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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Cinema</title>
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			<title>Hoje é um Bom Dia</title>
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		<title>Alluda Majaka: O melhor filme indiano que eu já vi</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 10:29:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
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Você deve saber que a Índia, além de monopolizar call centers e competir com a China pela posição de provável superpotência mundial nos próximos 20 anos, tem uma afeição por cinema.

Acredito que isso aí é o equivalente indiano de &#8220;Senhor e Senhora Smith&#8221;. London deve ser &#8220;Smith&#8221; em indiano.

E a máquina do cinema indiano &#8211; [...]]]></description>
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<p>Você deve saber que a Índia, além de monopolizar call centers e competir com a China pela posição de provável superpotência mundial nos próximos 20 anos, tem uma afeição por cinema.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Lol" src="http://img147.imageshack.us/img147/9840/namastey4ak7.jpg" alt="" width="244" height="353" /></p>
<p style="text-align: center; ">Acredito que isso aí é o equivalente indiano de &#8220;Senhor e Senhora Smith&#8221;. London deve ser &#8220;Smith&#8221; em indiano.</p>
<p style="text-align: center; "><span id="more-1594"></span></p>
<p>E a máquina do cinema indiano &#8211; referida carinhosamente como &#8220;Bollywood&#8221; &#8211; não se limita a comédias românticas não recomendadas pra diabéticos nem drama mela-cueca, não! De vez em quando um estúdio qualquer libera alguns quatrilhões de rúpias (a Índia, como qualquer país fodido que se preze, deve ter uma inflação FODIDA) , e algum Steven Spielberg de bigode põe a mão na massa e tentam emular a ação cinematográfica americana.</p>
<p>Olha só. Se você alguma vez se lamentou pelo fato de que o cinema brasileiro não faz tentativas similares, rapidinho você vai entender que isso é na verdade uma benção. Xeu explicar por que.</p>
<p>O cinema indiano é que nem a menina de 7 anos que, após observar a mãe se arrumando pro trabalho, pega o estojo de maquiagem e pinta a cara com oito cores diferentes, passa baton na orelha, come um pouco do ruge e vomita em cima da cama: através da observação eles pegaram a idéia principal, mas a execução &#8211; além de falhar catastroficamente &#8211; é uma das coisas mais engraçadas que você já viu na vida.</p>
<p>Estava eu noutro dia passeando por um desses fóruns em que os usuários, unidos pelo amor pela pornografia, trocam largas quantidades de links pra todo tipo imaginável putaria. Um dos foristas devia ter dado Ctrl C no link errado, porque o que ele postou no tópico foi isto aqui.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="295" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/7-2yDNz9peU&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="295" src="http://www.youtube.com/v/7-2yDNz9peU&amp;hl=en_US&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>O épico acima se chama &#8220;Alluda Majaka&#8221;, e a única coisa que sei sobre ele é que é um filme de ação indiano lançado em 1995.</p>
<p>O forista misterioso, que nunca mais retornou ao tópico aliás, não nos deu nenhum contexto em relação ao filme ao qual a incrível cena pertence. Fomos obrigados a teorizar que é um trecho de Puta Que Pariu! &#8211; O Filme.</p>
<p>O filme (vou tratar a cena como se fosse O FILME, tá? Mais fácil que ficar falando &#8220;naquela cena do filme&#8230;&#8221; o tempo todo) abre com o nosso Herói algemado e sendo levado de camburão à delegacia &#8211; provavelmente.</p>
<p>Que crime o sujeito teria cometido? Podemos ver que ele adere pelo menos a uma das leis indianas mais importantes, que é manter um bigode de pelo menos 8 centímetros de comprimento. Então, não deve ser um completo fora-da-lei.</p>
<p>Como o Herói tinha coisas mais importantes a fazer naquele dia (&#8221;não ser espancado por policiais corruptos de terceiro mundo&#8221;, logo após &#8220;levar o menino pro dentista&#8221;), ele nem pensa duas vezes &#8211; com potentes chutes bem no meio do peito de seus captores, ele os projeta pra fora do camburão, derrubando as portas laterais que estavam presas por um clipe de papel aparentemente.</p>
<p style="text-align: center; "><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/garantia.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1601" style="border: 1px solid black;" title="Eu duvido que a garantia cubra isso." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/garantia.jpg" alt="" width="301" height="202" /></a></p>
<p>O Herói salta pra fora do veículo, desce o cacete em mais um policial armado. Enquanto ambos dançam um balé coreografado, o policial dispara vários projéteis.</p>
<p>Considerando que a Índia é um dos países mais populosos do mundo, cada uma daquelas balas deve ter matado ao menos cinco transeuntes. E se os tiros forem à queima-roupa, estamos falando de vários metros de bigodes chamuscados.</p>
<p>O policial então é arremessado contra o primeiro de muitos parabrisas que explodirão ao longo do filme. Um outro tira apanha o rádio e chama reforços, e então começa a perseguição mais alucinante (e surreal) jamais capturada em celulóide.</p>
<p>O Herói sai correndo no meio de um engarrafamento, e um dos policiais acredita que é uma boa idéia persegui-lo DE MOTO, EM ALTA VELOCIDADE. Previsivelmente o motociclista se enfia no primeiro veículo  que bloqueia sua trajetória, e o impacto projeta o pobre policial a órbita geosíncrona.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/blastoff.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1603" style="border: 1px solid black;" title="Blast off! Ou aquela frase lá que o Buzz Lightyear falava." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/blastoff.jpg" alt="blastoff" width="260" height="184" /></a></p>
<p>O Herói jamais pára, nem mesmo após ter praticamente iniciado o programa espacial indiano. Dois jipes tentam bloquear sua correria, mas o habilidoso indiano pula por cima dos dois como se fosse um ginasta olímpico. Se o Herói fosse um personagem de 3D&amp;T, ele e seu bigode juntos teriam oito pontos de Habilidade.</p>
<p>O cara então decide que esse negócio de andar no chão é meio perigoso e decide sair correndo por CIMA dos carros. Quando menos se espera, o espaço aéreo da região é invadido por uma moto voadora inexplicável (que diabo de técnica de perseguição policial é essa? &#8220;Jogue uma moto contra o suspeito!&#8221;?), mas o Herói desvia com habilidade e escapa.</p>
<p>E aparentemente ele gastou toda a habilidade dele, porque na queda ele engancha o pé entre dois carros. De longe vemos outro jipe da polícia, em alta velocidade ao seu encalço. Nosso Herói se tornará pizza de asfalto em poucos segundos, e os créditos rolarão.</p>
<p>O nosso MacGyver asiático então remove um pedaço do carro sob o qual ele se encontra preso, e o arremessa contra o jipe que se aproxima. O troço se prende à grade do jipe e por motivos que desafiam tudo que conhecemos sobre as leis naturais que regem o universo, isso faz o jipe sair voando.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/flaps.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1604" style="border: 1px solid black;" title="Futuramente disponível no Flight Simulator - Indian Edition" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/flaps.jpg" alt="Futuramente disponível no Flight Simulator - Indian Edition" width="392" height="281" /></a></p>
<p>A única maneira dessa sequência fazer sentido é se as viaturas policiais indianas têm um &#8220;modo avião&#8221;, assim como o meu celular, mas de forma mais literal. O susto provocado pelo cano arremessado contra o jipe fez o policial apertar um botão sem querer, que causou o jipe a decolar com destino à altitude comercial de trinta mil pés.</p>
<p>Infelizmente como a decolagem súbita não foi antecipada pelo motorista/piloto,  ele falhou em checar todos os sistemas pré-vôo. Por isso, o reversor da turbina invisível (outra tecnologia indiana que um dia dominará o ocidente) não foi desativado, resultado num desastre aéreo que vitimou os tripulantes do carro/aeronave.</p>
<p>Agora, a próxima cena é importante. Eu imagino que eles mataram uns sete ou oito cavalos filmando essa sequência.</p>
<p>Uma inexplicável cavalaria aparece em perseguição do Herói. Por que afinal de contas, se motos e carros não conseguiram alcançar o cara, talvez um downgrade nos modos de transport&#8230; wait, isso não faz o menor sentido, porra! Eu imagino que o diretor do filme ganhou esses cavalos numa rifa ou algo assim, e decidiu que ia coloca-los na fita não importa o que.</p>
<p>(Aliás, deixa eu mencionar aqui que a trilha que toca na cena é familiar porque uma musiquinha muito semelhante foi usada no filme A Rocha)</p>
<p>Na tentativa de apreender o fugitivo, um dos policiais montandos enfia as patas do cavalo por mais um parabrisas. O Herói, mais safo que um sabonete besuntado com KY, escapa por um fio mais uma vez.</p>
<p>É nessas que dois dos tiras chegam mais perto e, usando laços que soam como QUALQUER COISA menos laços, conseguem capturar o Herói. E eles saem arrastando-o pela rua, levantando ainda mais questões sobre os procedimentos policiais indianos.</p>
<p>Eis que um poste se aproxima. Os policiais que seguram as cordas vão um pra cada lado do post, o que implica que eles planejavam realmente matar o protagonista, ou não entendem como o corpo humano funciona.</p>
<p>O Herói, agindo rapidamente pra salvar a própria vida salta do chão e&#8230; acerta o poste com a virilha. Isso mesmo. ESSE ERA O PLANO DELE: bloquear o impacto com os testículos.</p>
<p>Essa acrobacia &#8211; que se tivesse acontecido no planeta Terra teria partido o personagem em duas fatias simétricas &#8211; não apenas salva a vida do cara, como também faz os cavalos que o arrastavam dêem uma cambalhota em câmera lenta e caiam num mangue que brotou ali nas rendondezas.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/esgoto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1605" style="border: 1px solid black;" title="Alguém escreveu essa cena, leu-a, e pensou &quot;yep, é assim que o mundo real funciona&quot;" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/esgoto.jpg" alt="Alguém escreveu essa cena, leu-a, e pensou &quot;yep, é assim que o mundo real funciona&quot;" width="351" height="285" /></a></p>
<p>E pra tornar a coisa maleficamente hilária, você pode ver claramente os fios que usaram pra fazer os cavalos tropeçarem de cabeça na água rasa. E seus jóqueis saem voando, como praticamente tudo no filme.</p>
<p>Mas ainda há outros policiais montados atrás do protagonista. Usando a corda que o prendia (e que não está atada a nada, lembre-se), ele derruba o resto da cavalaria inteira.</p>
<p>Novamente, atente pros fiozinhos atados nas pernas dos pobres animais. Dá pra ver elas por um segundo, logo antes do momento em que os bichos enfiam a cara no chão enquanto desenvolviam velocidade máxima.</p>
<p>O Herói, que até então tava se dando muito bem a pé, decide pegar emprestado um dos cavalos que não sofreu traumatismo craniano na queda. E surgem do éter indiano mais policiais montados correndo atrás do cara.</p>
<p>E chega um momento icônico do filme, imortalizado na internet no formato .GIF. Quando um caminhão bloqueia a trajetória do Herói e seu cavalo, o cara faz a coisa mais fisicamente impossível jamais concebida por um escritor de filme de ação. Nem quando brincava com meus bonequinhos eu desrespeitava tanto as leis universais que descrevem movimento e fricção.</p>
<p>O cara poderia ter pulado o caminhão com facilidade, já que  a cena inteira parece acontecer num cenário montado na Lua. Ao invés disso, ele DESLIZA COM O CAVALO POR BAIXO DO CAMINHÃO, como se este estivesse deitado em cima de vários skates.</p>
<p>Já o jipe que perseguia o cara passa voando sobre o caminhão, de acordo com o esperado.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/cena.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1606" style="border: 1px solid black;" title="&quot;Yep, não há nada de implausível nessa cena. Pode mandar o roteiro pro diretor.&quot;" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/cena.jpg" alt="cena" width="419" height="249" /></a></p>
<p>Tou sem palavras pra descrever o resto do filme. Há mais sequências-clichê de gente (e objetos inanimados) voando, parabrisas sendo estilhaçados, nego caindo por cima de balcão de feira de fruta, tá tudo lá.</p>
<p>Tal qual o exemplo da criança tentando se maquiar, todos os elementos da perseguição hollywoodiana estão lá, mas misturados exageradamente um por cima dos outros, de uma forma que o resultado final é praticamente uma paródia do objetivo desejado.</p>
<p>E pra não dizerem que faltou explosões, a seqência termina com a ignição espontânea de uma frota inteira de carros, e o uso mais evidentemente óbvio de chroma key que eu já vi na vida.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/HAHA.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1607" style="border: 1px solid black;" title="Industrial Light and Magic, filial de Nova Déli" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2010/03/HAHA.jpg" alt="Industrial Light and Magic, filial de Nova Déli" width="443" height="268" /></a></p>
<p>Se você achava que o uso da técnica em Chaves era hilariamente forçado, think again.</p>
<p>A cômica incorência do filme se estende até ao artigo da Wikipédia que o descreve. Segundo ela,</p>
<blockquote><p>The movie was directed by <a style="text-decoration: none; color: #002bb8; background-image: none; background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: initial; background-position: initial initial; background-repeat: initial initial;" title="E.V.V. Satyanarayana" href="http://en.wikipedia.org/wiki/E.V.V._Satyanarayana">E.V.V. Satyanarayana</a> and was released in 1995, at a time when Chiranjeevi was slightly less obese than usual.</p></blockquote>
<p>Ou seja, o filme foi lançado em 95, quando o ator principal &#8220;era menos obeso do que de costume&#8221;. Não &#8220;menos gordo&#8221;, veja bem.</p>
<p>Menos OBESO. O ator principal da película é alguém que, quando em seu melhor condicionamento físico, é referido como &#8220;MENOS OBESO&#8221;.</p>
<p>O humor não-intencional de Alluda Majaka é tão denso que passa por osmose até mesmo pras mídias relacionadas, como esse artigo da Wikipédia. O descompromisso com a realidade é tamanho que, perto desse filme, Comando Para Matar e Stallone Cobra parecem documentários.</p>
<p>Temo que o imperialismo norteamericano que oprime a indústria de locadoras aqui  do bairro me impedirá de assistir Alluda Majaka em toda a sua glória e esplendor, mas eu sinto que esses cinco minutos aí do youtube me mostraram tudo que eu precisava saber sobre o filme.</p>

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		<title>Filmes de &#8220;paródia&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jun 2008 17:06:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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Quando Scary Movie (Todo Mundo Em Pânico) saiu em 2000, eu sabia que não seria o tipo de filme que eu iria gostar. Comédias de paródias dependem muito de humor físico e trocadilhos (quase sempre de contexto sexual), o que eu considero humor &#8220;barato&#8221;, de denominador comum pra agradar as massas. Sou elitista mesmo. 
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<p>Quando <em>Scary Movie</em> (Todo Mundo Em Pânico) saiu em 2000, eu sabia que não seria o tipo de filme que eu iria gostar. Comédias de paródias dependem muito de humor físico e trocadilhos (quase sempre de contexto sexual), o que eu considero humor &#8220;barato&#8221;, de denominador comum pra agradar as massas. Sou elitista mesmo. </p>
<p>Porém, era interessante ver o resurgimento desse estilo de filme. <em>Airplane!</em> (Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu) foi o maior expoente dessa categoria de filmes, e desde então não havia nada que se comparasse. Com a exceção talvez de Spaceballs, mas por ser fã de Star Wars eu considero aquilo uma blasfêmia.<br />
<span id="more-885"></span><br />
Scary Movie tinha como alvo específico os filmes de terror e os estereotipos a respeito deles; seria ao menos interessante ver como eles iriam parodiar os temas constantes dos filmes do tipo.</p>
<p>Isso foi a oito anos atrás. Nos anos mais recentes, a turma responsável pelo filme parodiando filmes de terror achou que a idéia poderia se extender com sucesso aos outros temas cinematográficos. Deve ter parecido uma idéia <strong>GENIAL</strong> pra eles, tenho certeza.</p>
<p><center><img src="http://img503.imageshack.us/img503/1657/meetthespartansposterbf9.jpg" border=1> <img src="http://img503.imageshack.us/img503/4269/200pxdatemovielx1.jpg" border=1> <img src="http://img503.imageshack.us/img503/5907/200pxepicmoviepostergd3.jpg" border=1> </center></p>
<p>Not Another Teen Movie. Date Movie. Epic Movie. Meet The Spartans. Superhero Movie. Isso pra não mencionar os outros três Scary Movies, cada um exponencialmente mais burro que o outro, e as inevitáveis sequências dos outros [Gênero] Movies. </p>
<p>E, agora, os mesmos culpados trazem ao mundo Disaster Movie, cujo trailer você poderá &#8220;apreciar&#8221; abaixo.</p>
<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Xbw0J0UhyH4&#038;hl=en"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Xbw0J0UhyH4&#038;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
<p>Não sei você, mas eu me sinto 70% mais burro só por ter assistido o trailer até o fim (não quero nem imaginar as consequências de assistir o filme inteiro, ou pior ainda, pagar pra vê-lo no cinema).</p>
<p>O mais recente desses filmes que eu assisti foi Epic Movie, justamente porque eu queria escrever uma resenha sobre ele. Lá pela metade do filme eu percebi que gastar mais de uma linha pra descrever o quanto o filme é retardado seria um desperdício de tempo e energia, porque a idéia parte do princípio que alguém precisaria ser informado que o filme é ruim. </p>
<p>O filme vai além de ser simplesmente &#8220;retardado&#8221;. Ele é um filme retardado e com crise de identidade. A premissa do filme é parodiar filmes &#8220;épicos&#8221;, supostamente os <em>summer blockbusters</em>. Por isso eu entendo que o pano de fundo principal pra &#8220;paródia&#8221; é Crônicas de Nárnia.</p>
<p>O que eu não entendo é por que, em um determinado momento do filme, um sujeito vestido de Borat aparece do nada no meio do filme.</p>
<p><center><img src="http://www.mtv.com/shared/promoimages/movies/e/epic_movie/borat/281x211.jpg" border=1></center></p>
<p>Não há uma piada. Não há uma paródia (até porque, qual o sentido de parodiar <b>UMA COMÉDIA</b>?). Há apenas alguém fantasiado de uma outra figura facilmente reconhecível. </p>
<p>Aí eu notei que esse é o principal mote por trás dos [Gênero] Movies. Não há realmente uma paródia; é simplesmente piadinhas referenciais. Os caras enfiam uma sósia de um personagem qualquer (esteja este personagem relacionado ao tema sendo parodiado ou não) no filme, e pronto. &#8220;Ei espectadores, lembram disso que você viu em outro filme? Engraçado pra caralho, né não?&#8221;</p>
<p>Essa é a piada.</p>
<p>E nesse Disaster Movie eles resolveram remover todos os escrúpulos e apelar firmemente nessa técnica humorística. Veja a aparição do Iron Man, cujo único propósito pra estar no filme é&#8230; ser esmagado por uma vaca? Hilário. Iron Man não é um filme-desastre, e pelo jeito nenhuma faceta da história do personagem é parodiada. A única coisa que acontece nesse trailer é a) um personagem reconhecível aparece na tela, e b) uma vaca cai em cima dele, numa provável referência a Twister.</p>
<p>Idem pra aparição de Hancock, protagonista do filme homônimo do Will Smith. Ele tenta voar, tal qual no trailer, e bate com a cabeça num poste e cai.</p>
<p>O pequeno problema é que <strong>HANCOCK AINDA NEM FOI LANÇADO.</strong> Não sabemos nada da história do filme além do que pode ser visto no trailer, e de fato Disaster Movie está simplesmente parodiando o trailer de Hancock. A fórmula se repete &#8211; o personagem reconhecível aparece, e se machuca em seguida. O mesmo acontece em novamente com a &#8220;paródia&#8221; de Ella Enchanted. Ela aparece, é atropelada, pronto, aí está a piada.</p>
<p>Quando as &#8220;paródias&#8221; desse tipo de filme nem mesmo requerem conhecimento do material parodiado, você sabe que as piadas são realmente sem nenhum tipo de esforço ou inteligência. O humor desse tipo de filme, que aparentemente foi maximizado em Disaster Movie, se limita a &#8220;ei, lembra desse personagem daquele outro filme? Aqui está ele se machucando de alguma forma!&#8221;</p>
<p>Você tá entendendo o que eu tou tentando falar? Não há uma piada de verdade nesse tipo de filme. Não há sátira alguma, não há uma reinterpretação sarcástica de material relacionado ao tema de filmes-desastre. Não é preciso nem que você tenha assistido um filme de desastre pra entender o negócio. O que há é um personagem reconhecível &#8211; de filmes que nem haviam sido lançados ainda quando este começou a ser produzido &#8211; levando socos nos ovos ou sendo empurrados pra dentro de buracos. A premissa desses filmes é &#8220;aqui estão referências a vários outros filmes que você assistiu antes, sem necessariamente uma trama que conecte essas aparições de uma forma coerente&#8221;.</p>
<p>Chega a me dar tristeza o fato de que pessoas que eu conheço não apenas assistirão o filme, mas também PAGARÃO pra isso, e pra piorar, vão falar que foi engraçado pra caralho.</p>
<p>Ao menos o nome é apropriado. Esse filme será um desastre.</p>

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		<title>Resenha &#8211; Cube Zero</title>
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		<pubDate>Wed, 21 May 2008 19:33:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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Como se fala wood chipper em português? Não era o tipo de palavra que eu costumava usar com frequência mesmo quando morava no Brasil, e após cinco anos falando português apenas quando quero berrar contra meu irmão por não ter dado a descarga, é natural que palavras mais inúteis vão aos poucos fugindo do meu [...]]]></description>
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<p>Como se fala <em>wood chipper</em> em português? Não era o tipo de palavra que eu costumava usar com frequência mesmo quando morava no Brasil, e após cinco anos falando português apenas quando quero berrar contra meu irmão por não ter dado a descarga, é natural que palavras mais inúteis vão aos poucos fugindo do meu domínio.</p>
<p>Então. Wood chipper é isso aqui:</p>
<p><center><img src="http://img132.imageshack.us/img132/6219/14d6chipper400se8.jpg" border=1 alt="" /></center><br />
O troço é essencialmente uma máquina trituradora usada pra se livrar da madeira indesejada resultante da derrubada de árvores que o Capitão Planeta nos alertou tanto a respeito. Como o funcionamento do aparelho não consegue distinguir madeira de outros materiais, a máquina é na verdade bastante versátil e serve pra se livrar de várias outras coisas indesejadas, ou que você prefira ter em pedacinhos. </p>
<p>Até a chegada do futuro conforme predito por <em>Star Trek</em>, isso é o mais próximo de desmaterialização que nossa tecnologia permite. Um objeto que tenha o azar de ser colocado dentro de um wood chipper terá suas partículas violentamente separadas umas das outras por intermédio de uma miríade de lâminas afiadíssimas.</p>
<p><strong>[Update]</strong> O <a href="http://www.ueba.com.br">Knuttz</a> me falou aqui no MSN que o nome disso é &#8220;picadora de madeira&#8221;. Ao menos agora sei o nome da parada, mas por motivos de consistência vou continuar usando o termo gringo.<strong>[/Update]</strong></p>
<p>Agora, imagine-se enfiando seu braço lentamente num wood chipper, enquanto a saída do equipamento do outro lado expele o confete sanguinolento que costumava ser sua mão, e a onda de dor subitamente toma conta do seu corpo de forma tão poderosa que você vomita, escorrega no vômito e cai dentro da máquina.</p>
<p>Essa é, de forma concisa, o resumo da experiência de assistir <strong>Cube Zero</strong>.<br />
<span id="more-869"></span></p>
<p><center><img src="http://www.carballada.com/wordpress/wp-content/uploads/cube-zero.jpg" border=1></center><br />
<strong>Cube Zero</strong> é um filme canadense de 2004 que é um prequel de <strong>Cubo</strong>, de 1997. Os leitores de longa data já sabem qual é a <a href="http://hbdia.com/wordpress/2006/08/26/641/">minha opinião sobre o primeiro filme</a> e, apesar de eu não ter me dado ao trabalho de resenhado o filme intermediário na trilogia (<strong>Cube 2: Hypercube</strong>), acho que vocês são espertos o bastante pra dar um palpite sobre minha opinião a respeito dele. </p>
<p>Afinal, como poderia ser melhor que o (ou pelo menos DIFERENTE do) primeiro filme? A premissa é exatamente a mesma, o cenário é idêntico, os atores dividem entre si a mesma quantia de talento (zero). É essencialmente o mesmo filme, porém com mais pitadas de ficção científica por cima.</p>
<p>Eu tinha conhecimento do tal Cube Zero, e sabia até de alguns detalhes de sua premissa &#8211; que é um prequel, e que parte da história se passa do lado de fora do Cubo. Isso me deixou levemente interessado, já que boa parte da frustração com o primeiro filme se deu graças a total falta de explicações sobre o negócio. Pondo parte foco do lado de fora do Cubo era promissor, porque quem sabe os roteiristas veriam isso como um bom motivo pra nos dar algum tipo de explicação.</p>
<p>Comigo é o seguinte. Eu não me importo em ver situações absurdas num filme, mas quero ver como é que o roteirista bolou uma forma interessante de justifica-las. Quando alguém coloca acontecimentos inexplicáveis num filme e não me aparece com uma elucidação bem bolada, eu me sinto como se tivesse feito papel de otário pelas últimas duas horas que gastei assistindo o filme. </p>
<p>É muito fácil pra um fã babaca vomitar o discursinho pronto falando que &#8220;tem gente só gosta de filme mastigadinho mimimi&#8221;. Filme mastigadinho o caralho. Quando assisto um filme eu quero ser contado uma história. Se você me diz &#8220;tem um monte de gente num cubo e eles morrem. Pronto&#8221;, isso não é uma história. </p>
<p>E se você acha que a única forma que um filme pode evitar ser demasiadamente &#8220;mastigadinho&#8221; é mostrar pouco em termos de história além de gente sendo decepada, você é um idiota e eu desejo que você seja atropelado amanhã no caminho da faculdade, e arrastado por cinco quilômetros da direção oposta. Assim, não apenas você estará com múltiplas fraturas expostas e um possível traumatismo craniano, você estará também atrasado pra aula de Cálculo Diferencial.</p>
<p>É daí que veio a maior parte da irritação quando escrevi a resenha do primeiro filme &#8211; o completo desinteresse do roteirista de bolar uma história interessante pra explicar a premissa do filme. Agora que assisti o terceiro filme e vi que algumas parcas explicações foram dadas pra justificar a existência do Cubo, me sinto ainda <strong>MAIS</strong> idiota por ter mantido a esperança que havia alguma coisa aproveitável na história do filme, caso tivessem deixado menos mistérios. Ao invés de pensar &#8220;hmm, um cubo gigante cheio de armadilhas, quem sabe com uma história criativa o conceito se torne interessante&#8221;, eu deveria ter pensado &#8220;hmm, um cubo gigante cheio de armadilhas, que idéia retumbantemente implausível e retardada&#8221;.</p>
<p>Pra quem nunca assistiu nenhum dos filmes e não tá com saco pra ler a minha primeira resenha, vou me auto-plagiar e colar aqui um pedacinho dela. Pra você ver como os filmes desviam pouquíssimo da premissa original, esse trecho da resenha descreve com precisão os três filmes.</p>
<blockquote><p>(&#8230;)pessoas acordam dentro de uma espécie de prédio composto de diversas salas cúbicas. Os personagens se encontram, trocam informações que você sabe imediatamente que são decisivas pro desfecho da “trama”, e então começam a morrer, porque as salas cúbicas são cheias de armadilhas. </p>
<p>Ou seja, o Cubo está lá, as pessoas estão lá, e umas armadilhas também estão lá. Isso é tudo que você merece saber. Como assim, você quer entender o que é o tal Cubo? Não há o que entender, o Cubo é um cubo e pronto.</p></blockquote>
<p>É isso. A diferença notável do terceiro filme é que eles nos revelam um pouco sobre o exterior do Cubo (uma salinha de monitoração em que moram dois indivíduos encarregados com a tarefa de observar os prisioneiros. Ao longo do filme você entende que os próprios vigias são, de certa forma, prisioneiros também) e seu propósito. </p>
<p>E aí começam os vários absurdos buracos na trama. Em um determinado momento no filme, os vigias recebem uma ligação de seus superiores, que os informam de alguma coisa que aconteceu dentro do Cubo, e que eles devem lidar com ela. Aí fica a inevitável pergunta &#8211; qual o propósito de ter uma estação de monitoração se os organizadores da parada vão monitorar o Cubo por conta própria, e além disso, fazer um trabalho melhor já que eles detectam eventos que passam despercebidos pelos seus contratados?</p>
<p>Os fãs do filme dirão que isso ressalta a idéia de que os tais vigias eram simplesmente outra faceta da experiência do Cubo, e que eles não realmente monitoram a parada, apenas pensam que fazem isso. No entanto, isso seria supor que os autores da história davam a mínima pro que estavam escrevendo, ou que a história segue algum tipo de propósito lógico. Infelizmente, o histórico da série não me permite dar esse voto de confiança ao roteiro.</p>
<p>Como falei antes, a trama dos três filmes é essencialmente a mesma, de forma que uma resenha completa seria um exercício de futilidade. Ao invés disso, vou listar as coisas que mais me incomodaram durante as intermináveis oito horas que o filme aparentemente durou.</p>
<p><strong>1) A personagem principal</strong></p>
<p><center><img src="http://thumbnail.search.aolcdn.com/truveo/images/thumbnails/B4/3F/B43FF2A990BA04.jpg" alt="" /></center><br />
Procurei imagens maiores, mas pela compreensivel falta de fansites do filme essa foi a melhorzinha que achei. Ok, minto. Tem essa aqui também:</p>
<p><center><img src="http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/cubo/cubo14.jpg" alt="" /></center><br />
Segundo os créditos do filme, essa é <strong>Stephanie N. Moore</strong>, uma atriz canadense cujo único outro papel digno de nota foi Enfermeira #3 em <em>John Q</em>, um drama estrelado pelo Denzel Washington. Entretanto, segundo a minha afiada memória esta pessoa se chama <strong>Michael J Fox</strong>, que é mais conhecido como o protagonista da série <em>Back To The future.</em></p>
<p>Passei o filme <strong>INTEIRO</strong> violentamente incomodado com esse fato. Toda vez que essa mulher aparecia na tela, eu falava &#8220;mas puta que o pariu, isso aí é o Michael J Fox com uma peruca loira!&#8221;. <strong>TODA VEZ</strong>. A única pessoa mais irritada com isso foi a minha mulher, que teve que ouvir meus berros de completa indignação o filme inteirinho.</p>
<p>Isso me incomodou de maneira inacreditável, porque a mulé é um personagem pivotal na &#8220;trama&#8221; do filme, e por isso foi impossível passar mais de três minutos sem vê-la na tela e consequentemente concluir que não há justiça nesse mundo. Afinal de contas, apesar do fato de que alguém se deu ao trabalho de produzir <strong>TRÊS</strong> filmes sobre o Cubo, nunca haverá um Back To The Future 4 que torne a clássica série dos anos 80 numericamente superior à trilogia do Cubo. </p>
<p>Rambo, Die Hard e Indiana Jones ganharam o quarto episódio e deixaram de participar do grupinho das trilogias, que se tornará permanentemente manchado com a presença de Cube Zero. BTTF não teve a mesma sorte.</p>
<p><strong>2) Buracos na trama</strong></p>
<p>A trama dos três filmes é tão estável e bem construída como uma castelo de cartas. E pro terceiro filme, é como se o baralho tivesse acabado e o sujeito se visse obrigado a usar cartas do fundo da casa pra completar o topo. Como não podia deixar de ser, essa manobra provoca o total colapso no mythos estabelecido pela série. Se você achava que não dava pra piorar uma idéia idiota, assista Cube Zero.</p>
<p>Lembra que eu falei que eu teria me dado por satisfeito se dessem explicações interessantes pra existência do Cubo? Então. Acontece que a premissa era tão absurda, que os roteiristas se viram com um problema na mão &#8211; &#8220;como vamos dar um sentido pra isso tudo sem fazer parecer que cada um de nós fumou três metros cúbicos de maconha da pior qualidade?&#8221;</p>
<p>É o seguinte. Nos dois primeiros filmes, há sugestões que o Cubo é algum tipo de experiência. Como não se sabe se o palpite está correto ou equivocado, não podemos gastar tempo elaborando as ramificações idiotas da idéia de que o Cubo é algum tipo de experimento. Afinal, algum fã idiota poderá responder dizendo que &#8220;&#8230;mas você não sabe se é uma experiência, então&#8230;&#8221;</p>
<p>Entretanto, agora sabemos que é, de fato, um experimento militar/super complexo penitenciário. Assim que isso ficou estabelecido, a minha raiva foi tamanha que nem mesmo jogar coelhos vivos dentro de um liquidificador ligado poderia apaziguar meus ânimos.</p>
<p>Pra começo de conversa, analisemos a logística de uma estrutura como o Cubo. Estamos falando de um prédio gigantesco, auto-suficiente, subterrâneo, com 17576 salas MÓVEIS (não tou chutando ou fazendo um exagero cômico, esse é o número EXATO dado pelo filme), cheio de armadilhas. Eu tenho a mais completa certeza que não existe dinheiro no<strong> MUNDO </strong>capaz de custear uma construção como essa, e ainda que houvesse tamanho esforço de engenharia seria com certeza empregado pra algo mais interessante que uma experiência científica ou uma prisão pra um grupo tão pequeno de pessoas.</p>
<p>E já que estamos nesse assunto, experiência do <strong>QUÊ</strong>? De descobrir o que acontece com o corpo humano após receber um jato de napalm bem no meio da cara? De analisar os resultados da exposição a ácido sulfúrico&#8230;? Você quer realmente que eu aceite a explicação de que o propósito do negócio era testar as maquininhas que faziam o sujeito explodir ao emitir uma frequência sonora altíssima?</p>
<p>Consigo até ouvir os viadinhos correndo pros comentários pra falar algo como &#8220;KID SEU VIADO O PROPÓSITO DA EXPERIÊNCIA ERA ANALISAR O COMPORTAMENTO HUMANO QUANDO O SUJEITO SE VÊ NUMA PRISÃO INESCAPÁVEL, E DA MESMA FORMA OBSERVAR A MANEIRA COMO SEUS CAPTORES OS TRATAM&#8221;. Ahn, é?</p>
<p>Ainda que eu resolva dar ao sujeito o benefício da dúvida e ignorar o óbvio problema ético e logístico inerente ao ato de enfiar um monte de gente num prédio onde eles serão mal tratados só pra analisar as dinâmicas sociais resultantes disso, sou obrigado a lembrar que tal experimento já foi feito, nos anos 70, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stanford_prison_experiment">e já sabemos o que acontece</a>. </p>
<p>Propôr que a idéia inteira por trás dos três filmes era refazer a Stanford Prison Experiment atinge um nível além de idiotice. Que tal, ao invés de montar uma empresa imensa pra gerenciar o projeto, convencer várias pessoas a participar, silenciar os que não concordaram em fazer parte do negócio, construir um imenso complexo subterrâneo e tudo mais que precisaria ser feito, <strong>fazer uma rápida pesquisinha e descobrir que a tal experiência já foi feita antes?</strong></p>
<p>E qualquer que eja o propósito da experiência, <strong>pra que repeti-la infinitamente</strong>? Em todos os filmes há alusões ao fato de que vários outros grupos perambularam pelo Cubo. O que tá pegando? Os carinhas lá no comando central da parada tão analisando os resultados e dizendo &#8220;<em>Ok, o fulaninho foi incinerado quando pisou na sala XYZ, e um dos participantes do grupo ficou doido e passou a brigar com os outros. Vamos começar tudo de novo e ver se dessa vez será diferente</em>&#8220;?</p>
<p>Os problemas com a falta de consistência dos filmes é imensa. Nos filmes anteriores, as pessoas que se encontram no Cubo lembram exatamente quem são e a última coisa que fizeram antes de acordar na prisão. O diretor de Cube Zero talvez não assistiu os filmes anteriores, porque ele esqueceu completamente desse detalhe e deu amnésia a todos os prisioneiros do Cubo no terceiro filme. E o que é pior &#8211; sem nenhum motivo aparente, o que dá justamente a idéia de que o cara nem conhecia a trama dos filmes anteriores.</p>
<p>E se o troço era uma prisão (como é sugerido em todos os filmes, e parcialmente confirmado no terceiro), porra, acho que nem preciso elaborar esse ponto. Quer dizer então que a melhor forma de lidar com dez ou doze criminosos é construir uma super-estrutura inteligente e&#8230; dar a eles dicas de como escapar, como por exemplo pôr códigos nas conexões entre as sala pra que os caras consigam se localizar? </p>
<p>O que, a propósito, é EXATAMENTE o mesmo mecanismo usado no PRIMEIRO filme? Até a forma como os personagens descobrem os códigos (que se tratavam de coordenadas) é idêntica ao primeiro filme. </p>
<p>E os erros de continuidade não acabam por aí. Lá pelo finzinho do filme, um dos vigias do Cubo (que passou o filme inteiro com uma previsível crise de consciência) entra no troço pra salvar o Michael J Fox de peruca. Os superiores dele, pra impedir que ele possa ajudar a mulé, ativam um comando que faz os códigos de identificação das salas derreterem.</p>
<p>Qual não foi a minha surpresa quando, mais adiante no filme, o cara chega numa das salas e diz &#8220;Ah, essa aqui é a A, Z, Z!&#8221; ao ler a mesma plaquinha metálica que, de acordo com o que foi apresentado minutos atrás, não deveria existir. Praticamente pulei no sofá de tanta inconformação.</p>
<p>Esse é o tipo de errinho que seria notado na primeira revisão do roteiro e/ou durante a edição do rolo, mas isso se aplica apenas a filmes que se prezam em manter algum tipo de coerência ou qualidade.</p>
<p>Há tantos erros no roteiro que aponta-los se torna um passatempo por si mesmo. No filme é explicado que quando cada experiência/sentença (no filme, eles dão a entender que são AMBAS) está terminada, eles fazem um &#8220;clean sweep&#8221; no cubo inteiro, pulverizando os restos mortais que povoam o negócio. Acontece que em todos os filmes, os participantes encontram corpos em avançado estado de decomposição. </p>
<p>Obviamente aqueles esqueletos deveriam estar dentro do cubo há alguns meses; acontece que ninguém vive mais de uma semana sem água, e portanto todos os participantes pertencentes ao grupo do esqueleto já deveriam ter morrido e sido pulverizados. Ou seja, não poderiam haver esqueletos no Cubo.</p>
<p>Analise isso aqui também &#8211; todos os filmes mostram os prisioneiros acordando em seu PRIMEIRO dia no Cubo, sendo inseridos lá APÓS o tal clean sweep. Logo teremos que supor que o corpo é um dos participantes do grupo atual, que morreu primeiro. Entretanto, como aquele corpo se decompôs tão rapidamente&#8230;? </p>
<p>As inconsistências não terminam por aí. Como expliquei antes, em um momento do filme um dos vigias (chamado Wynn) entra no Cubo pra ajudar uma cocota, e o outro vigia (que se chama Dodd) fica pra trás e é obrigado a lidar com a chefia do projeto, que resolve dar um pulinho na estação de monitoramento pra ver como anda o negócio. </p>
<p>Aqui está o problema &#8211; durante o filme INTEIRO, o tal do Dodd contrariava o Wynn se negando a responder as dúvidas daquele, sob medo de acabar se tornando mais um habitante do Cubo se desafiarem demais as decisões e a autoridade de seus superiores. Boa parte do filme parece ser voltado ao conflito entre os dois &#8211; de um lado, o conformista Dodd, que prefere apenas fazer seu trabalho e não fazer muitas perguntas. Do outro lado, o desafiante Wynn, que se vê cheio de dúvidas a respeito de seu trabalho e não parece ter medo de ir contra a convenção pra achar respostas.</p>
<p>Dois arquetipos clichês e previsíveis. Então, quando o Dodd se vê às voltas com a chefia e percebe que seu parceiro será assassinado por eles caso ele não se manifeste, o mesmo personagem que passou o filme <strong>INTEIRO</strong> sendo construído como um conformista que prefere não se envolver pessoalmente com os participantes do Cubo por medo de represálias resolve sabotar o projeto ali bem na frente do chefe dele. </p>
<p>Ou seja, eles pegaram toda a caracterização do personagem e <strong>SEM MAIS NEM ESSA</strong> passam por cima dela. </p>
<p>Não foi um caso de &#8220;cara malvado que vê a luz e toma uma última atitude que o redimirá&#8221;. O cara simplesmente passa de capacho dos seus superiores pra herói-altruísta-contra-o-sistema, <em>literalmente de uma cena pra outra.</em></p>
<p>Não houve elaboração nenhuma do negócio. Numa cena ele é um medroso que evita até mesmo fazer perguntas com medo de ser visto com maus olhos pela chefia, e no outro tá (tentando) salvar o dia, desafiando seu superior.</p>
<p><strong>3) Não tenho uma boa idéia pra entitular este item</strong></p>
<p>Sabe o tal chefe que eu citei antes? Ele se chama Jax. Então, em um momento do filme ele aparece na salinha de monitoração, que é pra lidar com o sumiço do Wynn. O momento que o cara entra no filme deixou claro, acima de qualquer coisa, que eu estava assistindo um péssimo filme. </p>
<p>Até aqui o filme estava tentando se manter um terror/suspense psicológico. Falhando miseravelmente, sim, mas ao menos <strong>TENTANDO.</strong> No momento que Jax entra em cena e uma musiquinha bem ridícula começa a tocar, tentando te indicar que esse sujeito é malvado, eu joguei as mãos pro alto e gritei &#8220;ahhh mas pelo amor de deus!&#8221;.</p>
<p>O tal Jax foi a merda que faltava pro filme descambar completamente. O cara é totalmente canastrão em sua tentativa de emular um vilão vaudeviliano, aqueles do cinema mudo que amarram a mocinha no trilho do trem enquanto afinam o próprio bigode. Como se não bastasse ele ser bem estereotípico (carrancudo, andando com ajuda de uma bengala, e caolho), o cara se recusa a se comunicar de uma forma que não seja aqueles diálogos bem teatrais que são tão exagerados como são ridículos.</p>
<p>A impressão que passou é que eles desistiram totalmente de <strong>TENTAR</strong> fazer com que esse filme não ficasse uma merda.</p>
<p>Ahhh, chega. Cansei de falar sobre a porcaria desse filme. Basta mencionar que, em períodos breves, o filme aborda cyborgs, reencarnação, zumbis (sério), viagem no tempo e até mesmo super heróis.</p>
<p>Agora posso dizer com autoridade que toda a trilogia é uma merda sem nenhuma qualidade redentora. As únicas pessoas que gostam desse filme são os NEMC, ou seja, os Neguim Escroto Metido a Cult. Veja só por exemplo essa pérola de conhecimento que um fã de Cubo Zero deu no IMDB. Esta mensagem foi postada no fórum do IMDB com o título &#8220;<em>Did Cube Zero predict the new Pope, the Beast and the Return of Satan?</em>&#8220;:</p>
<blockquote><p>Cube Zero was the third movie on the Cube theme. A Cube has six faces like a die. Three dice are therefore 666. Cube Zero predated the election and naming of a Pope who called himself &#8220;Benedict&#8221; by one year. Benedict is an anagram of &#8220;bent dice&#8221;. (Bent dice are dice that are designed to favour a particular face by being intentionally slightly misshaped &#8211; similarly to weighted or &#8220;loaded&#8221; dice.) People in Cube Zero who manage to extricate themselves from the Cube alive are asked &#8220;Do you believe in God?&#8221;. If the answer is &#8220;No!&#8221; then they are burned alive. This is a reference to the Catholic Church and the Inquisition. Cardinal Ratzinger, before he became the new Pope, was the head of the Papal Inquisition, though it no longer bears that name and in present times is called the &#8220;Congregation of the Doctrine of the Faith&#8221;, and as such he held the second-highest rank in the Roman Catholic Church.</p></blockquote>
<p>E não termina aí, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0377713/board/nest/55750394">ele vai mais longe</a>.</p>
<p>Olhe nos meus olhos e diga que você não teve a súbita vontade de enfiar uma furadeira no olho do sujeito. Esse povim que tem orgasmos tentando decifrar filmes (ou pior, que se convencem que a interpretação deles é dogma, e que todos nós devemos não apenas assistir o filme o quanto antes mas também se afiliar à mesma corrente de pensamento deles) me dão raiva. É o mesmo tipo de sujeito que adora 2001, ou Donnie Darko. Ou seja, o tipo de pessoa que não faria muita falta no universo caso de repente pisasse numa mina anti-tanques.</p>
<p>O paradoxo do filme é que, dado a escolha entre assistir a trilogia inteira e entrar no Cubo, eu escolheria entrar no Cubo sem pensar duas vezes. Ao menos dentro do Cubo, sua agonia pode acabar bem mais rapidamente.</p>
<p>Tão rápido quanto empurrar alguém dentro de um wood chipper, que é o que farei da próxima vez que alguém me recomendar esse filme.</p>

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		<title>Carta aberta a Hollywood</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2008/03/26/carta-aberta-a-hollywood/</link>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 13:48:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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Oi, Hollywood. Sou eu, Israel Nobre, conhecido pelos cidadãos da internet como Kid, porém mais frequentemente por alcunhas impublicáveis que na maioria das vezes se referem à minha mãe. Certamente você lembra de mim, ou ao menos dos milhares de dólares que eu gasto todo ano frequentando os cinemas locais pra duas horas de escapismo regadas [...]]]></description>
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<p>Oi, Hollywood. Sou eu, Israel Nobre, conhecido pelos cidadãos da internet como Kid, porém mais frequentemente por alcunhas impublicáveis que na maioria das vezes se referem à minha mãe. Certamente você lembra de mim, ou ao menos dos milhares de dólares que eu gasto todo ano frequentando os cinemas locais pra duas horas de escapismo regadas a Sprite e pipoca absurdamente cara.</p>
<p>Assistir filmes é um dos meus maiores hobbies, vício herdado do meu pai (assim como tantas outras de minhas características. Eu sou a prova viva de que nossos filhos acabam sendo versões 2.0 de nós mesmos) que era do tipo que colecionava trezentos VHSs com três filmes em cada um, devidamente catalogados com ajuda de adesivinhos amarelos da Verbatim na frente da fita.</p>
<p>Cinematografia é um de meus maiores interesses, ao ponto de que eu cheguei a entreter por algum tempo a fantasia de trabalhar na indústria de produção cinematográfica (edição/direção/essas merdas). Tal sonho foi abandonado em prol de uma ocupação mais edificante (assistir câmeras de vigilância enquanto treino Pokemons no meu Nintendo DS).</p>
<p>O motivo pelo qual escrevo essa carta é porque algumas coisas que você vem empurrando em cima da gente filme após filme começaram a irritar não apenas a mim, mas a muitos outros cinéfilos como eu. Tire um tempinho em sua ocupada agenda de lançar versões cinematográficas de seriados dos anos 70 estrelando Johnny Knoxville (pra que a turminha de 14 anos consiga se identificar com o filme) e leia essa pequena listinha que eu organizei pra você.</p>
<p><strong>Que tal parar com essa onda de filmes de vampiros que tentam ser Matrix?</strong></p>
<p>Sim, estou olhando pra vocês, Blade e Underworld. E pros inevitáveis copycats que aparecerão nos próximos anos por influência de vocês.</p>
<p>No finzinho dos anos 90, um filme escrito por irmãos de nome estranho com efeitos especiais mirabolantes e trama com diversas referências filosóficas revolucionou o cenário pros filmes de ação que o seguiriam. Estou falando de um dos meus filmes favorito, talvez <strong>O</strong> meu filme favorito &#8211; Matrix. A iconografia do filme (casacos pretos, trocas de tiros em câmera lenta, óculos escuros) foi &#8220;emprestada&#8221; por praticamente todo outro filme de ação lançado em seguida.</p>
<p>Pouco tempo depois, em alguma mansão na Califórnia, um executivo inescrupuloso decidiu que de todos os gêneros que poderiam se beneficiar dessa visão estilística, os filmes de vampiros seriam os mais indicados pra emular Matrix. O sujeito apanhou um guardanapo e passou imediatamente a escrever sequências de ação com um bonequinho-palito com uma inscrição dizendo &#8220;esse aqui é o caçador de vampiros&#8221;, e várias linhas saindo deste, indicando balas voando em direção a vários outros bonequinhos-palitos, entitulados &#8220;esses aqui são os vampiros&#8221;.</p>
<p>O problema óbvio com essa trama (&#8221;caçador de vampiros usando sobretudo e óculos escuros metralha oitocentos vampiros em 5 segundos&#8221;) é que vampiros, como você deve saber, não são pessoas como eu, você ou o seu primo Chiquim. Vampiros são, e estou citando diretamente do meu livro de Vampiro a Máscara, &#8220;cadáveres reanimados por rituais mágicos&#8221;. A parte &#8220;cadáver&#8221; garante que objetos como balas não os causam muito dano, já que eles já estão mortos. E a parte &#8220;rituais mágicos&#8221; garante que eu ou você ou o seu primo Chiquim estaríamos todos inevitavelmente fodidos se nos encontrassemos com um vampiro na vida real, queiram tenhamos uma metralhadora ou não.</p>
<p>Em outras palavras, vampiros são essencialmente imunes a danos físicos, e ainda que não fossem, eles têm milhares de truques escondidos na manga justamente praquela situação em que alguém quer encher suas bundas de bala.</p>
<p>Pra tornar possível o cenário de um caçador de vampiros metralhando os bichos, introduziu-se o conceito da &#8220;bala de prata&#8221;, e/ou misturada com essência de alho. É a única forma mais ou menos verossímil pra mostrar um vampiro sofrendo danos ao ser atacado pelo portador de uma arma de fogo. Afinal, vampiros têm aversão a tanto prata como alho, tornando-os efetivamente <strong>alérgicos a bala</strong>.</p>
<p>Aí que reside o problema. Ao contrário de um ser humano, ao ser atingido por uma bala de prata e/ou alho um vampiro literalmente <strong>explode</strong>. Não importa se você acertou o cara no meio do olho esquerdo ou se a bala passou raspando no dedinho do pé, o resultado é o mesmo. Se você assistiu algum desses filmes, deve ter chegado à mesma conclusão que eu &#8211; os vampiros nesses filmes são <strong>MAIS</strong> frágeis que os humanos que eles supostamente dominam. Um humano qualquer pelo menos tem a chance de sobreviver a um tiro.</p>
<p>Talvez seja por isso que os vampiros dos filmes sempre insistem em manter o mistério ao respeito da própria existência, o que parece um contrasenso já que eles se dizem ser tão mais poderosos que seres humanos. Tão com medo de um zé mané qualquer derreter os garfos da mãe e em seguida colocar a raça vampírica em extinção.</p>
<p><strong>Eu já vi a explosão, não preciso-lo reve-la em cinquenta ângulos diferentes</strong></p>
<p>Como você deve saber, fazer filmes custa caro. E algumas cenas costumam custar mais caro que outras. Grandes cenas de explosão, por exemplo. Se as imagens resultantes não foram conforme esperado, os produtores terão que desembolsar mais alguns milhares de dólares pra explodir outro barco/carro/Casa Branca em miniatura.</p>
<p>A solução pro problema é filmar a cena da explosão usando cinquenta câmeras e ângulos diferentes. A precaução garante que ao menos <strong>UMA</strong> sequência ficará boa e poderá ser usada no filme.</p>
<p>Acontece que por algum motivo que eu simplesmente não consigo compreender, na fase de edição do filme os caras falam pra si mesmos &#8220;sabe duma coisa? acabou acontecendo que todos os <em>shots </em>da explosão ficaram perfeitos. Vamos usar todos então!&#8221;. E por causa disso você é obrigado a assistir cenas de explosão três ou quatro vezes, de todos os ângulos diferentes. Talvez porque eles não tenham certeza que você entendeu a cena da primeira vez.</p>
<p>Então, vamos parar com isso? Se é realmente preciso enxertar uma cena desnecessária que só dura alguns segundos, por que não substituir as explosões por nudez gratuita? Tentem aí, garanto que ninguém vai reclamar, tenta aí. Visualizem: o mafioso entra em seu carro, bota a chave na ignição, o carro explode. Corta pra uma cena da <a href="http://www.telegraph.co.uk/arts/graphics/slideshows/goldenglobes06/gg11.jpg">Scarlett Johanson</a> em nu frontal por 10 segundos. Volta pro filme.</p>
<p>Eu pagaria pra ver esse filme. Duas vezes, até.</p>
<p><strong>Pessoas caminhando em slow motion em direção à câmera &#8211; já deu, né?</strong></p>
<p>Não sei se a culpa é do John Woo ou do Jerry Bruckheimer, e é difícil estabelecer o pioneiro dessa &#8220;técnica&#8221; porque praticamente qualquer filme de ação, naquele momento que precisa estabelecer que os heróis são SUPERCOOL, apela pra tradicional &#8220;vamos todos andar lado a lado em câmera lenta em direção à câmera&#8221;.</p>
<p>É clichê. Não é sequer legal. Alguém por aí decidiu que isso é legal, mas alguém por acaso consultou a gente? Certamente não me incluiram nessa pesquisa.</p>
<p><strong>Bruce Willis como um personagem que não seja um assassino, militar, ou policial? BLASFÊMIA!</strong></p>
<p>Você esteve assistindo filmes ultimamente? Sim? Ah, então você vai me ajudar. Dá pra tu me indicar aí um filme em que o Bruce Willis <strong>não</strong> tenha interpretado um dos três papéis típicos aí em cima?</p>
<p>Sim, eu sei que ele fez filmes interpretando personagens diferentes. Mas se você somar todos, o número não chegaria nem na metade da quantia de filmes com os personagens clichês. Caso você não se lembre, vou aqui fazer as continhas pra não acharem que estou exagerando. Confiram aí embaixo.</p>
<p><strong>Die Hard</strong> (a série inteira) &#8211; Policial<strong></strong></p>
<p><strong>The Last Boyscout</strong> &#8211; Policial</p>
<p><strong>Moonlighting</strong> &#8211; Detetive, que em interpretação é quase a mesma coisa que um policial se você parar pra pensar</p>
<p><strong>Last Man Standing</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p>
<p><strong>In Country</strong> &#8211; Militar</p>
<p><strong>The Jackal</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p>
<p><strong>Mercury Rising</strong> &#8211; Policial</p>
<p><strong>The Siege</strong> &#8211; Militar</p>
<p><strong>16 Blocks</strong> &#8211; Policial</p>
<p><strong>Hart&#8217;s War</strong> &#8211; Militar</p>
<p><strong>The Whole Nine Yards</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p>
<p><strong>Striking Distance</strong> &#8211; Policial</p>
<p><strong>The Whole Ten Yards</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p>
<p><strong>Planet Terror</strong> &#8211; Militar</p>
<p><strong>Lucky Number Slevin</strong> &#8211; Assassino de aluguel</p>
<p><strong>Hostage</strong> &#8211; Policial</p>
<p><strong>Tears of the Sun</strong> &#8211; Militar</p>
<p><strong>Sin City</strong> &#8211; Policial</p>
<p><strong>Astronaut Farmer</strong> &#8211; Militar</p>
<p><strong>Perfect Stranger &#8211; </strong>Assassino, não necessariamente alugável</p>
<p>E isso são só os filmes que já saíram. Uma passada rápida no IMDB revela os próximos projetos dele, que incluem&#8230;</p>
<p><strong>The Surrogates</strong></p>
<p><em>Plot Outline:<br />
Set in a futuristic world where humans live in isolation and interact through surrogate robots, a cop (Willis) is forced to leave his home for the first time in years in order to investigate the murders of others’ surrogates.</em></p>
<p>O cara praticamente nasceu pra interpretar homens intimidantes que andam armados. Ou pelo menos é isso que cineastas estão tentando convencer a gente há uns vinte anos. Algumas pessoas dizem que existem vários atores que só conseguem interpretar o mesmo personagem (Will Ferrel ou Samuel L Jackson, por exemplo). Mas na verdade esses caras interpretam vários personagens diferentes, <strong>DA MESMA FORMA. </strong>O Bruce Willis, coitado, sempre recai nos mesmos três personagens clássicos &#8211; militar, policial, assassino.</p>
<p>Vamos lá Hollywood, você consegue largar esses vícios. Fé em Deus, rapaz.</p>

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		<title>Cloverfield &#8211; Resenha</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Feb 2008 00:33:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como &#8220;utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas&#8221; ou até mesmo &#8220;assistir a namorada arrumar a casa [...]]]></description>
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<p align="center"><img border="1" width="300" src="http://img177.imageshack.us/img177/9676/11808postertm1.jpg" height="407" /></p>
<p>Após muita encheção de saco dos meus amigos, decidi acompanhá-los a uma sessão de Cloverfield. Assistir filmes é um dos meus passatempos favoritos, ganhando até mesmo dos meus outros hobbies prediletos, como &#8220;utilizar a internet para provar às pessoas que suas opiniões e convicções são idiotas&#8221; ou até mesmo &#8220;assistir a namorada arrumar a casa só de calcinha e sutiã enquanto jogo Pokemon&#8221;. Pra você ter uma idéia do meu amor por ambos discussões internéticas E observar a namorada trajando artigos femininos rendados, se eu não tivesse contas pra pagar minhas atividades diárias se resumiriam a arrumar confusão no orkut enquanto treino um Bulbassauro level 15 observando a namorada semi-nua passando o aspirador de pó no quarto. Ao invés disso preciso fazer coisas não tão aprazíveis, como lavar minhas roupas, fazer declaração de imposto de renda e tomar banhos.</p>
<p>Ou seja, ao dizer que assistir filmes é meu hobby número um, estou dizendo bastante. E entretanto, foi preciso muita insistência da minha patotinha de amigos pra que eu finalmente resolvesse trocar meus dez dólares por um ingresso pra ver Cloverfield com eles. E por que seria isso?</p>
<p>Porque cinematografistas odeiam os espectadores dos seus filmes.</p>
<p>Lembra de Transformers? Lembra daquelas cenas de acão em que a câmera chacoalha pra todo lado? Lembra quando essas cenas eram as partes mais legais do filme?</p>
<p>Não, você não lembra dessa última. Por que, ao contrário do que cineastas acreditam, dar a câmera pra um portador de mal de Parkinson não é uma técnica cinematográfica indispensável. Como se uma cena de porradaria entre robôs de trinta metros de altura sendo filmada a dois centímetros de distância já não fosse complicado o bastante de acompanhar,  Michael Bay decidiu que apreciaríamos o filme mais ainda se ele empregasse epiléticos pra filmar essas cenas. O resultado é que assistir tais trechos dofilme te dá a mesma sensação de ver aqueles vídeos caseiros das férias dos seus primos na Disney &#8211; a insuportável tremeliqueira do infeliz operando a câmera torna impossível fixar a vista em um ponto qualquer por mais de um segundo.</p>
<p>Num filme como Transformers isso é levemente suportável porque elas são cenas de trinta segundos num filme de uma hora e meia. Já pensou como seria aturar um filme inteiro nessa tremedeira sem fim?</p>
<p>Basicamente, é isso que Cloverfield é. Pra você ter uma noção da gravidade do negócio, <a href="http://www.cnn.com/2008/HEALTH/01/24/movie.sickness/index.html">a CNN reportou na época do lançamento do filme que diversas pessoas passaram mal durante a exibição da parada.</a> Nego decidiu que seria melhor sair correndo do cinema pra vomitar na privacidade do banheiro do estabelecimento que aguentar mais um segundo do filme. E na nota mais não-intencionalmente humorística que eu já li em qualquer publicação noticiosa, o redator aconselhou que os potenciais espectadores se preparem tomando anti-nauseantes antes de ir pro cinema.</p>
<p>Sim, você leu isso direito. A CNN, uma das mais prestigiosas organizações noticiosas do planeta, falou explicitamente que a única forma de você resistir ao filme inteiro sem vomitar é se você for pro cinema sob efeito de medicamentos.</p>
<p>Ou seja, resenhar o filme se torna essencialmente um exercício em futilidade. Eu poderia escrever uma tese de doutorado de cinquenta páginas sobre o filme e/ou J. J. Abrams poderia ganhar um Oscar de direção graças ao seu trabalho (que se resumia, imagino, a pegar o megafone e instruir atores a expressar espanto e terror diante do monstro imaginário que a equipe de pós-produção adicionaria meses após as filmagens da película), mas no fim do dia, nada disso muda o fato de que <em>a CNN aconselhou as pessoas intencionadas a ver o filme de tomar remédios contra vômito antes de comprar o ingresso. </em></p>
<p>Não me culpe por ter ido assistir o filme já com má vontade.</p>
<p>Por isso, antes mesmo de começar minha resenha, estou preemptivamente declarando Cloverfield como o <strong>PIOR</strong> filme de toda a história da cinematografia. Sempre que resenho um filme aqui no HBD exagero bastante pra causar risadas e provocar ódio em fanboys, mas no caso de Cloverfield nenhum exagero é necessário. Este filme fará você vomitar.</p>
<p>Agora você já sabe o que esperar deste post. Já tratamos dos pormenores, vamos à resenha propriamente dita.</p>
<p>Cloverfield, pra quem esteve totalmente alheio ao insuportável hype internérdico relacionado ao filme, é a clássica história de um monstro destruindo New York vista através dos olhos do observador comum. Todo mundo estava perfeitamente ciente de que a idéia do filme estrelando uma Catástrofe Genérica  #89 devastando New York é extremamente batida, então por isso o foco do filme é contar a história de um grupo de jovens perambulando pela cidade durante o ataque. O que eles esperavam se tratar de uma abordagem mais criativa, mas pra deixar no esquema mesmo foi decidido que a melhor forma que eles tinham de passar a idéia do filme era dando uma câmera pra um dos atores que passa boa parte do filme correndo de um lado pro outro.</p>
<p>Em outras palavras, Cloverfield é uma mistura de Independence Day (ameaça alienígena destruindo a Big Apple) com Blair Witch Project (grupo de retardados que ao invés de largar a câmera e se ocupar com algo mais importante, como por exemplo a própria sobrevivência, decide documentar cuidadosamente os eventos que inevitavelmente culminarão na morte de todos).</p>
<p>Oops, spoiler.</p>
<p>Vou dar um ponto pro filme - os efeitos especiais são muito bacanas. O problema é que hoje em dia, dizer que os efeitos especiais de um filme são bons carrega a mesma significância de dizer que o filme está passando num cinema. Em pleno século XXI, você não está me fazendo nenhum favor ao fazer efeitos especiais convincentes ao invés de um ator usando uma roupa de monstro com zíper prontamente visível.</p>
<p>Acontece que minha boa vontade com o filme acaba aí mesmo. Pra começo de conversa, não há uma história propriamente dita. O filme abre com uma turminha de jovens descolados num apartamento em NYC dando uma festa pra um sujeito que está prestes a se mudar a trabalho pro Japão, quando o monstro começa a atacar a cidade. Momentos antes o filme apresenta um conflito amoroso mal resolvido que, previsivelmente, será resolvido pelos protagonistas justamente quando a cidade inteira está indo pro inferno. Não entendo por que personagens em blockbusters decidem resolver seus problemas sentimentais justamente no dia que poderosas entidades espaciais decidem transformar a cidade em seu playground particular. É o dia mais romântico do ano após Valentine&#8217;s Day.</p>
<p>E pronto. Essa é a história. Não há muito background dos personagens, não há explicações de onde o monstro surgiu, não há nem um fechamento satisfatório pro filme (todos morrem). O monstro aparece, destrói algumas coisas, e a galera toca a correr desesperadamente pelos próximos 90 minutos, parando ocasionalmente pra recuperar o fôlego e/ou dizer coisas como &#8220;HOLY SHIT DID YOU SEE THAT&#8221;, ou &#8220;SHIT SHIT WHY ARE WE STOPPING KEEP RUNNING WE&#8217;RE ALL GOING TO DIE WHERE IS YOUR GOD NOW&#8221;.</p>
<p>Numa previsível convenção cinematográfica, os personagens principais arrumam motivos dúbios pra adentrar mais e mais a cidade, ao invés de se locomover na máxima velocidade permitida pela sua capacidade física na direção contrária do monstro. Aí batem de cara com o bichão, subitamente se lembram que eles apreciam coisas como respirar, e saem correndo. Cinco minutos e um caso de amnésia seletiva depois, eles voltam a penetrar a cidade.</p>
<p>O motivo aqui é que o Rob, o personagem principal que estava de viagem marcada pra Tokio, decidiu ir salvar a menininha de quem ele é afim. A pobre infeliz se encontra presa num prédio que caiu diagonalmente em cima do prédio vizinho e ficou lá, apoiado no outro prédio. Um fenômeno que prova que além de tudo os roteiristas não entendem a forma como a gravidade funciona.</p>
<p>Eu <strong>MEIO</strong> que consigo entender que o rapaz ia realmente arriscar a própria vida pra salvar uma desgraçada que ousou aparecer na festa de despedida dele de braços dados com outro sujeito. Entretanto, o filme me dá um tapa na cara quando revela que o desejo do cara de encontrar a menina toda fodida não é pra dançar sarcasticamente na frente dela e dizer &#8220;haha, se fodeu. Ok, tou indo agora&#8221;, e sim pra realmente salva-la. Tudo bem, eu consigo aturar o sentimentalismo barato.</p>
<p>Mas e os caras seguindo ele? J. J. Abrams espera que eu acredite que esse cara convenceu diversas outras pessoas a acompanha-lo na missão suicida?</p>
<p>Alguém aí já tentou convencer algum amigo a ajudar numa mudança? A assistir sua peça de teatro? Se você já precisou da ajuda de um amigo pra alguma coisa, você sabe que amigos só se dispoem a executar favores que signifiquem o menor esforço possível.</p>
<p>Sim, eu sei que o filme não precisa ser explicitamente verossímil, e que alguma suspensão de descrença ainda é recomendada. Acontece que me venderam esse filme usando a idéia de que ele é um retrato realista do que aconteceria quando pessoas comuns se vissem às voltas com um monstro de cem metros de altura. Se a idéia da película era realismo, façam-me o favor de manter a temática. Se qualquer um de nós recrutasse a ajuda de amigos pra ir salvar uma menina numa situação em que um monstro alienígena se encontra exatamente entre você e a donzela em perigo, nem seu melhor amigo nesse mundo teria ajuda a oferecer a não ser a promessa de que ele não revelará nenhum fato constrangedor no seu funeral.</p>
<p>Eu consigo acreditar num monstro qualquer detonando New York (e por que não, a essa altura do campeonato? Hollywood já me convenceu que pode acontecer a qualquer momento), mas não consigo engolir uma patotinha de amigos seguindo o rapaz apaixonado em direção ao bicho enquanto o exército americano mal consegue causar cócegas nele.</p>
<p>Isso foi o que finalmente causou aquela perturbação durante o filme pra mim. O tempo todo a idéia era transmitir idéia de realismo, tentando indiretamente fazer você pensar &#8220;nossa, imagina eu nessa situação&#8221;. Com esse disparate dos caras seguindo o maluco sem motivo nenhum a não ser o desejo de não viver mais, o filme se auto-sabotou e destruiu totalmente a idéia de realismo. </p>
<p>Vejo muitas críticos dizendo que o filme foi chato porque a turminha passa o tempo inteiro ocupados com o contraditório exercício de simultaneamente fugir e correr pra onde o monstro está. &#8221;Filme chato&#8221;, eles dizem, porque os personagens principais em momento algum apanham uma bazuca ou aprendem a pilotar um caça a jato, enquanto aquele típico rock cinematográfico rola no fundo e eles andam em câmera lenta, um do lado do outro, em direção ao alien pra batalha final. </p>
<p>Porra, vocês esqueceram que a idéia do filme era mostrar uma história mais realista no típico cenário do monstro-detonando-a-cidade? Se qualquer um de nós estivesse na situação dos protagonistas, você não se preocuparia em obter armamentos pra lutar contra o monstro no um-a-um. Isso se deve ao fato que você estaria muito ocupado correndo a altas velocidades na direção contrária, parando ocasionalmente pra rezar pra todas as divindades conhecidas e notar que cagou as próprias calças de tanto terror.</p>
<p>Acho que talvez eu esteja pegando muito pesado com o filme. A proposta de um testemunho em primeira pessoa da tragédia é convincente, a proposta é original apesar de não ser inédita, os efeitos são muito bem feitos, e dá quase pra se identificar com o protagonista principal (o único que não é completamente <em>one-dimensional).</em></p>
<p>Mas no final das contas, Cloverfield ainda é um filme que vai fazer você vomitar.</p>

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		<title>Indy&#8217;s Back, Bitches!</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Feb 2008 19:33:43 +0000</pubDate>
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Se há um benefício absolutamente inegável de ser uma criança dos anos 80, foram as inesquecíveis trilogias cinematográficas daquele período. Back to the Future, Star Wars, Die Hard, Beverly Hills Cop, Rocky, Rambo&#8230; foram muitas contribuições marcantes. Por motivos que eu posso apenas suspeitar se tratar de &#8220;alguém precisa de mais dinheiro pro seu hábito [...]]]></description>
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<p>Se há um benefício absolutamente inegável de ser uma criança dos anos 80, foram as inesquecíveis trilogias cinematográficas daquele período. Back to the Future, Star Wars, Die Hard, Beverly Hills Cop, Rocky, Rambo&#8230; foram muitas contribuições marcantes. Por motivos que eu posso apenas suspeitar se tratar de &#8220;alguém precisa de mais dinheiro pro seu hábito de cheirar pó&#8221;, as estrelas sexagenárias que protagonizaram aquelas séries começaram a sair de seus asilos pra filmar a quarte parte de suas sagas. Nem vou entrar nessa discussão filosófica a respeito dos critérios artísticos (ou falta dos mesmos) empregados nesse tipo de sequência que alguns gostam de tachar de caça níqueis.</p>
<p>Sinceramente, eu não poderia me importar menos com isso. Ainda que os motivos por trás da produção dessas sequências de filmes clássicos envolvessem rituais demoníacos em que filhotes de cachorrinhos fossem injetados com vírus HIV,  triturados em liquidificadores e em seguida transformados em carne moída pra uma escola de órfãos, eu não poderia culpa-los. E sabe por quê? Porque todos esses cachorrinhos morreram por uma boa causa. Indiana Jones estará de volta às telonas.</p>
<p style="text-align: center"><img border="1" width="337" src="http://www.thehollywoodnews.com/artman2/uploads/1/crystalskullposter.jpg" height="500" /></p>
<p>O filme sai dia 22 de maio, e <a href="http://movies.yahoo.com/feature/indianajones.html?showVideo=1">aí está o trailer</a>. E aquela história do Harrison Ford <a href="http://www.inentertainment.co.uk/ford-wants-whip-or-no-indiana-jones/">se recusar a filmar a película a menos que ele pudesse empunhar o icônico chicote que tinha sido vetado por questões de segurança</a>? Eu não faço a mínima idéia de que fim levou essa história. Eu não esperava que o estúdio cedesse aos desejos do ator. Afinal de contas, o filme é dirigido pelo Steven Spielberg e tem produção executiva do George Lucas, dois cineastas que, se tivessem a oportunidade, substituiriam qualquer coisa num filme (atores, sets, copos dágua, roteiro) por dublês digitais dos mesmos, sem economizar no antialiasing nem lense flares.</p>
<p>Me surpreendo muito que não fizeram um boneco digital com a imagem do Ford de trinta anos atrás pra estrelar na parada. Afinal de contas, Harrison Ford é atualmente mais velho do que Sean Connery era quando o último interpretou o pai do primeiro em <em>The Last Cruzade. </em>Tente imaginar o Sean Connery sendo o protagonista naquele filme, fazendo acrobacias com um chicote e esmurrando nazistas. Mais complicado, né?</p>
<p>Agora me dêem licença pra ligar pro meu pai e dar as boas novas pro véio. Ele não é tão antenado nesses lançamentos como nós, nerds que recebem internetemente os anúncios sobre o início dessas produções meses antes delas começarem. Ele não deve fazer a menor idéia que esse filme estava sendo produzido, essa notícia será como um Natal adiantado pra ele &#8211; assim como Die Hard 4 e Rambo 4 foram há pouco tempo.</p>

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		<title>Iron Man</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Feb 2008 17:22:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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Como alguns amigos mais chegados sabem, eu entrei de cabeça no mundo dos quadrinhos ultimamente. Ler HQs era aquele desejo consumista que eu acalentava há anos, mas me via impossibilitado de alcançar, por dois motivos.
O primeiro é que as histórias dos super heróis em que eu me interessava já acontecem há anos; acompanhar uma continuidade estendida por [...]]]></description>
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<p>Como alguns <a href="http://www.utops.com.br/">amigos mais chegados</a> sabem, eu entrei de cabeça no mundo dos quadrinhos ultimamente. Ler HQs era aquele desejo consumista que eu acalentava há anos, mas me via impossibilitado de alcançar, por dois motivos.</p>
<p>O primeiro é que as histórias dos super heróis em que eu me interessava já acontecem há anos; acompanhar uma continuidade estendida por milhares de revistas ao longo de <strong>DEZENAS</strong> de anos seria como tentar fazer malabares com cinco cubos mágicos e resolve-los ao mesmo tempo. É muita coisa pra processar.</p>
<p>A solução pra este problema trouxe uma complicação paralela. Pros newbies como eu, o melhor é comprar os TPB, ou seja, os trade paperback &#8211; volumes encadernados com todos os fascículos de um determinado arco da história dos personagens. Assim, eu não teria que sair caçando as trocentas revistas necessárias pra compreender o que acontece com a vida dos heróis. O problema com essa solução é que trade paperback são relativamente caros, na faixa de 30-40 dólares.</p>
<p>Mas bastou comprar meu primeiro TPB pra perceber que esse era o hobby que eu sempre quis ter na vida, e de repente esse preço não pareceu mais tão alto. É raro passar por uma loja de quadrinhos e não torrar pelo menos 100 dólares de uma vez, provocando total desespero da namorada.</p>
<p>Ler quadrinhos se tornou uma das minhas principais atividades hoje em dia, suplantando até mesmo a jogatina em videogames que praticamente me define como pessoa.</p>
<p style="text-align: center"><img border="1" width="500" src="http://img523.imageshack.us/img523/5369/hqsyy3.jpg" height="496" /></p>
<p>Aí acima está minha humilde coleção. Certamente bem menor do que a de muitos que lêem esse site, mas levem em consideração que eu comecei a comprar essas merdas no finzinho do ano passado. Cabei de fazer as continhas aqui &#8211; nos últimos três meses gastei pouco mais de mil dólares montando a pequena coletânea que você vê aí acima. Ou seja, estou me dedicando profundamente à nova nerdice. E, como não podia deixar de ser, já tenho uma imensa gama de idéias pra textos inspirados no meu novo hábito. Espero que haja leitores de quadrinhos entre vocês, senão ninguém vai gostar dos posts que estou escrevendo.</p>
<p>Então. Antes mesmo de ler qualquer coisa sobre o personagem, eu tinha uma fascinação pelo Iron Man. Nada mais apropriado então que, como pontapé inicial da minha coleção, eu optei por um quadrinho do Tony Stark. Ultimate Iron Man volume 1 (que engloba Ultimate Iron Man #1 ao #5). E desde então minha predileção pelo industrialista apenas aumentou.</p>
<p>Naturalmente, eu não pude deixar de me animar muito quando os primeiros trailers do filme do personagem começaram a aparecer na internerds.</p>
<p style="text-align: center"><img border="1" width="450" src="http://media.movieweb.com/news/12.2007/iron.jpg" height="300" /></p>
<p align="center">Admita. Tá foda.</p>
<p><a target="_blank" href="http://www.youtube.com/watch?v=mFlwtFx9Fgo">Aqui está o primeiro trailer do filme</a>. O teaserzinho que passou durante o Superbowl no fim de semana passado <a href="http://www.movieweb.com/video/V08B25bhzDQSUW">tá aqui</a>.</p>

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		<title>Speed Racer THE MOVIE</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2007/12/09/speed-racer-the-movie/</link>
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		<pubDate>Sun, 09 Dec 2007 02:26:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[

Há muitas coisas que esse planeta precisa.
Paz entre os palestinos e os israelenses, por exemplo. Quando eu era moleque eu julgava que o conflito no oriente médio é auto-controlado porque eventualmente todos os terroristas já teriam se explodido/sido explodidos pelo Mossad, mas aparentemente eu não sabia de porra nenhuma quando era moleque.
WiFi global é outro [...]]]></description>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fhbdia.com%252Fwordpress%252F2007%252F12%252F09%252Fspeed-racer-the-movie%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Speed%20Racer%20THE%20MOVIE%22%20%7D);"></div>
<p>Há muitas coisas que esse planeta precisa.</p>
<p>Paz entre os palestinos e os israelenses, por exemplo. Quando eu era moleque eu julgava que o conflito no oriente médio é auto-controlado porque eventualmente todos os terroristas já teriam se explodido/sido explodidos pelo Mossad, mas aparentemente eu não sabia de porra nenhuma quando era moleque.</p>
<p>WiFi global é outro bom exemplo. Imagina você poder acessar a internet literalmente em qualquer lugar, sem precisar roubar a conexão do vizinho. É nesse tipo de mundo que eu quero morar um dia.</p>
<p>Uma lei que torne obrigatório deixar o assento da privada levantado, pra que eu não precise mais ouvir reclamações da namorada.</p>
<p>Já entre as muitas coisas que esse mundo não precisa, a mais notável é uma adaptação cinematográfica de Speed Racer.</p>
<p align="center"><p><a href="http://hbdia.com/wordpress/2007/12/09/speed-racer-the-movie/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></p>
<p>Sabe quando você arrota e um pouquinho da comida semi-digerida sobe até a sua garganta, deixando um gostinho horrível de pizza com suco gástrico na sua boca? Essa é a melhor forma de descrever a minha reação quando me falaram que Hollywood estava cogitando filmar Speed Racer. Vou ignorar o fator crucial desse problema, que é o fato de que Speed Racer é provavelmente um dos conceitos mais retardados pra você basear um filme em cima. Os irmãos (ou melhor, o casal de irmãos, se os rumores sobre o Larry fazendo operação de mudança de sexo forem reais) Wachowski, que serão eternamente conhecidos como &#8220;os criadores de MATRIX&#8221;, são conhecidos por seguir um filme razoável com duas bombas cinematográficas asquerosas. Veio Matrix, depois vieram as sofríveis continuações. Veio o formidável V for Vendetta, aí os caras continuam a teoria transformando o Speed Racer num sujeito de carne, osso e croma key.</p>
<p>Sério, vejam a porra desse trailer de novo. Se você não tiver caído no chão em um fulminante ataque epilético, me responda &#8211; isso parece ao menos remotamente com alguma coisa que você pagaria pra assistir? Isso mal qualifica pra &#8220;filmes que eu assistiria se estivesse preso a uma cadeira de rodas sem a opção de mudar de canal&#8221;.</p>
<p>Você quer uma prova irrefutável que esse filme será uma bosta? Note que Susan Sarandon por algum motivo participa da coisa. Nomes famosos em filmes são indicativo de duas coisas &#8211; se o filme parece ser razoável e tem uma história levemente interessante, a presença de um ator de peso significa que o sujeito leu o script, se interessou pelo projeto e resolveu participar. Isso representa &#8211; geralmente &#8211; que o filme tem potencial que foi visto pela estrela.</p>
<p>Quando o filme é na melhor das hipóteses duvidoso e estrela nomes famosos, tenha a certeza inabalável que é uma <strong>MERDA</strong>. Veja o trailer pela terceira vez. O que demonhos levaria uma atriz que ganhou um Oscar a estrelar numa produção como essa, me ajuda aí pelo amor de deus. Esse povo reconhece merda quando vê, e a presença deles em filmes desse naipe significa apenas uma coisa.</p>
<p>Hollywood é uma desgraça e ninguém me convencerá do contrário. Você tá lá na boa, recém chegado de Oregon ou algum outro estado americano fodido, com um diplominha de faculdade de artes, algumas peças de colegial no currículo, módico talento e grandes ambições. Após encher o saco de amigos com conexões com peixes grandes, você consegue <strong>AQUELE</strong> papel que queria tanto. E os filhos da puta de diretores/produtores que te deram aquela grande chance que hoje te tornou um nome reconhecível não vão esquecer que você deve um favor a eles.</p>
<p>Vinte anos depois você está lá na sua mansão na Califórnia, maravilhado com o próprio sucesso, deliciando-se no reconhecimento da sua carreira e pensando numa nova maneira de gastar seus milhões de dólares, quando um Joel Silver da vida te liga e fala <em>&#8220;aê Susan, td tranks? Olha só, temos um projeto aqui que eu acho que tu vai se interessar muito&#8221;.</em></p>
<p><em>&#8220;Ah, o que é?&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;Peguei um roteiro com um amigo aí. A história é uma alegoria pro velho conto do jovem rapaz que vence um objetivo arbitrário em uma competição qualquer e aprende lições valiosas pra própria vida. O pessoal da Warner Brothers está interessadíssimo e eu pensei em te oferecer o papel&#8221;.</em></p>
<p><em>&#8220;Jóia, qual é o nome do filme?&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;SPEED RACER&#8221;</em></p>
<p><em>&#8220;&#8230;.&#8221;</em></p>
<p>Rola muita politicagem no mundo cinematográfico, e por causa disso nego é socialmente obrigado a endossar os caça níqueis daqueles que há anos o ajudaram a estabelecer a própria carreira. O resultado tá aí &#8211; uma ganhadora de Oscar atuando com o mesmo entusiasmo e inspiração de uma ostra.</p>
<p>A vantagem é que daqui a dez anos eles podem pegar o rolo do filme, editar as menções ao Speed Racer e reutilizar as filmagens inteiras pra fazer F-Zero THE MOVIE.</p>

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		<title>Resenha &#8211; Stay Alive</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Oct 2006 16:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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Outro dia o JesusWalks escreveu um tópico no FHBD me pedindo pra resenhar um filme sensacional que ele assistiu, e com &#8220;sensacional&#8221; eu quero na verdade dizer &#8220;que merece uma resenha no HBD e daí você pode imaginar a qualidade da parada&#8221;. Normalmente não aceito encomendas de resenha porque senão daqui a pouco este blog [...]]]></description>
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<p>Outro dia o <strong>JesusWalks</strong> escreveu um tópico no FHBD me pedindo pra resenhar um filme sensacional que ele assistiu, e com &#8220;sensacional&#8221; eu quero na verdade dizer &#8220;que merece uma resenha no HBD e daí você pode imaginar a qualidade da parada&#8221;. Normalmente não aceito encomendas de resenha porque senão daqui a pouco este blog virará uma extensão do IMDB (na verdade é por pura preguiça mesmo, mas não espalhe), mas pelo que eu já havia lido sobre o filme, seria praticamente um crime de atentado ao pudor à mão armada não escrever umas linhas sobre ele aqui no HBD.</p>
<p>O poster do filme explica o suficiente que você precisa saber pra decidir imediatamente que Stay Alive se trata de uma pérola.</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://i11.tinypic.com/2e51dom.jpg" /></center><br />
Sacou? É um jogo, e se você morrer no jogo, alguma mágica acontece e você <strong>morre na vida real</strong>!A verdadeira mágica, no entanto, é como o tal jogo consegue mudar de estilo dependendo do que o diretor ache que é um jogo de computador naquele determinado momento. Durante o filme o jogo muda de gênero pelo menos umas quatro vezes &#8211; às vezes o jogo é um survival horror (que por algum motivo absolutamente injustificado é mencionado no filme ao contrário, &#8220;horror survival&#8221;), às vezes é um first person shooter, às vezes é um third person shooter e antes que você perceba ele é um online shooter com suporte a TeamSpeak e uma câmera que lembra muito a câmera dinâmica de World of Warcraft. Pelo jeito, matar os usuários não é a única coisa que Stay Alive tem em comum com o MMO da Blizzard.</p>
<p>Tendo o último parágrafo em mente, permita-me deixar isso bastante claro &#8211; William Brent Bell, o diretor e roteirista do filme, não faz a <u>menor idéia</u> do que é um jogo de computador. Sua visão de como jogos e a comunidade gamer funciona é como se o único contato que ele teve com tais coisas foi através de uma descrição dada por um velho senil de 80 anos de idade. Explicarei melhor minha teoria ao longo dessa resenha.</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img96.imageshack.us/img96/1830/stayalivepd0nl3.jpg" /><br />
Na imagem acima, os personagens pesquisam cheat codes pro jogo no GameFAQS. Fora da imagem &#8211; a comissão paga pelos execs da Alienware ao diretor do filme, que enfiou aproximadamente três computadores da empresa em cada frame do filme</center>A ignorância de Brent em relação ao mundo nerd se torna óbvia sempre que ele tenta mostrar que entende alguma coisa a respeito do círculo gamer. Com exceção da referência ao lendário cheat code de Contra pro NES (que no filme é o mesmo que faz as zumbis mostrarem os peitos), praticamente tudo relacionado a jogos e computadores é folheado em camadas duplas de ignorância. Quando os personagens descobrem que o jogo parece &#8220;ouvir&#8221; os jogadores e ativar certos mecanismos no jogo baseado no que eles falam, um dos personagens se apressa em explicar que &#8220;<em>reconhecimento de voz é algo da next gen, é impossível que esse jogo esteja fazendo isso!!!11</em>&#8220;. Essa afirmação é verdadeira, mas apenas se você ignorar o fato de que tanto o NES, quanto o SNES, quanto o Nintendo 64, quanto o Playstation 2, quanto o Xbox, quanto o GameCube, quanto o Nintendo DS têm jogos que usavam reconhecimento de voz. Claro que isso é um detalhe bobo que apenas um nerd chato como eu dá atenção, mas eu imagino que se você vai fazer um filme baseado em um único assunto, conteúdo verossímil é o mínimo que se poderia esperar do resultado. Willian Brent falhou em compreender um assunto que moleques de 14 anos tiram de letra.</p>
<p>E há mais detalhinhos pra criticar. Dependendo do tipo de espectador que você é, de repente esses pequenos deslizes dos roteiristas serão o único entretenimento encontrado em Stay Alive.</p>
<p>O vacilo mais notável é a tal mudança entre estilos de jogo; como já mencionei, em uma única cena Stay Alive é três jogos diferentes (um FPS, um third person shooter online, um survival horror). Quando um dos policiais que investiga as mortes vai a uma locadora pra procurar informações sobre o jogo, é atendido por um balconista que vomita falas como &#8220;tá interessado num jogo com frag count alto?&#8221; ou &#8220;nunca ouvi falar desse jogo, deve ser um jogo underground&#8221; e que se esforça ao máximo pra parecer um nerd daqueles bem estereotipados. Ora, eu sei reconhecer meus próprios companheiros, e aquele sujeitinho não me enganou por um instante sequer.</p>
<p>O filme é um fracasso no sentido que não inspira absolutamente nada que almejava inspirar nos espectadores. A trama é pessimamente mal escrita. Os personagens têm a complexidade coletiva de um quebra-cabeças de 4 peças. Há tanta química entre os protagonistas quanto há entre um carcereiro e um balconista da farmácia da esquina. Aliás, Willian Brent tentou em Stay Alive descrever um mundo em que ninguém, absolutamente ninguém tem um nome convencional. Hutch, Swink, Loomis, October, Phin&#8230; Que diabéisso?</p>
<p>Voltando à lista de fracassos do filme, a história é tão sem sal e forçada que impede que você sinta uma lasquinha sequer de medo durante os sofríveis 100 minutos de duração. Como eu já mencionei, a trama é o que alguém teria em mãos se pedisse pra quatro portadores de síndrome de Down explicassem seus piores medos após os terem espancado por duas horas com um cano de PVC. Como é absolutamente impossível levar a história a sério a menos que você tenha sido forçado a beber querosene duas vezes por dia pelos últimos dez anos, não tem como sequer considerar isso um filme de terror. É muito mais provável rir dos erros de continuidade ou se revoltar por ter gasto 10 dólares alugando o DVD do que ficar realmente com medo de qualquer coisa.</p>
<p>Furos da lógica da história são abundantes. <strong>POR EXEMPLO</strong>, e aprecie os spoilers, Swink (interpretado por Frankie &#8220;eu já fui um ator famoso&#8221; Muniz) morre no jogo, mas ao contrário do que se esperava, não apenas não bate as botas na vida real também, como ainda aparece <strong>DO NADA</strong> na última cena do filme salvando o herói retardado de sua morte merecida. Aí algum hipotético fã do filme dirá &#8220;<em>mas isso aconteceu porque, na cena em que ele morria, ele caiu em cima de flores, e flores protegem os jogadores, lembra?</em>&#8221; Se é assim, por que a tela do computador mostrava o personagem dele <strong>morto</strong>? A resposta óbvia &#8211; o diretor estava com tanta vontade de criar tensão que estava disposto a ignorar detalhes mínimos como <strong>continuidade</strong>.</p>
<p>Essa cena tem um lugar especial no meu coração, porque não é todo dia que a incompetência cinematográfica dos responsáveis pela gravação de um filme acaba <strong>CONTRADIZENDO O PRÓPRIO TAGLINE DO FILME.</strong> A capa do DVD me prometia que quem morresse no jogo morria na vida real, e no entanto o senhor Willian Brent decidiu que eu não merecia receber o que paguei pra ver.</p>
<p>Não consigo me satisfazer em dizer que a trama do filme deve ter sido escrita num guardanapo de bar enquanto Willian Brent injetava tylenol em pó nas veias. Um dos pontos altos da história é o momento em que um dos personagens se torna suspeito da morte dos outros, já que ele era amigo dos caras e tal (como sabemos, ser amigo de uma vítima de assassinato é obviamente, sem qualquer sombra de dúvidas, prova de que você os matou). Há um breve momento de tensão em que os personagens precisam fugir da polícia, e eu comecei a imaginar como é que eles conciliariam lutar com entidades sobrenaturais malignas <strong>E</strong> fugir da polícia em um filme só.</p>
<p>Pelo jeito Brent imaginou a mesma coisa que eu, e assim decidiu abandonar o lance da polícia logo após daquela cena. Nos trinta e tantos minutos restantes, o fato de que um dos personagens está sendo caçado pela polícia por suposta conexão com as mortes é absolutamente abandonado do filme.</p>
<p>A única coisa que eu queria no final da desperdício de mídia que é esse filme era uma explicação, ainda que idiota, sobre o que acontece na tela. A única explicação que nos é dada é que um programador solitário &#8211; e constrangedoramente homossexual &#8211; era obcecado pela história da Blood Countess (uma maluca que supostamente matou um monte de menininhas pra se banhar no sangue delas. Estou com preguiça de verificar a veracidade dessa história), quis fazer um jogo usando-a como personagem central, e sem mais nem essa pronto &#8211; o jogo mata quem o jogar.</p>
<p>Não existe um propósito claro, saca? Veja <em>The Ring</em> por exemplo, que trás uma temática meio parecida. O ponto da história, se eu me lembro bem, era que a Samara queria que pessoas vissem a fita e mostrassem a outros, um negócio assim. Em Stay Alive, não existe propósito nenhum, e nós somos forçados a apenas acreditar que a tal Blood Countess, apesar de poderosíssima e ter a mania de querer assassinar todas as pessoas do universo, está limitada a matar apenas quem morra no jogo. Eu tava na esperança de eles ao menos explicarem que algum tipo de ritual satânico prendeu a alma nela no jogo, e/ou que ela só terá paz quando matar 17844 nerds, mas fiquei a ver navios.</p>
<p>Não assista. É uma merda.</p>

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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2006 14:22:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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[ Update ] Hospedar arquivos pra vocês em servidor free é foda. Em menos de três dias já estouraram o limite do site onde hospedaram o crack do Worms! HBDdotted, como diria o Knux.
Re-hospedei aqui. Vamos ver se dessa vez dura.
&#8230;
Taí a resenha, finalmente. Essa porcaria deveria ter sido concluída semana passada, mas com partidas [...]]]></description>
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<p><strong>[ Update ]</strong> Hospedar arquivos pra vocês em servidor free é foda. Em menos de três dias já estouraram o limite do site onde hospedaram o crack do Worms! HBDdotted, como diria o Knux.</p>
<p>Re-hospedei <a TARGET="new" HREF="http://www.megaupload.com/?d=3NKTE7FK">aqui</a>. Vamos ver se dessa vez dura.</p>
<p><center>&#8230;</center><br />
Taí a resenha, finalmente. Essa porcaria deveria ter sido concluída semana passada, mas com partidas de Worms acontecendo a cada segundo, ficou difícil terminar o texto em apenas três dias como é de costume. <center>&#8230;<img SRC="http://img380.imageshack.us/img380/4021/resenhasdecinema1ef.jpg" /></p>
<p></center><br />
Algumas vezes coisas boas acontecem comigo. E, em casos mais raros ainda, vocês acabam se beneficiando. Isso porque eu estou sendo presunçoso o bastante pra supor que uma nova resenha cinematográfica é uma grande benção divina pra vocês.Outro dia aí eu fui à Deja View, a loja local de DVDs semi-novos. Nas prateleiras, vi um filme sobre o qual sempre ouvi falar na minha infância, mas nunca tive a sorte (ou azar) de ver com meus próprios olhinhos. O preço do DVD não era alto, mas eu resolvi economizar a grana pra algo mais moralmente edificante, como uma caixa de massinha de modelar ou adesivos do Bob Esponja.</p>
<p>Qual não foi a minha surpresa quando, dois dias depois, meu pai visita a mesma loja e compra o DVD! Oh, a alegria de viver, meu amigo! Dei dois pulinhos para comemorar, sob o olhar suspeito do meu pai.</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img366.imageshack.us/img366/1173/capadodvd6dx.jpg" /></center><br />
Tudo no DVD cheirava a uma excelente futura resenha. Porra, dois filmes em um DVD só? Você sabe que a qualidade dos filmes é excelente quando o estúdio decide que lançar ambos em um DVD individual para cada não valeria a pena.Ou seja: <em>A Mosca</em> é um filme que não vale o DVD em que foi gravado. <em>Literalmente</em>. Isso já fala horrores a respeito da beleza de filme que eu estava prestes a assistir.</p>
<p>Falando em valor, e esse precinho, então?</p>
<p><center><img BORDER="1" SRC="http://img366.imageshack.us/img366/3456/precinho4qq.jpg" /></center><br />
Nove pratas por <strong>dois</strong> filmes?! Sem nem abrir a caixa do DVD, já consegui sentir o cheiro de uma excelente produção cinematográfica. Tudo bem que o DVD é usado, mas porra. Filmes usados ficam na faixa de 20 dólares!<em>A Mosca</em> é um super clássico do tempo de Corujão ou Domingo Maior, aquelas programações cinematográficas da Globo que passavam quando a gurizada já estava ou dormindo, ou caindo de sono. Durante toda a minha infância tentei assistir essa maravilha, mas por causa de idiotices como regras familiares e escola, eu era impedido de desafiar o relógio biológico e absorver toda a supimpice que é esse filme.</p>
<p>O filme, rodado no finzinho dos anos 80, é um drama/romance/horror/ficção científica que conta a história de Seth Brundle, interpretado por Jeff Goldblum a.k.a. &#8220;<em>o cara que interpreta o mesmo personagem em basicamente todos os seus filmes</em>&#8220;. Assim como Will Farrel e Morgan Freeman, Jeff Goldblum só sabe atuar de acordo um único estereotipo e o fará até o dia de sua morte, fazendo assim com que todos seus papéis sejam cópias uns dos outros.</p>
<p>O filme começa numa misteriosa festa. Temos a impressão de que é algum tipo de evento de importância no mundo científico, mas os sensacionais autores do roteiro não gastaram sequer dois segundos pra nos explicar exatamente que porra de festa era aquela. Seth (o cientista que daqui a uma hora e meia será uma mosca gigante) está explicando pra Veronica (a repórter que daqui a meia hora ele estará comendo) que ele é um grande gênio e que sua última invenção provocará a maior revolução que a humanidade já viu desde a invenção das tatuagens temporárias que vinham junto com o chiclete Ploc.</p>
<p>A mulé decide o acompanhar de volta pra sua casa (casa <em>dele</em>. Maldita ambiguidade.) pra ver que porra de invenção sensacional é essa. Dentro do carro, Seth começa a agir como uma putinha nervosa. Ele explica que morre de medo de meios de transportes convencionais, o que o coloca automaticamente no primeiro lugar da lista de &#8220;pessoas mais medrosas do mundo&#8221;, destronando a minha irmã menor que quando tinha 7 anos tinha medo de pular. O medo imbecil e irracional dele, você perceberá em breve, foi a desculpa que o cara precisou pra conceber sua maravilhosa invenção.</p>
<p>E o que é essa invenção, meu deus do céu?!</p>
<p>Ao chegar no apartamento, que é basicamente uma sarjeta com paredes e mobília, Seth exibe orgulhoso sua grandíssima invenção: uma máquina de teletransporte! O sujeito então mostra pra ela um imenso armário equipado com um tecladinho e tela, e então tenta enganar-nos dizendo que aquilo é um computador. A mulher obviamente não acredita nas habilidades inventísticas do sujeito, a despeito do fato de que ela foi até a casa dele sob a crença de que ele era um cientista. Seth se propõe a mostrá-la que sua maquininha funciona de verdade, e então pede um objeto pessoal da mulé para fazer uma experiência.</p>
<p>Essa desgraçada então tira a sua meia 7/8 e entrega pro cientista, sem dúvida alguma tentando seduzir o coitado pra depois dizer que está com dor de cabeça ou que não esteve tomando anticoncepcionais recentemente. O cara põe a meia na sua máquina teleportadora e <strong>SURPRESA</strong>, a meia aparece na máquina ao lado.</p>
<p>A mulé, que é uma repórter, mela a calcinha só de imaginar a sensacional matéria que ela poderia escrever a respeito da experiência do sujeito. Sem que o cara perceba, essa destruidora de lares liga um gravador portátil do tamanho de um sofá (ahh, a tecnologia dos anos 80) e começa a gravar tudo que o sujeito fala a respeito da máquina. A repórter, satisfeita com a entrevista não-autorizada e provavelmente ilegal, vai embora mostrar a novidade pro editor da revista.</p>
<p>O editor, previsivelmente, não acredita na mulé. Seth então se encontra com a repórter e propõe uma parceria &#8211; você me dá a buceta, e em troca eu te dou uma super cobertura exclusiva do meu sensacional experimento. Uma proposta dessa é irrecusável, afinal de contas, você já viu o cabelo da mulé? O penteado dela alcança tranquilamente a sacada de um apartamento de terceiro andar. Arrumar alguém que a coma e <strong>DE QUEBRA</strong> conseguir uma matéria é uma proposta que só acontece uma vez a cada passagem do cometa Haley.</p>
<p>O que acontece é que os dois em breve começam a trepar com furor de causar inveja ao mais apaixonado dos casais, a despeito de terem se conhecido no dia anterior. Um monte de coisas sem muita importância para a trama da história acontecem, e no momento eu larguei o filme e fui jogar um pouco de Worms.</p>
<p>Pouco tempo após eu ter mandado algum oponente pra puta que pariu por meio de uma Granada Santa milimetricamente bem colocada, o filme começa a ficar interessante, atraindo minha atenção de volta. Parece que o cientista e a mulé do cabelo do caralho resolvem testar algum bicho infeliz antes de adentrar a máquina eles mesmos. Sem muitas explicações, os covardes arrumam um <strong>BABUÍNO</strong> (como se arrumar um animal dessa espécie nos Estados Unidos fosse algo bastante fácil) e enfiam-no na máquina. Seth aperta botões em seu armário-computador, luzes piscam intensamente e o macaco desaparece. Oh, deu tudo certo! Vamos verificar a outra cabine pra ver se&#8230;</p>
<p>&#8230;ao abrir a máquina, percebemos que o babuíno sumiu e em seu lugar vemos algo que parece o mesmo babuíno, porém após ter passado 15 minutos num liquidificador. Segundo Seth, a máquina <strong>VIROU O BABUÍNO PELO AVESSO</strong>, e após assistir esse filme eu posso seguramente afirmar que existe espaghetti dentro de um babuíno. A massa de fiapos sanguinolentos que há dois minutos era uma criatura viva dá seus últimos &#8220;suspiros&#8221;, ofegando e chacoalhando suas entranhas por todo lado.</p>
<p>Procurei desesperadamente na internet por uma imagem desta pitoresca cena, mas infelizmente não encontrei nada que fizesse jus ao terror que é um babuíno virado ao avesso. Por dois segundos pensei em pegar uma foto de um talharim no Google Imagens e colocar embaixo uma legenda nos moldes de &#8220;<em>Isso é mais ou menos o que aconteceu no filme</em>&#8220;, mas o que vocês fizeram pra merecer uma piada tão infame? Deixo a bela/terrível imagem a cargo da imaginação de vocês.</p>
<p>Após uma forçadíssima analogia que de científica não tinha absolutamente nada, Seth descobre que a máquina não &#8220;entende&#8221; a carne. Então, ele vai &#8220;ensinar&#8221; ao computador armário o que é a carne, porque maioria das pessoas prefere que seus animais teleportados não exponham suas entranhas.</p>
<p>Beleza, a máquina tá pronta pro uso. Devia haver uma liquidação de babuínos na cidade do cara, porque Seth tinha <strong>OUTRO</strong> macaco dando sopa pelo apartamento. Ele testa a máquina com o novo macaco, e tudo revela-se funcionar perfeitamente.</p>
<p>Mas aí, claro, algo inesperado acontece e fode os planos bonitinhos do casal. A mulé vai se encontrar com o ex-namorado, que é por sinal o próprio editor dela &#8211; o que deixa claro que Seth não foi o primeiro a quem ela abriu as pernas por causa de uma oportunidade de carreira. O cientista fica malucão de ciúmes, achando que a esta altura sua mulé está num traje de couro sendo sodomizada por cinco caras simultaneamente.</p>
<p>E então, muito revoltado, Seth se joga de corpo e alma na manguaça. Após equilibrar sua composição sanguínea com mais álcool do que seria necessário pra um Chevette 83 fazer o trecho Quixeramobim &#8211; Juazeiro do Norte, o cientista bêbado entra na máquina teleportadora. Mas, OH! Uma mosca entrou na máquina ao mesmo tempo. A máquina recombinou o DNA do Seth com o da mosca, o que revela que essa máquina é realmente miraculosa porque a teoria de teleporte não tem absolutamente nada a ver com código genético.</p>
<p>E a partir daí, o resto vira putaria. Seth em breve começa a sentir os primeiros sintomas da terrível transformação que ele sofrerá nos próximos 28 minutos. No começo tudo parece legal: o sujeito acorda um dia se sentindo mais forte, mais ágil, começa a andar nas paredes e/ou tetos&#8230; nada demais. Ou de mais.</p>
<p>Mas em breve o cara percebe que entrar na máquina enquanto mamado não foi a melhor idéia do mundo. Seu rosto começa a desenvolver repugnantes bolhas semi-cancerosas, dando à cara do sujeito uma textura similar a de merda fresca. A máquina também meio que fodeu com os miolos do cara, então ele pira o cabeção de decide que a mulezinha dele deveria ser teleportada também. A repórter, que dá pra qualquer um mas não é boba, percebe de cara que o cara tá pra lá de Bagdá (falaí, há quanto tempo você não via essa expressão?). A mulé dá o fora, e o cara-de-cocô resolve que não precisa dela e vai pra um bar.</p>
<p>No botequim, a pilha de bosta humana encontra um grupo de motorqueiros com caras de poucos amigos disputando uma animada partida de queda de braço. O pedaço de excrementos com pernas desafia os motoqueiros malvadões, e ainda arremata a aposta dizendo que, se ganhar, pode levar uma mulé pra casa &#8211; e aponta pra uma vadia qualquer, que devido ao contexto podemos concluir que era relacionada a algum dos motoqueiros. A mulher protesta revoltadamente que não é uma prostituta e que isso é um ultraje sem tamanho, mas fica pra assistir a disputa entre o homem/mosca/saco de estrume ambulante e o motoqueiro.</p>
<p>Mostrando que o teor verdadeiro do filme é sanguinolência desmedida, o bolo fecal em forma de gente &#8211; que se você ainda não entendeu, ganhou super-força após se fundir com a mosca &#8211; literalmente <strong>ARREBENTA</strong> o braço do pobre motoqueiro. A cena seguinte mostra o braço arrebentado do sujeito, com o osso exposto e uma mangueirinha escondida ejetando alguns litros de sangue falso por segundo. O tolete falante levanta-se satisfeito, pega a mulezinha pelo braço e trás pra casa, onde a fode violentamente.</p>
<p>Tudo legal, mas aí a repórte decide ir ver como o homem-fezes está. E aí ela acaba pegando o sujeito e a vadia no flagra, oh não. Nesse momento Verônica emite a famosa <em>&#8220;tenha medo. tenha muito medo&#8221;</em>, que eu não sabia ter sido originada neste filme. Aprendemos algo inútil todo dia.</p>
<p>O resto do filme mostra apenas a lenta degradação de Seth, que evolui de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco. Em breve os dentes e unhas do cara começam a cair até, é uma beleza.</p>
<p>Neste meio tempo, descobre-se que Verônica está prenha. Aparentemente ninguém explicou pra mulher que sair dando indiscriminadamente pra diversos sujeitos que você nem conhece pode resultar em uma gravidez, porque ela parece muito surpresa. Tendo em vista que o pai da criança é (provavelmente) a massa de fezes pustulentas, ela decide abortar a criança. Mas o filme não deveria acabar assim, então o cientista &#8211; já quase totalmente irreconhecível em seu traje de cocô &#8211; sequestra a mulé da clínica clandestina lá e leva-a de volta ao seu apartamento. No fundo de seu cérebro surgiu a idéia de que, se ele jogar alguém dentro de uma das máquinas e se teleportar com ela, o cara vai ficar curado. Ok, ein.</p>
<p>O ex-namorado arruma uma arma magicamente e vai atrás dos dois. Ao chegar lá, é recepcionado pelo cientista mosca, que vomita uma substância ácida na mão do coitado e derrete-a toda. Não satisfeito, dá uma segunda vomitada no pobre ex-namorado, dessa vez no pé. O sujeito, que não tinha nada a ver com o negócio, se fode com maestria quase invejável.</p>
<p>Mais algumas bobagens acontecem e então Seth sofre a última transformação, a que troca o ator numa roupa pútrida por um marionete de mosca gigante. A manipulação deste é tão desastrada e mal feita que faz com que o teatrinho de fantoches com meias sujas que eu faço pra entreter o Kevin seja merecedor de algum tipo de prêmio.</p>
<p>Seguindo seu plano, a moscona empurra a mulher dentro de uma das máquinas e entra na outra. Na última hora, o ex-namorado maneta e perneta pega sua escopeta mágica surgida de lugar nenhum e dá um balaço no cabo que ligava uma máquina à outra. A mosca se desespera e tenta sair o negócio a tempo de esganar o aleijado, mas <strong>FODEU RAPAZ</strong> &#8211; a máquina se ativa quando a mosca gigante tá saindo do troço.</p>
<p>O resultado é que ele acaba se fundindo com partes metálicas da engenhoca, dando razão ao ditado popular que diz &#8220;sorria, as coisas ainda podem melhorar&#8221;. Metade homem, metade mosca e metade máquina, essa fração-aberração sai da máquina se arrastando em direção à mulher. Esta pega a arma do ex-namorado, mira na cabeça da monstruosidade e mete chumbo quente no que talvez fosse a testa dela.</p>
<p>Rolam os créditos. Até que não foi um filme <em>tããão</em> ruim, é apenas um filme medíocre dos anos 80. ~</p>
<p>Com esse pensamento, resolvi assistir <em>A Mosca 2</em> logo em seguida. Lembra da evolução &#8220;de fétido saco de estrume podre pra saco de estrume podre com pus escorrendo pelos buraquinhos do dito saco&#8221;? Então, isso define a diferença entre o primeiro e o segundo filme. Enquanto o primeiro é apenas levemente ruim e pode ser apreciado se você não tem padrões altos, o segundo é praticamente a incompetência humana em forma física. <em>A Mosca 2</em> deve ser evitado a todos os custos. Jamais assista, jamais compre, jamais esteja em um raio de menos de 15km de distância de uma cópia do filme.</p>
<p>Fique longe da continuação deste filme, ou os terroristas já venceram.</p>

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