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MacBook e frustração

Postado em 12 May 2009 Escrito por Kid 316 Comentários

Há muito tempo eu acalentava a idéia de ter um MacBook. Não havia nenhum motivo em particular, só mesmo a vontade de explorar um sistema operacional completamente diferente. Minha noiva, que é a melhor noiva do mundo, ficou com pena da minha cara e me comprou um MacBook


E foi uma das experiências mais frustrantes da minha vida.

Não sei como Macs são marqueteados aí no Brasil, mas aqui eles fazem um bom trabalho de fazer os computadores parecerem user-friendly. Mac aqui é o computador que nego dá pra avó ou pra mãe, pra que ela mexa em fotos e produza slidezinhos com vídeos das férias. Nas muitas vezes que frequentei a Apple Store, os vendedores sempre me relembravam que mexer com Macs é intuitivo e que os diversos workarounds necessários no Windows não aconteciam com a plataforma Apple. Pode sair plugando e nem se preocupe em ficar horas configurando ou baixando drivers ou codecs ou fuçando fóruns – em Macs tudo funciona de primeira, sem encheção de saco. Ótimo!

Em primeiro lugar, há a questão do OS completamente diferente. É difícil explicar, mas os hábitos Windows cultuados ao longo de 15 anos não são fáceis de abandonar. Pelo menos às primeiras pegadas, o sistema passa impressão de pouco intuitivo. Eu não estava sabendo exatamente quando estava minimizando ou fechando programas, a falta de uma barra de ferramentas embutida nos aplicativos me confundia, o Spaces acabava me atrapalhando mais que ajudando, era uma confusão.

Isso só acontece, obviamente, por causa da minha predisposição com a arquitetura do Windows. Não há problema inerente do Mac nessa questão. Imagino que um usuário de anos de Mac, ao usar Windows pela primeira vez na vida estaria tão perdido quanto eu.

Então o OS é um pouco diferente. Isso não é um problema; afinal, o que eu queria era realmente experimentar o sistema novo. é meramente uma questão de prática. Eu estava completamente disposto a desbravar o sistema operacional.

O que realmente me incomodou um pouco foi a forma contra-produtiva como o iTunes do Mac lidou com meu celular. Em outras palavras, o iTunes apagou todo o conteúdo da porra do meu iPhone.

No twitter, milhares de soluções pro problema apareceram, todas elas bastante diferentes da promessa de que Macs “just work”. Mas tudo bem. Não é como se a Apple prometesse que seus periféricos funcionarão sem complic…

Oops.

Uns sugeriam caçar entre as configurações do iTunes uma opção que me permitisse fazer sei lá o que. Outros disseram que eu deveria ir ao meu PC, copiar a minha playlist gerada pelo iTunes lá, colar no Mac, e rezar pra que a gambiarra funcionasse (precisei no passado fazer algo parecido entre PCs e não funcionou). Outros, provavelmente mais experientes com esse tipo de manobra e conhecedores dos resultados desfavoráveis, sugeriram que eu passasse a usar o meu PC com Windows pra gerenciar o iPhone.

Ignorei o fato de que comprar um novo computador mas se ver obrigado a usar o velho pra funções básicas do dia a dia é um contrassenso, e tentei sincronizar o iPhone com o Mac. E perdi tudo que tinha nele.

Olha, eu não sou um especialista em programação. Entretanto, dá pra saber que não é necessário uma inteligência artificial avançada pra que o iTunes concluísse que, como a instalação do MacOS era recente e as databases do meu iPhone eram bem antigas, o usuário tinha acabado de adquirir um Mac e que por isso não fazia sentido destruir todo o conteúdo do celular.

Mas foi isso que aconteceu. Eu entendo que a idéia de sincronizar o iPhone com o iTunes é que o conteúdo de um seja idêntico ao do outro, mas não seria mais lógico pegar o conteúdo maior e transferi-lo pro menor, formatando um dos dois apenas quando o usuário deixasse CLARO que é isso que ele queria fazer?

Mas tudo bem. Eu não gostava mesmo de todos aqueles contatos, fotos, e apps no meu celular, anyway. Não demoraria mais de uma semana pra reconstruir tudo. Foda-se. Vamos mexer no tal do iLife!

Vou falar aqui que achei aquele iPhoto uma confusão só. Ele pega TUDO que eu odiava em ser obrigado a gerenciar minhas músicas no iTunes, e estende aquilo pras minhas fotos! Como é que a Apple marqueteia isso como uma função desejável, eu jamais entenderei. Mas tudo bem, fodam-se as fotos. Quem quer tirar fotos de eventos importantes, de qualquer maneira?

Meu interesse maior era o iMovie. Como vocês sabem, eu curto dar uma de cineasta, pegar filminhos que faço em viagens, colocar musiquinha de fundo, transições, essas merdas. Macs são supostamentes os melhores computadores pra esse tipo de coisa. Já tava até me imaginando reproduzindo versões Directors Cut de todos os vídeozinhos que eu já fiz, e quem sabe até ressucitando o HBDtv.

Aí, a gota dágua: o iMovie não é compatível com vídeos produzidos pela minha câmera.

Pedi ajuda pros macmaníacos, e as soluções vieram em todos os sabores: instale o codec X, baixe o filtro Y, converta todos os seus vídeos (algo provavelmente fácil de fazer quando você não tem 19gb de footage), ou compre uma nova câmera.

Esse último conselho foi quase pior do que os vários amiguinhos que me recomendaram que eu DEIXASSE PRA FICAR FAZENDO EDIÇÕES DE VÍDEO NO WINDOWS MESMO.

Isso foi o que realmente me fez repensar a posse do Mac. Veja bem, meu amigo – tenho meu computadorzinho decente aqui que nunca me deu raiva. Nele, faço tudo que já estou acostumado a fazer sem complicações, todos os meus periféricos funcionam sem problemas nele.

Aí eu ganho um computador que custa o dobro, um computador que é vendido pela fabricante sob promessa de usabilidade simplificada, e preciso me preocupar com mil coisas que o meu PC fazia sem necessidade de passos extras?

Aí eu anunciei meu crescente desinteresse na máquina, e começaram os ataques. Porque afinal de contas, se você está se sentindo insatisfeito com alguma coisa e reconsidera usa-la, você é realmente um filho de uma puta que merece toda hostilidade possível.

Porra. Eu queria o MacBook há meses. Fiz um esforço pra me adaptar ao novo sistema operacional, dei de ombros quando todo o conteúdo do meu iPhone foi limado sem necessidade aparente, me resignei a adotar o odiável approach do iTunes pra gerenciar minhas fotos. Boa vontade da minha parte não faltou, acredite.

Mas quando os conselhos de usabilidade do MacBook começam a se resumir a “ah, continua fazendo isso no Windows que é melhor!”, qual o propósito de ter o novo computador?

De acordo com os macfags, eu DEVERIA continuar usando o computador mesmo assim. Por que? Sei lá por que. Mas eu deveria. Aparentemente o MacBook não tem obrigação de fazer nada por mim, EU é que tenho que fazer alguma coisa por ele. Se a posse do MacBook me obriga a perder todo o conteúdo do meu celular, me adaptar a um novo sistema de gerenciamento de fotos e até mesmo comprar uma nova câmera, isso é o mínimo que eu tenho que fazer. O MacBook está me fazendo o favor de estar na minha mesa, oras!

Ah, vá sentar em uma piroca, meu amigo! A função de uma ferramenta é me servir; no momento que o benefício oferecido pela ferramenta se torna menor do que os contratempos em utiliza-la (ou pior, quando a posse da nova ferramenta me faz ainda obrigado a usar as antigas com frequência), qual o propósito de ter a nova ferramenta? Todo a complicação em me adaptar ao MacBook não era pro MEU benefício, era pro benefício da marca.

Nem posso dizer que me surpreendo com o resultado desse breve ingresso no mundo Mac. A hostilidade dos macfags simplesmente porque eu decidi que o Mac não se enquadra bem no meu padrão de uso chega a ser cômica.

Não entendo essa forma de pensar. Em qualquer outra faceta da nossa vida, ao experimentar algo que você não gosta e que não traz tantos benefícios assim, você se afasta daquilo. Você busca aquilo que dá mais conforto e funcionalidade.

Os macfags, aparentemente, não permitem essa atitude. Você não gostou de um Mac? Você é burro, porque DEVERIA gostar. O Mac destruiu o conteúdo do seu celular? Você é burro, porque tinha que setar mil configurações antes, a despeito do fato de que o Mac se define como um computador que não requer tais sobressaltos pra interfacear com seus periféricos. A câmera que você usa há anos e funciona com todos os seus PCs e múltiplos softwares de edição não é compatível com o iMovie? A culpa é totalmente sua por ter comprado aquela câmera. Seu MacBook explodiu e incendiou sua casa? A culpa é sua por ter uma casa feita de materiais inflamáveis.

A posição dos macfags é praticamente dogmática – o Mac jamais estará errado, então qualquer insatisfação provocada por ele é culpa SUA. Só mesmo através dessa ótica quase religiosa é que o usuário fanático consegue concluir que nada jamais será culpa da Apple; o usuário que não fez tudo o que ele podia pelo computador.

Parece aquele episódio dos Simpsons em que Homer vai à “Mapple” Store, pergunta ao vendedor o que o computador pode fazer por ele, e o vendedor o corrige perguntando o que ELE pode fazer pelo computador.

Foda-se. A única pessoa que podia legitimamente se sentir chateada com a devolução do computador é a minha noiva, e aposto até que ela suspirou aliviada por não ter que pagar 1400 dólares num computador que tem uma maçãzinha na tampa. Chega a ser dantesca essa insistência dos fanáticos de que eu TENHO que continuar tentando, de que eu TENHO que continuar dando chances ao MacBook. Por que, porra? Você precisa legitimizar sua preferência por causa da minha experiência favorável pelo negócio?

Antes de você correr pros comentários me explicando que você migrou pro Mac e nunca voltou atrás, poupe seu tempo. Eu compreendo que num país como o Brasil, que devoluções de aparelhos caros são manobras dificilmente bem sucedidas, você precise ter se FORÇADO a gostar do aparelho e falar apenas coisas boas sobre ele. Dissonância cognitiva explica que dificilmente alguém que gastou muito dinheiro com alguma coisa ousará falar mal dela.

E caso você tenha legitimamente preferido o Mac que um PC, porra, foda! Sinto inveja de você, realmente. Acredite, eu NÃO queria ter devolvido o MacBook. Eu queria que ele “apenas funcionasse”, exatamente como a propaganda dizia que ele funcionaria.

Entretanto, não foi o caso. Eu me sinto legitimamente triste por ter que me desfazer de algo que desejei por meses, mas o que eu posso fazer? O troço não funcionou como prometido (e pior que isso, ele me causou problemas reais, a perda de todo o conteúdo do meu celular).

O problema de vocês é que, por qualquer motivo que seja, vocês adoram a marca. Não no sentido de gostar bastante, no sentido de VENERAR mesmo. A Apple é superior a qualquer outra coisa, e está sempre certa, não importa as circunstâncias.

Acho que é por isso que vocês não permitem que o computador produzido por ela seja visto como uma simples ferramenta, a ser usada de acordo com a conveniência. A porra desse Mac é visto quase como o objeto de afeição de vocês.

Foda-se tudo. vou continuar com meu Windowzim mesmo. Afinal, ele REALLY works.

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Categorias: Tech Toys, Vida maldita

About Kid

Kid, ou Izzy Nobre como me conhecem no tuíter. Até "Quide" serve. Tenho 27 anos, moro no Canadá há quase uma década, e escrevo bobagens que vocês por algum motivo gostam de ler. Meu pai foi pastor evangélico, minha mulher é gringa, e eu curto tecnologia. Resumidamente, é isso. Quer o dossiê completo? Clicaí.

316 Comentários \o/

  1. Blyter says:

    gente verde fica com o linux, gente fresca com o mac e lutadores de box ficam com o windows XD

  2. Rodrigo says:

    êh que negocio de mac o quê… colocava o ubuntu no macbook e seja feliz : )(

  3. Aricely says:

    Simplesmente vc conseguiu colocar em um texto exatamente TUDO que eu sempre quis dizer! Concordo plenamente com vc!

    • Diego Duarte says:

      Simplesmente vc conseguiu colocar em um texto exatamente TUDO que eu sempre quis dizer! Concordo plenamente com vc! (2)

      Eu já estava começando a achar que eu era um alienigena de tanta gente que falava bem (dos meus circulos) dos Macs, mas tô vendo que a realidade não é bem essa. Ainda mais quando o pessoal na minha empresa começou a ter problemas com ferramentas “externas” aos Macs…

      E vai mandar o povo usar bootcamp, eles te crucificam.

  4. Fabio Pachelli says:

    Burro! :D

  5. Guilherme Henrique says:

    Mais um com a mesma visão que eu
    comprei o meu faz 2 anos, e até hoje me arrependo disso

    comprei por causa da promessa de que macs não travam e blablabla
    pois é, não foi o que me pareceu quando eu perdi uma gravacão inteira que eu estava trabalhando

    mas tudo bem, sou rico e gosto de jogar dinheiro fora e perder trabalhos que me custam dinheiro

  6. Joao says:

    que nasceu pra windows, nunca vai ser OS. infelizmente, esse é o seu caso.
    então continue com seus acers, lgs, hps e vaios da vida. zzzzzz

  7. Dione says:

    cara ja vi que você não comprou um mac
    pra começar esse que vc tem na foto e um dinossauro
    mac tem disenpenho não trava e alem de tudo tudo oque você fizer no windows o mac faz melhor ate mesmo as aplicações do windows que foram adaptadas pro mac fiquarão melhor.
    sou designer a 6 anos a dois trabalho com mac
    o windous e otimo mas para quem conhece o mac e melhor
    por exemplo e quase impossivel pegar um virus
    se precisar formatar algum dia se precisar coisa que e rara
    que so acontece se você fuder com o sistema
    vc mesmo faz e não tem essa de ficar caçando drave e tudo mais
    e super facio.

  8. Pedro says:

    Pena que no mac desse incrível designer não tenha auto corretor rsrs,a melhor parte é ele não ter notado o ano que isso foi escrito hahaha

  9. MisterNogas says:

    tô com a impressão que esse comentário de dione eh um trollbait… pq será?

  10. @weizrocha says:

    izzy esse mac tinha problema de “junta”!!

  11. T says:

    Ei, na verdade, tudo depende de qual Mac você está utilizando. Os mais recentes, o MacBook Pro e o MacBook Air realmente impressionam por causa da facilidade de uso e sua capacidade de desempenho. Muitos aplicativos já estão incluídos no Mac quando você o compra. Como por exemplo, o iWeb, que permite você criar seu próprio site. O iMovie é excelente. O iWork, um aplicativo do Mac, superou em questão de desempenho o famoso Microsoft Office, pois enquanto a Apple cobra um pouco mais de 100 reais por ele, a Microsoft cobra 1.399 reais pelo Office. Eu possuo um MacBook Air e devo admitir que sua capacidade de desempenho de trabalhos é impressionante. Mas, no fim, uma coisa que importa é que no Mac você também pode usar os incríveis aplicativos do Google Chrome, que se mostraram completamente úteis. Se o Mac fosse ruim, não veríamos tantos americanos, habitantes do mais poderoso país do mundo, usando tanto Mac. O Mac é usado em inúmeras empresas norte-americanas, devido ao seu alto desempenho.