Ontem foi um dia relativamente tranquilo lá no trampo, até acontecer algo que me fez pensar que vivo dentro de um reality show bizarro estilo Show de Truman.
Eu estava lá trabalhando na loja pacatamente — na verdade jogando sudoku, mas ninguém liga pra detalhes — quando de repente entra um sujeito esbaforido.
O cara era alto, trajava uma jaqueta de inverno incompatível com o clima no momento (faziam 21 graus em Calgary, o que é quente pra caralho considerando que estamos em setembro) e, o pior, estava bêbado.
Atente para o fato de que eram 4 da tarde. Um sujeito que já está bêbado às quatro da tarde é alguém com problemas.
Geralmente eu gosto de bêbados — eles têm toda aquela honestidade e coordenação motora de crianças pequenas; mesmo com o meu lamentável porte físico eu me sinto capaz de encarar um bêbado que tirar onda com minha mulher na balada, por exemplo. A vantagem de ter membros que obedecem meus comandos com precisão de milímetros me coloca a muitos patamares sobre as capacidades de luta de um sujeito alcolizado; é como se fosse o Homem Aranha lutando contra um paraplégico que acabou de se cagar nas calças.
Mas uma vez que encontro-me na minha loja, passo a odiar bêbados mortalmente. Esses filhos da puta bagunçam as prateleiras, riem alto de tudo, incomodam os outros clientes, é uma merda. Por isso, quando entra um sujeito embriagado na loja já começo a pensar em motivos pra chuta-lo pra fora.
E esse resolveu me dar motivos logo de cara.
O sujeito entra na loja, dá uma rápida olhada ao redor, e finalmente me encontra perto do balcão. Abre um sorriso e caminha em minha direção.
“Ei cara, eu acho que você pode me ajudar!” ele diz, em tom estranhamente alto. Quase gritando.
“Ahnn… ok…?” eu digo, incerto sobre qual seria o motivo do cara estar falando tão alto.
É um trote, seu imbecil. O cara quer te zoar de alguma forma
“É que tipo, eu sempre quis ser um ator pornô, cara! E eu tenho as habilidades e tal. Uma namorada minha falou que sempre que eu…”
Cortei ele no ato.
“Cara, a gente não tem nada a ver com a produção dessas paradas. A gente só vende os filmes”
Puta que pariu, eu tava quase pra descobrir se era um 5 ou um 9 naquele quadradinho e esse imbecil cagou minha linha de raciocínio
“Ahhh cara” continuou gritando o bebum, ainda acreditando que se tornaria um ator pornô famoso se conseguisse me convencer a ajuda-lo “tou te falando, já tenho até as meninas pra contracenar! As garotas do SAIT são uma cambada de vadia, mano!”
SAIT é uma das faculdades conhecidas aqui da cidade. Minha mulher estuda lá. Não tive energia pra discutir com o cara. Suspirei, subitamente cansado e de saco cheio da conversa.
“Olha broder — a menos que você queira alugar um pornô ou comprar uma piromba sintética, não posso te ajudar. É sério.”
O bebum se agitou, chateado. Ou aparentemente chateado; eu já estava convencido que tudo era uma encenação pra me zoar. Por que ele tava falando tão alto?
Ele tá com um microfone no bolso, seu burro. Amanhã isso aqui aparece no youtube, aposte nisso
“Cara, sério, se você me der uma chance eu te mostrarei que consigo até…”
Eu tive medo de ouvir o resto da frase. Levantei a mão e falei, com convicção (a gente só consegue dar fim a essas situações se deixar claro que não há outra alternativa pro sujeito):
“Broder, tu vai ter que sair da minha loja agora” dito isto, me abaixei e catei o taco de hockey serrado que a gente deixa embaixo do balcão pra lidar justamente com situações como estas. Coloquei o taco na mesa, batendo nela com mais força do que eu planejei. Foda-se, aumenta o efeito da mensagem.
O cara tá bêbado, você tá atrás do balcão e tá “armado”. Queria ver se teria essa coragem em outras circunstâncias…
O cara reagiu instantaneamente, erguendo as duas mãos pro alto naquele gesto clássico do centroavante que acaba de enfiar a sola do pé na canela do zagueiro oponente mas quer convencer o juiz de que “foi na bola”.
“Mano, que violência é essa! Eu só quero um emprego cara!” ele continou falando alto. Teria eu notado uma leve inclinação do pescoço dele pra direita ou tou imaginando coisas? Estaria o hipotético microfone no bolso direito da jaqueta dele…?!
Não respondi. Decidi que a mensagem estava completa e que qualquer palavra minha apenas estenderia a conversa além do necessário.
E aí ele fez algo que me deixou encafifado até agora. O cara tirou um DVD do bolso, colocou no balcão e disse:
“Beleza, tou saindo, mas olha isso aí. Esse disco tava aí na calçada da sua loja. Posso ficar com ele?”
Suspirei novamente. Nem olhei pro disco e falei:
“Pode. Sai fora.”
O cara saiu cabisbaixo, resmungando pra si mesmo. Senti até uma certa pena do indivíduo, aí lembrei que se a situação fosse inversa e EU tivesse aparecido no trabalho dele bêbado e criando caso, eu teria sido dobrado ao meio e jogado na lata de lixo.
E estranhamente, ele deixou o DVD no balcão. Era apenas um disco, sem caixa, com um post-it colado em cima. Averiguei a parada.
Se titubear, joguei o disco na lixeira e retornei ao meu sudokuzinho. Mas aquela nota críptica começou a me deixar bizonhamente intrigado. Pesquei o DVD da lixeira pra examina-lo.
A parte “queimada” do DVD formava um pequeno círculo no lado legível do disco, ou seja: seja lá qual o conteúdo, não é muita coisa. O disco estava um pouco arranhado, com manchas de dedos descuidados. “Coops” me parece ser apelido de “Cooper”, um nome um tanto incomum. Não conheço nenhuma Stacie.
E agora estou neste dilema. Devo colocar o DVD no meu computador? E se for vírus? Pior: se for algo ilegal? No tuíter sugeriram que eu tente colocar no DVD player, mas não tenho um — sou fidalgo e todas as TVs da minha casa dispõe de HTPCs conectados à internet. A esta altura do campeonato apenas mendigos ainda usam DVD player. E como travesseiro, ainda por cima.
Pensei em quebrar o disco no meio e não correr o risco de me envolver com algo do qual me arrependerei, mas a curiosidade é destruidora.
Então, amigo internauta, eu pergunto a vocês: o que você faria?





Abra n’um mac. De algum amigo.
vai numa lan house
POE NO PC E TOCA O FODA-SE
CARALHO!
Eu já estaria contaminado com todos os vírus do universo.
Sugestão: pegar um computador daqueles que as pessoas tem o costume de jogar fora ai quando se mudam e rodar nele.
Eu já teria aberto sem nem ler o bilhete.
Eu abriria. ativaria algo tipo o Deep Freeze Standard e rodaria o tal DVD.
Com medinho de virus? Se fosse eu, colocava o dvd no meu pc com linux e averiguaria o conteúdo.
Mas no seu caso, é capaz de pegar um vírus que apague todos seus mp3s. Acho justo.
Taca no notebook!!!
coloca a parada no seu computador e ao mesmo tempo, entre no twitcam para nos mostrar sua reação. Ou coloque em uma nova capa no seu serviço e deixe alguém alugar haha
Gênio!
curti
Ótima ideia.
Izzy faça uma twittcam quando abrir o CD no seu computador.
Concordo
Super apoiado.
Ou então grave a tela no momento que você abre e a sua reação e poste no youtube depois
Curti! [2]
Usa seu notebook da HP velho pra isso.
Arranja um Mac e coloca o DVD. Simples.
Cara que coisa hein! eu acho que colocaria no DVd pra testar se for coisa ruim joga fora,porque afinal,o mundo é feito por curiosos!!!!
Curiosidade aproxima o sujeito da morte mas não chega a matar. Tenta ver o video !
Assiste logo a porra do dvd Kid.
Acima de tudo, se não for ilgeal, shareia com a gente.
ABRE ESSA PORRA CARALHO, OU ENTÃO ENFIE ELE NO CU !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Veja o dvd. Pode ser algo interessante. Você tem um Mac né? Abre nele pra correr menos risco de virus
1) Escolha o PC que você menos goste (recomendaria o netbook, mas ele não deve ter drive de DVD…)
2) Desconecte o PC
3) Insira o DVD no drive
4) Vá em Meu Computador, clique com o botão direito no ícone do seu drive de DVD e selecione “Explorar”
5) Veja o que tem no DVD e twitte sobre isso.
Ta esperando o que pra ver esse dvd, quide?
estou curioso. faça uma resenha
eu creio ser um DVD de cena de sexo, onde o ricardão gravou algo pra mostrar pro corno…
Dá play nessa porra logo. Duvido que nenhum amigo seu ou até mesmo a loja não tenha um DVD player portátil.