Além de curar cegos, andar por aí com prostitutas e definir o calendário da civilização ocidental, Jesus celebremente disse que o reino de Deus pertence às crianças.
A história aparece de novo no livro de Marcos, aliás. Inclusive, toda a idéia de que um cristão precisa “nascer de novo” faz alusão à idéia de que Jesus favorece a galerinha mais jovem.
Por muitos séculos, teólogos interpretaram a frase de Jesus da seguinte forma: o Reino de Deus pertence àqueles que forem puros e inocentes como criancinhas.
Entretanto, tenho outra teoria: Jesus sabia que criancinhas são malucas, com hábitos que beiram tendências suicidas, e por isso acabam indo ao Céu primeiro.
Ué, você tá duvidando? Você não lembra que brincava de…
Carrinho de rolimã
Deixa eu admitir logo: eu tenho muita saudade dos carrinhos de rolimã. Ou “rolemã”, sei lá.
A emoção de descer uma ladeira em alta velocidade (ok, não tão alta assim) com freios inexistentes ou ineficientes, dividindo a rua com carros que poderiam te esmagar como um rolo compressor. A única coisa mais incrível que a sensação de pilotar um carrinho de rolimã era o fato de que nossos pais nos deixavam fazer isso.
O carrinho de rolimã era um resultado do cálculo (três pedaços de madeira) + (quatro rolamentos) – (qualquer instinto de auto-preservação). Uma vez de posse de um deles, a gente saia caçando as melhores ladeiras do bairro. Se haviam dois ou mais moleques com carrinhos, a idéia era disputar corrida.
E como em qualquer tipo de automobilismo, os espetaculares acidentes são o que há de mais emocionante. Diz-se que os gringos só assistem Nascar por causa dos acidentes, aliás.
Eu tenho até hoje uma cicatriz no tornozelo esquerdo por causa de um carrinho de rolimã. Sabe o que acontece num carrinho de rolimã se você dá uma curva muito fechada indo em alta velocidade?
A mesma coisa que acontece com qualquer outro veículo. Este erro me mandou voando pelos ares como uma boneca de pano, me ralei todo quando o chão correu pra me acudir.
E quando alguém inventava de fazer uma rampa pros carrinhos? Como eles jamais atingiam velocidade suficiente para decolagem, o que acontecia era a) a tábua quebrava e enviava centenas de farpas na delicada cútis e olhos da criançada ou b) o carrinho chegava à beirada da rampa e em seguida despencava ao chão, fraturando cóccixes no processo.
Bombas
Essas bombas têm diversos nomes ao redor do Brasil. Em SP são chamados de “morteiros”, no RJ, essa cambada de racistas, a bomba se chama “cabeção de nego”. No Maranhão, isso se chama “bomba de murrão”. Em Minas chama-se as bombas de “trem que isprode, sô”.
Já no meu saudoso Ceará chamamos estas bombas de “rasga-lata”, porque este é o nome correto delas.
A rasga-lata consista num explosivo caseiro, vendido em mercearias de esquina por valores perigosamente acessíveis a crianças. E evidentemente, não havia nenhuma restrição etária para a compra das bombas. Eu devia ter uns 10 anos quando comprei minha primeira rasga-lata.
O maior pretexto pra utilização desses aparatos explosivos era a Copa do Mundo, mas no bairro da minha avó — o único bairro que frequentei constantemente por toda minha infância; minha família se mudava muito — a criançada brincava dessas coisas quase toda noite.
O nome do troço era uma sugestão de uso. A molecada comprava essas merdas e saia vasculhando o lixo do bairro inteiro procurando latas metálicas para explodir. Quando não conseguiam achar latas, servia qualquer outra coisa — garrafas plásticas de refrigerante, canos de PVC, e em uma ocasião um moleque particularmente suicida jogou uma rasga-lata dentro de um pote de vidro.
Eu, que sempre fui meio piromaníaco, adorava as rasga-lata. Quando meus primos iam lá em casa a gente juntava toda a grana, comprava uma porrada de bombas, e o mundo então adquiria outra aparência pra nós: tudo que víamos era explodível.
Como eu cheguei a adolescência com ambas as mãos intactas é um mistério.
E isso, novamente, com pleno conhecimento e consentimento paterno. Era outro mundo mesmo.
Mortal Kombat na cama
Nós gamers somos extremamente sensíveis à acusação de que videogames provocam violência no mundo real. Muitos anos tendo que lidar com essa caça-às-bruxas nos fizeram desenvolver argumentos afiados pra defender nosso hobby.
Até parece que nos esquecemos que há muitos anos atrás, em pé em cima da cama dos pais, nos engafinhamos com irmãos mais novos após berrar um alto e inspirado “FIIIGHT!”
Uso MK neste exemplo mas isso é apenas porque era nosso game de luta favorito na época. Qualquer jogo de luta era reproduzível em cima da cama dos pais, o equivalente infantil a um tatame gigante.
Numa dessas brincadeiras, eu caí da cama de cabeça no chão. Apaguei, e a próxima memória que tenho é dos meus pais me trazendo pra casa de volta do hospital — eu, encolhido no colo da minha mãe no banco da frente do carro, enquanto ela levantava o braço pra erguer a garrafinha do soro intravenoso.
Outra coisa que muito me impressionava eram aqueles incríveis saltos mortais que os lutadores do jogo davam. Obviamente tentei reproduzir a parada na cama dos pais, e arrebentei meu pé num baú que eles mantinham na cabeceira da cama.
Em outra dessas brincadeiras, uma porrada na cara do meu irmão com o travesseiro arrancou um dente dele.
O legal é que víamos a aparição de sangue nas brincadeiras como um sinal de que a imitação do jogo estava perfeita.
Espadachim de vassoura
Imagine a cena acima, exceto que sem qualquer instrumento de proteção, e com cabos de vassoura (que são muito maiores e mais pesados que floretes, portanto causam bem mais dano). Esses eram eu e meu primo.
Sei lá qual foi o filme ou videogame que nos inspirou a fazer isso — e em se tratando de brincadeiras de luta de moleque, pode ter certeza que foi um dos dois que nos deu a idéia –, mas toda vez que eu ia à casa dos meus primos a gente roubava as vassouras da empregada, removia aquela parte das cerdas, e tentava coreografar elaboradas cenas de luta na garagem.
Os resultados eram previsíveis: vigorosas vassouradas na cabeça, braços e ou pior ainda: nos dedos. O que acontecia é que… bem, permitam-me explicar com uma ilustração.
Esta é uma espada. Você deve ter notado que quase toda espada tem um curioso elemento de design ali perto do cabo. Aquela pecinha ali se chama crossguard.
Sabe qual a função dela? Impedir que a lâmina inimiga deslize até a sua mão, decepando seus dedos.
Agora olhe pra uma vassoura comum. Você perceberá uma notável ausência de qualquer tipo de crossguard.
Ou seja, uma tarde na casa dos meus primos significava levar trocentas vassouradas nos dedos. O moleque vinha com sede de sangue, travava a vassoura dele na sua, mas aí o ângulo da sua vassoura praticamente convidava a dele a percorrer toda a sua extensão, parando finalmente quando acertava seus dedinhos em cheio.
E meu irmão, uma vassourada no dedo já doi pra caralho, imagina levar três ou quatro seguidas no mesmo dígito. Não sei como não estou digitando este texto com a língua, isso é um milagre.
Pipa com cerol
Já escrevi um texto inteiro sobre minha carreira como exímio piloto de testes de pipas. Acontece que acho que aquele texto não captou bem a insanidade que é a prática do cerol, então cabe mencionar aqui
Caso você seja algum tipo de gringo maluco que achou este site e jogou no Google Translate (Oi Bebba!), deixa eu explicar: “cerol” é um produto caseiro aplicado na linha da sua pipa. A finalidade disto é cortar a pipa dos outros, porque afinal de contas qual a graça de empinar uma pipa sem ter a opção de sacanear alguém?
Cerol é fabricado da seguinte forma: primeiro você rouba copos da cozinha. Depois, arruma um pote de cola. Tritura-se o vidro até que esteja praticamente inalável (nossa senhora imagina aí o horror que deve ser cheirar uma carreira de vidro em pó), aí mistura com a cola e aí está. Basta aplicar a parada na linha da pipa, esperar secar, e pronto. Você tem uma lâmina virtualmente invisível à distância e enrolável.
Não bastassem os dedos cortados no processo de moer o vidro e aplica-lo à linha, o real terror era o risco que o cerol trazia a ciclistas ou motoqueiros. Lembra que eu falei que a linha é virtualmente invisível? E que após a aplicação do cerol, é preciso coloca-la pra secar?
Não sei se os moleques eram incrivelmente retardados ou psicopatas em treinamento, mas o método que muitos elegiam pra secagem da linha era amarrando em postes, na altura do pescoço, e às vezes conectando postes em lados opostos da rua.
Ou seja: volta e meia alguém morria DEGOLADO porque não viu a linha cortante no meio da rua.
A corrida armamentista iniciada pelo uso do cerol fez com que alguns moleques mais engenhosos passassem a usar fios de cobre pras suas pipas, que não podiam ser cortados pelo cerol — mas que eram perfeitamente condutores, e ceifaram algumas vidas quando os fios tocavam nas linhas elétricas em postes.
Ahh, cê tá me achando muito sensível e bichinha, né? “Aff que baitolagem Kid, todo mundo brincava com cerol, não era esse horror todo“. Sugiro que você não procure “cerol” no Google imagens então. A parada causava estragos tão absurdos que é difícil crer que era produzido por um bando de moleque de 11 anos com um tubo de cola Polar e um copo velho.
Nossa geração desafiou Darwin, meus amigos.












FRISTTT
Aqui na Paraiba, essa bomba se chama “Bujão”.
E aqui em santa catarina se chama Rojão ‘-’
sim, e elas ainda são onipresentes em épocas juninas, nessa época é difícil passar mais de 10 minutos sem escutar uma “Bujão” explodindo.
Sempre empinei pipa sem cerol. Meus pais já tinham a noção do perigo, mas por causa disso a minha infância foi incompleta…
Eu cheguei a encerrar cedo demais a minha carreira de pipeiro porque, como nunca usava cortante, foi perdendo a graça.
Era soltar pra perder ou então soltar quando não tinha ninguém…
All computer and no kite makes Daniel a dull boy…
Fiz quase todas essas merdas!
Rolimã me deixou com cicatrizes que demoraram anos para sumir!
a única diferença é que eu não empinava pipa com cerol. Motivo= desde pequeno meu pai tinha o habito de me MOSTRAR fotos de acidentes de moto em que os motociclistas eram degolados por cerol, e bem, como eu vivia andando de moto com ele pra cima e pra baixo nunca fui adepto.
Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas… pra contornar a situação e resistir aos pipas inimigos eu usava duas linhas nylon (aquelas de pesca) amarradas no estirante!era mais complicado do cerol normal cortar, e mesmo que uma fosse cortada eu mantinha o pipa. XD
Fala sério Izzy, foi seu irmão que te deu uma surra e te fez desmaiar, não?
Fora os carrinhos de rolimã mais ‘avaçados’ com um pedaço de pau pregado ao lado ou um pedaço de um tênis velho pregado no ‘guidão’ pra freiar.
Empinei muita pipa com cerol, e Kid seu noob, nao se quebrava os copos de casa, e sim garrafas de cerveja, lampadas queimadas.
O lance de esticar as linhas nos postes eu fazia, mas nao cruzando a rua, vai que a linha estoura no pescoço de alguém, dar nó na linha perdia qualidade na hora da “disputa”.
Alias lembro de uma vez que eu estava empinando em uma avenida, quando de repente aparece um busão e minha linha estava baixa. Conclusao: Cortei toda a minha mão pq o busao foi levando tudo haha.
ABS kid papai
“O lance de esticar as linhas nos postes eu fazia, mas nao cruzando a rua, vai que a linha estoura no pescoço de alguém, dar nó na linha perdia qualidade na hora da “disputa”.”
Sim, pois o prejuízo maior é a perda da qualidade do corte, o fato da linha ter estourado no pescoço de alguém é mero detalhe.
Então vc sempre foi ‘piro’maníaco? Conte uma novidade! hahaha
Em Pernambuco o nome é Rojão, e tem as variações Peido-de-véia e o palitinho.
Entre os tipos de textos que você posta. Os da sua infãncia são os meus favoritos, extremamente divertidos e gostosos de ler.
Passar cerol usando poste é coisa de amador!! kkkk
a parada é passar com a pipa voando! ficava fininho!
bem, em são paulo, morteiro são umas outras mais barulhentas e mais potentes. essa aí é só bombinha mesmo.
Sempre empinei pipa sem cerol, e sempre curti assim, sem essa putaria de cortar os outros.
O cerol é uma desgraça e mata/fere muitos motociclistas hoje em dia…
Em uma ocasião, minha irmã gêmea estava com um dente de leite mole, pra cair. Foi arrancado num soco, numa luta em cima da cama. Por mim.
Kid viado vai morrer de tanto google imagens enfiado no cu
Nunca soltei pipa com cerol, mas fui vítima e quase perdi uma pipa maneirassa que tinha. Por sorte ela caiu numa construção e a achamos antes do “agressor.”
Hoje existe uma campanha nacional contra o cerol (www.cerol.com.br). Essa porra mata e existem antenas anti-cerol para motos (que querem tornar acessório obrigatório). Atravessar algumas áreas urbanas sem a antena é uma roleta-russa.
Essa bomba que está na foto nós, do Rio Grande do Norte, chamamos de “Pirulito” que de pirulito não tem nada.
Aqui no Paraná é rojão… as menores a gente chama de bombinha mesmo…
aqui em santa catarina esse rasga lata se chama rojão. uma vez eu e meu primo abrimos vários desses, e fomos colocando toda polvora enrolada em um papel toalha. claro que os engenheiros aqui esqueceram de colocar um pavio longo, na hora que acendemos e demos as costas a porra estourou, por sorte nao pegou na gente, mas fiquei umas 2 horas só escutando um zunido no ouvido. bons tempos
Tive alguns flashbacks lindos aqui.
Eu e minha mãe construindo um carrinho de rolimã e me levando na praça com meu irmão pra descer a ladeira.
Eu e meu irmão jogando mortal kombat, ele me acusar de ‘apelona’ e acabarmos saindo no braço de verdade.
Lutar de espadinha com o meu irmão e acabarmos todos roxos.
fazer cerol com minha mãe (afinal, ela dizia que era muito perigoso fazer isso sozinha), mas a gente fazia com lampadas, mais fáceis de achar e deixava o pó bem mais fininho (e bem mais perigoso de ser inalado por acidente, já que aquela porra voava com a menor brisa).
Só de bombinha que eu não gostava muito, nunca vi graça em coisas fazendo um barulho gigante pra pouco estrago.. huahahuaa
O melhor, é que na maioria das lembranças minha mãe está junto, observando ou ajudando.
Como cheguei aos 23 anos com todos os membros, quase nenhuma cicatriz e todos os ossos intactos é um milagre!
“A corrida armamentista iniciada pelo uso do cerol fez com que alguns moleques mais engenhosos passassem a usar fios de cobre pras suas pipas, que não podiam ser cortados pelo cerol — mas que eram perfeitamente condutores, e ceifaram algumas vidas quando os fios tocavam nas linhas elétricas em postes.”
Curti demais essa frase. kkkkkkkkk
mas não cheguei a empinar pipa com cerol, minha mãe ficava louca se eu fizesse isso. e eu empinava pipa na frente da casa da minha avó, tem um campo de futebol lá, é tranquilo pra fazer isso lá.
e aqui em Santa Catarina, pelo menos no norte do estado, as bombas rasga-lata são chamadas de rojão. e as mais fraquinhas e fininhas são chamadas de traque.
e quanto aos carrinhos de rolimã, eu e meus amigos usávamos com 3 ou 4 rolamentos. e o que mais nós gostávamos era brincar na quadra, ou cancha para alguns, que há do lado de casa só pra derrapar e fazer sair faíscas do chão. hauahuahua
Certamente você não andou de carrinho de rolimã, não da forma que você citou, afinal, Fortaleza é uma cidade extremamente plana, e ladeiras que tem por lá são poucas pequenas e sem graça pra pratica do esporte.
Pipa, talvez, mas, cerol feito de “copos”,fala sério, como você moía o vidro sendo tão grosso, um bom pipeiro sabe , cerol é feito de lâmpadas , florescente de preferência , e pipa em Fortaleza se chama papagaio.
PROTIP: não morei em Fortaleza a vida inteira, amigo (e de fato a história aconteceu em Londrina-PR).
Mas achei babaquíssima a forma como você me chama de mentiroso a troco de nada.
Kid, não foi minha inteção te desmentir, só brincar com a cidade plana, na verdade quiz dizer apenas que isso e brincadeira de morro,que traz o sentido de loucura que a brincadeira desperta, minhas sinceras desculpas, tentarei ser mais direto num proximo comentário, não sou troll, e curto seu blog, mais uma vez desculpe-me
Sem problema, amigo
O Kid não precisa de defesa, mas eu andava de carrinho de rolimã sendo empurrado por primo ou irmão. Fui criado em cidade plana, “onde não se pode andar de carrinho de rolimã”. Quanto ao cerol, fazíamos de lâmpada também… mas com o copo tbm é possível, só precisa de mais umas marteladas no trapo de cacos.
Esqueceu da parte da cola polar… Cerol se faz com cola de MADEIRA. Nem comentou sobre o famigerado cerol pó de ferro e as dobrinhas (duas linhas) que era praticamente considerados cheating :// … Mas eu ri com o texto
Tu deve ter comido cocô. Em Fortaleza tb se usava o termo papagaio, mas era só pra um tipo rudimentar homossexual, pipa mesmo sempre foi Arraia, aqui, ou Raia. E tu deve ser muito animal achando que qualquer cidade é tão plana, em todos os pontos, a ponto de tornar impossível descer de carrinhos de rolimã.. hehehe
negocio de marginal esse de cerol, era crime
não gordão, vc era mto nerd pra usar isso
Você perdeu pro seu irmão mais novo numa luta? A menos que você tenha o atirado pela janela na luta de revanche, você não é digno de ser irmão mais velho.
Sim, eu realmente espero um texto falando sobre a vez em que você tacou seu irmão pela janela. POr favor.
“rasga-lata” + cano de guidão da bicicleta + bolinha de gude = mtos alvos a serem perfurados
Aqui os carrinhos de rolemã TINHAM que ter freios eficientes e daqueles que travavam as rolemãs, não porque prezavamos pela segurança, mas porque desse jeito era possível fazer DRIFT DE CARRINHO DE ROLEMÃ. Era simplesmente sublime.
Aqui na região de Maringá (PR) chamavamos essa bomba da foto de “bomba 1000″ (nem me pergunte porquê). Havia uma bomba menor que era somente “bomba” e havia o traque, que era a mais fina de todas, quase um palito de fósforo enrolado com papel. Gostava de estourar tijolos com a bomba 1000, mas latas também eram alvos apreciados (não chegavam a estourar, mas voavam alto).
E o cerol nunca vi feito com vidro de copo, somente com vidro de lâmpadas, e não eramos loucos o suficiente prá deixar secando na rua, somente no quintal.
Enfim, esse post me deu saudades do meu velho carrinho de rolemã… bons tempos.
Muito foda esse texto. Além de ter histórias muito boas pra contar tu escreve muito bem.
Ótimo texto, kid.
Já me machuquei com todas as brincadeiras listadas, com exceção dos morteiros.
Mas a pior de todas, foi a de “espadachim de madeira”. Eu e um amigo não queríamos ser espadachins, e sim, Jedis.
Cada um com um pedaço do berço de minha irmã, e um litro de álcool, de posto, que molhávamos a ponta de nossos ‘sabres’. Uma hora, fui colocar mais álcool no pedaço de madeira dele, ENQUANTO PEGAVA FOGO.
Resultado: A garrafa explodiu, ferindo 40% do corpo dele com queimaduras de 2º e 3º grau. 3 dias internado, e 6 meses sem poder sair no sol, ou usando um guarda-chuva. O pior é que saí intacto, só houve uma pequena queimadura na minha camiseta do São Paulo. Hoje ele ainda carrega as cicatrizes na orelha, e o apelido de “bola de fogo”, por causa de um funk que fez sucesso uns anos atrás.
Ah, e a melhor coisa pra se fazer com um morteiro, com certeza é explodir caixinhas de correio feitas de plástico.
E já empinei pipa com fio de cobre, JUNTO COM O MEU PAI. Acabei de lembrar o velho inconsequente disso, e ele ainda dá risada. Poderia ter me matado.
Izzy, porque você tende a se machucar das maneiras mais imbecis possíveis usando uma cama? fetiche?
se for o que eu to pensando que era, os “rasga-latas” aqui no Amazonas se chamam/chamavam “catolé”. sabe-se deus por quê.
e eu já fui samurai de vassoura também, good times.
“PIPA”??? rly???
Kid, você acaba de decepcionar seus leitores cabeça chata.
ps: saudades de soltar RAIA por aqui =\
Pipa em Fortaleza se chama raia.
Pelo menos no bom bairro do J.América.
Minha vó mora justamente no Jardim América
Já te vi comentando isso,de fato um ótimo bairro.
Kid PIRUmaniaco, medinho de cerol? Pelo amor de Deus! Qualquer coisa nas mãos de idiotas vira uma arma, até um cabo de vassoura…
Vassoura?Eu usava vergalhão!
Atualmente, você pode encontrar facilmente pacotinhos de cerol extremamente refinado em qualquer feira perto de sua casa. Sendo que um pacote deve custar algo em torno de um real, aproximadamente.
Todas as brincadeiras de criança que participasse mais que 1 tinha chance de dar merda.
Lembrei de mais duas coisas que fazia sempre e que podiam ter me arrancado os dentes (nem cicatriz tenho, sei lá como \o/).
Acho que nem tem um nome pra isso: duas crianças dão as mãos, estando uma com os braços cruzados, e começam a girar o mais rápido possivel. No meio da rua, de preferência. Já vi umas três pessoas ralando as costas no chão até baterem a cabeça na calçada.
Competir pra ver quem pula mais alto do balanço era a minha favorita, e o risco é maior ainda com todos os brinquedos do parquinho em volta.
Ahh que coisa linda que é a infância. Nem estrela não sei fazer mais D:
Caraaaaaaaaaaaalho Quidê…quase chorei agora…esse post foi um misto de saudosismo, alegria e tristeza em saber que não vou ter minha infância de volta!
Meeeeeeu, o no carrinho de rolemã rolavam umas experiências de engenharia automobilistica infantil…lembro que no bairro onde eu morava (Zona Oeste de SP), a molecada colocava uma tábua transversal a tábua-chassi (e embaixo da mesma) e anexavam outros dois tocos de aprox. 25~30cm de comprimento com pregos e/ou parafusos a cada extremo dessa tábua transversal criando assim um “sofisticado” sistema de frenagem que poupava-nos de acabar com as havaianas/kichutes/lecoq sportif’s no asfalto escaldante. Lembrando que esse melhoramento só foi cogitado após um de nossos ilustres corredores deixar uma pixação em carmesim por longos 15 metros no asfalto (proveniente de suas falanges superiores de ambas as mãos)…fazendo a pivetada considerar o mínimo de auto-preservação.
Em contra-partida, criamos um sistema de disputa que beira a película cinematográfica estrelada por Jason Statham, Death Race (a.k.a. Corrida Mortal em “Brazuquês”)…cada carro competidor tinha um (ou mais, dependendo da sagacidade e malemolência do owner do carrinho) sistemas de armadilhas, que consistia em atrasar e/ou tirar da corrida o(s) outro(s) competidor(es)…as “armadilhas” jogadas pelos pelegos eram: pedras/paralelepipedos que ao serem atirados pra trás sem a menor importância/consideração com a saúde do adversário, causavam desde a parada brusca do carrinho até severas concusões e sangramentos (algumas vezes as pedras quicavam e acertavam faces e bocas desatentas, tornando-as estéticamente menos agradaveis e em alguns casos menos populosas no quesito quantidade de mastigadores); Óleo/graxa – nem preciso dizer que rolemã + asfalto quente + óleo de motor/cozinha ou graxa + curva em semi-cotovelo + Força Centrífuga + crianças com instinto sádico – bom senso = muitas caras raladas e membros fraturados…
*Suspiro*…saudades do tempo em que infância significava realmente em ser uma criança (ou um tipo de Imp infernal, sádico e sem o mínimo de noção).
A brincadeira de MK me rendeu uma queda de boca na quina da cama, causando uma cachoeira de sangue + 1 dente de leite que estava estavel, caido.
genial o ponto de vista a respeito das brincadeiras, só fazia o mortal kombat que eu tratava como uma escola de ninjas e as espadas, a qual eu me sentia um verdadeiro artesão luthier de espadas e confeccionada o crossguard, espuma no cabo (hilt) e bainha. abraço
Ah… aqui no Paraná a gente chama essas bombinha de “Rojão”
e não adianta, qualquer pessoa de qualquer estado vai teimar que o adjetivo “para tal coisa”, que é usado em seu estado, é o correto EHAUIHEUIAHEH
Bom mesmo era fazer bomba-relógio com as bombinhas:
Pega um cigarro, tira o filtro e encaixa no pavio da bombinha (acho que se nao tivesse, era só espetar um palito de fósforo).
A gente só não sabia o tempo que durava, daí sempre surgia a dúvida: será que ainda não queimou tudo ou a bombinha falhou?
Agora me pergunto: eles deixavam mesmo crianças comprar bombinhas E cigarros?
Putz cara, crianças eram mesmo capazes de brincadeiras perigosíssimas. Por aqui também rolou muita merda por causa de cerol e bomba de São João.
Inclusive essa luta de espada de vassoura, em algumas famílias nordestinas, era só um treinamento para a tradicional ´guerra de espadas´ nas festas juninas. Aquilo sim fodia todo mundo. Altas queimaduras!
Na verdade o cerol que eu conhecia (anos 80) era feito de de dois modos. Com vidro de lampada comum de preferencia incandescente, muida e peneirada numa meia de mulher. Depois era usada algum tipo de cola. O outro metodo era ao invés de usar vidro, usar pó de ferro que você conseguia já pronto em serralherias.
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aqui na rua, em fortaleza, a gente costumava fazer cerol com lâmpada triturada… o pó ficava bem mais fino.
“Fernando:
Pipa em Fortaleza se chama papagaio”
- Sempre morei em Fortaleza e nunca ouvi alguém usando esse termo. Geralmente o utilizado é “raia”, “árraia” ou “pipa” mesmo, pelo menos eu chamava assim.
“Vinicius Lira:
Aqui na Paraiba, essa bomba se chama “Bujão”.”
- Aqui a gente também tem algo chamado “bujão”, é o bujão de gás, vulgo botijão. haha
“Crossguard” é um termo perfeitamente traduzível, Izzy, pra “guarda”.
Mas vcs eram muito mirins msm!
o lance do cerol era passar só na parte mais alta da linha, afinal vc não se corta qdo for soltar a pipa… e nem fere ninguem.
mas claro, vc precisa de muito mais habilidade pra zuar os outros. mas q era mais seguro era.
Agora a porra da bomba, porra Izzy, tu era n00b msm! cadê o cigarro nessas horas? o lance era arrancar o filtro e usar o cigarro como relógio. só parei qdo destruí um vaso sanitário.
Eu cresci na periferia de São Paulo, passei a infância inteira andando de rolimã, soltando e correndo atrás de pipa e balão, estava sempre com os dedos cortados de cerol (ou cortante, como falávamos) e, apesar de já haver uma maior preocupação com balões na década de 80, você não ouvia falar de ninguém que tivesse morrido com o pescoço cortado por cerol, não havia essa preocupação toda, o máximo que acontecia eram uns cortes mais profundos nos dedos dos moleques: eu mesmo uma vez cortei o dedo até o osso, tenho a cicatriz até hoje.
Talvez a molecada esteja usando coisas mais fortes hoje em dia, como você mesmo disse, porque, na minha época, usávamos somente linha 10 e vidro comum, e a linha 10 arrebentava mais ou menos fácil.
os caras tão usando linha corrente e linha chilena…
Em Salvador, a gente chama de BOMBA DE MIL.
Sim, existe uma escala numérica para as bombas aqui em Salvador. Não sei se é algo padrão entre os fabricantes, mas é muito mais legal pensar que é algo baiano. Existe a bomba de 5, bomba de 10, bomba de 100 e a bomba de mil. Reza a lenda que todo menino no bairro conhece um primo que soltou a BOMBA DE MILHÃO, cuja a história sempre evolui para algo similar à Tsar Bomb ou algo maior.
E nada se compara ao São João, para o consumo de bombas aqui na região. Me lembro de ter uns 8 sacos repletos de bombas de 100 com o único objetivo de destruir parcialmente os muros e recipientes encontrados no condomínio e para entreter a construção civil nos próximos meses.
Bons tempos.
Tembém tinhamos os traques de massa, aquele pedaço de papel patético ao redor de PURPURINA EXPLOSIVA (me recuso a chamar aquilo de outra coisa) utilizados apenas para aqueles entusiastas de pirocas em sua região anal que falam “Face” ao se referir ao Facebook.
Kid viado, vai morrer com um consolo cheio de cerol rasgando seu cu.
eu fazia cerol com meu pai! AUhAUH
aqui no rn chama de bomba confeito… (parece uma balinha ne?)
Tinha ainda uma versão gigante (e muito mais barulhenta) da rasga-lata, que a gente chamava de rasga-camburão. Sempre tinha alguém que levava uma para a festa junina e matava todo mundo de susto, pois a festa parava com o barulho.
Eu lembro o que me inspirou a fazer as lutas com cabo de vassoura: começou com Star Wars e depois foi Gladiador (sim, quem era criança quando saiu Gladiador tem 20 anos hoje).
Depois do Gladiador, as lutas ficaram mais criativas. Meu primo teve até a ideia de enrolar uma bola de jornal na ponta da espada e queimar com querosene. Quando ele foi dar o primeiro golpe, a bola de fogo se soltou e quase causou um incêncio no quintal. O mais bizarro é que meus pais e avós não só deixavam como riam dessas coisas.
Eu sei que você provavelmente nem vai olhar mais esse artigo, mas… eu meio que me considero da nova geração. E agora eu me sinto muito sem infância por nunca ter feito nada disso…
Aqui em Alagoas chamam a rasga-lata de bomba de são joão mesmo. Ah, velhos tempos haha
Fiz absolutamente TUDO da lista, exceto que o meu “carrinho de rolimã” era um skate velho (freios inexistentes, mesmo) e a linha de cerol era vendida aqui perto de casa, não precisava fabricar. Se bem que soltar pipa não era uma das minha brincadeiras favoritas…
brinquei muito de carrinho de rolimã teve uma vez que agente daqui da rua arrancamos a cabine do orelha pra fazer o carrinho ficou muito loco tinha ate volante.