“Wardrobe malfunction”

Escrito por Kid on Jul 16, 2008

Os eventos que narrarei em seguida aconteceram no último sábado, dia 12 de julho de 2008.

09:24
Estou no trabalho. É sábado de manhã, o tribunal está fechado. Meu parceiro está no banheiro, e pelos sons que ele emite lá de dentro, o canadense está pintando a porcelana com a janta de ontem. Se eu conheço o padrão das ressacais semanais dele, em alguns minutos ele emergirá do lavatório com uma expressão de confusão impressa no rosto. Em seguida ele despencará na cadeira, perguntará se eu vi o caderno de esportes, e anunciará redundantemente que o banheiro está interditado graças ao vômito explosivo dele.

Abro meu livro, ponho os pés na mesa e me preparo pra matar as próximas oito horas. Eu não sabia naquele momento que estava prestes a embarcar numa perigosa aventura; uma que quase me custou minha capacidade reprodutória.

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Altas expectativas e decepção

Escrito por Kid on Jul 6, 2008

O fenômeno é antigo, mas eu só fui entender recentemente.

Se você participa de alguma comunidade virtual (fóruns, listas de discussão, canal de IRC, bate papo da UOL, seja lá o que diabo for), você já deve ter presenciado o ódio nerd resultante de más adaptações cinemáticas de quadrinhos.

Aliás, nem precisa ser necessariamente uma adaptação ruim - basta uma decisão duvidosa na escolha do elenco, ou omissões/adições injustificadas no canon do universo das histórias, e pode ter certeza que milhares de nerds ao redor do mundo estarão choramingando e prometendo que jamais passarão perto de um cinema que esteja exibindo o filme (o que é sempre uma mentira, já que os pobres geeks não conseguem resistir àquele anseio enrustido de ver seus personagens favoritos em carne, osso e spandex).

Tamanha choradeira por causa de um filme é um fenômeno à primeira vista patético, e que leva você a indagar quando teria sido a última vez que um participantes desse tipo de gritaria internética teve a esperança de um dia perder sua virgindade. Sob análise mais cuidadosa, esse tipo de comportamento se torna mais que compreensível. É a única reação que alguém poderia exibir quando vê uma história/personagens que ele tanto gostava sendo destroçada pelo bem maior - o enriquecimento dos responsáveis pela produção.

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Sacanagens Domésticas

Escrito por Kid on Jun 3, 2008

Morar com nossos pais, a partir da chegada da adolescência, começa a se tornar uma porcaria.

É nessa época que o tradicional espírito de inconformação e de revolta contra imagens de autoridade começa a dar as caras, provocando em tantos lares aqueles confrontos totalmente desnecessários com as figuras paternas. E estes, que por algum motivo estranho recebem o fenômeno com surpresa (como se a insubordinação adolescente fosse algum tipo de evento inédito), respondem à revolta juvenil reforçando sua autoridade numa fútil tentativa de manter as rédeas da família. “Mostrar quem é que manda”, como se diz popularmente, com o sufixo “…nesta porra” geralmente adicionado.

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Problemas logísticos, pessoal

Escrito por Kid on May 9, 2008

Ê criançada, tenho um probleminha aqui pra resolver, e eu prefiro expôr a situação pra vocês pra tentar achar uma solução juntos. O que faz o HBD é justamente as visitas e os comentários de vocês, então nada mais justo que dividir um pouco do “controle criativo”, digamos assim, com vocês.

Então, o HBDcast foi um sucesso. Talvez, um pouco bem sucedido demais. Ao momento da publicação deste texto, o nosso podcastzinho piloto que não passava de uma experiência com o formato foi ouvido por mais de mil pessoas, e esse número tem tendência de aumentar.

Aí que vem o problema. O arquivo do podcast tem 11mb. Mil pessoas baixando o arquivo (ou ouvindo por streaming, dá no mesmo) geram mais de ONZE gb de transferência. Em UM dia.

E o problema se torna ainda mais complexo daqui pra frente.

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Criança No More

Escrito por Kid on Apr 20, 2008

Apesar da data mais antiga que você vê nos históricos do HBD, este blog é mais velho que isso. Não este que você vê agora, obviamente. Mas a “marca” Hoje é um Bom Dia existia muito antes - desde janeiro 2002, pra ser mais específico.

Naquela época, eu havia acabado de completar o ensino médio, e estava agonizando o resultado do meu primeiro vestibular. Sempre fui o palhaço da turma, e tais obrigações ocupavam muito meu tempo, de forma que eu não era exatamente um aluno exemplar. Estudar pra mim não era relegado nem mesmo pras vésperas de prova; eu fazia todas elas numa filosofia de “ou eu nasci sabendo isso aqui, ou eu não sei. Se for o caso, não me darei ao trabalho de aprender”. Inacreditavelmente, eu me graduei não apenas do ensino médio, mas também passei no meu primeiro vestibular de uma faculdade federal.

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Ultra-rapidinhas

Escrito por Kid on Mar 7, 2008

Vocês devem lembrar daquele texto em que eu expliquei como eu vivia fazendo merda em um dos meus empregos. Bom, demorou alguns meses, mas eu comecei a vacilar feio no novo emprego também.

Como operador da sala de controle, sou responsável pela logística do prédio, e uma das minhas obrigações é controlar o painel de alarmes de todo o tribunal. Como o prédio ainda está nos estágios finais de retoque, há construtores por todo lado fazendo buracos nas paredes e soldando coisas à outras coisas. Toda essa atividade gera poeira e fumaça, que acaba disparando alarmes de incêndio por todo o prédio e resultam numa pequena visitinha de uns três caminhões de bombeiros, ambulâncias, o diabo a quatro. Por causa da pequena multa de alguns milhares de dólares por “uso leviano de serviços públicos de emergência”, incidentes como esse devem ser evitados a qualquer custo, através de um bypass no sistema de alarme que é efetuado assim que eu chego na minha sala, às sete da manhã.

Desativando o link do tribunal com o painel de segurança, as emergências não são reportadas ao corpo de bombeiros, e sim a mim. Eu mando alguém averiguar o local de onde o alarme está vindo, e se ao invés de um pedreiro o sujeito encontrar uma sala em chamas, aí sim ativamos os serviços de emergência. Simples.

Exceto ontem, quando eu esqueci de desativar o painel de segurança. Por uma imensa sorte, nenhum alarme foi disparado. Pra você ter uma noção da minha sorte, uma média de CINQUENTA alarmes são disparados por dia por causa da construção no prédio. Se um desses tivesse soado, eu provavelmente estaria folheando os Classificados do jornal local a este momento.

Como vocês devem ter notado graças a uma das fotos abaixo, meu Xbox 360 voltou do conserto. Praqueles mantendo a conta, essa é a segunda vez que meu console é enviado de volta à Microsoft. Da primeira fez foi um belo caso de 3RL, e na segunda, foi problema de GPU (alguns jogos exibiam horríveis artefatos, Call of Duty 4 e Assassins Creed por exemplo eram absolutamente injogáveis). 

Recebei o console hoje e tudo parece estar de boa. Mas já escaldado, resolvi não comprar mais nenhum multiplataforma pro Xbox 360; só comprarei pro 360 os jogos exclusivos dele. Não ponho mais a mão no fogo.

O iPod Touch tá “performando”, se é que essa palavra é válida, infinitamente melhor do que da última vez que eu o comprei. E se ontem me bateu um certo arrependimento de ter jogado tantas centenas de dólares na parada, após o jailbreak a dúvida se foi. Pra começo de conversa, a funcionalidade de vídeo que me deu tanto trabalho está sendo ignorada inteiramente. As far as I’m concerned, este aparelho é um mp3 player com funções de PDA e um browser, assim as desvantagens do aparelho (suporte fraco a formatos de vídeo e reprodução meio fuleragem) desaparecem.

E o jailbreak (ou seja, o “destravamento” do gadget) dá oportunidade de instalar milhares de programinhas homebrew, aumentando ainda mais o uso do troço. A vantagem maior de um aparelho Apple é a imensa comunidade por trás dele, ou seja, há centenas de nerds desocupados programando bobagens pro Touch. Se você quer um mp3 player com wifi e algumas funcionalidades de PDA, eu recomendo o Touch.

Que fique claro, a reprodução de vídeo do Archos é INFINITAMENTE superior. E o Opera do Archos fica bem empatado com o Safari do Touch; onde o Safari ganha em interface fluida e lisinha, o Opera ganha em suporte e funcionalidade (Java e Flash, aprenda Apple).

Ok, chega de gadget pra mim.

Minha viagem pro Brasil está com data virtualmente marcada - dia 28 de outubro. Digo “virtualmente” porque ainda nem comprei passagens nem nada, mas essa foi a data que eu pus no meu formulário de férias lá no trabalho. Em duas semanas receberei a autorização, e no próximo mês pretendo comprar minha passagem.

O roteiro está mais ou menos definido entre Fortaleza, minha terra natal, e São Luís, cidade onde morei por três anos e fiz amigos inesquecíveis. Não tenho família nem nada lá, mas a passagem é praticamente obrigatória.

O livrinho acima pertence a namorada, que tá obcecada em desenvolver algum nível de fluência antes da viagem. Ela está tendo um progresso impressionante na conjugação dos verbos, uma estrutura linguística que é completamente desconhecida pros gringos. E o sotaque norte-americano dela é impagável, com direito a constantes erro de artigos (o bola/a menino) e concordância. Mas o que vale é a intenção, né?

Tenho 23 anos, trabalho tempo integral, pago impostos, lavo minhas próprias cuecas, moro por conta própria e estou estudando a idéia de transformar meu namoro de quatro anos em noivado. Devo me sentir envergonhado por jogar Pokemon, ou pior que isso, tomar parte da infantil brincadeira de abusar do privilégio RPGístico de dar nomes aos personagens da aventura? Preciso da aprovação da internet pra ir dormir tranquilo hoje.

Levante a mão quem também está tentando se livrar de malditas dívidas de cartão de crédito! Ninguém tinha me avisado que montar um apartamento é tão caro, puta que pariu.

A Tina continua viva, e perdidamente louca. Algumas coisas não mudam nunca, graças a deus.

Sobre o Concurso do Wii, eu avisei alguns dos participantes, mas pelo jeito meu email não chegou a todos. Descobri recentemente que a Nintendo toma no rabo e não permite que jogos sejam trocados entre usuários que moram em países diferentes. Ou seja, a mesma viadagem que eles fazem com as regiões dos discos, porém pior por que ao invés de marginalizarem apenas continentes, eles ergueram muralhas virtuais isolando países individuais. Nem EUA e Canadá, que são pra todos os efeitos praticamente o mesmo país, podem trocar games no Virtual Console. Ou seja, nos fodemos. Ou melhor, vocês se foderam, por que eu ao menos me diverti com as historinhas de vocês. Mil perdões aos mais ou menos oitenta leitores que participaram.

Atualizei todas as páginas do site (FAQ, Contato, Hits HBD, etc). Dêem uma olhada enquanto eu termino os outros posts.


Baladinhas e seus tipos

Escrito por Kid on Feb 15, 2008

Valentine’s day ontem, e fui meio que obrigado a sair pra uma dessas tais de BALADINHAS, né. Apesar de não ser um nerd totamente eremita e até gostar de sair pra dançar com a namorada, ir pra boates ultimamente tem me deixado desnorteado. É uma experiência que sempre me faz rever meus conceitos em relação à minha própria vida, e aqui está o motivo:

Não importa o quão “bem casado” você esteja, numa boate você esbarrará trocentas vezes com mulheres quarenta vezes mais gostosas que a sua própria te dando aquela nitidazíssima sensação de que você deveria ter experimentado mais a vida de solteiro.

Nada de errado com meu relacionamento. Minha companheira é uma mulé excepcional que eu dificilmente trocaria por uma outra, mas as condições em circunstâncias de uma balada engana seus sentidos. Uma boate é um ambiente cuidadosamente calculado pra te dar uma visão extremamente irreal das muléres da sua cidade. Você já deve ter tido a mesma experiência que eu - você chega numa boate e não importa pra que lado você olhe, sua visão cruzará alguma mulher que acabou de sair das páginas de revista masculina, confundindo você completamente porque até então ver esse tipo de mulher no mundo exterior era uma experiência levemente mais rara. Há pouquíssimas ocasiões no dia a dia em que uma mulher passa e me faz gastar a energia de virar o pescoço; já uma boate como a de ontem a noite parece estar totalmente populada por essa categoria de mulher.

E você se pergunta “onde essas loucas se escondem nos dias normais? Como não vejo uma menina dessas na fila do banco, ou na área de congelados no supermercado?” A verdade é que você as vê, sim - mas de uma forma menos artificial do que aquela em que elas se apresentam numa boate. Não tanta maquiagem, saltos mais respeitosos, saias mais longas, blusas não tão apertadas, e a lista prossegue.

O lugar

Considere o que eu tive que aturar logo na entrada do clube. Como é de costume aqui (de repente é aí também, não costumava ir a boates no Brasil), os caras costumam colocar uma mulher deliciosíssima vestida em trajes extremamente libidinosos andando pelo bar com uma bandeja cheia de shots de tequila e outras bebidas fortes. Por míseros 10 dólares a mais, sua bebida é posicionada entre as amplas tetas da menina, e você tem a liberdade de catar o copinho da bebida enfiando a boca nos peitos da outra lá.

As mulheres que costumam ocupar essa posição costumam ser IMORALMENTE gostosas, mas a menina desempenhando essa função ontem, puta que pariu. A doida devia ter mais ou menos a minha altura, mas aquele salto alto fininho estilo atriz pornô a deixava praticamente um palmo acima de mim e realçava as pernas e a bunda dela, que é o que saltos altos geralmente fazem. Ela usava uma sainha vermelha estilo colegial que nem sequer tentava cobrir suas partes íntimas, deixando sua calcinha preta de renda amplamente à vista. As pernas grossas da menina estavam enfeitadas com uma cinta-liga e uma daquelas meias-arrastão que subia até a coxa. E a blusa dela aparentava ter sido feita com menos de vinte centímetros quadrados, apertando os peitos já volumosos e dando aquela pequena porém absolutamente hipnótica visão da renda do sutiã. Essencialmente, uma visão perfeitamente projetada pra extrair o máximo de gorjetas possível. Eu queria parar de olhar pra mulé, revoltado com tamanha exploração da fraqueza masculina, mas o prédio podia estar pegando fogo e eu não teria conseguido olhar pra nenhum outro lado. Tipo uma mariposa totalmente fissurada numa lâmpada incandescente. Pra completar o clima putanesco, telões na parede exibiam os videoclipes mais libidinosos que você pode imaginar, como este, que virou meu clipe favorito e agora de manhã eu já assisti consecutivamente umas trinta vezes. Aliás, se tu conhecer mais videos de musiquinhas frequentemente tocadas em boates - não necessariamente imorais como esse -, deixe nos comentários plis.

Eu e a patroa

E isso foi só o começo da noite. Pra onde eu olhava, não havia como escapar da onipresença de mulheres daquele tipo que você não seria capaz de impôr limites pro tipo de coisas horríveis que você faria por uma chance de come-la. Eu concluí que o ambiente da boate não é apenas habitat natural de mulheres (artificialmente) sensacionais, mas ele também torna sua improvável chance de pega-las mais possível do que você imaginaria. Pensa aí - qualquer mulher pareceria deliciosa usando esses trajes, mas as que saem em público assim são as que mais provavelmente dariam pra você. Baladas promovem uma espécie de seleção natural; se você entra aqui vestida assim, você PROVAVELMENTE é fácil. Combinado com a meia luz e o alto contexto alcólico do ambiente, o que tornará sua feiúra bem mais tolerável, e quem sabe aquela menina dançando ao redor do strip pole não apenas daria pra você, mas convenceria a amiguinha dela a fazer o mesmo.

Aí eu percebi que minha obsessão com as mulheres deliciosas da boate estavam começando a me deprimir e causar sérios danos ao meu semi-casamento, e me pus a uma prática mais proveitosa - decidi catalogar os tipos que eu vi ontem na balada, pra escrever um texto detalhando-os. Sim, eu sou realmente muito mais nerd do que você imaginava.

Sim, os tipinhos estereotípicos que habitam as baladinhas! Em um sensacional exercício de taxonomia in promptu, pude separá-los nos distintos grupos:

The Nightclub Douchebag

Geralmente prefiro evitar usar termos em inglês porque isso marginaliza a turminha que não domina a língua gringa. Infelizmente, eu não conheço nenhuma boa tradução pra “douchebag”. Idiota, paspalho, palerma, babaca e todos esses outros são termos muito genéricos que não passam nem de longe o significado de “douchebag”, que é essencialmente “um indivíduo que tem um senso inflado de auto-importância, o que é geralmente combinado com inteligência abaixo do normal”.

Nightclub Douchebags se locomovem em bandos, unidos por interesses em comum como por exemplo “aplicar aproximadamente oito litros de gel de cabelo toda noite” ou “usar camisetas de cores homossexuais numa tentativa fútil de alegar que é macho o bastante pra sair em público usando uma camiseta pólo cor de rosa”. Como a foto aí acima atesta, Nightclub Douchebags são uma espécie biologicamente atrasada. Tal como amebas e outros bichos unicelulares que te dão doenças, os nightclub douchebags estão presos em um estágio evolucionário que ainda não permite distinção entre membros da espécie. Nightclub Douchebags normalmente não têm nenhuma ocupação além de parasitar o papai e a mamãe e comparecer às baladas todo final de semana. Não se conhece as outras atividades dessa espécie, uma vez que no mundo exterior à boate eles não usam os característicos oito litros de gel/camisetas pólo com a gola levantada, tornando a identificação possível apenas em cativeiro.

Normalmente, o Nightclub Douchebag tentará se aproximar de literalmente QUALQUER mulher no salão, o que sugere uma escassez de parceiras sexuais. Até onde posso averiguar, as baladas são a piracema dos Nightclub Douchebags, o momento em que todos convergem a um mesmo ponto na (fútil) esperança de acasalar. O ritual de acasalamento da espécie - algo jamais registrado na biologia moderna e um ponto de contenção entre alguns acadêmicos que acreditam que a espécie é estéril e assexual - envolve aproximar-se da parceira com uma garrafa de Heineken em uma mão e explicar detalhadamente pra sua pretendente que seu pai é advogado/dono da faculdade local/o inventor do abridor de latas, e que num salto de lógica isso de alguma forma a deveria injetar com o desejo de se encontrar atrás da boate pra uma trepadinha. Estipula-se que as horas de bronzeamento artificial torraram seus neurônios, explicando assim a inteligência abaixo do normal.

The Cougar

Não consegui achar uma imagem sequer de uma cougar no Google que não fosse referente ao filmes pornográficos sobre a espécie, então fiz uma busca aleatória e peguei essa imagem de um disco do Abba. Que, agora que eu paro pra pensar, é justamente o tipo de coisa que Cougars ouvem.

Cougar é outra expressão em inglês sem um representante lusófono. Eu poderia dizer “papa anjo” mas é novamente um termo muito amplo, então é melhor eu apenas explicar do que se trata a parada.

Cougars são mulheres de trinta ou até mesmo quarenta anos que, por estarem sofrendo uma crise de meia idade ou um amargo divórcio, sentem a necessidade de auto-afirmar o que ainda resta de sua suposta juventude frequentando ambientes projetados pra pessoas com a metade da idade delas, tranjando indumentária com o mesmo público-alvo. É bastante fácil identificar uma Cougar - sempre que o DJ der um relapso e tocar um remix de alguma velharia tipo Bee Gees ou o próprio Abba aí acima, você ouvirá gritos estridentes das Cougars, alegremente anunciando pra todo mundo que essa é a música favorita delas, e que elas realmente estão há poucos anos da terceira idade.

Uma Cougar dançará a esmo até encontrar um “garotão” que ela talvez possa convencer a levar pra casa na van familiar dela, sem dúvida ainda equipada com cadeirinha de bebê e tal, e estuprar violentamente pra depois comentar com as outras amiguinhas cougars no melhor estilo Sex And The City. O que suas vítimas provavelmente não pararam pra pensar antes de cair na lábia de uma cougar é que ela provavelmente tem idade pra ser sua mãe, um pensamento extremamente assustador e anti-tesão.

Via de regra? Evite.

Os Menores de Idade

Essa raça não é tão comumente vista como as anteriores, mas de vez em quando os seguranças do lugar são mais desleixados e deixam um ou outro escapar de seu crivo, e você acaba vendo alguns espalhados pelo clube. Os menores de idade se dividem em dois subgrupos - os que REALMENTE são menores de idade e que se valem das similaridades físicas com irmãos mais velhos pra se apoderar de suas identidades, ou a turma que foi amaldiçada geneticamente com a sina de aparentar ser cinco anos mais novo do que realmente é, como meu irmão. De uma forma ou de outra, os Menores de Idade sempre parecem totalmente fora do seu meio quando estão numa boate.

Seja a expressão facial que demostra total deslumbramento com a idéia de estar num clube noturno, ou o fato de que você sabe que o moleque tem até mais chances de dançar com uma gostosa porque elas geralmente gostam de tirar onda atiçando a pirralhada, os Menores de Idade conseguem ser quase mais odiáveis que os Nightclub Douchebags. Pise em cima se tiver a oportunidade.

Na pior das hipóteses, você dará uma boa história pro pivete contar pros amigos de escola no dia seguinte.

A Gordinha

Uma boate pode ser basicamente definida como um lugar onde todo mundo tenta ser algo que não é. Seja os Douchebags tentando pagar de riquinhos, as Cougars tentando parecer vinte anos mais jovens, ou os Menores fazendo o exato inverso disso, todo mundo num clube noturno está usando sua versão “new and improved” deles mesmo. Até mesmo eu sou suspeito pra falar, afinal de contas, dançando abraçado com a namorada eu estou - mesmo que involuntariamente - deixando meu traje de nerd jogador de Magic em casa.

Acontece que entre todos esses camaleões sociais, um grupo é o mais insindioso. Muito mais perigoso e sombrio. Estou falando, é claro, da Gordinha.

O primeiro truque da Gordinha é o decote (infelizmente não presente na foto acima). Sabendo que seus avantajados melões são essencialmente a única parte atraente de seu corpo, a Gordinha investe totalmente nesse ângulo de ataque. Usando blusinhas que foram projetadas pra comportar seios infinitamente menores, a Gordinha prepara suas tetas de forma que elas acabam se amontoando até encostar no seu queixo. Elas fazem isso porque conhecem um detalhe importante da mente masculina - somos seres simples, de fácil entretenimento, que não conseguem focar sua atenção no quadro geral após terem visto alguma parte feminina de interesse. A idéia é camuflar o resto do corpo asqueroso e indesejado oferecendo uma isca visual.

E funciona.

Assim que você entra no clube e esbarra com uma Gordinha, a visão de seu decote (que parece tão estruturalmente inseguro que dá a impressão que a blusa dela está prestes a explodir e espalhar peito gordo por todo lado) é hipnótica. É a PRIMEIRA coisa que vamos notar, e uma visão geralmente cuidadosa, demorada, que obscurecerá o resto do corpo. É assim que funciona o truque.

Demora um tempo até que você consiga escapar da ilusão e enxergar a realidade. Quando finalmente enxergo a Gordinha por trás do decote, praticamente aponto pra ela com um sorriso maroto e digo pra mim mesmo “Haha, me pegou ein?”

Gordinhas são a personificação do desespero. Alguns biólogos têm dificuldade de identificar sua classe alimentar - às vezes são identificadas como predadores, ativamente caçando algum desavisado/míope pra saciar sua frustração sexual. Já alguns estudiosos declaram que as Gordinhas são animais de carniça, se aproveitando dos restos dos rapazes que já foram rejeitados por outras meninas, ou que já estão em tamanho estado etílico que suas faculdades visuais se tornaram comprometidas, tornando-os completamente indefesos aos avances da Gordinha. Pra apaziguar os debates, convencionou-se que Gordinhas são seres onívoros, ou seja, elas atacaram praticamente qualquer coisa que der bola. A julgar pela sua circunferência, “onívoro” (ou seja, um ser que come de tudo) parece ser realmente a classificação correta.

Mal posso esperar pra ir na boate semana que vem. 


Promessas pra 2008

Escrito por Kid on Dec 30, 2007

Lá se vai 2007. Só mais dois dias e eu, você e qualquer pessoa que consiga não levar um tiro no rosto nas próximas 48 horas terá sobrevivido mais um ano. O que é mais do que a gente pode falar de um monte de gente, como o ilustríssimo Prince Pedro Gastão of Orléans-Braganza, o honorável Ryan Gracie, a coitada da Benazir Bhutto e o desconhecido John Belgrave. Sei lá quem é esse maluco, mas se a wikipédia o julga relevante o bastante pra incluir em sua lista de mortes famosas de 2007, ao menos uma menção ele merece.

O finzinho do ano é aquele período melancólico em que você percebe que não fez praticamente nada de edificante nos últimos 365 dias, e que sua vida profissional/amorosa/social continua a mesma merda que sempre foi, senão pior.

E assim o pobre desesperado, tendo uma crise de meia idade 20 anos mais cedo, decide que traçar uma listinha de objetivos pro ano que vem chegando talvez traga melhores resultados que a lista que ele escreveu num guardanapo do Bar do Zeca Paraíba durante o reveion do ano passado. Você sabe, aquela lista com diversos objetivos que você solenemente ignorou durante os últimos 12 meses.

E começa a confecção de mais uma lista de promessas pro ano que vai chegando. Coisas que ele não fez mas deveria ter feito, coisas que ele nunca pensou em fazer mas acabou de perceber que seriam uma boa idéia, coisas que ele deveria parar de fazer antes que a polícia descubra seu envolvimento, mulheres cujos ovários ele planeja conhecer por dentro no ano que vem… Seguindo os clichês, nós aqui no HBD (e com nós eu quero dizer “eu”) também temos uma lista de promessas pro ano de 2008.

  • Uploadear centenas de gigabytes em forma de episódios de Ursinhos Carinhosos e da Get Along Gang no Pornotube, inviabilizando milhares de punhetas ao redor do planeta;
  • Terminar o esperadíssimo post das patricinhas escrotas intercambistas (só falta uns dois parágrafos, contando com esses terei quase três já escritos);
  • Voltar a praticar minha guitarra, que se encontra no momento coletando poeira do lado da minha cama;
  • Voltar a resenhar filmes horríveis, já que aqueles posts rendiam muitíssima confusão entre os círculos de veneração aos tais filmes;
  • Aceitar os convites do k-max e do brok3d e fazer parte da mais temida gangue de hackeres brasileiros (totalmente sem mérito algum, já que a última raqueada que eu desempenhei foi enviar clientes de netbus pra desavisados no IRC);
  • Acabar com a enrolação e pedir logo a namorada em casamento, silenciando as amigas chatas dela;
  • Limpar meu armário, que no momento se encontra em situação lastimável. Tenho pelo menos 5 peças de roupa que eu dei por perdidas simplesmente porque não tenho paciência de revirar a bagunça no fundo do armário pra procura-las. Se uma camiseta cai do cabide, pra todos os fins e propósitos eu preciso de uma nova.
  • Convencer a população brasileira através de posts formadores de opinião de que já está passando da hora de crucificar o Inri Cristo;
  • Comprar um carro, ainda que se trate do tipo de carro que você vê abandonado na margem da BR-115 - o tipo que não tem rodas, motor, assentos, e que atualmente serve como habitação para uma família de quatro sem-terra evangélicos;
  • Construir uma máquina no tempo, voltar a 1995 e ensinar a mim mesmo a importância de ouvir o que seus pais (mais especificamente, o que o SEU PAI) sempre te diziam a respeito de mulheres;
  • Redirecionar o www.hbdia.com pro meatspin (não googleie) por um dia. Ainda que isso me custe metade do tráfego diário do HBD, a perda de empregos e relacionamentos será muito mais substancial e cômica, tornando a pegadinha lucrativa;
  • Provocar alguém suficientemente a ponto de que essa pessoa decida gastar fundos pra mover uma ação legal contra mim;
  • Convencer alguém a me dar cinquenta dólares, fazendo-o acreditar que eu preciso do dinheiro desesperadamente;
  • Promover algum tipo de ataque contra uma comunidade internética brasileira qualquer, utilizando links para 2girls1cup (não googleie) disfarçados com tinyurl.
  • Encontrar os responsáveis pelas inúmeras e absolutamente sem graça redublagem de Chaves que infestam o youtube, e força-los a comer os próprios teclados;
  • Provar cientificamente que a Guatemala não existe;
  • Unir a comunidade nerd brasileira pra ressucitar a brasnet, o que me renderia (graças a liderança do movimento) o status de ircOP que eu sempre almejei ter;
  • Criar uma personalidade blogueira fictícia e arrumar uma briga falsa contra ela, pra ver que lado vocês tomarão;
  • Reproduzir convincentemente os atentados de onze de setembro usando massinha de modelar e a centenária técnica stop motion;
  • Começar a minha própria religião. Pra maximizar a aceitação e o sucesso do novo dogma, pregarei que o caminho pra salvação envolve trepar premaritalmente sem necessariamente conhecer o nome de sua parceira e ingerir quantidades de álcool equivalentes ao mensal consumo de um Chevette 87 descalibrado;
  • Elaborar um teorema matemático que explique satisfatoriamente como as Spice Girls chegaram à conclusão de que elas ainda são culturalmente relevantes;
  • Prorucar tramatento pra dislexia;
  • Resenhar o show do Three Days Grace (que eu comparecerei em janeiro) ainda em 2008;
  • Pedir desculpas pros meus amigos, a quem eu acusei de terem roubado meu SD card de 1gb na última festa que eu dei aqui em casa, quando na verdade o cartão estava entre as almofadas do sofá;
  • Comprar uma nova guitarra (que eu não usarei pra nada além de tirar fotos e provocar inveja em usuários de fóruns que anseiam por um instrumento musical mas mal podem pagar passagens de ônibus);
  • Convencer o mercado canadense a importar refrigerante de guaraná pro seu território;
  • Passar menos tempo na frente do computador. Se eu puder reduzir de 18 pra 16 horas diárias, me darei por satisfeito;
  • Sequestrar os filhos do CEO da Nintendo e convence-lo a assinar um contrato prometendo produzir uma versão de Command and Conquer pro DS - com suporte online e voice chat;
  • Caso o plano falhe e eu acabe confinado a uma cela de 2 metros quadrados no subsolo de uma prisão canadense de segurança máxima, começar desde já a me acostumar com os controle do Command and Conquer de PS1, emulado no PSP;
  • Comprar Need for Speed Pro Street e ESPANCAR o Kauê na PlayStation Network;
  • Aprender a digitar com os pés, dobrando a minha capacidade de produzir textos pro site;
  • Tentar convencer um sonysta, tendo flamewar como única finalidade, de que o DS é um portátil superior ao PSP;
  • Descobrir a senha do router wifi do trabalho, o que me pouparia de uma conta de 200 dólares de celular por causa de leitura de fóruns durante o expediente quando a rede dos nossos computadores desiste de funcionar;
  • Convencer todas as pessoas que me conhecem que eu tenho na verdade 18 anos, e que estive mentindo sobre minha idade durante todos esse tempo;
  • Provocar o Google de alguma maneira que a única forma de resolver o problema seja bloquear o acesso do orkut por brasileiros, documentar o caos resultante.

Se eu me esforçar em pôr em prática pelo menos metade dessa lista, 2008 será um ano muito mais produtivo.

E você? Quais são as suas ilusões pro ano que vem?


Hahaha mas que legal

Escrito por Kid on Dec 26, 2007

Antes de mais nada - ja ja me pronuncio sobre o concurso do Virtual Console. Alguns problemas tecnicos atrasarao a divulgacao do resultado, mas nao se preocupem. Vou tentar agilizar isso antes do fim de semana.

Em segundo lugar estou postando do trabalho, entao por obsequio enfie a reclamacao da falta de acentos no bumbum.

E finalmente, o motivo deste post:

Deem uma olhada neste blog. Notaram uma LEVE semelhanca?

Fazia tempo que alguem nao criava um blog xerocado inteiramente do HBD. Ate mesmo um desenho que eu fiz no meu palm, ele reproduziu la, alegando a autoria.

Acho que estou voltando a ser relevante.

[ Update ] Olha so o que eu achei.

[ Update 2 ] Bah, ele apagou o blog. E me adicionou no MSN pra se desculpar. Nao se fazem mais plagiadores como antigamente :(

 

A proposito, se voces nao o retalharem, eu agradeco.


Mulheres e suas implicâncias

Escrito por Kid on Dec 23, 2007

Cadê a mulherada que lê essa porra? Temos pelos menos umas cinco, seis meninas lendo essa porra aqui? Eu acho um tanto improvável já que a temática e a execução dos textos que eu posto aqui nesse blog não é exatamente o tipo de coisa que tipicamente interessa meninas. A despeito disso vou fingir que há um grande público feminino lendo esta porra, e que ao menos UMA de vocês poderá me ajudar a entender um dos milhares de aspecto que tornam conviver com vocês tão desgraçadamente complicado.

UMA PRIVADAIsto é uma privada. A privada é a sua amiga. A privada é o que nos impede de excretar em qualquer lugar em que estejamos, tornando-a uma das poucas coisas que nos separam dos animais (entre as outras coisas estão o programa espacial, computadores, a medicina moderna, o sistema de meteorologia, o controle do fogo, a construção de armas de fogo, o mercado da bolsa de valores, videogames e polegares opositores). Se a privada não existisse, você teria que se expôr à indignidade de cagar atrás de arbustos, tal qual índios ianomames cujo estilo de vida foi abordado por uma matéria do Globo Repórter em 1993, ou atrás de latas de lixo, como alguns dos mendigos que habitam o centro da minha cidade.

A privada é uma verdadeira maravilha da tecnologia moderna. Mas por algum motivo que me elude, homens e mulheres não vêem a privada com os mesmos olhos. Homens vêem uma privada como uma forma de aliviar os intestinos ou a bexiga sem precisar correr pra trás de um carro estacionado na frente da mercearia da esquina e rezar para diversas divindades competidoras pra que seu dono não termine suas compras mais cedo do que o planejado. Mulheres, por outro lado, vêem a privada como mais um instrumento a intermédio de qual possam dar continuidade a um de seus hábitos prediletos - a constante encheção de saco.

Seguinte. Como a maioria dos homens machos do sexo masculino, eu tenho em meu DNA uma sequência de genes que é responsável pelo sexto sentido que nos acorda no meio da madrugada com a única intenção de se dirigir ao banheiro e mijar. Por motivos que meu psicológico nunca pôde explicar satisfatoriamente, tal gene permaneceu latente até meus 11 anos, me tornando uma das poucas pessoas no meu círculo de amizades cujo colchão passava mais tempo do lado de fora secando do que em cima da minha cama. Mas isso é assunto pra um outro post.

Então, bate as duas ou três da madrugada e minha bexiga envia o sinal para o meu cérebro, que passa a produzir quantias relativamente altas de adrenocorticotropina. Sem dúvida você deve até ter engasgado ao tentar pronunciar a palavra. Substitua-a por “aquele hormônio que prepara o seu corpo pra acordar”. Eu me levanto, coço a bunda lentamente enquanto movo a língua ao redor da boca apreciando aquele horroroso sabor que inunda suas papilas gustativas naqueles momentos logo após uma longa noite de sono. Vou ao computador, verifico meus emails, leio comentários do blog, posto em 4 ou 5 fóruns e finalmente lembro que estou com vontade de ir ao banheiro. Dirijo-me ao lavatório pra cuidar do meus negócios.

Essa é a parte que vocês precisam prestar atenção, meninas. Como quase todo homem de descendência não-judaica, minha piroca não foi mutilada momentos após meu nascimento. Meus pais podem ter tomado decisões horríveis sobre minha vida quando eu não tinha ainda o poder de fazer minhas próprias escolhas, mas eles optaram que eu não fosse circuncidado, e por isso eu os agradeço imensamente. Pai, eu sei que você está lendo esse artigo - quem tomou a decisão de não me circuncidade, você ou a mamãe? Me fale aí pra eu eu possa dar um bom presente de Natal pra alma caridosa que me poupou desse sofrimento desnecessário.

Então. O problema de ter um prepúcio é que, após passar horas desacordado, a posição em que essa camada de pele cobre a saída da uretra é absolutamente imprevisível. E, apesar de ter uma piroca por 23 anos, eu ainda não me me programei pra me lembrar, momentos antes de liberar o fluxo da urina, que a posição do prepúcio torna o simples ato de dar a mijadinha da madrugada uma grande confusão.

Às vezes seu membro genital “migra” por baixo da cobertura de pele que o protege, às vezes a umidade faz as bordas do prepúcio aderirem uma a outra. Desconheço a razão que provoca o fenômeno, mas o que importa mesmo é o resultado.

Vamos fazer um breve exercício mental pra entender o fenômeno.

Meninas, vocês já brincaram com uma mangueira. Lembra o que acontecia quando você bloqueava o fluxo da água com o polegar? Então, dependendo do diâmetro da abertura que seu dedo permitia, o jato de água se tornava completamente errático e imprevisível, não é?

A mesma coisa acontece com a gente. Eu sou míope, e muito raramente lembro de pôr os óculos antes de ir ao banheiro. Por causa disso, a baixa definição produzia pelas minhas retinas não me permite perceber que a, digamos, “configuração” do meu membro está bagunçada. Minha piroca executou uma operação ilegal e a limpeza do banheiro será finalizada.

O que acontece é que o jato de mijo, assim como o fluxo de água da mangueira do exemplo acima, se torna totalmente imprevisível. Outro dia mesmo por causa desse problema que afeta todos os homens não-circuncidados, eu mijei a cortina da banheira, a parede adjacente, meus pés, a lata de lixo e os rolos de papel higiênico sobressalentes que ficam convenientemente ao lado da pia.

A solução pra esse problema é levantar o assento da privada, permitindo um alvo mais largo e reduzindo as áreas mijadas não-intencionalmente às bordas de cerâmica da privada. E, como o assento da privada só é necessário pra homens em metade das vezes que vamos ao banheiro, ao contrário das meninas que são mortalmente dependentes do dispositivo, nós temos o costume de deixar o assento lavantado após executarmos nossas tarefas.

Aí que entra a parte que eu não entendo. Mulheres odeiam encontrar o assento levantado e isso todos sabemos. O que eu não sabia até morar com a minha patroa é o MOTIVO de tamanho desgosto. Acho que eu demorei a descobrir porque antes esse era o tipo de fato que eu apenas aceitava sem muita indagação, só recentemente fui exigir uma explicação.

Segundo a namorada, deixar o assento da privada levantado oferece um problema não de conveniência, mas de segurança. Eu sempre achei que as meninas tinham apenas preguiça de levantar o assento, ou talvez nojo de ter que manipular um objeto que potencialmente foi ensopado em urina masculina momentos antes (o que é burrice, afinal o assento está levantado justamente para protege-lo disso). O problema, segundo minha mulher, é mais sério.

De acordo com ela - e com outras garotas que interpelei após ouvir a explicação pra conferir sua veracidade - o problema é que as meninas às vezes vão sentar na privada na esperança de encontrar o assento, e  na sua ausência caem de periquita na gélida e potencialmente pútrida água do sanitário.This could be you

Eu fiquei simplesmente estupefato quando ela me apresentou essa explicação. Então quer dizer que a familiar reclamação feminina sobre o assento da privada não é por preguiça, e sim por burrice mesmo? Como é que você levanta da cama, se dirige até o banheiro, e se posiciona pra sentar na privada sem jamais abrir os olhos e notar que o assento está em posição vertical tal qual bandejas de aeroplanos, que devem ser recolhidas para a decolagem e aterrissagem?

Eu perguntei pra namorada se ela vai até o banheiro de olhos fechados, tateando as paredes até achar o caminho. Perguntei se a posse de dois cromossomos X dotou-as de ecolocalização que permite navegação independente da visão, e pressionei o ponto da minha teoria, elaborando que tal ecolocalização as deveria alertar sobre a posição do assento.

E ela, naturalmente, não soube me dar uma explicação convincente.

Meninas, é sério que vocês correm o risco de serem levadas na descarga se a gente esquece o assento levantado? Rola mesmo isso de cair de bunda na água, potencialmente se entalando no vaso sanitário e ter que recorrer à indignidade de berrar por socorro?

Estou aberto a uma explicação alternativa. Deixem algum comentário que elucide essa questão.


Problemas informáticos

Escrito por Kid on Dec 12, 2007

Peraí que dessa vez eu tenho uma boa desculpa a respeito de não ter atualizado o blog nos últimos dias.

Como a maioria dos nerds, meu computador costuma ficar ligado por semanas a fio. Seja pela impaciência de esperar o Windows carregar, ou simplesmente pelo fato de que o período de ócio computacional “adianta” o download dos milhares de terabytes de vídeos que eu baixo diariamente, eu simplesmente não tenho a prática de desligar o computador com frequência.

E como a maioria dos nerds sabe, a longo prazo esse tipo de maus tratos fode um computador. O Windows (eu arriscaria dizer “sistemas operacionais em geral” mas eu não tenho muita experiência com Linux/OSX) simplesmente não foi feito pra rodar por períodos de tempo indefinido; o incessante abre-e-fecha-instala-desinstala-programas vai acrescentando inúmeros processos por baixo do capô do sistema, até que inevitáveis conflitos acabam aparecendo. É batata.

Acontece que minha namorada não sabe disso. E como ela teve a infelicidade de ser a última a usar meu computador antes que eu percebesse a merda, a culpa é automaticamente dela. Ou seja, eu ganho favores sexuais não merecidos como reparação. Vida de casado é foda; sendo solteiro minha única opção seria esmurrar a parede com ódio, quebrar o dry wall que reveste as paredes e perder meu depósito de segurança que cobre prejuízo causado por “acidentes” desse tipo. Sendo “casado”, eu lucro sexualmente com minhas próprias burrices computacionais enquanto mantenho a esperança de receber meus quinhentos dólares de volta caso não haja buracos nas paredes quando eu estiver entregando o apartamento de volta. 

Então. Eu chego do trabalho ontem e noto o funcionamento estranho do Windows com o mesmo tipo desespero paternal do sujeito que percebe que o filho está agindo de forma estranha e trazendo homens aleatórios para seu quarto.  Alguns widgets nativos do sistema não abrem mais (aliás, eles sumiram pra ser mais exato), alguns programas exibiam mensagens de erro de C++ - o sinal claro de que os problemas acumulados com o mau uso do computador invariavelmente fodeu seus aplicativos e requererá formatação -, o MSN se recusava a abrir e limitava minhas opções de pedir ajuda a alguém na internet, algumas funções do clique direito do mouse simplesmente pararam de trabalhar e, possivelmente o mais desesperador, o sistema de recuperação do Vista não responde meus comandos.

Tentei entrar em modo de segurança e rodar o sistema de recuperação, minha única alternativa àquela altura. As desvantagens de não morar com os pais se manifestaram pela primeira vez naquele momento. Apesar de não ser diretamente o ramo de trabalho dele, meu pai tem formação de técnico em informática, o que age como um calmante natural em momentos de stress tecnológico. Nem conto as vezes em que um simples “paiêêêê, olha essa porra do meu PC, tá todo fodido essa merda” seguido de duas horas de um Gears of Warzinho online despreocupado resolveram magicamente qualquer problema que impedisse meu uso normal do computador.

Acontece que eu nem sei quase nada a respeito de onde meu pai mora atualmente (só visitei a casa nova dele uma vez), exceto que é longe pra caralho. E se há uma coisa que eu aprendi durante anos de interação com informática é que, pro usuário avançado, assistência técnica via telefone é equivalente a simplesmente encarar a máquina com defeito por duas horas. As recomendações telefônicas não oferecerem absolutamente nada que alguém com o mínimo bom senso já não teria tentado ao menos quatro vezes. Se você mantém um site na internet e sabe formatar imagens, provavelmente conhece mais sobre computadores que a pessoa do outro lado da linha.

Não que fosse o caso com meu pai, mas eu sabia que qualquer sugestão que fosse simples o bastante pra passar pelo telefone, eu já teria tentado há horas. Talvez seja realmente possível aterrissar um Boing 747 seguindo apenas instruções passadas pela torre de controle, mas trazer um Windows de volta a vida requer que a pessoa te ajudando esteja fisicamente manipulando o computador.

A despeito disso, liguei pro meu pai exasperadíssimo. Conforme o previsto, ele me deu as soluções “ponta da língua” pra problemas dessa natureza, incluindo formatar o PC caso o defeito fosse irreversível (e era). Pro meu azar, eu não tenho nenhum CD do Windows comigo; meu pai é que sempre manteve essas ferramentas de conserto computadorístico. Aí lembrei do sistema de recuperação do Vista, uma dádiva divina pra nós geeks iconoclastas: o tipo que manja de tudo e mais um pouco sobre as artes nérdicas, mas que por um motivo ou por outro, não manjam o suficiente pra resolver certos problemas com suas máquinas. No meu caso, o pai técnico em informática me deixou mal acostumado e mal preparado.

Mas beleza. Basta rodar o sistema de recuperação pelo modo de segurança e tudo se resolve, né?

Não. Nem via modo de segurança a coisa funcionava. Ao rebootar o PC, eu era surpreendido com essa mensagem de erro, que por algum motivo eu fotografei ao invés de print-screenzar:

Ou seja, se meu sexto sentido nerd não falha, os problemas que eu enfrentei em geral e isso aí em particular eram obra de algum vírus muito filho da puta que intencionalmente mirou no sistema de recuperação do Windows. O volume-imagem que o Windows prepara pra recuperar seu computador de volta a um estado anterior de ordem havia sido fodido no rabo sem lubrificante por algum vírus misterioso. Alguém ainda pega vírus atualmente? Vírus de computador é tão 1998, pelo amor de deus.

Só me sobrava uma opção - usar uma função do computador pra reverte-lo ao estado inicial em que ele se encontrava quando eu o liguei pela primeira vez. O que implicava em efetivamente formatar meu computador. Sem paciência nenhuma pra fazer backups, nem pensei duas vezes. Meti o dedo na parada e aqui estamos nós - PC lisinho, sem conteúdo algum e notavelmente mais rápido. Até quando, eu não sei.

Com exceção dos vídeos que eu passei pro Archos, tudo foi embora - incluindo imagens pra um certo post, e o rascunho do mesmo (e outros) que eu mantinha num arquivinho blog.txt no desktop. Apesar disso, eu não exatamente me arrependo de ter formatado. Aliás, acho que ninguém nunca se arrepende de formatar o computador. É chato perder volumes e volumes de pornografia cuidadosamente catalogada, mas por outro lado se você é como eu, em poucos meses seu computador adquire as formas de uma bagunça tão espessa que se torna impossível achar o que você procura nele. Voltar tudo ao zero é um bom recomeço.

Agora, eu devo ser uma anta mesmo. Eu devia ter percebido que aquele vídeos_da_tiazinha.EXE era muito pequeno pra comportar os melhores momentos do auge da sua carreira, conforme anunciado pelo email anônimo que eu recebi. Vivendo e aprendendo - se os arquivos executáveis que eu receber de estranhos de agora em diante não forem fisicamente grandes o bastante pra conter o tipo de vídeo que o email promete, não os abrirei mais.


Pilantragem aprovada por lei

Escrito por Kid on Nov 24, 2007

Frequentando um dos milhares de fóruns que eu leio diariamente por falta de algo melhor pra fazer nas 8 horas que eu passo em casa todo dia, eu tomo conhecimento de mais uma dessas histórias insólitas internéticas que realçam mais uma vez que a raça brasileira é um povinho desprezível.

Recentemente a ShopTime anunciou um PC até bem decente (Intel Duo Core, monitor LCD 19″ 1gb ram, 320 hd) pela bagatela de 800 reais. Agora, até eu que estou por fora das tabelas de preços brasileiros há quatro anos sei que esse preço é obviamente um equívoco do sistema, ou de um estagiário, ou de ambos. Um PC com as specs anunciadas pelo site custaria brincando duas ou três vezes o valor anunciado. Qualquer pessoa poderia identificar o preço imediatamente como um erro.

Independente disso (ou talvez por causa disso mesmo), o link da oferta se espalhou por fóruns como fogo em palha seca. E é bastante claro que todo mundo estava ciente de que o preço era senão um erro do site.

O consenso geral nas postagens dos compradores era “hahaha, compra rápido aí, compra bastante, porque se eles consertarem o erro a gente processa eles!!“.

E não deu outra - a ShopTime cancelou as vendas, informou os compradores e, ao mesmo tempo que pediu desculpas, ofereceu a oportunidade de devolver o dinheiro a todos.

O que era EXATAMENTE o que a cambadinha de oportunistas estava esperando. Nesse tópico eu confrontei o tal TommyAngelo e deixei claro que achei que o que ele tava fazendo é quase indistinguível de estelionato, e que ele mostrou com todas as cores que estava agindo como oportunista.

É claro que pilantrinhas de meia tigela como esse costumam ter algum conhecimento legal, e ele foi rápido em me servir com o Artigo 35 do Código do Consumidor:

Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre escolha: I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação ou publicidade; II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente; III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos.

Aí que tá o problema. O artigo 35 serve pra impedir que um estabelecimento se recuse a honrar uma venda por má fé, e não se a venda aconteceu graças a um erro. Não preciso mencionar que se o valor do PC fosse anunciado de acordo com o que ele realmente vale, não teríamos moleque anunciando orgulhosamente que convenceram amigos a comprar dois deles.

Em outras palavras, o Código do Consumidor serve pra proteger o consumidor da má fé de um comerciante. Mas e quando o inverso é o problema? O que acontece quando é o consumidor que se aproveitou de um óbvio erro pra agir de má fé com a empresa?

Aparentemente nada, porque pra lei má fé é aparentemente indistinguível. O que me deixa mais puto é um moleque que, a despeito de no mesmo tópico deixar claríssimo que 1) o preço era um engano e 2) estava comprando simplesmente porque sabe que poderá se aproveitar do erro pra forçar a empresa a vender o computador por preço imoralmente mais baixo, tem a PACHORRA de dar discursinho cara de pau sobre má fé.

Não a má fé dele, obviamente, mas a suposta má fé da loja. Acredite ou não, há quem defenda lá a teoria de que a ShopTime colocou o preço errado DE PROPÓSITO pra incentivar vendas e em seguida mudar o preço, pegando todo mundo de surpresa. E aí tá tudo lá, uma cambada de nerd safado berrando sobre direito de consumidor e justiça quando no final das contas, tudo o que aconteceu é que eles se aproveitaram de um erro da loja e se apoiaram numa lei mal formulada pra lesar a ShopTime.

Eu acho isso engraçado porque é absolutamente idêntico à atitude de, digamos, um parlamentar corrupto que vota a favor do aumento do próprio salário - nego da mesma laia se aproveitando de uma brecha jurídica pra ganhar uma vantagem desnecessária. Perfeitamente legal, mas é ético?

E o pior é que o nível de ódio nutrido contra a empresa nos diversos tópicos em milhares de fóruns falando sobre o assunto faz você pensar que ao invés de um simples erro de cifras o presidente da ShopTime foi pessoalmente na casa de cada um deles e cagou dentro dos aquários dos caras. Veja a coisa com imparcialidade - a loja cometeu um erro, pediu desculpas e devolveu o dinheiro de cada um dos consumidores, mas eles ainda assim continuam berrando imbecilidades sobre “propaganda enganosa” e “direito do consumidor”. Em questões jurídicas mais do que em qualquer outra, todos deveriam ter em mente que não se deve confundir engano com malícia. Isso é uma questão óbvia de ética, mas quem liga pra ética quando você pode apelar pra uma lei unilateral pra ganho próprio, não é mesmo?

Vocês me dão NOJO.


Ê vidinha

Escrito por Kid on Nov 24, 2007

São nove e meia da noite de uma sexta feira feira, estou comendo Doritos com Sprite na frente do computador enquanto assisto My Name is Earl. E apesar de ter uma festa de aniversário pra comparecer, estou preferindo ficar na frente do PC comendo porcaria e assistindo sitcom americana.

Acho que é porque a vida de trabalho constante me faz valorizar bastante o tempo livre ocioso. Até a hora de comparecer a uma festa faz a coisa parecer uma obrigação ao invés de lazer.

Dia de folga amanhã, ou seja, post novo de verdade.


Problema no CSS, pra variar

Escrito por Kid on Nov 16, 2007

Os mais atentos devem ter notado uns probleminhas estranhos na quebra de linha do blog. Por algum motivo que eu imagino ser culpa do CSS da página, algumas vezes a linha não quebra como deveria, tornando os espaços entre os parágrafos menores do que deveriam ser. Por isso alguns parágrafos estão começando na mesma linha que a frase anterior, como pode ser observado nos textos mais recentes.

Alguém sabe que diabos é isso?


Video Games Live!

Escrito por Kid on Nov 13, 2007

Após anos morrendo de inveja dos infelizes que tiveram a oportunidade de assistir o Video Games Live, eu finalmente tive a minha vez.

Caso você não seja um nerd de verdade, Video Games Live é um concerto musical em que uma orquestra filarmônica reproduz músicas icônicas que eu e você e alguns outros cresceram ouvindo. A idéia é uma realização do Jack Hall e do Tommy Tallarico, ambos grandes nomes na indústria de produção musical pra games. Esse último a propósito é velho conhecido meu, já que ele apresenta o Reviews on the Run, um programa televisivo produzido no Canadá que resenha jogos.

A namorada, sabendo que eu tinha vontade de assistir o show há muito tempo, me deu ingressos de presente de aniversário. E no sábado fomos lá pro teatro local assistir a parada. Como não podia deixar de ser, aderecei-me com minha característica fivela de controle de NES, especialmente polida pra ocasião.


Sim, eu compreendo perfeitamente que você provavelmente me aloprará por isso. Se você me aloprar por andar com ela pela rua em qualquer outro dia, isso é. Na VGL é quase OBRIGATÓRIO vestir algum item que o identifique como membro da sagrada irmandade dos nerds. Recebi diversos elogios e ofertas de dinheiro vivo pelo cinto no trem indo pro teatro, certamente de outros nerds também se locomovendo em direção ao VGL.

Esse era o teatro. Não há mais muito que eu posso falar.

Já dentro do lugar fomos recepcionados pela maior concentração de nerds por metro quadrado que eu já presenciei em toda a minha vida, o que explicaria o horroroso fedor de suvaqueira e virgindade que nos recepcionou como um tapa na cara assim que cruzei o umbral da porta. Havia telas de cristal líquido com jogos em display em todo canto; pra onde eu olhava dava de cara com moleques usando camisetas de Final Fantasy VII ou jogando DS ou PSP enquanto conversavam sobre os últimos lançamentos do Xbox 360. Era sensacional e deprimente ao mesmo tempo, depende do seu estado de espírito.Aliás, falando em deprimente, saca essa imagem aí em cima? Deixa eu CSI-izar um detalhe que você não deve ter percebido nela.

Eu sei que a foto tá bem borrada e desfocada, mas a culpa não é realmente minha. Segundo a física, objetos de grande massa tendem a curvar o espaço em volta deles, de forma que até mesmo a luz é distorcida ao se aproximar. Eu duvido que esse sujeito tenha conseguido tirar uma foto de si mesmo uma vez que seu peso ultrapassou a casa dos dois dígitos de toneladas.Esse cara era a personificação da sentença “gordo seboso”. No alto da bancada, ele olhava pro público abaixo com um semblante de total desgosto, como se ter que sair do porão da sua casa e estar cercado de outros seres humanos pela primeira vez em 3 anos desde o lançamento de World of Warcraft fosse um preço alto demais pra pagar pelo privilégio de assistir a apresentação da noite. Se não fosse a sua própria gravidade que atrai pra perto dele pequenos carros e qualquer indivíduo nas proximidades, eu arriscaria o palpite que esse ser jamais esteve perto de alguém do sexo oposto.

Após perambular pelo saguão conferindo os inevitáveis cosplays que sempre aparecem nesse tipo de eventos, a voz no alto falante do teatro nos informou que o show começaria em alguns instantes. Nos dirigimos aos nossos assentos, que graças à generosidade da namorada eram na primeira fileira, e aguardamos.


Literalmente dúzias de cartazes informando que o uso de dispositivos de gravação eram proibidos, então resolvi não arriscar o confisco da minha câmera e tirei quase todas as fotos stealthmente, com o celular. Por isso peço desculpas pela baixa resolução.Após alguns momentos de suspense as luzes se apagaram e Tommy Tallarico apareceu no palco, fez aquela apresentação clichê “vocês estão animados?!”, “sim”, “NÃO OUVI NADA, VOCÊS ESTÃO ANIMADOS SEUS CORNOS?”, “SIIIIIIIIIIM PORRAAAAA” e o show começou.

O show começou com um vídeo super engraçado de um maluco fantasiado de Miss Pacman fugindo dos fantasminhas do jogo. Quando o vídeo terminou, a orquestra se preparou pra primeira peça. Era o Arcade Medley, uma compilação de várias músicas-temas de joguinhos antigos de arcade.Nem preciso dizer que a produção da apresentação era de impressionar os ouvidos, e que a reação do público devia dar orgulho ao Tallarico. Aliás, após a primeira música, o Tommy apareceu no palco pra dizer que notou que muita gente não sabia se podia berrar e assobiar no fim de cada peça porque afinal é uma orquestra, e é um teatro, há modos e coisa e tal. Ele explicou que pro contexto do VGL, quanto mais barulho durante a celebração de encerramento de casa música, melhor. E com isso ele recebeu o primeiro aplauso em pé (standing ovation = aplauso em pé?) da noite.

Tommy pediu pra todo mundo ligar seus celulares, PSPs, DSs tal qual isqueiros em um show dos Scorpions. E aproveitou pra dar uma de flamer, comentando que a turma dos PSPs “estava esperando o console carregar”.
A orquestra tocou músicas de Metal Gear Solid (momento em que um sujeito fantasiado de Soldado Genérico de MGS #1 apareceu no palco, sendo seguido por uma caixa de papelão com pernas, levando a platéia ao delírio), Final Fantasy, Sonic - minha apresentação favoritíssima, de longe -, Mario, Civilization, Halo e outros. Aliás, tanto a música quanto o vídeo de Civilization foram muitíssimo legais. Subiu ao palco a irmã daquele famoso pianista vendado que toca o tema de Mario (tanto o moleque quanto a irmã fazem turnês com o Tallarico e o VGL) pra fazer o que ela faz melhor - tocar piano movendo os dedos em velocidade estonteante que, se eu não estivesse vendo ao vivo, deixaria um comentário na respectiva página do youtube dizendo “FAKE”.Novamente, VGL me ensinou por que o termo “nerd” carrega tamanho estigma social. O sujeito que sentou do meu lado, que aparentava ter uns 25 anos nas costas, passou o concerto INTEIRO sentado com os pés na cadeira, apoiando um DS preto nos joelhos, jogando Yu Gi Oh. Quando eu digo que ele passou o concerto inteiro, eu não estou exagerando. Se o cara levantou a cabeça pra assistir a apresentação duas vezes foi muito. Eu até entendo que criticar alguém por jogar DS num show de música de videogame parece um tanto contraditório, mas porra, precisava você pagar extra por um assento na primeira fileira se você não vai assistir a porra do show?


Vídeo de celular. Dá um desconto, ao menos foi na primeira fileira, né. Reparem que eu recebi um comentário de alguém que pode ter sido o nerd narrado acima.O show durou 2 horas, e cada segundo dele foi sensacional. Saí de lá com vontade de ir de novo quando eles voltarem no ano que vem, ou que eles ao menos lançassem um DVD com o show.

Master Chief e um espartano outro qualquer no palco.
Eu queria escrever um texto mais elaborado sobre a parada, mas com trinta minutos faltando pra eu precisar me arrumar e ir pro trabalho, vou ter que ficar por aqui mesmo. Antes um post incompleto que quebrar minha promessa de um post por dia.

(Que eu vou acabar quebrando eventualmente mesmo, mas que agora serve como uma conveniente desculpa pra eu terminar o post mais cedo e me arrumar pro trabalho)


Vida adulta

Escrito por Kid on Nov 10, 2007

Seguinte. Como não sei o valor exato, vou chutar uma cifra qualquer - eu imagino que menos de 30% de vocês lendo essa página neste exato momento conhecem o tipo de liberdade e responsabilidade que significa morar sozinho.

Cheguei perto? Bom, tenho certeza que alguém vai me corrigir nos comentários. Me digam, quantos de vocês moram longe dos pais? Eu sempre fantasiei que o público-alvo desse blog é aquela turminha entre 18 e 23 anos, muito provavelmente adeptos das artes nérdicas, talvez fazendo alguma faculdade que você provavelmente não concluirá e, chegando no ponto relevante desse texto, ainda morando às custas dos pais.

Então, eu há muito pouco tempo me libertei das correntes paternas e montei meu próprio apartamentinho. E todo dia eu percebo que morar sozinho é simultaneamente uma das coisas mais divertidas que fiz nessa vida, e a mais assustadora - um patamar antes ocupado apenas por atividades como me aventurar em montanhas russas de parques de diversões de procedência duvidosa, e trepar sem camisinha com garotas cujo nome você aprendeu há poucos minutos.

E graças a esses meses morando longe das asas de papai e mamãe, adquiri um monte de conhecimento que eu gostaria de passar pra vocês, porque afinal de contas um dia você também deixará de ser um vagabundo sem rumo, arrumará uma namorada fixa, e quem sabe dividirá um cafofo com a menina. E quando esse dia fatídico da súbita adultice chegar, você vai poder dizer “não é que aquele FILHO DA PUTA do Quide estava, como sempre, certo?

Sem mais enrolação, eis as coisas que aprendi nesses últimos meses:

- Você já percebeu que sua mãe (geralmente é a mãe) tem algum tipo de radar apuradíssimo que a permite localizar objetos aleatórios espalhados pela casa, ainda que tais objetos sejam de importância nula pra ela? Canivete suíço, cadarços, Livro de D&D, aquela sua revista Superinteressante Número 1 com o trem bala na capa - não importa a obscuridade do item, ao menor sinal da sua exasperação por não conseguir encontrar suas tralhas, sua mãe aparece com o salvador “acho que está atrás da porta da sala”, “tá em cima da geladeira”, “você deixou na sala”. E nove em cada dez casos, sua mãe está correta, e você realmente deixou sua edição de colecionador de Jurassic Park embaixo da mesa da cozinha. Nem mesmo um GPS militar seria tão preciso quanto sua véia, e olha que satélites militares de GPS envolvem coisas extremamente científicas como computadores, cabos de rede e cientistas espaciais. Assim como eu, você deve ter várias vezes se maravilhado com a capacidade da sua mãe de localizar objetos perdidos. Se houvesse uma categoria de encontrar objetos perdidos no Show de Calouro com Sílvio Santos®, até mesmo o finado Pedro de Lara não poderia presentear sua mãe com qualquer outra nota a não ser a máxima, que se não me engano eram 500 cruzeiros novos.

E se eu te disser que esse talento será herdado por você no momento que você se tornar responsável por organizar uma casa? Poisé. Eu observei nas últimas semanas que eu me tornei minha mãe, por assim dizer - volta e meia a namorada ou o irmão perderam as chaves ou um isqueiro ou o vibrador ou sei lá o que diabo, e como por algum tipo de mágica ou poder mutante, eu sou capaz de prontamente identificar o esconderijo de seus itens perdidos. Assim que você resolve arrumar algumas coisas aqui e ali, seu inconsciente aparentemente documenta a posição geográfica de uma miríade de pequenos objetos ao redor da casa, e o mínimo som de “puta que pariu, onde DEMÔNIOS eu coloquei aquele cartão de visitas da Cleydiane?” age como um verdadeiro Ctrl + F na sua cachola, e antes mesmo que você perceba a imagem do objeto perdido se materializa na sua mente, e você identifica o ambiente onde o troço se perdeu com precisão. É assustador quase. Aliás, você pode ter posse dessa utilíssima habilidade, bastaria apenas deixar de ser tão vagabundo e organizar suas coisas de vez em quando. É uma pena que ninguém jamais me deu essa dica antes, ou eu teria uns 50% mais de coisas em minha posse. R.I.P. action figure do R2-D2 que eu ganhei no Natal de 1999 :(

- Filmes pornôs têm som. Aliás, essa semana eu ouvi pela primeira vez a voz da Sylvia Saint e da Jenna Haze, apesar de ambas serem amigas minhas de longuíssima data.

Eu sei, eu estou tão surpreso quanto você. Dividir paredes com os pais significa que você se adapta pra adquirir habilidades ninjas de obscurecer qualquer tipo de atividade imprópria, mas esse poder vem com um drawback - filmes pornôs, por exemplo, podem ser apreciados à vontade contanto que as caixas de som estejam em volume mínimo ou de preferência desligadas. Pra quê arriscar, não é mesmo?

E aos que ousem dizer “fone de ouvido existe pra quê, mané?”, eu tenho apenas uma mensagem pra vocês: não encoragem essa prática. Vocês estão brincando COM FOGO, confiem em mim. Você um dia vai esquecer de trancar aquela porta. E quando você perceber aquela sombra sobre o seu monitor, será tarde demais. E deus queira que você não tirou justamente aquele dia pra assistir alguma dessas bizarrices internéticas simplesmente abismais, tipo 2 girls 1 cup. A propósito, não googleiem esse termo. Apenas confiem em mim. Eu sei que você está curiosíssimo, mas apenas confie em mim. Você me agradecerá um dia.

- Ao contrário do que você cresceu aprendendo, louça não se lava sozinha. Eu sei, eu sei, isso é uma afirmação que vai contra todas suas observações empíricas a respeito da natureza da louça suja. Você põe uma porrada de pratos na pia, vai dormir e na manhã seguinte os pratos estão de volta nas prateleiras, impecavelmente limpos. Ora, eu sinto muito em ter que te explicar a realidade, mas assim como o Papai Noel, o Homem da Michelin, Jesus Cristo e outros personagens fictícios, a Fada da Louça Suja não existe. Ela é senão sua mãe, que por ter vivido a última década limpando sua bagunça quando você dá as costas, imprimiu em você a ilusão de que há forças misteriosas trabalhando impedindo que sua casa atinja massa crítica e imploda sobre si mesma sob o peso da bagunça. E você sabe que eu estou certo, afinal de contas, qualquer pessoa que consiga enfiar SOBRE e SOB na mesma frase e usar os termos corretamentes tem que estar certa.

É um triste dia aquele em que você deixa uma montanha de pratos sujos na pia, vai dormir sonhando com os Ursinhos Carinhosos, e acorda na mãe seguinte dando de cara com a mesma montanha de pratos sujos, tão sujos quando na noite anterior senão levemente mais sujos. Ao contrário de tudo que você sempre acreditou, pratos não se limpam sozinhos. Bem vindo à vida adulta.

Aliás, eu poderia elaborar a partir daí que a vida adulta é 33% trabalhar, 33% pagar contas e 33% lavar pratos sujos. No 1% que resta você se locomove da casa pro trabalho, ou paga as contas do cartão de crédito que envolve detergente líquido pra louça. Não há como escapar.

- Festas são super divertidas quando acontecem numa casa em que você não custeou os objetos que a decoram. Essa é máxima se torna cada vez mais real a cada fim de semana. Quando você vai pra uma festa na casa de um coleguinha, sua única preocupação é surrupiar cana dos amigos sem que eles percebam, ou convencer aquela amiga de trabalho do Roberval a dar “uma voltinha lá fora pra pegar um ar”, o momento crucial em que você tentará plantar a semente do romance que, com alguma sorte, se tornará na bela flor chamada “trepar no quintal atrás do pé de manga”.

Festa na sua residência, no entanto, é outra história completamente diferente. Foi-se o clima descontraído e o ambiente de camaradagem que antigamente era sinônimo de celebrações com amigos. Cada indivíduo presente na sua casa se torna seu inimigo em potencial, um criminoso esperando uma deixa pra embolsar algum item cuja falta só será notada semana que vem, ou um viado desleixado que se for deixado à própria sorte derrubará sua TV ou vomitará no seu sofá. Na última festa lá em casa eu não podia perder ninguém de vista por um segundo ou já estaria me perguntando o que roubaram da sala ou quem está trepando no meu quarto. E a doce ironia é que eu achava que, por não me sujeitar mais às permissões paternas, meu apartamento seria localidade de festas constantes, e fiz tal promessa pra galera. Matematicamente isso significa que eu me fodi.

E o pior é o resultado da festa. A beleza de uma festa na casa dos outros é que você não tem que enfrentar a realidade da manhã seguinte - e eu vou te dizer, nenhuma lâmpada fluorescente revela manchas de vômito no tapete ou arranhões no couro do sofá como luz diurna. Recolher tampas de garrafa, acordar um ou outro vagabundo que decidiram dormir na sua casa sem informação prévia, ligar pros vizinhos pra se desculpar pelo barulho da noite anterior, juntar os cacos de alguns copos quebrados, procurar band aid e um posto de vacinação contra tétano após descobrir um caco de vidro de quatro centímetros escondido no carpete… a situação é tão caótica e sem esperança que nem mesmo o Robocop poderia dar jeito na coisa. E isso significa muito porque há alguns anos eu achava que literalmente qualquer problema nesse universo poderia ser solucionado com a adição do Robocop. A inflação está destruindo a economia do país, sua namorada engravidou, Carla Perez/Peres ameaçou lançar mais um CD? Deixe Alex Murphy tomar conta da situação e o problema estará sob controle em questão de segundos.

- Contas, contas, contas, contas. Quando moleque eu me perguntava porque meu pai era tão mal humorado em momentos que certamente exigiriam de qualquer participante ao menos um sorrisinho de canto de boca, e primeiro de cada mês eu penso “ahhhh, era por isso”. Conta de cartão de crédito, conta de telefone, conta de luz, conta do OUTRO cartão de crédito, aluguel… Como já expliquei, pagar contas é praticamente o indicativo de que você é dono do próprio nariz, uma espécie de teste de litmus de adultice. Pergunte-se a você mesmo - “eu gasto metade do meu salário mensal pagando contas?”. Caso a resposta seja negativa (ou se você nem tem um salário mensal), vá trocar suas fraldas que você ainda tem muito feijão pra comer. O fato de que eu ACABEI de me tornar o mantenedor de uma residência não remove a envergadura moral com a qual eu te alopro, obviamente.

- O que me trás a outra realização que desmanchou uma antiga noção infantil. Não conto as vezes que, passeando pelos corredores da Mesbla, eu pedi aos meus pais esse ou aquele brinquedinho, apenas pra receber um “não temos dinheiro, filho” como resposta. Mas o fato de que eu acabei de ver os dois comprando carne, arroz, farinha e açúcar obviamente indica o contrário, não é? Bom, não é bem assim.

Nós adultos temos duas categorias de dinheiro - o dinheiro que designamos a pagar contas/comida/aluguel/coisas importantes gerais, e o resto que é direcionado a variadas facetas de entretenimento. Quando seu pai diz que não tem dinheiro pra te dar mas vai e tem a PETULÂNCIA de pagar o aluguel bem na sua frente, isso significa na verdade que ele TEM dinheiro, mas que manter um teto em cima da família é um pouco mais importante que mais memória RAM pro seu computador. Eu demorei um pouco pra aprender essa lição aparentemente simples, mas eu era uma criança excepcionalmente burra. Não posso te dar muito crédito então taí mais esse conselho. Aliás, isso não é exatamente um conselho, mas eu acabei de usar a palavra “lição” na frase passada e minha professora de redação sempre me dizia que eu deveria evitar repetição de termos evitar repetição de termos evitar.

Com exceção de todos esses detalhes, viver sozinho pode ser divertido. Você pode assistir filmes pornôs com som, e se isso não é algo pelo qual você esperou a vida inteira, eu não sei mais o que dizer.


Ajuda com CSS, alguém?

Escrito por Kid on Nov 6, 2007

Lembra que eu comentei pra ignorar o layout pelos próximos dias? Então, ainda tá valendo. O visual do HBD está por enquanto em fase de experimentação. Tenham só um pouquinho de paciência, vai!

Então, tou com um problema que eu desconfio ser algum bug no CSS desse layout.

O problema é que eu não consigo orientar imagens da forma simples como fazia via HTML no outro HBD. Tentar usar a tag center numa imagem não a centraliza - ela fica do lado esquerdo, e o texto que deveria ir embaixo fica do lado esquerdo.

O que deve ter de nerd ninja lendo esse blog não é brincadeira. Alguém pode me dar uma luz nesse probleminha aí?

Olha um exemplo do problema: 

Esta linha deveria estar diretamente abaixo da imagem. No modo de edição visual do post a coisa fica direitinha, mas quando publica esmerdalha tudo.

Sacaram o problema? Eu entendo que deve ser uma ferramenta que ajuda a orientar imagens no texto pra ficar bem jornal-style, a imagem beirando o texto nas colunas e tudo, mas aqui essa “função” restringe o estilo em que eu posto algumas imagens e tal. Por causa disso eu não posso jamais postar uma imagem muito grande ou a coluna de texto que é sugada pra direita da imagem terá largura de 5 letras.

Como resolver essa desgraça?

Resolvido. Brigado, kmax!


Experiências

Escrito por Kid on Nov 5, 2007

Ignorem todos os layouts que aparecerem aqui nos próximos dois ou três dias. São todos experimentais. Fechado?


Vida adulta

Escrito por Kid on Oct 16, 2007

Continuando a série “meu deus, Kid cresceu”, hoje reporto feliz que recebi meu primeiríssimo cartão de crédito, uma semana após ter aplicado pro crédito. A primeira vez que tentei pegar um cartão de crédito eu fui negado, mas de lá pra cá meu salário aumentou vertiginosamente e dessa vez os deuses do dinheiro de plástico aceitaram minhas súplicas e enviaram um Master Card novinho aqui em casa.

E podem se acalmar que eu não sair por aí gastando alopradamente como 98% dos moleques novos que se vêem portadores do seu próprio cartão de crédito pela primeira vez fazem. A única coisa que planejo jogar nessa porra é meu sofá novo, que provavelmente me custará exorbitantes 1000 dólares (nem sei quanto um sofá custa no Brasil então de repente nem é tão caro assim), e ainda assim vou dar uns 300 dólares de entrada pra que minha conta no final do mês seja na casa dos três dígitos e eu não destrua meu cartão de puro medo.

O problema é que o DVD especial de Transformers, completo com livrinho, disco duplo, bonequinho e outros badulaques, chegou hoje na Best Buy. Recebo meu primeiro cartão de crédito no mesmo dia que um dos filmes mais esperados da minha infância chega nas lojas. Coincidência?

Alternativamente - Call of Duty 4 sai no dia do meu aniversário, e agora eu tenho um cartão de crédito. Coincidência?

Eu acho que não.


Novo emprego

Escrito por Kid on Oct 14, 2007

Olá meus queridos vagabundos! Por favor perdoem minha ausência. Como alguns de vocês devem estar sabendo, finalmente criei vergonha na cara e sai da casa dos meus pais. Estou a duas semanas, ou talvez um pouco mais, nem lembro, morando por conta própria com a namorada. A casa ainda tá meio vazia, porque estou economizando a grana pra comprar sofá, TV nova, etecétera e tal. Eu poderia comprar agora mas não quero fazer como na primeira semana aqui, quando eu tive que pagar o aluguel, contas e fazer compras e acabei tendo que passar o resto da semana com cem dólares no bolso. Melhor aguentar um tempinho dormindo com o colchão no chão e uma TV nojenta 32″ tubão do que comprar tudo logo de cara e ter que contar os centavinhos pra almoçar no trabalho todo dia.

Falando em trabalho, acho que nem mencionei que fui promovido. Recebi um aumento muitíssimo bem vindo e agora sou um dos controladores da sala de vigilância, ou seja, eu passo oito horas vendo câmeras de vídeo e jogando Commandos no laptop, pausando o jogo aqui e ali quando bate um peso na consciência e resolvo dar uma olhadinha nos monitores pra ter certeza que nenhum terrorista está instalando bombas nas paredes do prédio. A propósito, essa nova posição de voyeur profissional me permite flagrar momentos sensacionais que de outra maneira estariam pra sempre perdidos no gigantesco banco de dados do tribunal. Como este, por exemplo:


Mas eu não passo o tempo inteiro lá jogando Settlers ou Commandos, não. Ontem por exemplo eu assisti Live Free or Die Hard*, cortesia do outro moleque que trabalha comigo. Ele é um entusiasta de torrent e tem todos os filmes DO MUNDO no notebook dele, incluindo mas não limitado à obra de arte do Sr. Willis.Passei os últimos dias roubando internet do vizinho, mas o sinal wifi diluído por várias paredes torna a experiência online deprimente, e essa é a minha desculpa por não ter atualizado o blog esses dias. Depois de lutar contra o meu novo router e finalmente estabelecer a conexão internética daqui de casa, terei mais paciência pra continuar as atividades bloguísticas.

*Tudo enquanto mantinha a câmera N-804 firmemente fixada na prostituta que fazia ponto três quarteirões abaixo, trajando uma indumentária que não deve ter requerido de sua costureira muito mais que 10 centímetros quadrados de lycra pra fazer. Sim, o zoom das câmeras é realmente foda, e todos os seguranças do tribunal agradecem a deus por isso.