Velhos joguinhos

Escrito por Kid on May 29, 2008

Há alguns anos - muitos anos - eu abandonei totalmente a cena PC gamer. Apesar de ter a plena consciência de que certos gêneros só funcionam nessa plataforma (real time strategy games, por exemplo, que sempre foram meus favoritos), não consigo justificar pra mim mesmo o fato de que a cada sete ou oito meses eu preciso fazer uma longa e tediosa manutenção de software (formatação/atualização de drivers/etc) ou, pior, gastar algumas centenas de dólares em upgrades pra deixar o hardware no nível necessário pra rodar os jogos mais recentes.

Ser um PC gamer era mais fácil há alguns anos, quando eu morava com a minha família e só havia um computador na casa - o do meu pai, que todos compartilhávamos. Meu pai sempre foi e sempre será um extreme PC nerd, então volta e meia ele upgradeava o computador dele até o talo, mantendo a máquina nas condições de hardware necessárias pra rodar os jogos que ele gostava.

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Rock Band

Escrito por Kid on May 21, 2008

Então, fiz outro videozinho de Rock Band.

Pra quem não sabe, Rock Band é um jogo na mesma veia de Guitar Hero, porém ele emula mais do que dois guitarristas sofrendo ao tentar acompanhar Freebird enquanto a platéia vaia a cada nota errada.

Em Rock Band, e os Sherlock Holmes entre vocês já devem ter concluído, você toca com uma banda inteira: bateria, contrabaixo, guitarra e vocais. Como ainda não obtive êxito nas minhas experiências de auto-clonagem, vocês terão que me assistir tocando apenas a bateria.

Roda o VT, pikachu!

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GTA 4 Midnight Launch

Escrito por Kid on Apr 30, 2008

(Pela segunda vez isso acontece essa semana. Cliquei em Publish, minha conexão cai, o navegador dá erro e eu perco 80% do texto. Esse post era umas três vezes mais longo que isso, não tive saco pra reescrever tudo. Acordei a namorada por causa dos berros de ódio e dos murros que dei na mesa do PC)

***

Eram 9 da noite e eu estava totalmente puto.

Como vocês devem saber, eu trabaho de 7 da manhã às 3 da tarde. Como todo bom nerd, acordo duas horas mais cedo pra poder incluir uma hora de acesso internético no meu ritual matutino. Por isso, meu alarme está sempre configurado pra me acordar às 5:20 AM. Leio uns comentários, respondo emails, dou uma passada nos meus fóruns favoritos, e aí vou tomar banho.

Ou seja, minhas obrigações profissionais me impediam completamente de testemunhar em primeira mão o maior acontecimento gamer desse semestre - o midnight launch de Grand Theft Auto IV.

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Concurso Virtual Console HBD!

Escrito por Kid on Dec 13, 2007

Ontem eu fiquei sabendo que uma nova função presente no novo update do firmware do Wii permite presentear amiguinhos com jogos do Virtual Console. Pros leigos - Virtual Console é o sistema de emulação do console de nova geração da Nintendo que permite ao seu dono acesso a um imenso catálogo de jogos, desde títulos do saudoso TurboGrafx16 até o Nintendo Sixty Fooooooour. Até jogo do Mega Drive dá pra jogar nessa bagaça.

Óia o bicho aí

Então me acendeu uma idéia repentinamente - por que não inventar algum eventozinho pra dar um singelo presentinho de Natal pros donos de Wii que lêem o HBD e solidificar ainda mais a minha imagem de blogueiro bem sucedido e rico? Após confabular com alguns leitores via MSN, decidi o formato da competição.

Vai ser o seguinte: enviem para o meu email (com  subject “Concurso HBD”, não esqueçam) alguma história da sua infância que seja relacionada a jogos da geração 16 bits. Os autores das duas melhores histórias serão presenteados cada um com um jogo de sua escolha no Virtual Console, e terão seus textos publicados aqui no HBD. Os resultados serão publicados no Natal, ou seja, você tem aí mais de dez dias pra inventar alguma mentira envolvendo um NES e uma Light Gun enfiada no cu de um primo ou algo assim. Não precisa ser uma tese de conclusão de curso, três breves paragrafos com introdução-desenvolvimento-conclusão já tá valendo.

Como os jogos tem valor de pontos variados (jogos de NES custam 400 pontos, jogos de SNES, 800 pontos, e jogos de N64, 1600 pontos), dependendo das escolhas dos dois vencedores, é capaz de sobrar uns pontinhos suficientes pra um jogo qualquer de NES ou SNES. Caso isso aconteça, a terceira melhor história receberá um jogo como prêmio de consolação.

Tou saindo pra Best Buy agora mesmo e comprarei alguns cartões de Wii Points. Dependendo do rendimento desse concurso, usarei uma graninha que eu tenho sobrando aqui pra dar pra galera outros presentinhos videoguêimicos (Microsoft Points, jogos na Playstation Network, camisetas do Think Geek, sei lá, qualquer bobagem que vocês preferirem).

Vamos lá, me mandem suas histórias agora mesmo. Afinal, você não está fazendo nada mesmo (e dessa vez você pode até ganhar alguma coisa).


Video Games Live!

Escrito por Kid on Nov 13, 2007

Após anos morrendo de inveja dos infelizes que tiveram a oportunidade de assistir o Video Games Live, eu finalmente tive a minha vez.

Caso você não seja um nerd de verdade, Video Games Live é um concerto musical em que uma orquestra filarmônica reproduz músicas icônicas que eu e você e alguns outros cresceram ouvindo. A idéia é uma realização do Jack Hall e do Tommy Tallarico, ambos grandes nomes na indústria de produção musical pra games. Esse último a propósito é velho conhecido meu, já que ele apresenta o Reviews on the Run, um programa televisivo produzido no Canadá que resenha jogos.

A namorada, sabendo que eu tinha vontade de assistir o show há muito tempo, me deu ingressos de presente de aniversário. E no sábado fomos lá pro teatro local assistir a parada. Como não podia deixar de ser, aderecei-me com minha característica fivela de controle de NES, especialmente polida pra ocasião.


Sim, eu compreendo perfeitamente que você provavelmente me aloprará por isso. Se você me aloprar por andar com ela pela rua em qualquer outro dia, isso é. Na VGL é quase OBRIGATÓRIO vestir algum item que o identifique como membro da sagrada irmandade dos nerds. Recebi diversos elogios e ofertas de dinheiro vivo pelo cinto no trem indo pro teatro, certamente de outros nerds também se locomovendo em direção ao VGL.

Esse era o teatro. Não há mais muito que eu posso falar.

Já dentro do lugar fomos recepcionados pela maior concentração de nerds por metro quadrado que eu já presenciei em toda a minha vida, o que explicaria o horroroso fedor de suvaqueira e virgindade que nos recepcionou como um tapa na cara assim que cruzei o umbral da porta. Havia telas de cristal líquido com jogos em display em todo canto; pra onde eu olhava dava de cara com moleques usando camisetas de Final Fantasy VII ou jogando DS ou PSP enquanto conversavam sobre os últimos lançamentos do Xbox 360. Era sensacional e deprimente ao mesmo tempo, depende do seu estado de espírito.Aliás, falando em deprimente, saca essa imagem aí em cima? Deixa eu CSI-izar um detalhe que você não deve ter percebido nela.

Eu sei que a foto tá bem borrada e desfocada, mas a culpa não é realmente minha. Segundo a física, objetos de grande massa tendem a curvar o espaço em volta deles, de forma que até mesmo a luz é distorcida ao se aproximar. Eu duvido que esse sujeito tenha conseguido tirar uma foto de si mesmo uma vez que seu peso ultrapassou a casa dos dois dígitos de toneladas.Esse cara era a personificação da sentença “gordo seboso”. No alto da bancada, ele olhava pro público abaixo com um semblante de total desgosto, como se ter que sair do porão da sua casa e estar cercado de outros seres humanos pela primeira vez em 3 anos desde o lançamento de World of Warcraft fosse um preço alto demais pra pagar pelo privilégio de assistir a apresentação da noite. Se não fosse a sua própria gravidade que atrai pra perto dele pequenos carros e qualquer indivíduo nas proximidades, eu arriscaria o palpite que esse ser jamais esteve perto de alguém do sexo oposto.

Após perambular pelo saguão conferindo os inevitáveis cosplays que sempre aparecem nesse tipo de eventos, a voz no alto falante do teatro nos informou que o show começaria em alguns instantes. Nos dirigimos aos nossos assentos, que graças à generosidade da namorada eram na primeira fileira, e aguardamos.


Literalmente dúzias de cartazes informando que o uso de dispositivos de gravação eram proibidos, então resolvi não arriscar o confisco da minha câmera e tirei quase todas as fotos stealthmente, com o celular. Por isso peço desculpas pela baixa resolução.Após alguns momentos de suspense as luzes se apagaram e Tommy Tallarico apareceu no palco, fez aquela apresentação clichê “vocês estão animados?!”, “sim”, “NÃO OUVI NADA, VOCÊS ESTÃO ANIMADOS SEUS CORNOS?”, “SIIIIIIIIIIM PORRAAAAA” e o show começou.

O show começou com um vídeo super engraçado de um maluco fantasiado de Miss Pacman fugindo dos fantasminhas do jogo. Quando o vídeo terminou, a orquestra se preparou pra primeira peça. Era o Arcade Medley, uma compilação de várias músicas-temas de joguinhos antigos de arcade.Nem preciso dizer que a produção da apresentação era de impressionar os ouvidos, e que a reação do público devia dar orgulho ao Tallarico. Aliás, após a primeira música, o Tommy apareceu no palco pra dizer que notou que muita gente não sabia se podia berrar e assobiar no fim de cada peça porque afinal é uma orquestra, e é um teatro, há modos e coisa e tal. Ele explicou que pro contexto do VGL, quanto mais barulho durante a celebração de encerramento de casa música, melhor. E com isso ele recebeu o primeiro aplauso em pé (standing ovation = aplauso em pé?) da noite.

Tommy pediu pra todo mundo ligar seus celulares, PSPs, DSs tal qual isqueiros em um show dos Scorpions. E aproveitou pra dar uma de flamer, comentando que a turma dos PSPs “estava esperando o console carregar”.
A orquestra tocou músicas de Metal Gear Solid (momento em que um sujeito fantasiado de Soldado Genérico de MGS #1 apareceu no palco, sendo seguido por uma caixa de papelão com pernas, levando a platéia ao delírio), Final Fantasy, Sonic - minha apresentação favoritíssima, de longe -, Mario, Civilization, Halo e outros. Aliás, tanto a música quanto o vídeo de Civilization foram muitíssimo legais. Subiu ao palco a irmã daquele famoso pianista vendado que toca o tema de Mario (tanto o moleque quanto a irmã fazem turnês com o Tallarico e o VGL) pra fazer o que ela faz melhor - tocar piano movendo os dedos em velocidade estonteante que, se eu não estivesse vendo ao vivo, deixaria um comentário na respectiva página do youtube dizendo “FAKE”.Novamente, VGL me ensinou por que o termo “nerd” carrega tamanho estigma social. O sujeito que sentou do meu lado, que aparentava ter uns 25 anos nas costas, passou o concerto INTEIRO sentado com os pés na cadeira, apoiando um DS preto nos joelhos, jogando Yu Gi Oh. Quando eu digo que ele passou o concerto inteiro, eu não estou exagerando. Se o cara levantou a cabeça pra assistir a apresentação duas vezes foi muito. Eu até entendo que criticar alguém por jogar DS num show de música de videogame parece um tanto contraditório, mas porra, precisava você pagar extra por um assento na primeira fileira se você não vai assistir a porra do show?


Vídeo de celular. Dá um desconto, ao menos foi na primeira fileira, né. Reparem que eu recebi um comentário de alguém que pode ter sido o nerd narrado acima.O show durou 2 horas, e cada segundo dele foi sensacional. Saí de lá com vontade de ir de novo quando eles voltarem no ano que vem, ou que eles ao menos lançassem um DVD com o show.

Master Chief e um espartano outro qualquer no palco.
Eu queria escrever um texto mais elaborado sobre a parada, mas com trinta minutos faltando pra eu precisar me arrumar e ir pro trabalho, vou ter que ficar por aqui mesmo. Antes um post incompleto que quebrar minha promessa de um post por dia.

(Que eu vou acabar quebrando eventualmente mesmo, mas que agora serve como uma conveniente desculpa pra eu terminar o post mais cedo e me arrumar pro trabalho)


Lançamentos da semana!

Escrito por Kid on Nov 5, 2007


Call of Duty 4
Primeiro jogo da série que não é ambientado na Segunda Guerra. Não sei por que derivaram do gênero afinal jogo de Segunda Guerra é um conceito totalmente original, e de forma alguma foi explorado extensivamente por milhares de gamehouses nos últimos 10 anos. Se o gameplay for tão bom quanto os gráficos, finalmente Gears of War sairá do meu 360.
Hypemeter: Alto

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Mario & Sonic at the Olympic Games
Uma década após a console war que marcou nossa geração, os mascotes das respectivas companias se unem num jogo que, até agora, parece meia boca na melhor das hipóteses. Eu sou totalmente a favor de suspensão de descrédito em jogos e tal, especialmente se eles envolvem porcos espinhos falantes que se locomovem numa velocidade próxima a do som, mas Mario ganhando do Sonic numa corrida é uma parada intragável.
Hypemeter: Mediano

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Empire Earth III
O terceiro de uma série de jogos de estratégia bem Civilization-like. E, me perdoem os puristas, mas Civilization é meio chatinho.
Hypemeter: Nulo

 

 

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Gears of War (PC)
O shooter de consoles mais aclamado dos últimos anos (caso Halo tenha fingido estar gripado pra faltar nesse dia) finalmente chega às mãos dos gamers de PC. Graças à pressa da Epic Games de terminar o jogo antes do período de Natal, não haverá jogatina cross-platform (ou seja, donos de 360s não poderão jogar contra donos de PCs), e por isso não poderei usar meus skills de mais de um ano jogando initerruptamente pra silenciar os elitistas chatos que insistem que o controle de shooter pelo mouse é melhor.
Hypemeter: Nulo. Não tenho máquina pra rodar esse jogo (alguém que não trabalha na NASA tem?), isso pra não mencionar que a essa altura do campeonato já zerei Gears of War até de cabeça pra baixo.

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Lego Star Wars: The Complete Saga
Disputando o Prêmio Eletronic Arts Para Reconhecimento na Produção de Ports Apressados Pra Todos os Consoles, Lego Star Wars: The Complente Saga une as aventuras duas trilogias numa versão que até sua irmãzinha poderia apreciar.
Hypemeter: Baixo. Parece impossível que eu não me anime pra comprar um produto que é basicamente uma união entre duas coisas sensacionais (Lego e Star Wars), mas aí está. Nunca consegui gostar da série (Lego Star Wars, que fique claro).

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Power Rangers: Super Legends
Vejam só crianças! É um jogo pra um console de 7 anos atrás, a respeito de um seriado que tem mais de uma década de idade!
Hypemeter: Nem jesus cristo em pessoa seria capaz de explicar por que eu não estou correndo pelado no meio da rua nesse exato instante, tamanha é minha excitação com POWER RANGERS: SUPER LEGENDS.

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Sillent Hill: Origins
Seguindo o padrão nome do jogo DOIS PONTOS subtítulo que é de praxe pra jogos que são spin offs (ou seja, não são sequências propriamente ditas) de outras séries, Sillent Hill: Origins tráz pros donos de portátil todo o terror que a Konami conseguiu enfiar na telinha do PSP.
Hypemeter: Favor não me crucificarem, mas eu não sou fã de Sillent Hill.

 

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Supreme Commander Forged Alliance
A sequência da sequência do melhor jogo de estratégia em tempo real de todos os tempos, que eu não pude jogar porque meu computador é aproximadamente tão potente quanto uma calculadora da Texas Instruments.
Hypemeter: Tão alto quanto o preço da máquina que eu precisaria comprar pra rodar o jogo nas melhores configurações possíveis.

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Yu Gi Oh Alguma Coisa
É um jogo de Yu Gi Oh. Pro PS2. Ok? Você não precisa que eu faça piadinhas com o jogo pra que você não se interesse em ir até o camelô mais próximo.


Resenha - DS

Escrito por Kid on Jul 19, 2007

Tomaram notas, pesaram custos e benefícios, checaram a carteira e linkaram a resenha pra amigos que têm vontade de pegar um PSP?

Beleza. Agora é a vez do DS.

Lá por meios de 2002 ou 2003, a Nintendo pensou com seus botões “sabe duma coisa? O mercado gamer tá estagnado de novo. Vamos revolucionar essa porra“. Não seria a primeira vez que a Nintendo apareceria pra trazer ares de renovação à indústria de videogames (crash de 83, anyone?).

Foi com essa filosofia em mente que a Nintendo revelou o codinome do seu console de nova geração, o Nintendo Revolution. Quando a empresa abandonou o codinome promissor em troca do totalmente simples “Wii”, nerds ao redor do mundo sentiram um chute nos bagos. Fóruns ao redor da internet pipocavam com reclamações furiosas, era como se o novo nome fosse uma ofensa pessoal contra certos gamers que insistiam que a Nintendo largasse mão de apostar no mercado infantojuvenil. Hoje é “Revolution” que parece estranho, arcaico. Faz alusão à época quando nem sabíamos nada sobre o console. Mas divago.

Numa época em que as empresas rivais trocavam tapas metafóricos divulgando as especificações bombadíssimas de seus futuros consoles dando ereções massivas em nerds ao redor do globo, a Nintendo foi totalmente contra a maré anunciando que as capacidades gráficas do Wii seriam aproximadamente equivalentes às do GameCube. O tesão foi cortado de imediato, até que a Nintendo revelou o estranhíssimo Wiimote, o controle do Wii. Aí mesmo é que as profecias de fim da Nintendo começaram a ganhar força. Mas a empresa continuo firme e forte na mentalidade de provocar mudanças na indústria que não via nenhuma grande revolução desde 1983.

O DS foi um fruto da mesmíssima corrente de pensamento. Com exceção do Tapwave Zodiac, um aparelho totalmente obscuro que só mesmo nerds de handhelds conheceram - e apenas por fotos na internet, porque o troço é raro mesmo -, o DS foi o primeiro console portátil com input por toque. A animação diante das novas possibilidades foi rapidamente eclipsada pelo concorrente PSP, que exibia hardware muito mais potente e trazia junto com a sua estréia a marca Playstation, as franquias correspondentes e funcionalidades que transcendiam o objetivo de um simples ideogame portátil. A Nintendo humildemente reconhecia que sua máquina era menos capaz, mas enfatizava que o público e o propósito do DS eram outros. E a turminha de videntes continuava a pregar a morte da Nintendo.

Poucos meses depois, O DS é liberado ao mundo. E quando o número de DSs vendidos ao redor do mundo ultrapassava o de PSPs numa proporção de quatro pra um, a turma de mães Dinás perceberam que suas previsões falharam completamente.

Como é que uma máquina com hardware inferior e muito menos funções que seu concorrente direto consegue lavar o chão com a cara da competição? A vitória do PSP parecia uma aposta tão fácil, tanto é que este que vos escreve chegou, em certo período, a ridicularizar a premissa do DS e economizar centavinhos pra adquirir um PSP.

O texto já tá ficando bem longo até agora, e eu nem comecei a falar do DS ainda. Isso se deve ao fato de que, por mais paradoxal que isso possa soar de início, não há muito pra se falar do DS. Na resenha do PSP eu falei sobre o navegador, sobre o mp3 player, sobre o suporte a imagens, sobre os disquinhos UMD e tudo mais. O DS não tem nada disso, é um puro e simples videogame. Por causa disso mesmo era necessário colocar mais conteúdo no artigo, e nada melhor do que explicar justamente POR QUE o DS é um aparelho mais simples do que o da concorrente. E aí está, resumido em uma frase - O DS não precisa de nenhuma dessas funções extras pra vender porque ele é um videogame do caralho.


Tecnicamente falando, o DS é aproximadamente equivalente ao N64. Usa mídia em formato de cartucho, não trabalha muito bem com texturas e por causa disso oferece gráficos meio medíocres, e ambos foram lançados com Super Mario 64. O detalhe principal do Nintendo DS é a sua tela inferior, que é sensível ao toque. Graças a isso, gamers tiveram a oportunidade de experimentar jogabilidades realmente criativas, como a de Kirby’s Canvas Curse (onde o jogador desenha linhas na tela, que se materializam no jogo e servem de apoio pro personagem principal), Trauma Center (um simulador de cirurgias muitíssimo criativo) e Elite Beat Agents, que é o equivalente portátil de Pump It Up.E é aí que você compreende o porquê do sucesso estrondoso do DS - enquanto o PSP tentou enfiar tudo de melhor que fosse possível caber no chassi do console e traduzir pra telinha portátil os maiores sucessos do seu irmão-console mais velho, a Nintendo ofereceu inovação. Claro que há uns Super Mario 64 aqui, Star Foxes ali e Castlevanias acolá, mas o que realmente leva o DS ao topo da lista de consoles mais vendidos são os jogos nunca antes vistos e extremamente criativos.

Claro, não só de novidade vive o console da Nintendo. Trabalhar em cima de clássicos do passado dá certo pra cacete também, quando feito com competência. Lembra dos adventures point and click, que fizeram da Lucasarts uma empresa bastante conhecida no meios dos anos 90 e nos deram clássicos inesquecíveis como The Dig, The Day of the Tentacle e Full Throttle? Então, todos achávamos que o estilo estava morto e enterrado. O gênero de aventura e exporação não apenas retornou, mas o fez no que anos atrás acharíamos a plataforma menos provável pro sucesso do estilo de jogo - um console portátil. Graças à tela de toque, as gamehouses puderam reviver o formato point and click. E já há bastante títulos praqueles que se amarram nesse tipo de jogo, como a série Phoenix Wright (que estou jogando no momento), Hotel Dusk e Lost in Blue.

Saudosismo move a indústria de games; não é a toa que volta e meia temos coletâneas de jogos antigos vendendo pra tudo quanto é console. Pensando nisso - e no hardware único do DS -, empresas começaram a trazer do passado clássicos absolutos que não poderiam ser feitos com competência em nenhum outro console - estou falando dos jogos de estratégia. Donos de DS já podem se divertir com SimCity, Theme Park e, é claro, Settlers. Se você é como eu e passou HORAS e HORAS quando moleque construindo cidades, parques de diversões ou vilas medievais em Pentiums 133 dez anos atrás, esse parágrafo aqui (mais do que qualquer outro) já deve estar te dando coceira na carteira.

E talvez você esteja mesmo morrendo de vontade de põr as mãos em um DS. Talvez até mesmo antes deste texto você já tinha essa vontade, mas esbarrava de cara com a dúvida que aflige a mente perturbada do gamer com orçamento baixo - DS original, ou DS Lite? Resposta curta - DS Lite, caso você goste de ver o que está acontecendo na tela com nitidez e clareza. Os mais brutos (ou seja, os que já compraram o DS original e precisam adotar pose de desdém em relação ao modelo claramente superior) podem até dizer que “é tudo a mesma coisa”, mas não é. Case in point:


A diferença mais relevante é a claridade e nitidez das telas. As do DS Lite são obviamente muito mais claras e nítidas do que as do modelo antigo, que em comparação parecem até estar com algum tipo de defeito. Eu GARANTO que você jamais será capaz de jogar num DS antigo após se acostumar com um Lite. Aliás, boa parte do motivação em comprar o Lite foram as jogatinas no DS Lite do meu irmão. O resto, obviamente, se deve a Settlers.O DS Lite é também bem menor e mais bonito que seu irmão mais velho. Alguns dizem que isso é detalhe bobo, com razão, mas quer saber? Eu sou um nerd superficial. E eu quero que meus consoles sejam estilisticamente atraentes. Aliás, não devo ser o único, senão a linha iPod não venderia tanto.

Os botões do DS Lite são mais responsivos por serem um pouco mais elevados do que os do DS original, dando a você uma resposta mais clara quando você os pressiona. O D-Pad do DS Lite é claramente superior, assim como a posição dos botões Power, Start e Select. Não sei o que a Nintendo estava pensando ao pôr esses botões tão próximos a outros que são usados o tempo todo durante os jogos, dando bastante oportunidades de acidentes, mas sei que alguém acordou pra realidade e mudou-os de lugar quando projetaram o Lite. A stylus do DS Lite é também mais grossa, o que deixa mais fácil e confortável de segurar, e o silo desta se localiza do lado da unidade, ao invés de atrás. Ou seja, é mais fácil puxar a canetinha pra fora durante os jogos, já que ela agora não fica obstruída pela tela superior do console.


Se liga na diferença de tamanho

Os LEDS que indicam que o DS está em uso tinham uma posição horrível na versão original; quando a tela superior está fechada, as luzinhas ficam semi escondidas. Ou seja, não é exatamente muito funcional ou bonito, dá idéia de um design desastrado, que não pensou em todas as possibilidades. A conexão entre a tela superior e inferior é meio estranha no DS antigo, parece que o troço pode quebrar a qualquer safanão. O DS Lite parece muito mais resistente. O microfone embutido do portátil foi movido do canto interior direito pro meio das telas, o que muitos concordam ser uma posição que faz mais sentido.Admito, boa parte desses detalhes podem até passar batidos ou serem ignorados em prol da economia de, sei lá, uns cinquenta reais? Mas olhe novamente pra foto que compara a diferença de claridade entre os dois modelos. Você REALMENTE quer ver seus jogos daquela forma? Não vale a pena. Pode confiar em mim, não vale a pena. Tanto acredito nessa opinião que comprei um Lite apesar de possuir um DS original que funciona perfeitamente. Sério mesmo moçada, em comparação com o Lite, o DS original mais parece uma versão beta do console, aqueles protótipos que aparecem na E3 anos antes do console de verdade aparecer em prateleiras.

Assim como o PSP, o DS também possui um rádio wifi pra comunicação sem fio. A lista de jogos online do DS é consideravelmente menor do que a do PSP, mas esse número está aumentando paulatinamente com lançamentos de jogos que há anos imploravam por modos online, como o favoritíssimo Pokemon, em sabores Diamond ou Pearl.

E chegamos aos jogos, o que é o ponto principal da aparente preferência mundial pelo DS. Se eu fosse mini-resenhar todos os excelentes jogos que já estão disponíveis pro DS esse post dobraria de tamanho, então vou me ater a poucos. Pelo amor de deus não me encham o saco perguntando “cadê aquele jogo X sensacional que ganhou nota 40 na Famitsu?!?!?!?11111“. Não estou “esquecendo” nenhum jogo, estou propositalmente deixando a lista pequena por motivos de concisão e preguiça.


Elite Beat Agents
Como falei antes, EBA é como uma versão portátil de Pump It Up. Ao invés de passos desajeitados na frente de estranhos no shopping, você segue círculos e linhas na tela sensível a toque, de acordo com a batida da música. O jogo tem, sei lá, umas 40 músicas que abrangem tudo quando é gosto musical, desde Rolling Stones até Jamiroquai, passando por Madonna e Avril Lavigne. Apesar de boa parte delas ser de gosto musical duvidoso, o jogo é muito viciante. Só tenha o cuidado de usar fones de ouvido na fase com a música da Avril Lavigne, caso você esteja jogando num local público. Ou você correrá o risco de pensarem que você gosta da cantora.

New Super Mario Brothers
Uns trocentos anos após Super Mario Brothers dar as caras no Nintendinho, o encanador italiano mas na verdade japonês aparece em uma nova aventura 2D, trazendo de volta todos aqueles elementos surreais familiares que a gente cresceu vendo - canos, plantas piranhas, cogumelos, tartarugas goombas, etc e o caralho. A diferença é que é tudo 3D bonitinho agora, mas no formato de plataforma 2D que eu imaginava que Super Mario 64 seria. O jogo é uma revisitação totalmente foda do universo Mario Brothers, e é de compra obrigatória pra qualquer dono de DS. Especialmente pra mim, por motivos dolorosamente óbvios.

Mario Kart DS
Mario Kart é uma série que foi sucesso em todo console que apareceu. Deu certo no SNES, deu certo no N64, deu certo no GameCube, deu certo no GBA. Parece impossível esculhambar a fórmula, e a versão do DS confirma a tradição. Além de compilar pistas de TODOS os jogos da série, Mario Kart DS oferece uma porrada de personagens e carrinhos destraváveis e um inédito modo online. Outra compra obrigatória, não tem pra onde escapar.

Tetris DS
E já que estamos falando de fórmulas inestragáveis, como não mencionar Tetris DS? O Tetris original catapultou o Game Boy pros bolsos e mochilas de milhares de moleques catarrentos no comecinho dos anos 90, e Tetris DS fez o mesmo pro novo portátil da Nintendo. Além de ser enfeitados com temas referentes aos clássicos da Nintendo (músicas remasterizadas de jogos clássicos por exemplo), Tetris DS oferece uma porrada de modo de jogo e gameplay online.Tetris online? É quase bom demais pra ser verdade, puta que pariu, vamos ser sinceros. Outra compra obrigatória.

(Talvez essa seja a hora de mencionar que a jogatina online do DS é totalmente de grátis, basta ter um router wireless que você já tá dentro da parada).


Clubhouse Games
Uma coletânea de QUARENTA E DOIS velhos mas eternos joguinhos como poker, boliche, dardos, sinuca, ludo, gamão, xadrez, damas… Ah, eu mencionei que cada um deles é jogável online?Diz aí, é ou não é fácil entender por que essa porra tá vendendo como água no deserto? Sinceridade mermão.


Trauma Center
Trauma Center é mais um daqueles joguinhos que, apesar de já terem existido no passado (uma jujuba pra quem lembrar de Life and Death 1 e 2), não poderiam ter renascido em nenhuma outra plataforma senão o DS. Basicamente, é um jogo em que você faz cirurgias em neguim. E um jogo extremamente desafiador, o que é compreensível porque você está fazendo cirurgias em neguim. Ainda não tivemos a oportunidade de ouvir a opinião do DOC FHBD (nosso médico/benfeitor residente do fórum) a respeito do realismo do jogo, mas tem sangue pra caralho e eu imagino que essa parte eles retrataram com fidelidade.

Settlers (sem resenha porque o jogo ainda não foi lançado)
Settlers 2 portátil. Não sei se tá bom pra você, mas tá excelente pra mim. Há três jogos que foram jogados à exaustão durante minha infância e que formaram a pessoa que sou hoje - Super Mario World, Command and Conquer e Settlers. Dê uma olhada no layout desse blog; é fácil entender que qualquer jogo que participe do mesmo panteão que Super Mario World é alvo de minha devoção incondicional.Aliás, no dia que a Eletronic Arts tirar o dedo do cu e começar a trabalhar num Command and Conquer DS, acho que serei a primeira pessoa no mundo a morrer graças a um orgasmo. Cruzemos os dedos todos juntos.


Cooking Mama
Cooking Mama é um joguinho literalmente adorável. É basicamente uma porrada de minigames que simulam as etapas de preparação de dezenas de receitas. E todas seguidas à regra, ou seja, de repente até você aprende a fazer uma muqueca de camarão.Vou ser sincero e admitir que não é um daqueles jogaaaaaaaaaaaaaaços, mas é bastante viciante e é um bom exemplo do tipo de mercado que a Nintendo está tentando abocanhar - o mercado dos gamers casuais, do tipo que não sabe o que é Final Fantasy mas acharia o maior barato brincar de fazer comidinha na fila dos correios se tivesse a oportunidade. Só tome o cuidado de não deixar sua namorada ver o jogo, ou você nunca mais verá seu DS.

***

E vamos ficando por aqui. Há uma porrada de títulos que eu serei crucificado por não mencionar, como o remake de Final Fantasy 3, os dois novos episódios de Castlevania (Dawn of Sorrow e Portrait of Ruin, respectivamente), Zelda Phantom Hourglass (considerado pela mídia especializada como o melhor Zelda desde Ocarina of Time), o genial puzzle Meteos, e por aí vai. Bom, ao menos mencionei por alto agora.E vamos ao que interessa - a pirataria. Burlar direitos autorais com o DS nunca foi tão fácil - tendo posse do M3 Simply (um aparelhinho que custa míseros 50 dólares), a única coisa que você precisa fazer é jogar ROMs de DS num cartãozinho microSD e acabou-se a história. Como já mencionei, jogos de DS são absurdamente minúsculos, o que garante que você terá adquirido toda a coleção de jogos AAA+ em uma noite só.

Devo ter esquecido um monte de coisa, então donos de DSs sintam-se à vontade pra apontar meus erros.

Bom, agora você sabe tudo ou quase tudo sobre os consoles da nova geração. Qual você escolheria?


Resenha - PSP

Escrito por Kid on Jul 16, 2007

Devido à minha recente empolgação com os intermináveis títulos de DS que agora tenho acesso gratuito, acabei fazendo bastante propaganda não-intencional do console, ao ponto de que pelo menos três leitores já estão agilizando as compras dos seus portáteis. Há vários outros também interessados, mas a decisão final está dependendo de uma análise cuidadosa do concorrente do DS, o PSP. As capacidades multimídia do portáril da Sony são bastante atraentes pra consumidores de um país em que não se pode manter muitos gadgets, então aquele que quebra mais galhos e desempenha mais funções acaba sendo o favorito. Por que comprar, digamos, um videogame portátil e um MP3 player quando eu posso comprar um que faz as duas coisas? Na prática a coisa acaba não sendo tão simples assim, mas isso é dos vários pontos que eu vou tocar mais tarde ao longo deste post.

Atendendo a diversos pedidos que datam do ano passado quando eu fiz aquele dossiê comparativo dos consoles next gen, aqui vai o Relatório HBD de Portáteis.

Por nenhum motivo em especial, vamos começar com o PSP.


O PSP é o primeiro portátil da gigante Sony e, como primeira empreitada no ramo, até que a Sony não se deu tão mal assim. Se você for ver o histórico de empresas que no passado tentaram desafiar a hegemonia da Nintendo no campo de videogames de bolso, encontrará apenas os cadáveres de aparelhos que não ofereciam nenhum tipo de desafio pros Game Boys.O PSP é marketeado não apenas como um videogame, mas como uma potente central portátil de entretenimento. O console toca MP3, filmes (tanto em discos UMD como filmes em formato .mp4), visualiza imagens e acessa internet. Ah, e parece que roda jogos também.

No papel isso parece incrivelmente miraculoso, mas na prática a coisa é um pouco diferente. Pra começar, usar o PSP como mp3 player é incrivelmente “desconfortável”, por assim dizer. O aparelho é muito grande pra caber bem num bolso e as partes móveis internas são frágeis demais pra um aparelho como um mp3 player, que irá com você pra onde você for. O mesmo vale pra telona de cristal líquido do console - linda pra jogos e filmes, pra um imã de riscos em algo que sairá com você sempre que você pôr os pés fora de casa. Com essas ressalvas, o player do PSP é competente, com várias opções como playlists, suporte a WMA, navegação por pastas múltiplas pra organizar as músicas, etc etc e etecéteras.


O player de mp3 do PSP em ação

Há também o suporte a imagens. A telona de 480 por 272 do PSP é incrivelmente nítida pra mostrar fotografias, e embora não seja exatamente o tipo de uso que convencerá o gamer a comprar o console, é uma adição bacana. Afinal, a telona está lá, o espaço de armazenamento está lá. Por que não me deixar levar comigo fotos das viagens das últimas férias pra mostrar pra desconhecidos na fila do banco? Assim como o player de mp3, você pode separar suas imagens por pastas pra facilitar organização e pode até mesmo usar uma dessas imagens como papel de parede do console. Não é uma coisa essencial mas é legal.Tem também o suporte a filmes. Como mencionei, o PSP roda os disquinhos de formato proprietário UMD…


…que tiveram o mesmo nível de sucesso que todas as outras mídias proprietárias da Sony (Mini Disk, Memory Stick, Betamax, etc), ou seja, nenhum. Parece que a Sony pensa que porque participou da “invenção” do CD, ela pode sair reinventando a roda cada vez que põe no mercado um aparelho que precisa de mídia. Como imaginado, o UMD acabou se tornando um formato praticamente defunto. É difícil achar lojas que ainda os vendam e eu estou apenas esperando o momento que os Walmarts da vida dirão “ahhh, foda-se” e colocarão diversos filmes em UMD em liquidação de fim de estoque por $1,99 pra eu poder fazer uma coleçãozinha legal. Até o momento, Snatch é o único filme que possuo.

Há também o navegador. O PSP vem equipado com um rádio wifi, ou seja, se você tiver um router wireless em casa, tá feito. Novamente, a imensa tela do PSP é um ponto forte do console. Eu sou acostumado a navegar a internet em aparelhos portáteis e as telas pequenas tornam a experiência quase insuportável, dependendo do site. A tela generosa do PSP deixa a coisa mais confortável, as páginas não precisam fazer contorcionismo pra caber direitinho no visor. O navegador do PSP está bem a frente de outros navegadores portáteis, com suporte a flash, java (yay, mandar scraps no orkut enquanto cago!), e outras bobagens.Por último e não menos importante, os JOGOS. O PSP começou devagar, como todo console, e estava levando uma sura homérica do DS no departamento de jogos. Mas a Sony correu atrás do prejuízo, as third parties seguiram o exemplo e no momento o PSP já tem vários títulos que justificam a compra do console. Os mais bem cotados:


Crush
Um puzzle que usa uma mecânica muitíssimo curiosa - você precisa constantemente mudar a percepção do cenário entre 2D e 3D pra explorar o ambiente e chegar em áreas não atingíveis. É bem difícil entender o conceito do jogo apenas lendo a descrição, então veja esse vídeo.

Burnout Dominator
A versão portátil mais recente do clássico da Criterion. Se você conhece a série no PS2, já sabe o que esperar da versão portátil - velocidade estonteante, gráficos de lamber os beiços, modelos de carros imaginários (o que é um ponto fraco da série, estraçalhar uma Ferrari seria bem mais satisfatório) e, claro, batidas e capotadas espetaculares.
Não achei nenhuma boa screenshot :(

Ratchet and Clank Size Matter
Eu nunca fui fã da série e não joguei nenhum dos episódios, mas segundo as resenhas especializadas o jogo é do caralho. Não é qualquer jogo que recebe nota 9 no IGN, né.

Metal Gear Solid Portable Ops
Idem ao jogo acima. Nunca senti tesão na série, e apesar de ter baixado a ISO do jogo, nem tive interesse de jogar. O jogo oferece uma storyline nova no universo da série, o que já vale a compra pros fãs do Snake ou sei lá qual o nome do personagem principal. Também há um modo online, o que é interessante.

Killzone: Liberation
Nas palavras dum resenhador do GameTrailers, “K:L é o jogo que todo desenvolvedor deveria passar algum tempo jogando antes de criar jogos de tiro pro PSP“. E não é por menos - o jogo é um shooter muito robusto, que dá dribles ao redor do problema de controle do PSP (especificamente, a falta de um segundo stick analógico), com gráficos e física muito realistas, inteligência artificial marcante e, como se isso não fosse o bastante, armas destraváveis, missões baixáveis (pelo próprio PSP) e vários modo de jogo online com suporte a voice chat.Killzone Liberation é sem qualquer dúvida um dos melhores jogos do portátil. Uma resenha mais profunda do game aqui, escrita por este que vos fala. Er, este que vos escreve.


Grand Theft Auto Vice City Stories
Três palavras: Vice City Portátil.Pronto. Não precisa falar mais nada.


Loco Roco
Loco Roco foi um dos primeiros jogos do PSP. O jogador controla o equilíbrio do cenário, usando os botões L e R, empurrando os Loco Rocos pra este lado ou aquele até chegar ao final do colorido labirinto que é a fase. Deu pra entender? Assim como Crush, Loco Roco é um daqueles jogos bem criativos que desafiam descrições. Ele também é extremamente viciante.

Tekken Dark Ressurection
Tekken portátil.Precisa dizer mais alguma coisa? Não.


Field Commander
Já ouviu falar de Advance Wars, aquela série de estratégia turn based do GBA? Então, Field Commander é a MESMA COISA, mas com gráficos 3D, sons realistas e jogatina online. Ou seja, se você é como eu (que curte jogos de estratégia mas não suporta a apresentação tosca de Advance Wars), você vai adorar Field Commander. O jogo trás um modo multiplayer popular nos tempos de outrora mas quase morto atualmente, o Mail Play. Você loga no servidor, encontra um oponente, e faz a jogada. Aí você pode desconectar e viver sua vida. Amanhã você conecta de novo, loga no servidor, baixa a jogada do oponente, faz a sua, e desliga o videogame novamente. Tudo bem que a partida durará dezoito anos, mas é um formato bem conveniente praqueles que gostam de desafiar oponentes ao redor do mundo mas não têm muito tempo pra isso.

Mega Man Maverick Hunter X
Lembra de Megaman X, do SNES? Então, Maverick Hunter X é um remake daquele clássico, com gráficos 3D bonitosos, trilha sonora toda masterizada, e intros em FMV. Praqueles que não conheceram o clássico, MHX é um sidescroller/platformer muitíssimo competente, com bastante variedade de inimigos, powerups e fases. Ou seja, absolutamente imperdível mesmo se você não era um fã de Megaman.E vou parando por aqui porque tou com preguiça de continuar fazendo essas mini resenhas dos jogos. Ou seja, o PSP já tem a essa altura do campeonato uma biblioteca invejável. Shooter online, puzzles, estratégia, corrida, há jogos pra todos os gostos.

E o ponto principal que motiva ou desmotiva a compra, pelo menos pros gamers brasileiros - e a pirataria? Pra poder acessar bilhões de ISOs de jogos de PSP no torrent mais próximo, você precisa modificar o firmware do seu PSP. Versões abaixo da 2.81 podem fazer isso precisando apenas de alguns arquivinhos no Memory Stick. Versões superiores necessitam do UMD original de Lumines, que é a propósito outro jogaço do console. O processo de mexer no firmware do console trás inerentes riscos; faça merda no processo e seu PSP se torna um peso de papel. Considerando o custo/benefício, o risco vale a pena. Até porque o índice de PSP brickados em downgrades é baixíssimo. Mais baixo até, eu arriscaria dizer, que o número de Xbox 360 fodidos por 3RL, que podem acontecer virtualmente a qualquer momento com qualquer console.

Uma vez que seu console está destravado, basta se equipar com um memory stick de pelo menos 2gb (ISOs de PSP variam entre 300mb e 1gb) e sair baixando os jogos do seu agrado. Após downgradear o console, você pode instalar uma versão custom dos firmwares mais recentes, que têm todas as novas funcionalidades mas ainda permitem rodar jogos piratas. Uma dessas funções totalmente delícia é a possibilidade de rodar jogos de PS1 no seu PSP. Eu tenho a impressão que isso, por si só, já motivaria muitos saudosistas a comprar o console e arriscar o downgrade. E falando em saudosismo, o PSP é capaz de emular NES, SNES, Mega Drive, Game Boy e já está começa a dar os primeiros passos na emulação de Nintendo 64. E emulação DECENTE, com savestates com direito a thumbnail da área onde você salvou o jogo, remapeamento de botões, opções de visualização, cheat codes, ou seja, TUDO.

Novamente, só isso já justificaria a compra do negócio. Imagina andar por aí com 200 ROMs de SNES e Mega Drive no bolso. Por quase três meses, tudo que eu joguei no meu PSP foi Super Mario World, Blackthorne, Zelda: A Link to the Past e Pitfall.

Resumão - o que era antes um saco de pancadas do DS em questão de vendas agora é um console competente, com funções bastante atraentes e uma coletânea de jogos que agrada qualquer tipo de gamer, especialmente se você puder hackear o seu console. Se eu tiver esquecido algum detalhe, donos de PSP, a caixa de comentários está aí.

Agora você conhece o PSP.

Amanhã você conhecerá a concorrência.


Escrito por Kid on Feb 8, 2007

Os nerds hardcore como eu, do tipo que passa tardes inteiras pesquisando artigos sobre videogames na Wikipédia gringa (a wiki em português, sendo a merda elitista e mal gerenciada que é, dificilmente terá um bom artigo sobre qualquer coisa de relevância gamer), deve saber que os geeks dos dias atuais devem MUITO à Nintendo. Em 1983, o mercado de videogames passou por momentos de grandes apuros, não muito diferente de um rapaz que, durante um encontro romântico com sua amada, percebe subitamente que cagou-se nas calças.

Havia muitos consoles diferentes no mercado nos anos oitenta (conte aí: Atari 2600, Atari 5200, Bally Astrocade, Colecovision, Coleco Gemini, Emerson Arcadia 2001, Fairchild Channel F System II, Magnavox Odyssey2, Mattel Intellivision), o que confundia a cabeça do consumidor comum (“porra, meu videocassete da marca X funcionará pra todo o sempre, e toca qualquer tipo de fitas. Por que demônios então lançam um console diferente a cada 15 minutos, cada um com suas mídias e jogos exclusivos?”). Como em todo mercado novo e ainda não devidamente explorado - sem contar o fator “concorrência brutalmente numerosa” -, muitas empresas entraram no mercado sem camisinha até os bagos, e queriam lançar produtos o mais rápido possível, e talvez até mesmo impossivelmente através de métodos de viagem no tempo que os permitissem lançar jogos antes que os programadores dos consoles rivais nascessem. Minha mãe já dizia que a pressa é inimiga da perfeição (estou tirando a expressão do seu contexto devido*, mas enfim), e a indústria gamística dos early 80s aprenderam essa lição de forma dolorosa**. Muitos jogos eram lançados sem nenhum tipo de quality control. O ET do Atari 2600 era tão notoriamente ruim que muitos analistas o apontam como o culpado da destruição da Atari. Também pudera, o jogo foi programado em CINCO SEMANAS e não passou por nenhum tipo de testes de público nem nada do tipo. Nego praticamente empurrou o jogo pra linha de fabricação assim que verificaram com 80% de certeza que o o cartucho não faria o console explodir imediatamente após ser ligado.


Lembra no filme quando o ET parecia um feto com duas semanas de desenvolvimento e estava sendo perseguido por um guarda florestal entre dois algarismos romanos? Nem eu.

Atari pagou algo em torno de trinta quadribilhões de dólares pra Warner pelos direitos da franquia E.T. pra produzir um jogo baseado no filme, e o fez da forma mais porca e desastrada possível pra empurrar o jogo pras lojas a tempo que alguém ainda desse a mínima pra obra prima do Spielberg. O resultado foi essa porcaria que você vê na imagem acima - um jogo absolutamente abismal que levou a empresa à ruína e que quase matou o meu hobby favorito.O que dizer então da versão do Atari de PacMan? Mais uma vez, a mentalidade prematura da empresa videogamística apresentou um produto asqueroso pro público.

Nos anos oitenta, PacMan era praticamente um fenômeno cultural. Nos EUA, os arcades do jogo eram uma espécie de buraco negro que sugava uma multitude de moedas que estivessem nos bolsos de qualquer adolescente passando nas redondezas. Com o advento dos consoles, a idéia de trazer grandes sucessos dos arcades parecia uma idéia que não tinha jamais como dar errado. E a Atari resolveu trazer PacMan pro seu console, apostando alto no sucesso e na fanbase que o jogo já tinha ao redor do mundo. E neguim foi às lojas tendo em mente este jogo…


…e, ao ligar seus consoles em casa, deu de cara com isso:

Eu nunca tive um Atari. No entanto, meu tio tinha um, que ele comprou primariamente por causa dos sobrinhos, e eu tive o DESPRIVILÉGIO de perder aproximadamente 10 minutos da minha vida jogando esta belezura aí. Na verdade eu joguei a parada por uns 30 segundos; o resto do tempo foi dedicado a imaginar o que passava pela cabeça dos programadores da Atari quando eles resolveram que o jogo estava no ponto de ser lançado. Eles realmente achavam que a gente não notaria a diferença…?Então, por essas e outras houve o grande crash de 1983. Empresas foram vendidas, desfeitas, foram à falência, os consoles se tornaram esquecidos e muitos passaram a ver o passa-tempo da videogamagem como uma modinha passageira, assim como Pogoballs, Pense Bems, calças boca-de-sino e dobrar a pontinha da página pra marcar o “lugar” no livro.

E a Nintendo apareceu, pondo todas as fichas no passatempo praticamente morto e lançando o seu FAMICOM, ou FAMILY COMPUTER, melhor conhecido no mundo Ocidental como o fabuloso, sensacional, delicioso e impressionante NINTENDO ENTERTAINMENT SYSTEM, ou NES praqueles mais chegados a siglas. Muitos deveriam ter pensado “ah, de novo essa porra de joguim que liga na TV e o caralho?” até ver Super Mario Brothers ou Legend of Zelda ou Punch Out ou Metroid ou Metal Gear pela primeira vez. E a indústria de games floresceu novamente no que os especialistas no assunto*** como a Segunda Era dos videogames.

Blá blá blá, o Nintendinho foi o artefato místico que permitiu a minha formação como nerd aficcionado por entretenimento eletrônico, o culpado pelo atraso da perda da minha virgindade em pelo menos quatro anos, aquilo que moldou a pessoa que sou hoje. Estou neste exato momento usando uma camiseta com estampa que faz alusão à Nintendo (aquela que já postei aqui uma vez), então vocês sabem que o negócio foi pra valer.


Mas PUTA QUE VOS PARIRAM, o que diabos eles estavam pensando quando modelaram esse controle? Eles estavam almejando ganhar o Prêmio Nobel de Design Menos Ergonômico do Século? O controle do Nintendinho só não era mais desconfortável que um tijolo porque era mais leve.*Pra que esperar meia hora pra que um bolo esfrie se você pode arrancar nacos ainda quentinhos e enfiar na boca sem nem pensar duas vezes? Se isso não vale o sacrifício de uma sofrida dor de barriga, nada mais vale.

**Eu também. Mas um bolo de chocolate quentinho, conforme supracitado, valia a pena.

***Apenas super nerds podem honestamente se considerar “especialistas no assunto”.


Escrito por Kid on Jun 8, 2005

Sabe, ao longo dos anos me tornei um gamer muito impaciente. Enquanto o meu irmão pega o videogame e passa horas virando os jogos pelo avesso, tentando localizar as áreas secretas, coletando itens escondidos e tal, eu geralmente não consigo passar mais de 30 minutos jogando. Nem entendo por que, mas sei que depende muito do estilo do jogo. Não tenho saco, por exemplo, pra jogos estilo adventure/survival horror, em que você tem que achar peças e montar um quebra-cabeça pra desvendar a trama que move a história do jogo. Nah, isso não é pra mim. No passado adorei jogos como Full Throttle e Day of the Tentacle, mas hoje meu negócio é correr e dar tiros. E só. Eu gostaria de poder culpar a idade, dizer algo como “com o passar do tempo, nossos gostos mudam, blá blá blá”, mas sei que sempre fui muito difícil de agradar em matéria de jogos. Mesmo atualmente, meus jogos favoritos não ficam no PS2 por mais de uma hora.

Talvez por causa disso eu nunca me dei ao trabalho de chegar ao fim da maioria dos jogos que passaram pelas minhas mãos. Não me comprometo aos meus jogos; e eles sabem bem disso. Pego-os por aí, me divirto por alguns momentos com eles, e descarto assim que consigo pôr minhas mãos em algum que me divirta por mais tempo. Sou um cafageste mesmo. Ou seria cafajeste? Tou com preguiça demais de fazer uma pesquisa no Google pra descobrir, deixo esse trabalho a encargo de vocês.

Mas então. Por causa desse descomprometimento, muito raramente na minha vida consegui zerar os jogos que já tive. Assim sendo, consigo lembrar de cabeça todos os (poucos) jogos que conseguiram me prender prender um pouco mais do que os costumeiros trinta minutos.

Aí vai a lista dos jogos que zerei (ou finalizei, ou virei, ou fechei, a expressão varia dependendo da região onde você mora):

Super Mario World

Super Mario World não é apenas um jogo, é uma viagem lisérgica por um fantástico mundo de tartarugas e encanadores, é um ícone de uma geração. O maior crássico de todos os tempos, SMW é praticamente um sinônimo de SNES - poucas pessoas tinham apenas um ou outro, a grande maioria tinha ambos. Que outro jogo pode se orgulhar em ter sido lançado em 1991 mas ainda ser jogado até hoje, por fãs que permaneceram fiéis ao jogo a despeito de dispor de videogames bem melhores? Se você não zerou essa pérola, você não é gente.
Abuse

Um jogo bastante underground que conheci nos tempos de colegial, ainda como shareware. A pirataria online me presenteou anos depois com a versão completa. Foi o primeiro jogo em que se usava a dobradinha mouse-teclado pra mirar e andar por aí. Aliás, corrijo-me: havia outros jogos antigos que permitiam isso (Quake, Descent e Doom), mas o uso do mouse não era fundamental, era uma opção fedorenta que NINGUÉM usava. Na época, foi considerado altamente inovador por uns, e extremamente frustrante por outros. Os poucos que se deram ao trabalho de se acostumar com o estranho controle foram agraciados com um dos jogos mais alucinantes já lançados pro PC. A história era bem simples: você é um prisioneiro numa super penitenciária futurista subterrânea. Cientistas liberaram sem querer um vírus mutante no suprimento de água da cadeia gigante, e esse microorganismo transformou os outros presidiários em monstros bastante parecidos com os aliens do filme de mesmo nome.O jogo tinha um ritmo muito rápido, era atira-corre-pega arma-joga granadas-corre-pula-atira de novo naquele alien que ainda não morreu. O mouse trazia uma inovação de jogabilidade que não era compartilhada por nenhum outro jogo na época, e que imprimia uma velocidade incomparável ao jogo.

E mal sabíamos que aquele complicado sistema de controle se tornaria padrão no futuro.

Era MUITO foda aquele jogo. Os gráficos eram bastante detalhados para aquela época, e a ação se desencadeava em velocidade terminal. Era o tipo de jogo que dava gosto de jogar.

Bateu uma nostalgia violenta aqui. Assim que terminar esse post vou jogar de novo.

Ah, e Abuse era difícil PRA CARALHO. É um daqueles jogos que você e surpreende por ter zerado.

Command & Conquer Tiberian Dawn

O primeirão da eterna série C&C, que tem um lugar reservado no coração de todo gamer de bom gosto. Command & Conquer entrou na minha vida num CD da paleozóica Revista do CD-ROM, que muitos aí devem ter comprado também (eu praticamente colecionava aquela porra). O jogo veio em forma de um demo de 40 mega que eu considerei na época grande demais pra instalar no meu PC. Pensei “não devo estar perdendo muita coisa“, me conformando com uma regra estabelecida por meu pai (que vetava instalar jogos que ocupassem mais de dez mega).Semanas mais tarde, fui visitar meus primos, e os vi jogando C&C. Foi amor a primeira vista. Eu nunca tinha visto um jogo de estratégia em tempo real antes, a idéia de construir uma base e organizar um exército era novidade pra mim. Comprei o jogo completo quase 5 anos mais tarde, quando saiu completo na CD Expert. Meus jogos completos, como muitos outros esmoléus, eram ou de revistas, ou de sites warez.

Command & Conquer Red Alert

Não confundir com C&C 2, algo que acontecia direto na época que o jogo foi lançado. Neguim dizia “olha só, tenho Command & Conquer 2!“, eu dizia “Impossível, o jogo nem foi lançado ainda“. Aí o moleque falava “Mas eu tenho, vou trazer amanhã na escola pra você ver“. Sem dúvida, tava lá ele no outro dia com a caixa do Red Alert. C&C: RA é uma espécie de universo expandido de Command & Conquer, não exatamente uma continuação. Eu particularmente achava - ou melhor, ainda acho - melhor que o C&C original.
Magical Quest featuring Mickey Mouse

Boiola é aquele corno do seu pai. Engula seu preconceito. Magical Quest foi, apesar da temática meio infantil, um dos melhores jogos de plataforma que houve pro Super Nintendo. A jogabilidade era simples e viciante, havia bastante mundos com muitas características diferentes, e trajes especiais conferiam ao Mickey (ou Minnie) divertidas habilidades especiais. Lembro-me que eu tava de saída pra uma viagem de família e meu pai tinha me dado a incrível soma de DEZ REAIS (a maior quantia que passou pelas minhas mãos quando eu tinha 12 anos) pra dividir com o Trunks. Sem pensar duas vezes, fomos pra locadora e torramos o dinheiro inteiro jogando Magical Quest. Fomos os únicos moleques do bairro a zerar um jogo na locador, e a proeza demodou umas 6 horas. Teria sido mais rápido se não tivéssemos brigado durante meia hora pela escolha do personagem - ninguém queria ser a Minnie.Tou zerando de novo no emulador, e empaquei no último chefão.

Turn and Burn - No Fly Zone

Um dos poucos simuladores de vôo que havia pro SNES, e era considerado na época o melhor - a disputa era entre Turn and Burn e Afterburner, do Mega Drive. Turn and Burn foi comprado pelo meu pai, que curte jogos mais “técnicos”, mas ele acabou nunca jogando. Na época era considerado um jogo muito foda, hoje parece uma piada de mau gosto. Ao contrário de alguns gêneros que permanecem jogáveis milênios após seu lançamento (como jogos de plataforma), simuladores de vôo parecem implorar por gráficos de no mínimo 64 bits. Não sei como tive paciência de zerar esse jogo; baixei a ROM outro dia e desisti de jogar segundos após a decolagem. A caixa do jogo prometia suporte a dois jogadores, uma mentira sem vergonha.
Super Star Wars The Return of the Jedi

Um dos melhores jogos de Star Wars já lançado - eu diria que perde apenas pra Star Wars Battlefront -, e sem dúvida um dos mais difíceis jogos do SNES. Sinceramente, não sei como finalizei essa porra. Atualmente, mesmo com todas as safadezas como gamepad com função turbo e um emulador que permite salvar meu progresso a cada 3 segundos, tou apanhando pra uns chefões lá pela sexta fase. Se você nunca assistiu o filme, basta jogar essa pérola: o game conta a história de O Retorno de Jedi, o Episódio VI que na verdade era III até que o real Episódio III foi lançado. O jogo capta com perfeição a ambientação, os heróis e os vilões do filme, com a adição de um monte de inimigos que nunca apareceram na série e existem apenas na imaginação dos programadores da LucasArts. E sim, você luta contra o Darth Vader. Com sabre de luz e tudo, ai ai.
MDK

Excelente jogo de tiro em terceira pessoa. Não lembro direito sobre o que se tratava a história, era algo envolvendo alienígenas estranhões que queriam destruir a Terra e algo assim. Foi o único jogo que realizou minha fantasia de pular de pára-quedas. Os gráficos, na época, eram inacreditavelmente avançados. Porra, bateu uma saudade tão grande que tá me dando vontade de ir correndo numa loja de jogos aqui perto e comprar MDK 2 pro PS2. É só sete dólares. Volto já.(Fui e voltei antes de continuar o post. No fim das contas, o jogo custou apenas 6 dólares.

E tenho uma sorte do caralho. Quando cheguei na loja, me dei conta de que a carteira não estava mais no meu bolso. Voltei correndo como alguém que acabou de fugir da cadeira elétrica (um caminho de um quilômetro e meio) e lá estava a carteira, no MEIO da rua, semi aberta. A carteira se apoiava em pé por causa da formação em V que a abertura provocou. Apressei o passo e apanhei o troço. Meus 50 dólares permaneciam lá dentro, junto com todos os meus cartões.

Esse MDK 2 quase custou muito caro)

The Dig

Dispensa qualquer comentário. Considerar o jogo qualquer coisa abaixo de uma obra de arte seria sacrilégio. The Dig representou o ápice da hegemonia da LucasArts como monopolizadora do estilo adventure - um estilo que teve uma morte um tanto quanto prematura, na minha opinião.
Full Throttle

Idem. Full Throttle adquiriu uma popularidade um tanto quanto maior que The Dig. Acho que isso se deve ao fato de que ele vinha num CD junto com umas Sound Blasters mais antigas. Já The Dig, apesar de um clássico de mesma importância, era um pouco mais difícil de achar.
Enter the Matrix

Enter the Matrix foi o único jogo com mais de 32 bits que zerei na vida. O jogo expande de forma inteligente o universo da trilogia, mas o resultado que poderia ter sido extraordinário acabou sendo uma bela vergonha pra franquia Matrix. O jogo exibe alguns defeitos aleijantes que dão indícios de que ele foi empurrado pro departamento de vendas um tanto quanto apressadamente. O que é até um tanto quanto compreensível: o jogo conta a história entre Matrix e Matrix Reloaded, então precisava ser lançado algum tempo antes do segundo filme.Explica, mas não justifica. Nem mesmo pra um fã incondicional da série o jogo desce na garganta. Os detalhes gráficos, em especial os gráficos das cutscenes, são desgraçadamente mal-desenhados. As texturas são quase inexistentes, o sistema de colisão parece ter sido programado pelo Steve Wonder: socos atravessam paredes, mas não da forma legal que você vê nos filmes. Você dá um murro, aí sua mão desaparece dentro da parede, como se tivesse sido engolida por ela.

Os problemas não param nos gráficos. O jogo é muito curto e acaba muito abruptamente, algumas fases são extremamente tediosas e, apesar de ter finais diferentes, não vale a pena jogar de novo depois que você zera pela primeira vez.

Earthworm Jim 2

Mais um clássico das plataformas no SNES - algo natural, levando em consideração que jogos em 2D estavam quase sempre limitados a esse estilo de jogo. O jogo estrelava Jim, uma minhoca que um dia achou um traje espacial que lhe confere uma porrada de habilidades especiais. A jobagilidade era boa, os inimigos eram criativos e engraçados, e as fases mostravam um universo meio onírico muito doido. Um outro grande destaque desse jogo foi, na minha opinião, a trilha sonora. Era ducaraio.Um currículo vergonhoso, sou o primeiro a dizer. Meu irmão deve ter finalizado pelo menos o dobro desses jogos. Aposto que vocês aí não conseguem lembrar de cabeça os jogos que zeraram.


Grandes Lendas dos Videogames

Escrito por Kid on Apr 11, 2005

Se há uma característica marcante da raça humana, além da nossa habilidade natural de não se dar bem uns com os outros, é o dom da criatividade. Duvido muito que um ser de outro mundo fosse capaz de escrever peças de teatro, compôr músicas que ficam presas nas nossas cabeças meses após termos ouvido-as pela primeira vez, ou descobrir como equilibrar um salário mínimo até o fim do mês que vem.

E a humanidade mostrou essa criatividade ao longo de sua (relativa) breve existência nesse planeta. Os nossos ancestrais primordiais combinaram pedras afiadas, cipós e paus e inventaram ferramentas que os permitiram pela primeira vez quebrar as cabeças de seus semelhantes. Os homens mesopotâmicos criaram um Deus que até hoje faz com que gente dê dez porcento do que ganha a líderes de igrejas. Nos tempos mais modernos, o homem misturou pólvora e ferro e criou as armas de fogo, excelentes ferramentas para acabar com discussões. Mais recentemente, o homem uniu computadores através de cabos e protocolos de comunicação e descobriu uma forma revolucionária de receber pornografia de graça em casa. Não precisa ser um gênio pra perceber que a criatividade humana foi a ferramenta que nos permitiu ser algo além de macacos jogando cocô uns nos outros.

Criatividade é um privilégio de qualidade divina. Vemos-na em muitos locares (entre os quais podem-se excetuar por exemplo o blog do Eduardo), e ela é sempre recompensada onde é encontrada. Porém, não há um grupo mais criativo neste universo do que os jogadores de videogame. Por um motivo simples.

Basta entregar um jogo qualquer na mão de um moleque de 13 anos, em menos de uma hora ele jurará que existem ao menos 3 vezes mais fases do que realmente há no jogo.

Xeu explicar melhor.

Todas as pessoas que têm mais ou menos a minha faixa etária, ou seja, que cresceram e amaram os mesmos jogos eletrônicos que eu, devem conhecer estas fábulas a que me refiro. Promessas de segredos escondidos, profecias sobre mundos nunca antes explorados, lendas de mistérios que esperavam por você.

Parece muito importante, a despeito do fato de que na verdade não era nem um pouco. Estou falando aqui daquilo que aconteceu com todos aqui, em algum momento de suas vidas, se você possuiu um videogame: seu primo/amigo de sala/vizinho chegava pra você e contava algo sobre alguma área secreta em um jogo qualquer, e a partir daí você deixava de ser um mero jogador de videogame, mas se tornava um verdadeiro desbravador.

Todos aqui tiveram experiências do tipo, de ter ouvido sobre uma suposta fase secreta/item escondido/personagem oculto no seu jogo preferido. Tais mistérios não eram como os de outrora, que eram confessados no leito de morte de um explorador moribundo, mas por um moleque cujo primo tem um amigo que pegou uma revista americana emprestada do vizinho, e que a tal revista explicava todos os passos de como atingir o Eldorado eletrônico.

E nós, claro, caíamos como patinhos. Toda vez. E passávamos boa parte de nossas infâncias procurando os tais locais misteriosos.

E é disso que esse post fala: das lendas mentirosas e dos sonhos destruídos quando descobríamos que não havia área secretíssima porra nenhuma. Algumas vezes a verdade era mais cruel; o amigo do primo do irmão do menino da escola nem existia!

A Fase na Nuvem
Essa aí esteve nos meus sonhos e pesadelos por quase 5 anos. Desde a época em que eu não tinha videogame e jogava minha mesada fora em locadoras em Fortaleza, eu já venerava Super Mario World. Dedicava todo meu tempo livre a catar moedas embaixo do sofá pra ir jogar na locadora do seu Roberto, um argentino que me odiava por causa de um certo episódio envolvendo um rato (explico um dia). Então. Um belo dia, eu e um vizinho discutíamos sobre quem havia aberto mais fases no jogo. Falei, orgulhoso, que tinha quase todas as 96 fases destravadas no meu cartucho de Mario. O garoto soltou, com um ar de desdém, que duvidava que eu tivesse aberto a “fase na nuvem”. Perguntei, intrigado, “que fase é essa?”. Ele tomou o controle da minha mão e levou meu Mario pixelizado até o segundo mundo, você pode ver na imagem aí em cima. Tá vendo essa nuvenzinha no meio do oceano? Então. O cara jurava que tinha uma fase aí. É desnecessário dizer que eu passei boa parte da minha infância em Donut Plains, o segundo mundo de Mario, tentando achar a passagem que me levaria pra Fase na Nuvem.

A banheira do Honda
Lendas videogamísticas envolvendo partes do cenário que são supostamente interativas com o jogador são mais numerosas que a quantidade de leitores que não me dão esmolinhas, mas a Banheira do Honda era a mais proeminente. Eu particularmente nunca fui muito chegado a Street Fighter, mas como vocês já devem saber, as lendas dos jogos não se limitam aos grupos que têm afinidado com os tais jogos. Eu só devo ter jogado Street Fighter umas duas vezes na vida, duas experiências extremamente tediosas (caralho, eu odiava esse jogo mesmo), mas ainda assim ouvi a história da banheira do Honda. Supostamente, havia uma combinação secreta que, se executada corretamente, no tempo certinho, permitia ao Honda pular dentro da banheira no fundo do cenário e lavar a bunda, ou algo do tipo. Vale lembrar nesse ponto que as lendas tinham muitas micro-variações, mas a idéia principal era sempre a mesma. Um dia, peguei Street Fighter emprestado de um amigo da escola, só pra ver se o negócio era verdade - a lenda tinha feito mais uma vítima. Imagino que pelo menos uns cinquenta mil controles de SNES foram destruídos por jogadores frustrados ao perceber que a banheira do Honda era tão inacessível pro avantajado lutador de sumô como portas, corredores e outras passagens estreitas.

A Triforce
Tenho certeza que quando leram os primeiros parágrafos do post, muitos se perguntaram se eu ia falar sobre a lendária Triforce em Zelda The Ocarina of Time. Não é pra menos; a lenda da Triforce era mais notória que Jebus, o doente mental que passa o dia inteiro lá no centro da cidade gritando contra semáforos e pedras. De longe a lenda mais bem trabalhada, a história da Triforce envolvia até mesmo, pasmem, a suposta participação da própria Nintendo! A lenda, ou ao menos a variação que ouvi, era a seguinte: um programador que trabalhou na equipe de de produção de Ocarina of Time fez, sozinho, um JOGO INTEIRO e escondeu o tal jogo, ou ao menos a passagem para ele, num artefato conhecido por gamers no mundo inteiro como Triforce. O tal programador teria morrido (e o contador da lenda sempre enfatizava o drama do cara, dando-o pestilências como hemorróidas cancerígenas ou tuberculepra leucêmica, porque afinal de contas todos tínhamos 13-14 anos e nomes complicados davam credibilidade à história) e o segredo do jogo escondido foi levado junto pra cova. A Nintendo ouviu o boato sobre o tal jogo secreto, e queria descobrir onde ele se escondia, para poder aproveitar e honrar o trabalho do programador, lançando o jogo no mercado. Obviamente a Nintendo não ia fazer algo inteligente, barato e rápido como, digamos, abrir o código fonte do jogo e localizar a anomalia. Não, não. Ao invés disso, a empresa resolveu pagar CINQUENTA MIL DÓLARES pra qualquer jogador que encontrasse a Triforce, tirasse uma foto da tela da TV e mandasse pra eles.

Essa lenda afetou a vida de muita gente. Amigos antes felizes e sorridentes viraram nada além de uma sombra do que eram antes, de tão obcecados estavam em encontrar a tal Triforce e filar os cinquenta mil paus. Tinha neguinho fazendo até planos pro dinheiro, e não tou inventando. Era uma parada semi-deprimente (não totalmente deprimente porque, em retrospecto, os caras eram otários mesmo e mereciam sofrer pela ingenuidade).

Quando Majora’s Mask, a continuação de Ocarina of Time, foi lançado, a lenda morreu. Os boateiros de plantão ainda lançaram mão de uma última tentativa de manter a saga viva, ou seja, deram uma espécie de patch na lorota: eis que de repente, “descobre-se” o sobrenome do tal programador morto era justamente MAJORA, e que o novo jogo era exatamente o mundo secreto atrás da Triforce! Como se pode ver, o engodo é realmente notável. A Lenda da Triforce foi a única mentira que conheço que passou até por update.

O Combo de 99 hits do Subzero
Esse não podia faltar, pois foi uma das lendas que mais ouvi na época gloriosa do SNES. Muitos clamavam ter alcançado o tal combo, outros diziam ter testemunhado a tal sequência, e um número equivalente alegava ter parentes que conseguiram acertar a combinação que fazia o Subzero desferir exatas noventa e nove porradas no seu inimigo. O combo de 99 hits virou uma espécie de nirvana dos videogames, um estado de espírito que apenas os mais iluminados poderiam alcançar. Até o grupo dos Grandes Mestres do MK (que era composto de malucos mais ou menos dois anos mais velhos que o resto da turma e que dominavam técnicas milenares dos jogos de luta como cobrir o controle com a camisa pra facilitar o desenvolvimento dos golpes) foi pego de surpresa com o boato. Júnior a.k.a. “Cabeça”, o líder não-oficial daquela patota de pré-adolescentes que controlava as partidas de Mortal Kombat com punhos de ferro e camisas de campanhas políticas, foi um dos primeiros a comprar a briga contra a lenda. O moleque passou MESES jogando MK3, e após muito tempo sem notícias sobre ter conseguido ou não o tal combo, foi obrigado a inventar as próprias mentiras. Segundo ele, uma vez ele QUASE conseguiu, mas faltou energia na hora H. Quando essa lorota se tornou velha, ele passou a alegar que tinha conseguido, e que tinha dado pause no jogo (usando um cheat code que permitia pausar partidas de MK3, o que realmente existe) mas aí a mãe dele não deixou ele sair de casa pra dar as boas novas pros amigos. Como ele tava com medo de deixar o videogame ligado por muito tempo e assim foder o aparelho, acabou desligando-o.

Eu tenho minhas suspeitas a respeito dessa lenda. Imagino que alguém tenha visto Killer Instinct pela primeira vez e achado que se tratava de um outro jogo como, digamos, uma versão nova de MK (a confusão entre jogos era um fenômeno muito comum). Havia um personagem em KI, o Cinder, que quando era azul parecia ser feito inteiramente de gelo. Alguém viu o jogo de luta, o personagem de gelo e aqueles combos brutais que eram o carro chefe de Killer Instinct, e pronto. Surgiu uma lenda que, se minha teoria está correta, foi mais um engano do que uma mentira proposital.

Da forma que vejo, as lendas dos videogames não são muito diferentes das lendas sobre montros marinhos, quedas d’água no fim do mundo e muitas outras histórias similares que eram senso comum em séculos passados. Assim como os primeiros navegadores, os jogadores de videogame estão diante de um mundo (ainda que virtual) praticamente inexplorado. Superstição, ignorância e imaginação são os responsáveis para que os exploradores preencham as lacunas desconhecidas com invenções próprias. Hoje, com o advento da informação (no caso, os sites especializados que podem rapidamente confirmar ou omitir tais segredos em jogos), as lendas deram lugar ao conhecimento (quase) pleno.

A humanidade pode ter demorado pra descobrir que um navio não cairá num abismo sem fim ao se aproximar do “fim do mundo”, mas eu demorei mais ainda pra finalmente abrir mão do sonho de jogar numa fase nas nuvens.