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Baladinhas e seus tipos

Postado em 15 fevereiro 2008 Escrito por Izzy Nobre 98 Comentários

Valentine’s day ontem, e fui meio que obrigado a sair pra uma dessas tais de BALADINHAS, né. Apesar de não ser um nerd totamente eremita e até gostar de sair pra dançar com a namorada, ir pra boates ultimamente tem me deixado desnorteado. É uma experiência que sempre me faz rever meus conceitos em relação à minha própria vida, e aqui está o motivo:

Não importa o quão “bem casado” você esteja, numa boate você esbarrará trocentas vezes com mulheres quarenta vezes mais gostosas que a sua própria te dando aquela nitidazíssima sensação de que você deveria ter experimentado mais a vida de solteiro.

Nada de errado com meu relacionamento. Minha companheira é uma mulé excepcional que eu dificilmente trocaria por uma outra, mas as condições em circunstâncias de uma balada engana seus sentidos. Uma boate é um ambiente cuidadosamente calculado pra te dar uma visão extremamente irreal das muléres da sua cidade. Você já deve ter tido a mesma experiência que eu – você chega numa boate e não importa pra que lado você olhe, sua visão cruzará alguma mulher que acabou de sair das páginas de revista masculina, confundindo você completamente porque até então ver esse tipo de mulher no mundo exterior era uma experiência levemente mais rara. Há pouquíssimas ocasiões no dia a dia em que uma mulher passa e me faz gastar a energia de virar o pescoço; já uma boate como a de ontem a noite parece estar totalmente populada por essa categoria de mulher.

E você se pergunta “onde essas loucas se escondem nos dias normais? Como não vejo uma menina dessas na fila do banco, ou na área de congelados no supermercado?” A verdade é que você as vê, sim – mas de uma forma menos artificial do que aquela em que elas se apresentam numa boate. Não tanta maquiagem, saltos mais respeitosos, saias mais longas, blusas não tão apertadas, e a lista prossegue.

O lugar

Considere o que eu tive que aturar logo na entrada do clube. Como é de costume aqui (de repente é aí também, não costumava ir a boates no Brasil), os caras costumam colocar uma mulher deliciosíssima vestida em trajes extremamente libidinosos andando pelo bar com uma bandeja cheia de shots de tequila e outras bebidas fortes. Por míseros 10 dólares a mais, sua bebida é posicionada entre as amplas tetas da menina, e você tem a liberdade de catar o copinho da bebida enfiando a boca nos peitos da outra lá.

As mulheres que costumam ocupar essa posição costumam ser IMORALMENTE gostosas, mas a menina desempenhando essa função ontem, puta que pariu. A doida devia ter mais ou menos a minha altura, mas aquele salto alto fininho estilo atriz pornô a deixava praticamente um palmo acima de mim e realçava as pernas e a bunda dela, que é o que saltos altos geralmente fazem. Ela usava uma sainha vermelha estilo colegial que nem sequer tentava cobrir suas partes íntimas, deixando sua calcinha preta de renda amplamente à vista. As pernas grossas da menina estavam enfeitadas com uma cinta-liga e uma daquelas meias-arrastão que subia até a coxa. E a blusa dela aparentava ter sido feita com menos de vinte centímetros quadrados, apertando os peitos já volumosos e dando aquela pequena porém absolutamente hipnótica visão da renda do sutiã. Essencialmente, uma visão perfeitamente projetada pra extrair o máximo de gorjetas possível. Eu queria parar de olhar pra mulé, revoltado com tamanha exploração da fraqueza masculina, mas o prédio podia estar pegando fogo e eu não teria conseguido olhar pra nenhum outro lado. Tipo uma mariposa totalmente fissurada numa lâmpada incandescente. Pra completar o clima putanesco, telões na parede exibiam os videoclipes mais libidinosos que você pode imaginar, como este, que virou meu clipe favorito e agora de manhã eu já assisti consecutivamente umas trinta vezes. Aliás, se tu conhecer mais videos de musiquinhas frequentemente tocadas em boates – não necessariamente imorais como esse -, deixe nos comentários plis.

Eu e a patroa

E isso foi só o começo da noite. Pra onde eu olhava, não havia como escapar da onipresença de mulheres daquele tipo que você não seria capaz de impôr limites pro tipo de coisas horríveis que você faria por uma chance de come-la. Eu concluí que o ambiente da boate não é apenas habitat natural de mulheres (artificialmente) sensacionais, mas ele também torna sua improvável chance de pega-las mais possível do que você imaginaria. Pensa aí – qualquer mulher pareceria deliciosa usando esses trajes, mas as que saem em público assim são as que mais provavelmente dariam pra você. Baladas promovem uma espécie de seleção natural; se você entra aqui vestida assim, você PROVAVELMENTE é fácil. Combinado com a meia luz e o alto contexto alcólico do ambiente, o que tornará sua feiúra bem mais tolerável, e quem sabe aquela menina dançando ao redor do strip pole não apenas daria pra você, mas convenceria a amiguinha dela a fazer o mesmo.

Aí eu percebi que minha obsessão com as mulheres deliciosas da boate estavam começando a me deprimir e causar sérios danos ao meu semi-casamento, e me pus a uma prática mais proveitosa – decidi catalogar os tipos que eu vi ontem na balada, pra escrever um texto detalhando-os. Sim, eu sou realmente muito mais nerd do que você imaginava.

Sim, os tipinhos estereotípicos que habitam as baladinhas! Em um sensacional exercício de taxonomia in promptu, pude separá-los nos distintos grupos:

The Nightclub Douchebag

Geralmente prefiro evitar usar termos em inglês porque isso marginaliza a turminha que não domina a língua gringa. Infelizmente, eu não conheço nenhuma boa tradução pra “douchebag”. Idiota, paspalho, palerma, babaca e todos esses outros são termos muito genéricos que não passam nem de longe o significado de “douchebag”, que é essencialmente “um indivíduo que tem um senso inflado de auto-importância, o que é geralmente combinado com inteligência abaixo do normal”.

Nightclub Douchebags se locomovem em bandos, unidos por interesses em comum como por exemplo “aplicar aproximadamente oito litros de gel de cabelo toda noite” ou “usar camisetas de cores homossexuais numa tentativa fútil de alegar que é macho o bastante pra sair em público usando uma camiseta pólo cor de rosa”. Como a foto aí acima atesta, Nightclub Douchebags são uma espécie biologicamente atrasada. Tal como amebas e outros bichos unicelulares que te dão doenças, os nightclub douchebags estão presos em um estágio evolucionário que ainda não permite distinção entre membros da espécie. Nightclub Douchebags normalmente não têm nenhuma ocupação além de parasitar o papai e a mamãe e comparecer às baladas todo final de semana. Não se conhece as outras atividades dessa espécie, uma vez que no mundo exterior à boate eles não usam os característicos oito litros de gel/camisetas pólo com a gola levantada, tornando a identificação possível apenas em cativeiro.

Normalmente, o Nightclub Douchebag tentará se aproximar de literalmente QUALQUER mulher no salão, o que sugere uma escassez de parceiras sexuais. Até onde posso averiguar, as baladas são a piracema dos Nightclub Douchebags, o momento em que todos convergem a um mesmo ponto na (fútil) esperança de acasalar. O ritual de acasalamento da espécie – algo jamais registrado na biologia moderna e um ponto de contenção entre alguns acadêmicos que acreditam que a espécie é estéril e assexual – envolve aproximar-se da parceira com uma garrafa de Heineken em uma mão e explicar detalhadamente pra sua pretendente que seu pai é advogado/dono da faculdade local/o inventor do abridor de latas, e que num salto de lógica isso de alguma forma a deveria injetar com o desejo de se encontrar atrás da boate pra uma trepadinha. Estipula-se que as horas de bronzeamento artificial torraram seus neurônios, explicando assim a inteligência abaixo do normal.

The Cougar

Não consegui achar uma imagem sequer de uma cougar no Google que não fosse referente ao filmes pornográficos sobre a espécie, então fiz uma busca aleatória e peguei essa imagem de um disco do Abba. Que, agora que eu paro pra pensar, é justamente o tipo de coisa que Cougars ouvem.

Cougar é outra expressão em inglês sem um representante lusófono. Eu poderia dizer “papa anjo” mas é novamente um termo muito amplo, então é melhor eu apenas explicar do que se trata a parada.

Cougars são mulheres de trinta ou até mesmo quarenta anos que, por estarem sofrendo uma crise de meia idade ou um amargo divórcio, sentem a necessidade de auto-afirmar o que ainda resta de sua suposta juventude frequentando ambientes projetados pra pessoas com a metade da idade delas, tranjando indumentária com o mesmo público-alvo. É bastante fácil identificar uma Cougar – sempre que o DJ der um relapso e tocar um remix de alguma velharia tipo Bee Gees ou o próprio Abba aí acima, você ouvirá gritos estridentes das Cougars, alegremente anunciando pra todo mundo que essa é a música favorita delas, e que elas realmente estão há poucos anos da terceira idade.

Uma Cougar dançará a esmo até encontrar um “garotão” que ela talvez possa convencer a levar pra casa na van familiar dela, sem dúvida ainda equipada com cadeirinha de bebê e tal, e estuprar violentamente pra depois comentar com as outras amiguinhas cougars no melhor estilo Sex And The City. O que suas vítimas provavelmente não pararam pra pensar antes de cair na lábia de uma cougar é que ela provavelmente tem idade pra ser sua mãe, um pensamento extremamente assustador e anti-tesão.

Via de regra? Evite.

Os Menores de Idade

Essa raça não é tão comumente vista como as anteriores, mas de vez em quando os seguranças do lugar são mais desleixados e deixam um ou outro escapar de seu crivo, e você acaba vendo alguns espalhados pelo clube. Os menores de idade se dividem em dois subgrupos – os que REALMENTE são menores de idade e que se valem das similaridades físicas com irmãos mais velhos pra se apoderar de suas identidades, ou a turma que foi amaldiçada geneticamente com a sina de aparentar ser cinco anos mais novo do que realmente é, como meu irmão. De uma forma ou de outra, os Menores de Idade sempre parecem totalmente fora do seu meio quando estão numa boate.

Seja a expressão facial que demostra total deslumbramento com a idéia de estar num clube noturno, ou o fato de que você sabe que o moleque tem até mais chances de dançar com uma gostosa porque elas geralmente gostam de tirar onda atiçando a pirralhada, os Menores de Idade conseguem ser quase mais odiáveis que os Nightclub Douchebags. Pise em cima se tiver a oportunidade.

Na pior das hipóteses, você dará uma boa história pro pivete contar pros amigos de escola no dia seguinte.

A Gordinha

Uma boate pode ser basicamente definida como um lugar onde todo mundo tenta ser algo que não é. Seja os Douchebags tentando pagar de riquinhos, as Cougars tentando parecer vinte anos mais jovens, ou os Menores fazendo o exato inverso disso, todo mundo num clube noturno está usando sua versão “new and improved” deles mesmo. Até mesmo eu sou suspeito pra falar, afinal de contas, dançando abraçado com a namorada eu estou – mesmo que involuntariamente – deixando meu traje de nerd jogador de Magic em casa.

Acontece que entre todos esses camaleões sociais, um grupo é o mais insindioso. Muito mais perigoso e sombrio. Estou falando, é claro, da Gordinha.

O primeiro truque da Gordinha é o decote (infelizmente não presente na foto acima). Sabendo que seus avantajados melões são essencialmente a única parte atraente de seu corpo, a Gordinha investe totalmente nesse ângulo de ataque. Usando blusinhas que foram projetadas pra comportar seios infinitamente menores, a Gordinha prepara suas tetas de forma que elas acabam se amontoando até encostar no seu queixo. Elas fazem isso porque conhecem um detalhe importante da mente masculina – somos seres simples, de fácil entretenimento, que não conseguem focar sua atenção no quadro geral após terem visto alguma parte feminina de interesse. A idéia é camuflar o resto do corpo asqueroso e indesejado oferecendo uma isca visual.

E funciona.

Assim que você entra no clube e esbarra com uma Gordinha, a visão de seu decote (que parece tão estruturalmente inseguro que dá a impressão que a blusa dela está prestes a explodir e espalhar peito gordo por todo lado) é hipnótica. É a PRIMEIRA coisa que vamos notar, e uma visão geralmente cuidadosa, demorada, que obscurecerá o resto do corpo. É assim que funciona o truque.

Demora um tempo até que você consiga escapar da ilusão e enxergar a realidade. Quando finalmente enxergo a Gordinha por trás do decote, praticamente aponto pra ela com um sorriso maroto e digo pra mim mesmo “Haha, me pegou ein?”

Gordinhas são a personificação do desespero. Alguns biólogos têm dificuldade de identificar sua classe alimentar - às vezes são identificadas como predadores, ativamente caçando algum desavisado/míope pra saciar sua frustração sexual. Já alguns estudiosos declaram que as Gordinhas são animais de carniça, se aproveitando dos restos dos rapazes que já foram rejeitados por outras meninas, ou que já estão em tamanho estado etílico que suas faculdades visuais se tornaram comprometidas, tornando-os completamente indefesos aos avances da Gordinha. Pra apaziguar os debates, convencionou-se que Gordinhas são seres onívoros, ou seja, elas atacaram praticamente qualquer coisa que der bola. A julgar pela sua circunferência, “onívoro” (ou seja, um ser que come de tudo) parece ser realmente a classificação correta.

Mal posso esperar pra ir na boate semana que vem. 

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Categorias: Vida maldita

98 Comentários \o/

  1. Mavi disse:

    Sim, primeirao.

  2. maROCKosu disse:

    o nigthclubs podem ser chamados de axezeiros-funkeiros-pagodeiros-metidos-a-palyboy…
    as cougars, bom hum… pode chamar de tiazona…
    os pivetes pode chamar de perca de tempo mesmo…
    a gordinha, bom eu odeio “gordos”, não por ser gordo, mas pelas atitudes que apresentam, que parece ser uma doença que vem junto com o aumento de gordura…

  3. “Até onde posso averiguar, as baladas são a piracema dos Nightclub Douchebags.”

    Essa valeu o dia! Se eu não tivesse matado as aulas de educação artística, faria um desenho seu com guache em homemagem.

  4. Nighto disse:

    Kid, é por textos como esses que eu acompanho seu feed há tempos. Duca!
    []

  5. Marlon disse:

    O da gordinha foi ótimo

  6. Ronaldo disse:

    Hahahaha… excelente post. Rí pra kct.

    Parabéns, Kid. Como sempre, suas analogias são, simplesmente, fantásticas.

  7. krain disse:

    até que enfim um post de verdade, porra! e esse tá completo, no estilo kid, com direito a divisão de classes, ótimas analogias e muita nerdice, claro.

  8. Diogo disse:

    Cara, você é meu idolo

  9. M disse:

    Disgrama! O Kibe virou rato de boate…

    …pensando bem, vende suas cartas de Magic por quanto?

  10. Droantjk disse:

    holy shit! a descriçao das gordinhas ta sensacional! auheauehauehaeuhaeuhe… soh nao gostei da parte dos pirralhos.. eu tenho cara de criança T_T..

  11. Karlisson disse:

    Douchebags!? É outro nome para metrossexual?

  12. Vovô Garoto disse:

    Texto muito bom!
    Aqui in Brazil é quase igual, por exemplo os Nightclub Douchebags daqui em vez de uma garrafinha de Heineken SEMPRE tem com eles uma latinha de Skol. De resto são iguais: cabelinhos arrepiados e vestidos com as mesmas roupas…
    Será que as patricinas intercambistas estavam nessa boate?

  13. pedro s disse:

    droga.
    Imagina um cara, 18 anos, 1,70, cara de criança, pelos faciais quase inexistentes.

    Amigo meu mais novo nao é barrado, e sempre tão lá os seguranças pra me pedir identidade u.u

  14. Anonymous disse:

    “Aqui in Brazil é quase igual, por exemplo os Nightclub Douchebags daqui em vez de uma garrafinha de Heineken SEMPRE tem com eles uma latinha de Skol.”

    ERRADO. Os true Nightclub Douchebags (PQP ri alto com esse nome) estão sempre com sua Smirnoff Ice na mão!

  15. Biah disse:

    kid, não sei porque, mas quando vi essa foto, lembrei de você

    http://odescontrole.zip.net/images/nintendo.jpg

    ;x

  16. Luiz Felipe disse:

    Parabéns, Kid. Como sempre, suas analogias são, simplesmente, fantásticas.[2]

  17. chin2k disse:

    realmente, douchebag vale pra qualquer país.

    Ahn, e as músicas!
    Komodor – Electrize
    Milk & Sugar – Stay Around
    Martjin Ten Velden – I Wish you would (http://www.youtube.com/watch?v=R1jOmInXfCQ)

    BT – Flaming June
    e é só!

    e realmente, as gordinhas nas baladas são a personificação do desespero. ahahha

  18. chin2k disse:

    depois se quiser mais dicas, tem o meu email aí nos comentários!

    =D

  19. RoadHouse disse:

    cara, c tem certeza que tá no Canadá? ;D