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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Minha infância</title>
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			<title>Hoje é um Bom Dia</title>
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		<title>A brincadeira do &#8220;dilema&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 10:31:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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Acho que todo mundo brincou a brincandeira do &#8220;dilema&#8221; quando moleque na escola.
Opa, notaram que eu escrevi &#8220;brincadeira&#8221; errado na frase anterior? Lembro de uma época que a turma competia nos comentários pra apontar os erros mais triviais que eu cometia aqui no blog. Minha permanência cada vez mais longa no Canadá canibalizou meu domínio [...]]]></description>
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<p>Acho que todo mundo brincou a brincandeira do &#8220;dilema&#8221; quando moleque na escola.</p>
<p>Opa, notaram que eu escrevi &#8220;brincadeira&#8221; errado na frase anterior? Lembro de uma época que a turma competia nos comentários pra apontar os erros mais triviais que eu cometia aqui no blog. Minha permanência cada vez mais longa no Canadá canibalizou meu domínio da língua portuguesa e agora eu erro tanto que acho que vocês nem percebem mais!</p>
<p>Enfim. Se você não brincou da célebre brincadeira do dilema é porque você era (ou é, ein) aquele cara chato da sala do qual ninguém gostava, daquele tipo que passa o ano  inteiro sem ser convidado pra nenhum evento de camaradagem escolar ou sem pegar nenhuma coleguinha de sala.</p>
<p><span id="more-1901"></span>A brincadeira do dilema é terrivelmente simples. A idéia é oferecer ao colega uma soma monetária imaginária (&#8221;um milhão de dólares&#8221; é geralmente uma constante) em troca de executar alguma coisa socialmente repugnante.</p>
<p>E a graça da brincadeira estava justamente em bolar as situações mais insólitas que o colega deveria se submeter ficticiamente (que diabos, não sei se essa palavra existe. Faça de conta que eu falei &#8220;imaginariamente&#8221;).</p>
<p>Nojeiras e asquerosidades eram escolhas típicas (&#8221;você comeria uma colher de bosta por dez mil reais? Ok, <strong>CINQUENTA</strong> mil reais então&#8221;)&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://img695.imageshack.us/img695/4692/shite.jpg" alt="" width="251" height="239" /></p>
<p style="text-align: center;">E aí?</p>
<p>&#8230;mas <em>hors concour </em>mesmo era qualquer atitude até mesmo ligeiramente relacionada a homossexualidade &#8211; algo que naquela época a gente nem entendia direito, mas já era doutrinado desde moleque a repudiar sem muito motivo. Essa nossa bendita sociedade brasileira&#8230;</p>
<p>&#8220;<em>Você daria a bunda por um milhão de dólares</em>&#8221; era muito simples, muito preto-e-branco. Era pouco sofisticado. No alto dos nossos 13 anos a gente não tinha a menor idéia do que era um milhão de dólares, mas isso não importava: a resposta era automaticamente &#8220;não&#8221;. E por isso era um dilema fraco; bons mesmos eram os que faziam o sujeito pensar.</p>
<p>Além das baitolices, haviam os dilemas estilo<em> &#8220;você fazia X pra evitar que o Fulano/Fulana morresse?&#8221;. </em>Imaginativos que éramos, não demorava pra que combinássemos o dilema Bom Samaritano com nojeira e/ou gayzismo.</p>
<p><em>&#8220;Ok, que tal essa: você comeria 200mg de vômito pra salvar a vida da sua mãe?&#8221;</em></p>
<p>Os moleques particularmente cruéis inventaram os dilemas que requeriam executar ato sexual com um dos pais pra salvar o outro, uma depravação de tal calibre que nem reproduzirei o desafio <em>ipsis literis </em>aqui pra não ofender meus pais (eu sei que eles acessam essa porcaria, agora POR QUE eu não sei).</p>
<p>Esses realmente faziam o indivíduo parar e pensar. Entretanto, como o objetivo era salvar a vida dos pais, o órgão regulador não-oficial da brincadeira decidiu unanimemente que qualquer ação era justificada. Não havia nada tão desgraçadamente reprovável que não valesse a pena pra salvar a vida paterna, e com isso tal modelo de dilema caiu em desuso e passou a ser utilizado apenas pelos neófitos da brincadeira (e sempre resultava em olhares reprovadores dos mais experientes).</p>
<p>Sim, dilemas envolvendo atos de boiolismo (por causa da homofobia inerente ao povo brasileiro) eram os mais utilizados. Mas como expliquei, o simples &#8220;daria a bunda por um milhão?&#8221; &#8211; por resultar numa resposta negativa automática &#8211; não tinha graça. Desenvolvemos então os dilemas com baitolismo &#8220;light&#8221;, os que eram leves o bastante pra fazer o sujeito realmente considerar cometer o ato.</p>
<p>Havia o &#8220;você deixaria um homem felá-lo por cinquenta mil reais?&#8221;. &#8220;Felação&#8221;, pra você que é dimenor e desconhece essas coisas da vida, significa &#8220;boca naquilo&#8221;.</p>
<p>E a pergunta era cuidadosamente projetada pra fazer o sujeito avaliar a condição por pelo menos alguns segundos. Como inexplicavelmente sempre existiu essa impressão de que apenas quem executa gesto baitolístico <strong>passivo</strong> é que é homossexual, ninguém negava logo de cara como o lance de dar a bunda.</p>
<p>E reduzíamos também o milhão pra parcos 50 mil que é pra não fazer com que neguim aceitasse logo DE CARA, se sentindo seguro por trás do princípio de que gay ativo na realidade não é gay.</p>
<p>Quando descobrimos que tornar o dilema &#8220;gay light&#8221; fazia o sujeito realmente considerar a idéia ao invés de dizer &#8220;não&#8221; sem pensar duas vezes, começou a surgir milhares de variações. Uma particularmente cruel era <em>&#8220;você beberia o equivalente a uma colher de esperma por 500 mil dólares?&#8221;</em></p>
<p>E tinha até corolários: havia a garantia que o doador dos fluidos não tinha qualquer doença sexualmente transmissível, mas por outro lado todos saberiam como você adquiriu a fortuma. E aí?</p>
<p>Eu nunca caí nessa pegadinha, aliás. Mesmo quando era novato nessa putaria, logo a princípio a brincadeira me pareceu uma forma perversa de fazer os coleguinhas da sala admitirem que, dada as circunstâncias propícias, topariam participar dos mais variados atos homossexuais. E o pior &#8211; tal admissão vinha a troco de nada, já que todas as cifras debatidas eram completamente imaginárias.</p>
<p>Nego tava simplesmente sendo engambelado a admitir que eram bichas latentes!</p>
<p>Deve ter sido essa minha atenção às nuances da brincadeira que me garantiu assento vitalício na bancada de organizadores da parada. Éramos nós que, em segredo, bolávamos novos dilemas pra oferecer à consideração das vítimas.</p>
<p>Esses dias soltei lá no tuíter uma coleção &#8220;Best Hits&#8221; desses dilemas, só os mais cabulosos e tal, e pra minha surpresa um número microscópicos de homens recusava os dilemas de cunho homossexual.</p>
<p>Normal, né. 15 anos atrás, no pátio da escola, sem filho pra criar, sem aluguel pra pagar, sem microempresa pra tocar adiante, sem apartamento pra quitar, &#8220;um milhão de reais&#8221; não parecia lá tão uma quantia importante pra galera.</p>
<p>Hoje em dia no entanto, parece muita gente lamberia uma piroca de bom grado em troca de não ter que aguentar mais um dia sequer num emprego que eles odeiam e que só mantém pra poder arcar com essas merdas da vida adulta.</p>
<p>Ah, e teve um follower meu que, quando perguntei &#8220;você beberia seu próprio mijo por 5 mil reais?&#8221;, perguntou sem titubear de quanto exatamente de mijo estávamos falando.</p>
<p>Esse aí tem o espírito empreendedor viu, puta que pariu.</p>

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		<title>Meu professor estava certo</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2010/03/22/meu-professor-estava-certo/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 08:27:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lição de História]]></category>
		<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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		<description><![CDATA[

A frase a seguir não vai soar bem entre os familiares que lêem meu blog, porque tenho pelo menos uns 5 parentes que exercem essa função, mas vamos lá &#8211; ser professor deve ser uma ocupação muito ingrata.
Vejamos  - professores não são recompensado com os melhores salários, tem que lidar diariamente com o pior tipo [...]]]></description>
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<p>A frase a seguir não vai soar bem entre os familiares que lêem meu blog, porque tenho pelo menos uns 5 parentes que exercem essa função, mas vamos lá &#8211; ser professor deve ser uma ocupação muito ingrata.</p>
<p>Vejamos  - professores não são recompensado com os melhores salários, tem que lidar diariamente com o pior tipo de criança (isto é, as crianças DOS OUTROS), e em alguns casos têm que ficar justificando o objeto de estudo de sua profissão pros moleques que as determinam como &#8220;inútil&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" src="http://img715.imageshack.us/img715/9233/teacherr.jpg" border="1" alt="" width="320" height="320" /><br />
<span style="font-size: xx-small;">&#8220;Suas realizações acadêmicas foram um desperdício de tempo, esforço e dinheiro!&#8221; Vítor, 9 anos, quinta série</span></p>
<p>Veja bem.</p>
<p><span id="more-1631"></span></p>
<p>Eu era um moleque muito inteligente quando era mais novo (infelizmente gastei toda a inteligência nos textos antigos do HBD, que eram mais engraçados). Com 11 ou 12 anos eu percebi que todo adulto do mundo que não trabalhasse vendendo pipoca na pracinha na frente da igreja deixa qualquer função matemática mais complicada que uma soma ou subtração a cargo de calculadoras.</p>
<p>De fato, a única categoria de pessoas que se ocupam em fazer matemática de cabeça são vendedores ambulantes, talvez por não poder arcar com o custo de uma calculadora e uma pilha AA.</p>
<p>E não há vergonha na dependência de calculadoras. Máquinas foram criadas pra facilitar nossa vida, ora. Se há um mecanismo barato e confiável que torna decorar a tabuada virtualmente desnecessário, pra que então se esforçar em aprender essa merda?</p>
<p>E pra que se orgulhar de não precisar usar calculadora? Sua habilidade de extrair porcentagens ou raízes quadradas usando a cachola não te servirá pra nada no mundo real. Entre realizar uma operação com rapidez, praticidade e margem de erro zero, e fazer a mesma operação num caderninho gastando muito mais tempo e se submetendo a erros, que escolha você faz?</p>
<p>Não deve haver no mundo alguém que se gabe de ter que ir à biblioteca sempre que tem uma dúvida trivial ao invés de googlear, né?</p>
<p>Então. Cheguei à conclusão de que no mundo real, em qualquer momento que eu precisasse saber quanto é 7486 vezes 73892 eu e qualquer ser humano normal apelaríamos pra uma calculadora.</p>
<p>E aí perguntei pro meu professor de matemática qual seria a aplicação no mundo real pra saber executar tal conta.</p>
<p>Ele provavelmente teria uma boa resposta pra me dar, caso não estivesse naquele exato momento USANDO UMA CALCULADORA PRA CALCULAR AS NOSSAS NOTAS BIMESTRAIS. Por que ele não estava usando lápis e papel pra somar todas aquelas frações de pontos das nossas provas?</p>
<p>Porque eu estava certo, that&#8217;s why. Em qualquer momento da sua vida que você precise fazer um cálculo e não tenha uma calculadora por perto, você a) procurará uma, ou b) desistirá do cálculo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Putz" src="http://img403.imageshack.us/img403/8039/frustratedman.jpg" border="1" alt="" width="320" height="274" /><br />
<span style="font-size: xx-small;">E às vezes você desistirá mesmo com a calculadora. Vamos abolir a matemática de uma vez logo, é o que eu quero dizer.</span></p>
<p>Professores de química, ah, esses é que não escapavam da inquisição infanto-juvenil mesmo. Ninguém ali na minha classe queria ser químico, tenho certeza. Que utilidade saber o que são anéis aromáticos teriam em minha vida?</p>
<p>Nenhuma. E por isso esqueci essencialmente TUDO que jamais aprendi naquela matéria. Até hoje não sei o que é um mol. Aliás, essa nem naquela época eu sabia.</p>
<p>Já os professores de história tinham uma justificativa que eles puxavam da manga com tanta pressa que você quase pensava que eles estava praticamente ESPERANDO você questionar a utilidade da matéria deles.</p>
<p>&#8220;Aqueles que não estudam história estão fadados a repeti-la!&#8221; eles diziam, com um ar de autoridade dogmática e sensação de discussão vencida.</p>
<p>E você já deve ter ouvido essa expressão, provavelmente seguida da explicação de que &#8220;Hitler perdeu a guerra porque não conhecia história e tentou invadir a Rússia da mesma forma que Napoleão tentou. Aqueles que não estudam história invariavelmente cometerão os mesmos erros de seus antepassados&#8221;, repetia o professor. Sua profissão estava devidamente validada &#8211; perante moleques de 14 anos, mas estava.</p>
<p>Mas esse chavão aí nunca me convenceu. Eu cresci jogando War, e qualquer um sabe que as suas chances de sucesso na verdade AUMENTAM quando você tenta invadir um país que já sofreu um ataque &#8211; as defesas agora estão enfraquecidas, ora. Elementar.</p>
<p>Tá, tudo bem que houve um intervalo de mais de 200 anos entre Napoleão e Hitler, mas eu queria usar a analogia do War no texto mesmo assim. Afinal, ela arrancou risadas da sala quando eu a usei pra invalidar o argumento do professor, e rendeu de quebra uma ida à diretoria.</p>
<p>E como a própria diretora riu quando ouviu a minha lógica, considerarei esta uma de minhas maiores vitórias retóricas.</p>
<p>Mas então. A justificativa do professor é que sem o conhecimento histórico, não temos memória dos erros do passado, e portanto estamos mais inclinados a repetir esses erros.</p>
<p>Até a semana passada eu continuava não engolindo esse papo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Poster e tal" src="http://img251.imageshack.us/img251/4598/watchthefourthkind.jpg" alt="" width="223" height="320" /></p>
<p><em>The Fourth Kind</em> é um filme de terror baseado num assunto que aparentemente não causava mais tanto medo assim (pelo menos a julgar pela escassez de filmes do gênero): abduções alienígenas.</p>
<p>E talvez por causa disso, eles resolveram marketear o filme sob a premissa de que é mais ou menos um documentário, com cenas reais de pessoas reais que sofreram supostas abduções.</p>
<p>Em um dos trailers a Mila Jovovich se apresenta como tal e explica que estará interpretando o papel de Abigail Tyler, a médica que examinou os caras e tal. A parada tem tom de documentário mesmo.</p>
<p>Cético como sou, nunca mordi a isca. Nem me interessei em assistir o filme, aliás.  O filme saiu em DVD recentemente, aí no Facebook vejo um número alarmante de amigos meus falando coisas como &#8220;Wow The Fourth Kind foi super assustador, o pior é saber que aquilo tudo é real!!!&#8221;.</p>
<p>E o ditado popular usado pelo meu professor de história fez perfeito sentido.</p>
<p style="text-align: center; "><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Bruxa de Blair" src="http://img233.imageshack.us/img233/7430/theblairwitchproject.jpg" alt="" width="320" height="240" /></p>
<p><em>The Blair With Project</em> foi um evento cultural de imensa magnitude. Desde <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_War_of_the_Worlds_(radio)" target="_blank">Orson Welles lendo &#8220;A Guerra dos Mundos&#8221; na CBS</a> não havia tamanha confusão popular sobre a linha que separa uma obra ficção de eventos reais.</p>
<p>A máquina de marketing por trás do filme &#8211; que deve ter custado cinco dólares e meio tanque de gasolina pra filmar &#8211; o fez render quase $250 milhões o redor do mundo inteiro.</p>
<p>Foi uma das produções cinematográficas mais lucrativas da história do cinema moderno, e o pontapé inicial do que se tornaria uma indústria por si só &#8211; marketing viral na internet. O sucesso do filme não se deu porque era uma obra genial de terror (não era), e sim porque nós acreditávamos estar vendo algo real.</p>
<p>&#8220;Nós&#8221; entre aspas &#8211; eu estava nos EUA e completamente sem grana na época, e apesar de estar animado pra voltar ao Brasil e poder assistir o filme, eu não tinha lá tanta fé que a parada era real. Foi nessa época que comecei a duvidar da existência de Deus; a partir daí, questionar TUDO havia virado um padrão mental.</p>
<p>Você já sabe o resto dessa história. O filme foi um sucesso e por muitos meses havia quem realmente acreditasse que a história era real. Eu mesmo quase saí no tapa no pátio do colégio por causa de uma discussão sobre a veracidade da fita.</p>
<p><em>The Fourth Kind </em>estava, muito obviamente, tentando provocar o mesmo furor que fez de <em>The Blair Witch Project</em> um sucesso mundial. Considerando que Fourth Kind custou DEZ vezes mais que Blair Witch (e faturou oito vezes menos), foi um considerável fracasso.</p>
<p>Mas ele conseguiu repetir o legado do primeiro &#8211; aparentemente tem gente (meus próprios amigos, que vergonha do caralho) pensando que a porra dos eventos retratados no filme são reais.</p>
<p><a href="http://www.examiner.com/x-22738-New-Haven-Movie-Examiner~y2009m9d5-The-real-story-behind-The-Fourth-Kind" target="_blank">Não são</a>. O único site que registra os estudos da tal doutora Abigail foi criado em agosto de 2009, poucos meses antes do filme ser lançado. Os registros deveriam existir muito antes disso, já que a história se passa em 2000, e entretanto estes registros não podem ser encontrados em lugar algum. Uma óbvia tentativa de marketing viral.</p>
<p>Aliás, a Universal Studios tá sendo processada pela Alaska Press Club por <a href="http://www.weirdfresno.com/2009/11/universal-sued-over-fake-footage-in.html" target="_blank">usar imagens e registros falsos pra promover o filme</a>. E a doutora Abigail sequer existe &#8211; ela é a atriz Charlotte Milchard. Whoops.</p>
<p>Mesmo sem conhecer nenhum desses detalhes, um critério básico de metodologia científica deveria ter sido aplicado à premissa do filme &#8211; alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias. Não há nehuma prova das afirmações contidas no filme, exceto as imagens exibidas nele que jamais foram apresentadas em nenhum outro lugar.</p>
<p>&#8220;Mas o cartaz do filme diz que os eventos são reais, porra! Um filme não inventaria uma história fictícia com tom de documentário só pra ganhar dinheiro às custas da mentira!&#8221;.</p>
<p>Meu professor de história estava certo.</p>

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		<title>Os irmãos Nobre</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 23:08:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/V69c5ijpuFs&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/V69c5ijpuFs&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>

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		<title>Top 5 desejos infantis que eu consegui realizar</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 11:53:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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		<description><![CDATA[

Eu tenho apenas 25 anos e já abracei completamente as obrigações da Vida Adulta. Pro contexto canadense isso é completamente padrão mas no Brasil com essa idade eu provavelmente ainda estaria vivendo na aba dos pais e pulando de estágio em estágio, tentando arrumar aquele mítico &#8220;emprego de verdade&#8221;.
Antes de mais nada quero deixar registrado que [...]]]></description>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fhbdia.com%252Fwordpress%252F2009%252F12%252F10%252Ftop-5-desejos-infantis-que-eu-consegui-realizar%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Top%205%20desejos%20infantis%20que%20eu%20consegui%20realizar%22%20%7D);"></div>
<p>Eu tenho apenas 25 anos e já abracei completamente as obrigações da Vida Adulta. Pro contexto canadense isso é completamente padrão mas no Brasil com essa idade eu provavelmente ainda estaria vivendo na aba dos pais e pulando de estágio em estágio, tentando arrumar aquele mítico &#8220;emprego de verdade&#8221;.</p>
<p>Antes de mais nada quero deixar registrado que por aqui também temos muitos losers desempregados de 25-30 anos parasitando papai e mamãe. Ou seja, não se estressem pensando que estou ufanizando o Canadá. Só quero dizer que por aí é mais complicado prum cara jovem ser 100% financeiramente independente; não há tantas oportunidades. Ok?</p>
<p>Então.  Tava pensando nessas de crescer e tomar um rumo na vida, que é uma realidade que todos nós da geração Thundercats/Pense Bem/Passa ou Repassa/álbum de figurinhas do Brasileirão/Super Nintendo/Xou da Xuxa estamos passando simultaneamente, quando fui atingido pelo pensamento de que uma das grandes certezas da vida, além da inevitável morte, é que a grande maioria dos nossos planos e aspirações pro futuro acabam não se concretizando.<br />
<span id="more-1409"></span><br />
É uma realidade inescapável que, por incompetência própria ou por fatores fora do nosso controle &#8211; e acho que todos nós podemos culpar ambos igualmente por alguns de nossos fracassos -, a maioria daquilo que a gente espera da vida acaba não dando certo.</p>
<p>Minha vida acadêmica no Brasil, por exemplo, foi uma completa perda de tempo. Eu planejava obter um diploma de Bacharelado de Física e me tornar um pesquisador na área, mas no fim das contas mal cheguei ao quarto semestre.</p>
<p>Eu não esperava que iria perder o interesse pela matéria e ir embora do Brasil antes de completar o curso. Ou seja, um plano que foi completamente por água abaixo, a despeito de todo o esforço e planejamento investido em ser aprovado em uma faculdade federal.</p>
<p>Idem com meu relacionamento com minha ex. Após 3 anos de namoro, ficamos noivos às vésperas da minha vinda ao Canadá, e eu planejava traze-la pra cá. Eu não teria como prever que menos de duas semanas após minha viagem ela já estaria me chifrando. Mais um plano que foi na descarga.</p>
<p>Esses são apenas dois exemplos, mas eu certamente não preciso te convencer da idéia que muito daquilo que a gente planeja acaba dando merda.  Tenho certeza que a essa altura você já está pensando nos seus próprios planos que foram por água abaixo por uma pisada na bola ou por acaso do destino. Guarde-os aí na cachola, porque quero que você os conte pra gente lá nos comentários.</p>
<p>Então. Eu tava nessa de avaliar minha breve existência e rindo de todos os planos &#8211; dos mais triviais aos mais importantes &#8211; que acabaram nunca saindo do papel ou, na pior das hipóteses, saindo completamente pela culatra. Todos os fracassos, todas as frustrações, todos os ansejos completamente inatingidos.</p>
<p>Aí me deu um estalo súbito. Uma realização que eu jamais havia tido antes na vida, e que me deixou tão feliz que eu abri um sorriso de orelha a orelha que ficou instalado na minha cara o dia inteiro.</p>
<p><em>Eu me tornei exatamente o adulto que eu queria ser quando era criança/adolescente.</em></p>
<p>Depois o choque inicial, quanto mais eu pensava nessa descoberta, mais eu me surpreendia por ter demorado tanto pra chegar a ela. Acompanhe abaixo esta listinha dos meus maiores desejos de infância e você entenderá por que passei o dia inteiro rindo.</p>
<p>Quando eu era moleque, o que eu mais queria era&#8230;</p>
<p><strong>Ter um computador só pra mim</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="PC" src="http://farm3.static.flickr.com/2660/4150193814_84031a6248.jpg" alt="" width="400" height="300" /></strong></p>
<p>Meu pai sempre foi fissurado em tecnologia e por isso computadores eram tão comuns em nossa casa quanto televisores. Entretanto, ao contrário de uma televisão, nos anos 90 ninguém podia se dar ao luxo de ter mais de um Pentium 133mhz com 32mb de RAM em casa.</p>
<p>Por causa disso eu amarguei uma longa infância de uso limitado do computador e da internet. Meu pai dividia entre os membros da família os períodos de uso (nunca mais que 2 horas de cada vez pra cada um), e como eu já era viciado na internet desde então, era uma pura agonia.</p>
<p>Quando penso nas teorias relativísticas de dilatação do tempo, me lembro daquelas tardes nos fins de semana de pulso único. Minhas duas horas passavam em 3 minutos; as dos meus irmãos demoravam quatro séculos.</p>
<p>Observar meu irmão desenhando no Paint quanto eu poderia estar usando aquele tempo online (que era limitado a dois dias por semana, lembrem-se) pra invadir incautos com o Netbus e rindo do crime com os amigos no mIRC era de ferver o sangue.</p>
<p>E hoje eu tenho não apenas UM computador só pra mim, mas TRÊS &#8211; um desktop que comprei pra servir como Media Center, um netbook pra faculdade e pro trabalho, e mais recentemente um desktop pra uso &#8220;principal&#8221;.</p>
<p><strong>Ter todos os consoles disponíveis no mercado</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Consoles" src="http://farm4.static.flickr.com/3083/2791204560_83e38950c2.jpg" alt="" width="400" height="300" /></strong></p>
<p>Você conhecia alguém que, durante a geração SNES, tinha todos os consoles do mercado? Não me refiro a ter apenas o SNES e o Mega Drive, esses felizardos eram poucos mas existiam. Tou me referindo a ter TODOS &#8211; Game Boy, Game Gear, Neo Geo, PC Engine, etc.</p>
<p>Isso era um sonho absolutamente inatingível. Nossos pais já não conseguiam entender a necessidade de comprar um console novo a cada 4 ou 5 anos (uma prática sem sentido quando eles comparavam com outros eletrônicos, como TVs ou videocassetes que duravam eternamente), que dirá então ter <em>múltiplos</em> consoles.</p>
<p>Pros nossos pais, ter um Mega Drive e um SNES plugados na sua televisão fazia tanto sentido quanto ter dois microondas, um do lado do outro.</p>
<p>Foi essa impossibilidade que deu início às clássicas <em>console wars </em>do nosso tempo de criança. Uma vez que você escolhia seu console &#8211; ou nos casos mais infelizes, quando seus pais escolhiam por você -, era uma decisão cravada em pedra.</p>
<p>Saber que você jamais seria dono do console concorrente provocava um forte sentimento de defesa do videogame escolhido, e isso perdura até hoje. No caso, eu tive a sorte de que meu pai escolheu comprar o mesmo console que eu já queria &#8211; um SNES.</p>
<p>Hoje eu tenho o privilégio de ter posse de todos os consoles disponíveis no mercado. Se eu pudesse viajar no tempo e dissesse pra mim mesmo quando criança que em 15 anos eu teria todos os consoles que quisesse, o eu do passado borraria as calças de emoção.</p>
<p>E pediria pra ser criogenizado pra não ter que esperar os 15 anos.</p>
<p><strong>Ser conhecido por escrever</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2009/12/lulz.jpg"><img class="size-full wp-image-1424 aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="lulz" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2009/12/lulz.jpg" alt="lulz" width="285" height="220" /></a></strong></p>
<p>Optei pelo termo &#8220;conhecido&#8221; porque é o mais humilde, usar &#8220;famoso&#8221; no mesmo contexto ia soar muito iludido e presunçoso.</p>
<p>Quando eu era criança &#8211; e isso é algo que explico no prólogo do meu livro (sim, estou escrevendo um livro) -, eu sonhava em ser um autor famoso. Lendo meus autores favoritos (Michael Crichton e Monteiro Lobato), eu imaginava quão FODA seria se um dia, pessoas que eu nem sei que existem conhecessem meu nome por causa do que eu escrevo.</p>
<p>Quando entrei em contato com blogs em 2001 ou 2002 e vi outros caras da minha idade que postavam na internet histórias sobre seu dia a dia com pitadas de humor, e vi que eles arrebanhavam uma verdadeira legião de seguidores por causa isso, meus olhos brilharam.</p>
<p>Entre os grandes nomes da blogagem Velha Guarda estavam os primos Rafael e Thiago Capanema, que recebiam algo em torno de 40 ou 50 comentários por post. Na época a esfera blogueira não era tão bem estruturada como é hoje, número de comentários eram nosso único medidor de importância virtual.</p>
<p>E 50 comentários era coisa pra caralho. Os primos Capanema eram SUPERSTARS aos meus olhos.</p>
<p>Comecei um blog diarinho ridículo naquela época, mais ridiculamente ainda entitulado &#8220;Casa dos Bloguistas&#8221;. Sim, eu senti vergonha de mim mesmo ao relembrar esse detalhe sórdido da minha &#8220;carreira&#8221; internética.</p>
<p>Não havia nada ali que alguém devesse ler, mas com o tempo eu passei a contar histórias que interessaram alguém, e essse alguém contou pra outra pessoa, e assim por diante. Dezenas de visitas diárias viraram centenas, que viraram milhares.</p>
<p>Hoje eu escrevo uma bobagem qualquer sobre meu dia a dia e uma centena de vocês deixa feedback aí nos comentários e linka pros amigos. Vez ou outra recebo um email de alguém que provavelmente jamais conhecerei dizendo que achou um texto do meu site legal e me parabenizando por isso.</p>
<p>E ainda mais surpreendemente ainda, hoje há pessoas que me <a href="http://www.tecnoblog.net" target="_blank">pagam</a> <a href="http://www.appstoreblog.com.br" target="_blank">pra</a> <a href="http://www.bobagento.com" target="_blank">escrever</a>.</p>
<p>Claro que é uma escala infinitamente menor que o sucesso do Lobato ou do Crichton, mas é algo que alegra meus dias.</p>
<p>Aliás, cabe mencionar aqui que eu leio CADA comentário postado. Não respondo por falta de disposição, mas pode ter total certeza de que seu feedback não passou batido.</p>
<p><strong>Ter uma conexão constante à internet</strong></p>
<p>Essa molecada de hoje que cresceu sem jamais ouvir o barulhinho de handshake de um modem dial-up é sortuda demais. Naqueles primórdios, usar a internet todo dia era um privilégio permitido apenas a funcionários de provedores de internet. Lembro que quando eu acessava o canal de IRC da minha cidade durante a semana, só encontrava lá aqueles dois ou três amigos que trabalhavam na Elo Internet.</p>
<p>(E aí está uma referência que só os leitores maranhenses entenderão)</p>
<p>Só podíamos acessar a internet na agenda do pulso único &#8211; ou seja, quando uma ligação telefônica não era tarifada de acordo com sua duração. E nisso veio aquela cultura de ficar acordado até meia noite pra jogar Quake com os amigos com lag de 50 segundos ou baixar jogos crackeados divididos em setecentos arquivos .ZIP e programando o GetRight pra desligar o PC às seis da manhã, que era a hora em que o pulso único acabava.</p>
<p>Eu tava tão acostumado a limitar meu vício internético aos fins de semana e madrugadas que nem conseguia imaginar como seria usar a internet todo dia, a qualquer momento.</p>
<p>E hoje eu não apenas tenho internet constante (até mesmo no meu celular, algo que na minha infância era uma invenção recente), mas de uma velocidade que eu jamais teria imaginado possível naquela época.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Conexão" src="http://img187.imageshack.us/img187/7530/lulzies.jpg" alt="" width="432" height="337" /></p>
<p>Com a conexão devagar e instável, pegar uma única música era uma tarefa que às vezes era parcelada ao longo de vários fins de semana. Baixar filmes, embora tecnicamente possível, era completamente impraticável. Baixar um único filme, um fim de semana de cada vez, poderia teoriamente demorar anos.</p>
<p>Hoje eu baixo um filme em menos tempo que demora pra achar o DVD na prateleira e colocar no aparelho. Isso é total e completamente DUFUTURO.</p>
<p><strong>Poder trepar em casa sem medo de ser pego pelos meus pais</strong></p>
<p>Lá pelos meus 14 ou 15 anos, arrumei minha primeira namoradinha que não se chocava quando minha mão boba explorava áreas femininas que eu só conhecia através do formato .jpg.</p>
<p>Eu achava que seria o fim do meu cabaço, mas eu havia esquecido de outra constante nessa equação &#8211; meus pais.</p>
<p>Venho de uma família extremamente religiosa e não preciso explicar pra vocês que meus pais provavelmente estavam pensando na mesma coisa que eu, porém sem compartilhar minha empolgação.</p>
<p>Meus coroas até estabeleceram a ordem &#8211; que eu vivia quebrando &#8211; de que era absolutamente inadmissível que eu e minha namoradinha nos encontrássemos na minha casa sem a supervisão deles.</p>
<p>E aí entra o MacGyverismo infantil.</p>
<p>O portão automático da nossa garagem demorava mais ou menos 20 segundos pra abrir completamente e permitir a entrada da Parati do meu pai. Com isso meus progenitores perdiam o elemento surpresa; eu e a minha namorada da época nos tornamos especialistas em nos vestir em tempo recorde.</p>
<p>Aquele rangido das engrenagens do portão era essencialmente um disparo de largada de corrida de 100 metros rasos. Sobrava tempo até pra abrir as janelas do quarto e ligar o ventilador pra secar o suor e expulsar do quarto aquele característico cheiro de sexo misturado com latex.</p>
<p>Hoje, dono do meu nariz e de um contrato que me dá permissão de morar em meu apartamento, posso fornicar com minha mulher em cima do fogão, se eu assim desejar.</p>
<p>Quero que você entenda o seguinte &#8211; estes não são objetivos finais pra vida de ninguém, e não estou me gabando por eles nem achando que sou completamente realizado por causa disso. Tudo que eu citei aí acima é algo que praticamente qualquer pessoa da nossa idade e degrau social tem.</p>
<p>Eu queria apenas tentar ilustrar pra você a conclusão a qual eu cheguei quando pensei nisso tudo &#8211; que às vezes você já atingiu certos objetivos que podem parecer triviais hoje, mas há alguns anos teriam te enchido de felicidade.</p>
<p>E é curioso pensar que aquilo que você almejava alguns anos atrás poderia um dia se tornar uma parte tão trivial da sua vida que você nem percebe que realizou desejos outrora impossíveis. Mudança de perspectiva é isso aí.</p>
<p>Como falei antes, nenhuma destas &#8220;conquistas&#8221; é algo realmente relevante e nem motivo de ostentação; tenho certeza que muitos de vocês já os alcançaram também. Não é nada pra se gabar.</p>
<p>É que eu não consigo parar de sorrir ao me imaginar voltando no tempo e contando pro Kid de 15 anos atrás que tudo que ele tanto queria seria não apenas conquistado, mas se tornaria tão lugar-comum que até passaria pra segundo plano e que novos objetivos tomariam seus lugares.</p>
<p>Moral da história? Todos nós temos algo hoje que, não tanto tempo atrás, nos fariam incrivelmente felizes. É uma euforia boba, mas perceber isso causa alegria de qualquer forma.</p>
<p>Tenho vários novos objetivos pro futuro, e sem dúvida uma boa parte deles eu não alcançarei. É uma inevitabilidade da vida.</p>
<p>Mas o raciocínio por trás deste texto é que há uma grande chance de que, daqui a dez anos, muita coisa que eu almejo hoje se torne parte fundamental da minha vida, a ponto de que eu nem perceba que atingi esses objetivos. E isso é o suficiente pra me fazer sorrir hoje.</p>
<p>Dê uma olhada aí em volta. O que você tem hoje que te faria MUITO feliz dez anos atrás?</p>

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		<title>Surra de Mangueira</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 10:58:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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		<description><![CDATA[

Eu estava passeando pelo Market Mall, o shopping favorito da minha patota graças a localização geográfica conveniente, quando vi uma cena pitoresca que me fez pensar duas &#8211; não, três &#8211; vezes antes de por uma criança neste mundo miserável.
Quanto mais eu olho pra essa foto, mais tenho vontade de enfiar o pé na cara [...]]]></description>
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<p>Eu estava passeando pelo Market Mall, o shopping favorito da minha patota graças a localização geográfica conveniente, quando vi uma cena pitoresca que me fez pensar duas &#8211; não, três &#8211; vezes antes de por uma criança neste mundo miserável.</p>
<p><center><img src="http://img41.imageshack.us/img41/6971/pout1.jpg" border=1><br /><font size=1>Quanto mais eu olho pra essa foto, mais tenho vontade de enfiar o pé na cara desse moleque</font></center></p>
<p>Na frente de uma loja de videogames, uma mulher literalmente arrastava pelo chão uma criança (presumivelmente, sua prole) que estribuchava, berrava e tentava se apoiar em qualquer objeto que estivesse ao seu alcance, pra oferecer resistência contra o caminhar da mãe. </p>
<p>Já ouvi falar que filhos são um peso que você tem que carregar por anos, e com muito divertimento eu vi que naquele exato instante, essa expressão não era figurativa nem exagerada. </p>
<p>Jamais saberei a série de eventos que culminou naquela cena, mas ao menos fui abençoado o bastante pra estar lá e testemunhar a coisa. A mãe continuava a marcha inexorável, arrastando o moleque pelo braço com uma pegada tão severa que eu imaginei que a mão do infeliz estaria ficando roxa.</p>
<p>Me virei pra noiva e falei &#8220;vocês gringos inventaram essa história de &#8216;abuso contra menores&#8217; e taí o resultado, a molecada cresce sem aquele saudável medo dos pais e toca o terror quando seus desejos mais imbecis não são prontamente atendidos&#8221;.</p>
<p>Minha querida canadense protestou e argumentou que ela, assim como suas irmãs, apanharam bastante quando mais novas &#8211;  ou seja, certamente minha análise dos hábitos paternos canadenses era equivocada. </p>
<p>Lancei um olhar cético, e loirinha insistiu que em sua casa a chibata comia. Dei uma risadinha bem arrogante (como se o que eu estava prestes a falar fosse algo digno de orgulho) e falei em tom confiante que DUVIDAVA que ela tivesse experimentado a fúria paterna tanto quanto eu. &#8220;Meu amor&#8221;, eu disse em inglês com prepotência quase teatral, &#8220;em minha casa o cacete descia frequentemente, e em intensidade máxima, por mínima provocação. O calibre das surras que meu pai aplicava em mim é algo que sua delicada cutis canadense só conhece por fábulas&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não exagera, vai! Era tão ruim assim?&#8221;</p>
<p>&#8220;Por algum acaso já te contei sobre o dia em que meu pai me bateu com uma mangueira de jardim?&#8221;</p>
<p>&#8220;LOLWUT? Estás de putaria, certamente&#8221;.  </p>
<p>&#8220;Nope. Aconteceu mesmo. Foi o seguinte&#8230;&#8221;<br />
<span id="more-1106"></span><br />
Era o ano 2000. Eu tinha 15 anos, e estava prestes a terminar o ensino médio e embarcar numa jornada universitária que foi simultaneamente insatisfatória e fútil (eu acabei detestando meu curso, e dali a três anos eu estaria dando adeus ao solo nacional de qualquer forma. Entrar na faculdade foi puramente inútil, ainda bem que foi de graça).</p>
<p>Em algum momento da minha infância, meus pais decidiram adquirir uma cama dágua. Essa relíquia cafona dos anos 70 (pelo menos como camas dágua são vistas aqui fora) era considerado um item de luxo no Brasil. </p>
<p>Por causa do clima ártico aqui do extremo norte canadense, uma cama dágua implica num grande problema logístico &#8211; sem um poderoso sistema de aquecimento, dormir numa cama dágua durante o inverno não seria muito diferente de dormir em cima de um cubo de gelo. </p>
<p>Já no Brasil (especialmente, no Ceará) esse &#8220;problema&#8221; se tornava uma vantagem desejada, pois a cama dágua removia a necessidade de um ar-condicionado no quarto dos donos. E há a possível vantagem nas modalidades sexuais, que é algo que eu não quero especular já que estamos falando dos meus pais afinal de contas.</p>
<p>A grande desvantagem da cama dágua é a mão-de-obra requerida durante mudanças. Você tinha que drenar o colchão (o que demorava um bocado), desmontar a cama &#8211; que tinha uma estrutura bem diferenciada, especialmente projetada pra aguentar as centenas de quilos/litros do colchão -, montar tudo de novo na nova casa e encher o colchão novamente. Era uma chateação. </p>
<p>E a história que eu estou prestes a contar aconteceu durante uma dessas operações.</p>
<p>Então, era o ano 2000, e nós tínhamos nos mudado pra São Luís, no Maranhão. Não consigo lembrar se o outro personagem na história era meu irmão ou um amigo, então vou supor que era meu irmão.</p>
<p>Meu pai, tendo provavelmente coisas mais importantes pra fazer, sempre delegava a mim a missão de monitorar o enchimento do colchão. E eu, aproveitando os últimos anos que eu ainda tinha algum tipo de controle sobre meus irmãos caçulas, ordenava ao meu irmão que me fizesse compania.</p>
<p>Após desafiar o moleque a beber a água do colchão (ele não bebeu), comecei a vadiar fingindo que ia me jogar na cama. O moleque se desesperava, sabendo que qualquer pressão aplicada no colchão naquele momento faria a água transbordar pelo buraquinho onde a mangueira havia sido precariamente encaixada. Eu ria e continuava a brincadeira. </p>
<p>Eis que no meio dessa traquinagem eu perdi o equilíbrio e acabei realmente caindo em cima da cama. A pressão ejetou a mangueira, além de ejacular uma torre de água do buraquinho lá. A água caiu por cima do colchão, encharcando a colcha da cama, o chão, as paredes, tudo. Na melhor das hipótesas eu tinha retardado o processo de enchimento do colchão em umas duas horas.</p>
<p>Eu mal havia me levantado do colchão, todo encharcado, quando vi que meu pai estava na porta do quarto, me olhando com a expressão mais WHAT THE FUCK que já vi no rosto dele. </p>
<p>Naquele momento eu sabia que iria apanhar. Me levantei da cama desajeitadamente, pensando na melhor forma como me desculpar, quando vi meu pai se inclinando pra apanhar a mangueira.</p>
<p>Pensei inicialmente que ele estava fazendo aquilo pra impedir que a água molhasse mais ainda o chão do quarto dele. Quando ele empunhou a mangueira na minha direção, vi que eu estava profundamente enganado. </p>
<p>Corri pro canto do quarto futilmente. Meu pai sentou-me uma porrada nas pernas com a mangueira, que simultaneamente castigava minha pele E molhada ainda mais o quarto do véio. Em sua fúria ele nem pensou em fechar a torneira antes.</p>
<p>Duas ou três porradas mais tarde ele notou que estava esmerdalhando a situação mais ainda ao me bater com a mangueira ligada &#8211; já devia ter água até no teto naquela altura do campeonato -, e a surra acabou.</p>
<p>Escrevi este texto inteiro com um grande sorriso no rosto. Quem diabos pode dizer que já apanhou de MANGUEIRA LIGADA?</p>

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		<title>Arcades &#8211; Por que eles ainda existem?</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 03:22:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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Caso estejam curiosos, meu aniversário foi uma merda. Você sabe que realmente virou adulto quando aquela que era a data mais esperada do ano, antecipada por meses, vem e vai sem você mal prestar atenção.
Mas vamos ao assunto de hoje.

Perdoe a imundice da imagem acima; como mencionei na minha resenha do iPhone, a menos que [...]]]></description>
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<p>Caso estejam curiosos, meu aniversário foi uma merda. Você sabe que realmente virou adulto quando aquela que era a data mais esperada do ano, antecipada por meses, vem e vai sem você mal prestar atenção.</p>
<p>Mas vamos ao assunto de hoje.</p>
<p><center><img src="http://img120.imageshack.us/img120/7018/img0332mj5an2.jpg" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Perdoe a imundice da imagem acima; como mencionei na minha resenha do iPhone, a menos que você esteja diretamente em cima da superfície solar a câmera desse celular é imprestável.</p>
<p>Então. Estava no cinema com a mulé no meu aniversário (<em>Zack and Miri Make a Porno</em>. Legalzinho, daria um sete e meio. Tem uma cena escatológica hilária, e olha que eu não costumo rir dessas coisas) e, tendo chegado no estabelecimento meia hora antes do começo da película, perambulamos pelo saguão do multiplex pra matar o tempo. </p>
<p>E os arcades no canto do lugar chamaram minha atenção, pela primeira vez em uns 6 ou 7 anos. Faz bastante tempo que passei a ver tais &#8220;videogames públicos&#8221; um objeto decorativo e nada mais. Acho que a última vez que paguei pra jogar num troço desses foi em 1999.</p>
<p>Cheguei perto do arcade visto na foto, fiz uma mariola no volante, apertei botões aleatoriamente e passei a mão no banco, tentando re-absorver memórias longínquas do tempo em que meus amigos e eu fazíamos fila pra jogar 4 minutos de Daytona USA.<br />
<span id="more-934"></span><br />
Naquela época, arcades representavam o estado mais avançado da videogamice. Sim, os personagem de Virtua Fighter tinham mais polígonos que movimentos, mas lembre-se que nós vivíamos no contexto 16-bits. De Mario pra Pai Chan, havia um visível salto tecnológico. </p>
<p>Gráficos 3D eram um dos maiores atrativos dos arcades, mas nem era só isso. Gabinetes costumavam ser equipados com telas imensas pros padrões dos anos 90. Pra colocar a coisa em retrospecto pros newfags que circulam por este blog, permita-me dividir mais um pouco da minha infância com vocês &#8211; na Copa de 94, meu pai se imbuiu da responsabilidade de hospedar a família inteira pra assistir os jogos, porque ele tinha acabado de comprar o que se chamava carinhosamente de &#8220;telão&#8221; naquela época. O tamanho da televisão?</p>
<p><strong>29 polegadas</strong>. E isso era considerado TELÃO pra época; a maioria dos meus coleguinhas menos abastados passaram a infância se familiarizando com personagens de 3 milímetros de altura nas suas microscópicas CCEs de 14 polegadas. Eu jamais imaginaria que um dia eu estaria insatisfeito com uma tv de colossais 42 polegadas, mas cá estou eu acariciando o cartão de crédito com uma mão e clicando aqui e ali no site da Best Buy com a outra, a despeito da TV de cristal líquido na minha sala que mal completou um ano de idade. </p>
<p>Isso constrata também com o fato de que aquele &#8220;telão&#8221; de 29 polegadas foi utilizado até a nossa vinda pro Canadá, em 2003. Ou seja, quase dez anos de uso sem sequer SONHAR em gastar dinheiro pra substitui-la. Enquanto a TV ainda pudesse exibir as três cores primárias que combinadas produziriam todo o espectro visível, meus pais nem sequer cogitariam comprar uma nova. Aliás, suspeito que mesmo que a TV começasse a dar uma distinta coloração verde à pele dos atores globais, continuaríamos usando aquele televisor por outros dois anos.</p>
<p>Então, quando você chegava no shopping e via Cruisin&#8217; USA num monitor de 32 polegadas, era uma experiência completamente diferente. Havia tela até onde os olhos alcançavam (contanto que você limitasse o movimento do seu pescoço a dois graus em qualquer direção, mas enfim).</p>
<p>Além dos gráficos e da tela maior, arcades também traziam algo completamente inviável na nossa época &#8211; periféricos. Se a tela &#8220;imensa&#8221; e os gráficos &#8220;realistas&#8221; não eram suficientes pra te fazer sentir em Daytona, o gabinete modelado pra parecer um cockpit e o volante com force feedback resolveriam. O mesmo serve pras arminhas de Virtua Cop, que tornaram matar meliantes incrivelmente mais satisfatório que apenas apertar um botão em True Lies no seu SNES.</p>
<p>Sim, o NES tinha a Zapper e o SNES tinha o ridiculamente grande Super Scope, mas isso era fichinha perto do realismo oferecido pelos arcades. O slider de algumas pistolas de arcade até dava o característico coice após cada disparo, tornando o negócio ainda mais realista.</p>
<p>Acontece que isso tudo só era relevante em 1999. Hoje nós temos consoles que renderizam polígonos na casa dos milhões, em telas de pelo menos 32 polegadas (estou me referindo aos não-pobres que lêem o HBD), com periféricos que simulam até mesmo instrumentos musicais. Há pouco ou nenhum motivo pra gastar dinheiro com jogos que cinco atrás já seriam considerados velhos, em telas de metade do tamanho das nossas TVs. Se eu quisesse realmente me sentir como um piloto de corrida, eu montaria meu volante na mesinha de centro pra jogar Project Gotham Racing. Gastar dinheiro com Daytona USA em pleno século XXI está por último na minha lista de prioridades, logo abaixo de &#8220;cortar minha própria piroca com um alicate industrial&#8221; e &#8220;mergulhar num barril cheio de soda cáustica pra ver o que acontece com a minha carteira&#8221;.</p>
<p>Por que esses troços ainda existem, afinal? A idéia de se desprender de uma quantia irrisória pra jogar três minutos de entretenimento eletrônicos é pré-Atari, aliás. Afinal, o propósito daquele console era justamente levar os arcades pra casa, o que era logicamente o próximo passo pros videogames. A essa altura do campeonato era de se esperar que o hábito de gastar dinheiro em arcade tivesse sido extinto há bastante tempo. </p>
<p>A hipótese óbvia é que tais equipamentos custaram dezenas de milhares de dólares na época, e como já se pagaram há muitos anos, qualquer três dólares por dia que eles produzem é lucro de qualquer forma. Jogar tudo fora custaria tempo e dinheiro, e abriria espaço inútil no shopping/cinema. </p>
<p>Mas sei lá. A idéia de que em 2008 os caras esperam que eu gaste um dólar pra jogar Cruisin USA por três ou quatro minutos é quase ofensiva.</p>

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		<title>Sou um saudosista sem cura</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2008 01:17:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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Dizem que nostalgia é uma forma de escape, não muito diferente da literatura ou da cinefilia. Os sábios (e os auto-proclamados sábios, o que é bastante diferente) pregam que a nostalgia é um reflexo da sua falta de habilidade de encontrar felicidade na sua vida atual. 
Supostamente, quando o sujeito é muito insatisfeito com a [...]]]></description>
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<p>Dizem que nostalgia é uma forma de escape, não muito diferente da literatura ou da cinefilia. Os sábios (e os auto-proclamados sábios, o que é bastante diferente) pregam que a nostalgia é um reflexo da sua falta de habilidade de encontrar felicidade na sua vida atual. </p>
<p>Supostamente, quando o sujeito é muito insatisfeito com a sua condição presente, a mente se apega a eras passadas, romantizando aquele período como se fosse o melhor da sua vida &#8211; a despeito do fato de que provavelmente não era.</p>
<p>Discordo desse prognóstico, porque eu me considero bastante satisfeito com a minha vida atual. Entretanto, se os intelectuais estiverem certos, eu devo ser MUITO infeliz, porque eu tenho saudade de <strong>MUITA</strong> coisa.<br />
<span id="more-911"></span><br />
Tenho saudade da TV Colosso.</p>
<p>Tenho saudade de assistir programas e filmes em minha língua nativa.</p>
<p>Tenho saudade de estar inteirado a respeito da mídia nacional. Nomes de artistas novos e programação recente é uma incógnita pra mim.</p>
<p>Tenho saudade de poder andar na rua de bermuda, camiseta e chinelos durante qualquer mês do ano.</p>
<p>Tenho saudade daquelas tardes na casa da minha avó, enfiado em livros do Monteiro Lobato enquanto tirava uma folga de um dia inteiro soltando pipa.</p>
<p>Tenho mais saudade ainda de quando minha vó aparecia do nada na sala com uma bandeja cheia de coxinhas de frango e um copão de suco de maracujá.</p>
<p>Tenho saudade da época que eu podia segurar meus primos e primas recém nascidos no colo. Hoje os moleques têm 13, 14 anos, e provavelmente poderiam me segurar no colo.</p>
<p>Tenho saudade de ter uma família bem definida.</p>
<p>Tenho saudade da época em que a inocência era tamanha que ouvir pela primeira vez a frase &#8220;Deus não existe&#8221; significou a quebra de um paradigma, quase um trauma.</p>
<p>Tenho saudade de quando &#8220;contas&#8221;, &#8220;aluguel&#8221; e &#8220;cartão de créditos&#8221; eram conceitos extremamente intangíveis.</p>
<p>Tenho saudade de ir à casa dos meus primos e passar a tarde inteira jogando PC games clássicos, ou lendo a revista Superinteressante que minha tia assinava, ou aprontando aventuras inacreditáveis, como aquele dia em que eu fiz um flamethrower caseiro. Eduardo, Pedro Henrique (meus primos), se vocês estiverem lendo isso, me cobrem um post a respeito. </p>
<p>Tenho saudade daquele computador IBM XT do meu pai, idêntico a <a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6a/Ibm_px_xt_color.jpg/798px-Ibm_px_xt_color.jpg">este aqui</a>, que me deu a chance de entrar em contato com tantos jogos clássicos que marcaram minha infância.</p>
<p>Tenho saudade daquelas tardes que eu passava com a turminha do bairro na frente da locadora, conversando sobre videogames numa época em que o Playstation 1 era novidade totalmente fora do nosso alcance. Aqueles momentos galvanizaram minha personalidade nerd de hoje.</p>
<p>Tenho saudade de pedir alguns reais pra ir à banca de jornal e comprar revistas da Turma da Mônica, ou a revista Herói. Aliás, a revista Herói foi outra responsável pela minha nerdização.</p>
<p>Tenho saudade daquele tempo em que o máximo contato sexual que eu tinha experiência eram aquelas apertadinhas no bumbum das namoradinhas casuais, que eram sempre respondidos com um pronto tapa. Eram os melhores 0.35 segundos da minha vida.</p>
<p>Tenho saudade da época em que &#8220;fitas&#8221; eram sinônimo de &#8220;jogos&#8221;, uma prática que meu pai (nerd técnico) sempre corrigia com indignação. &#8220;Fita?! Como assim fita? Não há &#8216;fita&#8217; alguma lá dentro! Fita é VHS, moleque.&#8221;. Eu mal sabia na época que estava sendo moldado pra me tornar um futuro nerd espertalhão arrogante também.</p>
<p>Tenho saudade de jogar bafo na escola, um esporte versátil cujas regras variavam de grupo pra grupo.</p>
<p>Tenho saudade de segurar o controle com a camisa, pra facilitar o deslize entre os botões.</p>
<p>Tenho saudade de chegar da escola, tirar o uniforme, me dirigir a minha preciosíssima gaveta de jogos, puxar um cartucho qualquer (quase sempre era Super Mario World, previsivelmente) e jogar literalmente <b>o dia inteiro</b>, um hábito que eu perdi há mais de uma década.</p>
<p>Tenho saudade daquele meu deslumbramento ao ver Super Mario World pela primeira vez; eu achava interessantíssima a noção de que as fases estavam organizadas de forma mais ou menos não-linear num &#8220;mundo virtual&#8221; em que você podia passear se quisesse. Aliás, eu passei horas andando pela Dinosaur Land.</p>
<p>Tenho saudade da época em que ser o irmão mais velho significava que o Controle 1 era minha posse vitalícia; ai do meu irmão se ele pensasse que podia jogar com o Mario ou com o Diddy Kong.</p>
<p>Tenho saudade dos antigos programas brasileiros de games, como o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=d3My3QtjyZ8&#038;feature=related">StarGame</a> com sensacional Cristiano Gualda. Aliás, achei o cara no orkut há algum tempo, muito gente boa o sujeito.</p>
<p>Tenho saudade de correr pra pegar um caderninho quando ouvia a chamadinha do StarGames, pra anotar cheat codes que eu normalmente precisaria comprar revistas pra ter acesso.</p>
<p>Tenho saudade da época da desinformação, quando a falta da internet nos permitia inventar e proliferar inúmeras <a href="http://hbdia.com/wordpress/2005/04/11/324/">lendas</a> sobre os nossos jogos favoritos.</p>
<p>Tenho saudade da época em que o corpo feminino simbolizava um mistério que eu aspirava um dia desbravar.</p>
<p>Tenho saudade daqueles álbuns de figurinha bem underground, vendidos nas quitandinhas da esquina por um real, e que ofereciam prêmios bem fajutos pra quem os completasse.</p>
<p>Tenho saudade da geração pulso único.</p>
<p>Tenho saudade de scripts, Ctrl + K seguido por dois números aleatórios, DCC send, gamagames, empacotamento de inimigos, ircontros, e falar pros noobs que /quit [insira alguma frase em inglês, pra maior autenticidade] melhorava a conexão, registrava um canal, ou mudava o nick deles.</p>
<p>Tenho saudade de esperar até meia noite pra conectar à internet, apesar de ter aula na manhã seguinte.</p>
<p>Tenho saudade do Super11, do iG, e de outros provedores dial-up grátis que surgiram em meados do ano 2000.</p>
<p>Tenho saudade do tempo que &#8220;baixar música na internet&#8221; era um conceito tão recente que apenas os true nerds conheciam.</p>
<p>Tenho saudade do Napster e a ausência da função de resume nas primeiras versões do programa, o que me presenteou com muitas músicas que acabavam pela metade.</p>
<p>Tenho saudade do GetRight, e do tempo em que um download a 8kbps merecia até um screenshot (salvo no Paint, em formato .bmp).</p>
<p>Tenho saudade daquela época quando eu tinha acabado de descobrir os emuladores, algo que <strong>BLEW MY FUCKING MIND</strong>. A idéia de que eu poderia jogar QUALQUER jogo de SNES no computador de graça foi provavelmente um dos pontos mais memoráveis de toda a minha infância.</p>
<p>Tenho saudade do meu antigo espírito empreendedor infantil, que me deu a idéia de vender ROMs de SNES em disquetes por 5 reais durante o recreio. E <strong>COMO</strong> vendeu, rapaz.</p>
<p>Tenho saudade do tempo em que conectar à internet num dia que não fosse sábado (após às duas da tarde) ou domingo significava aquele medão da mãe precisar usar o telefone e descobrir sua traquinagem.</p>
<p>Tenho saudade daqueles malucos que vendiam CDs lotados com programas e jogos pirateados. Eu comprei um que trazia jogos que eram lançamentos da época &#8211; Age of Empires, Delta Force, Outlaws e Grande Theft Auto.</p>
<p>Tenho saudade de disquetes de 1.44mb, e da época que apenas ROMs de SNES que cabiam neles tinham a chance de se popularizar na escola.</p>
<p>Tenho MUITÍSSIMA saudade das Revistas do CD ROM, daquela interface bem cafona que variava todo mês, e dos inúmeros copycats que surgiram em seguia &#8211; CD Expert, Globo CD, Max Games, etc.</p>
<p>Tenho saudade dos jogos que vinham com os KITS MULTIMÍDIA, um meio de distribuição de games que deu a muitos da minha geração a chance de conhecer clássicos point and click da Lucasarts.</p>
<p>Tenho saudade das homepages, e suas descrições que sempre incluiam &#8220;&#8230;downloads, muitas taglines, vários papéis de parede e muitas ROMs de Super Nintendo. Assine o guest book!&#8221;.</p>
<p>Tanto eu quanto os leitores cujos olhos se encheram de lágrimas ao ler este texto tivemos a melhor infância do mundo.</p>

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		<title>Da arte de implorar por jogos</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 02:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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Ei seus viados, já ouviram falar na EB Games? Não? Calma que eu explico. Com foto e tudo, olha só:

A EB Games é uma popular loja de jogos que era uma franquia da Electronic Boutique, que eu acredito que faliu há algum tempo. Nunca mais vi uma Electronic Boutique em lugar algum, embora haja EB [...]]]></description>
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<p>Ei seus viados, já ouviram falar na EB Games? Não? Calma que eu explico. Com foto e tudo, olha só:</p>
<p><center><img src="http://img.qj.net/uploads/articles_module/68931/ebgames_qjgenth.jpg" border="1" alt="" /></center></p>
<p>A EB Games é uma popular loja de jogos que era uma franquia da Electronic Boutique, que eu acredito que faliu há algum tempo. Nunca mais vi uma Electronic Boutique em lugar algum, embora haja EB Games em qualquer shopping. Ouvi falar por aí que a rede americana Gamestop havia comprado a EB Games; isso explicaria por que o departamento de jogos não sumiu junto com a Electronic Boutique.</p>
<p>A EB Games não é uma loja de jogos como as outras; o foco dela é venda de jogos usados. Ou, como os cartazes informam eufemisticamente, <em>previously enjoyed</em>. Há jogos lacradinhos também, naturalmente, mas são os jogos usados que ocupam espaço proeminente nas prateleiras da loja. E há um bom motivo pra isso.<br />
<span id="more-882"></span><br />
A beleza desse sistema é que você tem acesso a jogos originais por uma fração do preço convencional, com garantia de um mês. Se por algum motivo o jogo der pau (algo que normalmente se percebe nas primeiras horas de jogo), leve de volta e receba seu reembolso. Eu particularmente jamais precisei usar o sistema de devolução, até porque os critérios dos caras em relação a discos arranhados são espartanos &#8211; um risquinho de nada no seu DVD do My Little Pony Barnyard Adventures já desqualifica a troca do jogo. Afinal, se eles aceitarem qualquer jogo fodido, quem fica no prejuízo são eles quando cliente aparece pra pedir o dinheiro de volta.</p>
<p>Por causa do meu péssimo hábito de comprar jogos assim que eles são lançados, ultimamente não costumo comprar jogos usados (os DVDs usados só começam a aparecer na prateleiras algumas semanas após o lançamento; tempo demais pra esperar enquanto o resto dos habitantes da internet se divertem com o jogo). A exceção é quando encontro um jogo usado cujo novo preço causa interesse que a etiqueta original não conseguiu despertar, como foi o caso do novo Trauma Center pro Wii, que eu fisguei por míseros <a href="http://www.flickr.com/photos/izzynobre/2536761703/">9 dólares</a>, ou Spider-man 3 pro Xbox 360, que custou ainda menos &#8211; <a href="http://www.flickr.com/photos/izzynobre/2432921000/">8 dólares</a>. Originalzim, na caixa, com manual e tudo. Quem acompanha meu flickr deve ter visto no dia que comprei.</p>
<p>Gamer brasileiro pobre no exterior deve fazer a maior festa na EB Games, eu imagino. Embora eu não consiga imaginar um cenário verossímil que explique a presença de um gamer pobre no exterior.</p>
<p>Outro dia eu estava numa EB Games com a minha namoradinha &#8211; que ultimamente abandonou a sutileza e passa a declarar com todas as letras que pretende se tornar a Sra. Nobre muito em breve, HELP &#8211; e notei uma curiosa comoção acontecendo na seção de jogos da Nintendo.</p>
<p>Uma mulher que aparentava ter uns 35 anos tava ladeada de dois pirralhos catarrentos, um de 8 e outro de 13. A propósito, acho que nunca mencionei isso, mas tenho um talento sobrenatural pra descobrir a idade de transeuntes. Através de brilhantes técnicas de dedução, estabeleci que a mulé era mãe dos dois moleques. E em menos de 5 segundos decidi que odiava profundamente os três.</p>
<p>O moleque menor, que parecia o mais catarrento dos dois, segurava No More Heroes. O outro guri, que demonstrava características distintas de uma homossexualidade latente que aguarda os anos de rebeldia adolescente pra se manifestar como forma de protesto contra suas figuras paternas, tinha Zelda Phantom Hourglass nas mãos. E eu presenciei algo que protagonizei durante toda a minha infância, mas nunca observei do lado de fora:</p>
<p><strong>Dois moleques tentando convencer os pais a comprar um jogo.</strong></p>
<p>Parei de prestar atenção no resto da loja e dediquei todos os meus sentidos à tarefa de escutar a conversa dois três. Era como um julgamento &#8211; a mãe, fazendo as vezes de juíza <strong>E</strong> promotora, lançava acusações que comprometeriam a compra &#8211; esse jogo é violento, já comprei aquele outro jogo semana passada, não sei se você tá merecendo &#8211; enquanto os moleques se contorciam pra tentar rebater os argumentos maternos e garantir posse do jogo.</p>
<p>Um dos moleques levantou aos olhos da mãe a caixa do jogo que ele queria, num esforço pra desmistificar o conteúdo e o tema do bagulho. Não é tão violento assim, olha só, não tem sangue e o&#8230; &#8220;<em>Objection!</em>&#8220;, imaginei o outro moleque falando, porque na ânsia de garantir que seu jogo seria comprado ele cagou o argumento do irmão apontando que, apesar de não exibir sangue, há &#8220;demônios&#8221; no jogo dele &#8211; um conteúdo ainda pior do que violência.</p>
<p>Os dois continuaram discutindo, e a mãe continuava suspirando com impaciência, e foi nesse momento que eu me senti sugado por um wormhole em direção a 1999 &#8211; uma época mágica e inocente quando eu também não tinha uma fonte de renda e tinha que implorar a meus pais por jogos. Meu domínio de retórica e minha característica forma de apresentar argumentos foram desenvolvidos graças a necessidade de convencer os progenitores a me presentear com Mortal Kombat 3 ou Super Star Wars Return of the Jedi.</p>
<p>Era realmente um desafio às vezes. Como convencer os seus pais religiosos a comprar um jogo tão notoriamente violento e com tantas referências claras a ocultismo? Qualquer coisa ao menos levemente parecida com uma caveira já seria interpretada como uma conexão direta com Satanás em pessoa. Imagina então os montes de símbolos esotéricos explícitos em MK?</p>
<p>Eu não lembro como convenci meus velhos. Mas devo ter feito um trabalho melhor do que os pivetes da EB Games, porque a mãe deles começou a se impacientar com o ritmo da fila e levou os pirralhos embora sem os jogos. Haha, se foderam.</p>
<p>Às vezes por mais que o jogo fosse livre de relação com práticas macabras, era difícil convencer os pais. Como fui aprender no futuro, meus pais tinham mais medo de se estourar com o cartão de crédito no fim do mês do que com a presença de um artefato demoníaco dentro de casa. Preço era um fator mais definitivo que conteúdo, e aparentemente o princípio contra material espiritualmente duvidoso era flexível. Se Super Mario Kart custasse R$100 e Killer Instinct custasse R$89, Jesus Cristo o perdoe, mas meu pai levaria o jogo de luta.</p>
<p>Um negócio curioso também é que tínhamos às vezes que explicar pros pais as caracteristicas dos jogo. Culpo a revista Veja, que veiculou matérias sobre envolvimento paterno com os videogames quando estes começaram a se tornar populares. &#8220;Preste atenção no conteúdo que seus filhos estão absorvendo&#8221; e outros conselhos idiotas me impediram de liberar Fatalities recém aprendidos caso meus pais estivesse no meu quarto vigiando a jogatina naquele momento.</p>
<p>Hoje eu tenho minha própria renda e gozo da liberdade de entrar numa EB Games da vida e escolher exatamente o jogo que eu quero; e decidir compra-lo com base no conteúdo do jogo e não no preço da etiqueta, e não preciso convencer ninguém a nada, basta tirar o Visa do bolso e entregar pro moleque atrás do balcão. Recibo no saco, tenha um bom dia senhor, aproveite o jogo, e tchau.</p>
<p>É bem menos frustrante que passar quinze minutos explicando todos os atributos positivos de um jogo e ouvir um &#8220;não&#8221; no final, mas por outro lado aquela MÁGICA não existe mais. Ir a uma loja de jogos era uma experiência ímpar porque a expectativa era inebriante. Nunca sabíamos se íamos realmente ganhar o jogo que queríamos tanto, e não esqueça que isso era um período anterior à internet e o fácil acesso a reviews. Tínhamos que descobrir se o jogo era bom ou horrível baseando-se quase que exclusivamente em screenshots de 200&#215;300 pixels no verso da caixa, sabendo que não ganharíamos um jogo novo por muitos meses após a compra deste.</p>
<p>Ou seja, MESMO que teus pais atendessem seus pedidos sob ameaça de você prender a respiração até ficar roxo, você não teria certeza se o jogo era bom até chegar em casa. E talvez fosse tarde demais.</p>
<p>Caro leitor (voyeurs, estou falando com vocês também), que jogo você precisou implorar pros seus pais comprarem? E ele acabou sendo um jogo sensacional cujas maravilhas você pregou pros amiguinhos no outro dia na escola, ou uma porcaria miserável que minutos após jogar pela primeira vez você já planejou trocar com um coleguinha desavisado?</p>

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		<title>Velhos joguinhos</title>
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		<pubDate>Thu, 29 May 2008 19:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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<p>Há alguns anos &#8211; <strong>muitos</strong> anos &#8211; eu abandonei totalmente a cena PC gamer. Apesar de ter a plena consciência de que certos gêneros só funcionam nessa plataforma (real time strategy games, por exemplo, que sempre foram meus favoritos), não consigo justificar pra mim mesmo o fato de que a cada sete ou oito meses eu preciso fazer uma longa e tediosa manutenção de software (formatação/atualização de drivers/etc) ou, pior, gastar algumas centenas de dólares em upgrades pra deixar o hardware no nível necessário pra rodar os jogos mais recentes.        </p>
<p>Ser um PC gamer era mais fácil há alguns anos, quando eu morava com a minha família e só havia um computador na casa &#8211; o do meu pai, que todos compartilhávamos. Meu pai sempre foi e sempre será um extreme PC nerd, então volta e meia ele upgradeava o computador dele até o talo, mantendo a máquina nas condições de hardware necessárias pra rodar os jogos que ele gostava.<br />
<span id="more-870"></span><br />
Por causa desse hábito dele eu tinha acesso constante a um computador que era sempre mantido no limite da capacidade dos computadores pessoais daquela época. Pra você ter uma noção (e só a turma realmente nerd vai poder apreciar esse pequeno fato), em 1996 meu pai comprou um Pentium 133mhz com <strong>SESSENTA E QUATRO</strong> megabytes de RAM. Eu lembro que quando os outros amigos nerds dele iam lá em casa e ele &#8220;apresentava&#8221; a máquina pros caras, ninguém conseguia acreditar que meu pai comprou 64mb de memória pro negócio.</p>
<p>Antes disso eu já havia me familiarizado com os joguinhos clássicos que marcaram nossas infâncias. O Pentium 133 serviu como um divisor de águas, no entanto &#8211; minha era PC gamer teve duas fases distintas: AP (Antes do Pentium) e DP (Depois do Pentium). </p>
<p>Nosso computador antigo era um notebook imenso que meu pai usava pro trabalho, mas que eu e meu irmão frequentemente tínhamos acesso quando ele não estava em casa. E nesse computador &#8211; que minha irmã, que na época tinha uns 4 ou 5 anos, se referia como &#8220;computazinho&#8221;, que na cabeça dela era como se chamavam computadores portáteis &#8211; tive contato com alguns jogos cujas screenshots trarão lágrimas aos seus olhos.</p>
<p>Se você tem amigos nerds que viveram nessa época, sinta-se à vontade pra copiar a URL do texto e espalhar as boas novas. Boa parte de vocês provavelmente se lembrava destes jogos muito superficialmente, talvez nunca chegaram a conhecer os nomes verdadeiros dos jogos até (como já já vou explicar um bom exemplo desse fenômeno), então eu imagino que muitos de vocês apreciarão ler este post tanto quanto eu apreciarei escreve-lo.</p>
<p><strong>Era Antes do Pentium</strong></p>
<p>(A maioria destes joguinhos requerirá que você use o <a href="http://www.dosbox.com/">DosBox</a>, que é um emulador do DOS. Imagino que boa parte de vocês já têm experiência com o programa. E se nao tiverem, o Google está a um clique de distância)</p>
<p><strong>Settlers aka Serf City</strong></p>
<p><center><img src="http://img252.imageshack.us/img252/4344/settlers20120aka20serf2jd2.jpg" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Poucos jogos que geraram em mim admiração quase equivalente a religiosidade. São aqueles poucos clássicos que, não importa há quanto tempo foram lançados, continuam tão divertidos como eram antes.</p>
<p>Super Mario World foi um deles e é o exemplo mais óbvio. Praticamente todo mês eu zero SMW no PSP, do começo ao fim. É um exercício gamer que faz minhas idas e voltas pro trabalho (e o próprio expediente) passarem em Fast Forward. </p>
<p>A série Command and Conquer foi outra que eu joguei obsessivamente. E Settlers foi <strong>O</strong> meu jogo mais favorito de todos os tempos, é possivelmente o jogo com o qual mais gastei tempo em toda a minha vida. O únivo motivo pelo qual não uso sprites de Settlers no HBD é que ele é obscuro demais pra ser reconhecido pela maioria das pessoas.</p>
<p>O jogo é baseado em Die Siedler, um jogo de tabuleiro alemão. Lançado em 1993 pela Blue Byte pra computadores Amiga, Settlers praticamente definiu o gênero simulação/RTS. Por motivos que não consigo entender, ele continua sendo relativamente desconhecido. </p>
<p>Em Settlers você precisa estabelecer uma colônia medieval, e o foco do jogo é estabelecer um sistema econômico dinâmico e auto-suficiente. Não vou me estender muito a respeito do gameplay, porque senão o post ficaria grande demais. Basta dizer que o jogo sempre recebe notas máximas em qualquer site em que é resenhado, e que desde que a versão pro DS saiu, não há nenhum outro jogo que me interesse no console. E olha que o port é bastaaaante inferior à versão de PC. </p>
<p>Aliás, sabe qual é a minha motivação em adquirir um ASUS EEE? Jogar Settlers no trem/trabalho com uma tela maior.</p>
<p>Preciso falar mais alguma coisa? Ah, faltou mencionar que Settlers é o único RTS ever que permite hotseat gameplay, ou seja, dois gamers jogando no mesmo computador. Um jogador no mouse, outro num joystick. Era muitíssimo divertido Settlers jogar com amigos.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.the-underdogs.info/downloadfile.php?file=games/s/settlers/files/settlers.zip&#038;id=4806">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Worms</strong></p>
<p><center><img src="http://img134.imageshack.us/img134/5654/worms1screenshotbm5.jpg" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Worms foi mais um desses joguinhos da velha guarda que eram feitos inteiramente por um nerd sozinho. Andy Davidson programou o jogo inteiro (que na época se chamava Total Wormage) pra uma competição da revista americana <em>Amiga Format</em>. Andy não ganhou a competição. Um ano depois, ele levou o jogo ao European Computer Trade Show, uma expo de empresas de informática. Ele mostrou o jogo a softhouse Team17 e conseguiu a atenção dos caras. </p>
<p>A empresa desenvolveu e publicou o jogo pro Amiga e o resto é história, como dizem os gringos. Worms se tornou um sucesso comercial e de crítica, e que se expandiu a várias plataformas. Mais recentemente, temos Worms Open Warfare 2 pro PSP e DS, que permite até mesmo jogatina online via Wifi.</p>
<p>Worms é um jogo de artilharia baseado em turnos. Os jogadores se revezam atirando contra os bonequinhos do inimigo com uma variedade de armas, levando em consideração a direção do vento, a força do disparo, etc. O jogo é mais um daqueles conceitos bem criativos que não se vê tanto hoje em dia. </p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: Não achei em lugar algum. Se você conhece um link pra download, deixa aí nos comentários.</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Digger</strong></p>
<p><center><img src="http://img267.imageshack.us/img267/7323/diggerqw7.jpg" border=1 alt="" /></center><br />
Aproximadamente mil anos antes da magia contagiante do Wii e seus jogos que requerem apenas destreza suficiente pra operar um controle remoto, <strong>Digger</strong> atingiu o público gamer impossível &#8211; minha mãe e minha tia. </p>
<p>Ambas disputavam arduamente a tela de High Scores do jogo, e se tornaram profissionais <em>de facto</em> no jogo. Minha mãe passava de fase em fase com a mesma facilidade com a qual hoje eu pego a minha guitarrinha de plástico de Guitar Hero e faço cinco estrelas em Freebird no Expert enquanto resolvendo um Rubiks Cube com pé. Mencionei que eu faço isso estando calçado, e de olhos fechados, e apenas com o poder da minha mente? Então.</p>
<p>Digger (ou Come Come, como elas o chamavam) é um jogo canadense produzido pela Windmill Software em 1983, pros populares PCs IBMs que começavam a se tornar um eletrodoméstico como qualquer outro &#8211; na América do Norte, e no Brasil pra filhos de técnicos de informática como foi o meu caso.</p>
<p>O jogo era bem simples &#8211; você é uma maquininha escavadora que sai abrindo buracos no cenário em busca de esmeraldas e sacos de dinheiro. Há monstros chamados Nobbins te perseguindo pelo jogo, mas eles não têm a mesma habilidade de fazer novos caminhos, apenas trilhar os já existentes. Bom, os primeiros monstros não tem essa habilidade. Se eles cruzam o mesmo caminho um certo número de vezes, eles se tornam Hobbins (por tempo limitado) e podem cavar buracos em sua direção.</p>
<p>Curiosamente, eu estava num bar ontem e vi um arcade chamado Mr Do, que tem gameplay e gráficos bastante parecidos com dos de Digger. Tirei até uma foto, que por algum motivo parece ter sido renderizada pelo filtro &#8220;Estou Bêbado e Minhas Retinas Descolaram&#8221;:</p>
<p><center><img src="http://img359.imageshack.us/img359/7912/dsc01554nj0pg3.jpg" border=1></center></p>
<p>Entretanto, Mr Do foi lançado um ano antes de Digger, por uma softhouse chamada Universal. A turminha da Windmill simplesmente fez um port caseiro que fosse diferente o bastante pra não ser alvo de um processo por quebra de direitos autorais. </p>
<p>No entanto, levando em consideração que esses joguinhos eram programados num fim de semana por dois nerds ociosos e custavam mais ou menos cinquenta centavos pra produzir, é provável que a viagem de taxi pro tribunal custasse à Universal muito mais que ela poderia pedir ao juíz como indenização pelo roubo do jogo. </p>
<p>Ah, e a trilha sonora do jogo era a super contagiante <em>Popcorn</em>, que você pode relembrar clicando <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9N4ckFN96-k&#038;feature=related">aqui</a>. </p>
<p><strong>Download da pérola:</strong> <a href="http://www.digger.org/">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><b>Alley Cat</b></p>
<p><center><img src="http://img297.imageshack.us/img297/2725/alleycatwq5.gif" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Esse aqui é <strong>muito</strong> old school. Por muito tempo, &#8220;usar o computador&#8221; pra mim era sinônimo de &#8220;jogar Alley Cat por sete horas seguidas até o ponto em que minha mãe tinha que me remover do computador à força e/ou usando ameaça de violência doméstica&#8221;.</p>
<p>Alley Cat (ou JOGODUGATO como eu e todos os meus vizinhos o chamava) foi uma dessas pérolas do período áureo da produção de joguinhos computadorísticos. O troço foi lançado pela Synapse Software, mas foi programado por apenas <strong>um</strong> sujeito. Isso mesmo, um só cara foi responsável pela parte gráfica, efeitos de som, programação e tudo. Tá, nada disso era grande coisa no jogo, mas mesmo assim.</p>
<p>E não apenas isso, mas o joguinho tinha apenas 32kb. Eu já escrevi listas de compras com mais linhas que esse jogo. Aliás, se eu gravasse o som de minha própria flatulência, ainda que convertesse-o pra mp3 o arquivo seria maior que Alley Cat, tornando-o literalmente o único jogo do mundo mais leve que um peido.</p>
<p>O jogo era o seguinte &#8211; tu controlava um gatinho que entrava em janelas abertas do prédio mais lilás jamais produzido pra um jogo eletrônico. Cada uma dessas janelas dava entrada a um quarto que oferecia algum tipo de gameplay diferente. Em uma delas você precisava comer toda a comida de cachorros que dormiam espalhados pela sala; se você passasse muito tempo perto de um deles, o cachorro acordava e comia a sua bunda. Em outra, você precisa derrubar uma gaiola no chão e em segiuda apanhar o passarinho que escapará graças a isso. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OwKbXqc1_30">Dê uma olhada no gameplay do negócio neste videozinho do youtube</a>.</p>
<p>Não está convencido do nível de oldschoolidade desse jogo? Que tal isso &#8211; <em>os sons do jogo eram produzidos pelo auto-falante da placa mãe do computador.</em> Simplesmente fenomenal.</p>
<p>Download da pérola: <a href="http://g1.acid-play.com/download/c6a239ee/alleycat.zip">AQUI</a>! </p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Burgertime</strong></p>
<p><center><img src="http://img389.imageshack.us/img389/5135/burgertimeinplayuc3.png" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Burgertime é mais uma pérola dos arcades dos anos 80 (1983, mais especificamente) produzida pela Data East Corporation, os responsáveis pelo sensacional <a href="http://hbdia.com/wordpress/?s=joe+mac+snes+resenha">Joe and Mac</a>. Burgertime foi portado pro NES (além de mil outras plataformas), e eventualmente pro PC. Ou talvez foi o contrário, não sei que plataforma recebeu o jogo primeiro. Enfim.</p>
<p>O jogo era um labirinto/puzzle/action. Você tinha que montar sanduíches pisando em cima dos componentes deles (alface, cebola, pão, etc), fazendo-os cair até o prato do cliente. Monte todos os sanduíches e você passa pra próxima fase. Minha longa experiência trabalhando em restaurantes fast food me permite dizer que tal técnica é levemente imprecisa, porque há poucas ocasiões em que pisar no sanduíche durante a preparação é algo a ser recompensado. </p>
<p>Obviamente, o serviço era dificultado por comidas antropomórficas que te perseguem pelo cenário. Se eles te pegam &#8211; por ser Burgertime um jogo de arcade, não é uma questão de SE e sim de QUANDO -, você morre e começa tudo de novo.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.classic-retro-games.com/BurgerTime_104.html">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Lander</strong></p>
<p><center><img src="http://img134.imageshack.us/img134/2425/325433014764acb2deeqi2.jpg" alt="" /></center></p>
<p>Lander (ou Lunar Lander como é chamado em alguma versões) era um arcade produzido pela Atari em 1979. No jogo, você tem que aterrissar (ou seria alunizar?) um módulo espacial na superfície lunar. Há três propulsores: um de cada lado da nave, e um jato central embaixo dela. Ativar esses propulsores resulta num empuxo vetorial no sentido oposto, com força diretamente proporcional à duração do jato.     </p>
<p>A manha do jogo é saber quanto empuxo dar em cada direção, executando a força necessária pra mover ou parar o módulo, e anular a força da gravidade e manter o módulo descendo lentamente. E você também pode girar a nave pra se movimentar de forma mais eficiente. O objetivo é usar esses controles pra trazer o módulo ao chão com segurança.        </p>
<p>Pra complicar a missão, você tem uma quantia finita de combustível. Cada ativação dos propulsores consume uma quantia de combustível. Por isso, se sua aterrissagem não for eficiente &#8211; ou seja, se você demorar demais pra atingir um bom ângulo de aproximação -, você poderá acabar sem combustível, sua nave se tornando um bólido cadente em direção à Lua.       </p>
<p>Você tem que admitir que, no contexto dos anos 70, um jogo baseado em física vetorial e consumo equivalente de combustível era bastante realista.     </p>
<p>E como muitos arcades daquela época, o jogo acabou sendo portado pra PCs. Em 1981 a Adventure International lançou um port virtualmente idêntico pro PC, e foi assim que o conheci. E atualmente jogo no DS, no pacote Atari&#8217;s Classic Games.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.download.com/Lander/3000-2099_4-10403319.html">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Tom &#038; Jerry: Yankee Doodle&#8217;s CAT-astrophe</strong></p>
<p><center><img src="http://img230.imageshack.us/img230/3517/28900eh6.png" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Tudo bem que Tom and Jerry perderam sua relevância cultural há uns dez anos, mas este clássico permanecerá pra sempre nas nossas memórias. Na minha, pelo menos.</p>
<p><em>Tom &#038; Jerry: Cat-astrophe</em> foi, até onde sei, o primeiro jogo a dispor do open-world gameplay que se tornaria o símbolo da série GTA. Produzido pela HiTech Expressions em 1990 (e baseado num episódio de mesmo nome), no jogo não havia fases, chefões, nem uma missão específica pra cumprir. Por ser um conceito bastante diferente, demorou um tempo pra entender que não havia um castelinho pra eu chegar nem uma bandeirinha pra abaixar no final do mapa.</p>
<p>O jogo te colocava no papel do Jerry, num porão junto com o Tom, e a premissa do negócio era simplesmente encher o saco do gato com os objetos que você podia encontrar lá. Havia um aviãozinho do qual você podia jogar lâmpadas no Tom, um carrinho no formato de um pedaço de queijo que você usava pra atropelar o gato, entre outras coisas. E o gato também tem um arsenal pra usar contra você &#8211; marretas gigantes, dinamite e outras coisas que se encaixam nesse perfil de violência cartunesca.</p>
<p>A idéia de um jogo em que você não precisa seguir um caminho determinado era bastante original na época, e por isso Cat-astrophe foi um dos meus jogos favoritos por muito tempo.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.abandonia.com/en/downloadgame/667">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>The Incredible Machine</strong></p>
<p><center><img src="http://img174.imageshack.us/img174/4302/theincrediblemachineuy4.png" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Esse aqui é um jogo de originalidade incomparável. Produzido pela Jeff Tunnell Productions e distribuído pela Dynamix em 1990, em TIM você usa diversos objetos (alguns mais incomuns que outros) pra criar <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rube_Goldberg_machine">máquinas Rude Goldberg</a> e atingir certos objetivos. Pra moleques cuja nerdice despertou cedo e sempre gostaram de entender como certas máquinas e bugingangas funcionam, e além disso tinham a vontade de criar seus próprios mecanismos movidos por hamsters, TIM era um prato cheio.</p>
<p>Essencialmente, The Incredible Machine veio pra preencher o vazio nos corações de todas as criança que assistiram Esqueceram de Mim sabendo que jamais teriam a oportunidade de espalhar pela armadilhas automáticas tão bem elaboradas quanto as do filme.</p>
<p>Não que isso nos impediu de tentar, às vezes com resultados bastante diferentes daqueles que vimos no filme. RIP Totó, 1989-1991. Eu não sabia que aquele ferro de passar ainda está ligado, me perdoe.</p>
<p>Eu nunca fui um gamer muito movido por objetivos. Em Gears of War/GTA4 só jogo online. Em jogos de estratégia, nunca jogo as missões, sempre o modo multiplayer/skirmish sem conexão com a história. Em qualquer jogo que há uma forma de jogar sem cumprir as missões propriamente ditas, é geralmente esse modo que eu passarei mais tempo jogando. The Incredible Machine foi o único jogo em que o desafio do avanço pra próxima fase realmente me motivou.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.the-underdogs.info/downloadfile.php?file=games/i/incred1/files/incred1.zip&#038;id=537<br />
">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Sokoban</strong></p>
<p><center><img src="http://img174.imageshack.us/img174/4029/sokobanpcgame01db2.png" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Sokoban é aquele tipo de jogo clássico que é portado pra duas mil plataformas diferentes, em vários clones diferentes, porque o conceito nunca realmente morre. Sokoban foi criado em 1980 por um sujeito chamado Hiroyuki Imabayashi, e publicado dois anos depois pela Thinking Rabbit, uma softhouse japonesa. Ao menos isso é o que a Wikipedia diz; segundo o Abandonia, o jogo foi criado em 1984 pela igualmente japonesa Spectrum Holobyte. Quem está certo? </p>
<p>Who the fuck cares.</p>
<p>Em Sokoban, você é um sujeitinho que precisa empurrar caixas pra certos pontos em cada mapa. Você só pode empurrar uma caixa de cada vez, e não puxa-las. O design das fases é sempre de tal forma que faz com que você tenho que jogar cada mapa cinquenta vezes até finalmente entender a manha requerida. Os primeiros mapas são bastante fáceis, e vão ficando progressivamente difíceis até você abrir fases que te fazem expelir um &#8220;taquepariu, nem Jesus Cristo poderia vencer essa fase&#8221;. Havia até um editorzinho de mapas e, se você fosse particularmente talentoso <strong>E</strong> filho da puta, podia fazer como eu e criar várias fases impossíveis de serem completadas pra rir da cara dos seus amiguinhos, que só descobririam isso cinco horas depois.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.abandonia.com/en/downloadgame/231">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Cannon Fodder</strong></p>
<p><center><img src="http://img137.imageshack.us/img137/5357/cannonfoddermd2no1.png" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Esse aqui é um clássico da estratégia em tempo real. Em 1996 a Sensible Software lançou Cannon Fodder pro Amiga, e em seguida portou pra praticamente tudo que era console disponível na época &#8211; 3DO, Jaguar, Game Boy Color, Mega Drive, SNES e outros.</p>
<p>Cannon Fodder é um jogo de estratégia bem simples. Não há coleta de recursos, construção de bases nem nada disso &#8211; você simplesmente controle quatro soldadinhos com o mouse, usando o botão esquerdo pra envia-los a um determinado ponto, e o direito pra atirar. Em Cannon Fodder 2 eles até colocaram um jipezinho e tanques que você pilota em algumas fases.</p>
<p>Cannon Fodder causou polêmica porque a caixa do jogo trazia a imagem de uma flor que era usada pela Legião Real Britânica como símbolo dos veteranos da Primeira Guerra Mundial. Aparentemente os velhinhos lá não tinham mais sobre o que reclamar, e resolveram encher o saco de programadores. Depois de muita confusão a arte da caixa foi alterada, mas a loading screen do jogo ainda exibia a flor.</p>
<p>Mas a polêmica não acaba por aí. No jogo, sempre que você perde um soldadinho, você é mostrado uma tela em que vários outros soldados se enfileiram, prontinhos pra serem recrutados pra próxima missão. Isso, aliado ao fato que o termo &#8220;cannon fodder&#8221; significa justamente &#8220;soldados descartáveis&#8221;, provocou ainda mais controvérsia. O jogo foi até banido na Alemanha, veja você.</p>
<p>O que a turma não entendeu é que o jogo era um discurso sarcástico meio hippie sobre a futilidade da guerra e essas coisas; eles não estavam glorificando guerras e sim satirizando. Ao menos foi a desculpa que os caras deram.</p>
<p>Em 2006 a IGN reportou que <a href="http://psp.ign.com/objects/850/850551.html">um remake pro PSP estava a caminho</a>, tinha até screenshots. Ano passado a Codemasters &#8211; responsável pelo port &#8211; cancelou o projeto. É uma pena, mas de qualquer forma ainda posso jogar a ROM do Cannon Fodder pra SNES no PSP.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.abandonia.com/en/downloadgame/76">AQUI</a>!</p>
<p><center><strong>*****</strong></center></p>
<p><strong>Prince of Persia</strong></p>
<p><center><img src="http://img87.imageshack.us/img87/1225/prince20of20persia2jp2.png" border=1 alt="" /></center></p>
<p>Prince of Persia foi o precursor de um estilo de gameplay meio falecido hoje em dia &#8211; o sidescrolling adventure. Ou seja, aqueles joguinhos de aventura em que você tem apenas uma parte da fase na tela, e quatro saídas em cada lado. Passe por uma dessas saídas, e você verá outro pedaço da fase. Jogos clásicos que participam do mesmo gênero incluem Out of This World, o Metroid original e o (excelentíssimo) Blackthorne.</p>
<p>A história era simples &#8211; alguém sequestrou a sua princesa, e você tem que salva-la. O interessante é que você tinha um tempo determinado pra salva-la. Se demorasse demais, já era.</p>
<p>Prince of Persia foi provavelmente o primeiro jogo de PC que 99% dos nerds viram na vida. Por isso tive que voltar ao post pra que adiciona-lo a lista, já que sua ausência aqui é quase que negligentemente criminosa.</p>
<p><strong>Download da Pérola</strong>: <a href="http://www.abandonia.com/en/downloadgame/10">AQUI</a>!</p>
<p>E por hoje é só. Amanhã (ou mais provavelmente em 2015) escreverei a segunda parte do texto, abordando a Era Pós Pentium.</p>

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		<title>A morte de um videogame</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2008/03/19/a-morte-de-um-videogame/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2008 14:51:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minha infância]]></category>

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Alguém mais aí tem saudade do tempo em que consoles não se auto-destruiam?
Eu tenho.
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<p>Alguém mais aí tem saudade do tempo em que consoles não se auto-destruiam?</p>
<p>Eu tenho.</p>
<p>Meu primeiro console foi um SNES usado que meu pai comprou de um amigo de trabalho. Posso honestamente dizer que aquele foi o melhor presente que eu ganhei <strong>na vida inteira</strong>. Primeiro porque foi totalmente inesperado &#8211; foi a única ocasião na minha vida em que meu pai se motivou a me dar um presente fora da época de fim de ano, quando eu tipicamente ganho presentes (aniversário em novembro, Natal em dezembro). Ele foi visitar o tal amigo em Brasília, e voltou com o console debaixo do braço.</p>
<p>E o segundo motivo é porque era, afinal de contas, um SNES. Eu ganhei a parada em 1998 se não me engano (ou seja, muito após o auge do console), mas àquela altura eu já havia passado literalmente anos jogando os clássicos do SNES. Eu morava bem na frente de uma locadora, e todos os amiguinhos da época compartilhavam meu interesse em joguinhos. Após a escola, toda a molecada do bairro convergia pra locadora. Mesmo que não tivessem dinheiro, iam pra assistir os amigos jogando, conversar sobre os lançamentos, fantasiar sobre jogos que claramente nunca iam existir (&#8221;imaginaí um Super Mario World, mas com o Sub Zero!&#8221;) ou &#8211; mais frequentemente - insistir pro amigo pagante pedir outro controle pra jogar como segundo player em International Superstar Soccer.  Minha existência orbitava ao redor de um console que eu nem tinha. Imaginem ai ganhar um inesperadamente.</p>
<p>O console era de terceira mão e tinha sinais claros de muito uso. A carcaça tinha aquele característico tom amarelado, tal qual aqueles monitores de tubo antigo que você vê em lan houses de baixa categoria. Algumas beiradas do console estavam amassadas, indício claro de quedas e maus tratos. Mas os danos eram apenas estéticos &#8211; o meu SNES funcionava perfeitamente e durou firme e forte, até o trágico dia em que eu o derrubei no chão.</p>
<p>Tenho certeza que se eu disser pra vocês que o dia em que eu quebrei meu SNES foi o dia mais triste da minha vida, vocês não vão pensar que é exagero. Então aí vai: o dia em que eu quebrei meu SNES foi o dia mais triste da minha vida.</p>
<p>Eu e meu irmão estávamos jogando Donkey Kong Country 2. Como vocês nerds devem saber (e aí vai uma pequena explicação pros que não sabem), a série DKC era fortemente inspirada mas mecânicas de Super Mario World, e o sistema multiplayer dele não era tão diferente. Assim como em Super Mario, o multiplayer de Donkey Kong não era simultâneo &#8211; o seu amiguinho ou irmão menor ficavam com o controle inerte na mão até que você morresse, então aí era a vez deles. A diferença estava no fato de que, mesmo inativo, o seu bonequinho seguia o bonequinho do colega pela fase inteira, pra tomar a vez dele quando este decidisse não desviar de um inimigo e morresse graças à própria burrice.</p>
<p><img border="1" vspace="3" align="left" width="400" src="http://nintendoportal.com/images/hardware/snes/game_10.jpg" hspace="8" height="291" style="width: 321px; height: 240px" />Esse sisteminha era diferente de Super Mario, em que o Luigi esperava &#8220;fora da fase&#8221;, digamos assim, até que o Mario batesse as suas botinhas italianas. A diferença tornava o jogo mais dinâmico e imprevisível, uma vez que o jogador inativo poderia a qualquer momento ser jogado no meio do jogo. Não era necessário nem morrer, aliás &#8211; o botão Select, se não me falha a memória, dava a vez pro jogador inerte trazendo o bonequinho dele pra ação.</p>
<p>Então. Entenderam?</p>
<p>Pois bem. Estávamos eu e meu irmão (meu irmão e eu?) jogando esse clássico da infância dos anos 90 quando eu me atrapalhei com os controles e mandei meu macaquinho de cara com um inimigo espinhudo qualquer. Morri, e meu irmão finalmente ganhou uma vez pra jogar. Como bom nerd viciado nas diversões eletrônicas, eu tinha uma habilidade sobrehumana nos controles do jogo, e por causa disso não era raro meu irmão passar a tarde inteira apenas me assistindo jogar o negócio. Quando ele finalmente ganhava a oportunidade de brilhar na tela, o moleque ficava todo contente, se aprumava na cadeira, e se concentrava todo no jogo.</p>
<p>Eu, é claro, precisava de uma forma de sacaneá-lo gratuitamente pela pequena vitória adquirida como uma forma de menosprezar seu esforço e minar sua auto-confiança. Afinal, é pra isso que irmãos mais velhos servem. E eu descobri a forma perfeita de me vingar &#8211; ir ao banheiro/quarto/qualquer outro cômodo da casa, mas passando <strong>NA FRENTE</strong> do moleque, obstruindo a TV. Obviamente, <em>timing</em> era essencial &#8211; a idéia era executar a manobra em momentos cruciais da fase, como aquela parte em que aparecem mil inimigos na tela e você precisa de cada grama de destreza manual e coordenação motora pra escapar ileso. Esperei o momento certo e me levantei da cadeira, pronto pra passar na frente da TV e sacanear o coitado sem nenhum motivo em especial.</p>
<p>Mas algo deu terrivelmente errado.</p>
<p>É engraçado que em momentos desse calibre, apesar de estar lá no meio da ação, você não consegue lembrar exatamente do que aconteceu. É como se sua mente estivesse se recusando a processar a informação que te dá conhecimento do evento. Eu não me lembro <strong>EXATAMENTE</strong> de todos os detalhes do acidente. O que eu me lembro é que eu estava indo pro meu quarto, pensando em procurar minhas figurinhas metálicas que brilhavam no escuro (um brinde que vinha dentro de pacotes de Cheetos na época) pra observar a arte e organiza-las enquanto meu irmão não morria no jogo. Eu havia colado algumas ao interior do meu armário, mas aí decidi que preferia colecioná-las e parei de fazer aquilo. Ia organiza-las alfabeticamente, pra impressionar meus amiguinhos. Eles diriam &#8221;eu estou colecionando aquelas figurinhas que brilham no escuro!&#8221; e eu diria &#8220;pfff, se vocês fossem ao menos sofisticados estariam organizando-as em ordem alfabética&#8221; e aí pescaria a minha a coleção do bolso da calça.</p>
<p>Algo deu errado. Tremendamente errado.</p>
<p>Senti algo macio embaixo do meu pé. Meu passo empurrou o tal &#8220;algo macio&#8221; ao chão, mas não sem oferecer alguma resistência. E aí senti que aquela tensão que o &#8220;algo macio&#8221; oferecia inicialmente ao meu peso, provocada por algum peso atado à outra ponta, subitamente cedeu. Como se de repente  não houvesse mais nada pesado na outra ponta. Ouvi um barulho de coisa caindo no chão, e de plásticos se quebrando.</p>
<p>Foi como se de repente eu estivesse vivendo meu pior pesadelo. Me virei pra entender o que diabos tinha sido aquilo, mas na minha mente eu sabia exatamente o que havia acontecido. Eu havia pisado no fio do controle do meu irmão, e com isso trouxe o videogame ao chão.</p>
<p>A tela da TV parou imediatamente de exibir as cenas do jogo, e agora mostrava apenas estática. No chão estava meu SNES, luzinha apagada, aparentemente sem vida. A fita havia sido cuspida pra fora por causa do impacto e jazia perto da porta da cozinha.</p>
<p>Meu irmão segurava o controle com a mão mole, vacilante, alternando o olhar entre o videogame e eu. Eu imagino que pra um moleque mais novo, seu irmão maior é aquele &#8220;pai em miniatura&#8221;, a figura autoritativa a quem se procura quando precisa de ajuda ou consolação ou garantia de segurança. Meu irmão não falou nada, mas seus olhos diziam &#8220;<em>pelo amor me Deus, me diga que ele não está quebrado</em>&#8220;. Coincidentemente, isso era o que eu estava dizendo a mim mesmo.</p>
<p>Esqueci absolutamente as figurinhas. Como um salva vidas que se atira pra salvar um folião bebâdo que se afoga na orla marítima de Fortaleza durante as celebrações do ano novo, voei em direção ao SNES. Inspecionei-os por vários ângulos, tentando compreender a extensão do dano. Minhas mãos tremiam. Apanhei o cartucho, coloquei-o de volta no console (não sem antes dar aquela sopradinha de boa sorte) e, com muito medo do possível resultado, liguei-o à TV de novo.</p>
<p>Horrorizado, percebi que a TV continua a emitir apenas estática. Desliguei e religuei o console diversas vezes, tentei dar tapinhas, tentei essencialmente tudo que estava ao meu alcance. A TV insistia em exibir apenas estática.</p>
<p>Quando finalmente ficou estabelecido acima de qualquer dúvida que nosso SNES havia morrido, um silêncio sepulcral abateu a sala. Foi como se nossos pais tivessem morrido.</p>
<p>&#8220;O que a gente vai fazer agora, Israel?&#8221; &#8211; perguntou o moleque, com cara de choro, acalentando o controle do videogame, agora inútil, na mão.</p>
<p>&#8220;Não sei, Daniel. Não sei.&#8221;</p>
<p>O moleque continuava segurando o controle, olhando pra TV e lentamente apertando alguns botões, com semblante de total desalento.</p>
<p>Minha mente viajava a mil quilômetros por hora no momento. Sabe o Deep Blue, aquele computador colossal que a IBM fez especificamente no intuito de jogar dinheiro fora derrotando campeões de xadrez? Li numa Superinteressante que aquela máquina &#8221;pensa&#8221; na ordem de tipo, setenta bilhões de cálculos por segundo, pra analisar todas os lances possíveis num tabuleiro de xadrez. Então, naquele momento eu me tornei um Deep Blue, computando simultaneamente mil e uma formas de explicar o acontecido pros nossos pais <strong>E</strong> convence-los a comprar um novo videogame.</p>
<p>Infelizmente, a situação que tínhamos em mãos produzia resultados mutualmente exclusivos, auto-derrotantes: se eu explicasse que havíamos quebrado o console, podia esquecer a esperança de ganhar um novo. Se falasse a verdade, ia ficar sem videogame. Se mentisse&#8230; provavelmente ia ficar sem videogame também.</p>
<p>Resolvi contar a verdade. Como você pode imaginar, não ganhamos outro SNES. Meu próximo console foi um Playstation 2, em 2006, muito anos depois do evento trágico que me excluiu das rodinhas de debate e apreciação de videogames na escola.</p>
<p>Hoje, uma década após da tragédia que levou meu maior hobby embora, meu irmão e eu discutimos o que aconteceu. Chegamos a um consenso de que, se tivesse sido <strong>ELE</strong>  o causador da morte prematura do nosso console, eu jamais teria deixado ninguém esquecer da história e o culparia pra sempre. Por ser o irmão mais velho, na época ele nem se atrevia a ficar com raiva de mim. Irmão mais velho nos olhos de um pivete de 10 anos é tipo uma poderosa figura intangível, um vice-pai, uma força da natureza quase. Não adianta ficar com raiva.</p>
<p align="center">***</p>
<p>Há uma década, consoles já velhos pra época aguentavam toda sorte de porradas e maus tratos e só cediam quando a cacetada era tamanha que até o cartucho do jogo levantava vôo. E com todos os avanços tecnológicos que conquistamos nesses anos, onde chegamos?</p>
<p>Consoles cuja CPU e GPU foram retardadamente colocadas muito próximas uma da outra e <a href="http://sogamer.wordpress.com/2007/09/01/360rrod/">acabam se torrando</a>. Ou, pior ainda, <a href="http://computerandvideogames.com/article.php?id=168462">a funcionalidade online mal acabada faz hardware se destruir</a>.</p>
<p>Meu Xbox 360 já precisou de reparos duas vezes. O meu Wii morreu essa semana. Na mesma nota, meu Windows Vista precisou de formatação já que o Explorer tava totalmente fodido (abrir pastas e renomear arquivos causava total congelamento do sistema), e de tanto instalar bobagem no meu iPod touch, esse precisou de uma formatação também. Ah, e eu perdi a câmera digital que ganhei de Natal da namorada. Nada a ver com os consoles, mas isso talvez prova que eu realmente preciso ir a um pai de santo como o leitor de nome impublicável sugeriu.</p>
<p>A questão é que antigamente era preciso um irmão sacana pra acabar com a vida de um console. Hoje em dia eles fazem isso por si só.</p>

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