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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Contos da porn shop</title>
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	<description>Leia. Afinal, você não está fazendo nada mesmo!</description>
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		<title>Confusão com o Piloto</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 18:35:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Como os excelentes senhores devem saber, eu trabalho com um sujeito que convencionei chamar de &#8220;Piloto&#8221;. Já expliquei aqui no HBD por que o chamo de Piloto, mas é essencialmente o seguinte: o cara supostamente era piloto de aviões uns 10-15 anos atrás, e caso você esqueça disso ele faz questão de te relembrar em<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/confusao-com-o-piloto/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Como os excelentes senhores devem saber, eu trabalho com um sujeito que convencionei chamar de &#8220;Piloto&#8221;. <a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/o-piloto-chato" target="_blank">Já expliquei aqui no HBD</a> por que o chamo de Piloto, mas é essencialmente o seguinte: o cara supostamente era piloto de aviões uns 10-15 anos atrás, e caso você esqueça disso ele faz questão de te relembrar em toda ocasião.</p>
<p>Não importa o que você fale, não importa qual seja o contexto da conversa, ele sempre &#8212; <strong>SEMPRE</strong> &#8212; desvia o papo pra falar de aviões e do tempo em que ele era piloto/mecânico de aviões/paraquedista.</p>
<p>Essa incrível polivalência do cara me faz pensar às vezes que cada uma dessas especializações era uma profissão de mentirinha que ele alegava ter, e com o passar dos anos as três se amalgamaram tornando o cara um super expert da aviação. E ele não perde uma oportunidade de menciona-las.</p>
<p>Pra você ter uma idéia: noutro dia comentei por alto que minha mochila do trabalho anda muito pesada porque sempre preciso carregar meus livros de química pra estudar lá.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/07/livros.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3447" style="border: 1px solid black;" title="Quilos de conhecimento" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/07/livros.jpg" alt="" width="454" height="339" /></a></p>
<p>Some isso ao iPad e meu almoço e a mochila fica bem pesada.</p>
<p>Imediatamente o cara começa a tagarelar, com ar de superioridade, que os paraquedas que ele usava eram muito mais pesados, e que uma vez ele teve que saltar durante a noite, o que é perigoso porque a 5 mil pés de altura blá blá blá blá blá blá.</p>
<p>Em outra ocasião, eu e a S  estávamos conversando sobre sapatos.</p>
<p>(Um pequeno parêntese: a S é uma das funcionárias novas que trabalham comigo. Ela é extremamente gente boa e prestativa, bonita, e já trabalhou fazendo filmes pornôs. Ela vive me perguntando &#8212; meio que de brincadeira, meio que não &#8212; quando é que a gente vai começar a nosso próprio estúdio de pornoputarias.)</p>
<p>Então, a S e eu conversávamos sobra sapatos &#8212; mais especificamente, sobre o fato de que eu tenho DOIS pares de sapato, e minha mulher tem aproximadamente 40 (não é hipérbole; a mulher tem tanto calçado que não cabe no armário. O resto ela jogou num quartinho de badulaques que temos aqui.</p>
<p>Pois bem, inacreditavelmente o Piloto conseguiu estabelecer conexão entre essa conversa e sua(s) profissão(ões) de outrora. Ele se mete na conversa do nada pra contar como um dia comprou sapatos novos aí esqueceu de apertar os cadarços porque estava ocupado com o altímetro e quando alcançou X mil pés os sapatos saíram voando. Aí ele dá uma bela gargalhada, achando-se certamente um gênio da comédia cotidiana, enquanto eu e a S nos entreolhamos e mudamos de assunto.</p>
<p>Como se isso já não bastasse pra garantir que ele é o cara mais chato onde quer que esteja, ele é o tipo do cara que adora falar com aparente certeza mesmo quando ele não tem idéia do que tá falando.</p>
<p>Em nenhuma ocasião isso é mais aparente pra mim do que quando ele tenta falar sobre computadores ou tecnologia. É cada abobrinha, cada termo técnico usado erroneamente (&#8220;tive que recompactar meu computador porque formatei minha internet outro dia, a memória RAM tá quase completamente lotada com meus arquivos sobre aviões&#8221;).</p>
<p>Preciso adicionar que ele <strong>JAMAIS</strong> admite estar errado ou não saber a resposta pra alguma coisa? Outro dia eu tava conversando com a S (que tá no último período de Enfermagem e compreende bastante sobre química) sobre glicerina. Há algumas pessoas que tem alergia a glicerina, e por isso vendemos lubrificantes sem o composto.</p>
<p>Lá vem o desgraçado do Piloto falar que glicerina é um <strong>AÇÚCAR</strong>. Não tinha nenhuma necessidade de definir a parada, ele jogou isso na conversa como quem diz &#8220;vejam, vejam, eu manjo de química também&#8221;.</p>
<p>Ambos eu e a S corrigimos o cara no ato, dizendo que é um álcool. Ele bateu o pé. &#8220;É um açúcar, porque blá blá blá blá&#8221;. Mostrei no meu livro que glicerina é um álcool e ele não aceitou.</p>
<p>Pois bem, agora você entende o tipo de babaca que o cara é. Tendo este contexto em mente, você poderá odiar o cara tanto quanto eu no decorrer desta história.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Estávamos eu e a S quase terminando nosso turno, prestes a passar as rédeas da loja pro Piloto, quando o telefone toca. Era a K, que trabalha em outra loja. Ela contou à S que a Gordona havia ficado chateada com ela no dia anterior, porque ela &#8220;foi embora antes do cashout da Gordona&#8221;.</p>
<p>Xeu explicar. No dia anterior, a S e a K trabalharam juntas lá na outra loja, e ao fim de seu expediente a Gordona (uma outra funcionária odiável) chegou pro turno noturno. A Gordona e o Piloto (que ambos trampam no turno da madrugada, porém em lojas diferentes) inventaram juntos uma regra de que os funcionários da tarde devem esperar na loja enquanto eles refazem o balanço do caixa (&#8220;cashout&#8221;). Eles não dizem, mas implicitamente tal regra é pra impedir que o turno da tarde surrupie dinheiro e manipule o balanço pra esconder a safadeza.</p>
<p style="text-align: left;">Número de vezes que isso aconteceu nos últimos cinco anos: zero. Mas de alguma forma o Piloto e a Gordona decidiram que o turno da tarde não é merecedora da confiança deles, e inventaram essa regra aí.</p>
<div id="attachment_3448" class="wp-caption aligncenter" style="width: 293px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/07/fat-lady.jpg"><img class="size-full wp-image-3448 " style="border: 1px solid black;" title="fat lady" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/07/fat-lady.jpg" alt="" width="283" height="308" /></a><p class="wp-caption-text">Gordo só faz gordice mesmo</p></div>
<p>Até aí tudo bem. Quando o Piloto tentou empurrar essa regra em mim, dizendo que eu teria que esperar ele fazer um segundo balanço após o meu antes de ir embora, eu sequer respondi &#8212; apenas dei uma risada e fui embora. Eu treinei o filho da puta, e apesar disso ele vive aparecendo com &#8220;regrinhas&#8221; tentando corrigir supostas falhas procedurais minhas. Como já tou acostumado com esse jeitão de sabetudo dele, e como sei que nada faz alguém se sentir mais idiota do que ser ignorado, é assim que eu respondi: apenas ri e fui embora.</p>
<p>Acontece que a K e a S, por serem mais novatas, não têm esse jogo de cintura. O Piloto e a Gordona trabalham lá a mais tempo que eles, e por isso as coitadas acham que tem que obedecer as regras inventadas pelos dois. Quando fiquei sabendo disso, aconselhei ambas a fazer o mesmo que eu: ignore. Ao término do seu turno, faça seu balanço e vá embora.</p>
<p>No dia anterior a S decidiu fazer exatamente isso, provocando a fúria da Gordona. A Gordona então teria esculachado a pobre S perante a K, e por isso ela ligou pra nossa loja pra relatar a história. Obviamente, a S ficou extremamente chateada, o que me deixou chateado também. Decidi comprar a briga pela S.</p>
<p>Assim que o Piloto entra na loja naquela noite, vou direto ao ponto e pergunto quem foi exatamente que inventou essa &#8220;regra&#8221; a respeito de ter que esperar pelo segundo balanço do caixa. Ele gagueja e insinua que é uma regra da gerência. Corto ele no ato e declaro que não é regra da gerência coisa nenhuma, e que eles dois acabarão se dando mal se continuarem nessa de inventar regras e atribui-las aos chefes sem conhecimento deles.</p>
<p>Uma discussão explode e acabamos indo um pra cada lado, pra esfriar a cabeça. Pouco tempo mais tarde nos reunimos novamente e decidimos esquecer a desavença.</p>
<p>Aí o Piloto fala:</p>
<p><em>&#8220;Mas sabe duma coisa? Essa idéia de fazer um segundo balanço é boa, porque pelo menos o que aconteceu ontem não teria acontecido.&#8221;</em></p>
<p>Eu não estava ciente de nada que havia acontecido no dia anterior. Ele vai e esclarece:</p>
<p><em>&#8220;No seu balanço tava faltando 100 dólares! Só apareceu quando fiz o meu ao fim do meu expediente, às 7 da manhã. Se eu tivesse feito um balanço logo após o seu, às 11pm, teria descoberto o erro antes&#8221;.</em></p>
<p>Pera pera pera. Meu balanço tava desfalcado em 100 dólares&#8230;? Impossível, argumentei. Se estivesse, esse deficit teria aparecido no <em>meu</em> balanço.</p>
<p><em>&#8220;Bom, não sei porque não apareceu no seu&#8221; &#8212; </em>ele falou, e detectei um tom meio acusador<em>. &#8220;Mas eu sei o que aconteceu com o dinheiro &#8212; a gerência veio aqui de manhã e encontrou os 100 dólares embaixo do caixa, entre a gaveta e a divisória plástica das notas. Você deve ter ido fazer um drop desses 100 dólares, mas colocado o dinheiro embaixo do caixa por um motivo qualquer, e esquecido. Por isso o seu balanço estava com 100 dólares a menos&#8221; </em></p>
<p>Mais um parêntese explicativo: o caixa é composto por duas partes &#8212; a gaveta metálica, e uma caixa plástica com divisórias para as cédulas e moedas. Olhaí como é:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/07/caixa.jpg"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="caixa" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/07/caixa.jpg" alt="" width="358" height="268" /></a></p>
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</script></center></div><p>No caso, o dinheiro havia sido colocado entre a gaveta metálica e a divisória plástica. Sacou?</p>
<p>O tal do drop é o seguinte: Sempre que acumulamos 100 dólares em notas de 20, imprimimos um recibo chamado &#8220;drop&#8221;, tomamos nota da quantia, e depositamos no cofre. Por segurança, e tal. O que o Piloto estava dizendo é que aparentemente eu havia &#8220;perdido&#8221; esses 100 dólares de drop, e de alguma forma esse erro não apareceu quando fiz o meu balanço &#8212; uma acusação séria, porque na prática eu estava sendo acusado de <strong>duas</strong> cagadas: colocar o dinheiro no local errado E não ter notado a falta dele.</p>
<p>Falei que jamais fiz tal coisa, e que nunca coloco nada embaixo da gaveta do caixa. Argumentei que, se meu caixa de fato estivesse faltando 100 dólares, isso teria sido descoberto quando fiz o meu balanço.</p>
<p>O Piloto insistiu que não havia sido ele, logo, só poderia ter sido eu. Eu tinha plena certeza que não, porém, o cara garantia a própria inocência com similar furor. Era um impasse.</p>
<p>Abri o caixa e fechei algumas vezes, tentando refazer mentalmente meus &#8220;passos&#8221; no dia anterior. Teria eu jogado a grana lá, como o Piloto me acusava&#8230;? Minha memória é ruim, mas não é <strong>tão </strong>ruim assim. Sem contar que jogar coisas embaixo do caixa é extremamente não-característico pra mim. Eu nunca faço isso. Levantei a divisória plástica algumas vezes, numa espécie de reconstituição do que poderia ter acontecido no dia anterior.</p>
<p>Não adiantava, aquele gesto continuava parecendo extremamente estranho pra mim. Eu jamais fiz isso.</p>
<p>Nessa de abrir e fechar a gaveta do caixa e levantar a divisória, tentando forçar a memória a pegar no tranco, noto um pedaço de papel embaixo dela. Apanhei o papel e olha a surpresa: era um recibo de drop, o indício do real culpado de ter &#8220;perdido&#8221; a grana ali embaixo. A gerência catou a grana quando achou-a, mas pelo jeito deixou o recibo lá mesmo.</p>
<p>Todo recibo da nossa loja porta o horário da transação e código do operador do caixa no momento em que ele foi impresso.</p>
<p>Horário daquele recibo do drop: 12:32am. Código do operador: <strong>era o do Piloto.</strong></p>
<p>Ou seja, era óbvio que havia sido aquele filho da puta, e não eu, que jogou a grana embaixo da gaveta. Mostrei o recibo pra ele.</p>
<p><em>&#8220;Cara, te falei que não fui eu. Foi você, tá vendo? É o teu recibo de drop. Obviamente tu colocou na gaveta e esqueceu!&#8221;</em></p>
<p>O rosto do Piloto era inabalável. Curto e grosso, ele respondeu <em>&#8220;não fui eu, não&#8221;</em>.</p>
<p>Comecei a me impacientar.</p>
<p><em>&#8220;Claro que foi, cara! O recibo tem o teu código, ó! Quem mais poderia ter sido, ora&#8221;</em></p>
<p>Impassível, ele repetiu <em>&#8220;não fui eu. Eu sei que não fui eu&#8221;</em></p>
<p>A impaciência começou a dar espaço a emputecimento.</p>
<p><em>&#8220;Cara, olha o recibo! Tem o teu número, claro que foi você. Quem mais teria impresso isso?&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Não sei&#8221;</em>, respondeu o aviador, num tom que poderia ter sido muito bem <em>&#8220;foi você, pra me incriminar&#8221;. </em>A acusação sutil não passou despercebida.</p>
<p><em>&#8220;Mas é óbvio que foi você, porra! Olhaí o horário de impressão do recibo &#8212; 12:32am. Você estava na loja sozinho! Você acha que eu entrei na loja invisivelmente, imprimi essa porra e joguei na gaveta? Claro que foi você&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Eu não coloquei isso na gaveta. Não fui eu&#8221;</em> a sólida confiança do cara começava a ser erodida pela minha acusação, e o tom de voz dele indicava que ele já não estava mais tão certo. Mas, ainda não disposto a reconhecer a cagada, continuava negando.</p>
<p>Agora eu já tava completamente puto. Uma coisa é você ser acusado de algo que não fez; isso por si só é suficiente pra desencadear fúria homicida. Imagine então ser acusado de algo que você não fez, pela pessoa que realmente cometeu o ato. Essa provoca raiva no nível suficiente pra esmurrar um bebê na cara.</p>
<p>Pra piorar tudo, imagine o acusador se recusar a admitir culpa e se desculpar, mesmo quando há evidência inegável do envolvimento dele na situação. Eu mostrava o recibo pro filho da puta do Piloto, e ele apenas repetia que não havia sido ele.</p>
<p>Não havia sido ele O QUE? Não havia sido ele que imprimiu, não havia sido ele que colocou o papel no caixa&#8230;? Ele já nem esclarecia sua negação. A essa altura ele se limitava a &#8220;não fui eu&#8221;.</p>
<p><em>&#8220;Cara, é lógico que foi você. Quem mais poderia ter impr&#8230;&#8221;</em></p>
<p>Nisso ele me interrompe aos berros. Sob a crescente pressão da minha acusação, o cara explodiu e começou a me acusar de <em>&#8220;falar demais e não aceitar nenhuma explicação que ele dava&#8221;</em>. Eu poderia ter respondido lembrando que o cara não deu explicação de porra nenhuma e se limitava a negar a autoria da cagada, mas pressionar o cara mais ainda me pareceu má idéia.</p>
<p>Pacientemente, sugeri q ele explicasse <strong>COMO </strong>o recibo de drop dele, no horário de trabalho dele, foi parar embaixo da gaveta. Ele responde com um cenário completamente implausível &#8212; nem lembro direito qual era a hipótese do cara, mas era claramente improvável. Envolvia o gerente ter colocado o recibo lá. Nisso olho pra S, que observava toda a confusão com cara de assustada.</p>
<p><em>&#8220;Sei não, cara. Só sei que a única prova da merda toda aponta pra você, e ainda assim você me acusa de ter feito essa cagada&#8221;</em></p>
<p>Ele resmungou alguma coisa e eu falei, novamente, balançando o recibo na frente dele <em>&#8220;cara, só sei que a gerência terá esse recibo em mãos amanhã, eles têm acesso às câmeras de segurança e poderão ver o que você fez às 12:32am daquele dia&#8221;</em>.</p>
<p>Nisso o Piloto faz o impensável. Pela primeira vez ele pede o recibo, com um olhar na cara que dizia &#8220;porra, talvez você esteja certo. Xeu ver essa merda aí&#8221;. Ofereço o papel pra ele, me sentindo triunfante pelo simples fato de que ele parece estar começando a aceitar a possibilidade de que está errado&#8230;</p>
<p><strong>&#8230;E O FILHO DA PUTA JOGA O RECIBO NO TRITURADOR DE PAPEL DA LOJA.</strong></p>
<p>Nem tive reação. Por uns três segundos eu fiquei apenas calado, observando a cena com incredulidade. Logo em seguida me ajoelhei diante do triturador. Era fútil, o recibo tinha virado confete irreconhecivel em cima do confete que já estava lá.</p>
<p>Puto, me levantei, anotei &#8220;12:32am&#8221; num pedaço de papel, e apontei pras câmeras e falei <em>&#8220;agora tu se fodeu, cupade. Vamo ver como tu explica isso pra gerência&#8221;</em>. O Piloto nem mudou a expressão do rosto, ele parecia tão desnorteado quanto eu. Triturar o recibo foi uma reação desesperada.</p>
<p>Pedi uma reunião com os gerentes, expliquei a parada. Eles checaram as câmeras e OLHA LÁ, de fato foi o Piloto filho da puta que pôs o dinheiro embaixo do caixa. Ele tomou uma carcada por ter jogado a culpa em outrem, e uma advertência escrita por ter destruído provas de sua cagada.</p>
<p>Como resultado ele agora está pisando em gelo fino, como se diz aqui fora, então acho que depois dessa ele ficará pianinho na dele.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Simulacro e Simulação: filosofia, dinossauros e pornô</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 19:55:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1999 foi lançado um filme que mudou a minha forma de ver o mundo pra sempre. O motivo pelo qual eu me tornei um fanboy eterno de Matrix é porque os irmãos Wachosmqhioeuiski bolaram um roteiro que, além de justificar cenas de ação inigualáveis na época, orbitava ao redor de uma questão que me<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/simulacro-e-simulacao-filosofia-dinossauros-e-porno/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Em 1999 foi lançado um filme que mudou a minha forma de ver o mundo pra sempre.</p>
<div id="attachment_3344" class="wp-caption aligncenter" style="width: 300px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/matrix.jpg"><img class="size-full wp-image-3344" style="border: 1px solid #000000;" title="matrix" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/matrix.jpg" alt="" width="290" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Caralho, ainda lembro da empolgação de ver esse poster no cinema</p></div>
<p style="text-align: left;">O motivo pelo qual eu me tornei um fanboy eterno de Matrix é porque os irmãos Wachosmqhioeuiski bolaram um roteiro que, além de justificar cenas de ação inigualáveis na época, orbitava ao redor de uma questão que me angustiava há muito tempo (e olha que eu só tinha 15 anos na época): o que exatamente é real?</p>
<p style="text-align: left;">Sempre fui fascinado pelo conceito filosófico da definição do real, desde pivetinho. Quando a verdade sobre as existências do Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Bicho Papão foi revelada, comecei a pensar: o que mais contam pra gente que não é verdade? E se eu não sou realmente &#8220;eu&#8221;? E se meus pais não forem realmente meus pais? E se Deus também foi uma invenção humana? E se o mundo que vejo nos meus sonhos é a realidade, e o que eu penso ser realidade é na verdade algum tipo de ilusão? E se eu sou a única pessoa que existe de verdade, e todos que eu vejo ao meu redor são construções da minha imaginação? <em>E se o mundo que nos rodeia é uma simulação de computador</em>?</p>
<p>Desde então me tornei um ávido consumidor desse tipo de história. Nem preciso dizer que Inception se tornou o meu filme favorito desta década, por abordar muitos dos conceitos utilizados em Matrix. Qualquer filme, história em quadrinho, desenho, livro, artigo na wikipédia ou TVTropes que aborde realidades alternativas e a angústia de não conseguir distinguir entre o que é real e o que é ilusório muito me interessa.</p>
<p>Aliás, até Monteiro Lobato abordou o assunto, sabiam? Se não me engano, é no Memórias de Emília. A Dona Benta conta sobre o filósofo chinês que sonhou que era uma borboleta, e quando acordou achou intrigante a idéia de que talvez, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Zhuangzi_dreamed_he_was_a_butterfly#The_butterfly_dream">ele seja uma borboleta que está sonhando que é um homem</a>. Li isso quando tinha 8 ou 9 anos, e acho que talvez essa passagem do livro seja a origem do meu interesse por esse tema.</p>
<p>Então. Outro conceito filosófico que o filme aborda (e com uma metalinguagem muito interessante) é a do <strong>simulacro</strong>, um termo que deriva do latim &#8220;simulacrum&#8221;. Significa literalmente &#8220;similaridade&#8221;.</p>
<p>Simulacrum é, em termos simples, uma &#8220;cópia&#8221; de algo que não existe realmente; é tentativa de copiar algo que existe de verdade, mas com tantas diferenças que acaba não sendo uma cópia autêntica &#8212; mas que muitos compreenderão como uma representação fiel da realidade. Em seu livro Simulacro e Simulação, Jean Baudrillard argumenta que um simulacro não é uma cópia do &#8220;real&#8221;, mas que por ser aceito por muitos, acaba se tornando real &#8212; ou &#8220;hiper-real&#8221;.</p>
<p>Um artigo do TVTropes que lida com o assunto é o <a href=" http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/RealityIsUnrealistic  ">Reality is Unrealistic</a>.</p>
<p>Um bom exemplo de simulacro são os dinossauros de Jurassic Park (que, inclusive, noto que foi abordado no tal artigo do TV Tropes).</p>
<p><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/jp.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3345" title="jp" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/jp.jpg" alt="" width="320" height="285" /></a></p>
<p>Num trecho do livro (que não foi abordado no filme), John Hammond &#8212; o dono do parque &#8212; reclama praquele cientista chinês lá, o Doutor Wu, que os dinossauros clonados se movem muito rápido. Aos olhos do povo em geral, que está acostumado a ver animais grandes se movendo lentamente (um elefante ou uma baleia, por exemplo), a visão de um dinossauro imenso se movendo muito rapidamente parece surreal.</p>
<p>E ele tem medo que o povo volte pra casa após um dia no parque achando que os dinossauros são robôs ou algo assim. Por isso, ele pede pra Wu que talvez modifique o código genético da próxima &#8220;versão&#8221; dos bichos (no livro, eles tratam os dinos como software mesmo, com versões 2.1 e coisa assim). O Wu reclama de pronto, alegando que os dinossauros não deveriam ser modificados pra ficar mais próximos das expectativas dos leigos.</p>
<p>Se ele tivesse aceitado, os clones lentos seriam um simulacro &#8212; uma &#8220;cópia&#8221; que na verdade não é fiel à realidade, mas que todos aceitariam como se fosse.</p>
<p>Em Matrix, o assunto é abordado de forma deliciosamente metalinguística. Você deve lembrar da cena em que o Neo tá vendendo um software ilegal pro seu amigo  cyberpunk estranho.</p>
<div id="attachment_3346" class="wp-caption aligncenter" style="width: 522px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/choi.jpg"><img class="size-full wp-image-3346" title="choi" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/choi.jpg" alt="" width="512" height="287" /></a><p class="wp-caption-text">Sabe porque foi fácil achar essa imagem no Google? Porque até hoje eu ainda lembro que o nome do cara era &quot;Choi&quot;.</p></div>
<p style="text-align: left;">Lembra dessa cena? Claro que você lembra.</p>
<p style="text-align: left;">O cara dá o dinheiro pro Neo, e aí o hacker vai lá e cata um livro da estante. Este aqui:</p>
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<p style="text-align: left;">Que ele abre e revela isto:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/sim2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3348" style="border: 1px solid #000000;" title="sim2" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/sim2.jpg" alt="" width="250" height="153" /></a></p>
<p>Manjou a brincadeira? O livro que trata sobre cópias falsas era falso e utilizado apenas como um compartimento pra disquetes. Mais interessante ainda é o fato de que Simulacro e Simulação tem apenas 164 páginas, enquanto o livro do Neo é visivelmente bem mais grosso. Ou seja, a cópia é bastante diferente do real.</p>
<p>O fato de que os irmãos Wachowacho usaram justamente o livro do Baudrillard pra fazer essa tomada é genial.</p>
<p>Então, o motivo pelo qual estive pensando nisso tudo esses dias é porque notei recentemente no trabalho que o mundo pornô também tem exemplos interessante de simulacro.</p>
<div id="attachment_3350" class="wp-caption aligncenter" style="width: 390px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/porn1.jpg"><img class="size-full wp-image-3350" title="porn1" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/porn1.jpg" alt="" width="380" height="285" /></a><p class="wp-caption-text">Este texto sobre filosofia agora é sobre putaria</p></div>
<p style="text-align: left;">Eu poderia dizer que pornografia é um simulacro porque ele sempre mostra casais muito mais atraentes do que a média da população humana, em situações completamente absurdas (ao contrário do que roteiristas pornográficos parecem pensar, no mundo real entregadores de pizza não saem comendo tantas clientes assim, se é que comem alguma sequer), e praticam modalidades de sexo que não são seguras, práticas, ou sequer tão prazerosas assim.</p>
<p style="text-align: left;">Mas esses dias eu descobri um exemplo mais interessante do simulacro pornográfico. É o conceito de fluffers &#8212; ou, mais especificamente, filmes que divulgam a existência das &#8220;fluffers de verdade!&#8221;</p>
<div id="attachment_3351" class="wp-caption aligncenter" style="width: 272px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/fluff.jpg"><img class="size-full wp-image-3351" style="border: 1px solid #000000;" title="fluff" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/05/fluff.jpg" alt="" width="262" height="380" /></a><p class="wp-caption-text">Tipo esse aí</p></div>
<p style="text-align: left;">Aulinha de terminologia pornográfica: no mundo pornô, uma &#8220;fluffer&#8221; é uma garota contratada pela produção pra manter os atores em estado de ereção entre takes.</p>
<p style="text-align: left;">Acontece que fluffers <strong>nunca existiram</strong>. O que acontecia é que, nos anos 70 e 80, a indústria pornográfica não era um lance tão sério e profissional como é hoje. E rolava que amigos(as) dos atores e dos diretores costumavam frequentar os sets, pra ver como as coisas eram e tal.</p>
<p style="text-align: left;">E esse povo era, digamos, chegado a uma putaria. Não era raro aquele grupinho de espectadores começarem a se bolinar atrás das câmeras, ou se envolver com os atores ou membros da produção. Surgiu a mitologia de que essas meninas que pintavam a toa em sets de filmes e acabavam trepando com os atores entre as tomadas eram contratadas pra fazer justamente isso &#8212; mante-los excitados enquanto as atrizes retocavam a maquiagem ou reaplicavam lubrificante.</p>
<p style="text-align: left;">Contemporaneamente, sabe-se que fluffers eram um mito. Havia realmente esses &#8220;extras&#8221; orbitando os sets, e algumas acabavam de fato trepando com os atores, mas era um lance espontâneo, não era uma função oficial das meninas. O Ron Jeremy, aliás, ajudou a desmistificar a prática em sua auto-biografia.</p>
<p style="text-align: left;">Então. No ano passado esse estúdio Immoral Productions lançou a série &#8220;Fluffers&#8221;, que mostra o <em>behind the scenes</em> dos filmes pornográficos. Um ator tá lá comendo a atriz, ele anuncia que tá perdendo a ereção, nisso as filmagens páram e uma fluffer entra em cena pra &#8220;ajudar&#8221; o cara. A tagline da série é &#8220;real-life Fluffers caught in action&#8221;. O verso da caixa do DVD diz algo como &#8220;a única série com fluffers de verdade!&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;">Aí que tá. Como fluffers nunca existiram, essa &#8220;simulação&#8221; é na verdade um simulacro &#8212; havia uma lenda, muitas pessoas acreditavam na lenda, e então um estúdio bolou um filme se baseando nessa mitologia, e vende aquilo como se fosse uma representação da realidade.</p>
<p style="text-align: left;">Mas como as fluffers nunca realmente existiram, a idéia por trás do filme é hiper-realista. A &#8220;realidade&#8221; que ela anuncia é completamente inventada.</p>
<p style="text-align: left;">Taí um assunto interessante pra você puxar na sua próxima aula de filosofia. Duvido algum outro aluno conseguir relacionar pós-modernisno com pornoputarias, seu professor ficará impressionado!</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Fodendo tudo pros outros</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Oct 2010 06:53:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse é o meu HP 210 mini (ou HP Mini 210, não lembro. Fiz aviãozinhos de papel com o manual e queimei a caixa do computador), meu netbook de estimação. Ganhei-o da gerência quando minha loja foi assaltada e os meliantes subtrairam meu netbook mais antigo &#8211; essencialmente, eu LUCREI com o roubo. Uso-o pra<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/fodendo-tudo-pros-outros/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p><a href="http://www.flickr.com/photos/izzynobre/4678180666/" target="_blank">Esse é o meu HP 210 mini</a> (ou HP Mini 210, não lembro. Fiz aviãozinhos de papel com o manual e queimei a caixa do computador), meu netbook de estimação. Ganhei-o da gerência quando minha loja foi assaltada e os meliantes subtrairam meu netbook mais antigo &#8211; essencialmente, eu LUCREI com o roubo.</p>
<p>Uso-o pra atualizar o HBD, assistir vídeos engraçados, jogar uma miríade de emuladores e abandonwares, e fazer trabalhos do meu curso. 99% do tempo, faço tudo isso aqui, na loja onde trabalho.</p>
<p>Bons tempos. A partir de semana que vem, não poderei mais usa-lo aqui na loja. E tudo por causa duma funcionária folgada que, a bem da verdade, deveria ter sido demitida há muito tempo.</p>
<p><span id="more-2046"></span></p>
<p>Há aqui uma garota chamada K, pra manter a tradição de nomear colegas de trabalho apenas pela inicial. A K foi contratada mais ou menos uma semana depois de mim, o que em teoria deveria significar que ela tem o mesmo nível de domínio das funções aqui da loja.</p>
<p>Ledo engano. A menina é obscenamente incompetente &#8211; costumeiramente causa prejuízo por dar troco errado, já tomou bronca séria por mentir sobre ter executado uma tarefa, recebeu inúmeras reclamações de clientes por mau tino social, já levou muita mijada por não limpar o espaço em que guarda o almoço, e frequentemente comete o pecado cardinal de não arrumar a loja antes de passar o expediente pra gente, a galera do turno corujão madruguístico.</p>
<p>Pra você ter uma idéia, nas ocasiões em que a chefia viaja e precisa deixar alguém com as chaves do escritório, eles dão a chave a mim. Teoricamente, eles deveriam dar a chave pra turma do turno da tarde, que é o horário de mais movimento e que acaba gerando situações que requerem uma ida ao escritório (papelada de inventório &#8211; ou é inventário? -, trocar cédulas grandes, etc).</p>
<p>O turno da madrugada é deserto, mas eles preferem deixar a chave comigo, do que com os mongóis do turno vespertino &#8211; dentre os quais, a K é a mais experiente. Daí tu tira o nível do resto da galera.</p>
<p>Pois bem. A K tem a má fama de ser muito desleixada, frequentemente comentendo o supracitado vacilo de deixar a loja uma bagunça foda antes de ir embora. Este vacilo é crítico porque ele é notado por (e provoca irritação em) <strong>MIM</strong>, justamente alguém que tem mais moral com a gerência do que ela.</p>
<p>E quando a direção das reclamações é funcionário considerado -&gt; funcionário vagabundo, é fácil concluir que partido a gerência tomará.</p>
<p>Nos últimos dias, como expliquei, estou treinando meu substituto pros turnos da madrugada, o Piloto Chato. Minha ida pro turno da tarde, eu fiquei sabendo ontem, alegra a gerência justamente pelo fato de que eles estão esperando que eu vigie e esculache a folgada da K conforme necessário, algo que eu prefiro não ter que fazer porque geraria inevitavelmente um clima desagradável, mas eu divago.</p>
<p>A K aparentemente tem tomado vantagem do fato de que temos um trainee pra ser mais desleixada do que de costume. No sábado ela não retornou às prateleiras <strong>NENHUM</strong> filme que havia sido devolvido naquele dia, deixando uma pilha de mais de 60 DVDs em cima do balcão com a justificativa de que &#8220;dessa forma o Piloto aprende a retornar os filmes!&#8221;</p>
<p>Tudo em que não é algo que nos custe horas de trabalho extra, mas é uma questão de princípio. É sacanagem deixar seu trabalho pros outros, e ainda por cima ser tão cara de pau em relação a isso. Mas eu deixei passar.</p>
<p>Vacilo. No domingo, aparentemente encorajada pela minha falta de atitude com a vagabundagem do dia anterior, ela chutou o pau da barraca. A loja estava em completa desordem &#8211; tinha caixa de DVD no CHÃO até, algo inadmissível quando a política de fim de expediente é justamente organizar toda a loja pra passa-la pra turma do turno seguinte.</p>
<p>Não bastasse isso, ela foi embora assim que eu cheguei na loja, 25 minutos antes do real final do expediente dela (eu tenho o costume de chegar bem cedo pros meus turnos. Por que você acha que sou queridinho da chefia?). E pra piorar, domingo é caracteristicamente nosso dia mais devagar pra negócios. Ela não tinha nem a desculpa de que alta frequência de clientes não a permitiu deixar a loja em melhores condições.</p>
<p>Ou seja, num dia de pouquíssimo movimento ela deixa a loja em completa bagunça e ainda por cima sai mais cedo. Já é o suficiente pra levar uma mijada foda da gerência caso eles tivessem lavrado o flagrante ao invés de mim. E o realmente pior vem agora.</p>
<p>Quando eu cheguei na loja, ela estava sentada ao balcão assistindo Reservoir Dogs num DVD player portátil. Porra, se a loja tá vazia, seu turno nem acabou ainda e você tem tempo de ficar sentada assistindo filme, qual é a desculpa pra condição em que você deixou a loja?!</p>
<p>Agora, eu SEI que alguns de vocês devem estar pensando &#8220;mas Quide seu hipócrita dos infernos, você passa o expediente inteiro no iPad/iPhone/netbook!&#8221;. Sim, é verdade. E eu faço isso no período de &#8220;downtime&#8221;, ou seja, quando TODAS as tarefas na loja foram executadas e não há mais absolutamente NADA pra fazer.</p>
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</script></center></div><p>Aliás, meu expediente termina às 7 e eu raramente saio daqui antes de 7:10; uso esses últimos dez minutos pra fazer uma super-inspeção pra me assegurar de que a loja está no melhor estado possível. Minha filosofia de trabalho é &#8220;nunca dê um motivo sequer pra alguém reclamar de você&#8221;.</p>
<p>Então, eu fiquei puto com a cara de pau da menina, e o Piloto ficou MAIS AINDA. Afinal, eu tou saindo desse expediente em breve, é ELE que terá que lidar com a folgadice dela.</p>
<p>Por isso, eu estava disposto a ficar calado. Afinal, trabalhando durante a tarde eu terei alguns turnos com ela, e seria um climão foda se eu caguetar a menina e tiver que trabalhar com ela logo em seguida. E como em breve a folgadice dela não me causará mais tanta chateação (assim espero), eu ia deixar passar.</p>
<p>O Piloto, por outro lado, tava furioso e xisnoveou a menina assim que a gerência apareceu, às 7 horas, no final do nosso turno. Eu tava no meio da minha última inspeção da loja e ouvi o cara caguetando a menina. Meu sentido aranha disparou. &#8220;Isso vai dar merda&#8221;.</p>
<p>Como eu tenho mais conceito que o novato, a gerente se virou pra mim e falou &#8220;Izzy, confere isso aí?&#8221;. Eu não podia fazer o companheiro pagar por mentiroso pra encobrir o vacilo da vagabunda, então tive que confirmar tudo. E pensando &#8220;VAI DAR, INDUBITAVELMENTE, UMA BELA MERDA&#8221;.</p>
<p>A gerente ficou nitidamente puta com mais essa reclamação da K e anotou um memorando rápido com os detalhes do nosso relato (a menina assistindo filme, caixa de DVD caída no chão, etc), faxeou pro outro gerente, e falou que resolveria isso sem falta.</p>
<p>E fui pra casa, pensando &#8220;NÃO HÁ NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA RESULTANTE DOS EVENTOS QUE ACABARAM DE ACONTECER QUE NÃO PRODUZA RETUMBANTE MERDA&#8221;.</p>
<p>A essa altura eu havia me arrependido de ter feito qualquer comentário sobre a K com o Piloto, porque eu já começava a sentir que era minha culpa ele ter se incomodado tanto com a situação.</p>
<p>Na manhã seguinte havia uma mensagem da gerente na minha caixa postal. Liguei de volta e ela explicou que iria falar com a K que ela não teria mais permissão de usar nenhum eletrônico na loja (um privilégio que os funcionários aqui conquistam aos poucos), que ela seria demitida sumariamente se mais uma vez saísse da loja antes do final do turno dela, e que eu seria o supervisor direto dela a partir da semana que vem.</p>
<p>Até aí tudo bem. Aí veio a bomba.</p>
<p>A gerente me pediu (com um tom que deixou claro que ela não exatamente queria ter que dar esta ordem) que eu evitasse usar meu computador quando trabalhasse com ela, pra 1) liderar por exemplo e 2) não gerar antipatia ou sentimentos de favoritismo.</p>
<p>Engoli em seco e fui obrigado a falar &#8220;ok, sem problema&#8221; por dois motivos: sendo o uso do computador um privilégio e não um direito, eu não podia exatamente chiar muito ou pegaria mal, e nenhuma gerência não gosta de funcionário reclamão e que fica fazendo muitas exigências. Em certas ocasiões é preciso acatar a decisão dos manda-chuva, e creio eu ser esta uma delas. Não é boa idéia provocar atrito contra as pessoas que têm o poder de remove-lo.</p>
<p>Eu percebi que a minha chefe tava um tanto insatisfeita de ter que me punir junto com a funcionária folgada. Sem que eu pedisse qualquer tipo de corolário à nova regra, ela esclareceu que eu continuo podendo usar o computador sem problema caso esteja fazendo algo relevante ao meu curso, ou nos dias em que trabalharei sozinho. Só na frente da vadia é que eu devo evitar o lazer eletrônico.</p>
<p>Agradecei a concessão e desliguei o telefone. Só que aí veio a dúvida &#8211; todos os meus livros e revistas em quadrinho &#8211; materiais liberados pra apreciação durante o trampo aqui &#8211; estão no iPad (que é, tecnicamente, um computador). E agora?</p>
<p>Tive que quebrar meu próprio protocolo. Liguei de volta pra patroa e expliquei a situação do iPad. Ela falou que não havia problema com o tablet, e ela ainda adicionou que iria deixar claro pra K que ELA estava sendo punida, e não o resto da loja.</p>
<p>E aí estou. Apesar da gerência ter deixado implícito que farão vista grossa pra mim, eu sou que nem o Robocop com suas diretrizes &#8211; não dar motivos pra reclamação é uma doutrina muito forte pra mim. Calculo que, pra evitar qualquer coisa, é melhor limitar ao mínimo possível o uso do computador e do celular no trabalho daqui em diante, o que é uma merda porque são justamente esses pequenos privilégios que fazem meu expediente parecer bem mais rápido do que realmente é.</p>
<p>Aliás, por que vocês acham que eu tenho mais de 110 mil tweets?</p>
<p>Agora é esperar que essa menina acabe sendo demitida por incompetência, ao ponto em que eu presumivelmente recuperarei meus privilégios perdidos.</p>
<p>Que merda. Pior que eu sei que teria o poder de influenciar a gerência pra demitir a menina, agora que trabalharei com ela e estarei ciente de demais cagadas que ela faz por aqui, mas tenho pena da coitada.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O piloto chato</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 07:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Como os senhores devem saber (não é possível que leiam esta merda e me sigam no tuíter e não saibam), eu trabalho no turno de madrugada numa loja de&#8230; erh, artigos adultos. Então. Trabalhei aqui, neste expediente (11 da noite até 7 da matina), por um pouco mais de um ano. A adaptação ao novo<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/o-piloto-chato/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="in_post_ad_top_1" style="margin: 5px;padding: 0px;"><script type="text/javascript"><!--
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<br></div><p>Como os senhores devem saber (não é possível que leiam esta merda e me sigam no <a href="http://www.twitter.com/izzynobre" target="_blank">tuíter</a> e não saibam), eu trabalho no turno de madrugada numa loja de&#8230; erh, artigos adultos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/09/sexshop.jpg"><img class="alignnone" title="Piloto" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/09/sexshop.jpg" alt="" width="400" height="248" /></a></p>
<p>Então.</p>
<p><span id="more-2042"></span></p>
<p>Trabalhei aqui, neste expediente (11 da noite até 7 da matina), por um pouco mais de um ano. A adaptação ao novo horário de sono foi um pouco punk, e causou uns desarranjos biológicos sinistros &#8211; passei alguns meses dormindo 3-4h por dia -, mas agora já estou plenamente acostumado ao estilo de vida notívago. Chegou ao ponto em que eu nem consigo mais lembrar como era a vida antiga de acordar de manhã e ir dormir à noite.</p>
<p>Bom, nos últimos dias eu tento lembrar, porque em breve voltarei a ser um ser humano comum.</p>
<p>Além do desgaste físico e social relacionado a trocar a noite pelo dia, a constante ausência noturna começa a after meu relacionamento, também. Moro com minha mulher, e apenas em dois dias da semana posso dormir ao lado dela. Perder esse pequeno privilégio da vida de casal pareceu inicialmente pouca coisa, mas é algo que gradativamente começou a nos incomodar.</p>
<p>Nos últimos meses, ambos nos tornamos insatisfeitos com esse estilo de vida. Então, pedi à gerência que me transferisse pro turno da tarde.</p>
<p>O problema de fazer um bom serviço num expediente em que não há muita gente disposta a cumprir, é que a gerência não se sente feliz em ter que arrumar outra pessoa que execute o serviço da forma exata que eles gostam.</p>
<p>Por isso, por um bom tempo meus pedidos de transferência foram empurrados com a barriga. Me vi na tragicômica situação de me dar mal no emprego <strong>por ser um bom funcionário.</strong></p>
<p>Dei um ultimato. Ou me transferiam pro turno da tarde, ou eu teria que procurar outro emprego. Dois dias depois eu já tava treinando meu futuro substituto aqui.</p>
<p>E puta que pariu, que infeliz CHATO.</p>
<p>O cara tem uns 50 e tantos anos e, como ele não deixa ninguém esquecer, já foi piloto, instrutor de vôo e de paraquedismo. Por causa de um acidente de carro ou algo assim (eu parei de prestar atenção no papo dele logo cedo), ele não pode mais exercer a função para qual treinou por mais de vinte anos.</p>
<p>Ok, beleza. Consigo me sensiblizar com a desgraça que deve ser perder todo o tempo e esforço que você investiu numa especialização. E pior, parece que o acidente era meio culpa dele ou algo assim, ele não conseguiu muita grana do seguro. Uma desgraça, não há dúvida.</p>
<p>Mas não espere que eu seja seu amiguinho ou queira ouvir as merdas que você tem a dizer.</p>
<p>Como já mencionei, o desgraçado tem o infeliz hábito de sequestrar as conversas e empurra-las na direção da aviação. Qualquer ligação, por mais tênue que seja, é suficiente pra ele começar a tagarelar sobre aeroportos e ailerons e flaps e trens de pouso e sei lá mais o que. Fico o tempo todo me policiando, tomando cuidado pra não falar nada que tenha conexão com esses assuntos.</p>
<p>Infelizmente, o que eu acabei descobrindo é que não existe assunto distante o bastante que ele não seja capaz de rapidamente achar uma conexão com aeronáutica e comece então a matraquear sobre aviões e equipamentos relacionados.</p>
<p>Pior que isso, ele é aquele tipo sujeito que tenta muito soar inteligente. Sabe qual é? Lembra aquele CDF da sala que insistia em &#8220;completar&#8221; a explicação da professora, pra deixar claro que ele tá entendendo a matéria melhor que todo mundo, ao ponto de clarividência?</p>
<p>Então, esse filho duma égua tem esse hábito. Eu tento explicar algo sobre procedimentos da loja, e ele se adianta e fala &#8220;ah, e a gente faz isso porque X, Y e Z, né?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ahn, não.&#8221;  e lá ia eu explicar, de uma forma relativamente educada, que não tinha nada a ver com o que ele sugeriu e que ele deveria parar de tentar soar inteligente e me deixar treina-lo em paz.</p>
<p>Ele faz isso insistentemente, sem qualquer cerimônia, e em sua pressa ele acaba falando uma pérolas incríveis. Por exemplo, eu mencionei pra ele que se um cliente pedir pra usar o telefone da loja, a política é de não permitir. Aí lá vai ele:</p>
<p>&#8220;É mesmo, porque se alguém pegar nosso telefone e sair correndo, ele poderá ficar usando nosso telefone o quanto quiser.&#8221;</p>
<p>Encarei-o sem dizer nada. Ele explicou:</p>
<p>&#8220;É, porque aí ele poderia sair por aí usando nossa linha até que a gente a cancelasse!&#8221;</p>
<p>Eu não sabia nem o que responder pro indivíduo. Como é que alguém recebe autorização dos órgãos reguladores responsáveis pra pilotar um avião cheio de passageiros, e não compreende o funcionamento de um telefone sem fio? Fiquei embasbacado com essa incomum mescla de expertise com estupidez.</p>
<p>Além disso, ele parece não se tocar quando alguém não tem interesse em conversar sobre alguma coisa. Por exemplo, tudo que ele faz da vida, pelo que pude analisar de acordo com as conversas dele, é assistir TV.</p>
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</script></center></div><p>Volta e meia ele tenta me contar sobre alguma coisa que aconteceu em algum reality show que na melhor das hipóteses eu nunca ouvi falar, e na pior, eu odeio que falem sobre.</p>
<p>No primeiro dia ele falou sem parar das aventuras de um tal capitão Phill sei lá o que, de um programa chamado The Deadliest Catch. Um programa de PESCARIA.</p>
<p>Agora, você sabe quem eu sou. Sou um nerd, curto quadrinhos, videogames, tecnologia, ficção científica, essas coisas que você também provavelmente gosta. Sabe qual é o meu interesse num reality show de pesca? Absolutamente nenhum.</p>
<p>A outra situação relacionada foi quando ele veio me falar sobre alguma das últimas presepadas da Paris Hilton. A essa altura eu já tava mais ousado e de saco cheio e por isso falei, de sopetão, interrompendo uma frase dele:</p>
<p>&#8220;I don&#8217;t care about Paris Hilton&#8221;.</p>
<p>Alguém talvez pergunte &#8220;mas Quide/EasyPobre, que boçalidade é essa de escrever em inglês quando um simples &#8220;EU NÃO GOSTO DA PARIS HILTON&#8221; serviria?</p>
<p>Aí que tá, amigos. A expressão &#8220;I don&#8217;t care&#8221; é muito mais potente do que um simples &#8220;eu não gosto&#8221;. O &#8220;I don&#8217;t care&#8221; implica algo maior e mais abrangente que simplesmente não gostar. Ele representa um estado perpétuo e irreversível de indiferença e desinteresse.</p>
<p>E outras palavras, ele equivale a dizer &#8220;não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe&#8221;.</p>
<p>Então. Falei &#8220;I don&#8217;t care about Paris Hilton&#8221;, que deveria servir como um aviso claríssimo de que eu não me interessava na conversa. A reação dele?</p>
<p>&#8220;Oh, I don&#8217;t care about her either. But I saw on TV that she bla bla bla bla bla bla bla&#8221;.</p>
<p>Incrível. Eu achava que a indireta havia sido direta até demais, ao ponto de beligerância, mas pelo jeito o cara é mais burro do que eu dei crédito anteriormente. Resolvi chutar o pau da barraca.</p>
<p>&#8220;Acho que você não me ouviu. I don&#8217;t care about Paris Hilton&#8221;.</p>
<p>Impassível, ele continuou:</p>
<p>&#8220;Eu também não, mas olha só o que ela aprontou agora!&#8221;</p>
<p>Não é possível. Como é que o cara é &#8211; supostamente, porque já começo a ter minhas dúvidas &#8211; capaz de ler complicadas instrumentações aviônicas, mas fracassar tão miseravelmente na simples e clara comunicação verbal humana?! Cabe uma tese de TCC aí.</p>
<p>Foda-se então, vai ter que ser na truculência mesmo.</p>
<p>&#8220;Cara, quando eu digo que eu don&#8217;t care sobre a Paris Hilton, isso significa que eu realmente não me interesso no assunto e não vou participar da conversa, tu vai ficar falando sozinho aí, na boa mesmo&#8221;.</p>
<p>E nessa o cara FINALMENTE se calou. Por uns 3 minutos, aí passou a comparar aviões. Você pensa que eu estou brincando né?</p>
<p>Outra coisa enlouquecedora que ele faz é seguir você. Saca só, imagina eu falando uma bobagem qualquer pro cara (nos momentos de solidariedade em que eu decidi estender a ele o contato humano verbal).</p>
<p>Agora, se eu me levanto e dou umas voltas nas redondezas da loja, mesmo numa distância pequena e que mantém a linha de visão o tempo inteiro, o cara se levanta e me segue BEM DO MEU LADO. A distância é pequena, a loja é vazia e silenciosa, dá pra manter a conversa sem problema. Mas não &#8211; ele tem que seguir você colado.</p>
<p>Isso é enlouquecedor e não demorou muito pros outros funcionários reclamarem do hábito. Por mais que eu dê voltas pela loja tentando despistar o cara, ele me segue numa distância que seria apropriada apenas para a Sra Izzy Nobre, e ninguém mais. É de enlouquecer, sério.</p>
<p>Por causa da presença inconveniente do desgraçado, eu perdi uma boa parte da diversão do meu emprego, que era justamente chegar aqui na porra da loja, trancar a porta (uma nova medida de segurança, depois <a href="http://hbdia.com/wordpress/2010/04/22/lulz-fui-assaltado/" target="_blank">daquele assalto</a>), ligar o iPad e ler livros/revistinhas/assistir filmes/acessar a web no maior conforto, silêncio e solidão.</p>
<p>Não é que eu seja totalmente anti-social. Amo meus amigos e meus momentos mais felizes são justamente aqueles em que saio com eles, ou nos encontramos pra jogar videogame, etc.</p>
<p>Acontece que na nossa vida contemporânea, não há muitas oportunidades pra nos isolarmos completamente. E isso é bom às vezes.</p>
<p>Ou melhor, era. Tive que abrir mão dos meus turnos soliltários pra trabalhar durante a tarde, com uma menina que provavelmente vai dar assunto pra outro post similar porque ela também não é exatamente um cientista de foguetes da NASA.</p>
<p>Bom, tudo isso pra poder voltar a dormir abraçadim com a mulher. Valerá a pena.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O cliente NUNCA tem razão</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 10:07:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos piores aspectos do trabalho com &#8220;customer service&#8221; (ou seja, servir algum tipo de freguesia &#8211; restaurante, loja de roupas, parque de diversões, prostíbulo) é o próprio freguês. E a culpa disso, obviamente, é a máxima  &#8221;o cliente tem sempre razão&#8221; . Quando inventaram essa expressão, tenho certeza que não imaginavam o sofrimento que seguiria.<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/o-cliente-nunca-tem-razao/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p style="text-align: center;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 1px solid black;" title="Clerks" src="http://img171.imageshack.us/img171/9111/clerks.jpg" alt="" width="320" height="240" /></p>
<p>Um dos piores aspectos do trabalho com &#8220;customer service&#8221; (ou seja, servir algum tipo de freguesia &#8211; restaurante, loja de roupas, parque de diversões, prostíbulo) é o próprio freguês. E a culpa disso, obviamente, é a máxima  &#8221;o cliente tem sempre razão&#8221; .</p>
<p>Quando inventaram essa expressão, tenho certeza que não imaginavam o sofrimento que seguiria.</p>
<p><span id="more-1656"></span></p>
<p>Pra surpresa de muitos, &#8220;o cliente tem sempre razão&#8221; não é na verdade uma frase literal. Muitos de nós que trabalhamos nessa área conhecem isso em primeira mão, aliás.</p>
<p>A verdade é que o cliente quase nunca tem razão, e olha lá se algum dia teve. Seja lá qual o motivo pelo qual ele quer um desconto, uma refeição grátis ou uma explicação a respeito de certas políticas da loja, não importa &#8211; ele está errado.</p>
<p>Sempre. Por default. O teste pra definir o certo ou errado numa  loja é o seguinte &#8211; você está do lado de fora do balcão? Sim? Você está errado então.</p>
<p>Ao contrário do que o cliente pensa, o ditado popular não significa exatamente o que ele diz. A verdade está nas entrelinhas &#8211; a frase é apenas um guia pra nós atrás do balcão, uma mensagem em código que significa &#8220;não discuta com o freguês, arrume uma solução mutuamente satisfatória. É melhor do que você ownar o desgraçado, e em seguida receber uma bronca do chefe porque alguém reclamou do seu comportamento&#8221;.</p>
<p>E acredite,  seu chefe SABE que o cliente tá errado. Mas diante uma reclamação formal a respeito de um empregado, suas mãos estão atadas. Ele tem que dar a razão pro cliente, porque senão o superior dele acabará descobrindo.</p>
<p>Mas como o chefe do seu chefe ficará sabendo, você me pergunta? É simples &#8211; fregueses putinhos não têm muito o que fazer nem valorizam seu tempo, já vi casos de nego ficar em espera por quase uma hora no telefone com o departamento regional de um fast food qualquer só pra reclamar que colocaram 3 cubos de gelo no refrigerante dele ao invés de 4.</p>
<p>E aí dá merda pra você E pro seu gerente. E adivinha quem vai ser punido de forma mais severa?</p>
<p>Já trampei no tipo de área que requer que você ouça reclamações imbecis de clientes (quem não, né?), e eu tinha receio que aqui a coisa seria similar.</p>
<p><em>Nope</em>. Não sei exatamente por que, mas a política aqui em relação ao tratamento do cliente vai contra a maré convencional.</p>
<p>Não é que a gente se esforce pra ser escroto, não é isso &#8211; a questão é que quando o freguês está errado sobre uma das nossas políticas, não há reza nem choro que nos faça reconsiderar a posição. E no momento que o cliente esboça insatisfação por meio de comportamento rude, é pé na bunda imediatamente.</p>
<p>E a política que causa mais consternação é a de devoluções. Ou melhor, a falta dela.</p>
<p>Por motivos completamente óbvios pra qualquer pessoa com mais de 3 neurônios, nenhum objeto vendido em uma sexshop (com a exceção de DVDs) está coberto por uma garantia de devolução. Apesar disso, quase diariamente alguém aparece pra reclamar que um vibrador quebrou após algumas semanas, ou o lubrificante com sabor de morango tinha cheiro de banana, cor de uva e gosto de tamarindo.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/04/chaves.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1663" style="border: 1px solid black;" title="chaves" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/04/chaves.jpg" alt="chaves" width="237" height="172" /></a></p>
<p>Ontem um senhor baixinho e meio mal-encarado entrou aqui na loja com uma sacola preta na mão. Em todas as ocasiões que alguém volta à loja com uma das nossas sacolas, eu já sei que o infeliz quer trocar ou devolver algo. E me preparo pro diálogo ensaiado.</p>
<p><em>&#8220;Olhe isso aqui&#8221;</em> diz o homem, puxando um vibrador do saco. Antes mesmo que ele termine de sacar o consolo da sacola, eu o impeço.</p>
<p><em>&#8220;Opa, isso é um vibrador? Você comprou aqui? Pode deixar na sacola mesmo. Qual o problema?&#8221;</em> eu pergunto na curiosidade. A maioria dos outros funcionários já vai falando que não aceitamos devoluções pra tornar a conversa mais curta.</p>
<p><em>&#8220;Não, mas eu quero que você veja qual foi o problema, olha aqui na parte de baix&#8230;&#8221;</em> o homem coloca o vibrador em cima do balcão, pro meu horror.</p>
<p>A paciência começa a se exaurir lentamente, tal qual o efeito da estrela em Super Mario World.</p>
<p><em>&#8220;Camarada, no dia que eu for no seu trabalho e colocar uma cueca suja na tua mesa, você entenderá porque estou te pedindo pra colocar seu vibrador de volta no saco&#8221;</em> falei sorrindo, que é pra não ficar parecendo que era confronto direto. Soou mais como piada.</p>
<p>O cara suspira e joga o consolo de volta no saco. Ele mete a mão lá dentro, remexe e produz uma peça plástica.</p>
<p><em>&#8220;Tá vendo isso aí, é a pecinha que segura as pilhas. Eu fui atarrachar o negócio e ele quebrou!&#8221;</em> justificou o homem, segurando entre o dedo indicador e o polegar a peça que eu não faria a menor questão de inspecionar.</p>
<p><em>&#8220;Tô vendo&#8221;</em> eu não estava <em>&#8220;eu entendo o problema, mas o negócio é que &#8211; como o senhor deve entender -, não aceitamos produtos de volta&#8221;.</em></p>
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</script></center></div><p>Atrás de mim a K, a novata, tomava notas mentais do que eu estava fazendo. Creio que ela ainda não teve que lidar com um cliente desse tipo.</p>
<p>Ao ver que seu pedido pela substituição do vibrador danificado foi prontamente recusado, o cara começou a se estressar. Com as duas mãos no balcão, ele vociferou:</p>
<p><em>&#8220;COMO ASSIM NÃO POSSO?! Isso é um absurdo! Eu comprei isso aqui não faz nem uma semana, e a porcaria da pecinha de baixo quebrou. Vou fazer o que, passar durex nessa porra?&#8221;</em></p>
<p>Ele estava falando alto e gesticulando com animosidade, o que era exatamente o que eu queria. Mesmo que ele conseguisse convencer a gerência de que havia sido mal-tratado sem motivo (o que eles não acreditariam, especialmente porque eu tenho a maior fama de gente boa aqui), as câmeras de segurança da loja corroborariam minha versão dos fatos. Olhei o saco por cima, com teatral desinteresse.</p>
<p><em>&#8220;É uma boa idéia&#8221;</em> eu disse, com tom monótono e distraído e pra fechar o insulto, <em>&#8220;tem que ver que esses modelos baratinhos não são lá essas coisas todas, né&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;COMO ASSIM BARATINHO? ISSO AQUI CUSTOU 30 DÓLARES RAPAZ.&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Então, esse é o &#8216;budget model&#8217;&#8221; </em>eu disse com desdém. &#8221;Budget model&#8221; seria algo como &#8220;versão baratinha pra fodidos com orçamento limitado&#8221;.</p>
<p>Aí o cara se espevitou. Eu havia obviamente tocado num nervo.</p>
<p><em>&#8220;Tou pouco me lixando pro preço, cara. Tenho mais de 10 mil dólares na minha conta! Isso aqui é uma questão de&#8230; de princpípio. De princípio! Vocês me venderam o negócio quebrado e agora&#8230;&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Mas você falou que quebrou quando foi atarrachar a tampinha&#8221;. </em>Whoops. O cara gaguejou. Antes mesmo que ele pudesse se recuperar da rasteira, tive uma idéia brilhante.</p>
<p><em>&#8220;Xeu ver o recibo aí.&#8221;</em></p>
<p>O cara fez um movimento como se estivesse rasgando um papel invisível. <em>&#8220;Eu sempre rasgo esses recibos, cara. Ninguém guarda isso!&#8221;</em></p>
<p>Xeque-mate. <em>&#8220;Bom, como é que eu vou saber que você sequer comprou isso aqui?&#8221;</em></p>
<p>O chegado encrespou de vez.</p>
<p><em>&#8220;Tá me chamando de mentiroso cara?&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Eu? Eu não&#8221; </em>falei. <em>&#8220;Tou apenas te explicando que não aceitamos devoluções, e adicionando que mesmo que aceitássemos, como poderíamos fazer isso sem um recibo?&#8221; </em></p>
<p>O cara perdeu as estribeiras.</p>
<p><em>&#8220;Olhaqui moleque&#8221;</em> o dedo indicador subiu, apontado pra mim <em>&#8220;Você tá de palhaçada comigo. Quando eu compro uma furadeira no Home Depot, se esssa porra estiver quebrada, eu volto lá e eles me dão uma nova. Isso se chama &#8216;bom serviço ao consumidor&#8217;, tá bom?!&#8221; </em></p>
<p>Ahhhhhhh, senti o gostinho da vitória na boca. Quando descobrem que não fazemos qualquer tipo de devolução, os clientes mais burrinhos traçam paralelos entre a nossa loja e qualquer outro estabelecimento onde eles fizeram devoluções bem sucedidas.</p>
<p>A jumentice inerente a este pseudo-argumento, pelo que me parece, escapa a maioria das pessoa. É nessa hora que posso dar o golpe de misericórdia.</p>
<p><em>&#8220;Veja bem, meu amigo. Faz um tempo que eu não vou no Home Depot, mas eu lembro que nenhum produto vendido lá é comum ou voluntariamente inserido nos orifícios dos fregueses. Essa é a diferença básica entre a nossa loja e a deles, o que os permite o luxo de pegar produtos de volta&#8221;.</em></p>
<p>O cara parou de chilicar por um segundo, procurando um contra-argumento. Não achou. Pela sua cara, notava-se que a ficha havia acabado de cair e ele finalmente entendeu o motivo por trás da política de não-devolução.</p>
<p>Não querendo ceder, ele pediu o número e o nome da minha gerente, que eu dei de bom grado. Minha gerente odeia clientes burros e abusados mais do que qualquer outra coisa, eu sabia que no dia seguinte ouviria uma boa anedota sobre o cara.</p>
<p>E não deu outra. Ela me contou que o sujeitinho ligou e falou que eu havia sido muito mal educado e que não quis ajuda-lo. Aparentemente ele usou a lógica da furadeira pra cima dela também.</p>
<p>Ela respondeu sem titubear que da próxima vez que quisesse enfiar algo no cu, voltasse à Home Depot. E desligou na cara dele.</p>
<p>Eu adoro meu emprego.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Valentine&#8217;s Day</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 12:23:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Como vossas bichências devem saber (ou não, sei lá), dia 14 de fevereiro é o Valentine&#8217;s Day, o equivalente gringo do nosso Dia dos Namorados. Dia dos Namorados o mais descarado de todos os feriados artificais criados pra agitar um mês fraco pras compras &#8211; não se engane, essa é o único motivo pra existência<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/valentines-day/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/02/cupid.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1567" title="cupid" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/02/cupid.jpg" alt="cupid" width="269" height="214" /></a></p>
<p>Como vossas bichências devem saber (ou não, sei lá), dia 14 de fevereiro é o Valentine&#8217;s Day, o equivalente gringo do nosso Dia dos Namorados.</p>
<p>Dia dos Namorados o mais descarado de todos os feriados artificais criados pra agitar um mês fraco pras compras &#8211; não se engane, essa é o único motivo pra existência da data. A única diferença é que aí na pátria mãe temos o Carnaval em fevereiro, então não houve necessidade de adotar o mesmo dia que os gringos usam. Mudou-se pra junho. É junho, né? Parei de celebrar essa data em 2003, então não lembro.</p>
<p>(Quando minha mulher ficou sabendo que o Dia dos Namorados tupiniquim localiza-se em outra data, a gringa se espevitou toda pra que adotássemos ambas datas. Com algum malabarismo lógico, consegui faze-la abandonar a idéia)</p>
<p>Tirando essa diferença cronológica, o Valentine&#8217;s Day tem uma importante semelhança com o nosso Carnaval:</p>
<p>Pessoas trepam MUITO nessa data. E como você pode facilmente concluir, isso é bastante significativo pra alguém que trabalha no ramo em que eu trabalho.</p>
<p><span id="more-1566"></span></p>
<p>Cheguei aqui na loja no dia 14 e essa porra tava completamente, absurdamente lotada. Pra te dar um contexto, como trabalho de madrugada e este é um horário em que pessoas de bem geralmente estão no quinto sono, eu costumava considerar &#8220;loja lotada&#8221; qualquer número superior a 3 fregueses.</p>
<p>No Valentine&#8217;s Day havia quase 40 pessoas na loja simultaneamente. Acabei de medir a loja com passos e, se minhas aulas de geometria da sétima série não foram completamente esquecidas, calculei que a loja tem aproximadamente 260 metros quadrados. Ou seja, era gente pra cacete, considerando a área pequena.</p>
<p>Tentei até fazer uma planta da loja no MS Paint, pra ilustrar melhor o negócio, mas em menos de 3 linhas notei que não tenho o menor talento &#8211; ou sequer coordenação motora - pras artes visuais. O Michael J Fox numa montanha russa faria um trabalho mais decente, o que seria o segundo motivo pelo qual ele é melhor que eu (o primeiro é que ele vôou num hoverboard).</p>
<p>Praguejei baixinho enquanto dava a volta no balcão pra tirar minha mochila, meu casaco, e me situar. A condição presente significava duas coisas:</p>
<ul>
<li>Com tamanho volume de consumidores de dildos, calcinhas comestíveis e revistas de mulher pelada, eu teria que zanzar pela loja constantemente pra desencorajar os mãos-leves a embolsar mercadoria sem pagar. Ou seja, nada de ficar twittando ou escrevendo artigos daqueles que pagam o meu aluguel (obrigado <a href="http://tecnoblog.net/" target="_blank">TecnoBlog</a>, <a href="http://appstoreblog.com.br/" target="_blank">AppStore Blog</a>, e <a href="http://bobagento.com/" target="_blank">Bobagento</a>!).</li>
<li>Sou o único trabalhando no horário da madrugada. E ainda bem, porque essa velhota que contrataram pra substituir a antiga gorda neurótica é mais velha, mais gorda, e mais inútil que a outra. Dei mil vivas quando consultei a postagem dos horários e vi que não trabalharia mais com ela). Assim sendo, não posso ir ao banheiro até que todos os pervertidos tenham ido embora. Já passei sufoco de ter que esperar mais de uma hora pra um punheteiro particularmente indeciso comprasse seus DVDs e fosse embora; quanto eu teria que esperar pra que 40 clientes fossem embora?</li>
</ul>
<p>Praguejei novamente, puxei uma cadeira e sentei-me ao balcão, observando as câmeras de segurança. Casais se davam beijinhos enquanto decidiam que óleo de massagem comprar, e os punheteiros solitários compravam seus filmes de travecos com uma dose de vergonha e depressão maior do que a de costume.</p>
<p>Eventualmente essa turma toda se mandou. Eu corri, tranquei a porta, fui ao banheiro e esvaziei mais ou menos 3 litros de urina. Voltei ao balcão e montei minha área de trabalho costumeira: netbook, iPhone servindo como modem, Opera com 18 abas abertas, e minha cópia de Jurassic Park. Já li essa porra umas seis vezes.</p>
<p>Já mais aliviado, dei uma olhada na caixinha que temos aqui atrás do balcão. Todos os objetos de relevância (itens danificados, faxes de fornecedores, recados de outras lojas, etc) vão pra caixinha, pra que a gerência lide com os troços.</p>
<p>Notei que havia uma porrada de currículos na caixinha, o que achei incomum mas rapidamente fez bastante sentido &#8211; antecipando que o núcleo famíliar provavelmente aumentaria nos meses seguintes à uma noite de fodelança descontrolada, os mais precavidos já estariam na caça de um segundo emprego.</p>
<p>Folheei os currículos com notável animosidade &#8211; estes/estas infelizes acham que podem vir aqui e tomar meu emprego? Veremos o que o triturador de papel tem a dizer disso.</p>
<p>Em todo emprego você aprende algo importante, e uma das coisas que aprendi aqui (além das melhores marcas de lubrificante e estúdios de pornografia) é que a grande maioria das pessoas em geral não sabe escrever um currículo.</p>
<p>Na minha mão havia uma larga amostra de todo tipo imaginável de gafe profisional que alguém pode cometer no seu CV: mudanças de fontes ao longo do documento, erros elementares de ortografia, montanhas de informações irrelevantes (&#8220;sério que você fez um curso de paraquedismo em 1999? Puta que pariu, ainda bem que você avisou, tá contratado!&#8221;)</p>
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</script></center></div><p>Nunca tive um trabalho que me desse essa oportunidade pra analisar currículos, e eu descobri que currículo é uma parada que desperta o crítico em nós. Eu lia os currículos com atenção, sherlock-holmeando toda informação que eu podia extrair dos dados que o fulaninho entregou.</p>
<p>E aloprando tudo.</p>
<p>Mora em X? Boa gente não pode ser. Fez faculdade em Y? Que pobre fodido. Cursava A na universidade B e largou? É um vagabundo de marca maior. Como assim este desgraçado não tem um email pra contato? É de fato um indigente e possivelmente mora naquela lata de lixo ali do beco e tem leptospirose.</p>
<p>E aí encontrei um currículo que me deixou sem reação por alguns instantes. A garota recebeu educação prestigiosa &#8211; formou-se como paramédica numa célebre faculdade local, além de ter retornado pra cursar Radiocomunicação.</p>
<p>Credenciais respeitáveis, embora levante a questão &#8220;por que diabos uma paramédica licenciada está tentando arrumar trabalho numa sex shop?&#8221;.</p>
<p>Foi a linha abaixo que realmente me chocou. De acordo com o CV da garota, ela também tinha um outro diploma.</p>
<p>Em Teologia Bíblica.</p>
<p>Muita coisa veio a mente em seguida. Primeiro, aquele currículo era a prova cabal da incerteza que orbita a existência de um universitário: era notável que a mulher tentou diversos ramos acadêmicos e não se satisfez com nenhum.</p>
<p>E o motivo é simples. Quando você escolhe sua faculdade, você só estará entrando naquele mercado de trabalho, realisticamente, nos próximos 5 anos. Não há nenhuma garantia de que a área de atuação escolhida permaneça tão lucrativa; é uma aposta às cegas.</p>
<p>Este é um fato conhecido por qualquer pessoa que já tenha cursado uma faculdade por mais de 2 anos; calouros irritantes com sua postura &#8220;passei no vestibular = minha vida está feita&#8221; irão um dia sentir a piroca flácida da realidade batendo ruidosamente em seus rostos.</p>
<p>Entrar numa faculdade (e por extensão, obter um diploma) às vezes não significa absolutamente nada no mundo real &#8211; vide esta paramédica formada tentando concorrer a um trabalho contra MIM, um imigrante brasileiro que abandonou a faculdade pra vir pra cá.</p>
<p>(Não se engane no entanto, por via de regra ainda é melhor ter um diploma do que não ter, e por isso tou correndo atrás. Só queria deixar claro que canudo não é um apólice de seguro pro futuro)</p>
<p>O segundo ponto é uma extrapolação do primeiro &#8211; pior do que se formar e descobrir que não gosta da função exercida, é se formar e descobrir que tal função é completamente inútil.</p>
<p>De acordo com o currículo dela, a menina havia recomeçado a faculdade<br />
apenas 6 meses após se formar em Teologia Bíblica. 6 meses é um período bastante curto pra decidir que o poço secou naquela área, então concluo que a coitada chegou a conclusão que atear fogo no dinheiro que ela gastou obtendo aquele diploma seria imensamente mais útil, visto que ao menos geraria luz e energia.</p>
<p>Isso é foda demais, e eu via o quadro se repetindo na faculdade todo semestre, quando calouros de filosofia/biblioteconomia iniciavam os estudos.</p>
<p>A questão final era a mais significativa &#8211; o que diabos alguém com um diploma em Teologia Bíblica estava fazendo tentando arrumar emprego numa sex shop? A formação dela foi por uma escola cristã particular, ou seja, não tenho ilusões de que o interesse dela no dogma religioso era apenas acadêmico. Essa mulé era uma cristã fervorosa, possivelmente de família fervorosa também. O que diabos&#8230;?</p>
<p>Aí lembrei que eu mesmo já havia uma vez sido um cristão fervoroso, de família com raízes religiosas profundas também. E considerando onde estou e quem me tornei, a trajetória dessa menina não era apenas estranha &#8211; de repente temos muitas figurinhas pra trocar em relação à &#8220;desconversão&#8221;.</p>
<p>E por um momento vi um possível competidor com olhos menos críticos, imaginando que se a menina arrumasse um emprego aqui seríamos provavelmente bastante amigos.</p>
<p>Uma pena que o currículo dela já havia sido triturado há 10 minutos.</p>
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		<title>A Gorda Neurótica</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Dec 2009 12:35:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Até semana passada eu trabalhava com uma senhora de mais ou menos 40 anos que, por motivos éticos (leia-se &#8220;pra proteger a infeliz dos stalkers mais sinistros&#8221;), chamarei apenas de &#8220;B&#8221;, que é a inicial da senhora. Tirando a estranheza inicial de trabalhar numa loja de artigos eróticos com uma mulher com idade pra ser<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/a-gorda-neurotica/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Até semana passada eu trabalhava com uma senhora de mais ou menos 40 anos que, por motivos éticos (leia-se &#8220;pra proteger a infeliz dos stalkers mais sinistros&#8221;), chamarei apenas de &#8220;B&#8221;, que é a inicial da senhora.</p>
<p>Tirando a estranheza inicial de trabalhar numa loja de artigos eróticos com uma mulher com idade pra ser minha mãe &#8211; e confiem, foi difícil se acostumar -, era tranquilo trabalhar com a B.</p>
<p>Até o dia em que ela começou a mostrar sua verdadeira personalidade.<br />
<span id="more-1442"></span><br />
Um pouco de backstory da B: ela é mãe divorciada, não tem nenhuma educação formal, vive passando perrengues financeiros, e é dona de um Honda Civic da década de 90, ultra fodidão. Manja aqueles carros que ficam estacionados eternamente no cantinho de uma retifica qualquer, sem calotas, coberto por durepoxi, com o capô de uma cor e a porta de outra? Com os estofados tudo rasgado, e o painel cheio de buracos e poeira?</p>
<p>Então, esse era o carro da infeliz. Eu sentia que tinha pego tétano cada vez que olhava praquele calhambeque fodido.</p>
<p>E como o título do texto adiciona, ela era bem gorda. Como a véia era alta (tinha quase 2m, a desgraçada), a banha não ficava muito aparente. Não <strong>muito</strong>, veja bem, mas a adiposidade da mulher era perfeitamente visível.</p>
<p>E pelo pouco que ela me contou da história dela (ou melhor, ela contou bastante até, &#8220;o pouco que eu prestei atenção&#8221; seria mais honesto), ela já foi alcólatra, viciada em crack, e morou por 2 anos na rua, pulando de abrigo pra abrigo.</p>
<p>E pra melhorar tudo, ela tem algum problema mental qualquer que requer anti-psicóticos. Uma vez a gorda esqueceu os remédios dela em casa e ela tava aqui inquieta e irritadiça, mandei ela ir pra casa que eu tomava conta da loja sozinho de boa. Fiquei aliviado quando ela foi embora.</p>
<p>Então. Como a B gostava muito de ler (literalmente toda noite ela tava aqui lendo um livro diferente durante o expediente), ela era relativamente inteligente, e tinha um vocabulário decente também.</p>
<p>Só que rapidinho eu notei que essa (pouca) cultura aparentemente dava a mulher motivos pra ser bem arrogante. Ela tinha muito despeito de pessoas com mais dinheiro, por motivos óbvios &#8211; ela vivia criticando gente que compra um carro novo a cada cinco anos, gente que compra celulares &#8220;da moda&#8221;, gente que gasta dinheiro com televisão de LCD ou roupas de marca, esse tipo de coisa.</p>
<p>Era um despeito ácido mesmo, a mulher destilava o veneno dela criticando essa gente sempre que tinha a oportunidade. Sei que responder qualquer crítica que seja sugerindo inveja é um lugar comum lamentável, mas dá pra entender perfeitamente por que uma mulher que mal conseguia pagar as contas todo mês tinha inveja de gente que tem dinheiro de sobra pra supérfluos.</p>
<p>Pra você ter uma idéia da fudidice desta maldita, ela tava usando o tempo livre dela aqui no trampo ultimamente confeccionando traquitanas hippie-style (colar, pulseira, essas coisas) pra dar pros parentes como presente de Natal. Imagina o desgosto do pobre filho da mulher ao receber um graveto adornado de miçangas de Natal enquanto os amigos ganham Xbox 360 e iPods.</p>
<p>E a mulher reclamava de TUDO. Ela jamais executava qualquer função aqui na loja sem antes reclamar por uns 10 minutos a respeito dela, sem resmungar que é &#8220;trabalho desnecessário&#8221;.</p>
<p>Obviamente eu já tava de saco cheio de trabalhar com essa véia. O que aconteceu em seguida foi muita sorte minha.</p>
<p>Num dia qualquer aí estávamos eu e a B no finzinho do nosso expediente, ela lendo seus livros e eu trollando o tuíter, quando nossa gerente chega aqui. Conversa vai conversa vem, chegamos no assunto de inverno e temperaturas.</p>
<p>A gorda falou uma merda qualquer sobre a superioridade do Farenheit sobre Celsius, e eu obviamente tive que interjeitar. Falei que Celsius faz mais sentido porque usa base decimal, e é adotado pelo mundo inteiro e tal.</p>
<p>Acreditem se puder, isso fez a mulher ESTOURAR.</p>
<p>Aos berros, a B falava que tava de saco cheio de eu nunca concordar com ela, e que eu também nunca prestava atenção nos problemas dela (sério, ela realmente fez essa reclamação quase maternal). Ela tava realmente berrando, eu e minha gerente apenas observávamos de olhos arregalados o completo chilique da véia.</p>
<p>Aí ela começou a inventar que eu era preguiçoso na loja.</p>
<p>Eu tava deixando passar o escândalo dela e apenas dizendo &#8220;Ok B, me desculpe, não está mais aqui quem falou, você tem razão&#8221; porque felizmente, a gerente havia presenciado a coisa do começo. Por causa disso eu não precisava nem argumentar com a louca, tava muito óbvio quem é que estava dando uma de louco.</p>
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</script></center></div><p>Eu só precisava deixar a mulher esgotar a choradeira, e depois perguntar à gerente quando é que finalmente demitiriam a velha.</p>
<p>Mas quando ela criticou minha ética no trabalho, aí eu me revoltei. A garantia de estabilidade financeira só acontece se você leva seu trabalho a sério, e por isso eu tomo bastante cuidado pra fazer tudo direitinho aqui.</p>
<p>Que é um cuidado que a mulher NÃO tinha. Eu mesmo conhecia inúmeras falhas dela, que eu escondia da gerência por consideração com a velha. Ou seja, péssima estratégia a dela de direcionar a discussão pro rumo &#8220;performance no trabalho&#8221;.</p>
<p>Então quando ela falou aquilo eu tive que ligar o modo TROLL EXTREME 9000.</p>
<p>&#8220;Peraê, peraê, você tá falando do que exatamente?&#8221; a crítica dela havia sido uma vaga indireta, e eu suspeitava que ela não tinha preparado uma boa mentira pra acompanhar a calúnia. Era apenas uma questão de pressionar pra ver ela se atrapalhar pra manter a lorota.</p>
<p>Indisposta a responder, ela começou a berrar ainda mais alto. &#8220;TÁ VENDO ELE NUNCA ME DEIXA FALAR, CALE A BOCA IZZY, EU ESTOU FALANDO OK&#8221;</p>
<p>Típica saída pela tangente. Convencido de que a mulher domina retórica como uma porta, me senti mais encorajado a trola-la.</p>
<p>&#8220;Eu sei que você está falando B, e eu estou te dando uma chance pra falar mais ainda. Por favor, elabore essa sua acusação de que eu sou &#8216;preguiçoso&#8217; aqui na loja. Certeza que a S (essa é a gerente) vai querer saber de tudo que você tem a falar&#8221;. Dito isto, fechei a tampa do laptop, cruzei os braços e encarei-a com semblante não-confrontacional, como se estivesse realmente curioso.</p>
<p>Não adiantou. A agulha da mulher prendeu no &#8220;EU TOU FALANDO OK SEU MAL EDUCADO, EU ESTOU FALANDO, PARE DE TENTAR FALAR NA MINHA FRENTE&#8221;.</p>
<p>&#8220;Por acaso sou eu que reclamo de todas as tarefas aqui da loja, ou às vezes simplesmente nem as faço, como você? Sou eu quem chega atrasado praticamente todo dia, a despeito de ter um carro? Sou eu quem costumeiramente avacalha o cashflow e obrigo meu colega de trabalho a consertar a situação? Sou eu quem varre a sujeira do chão pra baixo do tapete, ou pra áreas das prateleiras que não são facilmente vistas? Fui eu quem pegou o aspirador de pó da loja emprestado e demorou um mês pra traze-lo de volta, ou que pego dinheiro &#8220;emprestado&#8221; do caixa sem jamais consultar a gerência? É do meu mau humor que clientes volta e meia reclamam? Por favor, explique aí o que eu tou fazendo errado.&#8221;</p>
<p>Deu pra notar o súbito interesse da gerente no rumo que a conversa tava tomando, e ao mesmo tempo o desespero da B ao notar que ela não deveria ter emputecido quem conhece tantos podres dela.</p>
<p>E ela voltou a berrar, reclamando que eu não deixava ela falar. Respondi de novo que queria TANTO que ela falasse, que havia feito várias perguntas e que me manteria em silêncio até que ela as respondesse.</p>
<p>Quanto mais ela se descontrolava, mais dominante da situação eu me sentia. A cara da gerente não deixava dúvidas &#8211; assim como eu, ela sabia que a B havia criado um conflito sem qualquer necessidade.</p>
<p>A essa altura a mulher tava gritando mais alto ainda, me acusando de novo de nunca prestar atenção nos problemas dela e de sempre corrigir a grafia dela (??). Claro que a gerente estava pouco se lixando pra esse naipe de reclamação imbecil, e esse berreiro dentro da loja pegava muito mal. A S intercedeu:</p>
<p>&#8220;Ok B, você parece estar bem chateada, então é melhor você ir pra casa&#8221;.</p>
<p>A velha se descontrolou mais ainda, xingou a gerente, me xingou, e saiu. Eu olhei pra S, dei com os ombros e falei &#8220;vai ver ela não tomou os remédios dela hoje, sei lá&#8221;.</p>
<p>A velha ligou pra cá minutos mais tarde, pra tentar fazer minha caveira com a gerente. Não adiantou. Ter suas sujeiras expostas, somado à reclamações dos clientes e o fato de que ela xingou a gerente na cara dura acabaram falando mais alto.</p>
<p>Só pude ouvir um lado da conversa, mas deu pra notar que ela estava tentando me incriminar, e a S não estava engolindo. Depois de ser xingada pela velha por simplesmente tentar mediar a situação, é óbvio que ela estava do meu lado.</p>
<p>No dia seguinte a mulher não trabalhava mais aqui. Apesar de isso significa que eu tenho muito mais trabalho (tarefas que antes eram divididas entre os dois ficam apenas sob minha responsabilidade agora), não ter aquela velha coroca amarga e metida a intelectual é um alívio.</p>
<p>Por exemplo, não preciso mais ir ao banheiro pra soltar um daqueles peidos que saem rasgando a cueca.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Estou promovendo uma experiência</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 11:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Como os senhores devem saber, eu trabalho de madrugada. Me acostumar ao estilo de vida notívago é um pouco mais complicado do que eu esperava. Afinal, tenho acesso livre à internet no trabalho, e há alguns anos isso era tudo o que eu precisava pra ficar acordado até 6 da manhã trollando canais de IRC,<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/estou-promovendo-uma-experiencia/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Como os senhores devem saber, eu trabalho de madrugada. Me acostumar ao estilo de vida notívago é um pouco mais complicado do que eu esperava. Afinal, tenho acesso livre à internet no trabalho, e há alguns anos isso era tudo o que eu precisava pra ficar acordado até 6 da manhã trollando canais de IRC, baixando jogos com o GetRight e jogando Quake no servidor do Terra, quando ele se chama &#8220;Zaz&#8221;.<br />
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<p>Deus o tenha.</p>
<p>Na verdade, me adaptar a passar a madrugada inteira em pé acabou se tornando um desafio bem maior do que eu imaginava. Mas há uma ferramenta que me ajuda nessa jornada de oito horas de arrumar DVDs pornôs e catalogar lubrificantes em ordem crescente de acordo com a suas notas nos reviews da Big Asses Magazine.<br />
<span id="more-1209"></span></p>
<p><img src="http://img513.imageshack.us/img513/5905/redbulli.jpg" alt="" />Eu costumava ODIAR Redbull antes de começar a trabalhar aqui. Nas poucas situações em minha vida em que eu me vi no desespero de me manter acordado, as consequências de cair no sono me pareciam menos ruins que ficar com o gosto da bebida na boca.</p>
<p>E então algo lindo aconteceu. A insistência no Redbull pouco a pouco matou as papilas gustativas que protestavam contra o sabor da parada (que é meio que um misto entre de ácido de bateria com água de chuva filtrada por uma meia suja, com uma pitada de pó de giz e misturados num mictório de rodoviária), e eu me surpreendi gostando da bebida. E comecei a tomar indiscriminadamente.</p>
<p>Meus followers no twitter devem lembrar de uma noite em que eu estava surtando violentamente após tomar três latinhas do negócio consecutivamente. Taquicardia, piripaques involuntários das mãos, irritabilidade, uma incrível ansiedade e uma sensação de &#8220;certeza&#8221; que eu iria morrer a qualquer momento me ensinaram que eu deveria maneirar nessa merda.</p>
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</script></center></div><p>O que era um aviso que todo mundo que me via bebendo o troço no trabalho &#8211; tanto colegas de trampo quando os fregueses da loja &#8211; já havia me dado, eu ignorei porque sou burro mesmo. Todo mundo me falava, com visível preocupação, que eu deveria parar de apelar pro negócio toda noite, e ao invés disso tentar equilibrar meu relógio biológico dormindo durante o dia. Entretanto, dormir é pra perdedores.</p>
<p>E aí surgiu a idéia de pregar uma peça nessa turma todo, como parte de uma experiência social.</p>
<p>Trago sempre na minha mochila uma latinha vazia de Redbull. Sempre que posso, a encho com água discretamente, e bebo da latinha quando que há alguém por perto. E não bebo na base dos golinhos, não &#8211; tou no meio do papo com alguém, apanho a latinha, e viro-a toda num gole só, batendo a lata de forma dramática e soltando um &#8220;ahhhhh&#8221; satisfatório depois que a água desce.</p>
<p>Mal comecei a brincadeira e já apareceram os resultados. Alguns me alertam que eu devia pegar leve, porque Redbull (aparentemente) destrói o fígado. Outros me perguntam se eu sou capaz de dormir como uma pessoa normal, bebendo energéticos com tanta frequência e aparente indiferença.</p>
<p>Os que não gostam do sabor da bebida me perguntam, com cara de nojo, como eu consigo beber o troço todo num gole só, e eu respondo rindo &#8220;pra mim já desce igual a água!&#8221;. Quase impossível segurar os risos.</p>
<p>Vou estender a experiência pra minha casa, pra ver qual é a reação da mulher.</p>
<p>Pra você ver como eu sou um cara atarefado pra cacete &#8211; no meu trampo, o que eu faço é arrumar forma de pregar peças em nego que eu mal (ou nem) conheço&#8230;</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O ladrão de dildos</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/o-ladrao-de-dildos/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 00:38:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Censurei o objeto subtraído pelo bandido, pra sua conveniência No meu primeiro dia de trabalho, a minha amiga que me descolou a vaga aqui na loja (que chamarei de &#8220;J&#8221;) me contou como uma das nossas colegas (&#8220;B&#8221;) uma vez perseguiu um ladrão que havia roubado algum item qualquer aqui. Aparentemente um crackhead qualquer &#8211;<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/o-ladrao-de-dildos/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p style="text-align: center;"><img src="http://img39.imageshack.us/img39/945/censurado.jpg" border="1" alt="" /><br />
<span style="font-size: xx-small;">Censurei o objeto subtraído pelo bandido, pra sua conveniência</span></p>
<p>No meu primeiro dia de trabalho, a minha amiga que me descolou a vaga aqui na loja (que chamarei de &#8220;J&#8221;) me contou como uma das nossas colegas (&#8220;B&#8221;) uma vez perseguiu um ladrão que havia roubado algum item qualquer aqui. Aparentemente um crackhead qualquer &#8211; um demográfico infelizmente alto, considerando a natureza da loja (vendemos pornografias e pirocas de borracha) &#8211; e o horário de operação. Pra quem não lembra ou não sabe ou não se importa, eu trabalho de madrugada. E a madrugada é o horário nobre de circulação de crackheads.</p>
<p>Caso você não esteja familiarizado com o termo, eu explico &#8211; crackheads são viciados em drogas (geralmente crack ou meth) que abandonaram completamente as normas de convívio social aceitável e andam por aí roubando qualquer coisa em que possam pôr as mãos e <a href="http://www.cbc.ca/canada/calgary/story/2008/02/21/pasqua-verdict.html">empurrando pessoas na frente de trens</a>.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://img44.imageshack.us/img44/1336/abgageprevost.jpg" border="1" alt="" /><br />
<span style="font-size: xx-small;">Embora pra ser honesto, com essa cara aí eu tenho que dizer que ele mais ou menos merecia ser jogado na frente de um trem mesmo</span></p>
<p>Então.<br />
<span id="more-1006"></span><br />
Aparentemente a B um dia perseguiu um crackhead que havia roubado uns DVDs aqui. Ela não conseguiu pegar o cara, mas no desespero da fuga ele acabou derrubando alguns dos filmes que surrupiou, portanto o prejuízo acabou sendo menor.</p>
<p>Lembro que quando a J me contou essa história, eu pensei &#8220;mas que maluca essa tal de B deve ser&#8221;. Sou um frangotinho e vivi toda a minha vida acreditando fortemente na filosofia de evitar conflitos físicos sempre que possível. Aliás, isso é um instinto evolucionário que garantiu nossa sobrevivência neste planeta, então &#8220;bichinha&#8221; é o corno impotente e aidético do seu pai, tá bom?</p>
<p>Nem o dono da loja nem os gerentes esperam que a gente persiga ladrões. O máximo que podemos fazer é ficar de olho nas figuras suspeitas. Se alguém pega algum item e passa sebo nas canelas, não é necessária nenhuma ação nossa além de suspirar ao mesmo tempo que beliscamos a cartilagem do nariz com o indicador e o polegar, e anotar o item surrupiado (quando possível).</p>
<p>A mera idéia de ter um conflito com um crackhead, mesmo que o conflito limitasse a observa-lo pegando vários DVDs e saindo correndo, me dava agonia. Pra um brasileiro, eu sou bastante inexperiente com episódios violentos &#8211; fui esmurrado num ônibus uma vez durante uma briga de gangues (longa história, eu era apenas um observador e sobrou pra mim), na escola por fazer graça de um colega de classe (o ouvido do lado oposto ao soco ficou doendo por uns 2 dias), e assaltado enquanto voltava da aula de recuperação na oitava série. Levaram minha camiseta e meu relógio Casio daqueles muito estilosos e nerds que tinham calculadora e tudo.</p>
<p>Por isso eu imaginava que se (ou melhor, <em>quando</em>) alguém tentasse roubar algum item da minha loja, minha reação seria congelar no ato, cagar as calças, e ligar pra noiva chorando.</p>
<p>Ok, tou exagerando um pouco. Mas a real é que quando chegou o dia em que eu tinha que tomar conta da loja sozinho, durante a noite inteira, eu estava na tensão.</p>
<p>Numa manhã de segunda feira qualquer, eu estava trabalhando com a B quando um moleque que não parecia ter muito mais que 20 anos entra na loja. Eram 6 da manhã, ou seja, faltava só uma hora pro meu turno acabar. O sujeito, muito animado e conversador &#8211; algo estranho pra uma segunda feira de manhã, eu deveria ter desconfiado &#8211; foi direto pra área dos dildos.</p>
<p>Voltei ao meu joguinho de Orions, que pra quem não sabe é uma espécie de Magic the Gathering muito bom pro iPhone, e deixei o sujeito escolher suas pirocas de borracha em paz. Poucos minutos depois ouço-o voltando em direção do balcão. De soslaio noto que ele tem umas 5 ou 6 caixas debaixo do braço.</p>
<p>Ok, essa bicha gulosa já decidiu seus produtos favoritos e tá vindo pagar. Larguei o telefone e me dirigi ao caixa. Noto que o cara está cabisbaixo, o que não é uma postura incomum pra homens que compram esse tipo de produto lá na loja, mas havia algo diferente nos trejeitos do cara &#8211; algo errado. Algo suspeito.</p>
<p>No último segundo ele levanta a cabeça e olha pra mim. E o olhar no rosto dele não deixava dúvidas &#8211; esse filho duma puta rampeira estava prestes a correr em direção à porta. É difícil descrever exatamente que sinal ele transmitiu, mas naquele momento eu não tinha nenhuma dúvida de que o cara estava tramando uma fuga em alta velocidade.</p>
<p>Ele deve ter percebido minha leve desconfiança. Isso foi a deixa pra que o infeliz disparasse como se houvesse sido impulsionado por uma mola. Os detectores em ambos lados da porta apitaram estridentemente quando o desgraçado a atravessou &#8211; cortesia da tecnologia das tarjas de segurança - um aviso desnecessário do furto que estava acontecendo.</p>
<p>Falei &#8220;FILHO DUMA PUTA!&#8221; em alto e bom som e, sem sequer pensar duas vezes (não pensei nem a primeira aliás), pulei por cima do balcão como se fosse um praticante de parkour com décadas de experiência. Por cima do ombro berrei que a B cuidasse da loja.</p>
<p>Explodi pra fora da loja, recepcionado pelo ar frio da manhã de segunda feira. Olho em volta e o cara não está em lugar nenhum. Corro até a esquina pra ver se ele tava correndo pela avenida. Nada. Vou ao bequinho na lateral da loja, pra ver se ele decidiu fugir por lá. Nada, também. O infeliz sumiu como um peido no vento!</p>
<p>Quando estava voltando pra loja, ouvi um barulho vindo do estacionamento do outro lado do prédio. Fiu investigar a fonte do ruído (lembrem-se, eram seis da manhã e as ruas estavam completamente desertas, não havia muitos outros suspeitos pro barulho). E lá estava o infeliz, abaixado ao lado de um daqueles imensos containers de lixo, olhando ao redor desconfiado.</p>
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</script></center></div><p>No ato berrei &#8220;DESGRAÇADO, EU TOU TE VENDO&#8221; e sem hesitar pulei desajeitadamente por cima do corrimão. O sujeito olhou pra mim com semblante de TERROR ABSOLUTO e passou a correr em direção à avenida.</p>
<p>Foi nessa hora que eu atentei a um pequeno detalhe &#8211; eu estava perseguindo um crackhead que possivelmente não tem nada a perder nessa vida. Quando eu finalmente o alcançasse, e aí? Vou falar &#8220;hehehe, blz kra, me dá os dildos aí valeu&#8221;? É bem possível que, acuado, o crackhead entre em frenesi e me ataque com fúria assassina.</p>
<p>Temos vários canivetes na loja, que usamos pra abrir caixas de carregamentos de DVDs e tal, mas eu não tive a presença de espírito de catar um deles antes de sair na minha perseguição. O cara tinha aproximadamente meu tamanho, mas parecia muito mais bem fisicamente preparado pra uma street porrada. Eu precisava de uma vantagem sobre o infeliz.</p>
<p>MacGyverei e encontrei um banquinho velho perto daquele lixeiro. Sem pensar duas vezes agarrei o banquinho pela perna e voltei a correr atrás do marginal.</p>
<p>Devo ter demorado mais tempo do que pensei produzindo minha rudimentar arma branca, porque o cara estava a quilômetros de distância.</p>
<p>Não desanimei e continuei correndo.  A essa altura ele estava tão longe que, se sentindo seguro, ele nem mais corria. Pensei que se ele continuasse naquele passo tranquilo e eu correndo, em poucos minutos eu poderia estar apresentando a perna do meu banquinho à cabeça do desgraçado.</p>
<p>Infelizmente o desgraçado resolveu olhar pra trás. Eu estava a menos de 50m de distância do desgraçado, mas ao me ver ele se desesperou novamente e disparou. Retardado pelo peso do banquinho que eu carregava, rapidamente a distância entre nós dois aumentou. E aí ele deu uma guinada pra direita e sumiu num bequinho entre um prédio de escritórios e um posto de gasolina.</p>
<p>Quando o cara desapareceu da minha linha de visão, instantaneamente desanimei. Já estava pensando em retornar à loja quando de repente, ouço pneus cantando bem do meu lado. Era a B, que no ato já abriu a porta do passageiro e gritou &#8220;Bora, entra, vamos pegar esse desgraçado&#8221;. Pulei no carrinho dela COM O BANCO NA MÃO E TUDO e ela disparou em direção à ruela por onde o meliante havia se escafedido.</p>
<p>Eu estava na pura adrenalina e suor pingando do queixo àquele momento. A B dá uma derrapada e se envereda na vielinha por onde o cara sumiu. Nem sinal dela. A gente roda um pouco pela redondeza, já sem esperança de encontrar o desgraçado, quando o vejo à distância dando a curva pra sumir em outro bequinho.</p>
<p>Esperta, a B nem precisou de aviso &#8211; botou o carro em direção ao tal bequinho. Deu a curva, e lá estava o desgraçado novamente andando tranquilamente, já sob impressão de total segurança.</p>
<p>O plano traçado entre eu e a B foi completamente não-verbal. Olhei pra ela, ela acenou positivamente com a cabeça, e acelerou em direção ao cara. Por um segundo achei que ela ia atropelar o infeliz, mas ao invés disso ela freou um pouco à frente dele. Completamente desajeitado, pulei do carro ainda segurando o banquinho. O cara se desesperou e hesitou por um segundo, aparentemente tentando decidir se correria pra frente ou pra trás.</p>
<p>A cena seguinte ocorreu de tal forma bizarra que quando lembro dela agora, é como se tivesse acontecido com outra pessoa. Corri pra cima do desgraçado e me joguei pra cima dele, usando o tal banquinho como &#8220;amortecedor&#8221;. Lembro nitidamente do momento em que senti os pés descolando do chão e eu percebi que iria cair.</p>
<p>Ambos batemos contra a parede oposta e caímos no chão. O cotovelo protestou com dor quando o bati contra a madeira do banquinho. Caixas de dildos caiam por todo o redor, quicando no chão. Pra um hipotético observador, a cena deve ter sido a mais bizarra possível nesse mundo. Tentei me levantar rapidamente, desesperadamente escaneando os arredores pra recuperar o banquinho e me preparar pra porrada. Apanhei o banquinho pela perna, e o contato do metal com a mão acusou os cortes que adquiri quando tentei parar a queda.</p>
<p>O cara não fez o <strong>menor</strong> esforço em participar da briga, ele parecia apenas estar freneticamente querendo escapar. Aliás, acho que foi isso que me imbuiu da coragem necessária pra tomar essa postura de Conan canadense, empunhando um banquinho quebrado como uma espada. Enquanto eu pegava o banquinho e me reestabelecia, o mequetrefe apanhou alguns dos dildos que caíram no chão e correu desesperado pros fundos da casa mais próxima. Eu dei um passo pra trás, tensionei o corpo e arremessei o banco contra o infeliz. E o banquinho passou longe dele.</p>
<p>Passei a mão nas calças pra limpar a sujeira e o sangue que corria da mão direita. Olhei pro carro e percebi com indignação que o tempo todo a B não tinha nem tirado a bunda gorda do banco. Boa parte da mercadoria roubada estava espalhada pelo chão, meio suja e amassada mas nada que um paninho molhado não resolvesse.</p>
<p>A mão começava a doer. Já era umas seis e meia à essa altura, hora que a chefia chega pra liberar a gente. Resolvemos encerrar a perseguição e voltar pra reabrir a loja, pra evitar o &#8220;WTF?!&#8221; da chefe quando ela aparecesse e visse a loja trancada e deserta.</p>
<p>Revendo as imagens da câmera de segurança já com os ferimentos limpos, calculamos que ele escapou com mais ou menos 40 dólares de mercadoria. No final das contas, deu pra salvar quase $80. Algumas caixas estavam danificadas demais pra voltar pras prateleiras, então jogamos no lixo.</p>
<p>E a minha chefe tirou um printscreen da minha cena pulando por cima do balcão, pregou no corkboard do escritório e escreveu com canetinha azul embaixo &#8220;DON&#8217;T FUCK WITH IZZY LOL!!!!&#8221;.</p>
<p>Minha vida é a mais bizarra do mundo.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>O gordão reclamão</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 16:24:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos da porn shop]]></category>

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		<description><![CDATA[Este é o primeiro post da recém estreada categoria &#8220;Contos da porn shop&#8221;. Os tipinhos com quem eu interajo no trabalho são surreais demais pra que eu mantenha essas histórias apenas pros meus seguidores no twitter. Então, hoje à noite (redijo-vos este texto ainda no balcão da loja) tive um leve desentendimento com um cliente<a href="http://hbdia.com/wordpress/contos-da-porn-shop/o-gordao-reclamao/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Este é o primeiro post da recém estreada categoria &#8220;Contos da porn shop&#8221;. Os tipinhos com quem eu interajo no trabalho são surreais demais pra que eu mantenha essas histórias apenas pros meus seguidores no twitter.</p>
<p>Então, hoje à noite (redijo-vos este texto ainda no balcão da loja) tive um leve desentendimento com um cliente que vem aqui praticamente toda noite.<br />
<span id="more-998"></span><br />
Chamarei-o de Bob porque, bem, esse é o nome dele. Bob é ex-colega de trabalho de uma tiazona que trabalha aqui comigo, e a despeito disso (quem sabe, JUSTAMENTE por isso) o cara escolheu a minha loja pra comprar seus acessórios masturbativos. Aparentemente eles trabalhavam juntos numa empresa de fretagem, sei lá. Ambos já me explicaram sua conexão anterior mas eu fiz o máximo para ignora-los sumariamente, então nem lembro.</p>
<p>Poizé. O Bob é daqueles chatos chatíssimos que sentem uma compulsão de te contar minúcias da vida dele que você de forma alguma se importa em saber. Sabe aquele cara que você vê na rua e, conhecendo o naipe, tu finge que não o viu? Mas aí o feladaputa te vê, atravessa a rua acenando pra vir falar com você, e te conta alguma babaquice que está acontecendo atualmente na vida dele? A empolgação do sujeito em te dar um relato apurado de suas idas e vindas é diretamente proporcional à sua falta de interesse em ouvi-lo.</p>
<p>Agora imagina um sujeito que até aquele cara do exemplo acima acharia chato. Em seguida imagine que o sujeito hipotético tem um peso que só pode ser escrito usando três dígitos.</p>
<p>Então, esse é o Bob.</p>
<p>O Bob chega aqui toda noite me falando sobre alguém que o cortou no trânsito, sobre um velho amigo de faculdade com quem ele esbarrou na seção de legumes do supermercado local, sobre uma verruga que ele achou embaixo do suvaco, e por aí vai. Nenhum assunto é trivial o bastante pra não ser compartilhado pelo infeliz, e ele não apenas te conta o básico da história. O desgraçado conta uma backstory de 20 minutos antes de chegar no assunto com o qual ele quer te encher o saco. Nem minha mulher consegue ser tão tolkeniana ao contar uma história!</p>
<p>Chegou a um ponto que só de ve-lo entrando na loja eu já soltava um &#8220;putaquepariu&#8221; baixinho e fechava a tampa do netbook ou jogava o livro embaixo do balcão, supondo que pelo desgraçado ser um freguês, bons modos ditam que eu deveria dar a ele minha atenção inteira. Hoje eu descobri que tirando os olhos do computador/livro ou não, isso não afeta em nada a capacidade do Bob de me encher o saco desfiando minuciosamente acontecimentos sem qualquer importância.</p>
<p>Hoje o Bob chega aqui na loja comentando que o clima em Calgary anda louco, e que em Halifax o clima é um pouco parecido mas blá blá blá blá blá blá blá blá. Cinco minutos depois eu estava completamente perdido nos meus pensamentos e o filho da puta continuava tagarelando. Eventualmente ele se calou e voltou-se às estantes dos DVDs. Minutos mais tarde o gordão reaparece com um filme na mão.</p>
<p>&#8220;Oh, verificaí o sistema porque eu tou com um crédito de cinco dólares por causa de um engano nas fitas.&#8221;</p>
<p>Há um caderno onde anotamos todos os avisos relevantes, pra que a turma do próximo turno esteja a par dos eventos. Verifiquei as últimas páginas do caderno e lá estava a anotação de uma colega de trabalho. </p>
<p>A notinha explicava que na noite anterior o Bob havia alugado um DVD que se tratava de um double feature (ou seja, uma caixa com dois discos), mas que ao chegar em casa ele notou que havia apenas um DVD na caixa. A minha companheira havia prometido um crédito na conta dele por causa do engano.</p>
<p>E logo abaixo da nota, vi uma segunda mensagem. E essa mensagem não iria deixar o Bob feliz.</p>
<p>Reconheci no ato a letra da gerente. A nota da chefia justificava o engano dizendo que o DVD trazia dois adesivos claramente visíveis avisando que havia apenas um disco na caixa. Como o DVD contido tinha um filme completo, o sujeito não tem do que reclamar. A última linha era enfática.</p>
<p>&#8220;NÃO DÊ CRÉDITO A ELE&#8221;, lia o veredito da gerente. Eu engoli a seco, imaginando como passar a notícia pro balofo que, a essa altura, já suava profusamente como todo gordo.</p>
<p>&#8220;Errr, então né. Tou vendo uma nota aqui no nosso caderno&#8230; e o que acontece é que&#8230;&#8221;</p>
<p>A cara do Bob fechou subitamente. Sem dúvida naquele momento ele não queria compartilhar nenhum momento trivial da vida dele comigo.</p>
<p>&#8220;Ahhhh era só o que me faltava&#8221; ele jogou o celular, o cartão de crédito e a chave do carro em cima do balcão, e espalmou as mãos no mesmo &#8220;o que foi agora? Vai me dizer que negaram meu crédito?&#8221;</p>
<p>Engoli em seco outra vez. </p>
<p>&#8220;Não, é que&#8230; bom, sim. É que a caixa do DVD tinha um adesivo explicando que só havia um filme na caixa, e&#8230;&#8221; antes mesmo de terminar minha frase, eu já estava ciente do que eu estava fazendo &#8211; por mais diplomático e não-confrontacional que fosse meu discurso, a mente do sujeito filtraria a mensagem e tudo que ele entenderia é &#8220;não vamos dar o crédito porque você é burro&#8221;.</p>
<p>O gordão se espevitou todo, com o dedo erguido no ar.</p>
<p>&#8220;Mas que putaria é essa? Eu alugo filme aqui praticamente todo dia, e agora vão querer me sacanear?!&#8221;</p>
<p>&#8220;Bom senhor, a decisão não é minha, estou apenas lendo o que a gerente escreveu aqui&#8221; apontei pro livro. Talvez não tenha dado certo pros oficiais nazistas em Nuremberg, mas &#8220;eu estava apenas seguindo ordens&#8221; era minha única defesa.</p>
<p>&#8220;<b>Não quero saber</b>&#8221; berrou o gordo &#8220;Isso é fraude. É fraude&#8221;. </p>
<p>Imagino que meu rosto esboçou exatamente a reação que um estudante de direito esboçaria ao exposto a tamanho disparate. O gordo decidiu se explicar melhor.</p>
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</script></center></div><p>&#8220;Se você paga alguém e eles não te dão nada em troca, isso é fraude!&#8221;</p>
<p>Curiosamente meu livro de direito criminal estava na mochila. Por mais que me desse vontade de dizer &#8220;ahh, não, isso não é nem de longe a definição de fraude, ou tampouco a definição desta situação em particular&#8221;, e puxar o livro pra fora e ler em voz alta a definição de &#8220;fraude&#8221; do glossário, é óbvio que peitar o cara só pioraria a situação. </p>
<p>Tentei dar ao gordão uma explicação a respeito da falta do segundo DVD, de repente ele entenderia que não houve malícia da parte da loja, e sim jumentice da parte dele.</p>
<p>&#8220;Bom senhor, é que é o seguinte &#8211; quando recebemos esses filmes de disco duplo, alugamos os filmes separadamente. Não faria sentido cobrar um valor X por aluguel de filme, e ao mesmo tempo oferecer dois discos pelo preço de um. A lógica é que se você quiser assistir ambos os discos, terá que alugar ambos, pagando 2X. É o met&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Não quero saber. Isso é uma putaria. Uma <b>PUTARIA!</b> Eu tenho um blog, sabia? E se me sacanearem vou escrever tudo isso no meu blog!&#8221;</p>
<p>Eu pisquei estupefato. Os cinco ou seis segundos de silêncio foram finalmente quebrados pela minha pergunta.</p>
<p>&#8220;O senhor&#8230; o senhor tem um blog?&#8221; imediatamente eu me dei conta que a surpresa era totalmente sem motivo. Pra um cara que gostava tanto de falar da própria vida, manter um blog deveria ser uma atividade tão comum quando respirar ou alugar esses filmes de traveco que o Bob aparentemente gosta tanto.</p>
<p>&#8220;Tenho. Escrevo sobre um monte de coisa, e faço DENÚNCIAS também. O nome é INTERNET meu amigo, um monte de gente lê essas coisas, ativismo do consumidor! Se me sacanearem vou escrever no meu blog hoje mesmo!&#8221;</p>
<p>Controlei a curiosidade de perguntar a URL do blog do cara. Respirei fundo.</p>
<p>&#8220;Bom senhor, talvez o senhor queira voltar durante o dia, pra falar com a minha gerent&#8230;&#8221;</p>
<p>O gordão estava empolgado e não me deixou continuar.</p>
<p>&#8220;E depois que eu espalhar isso pra internet inteira, vou escrever pro Calgary Herald também! Aí eu quero ver! Ninguém vai mais alugar nada nessa porra dessa loja!&#8221;</p>
<p>E eu fiquei pensando quem diabos o cara acha que é, pra destruir completamente um estabelecimento comercial sinmplesmente por postar uma posição negativa que era inteiramente resultado da própria burrice dele de não verificar atentamente o que ele estava alugando. Pisquei novamente, encarando o cara com uma expressão neutra no rosto, sem saber o que dizer. </p>
<p>E, acima de tudo, curiosíssimo sobre o tal blog dele.</p>
<p>&#8220;Isso é uma palhaçada. Uma putaria! Como é que vocês me alugam só uma fita quando era pra ter duas na caixa?&#8221;</p>
<p>Foi só nessa hora eu atentei que o tempo INTEIRO o cara tava se referindo aos DVDs como &#8220;fita&#8221;, o que talvez seria normal dez anos atrás quando o novo formato havia começado a se popularizar. Me deu uma grande vontade de alopra-lo ou ao menos corrigi-lo de forma sarcástica (&#8220;fitas? Me desculpe senhor, deve haver algum engano, não alugamos fitas&#8221;), mas assim como um documentarista do Discovery Channel não interfere no comportamento dos animais que ele observa, decidi manter o hábito do Bob inalterado.</p>
<p>Ele continuou bufando e explicando pra mim, nerd-mor que passa 10-12h por dia na internet, como é que redes sociais e blogs funcionam. Deu vontade de dizer &#8220;dotô, eu já blogava quando sua próstata ainda tinha tamanho saudável&#8221;, mas mantive silêncio monástico. </p>
<p>&#8220;E aí vou mandar carta pro Sun também, e aí eu quero ver! Ninguém mais vai alugar filmes nessa joça e vocês vão se arrepender muito de me sacanear. Vocês não sabem quem eu sou!&#8221;</p>
<p>Uma rápida olhada no sistema e eu poderia responder &#8220;sim, sei exatamente quem você é. Você é o Robert de Tal, morador da rua tal, casa tal, que tem conta conosco desde 2007 e alugou quase trezentos filmes de travecos só no ano passado&#8221;. Ele nem me deixou terminar o pensamento:</p>
<p>&#8220;Fodam-se vocês e foda-se essa loja de merda. Deixa eu chegar em casa e vocês vão ver só o poder de um consumidor revoltado!&#8221; O gordão apanhou as tralhas e saiu pisando duro até à porta. </p>
<p>E eu percebi quase imediatamente que na sua pressa indignada, o balofo havia deixado seu cartão de crédito em cima do balcão. SEM QUERER deixei o cartão cair no cesto de lixo. </p>
<p>Aparentemente o balofão voltou no dia seguinte pra alugar outra &#8220;fita&#8221; (felizmente, ele apareceu em outro turno), e qual não foi sua surpresa ao descobrir que ALGUÉM havia deletado sua conta na loja por maus tratos aos funcionários. </p>
<p>E o meu colega de trabalhou que o atendeu disse que não, infelizmente no nosso achados-e-perdidos não havia nenhum cartão de crédito, talvez ele tenha perdido em outro lugar.</p>
<p>A lição de moral é, não seja escroto com alguém que lida com seus filmes pornôs e seus vibradores. Considerando que boa parte do que eu vendo naquela loja vai dentro do seu corpo, ter seu cartão perdido e a conta cancelada não é nem de longe o pior que eu poderia aprontar.</p>
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