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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Sagas intermináveis</title>
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		<title>A epopéia do novo PC</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 09:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sagas intermináveis]]></category>

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Eu sempre ouvi dizerem que alegria de pobre dura pouco.
Devo ser um completo indigente miserável então, porque minha euforia por ter comprado o PC novo durou aproximadamente cinco minutos após eu clicar em &#8220;Publicar&#8221; no texto anterior.

Este é um dos três táxis diferentes que eu tive que pegar hoje pra resolver a situação do meu [...]]]></description>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fhbdia.com%252Fwordpress%252F2009%252F12%252F05%252Fa-epopeia-do-novo-pc%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22A%20epop%C3%A9ia%20do%20novo%20PC%22%20%7D);"></div>
<p>Eu sempre ouvi dizerem que alegria de pobre dura pouco.</p>
<p>Devo ser um completo indigente miserável então, porque minha euforia por ter comprado o PC novo durou aproximadamente cinco minutos após eu clicar em &#8220;Publicar&#8221; no texto anterior.</p>
<p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 1px solid black;" title="Táxi" src="http://img134.imageshack.us/img134/875/desgraa.jpg" alt="" width="240" height="320" /></p>
<p>Este é um dos três táxis diferentes que eu tive que pegar hoje pra resolver a situação do meu computador. Como você pode ver, o tempo não estava dos melhores, o que tornou a situação exponencialmente pior.</p>
<p>Foi o seguinte.<br />
<span id="more-1381"></span><br />
Quem acompanha minha aventuras canadenses sabe que eu costumo ter um excepcional azar com gadgets. Do meu Xbox 360 dando 3RL três vezes, à GPU do meu Wii explodindo, à tela do PSP se partir ao meio, aos dois HDs queimando no mesmo dia, ao meu laptop tomando recall (e como podemos esquecer daquela tentativa frustrada de migrar pra um MacBook que resultou num iPhone formatado e na devolução no computador), eu já passei por muitos perrengues com tecnologia.</p>
<p>Mas o dia de hoje fez tudo aquilo parecer fichinha.</p>
<p>Lá pelo terceiro dia de posse do meu computador novo, eu comecei a notar que algo estranho estava acontecendo &#8211; ele estava se desligando sozinho. Não entrando em modo sleep nem nada do tipo: o gabinete morria como se houvesse faltado energia. Quando eu reiniciava a máquina, recebia aquele aviso de que o Windows havia fechado de forma inesperada e tal.</p>
<p>Na primeira vez, eu supus que fosse um bug qualquer. Quando aconteceu da segunda e terceira vezes, resolvi que algo estava de fato errado. A quarta vez aconteceu quando eu tava no meio do chat com o suporte da HP.</p>
<p>Mas o que seria a causa do problema?</p>
<p>Suspeitei do processador ou da fonte. Mas os crashes haviam acontecido em momentos de inatividade (uma delas foi durante à noite, quando eu nem estava usando a máquina). E no inverno canadense, a temperatura da minha casa dificilmente passa dos 20 graus &#8211; não é um ambiente propício pra superaquecimento do processador.</p>
<p>Logo, a fonte me parecia um suspeito mais provável.</p>
<p>Quando descobri que a fonte era de apenas 300w, comecei a ficar convencido que era um defeito de design. O consenso de quase 100% dos internautas a quem expus o problema é que aquela força era insuficiente pra máquina que eu estava tentando rodar.</p>
<p>Corri à Memory Express, uma loja de computadores lá perto de casa, e resolvi fazer a prova dos nove &#8211; descrevi a máquina pro atendente e perguntei o que ele mudaria naquela configuração. A resposta dele foi imediata &#8211; &#8220;eu trocaria essa fonte por uma de pelo menos 500w&#8221;.</p>
<p>Pensei &#8220;MERDA&#8221;. Pelo jeito o design desse desktop é falho. Terei que devolver.</p>
<p>Agora, há algo que você precisa saber sobre mim pra entender um pouco sobre meu estado de espírito durante toda essa presepada.</p>
<p>Eu sou absolutamente NEURÓTICO em relação ao funcionamento dos meus gadgets.</p>
<p>Se eles não estiverem perfeitamente configurados e funcionando em sua máxima capacidade, eu fico completamente paranóico, não consigo dormir, não consigo comer, fico na agonia de chegar logo em casa e fazer todo o setup pra deixar a máquina do jeitinho que eu quero. A idéia de não ter um computador funcional faz meu sangue ferver e minhas tripas darem nó.</p>
<p>Todos temos nossas loucuras, né? Essa é a minha. Herdei-a do meu pai, que também passava madrugadas acordado tentando atualizar firmware de routers, trazer laptops de volta à vida ou configurar o home theater dele do jeitinho que ele gosta.</p>
<p>Então.</p>
<p>Volto pra casa, decidido que o culpado do problema era a fonte do gabinete. Tava quase na hora de sair pro trampo, então eu teria que agir rápido pra formatar a máquina, recoloca-la na caixa, e poder sair pra sex shop tranquilo sabendo que ao menos essa etapa já foi completada.</p>
<p>Se eu saísse de casa e deixasse o PC ainda montadinho na mesa, eu ficaria pensando &#8220;ahhhh que merda, ainda tenho que formata-lo, tira-lo da mesa, preciso fazer logo isso&#8230;&#8221;.</p>
<p>Vou pro trabalho e passo as próximas oito horas completamente neurótico, simulando todos os eventos do dia seguinte na minha cabeça &#8211; &#8220;sairei do trabalho, pegarei o trem, volto pra casa, chamo um táxi, levo o computador de volta à Best Buy, pego outro, vou instalar tudo de novo e tudo estará bem&#8221;.</p>
<p>Chega sete da manhã, o horário em que termino meu expediente, e corro pra casa. A mulher, sabendo que eu estava já meio estressado com toda a confusão (eu havia atrasado minha agenda totalmente por causa do dia sem computador, aliás esse é o motivo pelo qual o HBDtv não saiu hoje como eu planejava), se prestou a me acompanhar à Best Buy pra dar aquele apoio moral.</p>
<p>Agora, a coisa <strong>INTELIGENTE</strong> a ser fazer teria sido tirar a roupa do trabalho, tomar um banho, comer alguma coisa, me dirigir ao quarto, meter a piroca na noiva pra desestressar, dormir pelado e satisfeito, e só quando acordasse muitas horas mais tarde, já relaxado, me metesse a resolver o problema.</p>
<p>Mas eu não sou uma pessoa particularmente inteligente. Sou o cara mais AFOBADO do mundo. Aliás, a palavra &#8220;afobado&#8221; é engraçada, não? Enfim.</p>
<p>Ligo pra compania de táxi e eles informam que demorará 40 minutos pra chegar um táxi na minha casa. Eu penso &#8220;mas que infernos?!&#8221; aí lembro da notícia que ninguém parava de falar no dia anterior.</p>
<p style="text-align: center;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 1px solid black;" title="Nevasca" src="http://img690.imageshack.us/img690/5812/snowstorm.jpg" alt="" width="450" height="324" /></p>
<p>A pior nevasca do ano estava sendo esperada ontem, o que causa inúmeros acidentes de tráfico (110 batidas de carro em CINCO HORAS) e paralisa o trânsito na cidade inteira. Em uma das avenidas mais movimentadas rolou um acidente envolvendo CINQUENTA veículos. Imagine a cena.</p>
<p style="text-align: center;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto; border: 1px solid black;" title="pileup" src="http://img682.imageshack.us/img682/3659/motorwaypileup.jpg" alt="" width="320" height="206" /></p>
<p style="text-align: center;">Tipo isso aí</p>
<p>&#8220;Ok&#8221;, pensei. Sou um cara bem humorado que ri das próprias desgraças e tenta sempre ver os sobressaltos da vida com esportividade. &#8220;O trânsito vai atrasar um pouco as coisas. Isso significa na pior das hipóteses que terei que ficar acordado por mais tempo. Tudo bem.&#8221;</p>
<p>Uns 40 minutos mais tarde o táxi aparece. Pulo do carro com a caixona do computador a tiracolo e a patroa ao meu lado, me acalmando dizendo que já já tudo se resolverá, que o novo computador será ainda MELHOR que o outro, blá blá blá.</p>
<p>Chego na Best Buy e jogo a caixa no balcão do serviço de atendimento. Essa é uma das coisas que eu adoro a respeito de morar aqui &#8211; nego não embaça suas devoluções, não fazem corpo mole pra te ajudar a trocar uma mercadoria.</p>
<p>O cara abriu a caixa, viu que o gabinete tava lá, e falou &#8220;ok, trás lá outro qualquer&#8221;.</p>
<p>Não perguntou por que eu tava devolvendo, não exigiu que eu explicasse o problema, nem sequer checou pra ver se a máquina tava ligando. Tudo na base da confiança mermo. Lembro que a única vez que eu precisei devolver um eletrônico no Brasil (uma webcam) a mulher da loja colocou TANTOS empecilhos que eu tive que fazer escândalo na loja, berrando e o cacete.</p>
<p>Por uma porra de uma webcam. Enfim.</p>
<p>Vou à área dos computadores e pego uma outra máquina. Esta aqui.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Novo PC" src="http://img265.imageshack.us/img265/185/novol.jpg" alt="" width="336" height="448" /></p>
<p>Um p6242f, que é um modelo bastante similar ao computador problemático, porém com chipset Intel &#8211; o que deveria agradar meus amigos fanáticos pela marca que predisseram que toda sorte de infortúnio cairia sobre mim se eu comprasse um computador com processador AMD.</p>
<p>Já um pouco mais relaxado, eu pego a caixona e levo ao serviço de atendimento ao consumidor. Porém, um problema.</p>
<p>O preço que eu paguei originalmente era um disconto porque comprei o PC e o monitor juntos. Devolvendo apenas o computador mas mantendo o monitor, o desconto não seria mais válido, e nessa eu acabei tendo que pagar o preço total do monitor por fora &#8211; 130 dólares.</p>
<p>Como se isso já não fosse um chute nas bolas, que tal esta? Se eu tivesse empacotado o computador inteiro e fizesse retorno da transação inteira, eu poderia pegar o PC acima com um monitor de 23&#8243;&#8230; por apenas 50 dólares a mais do que eu gastei no total.</p>
<p>Ou seja, ao invés de voltar pra Best Buy, desembolsar outros 50 contos e retornar com um monitor maior, eu paguei 130 dólares e fiquei com o de 20&#8243; mesmo.</p>
<p>Novamente, uma pessoa com um cérebro funcional decidiria que isso é um péssimo negócio e simplesmente voltaria outro dia, com mais calma, pra devolver tudo junto e pegar o PC Intel junto com o monitor maior.</p>
<p>Mas não eu. Eu sou afobadíssimo e preciso ter tudo resolvido e funcionando o mais rápido possível, custe o que custar. É uma fúria cega.</p>
<p>Sentindo a frustração subir novamente, eu me acalmei pensando &#8220;esquece, é apenas dinheiro, não se estresse por causa disso&#8221;. Graças às minhas manobras financeiras friamente calculadas e meus planos de orçamento (que um dia explicarei aqui no HBD pro benefício de vocês), felizmente dinheiro não costuma ser um grande problema pra mim, por isso sempre tento não me abalar por causa de cifras.</p>
<p>Falei &#8220;FODA-SE&#8221; mentalmente, paguei a diferença, e fui pra porta da loja ligar pro táxi.</p>
<p>E só dava ocupado. Quando o clima vai pra merda desse jeito, o sistema de táxi da cidade fica completamente sobrecarregado, já que ninguém quer usar transporte público.</p>
<p>Demorou mais ou menos meia hora pra finalmente conseguir um táxi. Chego em casa já mais tranquilo, embora a idéia de ter que setar o novo computador disparasse meus genes da afobação e me deixasse um pouco frustrado.</p>
<p>Chego em casa, passo a faca na caixa, puxo o computador pra fora e quando começo a plugar os cabos no gabinete&#8230;</p>
<p>Não.</p>
<p>Não é possível.</p>
<p>Revido o gabinete todo. Checo a parte da frente, as laterais, a traseira. Não. Não. Não. Não acredito nisso.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="Sem Wifi" src="http://img187.imageshack.us/img187/1053/tweetl.jpg" alt="" width="450" height="228" /></p>
<p>Escrevi esse tweet só com uma mão, porque com a outra estava arrancando os cabelos e arremessando objetos aleatórios contra paredes e familiares.</p>
<p>Agora, a coisa inteligente a se fazer seria dar de ombros, aceitar a derrota, cair na cama e dormir. A esta altura eu já estava acordado há quase 24 horas, tendo acabado de trabalhar a madrugada inteira.</p>
<p>Alguém sugeriu que eu voltasse à Memory Express mais tarde, que é mais perto do que a Best Buy e eu poderia ir andando, e simplesmente comprasse um adaptador wifi USB (já que instalar uma placa wifi interna violaria minha garantia, o que não é uma boa idéia).</p>
<p>Mas pra alguém com meus problemas mentais, essa era uma opção inválida.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border: 1px solid black;" title="LOL" src="http://img11.imageshack.us/img11/6258/tweet2h.jpg" alt="" width="450" height="207" /></p>
<p>Poisé. Acredite se puder, eu liguei pro táxi de novo. Meia hora depois lá estava eu, dentro do carro, BUFANDO COM O MAIS PURO ÓDIO DA VIDA.</p>
<p>Pedi pro taxista me esperar do lado de fora da Best Buy, já que eu não esperava demorar tanto. Ele aceitou, mas alertou que o taxímetro rodaria enquanto eu estivesse na loja.</p>
<p>O que é um peidinho pra quem já está todo cagado? Aceitei os termos. Já estava resignado a ir à falência ontem mesmo se fosse o custo de ter um computador funcionando.</p>
<p>Agora deixa eu revelar um detalhe pra vocês &#8211; o PC de onde escrevo este conto não é o computador novo, é meu netbook. Além do netbook, eu também tenho um desktop na sala, ligado à minha TV, servindo como media center. Há também o desktop do meu irmão, o meu laptop antigo, e o laptop da minha mulher. Tenho acesso livre e pleno a qualquer um destes computadores, e todos acessam a rede wireless da minha casa.</p>
<p>Ou seja &#8211; há CINCO outros computadores na minha casa. Eu tenho internet até no meu celular, ou seja, não é como se meu vício no twitter fosse interrompido se eu desistisse temporariamente dessa caçada maluca por um computador novo.</p>
<p>Mas, como já expliquei, eu sou completamente e perdidamente afobado.</p>
<p>Minutos depois eu estava de novo depositando o computador no balcão do serviço ao consumidor. O carinha me olhou com semblante de dúvida.</p>
<p>&#8220;Não tem placa wifi&#8221; eu disse, sem esperar resposta do cara &#8211; parti em disparada pra área de computadores de novo.</p>
<p>Nessa altura, eu tive uma epifania. Eu já tava duvidando desde o começo que a HP realmente colocaria no mercado um modelo com fonte insuficiente, e eu ser o primeiro e único a notar o problema (pesquisei com mil termos diferentes no Google e não recebi nenhum resultado indicando problemas similares ao meu).</p>
<p>O design do computador, o vilão original, talvez fosse inocente. Parecia mais lógico que o PC que eu peguei estava danificado de alguma forma. E como ele tinha os melhores specs pelo preço que eu paguei, além de vir com wifi (apenas dois outros modelos de desktop na Best Buy tinham wifi embutido), por que não pegar OUTRA unidade do mesmo modelo?</p>
<p>E nessa hora algo aconteceu que me fez não apenas berrar &#8220;FUCK&#8221; em plenos pulmões no meio da Best Buy lotada, mas também me fez crer que eu estava participando de algum tipo de pegadinha cruel.</p>
<p>No intervalo de mais ou menos quarenta minutos desde minha última passada na Best Buy, praticamente todos os bons computadores haviam sido vendidos. Só Dual Cores vagabundos de 4gb de RAM sobravam.</p>
<p>Aí eu me toquei que estava disputando por eletrônicos numa das maiores lojas do gênero, poucas semanas antes do Natal. O que parecia ter saído de um livro surreal do Kafka começou a fazer sentido. Os PCs não evaporaram, foram comprados pelos outros trocentos clientes que perambulavam pela loja.</p>
<p>Catei o primeiro computador que tinha specs similares sem sequer olhar pra etiqueta de preço e corri pro balcão. Chegando lá dou de cara com uma fila de CINCO pessoas. Nessa hora lembrei que o taxista estava lá fora, com uma conta de dígitos triplos e provavelmente puto porque eu falei pra ele que não demoraria nada.</p>
<p>Engoli o ódio que eu sentia do universo no momento. Senti claramente o coração batendo acelerado, a pressão subindo, as primeiras pontadas da dor de cabeça castigando minhas têmporas.</p>
<p>Pensei com certa melancolia que se tivesse um infarto ali mesmo, ao menos não teria mais que passar algumas horas deixando o computador do jeitinho que eu queria quando chegasse em casa.</p>
<p>Finalmente chega minha vez no caixa. Sacando o recibo do bolso pra executar a troca, notei que a lateral da caixa dizia &#8220;Comes with Windows Vista&#8221;.</p>
<p>Windows Vista.</p>
<p>Soltei um desesperado YOU GOT TO BE FUCKING KIDDING ME. Todos os olhares na loja se voltaram pra mim. Cliente xingando em estabelecimento comercial é geralmente admoestado pelos funcionários, mas a essa altura sem dúvida os caras estavam com pena da situação, ou com medo de eu me transformar num troglodita e sair quebrando tudo e espumando pela boca.</p>
<p>Corri feito um maratonista pra área de computadores. O taxímetro rodando, a dor de cabeça batendo, o estômago protestando a fome, o cansaço de ter passado um dia inteiro em pé&#8230; eu não estava na melhor situação pra tomar uma decisão.</p>
<p>E eu estava encurralado. Não havia mais computadores disponíveis, a única escolha seria pegar uma porra dum Athlon Dual Core com 2GB de RAM e Vista &#8211; ou seja, exatamente a mesma máquina que eu queria substituir desde o começo!</p>
<p>A frustração começou a tomar conta de mim. Eu estava longe de casa, com fome, cansado, já tinha torrado uma bela grana e não tinha uma solução pro problema.</p>
<p>O único jeito seria apelar pra uma solução que eu rejeitei a princípio &#8211; comprar uma placa wifi USB. Lá se vão mais 70 dólares. Fazer o que.</p>
<p>Ou seja &#8211; eu havia empacotado o computador pra nada. No final de contas, levei-o pra um passeio de táxi, porque a melhor escolha seria mante-lo.</p>
<p>Pego o primeiro DLink que vi pela frente (ACHO que era Dlink, mal li a caixa), corro pro serviço ao consumidor, e havia agora DEZ pessoas na fila.</p>
<p>Àquela altura a máxima &#8220;o que é um peidinho pra quem já está todo cagado&#8221; não era mais apropriada, porque eu não estava apenas &#8220;cagado&#8221;. Estava nadando em (e simultaneamente COMENDO a) merda.</p>
<p>Avistei um caixa que tinha acabado de abrir e então corri pra lá, fazendo malabarismos com a caixa do PC e a do adaptador wifi. Quando chega na minha vez, sou atendido por uma lésbica gorda e bem feia que, como ela mesma explicou, era novata no trabalho.</p>
<p>A mulher passou uns 5 minutos lendo as instruções na tela do computador, sem saber como prosseguir com a minha transação.</p>
<p>Eu não podia acreditar naquilo. A menina estava inclinada na direção do monitor, seguindo as linhas das instruções com o dedo, lendo em voz alta pra si mesmo e com a maior cara de retardada que eu já vi na vida.</p>
<p>&#8220;OLHAQUI MINHA FILHA&#8221; eu comecei a berrar antes mesmo de perceber o que eu estava falando. Foi meio que um reflexo.</p>
<p>&#8220;GERALMENTE EU NÃO SOU FILHO DA PUTA DESSE JEITO MAS EU TOU COM PRESSA PRA CARALHO, PELO AMOR DE DEUS CHAME ALGUÉM AQUI QUE SAIBA OPERAR A PORRA DESSA MÁQUINA&#8221;.</p>
<p>Senti que toda a loja tava olhando na minha direção.</p>
<p>A menina olhou pra mim com olhos arregalados e falou, de voz baixa e com muita vergonha:</p>
<p>&#8220;Desculpa senhor, é meu primeiro dia&#8230;&#8221;</p>
<p>Isso me desarmou completamente. Eu já estava a ponto de lágrimas a essa altura. A menina finalmente entendeu o que deveria fazer, pegou minha grana, me deu o recibo e me desejou um sincero &#8220;bom dia&#8221;. Corri em direção à saída, mas parei no meio do caminho, olhei pra trás e falei &#8220;Me desculpa. Tou tendo um dia horrível. Você tá fazendo um bom trabalho&#8221;. Ela sorriu de volta.</p>
<p>Chego em casa 10 minutos e cem dólares mais pobre (70 do adaptador, 30 do táxi). Instalo tudo e posso dizer com felicidade que tenho um bom computador novamente.</p>
<p>A placa wifi está meio instável (ás vezes pego velocidades de 11mbps, e às vezes isso cai pra 4mbps), mas ao menos tá tudo funcionando lá.</p>
<p>Até agora, ao menos.</p>
<p>Minha mulher acompanhava meu trabalho de perto com atenção. Quando ela viu que o computador estava funcionando perfeitamente, ela carinhosamente me puxou pra longe do computador. Ela conhece essa minha doença da afobação, e sabia que tava na hora de interceder.</p>
<p>Eu falava &#8220;pera, tenho só que ver isso&#8230;&#8221; e estendia a mão pra pegar o mouse, mas ela pegava minha mão, entrelaçava os dedos com os meus, e falava com voz maternal:</p>
<p>&#8220;Meu amor, o seu computador já tá pronto. Vem deitar aqui comigo&#8221;.</p>
<p>Eu tava sem forças pra protestar. Cai de sapato e calça e tudo na cama. Fechei os olhos assim que a cabeça bateu no travesseiro. A última recordação que tenho é que ela tava tirando meus sapatos e perguntando se eu tava com fome.</p>
<p>E aí eu apaguei. Era uma da tarde a essa altura do campeonato.</p>
<p>Acordei às 10 horas, em cima da hora pra sair pro trabalho. A patroa havia preparado uma janta, mas não havia tempo pra comer. Pulei na cadeira do PC, verifiquei que tudo estava às ordens, e me arrumei pra sair pro trabalho.</p>
<p>Pensando em registrar as condições climáticas pra poder provar pra vocês que o negócio tava realmente tenso, saquei o iPhone pra uma filmagem rápida. E enquanto filmo a cidade completamente coberta de neve e explico que tive um dia de MERDA&#8230; eu escorrego e caio.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.twitvid.com/player/C44A0" /><param name="wmode" value="transparent" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="quality" value="high" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.twitvid.com/player/C44A0" quality="high" wmode="transparent" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Comentei no twitter que hoje foi o pior dia que consigo recordar em toda a minha existência. E a resposta unânime foi &#8220;então você não teve muitos dias ruins&#8221;.</p>
<p>E eu percebi que é a pura verdade. Sou um cara bastante sortudo no geral (por motivos que não enumerarei por medo de soar muito arrogante), então é natural que o Universo cague na minha cabeça de vez em quando pra equalizar as coisas.</p>
<p>Agora é rezar pra que eu chegue em casa e o computador ainda esteja ligado, e a placa wifi esteja funcionando como deveria.</p>

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		<title>As Patricinhas Intercambistas</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/2009/10/26/as-patricinhas-intercambistas/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 07:44:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
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		<description><![CDATA[

Yep. Você leu o título. O dia chegou. A partir de hoje as brincadeiras perderam seu sentido. Toda uma era literalmente acabou.
Pelos últimos quatro anos, as Patricinhas Intercambistas foram mencionadas por vocês um sem-número de vezes, consolidando a expressão como parte do folclore popular do HBD (e ao mesmo tempo confundindo os leitores novatos ao [...]]]></description>
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<p>Yep. Você leu o título. O dia chegou. A partir de hoje as brincadeiras perderam seu sentido. Toda uma era literalmente acabou.</p>
<p>Pelos últimos quatro anos, as Patricinhas Intercambistas foram mencionadas por vocês um sem-número de vezes, consolidando a expressão como parte do folclore popular do HBD (e ao mesmo tempo confundindo os leitores novatos ao ponto de que eu tive que explicar quem ela eram no FAQ do site). Eis a descrição que coloquei lá:</p>
<blockquote><p><strong> Quem são as tais patricinhas intercambistas escrotas que os leitores sempre mencionam nos comentários?</strong></p>
<p>Longa história, camarada. Resumidamente foi o seguinte – em 2005, eu conheci três garotas que moravam em Oshawa, Ontario. Elas conheciam meu site, me adicionaram no MSN, e me convidaram pra ir a Toronto fazer compras com elas.</p>
<p>E os eventos que se passaram naquela tarde, cujos detalhes nunca revelei mas prometi elucidar num post, renderam-nas a alcunha de “patricinhas intercambistas escrotas”. Os leitores aguardam a explicação da história há ANOS, e por isso mencionam as meninas como uma forma de me provocar a finalmente escrever o texto.</p>
<p>E eu tou escrevendo, porra. Mas, como diria a 3DRealms sobre o Duke Nukem Forever, “it’ll be ready when it’s ready“.</p></blockquote>
<p>Coloquei essa breve explicação no FAQ e deixei o assunto fermentar.</p>
<p>Bem, se passaram quatro anos. Devo-lhes a explicação.<br />
<span id="more-1177"></span><br />
Meu approach com HBD é muito descompromissado. Como não ganho nada com este site, não há deadlines, não há pressa alguma pra escrever nada. A vantagem disso é que eu não me estresso com a parada; escrevo quando dá na telha.</p>
<p>E a desvantagem é que às vezes eu procrastino tanto que acabo nem escrevendo o texto. Escrevo dois parágrafos, salvo nos drafts, e nunca mais retorno ao texto. E a história das Patricinhas Intercambistas foi um desses casos.<br />
<center><img src="http://img38.imageshack.us/img38/5590/draftn.jpg" border="1" alt="" /><br />
Pensam que tô brincando?</center></p>
<p>Mas enfim. A história em questão se passou em 2005, a menos que a memória me falhe. Eu morava em Oshawa, Ontario, uma cidadezinha satélite de Toronto. 150 mil habitantes, praticamente nenhum brasileiro.</p>
<p>Aquela era uma época em que eu ainda acalentava a esperança de fazer amizades tupiniquins. A distância da terra natal e a inexistência de uma forma de interagir diariamente com compatriotas (oi twitter) me tornava sedento de contatos brasileiros. E por isso eu vasculhava o orkut &#8211; hahahah mas que desgraça ter que depender daquilo pra fazer amizades &#8211; pra encontrar outros brasileiros perdidos por aqui.</p>
<p>Não lembro exatamente COMO encontrei as famosas intercambistas; se não me falha a memória uma delas lia HBD, e fui &#8220;apresentado&#8221; às outras pelo orkut. Uma delas morava em minha cidade, as outras, em cidades vizinhas. </p>
<p>Para não escrotizar TANTO, me referirei à ela como M. E não se assanhem tanto; a M, como todo ser humano que passa uma temporada num país frio, tinha ganhado consideráveis quilinhos na época que a conheci.</p>
<p>(Assim como eu fui de raquíticos 56kg aos lamentáveis 82kg que peso atualmente. Sim, eu era magricelo total.)<br />
<center><img class="aligncenter" src="http://farm3.static.flickr.com/2429/4035953978_0e3d612f54.jpg" border="1" alt="" /><br />
<br />Pics or didn&#8217;t happen</center></p>
<p>A M, se a memória me serve bem, era a que conhecia meu site &#8211; o primo do vizinho da amiga da escola havia mencionado o HBD alguma vez, ou algo assim. Ela me adicionou no orkut, revelou que morava na mesma roça canadense que eu.</p>
<p>Quando digo &#8220;roça canadense&#8221;, não é uma expressão exagerada pra efeito cômico. Pra você ter uma idéia do abandono, eis uma foto da avenida mais movimentada do centro da cidade.<br />
<center><img class="aligncenter" src="http://img40.imageshack.us/img40/5661/oshawa20action20plan.jpg" border="1" alt="" /></center></p>
<p>Daí tu tira a desgraça interiorana que era aquela cidade. Sendo uma cidade pequena, não havia nenhum núcleo brasileiro.</p>
<p>Conhecer a M foi emocionante porque até então eu não tinha nenhum amigo brasileiro em Oshawa; sendo uma cidade pequena, eu imaginava que seria uma propabilidade baixíssima esbarrar com outro brasileiro por lá.</p>
<p>Convidei-a pra alguns eventos sociais na minha casa, e como todo bom intercambista ela se isolou num canto e não falou com ninguém (tinha &#8220;vergonha&#8221; de falar inglês aparentemente). Apareceu então a V, uma amiga brasileira dela de Toronto que ela havia convidado pra comparecer a uma das festinhas. Nisso elas puderam se isolar juntas num cantinho da casa, conversando em português a noite inteira e não fazendo o menor esforço em se integrar ao grupo.</p>
<p>(A V não era intercambista, ela era imigrante mesmo. Ou seja, ela tem menos desculpa pra esse tipo de comportamento)</p>
<p>Achei uma incrível CUZICE o fato de que eu convidei a infeliz pra interagir num evento social com gringos (algo que deveria ser o objetivo de um intercâmbio) e a mulher se limitou a sentar no sofá muda, respondendo monossilabicamente as perguntas que faziam a ela. Porra, ela me reclamava que não tinha muitas oportunidades pra desenvolver um grupinho de amigos gringos, e quando dou essa chance pra ela, a mulé me faz essa desfeita?</p>
<p>Mas tudo bem. Imaginei que ela apenas estava meio tímida naquele dia, por se ver rodeada de um imenso grupo de amigos que se conheciam bem entre si. É fácil se sentir intimidado quando é o estranho do grupo. Dei um descontinho.</p>
<p>Em subsequentes conversas com a menina me revelaram o que pouco a pouco foi cimentando minha opinião sobre intercambistas até hoje. Como quase todos os outros intercambistas, M era a típica filha da burguesia &#8211; uma turma geralmente nascida em berço de ouro (senão ao menos prata), filha de pais abastados. Afinal, não fosse o <em>pai</em>trocínio, ela provavelmente nunca teria pisado no Canadá.</p>
<p>Duas coisas são características clássicas do tipo de gente cujos pais com condições financeiras acima da média. A primeira é que eles não estão exatamente acostumados a se adaptar ao ambiente; a graninha dos pais é geralmente empregada pra adaptar o meio a elas. E a segunda é uma derivada da primeira &#8211; por causa dessa vida &#8220;maleável&#8221;, filhos de pais endinheirados não sabem se acostumar a desafios, e eles levam a vida achando que ela os deve alguma coisa.</p>
<p>Eu suspeito que é daí que vem esse papinho cara-de-bunda que tu já deve ter ouvido de muitos amigos que fizeram intercâmbio &#8211; &#8220;os gringos são muito frios, cara!&#8221;. Acostumada à popularidade a a bajulação, essa turma não sabe como reagir quando não são o centro de afeição do seu grupo social. E nisso o intercambista fica inerte, sem tomar iniciativa, reclamando sempre que &#8220;ninguém fala com ele&#8221;, achando que os gringos deveriam o dar atenção redobrada pelo fato de que ele é especial, é estrangeiro.</p>
<p>(A grande ironia é que o Canadá é um dos países com mais imigrantes no MUNDO; gente de outra nacionalidade aqui é lugar-comum.)</p>
<p>Além disso, há outro detalhe &#8211; intercambistas não estão aqui pra ficar. Portanto, se adaptar à atmosfera e à fauna social canadense não é exatamente uma prioridade alta pra eles. É daí que vem esse apego à turma e coisinhas brasileiras.</p>
<p>Duvida? Dê uma averiguada nas comunidades no orkut do Canadá, ou Inglaterra, ou Austrália, ou de qualquer outro país que é destino comum de intercâmbio. Toda semana algum neófito abre um tópico pra perguntar se a cidade X tem bastante brasileiros (e adicionando que não quer ficar &#8220;sozinha no meio de um monte de gringo&#8221; ou algo que o valha), ou se cidade Y tem onde comprar feijão e arroz.</p>
<p>(Sim &#8211; na cabeça dos intercambistas, feijão e arroz são itens encontrados APENAS no Brasil.)</p>
<p>Sei que pareço meio hipócrita em denunciar o desespero dos intercambistas em se agarrar a qualquer coisa que os lembre do Brasil, quando eu de vez em quando me taco do outro lado da cidade pra gastar $5 numa latinha de guaraná Antártica, mas tenha o contexto em mente &#8211; moro aqui há SEIS anos, e só visitei o Brasil UMA vez.</p>
<p>Em contrapartida, essa galera vem passar UM MÊS aqui. Se eles não estão disposto a experimentar o país do jeito que ele é por UM MÊS, qual é o propósito de convencer papai e mamãe a gastar alguns milhares de reais enviando o sujeito pro outro hemisfério?</p>
<p>Talvez toda a minha antipatia com intercambistas se resuma nisso &#8211; focos diferentes. Enquanto eu tou aqui tentando decidir uma carreira me esforçando em achar aquele mítico grupinho de amigos ao qual você pertencerá a vida toda, intercambistas estão contando a conversão do dólar pra real pra comprar iPod, e tirando foto de neve pra pôr no orkut. Eu chego achando que rolará uma afinidade instantânea pelo fato de que ambos falamos português, mas na realidade os caras tão sintonizados em algo completamente diferente do que eu estou.</p>
<p>E nem vou mencionar o profundo papelão (pra não dizer PAUNOCUZISMO) de gente que vem passar um ou dois meses, e fica enfurnado em casa nos seu tempo livre chorando no MSN com mãe/irmã/melhor amiga/namorado, se lamuriando por ter que aguentar a opressiva solidão. Dá licença.</p>
<p>Imagine aí a pessoa desperdiçar o que pode ser a maior aventura da vida dela porque é incapaz de se distanciar temporariamente da mãe/namorado/qualquer outra muleta existencial.</p>
<p>Hmm, onde eu estava mesmo? Ah, sim &#8211; essa impressão de que intercambistas são um tipinho acomodado e sem muita vontade de realmente experimentar as terras gringas se solidificou em conversas com a tal M. Mas tudo bem, era minha PRIMEIRA amiga brasileira no Canadá, eu não tinha muita escolha e resolvi relevar.</p>
<p>E aí ela me convida pra ir a Toronto no Boxing Day. Pros que desconhecem, Boxing Day é como os canadenses e ingleses se referem ao dia após o Natal, quando as lojas precisam torrar tudo que não vendeu pro feriado natalino. O foco maior é em eletrônicos &#8211; computadores top de linha de mil (ou mais) dólares são vendidos por $600. Câmeras digitais de marcas top que geralmente custam pra lá de 400 paus saem por menos de $200, dependendo da loja.</p>
<p>É liquidação agressiva geral que gera tanta movimentação nos shoppings que por um momento você pensa que as leis naturais que impedem que dois corpos ocupem o mesmo lugar ao mesmo tempo foram temporariamente suspensas.</p>
<p>Se você acha por um momento que eu estou exagerando (como faço <strong>dois bilhões de vezes</strong> por texto), vá ao Google imagens mais próximo e pesquise qualquer combinação dos termos &#8220;boxing day shopping&#8221; pra ter uma idéia do volume de pessoas que esses preços atraem.<br />
<center><img class="aligncenter" src="http://img200.imageshack.us/img200/9899/boxingday.jpg" alt="" width="500" height="331" border="1" /></center></p>
<p>Poisé.</p>
<p>M, sua amiga G, a patroa e eu nos encontramos na estação de trem de Oshawa, onde pegaríamos o Go-Train (trem que conecta as cidades próximas a Toronto, às margens do lago Ontario) com direção à New York canadense.</p>
<p><center><img src="http://farm3.static.flickr.com/2253/2524516564_a07cde232d.jpg" border="1" /></center></p>
<p>Esse trem é muito bacaninha, aliás. É uma das coisas que sinto falta em Ontario.</p>
<p>Pois bem. Eu, minha (na época) namorada as duas intercambistas embarcamos no tremzão aí. A viagem de Oshawa pra Toronto, se não me falha a memória &#8211; tenham paciência comigo caralho, estamos falando de uma série de eventos que aconteceu há quase cinco anos &#8211; demorava em média 50 minutos. É o tipo de situação que, por falta de qualquer outra distração, acaba fazendo que os companheiros de viagem se ocupem conversando e se conhecendo melhor.</p>
<p>É uma pena que não foi o caso.</p>
<p>M e G estavam muito mais preocupadas em discutir minúncias sem importância sobre eventos de sua escola (a do Canadá ou a do Brasil, não lembro, mas sei que era igualmente desimportante). Em português, ainda por cima, o que alienou a minha mulher totalmente.</p>
<p>Vez ou outra eu puxava um assunto em inglês, meio que tentando dar o toque que minha companheira não domava o português o suficiente pra acompanhar suas fofoquinhas adolescentes, mas não adiantava &#8211; elas respondiam monossilabicamente em inglês, antes de voltar à papagaiada lusofone.</p>
<p>Parecia quase um esforço consciente em marginalizar a minha mulher, que me lançava olhares como se perguntasse, com semblante triste, &#8220;o que elas tão falando?&#8221;.</p>
<p>A trivialidade do assunto e meu desinteresse em atribuir a ele qualquer impressão de importância que as fizessem continua-lo (no caso, traduzi-lo) me fez apenas dispensar o pedido da minha mulher. Eu já tava ficando bastante irritado naquele momento. Vale lembrar que não era apenas a minha mulher que se sentia ignorada por causa do papinho adolescente babaca non-stop; eu também me sentia totalmente por fora porque o assunto não me dizia respeito de qualquer forma.</p>
<p>Então seguimos em nossa viagem, sentados juntos mas tendo conversas completamente paralelas. A frustração aumentava gradativamente.</p>
<p>Chegamos em Toronto. Na Union Station, encontramos a terceira intercambista, a L. O bando lendário de quem vocês tanto ouviram falar estava pela primeira vez, diante dos meus olhos, reunidos.</p>
<p>As garotas se abraçaram, trocaram breves elogios em relação suas aparências, perguntaram sobre as novidades escolares&#8230; enquanto ignoravam agressivamente a mim e minha mulher. O desinteresse era absoluto. Era como se não estivéssemos lá.</p>
<p>Decidi que não tinha como tanto descaso ser apenas incidental. Rebobinei minha fita mental pra tentar me lembrar se eu havia dito ou feito alguma coisa que as causou a retaliar passivo-agressivamente dessa forma. Não achei nada. </p>
<p>Olhei pra minha mulher e a tristeza era praticamente palpável em seu olhar.</p>
<p>Elas finalmente se viraram pra mim. O plano seria ir ao Eaton Centre, um dos maiores shoppings de Toronto, pra aproveitar as liquidações e comprar X, Y e Z pra primo/tia/amigo da escola no Brasil. </p>
<p>Ok. </p>
<p>E aí veio a parte mais revoltante de todo aquele dia. </p>
<p>A parte que, quando me lembro, me causa gastrite de tanto arrependimento. </p>
<p>Pensar que aturei todas as desfeitas anteriores ao menos me dá alento porque imagino que ganhei bastante pontinhos de karma pra balancear meus incontáveis pecados. Mas quando lembro DISSO, a revolta é absoluta.</p>
<p>Uma das garotas estava indo passar o resto do fim de semana na casa da outra. Por isso, ela havia empacotado TODAS as suas posses (duas maletas imensas), e estava trazendo-as a tiracolo.</p>
<p>Chute aí quem foi o eleito pela turma pra carregar as duas malas durante toda a coisa.</p>
<p>Yep. Sendo o único detentor do cromossomo Y, minhas colegas decidiram que eu era o único capaz de exercer o serviço de um animal de carga. Tentando ainda ser educado, aceitei.</p>
<p>E lá foi a caravana &#8211; as três amigas de braços dados caminhando alegremente e batendo papo animado sobre alguma trivialidade qualquer, e eu uns 10 metros atrás carregando as malas, com a futura esposa tentando ajudar, e tristíssima. </p>
<p>O semblante de derrota dela é o que me dá mais ódio hoje. Quem já viu algum vídeo meu em que minha mulher aparece deve ter notado que ela é incrivelmente bem animada, e muito amigável. Ver essa menina que é a personificação de alegria se sentindo tão triste por ser rejeitada me causou um desgosto impressionante.</p>
<p>Em um momento naquele shopping absolutamente lotado, arrastando duas malas abarrotadas e se esforçando pra manter o passo e não perder as meninas de vista, pensei em simplesmente largar as malas no chão, dar meia volta e voltar a Oshawa. Expus a idéia pra mulher e ela, uma santa, se recusou &#8211; a canadense falou que devíamos tentar alcançar as meninas e entregar as malas, e dizer que estávamos voltando pra casa. </p>
<p>Pensei no bom karma que já havia acumulado até então. Se eu sacaneasse as meninas àquela altura do campeonato, voltaria pra casa sem o saldo positivo, e todo aquele suplício teria sido completamente em vão. Concordei com a mulher.</p>
<p>Mas cadê as desgraçadas? Durante essa conversa acabamos perdendo as meninas de vista. Com aqueles dois milhões de canadenses ao nosso redor, era como procurar uma agulha num palheiro.</p>
<p>Agora eu já estava ficando com dor de cabeça de tanta raiva. A mulher estava se impacientando também, mas a decisão de devolver as malas antes de irmos embora era irredutível.</p>
<p>Eu esticava o pescoço em todas as direções, tentando encontra-las. Nada. Era impossível. Não sou particularmente alto (1,73m), especialmente pros padrões canadenses. Seria impossível acha-las.</p>
<p>&#8230;até que eu lembrei que uma delas havia mencionado especificamente que queria comprar uma câmera digital. Pra minha sorte, só havia uma loja de eletrônicos na área próxima. </p>
<p>Entrei na loja lentamente, por osmose, sendo pressionado por todos os lados pela multidão. Fui à seção de câmeras e, maravilha, lá estavam as meninas! Respirei aliviado. Elas me viram antes que eu me aproximassem e a surpresa&#8230;</p>
<p>&#8220;Ei, que tal a gente se separar e se encontrar no fim do dia, quando for pra voltar pra casa?&#8221;</p>
<p>Fiquei sem resposta. As meninas deviam estar planejando se desvencilhar da gente mesmo, porque a pergunta foi muito de supetão. Sem reclamar, entreguei as malas e me virei pra me retirar. Nisso ouço uma delas falando &#8220;não esquece de perguntar antes pra ele!&#8221;.</p>
<p>Me viro e uma delas têm em mãos um mapa de Toronto. Elas queriam que eu explicasse, antes de ir embora, como chegar de um certo ponto da cidade a outro.</p>
<p>E aí que eu entendi a coisa toda. Elas mostravam completo desinteresse em interagir comigo ou com minha mulher porque de fato nutriam completo desinteresse em conversar comigo ou minha mulher. Do começo ao fim era óbvio, mas só naquele momento a coisa ficou perfeitamente clara &#8211; eu era o burro de carga/guia turístico delas, e nada além disso.</p>
<p>Entreguei-lhes as malas e não lembro nem se dei tchau. Eu havia passado do ponto em que me preocupava me manter as aparências de civilidade. Peguei a mulher pela mão e saí daquele inferno lotado de gente, para nunca mais ver aquelas meninas na vida. </p>
<p>E esse, caros leitores, é a lendária história das patricinhas intercambistas.</p>
<p>Vale lembrar que algo ainda PIOR aconteceu na vinda de volta pra Oshawa. Chamo esse acontecimento de &#8220;A fatídica viagem de trem&#8221;, que deveria ter durado 50 minutos e acabou se estendendo por quase 6 horas, colocando em risco a minha vida, a da patroa, e de um pobre skatista que se viu junto conosco numa desesperada aventura da vida real. Acabei indo parar numa cidade que eu nunca nem tinha ouvido falar na vida, e nesse dia pela primeira ver perdi minha carteira desde que me mudei pro Canadá. </p>
<p>Mas isso é uma história pra outro dia&#8230; </p>
<p>E aí está. Finalmente escrevi o texto. Se este post não alcançar um recorde de comentários, morrerei decepcionado com todos vocês. Façam-me sentir que essa espera de 4 anos valeu a pena :D</p>

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		<title>O dia em que eu me fodi, conclusão</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2009 16:53:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sagas intermináveis]]></category>

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A ambulância estacionou na parte traseira do hospital, um detalhe que eu só vim perceber quando os paramédicos puxaram minha maca pra fora &#8211; não dá pra ver absolutamente nada do mundo exterior quando você está deitado na traseira de uma ambulância. 
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<p>A ambulância estacionou na parte traseira do hospital, um detalhe que eu só vim perceber quando os paramédicos puxaram minha maca pra fora &#8211; não dá pra ver absolutamente nada do mundo exterior quando você está deitado na traseira de uma ambulância. </p>
<p>Cerrei os olhos sob a claridade do ambiente exterior. Quando abri novamente, a namorada tava do meu lado, carregando minhas roupas. Os paramédicos trocaram palavras rápidas e saíram em direções opostas; o Jeff passou a empurrar a maca em direção à entrada. Imaginei que os outros caras tinham alguma papelada pra preencher em relação ao meu resgate.</p>
<p>A maca parou às portas de vidro do hospital. Através da mágica do sensor infravermelho passivo, elas se abriram permitindo nossa passagem.<br />
<span id="more-956"></span><br />
O cheiro detestável de gente velha e doente permeava o ambiente e ofendeu minhas narinas no instante que entramos no local. O Jeff me empurrou num cantinho do corredor, e em seguida levou a namorada pro balcão, pra fazer o meu check-in ou seja lá qual o termo usado no contexto hospitalar. A namorada colocou as minhas roupas embaixo da maca, fazendo sinal de &#8220;já volto&#8221;. Ela me deu um beijo na testa e saiu.</p>
<p>Tentei ver onde exatamente ela colocou as tralhas, se estavam apoiadas em algum suporte na parte inferior da maca ou no chão mesmo, mas as drogas que os meus resgatadores injetaram na minha mão impedia de me mover muito, por mais que eu tentasse. Profeticamente, visualizei a namorada vindo pegar minhas roupas e deixando o iPhone cair do bolso da calça. Suspirei enquanto uma velhinha passava lentamente ao meu lado, com uma daquelas haste com uma bolsa de soro intravenoso a tiracolo.</p>
<p>&#8220;Eu podia estar twittando isso agora mesmo&#8221;, pensei. Imaginei como descreveria a velhinha caquética, de aparente 400 anos de idade, enquanto ela perambulava aparentemente sem rumo na ala de emergência do hospital.</p>
<p>Joguei o braço pro lado da maca, numa tentativa fútil de alcançar o celular  que jazia embaixo da maca. Esta ficava a mais ou menos um metro de distância do chão. Não havia chance de alcançar o negócio, caso ele estivesse no chão. Desencanei da porra do celular.</p>
<p>Comecei a imaginar como é que eu explicaria a porra do acidente ao meu chefe, quando fosse requisitar o inevitável dia de folga pra recuperação. Nisso eu ouço a enfermeira no plantão repetir, com aquele tom na voz que deixava claro que ela acreditava não estar entendendo a história.</p>
<p>&#8220;Mas ele caiu da cama?&#8221;</p>
<p>&#8220;Sim&#8221;, era a voz da namorada. O ângulo em que me colocaram no corredor não me permitia ver a cena &#8220;ele estava arrumando a cama e caiu. Caiu no chão. Enquanto arrumava a cama.&#8221;, ela continuou.</p>
<p>Não dava pra ver a cara da namorada, mas eu consigo imaginar exatamente o semblante que ela esboçou. É tipo aquele quando você trás um sujeito novo pro grupo de amigos, e o infeliz passa a noite inteira fazendo aquelas piadas incrivelmente sem graça que provocam um clima de constrangimento que dura vários segundos.</p>
<p>Em outras palavras, eu imagino que naquele momento ela exibia o clássico olhar &#8220;meu deus, que vergonha de me associar com esse retardado&#8221;.</p>
<p>&#8220;Mas quantos metros de altura tem essa cama?&#8221; perguntou a enfermeira. Não consegui distingir se ela usou tom de sarcasmo brincalhão, ou provocativo.</p>
<p>Ouvi uma risadinha sem graça da namorada. Alguns momentos de silêncio, e de repente a menina se materializa do meu lado.</p>
<p>&#8220;Já preenchi tudo pra você, já já eles te levam pro atendimento. Como você está?&#8221; ela interpelou.</p>
<p>&#8220;Mas que porra de pergunta ein minha filha&#8221; falei. E em seguida, &#8220;Já estive melhor&#8221;, arrematei, meio arrependido da minha hostilidade. Ela notou que eu coçava a mão furiosamente.</p>
<p>&#8220;Pára, menino!&#8221; ela falou, puxando meu braço pra longe do catéter. E sim, eu sei que houve uma reforma na língua portuguesa e que &#8220;pára&#8221; não tem mais acento e blá blá blá por que você não vai chupar uma piroca, ein? Tou contando uma história aqui, caralho.</p>
<p>&#8220;Tá coçando demais essa desgraça&#8221; falei distraidamente enquanto escaneava o local &#8220;vai demorar muito isso aqui?&#8221;</p>
<p>&#8220;A enfermeira falou que já já vão te levar pro atendimento. Não deve demorar muito&#8221;</p>
<p>&#8220;Tou com fome. Me dá meu iPhone aí&#8221; eu disse, num total non-sequitur.</p>
<p>A namorada se abaixou pra pescar o celular das minhas calças. Ela se levantou com a calça nas mãos, e então eu ouvi o barulho claro de um objeto de plástico caindo no chão e quicando algumas vezes. &#8220;Aiii&#8230;&#8221;, falou a menina.</p>
<p>&#8220;Mas puta que o PARIU&#8230;&#8221; falei baixinho. Uma enfermeira passava perto no momento, me ouviu e fez cara feia. Suspirei e cocei o cateter de novo.</p>
<p>A namorada se abaixou pra pegar o celular. Ela limpou a tela com a blusa, ligou-o e destravou a tela. &#8220;Olha, ainda funciona direitim, fica com raiva não amor ^_^&#8221;. </p>
<p>Minha mulé é um personagem de anime ambulante.</p>
<p>&#8220;Pera que eu vou comprar uma bobagem qualquer pra você comer&#8221; ela disse e saiu, certamente tentando me recompensar por ter estatelado a porra do celular no chão.</p>
<p>Apanhei o bicho, abri o cliente de twitter e informei meus amiguinhos de que no momento eu me encontrava fodido e num hospital. A namorada apareceu logo em seguida, com um saquinho de salgadinhos aleatórios.</p>
<p>Poucos segundos depois, apareceu uma enfermeira com uma prancheta na mão.</p>
<p>&#8220;Izzy?&#8221;</p>
<p>&#8220;Opa, é nóis dona enfermeira&#8221; foi o que eu não falei. Ao invés disso, eu disse apenas &#8220;sim&#8221;. </p>
<p>&#8220;Opa, tudo bom? Sou a Tracy. Vamos lá&#8221; foi o que ela disse, de forma alegre e meio misteriosa. Mas vamos lá ONDE, mulher?</p>
<p>Ela me levou pra uma ante-sala (tem hífen nessa porra? Eu lá entendo dessa merda de reforma) com várias camas separadas por cortinas. Deitei-me em uma das camas, sob olhar cuidadoso da enfermeira lá. Ela fechou uma cortina ao meu redor e falou que um médico iria me atender em breve.</p>
<p>Nisso eu pensei naquela tal responsabilidade jornalística que eu vivo mencionando, e decidi que seria uma boa hora de imortalizar aquele dia de merda em formato .jpg. Eis as imagens:</p>
<p><center><a href="http://img26.imageshack.us/my.php?image=img0417qe3.jpg" target="_blank"><img src="http://img26.imageshack.us/img26/8030/img0417qe3.th.jpg" border="0" /></a> <a href="http://img25.imageshack.us/my.php?image=img0418bu1.jpg" target="_blank"><img src="http://img25.imageshack.us/img25/9361/img0418bu1.th.jpg" border="0" /></a> <a href="http://img17.imageshack.us/my.php?image=img0408mp0.jpg" target="_blank"><img src="http://img17.imageshack.us/img17/148/img0408mp0.th.jpg" border="0" /></a> <a href="http://img23.imageshack.us/my.php?image=img0410sr3.jpg" target="_blank"><img src="http://img23.imageshack.us/img23/9766/img0410sr3.th.jpg" border="0" /></a></p>
<p> <a href="http://img17.imageshack.us/my.php?image=img0411wc3.jpg" target="_blank"><img src="http://img17.imageshack.us/img17/8693/img0411wc3.th.jpg" border="0" /></a> <a href="http://img7.imageshack.us/my.php?image=img0412iq1.jpg" target="_blank"><img src="http://img7.imageshack.us/img7/8427/img0412iq1.th.jpg" border="0" /></a> </center></p>
<p>Fiquei lá sozinho com meus pensamentos e meus salgadinhos (que eram uma merda, já que você pergunta), apesar da orientação da enfermeira de que eu não deveria comer nada antes de ver o dotô. Talvez seja por isso que eu fiquei meio envergonhado quando uma segunda enfermeira veio falar comigo e esboçou claro desgosto ao me ver ignorando a orientação da outra.</p>
<p>&#8220;Você tem alguma alergia?&#8221; ela foi direto ao ponto, sem o usual bom humor que parece uma constante na galera da profissão médica. Não pude deixar de notar que a mulé era estonteante. O cabelo loiro dela tava preso, aquele glorioso rabo de cavalo balançando atrás dela. O jaleco dela era modesto, mas os traços de mamas gloriosas eram claramente visíveis por baixo dele. </p>
<p>O que estou querendo dizer é que a mulé parecia uma enfermeira, sim, mas o tipo que estou acostumado a ver em formato Divx com uma URL do naughty-america.com no cantinho inferior direito.</p>
<p>Pensei tudo isso antes de responder &#8220;não, nenhuma alergia&#8221;. Ela fez uma anotação numa pranchetinha.</p>
<p>&#8220;Toma algum medicamento controlado?&#8221; porra, a mulé precisa usar esse tom de descaso? Que escrotinha. Ou estaria apenas de mal humor naquele dia específico? Jamais saberei.</p>
<p>&#8220;Não, nenh&#8230;&#8221;</p>
<p>&#8220;Seu endereço é (&#8230;)?&#8221;</p>
<p>&#8220;Isso&#8221;</p>
<p>&#8220;O doutor vem ver você já já&#8221; ela disse, colocando a pranchetinha numa prateleira. E se virou pra ir embora, me lembrando mais uma vez por que eu adoro a Lululemon.</p>
<p>Lululemon é uma grife local que faz roupas esportivas. A despeito do preço ridiculamente abusivo (calças da Lululemon custam na faixa de 150 dólares, enquanto calças idênticas porém com outros logos se encontram por menos de 30), a marca é extremamente popular aqui na cidade.</p>
<p>Esse é o tipo de roupa que eles vendem.</p>
<p><center><img src="http://img23.imageshack.us/img23/7845/lululemonmv6.jpg" border=1></center></p>
<p>E era isso que a enfermeirinha estava trajando.</p>
<p>Minutos depois o médico aparece. O cara mal olhou pra mim; ele devia ter ouvido a história da cama e concluído que eu não poderia estar tão machucado assim. Ele me entregou uma cartela de Oxycontin, um poderoso analgésico, e uns papéis explicando sobre o quão perigoso o tal medicamento é, porque aparentemente vicia com muita facilidade. </p>
<p>Tomei uns ali mesmo, curioso sobre o efeito do famoso remédio. Nunca fui muito de experimentar drogas, então imaginei que seria uma reação interessante.</p>
<p>E como foi. Ao longo dos próximos 5 dias, sempre que as costas começavam a doer mais, eu metia um comprimido na goela. Em questão de minutos, tava LOMBRANDO. A reação inicial era uma de sono; eu me sentia sonolento, mas não estava realmente com vontade de dormir. Em seguia vinha um alívio fortíssimo pelo corpo inteiro, a melhor forma de descrever a sensação é dizendo que dava a impressão de que se eu não me controlasse ativamente, me mijaria, cagaria e gozaria todo se desse o menor espirro.</p>
<p>Trevor &#8211; como bom amigo filho da puta que é &#8211; já havia contado pra todos os nossos colegas de trabalho sobre como eu me acidentei ARRUMANDO A CAMA, e jazia caído no chão de cuecas, na mais triste figura, esperando ser socorrido por paramédicos.</p>
<p>E sempre que algum colega de trabalho que ainda não havia ouvido a história me perguntava como eu me acidentei, eu me lembrava do conselho que dei no começo desta série &#8211; se você for se acidentar, tente não se acidentar de forma vergonhosa.</p>
<p>E pra tornar a coisa ainda mais engraçada (pra vocês), anteontem chegou a conta da ambulância. O plano de saúde federal cobre tudo, <b>MENOS</b> viagem de ambulância.</p>
<p><center><img src="http://img23.imageshack.us/img23/9342/ambulanciade4.jpg" border=1></center></p>
<p>Conta de 351 dólares. Com 10 dias pra pagar. Logo antes de uma viagem pra outro país.</p>
<p>Eu só me fodo mesmo.</p>

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