVER SOBRE ISSO&#8221;.</p>
<p>Aprume-se na cadeira, você está a um clique de distância de ler a minha historinha.<br />
<span id="more-968"></span><br />
Tudo começou na Área D (ou Ala D, ou Saguão D, ou seja lá como se chama o local) do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Eu já havia comido meu McDonalds absurdamente caro (29 reais pra um lanchinho pra dois? Não é à toa que comer em McDonalds é coisa de playboy aí no Brasil), já tinha passado pelas lojinhas de souvenirs, já havia comprado minha revista SuperInteressante pro vôo. Quando decidi que já tinha feito tudo que precisava fazer em solo brasileiro, me dirigi com a noiva pra área de embarque, e de lá em direção ao portão 26, de volta à pátria amada.</p>
<p>(Me perdoem a honestidade mas o que eu amo no Brasil é só a família mermo. E os ufanistas de plantão vão logo tomar no cu com seu discursinho de esquerdista USA-hater filhinho de papai com Nike no pé, Xbox 360 na sala, laptop Dell na mesa e iPod no bolso.)</p>
<p>Enquanto removo nossas bagagens do carrinho e me posiciono na fila de embarque, noto a aproximação de duas mulheres. Uma dela, aparentemente no final de seus trinta e tantos anos de idade, de cabelo levemente loiro à altura dos ombros. Trajava uma blusa vermelha que lhe conferirá a alcunha de Puta Vermelha, já que eu infelizmente não sei o nome da biscate (uma pena, pois adoraria injuria-la aqui no HBD diante de milhares). Sua amiga, tão parecida era que poderia até ser uma irmã, usava uma blusa branca e como se tratou de uma pessoa de mais educação, será identificada como A De Branco.</p>
<p>A Puta Vermelha se aproximava da fila afobada, falando alto no celular e gesticulando nervosamente pr&#8217;A De Branco, que atrasava o passo atrás da amiga tentando equilibrar duas mochilas nos ombros. Feche os olhos e imagine essa cena por um segundo.</p>
<p>No celular, a Puta Vermelha explicava a um interlocutor invisível que ela estava atrasada, e que o seu vôo estava na última chamada, e que por isso &#8220;falo contigo mais tarde e tchau e beijo e boa sorte e manda um abraço pra Suzana&#8221;. Quem será Suzana, meu deus.</p>
<p>(A última chamada, aos desorientados, é exatamente aquilo que você imaginou &#8211; a galera da compania aérea segura o avião no chão por algum tempo além do período determinado pra decolagem, à espera da turma que acordou tarde ou perdeu a carona.)</p>
<p>Nisso começou a malícia.</p>
<p>A Puta Vermelha chegou chegando pertinho da fila, como quem não quer nada, tentando penetra-la por osmose. Aquele jeitinho clássico de quem tá esperando uma boa oportunidade pra furar a fila. Sabe como é a situação, né? Você já deve ter visto, ou até mesmo sido o responsável por tal afronta, pois aposto aqui que você é um filho da puta também.</p>
<p>&#8220;Aqui não, violão&#8221;, pensei com meu botão no saguão enquanto dava um safanão de antemão na namorada pela mão (imaginem-me verbalizando esta frase em ritmo de rap). Me posicionei entre a Puta Vermelha e o local onde a fila afunilava pra se comportar dentro das faixas. Dei uma olhada pro lado da Puta Vermelha, que tentava fingir que não havia ficado completamente revoltada com minha manobra de precisão cirúrgica. Ela se resignou a cortar a fila logo atrás da gente, na frente de uma turminha sem moral que aparentemente não detectou a fuleragem da Puta Vermelha a tempo de intercepta-la.</p>
<p>A namorada me pergunta por que apressei-a a entrar nas faixas. Respondo dizendo que não iria deixar essas espertinhas cortarem na nossa frente. Ela riu e me plantou um beijinho canadense bem ruidoso na testa.</p>
<p>A fila caminha a passos de lesma. Nisso o telefone da Puta Vermelha toca novamente. Agora já completamente impaciente, ela explica de novo (pra outro ouvinte, talvez?) que estava prestes a perder o vôo, que já estava na última chamada. E ela adiciona que não estaria em situação tão complicada&#8230;</p>
<p>&#8220;&#8230;SE NÃO FOSSE ESSE AMERICANO FILHO DA PUTA NA NOSSA FRENTE&#8221;. Sim, ela falou isso mesmo, em tom que convidava a fila inteira a ouvir e quiçá concordar com ela.</p>
<p>(Nota &#8211; a memória me falha, é possível que ela tenha me chamado de babaca e não de filho da puta. Compromisso jornalístico é isso aí)</p>
<p>Foi a deixa! Eu já havia detectado no arzinho de impaciência dela &#8211; que começou a ser emanado no momento que puxei a namorada pela mão executando minha acrobacia tranca-fila &#8211; que uma confrontação direta seria inevitável. Eu estava como que sobre uma mola, só esperando o momento de disparar. E, os deuses nos abençoem, aconteceu.</p>
<p>Virei-me pra trás. Com o ar tranquilo e cordial, falei em bom tom:</p>
<p>&#8220;Sou gringo não. E não vou atrasar o meu embarque por sua causa. Da próxima vez, chegue no horário pra não ter que ficar colocando a culpa do negócio nos outros&#8221; e sorri. Sorri mostrando os dentes, um sorriso muitíssimo filho da puta, sorriso daquele que sente prazer infindável, como se minha própria alma acabasse de receber um boquete.</p>
<p>A mulher fez uma cara como se eu tivesse afrouxado o cinto, puxado a piroca pra fora e dado com ela um tapa na sua cara enquanto todos os seus familiares, conhecidos e colegas de trabalho assistiam tal desmoralização. Surpresa e envergonhada por ter sido pega em flagrante no mais vil ato de ofender alguém pelas costas (figurativamente, já que ela achava que o xingamento passaria incompreendido, e literalmente, porque ela estava atrás da gente na fila), ela fez pose de inconformação. Tirou o celular da orelha e falou, dirigindo-se diretamente &#8211; e tome pleonasmo! &#8211; a mim:</p>
<p>&#8220;Errr&#8230; Logo se vê! Tinha que ser brasileiro mesmo! Mal educado desse jeito só podia ser brasileiro! Babaca!&#8221; bufou ela, indignadíssima e em alto volume. Arrumador de encrenca gosta de platéia (isso explica o HBD, aliás).</p>
<p>O primeiro instinto foi perguntar &#8220;&#8230;e você nasceu onde, retardada?&#8221;, mas aí percebi na velocidade da luz que eu, mesmo sendo brasileiro, já cometi o paradoxo de atribuir más qualidades a nossos compatriotas, como quem diz de forma subentendida &#8220;&#8230;mas EU não sou assim!&#8221;</p>
<p>Ao invés disso, disse algo milhares de vezes melhor. Disse algo que me permitiu dar replay do evento na minha cabeça sentindo orgulho de mim mesmo.</p>
<p>Num arroubo de presença de espírito (não sou geralmente tão belicoso ou ousado), virei-me novamente à Puta Vermelha. Um olhar de soslaio À De Branco me informou que ela se mostrava relativamente passiva à putaria que sua amiga escandalosa tocava.</p>
<p>Vale lembrar neste momento, pra temperar melhor ainda a história, que a essa altura uma considerável parcela da fila nos dedicava sua atenção. A turma sentiu o cheiro de treta no ar e já tava de olho pra ver o que estava rolando, provavelmente desejando em segredo ver uma troca de tapas.</p>
<p>Então, onde eu estava mesmo? Ah sim &#8211; me virei pra trás de novo e vi que A De Branco se mostrava quieta e observativa, enquanto a sua amiguinha Puta Vermelha estava mais vermelha ainda, revoltada e pronta pra armar barraco. Ao nosso redor, a fila que serpenteava no saguão de embarque nos observava. O palco estava armado. E depois da segunda afronta dela, eu tinha que impôr minha moral. Estava no ponto sem retorno. Disse, confiante:</p>
<p>&#8220;E a senhora, minha amiga? Quer algo mais brasileiro que deixar tudo pra última hora, atrasar a vida da galera do seu vôo, tentar furar a fila na cara de pau e ainda se achar dona da razão, pondo a culpa do negócio nos outros, armando barraco sem motivo, gritando palavrão no meio de criança e tudo &#8211; estendi o braço em direção a uma família na nossa frente -, e me xingando na corvadia por achar que eu não entenderia português? Cê não tá mais na favela não, senhora&#8221;.</p>
<p>Ahhh, meus amigos! Aquela acusaçao indireta e improvisada de que minha interlocutora era habitante de comunidade de baixo orçamento e possivelmente dividia domicílio com elementos da fauna criminal paulista foi a cereja no topo de da ofensa. Tendo dito tudo aquilo, me virei de volta pra namorada, já me sentindo vingado e satisfeito.</p>
<p>A Puta Vermelha vacilou na resposta, certamente não esperava que alguém desse uma resposta à altura do seu &#8220;brasileiro é tudo uma merda, menos eu&#8221; que ela provavelmente julgava ser uma retórica infalível.</p>
<p>Uma voz cortou o silêncio, sussurando em forte sotaque carioca &#8220;Caraio, maluco ishculachou a mulé.&#8221; Um &#8220;ela podia ter ficado sem ouvir essa, viu&#8221; veio em resposta, engatado a risos abafados.</p>
<p>Nisso a Puta Vermelha achou as palavras pra retorquir. Me xingou de um bocado de coisa, enquanto eu abraçava a namorada por trás e lhe plantava uns beijinhos no pescoço, como se a encrenca não fosse minha. Os anos de semear discórdia me ensinaram que em determinado momento, é preciso deixar o oponente se estribuchando enquanto você finge que não está nem aí. O sujeito se desespera por não estar conseguindo te atingir, e nisso começa a pisar na bola mais ainda, e passa a apelar. É no momento do apelo do oponente que sua vitória fica cimentada perante a platéia, já que como reza o ditado popular, &#8220;apelou, perdeu&#8221;.</p>
<p>Permaneci calado e dando cafuné na noiva enquanto a mulher bufava logo atrás de mim. Era melhor ficar completamente calado e sair por cima, já que eu já tinha dado um xeque-mate nela. Se tentasse estender a alopração, era capaz de errar na dose e falar merda.</p>
<p>Incapaz de vencer no front original, a Puta Vermelha mudou de estratégia &#8211; apontou pra aliança no meu dedo.</p>
<p>&#8220;Brasileiro pé-rapado casa com americana, ganha green card e fica se achando o rei do gado!&#8221; vociferou a mulé, tentando me arrastar pra mais um round por meio de golpe rasteiro.</p>
<p>Virei pra ela com outro sorriso aberto. Levantei a mão mostrando a aliança e falei:</p>
<p>&#8220;Mão direita é noivado, sua burra, e ela não é americana. Quando a conheci já morava legalmente no Canadá fazia tempo. Fica calada aí por gentileza, cê tá tumultuando o negócio aqui com essas suas jumentices.&#8221;</p>
<p>Sim, falei mesmo &#8220;jumentice&#8221; em pleno aeroporto de Guarulhos, pro deleite de meus conterrâneos que estejam lendo este relato.</p>
<p>Dessa vez as risadas foram mais audíveis, confirmando que a mulher estava perfeitamente e completamente ownada.</p>
<p>E impressionante ela ficou calada. Ou melhor, totalmente calada não, mas passou a apenas sussurrar impropérios pra amiga, ao invés de dirigi-los a mim. Nunca me senti tão vitorioso na vida.</p>
<p>Mal terminei de falar isso e notei que os atendentes do aeroporto haviam aberto outra máquina de raio X &#8211; pra acelerar a fila ou apenas separar os brigões, jamais saberei. Mas a urgência deles de me tirar da fila parecia grande. Apressei o passo, dei boa noite aos seguranças, submeti minhas malas à vistoria eletrônica.</p>
<p>Com o rabo dos olhos vi que a Puta Vermelha havia retomado à pose de ofendida, e havia se aproximado a um agente da Polícia Federal que estava observando os embarcantes. Não dava pra ouvir o que ela tava falando pro cara, mas o dedo em riste na minha direção e a expressão facial não deixava dúvidas.</p>
<p>O tira olhou pra mim, olhou pra Becca, e em seguida se virou pra Puta Vermelha e fez aquele gesto dismissivo com a mão, como quem diz &#8220;sai daqui, sua maluca&#8221;. A expressão dele de indiferença me disse que a última coisa que o cara queria naquele momento é engrossar pro lado de cidadão canadense por causa de perua escandalosa que estava atrasando vôo dos outros. Peguei minha mochila da esteira da máquina de raio X e a vi voltando pra fila completamente desmoralizada. E pior, enquanto ela havia perdido tempo pra me delatar pra PF, a turma que vinha atrás dela se adiantou e passou pelo raio X na sua frente. E era uma turma imensa, talvez um grupo de excursão? Sei lá. Só sei que a infeliz ficou ainda mais atrasada.</p>
<p>Dei adeus ao solo brasileiro me sentindo completamente realizado e feliz.</p>

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		<title>Não morri, negada!</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 19:38:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil 2009]]></category>

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Ao contrário do que alguns estejam pensando, não, eu não passei desta pra melhor (ou pra pior, se a doutrina cristã a respeito do meu estilo de vida estiver correta).
Nos últimos dias estive correndo por toda a região metropolitana da minha querida cidade natal, o que resultou no HBD ter sido aparentemente abandonado por um [...]]]></description>
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<p>Ao contrário do que alguns estejam pensando, não, eu não passei desta pra melhor (ou pra pior, se a doutrina cristã a respeito do meu estilo de vida estiver correta).</p>
<p>Nos últimos dias estive correndo por toda a região metropolitana da minha querida cidade natal, o que resultou no HBD ter sido aparentemente abandonado por um autor relapso. Os que me conhecem bem sabem que eutanizar este blog seria a última coisa que eu faria, mas mesmo assim é bom dar um pulinho aqui pra informa-los sobre o que anda acontecendo. <br />
<span id="more-967"></span></p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3566/3382949188_a198bda310.jpg?v=0" border=1 alt="" /><br />Minha poltrona no vôo Toronto-São Paulo</center></p>
<p>Como vocês devem lembrar, minhas férias no Brasil compreendiam apenas 3 semanas. Neste período eu deveria rever amigos da escola e da faculdade (check) e familiares que eu não via há uma década (check), dar um pulinho em São Luís pra pôr minha situação militar em dia (check). Falta ainda resolver meu CPF &#8211; que provavelmente encontra-se desativado/anulado/seja lá qual é o termo usado no contexto &#8211; e meu título de eleitor, igualmente irregular.</p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3581/3382917760_d8bac3f5c5.jpg?v=0" border=1 alt="" /><br />Praça de alimentação do Shopping Iguatemi</center></p>
<p>Nessa correria consegui também revisitar o Shopping Iguatemi, levar a namorada pra ser assediada pelos hippies vendedores de miçangas lá no Reviver (centro histórico da cidade de São Luís, onde os casarões do período colonial ainda estão), e entrar no Beach Park pela primeira vez na vida.</p>
<p>Antes que me perguntem, não, eu não tive bagos pra descer no Insano (pros não-cearenses: é o maior toboágua do mundo, de 41m de altura, que se encontra no parque aquático). Fui no Sarcófago, que tinha apenas metade da altura do Insano, e quase me borrei no calção de banho. Aliás, a pressão da descida é tão forte que, ao chegar na piscina, verifiquei que meu calção de banho encontrava-se firmemente alojado no meu intestino delgado. </p>
<p><center><img src="http://farm4.static.flickr.com/3427/3378596983_77ffb2589d.jpg?v=1237819557" border=1 alt="" /><br />Becca dando uma de pin-up no Beach Park</center></p>
<p>Temos só mais uma semana em terras brasileiras. Já dá pra ver que a namorada vai ficar inconsolável quando tivermos que dar adeus pra minha família no aeroporto, com destino ao Canadá. Quando voltarmos pra casa e eu tiver mais tempo livre, escreverei um dossiê completo relatando como foi voltar ao Brasil como adulto, e quais foram as impressões da namorada por aqui.</p>

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		<title>24 horas é pouco tempo</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 19:06:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil 2009]]></category>

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Essa foi a primeira coisa que eu pensei após o primeiro dia aqui no Brasil. Apenas 3 dias se passaram, mas corri pra todo lado indo visitar mil parentes e me dá a impressão de que não tenho tempo o bastante pra fazer nada. :(

Como vocês devem saber por ler meu twitter (a única coisa [...]]]></description>
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<p>Essa foi a primeira coisa que eu pensei após o primeiro dia aqui no Brasil. Apenas 3 dias se passaram, mas corri pra todo lado indo visitar mil parentes e me dá a impressão de que não tenho tempo o bastante pra fazer nada. :(<br />
<span id="more-966"></span><br />
Como vocês devem saber por ler meu twitter (a única coisa que eu tive tempo de atualizar nos últimos dias), a AirCanada esculhambou meu vôo de Toronto pra São Paulo, e por isso ficamos presos em Toronto por dois dias. O que era uma desgraça se tornou uma das maiores bençãos que aconteram comigo recentemente, já que a empresa aérea pagou nossa estadia e comida por dois dias, e ainda upgradearam nossa passagem pra primeira classe. Não sei se jamais conseguirei viajar de classe econômica mais uma vez.</p>
<p>O único inconveniente era o fato de que a namorada não pôde dormir abraçada comigo, por causa da divisão que separa cada assento da primeira classe.</p>
<p style="text-align: center;"><img style="border: 1px solid black;" src="http://farm4.static.flickr.com/3624/3355425806_6f2bdf875d.jpg?v=0" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p style="text-align: center;">Becca, no vôo São Paulo &#8211; Fortaleza</p>
<p>O vôo de primeira classe merecia um post exclusivo. Arrisco dizer que tive mais conforto naquela cabine do que em casa. O menu de refeições, que eu desgraçadamente não roubei um pra escanear e mostrar pro mundo, é parecido com o menu de um desses restaurantes franceses chiques.</p>
<p>O que foi a pior parte da viagem, aliás, porque eu não comi nada (sou fresquíssimo pra comer e detesto essas comidas sofisticadas). Cheguei a perguntar pra aeromoça o que a classe econômica tava comendo e pedi se podia comer um dos pratos deles. Ela insistiu, insistiu, eu aceitei a comida chique, odiei e comi só o pãozinho.</p>
<p>Fui recebido como celebridade pela família, que não me via há quase 6 anos. A Becca então&#8230; pro povo mais simples do Ceará (como a minha família, que é de origem muito humild), gringos são vistos como estrelas de cinema. No aniversário do meu primo Mateus, ela era a sensação da noite &#8211; todo mundo queria saber os detalhes da vida e da infância dela, da cultura norte-americana, do que ela tava achando do Brasil&#8230; Vocês sabem como é esse pessoal, acham bonito gente falando inglês e tal. Prevejo que ela chorará muito quando tiver que ir embora, e vai abrir mão de muitas bolsas e cintos de marca pra agendar outra vinda ao nosso país.</p>
<p>Eu gostaria de falar mais, mas estou cansado, queimado de sol (a ironia é que a gringa não se queimou, apesar de ter passado o tempo inteiro sentada no sol), e me arrumando pra ir ao Dragão do Mar. Logo mais às 11 da noite me dirigirei pro aeroporto, pois passarei uns 4 dias em São Luís com a turma de lá. Quando tiver mais tempo e menos coisas pra fazer, pessoas pra ver e lugares pra ir, entrarei em detalhes sobre as impressões da Becca sobre o Brasil e os brasileiros. Enquanto isso, fiquem com as fotos que estou colocando no meu <a href="http://www.flickr.com/photos/izzynobre">Flickr</a> diariamente.</p>
<p>E tirem o olho da minha priminha.</p>
<p>E aos leitores viadinhos que estão esbarrando comigo por aí e só vêm me falar depois no twitter &#8211; deixem de ser frescos, eu não mordo não. Por mais que eu aparente abrasividade aqui no HBD, vocês sabem que meu coração é mole como doce de leite. Apresentem-se, nem que a gente se fale só por 2 minutos. A namorada adoraria conhecer vocês!</p>

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		<title>Eu não canso de me foder</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 06:21:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
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Cês acreditam que eu já consegui me foder de novo? Então.
O vôo AC140 de Calgary pra Toronto deveria chegar no seu destino às 10 da noite, de onde eu deveria embarcar no vôo AC040 com destino a São Paulo. Com apenas uma hora separando a chegada de um vôo da partida do outro, bom senso [...]]]></description>
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<p>Cês acreditam que eu já consegui me foder de novo? Então.</p>
<p>O vôo AC140 de Calgary pra Toronto deveria chegar no seu destino às 10 da noite, de onde eu deveria embarcar no vôo AC040 com destino a São Paulo. Com apenas uma hora separando a chegada de um vôo da partida do outro, bom senso dita que assim que a aeronave pousasse, eu deveria agarrar meus pertences com uma mão e empurrar gringos com a outra, numa correria desenfreada em direção ao outro terminal de embarque. Mesmo que todas as estrelas se alinhassem e nenhum imprevisto aparecesse, seria uma conexão meio difícil.</p>
<p>Acontece que graças a uma sequência de problemas aeronáuticos (primeiro o piloto anunciou que estava esperando o nosso número de confirmação de decolagem, depois falou que um pequeno problema técnico deveria ser averiguado pela turma da manutenção, e finalmente o manifesto da aeronave se perdeu, sabe-se lá como, e tivemos que esperar mais um pouco), nosso vôo chegou em Toronto com nada mais nada menos que 75 minutos de atraso.</p>
<p><span id="more-965"></span><br />
Ou seja, meu vôo de Calgary chegou em Toronto 15 minutos após o outro vôo partir pra São Paulo. Pela segunda vez a compania aérea espera que eu dobre as leis da física e da causalidade temporal pra pegar um vôo.</p>
<p style="text-align: center;"><img style="border: 1px solid black;" src="http://img27.imageshack.us/img27/6646/img0651p.jpg" alt="" width="400" height="500" /></p>
<p style="text-align: center;">Veja pelo lado positivo &#8211; ao menos pude tirar essa foto retardada no lavatório do avião</p>
<p>Perder um vôo por causa da imbecilidade da linha aérea não é tão problemático, afinal isso geralmente resulta numa estadia de grátis em algum hotel das redondezas, com alimentação paga pela compania. Acontece que amanhã não há vôos saindo de Toronto pra São Paulo, e por isso perderemos <strong>DOIS</strong> dias das nossas férias.</p>
<p style="text-align: center;"><img style="border: 1px solid black;" src="http://img6.imageshack.us/img6/7646/dsc03278z.jpg" alt="" width="500" height="400" /></p>
<p style="text-align: center;">O Canadá, a uns 5km de altura </p>
<p>Encontro-me no momento num Sheraton em Toronto, comendo às custas da AirCanada, mas imensamente puto da vida por ter perdido dois dias da minha viagem. Juro pra vocês com toda sinceridade que quando a mulézinha do guichê da AirCanada fez um semblate de decepção e nos informou que não haveria outro vôo pra São Paulo nas próximas 48 horas, tive que me segurar pra não vociverar profanidades e arremessar todos os meus pertences no chão e/ou paredes adjacentes.</p>
<p>Mas me acalmei um pouco depois. Com alguma sorte esses cornos poderão reagendar nosso vôo de volta pra dois dias mais tarde &#8211; desta forma minhas férias não seriam prejudicadas, tornando assim esse desvio infeliz numa sensacional boca-livre às custas da empresa aérea canadense.</p>
<p style="text-align: center; "><img style="border: 1px solid black;" src="http://img27.imageshack.us/img27/4572/dsc03293.jpg" alt="" width="500" height="400" /></p>
<p style="text-align: center; ">É desta mesa que redijo minhas lamúrias</p>
<p>Como eu estou vivendo um período de intenso azar, não estou contando com isso. Mas veremos.</p>
<p>Na PIOR das hipóteses, passei dois dias num hotel bacana com todas as despesas pagas, darei um passei por Toronto e reverei velhos amigos. Claro que estou ainda chateadíssimo diante da possibilidade de perder dois dias no Brasil, por as coisas poderiam ser bem piores.</p>
<p>Vamos ver como o Universo me foderá amanhã.</p>

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		<title>Começando a documentar a viagem</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 17:42:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil 2009]]></category>

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		<description><![CDATA[


É isso aí. Em 4 horas estarei embarcando pro meu vôo, e às 4:30 PM (horário local) estarei desembarcando em Fortaleza.
Nos vemos aí!

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<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hnlfzxD1Xrg&#038;hl=en&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/hnlfzxD1Xrg&#038;hl=en&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p>É isso aí. Em 4 horas estarei embarcando pro meu vôo, e às 4:30 PM (horário local) estarei desembarcando em Fortaleza.</p>
<p>Nos vemos aí!</p>

]]></content:encoded>
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		<title>Super rapidinhas!</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 21:28:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil 2009]]></category>

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Estou a dois dias da minha viagem ao Brasil e, como vossas bichinhas podem imaginar, estou correndo de um lado pro outro tentando atar todos os nós por aqui antes de pegar meu vôo. A namorada está desesperadamente tentando absorver o máximo de português possível antes da ida, tenho que correr aqui e ali pra [...]]]></description>
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<p>Estou a dois dias da minha viagem ao Brasil e, como vossas bichinhas podem imaginar, estou correndo de um lado pro outro tentando atar todos os nós por aqui antes de pegar meu vôo. A namorada está desesperadamente tentando absorver o máximo de português possível antes da ida, tenho que correr aqui e ali pra efetuar alguns pagamentos antes da viagem, e tentando pegar o máximo possível de turnos lá no trampo, pra maximizar o paycheck que estará me esperando aqui na volta. Por isso, ando relativamente sem tempo pra posts mais elaborados. Entretanto;<br />
<span id="more-963"></span></p>
<ul>
<li>Continuo aceitando sugestões de filmes pro meu vôo. Dou preferência a ação/comédia ou um misto de ambos, uma vez que tenho uma tendência forte a parar de prestar atenção em filmes de tons sérios.</li>
<li>Da mesma forma, aceito sugestões de joguinhos (de preferência antigos) para enfiar no meu netbook, quando não houver saco pra ver filmes. Afinal, é uma viagem de quase 20 horas. Use <a href="http://www.flickr.com/photos/izzynobre/3272684250/sizes/o/">essa imagem</a> como referência, pra não sugerirem jogos que eu já tenho.</li>
<li>Querem me recomendar joguinhos de PSP também? Faz um tempaço que não uso o troço da forma que ele foi projetado pra ser usado (ou seja, pra jogar títulos de PSP). Acho que as horas que passarei enfiado numa aeronave a 30 mil pés de altura do Atlântico será um bom tempo pra me atualizar nos lançamentos da máquina.</li>
<li>Como comentei no twitter, tentarei filmar um HBDtv edição ultra especial dentro do avião. Não sei se será possível gravar um programa inteiro, mas sem dúvida tentarei conseguir imagens pro inevitável videoclip que farei sobre a viagem quando eu voltar.</li>
<li>Assisti Watchmen ontem. Foi a mais fiel adaptação de quadrinhos pra telona que eu já vi na vida. Recomendo fortemente. Entretanto, esse é um dos poucos casos em que os neófitos apreciarão o filme mais do que os experientes no quadrinho. Como a trama orbita ao redor de um misterioso assassinato, saber de antemão quem é o culpado e os motivos do crime estraga a surpresa do final.</li>
<li>Estarei em Fortaleza por 15 dias, e em São Luís por 4. Leitores das respectivas cidades, manifestem-se nos comentários, porra! Agora é a hora!</li>
<li>A casa em que ficareitem internet, e por isso tentarei manter uma espécie de diário de bordo da viagem. Não prometo passar muito tempo na frente do computador, entretanto, por motivos óbvios.</li>
<li>&#8230;mas no mínimo, uploadearei fotos/vídeos constantemente.</li>
<li>Após anos assistindo filmes sem legendas, tenho a sensação de que frequentar cinemas no Brasil provocará efeito peculiar. Me pergunto se me incomodarei com as traduções rasteiras, ou se as legendas me distrairão do filme.</li>
<li>E falando em filmes e pirataria, permitam-me deixar essa sugestão pra vocês: descobri o <a href="http://ninjavideo.net/">NinjaVideo</a> hoje. Trata-se de um site onde você pode assistir vários séries em stream, sem precisar se dar ao trabalho de baixa-los. Muito bacana.</li>
<li>Caso vocês tenham fotos de férias em Fortaleza (seja em fotolog/flickr/whatever), sintam-se à vontade pra compartilhar aí nos comentários.</li>
</ul>

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		<item>
		<title>Brasil, aqui vou eu!</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 17:29:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil 2009]]></category>

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A despeito das duas atuais crise financeiras (uma é a crise mundial, e a outra é a minha crise pessoal desencadeada por sair de um emprego que pagava bem e encarar um que paga mal), os planos da minha viagem ao Brasil vão a todo vapor. Faltam nove dias pro meu vôo, o que é [...]]]></description>
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<p>A despeito das duas atuais crise financeiras (uma é a crise mundial, e a outra é a minha crise pessoal desencadeada por sair de um emprego que pagava bem e encarar um que paga mal), os planos da minha viagem ao Brasil vão a todo vapor. Faltam nove dias pro meu vôo, o que é essencialmente uma semana e um peidinho só.<br />
<span id="more-962"></span><br />
Comprei uma mochila nova recentemente, já que minha mochila antiga estava se rasgando todinha. Já separei todos os gadgets e carregadores (na verdade, só dois &#8211; netbook e câmera), comprei cartões de memória novos (um SD de 16gb pro meu mini laptop e um memory stick de 4gb pra minha câmera fotográfica) e já estou desde a semana passada baixando filmes pra assistir no longo vôo de 17 horas em direção a Fortaleza. Na antecipação da falta de tomadas no meu vôo, comprei uma potente bateria de 6 células no ebay, que conferem à máquina vida de aproximadamente 6 horas. A bateria original aguenta outras duas horas e meia. Se eu trouxer o PSP junto, com a bateria titânica de 12-13 horas, não preciso me preocupar mais com entretenimento a bordo.</p>
<p>A propósito, tenham a liberdade de recomendar filmes nos comentários, acompanhados de uma breve sinopse de uma linha sobre a película.</p>
<p>E dormir no avião é o caralho. Pra que diabo gastei centenas de dólares ao longo dos anos com esses gadgets, se eu fosse dormir num vôo internacional? Tenho que fazer valer agora.</p>
<p>Como vocês devem saber, minha família imediata (com exceção de um tio) mora em Fortaleza, no Ceará. Os familiares mais distantes moram no sertão, ali pelos lados de Quixadá/Juazeiro do Norte. Por isso, o destino da minha visita é exclusivamente Ceará. Passarei em São Luís rapidamente, por quatro dias só, pra rever alguns bons amigos e pegar minha dispensa militar, uma pendência de mais de sete anos.</p>
<p>O itinerário é o seguinte &#8211; dia 10, às 4:15 da tarde, embarcaremos daqui de Calgary com destino a Toronto. Chegaremos lá umas 5 horas depois, e de lá partiremos pra Sampa. Uma vez em solo brasileiro, pegaremos uma outra aeronave pra Fortaleza. No dia 16 embarco pra São Luís, e dia 19 estou de volta à minha cidade natal.</p>
<p>Será minha primeira vez no Brasil em 6 anos, e primeira vez em fortaleza em 9. Como eu era um mísero evangélico desempregado de 18 anos quando saí da minha cidade natal, eu não era muito de sair pra baladas nem nada assim, e certa forma que a cidade é meio que inteiramente nova pra mim nesse aspecto. </p>
<p>No roteiro de visitas estão o Beach Park, a Praia de Iracema, Praia do Futuro, Praça do Ferreira (embora eu tenha certo receio de andar pelo centro da cidade com câmera digital e uma loira gringa a tiracolo, praticamente berrando &#8220;me assaltem por favor&#8221;), aquela feirinha de artesanato cujo nome desconheço, shopping Iguatemi (onde passei boa parte da minha infância) entre outros. Sintam-se à vontade pra recomendar pontos a onde devo levar a muié. </p>
<p>Como não podia ser diferente, planejo documentar cada momento da viagem via escrita, fotos e vídeos. Manterei uma espécie de diário de bordo aqui no HBD. Aliás, acho que vou até criar uma categoria nova pra isso, pra facilitar a procura pelos textos daqui há meses ou anos.</p>
<p>Só faltam 9 dias. Mal posso esperar!</p>

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