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	<title>Hoje é um Bom Dia &#187; Top X</title>
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	<description>Leia. Afinal, você não está fazendo nada mesmo!</description>
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		<title>3 dicas de câmera pra pessoas que filmam como se fossem macacos bêbados</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 20:41:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[Ok, primeiro de tudo: eu não sou nenhum profissional da cinematografia. Aliás, sempre que vejo minhas filmagens antigas consigo apontar 800 erros por tomada, e isso quando examino o que considero minhas melhores filmagens. Entretanto, com a prática constante de gravar e editar vídeos você acaba adquirindo alguns macetes importantes. E como toda vez que<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/3-dicas-de-camera-pra-pessoas-que-filmam-como-se-fossem-macacos-bebados/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Ok, primeiro de tudo: eu não sou nenhum profissional da cinematografia. Aliás, sempre que vejo minhas filmagens antigas consigo apontar 800 erros por tomada, e isso quando examino o que considero minhas melhores filmagens. Entretanto, com a prática constante de gravar e editar vídeos você acaba adquirindo alguns macetes importantes.</p>
<p>E como toda vez que peço pra alguém filmar algo pra mim a gravação é completamente <strong>INÚTIL </strong>de tão horrível que é o resultado, achei que seria um bom serviço público dividir algumas dicas simples porém importantes com a massa de milhares de fidalgos que acessam este site diariamente. Assim você talvez aprenderá a manipular uma câmera com destreza superior a de um portador de mal de Parkinson no meio de um ataque epilético.</p>
<p>Vamos lá.</p>
<p><strong>1) NUNCA filme em portrait. NUNCA.</strong></p>
<p>Para você que é leigo em relação a cinematografia (ou que nunca teve que imprimir nada na vida), eu explico. Portrait é a orientação &#8220;vertical&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/print.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4843" style="border: 1px solid black;" title="Conhecida pelos noobs como orientação &quot;em pé&quot;, ao contrário da orientação &quot;deitadinha pra imprimir slide de apresentação de powerpoint&quot;" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/02/print-300x276.jpg" alt="" width="300" height="276" /></a></p>
<p>Gravações em portrait se tornaram um problema na era dos smartphones. Como essa é a posição natural em que um segura um celular, as pessoas naturalmente o segurarão da mesma forma quando estão filmando. E eis o motivo pelo qual essa é a maior estupidez possível.</p>
<p>Você já viu uma TV vertical? Que tal uma tela de cinema vertical, tem alguma na sua cidade? Monitor de computador vertical, cê já viu? Ok, este último até existe, mas é dedicado a usos bem específicos. Tirando aquelas telas de aeroporto que mostram o seu vôo (e apenas o seu vôo) sendo atrasado, praticamente toda tela que você já viu na vida era horizontal.</p>
<p>Existe uma razão pra isso.</p>
<p>Toda a mídia visual existente (filmes, desenhos animados, seriados, videoclipes, TUDO) é filmado e exibido em <em>landscape</em>. E o motivo disso é que essa é a forma como vemos o mundo &#8212; em landscape. Seres humanos tem um ângulo de visão de 180 graus horizontais, mas apenas 100 graus verticais.</p>
<p>O mundo que vemos é praticamente widescreen, e por isso vídeos deveriam seguir o mesmo formato.</p>
<p>Isso sem mencionar que, se você tá vendo uma cena qualquer, o centro e as laterais são as áreas de maior importância. O chão e o céu, que você acaba capturando quando filma em portrait, não oferecem muito contexto numa filmagem e são piores que inúteis.</p>
<p>Em resumo: há um motivo pelo qual resoluções de filmes são 1920×1080 e não 1080&#215;1920.</p>
<p><strong>2) Observe a cena exclusivamente pelo viewfinder</strong></p>
<p>Olha, eu vou usar um monte de termo em inglês porque esse é um assunto técnico e não sei nem se existem palavras lusófonas equivalentes. Se isso te irrita, favor meter o dedo no cu e rasgar. Você está na internet acessando um blog clicando em links com um mouse num browser. Desde quando palavras em inglês começaram a te irritar, seu merda?</p>
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</script></center></div><p>Viewfinder é a &#8220;janelinha&#8221; através da qual você observa o que a câmera está capturando. Hoje em dia ninguém mais realmente usa o viewfinder já que tudo tem telinha de LCD, mas o princípio é o mesmo &#8212; quando você está filmando, observar a cena por essa telinha é de suprema importância. Um dia aliás viveremos num mundo civilizado em que filmar uma cena observando-a por &#8220;fora&#8221; do viewfinder será passível de espancamento público e multa.</p>
<p>Deixa eu explicar por que isso é tão importante. Você já experimentou dirigir sem olhar pra frente do carro (digamos, olhando pros lados ou jogando Angry Birds)? O que acontece é que o carro vai migrar lentamente da sua faixa pra faixa do lado, aterrorizando os passageiros da Escort roxo ao seu lado.</p>
<p>Isso acontece porque o carro tem naturalmente a tendência de não seguir numa linha perfeitamente reta. O feedback visual é preciso pra que você faça as pequenas correções de trajetória necessárias para não atropelar alguém.</p>
<p>E isso é a mesma coisa que acontece quando você não presta atenção no viewfinder de uma câmera. Apontar a câmera na direção do que está sendo filmado não é suficiente; você precisa colar o olho naquela porra daquela telinha pra garantir que o enquadramento e o foco estão corretos.</p>
<p>Uma vez eu pedi ajuda à minha mulher pra ela me filmar falando algo pro meu vlog e quando fui ver a gravação, durante metade do tempo ela frameou a tomada na gola da minha camiseta. O braço dela naturalmente abaixou um pouco durante a filmagem, graças à inexorável força da gravidade inventada por Einstein, eu saí do frame e ela não notou porque não estava prestando atenção. Desde esse dia passei a ama-la uns 40% a menos.</p>
<p>Se você presta atenção no viewfinder, você se verá instintivamente corrigindo a tomada à medida que seu bracinho flácido começa a cagar a cena. Sabe quando você vê um vídeo &#8220;extremo&#8221; no youtube (tipo uma briga, batida de carro, alguma coisa assim) e assim que a ação interessante começa, o sujeito abaixa a câmera? Isso acontece porque o débil mental decidiu observar a cena por fora do viewfinder &#8212; o que aniquila o propósito de estar filmando a coisa.</p>
<p>Dá raiva né? Não seja esse cara.</p>
<p>Se você <strong>não </strong>presta atenção no que está filmando &#8212; e a única forma correta de fazer isso é manter os olhos no viewfinder &#8211;, as chances da gravação viraram desperdício de espaço no cartão de memória tendem a 100%.</p>
<p><strong>3) Sabe a linha de horizonte? Então, ela tem este nome por um motivo</strong></p>
<p>A linha do horizonte é um conceito de fotografia que se aplica à cinematografia. Essencialmente, a tal linha do horizonte é uma linha imaginária que conecta uma lateral do frame à outra, do lado oposto.</p>
<p>E o nome &#8220;linha do horizonte&#8221; deixa evidente que esta linha deve ser horizontal. Em outras palavras, você deve segurar a câmera <strong>na horizontal</strong>, e manter essa inclinação de zero graus.</p>
<p>Isso também é feito, como no esquema de filmar em landscape, pra simular a forma como nós humanos vemos o mundo. Nossos olhos se posicionam numa linha horizontal, portanto nós temos uma &#8220;linha de horizonte&#8221; embutida.</p>
<p>Quando você filma algo e inclina a câmera (algo que pode ser evitado se você seguir o passo número 2), a filmagem fica automaticamente uma merda.</p>
<p>Filmagem &#8220;inclinada&#8221; é às vezes, admito, usada pra atingir um estilo específico. Este estilo chama-se &#8220;cagar o filme&#8221;. O filme <a href="http://www.imdb.com/title/tt0185183/" target="_blank">Battlefield Earth</a>, considerado amplamente como o pior filme jamais gravado em celulóide, foi filmado quase inteiramente em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dutch_angle" target="_blank">dutch angles</a>. Portanto, tudo que você puder fazer pra diferenciar sua filmagem de Battlefield Earth &#8212; seja segurar a câmera horizontalmente ou não contratar o John Travolta &#8212; é de extrema importância.</p>
<p>É isso aí. Agora você já é um cinematografista melhor do que 99% das pessoas que colocam vídeos no youtube.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>4 pessoas com uma história muito mais incrível pra contar do que qualquer uma sua</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 19:26:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos nós gostamos de impressionar os outros, não é mesmo? Eu, por exemplo, só escrevo neste site pra poder dizer que sou um blogueiro conhecido internacionalmente (considerando que eu moro no exterior, tecnicamente &#8220;Brasil&#8221; é internacional pra mim). Tem gente inclusive que gosta tanto de maravilhar os outros com histórias mirabolantes que vive inventando mentiras.<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-pessoas-com-uma-historia-muito-mais-incrivel-pra-contar-do-que-qualquer-uma-sua/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Todos nós gostamos de impressionar os outros, não é mesmo? Eu, por exemplo, só escrevo neste site pra poder dizer que sou um blogueiro conhecido internacionalmente (considerando que eu moro no exterior, tecnicamente &#8220;Brasil&#8221; é internacional pra mim).</p>
<p>Tem gente inclusive que gosta tanto de maravilhar os outros com histórias mirabolantes que vive inventando mentiras. Apesar do fato de que essas pessoas são rapidamente identificadas em qualquer grupo social, evitadas, e às vezes hostilizadas abertamente, há muitos que tentam remediar o fato de que são completamente desinteressantes inventando lorotas tão absurdas que você pensa que eles estão te desafiando a chama-los de mentirosos no ato.</p>
<p>Há alguns anos por exemplo eu conheci uma menina que chegou a alegar que tinha poderes metafísicos. E que ela usou tais poderes pra curar seu irmão, que havia levado um tiro no meio de uma guerra de gangues &#8212; e tal guerra teria acontecido em Oshawa, Ontario, uma cidade que é o equivalente canadense da vila do Chico Bento.</p>
<p>Sério, e olha a menina nem era wiccan ou gótica ou seja lá como se chamam esses moleques que tem hábito de achar que são bruxas/vampiros com super-poderes.  A propósito, góticos ainda existem ou foram substituidos pelos emos mesmo?</p>
<p>Enfim. Meu ponto é que a maioria das pessoas tem vidas tão desinteressantes que precisam mentir o tempo todo pra impressionar seus amigos.</p>
<p>Este sujeitos aqui, no entanto, precisam mentir pra esconder de seus semelhantes histórias que os colocam num nível evolucionário superior ao dos meros Homo sapiens ao seu redor.</p>
<p>Gente como por exemplo&#8230;</p>
<p><strong>Inés Ramírez, a mulher que executou uma cesareana em si mesma <a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/main_mexbirth01.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-4724" style="margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; margin-left: 8px; margin-right: 8px; border: 1px solid black;" title="MANJA A PEXEIRA. Ou, no idioma que ela não fala, "la pexera"" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/main_mexbirth01.jpg" alt="" width="126" height="190" /></a></strong></p>
<p>No ano de 2000, quando a palavra &#8220;terrorista&#8221; ainda combinava mais com filmes do Bruce Willis e  Bonde do Tigrão dominava os sistemas de som de todos os Fiat Unos sem vidros elétricos no território nacional, a mexicana Inés Ramírez encontrava-se em uma situação um pouco inconveniente. Ela estava grávida de nove meses, e prestes a parir.</p>
<p>Qual o problema, você me pergunta? O problema é que Inês mora num interior fodidíssimo do México, povoado em sua maioria por uma turma indígena que sequer fala espanhol. Seu marido estava se embebedando num botequim próximo, não há hospital na cidade &#8212; se duvidar a palavra &#8220;hospital&#8221; nem existe no idioma nativo da mulher &#8211;, não havia telefones, não havia ninguém para ajuda-la.</p>
<p>Na situação dela, eu e você talvez nos desesperaríamos, amaldiçoaríamos toda e qualquer divindade encarregada de gerenciar nosso universo, e morreria lenta e agonizantemente.</p>
<p>Acontece que a Inés é Zapotec, e essa raça literalmente não conhece o significado e o conceito da palavra &#8220;desistir&#8221;.</p>
<p>O que a muié fez? Ela pegou uma faca de cozinha de 15cm, bebeu vários goles de álcool de farmácia e <a href="http://www.smh.com.au/articles/2004/06/01/1086037758224.html" target="_blank">começou a operar a si mesma</a>. A mulher cortou uma incisão de 17cm, indo das costelas até a área pubiana (quase o dobro do corte típico de uma cesareana), puxou o moleque para o mundo, cortou o cordão umbilical (com uma tesoura, mas prefiro imaginar que ela o fez com os dentes) e em seguida desmaiou.</p>
<p>Quando finalmente encontraram a mulher, ela já estava consciente de novo. Levaram-na para um hospital (que ficava a oito horas de distância), onde os médicos tiveram até que consertar as tripas da mulher &#8212; que acabaram levando umas pexeiradas no processo da cesareana caseira. Mas a mulher (e o filho) estão bem até hoje.</p>
<p>E você aí que chora feito um cabrito desmamado quando tem que levar injeção de Benzetacil.</p>
<p><strong>Como ela venceria qualquer disputa de machice num bar: </strong></p>
<p>&#8220;Isso aí não é nada. Uma vez eu estava grávida e não tinha ninguém pra me ajudar, então me furei com uma faca imensa e assim dei luz ao meu próprio filho&#8221;.</p>
<p><strong><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/nepal.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4726" style="margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; margin-left: 8px; margin-right: 8px; border: 1px solid black;" title="Nem farei piadinha com o cara." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/nepal.jpg" alt="" width="176" height="169" /></a>Bishnu Shrestha, o nepalense que salvou uma mulher de 40 estupradores</strong></p>
<p>Quem nasce no nepal é nepalense né? Estou ocupado demais para verificar.</p>
<p>Então, manja nos filmes de ação em que o mocinho despacha cinco ou seis atacantes simultaneamente? Caso você seja nerd chato igual eu, imediatamente tu começa a apontar a improbabilidade da cena (por mais que você deseje ardorosamente possuir a mesma habilidade marcial do protagonista).</p>
<p>Então, pelo jeito Hollywood não exagera tanto assim não. Manja essa: este colega aí ao lado é o Bishnu Shrestha. Em 2011 o amigo estava jogando Angry Birds tranquilo durante uma viagem de trem quando de repente 40 elementos &#8212; isso mesmo, QUARENTA &#8212; anunciaram um assalto. Os marginais portavam facas, espadas e armas de fogo, e rapidinho estavam portando também bolsas, relógios e celulares dos outros passageiros.</p>
<p>Bishnu olhou para os quarenta marginais armados e pensou &#8220;<em>hmmm, já que estão todos armados, TALVEZ seja uma briga justa. Mas vou deixar passar, nem gosto mais desse iPhone mesmo</em>&#8220;. E ficou quietinho na dele.</p>
<p>Acontece que em um determinado momento, um dos assaltantes viu uma mocinha bonita e decidiu se aproveitar da situação. Sob mira da arma do malandro, a menina foi obrigada a se despir. Dramaticamente, Bishnu levantou apenas uma sobrancelha e falou &#8220;peraí&#8221;.</p>
<p>O cara puxou uma <a href="http://www.google.ca/search?client=opera&#038;rls=en&#038;q=kukri&#038;oe=utf-8&#038;channel=suggest&#038;um=1&#038;ie=UTF-8&#038;hl=en&#038;tbm=isch&#038;source=og&#038;sa=N&#038;tab=wi&#038;ei=1rURT9GGNc3KiALk3JzHCw&#038;biw=1600&#038;bih=778&#038;sei=2bURT8X1CsSfiQLxhcnUDQ" target="_blank">kukri</a>, que é essencialmente uma pexeira nepalense, e partiu pra cima dos vagabundos. Se eu resolvesse agir com tamanha bravura, os jornais noticiariam no dia seguinte que um imigrante nordestino foi transformado em uma peneira e que seu corpo foi em seguida sodomizado pelos bandidos.</p>
<p>Bishnu, no entanto, <a href="http://archives.myrepublica.com/portal/index.php?action=news_details&#038;news_id=27100" target="_blank">matou três dos marginais, feriu outros oito, e o resto (sabiamente) saiu correndo</a>.</p>
<p>Permita-me lembra-lo que o cara fez tudo isso <strong>COM UMA FACA</strong>. Ah, outro detalhe que eu esqueci de mencionar &#8212; este amigo aí havia <em>acabado de se aposentar do exército nepalense</em>.</p>
<p>Com isso em mente eu decido que o Nepal é um país pequenininho porque os nepalenses tem pouca ou nenhuma ambição, porque com soldados dessa estirpe é surpreendente que eu e você não estejamos falando nepali neste exato momento.</p>
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</script></center></div><p><strong>Como ele venceria qualquer disputa de machice num bar: </strong></p>
<p>Você quer realmente arriscar algum tipo de disputa contra este homem?</p>
<p><strong></strong> <strong>Joseph Kittinger, o homem que pulou do espaço pra Terra<a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/kittinger.jpg"><img class="size-full wp-image-4727 alignright" style="margin-top: 2px; margin-bottom: 2px; margin-left: 8px; margin-right: 8px; border: 1px solid black;" title="Taquepariu" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/kittinger.jpg" alt="" width="158" height="201" /></a></strong></p>
<p>Eu sei que algum chato vai apontar pra este detalhe, então vamos lá &#8212; eu sei que estratosfera não é exatamente &#8220;espaço&#8221;; este começa oficialmente <a href="http://www.universetoday.com/75710/where-does-space-begin/" target="_blank">lá pros 100km de altura</a>.</p>
<p>Acontece que o mesmo artigo deixa claro que essa altura é meio arbitrária, e que não há um ponto exato em que a atmosfera termina e o espaço começa. Eu vou explicar a história do Kittinger e você me diz aí o que acha.</p>
<p>É o seguinte. Era o finzinho dos anos 50, a Guerra Fria estava ensaiando seus primeiros passinhos e Michel Teló só faria os seus passinhos 60 anos mais tarde. Do nada, bateu uma dúvida na Força Aérea Americana &#8212; qual é a altura máxima de um salto de paraquedas que um ser humano pode sobreviver?</p>
<p>Pra descobrir isso, deu-se origem ao <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Project_Excelsior" target="_blank">Projeto Excelsior</a>, onde o piloto e maluco profissional Joseph Kittinger saltaria de balões altíssimos pra testar um novo sistema de paraquedas.</p>
<p>É isso mesmo. Embora &#8220;testador de paraquedas&#8221; pareça uma profissão tão piadística quanto &#8220;dentista de leão&#8221;, essa era a tarefa do cara &#8212; subir à maior altura atingida por um ser humano até então e pular lá de cima <em>usando um paraquedas experimental</em>.</p>
<p>E só pra garantir a probabilidade máxima de algo dar terrivelmente errado, Kittinger foi lá e pulou <strong>TRÊS VEZES</strong>.</p>
<p>Ah, e algo <em>deu errado</em>. No primeiro salto o paraquedas abriu antes do antecipado (esses paraquedas experimentais e sua célebre imprevisibilidade!), se enrolou ao redor do pescoço do Kittinger e quase o matou. Eu e você teríamos desistido ali mesmo de jamais subir mais alto do que uma cadeira pra trocar uma lâmpada, mas Kittinger foi lá e saltou de novo. E de novo.</p>
<p>Em seu terceiro salto, Kittinger subiu a uma altura de 30 quilômetros. Pra te dar um padrão de referência, isso é três vezes mais alto do que a máxima altura que você atingiu na vida: um vôo comercial. Diferente de um vôo comercial, no entanto, a gôndola do balão do Kittinger não era pressurizada ou sequer fechada.</p>
<p>E tu aí com medo de voar de avião.</p>
<p><strong>Como ele venceria qualquer disputa de machice num bar: </strong></p>
<p>&#8220;Ah, você pulou de paraquedas? Que bacana. Eu fiz isso uma vez, mas foi de um balão construído para levar-me para baixo das fuças de Jeová em pessoa, e então pulei usando um paraquedas que ninguém sabia se funcionaria.&#8221;</p>
<p><strong><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/william.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4729" style="margin-left: 7px; margin-right: 7px; margin-top: 2px; margin-bottom: 2px; border: 1px solid black;" title="Não tem alt text hoje porque me falaram que o Tiago não as lê mais" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/william.jpg" alt="" width="183" height="158" /></a>William Kamkwamba, o Tony Stark africano</strong></p>
<p>Nós crianças do anos 80 &#8212; especialmente os nerds &#8212; tínhamos um ídolo em comum: o agente secreto Angus MacGyver. Aliás, é por causa do MacGyver que eu cresci desejando um canivete suíço. Bom, por causa dele e por causa dos Escoteiros Mirins.</p>
<p>Evidente, ao contrário do meu herói televisivo (e dos Escoteiros Mirins), eu não tinha essa habilidade toda em bolar engenhocas e soluções para problemas utilizando objetos aleatórios. E por isso eu, com raiva, decidi que ninguém seria capaz de fazer o tipo de coisa que o MacGyver fazia.</p>
<p>Como praticamente tudo que eu pensava quando tinha 10 anos, esta idéia estava errada.</p>
<p>Conheçam o William Kamkwamba. Este garboso jovem mora em <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Malawi" target="_blank">Malawi</a>, um país que eu literalmente nunca ouvi falar. Este é um daqueles países onde ter dois braços e duas pernas não explodidas por minas é um símbolo de status, e para sustância física as pessoas comem terra e bebem as lágrimas uns dos outros.</p>
<p>O William teve que largar os estudos porque os pais não podiam pagar a anuidade escolar (míseros oitenta dólares, que é um valor inferior ao meu gasto anual com jujubas). Evidentemente, William não deixaria que a falta de uma educação formal o impedisse de fazer algo com sua vida. Então ele começou a ir à biblioteca próxima (que ficava a quilômetros da sua casa) pra estudar por conta própria.</p>
<p>Nisso ele achou um livro sobre moinhos e como eles são usados para automatização de funções como puxar água do solo. E ele pensou &#8220;acho que consigo construir um bicho desses, até porque estou curioso pra saber se água é molhada mesmo como dizem estes livros&#8221;.</p>
<p>(Calma, calma, eu estava só brincando. O moinho que ele construiu foi na verdade pra gerar eletricidade)</p>
<p>O maluco juntou um monte de ferro velho, partes de uma bicicleta e tocos de madeira &#8212; em suma, ele depletou todos os recursos da orgulhosa nação Malawiense &#8211;, e construiu isso aí:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/moinho.jpg"><img class="size-full wp-image-4730 aligncenter" style="border: 1px solid black;" title=":O" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/moinho.jpg" alt="" width="296" height="287" /></a></p>
<p>O moinho funcionou. O moleque recebeu prêmios internacionais (em título e em dinheiro), uma bolsa integral para estudar em uma das <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dartmouth_College" target="_blank">mais prestigiosas faculdades americanas</a>, e faz workshops ao redor da África contando sua história pra meninada e ensinando-os a construir seus próprios moinhos.</p>
<p><strong>Como ele venceria qualquer disputa de machice num bar: </strong></p>
<p>&#8220;Hahaha essa sua história é bacana! Ela me lembrou aquela vez em que eu era um jovem pobre e sem educação e estudei por conta própria a fim de construir sozinho uma fonte de energia elétrica num país que sequer tem um nome para &#8216;eletricidade&#8217;, mudando assim a vida da minha família e de todas as outras que se beneficiaram com minha invenção&#8221;</p>
<p>Mas vai lá, me conta sua história incrível daquela viagem lá que você fez com os amiguinhos da faculdade.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>4 sons da nossa infância que não existem mais (e o que isso significa pras gerações futuras)</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sons-da-nossa-infancia-que-nao-existem-mais-e-o-que-isso-significa-pras-geracoes-futuras/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 18:24:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[De acordo com aquela pesquisinha HBDística que fiz há algumas semanas, uma boa parcela da população leitora deste registro virtual da minha vida tem aproximadamente a minha idade. Tão tudo caminhando aos 30 e serão em breve oficialmente &#8220;velhos&#8221;. E uma das coisas que acontece quando nos tornamos velhos é que figuras clássicas da nossas<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sons-da-nossa-infancia-que-nao-existem-mais-e-o-que-isso-significa-pras-geracoes-futuras/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>De acordo com aquela pesquisinha HBDística que fiz há algumas semanas, uma boa parcela da população leitora deste registro virtual da minha vida tem aproximadamente a minha idade. Tão tudo caminhando aos 30 e serão em breve oficialmente &#8220;velhos&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/pesquisa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4653" style="border: 1px solid black;" title="Tem maluco de 45 anos lendo isso aqui?!" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/pesquisa.jpg" alt="" width="410" height="348" /></a></p>
<p>E uma das coisas que acontece quando nos tornamos velhos é que figuras clássicas da nossas infâncias vão morrendo sem que a gente perceba. Já escrevi um texto até sobre <a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-personagens-da-nossa-infancia-que-tiveram-finais-tragicos/" target="_blank">heróis da nossa infância que tiveram mortes terríveis</a>.</p>
<p>Mas sabe algo que também morreu com nossas infâncias e a gente nem percebeu? Alguns barulhinhos clássicos que eram um sinônimo sonoro das ações que eles representavam. Por exemplo&#8230;</p>
<p><strong><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/red_phone1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4655" style="margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; margin-left: 8px; margin-right: 8px; border: 1px solid black;" title="Parece o telefone do prefeito de Gotham" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/red_phone1-300x194.jpg" alt="" width="210" height="136" /></a>Som de telefone com disco</strong></p>
<p>Você moleque imberbe de 12 ou 13 anos (ou seja, você nem lembra dos 150 pokemons originais) que lê este site talvez ainda use o termo &#8220;discar&#8221; &#8212; ou pelo menos ouviu alguém usando alguma vez &#8211;, mas aposto que você não conhece a origem desta palavra.</p>
<p>É o seguinte: há muitos e muitos anos atrás, o método de <em>input </em>de telefone era esse disco transparente que tu vê na figura ao lado. Ligar pra alguém exigia que você metesse o dedo no buraquinho correspondente àquele número e girasse o disco até uma lingueta metálica, o que registraria cada número.</p>
<p>A manipulação do tal disco levou à criação do verbo &#8220;discar&#8221;, que minhas extensas pesquisas indicam que ainda é usado no Brasil.</p>
<p>O fenômeno não é exclusivamente lusófono, aliás &#8212; até hoje os gringos se referem a ligar pra alguém com o verbo &#8220;to dial&#8221;; como vocês devem saber fazendo uma pesquisa no Google Imagens ou na wikipédia, &#8220;dial&#8221; é o termo usado pra qualquer objeto circular com números (seja um relógio, o botão de um amplificador ou o disco de um telefone antigo.</p>
<p>Tais discos telefônicos não existem mais, mas o termo &#8220;dial&#8221; como sinônimo de &#8220;ligar&#8221; perdura até hoje. É mais ou menos como ainda usamos ícones de disquetes nos botões de Salvar, apesar do fato de que disquetes morreram há muitos anos.  Olha o sonzinho que esse troço fazia:</p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sons-da-nossa-infancia-que-nao-existem-mais-e-o-que-isso-significa-pras-geracoes-futuras/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></p>
<p><strong>O que isso significa pras próximas gerações</strong></p>
<p>O seu filho, nascido na era pós-speed dial, jamais conhecerá a época em que até fazer uma ligação telefônica dava um considerável trabalho. Lembra quando um filho da puta tinha vários zeros no número?  Aliás, é muito provável que seu filho jamais memorize nenhum número telefônico.  <strong></strong></p>
<p><strong>Som do modem dial-up</strong></p>
<p><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/external_modem.gif"><img class="alignright size-medium wp-image-4657" style="margin-left: 9px; margin-right: 9px; margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; border: 1px solid black;" title="Quando foi a última vez que você leu US ROBOTICS escrito em algum lugar?" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/external_modem-300x168.gif" alt="" width="189" height="106" /></a> Acho que nem preciso falar muito sobre este. Pra muitos de vocês (e eu mesmo me incluo na estatística), o modem dial up foi uma presença mais constante em suas infâncias que seus próprios pais.</p>
<p>O modulador-demodulador discado era uma máquina assombrosa para a sua época &#8212; uma caixinha preta cheia de luzinhas, como toda máquina do futuro deve ser (lembra de Alien?), que permitia seu computador conversar com uma linha telefônica e enviar seus pensamentos desconexos a alguém do outro lado do país.</p>
<p>Lembram disso aqui?</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 627px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/minha-infancia/haha-roubaram-minha-ideia/"><img class="  " title="RISOS" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/01/izzy.jpg" alt="" width="617" height="140" /></a><p class="wp-caption-text">Não entendeu de onde veio essa imagem? Clica nela aí.</p></div>
<p style="text-align: left;">Pra quem era viciado em internet como eu, o sonzinho do modem dial up se conectando ao seu provedor dava fim a uma agonia que se repetia todo sábado &#8212; eu encarando o relógio da parede intensamente, esperando as 14 horas pra poder usar a internet.</p>
<p style="text-align: left;">Aliás, eu esperava que desse 14:10, pra garantir que uma possível disparidade entre meu relógio e o da compania telefônica não resultaria numa conta telefonica de 800 reais.</p>
<p style="text-align: left;">Chegava o horário mágico, eu pulava na cadeira do computador, dava dois cliques naquele discadorzinho do Windows e ouvia o delicioso som abaixo:</p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sons-da-nossa-infancia-que-nao-existem-mais-e-o-que-isso-significa-pras-geracoes-futuras/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></p>
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</script></center></div><p style="text-align: left;">O som morreu pra mim em 2003, quando meu pai comprou serviço ADSL lá pra casa.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>O que isso significa pras próximas gerações</strong></p>
<p style="text-align: left;">Meu avô vivia dizendo que as coisas no tempo dele eram mais difíceis, e vejo a cada dia que passa que me tornei um firme adepto dessa mentalidade. Naquela época o acesso à internet era escasso, e acessar internet durante o dia requeria primeiro que você falsificasse um trabalho escolar que requeria pesquisa no Cadê?, ou desligasse o som do modem pra não alertar os pais.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/tv.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4659" style="margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; margin-left: 8px; margin-right: 8px; border: 1px solid black;" title="Ninguém lê essas alt texts" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/tv-300x234.jpg" alt="" width="173" height="135" /></a>Barulhinho de TV fora do ar</strong></p>
<p style="text-align: left;">Você aí que não era nem nascido ainda quando o Brasil conquistou o Tetra não conheceu o mundo antes da TV a cabo. Deixa eu explicar pra vocês como era:</p>
<p style="text-align: left;">Havia um certo período que a TV simplesmente não mostrava <strong>NADA</strong>. É isso aí, dependendo da emissora, lá pras X horas eles veiculavam o último programa do dia, e logo em seguida a TV mostrava apenas estática.  E ficava desse jeito a madrugada inteira, até começar a passar o Telecurso 2000 ou sei lá o que era que finalmente interrompia as horas de chiado televisivo.</p>
<p style="text-align: left;">A ciência por trás da parada é interessante: a televisão nada mais é que um rádio sofisticado. Suas antenas captam transmissões das emissoras de TV mas, além disso, elas também captam um monte de coisa &#8212; radiação solar, sinais de rádio, até mesmo as <a href="http://www.exploratorium.edu/origins/cern/ideas/bang.html" target="_blank">sobras do Big Bang</a>.</p>
<p style="text-align: left;">Essa salada de transmissões sem nexo resultava nisso aqui:</p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sons-da-nossa-infancia-que-nao-existem-mais-e-o-que-isso-significa-pras-geracoes-futuras/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p></p>
<p style="text-align: left;">O que era a forma da sua TV de dizer &#8220;vá dormir que não tenho mais nada pra te mostrar aqui&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>O que isso significa pras próximas gerações</strong></p>
<p style="text-align: left;">Vivemos numa época que o mero ato de esperar que a TV exiba pra você conteúdo numa agenda fixa dela começa a parecer uma idéia obsoleta; torrents e serviços on demand como o Netflix que eu tanto amo permitem que você assista o que quiser de acordo com sua própria conveniência. Se eu quero assistir Bob Sponja às 3 da manhã, não deveria ser a minha TV que me diga que eu não posso.</p>
<p style="text-align: left;">Ligar a TV de madrugada e ver nada além de estática era como abrir sua geladeira e encontrar um filme Kodak, duas pilhas e uma forma de gelo vazia.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Aquela barulheira desgraçada de um videocassete</strong> <a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/VCR.jpg"><img class="size-medium wp-image-4660 alignright" style="margin-top: 3px; margin-bottom: 3px; margin-left: 8px; margin-right: 8px; border: 1px solid black;" title="VCR" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2012/01/VCR-300x132.jpg" alt="" width="240" height="106" /></a></p>
<p><strong> </strong> Lembram do videocassete? Claro que não, afinal na época que passava TV Colosso você ainda não era nem um espermatozóide.</p>
<p>O videocassete, além de ser a raiz da memorável &#8220;Videocassetada&#8221; (outra coisa que você não conhece), era o DVD da nossa época. A mídia que ele utilizava era o VHS, uma fita magnética armazenada dentro de uma caixa plástica cheia de adesivos indicando o nome do filme e coisas do tipo.</p>
<p>O problema é que, como era uma máquina totalmente mecânica, a parada fazia altos barulhos. Primeiro, o mecanismo que encaixava a fita na posição correta, depois, os trocinhos que puxavam a fita de dentro do invólucro plástico. Ejetar a fita era um barulhão também.</p>
<p>Pode não parecer muita coisa &#8212; mas eu te garanto a turminha que (frustrada pela estática da TV durante a madrugada) tentou assistir um filminho na calada da noite sabe do que eu estou falando.</p>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sons-da-nossa-infancia-que-nao-existem-mais-e-o-que-isso-significa-pras-geracoes-futuras/"><em>Click here to view the embedded video.</em></a></p>  <strong></strong></p>
<p><strong>O que isso significa pras próximas gerações</strong></p>
<p>Assistir pornô em casa com a presença dos pais em outro cômodo já é uma aventura. Imagina agora quando você tá fazendo isso numa máquina que faz esse barulhão todo?  Ahhh, saudade da infância&#8230;</p>
<p>(A idéia desse post me foi dada pelo broder <a href="http://www.twitter.com/iparga" target="_blank">@<strong>iParga</strong></a>, do <a href="http://unicornwithturrets.tumblr.com" target="_blank">unicornwithturrets.tumblr.com</a>)</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>5 estripulias escolares que todos cometemos</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-estripulias-escolares-que-todos-cometemos/</link>
		<comments>http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-estripulias-escolares-que-todos-cometemos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Dec 2011 20:48:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava aqui ouvindo o Azilacast sobre histórias de colégio (assine o podcast dos caras, é excelente) e me deu vontade de relatar algumas das minhas mais infames bagunças colegiais. Esses são os melhores assuntos pra textos no HBD, aliás, porque se você lê este site as chances de que você tenha um senso de<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-estripulias-escolares-que-todos-cometemos/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Eu estava aqui ouvindo o Azilacast sobre <a href="http://azilator.com.br/?p=775">histórias de colégio</a> (assine o podcast dos caras, é excelente) e me deu vontade de relatar algumas das minhas mais infames bagunças colegiais. Esses são os melhores assuntos pra textos no HBD, aliás, porque se você lê este site as chances de que você tenha um senso de humor semelhante ao meu são altíssimas.</p>
<p>Consequentemente, isso faz com que a probabilidade de você ter sido um arruaceiro mirim em seus anos formativos seja aproximadamente 115%, proporcionando identificação plena com os pequenos gestos de delinquência que você está prestes a ler.</p>
<p>Atenção molecadinha imberbe que lê este site: em primeiro lugar o Conselho Tutelar devia mandar prender seus pais, pois esse tipo de descaso com o conteúdo que você acessa pela internet é negligentemente criminoso. Em segundo, compreenda este texto como um manual. Imprima, leve pra escola amanhã, passe pros amiguinhos.</p>
<p><strong>Papel higiênico molhado no teto do banheiro</strong></p>
<p>Eis a segunda coisa mais divertida que você podia fazer num banheiro quando moleque: encher a mão com uma generosa quantidade de papel higiênico, pôr embaixo da torneira ligada &#8212; transformando a bola em papel machê &#8212; e em seguida arremessar a massa com força na parede ou no teto do banheiro. Ou, em momentos verdadeiramente mágicos, nos amiguinhos.</p>
<p>Arremessar no teto era o <em>modus operandi</em> tradicional, mas eu pessoalmente preferia jogar a bola de papel molhado na parede lá no fundo do banheiro. A distância maior entre o arremessador e o alvo conferia ao bólido molhado maior velocidade, e portanto maior força no impacto. A bola de papel molhado estourava com força na parede, fazendo aquele sonzinho incrivelmente satisfatório, com pequenos glóbulos de papel machê se projetando pra todo lado.</p>
<p>Essa brincadeira se tornou tão popular na minha escola que em breve o banheiro dos meninos parecia uma caverna cheia de estalactites brancas.</p>
<p><strong>Desenhar pirombas nas cadeiras de desafetos</strong></p>
<p>Boa parte do humor juvenil deriva-se de insinuação (homos)sexual, e essa brincadeira era um bom exemplo desse padrão.</p>
<p>O chiste consistia em desenhar na cadeira de um coleguinha &#8212; obviamente sem seu consentimento &#8212; uma realística (apesar de amadora) reprodução da genitália masculina em estado de plena ereção. Uma tilápia plenamente entumescida.</p>
<p>Na falta de canetinha hidrocor que permitisse o desenho na cadeira, valia também desenhar a jeriboca num pedaço de papel e repousa-lo na cadeira.</p>
<p>Aguardava-se então que o alvo retornasse ao seu assento onde, sem perceber a obra de arte impressa nele, sentaria-se tranquilamente na piromba rija desenhada em sua cadeira. Aos galhofeiros, sentar na estrovenga &#8212; ainda que sem conhecimento disto &#8212; era equivalente à admissão de aprazo por catramalhos.</p>
<p>Daquele dia em diante tanto fazia se você confessasse a plenos pulmões no meio do pátio da escola que deleita-se ao ser penetrado analmente por alterofilistas afrodescendentes, porque você seria tratado exatamente da mesma forma.</p>
<p>Os colegas mais escolados tinham a manha de olhar a cadeira antes de sentar. Isso provocou uma corrida evolutiva; os galhofeiros adaptaram-se à estratégia das presas desenhando a piroca vascularizada num pedaço do papel e aguardando até o último instante pra coloca-la na cadeira &#8212; ou seja, nanossegundos antes do sujeito sentar-se.</p>
<p>Era preciso ardil: o alvo ia sentando na cadeira e tu jogava rapidamente o papelzinho entre a bunda do cara e o assento. Manja quando os Caça Fantasmas habilmente jogavam aquela armadilha bem embaixo pros desencarnados, capturando-os?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/ghost.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4606" style="border: 1px solid black;" title="Essa aqui" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/ghost.jpg" alt="" width="420" height="315" /></a></p>
<p>Era mais ou menos isso, só que com uma piromba desenhada a Bic.</p>
<p><strong>Jogar giz no ventilador </strong></p>
<p>Essa era a nossa versão da roleta russa. Na época em que ainda existia giz &#8212; meninada mais nova, giz era uma substância cujo pó rendia aos professores um troquinho a mais no salário &#8211;, alguns coleguinhas roubavam o instrumento daquela caixinha em que os professores os guardava. Em seguida, quando ninguém tivesse olhando, o safado arremessava o giz com força contra as pás do ventilador.</p>
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</script></center></div><p>O giz era fatiado instantaneamente, liberando uma pequena nuvem branca e propelindo fragmentos de giz em direções completamente aleatórias mas que por motivos misteriosos sempre me acertavam na orelha. A turma rejubilava, e o pessoal catava do chão os restos mortais do giz pra um segundo round.</p>
<p>Eventualmente a prática foi atualizada: migramos do giz às canetas (geralmente &#8220;emprestadas involuntariamente&#8221; de membros não-cooperativos da nossa sala). Quando o sujeito não estava prestando atenção, afanávamos aquela sua caneta Bic 4 cores que se tornaram símbolo de status escolar nos anos 90 e jogávamos em direção ao ventilador. A caneta explodia num vestival de tinta e fragmentos, as suas tais 4 cores tingindo a galera na área de impacto.</p>
<p>Mas essa não era a única gozação que envolvia o ventilador. Tinham também as&#8230;</p>
<p><strong>Notinhas com trollbaits</strong></p>
<p>Estas notinhas com pegadinhas eram essencialmente os precursores &#8212; os Neandertais, <em>if you will</em> &#8212; das tuitadas trollbait que a gente gosta tanto de soltar pelo tuíter da vida afora e eu não não sei pra onde estou indo com essa frase.</p>
<p>Funcionava da seguinte forma: escrevia-se num pecadinho de papel uma mensagem como &#8220;de quem é esse sapato no ventilador?&#8221;, com a instrução &#8220;passe adiante&#8221; embaixo em letrinhas miúdas. O sujeito abria a nota todo desconfiado, e em seguida olhava para os ventiladores. O autor da nota começava a rir, o sujeito entendia que foi engambelado, e passava a nota adiante.</p>
<p>A nova vítima abre o papel &#8212; da mesma forma desconfiada do seu antecessor &#8211;, e olhava prontamente pros ventiladores. Nada neles, obviamente, e o autor da nota e a primeira vítima riem da cara do terceiro. E isso ia se espalhando pela sala feito vírus.</p>
<p>A outra modalidade da brincadeira da notinha (lembra que eu falei que brincadeira escolar frequentemente fazia alusão a sexo?) era escrever nela algo que afrontasse a masculinidade de quem a lesse.</p>
<p>Uma rima popular passada nessas notinhas era &#8220;se você deu a bundinha, dê uma risadinha&#8221;. A natureza quase lúdica da composição &#8212; combinar o pecaminoso ato de sodomia com diminutivos &#8212; provocava inevitavelmente no mínimo um sorriso de lado. Nos piores casos, a audácia da rima fazia com que a vítima risse pra valer. E ai de você se este é o seu caso.</p>
<p>Aos autores da galhofa, isso era indistinguível da admissão plena de que você passa suas noites prestando favores sexuais a todos os vigias noturnos do seu bairro. E quanto mais você proteste a acusação, mais convencidos eles estarão de que o único esporte que você pratica é o levantamento de jibóias.</p>
<p><strong>Deixar anotações para as turmas do outro período</strong></p>
<p>Eu adorava essa. Por motivos inexplicáveis, sempre existia uma rivalidade entra as turmas da manhã e da tarde. O pessoal da turma da manhã considerava a galera do turno vespertino vagabundos incapazes de acordar cedo para estudar; já o pessoal da tarde achava a galera do período matutino uma cambada de CDFs arrogantes e infelizes por não poderem assistir TV Colosso.</p>
<p>Como expliquei <a href="http://hbdia.com/wordpress/minha-infancia/minha-primeira-suspensao-the-end/" target="_blank">neste texto</a>,</p>
<blockquote><p><em>Sem contar que rola uma inversão do sentimento de propriedade: durante toda a minha vida, vi as escolas que frequentei como a “minha” escola. Aquele é o meu mundinho, os meus amigos, a minha sala, a minha carteira. Ir à escola de manhã é como explorar uma dimensão paralela em que a sua escola pertence a outros moleques.</em></p>
<p><em>Outro resultado curioso do breve contato com a molecada do turno da manhã é que foi quase como visitar outro país e descobrir pela primeira vez as opiniões deles sobre a sua terra natal. Por exemplo, descobri que a turma da manhã considerava os alunos da tarde vagabundos (por serem incapazes de acordarem cedo) ou problemáticos (e por isso os pais os matriculam pras aulas vespertinas, assim a pivetada está longe de casa durante a tarde e os pais podem finalmente relaxar).</em></p></blockquote>
<p>Os universos da galera do turno da manhã e do turno da tarde tinham pouquíssima interseção. A única forma de se comunicar com a outra turma era mocozar na sala anotações endereçadas à galera do outro turno. Tais notinhas eram sempre provocativas e que questionava a orientação sexual e/ou a castidade de suas mães do pessoal da outra turma.</p>
<p>Valia de tudo &#8212; esconder notinhas em cima do ventilador no final das aulas (para que esvoaçassem pela sala quando o mesmo fosse ligado pela próxima turma a usar a sala), pixar as carteiras, grudar notas atrás das cadeiras&#8230; Era meio como jogar uma garrafa com uma mensagem ao mar, se esta mensagem acusasse o hipotético leitor de, em seu tempo livre, manipular gerebas rígidas de todo aquele que requisitar tal serviço.</p>
<p>Era legal poder zoar os outros desse jeito sem ter que se preocupar com polícia ou advogados, como é o meu caso atual&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>4 vídeos que provam que russos são completamente malucos</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-videos-que-provam-que-russos-sao-completamente-malucos/</link>
		<comments>http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-videos-que-provam-que-russos-sao-completamente-malucos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 17:16:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[Já que ninguém tem testículos para admitir, eu mesmo vou ter que falar pra todo mundo: o fim da Guerra Fria foi prejudicial para a comunidade global. Sim, foi. Primeiro de tudo, o mundo era paradoxicamente mais seguro &#8212; quando o medo era de guerra declarada entre duas super-nações, havia todo um aparato diplomático instalado<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-videos-que-provam-que-russos-sao-completamente-malucos/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Já que ninguém tem testículos para admitir, eu mesmo vou ter que falar pra todo mundo: o fim da Guerra Fria foi prejudicial para a comunidade global.</p>
<p>Sim, foi. Primeiro de tudo, o mundo era paradoxicamente mais seguro &#8212; quando o medo era de guerra declarada entre duas super-nações, havia todo um aparato diplomático instalado pra lidar com os ânimos dos líderes americanos e soviéticos. Cê pensa que não, mas mísseis nucleares apontados pra uma capital  são uma maravilha em matéria de desenvolvimento de relações exteriores. Pisar em ovos era a lei, e por isso todo mundo ficava na sua.</p>
<p>Compare isso com a ameaça do terrorismo islâmico global, que carece de uma central bem definida e por isso não teme retaliação na forma de cogumelos atômicos como era nos velhos tempos. Tantos mísseis nucleares e nenhum lugar para onde aponta-los!</p>
<p>Aliás, posso mencionar um negócio aqui? É curioso como &#8220;pisar em ovos&#8221; é uma expressão que indica tanto o toque leve e fino tato, como o gesto de maior agressão possível (pelo menos contra um homem). &#8220;PISAR EM OVOS&#8221; é a contradição máxima &#8212; a expressão significa X e -X ao mesmo tempo, completos opostos!</p>
<p>Voltando ao assunto, a Guerra Fria representava o melhor dos dois mundos: o desenvolvimento tecnológico absurdo que costuma acompanhar períodos de conflito (você acha que os ianques teriam pisado na Lua se não tivessem que provar pro resto do mundo que tinham paus maiores que os russos? Não fosse a Guerra Fria o Kennedy teria ficado lá comendo a Marylin Monroe de boa), e ao mesmo tempo a relativa paz que só uma guerra de mentirinha proporciona. </p>
<p>Eu poderia continuar enumerando as diversas razões pelas quais a Guerra Fria foi benéfica para a humanidade, mas eu estou com preguiça. Fique só com essas duas aí em cima.</p>
<p>Aliás, tem um terceiro motivo &#8212; sem a Guerra Fria para guiar a juventude russa, tá surgindo uma geração completamente maluca naquele país. Com o fim da disciplina espartana imposta por um conflito ideológico que já dura várias décadas, o pequeno Boris e seu vizinho Yacov e sua amiguinha Natasha tão se tornando completamente malucos.</p>
<p>Ou, quem sabe, foi justamente a pressão da Guerra Fria que deixou a molecada russa demente. A possibilidade constantemente presente de evaporação súbita como cortesia das forças elementares que regem a mecânica nuclear resultou em uma geração de hedonistas que se rendem a todos os seus impulsos, por mais auto-destrutivos que sejam. </p>
<p>Ou seja, de qualquer jeito eu estou certo: os russos são malucos e não têm o menor senso de auto-preservação. E você nem precisa acreditar na minha palavra, basta assistir os seguintes vídeos:</p>
<p><b>Bungee Jump De Fabricação Caseira</b></p>
<p><center><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/m8nRX9v3Oz4?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p>Esse vídeo contém os três principais elementos do <i>way of life</i> russo &#8212; neve, prédios decrépitos e uma despreocupação com segurança que beira a criminalidade.</p>
<p>No vídeo, um grupo de jovens russos praticam o que parece ser seu novo esporte: se jogar de prédios tendo como única medida de segurança uma corda que tudo indica ter sido fabricada na casa de um deles, entre um momento de estupor vodkístico e outro.</p>
<p>E me poupe de ter que corrigir você: não comente &#8220;<i>ah mas pelo menos tem neve lá embaixo e isso amorteceria a queda deles</i>&#8220;. Cair de uma altura dessa tem altíssimas chances de te machucar seriamente, não importa o que esteja lá embaixo.</p>
<p>Compare com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=EksaafuZhl0" target="_self" title="">este vídeo</a>, por exemplo &#8212; olha a montanha de neve necessária pra amortecer uma queda de apenas 5 andares (que é consideravelmente mais baixo do que o prédio de onde a menina foi literalmente empurrada). </p>
<p>E <i>ainda assim</i> o vídeo é entitulado &#8220;<b>Crazy</b> Russian 5-story roof jump into snow&#8221;.</p>
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</script></center></div><p><b>Bungee Jump De Fabricação Caseira EM SOLO CONTAMINADO POR RADIAÇÃO</b> </p>
<p>Você achou que o vídeo anterior era uma demonstração ímpar do momento em que bravura e idiotice se encontram e correm lado a lado, tal como as águas da pororoca cujas propriedades eu decorei para uma prova de Estudos Sociais da terceira série? Veja este aqui então.</p>
<p><center><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/77d4Im8uKOc?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p>Caso você não fale inglês, &#8220;<i>cooling tower</i>&#8221; são torres utilizadas para resfriar fábricas ou qualquer outro tipo de instalação industrial. Manja a abertura dos Simpsons, que mostra a usina nuclear onde o Homer trabalha? Aquelas duas &#8220;chaminés&#8221; lá são <i>cooling towers</i>.</p>
<p>Ok, a bem da verdade eu não sei se o terreno onde os malucos se encontram está realmente fazendo contadores Geiger tocarem &#8220;Brasileirinho&#8221;. Mas estamos falando de uma estrutura &#8212; muito possivelmente pertencente a instalações nucleares &#8212; abandonada no meio de alguma cidade esquecida pelo tempo no coração da Rússia. Eu peguei tétano só de assistir o vídeo, imagina os moleques que tão se jogando de lá.</p>
<p>Ou seja, este passatempo reúne todo o perigo do vídeo anterior (qual deve ser a expectativa de vida média de um praticamente de bungee jump amador?) com a alta probabilidade de exposição a níveis preocupantes de radiação carcinogênica. </p>
<p>Não há tantos esportes que combinam morte rápida e indolor de uma queda de cabeça de vários metros de altura com lenta e agonizante com contaminação radioativa.</p>
<p><b>Trepando em Prédios Abandonados sem o Menor Motivo</b></p>
<p><center><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/tfZ1NyS6Mzw?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p>Você tem medo de altura? Claro que sim, quem não tem? Observe então o vídeo acima. </p>
<p>Nele uma criançada que mal tem idade pra ter pelos pubianos se desafiam mutuamente a caminhar nas vigas metálicas que se projetam pra fora da estrutura malacadaba onde eles se encontram. Nem a menininha do grupo escapou de ter que provar sua machice. </p>
<p><b>E Eu Achando Que Os Meus Chinups Iam Me Matar&#8230;</b></p>
<p><center><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/kW5u_EybC-c?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p>Como você já deve ter notado, escalar sem nenhum motivo aparente locais altos e que garantiriam morte instantânea é para os russos o equivalente a jogar bola de gude pra gente.</p>
<p>Neste vídeo, uma cambada de Vladimires se encarapita no alto de um prédio e, decidindo que ainda não estão altos o bastante para que a possível queda liqüefaça completamente seus frágeis corpos, sobem ainda mais alto escalando o guindaste no topo do prédio.</p>
<p>Não plenamente satisfeitos com o nível de perigo a que estão se submetendo voluntariamente e sem qualquer recompensa, esses filhos de putas vão e começam a fazer chinups do alto do guindaste. Só de assistir o vídeo fiquei com as mãos suando e tive que limpar o teclado duas vezes.</p>
<p>É impressionante que os garotos tenham conseguindo fazer tantos chinups considerando o peso extraordinário de suas bolas de aço maciço.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>6 vídeos de brasileiros no exterior que te causarão vergonha do nosso povo</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 19:14:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[Oh hey, é aquele assunto que vocês adoram e que me faz parecer um elitista escroto filho da puta. Bom, como eu já sou suspeito pra falar desse assunto, deixarei que os vídeos falem por si próprios. Eis aí. O curtametragem é intitulado &#8220;Brasileiros deixam cartao de visitas em Toronto&#8220;. Trago à atenção dos senhores<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/6-videos-de-brasileiros-no-exterior-que-te-causarao-vergonha-do-nosso-povo/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>Oh hey, é aquele assunto que vocês adoram e que me faz parecer um elitista escroto filho da puta.</p>
<p>Bom, como eu já sou suspeito pra falar desse assunto, deixarei que os vídeos falem por si próprios. Eis aí.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/SMY1mlpbfPk?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O curtametragem é intitulado &#8220;<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=SMY1mlpbfPk&amp;feature=g-hist" target="_blank">Brasileiros deixam cartao de visitas em Toronto</a></em>&#8220;. Trago à atenção dos senhores leitores deste fidalgo blog o fato de que os sujeitos sentem a necessidade de berrar (entre uma gargalhada e outra) o nome do nosso amado país em tom de celebração de gol da seleção no momento exato em que urinam em público quando estão sendo visitando o estrangeiro, pra deixar claro de onde vem a corja de mal educados.</p>
<p>Diga-se de passagem: urinar em público é infração multável aqui no Canadá.</p>
<p>Note também, ilustre leitor, que um deles &#8212; talvez o maior retardado entre o grupo &#8212; clama reconhecimento pela brilhante idéia de mijar num local público.</p>
<p>Outra coisa que eu descobri quando escrevia esse texto é que a pesquisa &#8220;brasileiros ônibus&#8221; ou &#8220;brasileiros metrô&#8221; causa uma sensação de vergonha incomparável.</p>
<p>Vejamos este vídeo, por exemplo:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/ksqKT8-JfSI?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Em &#8220;<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ksqKT8-JfSI" target="_blank">Brasileiros Azuados no Metrô em Valência Espanha</a></em>&#8220;, vemos um grupo de brasileiros (turistas participando da Campus Party, de acordo com outros vídeos do mesmo uploader) fazendo uma roda de pagode &#8212; seria samba? Não sei a diferença &#8212; dentro de um metrô espanhol. Aparentemente &#8220;importunar desconhecidos no transporte coletivo com música de gosto questionável&#8221; é agora um dos nossos produtos de exportação.</p>
<p>Você notará um curioso padrão &#8212; em um determinado momento da canção, os convivas celebram ser brasileiros. Faz parte da letra da música, sim, mas músicas que enaltecem o Brasil não são escolhidas por acaso nesse tipo de situação.</p>
<p>Em outro vídeo do mesmo grupo (chamado &#8220;<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=wsivVVz80xg" target="_blank">&#8216;Vixi Mainha&#8217; dentro do metro em Valencia &#8211; Espanha</a></em>&#8220;, e dessa vez filmado com uma câmera decente), vemos que no repertório da banda há outra música que faz referência ao povo brasileiro. Note a propósito que um dos integrantes tem uma lata de cerveja na mão &#8212; beber em público é outra infração sujeita a multa na Espanha. Vamos ao próximo.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/GPqyjoesWbA?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Este vídeo se chama &#8220;<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=GPqyjoesWbA" target="_blank">Brasileiros aloprando ônibus em Roma</a></em>&#8220;. Acho que os padrões que estabeleci nos vídeos anteriores são auto-evidentes &#8212; assim como o fato de que a própria pessoa que subiu o vídeo parece estar ciente da natureza reprovável do comportamento dos amigos. Afinal, nunca vi o termo &#8220;aloprando&#8221; sendo usado como descrição positiva.     Vejamos outro exemplo:</p>
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</script></center></div><p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/PW9J-mMUkFk?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Em &#8220;<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=PW9J-mMUkFk" target="_blank">Brasileiros em Vancouver</a></em>&#8221; vemos uma turma (provavelmente intercambistas ou participantes de uma excursão) cantando alguma canção que usa o termo lírico &#8220;atoladinha&#8221;. Note que o cinegrafista parou a filmagem justamente quando estavam prestes a receber um esporro do guia da viagem.</p>
<p>Vamos ao próximo.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/w-r90Upe-mk?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Este aqui chama-se &#8220;<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=w-r90Upe-mk" target="_blank">Brasileiros no metrô de Shanghai</a></em>&#8220;. Nele, um grupo de brasileiros é incentivado a cantar para a cameraman (por que cantar num transporte público?). Em um momento do vídeo, a cinegrafista ridiculariza os outros passageiros, divertindo-se com o fato de que eles não conseguem entende-los.</p>
<p>Um dos sujeitos no vídeo, <strong>perfeitamente ciente de que ele e os amigos estão se comportando de forma indevida</strong>, expressa preocupação (&#8220;<em>vou ser preso aqui dentro!</em>&#8220;, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=w-r90Upe-mk&amp;feature=player_detailpage#t=45s" target="_blank">0:45 no vídeo</a>).</p>
<p>Como paliativo, o grupo diverte-se com a idéia de alegar uma nacionalidade diferente &#8212; alguém sugere argentinos, e todos riem. A entrelinha é óbvia, como comenta um dos caras: &#8220;<em>(vamos) queimar o filme da Argentina!</em>&#8220;, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=w-r90Upe-mk&amp;feature=player_detailpage#t=72s" target="_blank">trecho 1:11 no vídeo</a>)</p>
<p>Vamos a mais um. Como vocês sabem, eu tenho um profundo desgosto e antipatia por intercambistas que foi documentada em textos como <a href="http://hbdia.com/wordpress/sagas-interminaveis/as-patricinhas-intercambistas/" target="_blank">este aqui</a>. Esse meu preconceito apenas se confirma quando encontro vídeos como &#8220;<em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Qr92ZoVlylE" target="_blank">TORONTO Intercambio 110</a></em>&#8221;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/Qr92ZoVlylE?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Três pontos importantes a ressaltar. Primeiro, perceba que a garota com a câmera está cercada de brasileiros. Isso é uma observação que eu já fiz <a href="http://hbdia.com/wordpress/retardados/depois-me-perguntam-por-que-eu-odeio-intercambistas/" target="_blank">diversas vezes aqui no HBD</a> &#8212; intercambistas vêm para o exterior e se limitam a interagir com outros brasileiros. Ou ir em restaurantes brasileiros, como o vídeo denuncia.</p>
<p>Segundo ponto &#8212; notem como é curioso o fato de que ela admite (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=Qr92ZoVlylE&amp;feature=player_embedded#t=41s" target="_blank">no trecho 0:41</a>) que o seu grupo são &#8220;os únicos que estão gritando dentro do ônibus&#8221;. Ela não apenas percebe que estão se comportando de maneira execrável mas, por motivos incompreensíveis, menciona isso quase como se fosse um fato a se orgulhar.</p>
<p>Agora, o terceiro ponto: eu dei uma observada nos vídeos da tal &#8220;Luiza Bianca&#8221;, a garota com a câmera. O primeiro vídeo do seu intercâmbio foi disponibilizado em abril. O último, em que ela comenta &#8220;faltam dois dias pra eu ir embora&#8221;, foi uploadeado em julho.</p>
<p>A garota passou míseros quatro meses no exterior &#8212; um período já insignificante se o seu objetivo é aprender inglês ou imergir na cultura estrangeira &#8211;, ao longo dos quais eu sou obrigado a concluir que ela se rodeou de brasileiros e aproveitou todas as oportunidades possíveis pra comer comida brasileira.</p>
<p>Concluam o que quiserem.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>4 desenhos animados traumatizantes (e como a ciência os explica)</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-desenhos-animados-traumatizantes-e-como-a-ciencia-os-explica/</link>
		<comments>http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-desenhos-animados-traumatizantes-e-como-a-ciencia-os-explica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 06 Dec 2011 10:07:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://hbdia.com/wordpress/?p=4477</guid>
		<description><![CDATA[O mundo em que vivemos dá uma ênfase absurda à proteção das crianças &#8212; o que faz algum sentido, aliás, já que acredita-se que elas são a única esperança para o futuro. Eles que se fodam consertando a camada de ozônio. Tampas pra cobrir tomadas, frascos de remédios que exigem uma combinação delicada de movimentos<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-desenhos-animados-traumatizantes-e-como-a-ciencia-os-explica/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="in_post_ad_top_1" style="margin: 5px;padding: 0px;"><script type="text/javascript"><!--
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<br></div><p>O mundo em que vivemos dá uma ênfase absurda à proteção das crianças &#8212; o que faz algum sentido, aliás, já que acredita-se que elas são a única esperança para o futuro. Eles que se fodam consertando a camada de ozônio.</p>
<p>Tampas pra cobrir tomadas, frascos de remédios que exigem uma combinação delicada de movimentos para serem abertos, filmes pornôs cuidadosamente guardados numa salinha especial nas locadoras, longe dos olhos da criançada&#8230; a nossa civilização desenvolveu diversas práticas ao longo dos séculos pra garantir a segurança física e mental da criançada.</p>
<p>Especialmente a segurança mental, aliás. Essa cultura de proteção das crianças inspirou inclusive <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Qh2sWSVRrmo" target="_blank">esta piada perene nos Simpsons</a>.</p>
<p>Diz-se até que, atualmente, a onda do politicamente correto levou essa prática ao extremo. &#8220;<em>A nossa juventude não era tão ciceroneada</em>&#8220;, dizemos em tom de desdém quando nos lembramos que brincávamos com bombinhas e assistíamos a bunda molhada da Luiza Ambiel na banheira do Gugu.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/JXH1wcB2hSs?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
Isso aí era programa familiar de domingo à tarde</p>
<p>Há um tom de verdade nisso. Para pra pensar aí: nós nascidos nos anos 80 tínhamos como heróis Robocop e Rambo &#8212; respectivamente, um policial assassinado que é mantido vivo como uma grotesca aberração tecnológica e um veterano da guerra do Vietnã com surtos psicóticos. Tinha até desenho animado disso, porra!</p>
<div id="attachment_4491" class="wp-caption aligncenter" style="width: 443px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/rambo.jpg"><img class="size-full wp-image-4491 " title="Essa cara torta dele é um patrimônio da humanidade." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/rambo.jpg" alt="" width="433" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Yep, isso é material perfeitamente adequado pra um desenho infantil. Podem fazer!&quot;</p></div>
<p>Eu tava pensando nisso outro dia e soltei um audível e memoriável &#8220;puta que pariu!&#8221;. Como é que os malucos fazem desenho animado do <strong>RAMBO</strong>, meu amigo?!</p>
<p>Aliás eu fui pesquisar &#8220;memoriável&#8221; no dicionário, pra garantir que a grafia está correta e que a palavra pelo menos existe, e vejo isso.</p>
<div id="attachment_4492" class="wp-caption aligncenter" style="width: 285px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/memoriavel.jpg"><img class="size-full wp-image-4492" style="border: 1px solid black;" title="&quot;Memoriável&quot;" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/memoriavel.jpg" alt="" width="275" height="331" /></a><p class="wp-caption-text">Não se preocupe, vou lembrar delas com certeza</p></div>
<p style="text-align: left;">Voltando ao assunto: os desenhos animados, como mídia voltada exclusivamente pra criançada, deveria ser o último reduto de conteúdo inquestionável e ilibado para as frágeis psiques das criancinhas.</p>
<p>Só que aí eu parei pra lembrar dos desenhos que eu assisti quando moleque e percebi que mesmo os desenhos &#8220;apropriados para crianças&#8221; tinham o potencial pra traumatizar toda uma geração. Acompanhe.</p>
<p><strong>Andy Panda em &#8220;A Maçã do Ego&#8221; (<em>Up Jumped the Devil</em>)</strong></p>
<p>Andy Panda era um daqueles amiguinhos sem graça do Pica-Pau que ganhavam episódios exclusivos por algum sistema de cotas ou algo assim. Neste episódio, o urso se vê num dilema ético &#8212; roubar ou não roubar as deliciosas maçãs de um pomar particular. Pra ilustrar o dilema, o desenho utiliza a ferramenta clássica da representação visual da batalha entre o id e o super-ego, caracterizados respectivamente por um diabinho e um anjinho.</p>
<p>De um lado, o id &#8212; o impulso animalesco em satisfazer todas as suas vontades, ou seja, o diabinho. Do outro, o super-ego &#8212; a nossa voz interna moralista que freia tais impulsos. Isso é, o anjinho panaca do desenho.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/jgyWYzKbJG4?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O anjinho (viu como ele era meio panaca?) tenta impedir a todo custo que Andy caia nas garras de Belzebu, mas não tem jeito. Tentado pela fome, o Andy acaba comendo as maçãs &#8212; que estavam verdes, mas foram pintadas de vermelho por Satanás pra parecerem maduras.</p>
<p>O Panda come uma pilha de maçãs maior que ele mesmo e começa a passar mal. O desenho parece insinuar que ele passou mal em virtude de comer muito (por que outro motivo eles mostrariam o fade entre a cena que mostra algumas maçãs no chão, contrastando com as várias que ele acabou comendo?), embora pareça bem mais plausível que ele tenha sido envenenado por toda a tinta que cobria as frutas.</p>
<p>O Panda &#8220;morre&#8221; e vai pro inferno, onde é torturado cruelmente pelo Tinhoso. Finalmente é trazido de volta à vida (ou acordado de uma alucinação, o desenho não é tão claro). O anjinho desconta no Pé Preto todo o abuso que recebeu no começo do desenho e depois vai embora com o Panda. O episódio acaba.</p>
<p>Esse desenho é perturbador porque ao contrário de outras figuras clássicas de terror (vampiros, lobisomens, e os outros monstros que que não foram bastardizados na &#8220;saga&#8221; <em>Crepúsculo</em>), o diabo é &#8220;real&#8221; (atente as aspas, ein). Ele poderia estar <em>bem do seu lado</em> no momento em que você assiste esse desenho.</p>
<p>O episódio das maçãs do Andy Panda era um lembrete sombrio da &#8220;realidade espiritual&#8221; ao seu redor &#8212; enquanto você está aí se divertindo vendo um desenho animado, O Baphmet está salivando de forma quase sexual pela sua alma.</p>
<p><strong>O Pica-Pau Maluco </strong></p>
<p>Existiam dois Pica-Paus. Um era o Pica-Pau espertalhão, o troll que vivia infernizando os coadjuvantes do desenho&#8230;</p>
<div id="attachment_4493" class="wp-caption aligncenter" style="width: 306px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/picapau1.jpg"><img class="size-full wp-image-4493" style="border: 1px solid black;" title="Visto aqui prestes a metralhar o nariz de um incauto com seu bico, que era o seu MO" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/picapau1.jpg" alt="" width="296" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Este era provavelmente o seu favorito</p></div>
<p>&#8230;e tinha o outro Pica-Pau. O outro Pica-Pau cuja aparição já deixava claro que aquele não seria um episódio bacana.</p>
<div id="attachment_4495" class="wp-caption aligncenter" style="width: 311px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/pica-pau-maluco.jpg"><img class="size-full wp-image-4495 " style="border: 1px solid black;" title="O &quot;Pica-Pau Maluco&quot; (patent pending, Izzy Nobre 2011)" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/pica-pau-maluco.jpg" alt="" width="301" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">Meio maluco e meio viado, aparentemente</p></div>
<p>O que acontece é que o Pica-Pau Maluco foi o primeiro design do personagem, em 1940. O Pica-Pau mais bacana que a gente preferia veio bem mais tarde, na década de 60.</p>
<p>O problema é que não tínhamos como saber isso na época, pra gente era tudo contínuo. E o resultado é que um dia víamos um Pica-Pau espertalhão, aprontando mil e uma confusões engraçadas com um jeitinho Lei de Gerson que encaixava como uma luva no público brasileiro&#8230;</p>
<p>&#8230;e em outros dias víamos um Pica-Pau completamente demente, que infernizava personagens aleatórios sem razão ou rima, apenas pra escrotizar.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/OU_HciKS6_E?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Era como se estivéssemos presenciando um portador de esquizofrenia que de vez em quando perde os remédios. A perversão da figura conhecida do Pica-Pau (não apenas seu comportamento era distorcido; a própria aparência dele era levemente diferente) causa um efeito curioso de dissonância cognitiva que confundia a cabeça da criança. Ver a imagem familiar tão distorcida é uma situação tão desconfortável quanto interromper o banho pra cagar numa privada sem assento.</p>
<p>Pelo menos isso nos preparou pra lidar com essa gente maluca com quem interagimos todo dia. Mas que era estranho, era.</p>
<p><strong>Malévola, de <em>Bela Adormecida</em></strong></p>
<p>A dicotomia do bem e mal é uma constante narrativa; estamos completamente programados a ver o mundo dessa forma maniqueísta dos &#8220;mocinhos&#8221; contra os &#8220;vilões&#8221;. Acontece que tem o mal cartunesco, e tem mal satânico traumatizante.</p>
<div id="attachment_4501" class="wp-caption aligncenter" style="width: 330px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/Malefica.jpg"><img class="size-full wp-image-4501 " style="border: 1px solid black;" title="Malefica" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/Malefica.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Fig1: Mal satânico traumatizante</p></div>
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</script></center></div><p style="text-align: left;">A Malévola, a bruxa malvada do Bela Adormecida, é um exemplo de crueldade que deixaria o próprio Lúcifre escandalizado. Vamos recapitular a história do filme:</p>
<p style="text-align: left;">O Rei e a Rainha tiveram um bebê. Eles convidam todo o reino para celebrar o nascimento da princesinha, mas não convidam a bruxa. Ela aparece do nada e, por puro despeito, condena <strong>UM BEBÊ A MORTE</strong>.</p>
<p style="text-align: left;">A magia da muié é tão potente que as fadas boazinhas não podem nem anular a parada; o máximo que dá pra fazer é abrir uma ressalva na maldição jogada pela macumbeira lá, que reverte a pena de morte pra um sono profundo que será quebrado se ela for beijada.</p>
<p style="text-align: left;">A mulher fez isso tudo simplesmente porque não foi convidada pra uma festa.</p>
<p style="text-align: left;">O visual e a atuação da bruxa era de arrepiar, também. Pra tornar a coisa ainda mais confusa na cabeça duma criança, a bruxa malvada era toda bonita, maquiada e o caralho, quando o figurino geralmente pede que o mal seja feioso e não-atraente.  Compare-a com as outras vilãs da Disney: Cruella De Vil? Horrorosa. Úrsula? Feia E gorda. Lady Tremaine? Uma velha emperiquitada. Já a Malévola tinha um jeitão de MILF.</p>
<p style="text-align: left;">Rola aquele esquema de dissoância cognitiva de novo &#8212; a figura reprovável não deveria ser atraente. É uma nuance interessante.</p>
<p style="text-align: left;">A ambientação das cenas dela eram particularmente sombrias:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/04O2oVjeOuQ?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: left;">Como falei no começo, estamos acostumados a ver representaçãos do mal em filmes e desenhos animados. Acontece que a Malévola vai um passo além na interpretação, motivação e visual das cenas da personagem &#8212; e ainda por cima devia ficar gatinha de bikini.</p>
<p style="text-align: left;">Aliás, olha a inversão de valores: as fadas madrinhas boazinhas é que eram velhas e gordas!</p>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_4503" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/gordas.jpg"><img class="size-full wp-image-4503 " style="border: 1px solid black;" title="O arquivo se chama GORDAS.JPG. É isso aí, vou aliviar pra ninguém" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/gordas.jpg" alt="" width="360" height="202" /></a><p class="wp-caption-text">Diz aí, tu preferia comer a Primavera ou a Malévola?</p></div>
<p>Não é a toa que a Malévola encabeça <a href="http://listverse.com/2009/06/09/top-10-most-evil-disney-villains/" target="_blank">tantas</a> <a href="http://www.dvdizzy.com/disneyvillainscountdown/index3.html" target="_blank">listas</a> de piores vilões da Disney.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Elefantes cor de rosa do Dumbo bêbado</strong></p>
<p style="text-align: left;">Lembra de Dumbo? Claro que não, é um filme antigo pra caralho (não que os outros citados aqui não sejam, mas eles têm relevância cultural mais proeminente que Dumbo).</p>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<div id="attachment_4504" class="wp-caption aligncenter" style="width: 329px"><img class="size-full wp-image-4504  " style="border: 1px solid black;" title="Dumbo." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/dumbo.jpg" alt="" width="319" height="251" /><p class="wp-caption-text">Mas que carinha mais ESMURRÁVEL essa do Dumbo ein</p></div>
<p style="text-align: left;">Eu só lembro de duas coisas sobre o filme &#8212; do elefantinho titular, que tinha um rosto que na época estampou muitos papéis de carta perfumado que as meninas dos anos 90 tinham o aborrecente hábito de colecionar, e da cena dos elefantes cor-de-rosa. E eu aposto que são as duas únicas coisas que você lembra, também, tão insignificante foi o filme pra nossa memória coletiva.</p>
<p style="text-align: left;">Pros moleques de 13 anos que tão lendo o HBD, a cena começa com o Dumbo e seu amiguinho &#8212; que não merece nem uma googleada pra descobrir o nome &#8212; bebendo água que, sem o conhecimento deles, havia sido misturada com champanhe. O resultado é a cena psicodélica abaixo:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/RJv2Mugm2RI?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p style="text-align: left;">A opinião sobre a sequência é quase unânime: não conheço uma pessoa sequer que não tenha ficado com medo da cena quando a viu pela primeira vez. A aparição súbita dessa bizarra manada de elefantes cor de rosa intangíveis com imensos olhos pretos cantando e dançando é desconcertante.</p>
<p style="text-align: left;">Em um determinado momento os elefantes formam um Megazord que marcha em direção ao espectador, a sequência fechando com os grandes olhos pretos que, distorcidos em uma feição maldosa, encaram a criancinha do outro lado da tela.</p>
<div id="attachment_4505" class="wp-caption aligncenter" style="width: 362px"><img class="size-full wp-image-4505 " style="border: 1px solid black;" title="Cruzes." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/megazord.jpg" alt="" width="352" height="246" /><p class="wp-caption-text">Bota isso aí pro seu filho de 4 ou 5 anos assistir e me diz o que acontece.</p></div>
<p style="text-align: left;">Existe um motivo pelo qual a maioria dos <em>screamers</em> (aqueles vídeos de susto que apenas filhos da puta espalham pela internet) geralmente trazem imagens de pessoas com olhos pretos. Tipo essa aqui, ó:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/tenso.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-4506" style="border: 1px solid black;" title="Tenso" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/tenso.png" alt="" width="265" height="190" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Esse é o mesmo motivo pelo qual os aliens greys clássicos são assustadores. O efeito trata-se de um exemplo um pouco mais suave de <em>body horror</em>, ou seja, imagens que provocan desconforto por mostrar o corpo humano de forma que você sabe que ele não deveria ser.</p>
<p style="text-align: left;">Todos os seres humanos têm um sistema embutido sofisticado de reconhecimento facial. Este sistema depende de pistas visuais que milhares de anos de evolução instalaram no sistema operacional que roda aí na sua cachola. Ao ver um rosto, esses pistas visuais (nariz, boca, olhos) disparam na tua cabeça uma rotina de reconhecimento que resulta na mensagem mental &#8220;<em>ah, beleza, é outro ser humano como eu. É o Joel, aliás. E aí Joel, beleza?</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: left;">Acontece que a falta de um desses visual cues causa um bug que ou confunde o seu cérebro, ou provoca rejeição psicológica. Quer ver como eu posso facilmente dar uma BSOD no teu cérebro, explorando essa falha no nosso software de reconhecimento facial?</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/bug-visual.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4507" style="border: 1px solid black;" title="Me desculpem por isso." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/12/bug-visual.jpg" alt="" width="234" height="258" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Essa imagem já é rodada na web, você provavelmente já a conhecia. Estamos acostumados a ver dois olhos e uma boca; isso é uma tarefa que nossos cérebros executam desde que nascemos. Ao ver uma imagem que deveria ser tão familiar com olhos e bocas a mais, o sistema de reconhecimento facial trava e o seu cérebro dá um CTRL ALT DEL afoito nele. O resultado é que é impossível olhar pra essa imagem sem sentir que seus olhos estão se retorcendo.</p>
<p style="text-align: left;">Ah é, e tem isso também. O seu cérebro, como todo chefe, joga a merda pros funcionários de baixo. Assim, ele culpa os olhos de estarem passando pra ele a imagem errada. É por isso que você pensa que ficou vesgo temporariamente ao olhar pra foto acima.</p>
<p style="text-align: left;">A sequência é tão infame que a maioria dos comentários no youtube disserta sobre quão assustado o sujeito ficou quando a viu pela primeira vez. E &#8220;ver elefantes cor de rosa&#8221; se cunhou como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Seeing_pink_elephants" target="_blank">expressão que descreve halucinações etílicas</a>. <em>E isso era pra ser uma porra dum filme infantil.</em></p>
<p style="text-align: left;">Quer saber, meu futuro filho vai assistir é Rambo e Robocop mesmo.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>5 Brincadeiras Idiotas de Infância Que Só Podiam Dar Merda</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 18:23:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[Além de curar cegos, andar por aí com prostitutas e definir o calendário da civilização ocidental, Jesus celebremente disse que o reino de Deus pertence às crianças. A história aparece de novo no livro de Marcos, aliás. Inclusive, toda a idéia de que um cristão precisa &#8220;nascer de novo&#8221; faz alusão à idéia de que<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-brincadeiras-idiotas-de-infancia-que-so-podem-dar-merda/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="in_post_ad_top_1" style="margin: 5px;padding: 0px;"><script type="text/javascript"><!--
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<br></div><p>Além de curar cegos, andar por aí com prostitutas e definir o calendário da civilização ocidental, Jesus celebremente disse que <a href="http://www.verdadesbiblicas.com.br/estudos/21-das-criancas-e-o-reino-de-deus" target="_blank">o reino de Deus pertence às crianças</a>.</p>
<p><a href="http://www.biblegateway.com/passage/?search=Marcos+10%3A13-16&amp;version=AA" target="_blank">A história aparece de novo no livro de Marcos</a>, aliás. Inclusive, toda a idéia de que um cristão precisa &#8220;nascer de novo&#8221; faz alusão à idéia de que Jesus favorece a galerinha mais jovem.</p>
<p>Por muitos séculos, teólogos interpretaram a frase de Jesus da seguinte forma: o Reino de Deus pertence àqueles que forem puros e inocentes como criancinhas.</p>
<p>Entretanto, tenho outra teoria: Jesus sabia que criancinhas são malucas, com hábitos que beiram tendências suicidas, <strong>e por isso acabam indo ao Céu primeiro</strong>.</p>
<p>Ué, você tá duvidando? Você não lembra que brincava de&#8230;</p>
<p><strong>Carrinho de rolimã</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/rolima.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4157" style="border: 1px solid black;" title="Hoje não tem alt text" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/rolima.jpg" alt="" width="377" height="231" /></a></p>
<p>Deixa eu admitir logo: eu tenho muita saudade dos carrinhos de rolimã. Ou &#8220;rolemã&#8221;, sei lá.</p>
<p>A emoção de descer uma ladeira em alta velocidade (ok, não tão alta assim) com freios inexistentes ou ineficientes, dividindo a rua com carros que poderiam te esmagar como um rolo compressor. A única coisa mais incrível que a sensação de pilotar um carrinho de rolimã era o fato de que nossos pais nos deixavam fazer isso.</p>
<p>O carrinho de rolimã era um resultado do cálculo (três pedaços de madeira) + (quatro rolamentos) &#8211; (qualquer instinto de auto-preservação). Uma vez de posse de um deles, a gente saia caçando as melhores ladeiras do bairro. Se haviam dois ou mais moleques com carrinhos, a idéia era disputar corrida.</p>
<p>E como em qualquer tipo de automobilismo, os espetaculares acidentes são o que há de mais emocionante. Diz-se que os gringos só assistem Nascar por causa dos acidentes, aliás.</p>
<p>Eu tenho até hoje uma cicatriz no tornozelo esquerdo por causa de um carrinho de rolimã. Sabe o que acontece num carrinho de rolimã se você dá uma curva muito fechada indo em alta velocidade?</p>
<p>A mesma coisa que acontece com qualquer outro veículo. Este erro me mandou voando pelos ares como uma boneca de pano, me ralei todo quando o chão correu pra me acudir.</p>
<p>E quando alguém inventava de fazer uma rampa pros carrinhos? Como eles jamais atingiam velocidade suficiente para decolagem, o que acontecia era a) a tábua quebrava e enviava centenas de farpas na delicada cútis e olhos da criançada ou b) o carrinho chegava à beirada da rampa e em seguida despencava ao chão, fraturando cóccixes no processo.</p>
<p><strong>Bombas</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/rasga-lata.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4158" style="border: 1px solid black;" title="rasga lata" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/rasga-lata.jpg" alt="" width="382" height="258" /></a></p>
<p>Essas bombas têm diversos nomes ao redor do Brasil. Em SP são chamados de &#8220;morteiros&#8221;, no RJ, essa cambada de racistas, a bomba se chama &#8220;cabeção de nego&#8221;. No Maranhão, isso se chama &#8220;bomba de murrão&#8221;. Em Minas chama-se as bombas de &#8220;trem que isprode, sô&#8221;.</p>
<p>Já no meu saudoso Ceará chamamos estas bombas de &#8220;rasga-lata&#8221;, porque este é o nome correto delas.</p>
<p>A rasga-lata consista num explosivo caseiro, vendido em mercearias de esquina por valores perigosamente acessíveis a crianças. E evidentemente, não havia nenhuma restrição etária para a compra das bombas. Eu devia ter uns 10 anos quando comprei minha primeira rasga-lata.</p>
<p>O maior pretexto pra utilização desses aparatos explosivos era a Copa do Mundo, mas no bairro da minha avó &#8212; o único bairro que frequentei constantemente por toda minha infância; minha família se mudava muito &#8212; a criançada brincava dessas coisas quase toda noite.</p>
<p>O nome do troço era uma sugestão de uso. A molecada comprava essas merdas e saia vasculhando o lixo do bairro inteiro procurando latas metálicas para explodir. Quando não conseguiam achar latas, servia qualquer outra coisa &#8212; garrafas plásticas de refrigerante, canos de PVC, e em uma ocasião um moleque particularmente suicida jogou uma rasga-lata dentro de um pote de vidro.</p>
<p>Eu, que sempre fui meio piromaníaco, adorava as rasga-lata. Quando meus primos iam lá em casa a gente juntava toda a grana, comprava uma porrada de bombas, e o mundo então adquiria outra aparência pra nós: tudo que víamos era explodível.</p>
<p>Como eu cheguei a adolescência com ambas as mãos intactas é um mistério.</p>
<p>E isso, novamente, com pleno conhecimento e consentimento paterno. Era outro mundo mesmo.</p>
<p><strong>Mortal Kombat na cama</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/mk2.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-4164" style="border: 1px solid black;" title="FIGHT!" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/mk2.gif" alt="" width="320" height="224" /></a></p>
<p>Nós gamers somos extremamente sensíveis à acusação de que videogames provocam violência no mundo real. Muitos anos tendo que lidar com essa caça-às-bruxas nos fizeram desenvolver argumentos afiados pra defender nosso hobby.</p>
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</script></center></div><p>Até parece que nos esquecemos que há muitos anos atrás, em pé em cima da cama dos pais, nos engafinhamos com irmãos mais novos após berrar um alto e inspirado &#8220;FIIIGHT!&#8221;</p>
<p>Uso MK neste exemplo mas isso é apenas porque era nosso game de luta favorito na época. Qualquer jogo de luta era reproduzível em cima da cama dos pais, o equivalente infantil a um tatame gigante.</p>
<p>Numa dessas brincadeiras, eu caí da cama de cabeça no chão. Apaguei, e a próxima memória que tenho é dos meus pais me trazendo pra casa de volta do hospital &#8212; eu, encolhido no colo da minha mãe no banco da frente do carro, enquanto ela levantava o braço pra erguer a garrafinha do soro intravenoso.</p>
<p>Outra coisa que muito me impressionava eram aqueles incríveis saltos mortais que os lutadores do jogo davam. Obviamente tentei reproduzir a parada na cama dos pais, e arrebentei meu pé num baú que eles mantinham na cabeceira da cama.</p>
<p>Em outra dessas brincadeiras, uma porrada na cara do meu irmão com o travesseiro arrancou um dente dele.</p>
<p>O legal é que víamos a aparição de sangue nas brincadeiras como um sinal de que a imitação do jogo estava perfeita.</p>
<p><strong>Espadachim de vassoura</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/espada.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4165" style="border: 1px solid black;" title="Eita nóis" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/espada.jpg" alt="" width="411" height="265" /></a></p>
<p>Imagine a cena acima, exceto que sem qualquer instrumento de proteção, e com cabos de vassoura (que são muito maiores e mais pesados que floretes, portanto causam bem mais dano). Esses eram eu e meu primo.</p>
<p>Sei lá qual foi o filme ou videogame que nos inspirou a fazer isso &#8212; e em se tratando de brincadeiras de luta de moleque, pode ter certeza que foi um dos dois que nos deu a idéia &#8211;, mas toda vez que eu ia à casa dos meus primos a gente roubava as vassouras da empregada, removia aquela parte das cerdas, e tentava coreografar elaboradas cenas de luta na garagem.</p>
<p>Os resultados eram previsíveis: vigorosas vassouradas na cabeça, braços e ou pior ainda: nos dedos. O que acontecia é que&#8230; bem, permitam-me explicar com uma ilustração.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/esp.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4166" style="border: 1px solid black;" title="esp" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/esp.jpg" alt="" width="288" height="216" /></a></p>
<p>Esta é uma espada. Você deve ter notado que quase toda espada tem um curioso elemento de design ali perto do cabo. Aquela pecinha ali se chama <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Crossguard" target="_blank">crossguard</a>.</p>
<p>Sabe qual a função dela? Impedir que a lâmina inimiga deslize até a sua mão, decepando seus dedos.</p>
<p>Agora olhe pra uma vassoura comum. Você perceberá uma notável ausência de qualquer tipo de crossguard.</p>
<p>Ou seja, uma tarde na casa dos meus primos significava levar trocentas vassouradas nos dedos. O moleque vinha com sede de sangue, travava a vassoura dele na sua, mas aí o ângulo da sua vassoura praticamente convidava a dele a percorrer toda a sua extensão, parando finalmente quando acertava seus dedinhos em cheio.</p>
<p>E meu irmão, uma vassourada no dedo já doi pra caralho, imagina levar três ou quatro seguidas no mesmo dígito. Não sei como não estou digitando este texto com a língua, isso é um milagre.</p>
<p><strong>Pipa com cerol</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/cerol.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4167" style="border: 1px solid black;" title="Cerol." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/10/cerol.jpg" alt="" width="400" height="259" /></a></p>
<p>Já escrevi um texto inteiro sobre <a href="http://hbdia.com/wordpress/minha-infancia/a-saga-de-um-empinador-de-pipas/" target="_blank">minha carreira como exímio piloto de testes de pipas</a>. Acontece que acho que aquele texto não captou bem a insanidade que é a prática do cerol, então cabe mencionar aqui</p>
<p>Caso você seja algum tipo de gringo maluco que achou este site e jogou no Google Translate (Oi Bebba!), deixa eu explicar: &#8220;cerol&#8221; é um produto caseiro aplicado na linha da sua pipa. A finalidade disto é cortar a pipa dos outros, porque afinal de contas qual a graça de empinar uma pipa sem ter a opção de sacanear alguém?</p>
<p>Cerol é fabricado da seguinte forma:  primeiro você rouba copos da cozinha. Depois, arruma um pote de cola. Tritura-se o vidro até que esteja praticamente inalável (nossa senhora imagina aí o horror que deve ser cheirar uma carreira de vidro em pó), aí mistura com a cola e aí está. Basta aplicar a parada na linha da pipa, esperar secar, e pronto. Você tem uma lâmina virtualmente invisível à distância e enrolável.</p>
<p>Não bastassem os dedos cortados no processo de moer o vidro e aplica-lo à linha, o real terror era o risco que o cerol trazia a ciclistas ou motoqueiros. Lembra que eu falei que a linha é virtualmente invisível? E que após a aplicação do cerol, é preciso coloca-la pra secar?</p>
<p>Não sei se os moleques eram incrivelmente retardados ou psicopatas em treinamento, mas o método que muitos elegiam pra secagem da linha era amarrando em postes, na altura do pescoço, e às vezes conectando postes em lados opostos da rua.</p>
<p>Ou seja: volta e meia alguém morria <strong>DEGOLADO</strong> porque não viu a linha cortante no meio da rua.</p>
<p>A corrida armamentista iniciada pelo uso do cerol fez com que alguns moleques mais engenhosos passassem a usar fios de cobre pras suas pipas, que não podiam ser cortados pelo cerol &#8212; mas que eram perfeitamente condutores, e ceifaram algumas vidas quando os fios tocavam nas linhas elétricas em postes.</p>
<p>Ahh, cê tá me achando muito sensível e bichinha, né? &#8220;<em>Aff que baitolagem Kid, todo mundo brincava com cerol, não era esse horror todo</em>&#8220;. <a href="http://www.google.ca/search?client=opera&amp;rls=en&amp;q=cerol&amp;oe=utf-8&amp;channel=suggest&amp;um=1&amp;ie=UTF-8&amp;hl=en&amp;tbm=isch&amp;source=og&amp;sa=N&amp;tab=wi&amp;biw=1600&amp;bih=778" target="_blank">Sugiro que você não procure &#8220;cerol&#8221; no Google imagens então</a>. A parada causava estragos tão absurdos que é difícil crer que era produzido por um bando de moleque de 11 anos com um tubo de cola Polar e um copo velho.</p>
<p>Nossa geração desafiou Darwin, meus amigos.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>5 coisas do Canadá que não funcionariam no Brasil</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-coisas-do-canada-que-nao-funcionariam-no-brasil/</link>
		<comments>http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-coisas-do-canada-que-nao-funcionariam-no-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 16:58:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[É sempre um dilema quando vou escrever um texto desse tipo. Por um lado, eu sei que tem muita gente que me acompanha porque acha legal ler relatos sobre a vida em outro país. Aliás, eu vivo ouvindo dos mais despeitados que &#8220;só sou famoso porque moro no Canadá&#8221;, o que é um esculacho curioso<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/5-coisas-do-canada-que-nao-funcionariam-no-brasil/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
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<br></div><p>É sempre um dilema quando vou escrever um texto desse tipo. Por um lado, eu sei que tem muita gente que me acompanha porque acha legal ler relatos sobre a vida em outro país. Aliás, eu vivo ouvindo dos mais despeitados que &#8220;só sou famoso porque moro no Canadá&#8221;, o que é um esculacho curioso porque meio que começa como elogio.</p>
<p>Por outro lado tem quem ache que eu falo sobre morar no Canadá porque quero me exibir, ou que não perco a oportunidade de ufanizar o <a href="http://www.allwords.com/word-Great+White+North.html" target="_blank">Great White North</a>. Cheguei à conclusão de que, se essa é a opinião que você tem de mim, talvez você não devia perder seu tempo lendo meu site. Ninguém tá te obrigando a isso, né?</p>
<p>Então vamos lá. Ao longo destes quase dez anos morando aqui em cima, eu entrei em contato com diversas facetas da cultura norteamericana que simplesmente não funcionariam no nosso Brasil varonil.</p>
<p>E eu já me acostumei tanto com essas coisas que só percebo que são &#8220;novidade&#8221; porque volta e meia elas aparecem em meus vídeos ou em algumas fotos que posto por aqui e noto a curiosidade de vocês em relação a elas. Por exemplo&#8230;</p>
<p>(Um pequeno parêntese: não moro no Brasil há muito tempo; se uma ou mais dessas soluções já existirem na nossa terra, me dêem um desconto!)</p>
<p><strong>Self checkout no supermercado</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/self_checkout_station.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4053" style="border: 1px solid black;" title="Amigo @lucasradaelli, a foto é num supermercado, com caixas sem pessoas operando" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/self_checkout_station.jpg" alt="" width="302" height="269" /></a></p>
<p>Quando eu era moleque, eu <strong>morria </strong>de vergonha de comprar camisinhas. Eu sempre relegava a tarefa à minha mulher, e uma vez cheguei a entrar num supermercado, comprar um MONTE de coisa que eu não precisava só pra disfarçar o fato de que eu coloquei um pacote de camisinhas no bolso e saí sem pagar.</p>
<p>Se minha adolescência tivesse acontecido no Canadá, pelo menos esse problema eu não teria. O que rola é que a maioria dos supermercados (senão todos) tem uma área chamada &#8220;self checkout&#8221;, ou seja, uma fileira de caixas que não dependem de funcionários para serem operadas.</p>
<p>Você coloca suas tralhas no aparelho, escaneia o código de barras, o preço vai aparecendo na tela, e aí é só jogar na sacola. A tela exibe a lista de tudo que você escaneou, e o aparelho também tem uma balança pra pesar frutas, vegetais ou sei lá, seu celular, caso você ache que a página de especificações do iPhone mentiu na medição.</p>
<p>Sempre que explico o sistema no tuíter, a primeira pergunta que fazem é <strong>MAS SE QUISER ENTÃO ROUBAR COISAS NÃO HÁ NADA QUE O IMPEÇA?!??!</strong></p>
<p>Sim e não. A área da máquina onde as sacolas ficam também tem uma balança &#8212; se você jogar no saco algo que você não escaneou, a máquina avisa (com uma mensagem não exatamente acusatória, mas tom de dedo-duro) que há um &#8220;item inesperado na área das sacolas&#8221;. A operação da máquina só continua se você tirar o item de lá.</p>
<p>Acontece que há um botão pra dar override nisso (&#8220;skip bagging&#8221;). E você pode levantar a sacolar da balança, também. Ou simplesmente colocar o item no bolso, já que nunca tem ninguém por perto pra fiscalizar a operação das máquinas.</p>
<p><strong>Caixas de jornal</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/jornal.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4054" style="border: 1px solid black;" title="CUMBAG" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/jornal.jpg" alt="" width="306" height="363" /></a></p>
<p>Essa aqui você conhece dos filmes. Não existem muitas bancas de jornal aqui no Canadá (até hoje só vi nos aeroportos, ou assimiladas por supermercados). A alternativa  às bancas de jornal são essas caixas aí. O freguês vem, deposita um dólar, a caixa abre e você pode retirar um jornal.</p>
<p>Assim como o self cashout, é mais um sistema que depende totalmente do sistema de confiança. Não há absolutamente nada que impeça o sujeito de levar <strong>TODOS</strong> os jornais da caixa &#8212; embora geralmente haja um lembrete na caixa implorando ao cliente que não furte os jornais porque a caixa pertence a um distribuidor independente e o hipotético ladrão estará lesando um humilde pequeno empresário, e não uma coorporação milionária.</p>
<p><strong>Ônibus sem cobrador </strong></p>
<p>No meu Ceará a gente chama esses profissionais de &#8220;trocador&#8221; (apesar da inferência homoafetiva, o termo não deixa de fazer sentido &#8212; o sujeito está ali pra dar troco, afinal de contas).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/bus.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4055" style="border: 1px solid black;" title="Cadê a catraca?" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/bus.jpg" alt="" width="508" height="302" /></a></p>
<p>No meu mais recente <a href="http://www.youtube.com/watch?v=G9cttF0q4OE" target="_blank">Daily Vlog</a>, essa cena aí causou dúvida em muitos amiguinhos. &#8220;Cadê a catraca e o cobrador do ônibus? Você só mostrou a carteira pro motorista, que mal olhou-a direito&#8230;?&#8221;</p>
<p>Então, aqui não existe cobrador de ônibus. Nem catraca (aliás, agora que paro pra pensar, não tem catraca em nada aqui no Canadá).</p>
<p>E não há sequer uma maquininha high tech pra garantir que todos estão pagando suas passagens corretamente.</p>
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</script></center></div><p>Manja aquela caixa azul ali? Então, você sobe no ônibus e joga suas moedas ali. Aquela caixa não é nem daquelas supertecnológicas que contam o dinheiro; o motorista apenas olha de soslaio (isso <strong>SE </strong>olhar, na maioria esmagadora dos casos eles não olham nem pra você) e decide na base do olhômetro que a quantia está certa. O que impede que você jogue na caixa menos da metade do valor da passagem, junto com tampas de garrafa, botões e anéis de latinha de cerveja pra fazer volume? Nada.</p>
<p>E na minha carteira eu tinha o passe mensal. Custa 90 dólares (quando eu cheguei em Calgary era 75, maldita inflação/preços altos do petróleo/não sei quem culpar), e me permite passear pela cidade indefinidamente. Posso pegar quantos ônibus ou trens quiser, sem nenhum limite de uso.</p>
<p>Note que eu não escaneio o cartão em nenhuma máquina nem faço nenhum tipo de marcação nela; não há nenhum tipo de limite ou controle de uso.</p>
<p>Ahh, e no final do ano ao fazer seu imposto de renda, o governo te devolve uma parte do custo do cartão, como incentivo para o uso do transporte público.</p>
<p><strong>Postos de gasolina sem frentistas </strong></p>
<p>Essa aqui você também deve conhecer dos filmes</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/gas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4056" style="border: 1px solid black;" title="Pode falar, essa camisa aí do maluco tá extremamente gay" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/gas.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a></p>
<p>Este maluco aí não trabalha no posto de gasolina. Ele é o próprio dono do carro.</p>
<p>Aqui a gente para do lado da bomba, seleciona o tipo de gasolina e mete aquela mangueira no cu do carro. Gosto de imaginar a saída do tanque como cu do carro, apesar de que na realidade ele deveria ser a boca; o escapamento faria mais sentido como cu.</p>
<p>Há duas formas de pagar. Você pode colocar o cartão de crédito/débito na máquina e pagar ali mesmo, ou entrar na loja de conveniências do posto e falar &#8220;ô seu Zé, quero pagar a bomba número 5&#8243;. A maioria das lojas terá um sisteminha que informará ao balconista quanto você deverá pagar pelo uso da tal bomba 5. Entretanto, já fui em postos que o cara te pergunta quanto custou o abastecimento. Tive que sair da loja e voltar na bomba pra ver quanto era, porque eu tinha esquecido.</p>
<p>Temo que se o sistema fosse usado no Brasil, veríamos a cena abaixo frequentemente.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/hose.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4057" style="border: 1px solid black;" title="Só que invés de BMW seria um Fiat Uno" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/hose.jpg" alt="" width="345" height="256" /></a></p>
<p><strong>Casas sem muros</strong></p>
<p>Mais uma que você deve conhecer dos filmes. Imagine você se esta casa se localizasse no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/casa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4058" style="border: 1px solid black;" title="Parece a casa do meu pai, aliás..." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/casa.jpg" alt="" width="461" height="314" /></a></p>
<p>Além de não ter muros, não há grades nas janelas (que são facilmente acessíveis, aliás, graças à garagem.</p>
<p>Ah, e outro detalhe: garagens aqui são geralmente um lugar onde a família guarda todo tipo de tralha. Carros são comumente estacionados na calçada mesmo.</p>
<p>O máximo de cerca que se vê por aqui são as do quintal, pra dar privacidade às família durante lazer churrasquístico, e cerquinhas ornamentais tipo a dessa casa aqui, que fica perto do prédio onde moro:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/cerca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4059" style="border: 1px solid black;" title="Cerquinha mixuruca" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/cerca.jpg" alt="" width="432" height="322" /></a></p>
<p>Enquanto no Brasil a gente ergue muros de 3 metros e põe seringas com vírus HIV no topo, aqui eu morava numa casa no nível térreo (sem muros) com uma imensa vidraça na frente da sala:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/Vidraca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4060" style="border: 1px solid black;" title="Na minha memória a vidraça parecia maior, sei lá porque." src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/09/Vidraca.jpg" alt="" width="386" height="338" /></a></p>
<p>No Brasil isso seria equivalente a um convite a com RSVP aos ladrões dizendo &#8220;por favor assalte em minha casa e roube tudo de valor que encontrar aqui dentro&#8221;.</p>
<p>E nego me pergunta se eu tenho planos de voltar a morar no Brasil.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>4 sacanagens que todos fazíamos com o irmão menor</title>
		<link>http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sacanagens-que-todos-faziamos-com-o-irmao-menor/</link>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 23:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kid</dc:creator>
				<category><![CDATA[Top X]]></category>

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		<description><![CDATA[Ser irmão mais velho serve como um laboratório pra muitas experiências nessa vida. O irmão mais novo é um amigo (o primeiro e o mais próximo, diga-se de passagem) e o único familiar sobre quem você exerce alguma influência. Aliás, pro irmão menor &#8212; especialmente se a diferença de idades é grande, digamos, cinco ou<a href="http://hbdia.com/wordpress/top-x/4-sacanagens-que-todos-faziamos-com-o-irmao-menor/">&#160;&#160;[ Read More ]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="in_post_ad_top_1" style="margin: 5px;padding: 0px;"><script type="text/javascript"><!--
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<br></div><p>Ser irmão mais velho serve como um laboratório pra muitas experiências nessa vida. O irmão mais novo é um amigo (o primeiro e o mais próximo, diga-se de passagem) e o único familiar sobre quem você exerce alguma influência.</p>
<p>Aliás, pro irmão menor &#8212; especialmente se a diferença de idades é grande, digamos, cinco ou mais anos &#8211;, o filho primogênito é quase uma extensão de figura paterna.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 394px"><img title="IMAGINA ISSO. ALIÁS, IMAGINAR PRA QUE, TAÍ A FOTO" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/lolpaint.jpg" alt="" width="384" height="298" /><p class="wp-caption-text">Esta é minha foto favorita pra ilustrar qualquer texto que relate estripulias de infância com irmãos</p></div>
<p style="text-align: left;">E obviamente nós irmãos mais velhos não podiamos perder a oportunidade de sacanear a gurizada com a nossa posição de importância. Por exemplo&#8230;</p>
<p><strong>4) Abusar da falta de habilidade matemática</strong></p>
<p>Uma das vantagens de ser irmão mais velho é que (a menos que você seja um porífero desprovido de capacidades cognitivas) sempre cursaremos uma série acima dos pivetes. E com essa inexorável vantagem acadêmica, vem a chance de explorar a criançada de forma que você nunca poderá  fazer novamente, então, essa é a hora de aproveitar. Quem falou que &#8220;conhecimento é poder&#8221; devia ter um irmão caçula.</p>
<p>Haviam várias modalidades dessa trollagem com o irmão menor:</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Um pra você, um pra mim; dois pra você, dois pra mim&#8221;</em></p></blockquote>
<p>Durante a partilha de seja lá o que for (brinquedos, guloseimas, whatever), o irmão mais velho dá um pro irmão menor, e em seguida um a si mesmo. Mantendo a conta, ele continua com &#8220;<em>dois pra você, dois pra mim</em>&#8220;.</p>
<p>Acontece que no meio da contagem, houve uma mudança de metodologia &#8212; o <em>&#8220;dois pra você&#8221;</em> inclui o novo objeto <strong>E</strong> o que já estava na posse do irmãozinho; já o <em>&#8220;dois pra mim&#8221;</em> sinaliza que você está tirando DOIS objetos da pilha comunitária, ficando assim com <strong>três </strong>Comandos em Ação ou Balas 7-Belo, enquanto seu irmão tem apenas dois.</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Quer trocar esse seu um dinheiro por esses meus <strong>dois</strong> dinheiros?&#8221;</em></p></blockquote>
<p>Esta aqui é tão flagrantemente criminosa que, ao contrário da safadeza anterior (que diante pais espirituosos poderia passar por brincadeira), resultaria em imediatas chineladas caso vocês dois fossem surpreendidos pela mãe durante a negociação. É a única ferramenta que seus pais tinham pra extirpar da sua índole tamanha cara de pau.</p>
<p>Seu irmão de, sei lá, 6 ou 7 anos tem uma cédula de cinco reais que ele ganhou de aniversário. Você, transbordando malandrolina por todos os poros, sugere a seguinte transação pro irmão:</p>
<div id="attachment_3658" class="wp-caption aligncenter" style="width: 452px"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/herp-irmão.jpg"><img class="size-full wp-image-3658" style="border: 1px solid black;" title="E depois disso, fui à mercearia da esquina comprar Frutilis e não dividi com ele" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/herp-irmão.jpg" alt="" width="442" height="293" /></a><p class="wp-caption-text">Sim, eu fiz isso. E você também.</p></div>
<p>Coitado do pivete! Mas essa ainda não é tão cara de pau quando a próxima:</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Vamos criar um banco de chocolate?&#8221;</em></p></blockquote>
<p>Meu deus, eu era um pilantra infantil. Essaí foi o seguinte: minha querida mãe havia dado a cada um de nós uma barra de chocolate. Não lembro a marca, mas imaginemos que era um Crunch</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 274px"><img class=" " style="border: 1px solid black;" title="Não há chocolate melhor" src="http://www.sugarstand.com/images/wt/wt002800015230.jpg" alt="" width="264" height="216" /><p class="wp-caption-text">Suponho isso baseado no fato de que minha mãe me amava. Não sei que chocolate suas mães davam pra vocês.</p></div>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p>Obviamente comi minha barra inteira, deixando sobrar apenas míseras migalhas. Meu irmão apenas mordiscava a barra como se fosse um periquito. Veio-me a idéia:</p>
<p><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Izzynho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/izzynho.jpg" alt="" width="61" height="71" /><em>&#8220;Daniel, vamos montar um <strong>BANCO DE CHOCOLATE</strong>?&#8221;</em></p>
<p><em><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Daninho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/dan.jpg" alt="" width="59" height="73" />&#8220;Como assim?&#8221;</em> perguntou o pobre coitado.</p>
<p>Mostrei à pobre criança as farpinhas de chocolate que me restavam.</p>
<p><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Izzynho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/izzynho.jpg" alt="" width="61" height="71" /><em>&#8220;É assim, a gente quebra tua barra até sobrarem vários pedacinhos menores, iguais aos meus, e aí a gente junta nossos pedacinhos e colocamos num <strong>BANCO</strong>!&#8221;</em></p>
<p>Antes que o moleque sequer digerisse a idéia, eu corri pro quarto, catei uma caixa de Kichute e apresentei a meu irmão nossa instituição financeira.</p>
<p><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Izzynho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/izzynho.jpg" alt="" width="61" height="71" /><em>&#8220;Olhaí&#8221;</em> falei, já com a mão no chocolate dele e esfarofando tudo dentro da caixa <em>&#8220;a gente quebra tudo e bota aí, será nosso banco!&#8221;</em></p>
<p><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Daninho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/dan.jpg" alt="" width="59" height="73" /><em>&#8220;Ahhh&#8230; Legal!&#8221;</em> dito isto, meu irmãozinho começou a triturar o chocolate também.</p>
<p>Esmigalhado o chocolate, correi pro quarto, peguei minhas canetinhas e confeccionei dois &#8220;cartões de cheque&#8221; (eu não entendia como funcionava a indústria financeira), através dos quais poderíamos fazer saques no &#8220;banco&#8221; &#8212; sendo que, obviamente, ele contribuiu com 99% do montante.</p>
<p>E de fato SAQUEEI o chocolate dele todo.</p>
<p><strong>3) Repassar ao irmão tarefa dada a você</strong></p>
<p style="text-align: left;">Há dois níveis desta filhadaputagem: você pode ligar o modo EXTREME MALANDRILSO e dizer à cara limpa <em>&#8220;ô Fulaninho, mamãe mandou você lavar os pratos ali&#8221;</em> logo após ter sido encarregado de tal ofício, ou ser um pouco mais solidário e dizer pro moleque que o dever foi dado a ambos, assim recrutando o moleque apenas pra ajudar.</p>
<p style="text-align: left;">E eis um spoiler: nas primeiras dezoito vezes que você fizer essa malandragem e notar que o irmãozim vai na fé sem questionar a repassagem da tarefa, nascerá em seu âmago a tentação de experimentar o EXTREME MALANDRILSO MODE. E a partir daí, você nunca mais lavará louça/arrumará o quarto/tirará roupa da máquina.</p>
<p style="text-align: left;">Obviamente, como todos os outros itens desta lista, esta safadagem tem prazo de validade. Dificilmente você convencerá seu irmão com mais de 8 anos de idade que seus pais exigem que ele e apenas ele lave toda a louça da feijoada de domingo, então aproveite.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>2) Atribuir ao pivete culpa de algo que VOCÊ fez</strong></p>
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</script></center></div><p style="text-align: left;">A cultura popular nos diz que o primeiro sentimento que nós primogênitos* sentimos quando um irmão menor é adicionado à família é ciúme da atenção que o novo pivete recebe.</p>
<p style="text-align: left;">(*Por causa da influência religiosa lá em casa, eu ouvia muito esse termo e me apropriei dele com orgulho, como se fosse um título de nobreza)</p>
<p style="text-align: left;">Quem pensa que nós irmãos mais velhos sentimos ciúme da nova criança tem pouca imaginação.  porque a primeira coisa que pensei quando meu irmão apareceu lá em casa foi <strong>&#8220;A PARTIR DE HOJE TENHO UM ÁLIBI PRA TUDO QUE EU FIZER AQUI DENTRO DESTE LAR BRASILEIRO&#8221;.</strong></p>
<p style="text-align: left;">O vaso novo da mamãe apareceu em pedaços no chão? Foi o Daniel. O histórico do Internet Explorer indica que alguém acessou o site da Playboy? Foi o Daniel. Uma fatia de pizza se materializou dentro do Videocassete? Mamãe, porque você ainda me pergunta essas coisas? Você já deveria saber que quem faz essas coisas aqui em casa é o Daniel.</p>
<p style="text-align: left;">E o pobre coitado mal tinha domínio da comunicação verbal para se defender.</p>
<p style="text-align: left;">Acho que entre os anos de 1990 e 1993 o cinto do meu pai não tocou minha pele em nenhum momento.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>1) Convidar o irmão pra fazer parte dos seus planos idiotas numa estratégia maligna de compartilhar a punição</strong></p>
<p style="text-align: left;">Ok,  essa aqui é sensacional. Estamos no ano de 1991 ou 1992, e nessa época morávamos em Londrina-PR.</p>
<p style="text-align: left;">Lembro até o endereço &#8212; rua Marília, 140, Jardim Veraliz. Meus pais me fizeram memorizar o endereço caso eu fosse raptado ou me perdesse ou algo assim, e acho que é o único endereço dos mil em que morei durante a infância que ainda lembro.</p>
<p style="text-align: left;">Pois bem, eu tinha assistido Rambo pela primeira vez. Como um garoto juvenil e imberbe, fiquei impressionado com a macheza e habilidade de sobrevivência do Rambo. Decidi que essa era a carreira que gostaria de seguir, &#8220;ser muito macho e sobreviver a tudo&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;">Como eu só tinha lá uns oito anos e não podia sair dando tapa em policial americano e derrubando helicópteros com pedradas tal qual meu ídolo veterano do Vietnã, o jeito seria incrementar meu currículo com aventuras de sobrevivência. E eu bolei o plano perfeito. Lá vou eu atrás do Daniel.</p>
<p style="text-align: left;"><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Izzynho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/izzynho.jpg" alt="" width="61" height="71" /><em>&#8220;Daniel, tive uma idéia massa!&#8221;</em></p>
<p style="text-align: left;"><em><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Daninho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/dan.jpg" alt="" width="59" height="73" />&#8220;O que é?&#8221; </em></p>
<p style="text-align: left;"><em> <img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Izzynho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/izzynho.jpg" alt="" width="61" height="71" />&#8220;Bora brincar de TESTE DE SOBREVIVÊNCIA&#8221;</em></p>
<p style="text-align: left;"><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Daninho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/dan.jpg" alt="" width="59" height="73" />&#8220;Mas como é isso?&#8221;</p>
<p style="text-align: left;"><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Izzynho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/izzynho.jpg" alt="" width="61" height="71" /><em>&#8220;Eu sou o Rambo e tu é o Outro Rambo, e a gente tem que sobreviver na floresta. Vamo fazer de conta que o jardim é a floresta, a gente tem que sobreviver só com o que encontramos aqui&#8221; </em>eu disse, apontando pras árvores que tínhamos lá em casa.</p>
<p style="text-align: left;"><img style="margin-left: 5px; margin-right: 5px; border: 1px solid black;" title="Daninho" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/dan.jpg" alt="" width="59" height="73" /><em>&#8220;Tá bom!&#8221;</em> concordou o pobre pivete.</p>
<p style="text-align: left;">Passamos alguns momentos catando tralhas no jardim (galhos, folhas secas e coisas do tipo) pra montar a &#8220;cabana&#8221;. Evidentemente uma cabana em miniatura, que mal serviria pros meus Comandos em Ação, mas imaginei que o skillset fosse o mesmo e que, num momento de real emergência, bastava aplicar regra de 3 nas proporções da cabaninha pra produzir uma de tamanho real.</p>
<p style="text-align: left;">Tentei também cavar um poço pra obter água, tal qual fazíamos na praia, e obviamente desisti antes mesmo que o buraco tivesse mais de 5 centímetros de profundidade.</p>
<p style="text-align: left;">Aí chegou o <em>tour de force</em> de toda a brincadeira. Declarei a meu irmão:</p>
<p style="text-align: left;"><em>&#8220;Vou cagar ali embaixo do pé de limão. É a sobrevivência&#8221;</em> falei, sem fazer qualquer sentido.</p>
<p style="text-align: left;">Meu irmão assentiu e lá fui pra debaixo do limoeiro, onde abaixei o short e, em plena vista de qualquer transeunte que passasse ali na frente da casa e estivesse disposto a ligar pro Conselho Tutelar, pus-me a cagar bem no meio do jardim.</p>
<p style="text-align: left;">Eis que meu pai aparece, me puxa pelo braço horrizado e dá umas broncas no meu irmão também, porque afinal ele tava envolvido na história. &#8220;É a sobrevivência, pai!&#8221; tentei argumentar futilmente. Ambos ficamos de castigo sem TV.</p>
<p style="text-align: left;">Coitado do meu irmão. Fui definitivamente o irmão mais velho mais filho-da-puta dentro todos os que conheci.</p>
<p>Se você é o filho caçula &#8212; e talvez não lembre com muita clareza da sua infância &#8212; me faz um favor e manda o link desse texto pro seu irmão. Repare o quanto ele vai rir e sinta inveja de não ter sido o primeiro a nascer.</p>
<p><strong>[ Adendo ]</strong> Ao terminar este texto, mandei a seguinte mensagem pro meu irmão:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/dan1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3677" style="border: 1px solid black;" title="dan" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/dan1.jpg" alt="" width="269" height="276" /></a></p>
<p>Portanto, com vocês, Daniel Nobre:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/danieln.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3678" style="border: 1px solid black;" title="danieln" src="http://hbdia.com/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/danieln.jpg" alt="" width="565" height="353" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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