Alluda Majaka: O melhor filme indiano que eu já vi
Escrito por Kid on Mar 5, 2010
Você deve saber que a Índia, além de monopolizar call centers e competir com a China pela posição de provável superpotência mundial nos próximos 20 anos, tem uma afeição por cinema.

Acredito que isso aí é o equivalente indiano de “Senhor e Senhora Smith”. London deve ser “Smith” em indiano.
Filmes de “paródia”
Escrito por Kid on Jun 26, 2008
Quando Scary Movie (Todo Mundo Em Pânico) saiu em 2000, eu sabia que não seria o tipo de filme que eu iria gostar. Comédias de paródias dependem muito de humor físico e trocadilhos (quase sempre de contexto sexual), o que eu considero humor “barato”, de denominador comum pra agradar as massas. Sou elitista mesmo.
Porém, era interessante ver o resurgimento desse estilo de filme. Airplane! (Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu) foi o maior expoente dessa categoria de filmes, e desde então não havia nada que se comparasse. Com a exceção talvez de Spaceballs, mas por ser fã de Star Wars eu considero aquilo uma blasfêmia.
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Resenha – Cube Zero
Escrito por Kid on May 21, 2008
Como se fala wood chipper em português? Não era o tipo de palavra que eu costumava usar com frequência mesmo quando morava no Brasil, e após cinco anos falando português apenas quando quero berrar contra meu irmão por não ter dado a descarga, é natural que palavras mais inúteis vão aos poucos fugindo do meu domínio.
Então. Wood chipper é isso aqui:

O troço é essencialmente uma máquina trituradora usada pra se livrar da madeira indesejada resultante da derrubada de árvores que o Capitão Planeta nos alertou tanto a respeito. Como o funcionamento do aparelho não consegue distinguir madeira de outros materiais, a máquina é na verdade bastante versátil e serve pra se livrar de várias outras coisas indesejadas, ou que você prefira ter em pedacinhos.
Até a chegada do futuro conforme predito por Star Trek, isso é o mais próximo de desmaterialização que nossa tecnologia permite. Um objeto que tenha o azar de ser colocado dentro de um wood chipper terá suas partículas violentamente separadas umas das outras por intermédio de uma miríade de lâminas afiadíssimas.
[Update] O Knuttz me falou aqui no MSN que o nome disso é “picadora de madeira”. Ao menos agora sei o nome da parada, mas por motivos de consistência vou continuar usando o termo gringo.[/Update]
Agora, imagine-se enfiando seu braço lentamente num wood chipper, enquanto a saída do equipamento do outro lado expele o confete sanguinolento que costumava ser sua mão, e a onda de dor subitamente toma conta do seu corpo de forma tão poderosa que você vomita, escorrega no vômito e cai dentro da máquina.
Essa é, de forma concisa, o resumo da experiência de assistir Cube Zero.
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Carta aberta a Hollywood
Escrito por Kid on Mar 26, 2008
Oi, Hollywood. Sou eu, Israel Nobre, conhecido pelos cidadãos da internet como Kid, porém mais frequentemente por alcunhas impublicáveis que na maioria das vezes se referem à minha mãe. Certamente você lembra de mim, ou ao menos dos milhares de dólares que eu gasto todo ano frequentando os cinemas locais pra duas horas de escapismo regadas a Sprite e pipoca absurdamente cara.
Assistir filmes é um dos meus maiores hobbies, vício herdado do meu pai (assim como tantas outras de minhas características. Eu sou a prova viva de que nossos filhos acabam sendo versões 2.0 de nós mesmos) que era do tipo que colecionava trezentos VHSs com três filmes em cada um, devidamente catalogados com ajuda de adesivinhos amarelos da Verbatim na frente da fita.
Cinematografia é um de meus maiores interesses, ao ponto de que eu cheguei a entreter por algum tempo a fantasia de trabalhar na indústria de produção cinematográfica (edição/direção/essas merdas). Tal sonho foi abandonado em prol de uma ocupação mais edificante (assistir câmeras de vigilância enquanto treino Pokemons no meu Nintendo DS).
O motivo pelo qual escrevo essa carta é porque algumas coisas que você vem empurrando em cima da gente filme após filme começaram a irritar não apenas a mim, mas a muitos outros cinéfilos como eu. Tire um tempinho em sua ocupada agenda de lançar versões cinematográficas de seriados dos anos 70 estrelando Johnny Knoxville (pra que a turminha de 14 anos consiga se identificar com o filme) e leia essa pequena listinha que eu organizei pra você.
Que tal parar com essa onda de filmes de vampiros que tentam ser Matrix?
Sim, estou olhando pra vocês, Blade e Underworld. E pros inevitáveis copycats que aparecerão nos próximos anos por influência de vocês.
No finzinho dos anos 90, um filme escrito por irmãos de nome estranho com efeitos especiais mirabolantes e trama com diversas referências filosóficas revolucionou o cenário pros filmes de ação que o seguiriam. Estou falando de um dos meus filmes favorito, talvez O meu filme favorito – Matrix. A iconografia do filme (casacos pretos, trocas de tiros em câmera lenta, óculos escuros) foi “emprestada” por praticamente todo outro filme de ação lançado em seguida.
Pouco tempo depois, em alguma mansão na Califórnia, um executivo inescrupuloso decidiu que de todos os gêneros que poderiam se beneficiar dessa visão estilística, os filmes de vampiros seriam os mais indicados pra emular Matrix. O sujeito apanhou um guardanapo e passou imediatamente a escrever sequências de ação com um bonequinho-palito com uma inscrição dizendo “esse aqui é o caçador de vampiros”, e várias linhas saindo deste, indicando balas voando em direção a vários outros bonequinhos-palitos, entitulados “esses aqui são os vampiros”.
O problema óbvio com essa trama (”caçador de vampiros usando sobretudo e óculos escuros metralha oitocentos vampiros em 5 segundos”) é que vampiros, como você deve saber, não são pessoas como eu, você ou o seu primo Chiquim. Vampiros são, e estou citando diretamente do meu livro de Vampiro a Máscara, “cadáveres reanimados por rituais mágicos”. A parte “cadáver” garante que objetos como balas não os causam muito dano, já que eles já estão mortos. E a parte “rituais mágicos” garante que eu ou você ou o seu primo Chiquim estaríamos todos inevitavelmente fodidos se nos encontrassemos com um vampiro na vida real, queiram tenhamos uma metralhadora ou não.
Em outras palavras, vampiros são essencialmente imunes a danos físicos, e ainda que não fossem, eles têm milhares de truques escondidos na manga justamente praquela situação em que alguém quer encher suas bundas de bala.
Pra tornar possível o cenário de um caçador de vampiros metralhando os bichos, introduziu-se o conceito da “bala de prata”, e/ou misturada com essência de alho. É a única forma mais ou menos verossímil pra mostrar um vampiro sofrendo danos ao ser atacado pelo portador de uma arma de fogo. Afinal, vampiros têm aversão a tanto prata como alho, tornando-os efetivamente alérgicos a bala.
Aí que reside o problema. Ao contrário de um ser humano, ao ser atingido por uma bala de prata e/ou alho um vampiro literalmente explode. Não importa se você acertou o cara no meio do olho esquerdo ou se a bala passou raspando no dedinho do pé, o resultado é o mesmo. Se você assistiu algum desses filmes, deve ter chegado à mesma conclusão que eu – os vampiros nesses filmes são MAIS frágeis que os humanos que eles supostamente dominam. Um humano qualquer pelo menos tem a chance de sobreviver a um tiro.
Talvez seja por isso que os vampiros dos filmes sempre insistem em manter o mistério ao respeito da própria existência, o que parece um contrasenso já que eles se dizem ser tão mais poderosos que seres humanos. Tão com medo de um zé mané qualquer derreter os garfos da mãe e em seguida colocar a raça vampírica em extinção.
Eu já vi a explosão, não preciso-lo reve-la em cinquenta ângulos diferentes
Como você deve saber, fazer filmes custa caro. E algumas cenas costumam custar mais caro que outras. Grandes cenas de explosão, por exemplo. Se as imagens resultantes não foram conforme esperado, os produtores terão que desembolsar mais alguns milhares de dólares pra explodir outro barco/carro/Casa Branca em miniatura.
A solução pro problema é filmar a cena da explosão usando cinquenta câmeras e ângulos diferentes. A precaução garante que ao menos UMA sequência ficará boa e poderá ser usada no filme.
Acontece que por algum motivo que eu simplesmente não consigo compreender, na fase de edição do filme os caras falam pra si mesmos “sabe duma coisa? acabou acontecendo que todos os shots da explosão ficaram perfeitos. Vamos usar todos então!”. E por causa disso você é obrigado a assistir cenas de explosão três ou quatro vezes, de todos os ângulos diferentes. Talvez porque eles não tenham certeza que você entendeu a cena da primeira vez.
Então, vamos parar com isso? Se é realmente preciso enxertar uma cena desnecessária que só dura alguns segundos, por que não substituir as explosões por nudez gratuita? Tentem aí, garanto que ninguém vai reclamar, tenta aí. Visualizem: o mafioso entra em seu carro, bota a chave na ignição, o carro explode. Corta pra uma cena da Scarlett Johanson em nu frontal por 10 segundos. Volta pro filme.
Eu pagaria pra ver esse filme. Duas vezes, até.
Pessoas caminhando em slow motion em direção à câmera – já deu, né?
Não sei se a culpa é do John Woo ou do Jerry Bruckheimer, e é difícil estabelecer o pioneiro dessa “técnica” porque praticamente qualquer filme de ação, naquele momento que precisa estabelecer que os heróis são SUPERCOOL, apela pra tradicional “vamos todos andar lado a lado em câmera lenta em direção à câmera”.
É clichê. Não é sequer legal. Alguém por aí decidiu que isso é legal, mas alguém por acaso consultou a gente? Certamente não me incluiram nessa pesquisa.
Bruce Willis como um personagem que não seja um assassino, militar, ou policial? BLASFÊMIA!
Você esteve assistindo filmes ultimamente? Sim? Ah, então você vai me ajudar. Dá pra tu me indicar aí um filme em que o Bruce Willis não tenha interpretado um dos três papéis típicos aí em cima?
Sim, eu sei que ele fez filmes interpretando personagens diferentes. Mas se você somar todos, o número não chegaria nem na metade da quantia de filmes com os personagens clichês. Caso você não se lembre, vou aqui fazer as continhas pra não acharem que estou exagerando. Confiram aí embaixo.
Die Hard (a série inteira) – Policial
The Last Boyscout – Policial
Moonlighting – Detetive, que em interpretação é quase a mesma coisa que um policial se você parar pra pensar
Last Man Standing – Assassino de aluguel
In Country – Militar
The Jackal – Assassino de aluguel
Mercury Rising – Policial
The Siege – Militar
16 Blocks – Policial
Hart’s War – Militar
The Whole Nine Yards – Assassino de aluguel
Striking Distance – Policial
The Whole Ten Yards – Assassino de aluguel
Planet Terror – Militar
Lucky Number Slevin – Assassino de aluguel
Hostage – Policial
Tears of the Sun – Militar
Sin City – Policial
Astronaut Farmer – Militar
Perfect Stranger – Assassino, não necessariamente alugável
E isso são só os filmes que já saíram. Uma passada rápida no IMDB revela os próximos projetos dele, que incluem…
The Surrogates
Plot Outline:
Set in a futuristic world where humans live in isolation and interact through surrogate robots, a cop (Willis) is forced to leave his home for the first time in years in order to investigate the murders of others’ surrogates.
O cara praticamente nasceu pra interpretar homens intimidantes que andam armados. Ou pelo menos é isso que cineastas estão tentando convencer a gente há uns vinte anos. Algumas pessoas dizem que existem vários atores que só conseguem interpretar o mesmo personagem (Will Ferrel ou Samuel L Jackson, por exemplo). Mas na verdade esses caras interpretam vários personagens diferentes, DA MESMA FORMA. O Bruce Willis, coitado, sempre recai nos mesmos três personagens clássicos – militar, policial, assassino.
Vamos lá Hollywood, você consegue largar esses vícios. Fé em Deus, rapaz.
Cloverfield – Resenha
Escrito por Kid on Feb 28, 2008

Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como “utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas” ou até mesmo “assistir a namorada arrumar a casa só de calcinha e sutiã enquanto jogo Pokemon”. Pra você ter uma idéia do meu amor por ambos discussões internéticas E observar a namorada trajando artigos femininos rendados, se eu não tivesse contas pra pagar minhas atividades diárias se resumiriam a arrumar confusão no orkut enquanto treino um Bulbassauro level 15 observando a namorada semi-nua passando o aspirador de pó no quarto. Ao invés disso preciso fazer coisas não tão aprazíveis, como lavar minhas roupas, fazer declaração de imposto de renda e tomar banhos.
Ou seja, ao dizer que assistir filmes é meu hobby número um, estou dizendo bastante. E entretanto, foi preciso muita insistência da minha patotinha de amigos pra que eu finalmente resolvesse trocar meus dez dólares por um ingresso pra ver Cloverfield com eles. E por que seria isso?
Porque cinematografistas odeiam os espectadores dos seus filmes.
Lembra de Transformers? Lembra daquelas cenas de acão em que a câmera chacoalha pra todo lado? Lembra quando essas cenas eram as partes mais legais do filme?
Não, você não lembra dessa última. Por que, ao contrário do que cineastas acreditam, dar a câmera pra um portador de mal de Parkinson não é uma técnica cinematográfica indispensável. Como se uma cena de porradaria entre robôs de trinta metros de altura sendo filmada a dois centímetros de distância já não fosse complicado o bastante de acompanhar, Michael Bay decidiu que apreciaríamos o filme mais ainda se ele empregasse epiléticos pra filmar essas cenas. O resultado é que assistir tais trechos dofilme te dá a mesma sensação de ver aqueles vídeos caseiros das férias dos seus primos na Disney – a insuportável tremeliqueira do infeliz operando a câmera torna impossível fixar a vista em um ponto qualquer por mais de um segundo.
Num filme como Transformers isso é levemente suportável porque elas são cenas de trinta segundos num filme de uma hora e meia. Já pensou como seria aturar um filme inteiro nessa tremedeira sem fim?
Basicamente, é isso que Cloverfield é. Pra você ter uma noção da gravidade do negócio, a CNN reportou na época do lançamento do filme que diversas pessoas passaram mal durante a exibição da parada. Nego decidiu que seria melhor sair correndo do cinema pra vomitar na privacidade do banheiro do estabelecimento que aguentar mais um segundo do filme. E na nota mais não-intencionalmente humorística que eu já li em qualquer publicação noticiosa, o redator aconselhou que os potenciais espectadores se preparem tomando anti-nauseantes antes de ir pro cinema.
Sim, você leu isso direito. A CNN, uma das mais prestigiosas organizações noticiosas do planeta, falou explicitamente que a única forma de você resistir ao filme inteiro sem vomitar é se você for pro cinema sob efeito de medicamentos.
Ou seja, resenhar o filme se torna essencialmente um exercício em futilidade. Eu poderia escrever uma tese de doutorado de cinquenta páginas sobre o filme e/ou J. J. Abrams poderia ganhar um Oscar de direção graças ao seu trabalho (que se resumia, imagino, a pegar o megafone e instruir atores a expressar espanto e terror diante do monstro imaginário que a equipe de pós-produção adicionaria meses após as filmagens da película), mas no fim do dia, nada disso muda o fato de que a CNN aconselhou as pessoas intencionadas a ver o filme de tomar remédios contra vômito antes de comprar o ingresso.
Não me culpe por ter ido assistir o filme já com má vontade.
Por isso, antes mesmo de começar minha resenha, estou preemptivamente declarando Cloverfield como o PIOR filme de toda a história da cinematografia. Sempre que resenho um filme aqui no HBD exagero bastante pra causar risadas e provocar ódio em fanboys, mas no caso de Cloverfield nenhum exagero é necessário. Este filme fará você vomitar.
Agora você já sabe o que esperar deste post. Já tratamos dos pormenores, vamos à resenha propriamente dita.
Cloverfield, pra quem esteve totalmente alheio ao insuportável hype internérdico relacionado ao filme, é a clássica história de um monstro destruindo New York vista através dos olhos do observador comum. Todo mundo estava perfeitamente ciente de que a idéia do filme estrelando uma Catástrofe Genérica #89 devastando New York é extremamente batida, então por isso o foco do filme é contar a história de um grupo de jovens perambulando pela cidade durante o ataque. O que eles esperavam se tratar de uma abordagem mais criativa, mas pra deixar no esquema mesmo foi decidido que a melhor forma que eles tinham de passar a idéia do filme era dando uma câmera pra um dos atores que passa boa parte do filme correndo de um lado pro outro.
Em outras palavras, Cloverfield é uma mistura de Independence Day (ameaça alienígena destruindo a Big Apple) com Blair Witch Project (grupo de retardados que ao invés de largar a câmera e se ocupar com algo mais importante, como por exemplo a própria sobrevivência, decide documentar cuidadosamente os eventos que inevitavelmente culminarão na morte de todos).
Oops, spoiler.
Vou dar um ponto pro filme - os efeitos especiais são muito bacanas. O problema é que hoje em dia, dizer que os efeitos especiais de um filme são bons carrega a mesma significância de dizer que o filme está passando num cinema. Em pleno século XXI, você não está me fazendo nenhum favor ao fazer efeitos especiais convincentes ao invés de um ator usando uma roupa de monstro com zíper prontamente visível.
Acontece que minha boa vontade com o filme acaba aí mesmo. Pra começo de conversa, não há uma história propriamente dita. O filme abre com uma turminha de jovens descolados num apartamento em NYC dando uma festa pra um sujeito que está prestes a se mudar a trabalho pro Japão, quando o monstro começa a atacar a cidade. Momentos antes o filme apresenta um conflito amoroso mal resolvido que, previsivelmente, será resolvido pelos protagonistas justamente quando a cidade inteira está indo pro inferno. Não entendo por que personagens em blockbusters decidem resolver seus problemas sentimentais justamente no dia que poderosas entidades espaciais decidem transformar a cidade em seu playground particular. É o dia mais romântico do ano após Valentine’s Day.
E pronto. Essa é a história. Não há muito background dos personagens, não há explicações de onde o monstro surgiu, não há nem um fechamento satisfatório pro filme (todos morrem). O monstro aparece, destrói algumas coisas, e a galera toca a correr desesperadamente pelos próximos 90 minutos, parando ocasionalmente pra recuperar o fôlego e/ou dizer coisas como “HOLY SHIT DID YOU SEE THAT”, ou “SHIT SHIT WHY ARE WE STOPPING KEEP RUNNING WE’RE ALL GOING TO DIE WHERE IS YOUR GOD NOW”.
Numa previsível convenção cinematográfica, os personagens principais arrumam motivos dúbios pra adentrar mais e mais a cidade, ao invés de se locomover na máxima velocidade permitida pela sua capacidade física na direção contrária do monstro. Aí batem de cara com o bichão, subitamente se lembram que eles apreciam coisas como respirar, e saem correndo. Cinco minutos e um caso de amnésia seletiva depois, eles voltam a penetrar a cidade.
O motivo aqui é que o Rob, o personagem principal que estava de viagem marcada pra Tokio, decidiu ir salvar a menininha de quem ele é afim. A pobre infeliz se encontra presa num prédio que caiu diagonalmente em cima do prédio vizinho e ficou lá, apoiado no outro prédio. Um fenômeno que prova que além de tudo os roteiristas não entendem a forma como a gravidade funciona.
Eu MEIO que consigo entender que o rapaz ia realmente arriscar a própria vida pra salvar uma desgraçada que ousou aparecer na festa de despedida dele de braços dados com outro sujeito. Entretanto, o filme me dá um tapa na cara quando revela que o desejo do cara de encontrar a menina toda fodida não é pra dançar sarcasticamente na frente dela e dizer “haha, se fodeu. Ok, tou indo agora”, e sim pra realmente salva-la. Tudo bem, eu consigo aturar o sentimentalismo barato.
Mas e os caras seguindo ele? J. J. Abrams espera que eu acredite que esse cara convenceu diversas outras pessoas a acompanha-lo na missão suicida?
Alguém aí já tentou convencer algum amigo a ajudar numa mudança? A assistir sua peça de teatro? Se você já precisou da ajuda de um amigo pra alguma coisa, você sabe que amigos só se dispoem a executar favores que signifiquem o menor esforço possível.
Sim, eu sei que o filme não precisa ser explicitamente verossímil, e que alguma suspensão de descrença ainda é recomendada. Acontece que me venderam esse filme usando a idéia de que ele é um retrato realista do que aconteceria quando pessoas comuns se vissem às voltas com um monstro de cem metros de altura. Se a idéia da película era realismo, façam-me o favor de manter a temática. Se qualquer um de nós recrutasse a ajuda de amigos pra ir salvar uma menina numa situação em que um monstro alienígena se encontra exatamente entre você e a donzela em perigo, nem seu melhor amigo nesse mundo teria ajuda a oferecer a não ser a promessa de que ele não revelará nenhum fato constrangedor no seu funeral.
Eu consigo acreditar num monstro qualquer detonando New York (e por que não, a essa altura do campeonato? Hollywood já me convenceu que pode acontecer a qualquer momento), mas não consigo engolir uma patotinha de amigos seguindo o rapaz apaixonado em direção ao bicho enquanto o exército americano mal consegue causar cócegas nele.
Isso foi o que finalmente causou aquela perturbação durante o filme pra mim. O tempo todo a idéia era transmitir idéia de realismo, tentando indiretamente fazer você pensar “nossa, imagina eu nessa situação”. Com esse disparate dos caras seguindo o maluco sem motivo nenhum a não ser o desejo de não viver mais, o filme se auto-sabotou e destruiu totalmente a idéia de realismo.
Vejo muitas críticos dizendo que o filme foi chato porque a turminha passa o tempo inteiro ocupados com o contraditório exercício de simultaneamente fugir e correr pra onde o monstro está. ”Filme chato”, eles dizem, porque os personagens principais em momento algum apanham uma bazuca ou aprendem a pilotar um caça a jato, enquanto aquele típico rock cinematográfico rola no fundo e eles andam em câmera lenta, um do lado do outro, em direção ao alien pra batalha final.
Porra, vocês esqueceram que a idéia do filme era mostrar uma história mais realista no típico cenário do monstro-detonando-a-cidade? Se qualquer um de nós estivesse na situação dos protagonistas, você não se preocuparia em obter armamentos pra lutar contra o monstro no um-a-um. Isso se deve ao fato que você estaria muito ocupado correndo a altas velocidades na direção contrária, parando ocasionalmente pra rezar pra todas as divindades conhecidas e notar que cagou as próprias calças de tanto terror.
Acho que talvez eu esteja pegando muito pesado com o filme. A proposta de um testemunho em primeira pessoa da tragédia é convincente, a proposta é original apesar de não ser inédita, os efeitos são muito bem feitos, e dá quase pra se identificar com o protagonista principal (o único que não é completamente one-dimensional).
Mas no final das contas, Cloverfield ainda é um filme que vai fazer você vomitar.
Indy’s Back, Bitches!
Escrito por Kid on Feb 14, 2008
Se há um benefício absolutamente inegável de ser uma criança dos anos 80, foram as inesquecíveis trilogias cinematográficas daquele período. Back to the Future, Star Wars, Die Hard, Beverly Hills Cop, Rocky, Rambo… foram muitas contribuições marcantes. Por motivos que eu posso apenas suspeitar se tratar de “alguém precisa de mais dinheiro pro seu hábito de cheirar pó”, as estrelas sexagenárias que protagonizaram aquelas séries começaram a sair de seus asilos pra filmar a quarte parte de suas sagas. Nem vou entrar nessa discussão filosófica a respeito dos critérios artísticos (ou falta dos mesmos) empregados nesse tipo de sequência que alguns gostam de tachar de caça níqueis.
Sinceramente, eu não poderia me importar menos com isso. Ainda que os motivos por trás da produção dessas sequências de filmes clássicos envolvessem rituais demoníacos em que filhotes de cachorrinhos fossem injetados com vírus HIV, triturados em liquidificadores e em seguida transformados em carne moída pra uma escola de órfãos, eu não poderia culpa-los. E sabe por quê? Porque todos esses cachorrinhos morreram por uma boa causa. Indiana Jones estará de volta às telonas.

O filme sai dia 22 de maio, e aí está o trailer. E aquela história do Harrison Ford se recusar a filmar a película a menos que ele pudesse empunhar o icônico chicote que tinha sido vetado por questões de segurança? Eu não faço a mínima idéia de que fim levou essa história. Eu não esperava que o estúdio cedesse aos desejos do ator. Afinal de contas, o filme é dirigido pelo Steven Spielberg e tem produção executiva do George Lucas, dois cineastas que, se tivessem a oportunidade, substituiriam qualquer coisa num filme (atores, sets, copos dágua, roteiro) por dublês digitais dos mesmos, sem economizar no antialiasing nem lense flares.
Me surpreendo muito que não fizeram um boneco digital com a imagem do Ford de trinta anos atrás pra estrelar na parada. Afinal de contas, Harrison Ford é atualmente mais velho do que Sean Connery era quando o último interpretou o pai do primeiro em The Last Cruzade. Tente imaginar o Sean Connery sendo o protagonista naquele filme, fazendo acrobacias com um chicote e esmurrando nazistas. Mais complicado, né?
Agora me dêem licença pra ligar pro meu pai e dar as boas novas pro véio. Ele não é tão antenado nesses lançamentos como nós, nerds que recebem internetemente os anúncios sobre o início dessas produções meses antes delas começarem. Ele não deve fazer a menor idéia que esse filme estava sendo produzido, essa notícia será como um Natal adiantado pra ele – assim como Die Hard 4 e Rambo 4 foram há pouco tempo.
Iron Man
Escrito por Kid on Feb 7, 2008
Como alguns amigos mais chegados sabem, eu entrei de cabeça no mundo dos quadrinhos ultimamente. Ler HQs era aquele desejo consumista que eu acalentava há anos, mas me via impossibilitado de alcançar, por dois motivos.
O primeiro é que as histórias dos super heróis em que eu me interessava já acontecem há anos; acompanhar uma continuidade estendida por milhares de revistas ao longo de DEZENAS de anos seria como tentar fazer malabares com cinco cubos mágicos e resolve-los ao mesmo tempo. É muita coisa pra processar.
A solução pra este problema trouxe uma complicação paralela. Pros newbies como eu, o melhor é comprar os TPB, ou seja, os trade paperback – volumes encadernados com todos os fascículos de um determinado arco da história dos personagens. Assim, eu não teria que sair caçando as trocentas revistas necessárias pra compreender o que acontece com a vida dos heróis. O problema com essa solução é que trade paperback são relativamente caros, na faixa de 30-40 dólares.
Mas bastou comprar meu primeiro TPB pra perceber que esse era o hobby que eu sempre quis ter na vida, e de repente esse preço não pareceu mais tão alto. É raro passar por uma loja de quadrinhos e não torrar pelo menos 100 dólares de uma vez, provocando total desespero da namorada.
Ler quadrinhos se tornou uma das minhas principais atividades hoje em dia, suplantando até mesmo a jogatina em videogames que praticamente me define como pessoa.

Aí acima está minha humilde coleção. Certamente bem menor do que a de muitos que lêem esse site, mas levem em consideração que eu comecei a comprar essas merdas no finzinho do ano passado. Cabei de fazer as continhas aqui – nos últimos três meses gastei pouco mais de mil dólares montando a pequena coletânea que você vê aí acima. Ou seja, estou me dedicando profundamente à nova nerdice. E, como não podia deixar de ser, já tenho uma imensa gama de idéias pra textos inspirados no meu novo hábito. Espero que haja leitores de quadrinhos entre vocês, senão ninguém vai gostar dos posts que estou escrevendo.
Então. Antes mesmo de ler qualquer coisa sobre o personagem, eu tinha uma fascinação pelo Iron Man. Nada mais apropriado então que, como pontapé inicial da minha coleção, eu optei por um quadrinho do Tony Stark. Ultimate Iron Man volume 1 (que engloba Ultimate Iron Man #1 ao #5). E desde então minha predileção pelo industrialista apenas aumentou.
Naturalmente, eu não pude deixar de me animar muito quando os primeiros trailers do filme do personagem começaram a aparecer na internerds.

Admita. Tá foda.
Aqui está o primeiro trailer do filme. O teaserzinho que passou durante o Superbowl no fim de semana passado tá aqui.
Melhores textos
Fui pro casamento de um amigo meu na sequência de umas 30 horas sem dormir. Como se pode imaginar, eu me fodi todo. Leia isso aí.
Esta é a maior pérola do cinema asiático e sua vida será infeliz eternamente se você não parar o que está fazendo e ler este texto.
Me ajude a solucionar este mistério que assola a humanidade desde seu primórdio. Clique aí.
Se você é gamer e acabou de comprar um iPhone ou um iPod touch, é exatamente este link que você quer clicar. Manda brasa.
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