Ahaha pra você ver ein. Cearenses parecem não ter sorte aqui em cima.
Estava lá eu ontem na minha loja. Como já devo ter mencionado, trabalho no turno da madrugada.
Eram mais ou menos 5:30 da manhã, o sol já começaram a aparecer no horizonte. Eu estava me aproximando do fim do meu expediente, acessando meus fóruns favoritos naquela tranquilidade que apenas uma loja vazia e o trabalho relaxado provém.
Subitamente, ouço a campainha que indica que a porta da loja havia sido aberta. Ergo os olhos do meu netbook e vejo duas figuras encapuzadas se materializarem na entrada da loja.
Um deles usava uma bandana cobrindo a boca (estilo ladrão de trem de filme de faroeste mesmo) e óculos escuros, e o outro trajava um suéter a la Kenny, ou seja, com a touca completamente cerrada ao redor dos olhos. Pra completar o anacronismo do maluco com a bandana, antes mesmo que ele declarasse assalto, vi a machadinhas na mão dele — e outra na mão do companheiro. E eles saltaram em minha direção, me empurrando ao chão e berrando, ao mesmo tempo, que eu não olhasse pra nenhum deles.
Estendi os braços e me joguei no chão conforme comandado pelos meliantes, ao mesmo tempo que dizia o clássico (tentando ao máximo me manter calmo) “relaxa cara, de boa, não vou reagir. Pode levar o que quiser, só não me machuque”. Por algum motivo os machados instigaram mais medo do que se os caras estivessem com revólveres — a idéia de ser decapitado ou de perder uma mão, por algum motivo, me soa mais doloroso (pra não dizer irreversível) que levar um tiro, que afinal de contas nem sempre é fatal.
Com o rosto no chão, eu estava completamente cego em relação ao que estava acontecendo ao meu redor. Apenas os sons eram registrados: os caras berravam muito, indicando claro nervosismo. Ouvi barulho de caixas caindo no chão, então desenhei mentalmente a imagem de um deles vandalizando o interior da loja. Um dos caras ordenou, ao mesmo tempo que largou uma machadada no balcão (sem dúvida pra me intimidar ao ponto de cooperação) pra que eu abrisse o cofre.
Nessa hora meu sangue congelou. Obviamente não tenho a chave do cofre, e eu tive um medo absurdo de que a frustração levaria o cara a no mínimo realizar ali mesmo uma operação de remoção peniana por intermédio de machado enferrujado. Cruz credo, mermão!
Tive uma idéia. Ergui o braço calmamente e apertei o botão que abre a caixa registradora. Imaginei que isso provavelmente satisfaria os caras, e como a cartilha da bandidagem rege que quanto mais rápido o assalto, melhor, seria o suficiente pra que eles se mandassem de lá.
Meu próximo pensamento foi “PORRA, MEU LAPTOP E MEU CELULAR”. Ambos estavam em cima do balcão, pois eu comumente uso meu iPhone como modem 3G pra navegar a internet durante o expediente. E o pior, eu já estava prestes a desligar o computador e iniciar os procedimentos de finalização de expediente; se os assaltantes tivessem chegado 2 minutos mais tarde o laptop e o celular estariam a salvo da ganância criminosa.
Com a cara firmemente pressionada contra o chão, e os malucos berrando e batendo com os machados no balcão e detonando o interior da loja, tive um daqueles clichês momentos em que sua vida passa pelos seus olhos.
Lembrei da infeliz ironia que é um imigrante brasileiro ser vítima do mesmo tipo de violência que ele almejava escapar quando se manda de mala e cuia pro hemisfério norte.
Imaginei qual seria a reação da minha mulher caso algo acontecesse comigo. Uma machadada na cabeça sequer precisa ser com a parte afiada pra provocar efeito fatal, e eu não consigo imaginar dor mais cruel que a perda de um conjuge. E sabe-se lá o que passa na cabeça de um vagabundo desses — vai que ele pensa que eu serei capaz de reconhece-lo, ou se frustra porque o roubo não foi tão lucrativo quanto ele esperava e resolve se vingar do balconista, sei lá.
Pensei naquele velho ditado de que você deve viver todo dia como se fosse o último, “porque um dia será mesmo”. E fiz uma recapitulação rápida de tudo que eu havia feito naquele dia: teria eu vivido aquela quarta feira como se ela fosse minha última nesse planeta? Ou eu a desperdicei batendo papo na internet e brincando com meu novíssimo helicóptero de controle remoto?
Um belo desperdício, ao menos
E — algo que só pensei agora, horas após o ocorrido — verifiquei em primeira mão de que aquela máxima de que “em assalto e avião em pane, não existem ateus” é realmente wishful thinking de religiosos: sozinho, com a cara no chão e rodeado por dois marginais armados com machados, em nenhum momento sequer passou pela minha cabeça pedir auxílio ao “divino”. Pra alguém que já se distanciou tanto da imagem de um deus pessoal e que se importa com assuntos humanos, rezar por socorro é um exercício tão válido quanto pedir ajuda ao Papai Noel.
Em um determinado momento os vagabundos se deram por satisfeito e saíram, mas não sem antes me alertar que se eu me levantasse do chão, eles arrancariam minham cabeça. Eu quase me borrei nessa hora. Os caras saíram fora e eu, sem ter total certeza de que a barra estava limpa, permaneci deitado por outros 20 ou 30 segundos.
Levantei-me lentamente, olhando pra todos os lados. A loja estava tão silenciosa quanto antes, e eu calculei que a coisa toda durou menos de dois minutos. O celular e o laptop haviam sumido, mas minha mochila (com alguns livros, meu PSP, e meu DS) ainda estava no seu cantinho de sempre. “Menos mal”, pensei.
A gaveta do caixa jazia em cima do balcão, vazia. Na pressa, os marginais espalharam moedas por todo canto do chão da loja. Caixas de produtos também haviam sido arremessados por todo canto.
Catei o telefone e disquei 911. Eu ainda estava no telefone com o operador quando 4 policiais chegaram, dois ou três minutos depois. Passei o telefone pra um dos policiais, pra coordenar com a operadora o que já era sabido sobre o assalto.
O tempo todo, o que mais me chateava era o iPhone. Como vocês estão carecas de saber, esse celular é meu gadget de estimação, é essencialmente meu computador de bolso. A idéia de perde-lo — e pior, ter que pagar 700 ou 800 dólares por um novo celular fora do contrato — era de partir o coração.
Enquanto eu dava aos policiais as informações sobre o ocorrido, um deles dava uma volta pela loja procurando por alguma pista deixava pelos vagabundos. E pasmem – ele achou meu celular jogado no chão, num cantinho da loja. O impacto da queda havia arremessado o case a dois metros de distância de onde o celular foi encontrado.
Miraculosamente, a tela estava intacta. Menos mal, pensei.
Perder o computador (e as informações pessoais contidas nele) é preocupante também, mas próximo ao celular estava a bateria do computador. Ela deve ter caído durante a fuga. Sem o carregador e sem a bateria, imagino que não há muito motivo pra preocupação em relação às informações contidas no HD. E dos males, o menor — antes gastar 300 paus pra substituir um netbook que já tava defasado mesmo, do que pagar 800 num iPhone novo em vias do lançamento do próximo modelo. Se roubassem meu celular em julho talvez minha chateação fosse bem menor…
O policial teorizou que os marginais descartaram o celular pela facilidade em tais aparelhos serem rastreados. Faz sentido.
E é isso. Os vagabundos fugiram com a incrível soma de cem dólares e um netbook velho sem carregador nem bateria. A chefia me deu o dia de folga, com compensação e fala-se sobre ressarcirem o valor do computador roubado. Eu já planejava há algum tempo substitui-lo por um modelo mais recente, então agora é a hora. Escapei intacto com vida e com meu querido iPhone; é motivo pra comemorar a sorte mesmo.
E foi assim que fui assaltado no Canadá. A coisa poderia ter sido muito pior, e eu já me considero um cara extremamente sortudo, então não há porque se lamuriar. Bola pra frente.





Phoda… pelo menos só levaram o netbook.
Caro amigo Kid,
O senhor como bom cearense evidente não deveria ter migrado para as terras canadenses. Se tivesse feito como 99% dos seus parentes da família Nobre e tivesse migrado para São Pualo para ser auxiliar de almoxarifado, pedreiro, motoboy, auxiliar de mecânico, porteiro de prédio ou qualquer coisa do tipo, isso não teria acontecido.
Da próxima vez morra.
Triste será se derem um jeito de dar carga no seu netbook, não é dificil comprar carregador novo. Você é imã de acontecimentos hahahahah.
Do mal rapaz… Se fosse por aqui aposto que você teria presenciado coisa pior.. Que bom que nada te ocorreu maluco! E qlqr dia eu leio o troço do Iphone rastreado… Preguiça da porra de traduzir. /malditoinglesfubeca
Caralho, machadinhas?
Ainda não chegou a minha hora e sempre tenho medo de pensar como ela será :
Que merda eim! isso prova que pode ter assaltos em qualquer lugar, não só no buteco da esquina.
Viu? Jeová castiga! Hahahahahhahahaha
Assalto com um ladrão de trem de faroeste e o Kenny? Tava na cara que não tinha que dar certo mesmo…heheh
E o Kenny deve estar morto, btw
Alguém descrevendo um assalto no Brasil: “… 5 horas depois de ter telefonado o carro da polícia chega, tenho que repetir toda a história, novamente, para o policial que apresentava um visível desinteresse e pressa. Logo, em seguida minha gerente me informa que terei que ressarcir o prejuízo e sou demitido por não ter fechado a porta da loja e desconfiado dos ladrões”
Quem duvida?
Hahahahahahahaha… com certeza foi praga do velhinho !!!!
Agora ele vai voltar na sua casa, pode esperar
Cara muito azar pqp, de qualquer forma ainda é notavel como as coisas são diferentes ai “A chefia me deu o dia de folga, com compensação e fala-se sobre ressarcirem o valor do computador roubado.”
E não dá pra entender esses ladrões. os caras roubam 100 dolares e um netbook apenas, trabalhar definitivamente era algo mais facil e menos arriscado(considerando também que a policia ai deve ser MUITO melhor).
tu ainda quer criticar como é lá e aqui ??? teve que encontrar uma brecha no ocorrido pra fazer uma comparação entre o mundo lá fora e o Brasil?
és uma besta mesmo
Meu caro kid.
Tu ficou satisfeito pelo fato de levado apenas seu Netbook bichado, e de nem sequer terem encostado em seu couro cearense com o machado….acrescente a lista de agradecimentos o fato de nenhum dos dois resolver usar os produtos da sua loja contra sua pessoa…imagine o estrago que um dildo tamanho jumbo com motor de Dodge Charger faria no seu rabo nordestino.
Com os profundos desejos que voce nao tenha tanta sorted a proxima vez
Rico Correia
O sangue de Jesus tem poder.
Agora, apesar de nao conhecer o interior de sua loja, penso que, se estivesse atras do balcao munido de um taco de baseball, vc facilmente teria rechaçado os meliantes, visto que o raio de açao de tais machadinhas é curto. E antes da ironia, eu já reagi a um assalto na rua, aqui no rio, e segurei uma faca que estava sendo usada contra mim. Pela lamina. O cara desistiu NA HORA. bandidos sao covardes. Mas nao reagiria contra armas de fogo btw.
E aproveita pra comprar um macbook ou ipad pra substituir o netbook
Porra Kid, os caras te fazem o favor de levar aquele Acer fudido pra longe e tu ainda faz um post chamando eles de criminosos?? Mancada…
Hauhauahuahuahuhauhuahuahu…
[...] Esta noite uns bandidos entraram em sua loja e levaram 100 dolares e seu notebook. Tudo relatado neste post dele, em detalhes. [...]
Porra! Maldito Kenny McCormick, poderia ter morrido nesse episódio!
Provavelmente eram leitores do blog pra Tê forcar a atualizar isso =p