<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"
	xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
>

<channel>
	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Lição de História</title>
	<atom:link href="http://hbdia.com/wordpress/category/licao-de-historia/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://hbdia.com/wordpress</link>
	<description>↑, ↑, ↓, ↓, ←, →, ←, →, B, A</description>
	<lastBuildDate>Sat, 31 Jul 2010 11:53:55 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
		<!-- podcast_generator="podPress/8.8" -->
		<copyright>&#xA9;Kid </copyright>
		<managingEditor>izzynobre@gmail.com (Kid)</managingEditor>
		<webMaster>izzynobre@gmail.com(Kid)</webMaster>
		<category></category>
		<ttl>1440</ttl>
		<itunes:keywords>nerdice, videogames, cinema, HQs</itunes:keywords>
		<itunes:subtitle>HBDcast</itunes:subtitle>
		<itunes:summary>Ouccedil;a. Afinal, vocecirc; natilde;o estaacute; fazendo nada mesmo</itunes:summary>
		<itunes:author>Kid</itunes:author>
		<itunes:category text="Society &amp; Culture"/>
		<itunes:owner>
			<itunes:name>Kid</itunes:name>
			<itunes:email>izzynobre@gmail.com</itunes:email>
		</itunes:owner>
		<itunes:block>No</itunes:block>
		<itunes:explicit>no</itunes:explicit>
		<itunes:image href="http://img139.imageshack.us/img139/1544/hbdcastas9.jpg" />
		<image>
			<url>http://img186.imageshack.us/img186/788/buttonoo9.jpg</url>
			<title>Hoje é um Bom Dia</title>
			<link>http://hbdia.com/wordpress</link>
			<width>144</width>
			<height>144</height>
		</image>
		<item>
		<title>Meu professor estava certo</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2010/03/22/meu-professor-estava-certo/</link>
		<comments>http://hbdia.com/wordpress/2010/03/22/meu-professor-estava-certo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 08:27:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lição de História]]></category>
		<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=1631</guid>
		<description><![CDATA[

A frase a seguir não vai soar bem entre os familiares que lêem meu blog, porque tenho pelo menos uns 5 parentes que exercem essa função, mas vamos lá &#8211; ser professor deve ser uma ocupação muito ingrata.
Vejamos  - professores não são recompensado com os melhores salários, tem que lidar diariamente com o pior tipo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fhbdia.com%252Fwordpress%252F2010%252F03%252F22%252Fmeu-professor-estava-certo%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Meu%20professor%20estava%20certo%22%20%7D);"></div>
<p>A frase a seguir não vai soar bem entre os familiares que lêem meu blog, porque tenho pelo menos uns 5 parentes que exercem essa função, mas vamos lá &#8211; ser professor deve ser uma ocupação muito ingrata.</p>
<p>Vejamos  - professores não são recompensado com os melhores salários, tem que lidar diariamente com o pior tipo de criança (isto é, as crianças DOS OUTROS), e em alguns casos têm que ficar justificando o objeto de estudo de sua profissão pros moleques que as determinam como &#8220;inútil&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" src="http://img715.imageshack.us/img715/9233/teacherr.jpg" border="1" alt="" width="320" height="320" /><br />
<span style="font-size: xx-small;">&#8220;Suas realizações acadêmicas foram um desperdício de tempo, esforço e dinheiro!&#8221; Vítor, 9 anos, quinta série</span></p>
<p>Veja bem.</p>
<p><span id="more-1631"></span></p>
<p>Eu era um moleque muito inteligente quando era mais novo (infelizmente gastei toda a inteligência nos textos antigos do HBD, que eram mais engraçados). Com 11 ou 12 anos eu percebi que todo adulto do mundo que não trabalhasse vendendo pipoca na pracinha na frente da igreja deixa qualquer função matemática mais complicada que uma soma ou subtração a cargo de calculadoras.</p>
<p>De fato, a única categoria de pessoas que se ocupam em fazer matemática de cabeça são vendedores ambulantes, talvez por não poder arcar com o custo de uma calculadora e uma pilha AA.</p>
<p>E não há vergonha na dependência de calculadoras. Máquinas foram criadas pra facilitar nossa vida, ora. Se há um mecanismo barato e confiável que torna decorar a tabuada virtualmente desnecessário, pra que então se esforçar em aprender essa merda?</p>
<p>E pra que se orgulhar de não precisar usar calculadora? Sua habilidade de extrair porcentagens ou raízes quadradas usando a cachola não te servirá pra nada no mundo real. Entre realizar uma operação com rapidez, praticidade e margem de erro zero, e fazer a mesma operação num caderninho gastando muito mais tempo e se submetendo a erros, que escolha você faz?</p>
<p>Não deve haver no mundo alguém que se gabe de ter que ir à biblioteca sempre que tem uma dúvida trivial ao invés de googlear, né?</p>
<p>Então. Cheguei à conclusão de que no mundo real, em qualquer momento que eu precisasse saber quanto é 7486 vezes 73892 eu e qualquer ser humano normal apelaríamos pra uma calculadora.</p>
<p>E aí perguntei pro meu professor de matemática qual seria a aplicação no mundo real pra saber executar tal conta.</p>
<p>Ele provavelmente teria uma boa resposta pra me dar, caso não estivesse naquele exato momento USANDO UMA CALCULADORA PRA CALCULAR AS NOSSAS NOTAS BIMESTRAIS. Por que ele não estava usando lápis e papel pra somar todas aquelas frações de pontos das nossas provas?</p>
<p>Porque eu estava certo, that&#8217;s why. Em qualquer momento da sua vida que você precise fazer um cálculo e não tenha uma calculadora por perto, você a) procurará uma, ou b) desistirá do cálculo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Putz" src="http://img403.imageshack.us/img403/8039/frustratedman.jpg" border="1" alt="" width="320" height="274" /><br />
<span style="font-size: xx-small;">E às vezes você desistirá mesmo com a calculadora. Vamos abolir a matemática de uma vez logo, é o que eu quero dizer.</span></p>
<p>Professores de química, ah, esses é que não escapavam da inquisição infanto-juvenil mesmo. Ninguém ali na minha classe queria ser químico, tenho certeza. Que utilidade saber o que são anéis aromáticos teriam em minha vida?</p>
<p>Nenhuma. E por isso esqueci essencialmente TUDO que jamais aprendi naquela matéria. Até hoje não sei o que é um mol. Aliás, essa nem naquela época eu sabia.</p>
<p>Já os professores de história tinham uma justificativa que eles puxavam da manga com tanta pressa que você quase pensava que eles estava praticamente ESPERANDO você questionar a utilidade da matéria deles.</p>
<p>&#8220;Aqueles que não estudam história estão fadados a repeti-la!&#8221; eles diziam, com um ar de autoridade dogmática e sensação de discussão vencida.</p>
<p>E você já deve ter ouvido essa expressão, provavelmente seguida da explicação de que &#8220;Hitler perdeu a guerra porque não conhecia história e tentou invadir a Rússia da mesma forma que Napoleão tentou. Aqueles que não estudam história invariavelmente cometerão os mesmos erros de seus antepassados&#8221;, repetia o professor. Sua profissão estava devidamente validada &#8211; perante moleques de 14 anos, mas estava.</p>
<p>Mas esse chavão aí nunca me convenceu. Eu cresci jogando War, e qualquer um sabe que as suas chances de sucesso na verdade AUMENTAM quando você tenta invadir um país que já sofreu um ataque &#8211; as defesas agora estão enfraquecidas, ora. Elementar.</p>
<p>Tá, tudo bem que houve um intervalo de mais de 200 anos entre Napoleão e Hitler, mas eu queria usar a analogia do War no texto mesmo assim. Afinal, ela arrancou risadas da sala quando eu a usei pra invalidar o argumento do professor, e rendeu de quebra uma ida à diretoria.</p>
<p>E como a própria diretora riu quando ouviu a minha lógica, considerarei esta uma de minhas maiores vitórias retóricas.</p>
<p>Mas então. A justificativa do professor é que sem o conhecimento histórico, não temos memória dos erros do passado, e portanto estamos mais inclinados a repetir esses erros.</p>
<p>Até a semana passada eu continuava não engolindo esse papo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Poster e tal" src="http://img251.imageshack.us/img251/4598/watchthefourthkind.jpg" alt="" width="223" height="320" /></p>
<p><em>The Fourth Kind</em> é um filme de terror baseado num assunto que aparentemente não causava mais tanto medo assim (pelo menos a julgar pela escassez de filmes do gênero): abduções alienígenas.</p>
<p>E talvez por causa disso, eles resolveram marketear o filme sob a premissa de que é mais ou menos um documentário, com cenas reais de pessoas reais que sofreram supostas abduções.</p>
<p>Em um dos trailers a Mila Jovovich se apresenta como tal e explica que estará interpretando o papel de Abigail Tyler, a médica que examinou os caras e tal. A parada tem tom de documentário mesmo.</p>
<p>Cético como sou, nunca mordi a isca. Nem me interessei em assistir o filme, aliás.  O filme saiu em DVD recentemente, aí no Facebook vejo um número alarmante de amigos meus falando coisas como &#8220;Wow The Fourth Kind foi super assustador, o pior é saber que aquilo tudo é real!!!&#8221;.</p>
<p>E o ditado popular usado pelo meu professor de história fez perfeito sentido.</p>
<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Bruxa de Blair" src="http://img233.imageshack.us/img233/7430/theblairwitchproject.jpg" alt="" width="320" height="240" /></p>
<p><em>The Blair With Project</em> foi um evento cultural de imensa magnitude. Desde <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio)" target="_blank">Orson Welles lendo &#8220;A Guerra dos Mundos&#8221; na CBS</a> não havia tamanha confusão popular sobre a linha que separa uma obra ficção de eventos reais.</p>
<p>A máquina de marketing por trás do filme &#8211; que deve ter custado cinco dólares e meio tanque de gasolina pra filmar &#8211; o fez render quase $250 milhões o redor do mundo inteiro.</p>
<p>Foi uma das produções cinematográficas mais lucrativas da história do cinema moderno, e o pontapé inicial do que se tornaria uma indústria por si só &#8211; marketing viral na internet. O sucesso do filme não se deu porque era uma obra genial de terror (não era), e sim porque nós acreditávamos estar vendo algo real.</p>
<p>&#8220;Nós&#8221; entre aspas &#8211; eu estava nos EUA e completamente sem grana na época, e apesar de estar animado pra voltar ao Brasil e poder assistir o filme, eu não tinha lá tanta fé que a parada era real. Foi nessa época que comecei a duvidar da existência de Deus; a partir daí, questionar TUDO havia virado um padrão mental.</p>
<p>Você já sabe o resto dessa história. O filme foi um sucesso e por muitos meses havia quem realmente acreditasse que a história era real. Eu mesmo quase saí no tapa no pátio do colégio por causa de uma discussão sobre a veracidade da fita.</p>
<p><em>The Fourth Kind </em>estava, muito obviamente, tentando provocar o mesmo furor que fez de <em>The Blair Witch Project</em> um sucesso mundial. Considerando que Fourth Kind custou DEZ vezes mais que Blair Witch (e faturou oito vezes menos), foi um considerável fracasso.</p>
<p>Mas ele conseguiu repetir o legado do primeiro &#8211; aparentemente tem gente (meus próprios amigos, que vergonha do caralho) pensando que a porra dos eventos retratados no filme são reais.</p>
<p><a href="http://www.examiner.com/x-22738-New-Haven-Movie-Examiner~y2009m9d5-The-real-story-behind-The-Fourth-Kind" target="_blank">Não são</a>. O único site que registra os estudos da tal doutora Abigail foi criado em agosto de 2009, poucos meses antes do filme ser lançado. Os registros deveriam existir muito antes disso, já que a história se passa em 2000, e entretanto estes registros não podem ser encontrados em lugar algum. Uma óbvia tentativa de marketing viral.</p>
<p>Aliás, a Universal Studios tá sendo processada pela Alaska Press Club por <a href="http://www.weirdfresno.com/2009/11/universal-sued-over-fake-footage-in.html" target="_blank">usar imagens e registros falsos pra promover o filme</a>. E a doutora Abigail sequer existe &#8211; ela é a atriz Charlotte Milchard. Whoops.</p>
<p>Mesmo sem conhecer nenhum desses detalhes, um critério básico de metodologia científica deveria ter sido aplicado à premissa do filme &#8211; alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias. Não há nehuma prova das afirmações contidas no filme, exceto as imagens exibidas nele que jamais foram apresentadas em nenhum outro lugar.</p>
<p>&#8220;Mas o cartaz do filme diz que os eventos são reais, porra! Um filme não inventaria uma história fictícia com tom de documentário só pra ganhar dinheiro às custas da mentira!&#8221;.</p>
<p>Meu professor de história estava certo.</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://hbdia.com/wordpress/2010/03/22/meu-professor-estava-certo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>95</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A arte da pilantragem</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2008/04/13/os-grandes-safados/</link>
		<comments>http://hbdia.com/wordpress/2008/04/13/os-grandes-safados/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Apr 2008 00:51:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lição de História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/2008/04/13/os-grandes-safados/</guid>
		<description><![CDATA[

Meu pai sempre trabalhou com computadores (o que explica minha exposição precoce e subsequente vício em computadores), e o mesmo valia pros colegas de trabalho dele. Meus primeiros jogos de computador chegaram a mim por intermédio de um desses colegas de trabalho do meu velho, o &#8220;tio Monte&#8221;.
Tio Monte &#8211; que obviamente não era meu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fhbdia.com%252Fwordpress%252F2008%252F04%252F13%252Fos-grandes-safados%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22A%20arte%20da%20pilantragem%22%20%7D);"></div>
<p>Meu pai sempre trabalhou com computadores (o que explica minha exposição precoce e subsequente vício em computadores), e o mesmo valia pros colegas de trabalho dele. Meus primeiros jogos de computador chegaram a mim por intermédio de um desses colegas de trabalho do meu velho, o &#8220;tio Monte&#8221;.</p>
<p>Tio Monte &#8211; que obviamente não era meu tio &#8211; era um gordinho muito brincalhão que, se lembro bem, conhecia meu pai desde os tempos do colegial. Ele tinha altos contatos com indivíduos que tinham acesso às (na época) raras gravadoras de CD, e naquela época primordial a pirataria já começava a dar os primeiros passos que um dia dominariam a internet. Tio Monte costumava descolar através de seus contatos semi-criminosos diversos &#8220;jogos completos&#8221;, que acabavam indo chegar lá em casa. Essa aspas aí indicam uma distinção clássica daquele período.</p>
<p>Como a internet ainda não era popular, a única fonte de jogos na época eram as revistas de CD ROM, tal qual a prestigiosa <strong>Revista do CD ROM®. </strong>Nos tempos mais recentes essas publicações começaram a veicular jogos completos, mas na minha época tudo o que tínhamos eram versões shareware/demo dos nossos jogos favoritos. Era relativamente raro naquela época (estou me referindo aos meados de 1996, 1997) conhecer alguém que tivesse em seu poder um &#8220;jogo completo&#8221;, a não ser aqueles que costumavam vir com nossos kits multimídia. Uma geração inteira conheceu e se tornou fãs dos adventures point n click clássicos da Lucas Arts graças às suas Sound Blasters 16x.</p>
<p><span id="more-842"></span></p>
<p>Um dos jogos que meu pseudo-tio me trouxe foi o magnânimo e incomparável Warcraft II. Vocês noobs de merda de 15 aninhos com seus cartões de um mês pré-pago de World of Warcraft não saberão o que é realmente o universo criado pela Blizzard até jogar o saudoso Warcraft II. Aquele sim foi o <strong>PAI</strong> da criança. O primeiro Warcraft, junto com Dune, criou o gênero RTS. Warcraft II trouxe aquela revolução que só mesmo tendo jogado na época pra experimentar a empolgação e, anos mais tarde, a nostalgia.</p>
<p>Então. Por coincidência, um coleguinha meu tinha uma revista de artigos sobre jogos que trazia códigos de trapaceagem justamente pra Warcraft II. E eu utilizei-o bem liberalmente, empregando o &#8220;dinheiro&#8221; extra adquirido de modo desonroso pra construir uma base faraônica, que eu usaria pra impressionar o Tio Monte &#8211; que era totalmente viciado no jogo, como eu.</p>
<p>Na próxima vez que o cara foi lá em casa, eu mostrei todo orgulhoso a imponência e esplendor da minha base construída com fundos ilícitos. Ao completar a fase, o mostrador de ranking do jogo exibiu a verdade &#8211; ao invés de julgar minha performance de acordo com patentes militares cuja importância aumentava proporcionalmente ao seu talento na partida, o jogo classificou-me simplesmente como &#8220;Cheater&#8221;.</p>
<p><em>&#8220;Ahhh, você usou o &#8216;glittering prizes&#8217;, né?&#8221;</em> perguntou ele, se referindo exatamente ao código que eu havia usado.</p>
<p>Totalmente desmoralizado, fui obrigado a admitir.</p>
<p><em>&#8220;Trapaceando também, até eu!&#8221;</em> o tom de sarcasmo e despeito que carregavam a frase eram tão ácidos que, se aquela conversa estivesse se passando no IRC, tio Monte teria pontuado a sentença com um :P</p>
<p>Meu pai, que se encontrava nas redondezas palitando os dentes com algum objeto não-identificado, se aprumou todo.</p>
<p><em>&#8220;Trapaceando?! Como é que é&#8230;?&#8221;</em></p>
<p>E tio Monte explicou que eu havia usado um CÓDIGO DE TRAPAÇA pra obter vantagem no jogo. Resumindo a história, meu pai levou a coisa muitíssimo a sério, e se chateou pra caralho com a idéia de que seu filhinho estava fazendo alguma coisa desonesta no seu computador.</p>
<p>Meu pai é um absolutista. Pra ele, trapacear (ainda que num joguinho de computador) era uma atitude no mínimo lamentável, no máximo execrável. A reação dele me fez sentir como se eu fosse o pior dos salafrários, uma espécie de <strong>GÊNIO</strong> da malandragem só porque copiei um código de uma revista de um amigo pra poder construir uma base bonitinha em Warcraft II.</p>
<p>Sei lá porque estava pensando nessa história outro dia. E comecei a pensar &#8211; quem teriam sido os <strong>REAIS</strong> mestres da arte do 171? Como você vai aprender agora, alguns sujeitos dotados de inteligência acima do normal usaram toda sua capacidade pra arte de passar a perna nos outros. Os relatos que compilei aqui são as mais notórias e impressionantes da História da Esperteza. Acompanhe-me nessa aula de pilantragem.</p>
<p><strong><img border="1" align="left" width="225" src="http://img73.imageshack.us/img73/8284/225pxmichaellarsonpyliw1.png" hspace="6" height="271" />Michael Larson</strong></p>
<p>Michael Larson era, segundo ele mesmo, um motorista de caminhão de sorvete desempregado. E segundo eu, ele era um sujeito com MUITO tempo livre nas mãos.</p>
<p>Em 1984, Larson participou do programa televisivo <em>Press Your Luck. </em>Era um programa bem nos moldes de todos esses programas de prêmios. Os participantes respondiam uma pergunta de conhecimentos gerais; uma resposta certa o recompensava o vagabundo com um &#8220;giro&#8221; em uma roleta eletrônica.</p>
<p>Nas &#8220;casas&#8221; da roleta, havia uma miríade de prêmios (em dinheiro e em viagens), e algumas casas que provocavam a perda de tudo que o participante acumulou até então. Alguns quadradinhos davam ao participante um prêmio <strong>E</strong> um giro extra, aumentando assim as chances de conseguir mais dinheiro. Bem simples, né?</p>
<p>Lá estava Michael Larson, com os dois outros participantes. Na primeira rodada, Michael se deu relativamente mal. Ele caiu em um Whammy (a casinha que roubava todos seus lucros) e, apesar de conseguir recuperar uma boa parte da grana, terminou aquele segmento na lanterna com apenas 2500 dólares.</p>
<p>Na segunda rodada, entretanto, Larson se revelou. Após finalmente obter a vez de girar a &#8220;Big Board&#8221;, como era chamada a tal roleta eletrônica, o maluco começou a ganhar prêmios e rodadas extras <em>uma atrás da outra, </em>sem parar<em>. </em>Foi uma cena completamente surreal &#8211; o maluco ganhou TANTO dinheiro que o mostrador dos lucros, que só exibia cinco dígitos e o cifrão, não pôde comportar a quantia e o cifrão foi removido pra dar espaço pro dígito extra. O programa, que deveria ter apenas uma hora de duração, já se extendia a mais de uma hora já que ele não poderia acabar enquanto Larson continuasse ganhando. Foi um negócio impressionante de se assistir.</p>
<p>E veja que beleza, temos o vídeo aqui!</p>
<p><center><p><a href="http://hbdia.com/wordpress/2008/04/13/os-grandes-safados/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></center></p>
<p>Foi um momento histórico na televisão americana, os gringos de trinta anos pra cima ainda lembram da história. Em um momento a platéia até mesmo se levantou pra aplaudir Larson, e o apresentador estava até já sem bordões pra expressar sua surpresa. Nem preciso explicar que aos poucos a produção do programa começou a se entreolhar desconfiados, sem entender o que diabos estava acontecendo.</p>
<p>O fato de que Larson parecia comemorar <strong>IMEDIATAMENTE</strong> após apertar o botão, ou às vezes ao mesmo tempo que apertava o botão &#8211; sem aquela rápida pausa de um ou dois segundos que demoraria pra você processar a idéia de que acabou de ganhar novamente &#8211; tornou a diretoria do programa ainda mais desconfiada. Alguma coisa deveria estar errada.</p>
<p>E estava.</p>
<p>Michael Larson havia gravado o programa e estudado o padrão da Big Board exaustivamente por seis semanas antes de participar da parada. Graças a isso, ele descobriu o período que o cursor demorava pra retornar à posição de uma casa que ganhasse um prêmio e uma rodada extra. Ele poderia então explorar esse conhecimento de forma que ganhasse vantagem sobre os outros participantes, que estavam só batendo nos seus botões aleatoriamentes após uma breve reza pro São Gerônimo dos Vagabundos que Buscam Enriquecimento Rápido.</p>
<p>O problema da estratégia dele é que Larson estudou cuidadosamente o padrão que o faria cair em uma casa com uma rodada extra, mas <strong>APENAS</strong> esse padrão. Ou seja, ele só sabia como cair nas casas que o rendessem um novo giro, o que o prendeu em um inesperado loop. Pra quebrar o &#8220;bug&#8221;, ele teria que apertar o botão às cegas, igual seus companheiros de programa, e torcer pra que não caísse num Whammy.</p>
<p>Ele deu sorte. Naquela noite, Larson se tornou US$110,237 mais rico.</p>
<p>A história do Larson depois de sua impressionante aparição no <em>Push Your Luck</em> é meio trágica, no entanto. O cara investiu quase toda a grana num scam de multi-level marketing (ironicamente, um dos protagonistas desse post foi justamente o <em>criador</em> desse tipo de golpe. Aguarde.) envolvendo imóveis, e acabou perdendo tudo. Ainda convencido com a idéia de ganhar dinheiro facilmente, ele resolveu tirar TODO o resto da sua grana do banco, em notas de um dólar, pra tentar achar duas notas com números de série consecutivo e ganhar um concurso de rádio que recompensaria com trinta mil dólares o dono das tais notas.</p>
<p>Alguém bateu com a língua nos dentes a respeito do plano do cara, e um dia ao voltar de uma festa de Natal ele encontrou sua casa assaltada. Lá se foi cada centavo que o cara havia ganhado no <em>Push Your Luck. </em>Larson morreu alguns anos depois, de câncer.</p>
<p>Em outras palavras, Doutor Karma fodeu o pobre americano (pobre literalmente) com juros e correção monetária.</p>
<p><strong><img border="1" align="right" width="156" src="http://img525.imageshack.us/img525/506/victorlustiggj4.jpg" hspace="10" height="180" />Victor Lustig</strong></p>
<p>Esse sujeito é considerado pelos estudiosos das técnicas da pilantragem como um dos maiores estelionatários que o mundo já conheceu, por causa justamente o golpe que explicarei. Lustig transformou o velho e combalido conto-do-vigário numa espetacular obra de arte pra que nós, quase um século mais tarde e do outro lado do planeta, possamos apreciar com admiração. A escala da pilantragem é tamanha que é um espanto que ele conseguiu convencer alguém de seu golpe, mas isso apenas atesta a respeito da incrível capacidade do maluco de convencer suas vítimas.</p>
<p>Não tenho provas pra sustentar minha teoria, mas eu acredito que o primeiro golpe do Lustig foi arrumar uma certidão de nascimento da Bohemia (hoje República Tcheca) e se mudar do Brasil pra lá e se passar por cidadão europeu. Um talento impressionante como o dele nas artes da malandragem só podia ser brasileiro.</p>
<p>Victor, ou Conde Lustig como ele se identificava pra algumas de suas vítimas, era um gênio linguístico. Aos vinte anos o maluco falava cinco idiomas com fluência e já tinha decidido que, com uma esperteza como a sua, ele não poderia se conformar em trabalhar por dinheiro como o resto de nós. Passar a perna em incautos era sua vocação. Além da desenvoltura com línguas, o cara tinha aquele talento quase teatral que viria a se tornar uma regra no livro inexistente de artistas da malandragem.</p>
<p>O sujeito afiou suas técnicas passando pequenos golpes nos Estados Unidos, nada muito digno de nota. Até que um dia ele leu uma matéria no jornal local a respeito das dificuldades do governo parisiense de manter a Torre Eiffel. Até pintar a torre significava um gasto oneroso demais, e alguns dignatários começavam a paquerar com a idéia de se livrar do monumento.</p>
<p>Onde a maioria das pessoas viu uma situação lamentável, Lustig viu uma grande oportunidade.</p>
<p>Lustig viajou pra Paris. Chegando lá, o maluco arrumou variados itens variados de escritório (papéis de carta, envelopes, carimbos, tudo) marcados com o logo do &#8220;Ministério de Telégrafos&#8221;, uma agência governamental inexistente. Lustig produziu com esses itens elaboradas cartas a seis grandes negociantes de ferro velho da Cidade das Luzes, convidando-os para uma oportunidade de negócios com o governo parisiense, assunto a ser tratado na sala de conferências de um hotel chique da cidade. Lustig investiu uma nota grande pra produzir um cenário que pudesse convencer os investidores.</p>
<p>Na tal reunião, Lustig se apresentou como o chefe do tal Ministério de Telégrafos. Ele explicou que a torre estava se tornando um verdadeiro ralo de dinheiro e que o governo decidiu se livrar dela, leiloando-a como ferro velho pra quem estivesse interessado. Os tais seis investidores eram os mais indicados pra pegar o contrato, segundo informou Lustig.</p>
<p>Pra selar a história, o sujeito levou os caras a um passeio de limosine (alugada) pelos arredores da torre, deu a maior apresentação turística pros caras. Por causa da comoção pública relacionada ao fim da torre, Lustig pediu aos investidores que mantivessem segredo em relação à negociação, e que no dia seguinte os telefonaria pessoalmente pra ouvir seus lances.</p>
<p>Ao fim do passeio, o cara resolveu levar seu golpe a um nível ainda maior. Lustig se aproximou secretamente de um dos investidores, um sujeito chamado Andre Poisson, e o ofereceu a possibilidade de um suborno pra que ele garantisse que o seu lance seria o escolhido. Poisson caiu no truque, e ofereceu a Lustig uma quantia até hoje desconhecida. Junto com o suborno, Poisson assinou um segundo cheque, esse contendo o valor do seu lance pela Torre Eiffel.</p>
<p>O pilantra não perdeu tempo. No mesmo dia Lustig levou o cheque ao banco, pegou toda a grana e se mandou apressadamente pra Viena, e em seguida pros EUA novamente.</p>
<p>Meses se passaram e não havia nenhuma notícia nos jornais sobre a pilantragem. O que Lustig não sabia na época é que Poisson se sentiu tão envergonhado de ter sido engambelado que sequer teve a coragem de o denunciar a polícia; preferiu arcar com o prejuízo calado.</p>
<p>O silêncio da imprensa francesa em relatar o ocorrido encorajou Lustig, que partiu pra França mais uma vez pra repetir o golpe. Dessa vez, a vítima desconfiou um pouco da história e resolveu contatar a polícia. Lustig conseguiu fugir para os Estados Unidos, onde ele foi eventualmente preso por falsificação de dinheiro. Lustig foi condenado a vinte anos de prisão em Alcatraz, onde acabou morrendo de pneumonia.</p>
<p><strong><img border="1" align="left" width="150" src="http://img166.imageshack.us/img166/4975/150pxponzike3.jpg" hspace="7" height="196" />Charles Ponzi</strong></p>
<p>Lustig pode ter sido o mais audacioso, mas o italiano Charles Ponzi foi definitivamente <strong>O</strong> malandro. Seu reconhecimento como pilantra é tamanho que até hoje, golpes inspirados na ladroagem original do cara são chamados de &#8220;ponzi scheme&#8221;, ou &#8220;esquema ponzi&#8221;.</p>
<p>Ponzi era, como Lustig, um malandro de quinta categoria. Algumas falcatruas aqui e ali o renderam algum tempo enjaulado, tanto no Canadá quanto nos EUA, mas não foi por causa destes que seu nome se tornou sinônimo de enganação. O truque que realmente rendeu Ponzi sua notoriedade (e uma quantia indecente de dinheiro) foi o dos vale-selos.</p>
<p>Era o seguinte. O italiano descobriu um dia vale-selos que companias enviavam pra que indivíduos não precisassem pagar por correspondência enviada à tal empresa. Era uma versão paleolítica daqueles envelopes pré-pagos que você usa pra enviar formulários pra cartões de crédito ou assinatura de revistas. Um vale-selo podia ser trocado por, digamos, 10 selos do país onde ele era utilizado, e ele podia usado em qualquer país.</p>
<p>Por causa da Primeira Guerra Mundial, a Itália mergulhou numa inflação que desvalorizou os preços de tudo, incluindo selos. Por isso, os tais vale-selos custavam muito barato na Itália, mas continuavam podendo ser trocado nos Estados Unidos por selos que valiam mais que o preço investido. Funcionava assim &#8211; digamos que os vale-selos custavam dez centavos na Itália, e seria trocado por dez selos que valiam um centavo cada. Os vale-selos eram então levados pros States e trocados por dez selos, que valiam por sua vez três centavos cara. Ponzi lucraria então dois centavos em cima de cada selo, ou seja, vinte centavos ao todo.</p>
<p>Como você pode ver, o problema desse negócio é que a margem de lucro é baixíssima. Ele poderia vender selos o dia inteiro (supondo que alguém estaria interessado em comprar selos de um indivíduo qualquer, ao invés de comprar nos correios como qualquer pessoa normal) e seu aproveitamento seria digno de pena. Foi aí que Ponzi teve a idéia <strong>genial</strong>:</p>
<p>A base do seu negócio não seria vender os selos, e sim <em>convencer outras pessoas a investir no negócio. </em>Se ele convencesse dez pessoas a participar da parada, o lucro real não seria dos selos vendidos e sim do investimento que as dez pessoas desembolsaram pra participar da parada.</p>
<p>E deu certo. Ponzi conseguiu convencer alguns amigos e conhecidos a participar do negócio. Ponzi vendeu a idéia fazendo o troço parecer uma forma fácil de obter retorno garantido. &#8220;Eu e meus contatos na Itália fazemos todo o trabalho, só preciso do capital pra começar o negócio!&#8221;</p>
<p>Assim que ele conseguiu oferecer alguma margem de lucro pra esses, a história se espalhou entre os círculos de amiguinhos e de repente <strong>TODO MUNDO</strong> queria participar da parada. Ponzi começou então uma própria empresa, com empregados e tudo mais, só pra gerenciar a quantidade imoral de dinheiro que chegava à sua casa todo dia. Com o investimento de novos participantes, Ponzi pagava os investidores iniciais. Assim, a galera no topo lucrava de volta seu investimento, e os recém-chegados se fodiam porque a essa altura, tanta gente (e especialmente, tanta gente que se conhecia) havia se inscrito pra participar do negócio que tornou a idéia de vender selos totalmente inviável. Como você ia vender algo que TODO MUNDO está vendendo também? A inflação faria os selos perder todo o valor. Mas quem estava usando a cabeça quando um sujeito bem vestido e bem falado oferece uma oportunidade de fazer dinheiro?</p>
<p>Pra incentivar ainda mais o recrutamento de novos investidores, Ponzi começou a oferecer uma maior porcentagem de lucros praqueles que conseguissem convencer mais otários a participar da parada. De repente o modelo de negócio da empresa deixou totalmente de ser a venda dos selos, e sim o recrutamento de mais novatos, cujo investimento original seria usado pra pagar os que chegaram antes. Nasceu assim o célebre esquemas-pirâmide, que vitimou nosso amigo Michael Larson lá de cima e até <strong>HOJE</strong> consegue enganar otários.</p>
<p>Aliás, eu mesmo quase caí numa dessas; em minha defesa, eu tinha apenas 18 anos, havia acabado de chegar no Canadá, e estava desesperado. E ainda assim, eu consegui na última hora notar que o modelo de mercado que o sujeito me oferecia não fazia sentido, e desviei da idéia. Adicionem essa história àquelas que eu prometi a contar há anos, um dia explico melhor.</p>
<p>Claro que ninguém consegue enganar todo mundo por muito tempo, e em breve Ponzi se veria sob investigação das autoridades. O problema é que naquela época seu esquema era algo novo e não havia uma lei específica que lidasse com aquele tipo de golpe. Mas os promotores foram espertos. Ponzi estava lidando com negócios relacionados a selos, não é? Vamos acusá-lo de &#8220;mail fraud&#8221; então.</p>
<p>O sujeito foi preso e deportado pra Itália, porque pra melhorar ainda mais a história ele não era um cidadão americano legalizado. Após cumprir pena, Ponzi resolveu mudar de residência. Sua veia malandrística ansiava por uma terra em que ele pudesse se sentir mais em casa. Ganha um pirulito quem adivinhar pra que país o salafrário se mudou.</p>
<p>Poisé. Acreditem ou não, o malaco se mandou pras nossas queridas terras brasilis, onde acabou morrendo em pobreza e desgraça total, que só foi rivalizada pela pobreza e desgraça que ele afligiu a muitos com seu golpe. Os seus últimos US$ 74 foram usados pelo hospital pra financiar seu enterro, no Rio de Janeiro. Ele não tinha família nem amigos no Brasil.</p>
<p align="center"><strong>***</strong></p>
<p>Parece mesmo que pilantragem não dá certo, já que os protagonistas desses golpes mirabolantes acabam no final se fodendo de forma extraordinária. Que fim me aguarda graças aos dinheirinhos roubados em Warcraft II?</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://hbdia.com/wordpress/2008/04/13/os-grandes-safados/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>120</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Trust me, I&#8217;m a doctor</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2008/04/07/trust-me-im-a-doctor/</link>
		<comments>http://hbdia.com/wordpress/2008/04/07/trust-me-im-a-doctor/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 Apr 2008 22:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lição de História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/2008/04/07/trust-me-im-a-doctor/</guid>
		<description><![CDATA[

Quando eu era moleque, eu sempre dizia que queria ser &#8220;um cientista&#8221; quando adultos me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse. Não importava que ramo científico eu praticaria. &#8220;Um cientista, tia!&#8221;.
Ora, mas que tipo de ciência? Astronomia? Bioquímica? Herpetologia (que, por algum estranho mistério, é a ciência das cobras e sapos e lagartos, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fhbdia.com%252Fwordpress%252F2008%252F04%252F07%252Ftrust-me-im-a-doctor%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Trust%20me%2C%20I%27m%20a%20doctor%22%20%7D);"></div>
<p>Quando eu era moleque, eu sempre dizia que queria ser &#8220;um cientista&#8221; quando adultos me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse. Não importava que ramo científico eu praticaria. &#8220;Um cientista, tia!&#8221;.</p>
<p>Ora, mas que tipo de ciência? Astronomia? Bioquímica? Herpetologia (que, por algum estranho mistério, é a ciência das cobras e sapos e lagartos, e não da herpes)? Eu não sabia. Meu contato com a &#8220;ciência&#8221; se resumia a filmes em que um sujeito com óculos e um jaleco branco explicava alguma situação usando termos bem científicos e importantes como &#8220;exponencialmente&#8221; ou &#8220;microorganismos&#8221; ou &#8220;nitroglicerina&#8221;. Aí o mocinho reclama dos termos complicados e o cientista explica de forma mais simples &#8211; &#8220;Vamos todos morrer a menos que você faça X&#8221;. Aí ele vai, faz, ninguém morre e o filme acaba.</p>
<p>Eu queria ser aquele cara. Eu queria trabalhar num laboratório, usar um microscópio, saber palavras importantes e explicar coisas complicadas pros outros. Afinal, eu já usava óculos mesmo, obviamente o resto devia ser mais fácil (estudar algum ramo científico por dez anos e arrumar emprego numa empresa relacionada ao meu ramo de estudo).</p>
<p>Ontem, eu decidi que queria ser outra coisa &#8211; Um paramédico. Assim, eu poderia prestar melhor socorro à minha namorada, que quase quebrou o pescoço por minha causa.</p>
<p><span id="more-834"></span></p>
<p>Foi assim. Quando a namorada chega em casa do trabalho, ela costuma vir correndo pro quarto, se joga em cima de mim e, naquele clima de casalzinho recém-casado, a gente se joga na cama e fica lá rolando feito idiotas, fazendo cócegas um no outro, essas merdas que vocês que têm namoradas devem saber como é. </p>
<p>Eu, por outro lado, tenho o péssimo hábito de chegar em casa, jogar meu paletó no chão, e depositar meus gadgets na cama. O PSP e o iPod, na maioria das vezes. O PSP pra jogar Super Mario World durante o expediente, e o iPod pra músicas e ler ebooks. A propósito, xeu abrir um parêntese rápido sobre gadgets aqui:</p>
<p>Gadgets costumam ter várias funcionalidades, mas com pouco tempo de uso você descobre quais as funcionalidades que <strong>REALMENTE</strong> funcionam no aparelho, as que você realmente vai usar. E geralmente é só uma - no palm era mp3, no PSP é emulação, no DS é só jogo de DS mesmo, no Archos são os vídeos, e no Touch é mp3 e ler ebooks. O troço funciona <strong>PERFEITAMENTE</strong> pra isso, é de espantar que a Apple não fez disso uma funcionalidade oficial (é preciso uma pequena gambiarragem pra acessar esse potencial escondido). Ler livros no trampo é praticamente de praxe após a compra do Touch.</p>
<p>Então. A namorada chega aqui em casa, vem correndo correndo pro quarto, me puxa da cadeira do computador e se prepara pra se jogar na cama. Acontece que meu Touch estava exatamente no ponto em que ela cairia.</p>
<p>Usando cada grama de destreza que eu possuo, meio que &#8220;guiei&#8221; a namorada pro lado, pra longe do iPod. Entendeu mais ou menos o cenário? Ela pulou pra cama me puxando junto, e eu empurrei a menina pro lado. Não sei como explicar essa sentença de forma que faça sentido, tentem imaginar a cena.</p>
<p>O resultado da minha manobra foi que a menina acabou ultrapassando sua área planejada de aterrissagem. Ao invés de cair sobre a cama macia, seu franzino corpinho gringo acertou a cômoda em cheio.</p>
<p>Bem no pescoco.</p>
<p>A menina caiu como uma boneca de pano no chão. Após o susto inicial, percebemos que ela estava bem. Mas durante aqueles cinco minutos em que ela berrava de dor no chão, o terror da possibilidade de uma fratura no pescoço me fez desejar que eu tivesse me formado como paramédico. Afinal de contas, médicos detém conhecimento que faz a diferença entre a vida e a morte, e por isso inspiram um incomparável senso de confiança. Não importa o que aconteca, um médico está a caminho e tudo vai ficar bem. Meu vizinho é médico, vou chamá-lo. Vou ligar pro meu médico. Se acalme, eu sou um médico.</p>
<p>O admiração da capacidade dos médicos é tamanha que na nossa língua, é coloquialmente comum (a engraxates e flanelinhas) se referirem a alguém como &#8220;dotô&#8221; em forma de reconhecimento de sua importância, a despeito do fato que desencravar a unha do dedão do pé com a ponta da faca é o limite de sua habilidade cirúrgica. Embora, como você está prestes a ver, há alguns séculos atrás isso seria mais que suficiente pra conferir a alguém o título de doutor.</p>
<p>Aí eu parei pra pensar. Não estaríamos cometendo um erro gravíssimo depositando tanta confiança nos profissionais de saúde&#8230;? Afinal de contas, a história nos mostra que algumas vezes, a ciência exercida pelos doutores não ficava muito acima daquela executada por um aprendiz de açougueiro em seu primeiro dia no serviço.</p>
<p><strong>  <img src="http://img178.imageshack.us/img178/4043/trepanationrc9.gif" border="1" alt="" hspace="13" vspace="1" width="200" height="200" align="left" /></strong></p>
<p><strong>Trepanação</strong></p>
<p>Na Idade Média, entrou em moda o princípio médico de &#8220;equilíbrio corporal&#8221;. Qualquer tipo de perturbação na sua saúde era indício de algum tipo de desequilíbrio nos seus &#8220;fluidos&#8221; (pra medicina medieval, tudo era &#8220;fluidos&#8221;), e o trabalho dos médicos da época era re-equilibrar seu sistema.</p>
<p>Impressionante que uma teoria que soa tão científica (e que tenha algum embasamento, como explicarei depois) tenha dado origem a técnicas tão absurdamente retardadas.</p>
<p>Sabe quando um colega da sua turma de Álgebra claramente entende a proposta de um exercício matemático, mas fode completamente os cálculos e chega a um resultado que faz você olhar pra ele e se perguntar o que diabos ele está fazendo numa faculdade? Então, essencialmente isso é a teoria por trás da trepanação.</p>
<p>A técnica, que na verdade é uma dos mais antigos procedimentos cirúrgicos da história, consiste em fazer um grande buraco no seu crânio &#8211; grande o suficiente pra que o osso não seja capaz de se reconstituir e você fique passeando por aí com um buraco na cabeça. Ou seja, estamos usando um significado bem liberal pro termo &#8220;procedimento cirúrgico&#8221;.</p>
<p>A idéia é que alguns distúrbios mentais (e alguns outros que não tinham nada a ver com o seu cérebro) eram causados por um desequilíbrio na sua pressão craniana. Então, pra resolver o problema, bastava arrumar alguém que estivesse disposto a abrir um rombo na sua cachola. E assim você estaria curado do seu resfriado.</p>
<p>Lembre-se, nego tava apelando pra arrebentar cabeças alheias na mesma época em que se acreditava que &#8220;maus espíritos&#8221; provocavam moléstias. Não preciso nem explicar o absurdo da idéia.<img src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b7/Peter_Treveris_-_engraving_of_Trepanation_for_Handywarke_of_surgeri_1525.png/250px-Peter_Treveris_-_engraving_of_Trepanation_for_Handywarke_of_surgeri_1525.png" border="1" alt="" hspace="12" vspace="1" width="250" height="260" align="right" /></p>
<p>Não que a técnica seja absolutamente inválida &#8211; em alguns casos de traumatismo craniano, fluido cerebroespinal se acumula no crânio e aplica uma pressão que pode causar sequelas permanentes. Nesses casos (e só depois de analisar todas as outras opções), um competente cirgurgião coloca o maluco em anestesia geral e abre um pequeno orifício na cabeça do infeliz pra aliviar essa pressão. Ou seja, é uma operação cuidadosa que, além de só ser executada em última instância, é conduzida com a maior das cautelas. E enquanto o paciente estava sob anestesia, um luxo que os infelizes da Idade Média não tinham.</p>
<p>Agora compare com a imagem lá de acima que eu arrumei no Google. Me diz se não dá até pra imaginar que o maluco da figura mal tinha acabado de dizer &#8220;Nossa Senhora, que terrível inflamação de garganta me abateu hoje&#8221; pros outros dois já sairem catando no chão qualquer instrumento mais ou menos afiado pra arrebentar a cabeça do coitado.</p>
<p>A comunidade médica em geral abandonou a trepanação como método de curar doenças há alguns séculos, mas a técnica não está totalmente morta. Nos últimos anos, a turminha que é chegada nessa onda de viagens produzidas por alucinógenos inventou uma complexa pseudo-ciência que prega que trepanação serve como um método de atingir o nirvana, ou alguma coisa assim, o que confirma o velho adágio popular que profetiza que &#8220;existe doido pra tudo nesse mundo&#8221;.</p>
<p><strong><img src="http://img520.imageshack.us/img520/2272/iatrosgu0.jpg" border="1" alt="" hspace="12" vspace="1" width="257" height="261" align="left" />Sangria</strong></p>
<p>Sangria, conhecida em inglês como &#8220;bloodletting&#8221; caso você tenha vontade de pesquisar sobre a parada, é mais uma maluquice medicinal da escola de pensamento que pregava que problemas de saúde eram produzidos por algum tipo de desequilíbrio corporal.</p>
<p>Um grego chamado Erasistratus formulou o conceito de plethoras, ou seja, doenças provocadas pelo excesso de substâncias. E que substâncias seriam essa, você me pergunta? Bem, a idéia era inspirada nos conceitos alquimistas que explicavam que tudo no mundo era composto por quatro elementos &#8211; água, fogo, terra e ar.  Da mesma forma, tudo no seu corpo deveria estar associado a quatro elementos. No caso, eles seriam sangue, muco, bile preta e bile amarela. E seja lá qual seja a doença, existem grandes chances de que ela está sendo provocada porque você tem sangue demais no seu corpo.</p>
<p>E havia duas formas de balancear o volume do seu sangue &#8211; o &#8220;médico&#8221; te dava alguma coisa pra induzir vômito, tornando assim sua corrente sanguínea mais concentrada (a lógica é que vomitar reduziria o nível de outros fluidos no seu corpo, fazendo do sangue o fluido predominante), ou fazer buraquinhos no seu braço e observar o sangue indo embora.</p>
<p>Nos dias de hoje, você faria o máximo pra evitar ser furado por aí à toa. Há alguns séculos atrás, era o tratamento mais padrão que existia. Inventou-se até um elaborado sistema pra determinar exatamente QUANTO sangue deveria ser tirado, e levava-se tudo em consideração: sua idade, seu peso, altura, a região onde você morava, que time você torcia, os últimos cinco dígitos do seu perfil no orkut, sei lá mais o que.</p>
<p>A parada ficou ainda mais sofisticada com o tempo, quando decidiram que remover sangue de diferentes partes do seu corpo produziria resultados em locais diferentes. Tirar sangue da mão resolveria sua calvície; tirar sangue da orelha consertaria sua impotência. Aí decidiram que não precisava nem ficar doente pra apelar pra sangria &#8211; começou-se a furar os outros como meio de vacina contra certas doenças. Quanto pior a doença, mais sangue era necessário arrancar do infeliz, e pra piorar as coisas, a tontura que resultava do procedimento era sinal de que a técnica estava dando efeitos satisfatórios. E pra tornar a parada ainda mais putariosa, começaram a empregar sanguessugas pra chupar o fluido vital da galera. A procedência dos parasitas não poderia ser mais duvidosa, e o risco de infecção era mais ou menos 98%. </p>
<p>Se você tem alguma idéia de como funciona o corpo humano deve ter concluído que muita gente morreu no meio da sua sangria mensal. A desculpa era praticamente embutida &#8211; a doença estava num estágio avançado e ceifou a vida do paciente antes que a técnica pudesse fazer efeito.</p>
<p>Na minha terra isso se chama &#8220;gaiatice&#8221;.</p>
<p><strong>Lobotomia<img src="http://img339.imageshack.us/img339/4465/lobotomy3dt0.jpg" border="1" alt="" hspace="13" vspace="1" width="278" height="173" align="right" /></strong></p>
<p>Dê uma olhadinha nessa foto ao lado. Se você precisava de alguma prova definitiva de que a confiança que médicos inspiram em leigos é ao mesmo tempo impressionante e assustadora, aí está ela em conveniente formato jpg.</p>
<p>Em 1890 um méd&#8230; um <strong>psicopata</strong> chamado Friederich Golz teorizou que a melhor forma de mudar o comportamento de um indivíduo seria <strong>DESTRUIR PARTES DO CÉREBRO EM QUE TAL COMPORTAMENTO ESTIVESSE LOCALIZADO. </strong>Após chegar a essa brilhante conclusão, maluco  nem perdeu tempo &#8211; afiou suas faquinhas e experimentou o procedimento no próprio cachorro. Naturalmente, o pobre cachorro ficou totalmente sequelado, o que Golz interpretou como sucesso total. Ora, quem pode culpá-lo? O cara queria reduzir o comportamento agressivo do cachorro, e após a cirurgia tudo que o totó faz é deitar na frente da casa por horas a fio, sem se mexer, com os olhos fixos em posições diferentes. Tecnicamente falando, a experiência foi um sucesso.</p>
<p>Demorou mais ou menos quarenta segundos pra que alguém decidisse que o procedimento deveria ser experimentada em humanos. Gottlieb Burkhardt, o chefe de um hospício suíço, ouviu sobre a maravilhosa proeza do outro maluco e resolveu experimentar em seis esquizofrênicos que ele tinha sobrando em seu hospício. Aparentemente o Burkhardt fez uma cagadeira ainda maior que a do Golz, já que aquele ao menos teve uma taxa de 100% de sobrevivência naquela sua primeira lobotomia no cachorro. No caso dos esquizofrênicos, bem, digamos que depois desse dia Burkhardt passou a ter apenas quatro esquizofrênicos sobrando.</p>
<p>Ao invés de identificar a técnica como o estraçalhamento totalmente irresponsável do mais importante órgão humano e bani-la pra todo o sempre, a comunidade médica do comecinho do século XX continuou a namorar a idéia de resolver problemas comportamentais através da técnica de fazer purê com os miolos de seus pacientes.</p>
<p>Foi finalmente um médico português chamado Egas Moniz (que coincidentemente tem o sobrenome de uma das minhas chefes, que de fato é descendente de portugueses. Perguntarei à mulé se ela tem algum bisavô chamado Egas) que &#8220;aperfeiçoou&#8221; a técnica. Moniz percebeu que esculhambar o cérebro de um indivíduo de fato foderia com a pessoa, então o que ele tinha que fazer é estraçalhar apenas algumas conexões nervosas isoladas, e não pedaços inteiros do cérebro. O sujeito acabou eventualmente ganhando um prêmio Nobel por causa disso, e se isso não é uma lição assustadora de quão enganada a comunidade científica pode estar a respeito de alguma coisa, nada mais é.</p>
<p>Enquanto isso continuamos tomando prozac, tylenol, vacinas variadas, viagra, advil e outros trocentos tantos medicamentos ou tratamentos que utilizamos baseados exclusivamente na confiança do que a indústria médica diz pra gente.</p>
<p>Não sei você, mas se eu tivesse um amigo que insiste em me oferecer sucos que mais tarde se revelam não ser exatamente sucos e sim água misturada com veneno&#8230; da próxima vez que ele viesse com um copo na mão, eu enfiaria um soco no meio do bucho do cidadão.</p>
<p align="center"><strong>***</strong></p>
<p>(Leitores voyeurs, se manifestem. Vocês talvez não saibam, mas esse feedback que eu recebo de vocês é JUSTAMENTE o que me motiva a atualizar esse site, especialmente com esse tipo de texto &#8211; mais longo, mais elaborado, do tipo que requer um certo trabalho de pesquisa e coisa e tal - aqui no HBD. Deixem a vergonha de lado e publique sua opinião aí. Eu quero saber o que esses 80% de visitantes silenciosos pensam a respeito deste site)</p>

]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://hbdia.com/wordpress/2008/04/07/trust-me-im-a-doctor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>176</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
