O melhor filme indiano que eu já vi
Escrito por Kid on Mar 5, 2010
Você deve saber que a Índia, além de monopolizar call centers e competir com a China pela posição de provável superpotência mundial nos próximos 20 anos, tem uma afeição por cinema.

Acredito que isso aí é o equivalente indiano de “Senhor e Senhora Smith”. London deve ser “Smith” em indiano.
Filmes de “paródia”
Escrito por Kid on Jun 26, 2008
Quando Scary Movie (Todo Mundo Em Pânico) saiu em 2000, eu sabia que não seria o tipo de filme que eu iria gostar. Comédias de paródias dependem muito de humor físico e trocadilhos (quase sempre de contexto sexual), o que eu considero humor “barato”, de denominador comum pra agradar as massas. Sou elitista mesmo.
Porém, era interessante ver o resurgimento desse estilo de filme. Airplane! (Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu) foi o maior expoente dessa categoria de filmes, e desde então não havia nada que se comparasse. Com a exceção talvez de Spaceballs, mas por ser fã de Star Wars eu considero aquilo uma blasfêmia.
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Resenha – Cube Zero
Escrito por Kid on May 21, 2008
Como se fala wood chipper em português? Não era o tipo de palavra que eu costumava usar com frequência mesmo quando morava no Brasil, e após cinco anos falando português apenas quando quero berrar contra meu irmão por não ter dado a descarga, é natural que palavras mais inúteis vão aos poucos fugindo do meu domínio.
Então. Wood chipper é isso aqui:

O troço é essencialmente uma máquina trituradora usada pra se livrar da madeira indesejada resultante da derrubada de árvores que o Capitão Planeta nos alertou tanto a respeito. Como o funcionamento do aparelho não consegue distinguir madeira de outros materiais, a máquina é na verdade bastante versátil e serve pra se livrar de várias outras coisas indesejadas, ou que você prefira ter em pedacinhos.
Até a chegada do futuro conforme predito por Star Trek, isso é o mais próximo de desmaterialização que nossa tecnologia permite. Um objeto que tenha o azar de ser colocado dentro de um wood chipper terá suas partículas violentamente separadas umas das outras por intermédio de uma miríade de lâminas afiadíssimas.
[Update] O Knuttz me falou aqui no MSN que o nome disso é “picadora de madeira”. Ao menos agora sei o nome da parada, mas por motivos de consistência vou continuar usando o termo gringo.[/Update]
Agora, imagine-se enfiando seu braço lentamente num wood chipper, enquanto a saída do equipamento do outro lado expele o confete sanguinolento que costumava ser sua mão, e a onda de dor subitamente toma conta do seu corpo de forma tão poderosa que você vomita, escorrega no vômito e cai dentro da máquina.
Essa é, de forma concisa, o resumo da experiência de assistir Cube Zero.
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Carta aberta a Hollywood
Escrito por Kid on Mar 26, 2008
Oi, Hollywood. Sou eu, Israel Nobre, conhecido pelos cidadãos da internet como Kid, porém mais frequentemente por alcunhas impublicáveis que na maioria das vezes se referem à minha mãe. Certamente você lembra de mim, ou ao menos dos milhares de dólares que eu gasto todo ano frequentando os cinemas locais pra duas horas de escapismo regadas a Sprite e pipoca absurdamente cara.
Assistir filmes é um dos meus maiores hobbies, vício herdado do meu pai (assim como tantas outras de minhas características. Eu sou a prova viva de que nossos filhos acabam sendo versões 2.0 de nós mesmos) que era do tipo que colecionava trezentos VHSs com três filmes em cada um, devidamente catalogados com ajuda de adesivinhos amarelos da Verbatim na frente da fita.
Cinematografia é um de meus maiores interesses, ao ponto de que eu cheguei a entreter por algum tempo a fantasia de trabalhar na indústria de produção cinematográfica (edição/direção/essas merdas). Tal sonho foi abandonado em prol de uma ocupação mais edificante (assistir câmeras de vigilância enquanto treino Pokemons no meu Nintendo DS).
O motivo pelo qual escrevo essa carta é porque algumas coisas que você vem empurrando em cima da gente filme após filme começaram a irritar não apenas a mim, mas a muitos outros cinéfilos como eu. Tire um tempinho em sua ocupada agenda de lançar versões cinematográficas de seriados dos anos 70 estrelando Johnny Knoxville (pra que a turminha de 14 anos consiga se identificar com o filme) e leia essa pequena listinha que eu organizei pra você.
Que tal parar com essa onda de filmes de vampiros que tentam ser Matrix?
Sim, estou olhando pra vocês, Blade e Underworld. E pros inevitáveis copycats que aparecerão nos próximos anos por influência de vocês.
No finzinho dos anos 90, um filme escrito por irmãos de nome estranho com efeitos especiais mirabolantes e trama com diversas referências filosóficas revolucionou o cenário pros filmes de ação que o seguiriam. Estou falando de um dos meus filmes favorito, talvez O meu filme favorito – Matrix. A iconografia do filme (casacos pretos, trocas de tiros em câmera lenta, óculos escuros) foi “emprestada” por praticamente todo outro filme de ação lançado em seguida.
Pouco tempo depois, em alguma mansão na Califórnia, um executivo inescrupuloso decidiu que de todos os gêneros que poderiam se beneficiar dessa visão estilística, os filmes de vampiros seriam os mais indicados pra emular Matrix. O sujeito apanhou um guardanapo e passou imediatamente a escrever sequências de ação com um bonequinho-palito com uma inscrição dizendo “esse aqui é o caçador de vampiros”, e várias linhas saindo deste, indicando balas voando em direção a vários outros bonequinhos-palitos, entitulados “esses aqui são os vampiros”.
O problema óbvio com essa trama (”caçador de vampiros usando sobretudo e óculos escuros metralha oitocentos vampiros em 5 segundos”) é que vampiros, como você deve saber, não são pessoas como eu, você ou o seu primo Chiquim. Vampiros são, e estou citando diretamente do meu livro de Vampiro a Máscara, “cadáveres reanimados por rituais mágicos”. A parte “cadáver” garante que objetos como balas não os causam muito dano, já que eles já estão mortos. E a parte “rituais mágicos” garante que eu ou você ou o seu primo Chiquim estaríamos todos inevitavelmente fodidos se nos encontrassemos com um vampiro na vida real, queiram tenhamos uma metralhadora ou não.
Em outras palavras, vampiros são essencialmente imunes a danos físicos, e ainda que não fossem, eles têm milhares de truques escondidos na manga justamente praquela situação em que alguém quer encher suas bundas de bala.
Pra tornar possível o cenário de um caçador de vampiros metralhando os bichos, introduziu-se o conceito da “bala de prata”, e/ou misturada com essência de alho. É a única forma mais ou menos verossímil pra mostrar um vampiro sofrendo danos ao ser atacado pelo portador de uma arma de fogo. Afinal, vampiros têm aversão a tanto prata como alho, tornando-os efetivamente alérgicos a bala.
Aí que reside o problema. Ao contrário de um ser humano, ao ser atingido por uma bala de prata e/ou alho um vampiro literalmente explode. Não importa se você acertou o cara no meio do olho esquerdo ou se a bala passou raspando no dedinho do pé, o resultado é o mesmo. Se você assistiu algum desses filmes, deve ter chegado à mesma conclusão que eu – os vampiros nesses filmes são MAIS frágeis que os humanos que eles supostamente dominam. Um humano qualquer pelo menos tem a chance de sobreviver a um tiro.
Talvez seja por isso que os vampiros dos filmes sempre insistem em manter o mistério ao respeito da própria existência, o que parece um contrasenso já que eles se dizem ser tão mais poderosos que seres humanos. Tão com medo de um zé mané qualquer derreter os garfos da mãe e em seguida colocar a raça vampírica em extinção.
Eu já vi a explosão, não preciso-lo reve-la em cinquenta ângulos diferentes
Como você deve saber, fazer filmes custa caro. E algumas cenas costumam custar mais caro que outras. Grandes cenas de explosão, por exemplo. Se as imagens resultantes não foram conforme esperado, os produtores terão que desembolsar mais alguns milhares de dólares pra explodir outro barco/carro/Casa Branca em miniatura.
A solução pro problema é filmar a cena da explosão usando cinquenta câmeras e ângulos diferentes. A precaução garante que ao menos UMA sequência ficará boa e poderá ser usada no filme.
Acontece que por algum motivo que eu simplesmente não consigo compreender, na fase de edição do filme os caras falam pra si mesmos “sabe duma coisa? acabou acontecendo que todos os shots da explosão ficaram perfeitos. Vamos usar todos então!”. E por causa disso você é obrigado a assistir cenas de explosão três ou quatro vezes, de todos os ângulos diferentes. Talvez porque eles não tenham certeza que você entendeu a cena da primeira vez.
Então, vamos parar com isso? Se é realmente preciso enxertar uma cena desnecessária que só dura alguns segundos, por que não substituir as explosões por nudez gratuita? Tentem aí, garanto que ninguém vai reclamar, tenta aí. Visualizem: o mafioso entra em seu carro, bota a chave na ignição, o carro explode. Corta pra uma cena da Scarlett Johanson em nu frontal por 10 segundos. Volta pro filme.
Eu pagaria pra ver esse filme. Duas vezes, até.
Pessoas caminhando em slow motion em direção à câmera – já deu, né?
Não sei se a culpa é do John Woo ou do Jerry Bruckheimer, e é difícil estabelecer o pioneiro dessa “técnica” porque praticamente qualquer filme de ação, naquele momento que precisa estabelecer que os heróis são SUPERCOOL, apela pra tradicional “vamos todos andar lado a lado em câmera lenta em direção à câmera”.
É clichê. Não é sequer legal. Alguém por aí decidiu que isso é legal, mas alguém por acaso consultou a gente? Certamente não me incluiram nessa pesquisa.
Bruce Willis como um personagem que não seja um assassino, militar, ou policial? BLASFÊMIA!
Você esteve assistindo filmes ultimamente? Sim? Ah, então você vai me ajudar. Dá pra tu me indicar aí um filme em que o Bruce Willis não tenha interpretado um dos três papéis típicos aí em cima?
Sim, eu sei que ele fez filmes interpretando personagens diferentes. Mas se você somar todos, o número não chegaria nem na metade da quantia de filmes com os personagens clichês. Caso você não se lembre, vou aqui fazer as continhas pra não acharem que estou exagerando. Confiram aí embaixo.
Die Hard (a série inteira) – Policial
The Last Boyscout – Policial
Moonlighting – Detetive, que em interpretação é quase a mesma coisa que um policial se você parar pra pensar
Last Man Standing – Assassino de aluguel
In Country – Militar
The Jackal – Assassino de aluguel
Mercury Rising – Policial
The Siege – Militar
16 Blocks – Policial
Hart’s War – Militar
The Whole Nine Yards – Assassino de aluguel
Striking Distance – Policial
The Whole Ten Yards – Assassino de aluguel
Planet Terror – Militar
Lucky Number Slevin – Assassino de aluguel
Hostage – Policial
Tears of the Sun – Militar
Sin City – Policial
Astronaut Farmer – Militar
Perfect Stranger – Assassino, não necessariamente alugável
E isso são só os filmes que já saíram. Uma passada rápida no IMDB revela os próximos projetos dele, que incluem…
The Surrogates
Plot Outline:
Set in a futuristic world where humans live in isolation and interact through surrogate robots, a cop (Willis) is forced to leave his home for the first time in years in order to investigate the murders of others’ surrogates.
O cara praticamente nasceu pra interpretar homens intimidantes que andam armados. Ou pelo menos é isso que cineastas estão tentando convencer a gente há uns vinte anos. Algumas pessoas dizem que existem vários atores que só conseguem interpretar o mesmo personagem (Will Ferrel ou Samuel L Jackson, por exemplo). Mas na verdade esses caras interpretam vários personagens diferentes, DA MESMA FORMA. O Bruce Willis, coitado, sempre recai nos mesmos três personagens clássicos – militar, policial, assassino.
Vamos lá Hollywood, você consegue largar esses vícios. Fé em Deus, rapaz.
Cloverfield – Resenha
Escrito por Kid on Feb 28, 2008

Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como “utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas” ou até mesmo “assistir a namorada arrumar a casa só de calcinha e sutiã enquanto jogo Pokemon”. Pra você ter uma idéia do meu amor por ambos discussões internéticas E observar a namorada trajando artigos femininos rendados, se eu não tivesse contas pra pagar minhas atividades diárias se resumiriam a arrumar confusão no orkut enquanto treino um Bulbassauro level 15 observando a namorada semi-nua passando o aspirador de pó no quarto. Ao invés disso preciso fazer coisas não tão aprazíveis, como lavar minhas roupas, fazer declaração de imposto de renda e tomar banhos.
Ou seja, ao dizer que assistir filmes é meu hobby número um, estou dizendo bastante. E entretanto, foi preciso muita insistência da minha patotinha de amigos pra que eu finalmente resolvesse trocar meus dez dólares por um ingresso pra ver Cloverfield com eles. E por que seria isso?
Porque cinematografistas odeiam os espectadores dos seus filmes.
Lembra de Transformers? Lembra daquelas cenas de acão em que a câmera chacoalha pra todo lado? Lembra quando essas cenas eram as partes mais legais do filme?
Não, você não lembra dessa última. Por que, ao contrário do que cineastas acreditam, dar a câmera pra um portador de mal de Parkinson não é uma técnica cinematográfica indispensável. Como se uma cena de porradaria entre robôs de trinta metros de altura sendo filmada a dois centímetros de distância já não fosse complicado o bastante de acompanhar, Michael Bay decidiu que apreciaríamos o filme mais ainda se ele empregasse epiléticos pra filmar essas cenas. O resultado é que assistir tais trechos dofilme te dá a mesma sensação de ver aqueles vídeos caseiros das férias dos seus primos na Disney – a insuportável tremeliqueira do infeliz operando a câmera torna impossível fixar a vista em um ponto qualquer por mais de um segundo.
Num filme como Transformers isso é levemente suportável porque elas são cenas de trinta segundos num filme de uma hora e meia. Já pensou como seria aturar um filme inteiro nessa tremedeira sem fim?
Basicamente, é isso que Cloverfield é. Pra você ter uma noção da gravidade do negócio, a CNN reportou na época do lançamento do filme que diversas pessoas passaram mal durante a exibição da parada. Nego decidiu que seria melhor sair correndo do cinema pra vomitar na privacidade do banheiro do estabelecimento que aguentar mais um segundo do filme. E na nota mais não-intencionalmente humorística que eu já li em qualquer publicação noticiosa, o redator aconselhou que os potenciais espectadores se preparem tomando anti-nauseantes antes de ir pro cinema.
Sim, você leu isso direito. A CNN, uma das mais prestigiosas organizações noticiosas do planeta, falou explicitamente que a única forma de você resistir ao filme inteiro sem vomitar é se você for pro cinema sob efeito de medicamentos.
Ou seja, resenhar o filme se torna essencialmente um exercício em futilidade. Eu poderia escrever uma tese de doutorado de cinquenta páginas sobre o filme e/ou J. J. Abrams poderia ganhar um Oscar de direção graças ao seu trabalho (que se resumia, imagino, a pegar o megafone e instruir atores a expressar espanto e terror diante do monstro imaginário que a equipe de pós-produção adicionaria meses após as filmagens da película), mas no fim do dia, nada disso muda o fato de que a CNN aconselhou as pessoas intencionadas a ver o filme de tomar remédios contra vômito antes de comprar o ingresso.
Não me culpe por ter ido assistir o filme já com má vontade.
Por isso, antes mesmo de começar minha resenha, estou preemptivamente declarando Cloverfield como o PIOR filme de toda a história da cinematografia. Sempre que resenho um filme aqui no HBD exagero bastante pra causar risadas e provocar ódio em fanboys, mas no caso de Cloverfield nenhum exagero é necessário. Este filme fará você vomitar.
Agora você já sabe o que esperar deste post. Já tratamos dos pormenores, vamos à resenha propriamente dita.
Cloverfield, pra quem esteve totalmente alheio ao insuportável hype internérdico relacionado ao filme, é a clássica história de um monstro destruindo New York vista através dos olhos do observador comum. Todo mundo estava perfeitamente ciente de que a idéia do filme estrelando uma Catástrofe Genérica #89 devastando New York é extremamente batida, então por isso o foco do filme é contar a história de um grupo de jovens perambulando pela cidade durante o ataque. O que eles esperavam se tratar de uma abordagem mais criativa, mas pra deixar no esquema mesmo foi decidido que a melhor forma que eles tinham de passar a idéia do filme era dando uma câmera pra um dos atores que passa boa parte do filme correndo de um lado pro outro.
Em outras palavras, Cloverfield é uma mistura de Independence Day (ameaça alienígena destruindo a Big Apple) com Blair Witch Project (grupo de retardados que ao invés de largar a câmera e se ocupar com algo mais importante, como por exemplo a própria sobrevivência, decide documentar cuidadosamente os eventos que inevitavelmente culminarão na morte de todos).
Oops, spoiler.
Vou dar um ponto pro filme - os efeitos especiais são muito bacanas. O problema é que hoje em dia, dizer que os efeitos especiais de um filme são bons carrega a mesma significância de dizer que o filme está passando num cinema. Em pleno século XXI, você não está me fazendo nenhum favor ao fazer efeitos especiais convincentes ao invés de um ator usando uma roupa de monstro com zíper prontamente visível.
Acontece que minha boa vontade com o filme acaba aí mesmo. Pra começo de conversa, não há uma história propriamente dita. O filme abre com uma turminha de jovens descolados num apartamento em NYC dando uma festa pra um sujeito que está prestes a se mudar a trabalho pro Japão, quando o monstro começa a atacar a cidade. Momentos antes o filme apresenta um conflito amoroso mal resolvido que, previsivelmente, será resolvido pelos protagonistas justamente quando a cidade inteira está indo pro inferno. Não entendo por que personagens em blockbusters decidem resolver seus problemas sentimentais justamente no dia que poderosas entidades espaciais decidem transformar a cidade em seu playground particular. É o dia mais romântico do ano após Valentine’s Day.
E pronto. Essa é a história. Não há muito background dos personagens, não há explicações de onde o monstro surgiu, não há nem um fechamento satisfatório pro filme (todos morrem). O monstro aparece, destrói algumas coisas, e a galera toca a correr desesperadamente pelos próximos 90 minutos, parando ocasionalmente pra recuperar o fôlego e/ou dizer coisas como “HOLY SHIT DID YOU SEE THAT”, ou “SHIT SHIT WHY ARE WE STOPPING KEEP RUNNING WE’RE ALL GOING TO DIE WHERE IS YOUR GOD NOW”.
Numa previsível convenção cinematográfica, os personagens principais arrumam motivos dúbios pra adentrar mais e mais a cidade, ao invés de se locomover na máxima velocidade permitida pela sua capacidade física na direção contrária do monstro. Aí batem de cara com o bichão, subitamente se lembram que eles apreciam coisas como respirar, e saem correndo. Cinco minutos e um caso de amnésia seletiva depois, eles voltam a penetrar a cidade.
O motivo aqui é que o Rob, o personagem principal que estava de viagem marcada pra Tokio, decidiu ir salvar a menininha de quem ele é afim. A pobre infeliz se encontra presa num prédio que caiu diagonalmente em cima do prédio vizinho e ficou lá, apoiado no outro prédio. Um fenômeno que prova que além de tudo os roteiristas não entendem a forma como a gravidade funciona.
Eu MEIO que consigo entender que o rapaz ia realmente arriscar a própria vida pra salvar uma desgraçada que ousou aparecer na festa de despedida dele de braços dados com outro sujeito. Entretanto, o filme me dá um tapa na cara quando revela que o desejo do cara de encontrar a menina toda fodida não é pra dançar sarcasticamente na frente dela e dizer “haha, se fodeu. Ok, tou indo agora”, e sim pra realmente salva-la. Tudo bem, eu consigo aturar o sentimentalismo barato.
Mas e os caras seguindo ele? J. J. Abrams espera que eu acredite que esse cara convenceu diversas outras pessoas a acompanha-lo na missão suicida?
Alguém aí já tentou convencer algum amigo a ajudar numa mudança? A assistir sua peça de teatro? Se você já precisou da ajuda de um amigo pra alguma coisa, você sabe que amigos só se dispoem a executar favores que signifiquem o menor esforço possível.
Sim, eu sei que o filme não precisa ser explicitamente verossímil, e que alguma suspensão de descrença ainda é recomendada. Acontece que me venderam esse filme usando a idéia de que ele é um retrato realista do que aconteceria quando pessoas comuns se vissem às voltas com um monstro de cem metros de altura. Se a idéia da película era realismo, façam-me o favor de manter a temática. Se qualquer um de nós recrutasse a ajuda de amigos pra ir salvar uma menina numa situação em que um monstro alienígena se encontra exatamente entre você e a donzela em perigo, nem seu melhor amigo nesse mundo teria ajuda a oferecer a não ser a promessa de que ele não revelará nenhum fato constrangedor no seu funeral.
Eu consigo acreditar num monstro qualquer detonando New York (e por que não, a essa altura do campeonato? Hollywood já me convenceu que pode acontecer a qualquer momento), mas não consigo engolir uma patotinha de amigos seguindo o rapaz apaixonado em direção ao bicho enquanto o exército americano mal consegue causar cócegas nele.
Isso foi o que finalmente causou aquela perturbação durante o filme pra mim. O tempo todo a idéia era transmitir idéia de realismo, tentando indiretamente fazer você pensar “nossa, imagina eu nessa situação”. Com esse disparate dos caras seguindo o maluco sem motivo nenhum a não ser o desejo de não viver mais, o filme se auto-sabotou e destruiu totalmente a idéia de realismo.
Vejo muitas críticos dizendo que o filme foi chato porque a turminha passa o tempo inteiro ocupados com o contraditório exercício de simultaneamente fugir e correr pra onde o monstro está. ”Filme chato”, eles dizem, porque os personagens principais em momento algum apanham uma bazuca ou aprendem a pilotar um caça a jato, enquanto aquele típico rock cinematográfico rola no fundo e eles andam em câmera lenta, um do lado do outro, em direção ao alien pra batalha final.
Porra, vocês esqueceram que a idéia do filme era mostrar uma história mais realista no típico cenário do monstro-detonando-a-cidade? Se qualquer um de nós estivesse na situação dos protagonistas, você não se preocuparia em obter armamentos pra lutar contra o monstro no um-a-um. Isso se deve ao fato que você estaria muito ocupado correndo a altas velocidades na direção contrária, parando ocasionalmente pra rezar pra todas as divindades conhecidas e notar que cagou as próprias calças de tanto terror.
Acho que talvez eu esteja pegando muito pesado com o filme. A proposta de um testemunho em primeira pessoa da tragédia é convincente, a proposta é original apesar de não ser inédita, os efeitos são muito bem feitos, e dá quase pra se identificar com o protagonista principal (o único que não é completamente one-dimensional).
Mas no final das contas, Cloverfield ainda é um filme que vai fazer você vomitar.
Indy’s Back, Bitches!
Escrito por Kid on Feb 14, 2008
Se há um benefício absolutamente inegável de ser uma criança dos anos 80, foram as inesquecíveis trilogias cinematográficas daquele período. Back to the Future, Star Wars, Die Hard, Beverly Hills Cop, Rocky, Rambo… foram muitas contribuições marcantes. Por motivos que eu posso apenas suspeitar se tratar de “alguém precisa de mais dinheiro pro seu hábito de cheirar pó”, as estrelas sexagenárias que protagonizaram aquelas séries começaram a sair de seus asilos pra filmar a quarte parte de suas sagas. Nem vou entrar nessa discussão filosófica a respeito dos critérios artísticos (ou falta dos mesmos) empregados nesse tipo de sequência que alguns gostam de tachar de caça níqueis.
Sinceramente, eu não poderia me importar menos com isso. Ainda que os motivos por trás da produção dessas sequências de filmes clássicos envolvessem rituais demoníacos em que filhotes de cachorrinhos fossem injetados com vírus HIV, triturados em liquidificadores e em seguida transformados em carne moída pra uma escola de órfãos, eu não poderia culpa-los. E sabe por quê? Porque todos esses cachorrinhos morreram por uma boa causa. Indiana Jones estará de volta às telonas.

O filme sai dia 22 de maio, e aí está o trailer. E aquela história do Harrison Ford se recusar a filmar a película a menos que ele pudesse empunhar o icônico chicote que tinha sido vetado por questões de segurança? Eu não faço a mínima idéia de que fim levou essa história. Eu não esperava que o estúdio cedesse aos desejos do ator. Afinal de contas, o filme é dirigido pelo Steven Spielberg e tem produção executiva do George Lucas, dois cineastas que, se tivessem a oportunidade, substituiriam qualquer coisa num filme (atores, sets, copos dágua, roteiro) por dublês digitais dos mesmos, sem economizar no antialiasing nem lense flares.
Me surpreendo muito que não fizeram um boneco digital com a imagem do Ford de trinta anos atrás pra estrelar na parada. Afinal de contas, Harrison Ford é atualmente mais velho do que Sean Connery era quando o último interpretou o pai do primeiro em The Last Cruzade. Tente imaginar o Sean Connery sendo o protagonista naquele filme, fazendo acrobacias com um chicote e esmurrando nazistas. Mais complicado, né?
Agora me dêem licença pra ligar pro meu pai e dar as boas novas pro véio. Ele não é tão antenado nesses lançamentos como nós, nerds que recebem internetemente os anúncios sobre o início dessas produções meses antes delas começarem. Ele não deve fazer a menor idéia que esse filme estava sendo produzido, essa notícia será como um Natal adiantado pra ele – assim como Die Hard 4 e Rambo 4 foram há pouco tempo.
Iron Man
Escrito por Kid on Feb 7, 2008
Como alguns amigos mais chegados sabem, eu entrei de cabeça no mundo dos quadrinhos ultimamente. Ler HQs era aquele desejo consumista que eu acalentava há anos, mas me via impossibilitado de alcançar, por dois motivos.
O primeiro é que as histórias dos super heróis em que eu me interessava já acontecem há anos; acompanhar uma continuidade estendida por milhares de revistas ao longo de DEZENAS de anos seria como tentar fazer malabares com cinco cubos mágicos e resolve-los ao mesmo tempo. É muita coisa pra processar.
A solução pra este problema trouxe uma complicação paralela. Pros newbies como eu, o melhor é comprar os TPB, ou seja, os trade paperback – volumes encadernados com todos os fascículos de um determinado arco da história dos personagens. Assim, eu não teria que sair caçando as trocentas revistas necessárias pra compreender o que acontece com a vida dos heróis. O problema com essa solução é que trade paperback são relativamente caros, na faixa de 30-40 dólares.
Mas bastou comprar meu primeiro TPB pra perceber que esse era o hobby que eu sempre quis ter na vida, e de repente esse preço não pareceu mais tão alto. É raro passar por uma loja de quadrinhos e não torrar pelo menos 100 dólares de uma vez, provocando total desespero da namorada.
Ler quadrinhos se tornou uma das minhas principais atividades hoje em dia, suplantando até mesmo a jogatina em videogames que praticamente me define como pessoa.

Aí acima está minha humilde coleção. Certamente bem menor do que a de muitos que lêem esse site, mas levem em consideração que eu comecei a comprar essas merdas no finzinho do ano passado. Cabei de fazer as continhas aqui – nos últimos três meses gastei pouco mais de mil dólares montando a pequena coletânea que você vê aí acima. Ou seja, estou me dedicando profundamente à nova nerdice. E, como não podia deixar de ser, já tenho uma imensa gama de idéias pra textos inspirados no meu novo hábito. Espero que haja leitores de quadrinhos entre vocês, senão ninguém vai gostar dos posts que estou escrevendo.
Então. Antes mesmo de ler qualquer coisa sobre o personagem, eu tinha uma fascinação pelo Iron Man. Nada mais apropriado então que, como pontapé inicial da minha coleção, eu optei por um quadrinho do Tony Stark. Ultimate Iron Man volume 1 (que engloba Ultimate Iron Man #1 ao #5). E desde então minha predileção pelo industrialista apenas aumentou.
Naturalmente, eu não pude deixar de me animar muito quando os primeiros trailers do filme do personagem começaram a aparecer na internerds.

Admita. Tá foda.
Aqui está o primeiro trailer do filme. O teaserzinho que passou durante o Superbowl no fim de semana passado tá aqui.
Speed Racer THE MOVIE
Escrito por Kid on Dec 9, 2007
Há muitas coisas que esse planeta precisa.
Paz entre os palestinos e os israelenses, por exemplo. Quando eu era moleque eu julgava que o conflito no oriente médio é auto-controlado porque eventualmente todos os terroristas já teriam se explodido/sido explodidos pelo Mossad, mas aparentemente eu não sabia de porra nenhuma quando era moleque.
WiFi global é outro bom exemplo. Imagina você poder acessar a internet literalmente em qualquer lugar, sem precisar roubar a conexão do vizinho. É nesse tipo de mundo que eu quero morar um dia.
Uma lei que torne obrigatório deixar o assento da privada levantado, pra que eu não precise mais ouvir reclamações da namorada.
Já entre as muitas coisas que esse mundo não precisa, a mais notável é uma adaptação cinematográfica de Speed Racer.
Sabe quando você arrota e um pouquinho da comida semi-digerida sobe até a sua garganta, deixando um gostinho horrível de pizza com suco gástrico na sua boca? Essa é a melhor forma de descrever a minha reação quando me falaram que Hollywood estava cogitando filmar Speed Racer. Vou ignorar o fator crucial desse problema, que é o fato de que Speed Racer é provavelmente um dos conceitos mais retardados pra você basear um filme em cima. Os irmãos (ou melhor, o casal de irmãos, se os rumores sobre o Larry fazendo operação de mudança de sexo forem reais) Wachowski, que serão eternamente conhecidos como “os criadores de MATRIX”, são conhecidos por seguir um filme razoável com duas bombas cinematográficas asquerosas. Veio Matrix, depois vieram as sofríveis continuações. Veio o formidável V for Vendetta, aí os caras continuam a teoria transformando o Speed Racer num sujeito de carne, osso e croma key.
Sério, vejam a porra desse trailer de novo. Se você não tiver caído no chão em um fulminante ataque epilético, me responda – isso parece ao menos remotamente com alguma coisa que você pagaria pra assistir? Isso mal qualifica pra “filmes que eu assistiria se estivesse preso a uma cadeira de rodas sem a opção de mudar de canal”.
Você quer uma prova irrefutável que esse filme será uma bosta? Note que Susan Sarandon por algum motivo participa da coisa. Nomes famosos em filmes são indicativo de duas coisas – se o filme parece ser razoável e tem uma história levemente interessante, a presença de um ator de peso significa que o sujeito leu o script, se interessou pelo projeto e resolveu participar. Isso representa – geralmente – que o filme tem potencial que foi visto pela estrela.
Quando o filme é na melhor das hipóteses duvidoso e estrela nomes famosos, tenha a certeza inabalável que é uma MERDA. Veja o trailer pela terceira vez. O que demonhos levaria uma atriz que ganhou um Oscar a estrelar numa produção como essa, me ajuda aí pelo amor de deus. Esse povo reconhece merda quando vê, e a presença deles em filmes desse naipe significa apenas uma coisa.
Hollywood é uma desgraça e ninguém me convencerá do contrário. Você tá lá na boa, recém chegado de Oregon ou algum outro estado americano fodido, com um diplominha de faculdade de artes, algumas peças de colegial no currículo, módico talento e grandes ambições. Após encher o saco de amigos com conexões com peixes grandes, você consegue AQUELE papel que queria tanto. E os filhos da puta de diretores/produtores que te deram aquela grande chance que hoje te tornou um nome reconhecível não vão esquecer que você deve um favor a eles.
Vinte anos depois você está lá na sua mansão na Califórnia, maravilhado com o próprio sucesso, deliciando-se no reconhecimento da sua carreira e pensando numa nova maneira de gastar seus milhões de dólares, quando um Joel Silver da vida te liga e fala “aê Susan, td tranks? Olha só, temos um projeto aqui que eu acho que tu vai se interessar muito”.
“Ah, o que é?”
“Peguei um roteiro com um amigo aí. A história é uma alegoria pro velho conto do jovem rapaz que vence um objetivo arbitrário em uma competição qualquer e aprende lições valiosas pra própria vida. O pessoal da Warner Brothers está interessadíssimo e eu pensei em te oferecer o papel”.
“Jóia, qual é o nome do filme?”
“SPEED RACER”
“….”
Rola muita politicagem no mundo cinematográfico, e por causa disso nego é socialmente obrigado a endossar os caça níqueis daqueles que há anos o ajudaram a estabelecer a própria carreira. O resultado tá aí – uma ganhadora de Oscar atuando com o mesmo entusiasmo e inspiração de uma ostra.
A vantagem é que daqui a dez anos eles podem pegar o rolo do filme, editar as menções ao Speed Racer e reutilizar as filmagens inteiras pra fazer F-Zero THE MOVIE.
Resenha – Stay Alive
Escrito por Kid on Oct 24, 2006
Outro dia o JesusWalks escreveu um tópico no FHBD me pedindo pra resenhar um filme sensacional que ele assistiu, e com “sensacional” eu quero na verdade dizer “que merece uma resenha no HBD e daí você pode imaginar a qualidade da parada”. Normalmente não aceito encomendas de resenha porque senão daqui a pouco este blog virará uma extensão do IMDB (na verdade é por pura preguiça mesmo, mas não espalhe), mas pelo que eu já havia lido sobre o filme, seria praticamente um crime de atentado ao pudor à mão armada não escrever umas linhas sobre ele aqui no HBD.
O poster do filme explica o suficiente que você precisa saber pra decidir imediatamente que Stay Alive se trata de uma pérola.

Sacou? É um jogo, e se você morrer no jogo, alguma mágica acontece e você morre na vida real!A verdadeira mágica, no entanto, é como o tal jogo consegue mudar de estilo dependendo do que o diretor ache que é um jogo de computador naquele determinado momento. Durante o filme o jogo muda de gênero pelo menos umas quatro vezes – às vezes o jogo é um survival horror (que por algum motivo absolutamente injustificado é mencionado no filme ao contrário, “horror survival”), às vezes é um first person shooter, às vezes é um third person shooter e antes que você perceba ele é um online shooter com suporte a TeamSpeak e uma câmera que lembra muito a câmera dinâmica de World of Warcraft. Pelo jeito, matar os usuários não é a única coisa que Stay Alive tem em comum com o MMO da Blizzard.
Tendo o último parágrafo em mente, permita-me deixar isso bastante claro – William Brent Bell, o diretor e roteirista do filme, não faz a menor idéia do que é um jogo de computador. Sua visão de como jogos e a comunidade gamer funciona é como se o único contato que ele teve com tais coisas foi através de uma descrição dada por um velho senil de 80 anos de idade. Explicarei melhor minha teoria ao longo dessa resenha.

Na imagem acima, os personagens pesquisam cheat codes pro jogo no GameFAQS. Fora da imagem – a comissão paga pelos execs da Alienware ao diretor do filme, que enfiou aproximadamente três computadores da empresa em cada frame do filme
E há mais detalhinhos pra criticar. Dependendo do tipo de espectador que você é, de repente esses pequenos deslizes dos roteiristas serão o único entretenimento encontrado em Stay Alive.
O vacilo mais notável é a tal mudança entre estilos de jogo; como já mencionei, em uma única cena Stay Alive é três jogos diferentes (um FPS, um third person shooter online, um survival horror). Quando um dos policiais que investiga as mortes vai a uma locadora pra procurar informações sobre o jogo, é atendido por um balconista que vomita falas como “tá interessado num jogo com frag count alto?” ou “nunca ouvi falar desse jogo, deve ser um jogo underground” e que se esforça ao máximo pra parecer um nerd daqueles bem estereotipados. Ora, eu sei reconhecer meus próprios companheiros, e aquele sujeitinho não me enganou por um instante sequer.
O filme é um fracasso no sentido que não inspira absolutamente nada que almejava inspirar nos espectadores. A trama é pessimamente mal escrita. Os personagens têm a complexidade coletiva de um quebra-cabeças de 4 peças. Há tanta química entre os protagonistas quanto há entre um carcereiro e um balconista da farmácia da esquina. Aliás, Willian Brent tentou em Stay Alive descrever um mundo em que ninguém, absolutamente ninguém tem um nome convencional. Hutch, Swink, Loomis, October, Phin… Que diabéisso?
Voltando à lista de fracassos do filme, a história é tão sem sal e forçada que impede que você sinta uma lasquinha sequer de medo durante os sofríveis 100 minutos de duração. Como eu já mencionei, a trama é o que alguém teria em mãos se pedisse pra quatro portadores de síndrome de Down explicassem seus piores medos após os terem espancado por duas horas com um cano de PVC. Como é absolutamente impossível levar a história a sério a menos que você tenha sido forçado a beber querosene duas vezes por dia pelos últimos dez anos, não tem como sequer considerar isso um filme de terror. É muito mais provável rir dos erros de continuidade ou se revoltar por ter gasto 10 dólares alugando o DVD do que ficar realmente com medo de qualquer coisa.
Furos da lógica da história são abundantes. POR EXEMPLO, e aprecie os spoilers, Swink (interpretado por Frankie “eu já fui um ator famoso” Muniz) morre no jogo, mas ao contrário do que se esperava, não apenas não bate as botas na vida real também, como ainda aparece DO NADA na última cena do filme salvando o herói retardado de sua morte merecida. Aí algum hipotético fã do filme dirá “mas isso aconteceu porque, na cena em que ele morria, ele caiu em cima de flores, e flores protegem os jogadores, lembra?” Se é assim, por que a tela do computador mostrava o personagem dele morto? A resposta óbvia – o diretor estava com tanta vontade de criar tensão que estava disposto a ignorar detalhes mínimos como continuidade.
Essa cena tem um lugar especial no meu coração, porque não é todo dia que a incompetência cinematográfica dos responsáveis pela gravação de um filme acaba CONTRADIZENDO O PRÓPRIO TAGLINE DO FILME. A capa do DVD me prometia que quem morresse no jogo morria na vida real, e no entanto o senhor Willian Brent decidiu que eu não merecia receber o que paguei pra ver.
Não consigo me satisfazer em dizer que a trama do filme deve ter sido escrita num guardanapo de bar enquanto Willian Brent injetava tylenol em pó nas veias. Um dos pontos altos da história é o momento em que um dos personagens se torna suspeito da morte dos outros, já que ele era amigo dos caras e tal (como sabemos, ser amigo de uma vítima de assassinato é obviamente, sem qualquer sombra de dúvidas, prova de que você os matou). Há um breve momento de tensão em que os personagens precisam fugir da polícia, e eu comecei a imaginar como é que eles conciliariam lutar com entidades sobrenaturais malignas E fugir da polícia em um filme só.
Pelo jeito Brent imaginou a mesma coisa que eu, e assim decidiu abandonar o lance da polícia logo após daquela cena. Nos trinta e tantos minutos restantes, o fato de que um dos personagens está sendo caçado pela polícia por suposta conexão com as mortes é absolutamente abandonado do filme.
A única coisa que eu queria no final da desperdício de mídia que é esse filme era uma explicação, ainda que idiota, sobre o que acontece na tela. A única explicação que nos é dada é que um programador solitário – e constrangedoramente homossexual – era obcecado pela história da Blood Countess (uma maluca que supostamente matou um monte de menininhas pra se banhar no sangue delas. Estou com preguiça de verificar a veracidade dessa história), quis fazer um jogo usando-a como personagem central, e sem mais nem essa pronto – o jogo mata quem o jogar.
Não existe um propósito claro, saca? Veja The Ring por exemplo, que trás uma temática meio parecida. O ponto da história, se eu me lembro bem, era que a Samara queria que pessoas vissem a fita e mostrassem a outros, um negócio assim. Em Stay Alive, não existe propósito nenhum, e nós somos forçados a apenas acreditar que a tal Blood Countess, apesar de poderosíssima e ter a mania de querer assassinar todas as pessoas do universo, está limitada a matar apenas quem morra no jogo. Eu tava na esperança de eles ao menos explicarem que algum tipo de ritual satânico prendeu a alma nela no jogo, e/ou que ela só terá paz quando matar 17844 nerds, mas fiquei a ver navios.
Não assista. É uma merda.
Escrito por Kid on Feb 3, 2006
[ Update ] Hospedar arquivos pra vocês em servidor free é foda. Em menos de três dias já estouraram o limite do site onde hospedaram o crack do Worms! HBDdotted, como diria o Knux.
Re-hospedei aqui. Vamos ver se dessa vez dura.
Taí a resenha, finalmente. Essa porcaria deveria ter sido concluída semana passada, mas com partidas de Worms acontecendo a cada segundo, ficou difícil terminar o texto em apenas três dias como é de costume.
Algumas vezes coisas boas acontecem comigo. E, em casos mais raros ainda, vocês acabam se beneficiando. Isso porque eu estou sendo presunçoso o bastante pra supor que uma nova resenha cinematográfica é uma grande benção divina pra vocês.Outro dia aí eu fui à Deja View, a loja local de DVDs semi-novos. Nas prateleiras, vi um filme sobre o qual sempre ouvi falar na minha infância, mas nunca tive a sorte (ou azar) de ver com meus próprios olhinhos. O preço do DVD não era alto, mas eu resolvi economizar a grana pra algo mais moralmente edificante, como uma caixa de massinha de modelar ou adesivos do Bob Esponja.
Qual não foi a minha surpresa quando, dois dias depois, meu pai visita a mesma loja e compra o DVD! Oh, a alegria de viver, meu amigo! Dei dois pulinhos para comemorar, sob o olhar suspeito do meu pai.

Tudo no DVD cheirava a uma excelente futura resenha. Porra, dois filmes em um DVD só? Você sabe que a qualidade dos filmes é excelente quando o estúdio decide que lançar ambos em um DVD individual para cada não valeria a pena.Ou seja: A Mosca é um filme que não vale o DVD em que foi gravado. Literalmente. Isso já fala horrores a respeito da beleza de filme que eu estava prestes a assistir.
Falando em valor, e esse precinho, então?

Nove pratas por dois filmes?! Sem nem abrir a caixa do DVD, já consegui sentir o cheiro de uma excelente produção cinematográfica. Tudo bem que o DVD é usado, mas porra. Filmes usados ficam na faixa de 20 dólares!A Mosca é um super clássico do tempo de Corujão ou Domingo Maior, aquelas programações cinematográficas da Globo que passavam quando a gurizada já estava ou dormindo, ou caindo de sono. Durante toda a minha infância tentei assistir essa maravilha, mas por causa de idiotices como regras familiares e escola, eu era impedido de desafiar o relógio biológico e absorver toda a supimpice que é esse filme.
O filme, rodado no finzinho dos anos 80, é um drama/romance/horror/ficção científica que conta a história de Seth Brundle, interpretado por Jeff Goldblum a.k.a. “o cara que interpreta o mesmo personagem em basicamente todos os seus filmes“. Assim como Will Farrel e Morgan Freeman, Jeff Goldblum só sabe atuar de acordo um único estereotipo e o fará até o dia de sua morte, fazendo assim com que todos seus papéis sejam cópias uns dos outros.
O filme começa numa misteriosa festa. Temos a impressão de que é algum tipo de evento de importância no mundo científico, mas os sensacionais autores do roteiro não gastaram sequer dois segundos pra nos explicar exatamente que porra de festa era aquela. Seth (o cientista que daqui a uma hora e meia será uma mosca gigante) está explicando pra Veronica (a repórter que daqui a meia hora ele estará comendo) que ele é um grande gênio e que sua última invenção provocará a maior revolução que a humanidade já viu desde a invenção das tatuagens temporárias que vinham junto com o chiclete Ploc.
A mulé decide o acompanhar de volta pra sua casa (casa dele. Maldita ambiguidade.) pra ver que porra de invenção sensacional é essa. Dentro do carro, Seth começa a agir como uma putinha nervosa. Ele explica que morre de medo de meios de transportes convencionais, o que o coloca automaticamente no primeiro lugar da lista de “pessoas mais medrosas do mundo”, destronando a minha irmã menor que quando tinha 7 anos tinha medo de pular. O medo imbecil e irracional dele, você perceberá em breve, foi a desculpa que o cara precisou pra conceber sua maravilhosa invenção.
E o que é essa invenção, meu deus do céu?!
Ao chegar no apartamento, que é basicamente uma sarjeta com paredes e mobília, Seth exibe orgulhoso sua grandíssima invenção: uma máquina de teletransporte! O sujeito então mostra pra ela um imenso armário equipado com um tecladinho e tela, e então tenta enganar-nos dizendo que aquilo é um computador. A mulher obviamente não acredita nas habilidades inventísticas do sujeito, a despeito do fato de que ela foi até a casa dele sob a crença de que ele era um cientista. Seth se propõe a mostrá-la que sua maquininha funciona de verdade, e então pede um objeto pessoal da mulé para fazer uma experiência.
Essa desgraçada então tira a sua meia 7/8 e entrega pro cientista, sem dúvida alguma tentando seduzir o coitado pra depois dizer que está com dor de cabeça ou que não esteve tomando anticoncepcionais recentemente. O cara põe a meia na sua máquina teleportadora e SURPRESA, a meia aparece na máquina ao lado.
A mulé, que é uma repórter, mela a calcinha só de imaginar a sensacional matéria que ela poderia escrever a respeito da experiência do sujeito. Sem que o cara perceba, essa destruidora de lares liga um gravador portátil do tamanho de um sofá (ahh, a tecnologia dos anos 80) e começa a gravar tudo que o sujeito fala a respeito da máquina. A repórter, satisfeita com a entrevista não-autorizada e provavelmente ilegal, vai embora mostrar a novidade pro editor da revista.
O editor, previsivelmente, não acredita na mulé. Seth então se encontra com a repórter e propõe uma parceria – você me dá a buceta, e em troca eu te dou uma super cobertura exclusiva do meu sensacional experimento. Uma proposta dessa é irrecusável, afinal de contas, você já viu o cabelo da mulé? O penteado dela alcança tranquilamente a sacada de um apartamento de terceiro andar. Arrumar alguém que a coma e DE QUEBRA conseguir uma matéria é uma proposta que só acontece uma vez a cada passagem do cometa Haley.
O que acontece é que os dois em breve começam a trepar com furor de causar inveja ao mais apaixonado dos casais, a despeito de terem se conhecido no dia anterior. Um monte de coisas sem muita importância para a trama da história acontecem, e no momento eu larguei o filme e fui jogar um pouco de Worms.
Pouco tempo após eu ter mandado algum oponente pra puta que pariu por meio de uma Granada Santa milimetricamente bem colocada, o filme começa a ficar interessante, atraindo minha atenção de volta. Parece que o cientista e a mulé do cabelo do caralho resolvem testar algum bicho infeliz antes de adentrar a máquina eles mesmos. Sem muitas explicações, os covardes arrumam um BABUÍNO (como se arrumar um animal dessa espécie nos Estados Unidos fosse algo bastante fácil) e enfiam-no na máquina. Seth aperta botões em seu armário-computador, luzes piscam intensamente e o macaco desaparece. Oh, deu tudo certo! Vamos verificar a outra cabine pra ver se…
…ao abrir a máquina, percebemos que o babuíno sumiu e em seu lugar vemos algo que parece o mesmo babuíno, porém após ter passado 15 minutos num liquidificador. Segundo Seth, a máquina VIROU O BABUÍNO PELO AVESSO, e após assistir esse filme eu posso seguramente afirmar que existe espaghetti dentro de um babuíno. A massa de fiapos sanguinolentos que há dois minutos era uma criatura viva dá seus últimos “suspiros”, ofegando e chacoalhando suas entranhas por todo lado.
Procurei desesperadamente na internet por uma imagem desta pitoresca cena, mas infelizmente não encontrei nada que fizesse jus ao terror que é um babuíno virado ao avesso. Por dois segundos pensei em pegar uma foto de um talharim no Google Imagens e colocar embaixo uma legenda nos moldes de “Isso é mais ou menos o que aconteceu no filme“, mas o que vocês fizeram pra merecer uma piada tão infame? Deixo a bela/terrível imagem a cargo da imaginação de vocês.
Após uma forçadíssima analogia que de científica não tinha absolutamente nada, Seth descobre que a máquina não “entende” a carne. Então, ele vai “ensinar” ao computador armário o que é a carne, porque maioria das pessoas prefere que seus animais teleportados não exponham suas entranhas.
Beleza, a máquina tá pronta pro uso. Devia haver uma liquidação de babuínos na cidade do cara, porque Seth tinha OUTRO macaco dando sopa pelo apartamento. Ele testa a máquina com o novo macaco, e tudo revela-se funcionar perfeitamente.
Mas aí, claro, algo inesperado acontece e fode os planos bonitinhos do casal. A mulé vai se encontrar com o ex-namorado, que é por sinal o próprio editor dela – o que deixa claro que Seth não foi o primeiro a quem ela abriu as pernas por causa de uma oportunidade de carreira. O cientista fica malucão de ciúmes, achando que a esta altura sua mulé está num traje de couro sendo sodomizada por cinco caras simultaneamente.
E então, muito revoltado, Seth se joga de corpo e alma na manguaça. Após equilibrar sua composição sanguínea com mais álcool do que seria necessário pra um Chevette 83 fazer o trecho Quixeramobim – Juazeiro do Norte, o cientista bêbado entra na máquina teleportadora. Mas, OH! Uma mosca entrou na máquina ao mesmo tempo. A máquina recombinou o DNA do Seth com o da mosca, o que revela que essa máquina é realmente miraculosa porque a teoria de teleporte não tem absolutamente nada a ver com código genético.
E a partir daí, o resto vira putaria. Seth em breve começa a sentir os primeiros sintomas da terrível transformação que ele sofrerá nos próximos 28 minutos. No começo tudo parece legal: o sujeito acorda um dia se sentindo mais forte, mais ágil, começa a andar nas paredes e/ou tetos… nada demais. Ou de mais.
Mas em breve o cara percebe que entrar na máquina enquanto mamado não foi a melhor idéia do mundo. Seu rosto começa a desenvolver repugnantes bolhas semi-cancerosas, dando à cara do sujeito uma textura similar a de merda fresca. A máquina também meio que fodeu com os miolos do cara, então ele pira o cabeção de decide que a mulezinha dele deveria ser teleportada também. A repórter, que dá pra qualquer um mas não é boba, percebe de cara que o cara tá pra lá de Bagdá (falaí, há quanto tempo você não via essa expressão?). A mulé dá o fora, e o cara-de-cocô resolve que não precisa dela e vai pra um bar.
No botequim, a pilha de bosta humana encontra um grupo de motorqueiros com caras de poucos amigos disputando uma animada partida de queda de braço. O pedaço de excrementos com pernas desafia os motoqueiros malvadões, e ainda arremata a aposta dizendo que, se ganhar, pode levar uma mulé pra casa – e aponta pra uma vadia qualquer, que devido ao contexto podemos concluir que era relacionada a algum dos motoqueiros. A mulher protesta revoltadamente que não é uma prostituta e que isso é um ultraje sem tamanho, mas fica pra assistir a disputa entre o homem/mosca/saco de estrume ambulante e o motoqueiro.
Mostrando que o teor verdadeiro do filme é sanguinolência desmedida, o bolo fecal em forma de gente – que se você ainda não entendeu, ganhou super-força após se fundir com a mosca – literalmente ARREBENTA o braço do pobre motoqueiro. A cena seguinte mostra o braço arrebentado do sujeito, com o osso exposto e uma mangueirinha escondida ejetando alguns litros de sangue falso por segundo. O tolete falante levanta-se satisfeito, pega a mulezinha pelo braço e trás pra casa, onde a fode violentamente.
Tudo legal, mas aí a repórte decide ir ver como o homem-fezes está. E aí ela acaba pegando o sujeito e a vadia no flagra, oh não. Nesse momento Verônica emite a famosa “tenha medo. tenha muito medo”, que eu não sabia ter sido originada neste filme. Aprendemos algo inútil todo dia.
O resto do filme mostra apenas a lenta degradação de Seth, que evolui de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco. Em breve os dentes e unhas do cara começam a cair até, é uma beleza.
Neste meio tempo, descobre-se que Verônica está prenha. Aparentemente ninguém explicou pra mulher que sair dando indiscriminadamente pra diversos sujeitos que você nem conhece pode resultar em uma gravidez, porque ela parece muito surpresa. Tendo em vista que o pai da criança é (provavelmente) a massa de fezes pustulentas, ela decide abortar a criança. Mas o filme não deveria acabar assim, então o cientista – já quase totalmente irreconhecível em seu traje de cocô – sequestra a mulé da clínica clandestina lá e leva-a de volta ao seu apartamento. No fundo de seu cérebro surgiu a idéia de que, se ele jogar alguém dentro de uma das máquinas e se teleportar com ela, o cara vai ficar curado. Ok, ein.
O ex-namorado arruma uma arma magicamente e vai atrás dos dois. Ao chegar lá, é recepcionado pelo cientista mosca, que vomita uma substância ácida na mão do coitado e derrete-a toda. Não satisfeito, dá uma segunda vomitada no pobre ex-namorado, dessa vez no pé. O sujeito, que não tinha nada a ver com o negócio, se fode com maestria quase invejável.
Mais algumas bobagens acontecem e então Seth sofre a última transformação, a que troca o ator numa roupa pútrida por um marionete de mosca gigante. A manipulação deste é tão desastrada e mal feita que faz com que o teatrinho de fantoches com meias sujas que eu faço pra entreter o Kevin seja merecedor de algum tipo de prêmio.
Seguindo seu plano, a moscona empurra a mulher dentro de uma das máquinas e entra na outra. Na última hora, o ex-namorado maneta e perneta pega sua escopeta mágica surgida de lugar nenhum e dá um balaço no cabo que ligava uma máquina à outra. A mosca se desespera e tenta sair o negócio a tempo de esganar o aleijado, mas FODEU RAPAZ – a máquina se ativa quando a mosca gigante tá saindo do troço.
O resultado é que ele acaba se fundindo com partes metálicas da engenhoca, dando razão ao ditado popular que diz “sorria, as coisas ainda podem melhorar”. Metade homem, metade mosca e metade máquina, essa fração-aberração sai da máquina se arrastando em direção à mulher. Esta pega a arma do ex-namorado, mira na cabeça da monstruosidade e mete chumbo quente no que talvez fosse a testa dela.
Rolam os créditos. Até que não foi um filme tããão ruim, é apenas um filme medíocre dos anos 80. ~
Com esse pensamento, resolvi assistir A Mosca 2 logo em seguida. Lembra da evolução “de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco”? Então, isso define a diferença entre o primeiro e o segundo filme. Enquanto o primeiro é apenas levemente ruim e pode ser apreciado se você não tem padrões altos, o segundo é praticamente a incompetência humana em forma física. A Mosca 2 deve ser evitado a todos os custos. Jamais assista, jamais compre, jamais esteja em um raio de menos de 15km de distância de uma cópia do filme.
Fique longe da continuação deste filme, ou os terroristas já venceram.
Escrito por Kid on Aug 31, 2005

Escrever resenhas cinematográficas de filmes ruins é mais ou menos como pular de cabeça do topo de um prédio de 58 andares – não precisa ser um ciêntista da computação como o Graf pra saber que não vai ser coisa boa. No entanto, tenho como compromisso assistir filmes horríveis para que vocês não precisem assistir, então aceito minha sina mais ou menos como o Homem Aranha, que tem super poderes mas tem que ficar correndo pra cima e pra baixo (literalmente) pela cidade ajudando bundões.Acontece que a resenha de hoje exigiu um pouco mais de mim. Na ocasião em que assisti essa bomba pela primeira vez, a presença da namorada (combinada à ausência de suas roupas) disputaram minha atenção com o filme. O impasse durou quase 4 segundos, e ao fim dos quais joguei um sapato na televisão e fiquei com apenas metade do filme em minha mente perturbada. Quase UM MÊS se passou; decidi que apesar de nem ter assistido o filme inteiro, o pouco que vi já daria uma excelente resenha.Não tive escolha a não ser abrir o Limewire e procurar o vídeo.

Não vou manter nenhum suspense: Resident Evil: Apocalypse é O pior filme que eu já me submeti a assistir. Ever.Particularmente, me surpreendo muito pelo fato de que esse filme foi um grande lançamento hollywoodiano na época. Não há absolutamente nenhum quesito do filme que não possa ser resumido como “abismalmente horrível”. Já vi mais profissionalismo em produções amadoras para feiras de ciências. Tenho plena certeza que um macaco munido de uma câmera digital, um estilingue e um picolé de framboesa (que eu mesmo poderia fornecer) seria capaz de filmar algo pelo menos oitenta vezes melhor que esse filmeco. Ainda estou pensando se perdôo vocês por terem me feito passar pelo suplício de assistir esse filme não apenas uma ou duas vezes, mas ainda baixá-lo pro computador e admitir que o assisti.Mas como sei que você serão bastante generosos nas esmolas, vou parar de choramingar.

Jill Valentine. É gostosa, então deixa quieto
Paul Anderson decidiu que o público que não se interessou em assistir o primeiro filme era grande o bastante pra justificar um resumo do primeiro filme nos créditos de abertura do segundo. Por isso, Resident Evil: Apocalypse abre com um breve resumo do filme original. Isso foi uma jogada bastante útil praqueles que viram apenas 4 minutos do filme até decidir que bater a cabeça contra a parede pelos próximos 90 minutos seria mais divertido que terminar de assistir o filme.Eu, por exemplo. Nunca esperei muita coisa de filmes sobre videogames, especialmente se eu nunca gostei do jogo em questão. O primeiro Resident Evil já não inspirava muita confiança, e portanto a única coisa que sei sobre ele é que há zumbis em algum momento no filme. Assim sendo, não assisti.Enfim. Pelo resuminho de trinta segundos, entendi que no primeiro filme os zumbis passearam por laboratório gigante comendo a geral, claramente sem camisinhas, até que Mila Jovovich chegou chutando bundas com outros personagens secundários descartáveis. A narração é da própria Jovovich, a propósito, que canaliza toda a sensibilidade artística de um absorvente usado lendo o texto da introdução. Então, a Mila chutou muitas bundas zumbis, e finalmente escapou com vida do tal laboratório recheado de mortos-vivos.
Aí beleza, acontece que a super corporação maligna “Umbrela” decide que seria uma boa idéia abrir o laboratório pra entender o que aconteceu lá. Aparentemente o contexto da frase “os zumbis tão lá, fudeu geral” foi muito subjetivo para que eles sacassem a gravidade da situação. Previsivelmente, os caras abrem o laboratório, os zumbis escapam, e a putaria começa (de novo).
Somos então apresentados pra primeira personagem de alguma importância no filme: Jill Valentine, uma agente especial de um grupo chamado “S.T.A.R.S.” – possivelmente o nome mais imbecil pra uma organização de elite. Aliás, Residente Evil está bem servido no departamento de nomes imbecis: Raccoon City, Umbrela, STARS…
Divago.
Jill está em casa quando ouve no seu radinho à pilha que os zumbis estão a solta. Segundos depois ela aparece numa delegacia, mata algumas dúzias de zumbis que estavam ali de bobeira, fala suas linhas de diálogo e vai embora. Essa é basicamente a transcrição exata do que aconteceu de relevante na cena, ou seja, dá pra perceber que ela não teve propósito nenhum a não ser mostrar que a Jill é boa de mira e de pernas.
Aparece então o segundo personagem de certa relevância na trama. Olivera é o esteriotípico mocinho que não respeita regras se isso for necessário para salvar um inocente. Alguém de bom coração. Ou, como eu prefiro interpretar, alguém burro o bastante pra arriscar a própria carreira por alguém que ele sequer conhecer. Aquele tipo de gente tapada que cai em golpes do vigário e outras safadezas similares.
Então. Uma vadia qualquer está sendo perseguida por aproximadamente trinta mil zumbis. Ela é acuada no topo de um prédio, e o Olivera vendo tudo de um helicóptero lá. O mocinho implora ao piloto pra que eles voltem e resgatem a mulé, mas o piloto responde que “não há tempo”. Malditos pilotos contratados por organizações malignas, nunca têm tempo para salvar um inocente!
Olivera se emputece e decide que a força da gravidade não respeitaria a autoridade do piloto, então ele pula do helicóptero pra resgatar a mulezinha. Em queda livre, o cara dá vários tiros a esmos, e obviamente todos matam ao menos duas dúzias de zumbis porque nos filmes os caras são bons de mira mesmo, não precisam nem estar olhando pros alvos.
Mas é tarde demais: a mulé já foi mordida por um zumbi. Ou melhor, acho que essa era a idéia que a cena deveria ter passado, embora a tal mordida parecesse mais uma fatia de mortadela grudada no braço dela. Mas façamos de conta que era uma mordida mesmo.
E como todos sabem, os tratados médicos mais recentes são unânimes em afirmar que ser mordido por um zumbi transforma você AUTOMATICAMENTE em um. Ou seja, se possível, evite.
“Mas é tarde demais: a mulé já foi mordida por um zumbi. Ou melhor, acho que essa era a idéia que a cena deveria ter passado, embora a tal mordida parecesse mais uma fatia de mortadela grudada no braço dela. Mas façamos de conta que era uma mordida mesmo.
E como todos sabem, os tratados médicos mais recentes são unânimes em afirmar que ser mordido por um zumbi transforma você AUTOMATICAMENTE em um. Ou seja, se possível, evite.”
O filme avança algumas horas. É noite em Raccoon City, e vemos uma imagem aérea da cidade que agora está em estado de calamidade pública porque a zumbizada tá apavorando geral. A sapkgem tava mto grande mermaum.
É nesse momento que descobrimos que a Umbrela deveria largar todas as pesquisas e projetos em que estava envolvida e se dedicar exclusivamente à construção civil: os caras construiram um muro AO REDOR DA CIDADE INTEIRA num dia só, pra conter a epidemia. NUM DIA. E não tou falando de um muro qualquer de cimento e tijolo não, é um mega muro metálico de metros de altura, com portões automáticos e o caralho a quatro.

Olha o portãozão aí
Foram momentos como esse que reforçaram a idéia de que ninguém estava sequer tentando escrever uma história verossímil. O roteiro do filme deve ter sido escrito em 5 minutos no verso de um guardanapo do bar mais próximo à casa do diretor.
Então. Nossos heróis estão tentando sair da cidade, mas aí a galera da Umbrela percebe que a putaria atingiu níveis incontroláveis e então os portões são fechados. Raccoon City se torna automaticamente a maior prisão mista da galáxia.
A partir daí encerra-se qualquer resquício de história, porque o filme basicamente se torna um documentário sobre a stand de tiro que Raccoon City subitamente se tornou. Há uma cena de dois minutos com nada além de imagens de soldados de afiliação misteriosa atirando contra exércitos infinitos de zumbis.
Vale lembrar que há um personagem chamado Doutor Ashford que aparentemente é responsável pelo vírus, ou algo assim. Não prestei muita atenção. A única coisa digna de menção sobre o personagem é que ele tem um pesadíssimo sotaque britânico, porque aparentemente há uma lei em Hollywood que obriga ao menos um personagem ter sotaque britânico.
Imagine a situação. Você está numa cidade onde há um vírus a solta que transforma pessoas em mortos-vivos. Você precisa chegar do ponto A ao ponto B, talvez porque o ponto B tem consideravelmente menos zumbis que o ponto A. O que fazer?

ATRAVESSAR UM CEMITÉRIO, CLARO!
A foto aí prova que não inventei isso. Os caras precisavam DESESPERADAMENTE enfiar no filme a clássica cena dos mortos saindo da terra, e a melhor solução pra justificar a cena é pôr os personagens atravessando um cemitério VOLUNTARIAMENTE. Preciso relembrar que há um vírus zumbificador a solta? Não.

Precisa-se de dignidade, pago bem. Favor entrar em contato.
Um detalhe também digno de menção é a presença do Nemesis na película. Quer dizer, ouvi falar que ele estava no filme, mas acho que sacanearam o vídeo que eu baixei. Devem ter editado o filme ou algo assim, porque no lugar do terrível Nemesis de Resident Evil 3, havia um maluco vestindo uma fantasia CLARAMENTE de borracha, tão assustador quanto uma pilha gasta.
Simplesmente ridículo. O pior é que tenho absoluta certeza de que deve haver gente que se orgulha de ter participado da produção dessa porcaria.
O filme é horrível e pronto.
E que venham os fanzinhos que se agradam com lixo me criticar.
A propósito, a versão “unificada” da resenha está lá na área Cinema. A data tá errada, porque na verdade estou apagando um post qualquer e substituindo com a resenha, pra poder ficar com o layout bacaninha e tudo.
Escrito por Kid on Jun 17, 2005

[ A patroa ] Ai amor, vamos pro cinema, vamos pro cinema, diz que sim vai, não seja chato, vaaaaaaaaaaaamos?[ Eu, tentando contar mentalmente quanto dinheiro ainda me sobrou do cheque do Google ] Como não! Vamos, sim. Que filme cê quer ver?

[ Eu, dando uma torcida de nariz quase imperceptível ] Hmm… sei não, ein. Não curto essas comédias românticas aguinha-com-açucar.[ A patroa ] Mas tem tiros e várias coisas explodindo!
[ Eu, não totalmente convencido ] Que bom pra eles, mas continua sendo uma comediazinha romântica aguinha-com-açucar. E já escapei de ver a bunda do Brad Pitt em Tróia, não quero abusar da sorte.
[ A patroa ] A Angelina Jolie aparece logo no filme com uma lingerie sadô-masô preta, e ouvi falar que a cena dura mais de trinta segundos.
[ Eu ] Pega teu casaco, vamo.
Após esse breve colóquio na Residência dos Nobre, eu e a namorada nos aproveitamos da boa vontade da sogra e arrumamos uma carona até o Famous Players, o cinema aqui da roça. Em retrospecto, teria sido bem melhor ter procurado “Angelina Jolie lingerie filme” no Google Imagens e economizado aquela grana.
A premissa do filme, segundo li nessa rede mundial de computadores que se chama “a Internet”, é a seguinte linha que escreverei após os dois pontos: Um casal de assassinos profissionais um dia descobre que suas missões são matar um ao outro, enquanto alguns prédios e carros explodem no fundo por nenhum motivo em especial. Pelo que trailer dá a entender, o mote da fita são as referências pseudo-engraçadas a respeito de casamentos e relacionamentos em geral. Porque você sabe, há uma lei em algum lugar que afirma que ficção que reflete a realidade cotidiana SEMPRE é engraçada. Imagino o roteirista usando uma camiseta do Seinfeld, aquela que vem junto com o pacote da série em DVD, as we speak.
Mas tou me adiantando à alopração. Vamos começar do começo. Agora. Na outra linha. Vamos juntos!
(Pausa dramática)
Logo na abertura do filme, vemos Brad e Angelina (que receberam por algum motivo inexplicável os nomes mais comuns da cultura inglesa, “John” e “Jane” “Smith”) sentados diante de um marriage counselor, ou conselheiro matrimonial em bom português de Portugal, ou talvez de Moçambique. Essa cena de abertura foi inspirada num fenômeno popular aqui no Norte: os gringos acreditam que se pagaram 100 dólares por hora para que um estranho faça rascunhos num bloquinho de notas e lhes diga obviedades sobre o que há de errado em seu relacionamento, todos seus problemas se resolverão magicamente e sua vida sexual melhorará 204%. O que o roteirista na verdade quis dizer, e imaginem neste momento ele gritando no seu ouvido animadamente, é “veja, eles vão num marriage counselor igual as pessoas no mundo real, tá vendo como é engraçado?“, e logo em seguida correndo ao redor da sala saltitando como uma criança hiperativa que ele provavelmente é.
Mas então. John e Jane passam alguns minutos tentando nos convencer de que não dão umazinha faz tempo, o que me levou a pensar instantaneamente que John provavelmente está muito ocupado queimando a arruela nas horas vagas, e por isso negligencia sua gostosa esposa. Na sequência da conversa com o analista, John comete um engano a respeito da data do casamento, e nesse momento quase consegui sentir o roteirista me beliscando no braço dizendo “Porque tipo assim, isso acontece de verdade, já percebeu?“.
Corta pra uma introdução rápida de como os dois se conheceram. Ambos estavam na Colômbia, ou no Brasil, sei lá, algum desses países aí debaixo, e somos levados a crer que eles estavam em alguma missão misteriosa. Eles se apresentam, conversam por alguns instantes e, assim como acontece sempre que conhecemos uma pessoa nova, os dois estão trepando momentos depois. Isso obviamente foi pra combinar com o tema “realístico” do filme porque, claro, acontece com todo mundo! Se eu ganhasse cinco centavos cada vez que isso aconteceu comigo só na semana passada!
Acontece um monte de coisa em que não prestei atenção, e então houve a prometida cena da lingerie. Por 32 segudos, o roteirista me iludiu a pensar que assistir o filme valeu a pena. Se não me engano, o vestuário fazia parte de alguma missão em que ela estava envolvida, o que chega a ser um insulto porque me dá a impressão que a semi-nudez de Angelina Jolie precisa ser justificada. Logo em seguida, ela mata um personagem secundário e sem importância, e em seguida pula de um prédio. Somos agraciados com a visão de seu bumbum.

Gastei 7 dólares pra ver essa imagem e postei uma resenha sobre o filme pra que você não cometa o mesmo erro
Mais tarde, os dois estão numa missão novamente. Vale lembrar aqui, já que esqueci de explicar no começo, que nenhum dos dois sabe da vida dupla do outro. Acontece que, OH!, ambos são contratados para o mesmo serviço: matar um personagem adolescente levemente irritante. Como sempre acontece toda vez que um casal está tentando realizar o mesmo feito juntos – tipo fazer um bolo ou programar o vídeo cassete – tudo acaba dando em merda. E, naturalmente, algumas coisas explodem. Explodem, claro, mas dando tempo suficiente para os personagens principais pularem pelas suas vidas, enquanto o fogo de mil sóis queima no fundo.
John e Jane estão putíssimos um com o outro, mas OH!, eles não sabem que aquele que atrapalhou seu serviço é justamente seu próprio cônjuge. Senti uma pontada na orelha, que foi a forma que Deus achou de me passar a mensagem do roteirista: “Veja, eles não sabem que estão com raiva um do outro! Não sei se isso acontece por aí, porque tenho 42 anos, nunca me casei e ainda moro com minha mãe, mas vejam os nomes deles! John e Jane, super realista!”
Os próximos quarenta segundos são gastos pelos personagens para descobrir que seus inimigos são, OH!, eles mesmos. E é aí que o filme engata em quinta marcha e coisas REALMENTE começam a explodir, jogando para o ar pedaços de pau e talvez as carreiras de Pitt e Jolie.
Conforme prometido no trailer, a partir daí um personagem tenta matar o outro com diversas armas que se materializam magicamente em seus bolsos. Mas a jogada é, como no resto do filme e em boa parte do trailer, fazer parecer que o que está acontecendo na tela é na verdade uma analogia a alguma idiossincrassia de relacionamentos. No caso, o que acontece é a clássica cena do marido arrependido (por ter feito merda, como jogar fora um presente da sogra ou algo assim) tentando alcançar o perdão da esposa, e nunca conseguindo.
John vai ao prédio onde Jane trabalha, mas ela obviamente não quer falar com ele e então pula de um prédio para outro usando uma arma que dispara cabos de aço pelos quais alguém pode deslizar. Vou supor que eles mantinham tal dispositivo nas proximidades caso precisassem chegar ao prédio vizinho bem rápido. Tipo quando um office boy esqueceu de levar pra você um documento super importante e tem que voltar pro outro prédio, saca? “Porque você sabe“, diria o roteirista, “isso acontece mesmo“.
John vai a algum outro lugar em que Jane está. Dessa vez ela não apenas se recusa a conversar com ele, mas também explode o elevador em que ele estava (bem, na verdade não foi ela, mas uma funcionária dela. Vou dizer que foi ela porque vocês nem devem ter assistido o filme ainda).
Mais algumas coisas acontecem em quais não prestei atenção, mas dessa vez não tenho a desculpa da semi-nudez da Angelina. O que é um ponto a menos pros idealizadores do filme, porque a repetição da tal cena seria bem vinda. Aliás, se substituíssem o filme inteiro por um loop infinito daqueles incríveis 32 segundos, seria melhor pra todos nós.
Até pra ela, acho. Teria sido menos prejudicial à sua carreira. Porra, se ela fizesse um vídeo amador de si mesma cagando em cima da bíblia enquanto conta piadas racistas sobre judeus e negros e em seguida disponibilizasse na internet, teria sido menos prejudicial pra carreira dela.
Por algum motivo ou talvez outro, os dois voltam à sua casa, armados até os dentes. Inevitavelmente, o casal passa a atirar um no outro, errando tiros à queima roupa e tal. Embora isso possa fazer você pensar “mas que porcaria de assassinos profissionais são esses? Minha avó cega teria acertado aquele tiro!“, não mije nas calças ainda! Um pouquinho mais na frente, o talento atirador quase olímpico dos dois resplandecerá.
Como já prevíamos, eventualmente o casal 20 para de trocar tiros e passa então a fazer sexo (igual sempre acontece quando um casal tá brigando, ao menos em filmes). Embora essa frase pareça interessante, não se anime – a Angelina não paga peitinho.
É nesse momento que alguma coisa acontece e sua casa explode em mil pedacinhos.
Agora que os dois fizeram as pazes e não têm mais onde dormir, chega a hora de combinar seu talento para derrotar seu inimigo em comum: alguém.
Nas cenas seguintes, acontece uma perseguição de carros na Rodovia Genérica Americana #94, aquela que vai de Los Angeles a New York e onde Neo de vez em quando passa voando por cima. Brad Pitt, que há poucos minutos não conseguia acertar a própria esposa na cara a uma distância de quatro centímetros com uma escopeta, habilmente acerta todos os tiros nos pneus dos carros que os perseguem. Os carros fazem a única coisa lógica que um carro pode fazer numa situação como essa, ou seja, explodem prontamente. Alguns carros batem em outros carros e levantam vôo, o que me fez levantar no meio do cinema e gritar TAKEDOWN!!!. A namorada prometeu quebrar meu DVD de Burnout 3.

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