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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Grandes Malandros</title>
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		<title>O jeitinho (não tão) brasileiro &#8211; 3 pilantras históricos</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 14:08:48 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Grandes Malandros]]></category>

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Meu pai sempre trabalhou com computadores (o que explica minha exposição precoce e subsequente vício em computadores), e o mesmo valia pros colegas de trabalho dele. Meus primeiros jogos de computador chegaram a mim por intermédio de um desses colegas de trabalho do meu velho, o &#8220;tio Monte&#8221;.
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<p>Meu pai sempre trabalhou com computadores (o que explica minha exposição precoce e subsequente vício em computadores), e o mesmo valia pros colegas de trabalho dele. Meus primeiros jogos de computador chegaram a mim por intermédio de um desses colegas de trabalho do meu velho, o &#8220;tio Monte&#8221;.</p>
<p>Tio Monte &#8211; que obviamente não era meu tio &#8211; era um gordinho muito brincalhão que, se lembro bem, conhecia meu pai desde os tempos do colegial. Ele tinha altos contatos com indivíduos que tinham acesso às (na época) raras gravadoras de CD, e naquela época primordial a pirataria já começava a dar os primeiros passos que um dia dominariam a internet. Tio Monte costumava descolar através de seus contatos semi-criminosos diversos &#8220;jogos completos&#8221;, que acabavam indo chegar lá em casa. Essa aspas aí indicam uma distinção clássica daquele período.</p>
<p>Como a internet ainda não era popular, a única fonte de jogos na época eram as revistas de CD ROM, tal qual a prestigiosa <strong>Revista do CD ROM®. </strong>Nos tempos mais recentes essas publicações começaram a veicular jogos completos, mas na minha época tudo o que tínhamos eram versões shareware/demo dos nossos jogos favoritos. Era relativamente raro naquela época (estou me referindo aos meados de 1996, 1997) conhecer alguém que tivesse em seu poder um &#8220;jogo completo&#8221;, a não ser aqueles que costumavam vir com nossos kits multimídia. Uma geração inteira conheceu e se tornou fãs dos adventures point n click clássicos da Lucas Arts graças às suas Sound Blasters 16x.</p>
<p><span id="more-1659"></span></p>
<p>Um dos jogos que meu pseudo-tio me trouxe foi o magnânimo e incomparável Warcraft II. Vocês noobs de merda de 15 aninhos com seus cartões de um mês pré-pago de World of Warcraft não saberão o que é realmente o universo criado pela Blizzard até jogar o saudoso Warcraft II. Aquele sim foi o <strong>PAI</strong> da criança. O primeiro Warcraft, junto com Dune, criou o gênero RTS. Warcraft II trouxe aquela revolução que só mesmo tendo jogado na época pra experimentar a empolgação e, anos mais tarde, a nostalgia.</p>
<p>Então. Por coincidência, um coleguinha meu tinha uma revista de artigos sobre jogos que trazia códigos de trapaceagem justamente pra Warcraft II. E eu utilizei-o bem liberalmente, empregando o &#8220;dinheiro&#8221; extra adquirido de modo desonroso pra construir uma base faraônica, que eu usaria pra impressionar o Tio Monte &#8211; que era totalmente viciado no jogo, como eu.</p>
<p>Na próxima vez que o cara foi lá em casa, eu mostrei todo orgulhoso a imponência e esplendor da minha base construída com fundos ilícitos. Ao completar a fase, o mostrador de ranking do jogo exibiu a verdade &#8211; ao invés de julgar minha performance de acordo com patentes militares cuja importância aumentava proporcionalmente ao seu talento na partida, o jogo classificou-me simplesmente como &#8220;Cheater&#8221;.</p>
<p><em>&#8220;Ahhh, você usou o &#8216;glittering prizes&#8217;, né?&#8221;</em> perguntou ele, se referindo exatamente ao código que eu havia usado.</p>
<p>Totalmente desmoralizado, fui obrigado a admitir.</p>
<p><em>&#8220;Trapaceando também, até eu!&#8221;</em> o tom de sarcasmo e despeito que carregavam a frase eram tão ácidos que, se aquela conversa estivesse se passando no IRC, tio Monte teria pontuado a sentença com um :P</p>
<p>Meu pai, que se encontrava nas redondezas palitando os dentes com algum objeto não-identificado, se aprumou todo.</p>
<p><em>&#8220;Trapaceando?! Como é que é&#8230;?&#8221;</em></p>
<p>E tio Monte explicou que eu havia usado um CÓDIGO DE TRAPAÇA pra obter vantagem no jogo. Resumindo a história, meu pai levou a coisa muitíssimo a sério, e se chateou pra caralho com a idéia de que seu filhinho estava fazendo alguma coisa desonesta no seu computador.</p>
<p>Meu pai é um absolutista. Pra ele, trapacear (ainda que num joguinho de computador) era uma atitude no mínimo lamentável, no máximo execrável. A reação dele me fez sentir como se eu fosse o pior dos salafrários, uma espécie de <strong>GÊNIO</strong> da malandragem só porque copiei um código de uma revista de um amigo pra poder construir uma base bonitinha em Warcraft II.</p>
<p>Sei lá porque estava pensando nessa história outro dia. E comecei a pensar &#8211; quem teriam sido os <strong>REAIS</strong> mestres da arte do 171? Como você vai aprender agora, alguns sujeitos dotados de inteligência acima do normal usaram toda sua capacidade pra arte de passar a perna nos outros. Os relatos que compilei aqui são as mais notórias e impressionantes da História da Esperteza. Acompanhe-me nessa aula de pilantragem.</p>
<p><strong><img src="http://img73.imageshack.us/img73/8284/225pxmichaellarsonpyliw1.png" border="1" alt="" hspace="6" width="225" height="271" align="left" />Michael Larson</strong></p>
<p>Michael Larson era, segundo ele mesmo, um motorista de caminhão de sorvete desempregado. E segundo eu, ele era um sujeito com MUITO tempo livre nas mãos.</p>
<p>Em 1984, Larson participou do programa televisivo <em>Press Your Luck. </em>Era um programa bem nos moldes de todos esses programas de prêmios. Os participantes respondiam uma pergunta de conhecimentos gerais; uma resposta certa o recompensava o vagabundo com um &#8220;giro&#8221; em uma roleta eletrônica.</p>
<p>Nas &#8220;casas&#8221; da roleta, havia uma miríade de prêmios (em dinheiro e em viagens), e algumas casas que provocavam a perda de tudo que o participante acumulou até então. Alguns quadradinhos davam ao participante um prêmio <strong>E</strong> um giro extra, aumentando assim as chances de conseguir mais dinheiro. Bem simples, né?</p>
<p>Lá estava Michael Larson, com os dois outros participantes. Na primeira rodada, Michael se deu relativamente mal. Ele caiu em um Whammy (a casinha que roubava todos seus lucros) e, apesar de conseguir recuperar uma boa parte da grana, terminou aquele segmento na lanterna com apenas 2500 dólares.</p>
<p>Na segunda rodada, entretanto, Larson se revelou. Após finalmente obter a vez de girar a &#8220;Big Board&#8221;, como era chamada a tal roleta eletrônica, o maluco começou a ganhar prêmios e rodadas extras <em>uma atrás da outra, </em>sem parar<em>. </em>Foi uma cena completamente surreal &#8211; o maluco ganhou TANTO dinheiro que o mostrador dos lucros, que só exibia cinco dígitos e o cifrão, não pôde comportar a quantia e o cifrão foi removido pra dar espaço pro dígito extra. O programa, que deveria ter apenas uma hora de duração, já se extendia a mais de uma hora já que ele não poderia acabar enquanto Larson continuasse ganhando. Foi um negócio impressionante de se assistir.</p>
<p>E veja que beleza, temos o vídeo aqui!</p>
<p><a href="http://hbdia.com/wordpress/2010/03/30/o-jeitinho-nao-tao-brasileiro-3-pilantras-historicos/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>
<p>Foi um momento histórico na televisão americana, os gringos de trinta anos pra cima ainda lembram da história. Em um momento a platéia até mesmo se levantou pra aplaudir Larson, e o apresentador estava até já sem bordões pra expressar sua surpresa. Nem preciso explicar que aos poucos a produção do programa começou a se entreolhar desconfiados, sem entender o que diabos estava acontecendo.</p>
<p>O fato de que Larson parecia comemorar <strong>IMEDIATAMENTE</strong> após apertar o botão, ou às vezes ao mesmo tempo que apertava o botão &#8211; sem aquela rápida pausa de um ou dois segundos que demoraria pra você processar a idéia de que acabou de ganhar novamente &#8211; tornou a diretoria do programa ainda mais desconfiada. Alguma coisa deveria estar errada.</p>
<p>E estava.</p>
<p>Michael Larson havia gravado o programa e estudado o padrão da Big Board exaustivamente por seis semanas antes de participar da parada. Graças a isso, ele descobriu o período que o cursor demorava pra retornar à posição de uma casa que ganhasse um prêmio e uma rodada extra. Ele poderia então explorar esse conhecimento de forma que ganhasse vantagem sobre os outros participantes, que estavam só batendo nos seus botões aleatoriamentes após uma breve reza pro São Gerônimo dos Vagabundos que Buscam Enriquecimento Rápido.</p>
<p>O problema da estratégia dele é que Larson estudou cuidadosamente o padrão que o faria cair em uma casa com uma rodada extra, mas <strong>APENAS</strong> esse padrão. Ou seja, ele só sabia como cair nas casas que o rendessem um novo giro, o que o prendeu em um inesperado loop. Pra quebrar o &#8220;bug&#8221;, ele teria que apertar o botão às cegas, igual seus companheiros de programa, e torcer pra que não caísse num Whammy.</p>
<p>Ele deu sorte. Naquela noite, Larson se tornou US$110,237 mais rico.</p>
<p>A história do Larson depois de sua impressionante aparição no <em>Push Your Luck</em> é meio trágica, no entanto. O cara investiu quase toda a grana num scam de multi-level marketing (ironicamente, um dos protagonistas desse post foi justamente o <em>criador</em> desse tipo de golpe. Aguarde.) envolvendo imóveis, e acabou perdendo tudo. Ainda convencido com a idéia de ganhar dinheiro facilmente, ele resolveu tirar TODO o resto da sua grana do banco, em notas de um dólar, pra tentar achar duas notas com números de série consecutivo e ganhar um concurso de rádio que recompensaria com trinta mil dólares o dono das tais notas.</p>
<p>Alguém bateu com a língua nos dentes a respeito do plano do cara, e um dia ao voltar de uma festa de Natal ele encontrou sua casa assaltada. Lá se foi cada centavo que o cara havia ganhado no <em>Push Your Luck. </em>Larson morreu alguns anos depois, de câncer.</p>
<p>Em outras palavras, Doutor Karma fodeu o pobre americano (pobre literalmente) com juros e correção monetária.</p>
<p><strong><img src="http://img525.imageshack.us/img525/506/victorlustiggj4.jpg" border="1" alt="" hspace="10" width="156" height="180" align="right" />Victor Lustig</strong></p>
<p>Esse sujeito é considerado pelos estudiosos das técnicas da pilantragem como um dos maiores estelionatários que o mundo já conheceu, por causa justamente o golpe que explicarei. Lustig transformou o velho e combalido conto-do-vigário numa espetacular obra de arte pra que nós, quase um século mais tarde e do outro lado do planeta, possamos apreciar com admiração. A escala da pilantragem é tamanha que é um espanto que ele conseguiu convencer alguém de seu golpe, mas isso apenas atesta a respeito da incrível capacidade do maluco de convencer suas vítimas.</p>
<p>Não tenho provas pra sustentar minha teoria, mas eu acredito que o primeiro golpe do Lustig foi arrumar uma certidão de nascimento da Bohemia (hoje República Tcheca) e se mudar do Brasil pra lá e se passar por cidadão europeu. Um talento impressionante como o dele nas artes da malandragem só podia ser brasileiro.</p>
<p>Victor, ou Conde Lustig como ele se identificava pra algumas de suas vítimas, era um gênio linguístico. Aos vinte anos o maluco falava cinco idiomas com fluência e já tinha decidido que, com uma esperteza como a sua, ele não poderia se conformar em trabalhar por dinheiro como o resto de nós. Passar a perna em incautos era sua vocação. Além da desenvoltura com línguas, o cara tinha aquele talento quase teatral que viria a se tornar uma regra no livro inexistente de artistas da malandragem.</p>
<p>O sujeito afiou suas técnicas passando pequenos golpes nos Estados Unidos, nada muito digno de nota. Até que um dia ele leu uma matéria no jornal local a respeito das dificuldades do governo parisiense de manter a Torre Eiffel. Até pintar a torre significava um gasto oneroso demais, e alguns dignatários começavam a paquerar com a idéia de se livrar do monumento.</p>
<p>Onde a maioria das pessoas viu uma situação lamentável, Lustig viu uma grande oportunidade.</p>
<p>Lustig viajou pra Paris. Chegando lá, o maluco arrumou variados itens variados de escritório (papéis de carta, envelopes, carimbos, tudo) marcados com o logo do &#8220;Ministério de Telégrafos&#8221;, uma agência governamental inexistente. Lustig produziu com esses itens elaboradas cartas a seis grandes negociantes de ferro velho da Cidade das Luzes, convidando-os para uma oportunidade de negócios com o governo parisiense, assunto a ser tratado na sala de conferências de um hotel chique da cidade. Lustig investiu uma nota grande pra produzir um cenário que pudesse convencer os investidores.</p>
<p>Na tal reunião, Lustig se apresentou como o chefe do tal Ministério de Telégrafos. Ele explicou que a torre estava se tornando um verdadeiro ralo de dinheiro e que o governo decidiu se livrar dela, leiloando-a como ferro velho pra quem estivesse interessado. Os tais seis investidores eram os mais indicados pra pegar o contrato, segundo informou Lustig.</p>
<p>Pra selar a história, o sujeito levou os caras a um passeio de limosine (alugada) pelos arredores da torre, deu a maior apresentação turística pros caras. Por causa da comoção pública relacionada ao fim da torre, Lustig pediu aos investidores que mantivessem segredo em relação à negociação, e que no dia seguinte os telefonaria pessoalmente pra ouvir seus lances.</p>
<p>Ao fim do passeio, o cara resolveu levar seu golpe a um nível ainda maior. Lustig se aproximou secretamente de um dos investidores, um sujeito chamado Andre Poisson, e o ofereceu a possibilidade de um suborno pra que ele garantisse que o seu lance seria o escolhido. Poisson caiu no truque, e ofereceu a Lustig uma quantia até hoje desconhecida. Junto com o suborno, Poisson assinou um segundo cheque, esse contendo o valor do seu lance pela Torre Eiffel.</p>
<p>O pilantra não perdeu tempo. No mesmo dia Lustig levou o cheque ao banco, pegou toda a grana e se mandou apressadamente pra Viena, e em seguida pros EUA novamente.</p>
<p>Meses se passaram e não havia nenhuma notícia nos jornais sobre a pilantragem. O que Lustig não sabia na época é que Poisson se sentiu tão envergonhado de ter sido engambelado que sequer teve a coragem de o denunciar a polícia; preferiu arcar com o prejuízo calado.</p>
<p>O silêncio da imprensa francesa em relatar o ocorrido encorajou Lustig, que partiu pra França mais uma vez pra repetir o golpe. Dessa vez, a vítima desconfiou um pouco da história e resolveu contatar a polícia. Lustig conseguiu fugir para os Estados Unidos, onde ele foi eventualmente preso por falsificação de dinheiro. Lustig foi condenado a vinte anos de prisão em Alcatraz, onde acabou morrendo de pneumonia.</p>
<p><strong><img src="http://img166.imageshack.us/img166/4975/150pxponzike3.jpg" border="1" alt="" hspace="7" width="150" height="196" align="left" />Charles Ponzi</strong></p>
<p>Lustig pode ter sido o mais audacioso, mas o italiano Charles Ponzi foi definitivamente <strong>O</strong> malandro. Seu reconhecimento como pilantra é tamanho que até hoje, golpes inspirados na ladroagem original do cara são chamados de &#8220;ponzi scheme&#8221;, ou &#8220;esquema ponzi&#8221;.</p>
<p>Ponzi era, como Lustig, um malandro de quinta categoria. Algumas falcatruas aqui e ali o renderam algum tempo enjaulado, tanto no Canadá quanto nos EUA, mas não foi por causa destes que seu nome se tornou sinônimo de enganação. O truque que realmente rendeu Ponzi sua notoriedade (e uma quantia indecente de dinheiro) foi o dos vale-selos.</p>
<p>Era o seguinte. O italiano descobriu um dia vale-selos que companias enviavam pra que indivíduos não precisassem pagar por correspondência enviada à tal empresa. Era uma versão paleolítica daqueles envelopes pré-pagos que você usa pra enviar formulários pra cartões de crédito ou assinatura de revistas. Um vale-selo podia ser trocado por, digamos, 10 selos do país onde ele era utilizado, e ele podia usado em qualquer país.</p>
<p>Por causa da Primeira Guerra Mundial, a Itália mergulhou numa inflação que desvalorizou os preços de tudo, incluindo selos. Por isso, os tais vale-selos custavam muito barato na Itália, mas continuavam podendo ser trocado nos Estados Unidos por selos que valiam mais que o preço investido. Funcionava assim &#8211; digamos que os vale-selos custavam dez centavos na Itália, e seria trocado por dez selos que valiam um centavo cada. Os vale-selos eram então levados pros States e trocados por dez selos, que valiam por sua vez três centavos cara. Ponzi lucraria então dois centavos em cima de cada selo, ou seja, vinte centavos ao todo.</p>
<p>Como você pode ver, o problema desse negócio é que a margem de lucro é baixíssima. Ele poderia vender selos o dia inteiro (supondo que alguém estaria interessado em comprar selos de um indivíduo qualquer, ao invés de comprar nos correios como qualquer pessoa normal) e seu aproveitamento seria digno de pena. Foi aí que Ponzi teve a idéia <strong>genial</strong>:</p>
<p>A base do seu negócio não seria vender os selos, e sim <em>convencer outras pessoas a investir no negócio. </em>Se ele convencesse dez pessoas a participar da parada, o lucro real não seria dos selos vendidos e sim do investimento que as dez pessoas desembolsaram pra participar da parada.</p>
<p>E deu certo. Ponzi conseguiu convencer alguns amigos e conhecidos a participar do negócio. Ponzi vendeu a idéia fazendo o troço parecer uma forma fácil de obter retorno garantido. &#8220;Eu e meus contatos na Itália fazemos todo o trabalho, só preciso do capital pra começar o negócio!&#8221;</p>
<p>Assim que ele conseguiu oferecer alguma margem de lucro pra esses, a história se espalhou entre os círculos de amiguinhos e de repente <strong>TODO MUNDO</strong> queria participar da parada. Ponzi começou então uma própria empresa, com empregados e tudo mais, só pra gerenciar a quantidade imoral de dinheiro que chegava à sua casa todo dia. Com o investimento de novos participantes, Ponzi pagava os investidores iniciais. Assim, a galera no topo lucrava de volta seu investimento, e os recém-chegados se fodiam porque a essa altura, tanta gente (e especialmente, tanta gente que se conhecia) havia se inscrito pra participar do negócio que tornou a idéia de vender selos totalmente inviável. Como você ia vender algo que TODO MUNDO está vendendo também? A inflação faria os selos perder todo o valor. Mas quem estava usando a cabeça quando um sujeito bem vestido e bem falado oferece uma oportunidade de fazer dinheiro?</p>
<p>Pra incentivar ainda mais o recrutamento de novos investidores, Ponzi começou a oferecer uma maior porcentagem de lucros praqueles que conseguissem convencer mais otários a participar da parada. De repente o modelo de negócio da empresa deixou totalmente de ser a venda dos selos, e sim o recrutamento de mais novatos, cujo investimento original seria usado pra pagar os que chegaram antes. Nasceu assim o célebre esquemas-pirâmide, que vitimou nosso amigo Michael Larson lá de cima e até <strong>HOJE</strong> consegue enganar otários.</p>
<p>Aliás, eu mesmo quase caí numa dessas; em minha defesa, eu tinha apenas 18 anos, havia acabado de chegar no Canadá, e estava desesperado. E ainda assim, eu consegui na última hora notar que o modelo de mercado que o sujeito me oferecia não fazia sentido, e desviei da idéia. Adicionem essa história àquelas que eu prometi a contar há anos, um dia explico melhor.</p>
<p>Claro que ninguém consegue enganar todo mundo por muito tempo, e em breve Ponzi se veria sob investigação das autoridades. O problema é que naquela época seu esquema era algo novo e não havia uma lei específica que lidasse com aquele tipo de golpe. Mas os promotores foram espertos. Ponzi estava lidando com negócios relacionados a selos, não é? Vamos acusá-lo de &#8220;mail fraud&#8221; então.</p>
<p>O sujeito foi preso e deportado pra Itália, porque pra melhorar ainda mais a história ele não era um cidadão americano legalizado. Após cumprir pena, Ponzi resolveu mudar de residência. Sua veia malandrística ansiava por uma terra em que ele pudesse se sentir mais em casa. Ganha um pirulito quem adivinhar pra que país o salafrário se mudou.</p>
<p>Poisé. Acreditem ou não, o malaco se mandou pras nossas queridas terras brasilis, onde acabou morrendo em pobreza e desgraça total, que só foi rivalizada pela pobreza e desgraça que ele afligiu a muitos com seu golpe. Os seus últimos US$ 74 foram usados pelo hospital pra financiar seu enterro, no Rio de Janeiro. Ele não tinha família nem amigos no Brasil.</p>
<p align="center"><strong>***</strong></p>
<p>Parece mesmo que pilantragem não dá certo, já que os protagonistas desses golpes mirabolantes acabam no final se fodendo de forma extraordinária. Que fim me aguarda graças aos dinheirinhos roubados em Warcraft II?</p>

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		<title>Good night, sweet prince</title>
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Imagem removida temporariamente enquanto esse ataque ao ImageShack continuar1958 &#8211; 2009


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<p><center>Imagem removida temporariamente enquanto esse ataque ao ImageShack continuar<img src=" " border=1><br /><b>1958 &#8211; 2009</b></center></p>
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<p>--></p>

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		<title>Vincent Gallo e seu filme</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 14:43:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
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Tive conhecimento desta história há anos, em minhas incansáveis excursões pela Wikipédia, mas nunca havia pensado em relatá-la aos leitores. Hoje estava comentando sobre o caso com a namorada, e ela sugeriu que eu contasse o negócio pra vocês. Ultimamente ela vem me dando muitas idéias pra textos, o que me poupa o trabalho de [...]]]></description>
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<p><img class="alignright" style="border: 1px solid black; float: right; margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; margin-left: 10px; margin-right: 10px;" src="http://img237.imageshack.us/img237/2382/mv5bmtu2mzq5njmynv5bml5ed4.jpg" alt="" width="216" height="320" />Tive conhecimento desta história há anos, em minhas incansáveis excursões pela Wikipédia, mas nunca havia pensado em relatá-la aos leitores. Hoje estava comentando sobre o caso com a namorada, e ela sugeriu que eu contasse o negócio pra vocês. Ultimamente ela vem me dando muitas idéias pra textos, o que me poupa o trabalho de pensar num tema por mim mesmo. Então vamos lá.</p>
<p>Adianto que o contexto do post envolve cenas gráficas de sexo oral, então estejam avisados que as imagens linkadas no post são estritamente <strong>NSFW.</strong></p>
<p>Vamolá.</p>
<p>Em 2003 um sujeitinho chamado Vincent Gallo teve um plano que era tão diabólico quanto era brilhante<strong>. </strong>Este maluco escreveu, produziu e dirigiu um filme independente cujo contexto, em algum momento oportuno, requeriria que o personagem principal tivesse sua piroca firmemente envolvida pelos lábios carnudos de alguma ninfeta hollywoodiana. Essencialmente este visionário teve a idéia de exibir sexo oral explícito num filme que, talvez graças às conexões dele na indústria, seria lançado no prestigioso Festival de Cannes.</p>
<p>Sendo o diretor e produtor do negócio, quem você acha que ele escolheu pro papel principal?<br />
<span id="more-878"></span><br />
Exatamente. Vincent Gallo era, além de diretor, roteirista e produtor, o protagonista do filme.</p>
<p>Tal filme se chamava <em>The Brown Bunny</em>, cujo poster você pode ver acima. A menina em questão é a Chloë Sevigny &#8211; que já não era nenhuma celebridade classe A, e se tornou ainda mais irrelevante à comunidade cinematográfica após participar do filme que não passou de uma desculpa esfarrapada do diretor pra ganhar um boquetinho.</p>
<p>Claro que essa não é a explicação dele. Gallo certamente se considera um diretor incompreendido, tipo artistas performáticos que enfiam a bunda num balde de tinta, peidam em cima de uma tela e dizem que é uma alegoria contra a guerra no Iraque ou algo assim. Entretanto, uma análise bastante superficial do que sabemos sobre o filme revela o objetivo real do cara.</p>
<p>Primeiro, olhe praquele poster. Ele poderia ao menos tentar fingir que o filme era um esforço artístico legítimo e gastar mais de cinco minutos produzindo aquela imagem. Parece que ele abriu o Paint, colou um clipart de um motociclista vindo diretamente dum daqueles CDs com 568722 cliparts, depois pegou uma imagem de um daqueles panfletos &#8220;Meu filho está usando drogas, E AGORA?&#8221;, colou do outro lado, pintou o fundo inteiro de amarelo e pôs um título no topo.</p>
<p>O IMDB torna o plano do sujeito ainda mais óbvio. Dê uma olhada em algumas trivias do filme:</p>
<blockquote><p>The opening scene of Gallo driving was originally almost 20 minutes of him just driving until it was cut down because it was too long.</p></blockquote>
<p>Acredite se quiser. A cena de abertura do filme consistia de nada além do sujeito dirigindo um carro por 20 minutos, sem nenhum diálogo ou elaboração da história. É bem claro que além da idéia do boquete, o cara não havia pensado em nada com o que preencher os outros 90 minutos do filme.</p>
<p>E é por isso que esse sujeito ganha destaque nesta nova categoria do HBD &#8211; <strong>Grandes Malandros</strong>. Porque inventar desculpa pra ganhar um boquete não é nada novo (&#8221;mas meu amor, assim você pode ainda manter sua virgindade!&#8221;), mas construir um filme inteiro ao redor dessa premissa e ainda por cima lança-lo em uma das mais respeitadas competições cinematográficas?</p>
<p><a href="http://www.celebritymoviearchive.com/tour/movie.php/11322">Aqui estão uns screenshots da cena</a>. Não achei o vídeo, mas tenho certeza que algum leitor com mais paciência pra pesquisas vai nos indicar na direção certa aí nos comentários.</p>

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