Brinquedinhos Voadores Não-Identificados

Escrito por Kid on Jul 10, 2008

Ok, vamos voltar aos posts não-relacionados a Rama? Combinado.

Então, eu detesto começar posts com um clichê que ando utilizando tão frequentemente, mas… bem, PRA QUEM ACOMPANHA MEU FLICKR, nos últimos dias retomei um hobby que eu arrisquei no ano passado.

Alguns de vocês devem lembrar do meu helicóptro (sic). 

E se você não lembra, clique aí, dê uma “batida de olhos” no texto e refresque sua memória. Essa é a beleza da internet; na vida real quando sua namorada pergunta se você lembra de uma história chatíssima que ela te contou ontem, você não tem recurso algum a não ser admitir que não prestou atenção em nenhuma palavra que saiu da boca dela porque estava pensando se as lâminas daquele liquidificador do Will It Blend? são feitas de adamantium.

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Celular novo!

Escrito por Kid on May 19, 2008

Antes de mais nada - não, não comprei esse celular com os dinheirinhos das doações. Não que eu pense que vocês desconfiavam isso, mas é bom deixar logo claro porque vou ter que admitir que é levemente suspeito eu aparecer com gadget novo poucos dias após receber mais de 150 dólares em doações pro HBDcast.

Falando nisso, o que vocês acharam da nossa solução? Comecei a usar o zShare já que hostear o HBDcast em servidores próprios é suicídio - que o diga o Evandro, que hosteou a parada no servidor dele e em menos de seis horas teve seu host totalmente estuprado pelos acessos do nosso programa. O que é uma coisa pra se orgulhar, mas por outro lado gera esse problema logístico filho duma puta. Continuo estudando opções de hosting (entre os quais o Dreamhost e o Bluehost já foram cortados, já que o TOS deles não permite que os hosts sejam usados pra pura e simplesmente compartilhar arquivos. Se vocês têm outra idéia pra host pago que aguente a barra e que não vá me banir subitamente por quebra de contrato, dê o toque.

Mas voltemos ao assunto principal - celulares.

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iPod Touch, round 2

Escrito por Kid on Mar 8, 2008

Quatro dias se passaram desde a recompra do iPod Touch, o que significa que até agora eu tive 24 horas a mais com o mp3-que-quer-ser-PDA da Apple do que da última vez que me aventurei a comprá-lo.

Como vocês lembram, dizer que a experiência foi horrível é falar pouco - meu primeiro contato com o Touch foi marcado por tanta frustração e raiva que a sensação era de que eu havia jogado dinheiro no lixo. Praticamente todas as funções do aparelho exibiram alguma forma de defeito.

A funcionalidade de vídeo foi a mais problemática; nem mesmo desistir inteiramente do meu laptop (alguns culparam o Vista) e apelar pro meu desktop XP empoeirado ajudou.

Devolvi o Touch e, apesar de adquirir um outro gadget que ocupou minha atenção nérdica, o gostinho amargo da derrota ainda estava na minha boca. A despeito dos problemas que o Touch apresentou e da minha força de vontade pra soluciona-los, no final das contas eu havia sido derrotado. Eu queria tanto o aparelho, e me vi obrigado a devolve-lo contra a minha vontade. 

Não pensem que estou inocentando a Apple de sua culpa no caso. O iTunes da época era comprovadamente instável e levou muitos compradores à mesma atitude que eu. É que isso não me serviu como consolo. O orgulho nerd foi ferido. Como geek semi-profissional de traquitanas eletrônicas, eu gosto de ver a mim mesmo como uma espécie de MacGyver nerd, capaz de solucionar qualquer problema tecnológico em menos de meia hora incluindo os comerciais. Ao desistir do Touch, eu estava de certa forma jogando a toalha, admitindo que estava sem idéias. “Não tem mais jeito”. E realmente não tinha, mas o dano ao meu ego já havia sido causado. Apesar disso, o desejo de possuir um dos gadgets mais quentes do momento não desvanesceu, mesmo após a compra do Archos 605.

Não que o Archos seja ruim. O gadget alternativo é excelente, e eu ainda o usarei por anos, mas acontece  que eu ainda queria também um iPod Touch. Afinal, não foi que o aparelho em si que me causou fúria, foi o software. Tanto que, durante a discussão no Meiobit sobre o aparelho, falei publicamente que ainda tinha esperanças de obter um, caso a Apple resolvesse se mexer e aparar as pontas do odiável iTunes.

E já que estamos mencionando aquela discussão, queria deixar um negócio claro. Nos comentários do post anterior, o Cardoso havia alegado que a tela do Touch é maior do que a de qualquer PDA. Expliquei que isso não confere, já que tanto o Palm TX como o Axim x50 (dois PDAs com os quais tenho experiência) têm telas maiores. Em seguida ele, no que eu só posso classificar como ”melhor exemplo prático de falácia da extensão da analogia”, simplificou o meu argumento dizendo que eu tentei comparar as duas plataformas. Expliquei que esse não era o mérito do meu argumento, mas nem sei se ele leu meu comentário. Enfim, águas passadas.

E o que eu esperava aconteceu: uma nova versão do iTunes foi lançada, e cuidadosamente resolvi testá-la. Assim que percebi que os problemas com o Vista foram solucionados, a tentação de dar uma segunda chance ao Touch foi maior que meu auto-controle. Fui à Future Shop mais próxima e recomprei o aparelho.

Ainda no caminho da loja, três fatores cruzaram meus pensamentos, fortalecendo a impressão de que dessa vez a compra seria mais satisfatória. O primeiro era a certeza de que eu não teria as mesmas complicações pra “interfacear” o aparelho com meu PC, que foi a causa de maior dor de cabeça. O segundo era o preço - cem dólares de diferença. Aprendam com o meu erro - early adopters SEMPRE tomam no cu.

A terceiro e mais significatico fator era o Archos. Eu sei, parece paradoxal. Acontece que, como já possuo um vídeo player mais competente, não estou esperando tanto do Touch. Como falei antes, pra mim ele é um aparelho de mp3 com browser e uns badulaques extras. Só isso.

Vou explicar logo - por mais bacana que o iPod Touch seja, ele continua sendo um player de vídeo bastante medíocre. O suporte de formatos é patético, não há como gerenciar a mídia no aparelho, não há suporte pra legendas, não há um auto-falante, a resolução não é tão boa quanto poderia ser, nem mesmo fullscreen real essa porra faz (ao invés disso, o Touch dá um zoom na área central do vídeo, cobrindo toda a tela mas cortando pedaços imensos da imagem).

Pra resumir, no departamento de vídeo o iPod tem uma performance MUITO porca. Qualquer pessoa que diga o contrário ou é fanboy cego, ou não teve experiência com outros players de vídeo melhores, ou ambos. Por não me encaixar em nenhum dos demográficos acima, minhas expectativas se tornaram baixas. Basicamente, eu só queria um mp3 player legal.

Assim como o PSP, o DS e outros eletrônicos portáteis, o potencial real do Touch está nos homebrews. Como mal consegui pôr vídeos no troço da última vez, muito menos “jailbreakear” (leia-se: destravar a bagaça, liberando o uso de software não-produzido pela Apple), então eu não cheguei a experimentar esse aspecto do Touch da última vez. Talvez se a gente levar isso em consideração, podemos concluir que minha resenha anterior inteira não foi bem uma resenha, porque eu nem consegui usar a parada direito. Foi mais um grito de frustração.

Agora que realmente pude usar o Touch, acho que minhas impressões são mais acertadas. Algumas se confirmaram - como o fato de que o Touch é um video player muito medíocre -, algumas se refizeram - o player de mp3 é mais intuitivo do que eu julguei da última vez -, e outras se mantiveram - a tela de toque do iPod Touch é a melhor entre qualquer gadget, salvo apenas no caso do iPhone por motivos óbvios; o Safari é um excelente browser.

E vou dizer, é interessante voltar com expectativas diferentes a um aparelho que te causou tanta raiva no passado. É como reencontrar uma ex-namorada anos após as mágoas se passaram. Tudo bem que ela é meio burrinha e não consegue comer de boca fechada nem pra salvar a própria vida, mas se ela trepa bem, por que não tirar proveito disso? A analogia é terrivelmente sexista mas vocês entenderam. Comprar, usar e resenhar gadgets não é experiência nova pra mim, mas fazer tudo isso duas vezes é.

E, seguindo os passos deste texto do Cardoso, aqui estão os homebrews que eu instalei no meu iPod.

1) Safari

O navegador. Como já mencionei, é um dos melhores navegadores portáteis que já usei. Certamente não é o mais completo (java e flash, algo que o Opera do Archos faz nativamente, é um mistério pro Safari), mas a “overall experience” é bastante natural e intuitiva. Saquem só como o Safari renderiza o HBD:

Letrinhas pequenininhas, alguns devem ter dito. Bom, isso não é problema.

Como você pode ver no vídeo acima, iPod Touch detecta a orientação em que está sendo segurado, e com os dedos você pode movimentar a página e dar zoom. É bem bacana e permite um uso internético bem mais fluido e confortável que, digamos, o browser do Palm ou do PSP.

2) Youtube

O aplicativo que permite o usuário a assistir vídeos do Youtube, já que o Safari não lida com flash.

3) Calendar

Preciso realmente explicar isso? A única ressalva é que o calendário do Touch já foi bem mais usado nesses 4 dias que os aplicativos semelhantes do meu palm em três anos. Acho que isso se deve ao fato de que eu SEMPRE tenho meu mp3 player comigo, então o calendário me seguirá com mais frequência do que o Palm.

4) Contacts

Inútil pra qualquer pessoa que tenha um celular. Sim, o mesmo pode ser (parcialmente) dito sobre o calendário. Acontece que, ao contrário do calendário, a função de contato será sempre usada em conjunção com o telefone. Não faz sentido recadastrar todo mundo no iPod se eu já os tenho no celular mesmo. Além disso, digitar compromissos no Touch é muito melhor que no celular.

5) Clock

Um relogim.

6) Calculator

7) Settings

O painel de controle do bicho. Aí terminam os aplicativos que vem com o Touch; todos os ícones após esse são programas que eu baixei.

8) Apollo

Um instant messenger da vida. Seria bem útil, se o MSN/Hotmail não fossem estupidamente proprietários. Assim como não dá pra cadastrar emails do Hotmail no Outlook, é quase impossível fazer um programinha third-party conectar ao MSN. Vou acabar deletando.

9) Stumbler

Um localizador de wi-fi.

10) Pocket Guitar

Um aparelhinho que te permite tocar guitarra no Touch. “Ah, mais um Guitar Hero, sei”. Não, seu merda. Dá pra tocar guitarra MESMO. Olhaí. O formato do Touch torna a brincadeira um pouco complicada, mas sempre impressiona os amigos.

11) Chess

Um bom e velho xadrez.

12) Tris

Um clone de Tetris.

13) NES

Como você deve imaginar, é um emulador de NES. Bacaninha, mas tem alguns problemas de framerate às vezes e a falta de feedback tátil torna o controle meio esquisito. É mais interessante do que funcional. Só não desinstalo porque não tenho nenhum outro aplicativo com ícone referente a Mario, e como você deve imaginar isso é praticamente obrigatório pra mim.

14) Aquarium

Um “joguinho” bem retardado. A tela se torna um aquário em que um solitário peixinho dourado (ou peixe-palhaço, nem lembro agora) faz porra nenhuma. Você pode clicar na tela e dar comida pra ele, mas a animação é tão retardadamente simples que não tem apelo nem como demonstração do poder gráfico do Touch.

15) Tetromino

Outro clone de Tetris.

16) Domino

É dominó, ué. E tem um modo multiplayer.

17) Screenshot

O programa que trouxe essas imagens pra você.

18) Maps

É essencialmente o Google Maps, como programa stand-alone. Muito útil, mas não saia pensando que poderá substituir um GPS - o programa depende de wi-fi pra funcionar.

19) Tap Tap Revolution

Uma tentativa de clonar Guitar Hero no iPod Touch. Não sei se é porque já joguei muito GH nessa vida, ou se é porque o programa é bem tosquinho mesmo, mas não me interessei muito.

20) iSolitaire

Paciência. Fundamental pra alguém com um trabalho como o meu; hoje detonei a bateria jogando no expediente.

21) iShare

Um programinha que permite uploadear arquivos do iPod usando os servidores do SendSpace. Interessantezinho.

22) iFPD

Baixei, nunca usei e esqueci do que se trata.

23) Sudoku

Outro app essencial pra mim. Não sei se Sudoku é tão popular aí como aqui.

24) EvolutionRGB

Uma versão portátil do Falling Sand, aquele conhecido joguinho em flash estilo sandbox. Eu poderia brincar nisso por horas a fio, mesmo essa versão sendo mais simples e com menos opções que a original.

25) SMBPrefs

O painel de controle da SummerBoard, um programinha que te permite mudar a aparência do Touch. Dá pra pôr layout do Vista, do Leopard, de tudo. Tou esperando lançarem um tema de NES ou SNES, o que surpreendentemente ainda não foi feito.

26) Installer

O programa que te permite instalar todos esses apps. O processo é interessante porque tudo é feito via wi-fi. Você nem precisa de um computador pra baixar novos aplicativos. Muito legal.

27) iFob

Outro programa cuja funcionalidade exata eu esqueci. Tem algo a ver com detectar usuários de aparelhos wi-fi nas proximidades.

28) RSS

Um leitor de RSSs, ou seja, essencialmente o último prego no caixão do meu Palm TX que era usado exclusivamente pra ler sites offline via RSS no trabalho. O app não é tão bom quanto o Plucker que eu uso no Palm, mas é bom o bastante pra inviabilizar o ato de trazer ambos comigo pro trabalho.

29) iPhysics

Outro joguinho sandbox. Desenhe objetos na tela, e eles se materializam e se tornam sujeitos à ação da gravidade e tal. Você pode pega-los, jogar um contra o outro, afixa-los pelas extremidades no cenário, etc. Não há um propósito real, a menos que você baixe um dos vários mods pra ele que utilizam a engine como um jogo.

30) TextEdit

Outro app que tornou meu TX totalmente obsoleto. Eu costumava escrever textos no Palm, mas usar o tecladinho portátil meio que torna muito clara a minha vagabundagem no trabalho, e catar milho com a stylus é um exercício de paciência pra poucos. Digitar no TextEdit é infinitamente mais confortável. A propósito, adivinha onde escrevi este post!

Esse aplicativo me causou um leve arrependimento por ter comprado o Touch, pra ser sincero. Eu estava meio dividido entre o iPhone e o Touch, aí decidi pelo último achando que tela de toque seria meio desagradável como única forma de input num celular. Afinal, eu mando muito mais mensagens que faço ligações. Após usar esse programa por cinco minutos percebi que estava enganado. Bom, agora já era.31) MailCliente de email do Touch. Como mencionei, não dá pra cadastrar pra uso do Hotmail, tornando-o semi-inútil pra mim. Registrei meu gmail, entretanto.

32) Books

Leitor de ebooks.

Fiquei com preguiça de tirar um screenshot da última tela. Só havia dois programas mesmo: um clone de bejeweled que roda cmo problemas de framerate então será deletado, e um dicionário virtual. Nada de muito sensacional aí, com exceção que é possível instalar databases extras além da principal. Instalei um dicionário jurídico e uma versão da enciclopédia britânica, o que é incrivelmente útil pra mim porque eu adoro pesquisar trivialidades. Sério mesmo, não tou de putaria - passei boa parte no trabalho pesquisando curiosidades sobre países da América Latina.

E é isso. A verdadeira força do Touch, na minha opinião, é que ele é um mp3 que pode com competência substituir um PDA. Como player de vídeo ele deixa a desejar, mas em todas as outras áreas ele é impressionante. Adoro o fato de que ele é capaz de um pseudo-multitarefa: clique no home button duas vezes e um pop up com controles de música aparece na tela. Você pode trocar a música e imediatamente voltar pro que estava fazendo antes. Isso torna a experiência de “trabalhar” no Touch (como eu fiz ao escrever este texto) análoga ao uso de um PC doméstico. Bacana.

Resumão - O Kid  de um mês atrás jamais recomendaria um iPod Touch. O atual o recomendaria, com a ressalva a respeito do player de vídeo. Existem players de vídeo melhores lá fora.

E sim, eu já tenho um. Pra que ter um só quando posso ter todos?

[ Update ] Tou tendo um problema filho da puta com a quebra de linha nesse texto, como vocês devem ter notado. Alguém quer dar uma olhada no sourcecode e me explicar o que diabos tou fazendo errado? Grato.


Rock Band

Escrito por Kid on Jan 15, 2008

Vamos ver se essa merda presta.

 

[ Update ] Presta, sim.

 

Só pra relembrar - comprei o jogo aproximadamente 12 horas atrás, e nunca toquei bateria na vida. Como disse o k-max, essa porra poderia ser implementada pra revolucionar a forma como alguém aprende a tocar instrumento rítmico.


Os piores gadgets de todos os tempos

Escrito por Kid on Dec 21, 2007

Nós amantes de gadgets temos um problema que os gringos definem através da palavra “shortsight”, aportuguesado pra “vista curta”. Acho que “vista curta” serve quase perfeitamente pro contexto, embora não passe a mesma idéia de falta de perspectiva, figurativamente falando.

Esse problema significa que, ao comprar um novo brinquedinho tecnológico, nós às vezes não temos um bom discernimento pra identificar que aparelhos prometem muito mais do que poderiam cumprir. Combinado à familiar prática certas empresas de tecnologia de lançar produtos que poderiam claramente ter sido muito melhorados por um controle de qualidade mais apurado antes de chegarem as lojas, e o resultado é uma lista de gadgets que eram tão sensacionalmente horríveis que nos forçam a imaginar que tipo de solvente industrial os engenheiros estavam cheirando ao desenvolverem o projeto.

Tendo isso em consideração, aí vão os maiores e mais retumbantes fracassos na indústria de brinquedos eletrônicos. Que sirvam de lição pros projetos futuros (além de servirem como calço para a porta e como apoio pra mesa de perna curta).

CueCat

O CueCat em todo seu esplendorA idéia: o CueCat, produzido pela finada Digital Convergence, era essencialmente um leitor de código de barras modificado pra uso caseiro. A finalidade do aparelho era escanear códigos de barras exibidos em produtos ou revistas ou jornais ou caixas de LEGO e enviar seu browser diretamente pra página internética com maiores informações sobre o produto cujo código você acabou de escanear. A Digital Convergence acreditava tanto no sucesso do serviço que em um período passou até mesmo a enviar os CueCats gratuitamente pra participantes de mailing lists relacionadas a tecnologia.

O que acabou sendo: Uma forma revolucionária de enviar spam - o consumidor remete propagandas a si mesmo.

Por que fracassou horrivelmente: Em primeiro lugar, olha pra essa porra - isso te parece um periférico que alguém com idade na casa dos dois dígitos usaria na frente de sua família e amigos? Mas é claro que não. Em segundo lugar, a idéia por trás do CueCat era retardada desde o começo. “Instale esse aparelho no seu computador e se dê ao trabalho de sair escaneando as páginas de suas revistas favoritas pra que a gente possa mandar mais propaganda pra você!” Não sei se havia uma demanda tão grande por spam nos anos 90, a ponto de que esse mercado requeria o investimento necessário pra criação de um periférico cuja única finalidade era levar mais propaganda pros consumidores, mas a julgar pelo total fracasso do CueCat, um observador racional diria “de jeito nenhum”.

Isso pra não entrar no mérito do fato que os CueCats tinham códigos seriais anexados à identidade dos seus donos, possibilitando a Digital Convergence acesso ao conteúdo que seus “clientes” liam. O escândalo relacionado à falta de privacidade inerente ao uso do CueCat enterrou mais ainda um produto que nasceu morto.

Nem tudo é desgraça: Através de alguns hacks, o leitor pode ser utilizado pra organizar e catalogar coleções de revistinhas, DVDs, livros, qualquer porcaria que tenha códigos de barras. É o primeiro aparelho na história da humanidade cujo uso alternativo é infinitamente mais útil do que o uso intencionado, e muitas pessoas que usam hoje o CueCat provavelmente desconhecem a bizarra funcionalidade original do dispositivo. É como se de repente anunciassem que a camisinha era originalmente uma espécie de copo descartável que ocupasse menos espaço.

O horrível Virtual BoyVirtual Boy

A idéia: A Nintendo, revolucionária como sempre, decidiu que estava na hora de começar a investir no entretenimento VIRTUAL - apesar do fato que vinte anos após o lançamento do troço a tecnologia necessária pra isso ainda não existe.

O que acabou sendo: A forma mais cara de obter uma terrível dor de cabeça.

Por que fracassou horrivelmente: Olhe pra esse negócio. Você seria capaz de suspeitar que isso aí estava sendo marketeado como um aparelho portátil? Não é sua culpa; ninguém mais no mundo consideraria “portátil” algo que necessita de uma mesa como apoio. O custo da produção de displays “virtuais” coloridos era proibitivo naquela época, então a Nintendo aparentemente resolveu fazer uma tela inteiramente composta por vermelho e preto e rezar pra que ninguém notasse.

Os problemas técnicos do console não acabavam por aí; o Virtual Boy funcionava usando uma série de espelhos móveis que vibravam pra produzir as imagens estereográficas. Ou seja, o aparelho não apenas tinha peças móveis - ele tinha peças móveis DE VIDRO. Nem preciso mencionar que o Virtual Boy tinha a durabilidade de um castelo de cartas.

Há tanto que deu errado nessa porcaria que é até difícil lembrar de todos os fatores. O Virtual Boy tinha míseros 14 jogos , e foi até onde sei o único console da história com mais jogos cancelados do que lançados. O sistema era tão precário e tão visualmente desagradável que os jogos pausavam automaticamente a cada 15 minutos pra lembrar ao jogador que ele deveria parar um pouco pra descansar a vista. Como é que alguém achou que esse console seria uma boa idéia?

Pior do que tudo isso foi o timing do lançamento dessa geringonça. O Virtual Boy veio em 1995, apressadamente cobrindo a lacuna do Nintendo 64 cujo desenvolvimento estava seis meses atrasado. A maioria dos fãs não via sentido em gastar 180 dólares no duvidoso Virtual Boy quando o mais promissor N64 estava chegando em breve. Eu não posso culpá-los por isso.

Nem tudo é desgraça: No caso do Virtual Boy, tudo foi uma desgraça. Seu inventor, o Gunpei Yokoi - que é também o  gênio por trás dos Game and Watch, Game Boy e da série Metroid - admitiu publicamente que o Virtual Boy foi o responsável  pelo fim da sua carreira na Nintendo, dando confirmação a algo que todo mundo já sabia.

N-GageSIDE TALKKIN

A idéia: Pessoas adoram falar no telefone, e elas também adoram jogar videogame. Assim sendo, parece evidente que telefone celular + videogame portátil = PROFIT. Estou certo?

O que acabou sendo: Não, não estou. O N-Gage acabou sendo conhecido como um fracasso sensacional como celular. Entretanto, isso nem chegou perto de como ele fracassou como videogame.

Por que fracassou horrivelmente: Por onde começar, senhor Jesus? Vamos ver:

- Pouco mais de 50 jogos foram lançados pro N-Gage, 90% deles ports escrotíssimos de jogos populares cuja experiência dependia intrinsecamente de bons gráficos (Tomb Raider, Tony Hawk Pro Skater, Call of Duty, etc). Ou seja, se você tinha um Playstation (e de acordo com o colossal número de vendas mundiais, você tinha), você já tinha jogado esses títulos até cansar,  e portanto eles não incentivavam a compra do N-Gage.

- O acabamento do celular era quase que intencionalmente ruim (eu jamais serei convencido de que tamanha obra prima de mau design foi atingida acidentalmente).

- Você consegue acreditar que os GÊNIOS que projetaram o N-Gage colocaram o slot dos cartuchos EMBAIXO da bateria do bicho? Isso mesmo, pra trocar de jogo você tem que desligar a parada, tirar a proteção que cobre a bateria, remover a bateria, e fazer um breve malabarismo com o celular, tampa da bateria e a própria bateria enquanto troca os cartuchos. Eu imagino que eles queriam um local mais inconveniente pra colocar o slot de jogos, mas “um beco mal iluminado na Serra Leoa” exigiria muito do consumidor.

- SIDE TALKING. Essa era a característica mais marcante do N-Gage, que ressalta não apenas seu design retardadamente ruim mas também a já desconfiada aparente intenção dos projetistas de fazer você parecer um idiota quando estivesse usando o celular. O auto falante e o microfone do celular foram inexplicavelmente movidos pro lado do aparelho, de forma que o celular era usado da seguinte maneira, ilustrada abaixo:

sup dude

Ou seja, você segurava o aparelho de ladinho, como se você fosse um retardado para quem o funcionamento de um aparelho celular é um mistério insolúvel.

A justificativa oficial pra tamanho disparate é que o contato do celular com a sua bochecha mancharia a tela do N-Gage, mas o motivo real é que os engenheiros da Nokia odeiam você e a sua família.

Aparentemente achando que a surra que o N-Gage levou do Game Boy Advance não foi motivo suficiente pra repensar a premissa de um console portátil que custasse o triplo da concorrência e tivesse cem vezes menos jogos, a Nokia lançou em seguida o N-Gage QD - porém, ao contrário do N-Gage original, esse veio sem side talking.

E veio também sem suporte a mp3, sem rádio FM, e sem conectividade USB. Você vai me dizer que o N-Gage não foi uma piada interna da Nokia, às custas dos consumidores que eles claramente odeiam?

O fracasso do novo formato do N-Gage não impediu a Nokia de planejar a terceira geração do aparelho. Suspeito que eles devolverão a funcionalidade mp3, adicionarão wifi, e permitirão conectividade bluetooth. Por outro lado, cada aparelho virá de fábrica infectado com o vírus HIV.

Nem tudo é desgraça: A característica mais icônica do N-Gage ao menos rendeu este site, que me arrancou umas risadinhas. Ouço falar que o N-Gage é um emulador portátil semi-competente, portanto, se você é pobre demais pra comprar um PSP, talvez o N-Gage seja a opção pra você*

Sega DreamcastDreamcast

A idéia: Após trocentos consoles fracassados, a Sega decidiu meter uma voadora com os dois pés juntos no peito da competição, sendo a primeira a avançar no campo dos 128 bits.

O que acabou sendo: Apenas mais uma prova de que o sucesso do Mega Drive deve ter sido por completo acidente, uma vez que a Sega só conseguia fazer merda nos consoles.

Por que fracassou horrivelmente: Calma calma calma, eu sei o que você está pensando. Como eu OUSO falar mal do Dreamcast, que na verdade era um console muito bom e num sei o que. A menção do saudoso Dreamcast nessa lista não é exatamente mérito do console em si, e sim do que ele desencadeou.

Tecnicamente falando, o Dreamcast era realmente um console muito bom. Gráficos incrivelmente superiores ao Playstation e Nintendo 64 da concorrência, mídia que permitia quase o dobro dos CDs utilizado por outros consoles no passado, modem embutido que permitia pela primeira vez jogatina online já direto de fábrica, um cartão de memória revolucionário que era quase um videogame por si só… Não sou poucos os motivos que me fazem até hoje querer um Dreamcast - e vou comprar ano que vem sem falta, provavelmente em janeiro mesmo.

Acontece que a Sega, além de foder diversos estágios do desenvolvimento do Dreamcast (como optar por adotar o protótipo japonês inferior e de quebra descolar um processo por parte da NVidia por quebra de contrato), lançou o console MUITO tarde, em 1999. A intenção da Sega era pôr o Dreamcast pra competir com o Playstation e o Nintendo 64, mas na prática o possível comprador do console via Playstations 2 e GameCube nas prateleiras adjacentes.

Os consumidores já estavam cansados da mania da Sega de praticamente lançar um console por ano, abandonando a plataforma no ano seguinte pra desenvolver seu sucessor, então o mercado não apostou no Dreamcast e deu no que deu. Isso pra nem mencionar a treta Electronic Arts versus Sega, que custou à gamehouse os títulos de esportes da EA que tanto agradam o mercado gamer ocidental.

Nem tudo é desgraça: Como falei logo no começo, apesar dos pesares o Dreamcast ainda é um excelente console, com alguns títulos que valem demais a posse do videogame - Sonic Adventure, Crazy Taxi, Soul Calibur, o épico Shenmue, entre outros que não lembro. No Ebay dá pra pegar um Dreamcast com 20 ou 30 jogos originais por menos de cem dólares.

Meu pai ainda tem uns desses jogados na garagemZip Drives

A idéia: Uma mídia que pudesse comportar mais volume, facilitando o transporte de informações ou backups.

O que acabou sendo: Um dos mais claros exemplos de uma tecnologia que veio ao mundo apenas pra entrar numa lista como essa aqui. Tanto a idéia quanto a execução foram absolutamente terríveis. Zip Drives nunca correram o menor risco de se tornar uma mídia popular. Eles simplesmente nunca tiveram essa chance.

Por que fracassou horrivelmente: Vamos ver - custo proibitivo, mídia absolutamente não confiável, hardware de má qualidade… Tá vendo o que eu queria dizer quando falei que esse troço nunca teve uma chance?

Na teoria os zip drives não eram apenas uma boa idéia, eles eram uma alternativa bastante interessantes. Disquetes comportavam miseráveis 1.44mb, hard drives eram indecentemente caros, e gravadores de CD ainda não existiam ao alcance do público. A única solução viável era desenvolver disquetinhos que coubessem mais informações.

Acontece que todo tipo de problema se opôs ao sucesso dos zip drives. Como mencionei antes, o hardware era porquíssimo. Era mais comum ter seus filmes pornôs perdidos num zip drive do que conseguir copiá-los pro PC do seu amiguinho. Não que isso fosse um grande problema, já que o preço alto dos zip drives (e o fato de que naquela época, a maioria dos usuários não tinha muito o que backupear) acabavam tornando um dono de zip drives uma subcultura com pouquíssimos membros. Na prática, ele só servia pra guardar seus 100mb mais importantes, e não pra transferi-los pra outro PC. E na prática REAL, nem pra isso ele servia, por causa do já citado click of death.

Nem tudo é desgraça: Novamente vou ter que contrariar esse item. No caso dos zip drives, simplesmente não há uso alternativo que salve a parada. O produto era uma merda e será lembrado pra sempre como isso.

TEH POWER GLOVEPower Glove

A idéia: Um periférico que captava os movimentos da mão do usuário, permitindo impressionante “interfaceamento” baseado em gestos manuais.

O que acabou sendo: Uma horrível relíquia dos anos 80.

Por que fracassou horrivelmente: Há uma palavra em inglês que define perfeitamente a experiência de usar a Power Glove - “gimmick”. Em outras palavras, gimmick é essencialmente uma “feature” diferente ou incomum mas que não serve funcionalidade alguma além de ser diferente e incomum. 

O controle da Power Glove era muitíssimo mal calibrado e não servia grande propósito além de mostrar pros primos e dizer “viu como é legal?”, e cinco minutos depois descobrir que jogar Contra fazendo gestos com o braço estendido no ar nao é apenas cansativo - é retardado. Ao invés de jogar a porra do jogo, você tinha que descobrir exatamente que tipo de movimento seria interpretado pela Power Glove como a ação que você queria executar.

Nenhum tipo de estratégia de marketing conseguiria fazer o ato de balançar os braços na frente da TV parecer algo atraente, divertido ou cool, e acredite, eles tentaram desesperadamente:

So bad, indeed

Isso aí são excelentes cenas do clássico The Wizard, que era essencialmente um comercial de uma hora e meia da Nintendo. E essa cena em particular foi um comercial de dois minutos da Power Glove. O periférico vendeu pouco menos de 100 mil cópias no Estados Unidos numa época em que o Nintendo era campeão absoluto de vendas, então dá pra ter uma idéia dos resultados do marketing.

Nem tudo é desgraça: Diz a lenda que Thomas Edison tentou dois milhões de experimentos até chegar na lâmpada incandescente. A Nintendo não foi muito diferente, foram necessários dois fracassos retumbantes até sair um produto baseado na visão de interatividade que eles estavam tentando desenvolver desde os anos 80. E ele está sentado lá na minha sala, tomando poeira enquanto Mario Kart Wii não é lançado.

Quais foram os piores gadgets na opinião de vocês? Sou todo ouvidos.

*O HBD é um site humorístico e nenhum texto publicado aqui deveria ser levado a sério. Assim sendo, não interpretem isso como um incentivo à compra de um N-Gage. Se você quer tanto jogar Super Mario Kart no ônibus, há alternativas menos danosas pra você do que comprar um N-Gage - como por exemplo, assaltar um banco pra arrecadar a grana pra um PSP. 


Resenha iPod Touch

Escrito por Kid on Nov 30, 2007

Como todos devem saber, sou tarado por gadgets. E como tal, eu sou acostumado (aliás, acostumado não, DISPOSTO) a lidar com os probleminhas que a tecnologia de bolso costuma oferecer. Aliás, eu diria que o processo de modificar o aparelho (por necessidade ou simplesmente por vontade) pra que ele te sirva melhor é praticamente um padrão. Eu fiz isso com o palm, com o PSP, com meu DS. Tendo isso em mente, somando ao fato de que até uma semana atrás eu estava perdidamente apaixonado pelo iPod Touch e queria compra-lo de qualquer forma, ninguém poderá dizer que eu tive má vontade com o aparelho.

Ninguém poderá dizer também que eu apenas tive muita má sorte (como já sugeriram quando expliquei meu drama), já que todos os problemas reportados por mim já foram identificados por outros usuários, no próprio fórum da Apple. E eu experimentei problemas tanto no XP como no Vista, ou seja, Apple fanboys, não percam seu tempo dizendo que foi tudo culpa do Ruindows e que eu deveria comprar um Mac.

Então.

Conforme este texto deixou claro, nas últimas eu não conseguia pensar em mais nada a não ser possuir o novo portátil da Apple. E como não poderia? O aparelho é bonitíssimo, fininho, tem uma tela generosa, acessa internet… Eu pensava que ele seria o player de vídeo quintessencial entre todos os outros que já tive; enquanto alguns tem pouco armazenamento (PSP), tela pequena (iPod Video) ou bateria horrível (palm), o iPod Touch parecia cobrir todas essas lacunas por um preço módico de 450 dólares.

Não resisti.

Ponderei bastante antes de tirar o cartão de crédito do bolso. Quando finalmente o fiz, voltei pra casa ultra feliz com a caixa na mão, saltitando no meio da rua com animação.

Mas antes mesmo de chegar em casa, uma preocupação começou a bolinar minha paz, ali no cantinho da cabeça. É que eu já tava prevendo que teria muita complicação com o player.

Por motivos que ninguém seria capaz de explicar, o iTunes não gosta de brincar com o Vista caso uma placa NVidia esteja presente. Alguns poderiam até berrar logo “ahhh mas claro porra, você tá usando o Vista…”, mas já foi provado que o problema não é o SO da Microsoft, e sim o tosquíssimo QuickTime. Tentar rodar o iTunes significa que eu receberei uma Blue Screen of Death na cara e terei que reiniciar meu PC.Eu havia contornado esse problema, que foi descoberto quando eu ainda usava o iPod Video, instalando programas alternativos que cumprem o papel do iTunes. Ou seja, eu achava que eu poderia contornar esse problema.

Ao chegar em casa, recebo o primeiro chute nas bolas - nenhum tocador de mídia alternativo reconhece o Touch. E eu tentei tudo - Media Monkey, PodBox, aquele plugin do Winamp… Eu teria que usar o iTunes mesmo. Nem o Floola, que me ajudou com o iPod Video, poderia me ajudar. Acontece que o Floola exige ser instalado na root do iPod, e a Apple por motivos que ninguém poderia compreender bloqueou o acesso do “disco” do Touch. Você não pode usa-lo como thumb drive.

Rezei rapidamente e tentei sincronizar o aparelho com meu notebook usando o iTunes mesmo.

Tela azul no meio da cara. Memory dump, PC reiniciando. Uma leve frustração abate meu espírito mas eu não comecei a usar computadores ontem; tentativa e erro faz parte do processo nérdico.

Comecei a pesquisar furiosamente pra compreender qual seria o problema que causa o iTunes a matar meu computador. E descobri que apesar da Apple virar as costas pro problema, a NVidia havia lançado um update pros drivers da placa de vídeo que supostamente corrige o problema. Baixei os arquivos, instalei, reiniciei o computador, parti pra segunda tentativa.

Miraculosamente, o iTunes não enfiou meu computador no saco. Berrei de alegria e pus-me a criar minhas playlists e transferir meus vídeos pro aparelho.

No dia seguinte chego no trabalho todo serelepe, mostro o brinquedo novo pros companheiros nerds, e resolvo assistir um episódio de My Name is Earl. Estranhamente, o vídeo não rodou macio. Ao invés dos prometidos 30fps, a performance deveria estar bem abaixo da metade disso. E, sem mais nem essa, os vídeos começaram a travar o Touch e reseta-lo. Aqui está uma das diversas threads no fórum da Apple em que os usuários reclamam sobre esse problema.

O QuickTime, que é o responsável por adicionar os vídeos no Touch, simplesmente não foi feito pra funcionar no ambiente do Vista. Não querendo devolver o aparelho, apelei pro impensável - resolvi transferir toda a minha mídia (uns 10 ou 12 gb) pro meu desktop, que roda XP. Eu nem uso mais aquele computador e ele nem internet tem, já que depois que comprei meu notebook não me preocupei em comprar uma placa de rede wireless pra ele. Mas se ter que usar dois PCs pra gerenciar minha midia no meu Touch era o necessário, bola pra frente.

Duas horas depois, toda a minha mídia estava bonitinha no PC velho. Agora eu teria que formatar o Touch e resincroniza-lo no outro computador, já que um iPod não pode ser sincronizado em dois iTunes diferentes.

Tudo pronto. O iPod está agora no XP, o iTunes não dá problema nenhum, agora sim! Será um saco ter que transferir tudo que eu baixo pro PC velho, mas fazer o que.

No dia seguinte no trabalho, descubro revoltado que os vídeos CONTINUAM travando meu iPod. A essa altura eu já tinha parado de ver os problemas do Touch como “pequenos desafios” e sim como “uma fenomenal dor de cabeça”. Imaginei que o problema é que apesar de ter usado o XP pra transferir os vídeos pro Touch, eles haviam sido convertidos no Vista de qualquer jeito.


Mais um cliente satisfeito. Obrigado, Apple!
Eu teria que reconverter TODA a minha mídia novamente. Teria que reconverter 10 gb de vídeos.Beleza. Deixei o computador convertendo os vídeos e fui dormir. “Amanhã”, eu pensei, “todos os meus problemas com essa bosta estarão acabados e eu finalmente poderei usar meu player em paz”.Na manhã do terceiro dia, fui conferir se todos os vídeos haviam sido convertidos e… pro meu desespero absoluto, no segundo vídeo uma janela de prompt apareceu me perguntando uma bobagem qualquer que eu não lembro. Como ninguém estava lá pra clicar no ok, NENHUM VÍDEO HAVIA SIDO CONVERTIDO. E eu tive que apressar pra reconverter tudo de novo enquanto me arrumava pro trampo. Deixei o PC trabalhando e fui trabalhar, usando o iPod velho no trem e já muito frustrado.

As oito horas de trabalho se arrastaram lentamente. Quando finalmente cheguei em casa, vi que a tarefa havia sido finalizada sem encheção de saco. Toda a minha mídia estava finalmente reconvertida via XP, e seria transferida pro meu Touch via XP, ou seja, não haveria mais motivos pra problemas.

Foi o que eu pensava.

Assim do nada, o iTunes parou de reconhecer o Touch, pondo a culpa num tal de Apple Mobile Device Manager. Pra variar, estão reclamando do problema lá no fórum da Apple. É nessa aí que os fanboys se lascam pra varrer o problema de incompatibilidade do Touch pra baixo do tapete, porque TODOS os usuários que reportaram esse problema no tópico usam XP.

Tentei desinstalar e instalar o iTunes, e nada. Tentei remover apenas o tal Apple Mobile Device Manager, e nada. Tentei ir nos Serviços e iniciar o troço, mas ele me dá uma mensagem que não pode ser reiniciado porque não está em uso (????). E enquanto eu pensava no próximo passo…

…encarei a verdade. Um aparelho comprado com intuito de entretenimento perde totalmente o propósito quando tudo que ele te causa é chateação. Três dias após comprar o troço eu ainda não conseguia usa-lo, e olha que não sou um usuário de PC amador, eu tentei diversas soluções diferentes antes de finalmente desistir.

Nas palavras do Paul, meu amigo Apple-hater, “o iPod Touch é um biscoito cercado por merda”. É um aparelho bonitinho, mas no fim das contas as frustrações me fizeram perder totalmente o tesão que eu tinha pelo bicho.

Resignado, coloquei o aparelho de volta na caixa e marchei pra Best Buy. Devolvi a parada e voltei pra área de video players, procurando algo cujas resenhas que li na internet eram unanimemente positivas.


Archos 605. Fabricado por uma pequena empresa francesa, o que o Archos não tem em marketing, ele compensa com conteúdo.Vantagens (em relação ao iPod Touch):

  • Lê qualquer formato de vídeo. Não precisar converter vídeos é uma vantagem imensa;
  • Não exige a BOSTA do iTunes pra gerenciar o conteúdo. Basta copiar e colar pro aparelho, que aparece com HD removível no Windows Explorer. Isso é um grande ponto a favor porque eu odeio o fato que a Apple empurra o software merda dela em cima da gente, sem nos dar a opção;
  • Tela maior;
  • Resolução maior (800×600, a maior do mercado);
  • Botões físicos (usar o toque de tela pra tudo cansa, vá por mim);
  • DOBRO do armazenamento do Touch;
  • Tem alto falante, o que facilita se você quer assistir um vídeo com alguém;
  • Permite streamear videos da sua LAN caseira via wifi, o que é muito, MUITO foda;
  • Permite diferentes escalonamentos do vídeo (você pode optar por fullscreen, tamanho original, zoom, etc);
  • Roda PDFs nativamente;
  • Suporta legendas nativamente, basta colocar o arquivo .srt na mesma pasta do filme;
  • Maior nivel de personalizacao (você pode editar a aparência do sistema operacional, usarsuas fotos como papel de parede, etc);
  • Permite utilizacao como HD removivel, uma função que o Touch por motivos inexplicáveis não oferece;
  • Permite gerenciamento da sua mídia no próprio aparelho (você pode apagar/renomear/mover arquivos no próprio aparelho, enquanto o Touch permite apenas apagar videos);
  • Tem um pezinho dobrável de metal atrás do aparelho que permite que você assista suas mídias sem ficar segurando a parada o tempo todo. Como dono de palms/DS/PSP/iPods e o caralho, confie em mim - segurar a parada enquanto você assiste um filme de duas horas é uma merda.
  • Desvantagens
    Não é tão bonito quando o Touch.

    E agora vem a parte engraçada - com todas essas funcionalidades mais interessantes, o Archos 605 custa um pouco mais que a metade do preço do Touch. Ou seja, se trata de mais um iPod que é um player inferior à concorrência, mas que goza do nome da marca e que por isso vende horrores.

    Em pouco tempo de uso eu entendi outro ensinamento do meu amigo Paul - a Apple empurra sua iBullshit em cima da gente até que a gente se torne tão conformado que não consegue mais nem imaginar uma vida mais simples. O fato de não ter que usar um programa especial pra gerenciar o meu Archos e que eu também não preciso mais converter meus vídeos pro horrível .mp4 me faz pensar por que eu considerei comprar o Touch pra começo de conversa (além do motivo estético, obviamente).

    Aí vão algumas imagens do aparelho, caso alguém tenha subitamente desistido de comprar um Touch e resolvido investir num Archos 605:

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    O Archos oferece uma porrada de funcionalidade interessante, é muito mais fácil de gerenciar e custa apenas metade do preço do Touch. Mas ei, não confie apenas na minha palavra. Um dos mais conceituados sites de reviews de gadgets elegeu o Archos 605 como o melhor tocador de vídeo de atualidade, seguido logo pelo Touch. Com uma resenha como “the Archos 605 WiFi portable video player is one of the best mobile distractions money can buy”, nem preciso mais dizer nada pra te convencer que não estou apenas com síndrome de fanboy com brinquedinho novo. O Archos é O melhor aparelho da sua categoria. Saca o navegador dele? Então, OPERA. Fizeram esse gadget pensando em mim, só pode.

    Dizem que conhecimento é poder. Agora você tem o “poder” necessário pra não cometer o mesmo erro que eu. Não compre a grandíssima porcaria que o Touch se revelou ser. Eu tenho sorte que no Canadá é bem mais fácil devolver aparelhos cuja performance desaponta o freguês, alguém que cometesse o vacilo de gastar 1500+ reais nessa merda talvez tivesse uma surpresa muito desagradável quando voltasse pra loja com a caixa do Touch debaixo do braço.


    Sonho de consumo

    Escrito por Kid on Nov 7, 2007

    Se eu tinha qualquer resquício de auto-controle, ele foi gasto ontem à tarde, tentando me segurar pra não comprar o novo iPod Touch.


    O novo gadget da Apple, lançado mês passado, é tudo que o iPhone poderia ter sido se largasse as funções de celular pra se tornar apenas um media player. É mais fino, tem maior espaço de armazenamento, e consideravelmente mais barato.Eu já estava me coçando todinho pra comprar essa porcaria, e ter feito um test drive na parada ontem à tarde não ajudou em nada. Embora existam outros mp3 players que são custo/benefícios muito superiores ao iPod Touch (o Archos 605, por exemplo, que faz literalmente TUDO que o Touch faz, tráz a vantagem de rodar mais formatos de vídeo, e tem mais que o dobro do espaço de armazenamento), o novo player da Apple tem três vantagens a seu favor - estilo, experiência e poder de marca. O Touch é sem qualquer dúvida um dos gadgets mais esteticamente atraentes que eu já vi, e olha que já vi e tive uma porrada. A experiência de usar o troço por sua vez é algo totalmente diferente de qualquer outro aparelho portátil, seja mp3 player, celular, console ou sei lá o que. Toque de tela não é exatamente nada novo no mercado, mas a tela multitoque do iPod Touch funciona e executa umas funções que eu aposto que você não achou que chegariam às nossas mãos antes dos carros voadores ou dos jetpacks pessoais. Como a tela reconhece mais de um input, você pode usar os dois dedos pra “beliscar” a tela e o gesto dá zoom em imagens ou websites. Lendo assim parece bem bobo, mas na prática é uma experiência totalmente Minority Report-like.

    O único motivo pelo qual ainda mantenho um pé atrás é o fato de que produtos da linha de iPods da Apple são sempre melhorados em relação ao primeiro numa escala de 100 pra 1, e eu tenho medo de me tornar um dos fan boys early adopters que estarão daqui a seis meses choramingando em messageboards a respeito do iPod Touch 2.0 com maior espaço de armazenamento, câmera digital, GPS, visão de raio-X e coisa e tal. O espaço a propósito é outro motivo pra descontentamento. Meu primeiro mp3 player tinha 64mb e eu me dava por satisfeito carregando por aí o equivalente de um CD de música na palma da mão, mas 16gb hoje em dia não dá pra muita coisa, ainda por cima se uma das principais funções do aparelho é rodar vídeos.

    E ainda tem a questão do preço. 450 dólares canadenses é um pouco salgado pra alguém que acabou de alugar a própria casa e tem outras prioridades. Talvez eu acabe aproveitando o fato de que o dólar canadense está mais alto que o americano e acabe comprando da Apple.com, o que significará uma economia de quase 100 dólares.


    3RL

    Escrito por Kid on Sep 24, 2007

    Chegou minha vez.

    E justamente na véspera do lançamento de Halo 3. Haha.Eu costumava ser meio cético em relação aos relatos de 3RL porque eles costumam vir de nego que faz mil gambiarras no console, que gravam jogos em 20x em mídia porcaria, e que deixam a parada trancafiada em racks hermeticamente fechados. Aí está um Xbox 360 original, travado, que só viu DVDs original na vida, num país em que a temperatura média é consideravelmente baixa, FODIDO.

    Obrigado Microsoft!

    Vou lá na Best Buy comprar outro rapidinho, peraí.


    Resenha - DS

    Escrito por Kid on Jul 19, 2007

    Tomaram notas, pesaram custos e benefícios, checaram a carteira e linkaram a resenha pra amigos que têm vontade de pegar um PSP?

    Beleza. Agora é a vez do DS.

    Lá por meios de 2002 ou 2003, a Nintendo pensou com seus botões “sabe duma coisa? O mercado gamer tá estagnado de novo. Vamos revolucionar essa porra“. Não seria a primeira vez que a Nintendo apareceria pra trazer ares de renovação à indústria de videogames (crash de 83, anyone?).

    Foi com essa filosofia em mente que a Nintendo revelou o codinome do seu console de nova geração, o Nintendo Revolution. Quando a empresa abandonou o codinome promissor em troca do totalmente simples “Wii”, nerds ao redor do mundo sentiram um chute nos bagos. Fóruns ao redor da internet pipocavam com reclamações furiosas, era como se o novo nome fosse uma ofensa pessoal contra certos gamers que insistiam que a Nintendo largasse mão de apostar no mercado infantojuvenil. Hoje é “Revolution” que parece estranho, arcaico. Faz alusão à época quando nem sabíamos nada sobre o console. Mas divago.

    Numa época em que as empresas rivais trocavam tapas metafóricos divulgando as especificações bombadíssimas de seus futuros consoles dando ereções massivas em nerds ao redor do globo, a Nintendo foi totalmente contra a maré anunciando que as capacidades gráficas do Wii seriam aproximadamente equivalentes às do GameCube. O tesão foi cortado de imediato, até que a Nintendo revelou o estranhíssimo Wiimote, o controle do Wii. Aí mesmo é que as profecias de fim da Nintendo começaram a ganhar força. Mas a empresa continuo firme e forte na mentalidade de provocar mudanças na indústria que não via nenhuma grande revolução desde 1983.

    O DS foi um fruto da mesmíssima corrente de pensamento. Com exceção do Tapwave Zodiac, um aparelho totalmente obscuro que só mesmo nerds de handhelds conheceram - e apenas por fotos na internet, porque o troço é raro mesmo -, o DS foi o primeiro console portátil com input por toque. A animação diante das novas possibilidades foi rapidamente eclipsada pelo concorrente PSP, que exibia hardware muito mais potente e trazia junto com a sua estréia a marca Playstation, as franquias correspondentes e funcionalidades que transcendiam o objetivo de um simples ideogame portátil. A Nintendo humildemente reconhecia que sua máquina era menos capaz, mas enfatizava que o público e o propósito do DS eram outros. E a turminha de videntes continuava a pregar a morte da Nintendo.

    Poucos meses depois, O DS é liberado ao mundo. E quando o número de DSs vendidos ao redor do mundo ultrapassava o de PSPs numa proporção de quatro pra um, a turma de mães Dinás perceberam que suas previsões falharam completamente.

    Como é que uma máquina com hardware inferior e muito menos funções que seu concorrente direto consegue lavar o chão com a cara da competição? A vitória do PSP parecia uma aposta tão fácil, tanto é que este que vos escreve chegou, em certo período, a ridicularizar a premissa do DS e economizar centavinhos pra adquirir um PSP.

    O texto já tá ficando bem longo até agora, e eu nem comecei a falar do DS ainda. Isso se deve ao fato de que, por mais paradoxal que isso possa soar de início, não há muito pra se falar do DS. Na resenha do PSP eu falei sobre o navegador, sobre o mp3 player, sobre o suporte a imagens, sobre os disquinhos UMD e tudo mais. O DS não tem nada disso, é um puro e simples videogame. Por causa disso mesmo era necessário colocar mais conteúdo no artigo, e nada melhor do que explicar justamente POR QUE o DS é um aparelho mais simples do que o da concorrente. E aí está, resumido em uma frase - O DS não precisa de nenhuma dessas funções extras pra vender porque ele é um videogame do caralho.


    Tecnicamente falando, o DS é aproximadamente equivalente ao N64. Usa mídia em formato de cartucho, não trabalha muito bem com texturas e por causa disso oferece gráficos meio medíocres, e ambos foram lançados com Super Mario 64. O detalhe principal do Nintendo DS é a sua tela inferior, que é sensível ao toque. Graças a isso, gamers tiveram a oportunidade de experimentar jogabilidades realmente criativas, como a de Kirby’s Canvas Curse (onde o jogador desenha linhas na tela, que se materializam no jogo e servem de apoio pro personagem principal), Trauma Center (um simulador de cirurgias muitíssimo criativo) e Elite Beat Agents, que é o equivalente portátil de Pump It Up.E é aí que você compreende o porquê do sucesso estrondoso do DS - enquanto o PSP tentou enfiar tudo de melhor que fosse possível caber no chassi do console e traduzir pra telinha portátil os maiores sucessos do seu irmão-console mais velho, a Nintendo ofereceu inovação. Claro que há uns Super Mario 64 aqui, Star Foxes ali e Castlevanias acolá, mas o que realmente leva o DS ao topo da lista de consoles mais vendidos são os jogos nunca antes vistos e extremamente criativos.

    Claro, não só de novidade vive o console da Nintendo. Trabalhar em cima de clássicos do passado dá certo pra cacete também, quando feito com competência. Lembra dos adventures point and click, que fizeram da Lucasarts uma empresa bastante conhecida no meios dos anos 90 e nos deram clássicos inesquecíveis como The Dig, The Day of the Tentacle e Full Throttle? Então, todos achávamos que o estilo estava morto e enterrado. O gênero de aventura e exporação não apenas retornou, mas o fez no que anos atrás acharíamos a plataforma menos provável pro sucesso do estilo de jogo - um console portátil. Graças à tela de toque, as gamehouses puderam reviver o formato point and click. E já há bastante títulos praqueles que se amarram nesse tipo de jogo, como a série Phoenix Wright (que estou jogando no momento), Hotel Dusk e Lost in Blue.

    Saudosismo move a indústria de games; não é a toa que volta e meia temos coletâneas de jogos antigos vendendo pra tudo quanto é console. Pensando nisso - e no hardware único do DS -, empresas começaram a trazer do passado clássicos absolutos que não poderiam ser feitos com competência em nenhum outro console - estou falando dos jogos de estratégia. Donos de DS já podem se divertir com SimCity, Theme Park e, é claro, Settlers. Se você é como eu e passou HORAS e HORAS quando moleque construindo cidades, parques de diversões ou vilas medievais em Pentiums 133 dez anos atrás, esse parágrafo aqui (mais do que qualquer outro) já deve estar te dando coceira na carteira.

    E talvez você esteja mesmo morrendo de vontade de põr as mãos em um DS. Talvez até mesmo antes deste texto você já tinha essa vontade, mas esbarrava de cara com a dúvida que aflige a mente perturbada do gamer com orçamento baixo - DS original, ou DS Lite? Resposta curta - DS Lite, caso você goste de ver o que está acontecendo na tela com nitidez e clareza. Os mais brutos (ou seja, os que já compraram o DS original e precisam adotar pose de desdém em relação ao modelo claramente superior) podem até dizer que “é tudo a mesma coisa”, mas não é. Case in point:


    A diferença mais relevante é a claridade e nitidez das telas. As do DS Lite são obviamente muito mais claras e nítidas do que as do modelo antigo, que em comparação parecem até estar com algum tipo de defeito. Eu GARANTO que você jamais será capaz de jogar num DS antigo após se acostumar com um Lite. Aliás, boa parte do motivação em comprar o Lite foram as jogatinas no DS Lite do meu irmão. O resto, obviamente, se deve a Settlers.O DS Lite é também bem menor e mais bonito que seu irmão mais velho. Alguns dizem que isso é detalhe bobo, com razão, mas quer saber? Eu sou um nerd superficial. E eu quero que meus consoles sejam estilisticamente atraentes. Aliás, não devo ser o único, senão a linha iPod não venderia tanto.

    Os botões do DS Lite são mais responsivos por serem um pouco mais elevados do que os do DS original, dando a você uma resposta mais clara quando você os pressiona. O D-Pad do DS Lite é claramente superior, assim como a posição dos botões Power, Start e Select. Não sei o que a Nintendo estava pensando ao pôr esses botões tão próximos a outros que são usados o tempo todo durante os jogos, dando bastante oportunidades de acidentes, mas sei que alguém acordou pra realidade e mudou-os de lugar quando projetaram o Lite. A stylus do DS Lite é também mais grossa, o que deixa mais fácil e confortável de segurar, e o silo desta se localiza do lado da unidade, ao invés de atrás. Ou seja, é mais fácil puxar a canetinha pra fora durante os jogos, já que ela agora não fica obstruída pela tela superior do console.


    Se liga na diferença de tamanho

    Os LEDS que indicam que o DS está em uso tinham uma posição horrível na versão original; quando a tela superior está fechada, as luzinhas ficam semi escondidas. Ou seja, não é exatamente muito funcional ou bonito, dá idéia de um design desastrado, que não pensou em todas as possibilidades. A conexão entre a tela superior e inferior é meio estranha no DS antigo, parece que o troço pode quebrar a qualquer safanão. O DS Lite parece muito mais resistente. O microfone embutido do portátil foi movido do canto interior direito pro meio das telas, o que muitos concordam ser uma posição que faz mais sentido.Admito, boa parte desses detalhes podem até passar batidos ou serem ignorados em prol da economia de, sei lá, uns cinquenta reais? Mas olhe novamente pra foto que compara a diferença de claridade entre os dois modelos. Você REALMENTE quer ver seus jogos daquela forma? Não vale a pena. Pode confiar em mim, não vale a pena. Tanto acredito nessa opinião que comprei um Lite apesar de possuir um DS original que funciona perfeitamente. Sério mesmo moçada, em comparação com o Lite, o DS original mais parece uma versão beta do console, aqueles protótipos que aparecem na E3 anos antes do console de verdade aparecer em prateleiras.

    Assim como o PSP, o DS também possui um rádio wifi pra comunicação sem fio. A lista de jogos online do DS é consideravelmente menor do que a do PSP, mas esse número está aumentando paulatinamente com lançamentos de jogos que há anos imploravam por modos online, como o favoritíssimo Pokemon, em sabores Diamond ou Pearl.

    E chegamos aos jogos, o que é o ponto principal da aparente preferência mundial pelo DS. Se eu fosse mini-resenhar todos os excelentes jogos que já estão disponíveis pro DS esse post dobraria de tamanho, então vou me ater a poucos. Pelo amor de deus não me encham o saco perguntando “cadê aquele jogo X sensacional que ganhou nota 40 na Famitsu?!?!?!?11111“. Não estou “esquecendo” nenhum jogo, estou propositalmente deixando a lista pequena por motivos de concisão e preguiça.


    Elite Beat Agents
    Como falei antes, EBA é como uma versão portátil de Pump It Up. Ao invés de passos desajeitados na frente de estranhos no shopping, você segue círculos e linhas na tela sensível a toque, de acordo com a batida da música. O jogo tem, sei lá, umas 40 músicas que abrangem tudo quando é gosto musical, desde Rolling Stones até Jamiroquai, passando por Madonna e Avril Lavigne. Apesar de boa parte delas ser de gosto musical duvidoso, o jogo é muito viciante. Só tenha o cuidado de usar fones de ouvido na fase com a música da Avril Lavigne, caso você esteja jogando num local público. Ou você correrá o risco de pensarem que você gosta da cantora.

    New Super Mario Brothers
    Uns trocentos anos após Super Mario Brothers dar as caras no Nintendinho, o encanador italiano mas na verdade japonês aparece em uma nova aventura 2D, trazendo de volta todos aqueles elementos surreais familiares que a gente cresceu vendo - canos, plantas piranhas, cogumelos, tartarugas goombas, etc e o caralho. A diferença é que é tudo 3D bonitinho agora, mas no formato de plataforma 2D que eu imaginava que Super Mario 64 seria. O jogo é uma revisitação totalmente foda do universo Mario Brothers, e é de compra obrigatória pra qualquer dono de DS. Especialmente pra mim, por motivos dolorosamente óbvios.

    Mario Kart DS
    Mario Kart é uma série que foi sucesso em todo console que apareceu. Deu certo no SNES, deu certo no N64, deu certo no GameCube, deu certo no GBA. Parece impossível esculhambar a fórmula, e a versão do DS confirma a tradição. Além de compilar pistas de TODOS os jogos da série, Mario Kart DS oferece uma porrada de personagens e carrinhos destraváveis e um inédito modo online. Outra compra obrigatória, não tem pra onde escapar.

    Tetris DS
    E já que estamos falando de fórmulas inestragáveis, como não mencionar Tetris DS? O Tetris original catapultou o Game Boy pros bolsos e mochilas de milhares de moleques catarrentos no comecinho dos anos 90, e Tetris DS fez o mesmo pro novo portátil da Nintendo. Além de ser enfeitados com temas referentes aos clássicos da Nintendo (músicas remasterizadas de jogos clássicos por exemplo), Tetris DS oferece uma porrada de modo de jogo e gameplay online.Tetris online? É quase bom demais pra ser verdade, puta que pariu, vamos ser sinceros. Outra compra obrigatória.

    (Talvez essa seja a hora de mencionar que a jogatina online do DS é totalmente de grátis, basta ter um router wireless que você já tá dentro da parada).


    Clubhouse Games
    Uma coletânea de QUARENTA E DOIS velhos mas eternos joguinhos como poker, boliche, dardos, sinuca, ludo, gamão, xadrez, damas… Ah, eu mencionei que cada um deles é jogável online?Diz aí, é ou não é fácil entender por que essa porra tá vendendo como água no deserto? Sinceridade mermão.


    Trauma Center
    Trauma Center é mais um daqueles joguinhos que, apesar de já terem existido no passado (uma jujuba pra quem lembrar de Life and Death 1 e 2), não poderiam ter renascido em nenhuma outra plataforma senão o DS. Basicamente, é um jogo em que você faz cirurgias em neguim. E um jogo extremamente desafiador, o que é compreensível porque você está fazendo cirurgias em neguim. Ainda não tivemos a oportunidade de ouvir a opinião do DOC FHBD (nosso médico/benfeitor residente do fórum) a respeito do realismo do jogo, mas tem sangue pra caralho e eu imagino que essa parte eles retrataram com fidelidade.

    Settlers (sem resenha porque o jogo ainda não foi lançado)
    Settlers 2 portátil. Não sei se tá bom pra você, mas tá excelente pra mim. Há três jogos que foram jogados à exaustão durante minha infância e que formaram a pessoa que sou hoje - Super Mario World, Command and Conquer e Settlers. Dê uma olhada no layout desse blog; é fácil entender que qualquer jogo que participe do mesmo panteão que Super Mario World é alvo de minha devoção incondicional.Aliás, no dia que a Eletronic Arts tirar o dedo do cu e começar a trabalhar num Command and Conquer DS, acho que serei a primeira pessoa no mundo a morrer graças a um orgasmo. Cruzemos os dedos todos juntos.


    Cooking Mama
    Cooking Mama é um joguinho literalmente adorável. É basicamente uma porrada de minigames que simulam as etapas de preparação de dezenas de receitas. E todas seguidas à regra, ou seja, de repente até você aprende a fazer uma muqueca de camarão.Vou ser sincero e admitir que não é um daqueles jogaaaaaaaaaaaaaaços, mas é bastante viciante e é um bom exemplo do tipo de mercado que a Nintendo está tentando abocanhar - o mercado dos gamers casuais, do tipo que não sabe o que é Final Fantasy mas acharia o maior barato brincar de fazer comidinha na fila dos correios se tivesse a oportunidade. Só tome o cuidado de não deixar sua namorada ver o jogo, ou você nunca mais verá seu DS.

    ***

    E vamos ficando por aqui. Há uma porrada de títulos que eu serei crucificado por não mencionar, como o remake de Final Fantasy 3, os dois novos episódios de Castlevania (Dawn of Sorrow e Portrait of Ruin, respectivamente), Zelda Phantom Hourglass (considerado pela mídia especializada como o melhor Zelda desde Ocarina of Time), o genial puzzle Meteos, e por aí vai. Bom, ao menos mencionei por alto agora.E vamos ao que interessa - a pirataria. Burlar direitos autorais com o DS nunca foi tão fácil - tendo posse do M3 Simply (um aparelhinho que custa míseros 50 dólares), a única coisa que você precisa fazer é jogar ROMs de DS num cartãozinho microSD e acabou-se a história. Como já mencionei, jogos de DS são absurdamente minúsculos, o que garante que você terá adquirido toda a coleção de jogos AAA+ em uma noite só.

    Devo ter esquecido um monte de coisa, então donos de DSs sintam-se à vontade pra apontar meus erros.

    Bom, agora você sabe tudo ou quase tudo sobre os consoles da nova geração. Qual você escolheria?


    Resenha - PSP

    Escrito por Kid on Jul 16, 2007

    Devido à minha recente empolgação com os intermináveis títulos de DS que agora tenho acesso gratuito, acabei fazendo bastante propaganda não-intencional do console, ao ponto de que pelo menos três leitores já estão agilizando as compras dos seus portáteis. Há vários outros também interessados, mas a decisão final está dependendo de uma análise cuidadosa do concorrente do DS, o PSP. As capacidades multimídia do portáril da Sony são bastante atraentes pra consumidores de um país em que não se pode manter muitos gadgets, então aquele que quebra mais galhos e desempenha mais funções acaba sendo o favorito. Por que comprar, digamos, um videogame portátil e um MP3 player quando eu posso comprar um que faz as duas coisas? Na prática a coisa acaba não sendo tão simples assim, mas isso é dos vários pontos que eu vou tocar mais tarde ao longo deste post.

    Atendendo a diversos pedidos que datam do ano passado quando eu fiz aquele dossiê comparativo dos consoles next gen, aqui vai o Relatório HBD de Portáteis.

    Por nenhum motivo em especial, vamos começar com o PSP.


    O PSP é o primeiro portátil da gigante Sony e, como primeira empreitada no ramo, até que a Sony não se deu tão mal assim. Se você for ver o histórico de empresas que no passado tentaram desafiar a hegemonia da Nintendo no campo de videogames de bolso, encontrará apenas os cadáveres de aparelhos que não ofereciam nenhum tipo de desafio pros Game Boys.O PSP é marketeado não apenas como um videogame, mas como uma potente central portátil de entretenimento. O console toca MP3, filmes (tanto em discos UMD como filmes em formato .mp4), visualiza imagens e acessa internet. Ah, e parece que roda jogos também.

    No papel isso parece incrivelmente miraculoso, mas na prática a coisa é um pouco diferente. Pra começar, usar o PSP como mp3 player é incrivelmente “desconfortável”, por assim dizer. O aparelho é muito grande pra caber bem num bolso e as partes móveis internas são frágeis demais pra um aparelho como um mp3 player, que irá com você pra onde você for. O mesmo vale pra telona de cristal líquido do console - linda pra jogos e filmes, pra um imã de riscos em algo que sairá com você sempre que você pôr os pés fora de casa. Com essas ressalvas, o player do PSP é competente, com várias opções como playlists, suporte a WMA, navegação por pastas múltiplas pra organizar as músicas, etc etc e etecéteras.


    O player de mp3 do PSP em ação

    Há também o suporte a imagens. A telona de 480 por 272 do PSP é incrivelmente nítida pra mostrar fotografias, e embora não seja exatamente o tipo de uso que convencerá o gamer a comprar o console, é uma adição bacana. Afinal, a telona está lá, o espaço de armazenamento está lá. Por que não me deixar levar comigo fotos das viagens das últimas férias pra mostrar pra desconhecidos na fila do banco? Assim como o player de mp3, você pode separar suas imagens por pastas pra facilitar organização e pode até mesmo usar uma dessas imagens como papel de parede do console. Não é uma coisa essencial mas é legal.Tem também o suporte a filmes. Como mencionei, o PSP roda os disquinhos de formato proprietário UMD…


    …que tiveram o mesmo nível de sucesso que todas as outras mídias proprietárias da Sony (Mini Disk, Memory Stick, Betamax, etc), ou seja, nenhum. Parece que a Sony pensa que porque participou da “invenção” do CD, ela pode sair reinventando a roda cada vez que põe no mercado um aparelho que precisa de mídia. Como imaginado, o UMD acabou se tornando um formato praticamente defunto. É difícil achar lojas que ainda os vendam e eu estou apenas esperando o momento que os Walmarts da vida dirão “ahhh, foda-se” e colocarão diversos filmes em UMD em liquidação de fim de estoque por $1,99 pra eu poder fazer uma coleçãozinha legal. Até o momento, Snatch é o único filme que possuo.

    Há também o navegador. O PSP vem equipado com um rádio wifi, ou seja, se você tiver um router wireless em casa, tá feito. Novamente, a imensa tela do PSP é um ponto forte do console. Eu sou acostumado a navegar a internet em aparelhos portáteis e as telas pequenas tornam a experiência quase insuportável, dependendo do site. A tela generosa do PSP deixa a coisa mais confortável, as páginas não precisam fazer contorcionismo pra caber direitinho no visor. O navegador do PSP está bem a frente de outros navegadores portáteis, com suporte a flash, java (yay, mandar scraps no orkut enquanto cago!), e outras bobagens.Por último e não menos importante, os JOGOS. O PSP começou devagar, como todo console, e estava levando uma sura homérica do DS no departamento de jogos. Mas a Sony correu atrás do prejuízo, as third parties seguiram o exemplo e no momento o PSP já tem vários títulos que justificam a compra do console. Os mais bem cotados:


    Crush
    Um puzzle que usa uma mecânica muitíssimo curiosa - você precisa constantemente mudar a percepção do cenário entre 2D e 3D pra explorar o ambiente e chegar em áreas não atingíveis. É bem difícil entender o conceito do jogo apenas lendo a descrição, então veja esse vídeo.

    Burnout Dominator
    A versão portátil mais recente do clássico da Criterion. Se você conhece a série no PS2, já sabe o que esperar da versão portátil - velocidade estonteante, gráficos de lamber os beiços, modelos de carros imaginários (o que é um ponto fraco da série, estraçalhar uma Ferrari seria bem mais satisfatório) e, claro, batidas e capotadas espetaculares.
    Não achei nenhuma boa screenshot :(

    Ratchet and Clank Size Matter
    Eu nunca fui fã da série e não joguei nenhum dos episódios, mas segundo as resenhas especializadas o jogo é do caralho. Não é qualquer jogo que recebe nota 9 no IGN, né.

    Metal Gear Solid Portable Ops
    Idem ao jogo acima. Nunca senti tesão na série, e apesar de ter baixado a ISO do jogo, nem tive interesse de jogar. O jogo oferece uma storyline nova no universo da série, o que já vale a compra pros fãs do Snake ou sei lá qual o nome do personagem principal. Também há um modo online, o que é interessante.

    Killzone: Liberation
    Nas palavras dum resenhador do GameTrailers, “K:L é o jogo que todo desenvolvedor deveria passar algum tempo jogando antes de criar jogos de tiro pro PSP“. E não é por menos - o jogo é um shooter muito robusto, que dá dribles ao redor do problema de controle do PSP (especificamente, a falta de um segundo stick analógico), com gráficos e física muito realistas, inteligência artificial marcante e, como se isso não fosse o bastante, armas destraváveis, missões baixáveis (pelo próprio PSP) e vários modo de jogo online com suporte a voice chat.Killzone Liberation é sem qualquer dúvida um dos melhores jogos do portátil. Uma resenha mais profunda do game aqui, escrita por este que vos fala. Er, este que vos escreve.


    Grand Theft Auto Vice City Stories
    Três palavras: Vice City Portátil.Pronto. Não precisa falar mais nada.


    Loco Roco
    Loco Roco foi um dos primeiros jogos do PSP. O jogador controla o equilíbrio do cenário, usando os botões L e R, empurrando os Loco Rocos pra este lado ou aquele até chegar ao final do colorido labirinto que é a fase. Deu pra entender? Assim como Crush, Loco Roco é um daqueles jogos bem criativos que desafiam descrições. Ele também é extremamente viciante.

    Tekken Dark Ressurection
    Tekken portátil.Precisa dizer mais alguma coisa? Não.


    Field Commander
    Já ouviu falar de Advance Wars, aquela série de estratégia turn based do GBA? Então, Field Commander é a MESMA COISA, mas com gráficos 3D, sons realistas e jogatina online. Ou seja, se você é como eu (que curte jogos de estratégia mas não suporta a apresentação tosca de Advance Wars), você vai adorar Field Commander. O jogo trás um modo multiplayer popular nos tempos de outrora mas quase morto atualmente, o Mail Play. Você loga no servidor, encontra um oponente, e faz a jogada. Aí você pode desconectar e viver sua vida. Amanhã você conecta de novo, loga no servidor, baixa a jogada do oponente, faz a sua, e desliga o videogame novamente. Tudo bem que a partida durará dezoito anos, mas é um formato bem conveniente praqueles que gostam de desafiar oponentes ao redor do mundo mas não têm muito tempo pra isso.

    Mega Man Maverick Hunter X
    Lembra de Megaman X, do SNES? Então, Maverick Hunter X é um remake daquele clássico, com gráficos 3D bonitosos, trilha sonora toda masterizada, e intros em FMV. Praqueles que não conheceram o clássico, MHX é um sidescroller/platformer muitíssimo competente, com bastante variedade de inimigos, powerups e fases. Ou seja, absolutamente imperdível mesmo se você não era um fã de Megaman.E vou parando por aqui porque tou com preguiça de continuar fazendo essas mini resenhas dos jogos. Ou seja, o PSP já tem a essa altura do campeonato uma biblioteca invejável. Shooter online, puzzles, estratégia, corrida, há jogos pra todos os gostos.

    E o ponto principal que motiva ou desmotiva a compra, pelo menos pros gamers brasileiros - e a pirataria? Pra poder acessar bilhões de ISOs de jogos de PSP no torrent mais próximo, você precisa modificar o firmware do seu PSP. Versões abaixo da 2.81 podem fazer isso precisando apenas de alguns arquivinhos no Memory Stick. Versões superiores necessitam do UMD original de Lumines, que é a propósito outro jogaço do console. O processo de mexer no firmware do console trás inerentes riscos; faça merda no processo e seu PSP se torna um peso de papel. Considerando o custo/benefício, o risco vale a pena. Até porque o índice de PSP brickados em downgrades é baixíssimo. Mais baixo até, eu arriscaria dizer, que o número de Xbox 360 fodidos por 3RL, que podem acontecer virtualmente a qualquer momento com qualquer console.

    Uma vez que seu console está destravado, basta se equipar com um memory stick de pelo menos 2gb (ISOs de PSP variam entre 300mb e 1gb) e sair baixando os jogos do seu agrado. Após downgradear o console, você pode instalar uma versão custom dos firmwares mais recentes, que têm todas as novas funcionalidades mas ainda permitem rodar jogos piratas. Uma dessas funções totalmente delícia é a possibilidade de rodar jogos de PS1 no seu PSP. Eu tenho a impressão que isso, por si só, já motivaria muitos saudosistas a comprar o console e arriscar o downgrade. E falando em saudosismo, o PSP é capaz de emular NES, SNES, Mega Drive, Game Boy e já está começa a dar os primeiros passos na emulação de Nintendo 64. E emulação DECENTE, com savestates com direito a thumbnail da área onde você salvou o jogo, remapeamento de botões, opções de visualização, cheat codes, ou seja, TUDO.

    Novamente, só isso já justificaria a compra do negócio. Imagina andar por aí com 200 ROMs de SNES e Mega Drive no bolso. Por quase três meses, tudo que eu joguei no meu PSP foi Super Mario World, Blackthorne, Zelda: A Link to the Past e Pitfall.

    Resumão - o que era antes um saco de pancadas do DS em questão de vendas agora é um console competente, com funções bastante atraentes e uma coletânea de jogos que agrada qualquer tipo de gamer, especialmente se você puder hackear o seu console. Se eu tiver esquecido algum detalhe, donos de PSP, a caixa de comentários está aí.

    Agora você conhece o PSP.

    Amanhã você conhecerá a concorrência.


    Escrito por Kid on Jul 14, 2007

    Um extraordinário evento recente me fez interromper a fabricação dos posts prometidos (assim como a preguiça de termina-los) pra trazer boas novas a todos os bons nerds dessa terra brasileira.


    Lembra que eu comentei que compraria um DS Lite só pra comemorar o lançamento de Settlers DS? Então, eu não estava exagerando.

    SIM SIM SIM SIM. A porra de Settlers DS, o jogo que mais me fez passar vergonha nessa vida. Cansei de passar por lojas de artigos eletrônicos/games e perguntar pros balconistas quando é que a porra do jogo sairia, apenas pra receber um “não sei, ó” dos mesmos vendedores, mês após mês. Settlers DS foi prometido em junho de 2006 pra novembro do mesmo ano, foi atrasado pra março, depois pra abril, depois pra julho, e finalmente agosto. Mas peraê, ainda não estamos em agosto. Como eu descolei o joguete, você me pergunta?Eu recentemente criei coragem pra finalmente comprar meu M3 Simply. Pros leigos, M3 é um aparelhinho que à primeira vista parece um cartucho comum de DS, mas ele na verdade é um troço milagroso que permite rodar ROMs de DS no próprio console. O negócio tem um slot pra cartões microSD, e como eu já tinha um de 1gb dando sopa aqui em casa, bastou lotar a mídia de ROMs baixadas às pressas e pronto. A utilização do cartão é ultra simples - como o próprio nome sugere -: coloque ROMs no seu cartão microSD, enfie-o no M3, enfie este no DS, ligue e acabou-se.

    As pirateações recentes desses consoles novos geralmente exigem que você fuce com o firmware do videogame e tal, num processo que pode resultar na destruição do seu brinquedo. Aí que entra outro ponto lindo do M3 Simply - ele não exige nenhum tipo de esforço nesse sentido. A parada é simples mesmo, “à prova de idiotas” como dizem os gringos. Se você tem um DS e ainda não tem um M3, você não sabe o mal que está fazendo a si mesmo. ROMs de DS tem no máximo 128mb e alguns jogos (como Mario 64 DS) cabem em parcos 15 megabytes. Como eles enfiaram aquele jogo em 15 mb eu não sei, mas aí está ele. Você tem idéia de quantos jogos você poderia baixar em um só dia? Eu sei quantos - oitenta e três. É jogo que não acaba mais. Procure um M3 na loja online mais próxima de você (o negócio custa apenas 40 dólares porra, é o preço de UM jogo) e faça esse favor a si mesmo.

    Então, como o mundo da pirataria não é limitado por convenções bobas como tempo ou previsões de lançamento, os ráqueres arrumaram um cartucho de Settlers DS de alguma forma e puseram a ROM na internet pro bem geral dos nerds pobres e/ou impacientes.


    Passei o dia hoje no trabalho fingindo mal estar e correndo pro banheiro pra jogar Settlers DS (até o momento que o calor da cidade combinado como calor do restaurante realmente me fizeram passar mal) e tirar minhas primeiras impressões. Logo de imediato foi difícil ser imparcial e honesto identificando defeitos do port, afinal de contas, é Settlers portátil, porra! O jogo que ocupou maior parte da minha infância nos longíquos anos 90! Mas após a segunda ou terceira hora de jogada, eu me recompus e pude analisar o jogo pelo que ele realmente é.À primeira vista você percebe logo que a tela do DS é um pouco microscópica demais pra um jogo com um escopo tão grande como Settlers. Pra você ter uma noção da coisa, mesmo quando eu jogava no PC às vezes a minha cidade ficava tão grande e tão espalhada que organizar a logística dela se tornava cansativo e eu começava um novo jogo. Então, a telinha do DS exibiria um desafio, uma necessidade de mudar a forma como eu levava o passo do jogo.

    Há um botão de zoom out, mas você não o usará porque ele torna o jogo, bem, injogável. O frame rate cai pra casa dos single digits e a resolução vai pra puta que pariu, boa sorte tentando clicar nos dois ou três pixels que antes eram um moinho ou uma fazenda. O lance é encarar o jogo no formato inicial mesmo.

    Eu não sei explicar COMO, mas uma hora você se adapta à tela reduzida. Apenas um mínimo de paciência é requerido, e olha que você está lendo um texto escrito por alguém que detesta RPGs (eletrônicos, que deixe-se claro) porque há muita conversa e história. Ou seja, eu sou o cara mais impaciente do mundo.

    Usando os direcionais você mexe o mapa por aí, levando-se aos locais onde atenção é necessária. A tela superior exibe os menus de opções e outras bobagens do tipo, e pressionando o L você troca a posição das telas, ou seja, o que antes ficava no LCD superior vai pra touch screen e pode ser manipulado. Funciona de uma forma extremamente intuitiva.


    Até onde joguei a conversão está perfeita. Todas as unidades e construções estão lá. Há quatro “raças” diferentes, dois modos de campanha, e um modo “free play” (que é o meu favorito). Desgraçadamente não há um modo multiplayer, e eu jamais perdoarei a Ubisoft por isso. Com exceção da ausência da jogatina em grupo, o desafio de gerenciar a sua cidade (que tende a se tornar imensa) na tela pequena do DS é a única ressalva em relação ao jogo. O fato de que se trata de Settlers portátil vale a pena o desafio.Tou de saída com a mulé pro Stampede, um mega evento local que é mais ou menos tão aguardado como o Carnaval aí embaixo, e se eu pudesse levar o DS pra jogar Settlers quando a mulher não estivesse prestando atenção sem que isso me fizesse correr o risco de dormir no sofá, eu levaria.