A arte da pilantragem
Escrito por Kid on Apr 13, 2008
Meu pai sempre trabalhou com computadores (o que explica minha exposição precoce e subsequente vício em computadores), e o mesmo valia pros colegas de trabalho dele. Meus primeiros jogos de computador chegaram a mim por intermédio de um desses colegas de trabalho do meu velho, o “tio Monte”.
Tio Monte - que obviamente não era meu tio - era um gordinho muito brincalhão que, se lembro bem, conhecia meu pai desde os tempos do colegial. Ele tinha altos contatos com indivíduos que tinham acesso às (na época) raras gravadoras de CD, e naquela época primordial a pirataria já começava a dar os primeiros passos que um dia dominariam a internet. Tio Monte costumava descolar através de seus contatos semi-criminosos diversos “jogos completos”, que acabavam indo chegar lá em casa. Essa aspas aí indicam uma distinção clássica daquele período.
Como a internet ainda não era popular, a única fonte de jogos na época eram as revistas de CD ROM, tal qual a prestigiosa Revista do CD ROM®. Nos tempos mais recentes essas publicações começaram a veicular jogos completos, mas na minha época tudo o que tínhamos eram versões shareware/demo dos nossos jogos favoritos. Era relativamente raro naquela época (estou me referindo aos meados de 1996, 1997) conhecer alguém que tivesse em seu poder um “jogo completo”, a não ser aqueles que costumavam vir com nossos kits multimídia. Uma geração inteira conheceu e se tornou fãs dos adventures point n click clássicos da Lucas Arts graças às suas Sound Blasters 16x.
Trust me, I’m a doctor
Escrito por Kid on Apr 7, 2008
Quando eu era moleque, eu sempre dizia que queria ser “um cientista” quando adultos me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse. Não importava que ramo científico eu praticaria. “Um cientista, tia!”.
Ora, mas que tipo de ciência? Astronomia? Bioquímica? Herpetologia (que, por algum estranho mistério, é a ciência das cobras e sapos e lagartos, e não da herpes)? Eu não sabia. Meu contato com a “ciência” se resumia a filmes em que um sujeito com óculos e um jaleco branco explicava alguma situação usando termos bem científicos e importantes como “exponencialmente” ou “microorganismos” ou “nitroglicerina”. Aí o mocinho reclama dos termos complicados e o cientista explica de forma mais simples - “Vamos todos morrer a menos que você faça X”. Aí ele vai, faz, ninguém morre e o filme acaba.
Eu queria ser aquele cara. Eu queria trabalhar num laboratório, usar um microscópio, saber palavras importantes e explicar coisas complicadas pros outros. Afinal, eu já usava óculos mesmo, obviamente o resto devia ser mais fácil (estudar algum ramo científico por dez anos e arrumar emprego numa empresa relacionada ao meu ramo de estudo).
Ontem, eu decidi que queria ser outra coisa - Um paramédico. Assim, eu poderia prestar melhor socorro à minha namorada, que quase quebrou o pescoço por minha causa.
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As cinco maiores construções fictícias imaginárias da cultura popular. Com um bônus não-imaginário
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