Oi amigos! Tudo bom?
Então, como suas senhorias já sabem, há algumas semanas minha loja foi assaltada e meu netbookzim, surrupiado por sujeitos mal encarados. Uma tristeza, mas o laptop já era velhinho e eu pensava em fazer um upgrade de qualquer forma.
Antes que você me pergunte: não, não considerei o iPad, por dois motivos – preciso do netbook pra faculdade, e digitar trabalhos escolares num teclado virtual exigiria paciência em níveis míticos possuídos apenas pelo herói bíblico Jó.
E o segundo motivo é o título desde texto: os preciosos abandonwares.
Meu pai tinha um IBM XT idêntico a esse aí
Como expliquei em outras ocasiões, meu pai trabalhou com computadores durante toda a minha infância – ainda trabalha, na verdade – e por isso entrei em contato com joguinhos eletrônicos bem cedo. Como resultado, tenho muitas doces memórias daqueles clássicos joguinhos da antiguidade.
Como muitos vocês, sem dúvida. Em verdade em verdade vos digo, esta era minha pastinha de jogos no netbook roubado:
Clique para ver grandão
Como você pode ver, aquele netbook tinha essencialmente valor sentimental – ele era uma espécie de arcade portátil de velharias clássicas. Tudo instaladinho bonito, com os devidos patches e fixes e macumbas necessárias pra que rodem em hardware e sistemas operacionais atuais.
ISSO, acima de tudo, era o que me aborrecia sobre o roubo. Nem me chateei tanto em relação ao valor do netbook, já que era velhinho e que eu suspeitava que meu patrão me presentearia com um laptop novo.
E de fato isso aconteceu. No dia seguinte o chefe me ligou pra dizer que sentia muito pelo incidente, que estava feliz que eu estava bem e tudo mais, e em seguida começou a fazer perguntas sobre o computador roubado. Que marca era, quanto havia custado, essas coisas.
De posse das informações ele falou “ahhhh… tá certo, tava só curioso mesmo, abraço!” e desligou. No dia seguinte minha gerente me aparece com um netbook novinho debaixo do braço.

Então. De posse do novo computador (tem um quê de MacBook esse troço – teclado chiclet, trackpad multitouch, tela de vidro glossy – ou tou viajando fortemente?), bastava reconstruir minha idolatrada coleção de velharias gamísticas.
Dei início ao Projeto Abandonware.
Primeiro, cacei os instaladores que eu já tinha espalhados pelos meus quatro HDs – mas não eram muitos. Por causa da conexão ultra rápida, adquiri o mal hábito de rodar arquivos direto do browser ao invés de salva-los. Ou seja, no caso de uma formatação ou coisa parecida, sempre tenho que caçar os instaladores tudo de novo.
Depois, fui aos sites de distribuição digital comprar os jogos que eu não tinha. Na verdade jogos que eu já tinha, mas queria comprar de forma legítima. No GOG.com catei Settlers 2 e Commandos (com o excelente pacote de expansão), e no Steam comprei Aliens vs Predator e Commandos 2.
E era isso. Muitos dos meus joguinhos favoritos infelizmente não são vendidos em lugar algum (Blizzard, tá regulando Warcraft 2 POR QUE?!?!), e tive que apelar à informalidade dos sites de abandonware. Não posso dizer que me sinto culpado de verdade, porque afinal de contas eu já havia comprado muitos desses jogos no passado, e sem dúvida compraria de novo se tivesse uma forma como.
Alguém no tuíter me recomendou o absolutamente excelente GamesWin.com.br, que tem TUDO QUANDO É JOGO QUE VOCÊ POSSA IMAGINAR. Sério, o acervo dos caras é algo de embasbacar. Tenho vontade de salvar o site inteiro num HD portátil e colocar num cofre, pra posteridade.
Catei uma cacetada de joguinhos no site, títulos que se encaixam perfeitamente no sentido do termo “abandonware” – eles foram literalmente abandonados pelos fabricantes, muitos deles que sequer existem mais.
Finalmente, saí caçando jogos clássicos que se tornaram freeware há algum tempo, como é o caso de Command and Conquer, Red Alert, GTA 1 e 2, Death Rally, e alguns outros. Google os termos com a adição de “freeware” e saia baixando tudo com felicidade.
Uma vez de posse de dúzias de arquivos zipados, toquei a instalar todos os joguinhos. Algumas horas mais tarde, tava tudo bonitinho numa pasta chamada “Games” no meu desktop.
Agora, a parte mais delicada – alguns (muitos, na verdade) desses jogos não são inteiramente compatíveis com sistemas operacionais recentes. A cada atualização do Windows ele se torna menos amigável com programas que foram desenvolvidos pro ambiente DOS, e muitos work-arounds se tornam necessários pra fazer os jogos rodarem.
Por exemplo: o Windows 7 não tem um comando de prompt, e por causa disso aplicativos de DOS falham logo de cara, assim que pedem pra rodar em tela cheia.
A solução mais comum é o DOSBox, uma virtualização do MS-DOS que permite que você rode os joguinhos da forma que eles funcionavam originalmente, longos comandos de prompt e tudo.

Só que é uma solução meio tosca na real. Sempre que inicializado, o DOSBox pede que você “monte” um diretório pra servir como HD virtual; em seguida você navega pelo diretório pra rodar o joguinho em questão.
Ou seja – pra rodar Settlers 2, eu abro o DOSBox, digito “mount c c:settlers2″, depois “c”, e finalmente “s2g.exe”. Ter que fazer isso pra cada jogo – o que implica memorizar todos os diretórios e executáveis – é BASTANTE chato.
Meu amigo @tplayer achou uma solução tão elegante quanto eficiente – um scriptzim que adiciona a opção “Run on DOSBox” ao menu do clique direito (há um arquivo Read Me junto com o troço, obedeça-o). Basta clicar no aplicativo, selecionar essa opção e pronto.

Isso resolve o problema dos joguinhos de DOS. E os jogos de Windows 95/98 que são incompatíveis com o Windows Vista/7?
Age of Empires 2 é um bom exemplo. O jogo não reage bem quando rodado ao mesmo tempo que o Aero, e por isso as cores ficam completamente bizarras.
O Google me falou que uma solução pra isso é dar um ctrl alt del e fechar o Explorer.exe, matando o Aero no processo. Aí você roda o jogo tranquilo e, quando tiver matado todos os Persas, basta rodar o Explorer novamente.
Mas é outra solução inconveniente. Felizmente, a solução é bastante simples – basta criar um arquivinho batch que feche o Explorer automaticamente quando você rodar o jogo, e o rode novamente quando o jogo for fechado.

Basta criar um arquivo de texto na mesma pasta do executável do jogo com essas linhas aí (claro, substituindo o “empires2.exe” pelo executável do jogo em questão), salvar como NomeDoJogo.bat, pronto – ao executar o batch, o Explorer será finalizado e o jogo rodará em seguida.
Ao fechar o jogo, o Explorer volta à ativa. E isso mata o problema das cores psicodélicas em todos os jogos que testei.
Pra ficar tudo bonitinho, crio um atalho pra esse batch na minha nova pasta de jogos, e aplico o ícone do jogo ao atalho. Fica lindão, confira:
E pronto – todos os joguinhos estão rodando perfeitamente. Claro que todo o processo de baixar os jogos, instalar, aplicar os patches, criar os batches e tudo mais deu um bom trabalho, mas olhe pra essa screenshot e me duvido que você terá coragem de dizer que não valeu a pena.
Pra todos os outros problemas com joguinhos, o Modo de Compatibilidade quebra um galhão.
E no próximo post, descreverei cada joguinho nessa screenshot, com imagens e tudo mais. Pra uma prévia do que está por vir, veja esse set no meu Flickr.
A propósito, digitei este texto inteiro no meu netbook novo – mais um motivo pelo qual o iPad definitivamente não se adequaria ao tipo de uso que eu dou a um computador portátil.









[...] This post was mentioned on Twitter by izzynobre, Luiz Claudio Eudes. Luiz Claudio Eudes said: RT @izzynobre: Projeto Abandonware http://hbdia.com/wordpress/2010/05/06/projeto-abandonware/ RT for nostalgia [...]
Respeito sua homossexualidade.
Sua coleção de Abandonwares ficou muito show, bateu uma nostalgia forte vendo os jogos.
Eu não conhecia o “Run on DOSBox” realmente ele facilita muito as coisas, antes o jeito mais fácil que eu conhecia era arrastar o ícone do executável do jogo para cima do ícone do DOSBox.
Cara, por acaso eu tava na mesma odisseia tentando rodar decentemente os jogos de DOS no win7 e acabei embarcando na dica do tplayer no twitter … mas como rola de fazer o atalho pra rodar no DOSBox? Só rola com os arquivos .exe … ai tenho q abrir a pasta de cada jogo e catar o.exe pra dar o “Run in DOSBox” ou tem jeito de atalhar direto?
Muito bom post, curto muito todos esses jogos … bela coleção q tu montou ae, abraço!
Jogos antigos sao muito bons. Eu mantenho um computador antigo la em casa colm windows 98 soh para jogar esses jogos (DOOM eh uma paixao para mim) desenvolvi um adaptador LPT1 para um controle de snes com cabo de rede e agora eh so alegria..jogar superdemo World ou zelda parallel worlds no controle eh magico..Ah kid..caso tu nao conheca tem um site para abandonwares muito bom: http://www.sarcofago.com.br da uma olhada
e desculpa pela falta de acentuacao, note fdp esse
nostalgia… :””)
Bah, se tivesse visto esse texto antes (ou se tivesse tido voia pra pesquisar) não teria deletado o Incredible Machine do PC.
The Incredible Machine (TIM, para os mais íntimos) apavora!!
Curti muito o http://www.gameswin.org/ , é muito bom mesmo.
Quanto aos abandonware, são muito legais, gostinho de infancia jogar de novo BattleChess ou Carmen San Diego.
Muito Bom, Sou apaixonado por Abandonwares, desde sempre, ainda quero bolar um jeito de tirar um X1 em algum RTS com você, parabéns pelo post e pelo Blog.
Eu ainda jogo worms Armageddon no celular. Esses dias mesmo eu tava com vontade de jogar MDK novamente. Vou aproveitar e pegar o MDK também.
Kid, já jogou Cave Story?
É um jogo feito em 2004 que parece um jogo de NES/SNES pelo estilo/gráficos/som.
Sugiro que dê uma conferida, zerei ele aqui em uns 3 dias de tão viciante que achei.
Ah sim, é freeware também.
http://www.miraigamer.net/cavestory/downloads_1.php (tem que baixar a versão em japonês e a tradução).
Fora todos os jogos que estão representados pelos nostálgicos ícones de 16 a 256 cores, diga aí o que você roda no ScummVM!
Remcomendo fortemente Monkey Island 1 e 2!
O Monkey1:Special Edition tem na Steam, versão com diálogos, gráficos HD, e a possibilidade de dar swap em tempo real para a versão antiga do jogo.
Em breve vai sair a versão S.E. do Monkey 2!
Esse site recomendado aí é muito bom mesmo, já to de olho em altos clássicos! =D
Agora vem cá, tu diz que escrever num teclado virtual é um saco, mas e escrever num teclado tão pequeno como o de um netbook? =P
Hein kid,notei que alguns memes do 4chan sao usados por aqui, e eh meio dificil nao ser influenciado de algum jeito por eles na internet, nao sei se vc ja frequentou o 4chan, mas ja pensou em fazer uma materia sobre isso? no /b/ ja conseguiram ownar a cientologia e tudo mais *imagino que tenha visto algo a respeito*
e aí kid, já jogou o settlers 7?
fiquei curioso depois de tanto ler sobre settlers por aqui e to jogando. pra quem é burro como eu chega umas horas q fica complicado, e o jogo acaba demorando horas… mas é bom sim, como vc sempre fala.
e falando em incompatibilidade, alguém sabe fazer o command and conquer generals zero hour rodar no windows 7? eu consegui fazer rodar no vista com aquele negócio de criar o arquivo doc com os parâmetros compatíveis, mas no win 7 não tá funfando.
alguém sabe como faz?
modo de compatibilidade tbm não funfou, com nenhum windows antigo…
Até que enfim vc ajudou alguém porra ! (mesmo que seja por tabela).
Izzy, demorou pra tu me arrumar esse .ico do The Incredible Machine, tava procurando um pra minha pasta ficar lindona também :B
Eai cara, maneiro isso, eu to com um netbook da acer aspire one 750h, to tentando rodar worms armaggedon e esta dando um erro, até mandei um scrap, ai roda de boa ? :~~
Caralho!!! Só pelo link já valeu MUITO. Sério. Muito foda.
Mermãããão, the Settlers II é o jogo! Melhor abandonware de todos os tempos!